terça-feira, 10 de março de 2009

Pressão sobre os Democratas


O PAD decidiu no final da semana passada criar um Partido político, a Vela da Correcção (numa tradução livre de Thien Hang Tham-THT). Esse Partido rejeitará doações vindas de empresas só aceitando contribuições dos militantes aos quais vai pedir 100 bath por mês. Estranho que durante os 193 dias da campanha de 2008 os principais contribuintes para a sua luta tenham sido empresas, para além de altas individualidades interessadas em ver o movimento derrubar o "regime de Thaksin".

O General Chamlong será o seu líder e apresentarão ao país um programa o que está a criar grande expectativa visto, finalmente, a "Nova Política" que sempre apregoaram e defenderam vai ser explicada. Chamlong declarou que a principal razão para que o movimento se transformasse em partido, o que sempre tinha sido reclamado e sempre negado, é porque o Governo não está a actuar e não está a mostrar agradecimento pela forma como o PAD ajudou a colocá-los no poder(sic). Suthep o braço direito de Abhisit veio a lume dizendo que os Democratas nada devem ao PAD e negou que exista algum conflito com o PAD na sequência da acusação que estaria por detrás dos mandados de captura emitidos, mas adiada a sua execução contra os líderes "amarelos". Para se ver como a justiça tem ritmos diferentes, alguns elementos da UDD que no passado dia 26 de Fevereiro, aquando do cerco à Government House, atacaram um polícia, estão já atrás das grades. Viva a igualdade de direitos!

A partir deste momento os Democratas, e num futuro processo eleitoral terão a competir nas mesmas águas o PAD ou THT, o que irá ser um problema sério para as suas aspirações para além de este desaguisado entre pares poder trazer de novo o PAD para as ruas. Alguns crêem ver neste movimento uma forma de fazer com que o Governo pressione o sistema judicial para que ele seja ainda mais lento do que tem sido até aqui com o PAD ou mesmo deixe cair, como um dos seus Ministros já disse, as queixas contra o movimento pelos prejuízos descomunais que causaram ao país.

Por outro lado a nova tática da UDD de levar as suas manifestações para a província, multiplicando-se em variadas manifestações, parece estar a dar frutos visto conseguirem muito mais cobertura jornalística, e assim também atrair mais pessoas, para o movimento. Thaksin pelo seu lado continua a manter viva a chama dos seus apoiantes com permanentes discursos e entrevistas que vai dando pelo mundo fora e que sempre têm grande eco nos meios de comunicação tailandeses. Numa das últimas entrevistas disse que até ao final do ano tudo estava resolvida sendo encontrada uma solução para o país onde todos estarão em paz. fez afirmações interessantes como a de que se este PM conseguisse trazer paz ao país e receber o apoio do povo ele, "como um cão que se doma", estaria a seu lado para ajudar a consolidar essa união nacional!!

Para ajudar a pressão sobre o Governo um grupo de grandes personalidades encabeçadas pelo antigo Ministro das Finanças do Genaral Surayud Chulanon (o PM após o golpe de 2006), M.R. Pryidhianon Devakhula, que se tem mantido bastante activo com uma coluna semanal sobre assuntos económicos no The Nation, criou um grupo de pressão, chamado Rak Muang Thai, ou seja "amor pela Tailândia", que pretende vir a intervir na sociedade sem contudo, pelo menos para já se transformar de movimento cívico em movimento político.

O Rak Muang Thai incluí pessoas de todos os espectro políticos, sendo transversal á sociedade, podia dizer-se com amarelos, vermelhos e outras cores, o que pode criar um movimento de grande solidariedade á sua volta. É bom não esquecer que todas as sondagens feitas, especialmente pela Universidade Assumption, sempre apontaram para uma larga maioria de cerca de 2/3 sempre contra as duas principais forças em competição. Os Thaksinistas e os conservadores.

Por outro lado as questões sobre os casos de Lèse majesté estão cada vez mais na ordem do dia e a internacionalizar-se sem que o Governo consiga ter uma posição coerente.

Na sequência do abaixo assinado a ser apresentado ao PM por um grupo de académicos e políticos espalhados por todo o mundo para que a lei seja revista, Abhsit respondeu positivamente dizendo que o gabinete iria olhar para a lei. No dia seguinte uma empresa que tinha um sitio de web onde alojava um fórum de discussão, foi invadida pela polícia que levou os computadores e prendeu a sua Directora, uma professora universitária. Acontece que esse fórum é propriedade de um Senador, meio tailandês meio inglês, irmão do professor Ji Ungphakorn, que se refugiou no Reino Unido após ser acusado do crime de Lèse Majesté devido ao conteúdo do seu livro "Um golpe para os ricos". A empresa tinha sido criada no tempo de Thaksin e era um dos principais fóruns de discussão contra aquele, mas nunca tinha sido objecto de nenhuma acção policial como a que agora aconteceu.

Este caso tocou forte no meio da comunicação social que ontem, entre os próprios jornalistas, o comentava com palavras pouco simpáticas para Abhisit.

É sabido que ataques á comunicação social e á liberdade de expressão deste grupo nunca são bem vindos pela corporação e acabam por fazer ricochete sobre quem inicia os disparos.

Abhisit, já voltou atrás na sua palavras sobre a revisão da lei e veio agora dizer que ela será levada acabo mas, mas e mais mas ou seja que não tem intenção de abrir o debate só que ele está na rua. Amanhã e depois de amanhã há dois importantes eventos em Bangkok, um deles recheado de Embaixadores, em que estes assuntos por certo irão ser discutidos.

Outro facto que está agitar os meios é a visita de Abhisit a Londres em início de Abril. No dia 2 irá ao seu antigo "College" em Oxford proferir uma palestra mas nesse mesmo dia e no mesmo local, Gilles Ji Ungphakorn irá falar, por certo sobre os temas que lhe são queridos o que pressupões uma tarde quente na Universidade. Há quem conspire que os dois se irão encontrar, por detrás das cortinas o que poderá muito bem acontecer, sabendo-se da forma de ser de Abhsit, mas mesmo que aconteça será sempre negado visto lhe ser extremamente prejudicial perante os seus apoiantes nas esferas mais altas do poder.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Tailândia e Laos


Vizinhos e irmãos a Tailândia e o Laos nem sempre têm vivido juntos como talvez muitos dos seus gostariam. A população do Laos e, especialmente, a do nordeste tailandês têm enormes semelhanças e a própria língua falada nessa zona é práticamente a mesma. Quando se vai ao Laos pode falar-se tailandês e usar o bath como meio de pagamento.

Como já referi a história destes dois países mistura-se muitas vezes no passado mas embora sejam parceiros na ASEAN, ACMECS, GMS o facto é que a história mais recente fez com que estes dois irmãos s afastassem e vivessem vidas separadas sem grande ligação entre os dois separados por esse grande rio que é o Kong, ou Mekong.

Depois da ascensão do Laos à ASEAN e das crescentes necessidades da Tailândia de ter acesso a fontes de energia as relações entre os dois países conheceram um significativo impulso.

O Laos é um produtor de energia eléctrica de origem hídrica, importante no contexto da região, e quer a Tailândia quer a China têm contribuído com importantes fundos para a construção de barragens capazes de produzir a energia de que os seus desenvolvimentos vai requerendo

A Tailândia decidiu, durante a governação de Thaksin, em 2001, alterar o seu estatuto, no conceito de ajuda ao desenvolvimento, de país receptor de ajuda para país doador.

No contexto da ajuda sul-sul (conceito emanado da Convenção de Paris que não corresponde exactamente á divisão hemisférica), a Tailândia tem vindo a ser um importante parceiro, quer em acções bilaterais quer em acções tri ou multilaterais, para o desenvolvimento da região nomeadamente com os três países fronteiriços, Laos, Cambodja e Burma/Myanmar.

O Laos, sendo aquele mais próximo em termos culturais e onde as populações mais se aproximam, isto sem que no Museu Nacional em Vientiane ponha em realce os "roubos praticados pelos tailandeses", é o que mais tem beneficiado do apoio tailandês para a construção de infraestruturas.

Depois de terem sido construídas três pontes, encurtando caminhos em três distintos pontos da fronteira, ontem foi a vez de ter sido inaugurada a primeira ligação ferroviária entre os dois países, um troço de 3,5 km onde o comboio passa na "Friendship Bridge", no mesmo tabuleiro onde passam os carros e portanto há que interromper o trânsito por algum tempo para a passagem do comboio.

Desde ontem passa a haver duas ligações diárias entre as duas margens e pode comprar-se agora um bilhete de comboio em Bangkok para ir atá Thanaleng a estação do outro lado da fronteira. Um projecto para estender este troço até Vientiane, mais 9 km, está já em preparação.

A viagem ainda terá de ser feita em duas etapas visto haver a necessidade de mudar de comboio em Noing Khai, antes da atravessar a ponte e vice versa quando se vem do Laos.

Para além disso existem ainda as formalidades fronteiriças que não são simples no Laos. Só muito recentemente os tailandeses foram isentos de visto para entrarem no Laos, coisa que não acontece aos outros estrangeiros, todos eles obrigados a obter visto ou no local de partida ou na fronteira e mesmo diplomatas não conseguem obter visto com entrada múltipla.

Antes de existirem as pontes as ligações entre os dois países eram feitas por barco mas também não havia bem essa noção de passaporte visto os habitantes de um e outro lado do Kong, o cruzarem para as suas compras ou irem vender produtos, de forma mais ou menos informal. Ainda existem algumas fronteiras, como pude constatar em Chong Mek onde as pessoa passam de um para o outro lado unicamente exibindo um passe sem necessidade de outras formalidades. Como é óbvio refiro-me aos tailandeses locais.


Ontem a inauguração da travessia ferroviária foi presidida por SAR a Princesa Maha Chakrit Sirindhorn, na companhia do PM Abhisit e de outras individualidades de ambos os países.

Como diria Amstrong, um pequeno passo, 3,5 km, mas um grande salto nas fortes relações que existem entre os dois irmãos.


quinta-feira, 5 de março de 2009

A Economia do País



Boas e más notícias têm vindo a lume sobre a economia na Tailândia o que não é mau visto que no resto do Mundo só acontecem más notícias.

Vamos ás más para se ficar com um bom sabor na boca no final.

O desemprego registado duplicou se se comparar Fevereiro com Janeiro deste ano o que é bastante preocupante. Ontem o gabinete aprovou um decreto que permitirá ao Governo pedir um empréstimo de 70 mil milhões de bath (1,6 mil milhões de €) ao Banco Mundial, ADB e JICA, como anteriormente tinha descrito.

O Director-Geral daquilo que seria o Orçamento em Portugal, comunicou que as recitas fiscais tiveram uma quebra significativa no montante de 70 mil milhões em quatro meses e que é esperado até ao final do ano fiscal, Outubro, que essa quebra seja de 100-130 mil milhões de bath.

O Bangkok Bank, o maior banco tailandês, anunciou ontem que a economia poderá recuar até 2% neste ano de 2009, o que quer Governo, quer Banco central têm tentado contradizer. Não parece nada de extraordinário visto os grandes clientes da Tailândia, Japão, União Europeia e estados Unidos, estarem todos em forte contenção de despesas no que respeita as importações, o"pão da economia tailandesa". Por outro lado mercados que recentemente têm vindo a tomar fortes posições como a China, Médio Oriente e os outros parceiros da ASEAN, para além dos recentes parceiros Austrália e Nova Zelândia, não são suficientes para contrariar as fortes quebras dos primeiros.

O Banco Central saiu a dizer ao Governo que o programa para distribuir 2.000 bath a todos os que têm rendimentos mensais até 15.000 bath, não é uma medida que ajude os problemas estruturais e de longo prazo da economia e que deveria ser abandonada. Não sei se foi um discurso encomendado pelo Ministro das Finanças, devido aos problemas orçamentais que regista, mas o facto é que se não for para a frente esse programa isso irá afectar, por certo, a coligação e aqueles que querem com esta medida ir conquistar posições no campo do adversário. O programa está para ser implementado a partir de Abril e logo se verá.

Do lado das boas notícias temos a sentença do Supremo Tribunal Administrativo (STA) sobre um caso relativo ao meio ambiental no Parque Industrial de Ma Ta Phut, na província de Rayong, que tem sido palco de números queixas sobre as condições ambientais, inclusível com relatos de substâncias cancerígenas estarem a ser enviadas para o ar através das chaminés das fábricas. Ma Ta Phut é um parque onde se concentra grande número de empresas japonesas e faz parte da grande cintura industrial do país e aí cai grande parte do investimento estrangeiro. O STA sentenciou que Ma Ta Phut é uma zona onde a poluição deferá estar sob controle dentro dos limites requeridos para aí se trabalhar, mas recusou condenar o Parque Industrial o que, se tivesse sido feito, seria uma forte machadada especialmente no que respeita o investimento japonês, o mais importante no país. Poderá considerar-se que foi uma decisão politicamente motivada mas mesmo assim, e atenta as discrapãncias até aqui registadas, sensata.

A outra medida positiva foi o anúncio pelo Board of Investment (agência promotora do investimento) de que nos dois primeiros meses de 2009 tinham dado entrada nos serviços 141 projectos de investimento, tailandeses e estrangeiros, num valor total de 108.7 mil milhões de bath. Feliz o país onde ainda existe algum apetite para os investidores aí apostarem.

É destas medidas que o país necessita, especialmente se forem investimentos duradouros e não oportunistas, para ajudar a equilibrar a economia neste tempos tão conturbados.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A CIA e o Trânsito de Presos


Tal como em Portugal a Tailândia entra na controversa do tratamento dado a membros da Al-Qaeda, presos no pós 11 de Setembro.

Ontem o Governo dos Estados Unidos confirmou a existência neste país de locais onde eram mantido presos e interrogados suspeitos de pertencer aquela organização.

O Ministério Publico em Nova Iorque revelou que tinham sido destruídas 92 cassetes com imagens sobre actos de tortura registados em prisões na Tailândia. As cassetes vídeo continham imagens de dois detidos, Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri presos respectivamente no Paquistão e nos Emiratos Árabes Unidos.

Esses presos teriam sido trazidos para a Tailândia e sujeitos a interrogatórios, de acordo com a comunicação feita nos Estados Unidos, violando a Convenção de Genebra de 1949 respeitante aos direitos dos prisioneiros de guerra.

Como em Portugal de imediato as autoridades negaram o facto de existirem semelhantes prisões e convidaram os órgãos da comunicação social para visitarem os supostos locais. Udon Thani, Nakhon Phanon, Nakhon Ratchasima e U-Tapao, tudo bases aéreas tidas por serem as utilizadas pelas forças americanas.

Como é óbvio os incidentes, se aconteceram, foi há bastante tempo e por isso traços não haverá, agora de qualquer passagem dos detidos pela CIA.

Este é um dos pontos mais negros da política americana no pós 11 de Setembro do qual ainda existe a face visível, a prisão de Guantanano que o Presidente Obama anunciou fechar no próximo ano.

Não querendo fazer juízos nem substituir-me ao Ministério Público americano, não será de estranhar que tais factos tivessem aqui ocorrido. A Tailândia é um dos principais aliados dos Estados Unidos na Ásia. A Missão americana em Bangkok é base regional para muitas das actividades da diplomacia e segurança americanas e tem ao seu serviço mais de 2.000 pessoas sem contar com a JUSMAG. Todos os anos as forças armadas americanas realizam exercícios militares conjuntos denominados COBRA GOLD que recentemente terminaram em Chiang Mai e em Sathahip/Pattaya.

O mesmo aconteceu com os voos que passaram em Portugal outro importante aliado dos Estados Unidos. O natural é que os americanos se apoiem nos seus aliados, pois de outra forma não poderia ser.

Mais um problema para atrapalhar o governo de Abhisit que prudentemente não fala sobre o assunto, ordenando que sejam segundos planos e militares a comentarem as notícias vindas do outro lado do Mundo.

Lèse Majesté - Ultima Hora

Acaba de ser anunciado que o Governo discutirá na próxima semana a lei de lèse-majesté.

Abhisit mostra-se fiel aos seus princípios de abertura á sociedade e ao debate.

Este anuncio vem no jornal The Nation mas é interessante ver que na conferência de imprensa estava um dos seus jornalistas, Pravit, que até ao momento não produziu nenhuma peça.

Pravit, um jornalista sempre muito marcado pelas suas ferozes posições com grande falta de independência, foi criticado na conferência por ter dito que o abaixo assinado era mais uma manobra dos apoiantes de Thaksin. A isso os dois Professores responderam que as afirmações eram "juvenile and puerile’, um e "an insult to the intelligence of the Thai people" o outro.

Este "incidente", que o não foi, é um excelente exemplo daquilo que deve ser a liberdade de expressão pois ninguém se "encheu de calores" com nenhum dos comentários seja de Pravit seja dos professores.

Sociedades abertas discutem sem calor, mas com cabeça, os tópicos que lhes interessam.

Lèse Majesté


Esta manhã no Foreigns Correspondent Club of Thailand (FCCT), realizou-se uma conferência de imprensa sobre uma petição que irá ser enviada ao PM Abhisit no final deste mês ou início de Abril solicitando a abertura de um amplo debate sobre esta lei e as suas implicações.

A lei não é nova mas a sua recente aplicação tem suscitado um grande conjunto de comentários desconexos e nem sempre claros pelo que se torna necessário haver um bom entendimento sobre ela inclusive visto ter havido afirmações feitas por altas entidades neste país sobre ela que merecem atenção.

Num discurso em 3 de Dezembro de 2004 SM o Rei Rama IX afirmou que o Rei não está isento de cometer erros e que a Monarquia pode ser criticada, Recentemente em Agosto passado Tej Bunnag, na altura Ministro dos Negócios Estrangeiros, Conselheiro do Secretaria do do Rei e membro de uma das mais aristocráticas famílias no país afirmou que "a lei era um problema". Mais recentemente o PM Abhisit referindo exactamente aquelas palavras repetiu que a lei era um problema que deveria ser resolvido.

A petição que será entregue ao PM pode ser vista aqui.

A questão não está na existência da lei, a própria petição não pede a sua anulação, mas fundamentalmente na sua aplicação desordenada e como é óbvio perigosa. Da forma que está a ser feita processos sob a alçada desta lei são levantados sem nenhum critério nem clareza.

Existem leis semelhantes em muitas das 28 monarquias existentes no mundo e de igual modo existem leis noutros países com regimes diferentes que pretendem defender os titulares das instituições no poder de forma exclusiva. O que está em causa neste caso, aqui na Tailândia é que a lei da forma que está a ser interpretada não defende sequer a monarquia nem o país em si visto acabar por ser ridicularizada em muitos fórum e uma lei, por muito errada que ela eventualmente possa ser, não deve ser ridicularizada mas esclarecida e correctamente interpretada, assim deverá ser o percurso num país que se preza de cumprir a lei.

A lei tailandesa, afirma que o crime de lèse-majesté, e estou a usar uma expressão corriqueira visto que o código penal não tem nenhuma classificação desse acto como crime, só acontece quando estão em causa o Rei, a rainha e o Herdeiro Aparente (como uma vez referi uma figura existente na Constituição). Contudo a lei é aplicada a qualquer "ofensa" ou acto tido como tal em relação a qualquer membro, actual ou passado da casa real. Em relação aos actuais pode dizer-se que poderão ser Herdeiros Aparentes, embora na prática só alguns o são visto outros não terem direitos de sucessão, mas este é só um dos exemplos da deficiente aplicação da lei.

A conferência de imprensa foi para além do tema uma grande inovação pois foi feita em vídeo conferência utilizando Skype (o popular VOIP web site), visto um dos Professores estar em Wisconsin, USA e o outro na Austrália, e isto com perguntas feitas no FCCT por jornalistas e membros do público presentes ás quais os professores responderam de imediato.

O tema é de grande importância para os direitos dos cidadãos, para a capacidade de debate e diálogo na sociedade tailandesa, e promete continuar em aberto a futuros desenvolvimentos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cimeira da ASEAN

Dr Surin recebe das mãos de PM Tailandês os instrumentos de ratificação do acordo de comércio livre com a Austrália e Nova Zelândia



Sem pompa nem fanfarras terminou ontem a cimeira da ASEAN que foi fundamentalmente um exercício para consumo interno.

As conclusões foram ter sido assinado o Tratado de Comércio Livre com a Nova Zelândia e a Austrália e mais nada. A outra grande conclusão foi conseguida na reunião da semana passada dos Ministros das Finanças quando foi reavivada a Iniciativa de Chiang Mai e estendido o seu valor com a contribuição dos parceiros »3 ou seja, China, Coreia do Sul e Japão. deste modo é estabelecido um fundo substancial para apoiar a esconomias mais desfavorecidas e afectadas pela crise económica mundial na Ásia. É também um passo importante para o estabelecer uma cooperação eficiente e produtiva na Ásia liderada pela ASEAN.

No que respeita outros objectivos somente houve declarações de circunstância reafirmando os compromissos assumidos aquando da assinatura da Charter fundamentalmente o da construção da comunidade económica em 2015 e o da necessidade de focar os interesses da ASEAN nos seus cidadãos.

A questão dos direitos humanos passou um pouco ao lado e nem a discussão sobre os termos de referência daquilo que deverá ser o Human Rights Body, descrito na Charter teve lugar tendo sido empurrada para meados do ano.

Quanto ao problema dos Roinghyas, que afecta a Tailândia, a Malásia e a Indonésia como países de destino o único compromisso possível foi de que Burma/Myanmar declarou que os receberia se fosse possível determinar que eram Bengalis e foi encarregado o Secretário-Geral, Surin Pitswan, de se encarregar do processo.

Na frente doméstica a Tailândia pode apresentar alguns trunfos pelo facto de a cimeira ter decorrido em total ordem, as únicas manifestações que houve, rapidamente controladas, foram de Cambojanos e Miamarenses, sem os fantasmas que assombraram este país em Dezembro, e por outro lado foi possível, numa reunião à margem da cimeira estabelecer as condições para reabrir ao público o templo de Khao Prha Viharn, fechado desde Junho passado.

Talvez a grande vitoria diplomática desta cimeira foi para Surin Pitswan, o Secretário-Geral que vai vendo pouco a pouco o seu estatuto mais fortalecido até por falta de coordenação na liderança dos estados membros.

Dr Surin, um antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, é um diplomata e político de grande experiência e só por si uma perda basilar da construção de todo este processo que é a ASEAN, que está no seu 42 ano de existência e só agora vê nascer um Secretariado e ainda não conseguiu nenhum mecanismo comum de desenvolvimento para a região.

A ASEAN nasce muito à semelhança com a União Europeia sobre um objectivo de paz no sentido de trazer essa a esta região que se viu envolvida nalguns dos mais sangrentos conflitos do século passado como a guerra do Vietname e os conflitos internos no Cambodja e Laos. A criação da associação foi uma resposta de alguma forma empurrada pelos Estados Unidos e à imagem do modelo europeu, para que fosse possível impor estabilidade na região e isso foi o principal que se conseguiu nestes 42 anos. Agora é tempo de construir algo em comum e de aplanar as enormes divergências como o facto de existir na ASEAN dos países mais ricos do planeta, Singapura e Brunei, e dos mais pobres Burma/Myanmar, Laos e de alguma forma o Cambodja.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A XIV Cimeira da ASEAN


A duas vezes adiada cimeira da ASEAN, a primeira da Presidência tailandesa, a segunda será no final do ano, começou hoje na estância de Cha-am mesmo junto a Hua Hin e por vezes diz-se que a cimeira é em Hua Hin.

Esteve para ser realizada ainda no tempo do Governo de Somchai Wongsawat, mas os acontecimentos que levaram à queda do seu Governo impediram a sua realização.

Também o local foi primeiro Bangkok, depois Chiang Mai e acabou na costa oeste do Golfo da Tailândia. Ainda tenho em cima da minha secretária um bloco de apontamentos cuja capa é o logo que foi criado para a cimeira, significando a união e o trabalho em conjunto, mas em baixo diz 14th ASEAN Summitt Bangkok 2008.

Mas o importante é que está em andamento e foi precedida pela reunião dos Ministros das Finanças na semana passada em Phuket, onde foi confirmado o reavivar da Chiang Mai Initiative, um instrumento muito importante no contexto actual para que os países asiáticos, em conjunto, enfrentem a crise económica. Hoje mesmo houve duas notícias pouco animadoras mas hoje em dias quem as tem. Primeiro os números sobre a economia Japonesa onde a produção industrial desceu em Janeiro 10%, a maior queda de sempre, e o admitir pelo Banco central de que a economia tailandesa este ano afinal é capaz de ter um crescimento negativo. A ligação entre a economia japonesa e a tailandesa é grande e qualquer má notícia no leste da Ásia tem forte resposta aqui. Mas voltando à Chiang Mai Initiative que estava, até pelos crescimentos galopantes das economias asiáticas, de alguma forma adormecida, o seu "acordar" e revigorar com a criação de um fundo significativo para estimular as economias mais necessitadas, dá à ASEAN um papel focal na condução dos assuntos na Ásia, que há muito vem tentando.

Por outro lado a multi polarização dos sistemas económicos e a criação de vários pólos só vem beneficiar a economia global e fortalecer a sua interligação.

Depois dos Ministros das Finanças, ontem reuniram-se os Ministros dos Negócios Estrangeiros e hoje os trabalhos começaram pela assinatura de alguns dos pactos e tratados que estavam na agenda nomeadamente o acordo de comércio livre com a Austrália e a Nova Zelândia. A Índia que estava também na agenda solicitou que fosse adiada a assinatura visto não estar neste momento, por questões de política interna nas condições de o assinar. Refira-se que quer os EEUU quer a UE estão atrasados neste particular e ainda anteontem referia o Embaixador Americano junto do Secretariado da ASEAN, Scott Marciel, que o seu país estava muito longe de poder avançar com negociações com a ASEAN visto haver muitos obstáculos nos países membros de quase impossível solução a curto prazo. A UE tem uma posição um pouco mais flexível e aponta para a a negociação de acordos bilaterais com alguns estados membros da ASEAN, sem perder de vista o objectivo final de um acordo regional.

Após isto começaram as discussões políticas com um tema logo á cabeça que é a questão dos Rohingya. Tem sido uma dor de cabeça, não só pelos ataques feitos sobre as questões relacionadas com a violação dos Direitos Humanos, mas com o constante fluxo que tenta chegar quer á Tailândia, quer à Malásia e Indonésia. As perspectivas não parecem ser muito positivas, embora o simples facto do assunto estar a ser discutido é só por si uma vitória da sociedade civil sobre os agentes políticos.

Dizia que não parece estar a começar bem pois existe um tácito acordo em repatriar os Rohingya, quer por parte da Malásia, como dizia esta manhâ o seu PM Abdhulla Badawi, quer por parte de outros países. Burma/Myamar declarou-se disposto a receber os migrantes se se provar que são originários do país. É uma típica declaração do Governo de Napidaw pois na maíoria dos casos não dá aos seus habitantes quaisquer documentos de identificação para depois se recusar a recebe-los. Por outro lado caso os receba, sabendo-se que existem milhares de prisioneiros de consciência no país teme-se sempre por estes repatriamentos sem que se possa ter confiança naquilo que irá acontecer a estas pessoas. Por outro lado o motivo da sua partida do país continua a existir, ou seja a falta de esperança num futuro, a falta de condições mínimas de vida digna.

Não é este o melhor começo para uma cimeira donde tanto se espera e espera-se pois os próprios lideres da ASEAN ao ratificarem a Charter criaram no Mundo grandes expectativas quanto ao desenvolvimento da Associação, à criação da Comunidade Económica em 2015, à constituição daquilo que se chama por agora Human Rights Body e ao fortalecimento do Secretariado, um tipo de Comissão Europeia mas bastante reduzido em recursos.

Os trabalhos prosseguem até ao dia 1 e qualquer que sejam as conclusões o motor da ASEAN está em marcha, ao fim de 41 anos mas está, e nada o fará parar e neste momento da crise económica é importante saber aproveitar as oportunidades que se abrem e elas estão aí mesmo à mão deste agrupamento regional.

Entretanto não houve nenhum incidente e a UDD desmobilizou a sua manifestação em Government House com a promessa de que voltarão dentro de um mês. Por outro lado foram indiciados 21 membros do PAD para comparecerem na Polícia no dia 10 de Março para lhes ser lida a(s) acusação(ões) de que são alvo. O MNE Kasit, não se encontra nesse grupo de 21 como se especulava.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Explodiu uma Bomba


A Rainha no funeral de Nong Bo


A bomba que explodiu não fez nenhuma cratera mas deixou grandes estragos na reputação de muitos.

A Polícia acaba de divulgar o relatório da autópsia ao corpo da "mártir do PAD", Angkana que morreu aquando do ataque da Polícia sobre os manifestantes do PAD do dia 7 de Outubro e cujo funeral teve a presença da Rainha. Angkana ou Nong Bo como é mais conhecida terá morrido supostamente por causa dos disparos de gaz lacrimogéneo feitos pela Polícia.

Estes incidentes foram a grande "conquista" do PAD para a vitimização da sua campanha e a partir desse momento a Polícia ficou manietada devido à forte condenação pública que sofreu pelo sucedido e também pelo facto do comando supremo das forças armadas ter enviado um emissário ao comando da Polícia para que estes se abstessem de toda e qualquer acto violento. Recorde-se que nesse dia para além de Angkana ter morrido ficaram feridos com mais ou menos gravidade cerca de 400 pessoas.

O Pol Lt Coronel Sompop Putsri - do Laboratório da Polícia Cientifica encarregada da análise do caso, acaba de divulgar que no corpo de Angkana e nas braçadeira do PAD que tinha consigo, foram encontrados vestígios da deflagração de uma bomba C4 em nada relacionados com o gaz lacrimogénio. Se pesquisarem na net "C4 bomba" podem obter rapidamente a receita para a construir.

Angkana morreu assim, segundo aquele perito forense, devido à deflagração de uma bomba, e não devido aos efeitos produzidos pelo lançamento das bombas de gaz lacrimobénio. Recorde-se que ainda recentemente quando se procedia à limpeza do terreno da Government House deflagrou uma bomba que ali tinha sido deixada pelos membros do PAD.

Sempre foi conhecido que para além das armas, que todos vimos serem empunhadas por guardas do PAD, havia outro tipo de explosivos no acampamento. Um dos maiores incidentes que a acção do PAD provocou foi a explosão de um carro de um dos seus guardas, filmada em directo por uma câmara de vigilância e colocada na net, que ia carregado de explosivos para dentro do acampamento.
Está lançada a discussão sobre o tema pois haverá por certo agências que irão tentar contradizer a versão da Polícia.

Política à Tailandesa


Hoje quando cheguei ao escritório tinha um email esta com esta fantástica frase de Sondhi Limthongkul um dos principais lideres do PAD, grand seigneur da comunicação social, agora transformado em Guru de magia negra.

Dizia Sondhi que a UDD é desonesta porque está nas ruas só para defender os interesses de um grupo da sociedade. Se com isto Sondhi pretendia dizer que o PAD defendia os interesses do país, num todo, sera caso para dizer que amigos como estes que deixam a economia do país de rastos não obrigado. É melhor ter inimigos. Por outro lado não estão todos, sejam eles de qual cor sejam, sempre a defender os interesses de um grupo?

Entretanto os camisas vermelhas continuam a cercar a Government House embora quer o PM quer todos os outros Ministros , funcionários e mesmo os Ministros da Defesa da ASEAN que lá tiveram uma reunião, puderam entrar e sair sem problemas. Obviamente ouviram uns assobios e apupos mas não houve nenhum acto violento. O PM manifestou-se mesmo agradado com o civismo de todas as partes. UDD e forças da ordem encarregadas de asseguram o funcionamento das instituições.

No email que recebi esta manhã dizia no cabeçalho: Por isso é que eu adoro a Política na Tailândia

Acrescentarei, eu também.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

História Insólita

Faz dias apareceu dependurada de uma das pontes sobre o Chao Praya uma cabeça de um homem envolta numa corda e com um saco à volta da cabeça.

Muito se elaborou sobre o assunto. Crime hediondo. obra de profissionais, como é possível, mas havia muito a investigar para tentar chegar a uma conclusão.

O caso acabou por ser rápidamente esclarecido visto ter sido encontrado no dia seguinte a boiar no rio o torso pertencente a essa cabeça e todas as análises feitas terem mostrado que não houve cortes no pescoço mas simplesmente a facto do corpo se ter separado da cabeça no momento em que a corda atinge o ponto de paragen na queda. Contráriamente ao bungy-jump a corda não tem elasticidade.

Para ajudar a teoria do suícidio foram encontradas escritas na ponte frases, escritas por um estrangeiro, um pouco desconexas mas indicativas de um estado de perturbaçao de quem as escreveu .

O indivíduo em questão era estrangeiro, presumivelmente italiano ou russo, segundo as primeiras versões, e os jornais acabaram publicando, a pedido da polícia, a foto de um cidadão italiano, fotos essas fornecidas pelos serviços de vídeo vigilância do aeroporto onde se vê distintamente a pessoa em questão, como sendo a vítima.

Hoje a polícia concluiu o caso, com a certeza de que a cabeça pertencia aquele corpo, de que não havia nenhuns sinais de violência e terminando com depoiamentos de pessoas no local onde o cidadão esteve hospedado até desaparecer só que para desconforto de todos não é o cidadão que os jornais andaram a publicitar publicando fotografias por todo o lado, inclusive algumas de anteriores estadias neste país desse senhor.

Como é possível que os investigadores da polícia sejam tão pouco cautelosos ao ponto de vir expôr em público um cidadão que nada tem a ver com o sucedido?

Manifestação da UDD



A UDD, vulgo camisas vermelhas, continua a sua manifestação em frente a Government House, embora de forma totalmente pacífica tendo mesmo o PM e outros ministros podido entrar no complexo e continuar o seu trabalho em tranquilidade.

Tinha sido sugerido a Abhisit que utilizasse outro local para o seu dia a dia mas este, correctamente e não seguindo o erro de Samak, decidiu que deveria comparecer no local onde estão os seus serviços e avançar sem temor o que aconteceu.

Ceder como fez Samak, abandonando a Government House ao PAD só permitiu que se fortalecessem, organizassem mais e "tomassem o freio nos dentes" com os resultados que todos conhecemos.

Abihsit está a jogar um jogo perigoso mas está a fazê-lo de forma eficaz.

De qualquer modo é previsto que a UDD não "levante ferro" sem uma vitória qualquer e correm rumores de que Thaksin, terá dito a Veera, um dos lideres para intensificar a campanha e eventualmente torná-la violenta. Todos os movimentos deste tipo necessitam de mártires, necessitam de vítimas de modo a aumentar a simpatia á sua volta. Neste particular o PAD foi bastante eficaz e ainda hoje o The Nation, comentava que durante os acontecimentos de 7 de Outubro, o ponto alto da martirização do PAD, e referindo que o PM não queria que se repetisse, tinham morrido 10 pessoa se ficado feridas mais de 700. Isto está escrito hoje, quando é sabido que morreu uma pessoa e os feridos foram cerca de 400.

Abhisit tem neste momento um objectivo que é levar a bom fim a cimeira da ASEAN que começa amanhã com a conferência dos MNEs e é oficialmente inaugurada na Sexta com todos os Chefes de Estado, ou Governo dos dez. Esse é o grande objectivo necessário para mostrar aos parceiros e ao Mundo que a Tailândia está bem firme e no centro das decisões no Sudoeste Asiático e é um país com o qual se pode contar.

isto mesmo será porventura aproveitado pela UDD para reforçar a sua luta de modo que no inicio da semana que vem consiga contar alguma vitória como seja a famosa lista dos 21 membros do PAD com mandados de captura vir finalmente a ser divulgada e aí ver o nome do Ministro Kasit qual cordeiro pronto a ser imolado "para servir o país".

Ainda à nove dias almocei à direita de Kasit durante a reunião com os representantes da União Europeia, e pude constatar não só durante as conversações que houve mas também através de algumas palavras que trocamos os dois o seu desconforto sempre que se falava nos "amarelos".

Enquanto Abhisit se desdobra na preparação e recepção aos seus colegas da ASEAN, outros membros do Governo mais habituados com a "política real" e com a experiência que muitos ganharam nos tempos de Thaksin, atacam a base eleitoral deste aumentando o salário dos 300.000 kamnan lideres das aldeias, aquilo que se poderia chamar os Presidentes das Juntas de Freguesia, em nada mais nada menos do que 100%. Em tempo de crise e de apertos orçamentais não está mal. Irá custar cerca de 10 mil milhões de bath adicionais mas assegurará por certo um numero significativo de votos pois os candidatos a deputados não deixarão de lembrar esta benesse no momento de votar. Perghuntar-se -á porquê agora visto o governo continuar a insistir que irá até ao fim da legislatura.

Será que o tão apregoado acordo entre Democratas e Puea Thai vai acontecer? Será que vai mesmo avançar-se com a tão reclamada dissolução do Parlamento e convocação de eleições?

Para o dia 11 de Março está prevista uma moção de censura ao governo e este poderá cair. A instabilidade da coligação é grande e as transacções nos bastidores entre pontos a assegurar de um lado e de outro tem sido uma constante da vida política desde que o parlamento retomou trabalhos em 21 de Janeiro.

A próxima semana vai começar a dar alguns sinais do que se poderá passar mas a imprevisibilidade é sempre grande.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Crise Económica e Política.



O National Economic and Social Development Board (NESDB) apresentou hoje as piores expectativas para a economia tailandesa na sequência de ter anunciado que o ultimo trimestre de 2008 viu o PIB cair 4,3%.

Ao contrário do Ministro das Finanças e do Banco Central que prevêem para este ano um crescimento positivo da economia em cerca de 2% o NESDB prevê como o melhor cenário um crescimento de 0%.

O NESDB é a agência governamental encarregada do elaborar e seguir o plano

Entretanto a dívida pública estará perto de atingir os 45% do PIB e em risco de chegar aos 50%, uma meta psicológica considerada perigosa.

O cenário de recessão está a preocupar seriamente a sociedade tailandesa e o desemprego não para de aumentar.

Entretanto todo o pacote de medidas anunciadas pelo governo em Janeiro tendentes a injectar dinheiro no sistema está ainda por acontecer, e não se espera que tal venha a ser realidade antes de pelo menos meados de Março.

Nessa altura poderá analisar-se o impacto que terá sobre o consumo e se, como espera o Ministério das Finanças, esse dinheiro é reintroduzido na economia real fazendo crescer o consumo doméstico.

Este fim de semana em Pattaya estavam a passar o fim de semana os militares americanos que tinham estado envolvidos no exercícios militares que todos os anos acontecem com o as tropas tailandesas - o Cobra Gold. Pattaya estava repleta de milhares de "marines" e outras forças auxiliares mas mesmo assim a indústria hoteleira registava uma quebra superior a 15% comparando com igual período do ano passado.

Não parece estar a ser fácil encontrar soluções para esta crise até porque ela é fundamentalmente induzida do exterior pois os países importadores de produtos tailandeses estão em recessão e os turistas não procuram, estas paragens por falta de dinheiro nos bolsos e porque os recente acontecimentos políticos no país também o tornaram menos apetecível.
Isto tudo está a acontecer quando está já em marcha uma nova ofensiva contra o país desta vez de cor vermelha.

Neste momento os vermelhos já cercaram Government House embora haja um forte contigente de militares e de polícia de choque (21 companhias e 3.000 polícias ) embora ao que os primeiros relatos narram parece serem menos do que o esperado. Sabemos contudo pela experiência com o PAD, se os deixam crescer, estes movimentos aproveitam!

O governo continuam ameaçado e hoje em dia a própria comunicação social que tanto o apoiou no ínicio está pedindo acções e não palavras. Acções contra os lideres e principais apoiantes do PAD para que sejam responsabilizados pelo que fizeram, e acções também no ataque à crise económica pois de todas as medidas anunciadas com grande pompa nenhuma até este momento tomou corpo.

No sector dos direitos humanos a crise dos Roinghya está longe de ter acabado e o governo tailandês continua sobre grande pressão internacional sobre o caso. A entrevista que Abhisit Vejjajiva deu a Dan Rivers da CNN, é hoje em dia utilizada como um exemplo daquilo que deverá ser feito contra aquilo que não é feito. Esta tem sido mais uma áera onde o governo continua a pecar por falar muito e agir pouco ou nada e assim se vai desgastando. Alguém disse, mais vale uma acção do que dez palavras e isso está a ser muito reclamado hoje em dia no país.

Entretanto os mandados de captura contra os 21 membros do PAD, onde se sussurra que está incluído o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que hoje mesmo nos jornais vem dizer que se demite se for considerado culpado (um sinal confirmando os rumores), não avança, alegadamente porque quem o deveria trazer á luz está ausente no estrangeiro em missão governamental! Em bom portugês chama-se a isto uma desculpa esfarrapada.

Este ataque contra o MNE vem a três dias do ínicio da XIV Cimeira da ASEAN, e enfraquece significativamnente a sua posição nesse forum.

Entretanto correm muitos rumores de que Thaksin estará para regressar ao país e entregar-se à justiça, ao mesmo tempo de que os Democratas viriam a formar um governo com o Puea Thai

Parece tudo um pouco surreal, mas são estes os rumores que correm com intensidade.

Desde a formação deste governo sempre tive a sensação, e já o referi uma vez, de que existem negociações nos bastidores entre Suthep, Nevin e Thaksin para encontrar uma formula em que todos possam conviver em paz e no fim continuar as políticas deste último que são aquelas que a generalidade do povo mais aprecia e os políticos também, visto poderem actuar mais livremente.

A seguir nos próximos dias.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ban Santi Suk


Na sequência da crise económica de 1997 no Sudoeste Asiático, esta pequena comunidade do Nordeste tailandês, Ban Santi Suk, por sugestão de dois farangs, nome porque são tratados os ocidentais aqui, um canadiano e um holandês, decidiram introduzir uma moeda local, aliás como tem acontecido um pouco por todo o Mundo quando há crises económicas.

O bia, assim se chamava o dinheiro era o meio de pagamento geralmente utilizado pela povoação e o Abott Phra Supajarawat era o "banqueiro" sendo o "banco" uma pequena dependência no templo que dirigia.

Dessa forma os habitantes da aldeia, que tinham visto as remessas geralmente enviadas de Bangkok pelos filhos e filhas da terra que para aqui debandaram á procura de trabalho reduzir drasticamente, decidiram, e segundo a teoria real ser independentes do ponto de vista económico e passarem a consumir só os produtos que entre si produziam. Para isso e para assegurar as transacções utilizavam o bia.

O banco de Ban Santi Suk

O banco central chamou o Abott e alguns habitantes a Bangkok, com estes receosos sobre a possibilidade de serem incriminados por falsificação de dinheiro.

Refira-se entretanto que para fazer as notas foi feito um concurso entre as crianças da terra para que apresentassem desenhos para serem utilizados na sua confecção e dai resultou dinheiro bastante colorido e atractivo mostrando os produtos da terra.

Na reunião em Bangkok afinal o grande problema era a denominação, bia visto ser esta uma das palavras que designava dinheiro em dialecto Issan e assim se resolveu o problema redenominado a "moeda" merit.

A emissão de moedas localizadas ou de senhas ou de outro tipo de títulos tem sido uma constante em várias regiões do globo inclusive em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido,. São em geral esquemas em que as pessoas, ou agrupamentos de pessoas, se refugiam quando os sistemas económicos em que vivem entram em colapso.

Pattamawadee Suzuki uma Professora da Universidade de Thammassat realizou um elaborado estudo onde concluío das vantagens, em tempo de crise, que estas populações que se agregam no prosseguir de interesses comuns conseguem obter com este tipo de medidas.

Agora com os tempos difíceis que correm estes exemplos voltam a estar em alta e o exemplo de Santi Suk já voltou às páginas dos jornais.

No momento em que a crise económica que atravessamos tem contornos totalmente diferentes de todas as anteriores visto ser induzida por muitos mais elementos, internos e externos, do que no passado é importante estar atento aquilo que se chama "out of the box ideas", atento a ouvir e experimentar ideias diferentes pois os remédios conhecidos só curam doenças conhecidas e esta, a que estamos a viver, tem muito de desconhecida.

Aqui podem observar um vídeo relato sobre a vida em Ban Santi Suk.

Rak Chiang Mai 51

E ainda por cima são poucos

Há vários meses formou-se em Chiang Mai um grupo, afiliado com os vermelhos, e liderado por Phetchawat Wattanapongsirikul, candidato às eleições intercalares de Janeiro pelo Puea Thai em Lamphun.

Este grupo, cujo nome significa os 51 que amam Chaiang Mai, tinha tido uma postura bastante equilibrada enquanto clamavam contra as actividades do PAD a quem eles apelidavam, e com razão, desordeiros não cumpridores da lei e da ordem.

Assim que os Democratas tomaram conta do poder, com o apoio das forças que também apoiavam o PAD, envolveram-se numa senda de actos negativos, verdadeira oposição aos próprios príncipios que advogavam anteriormente.

Não espanta assim que Phetchawat tenha perdido as eleições em Janeiro, num local tradicionalmente dominado pelos "vermelhos" pois uma coisa estes grupos podem estar certos, embora o PAD diga o contrário, o povo não é nem estúpido nem cego e quando vota sabe muito bem votar naqueles que lhes trazem paz e prosperidade.

Desde que negou os príncipios porque se batia, o dito 51 já fez as seguintes "brincadeiras" como se donos de Chiang Mai fossem.

Primeiro romperam dentro de uma reunião de alunos na Universidade de Chiang Mai porque não concordavam com o tema em debate. Depois cada Ministro do actual Governo que vai ou foi a Chiang Mai é recebido à pedrada, com ovos e impropérios. Cercaram a estação de Televisão TPBS e exigiram que o seu Director em directo pedisse desculpas de ter afirmado que os activistas dos "vermelhos" eram pagos para participar nas manifestações. O pai de Terdsak Jiamkitwattana, um dos lideres do PAD foi morto numa confrontação com este grupo no norte de Chiang Mai. Na última semana impediram a realização do Gay Pride de Chiang Mai e obrigaram, à força, os organizadores a desmontarem o palco que para isso tinham preparado. Para terminar a semana em cheio envolveram-se em forte pancadaria com a UDD (reclamando esta serem os "vermelhos" genuínos) donde resultaram alguns feridos, mas quando é entre irmão desculpa-se sempre.

Tal como Somkiat é um Deputado Democrata e lider do PAD Phetchawat era um candidato a Deputado pelo Puea Thai e este tipo de envolvimento dos políticos com organizações que se põem elas mesmo à margem da lei em nada beneficia o país nem a credibilidade dos políticos.

Estes acontecimentos vêm no momento em que a UDD prepara movimentações em massa (veremos! Continuo céptico acerca das capacidades financeiras e organizativas do movimento), para a partir de amanhã avançar para Government House e "atacar" durante a cimeira da ASEAN que se realiza em Cha-am a partir de Sexta dia 27, curiosamente um ano exactamente após o regresso de Thaksin ao país.

Desta vez, sem surpresas, os militares decidiram estar do lado do governo e a zona onde se encontra os ministérios e governo vai ficar sob vigilância militar e não da polícia como sempre aconteceu durante os governos do PPP. Nessa altura os militares sistemáticamente recusaram-se a cumprir as ordens do governo mesmo no caso mais gritante das ocupações violentas e ilegais dos aeroportos..

Existe contudo um problema que se o governo não resolve vira-se contra si próprio.

Enquanto os instâncias judiciarias e policiais não actuarem e prenderem os 21 lideres do PAD que têm neste momento mandados de captura todos os outros agrupamentos se sentem "legitimados" a seguir as pisadas deles. O país sofreu prejuízos incalculaveis com as acções levadas a cabo pelo PAD e continuam completamente impunes todos aqueles que as cometeram, e não é necessário solicitar mais provas de tão evidentes que elas são. Inclusivé a tão falada lèse-majesté. O guarda do PAD que foi fotografado por toda a comunicação social empunhando uma pistola numa mão e o retrato do Rei na outra atirando contra os taxistas em Viphawadi deveria ser incriminado sob essa lei visto ser esta atitude uma verdadeira ofensa ao monarca.

É a segunda vez que existem mandados de captura contra os lideres do PAD mas não são executados por questões técnicas alegam uns e outros.

Quando a justiça não funciona abre a porta para a prática legitimada da sua própria violação.

A Ultima Etapa

A etapa final da viagem pelo norte do país conduziu'nos já ao sul desde Phitsanulok até ao Parque natural de Khao Yai (literalmente montanha grande). Interessante esta palavra montanha pois no norte diz-se Doi, no Nordeste Phu e no resto do país Khao, palavra que nas suas "quinhentas" entoações significa igualmente arroz, notícia, branco, eles, etc (o Miguel Castelo Branco já mestre em tailandês poderá completar e/ou corrigir).

Este parque natural, a Tailândia está repleta de parques deste tipo cada qual mais bonito do que o anterior, estende-se por quatro províncias do país mas com a maior fatia a ficar em Nakhon Ratchasima (Nakhon é uma das palavras que significa cidade tal como Chiang em dialecto Lanna, mas outras como Muang, Buri, são também usadas). Nakhoin Ratcahsima, província cuja capital é a terceira maior cidade do país é igualmente chamada de Korat, ganhando esse apelido do planalto de Korat onde fica situada.

O caminho para sul foi feito pela estrada 11, como já referi a única a merecer nota negativa, pelo facto de ser só de duas faixas, uma raridade no país e do piso deixar muito a desejar todo ele mutilado pelo peso dos camiões.

Se não tivesse passado por esta estrada diria que as estradas na Tailândia têm uma qualidade acima da média daquilo que se encontra em Portugal, mas há sempre uma ovelha negra em todos os rebanhos.

Paragem em Lob Buri a cidade dos macacos visto se verem estas criaturas a passear indiferentes pela cidade. Lop Buri é uma cidade com séculos de história como uma importante praça do império Khmer e mais tarde como segunda capital no tempo do Rei Narai.

Pela sua posição geográfica é fácil de entender o porquê desta importância da cidade. Está numa encruzilhada entre o norte e o sul entre o oeste e o leste sendo por isso quase que obrigatório ponto de passagem. Talvez por isso mesmo Lop Buri é um dos principais centros militares no país. Aqui está estacionada a maior base de manutenção de aeronaves militares e uma das divisões de infantaria mais fortes e bem equipadas do país. Sempre que há rumores de golpes de estado é importante observar os movimentos em Lop Buri pois por certo de lá virão as principais forças para o executar.



Constantine Phaulkon, o grego que chegou a ser o mais importante conselheiro na corte do Sião, tinha em Lop Buri um importante palácio onde ficava sempre que acompanhava o Rei Narai durante as suas estadias na segunda capital do reino siamês. Phaulkon, ou Falcão era casado com uma luso descendente, Maria Guiomar de Pinha, Thao Thong Klibmaa, a responsável pela introdução no Sião dos doces de ovos de origem portuguesa, ainda hoje apreciados e bem conhecida a sua ligação á cozinha portuguesa. Foi Tong, ou fios de ouro, são os digníssimos herdeiros dos nossos fios de ovos. É este também o nome que dão normalmente à nossa selecção de futebol mostrando bem a relação existente. Consta que Maria Guiomar estava cansada da vida da corte e decidindo dedicar-se a algo novo lembrou-se das receitas de bolos de ovos que teria aprendido com o seu pai de origem portuguesa e assim decidiu começar a sua confecção. Parece a história da Princesa de Bragança, Rainha Catarina de Inglaterra quando introduziu o chá na corte inglesa.

Lop Buri para além dos restos dos palácios do Rei Narai e de Falcão, bastante destruídos pelas constantes lutas em que esta cidade de transito se viu envolvida pouco mais tem de interessante e a presença dos símios não é definitivamente do meu agrado. Bem sei que eles de tão habituados a pessoas nem lhes ligam mas não são o meu tipo de bicho de estimação.


Depois de Lop Buri mais uma centena de quilómetros em direcção a Khao Yai onde ficamos a noite. Pode ficar-se dentro do parque natural ou em cabanas ou acampado em zonas reservadas para o efeito ou então fica-se fora do parque e visita-se depois. Decidimos tentar ficar no parque mas não havia alojamento. Só barraca o que não seduziu e assim decidimos fazer um safari nocturno, regressar ao sopé dos montes e atravessar Khao Yai no dia seguinte no caminho para Bangkok.

Khao Yai fica a cerca de 150 km da capital e com tem duas entradas, uma por Nakhon Ratchasima e outra por Nakhon Nayok, pode entrar'se no ponto mais longe de Bangkok e sair no mais perto o que torna muito fácil a visita.


O safari nocturno é interessante embora não se vejam muitos animais mas mesmo assim , vimos uma boa quantidade de alces, veados e antílopes, vimos porcos espinho, hienas, outros semelhantes e um elefante ( as desculpas pela qualidade da fotografia mas á noite o flash tem pouco alcance). É feito nas traseiras de uma furgoneta com uma guia com uma forte lanterna tentando enxergar os olhos dos animais como dois faróis e depois ilumina-los. Estava bastante frio e é deveras aconselhável usar um agasalho. Não o fiz, tinha só duas T-shirts e tenho pena, pois enregelei.

No dia seguinte então ver o parque em todo o seu esplendor visitar duas quedas de águas qualquer delas mais impressionante chamando-se uma a boca do inferno como a nossa e a razão por certo está devido á dificuldade em lá chegar. É mesmo um inferno. Ainda que muito bem construído o acesso desce-se e consequentemente sobe-se, a não ser que se desista da vida "no inferno", uma boa centena de degraus a pique.

Terminado o passeio com um almoço ainda no parque regresso e Bangkok e uma olhada para o contador de quilómetros para certificar que tinham sido 2.489.6 exactamente. Muitos e bons como se deverá dizer




sábado, 21 de fevereiro de 2009

Harry Libertado


Um tremendamente emocionado Harry Nicolaides falou hoje no aeroporto de Melbourne à chegada à sua cidade natal após ter sido libertado da cadeia na Tailândia, onde se encontrava, na sequência de lhe ther sido concedido perdão real sobre a sua condenação pelo crime de lèse-majesté. Nicolaides escreveu num livro, que ninguém leu, antes da condenação, e nele falava acerca de um príncipe e da sua atribulada vida. Foi considerado que se referia a um membro da família real tailandesa, o que Harry mais tarde confirmou para ver reduzida a pena de 6 para 3 anos de prisão efectiva sem direito a qualquer liberdade sob caução como é dada, aqui, a criminosos e assassinos como tem acontecido recentemente.

A força da diplomacia australiana e a sensatez da casa real acabaram com este caso com a libertação e deportação do, agora famoso, escritor que não tinha vendido mais do que 7 livros.
A imprensa tailandesa é ela muito parca em comentários sobre o assunto e na maioria dos casos nem sequer a ele se refere.

Faz lembrar a história de um advogado suíço, que vivia à 10 anos neste país e que há dois anos depois de uma forte bebedeira, acabou fazendo um grafitti numa imagem do rei. Foi deportado e o caso nunca foi relatado na imprensa tailandesa até ao momento em que ele se encontrava na Suíça e mesmo assim de uma forma ligeira.

O que também nunca será visto nas televisões aqui são as imagens indignas de um prisioneiro, um ser humano, a sair do carro celular descalço, com as duas pernas acorrentadas com uma forte corrente tal qual era feito aos ladrões que eram lançados ás feras no circo de Roma.

A humilhação a que são sujeitos os presos, este e outros, só pode envergonhar o sistema prisional e judiciário.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Beckingham Palace


O casal Beckhan terminou a construção da sua casa em Samui que custou a módica quantia de €4,5 milhões e faz hoje grandes parangonas nos jornais.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

De Phrae a Phitsanulok

O caminho de Phrae para Pitsanolok era curto e pouco interessante para ser feito na estrada normal passando por Uttaradit.

Assim falei a um amigo meu natural dessa província perguntando-lhe quais eram as grandes atracções de Uttaradit e ele disse-me sem dúvida a barragem Sirikit.

Olhando para os mapas existentes no carro reparei que essa barragem, a segunda maior no país, (obviamente a primeira tem o nome do Rei) ficava não no caminho para a capital, sul, mas a sudeste de Phrae. Dos três mapas que tínhamos no carro dois deles não indicavam nenhuma estrada que pudesse ligar a província de Phrae com a barragem mas o terceiro tinha bem desenhada uma estrada e decidi-me, embora sem evitar inúmeros comentários do meu parceiro de viagem, aterrorizado por se meter ao caminho numa estrada que "não existia".

Montanha acima sempre com boa estrada lá acabamos por encontrar o tal troço que não existia nos dois outros mapas. Uma estrada de terra batida com cerca de 100 km. à sua entrada ainda perguntamos a duas pessoas que ali se encontravam se aquele era o caminho para a barragem ao que nos responderam afirmativamente e então por aí vamos nós.

Na sua generalidade o piso era de boa qualidade e na maioria do percurso tinha largura suficiente para dois carros o que tornava mais fácil a viagem. Ainda paramos pelo caminho quando junto de um pequeno riacho encontramos uns bombeiros enchendo um carro cisterna, mas com duas ou três pequenas atravessadelas lá chegamos ao asfalto do outro lado da serra. Uma coisa há que dizer. Durante todos os quilómetros que percorremos só por duas vezes tivemos de perguntar para onde ir, e percisamente neste dia. Aqui e um pouco mais tarde ao sair da barragem. As estradas têm indicações toponímicas excelentes. Seria bom que todos os turistas que demandam Portugal tivessem a mesma experiência. 20 valores! Boas direcções em inglês. Onde por vezes se nota algumas imperfeições é ma sinalização vertical especialmente no que respeita a zonas de ultrapassagem e similares.

Chegados à barragem parar, sacudir o pó, o muito pó, e enfrentar um belo repasto de peixe de todas as maneiras e feitios. Um dos peixes que comemos, é um peixe da região cujo nome não conheço, mas que foi preparado de uma forma que me lembrou muito a cozinha portuguesa. Delicioso.

O local onde "aportamos" não é onde se encontra propriamente a barragem mas um dos lados do imenso lago, de 250 km2, que ela cria. Aí existiam para além dos restaurantes, flutuando na água, casas, sobre jangadas, para alugar, com capacidade para 30 pessoas que são puxadas para o meio do lago ou outro local aonde se queira, equipadas com karaoke (ou não estejamos na Ásia) e tudo isto pela módica quantia de 50 Euros. Ao que parece é um dos locais escolhidos pelas gentes de Uttaradit e vizinhanças para fazer grandes festarolas nos fim-de-semana.

Depois mais uns quilómetros e passamos por Uttaradit, cidade capital de uma província como as outras duas mais a norte, pequena e montanhosa. Também banhada pelo rio Nan, Uttaradit era fundamentalmente um ponto de passagem do norte para as terras mais importantes ao sul como Sukhthai e posteriormente Ayuthaya.

O dia terminou em Phitsanulok, uma província já de maior dimensão quanto a pessoas e com um capital com ares de grande cidade e com todo o negativo que isso traz. Mais uma cidade banhada pelo Nan, um dos quatro rios que ao juntarem-se formam o Chao Phraya, o rio que banha Bangkok.

Phitsanulok tem como uma das grandes atracções o Wat Phra Sri Rattana Mahatat Woramahawihan mais conhecido por Wat Yai ou templo grande, que contem a estátua de Phra Buddha Chinnarat, considerada a estátua mais bonita de Buda no país e por isso ponto de grande peregrinação. A construção do templo data desde o Século XIV mas ainda recentemente lhe foram integrados novos elementos.

O Bot principal estava repleto e muitos devotos faziam as suas oferendas ás várias imagens de Buda existentes no complexo do templo.

Como as cidades mais urbanizadas do sul Pilok, como é conhecido pelos locais, tem um mercado nocturno como a grande atracção turística para além do Wat Yai. Viam-se bastante estrangeiros no mercado a passear, comprar as mesmas coisas de sempre ou a comer. Aí uma das atracções especiais é Pak Bum Fai Daeng, um vegetal que em inglês se chama morning glory, com alguma semelhanças com as nossas nabiças, mas estes prato aqui em Pilok é feito como sempre no wok e depois o cozinheiro atira-o pelo ar a uma distância de uma boa dezena de metros, onde num pódio especial, é apanhado no prato por outro empregado. Existem no restaurante várias fotografias da Princesa Sirindhorn a receber ela própria as "nabiças" voadoras.

E assim terminou mais um dia, comendo à beira do Nan uma refeição com o imperdível Pak Bum Fai Daeng


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

De Nan a Phrae

Nova etapa desta vez começando a descida que conduziria de volta a Bangkok.

Ainda de manhã em Nan dar comida aos monges pelas 6 da manhã, pequeno almoço, empacotar e sair para ainda ver duas ou três coisas que tínhamos decidido deixar para o dia seguinte.

Dois templos, Wat Phra That Chea Heang que tem a particularidade de ter um chedi feito no ano do cavalo, segundo o calendário chinês e onde existe um projecto sobre a maternidade apadrinhado pela Princesa Srirasmi a actual mulher do Príncipe Coroado Vajiralongkorn, o heir aparente, de acordo com o que se lê na Cosntituição. Nesse chedi encontram-se relíquias de Budha.

A família Real está sempre presente por todo o lado vendo-se inúmeras fotografias do Rei, da Rainha e igualmente muitas da Princesa Coroada Sirindhorn. Estas três fotografias estão patentes por todo o país e repetidamente. O mesmo não se passa com o Príncipe e durante estes 2.500 km só vi esta existente em Nan. A relação entre o povo e a sua irmão é bastante mais próxima do que com ele.

O segundo templo num pequeno monte à saída de Nan e em frente a uma residência da Princesa Sirindhorn. Esse templo sem grande importância tem contudo uma estátua lindíssima de Buda (ou Buddharupa) em posição (existem 73 posições em que Buda é apresentado) de afastar os medos e ao mesmo tempo assegurando a paz, que domina toda a região.
O Wat Phra That Chae Heang para além da particularidade das imagens de cavalos tem no chedi relíquias de Buda o que o valoriza. Outro templo muito interessante em Nan é Wat Phumin que sendo embora pequeno tem a particularidade de no bot ou ubosoth, nave do "templo" principal, ter quatro imagens de Buda olhando para cada uma das quatro entradas.
Depois destas visitas aí vamos até Phrae outra província um pouco mais a sul. Como Phayao e Nan, Phrae é uma pequena província também com cerca de 500.000 habitantes sendo contudo a capital um pouco maior do que Nan.

Uma paragem a meio do percurso, para um almoço na estrada num local famoso pela oferta de um prato especial de carne de porco, típica da cozinha Lanna. Confesso que sou muito mais apreciador da cozinha do Nordeste da Tailândia, a cozinha Issan, pelos seus sabores e picantes.

Chegados a Phrae, como quase sempre tem acontecido á hora de saída das escolas (comentava-mos até que chegávamos sempre a tempo de ir buscar os nossos filhos á escola), um passeio a pé pela cidade vendo os seus templos e locais de maior interesse.

Confesso que Phrae não me deixou grande impressão talvez porque tenha gostado bastante de Nan, mais pequena, mais afável e com pessoas que nos cumprimentavam. Phrae está no limiar de querer ser algo mais do que uma pequena cidade de província e começa a urbanizar-se perdendo o charme do campo.
Depois de muito caminhar o mais interessante é sem dúvida o Palácio do Governador e uma escola que fica exactamente oposta pela sua arquitectura colonial ao que na última se junta a cor de que está pintada. Um verde alface fresco e apetitivo.

Depois disso caminho de volta o hotel com paragem obrigatória no night market para comer algo antes do jantar tendo eu deliciado-me com kao niaw mamuang, ou seja um doce feito de arroz glutaminoso com papaia e leite de coco. Yummy.

A noite em Phare pretende ser mais animada e mesmo em frente ao hotel havia dois ou três bares onde os tailandeses se reuniam para beberem cerveja ou whisky e conversar. Uma modernice se compara-mos com Nan.

E assim terminou mais um dia de viagem pelo norte.