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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Alemanha vs Turquia

Hoje joga-se a meia final onde Portugal deveria estar, mas não está. E não está porque os Alemães foram melhores do que nós. Simplesmente por isso.

escrevi bastante sobre a nossa derrota mas é bom que assimilemos que perdemos porque a outra equipa foi simplesmente mais eficaz, mais acutilante, mais produtiva do que a nossa.

Normalmente perdemos "porque o arbitro é um malandro e estava comprado pelos outros ou era ceguinho e mal intencionado de todo".

Na realidade em 99% dos casos perde-se porque pura e simplesmente outros ganham. La Palisse era mestre nestas afirmações mas aquilo que é verdade faz todo o sentido.

Temos quase sempre a tendência, e na generalidade dos temas, para atribuir a outros as culpas dos nossos fracassos. Não é só no desporto que isso se passa. Essa tendência tem, por certo, a ver com a nossa dificuldade em aceitar sermos um país pequeno e com uma reduzida importância no panorama internacional, isto após termos, nos longínquos séculos XV e XVI dominado o Mundo.

Quando existe um pequeno êxito de Portugal ou de um português exaltamos de alegria e tentamos sempre fazer o Mundo ver como somos fantásticos, mas depois somos por demais pequenos nas coisas do nosso dia a dia.

A consciência do conhecimento pessoal, e neste caso colectivo, é um dos cimentos dos grandes homens, dos grandes países, das grandes causas. Saber aquilo que somos e sabemos e talvez mais importante aquilo que não somos e não sabemos, cria valor na nossa vida só pode conduzir ao engrandecimento das nossas acções.

A humildade para a todos atendermos, a todos vermos como iguais e para o facto de que somos imperfeitos só nos fortalece e enobrece ao contrário do que muitos pensam.

A nossa vida é uma aprendizagem permanente e esses ensinamentos vêem de todos e de todos os lados seja ele o Rei ou o pedinte. Dizia um famoso Professor de Michigan "it is not important to be qualified. It is important to stay qualified" C K Prahalad.

Esta noção da necessidade de estarmos em permanente alerta e atentos aos outros e às outras coisas fará de nós, por certo, seres melhores e mais contributivos para o engrandecimento de Portugal como país e de nós como portugueses.

Vem isto tudo a propósito do Euro e também do facto que quando se está longe sente-se o país de forma diferente daquela que quando estamos no dia a dia emersos na realidade. Apetece nos ser "mais" portugueses mas, como vemos de fora, sabemos o quanto temos de lutar para mostrar que esse nosso país é digno de existir no Mundo.

Logo à noite o jogo não nos interessa muito mas quanto a mim já agora que ganhem os Alemães. Não posso "gostar" deles, porque nos ganharam, mas assim como assim ainda são contribuintes para a melhoria de vida dos portugueses através dos fundos comunitários. São para além disso são nosso parceiros/irmãos nesta imensa comunidade e os Turcos ainda estão à porta e por muitos anos.

Contudo seria engraçado se os Turcos fossem campeões Europeus pois aconteceria que durante o campeonato a única equipa que os tinha vencido tinha sido precisamente Portugal.

Que joguem bem é aquilo que se pede. O resto é uma bola de couro e 26 protagonistas mais alguns espontâneos que podem aparecer durante a partida.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adeus


Acabou pra Portugal o Euro 2008. Não da maneira que todos queríamos mas no futebol a única coisa que conta é quantas vezes a maldita da bola passa aquele risco branco e se afunda nas redes como um peixe apanhado. O ontem isso não aconteceu na baliza certa, para nós.

Tudo o resto é conversa, discussão, argumentos.

Pelo facto de ter na minha cabeça milhares de jogos de futebol, de ter passado largos anos no dirigismo desportivo permito-me elaborar um pouco sobre a Nossa Selecção, da qual, diga-se já me sinto orgulhoso.

Portugal tem um estilo de jogo que acaba sempre por falhar contra equipas mecanizadas como a Alemã ( parabéns pela eficácia). A nossa defesa, desde há muitos anos que é suave. Pouco dotada do ponto de vista físico e pouco agressiva, talvez porque quando o é, acaba fazendo falta, uma das constantes imprecisões dos nosso jogadores.

Ontem a selecção jogou bem. Não excepcionalmente mas bem. Teve, em geral o controlo do jogo, mais posse de bola, mais remates, oportunidades de golo suficientes para ganhar, mas falhou.

Normalmente costuma-se criticar o Ricardo, mas parece-me injusto visto que os erros são do conjunto da defesa. No primeiro golo os dois jogadores na lateral direita são facilmente ultrapassados por falta de capacidade atlética e Paulo Ferreira deixa que Schweisteiger seja mais rápido do que ele. No segundo golo três, nem mais nem menos, jogadores alemães aparecem sozinhos na cara do guarda redes porque a nossa defesa foi lenta nas marcaçoes. No terceiro, se bem que o Paulo Ferreira é empurrado por Ballack, o facto é que ele deixa que este chegue á bola e não tem arcaboiço físico para suportar o encosto.

O nosso meio campo sofreu um importante revés com a saída de Moutinho. É um jogador que, mais do que Meireles, é capaz de empurrar a equipa para a frente e é muito mais rápido do que este o que queria maiores dificuldades na marcação e propicia a abertura de mais espaços. Contudo sentiu-se uma melhoria desde o Mundial pois os espaços frontais de onde sofremos três golos na Alemanha, não existiram e poucos foram os remates dessa área.

Falando de rapidez, esta continua a ser uma das grandes pecados da nossa selecção. A equipa no seu conjunto não é rápida e se bem que é tecnicamente melhor do que a maioria, se não se consegue introduzir velocidade na técnica, hoje em dia, esta para pouco serve. Veja-se a diferença entre o Ronaldo e o Nani, obrigados pela forma como o Manchester joga, e por certo pela metodologia do treino a jogar em velocidade e o Simão. Este mesmo quando joga em velocidade parece estar parado em comparação com os outros. os espaços são tão pequenos e escassos no futebol moderno que é fundamental não os desperdiçar quando eles aparecem é quando se é mais rápido do que o oponente, seja isto em luta directa seja no ocupar dos espaços vazios.

O mesmo se passa com a colocação do Nuno Gomes como ponta de lança fixo na área. Torna-se ineficaz e improdutivo especialmente frente a uma defesa, rígida e povoada como a alemã. Por vezes seria melhor que eles não tivessem ninguém para marcar o que implicaria que teriam de se movimentar em procura do adversário e da bola criando assim espaços para o adversário.

Como se viu a equipa alemã quando atacava, fazia-o sempre na vertical, perdendo pouco tempo para chegar á área contraria, com jogadores vindos de trás nesses movimentos verticalizados. A bola era passada sem olhar pois sabiam perfeitamente a movimentação da equipa. Estava tudo automatizado, quando ao contrário a equipa portuguesa dependia da criatividade no momento de um ou outro jogador o que implicava a paragem nos movimentos. Era comum ver Deco, parar, virar-se para a direita, depois para a esquerda e só depois fazer o passe. Isto não é um defeito é uma característica mas jogar assim implica uma solidez defensiva que nós não demonstramos.

É este o nosso futebol, são estas a s características dos nossos jogadores mas temos de olhar para trás e ver o que este conjunto de jogadores já atingiu e o que ainda podem fazer pois na sua maioria irão estar na selecção por muitos anos.

Parabéns a todos porque apesar da decepção o merecem.

Já agora uma palavra sobre Scolari. Nunca fui um grande adepto dele mas tenho-lhe imenso respeito pela obra que fez. Nunca um treinador em Portugal conseguiu ser consistente e, em três provas consecutivas, deixar o nome de Portugal bem vincado nos palcos onde isso interessa. Que importa a sua teimosia, as vezes que entendemos que ele lia mal os jogos, as vezes em que discordamos das escolhas, dos métodos, tudo isso é pouco relevante quando, como disse no inicio, o que conta em futebol é o resultado e os que ele conseguiu ficam para a história do futebol português.

Que venha outro seleccionador com a coragem e a capacidade de liderança que ele demonstrou nestes quase cinco anos á frente da Nossa Selecção.


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ainda o Euro 2008


Ainda vamos no primeiro dia dos últimos jogos da fase de qualificação e já se vêem algumas surpresas.

Os nossos "amigos" campeões da Europa partem em viagem de ferias no final da semana. Contudo parece que desta vez escolheram o Algarve, em vez das Ilhas Gregas, visto se sentirem muito melhor em Portugal. Os grandes favoritos Checos, segundo relatos de ultima hora, foram vistos a passear em Praga e o Cech, o melhor guarda redes do Mundo, em vez de usar uma protecção para a cabeça agora passou a usar uma protecção total que também lhe cobre a cara.

O Zidane e o Materazzi foram vistos os dois de mão dada a rezarem pelos holandeses, para que ganhem aos romenos, mas estranhamente na outra mão tinham, cada um, uma faca bem afiada.

E esta terrível doença que se instalou na Europa Central pode ainda afectar os alemães segundo noticias de Viena. Logo se verá.

Bonito foi ver duas bandeiras curdas durante o jogo com a Republica Checa. Não há duvida que o futebol une muita causa que a diplomacia e a politica não conseguem. Lembram-se da visita do José Mourinho a Jerusalém num apelo para a paz da Fundação Shimon Perez? Parece que são estes personagens, os novos Embaixadores e negociadores em problemáticos conflitos que continuam em persistir pelo Mundo fora.

Era bom que os soubéssemos utilizar para essas causas muitas vezes perdidas na burocracia da politica e nos melindres da diplomacia.

Cristiano Ronaldo, quando após o Tsunami de 2004, esteve na Indonésia, num só jantar conseguiu juntar mais dinheiro do que em muitas outras acções a tal destinadas.

Quanto a performance da nossa selecção ontem á noite é melhor não falar muito. Saliente-se só o facto de Scolari ter decidido não descansar Pepe, que tinha um amarelo e estava assim em risco, e este ter feito um jogo impecável. Quanto a alguns outros é melhor não falar pois o fundamental é continuar a acreditar que podemos chegar longe.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O Senhor que se segue


Ontem Portugal carimbou o passaporte para os quantos de final do Euro 2008, graças a indiscutível vitoria sobre a Republica Checa e por cortesia da vitoria da Turquia sobre a Suiça.

Isso dá-nos igualmente o primeiro lugar no grupo A o que fará, com que, em principio, evitemos jogar com a Alemanha nos Quartos de Final. Depois nas meias logo se verá pois cada jogo deve vir a seu tempo.

Antes disso ainda temos a Suiça, que será uma oportunidade para rodar e descansar jogadores.

Uma palavra tem de ser dada à fantástica "nova comunidade" Luso-Brasileira.

Scolari primeiro, Pepe no dia da abertura contra a Turquia e ontem Deco. Três Viriatos de grande calibre.

Triste saber que o primeiro vai para o Chelsea, mas como este sempre foi o meu clube favorito em Inglaterra fico satisfeito. Veremos quem será o escolhido para continuar o trabalho que o Filipão vem fazendo já lá vão mais de 4 anos. Goste-se ou não dele o facto é que os resultados falam por si e eu aprendi, nos meus tempos de dirigente, que a única coisa que conta no futebol é que a bola passe a linha de golo na outra baliza. O resto é discussão de bancada.

Outro mal amado, Gilberto Madaíl, parece também estar de saída cansado, como diz um jornal em Bangkok, com as politiquices locais.

Como eles sabem tão bem o que se passa em Portugal. não acrescentam é que infelizmente não se pode ter sucesso no nosso país pois isso gera logo demasiadas invejas.

Só espero que os novos timoneiros na Federação e Selecção consigam ser independentes e não se afundem nas areias movediças do futebol português.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Euro 2008

Não posso deixar de falar da brilhante, assim a considero, exibição da nossa selecção no jogo contra a Turquia.

Apesar de os termos batido em 2000 e em 1996, nunca ia ser fácil devida à qualidade e determinação dos jogadores Turcos e por ser o jogo de estreia onde se vai ver, a sério, se aquilo que se trabalhou durante o estágio foi assimilado.

Vi o jogo até cerca das 3.45 da manhâ em Nakhon Phanom, mas depois dormi tranquilo com a forma clara como o grupo dominou a partida.

Normalmente salienta-se este ou aquele jogador mas só deixava dois comentários pois todos eles foram uma equipa.

João Moutinho foi, segundo a estatística, o jogador português que mais kilometros percorreu, sempre em movimento de área a área e Paulo Ferreira foi aquele que menos vezes atravessou a linha que divide as duas metades tendo-se remetido mais a tarefas defensivas.

Deixo-vos uma fotografia deliciosa daquilo que encontrei num TukTuk na fronteira entre a Tailândia e o Laos, em Chong Mek, como se diz em português, atrás do sol posto.