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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Em Frente é o Caminho

Já fui "acusado" por muitos de mandriice pois não escrevo nada há dias.

Kho tot krup, como se diz em Tailandês, mas na realidade tenho andado atarefado e tenho que reconhecer com alguma preguiça também até porque acredito que esta desculpa de que tenho muito que fazer não é suficiente. Quando se quer encontra-se sempre uns segundos para olhar para outro lado e para ver aquilo que se passa ao lado.

O dia a dia tailandês não tem trazido nada de grande excitação e pouco tem na realidade acontecido.


As águas desceram em volta da capital, até já nem se fala em crocodilos ou cobras, uma grande quantidade de zonas do norte da cidade retomaram a vida com as gentes agora dedicadas à limpeza e restauro dos bens afectados.

Há contudo ainda, fundamentalmente a Oeste da capital, Nonthaburi e Pathun Thani, zonas ainda com bastante água e cujos residentes continuam a não conseguir voltar para casa. Os que o conseguem fazer deparam-se com cenários pouco afortunados da destruição que as águas trouxeram ao interior de suas casas e do dano causado nos seus pertences que não conseguiram pôr a salvo.

Tem havido contudo um muito forte sentido de entreajuda entre as pessoas e enorme colaboração das instituições quer públicas quer privadas que visa amenizar os estragos e perdas sofridas. Vai contudo demorar ainda uns tempos a repor a situação anterior nessas zonas.


No sector económico nota-se a enorme força do tecido empresarial que rapidamente tem colocado mãos à obra para retomar a actividade produtora. Um desses sinais é o arranque, hoje mesmo do Salão Automóvel sendo que são conhecidas as enormes perdas havidas no sector. A Honda, por exemplo, procedeu ontem ao início da destruição de largas centenas de veículos que ficaram aprisionados na sua fábrica de Ayuthaya e que são irrecuperáveis. Muitas linhas de produção, aqui e um pouco pelo mundo, tiveram de encerrar ou suspender a actividade devido ao facto de não haver peças e componentes para poderem funcionar. A pouco e pouco a retoma da normalidade vai crescendo e já se prevê uma forte na economia para 2012.

Assim é a tenacidade deste povo e a pujança desta economia.

Todos os anos tem havido um forte abanão mas a recuperação e a capacidade de "dar a volta" é notável.
Dá gosto ver empresas, trabalhadores, empresários, e os sectores oficiais, sejam eles civis sejam militares capazes de "arregaçar as mangas", quando tal é necessário ponde de lado as tradicionais cores da discórdia tailandesa.

Quando é o povo e a sociedade civil a tomar conta do seu destino todos remam para o mesmo lado caso que não se passa quando os políticos começam a querer mostrar-se.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Les Uns et les Autres

As cheias têm dominado e ocupado quer as notícias quer as cabeças de todos no país com especial foco em Bangkok.

Um dos pontos a realçar tem sido o "pânico" (uso a palavra de que não gosto por isso a coloco entre aspas) das gentes da cidade em contrate com a muito maior serenidade daqueles que pouco têm a perder mas cujas casas e vidas têm sido fortemente abaladas pelas cheias.

A zona onde vivo por hábito inunda sempre que há uma chuvada mais forte e rapidamente se atingem uns bons 40 cm de água. É normal tal acontecer várias vezes durante o tempo das chuvas mas nunca vi lá serem colocados sacos de areia nem erigidas barreiras de protecção. Vive-se assim sem temores sem alaridos e a água vem e vai de forma natural. As zonas ribeirinhas do rio Chao Praya todos os anos por esta altura são tomadas pelas águas na maré alta e as pessoas descalçam os sapatos, arregaçam as calças e avançam água dentro sem mais pensar. Assim é viver numa cidade que está 2 metros acima do nível do mar (há zonas como Ramkhameng que inclusive está abaixo desse nível) numa cidade cheia de canais para onde todos os anos as águas excedentárias das chuvas vindas do Norte acabam por confluir.


Vezes sem conta as ruas interiores da zona de Sukhumvit, Ekkamai, On Nut, Lat Krabang, etc são tomadas pelas águas que em muitas alturas chega a atingir os 50 cm mas isso não faz com que a actividade da cidade pare.

É um facto que este ano houve excesso de água. O centro do país tornou-se um enorme oceano, por muitos e variados factores aos quais não estão de modo algum dissociadas as indecisões deste governo e do anterior quanto a saber gerirem em tempo adequado as águas acumuladas nas grandes barragens do Norte do país. As chuvas anormais, dizem mais 50% do que o normal, também contribuíram para isso.


Perante este cenário, por muitas vezes aumentado por uma comunicação social ávida de vender notícias, várias zonas da cidade (fundamentalmente a periferia) acabaram por se verem inundadas, com as águas procurando o caminho do mar, com os enormes prejuízos para as pessoas e para o funcionamento da cidade.

Contudo pior do que as cheias parece-me ter sido o tal "pânico" que se apoderou (a par com muitas demonstração de exibicionismo que tal proporcionou) das gentes urbanas.

Nunca vi o centro desta cidade tão seco como agora. Os esforços (louváveis ou não) deste governo para poupar no fim os eleitores da oposição (os ricos urbanos de Bangkok) conseguiram afastar qualquer gota de água do centro da cidade onde por outro lado se vêm frequentemente verdadeiros "bunkers" erigidos pelos timoratos urbanos com falta de capacidade de pensar pelas próprias cabeças e excesso de dinheiro para gastar na construção dessas muralhas (desnecessárias). Presenciei o facto mais relevante mesmo na rua onde moro. Um banco construiu um verdadeiro forte à volta da sua sede com muralhas de cimento de mais de 2,5 metros de altura reforçadas com cerca de 1 metro de sacos de areia empilhados à sua volta quando mesmo ao lado há um mercado de rua, como existem por toda a cidade, que nem um grão de areia nem um milímetro tem a protegê-lo. Como a protecção daquele banco existem muitas mesmo muitas outras. Estou agora curioso para ver onde vão ser colocados os sacos de areia quando tudo isto terminar não vá acontecer, como já muitas vezes vi, atirarem-nos para os esgotos causando assim o seu entupimento e então terão cheias sem protecção.


Esta diferença de atitude entre aqueles que se pavoneiam com as suas botas altas e coloridas (que têm feito capas de revistas da alta sociedade) e os que sem sapatos enfrentam as águas são bem os sinais destas cheias.

O essencial é que, infelizmente, muitas pessoas pereceram (533 até agora) embora a grande maioria tenha sido por electrocussão devido ou à teimosia em não abandonar áreas de risco ou por total descuido ao continuar a manter ligados e a manusear aparelhos eléctricos em casas totalmente submersas.

Para além disso os prejuízos para a economia são grandes e sérios mas a capacidade das gentes em levantar-se e caminhar em frente de novo é ainda maior. Hoje mesmo um dos mais importantes empresários do país que viu muitas das suas operações interrompidas, o que não o impediu de ter estado na primeira fila dos largos milhares de voluntários que ajudaram os menos favorecidos, disse que estava confiante que a economia do país cresceria fortemente no ano de 2012. Também as boas notícias de que várias fábricas na zona de Ayuthaya retomaram a actividade do mesmo modo que muitos outros sectores da economia anunciaram o regresso à normalidade e a reabertura de áreas até há dias inundadas, vão animando as pessoas. No que respeita a antiga capital do reino diga-se que as águas estão em recessão e ontem iniciou-se uma operação de limpeza onde milhares de voluntários se juntaram para devolver, o mais rapidamente possível, a Ayuthaya o sorriso que merece.

Nos meios de comunicação social de hoje vêem-se muitas boas notícias sobre o retomar de actividades em vários sectores e zonas da cidade, a par de um retomar das querelas políticas como manchetes o que denota um certo "regresso á normalidade".

Para a próxima estação, pois as cheias e as secas fazem parte da vida deste povo, deveriam oferecer-se estágios na província às gentes de Bangkok e assim talvez fossem mais comedidos e mais sábios a lidar com as águas bem essencial num país que é um dos maiores produtores de arroz do Mundo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mais fotos das Cheias

Pizza a domicílio

Protecção total

Nada como um bom descanço

Adicção total

Pausa para refeição

Uns Disfrutam outros Sofrem













Nong Nam

Vindas de forma violenta do Norte, após as absurdas e tardias descargas das águas das barragens nortenhas, e do céu, as águas acomodaram-se nas planícies centrais de Ayuthaya, Pathun Thani e províncias adjacentes face à dificuldade de encontrar uma saída para o mar através da capital tailandesa.

Aí cresceram, aí se acomodaram e tudo inundaram e desde esse momento começaram a procurar de forma lenta mas segura as saídas.

A Tailândia sabe viver com as inundações já que elas existem todos os anos e são uma constante na vida das populações. Acontece contudo que normalmente as águas crescem e desaparecem a um ritmo sustentável diferente do que está a acontecer este ano o que faz com que na realidade se possa afirmar que, apesar desta permanente convivência, há um enorme grau de inexperiência e incapacidade para lidar com este tipo de desastres.

Inicialmente quando as águas se começaram a depositar e acomodar nas planícies centrais todos pensaram que seriam capazes de suster o seu ímpeto e elas acabariam, como de costume, uma ou outra semana mais, a "largar" as populações, mas assim não aconteceu e a incapacidade (incompetência) veio ao de cima aliada aos primeiros sinais de disputas políticas entre as várias facções da sociedade sempre tão prontas a obter ganhos seja qual for a situação.

O governo mostrou a sua fraqueza e falta de liderança até porque mesmo que a jovem Primeira-Ministra fosse capaz de dar dois murros na mesa muito presumivelmente não teriam eco visto os interesses contraditórios quer entre elementos da coligação no poder quer entre esta e a oposição estarem a vir "à tona da água" nestas inundações.

Curiosamente o melhor aliado do governo nestes momentos difíceis têm sido os militares que de uma forma abnegada e sem fazer alarde do seu trabalho vão ajudando tanto quanto podem as populações.

O FROC (Flood Relief Operations Centre) cedo se viu envolvido em contradições e em disputas de liderança e a PM teve por várias vezes de mudar a direcção e alertar para que só o FROC podia falar e emitir comunicados sobre a situação. Mesmo assim vai-se ouvindo, aqui e ali, comentários contraditórios e dispersos vindos de diversos políticos sempre no sentido de atraírem a atenção dos "media" e de jogarem cartadas obscuras que só eles saberão o que querem mas que a todos confunde e em nada ajuda a situação.

Os falhanços até agora em conter as águas em movimento já causaram à economia do país mais danos do que o encerramento do aeroporto e a crise dos "camisas vermelhas" juntos e vai ter consequências a médio prazo para o país. Variados parques industriais totalmente alagados e inoperativos causaram perturbações em vários sectores da indústria aqui e em muitos cantos do planeta. Um exemplo é o facto de haver fábricas da Toyota, Honda e Sony (entre as que conheço), do Japão aos Estados Unidos, que tiveram de parar a produção por falta de peças. Outro exemplo é o preço dos discos para computador (a Tailândia é o segundo maior produtor mundial) que subiu em flecha dado se terem tornado bens raros e difíceis de obter tendo reduzido a produção mundial de computadores.

Neste momento luta-se para tentar salvar mais dois parques industriais no leste da capital onde as águas já entraram e continuam a subir.

Outro dos exemplos da perturbação causada á economia pelas cheias é o facto de haver inúmeros pequenos negócios fechados pois ou estão alagados ou os seus donos ou funcionários impossibilitados de estarem presentes visto viverem em zonas submersas. Conheço pessoalmente um número bastante grande de pessoas deslocadas ou retidas em casa pois ou conseguiram sair a tempo e encontraram albergue em casa alheia ou não o fizeram e agora não existem condições para saírem de casa e retomarem uma vida diária normal.

As permanentes "guerras" entre o Governo da cidade e o Governo do país no que respeita o que fazer (note-se que são encabeçados pelas duas principais forças políticas opostas) só tem adiado o encontrar de soluções para o escoamento das águas e feito com que sejam estas a desbravarem os seus caminhos em direcção ao mar.

Por enquanto o centro da cidade está seco e bem seco (quase todos os anos vejo muito mais água mas esta proveniente da chuva e portanto ocasional) mas o lençol de água, que pude constatar vendo do ar ser um verdadeiro "oceano", está bem próximo e a ganhar alguns metros diariamente e parece muito provável que essas zonas acabem por não escapar aquilo que os tailandeses chamam a "nong nam" expressão que se pode traduzir pela "marota da água".

Não quero criticar nem este nem aquele pois o mais importante neste momento será dar as mãos a todos e ajudar os que necessitam mas é um facto que uma vez por todas os políticos no país deveriam pensar no bem comum, nas necessidades dos que sofrem, no país e deixarem as disputas políticas para mais tarde.

O momento é de ajudar e não de disputar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Gregos e Troianos

As pessoas são na realidade difíceis de contentar e é um facto que não há uma solução que a todos satisfaça.

Com é do conhecimento a Tailândia tem vivido as piores cheias de que há memória para a maioria da população.

Desde há quase um mês que as autoridades, em conjunto, têm vindo a lutar para impedir que o mar de água que existe na zona a Norte da capital alague esta e provoque o caos em Bangkok.

É verdade que as populações de várias províncias (Nakhon Sawan, Ayuthaya, Pathum Thani e adjacentes) têm vivido debaixo de água nalguns casos com mais de 2-3 metros de altura mas o facto é que não foi feito nada ou não foi possível impedir que as águas vindas do Norte ali chegassem.

Inundadas essas províncias, como disse ou por inabilidade das autoridades ou impossibilidade de tal impedir, havia que fazer esforços e intervir para poupar a capital e assim o governo com um forte apoio dos militares e de todas as agências implicadas na matéria e ainda com os conselhos do Rei (como se sabe um profundo conhecedor da matéria) que nestes últimos dias recebeu por duas vezes a Primeira-Ministra Yingluck, deram as mãos e puseram em andamento vários projectos que vieram a mostrar-se eficazes e pode dizer-se com uma forte probabilidade de certeza que Bangkok está a salvo.

Com hoje se constata nos jornais já começaram a aparecer as vozes daqueles que estão contra e é interessante ver que essas vozes não vêem daqueles que têm algum capital de queixa, as populações afectadas, mas daqueles que se sentam comodamente numa poltrona em Bangkok, com os pés bem secos, mas aproveitam o momento para disparar em direcção ao Governo que "os salvou".

Um dos mais fortes comentários vem de um professor de uma universidade local conhecido pelo seu perfil extremamente reaccionário e grande apoiante do movimento amarelo onde sempre se fazia ouvir que não entende porque é que o governo "poupa a capital mas deixa outras províncias debaixo de água", isto para além de uma cruzada que faz contra a "incompetência e falta de liderança da PM".

Compreende-se que agradar a todos é sempre uma tarefa difícil mas aproveitar um momento em que há um desastre como este e em que as forças políticas, os militares e todo o aparelho de estado, com o forte apoio do Rei, arregaçaram as mangas e lançam-se à obra de salvar o que podia ser salvo, é no mínimo sintomático dos interesses "dessa gente " (expressão minha) que não merece mais do que desprezo.

A comunicação social teria também um papel importante a não dar cobertura a esse tipo de comentários mas assim não procede. Por exemplo no The Nation hoje há um artigo onde um conjunto de académicos também se mostra descontente com algumas medidas tomadas pelas autoridades mas fá-lo de uma forma correcta e técnica apontando outras possíveis soluções para algumas áreas o que é nada mais do que um válido contributo, agora dizer mal só por interesses políticos e sem opções é doentio.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

As maiores cheias de que há memória

As maiores cheias de que há memória no país assim são descritas as que actualmente se vivem na Tailândia.

Para melhor compreender a questão há que entender que existe como que uma bacia natural, para onde grande número de rios confluem, que se situa na província de Ayuthaya, a pouco menos de 100 km a Norte de Bangkok.

Ayuthaya é uma enorme planície onde todas essas águas se juntam e grande parte delas formam o Chão Praya, o rio que banha Bangkok. Ora o Chão Praya corre para o Golfo da Tailândia mas não o consegue fazer quer com a velocidade desejada (o próprio Golfo está com as suas marés bem altas) nem sem que as águas saltem das margens.

Para além disso os terrenos fortemente saturados não conseguem escoar as águas que se vão juntando e acumulando criando imensas albufeiras por todo o centro do país.


As grandes barragens no Norte do país estão por sua vez na capacidade máxima e tiveram de ser aliviadas das suas águas retirando a pressão que o excesso de água pode causar rompendo as barreiras e criando um desastre de proporções inimagináveis.

No Domingo milhões de litros de água foram libertados da barragem Bhumiphom, na província de Tak, aumentando em muito o caudal dos rios que correm para Ayuthaya mas era impossível conter as águas visto a barragem estar praticamente a 100% da sua capacidade.


Os efeitos para a economia nacional são neste momento ainda incertos mas o Banco Central fala em 1% ou mais no PIB neste na. O certo é que existem neste momento inúmeras empresas (e alguns parques industriais) inoperativos afectando não só essas empresas mas a própria cadeia produtiva. A isso acresce o facto da uma das principais vias no país, a estrada nº 1 Norte-Sul, estar encerrada em vários pontos afectando de igual modo a distribuição de produtos. Também muitos trabalhadores se sentiram na obrigação de regressar às suas vilas de origem para ajudar a família a braços com o mesmo problema das cheias.

Governo e oposição têm estado a trabalhar em conjunto, um facto que muito se louva numa país politicamente tão dividido, no sentido de aliviar os problemas diários que se vão encontrando. Os deputados do partido no poder decidiram prescindir de 50% do seu salário para ajuda ás vítimas e por certo os da oposição e de outros partidos coligados seguirão o exemplo. O parlamento alargou de igual modo o montante que os partidos políticos podem atribuir em doações a terceiros.


A PM Yingluck tem estado 24 sobre 24 horas à frente das acções de socorro às vítimas, quer no terreno quer liderando os membros do governo e montou um conselho especial de emergência no aeroporto de Don Muang, a Norte de capital, uma localização mais próxima da realidade que se vive. Esta manhã a zona próxima, Rangsit estava já fortemente afectada e as águas do Chão Praya e todos os canais a ele ligados estão a descer rapidamente sobre Bangkok. Uma fotografia aérea esta manhã mostrada no Bangkok Post dava conta da forma como as zonas orientais e ocidentais da cidade estava já afectadas e os terrenos fortemente alagados. A zona central da cidade, por norma menos sensível a esta questão parece a salvo.

Como já referi o problema das cheias na Tailândia é uma questão que tem muito a ver com a pobre gestão dos recursos hídricos no país.

Todos os anos há nos mesmos locais cheias e secas o que ilustra bem a necessidade de urgentemente olhar para esta questão e tentar encontrar uma solução para o problema.

As visões de curto prazo têm imperado e todos os anos são tomados remédios para uma "dor de barriga quando na realidade o paciente tem uma forte infecção".

Astuto e com o sentido da oportunidade, como sempre, Thaksin dá hoje uma entrevista a um dos principais jornais onde mostra a necessidade de o país avançar com um sistema integrado de gestão dos recursos hídricos e mostra mesmo como ele pode ser feito sem usar grandes verbas e de alguma forma ter ganhos políticos com uma aproximação à China país com larga experiência na matéria. Thaksin, para além da sua astúcia, está a "falar de cátedra" pois em 2005 lançou um conjunto de programas de modernização das infra-estruturas do pais, onde se incluía precisamente a gestão dos recursos hídricos, mas não conseguiu levar por diante a iniciativa devido a ter sido deposto no ano seguinte e desde essa altura nenhum governo se preocupou com esta questão.

É na realidade hora de olhar para o desastre de este ano com olhos de futuro e iniciar os estudos necessários, aproveitando a grande sabedoria do rei rama IX na matéria, para que as cheias e secas não sejam "um facto da vida" mas um excepção num ano mau.

Entretanto para além dos enormes prejuízos a atingir números assustadores, havia a contar até ontem cerca de 270 vidas que se perderam.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As Cheias

Todos os anos na Tailândia passa-se sempre o mesmo problema.

Uma parte do ano há uma forte seca e na outra cheias. Desde que estou aqui no país nunca vi um programa sério para atacar este problema.

Em 2005 o então PM Thaksin Shinawatra lançou, com grande pompa, um conjunto de projectos, apelando ao investimento da comunidade internacional, chamados os "Mega Projects", entre os quais estava incluído um largo plano sobre a gestão dos recursos hídricos no país mas as dificuldades que pouco mais tarde começou a ter na sua governação e os interesses dos variados lobbies não permitiram que esses projectos fossem para a frente.

O governo de Samak Sundaravej, o primeiro eleito após o golpe de estado de 2006, anunciou também um grande plano de irrigação do nordeste e gestão das águas nessa região mas, de igual modo, esse plano não se concretizou e nada foi feito.

Os governos que se seguiram nada fizeram e, como o presente, o que mostram é só planos para apoiar as vítimas, planos que são sempre excelentes ocasiões para tirar umas fotografias que ajudam a angariar simpatias e votos.

Abhisit enfrentou em 2010 um ano de fortes cheias, passeou-se por todo o lado de barco e de helicóptero mas também nada mais fez do que distribuir umas ajudas pelos necessitados. Note-se que muitas vezes essas mesmas ajudas são distribuídas através dos Deputados ou candidatos locais, o que levanta sempre grandes dúvidas sobre a honestidade desses actos e fica sempre um sentimento de que a maioria dos dinheiros atribuídos acaba não nos bolsos dos que necessitam mas nos daqueles que dizem ajudar.

Mais uma vez se repete a cena e este ano não só as cheias chegaram um pouco mais cedo como são das maiores de há muitos anos persistindo desde os finais de Julho.

Até ao momento já morreram mais de 170 pessoas em acidentes vários e pode dizer-se que o centro do país, as confluências dos rios Nan e Yom, está submerso.

Desde a província de Nan até à de Ayuthaya há lagos milhares de quilómetros quadrados debaixo de água com as consequentes perdas humanas, como referi, e materiais presentes e futuras pois sendo a Tailândia um país com uma muito forte componente agrícola as colheitas estão perdidas ou fortemente reduzidas. Esta questão traz consigo outros problemas sociais e um estudo recente atribuiu o aumento do tráfico e consumo de drogas ao facto de muitas populações afectadas pelas cheias e que se vêm sem meios recorrem ao "dinheiro fácil" dessa actividade para sobreviver.



Até há dias o Norte do país, províncias de Chiang Rai e Chaiang Mai, tinha de alguma forma sido poupado, mas ontem o rio Ping saltou das margens e o centro de Chiang Mai rapidamente foi inundado tendo algumas áreas visto a água subir 80 cm. Para quem conhece a cidade basta notar que o "Night Bazaar", que fica umas boas centenas de metros afastado do Ping, chegou a ter água com mais de 50 cm de altura.



Bangkok ainda está "com água pelos lábios". O normal é no final de Outubro ver o Chao Praya subir para níveis acima do limite mas este ano estamos a ver que tal não só está a chegar mais cedo como é bem capaz de atingir proporções maiores do que em anos recentes. Ontem na zona ribeirinha em frente ao Templo da Madrugada (Wat Arun) já não se passeava sem ter de descalçar os sapatos e conviver com uns bons 10-15 cm de água.

O Bangkok Post hoje em título fala das piores cheias de sempre.

Até quando os políticos no país vão continuar somente a fazer de enfermeiros das vítimas e nenhum ousa fazer um claro diagnóstico da doença e aplicar as necessárias medidas preventivas?

A sorte, deles, é que o povo tailandês tem uma capacidade de resistência impar e convive com a água e com este tipo de problemas há muito.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Justiça?

Já por várias vezes me referi ao caso Santika como um exemplo de mau serviço à Justiça.

Relembrando: na noite de 31 de Dezembro de 2008 na zona de Ekkamai em Bangkok muitos celebravam o entrada do Ano Novo num clube com o nome Santika. O fogo tomou conta da velha instalação, houve pânico, pessoas tentando encontrar as saídas de emergência, enfim o normal numa situação daquelas e tudo terminou com a destruição do edifício a morte de 66 pessoas e ferimentos e queimaduras em muitas mais algumas das quais ainda hoje estão desfiguradas e não conseguem retomar a vida normal que até esse momento tinham.

A Polícia tomou conta da ocorrência, iniciou as investigações e tudo se arrastou até ontem. Entretanto na altura o Ministério do Interior elaborou também um inquérito onde se fazia referência à total falta de regras de segurança no local, à não existência de licença para operar e ao facto de estarem envolvidos no funcionamento do clube altas patentes da Polícia (o que sempre acontece) e funcionários da municipalidade.


As investigação começou a criar a ideia no público que tudo tinha sido causa da inadvertência do líder da banda que actuava no local (com o nome fatídico de Burn) nunca se referindo nem à falta de inspecção pelos bombeiros ou outros agentes de segurança do governo de Bangkok nem ao facto de serem conhecidas muitas e variadas irregularidades no funcionamento legal do clube.

Ontem o Tribunal decidiu o caso condenando o responsável da empresa que instalou o sistema de som e luz no local e um dos gerentes (fala-se que na realidade era o arrumador de carros do clube) do clube a 3 anos de cadeia e 20.000 baht (500 euros) de multa sendo que saíram ambos em liberdade com uma caução prestada na altura.

Conseguir uma pena de três anos de cadeia, com liberdade condicional, pela morte de 66 pessoas e a desfiguração e destruição da vida de muitos, dá para pensar não só em termos absolutos como em termos relativos com outro tipo de penas que são aplicadas no país.


Quem ousar dizer ou escrever algo que a elite dominante no país não gostar arrisca-se a pelo menos 15 anos de cadeia e há presentemente muitos exemplos disso. Quem possuir umas gramas de drogas arrisca a pena capital ou pelo menos 20 anos de cadeia. Há neste momento cerca de 700 pessoas no "corredor da morte" e a grossa maioria é por casos relacionados com drogas. Agora mesmo há 60 pessoas, camisas vermelhos "menores" ou simplesmente porque estavam no local errado no dia errado e que foram apanhadas no meio da confusão dos incidentes de Abril/Maio de 2010, encarceradas ainda sem acusação e os "senhores" do Santika são libertos.

Esta "justiça" dá muito que pensar!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

500 Anos

Abaixo um pequeno excerto do artigo hoje publicado no The Nation ácerca de mais um acontecimento comemorativo dos 500 Anos da chegada dos Portugueses ao reino do Sião, actual Tailândia.

"The Portuguese were the first Europeans to enter Ayutthaya in 1511. Today, five centuries on, Thailand and Portugal are the closest of friends, so much so that a Thai pavilion is about to be constructed in the heart of Lisbon to celebrate the five centuries of diplomatic ties.

Yet many Portuguese today are decidedly ignorant about Thailand. Generalities abound, with many believing that Bangkok is in Indochina, bamboo is everywhere, the city is criss-crossed with rivers and canals, and the movie "Tears of the Black Tiger" is great".

Aeronaves, Inquéritos e Poderes Sobrenaturais

Esta semana espera-se que a Comissão Nacional de Eleições legitime os restantes deputados necessários para que o Parlamento se possa reunir na semana próxima.

Até ao momento há 402 deputados já aprovados pela CNE e para que a assembleia inicie trabalhos terá de haver um mínimo de 475 ou seja 95% do número total de deputados. Depois disso terá de ser publicado um decreto real que dará por constituída a assembleia legislativa.

A primeira sessão tem de realizar-se no dia 2 de Agosto, como prevê a Constituição, escolhendo o seu Presidente que posteriormente será empossado através de uma audiência com o Rei. Só após isto se dará início á votação dos candidatos a primeiro-ministro (é normal o partido mais votado apresentar o seu candidato e a oposição um outro) e depois de aprovado o candidato escolhido iniciará os trabalhos conducentes à formação do executivo.

Entretanto enquanto todo este moroso processo prossegue a questão no momento é a sequência de acidentes com helicópteros do exército que no escasso período de 8 dias já fez 17 vítimas mortais e um ferido grave.

No dia 16 de Julho um helicóptero levando a bordo militares e jornalistas despenhou-se numa área de floresta mesmo na fronteira com a Birmânia aparentemente devido a condições climatéricas adversas. Nesse acidente pereceram 5 passageiros incluindo um general do exército tailandês. Os corpos, encontrados por patrulhas pedestres, foram transportados para uma base na região de onde seriam posteriormente trazidos para Bangkok. Para tal foi enviado no dia 19 um helicóptero Black Hawk com 9 tripulantes, incluindo outro general e mais duas altas patentes, que acabou por se despenhar não muito longo de onde tinha caído a primeira aeronave. Todos a bordo perderam a vida.

Ontem de manhã um Bell 212 destinado a transportar os corpos dos 9 militares falecidos no passado dia 19 caiu quando se deslocava para o local e com ele perderam a vida mais 3 tripulantes tendo um deles ficado ferido ainda que com gravidade.

Muitos se interrogam por esta série de incidentes e há mesmo quem atribua tudo a magias negras ou poderes sobrenaturais dos "deuses da floresta" do parque nacional de Kang Krachan. Entrevistam-se residentes para substanciar estas crenças e esses são unânimes de que as forças da floresta são demasiadamente poderosas e os helicópteros foram por elas deitados abaixo.

A realidade é que pereceram 17 pessoas e o facto está a criar bastante consternação no seio do exército e a levantar inúmeras questões que não são respondidas.

Não se ouviu até agora nem o governo, através do Ministro da Defesa, nem o exército através do seu CEME, anunciarem a abertura de nenhum inquérito mas penso que deverá acontecer se bem que as suas conclusões não serão por certo conhecidas do público. Aqui lembro o caso de dois F-16 que se despenharam há poucos meses, e ao mesmo tempo, na província de Chayaphum. É sabido de muitos as razões que fizeram com que esses dois aparelhos se despenhassem, razão que tem só a ver com a obsolescência de materiais usados pelos pilotos e nada com as aeronaves, mas oficialmente nunca houve nenhuma explicação para o incidente.

Este tipo de acidentes, como quase tudo que envolva patentes, acaba por ser decididos "debaixo da mesa" evitando-se qualquer tipo de publicidade sobre as causas reais o que, se bem que possa calar sentimentos no curto prazo, é uma solução com custos pesados no sentir da população e nada ajuda ao prestígio dos envolvidos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Curtas

Hoje duas questões chamaram a minha atenção e uma delas anda a correr o espaço cibernético rápidamente.

A primeira foi o caso de uma avião, especial, da Força Aérea tailandesa ter sido apreendido no aeroporto de Munique devido a um caso de uma decisão judicial de penhora de bens devido a uma dívida vencida e não cumprida do estado a uma companhia alemã. O caso pode ver-se aqui.

O segundo é um artigo de opinião no The Nation com o título " Dear Khun Thaksin save your sister" que é um sumário muito bem escrito dquilo que talvez a grande maioria dos tailandeses pensam e do qual só cito a seguinte frase aconselhando a leitura do resto.

"Hoje Khun Yingluck não é a sua iramã mais nova. Ela vai ser a PM do país. Deve respeitá-la nessa qualidadepelo menos por respeito a ela se não o fizer por respeito ao país"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Irina Bokova - UNESCO

O Ministro dos Recursos naturais da Tailândia, Suwit Khunkitti, que chefiou a delegação tailandesa nas negociações em Paris, junto da Convenção sobre o Património da Humanidade, da UNESCO, acusou a Directora-Geral daquela agência das Nações Unidas de ter mostrado falta de respeito pelo PM da Tailândia por se ter recusado a atender chamadas telefónicas que este lhe fez.

Presumo que se a delegação tailandesa tivesse sido conduzida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, facto que seria normal visto o que estava em discussão ser um assunto diplomático e não uma tecnicidade como a Tailândia tentou fazer entender, o protocolo teria sido respeitado e o Senhor PM da Tailândia nunca teria tentado contactar com a Senhora Directora-Geral da UNESCO num momento em que estava em discussão um assunto entre a Tailândia e o Camboja sobre o templo de Praeh Viharn. Todo e qualquer mal entendido causado por uma conversa bilateral poderia ser explorado politicamente por qualquer das partes.

Bem esteve Irina Bokova.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Noticia do Dia

A grande notícia do dia, que fez primeira página de todos os jornais, foi o facto do monarca ter ontem abandonado os seus aposentos no hospital de Siriraj para prestar homenagem à figura do seu antecessor Rama V e manter-se por alguns momentos nas margens do rio observando o seu correr foz abaixo e por certo tirar algumas fotografias juntando dois amores de sempre de Rama IX, a água e a fotografia.

A presença pública do Rei foi também motivo para nos apercebermos que a intervenção cirúrgica a que foi submetido recentemente é coisa do passado e que o monarca está em franca recuperação como foi anunciado no 43 boletim médico do palácio.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A três dias da Dissolução do Parlamento

Hoje está a acontecer o último Conselho de Ministros que tem uma agenda de mais de uma centena de pontos para cumprir.

Todos os últimos decretos serão aprovados hoje e espera-se um "bodo aos pobres" em termos de aprovações orçamentais extraordinárias. Esta manhã um jornal falava que possivelmente seria também aprovado um projecto que tem gerado bastante controvérsia que é a aquisição de 7 submarinos alemães, recentemente abatidos ao activo, por uma verba que é considerada bastante elevada face quer á necessidade da marinha tailandesa ter aquele tipo de embarcações (nunca houve submarinos no activo) quer á opção de compra de submarinos novos coreanos ou chineses. Este projecto que tem sido apadrinhado pelo Chefe do Estado-maior da Armada não tem recebido o apoio total do Ministro da Defesa que parece inclinar-se para a solução coreana.

A Comissão Eleitoral reuniu-se ontem com líderes e representantes dos principais partidos políticos e estes assinaram um acordo de cinco pontos relativo às eleições legislativas de 2011: 1) Não envolver a monarquia nas questões políticas nem a usarem para fins eleitorais, 2) Cumprir rigorosamente a Lei Eleitoral, 3) Não usar recursos estatais para a campanha, 4) Realizar a campanha de forma pacífica, sem ameaçar os concorrentes, e 5) Respeitar os resultados eleitorais.

Assim se desejaria que corresse a campanha mas é sabido, como a classe política, aqui e na maioria dos países, por norma esquece aquilo que assina com a rapidez de um raio. Lembro aqui que no Domingo passado Nevin Chidchob, o ex braço direito de Thaksin agora líder de facto do Bhum Jai Thai aliadao de Abhisit no governo, disse que "mesmo que o Pheu Thai ganhe as eleições nunca serão autorizados a formar governo".

De qualquer forma sejamos optimistas e acreditemos, uma vez mais, que quer a campanha quer os resultados das eleições serão respeitados por todos.

Entretanto o Rei Bhumibol foi submetido ontem à noite a uma intervenção cirúrgica para diminuir o nível anormalmente elevado de líquido cefalorraquidiano existente no cérebro. "Esta situação, comum entre os idosos, cria instabilidade impossibilitando o Rei de andar". A equipa médica composta por especialistas tailandeses e estrangeiros recomendou o tratamento que envolve colocar um dreno no ventriculoperitoneal para retirar o líquido cefalorraquidiano para a cavidade abdominal. A condição pós-operatória do Rei é boa ", assim era dito no comunicado emitido pelo Palácio. O estado de saúde do Rei, actualmente com 83 anos e internado desde Setembro de 2009, cria sempre grande preocupação entre os tailandeses que vêm nele a figura reverenda de um pai.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Situação na Fronteira

Após 6 dias de escaramuças na fronteira e das queixas de muitos, fundamentalmente daqueles que ou vivem nas zonas onde se passam os combates ou do comércio que por elas passa, parece que a postura dos militares de ambos os lados abrandou ligeiramente e hoje, até ao momento não ouve troca de tiros.

Contudo estamos longe de ter as questões esclarecidas.

Uma reunião entre os dois Ministros da Defesa agendada para hoje acabou por ser esta manhã cancelada abruptamente pelo Ministro Pravit depois de um jornal de Phnom Penh ter reproduzido palavras atribuídas ao Ministro da Defesa cambojano dizendo que os tailandeses teriam solicitado que as partes se sentassem á mesa das negociações facto que foi visto, deste lado da fronteira, como uma tentativa de fazer crer que os tailandeses tinham capitulado ou estavam a ser forçados a sentarem-se a uma mesa negocial depois de serem derrotados na frente de combate. Entretanto, em mais umas declarações desligadas, o PM Abhisit disse também esta manhã durante uma visita que fez ás tropas estacionadas na frente de combate, que as reuniões com os cambojanos, com o objectivo de encontrar uma solução pacífica para o conflito, aconteceriam como estava previsto.

A tensão é tanta que qualquer mal entendido é pretexto para atitudes ou respostas de uma ou de outra parte.

Num artigo de fundo hoje no jornal The Nation, Supalak Ganjanakhundee, titula que a Tailândia necessita de rever a sua posição sobre a questão da fronteira e alega que Abhisit tem errado na postura diplomática ao tentar misturar várias questões diferentes e impossíveis de coordenar no mesmo período de tempo.

A seguir os desenvolvimentos durante o resto do dia. Recorde-se que as escaramuças ontem aconteceram não só no local onde se têm desenvolvido desde Sexta-feira mas também e de novo em volta de Prahe Viharn, cerca de 150 km a nordeste.

Entretanto ontem o conselho de ministros aprovou dois pedidos pelos militares de mais fundos: um no valor de 28 milhões de Euros para as actuais operações na fronteira e outro de 207 milhões de euros para um fundo especial do Comando Operacional das Forças Armadas.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mais Uma vez. Tailândia e Camboja

Tropas tailandesas e do Camboja voltaram a confrontar-se desde Sexta-feira passada contando-se até ao momento 12 mortos e umas dezenas de feridos, alguns com gravidade, números referentes a acidentados dos dois lados.

Como de costume ambas as partes acusam a outra de ter feito o primeiro disparo e cada vez parece mais longe a possibilidade de encontrar uma solução negociada e pacifica para o conflito nesta tão mal demarcada fronteira entre os dois países membros da ASEAN. Hoje mesmo o MNE Indonésio, presidente em exercício da associação, era para se ter deslocado às duas capitais no sentido de entender a situação e encontrar uma saída mas acabou por ter de cancelar as visitas visto ter concluído que não iria conseguir adiantar nada.

Para além da longa história já várias vezes relatada recorde-se que a 22 de Fevereiro passado, após uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os MNE dos 10 países da ASEAN reuniram-se no sentido de encontrar uma plataforma de entendimento para o conflito e acordaram que a Indonésia enviaria para a fronteira uma equipa de observadores e igualmente acolheria no seu território uma reunião da Comissão de Demarcação de Fronteira (JCB) que está inoperante desde há muito.

O Camboja de imediato acordou nos termos de referência da missão de observadores mas a Tailândia, por imposição dos seus militares, paralisou o processo. De igual modo o Ministro da Defesa e o comandante-chefe do Exército recusaram participara na reunião do JCB alegando que ela deveria realizar-se sem a participação de terceiros ao contrário do acordado pelo MNE Kasit em Jacarta.

Deste modo foi-se vivendo umas tréguas não formalmente acordadas e nada foi avançado no processo de encontrar uma solução para o problema. Tem sido sempre esta a posição da Tailândia a de evitar a intervenção de terceiros no conflito possivelmente devido ao sentir de que se estes vierem a ter alguma participação numa decisão essa será, como sempre tem sido nos fóruns internacionais, favorável ao Camboja.

A Tailândia prefere viver assim numa paz podre alegando sempre que os militares dos dois países têm uma muito boa relação e as escaramuças que possam acontecer são sempre incidentes provocados com intenções políticas externas aos interesses na região.

Refere hoje uma notícia que ontem mesmo quando o MNE Kasit visitou de surpresa a área os militares não o deixaram ir á zona do conflito alegadamente por motivos de segurança mas, relata-se, na verdade para mostrar o desacordo por parte dos militares com a forma como tem conduzido o processo.

Os militares de ambos os países fizeram deslocar para o local fortes contingentes e ambos têm também utilizado por vezes a força aérea quer para espionagem quer para bombardear posições, isto no caso dos tailandeses, como é conhecido muito mais bem apetrechados em equipamento.

Parece contudo hoje claro que o incidente desta vez foi preparado e montado pelos cambojanos no intuito de mais uma vez pressionar os tailandeses a aceitarem a mediação internacional.


Na semana passada o exército cambojano fez deslocar para o local homens e equipamento para "um exercício de rotina" e numa zona territorial em disputa começaram a construir um "bunker" de protecção tendo levado, segundo observadores, a que o exército tailandês tivesse aproximado os cambojanos exigindo a destruição dessa construção. Do lado contrário diz-se que os tailandeses em vez de solicitarem a paragem dessa construção começaram logo a disparar e desse modo as tropas tiveram de responder.

Enfim as escaramuças vão continuando, os locais (mais de 30.000 deslocados no lado tailandês) sofrendo as consequências e como sempre culpando os políticos pela situação.

Resta continuar atento e ver o que se passa amanhã mas o volume e a qualidade de tropas e equipamento colocado de um e de outro lado na fronteira nas províncias de Surin e Buriram, do lado tailandês, não é bom presságio de nada positivo.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Songkran e Hipocrisia

Na semana passada passou mais um Songrkran, o ano novo tailandês também conhecido como o Festival da Água, água purificadora, e como sempre, para além dos feriados e paragem que tais festividades provocam, houve motivos de sobra para comentar o acontecido.

Os dois últimos Songkran foram, infelizmente, marcados pela violência trazida pelas manifestações vermelhas, mas o deste ano mostrou de novo a faceta de animação que deve caracterizar este momento do ano.

Para além das festividades há sempre o drama dos acidentes de automóveis nos quais perdem a vida muitos tailandeses. Este ano os números foram ligeiramente mais baixos, 3.215 acidentes, mas mesmo assim inaceitáveis visto terem morrido no curto espaço de 6 dias 271 pessoas e ficado feridas 3.476 alguns dos quais por certo virão a falecer ou ficar incapacitadas para sempre.

Este é o eterno problema, não só aqui, da mistura explosiva do álcool com a condução de veículos.

Contudo este ano houve um incidente que dominou todas as manchetes dos jornais e que de acordo com um muito bem escrito artigo de fundo no Bangkok Post mostra a hipocrisia de uma certa parte da sociedade tailandesa, infelizmente da classe que de uma forma ou outra controla e detêm o poder.

O incidente resume-se ao facto de ter havido três raparigas, com idades entre os 14 e 16 anos, que no auge da loucura que se apodera de muitos durante aquelas festividades subiram para o cimo de um carro e dançaram com o peito descoberto.

Tal facto levou a que o director do distrito de Bangrak, onde tal aconteceu, o mesmo distrito onde se situam todos os clubes de Patpong e vizinhanças onde muito pior se passa, apresentasse uma queixa na polícia contra o "acto obsceno e imoral" das raparigas que estariam, no seu entender, a dar uma má imagem da Tailândia ao mundo.

Note-se que o Ministério da Cultura tinha (refiro o passado pois subtilmente foi retirado ontem) no seu sítio de internet a aguarela de Somphop Butrach (figura acima), alusiva à festividade do Songkran e que mostrava exactamente três dançarinas com vestidos tradicionais tailandeses, mas de peito descoberto, a saudarem a chegada do novo ano tailandês.

O artigo de Pichai, o Editor Chefe do Bangkok Post, que vale a pena ler, põe a nu a hipocrisia de actos como os levados a cabo pelas autoridades que "branqueiam as mesma práticas que condenam práticas essas que desfilam bem debaixo dos seus narizes".

quinta-feira, 31 de março de 2011

Submarinos

Um dos temas do momento é a mais que provável decisão do governo esperada (ansiosamente) pelo Chefe do Estado-maior da Armada sobre a compra de seis submarinos alemães que hoje mesmo são desactivados do serviço efectivo das forças armadas alemãs.

Diz o CEMA tailandês que os submarinos têm um tempo de vida de 6 a 7 anos e por isso requer uma decisão urgente do Governo.

Clama-se que o país necessita de fortalecer a sua esquadra no Mar Andamão visto os seus vizinhos (Singapura, Malásia e Índia) estarem muito melhor equipados do que a marinha tailandesa e que a ambição de ter submarinos já tem 60 anos.

Num momento em que a generalizada subida dos preços com o consequente impacto no agravar das condições do custo de vida para as populações está a pedir muitos sacrifícios há muitas perguntas no ar sobre a razão da compra e necessidade daqueles submarinos.

No momento também em que o Sul do país se debate com fortes problemas provocados por chuvas intensas e onde muitos (relata-se mais de 1 milhão) se encontra desalojado e a viver de apoios que lhes possam ser fornecidos e pelas doações que estão a ser pedidas em todos os meios de comunicação social as vozes contra o dispêndio dos 7,7 milhões de baht não se calam.

Coincidência ou não a marinha tem sido a principal força a actuar no apoio às vítimas mostrando e dando uso aos meios de que dispõem.

O cartoon hoje publicado pelo Bangkok Post é bem o sentir de muitos sobre a situação.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Clima na Tailândia

Já há dias me referi ao clima actual na Tailândia e ás suas mudanças não muito diferente do que se passa pelo Mundo. Já passou aquela altura em que podíamos responder com certeza ao tempo que iria fazer numa certa altura do ano. Em Agosto por certo que havia calor e em Dezembro frio e chuva. Agora parece que tudo mudou e para pior. Não sou cientista só sei ler as permanentes noticias sobre as modificações climatéricas que o nosso modo de vida vai causando a este planeta mas penso que é de todos sentido que a nossa acção não é de facto a melhor. Basta vermos os fumos e os gazes que produzimos, os triliões de toneladas de lixo não biodegradável que atiramos para o mundo, para vermos que algo está mal. Por outro lado as mais constantes catástrofes naturais deveriam ser uma alerta mas são somente um sinal para mais discussões e reuniões infrutíferas. Actualmente a Tailândia está a sofrer o seguinte, numa altura em que deveria haver tempo seco temperaturas entre os 25 e os 30 graus e pouca humidade. Frio em Bangkok e no norte do país com temperaturas a atingirem os 4,8º na província de Loei. Em Bangkok sente-se realmente frio e nestes todos anos que já cá vivo foi este o primeiro em que senti frio de verdade. A temperatura varia entre os 15 e os 22 º mas o vento que também não existe normalmente faz com que a temperatura real seja bastante inferior. No Norte do país morreram inúmeras cabeças de gado devido ás baixas temperaturas e o Ministério da Agricultura já pôs em funcionamento vários apoios a agricultores que não estão habituados a estas temperaturas. Outras zonas do Norte e Nordeste foram declaradas zonas de seca pois não chove a os arrozais estão a esgotar a água.

Mas o problema maior regista-se no Sul onde já morreram pelo menos umas 20 a 30 pessoas por problemas causados por fortes chuvas e ventos que inundaram um largo número de províncias e deixaram milhares de turistas bloqueados em Samui, Ko Tao, Ko Pangnan e Krabi. O total de pessoas afectadas anda na casa de 1 milhão. A marinha já fez deslocar para lá um porta-aviões e uma fragata de modo a possibilitar a evacuação de populações aprisionadas pelas águas e as operações de socorro prosseguem. Não há dúvida que o país é bastante comprido cobrindo cerca de 12º de latitude mas temos actualmente quase que todas as situações climatéricas e algumas totalmente opostas. Para além disso não são as esperadas ou previsíveis para esta altura do ano. Os consulados de todos os países têm estado a trabalhar sem descanso para informar o seus nacionais que se encontram bloqueados pelas cheias ou aguardando transporte mas há sempre quem tenha um prazer em entrar pela porta errada.


Um jornal de Phuket Wan Tourist News anunciava esta manhã num despacho de um jornalista (?) que perto de Krabi tinha havido uma avalanche que tinha destruindo 8 aldeias e havia pelo menos 1.000 mortos. Nos dias de hoje como se sabe a notícia espalhou-se rapidamente e colocou todos em busca da verdade que felizmente está muito longe daquilo que o senhor Allan Morison escreveu. Houve na verdade uma pequena avalanche, como é normal nestes casos de chuvas intensas e contínuas, que provocou a morte, confirmada de 10 pessoas. Uma questão de zeros e de seriedade que ainda não vi desmentida no dito jornal (?). Assim vamos tratando o nosso mundo.


Mal com a nossa actuação descuidada e pessimamente aqueles que pensam informar mas desinformam.