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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Aeronaves, Inquéritos e Poderes Sobrenaturais

Esta semana espera-se que a Comissão Nacional de Eleições legitime os restantes deputados necessários para que o Parlamento se possa reunir na semana próxima.

Até ao momento há 402 deputados já aprovados pela CNE e para que a assembleia inicie trabalhos terá de haver um mínimo de 475 ou seja 95% do número total de deputados. Depois disso terá de ser publicado um decreto real que dará por constituída a assembleia legislativa.

A primeira sessão tem de realizar-se no dia 2 de Agosto, como prevê a Constituição, escolhendo o seu Presidente que posteriormente será empossado através de uma audiência com o Rei. Só após isto se dará início á votação dos candidatos a primeiro-ministro (é normal o partido mais votado apresentar o seu candidato e a oposição um outro) e depois de aprovado o candidato escolhido iniciará os trabalhos conducentes à formação do executivo.

Entretanto enquanto todo este moroso processo prossegue a questão no momento é a sequência de acidentes com helicópteros do exército que no escasso período de 8 dias já fez 17 vítimas mortais e um ferido grave.

No dia 16 de Julho um helicóptero levando a bordo militares e jornalistas despenhou-se numa área de floresta mesmo na fronteira com a Birmânia aparentemente devido a condições climatéricas adversas. Nesse acidente pereceram 5 passageiros incluindo um general do exército tailandês. Os corpos, encontrados por patrulhas pedestres, foram transportados para uma base na região de onde seriam posteriormente trazidos para Bangkok. Para tal foi enviado no dia 19 um helicóptero Black Hawk com 9 tripulantes, incluindo outro general e mais duas altas patentes, que acabou por se despenhar não muito longo de onde tinha caído a primeira aeronave. Todos a bordo perderam a vida.

Ontem de manhã um Bell 212 destinado a transportar os corpos dos 9 militares falecidos no passado dia 19 caiu quando se deslocava para o local e com ele perderam a vida mais 3 tripulantes tendo um deles ficado ferido ainda que com gravidade.

Muitos se interrogam por esta série de incidentes e há mesmo quem atribua tudo a magias negras ou poderes sobrenaturais dos "deuses da floresta" do parque nacional de Kang Krachan. Entrevistam-se residentes para substanciar estas crenças e esses são unânimes de que as forças da floresta são demasiadamente poderosas e os helicópteros foram por elas deitados abaixo.

A realidade é que pereceram 17 pessoas e o facto está a criar bastante consternação no seio do exército e a levantar inúmeras questões que não são respondidas.

Não se ouviu até agora nem o governo, através do Ministro da Defesa, nem o exército através do seu CEME, anunciarem a abertura de nenhum inquérito mas penso que deverá acontecer se bem que as suas conclusões não serão por certo conhecidas do público. Aqui lembro o caso de dois F-16 que se despenharam há poucos meses, e ao mesmo tempo, na província de Chayaphum. É sabido de muitos as razões que fizeram com que esses dois aparelhos se despenhassem, razão que tem só a ver com a obsolescência de materiais usados pelos pilotos e nada com as aeronaves, mas oficialmente nunca houve nenhuma explicação para o incidente.

Este tipo de acidentes, como quase tudo que envolva patentes, acaba por ser decididos "debaixo da mesa" evitando-se qualquer tipo de publicidade sobre as causas reais o que, se bem que possa calar sentimentos no curto prazo, é uma solução com custos pesados no sentir da população e nada ajuda ao prestígio dos envolvidos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Submarinos

Um dos temas do momento é a mais que provável decisão do governo esperada (ansiosamente) pelo Chefe do Estado-maior da Armada sobre a compra de seis submarinos alemães que hoje mesmo são desactivados do serviço efectivo das forças armadas alemãs.

Diz o CEMA tailandês que os submarinos têm um tempo de vida de 6 a 7 anos e por isso requer uma decisão urgente do Governo.

Clama-se que o país necessita de fortalecer a sua esquadra no Mar Andamão visto os seus vizinhos (Singapura, Malásia e Índia) estarem muito melhor equipados do que a marinha tailandesa e que a ambição de ter submarinos já tem 60 anos.

Num momento em que a generalizada subida dos preços com o consequente impacto no agravar das condições do custo de vida para as populações está a pedir muitos sacrifícios há muitas perguntas no ar sobre a razão da compra e necessidade daqueles submarinos.

No momento também em que o Sul do país se debate com fortes problemas provocados por chuvas intensas e onde muitos (relata-se mais de 1 milhão) se encontra desalojado e a viver de apoios que lhes possam ser fornecidos e pelas doações que estão a ser pedidas em todos os meios de comunicação social as vozes contra o dispêndio dos 7,7 milhões de baht não se calam.

Coincidência ou não a marinha tem sido a principal força a actuar no apoio às vítimas mostrando e dando uso aos meios de que dispõem.

O cartoon hoje publicado pelo Bangkok Post é bem o sentir de muitos sobre a situação.

terça-feira, 22 de março de 2011

Autoridade

O Chefe do Estado-maior do Exército e o Ministro da Defesa anunciaram hoje que se recusavam a participar na reunião bilateral com o Camboja relativa às questões fronteiriças que terá lugar no início de Abril em Jacarta.

Na sequência dos conflitos fronteiriços de há cerca de um mês entre os dois países e da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 22 de Fevereiro os Ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN reuniram-se em Jacarta, sob os auspícios da Indonésia, actual Presidente da ASEAN, onde decidiram que a Indonésia enviaria uma missão de observadores para a fronteira entre os dois países e organizaria as reuniões da Comissão de Demarcação da Fronteira, reunião essa que foi então aprazada para o início de Abril como refiro acima.

Na sequência daquela reunião de Jacarta foram enviados a cada país os termos da missão de observadores e a convocação para a reunião.

No que respeita aos observadores o Camboja anuiu de imediato com a proposta Indonésia mas o MNE da Tailândia enviou o documento para análise das estruturas militares de onde ainda não saiu decisão, embora o General Prayuth já tenha feitio saber que não está de acordo com a presença dos observadores e mesmo recusou uma proposta cambojana para a constituição de patrulhas conjuntas (tailandeses e cambojanos) acompanhadas dos observadores indonésios.

O General afirma que as forças armadas dos dois países têm muito boas relações e portanto todas as questões deverão ser tratadas entre eles "sem nenhum intervenção externa".

Compreende-se o que o General diz mas o que está em questão é a credibilidade do país no contexto internacional. O país através do seu qualificado representante acordou uma matéria num fórum internacional que vem mais tarde a ser colocada em causa pela estrutura militar.

Difícil de entender isto um dia após o PM Abhisit ter afirmado na sua anual presença no Clube dos Correspondentes Estrangeiros, que presenciei, e respondendo a uma pergunta de uma jornalista australiana sob a capacidade do seu governo implementar o programa que se propõem quando segundo ela há forças que parecem interessadas no seu bloqueio, que o seu governo é o único legítimo representante dos interesses da nação tailandesa.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

1 de Outubro

Dois comentários simples e distintos para hoje Sexta-feira 1 de Outubro dia que dá início ao novo ano fiscal tailandês, dia que também é marcado pelas mudanças em muitos postos quer na função pública quer nas forças armadas quer na polícia.

a) Acabou de me chegar à caixa de correio a mensagem sobre um escrito que alguém fez sobre coisas que não presenciou mas sobre as quais emite opiniões baseadas em "amigos que por lá passaram". Ás vezes até se pode comentar factos alheios mas será sempre conveniente verificar as fontes pois o comentário que leio nada tem, mesmo nada, com o que aconteceu.

Faz-me lembrar a história daquele repórter que elabora, e o jornal publica, um largo relato sobre um evento que afinal acabou por não acontecer mas como ele não foi lá achou que poderia "imaginar" os factos e transmiti-los dessa forma ao mundo. No fim do que se trata aqui é de mentir ou talvez pior enganar propositadamente terceiros.

b) O Centro para a Resolução do Estado de Emergência (CRES), entidade criada na sequência da declaração do Estado de Emergência (EM) em Abril passado que funciona como o comando geral que faz a análise da situação do país no que respeita segurança e consequentemente aconselha o governo sobre as acções a tomar tem vindo a ser contestado na sua insistência em manter o EM em várias províncias do país. Há dois dias a comissão do Senado que segue as questões de segurança apelou ao levantamento daquela medida. Muitas e diversas entidades publicas e privadas se manifestaram igualmente contra a continuação da situação.

A resposta para a "teimosia" talvez se encontre no facto de os oficiais colocados no CRES receberem generosos per diem. Enquanto no Sul do país, onde todos os dias morrem militares ao serviço do país, os membros das forças aí destacadas recebem 180 baht diários aqueles "aquartelados" no ar condicionado do 11º regimento de Infantaria recebem 400 baht e o CRES tem um orçamento diário de quase 350.000 Euros.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tráfico de Armas


"Apontamos o dedo a homens como Viktor Bout pelo facto de manchar a imagem da Tailândia mas é a elite militar e política que transformou este país num terreno aberto para o tráfico ilícito de armas" é este o destaque quê se vê hoje no editorial do jornal The Nation num texto acerca da constante desaparecimento de armas e munições dos arsenais militares.

Neste mês de Setembro houve dois incidentes deste tipo (desaparecimento de largos milhares de munições e centenas de granadas do arsenal de Lop Buri) mas o editorialista refere isso ser uma constante e que os tailandeses não deveriam estar surpreendidos pois tal não é mais nada do que o "reflexo de uma cultura de impunidade existente no país".

No Sul do país existe um verdadeiro mercado de armas ligeiras e munições a céu aberto tal qual qualquer mercado de rua no resto do país. Pode mesmo regatear-se o preço de uma bala ou de uma granada e todas elas são provenientes dos arsenais militares.

No corpo do artigo o editorialista refere uma outra grande verdade, que infelizmente se passa em todo o mundo quando estamos a lidar com traficantes.

Diz o jornalista que a patente mais elevada que alguma vez é acusada neste casos é a de sargento e nunca um general viu o dedo ser-lhe apontado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Golpe

Ontem, como já referi, o Bangkok Post fazia uma alargada análise dos quatro anos que se passaram sobre o Golpe de Estado que depôs o governo de Thaksin Shinawatra e concluía que o país ainda estava a calcular os prejuízos causados para a economia e para a democracia.

Interessante ver que passados estes quatro anos a generalidade da comunicação social, incluindo a mais próxima do regime, como o citado periódico e outros, não se coíbem em apontar o dedo aos erros que foram cometidos, não com o golpe em si mas com as acções levadas a cabo na sua sequencia e que ao contrário do propósito anunciado de devolver a democracia ao país ainda criou maiores fricções e divisões como se vem constatando ao longo destes anos de marés amarelas e vermelhas.

Na realidade o golpe de 2006 tinha por objectivo terminar com o regime corrupto e autoritário de Thaksin e restabelecer um regime com respeito pelos direitos democráticos dos cidadãos mas falhou completamente.

Ao fim deste quatro anos Thaksin não foi acusado em mais nada do que abuso de poder e conflito de interesses, quando havia mais do que matéria para o condenar a largos anos atrás das grades e, como no caso vertente em que ele anda fugido, ter matéria legal suficiente para iniciar um processo de extradição. Repare-se que neste último aspecto nunca foi apresentado a nenhum país ou à Interpol, um pedido de extradição, ao contrário de amiúde referido por altas personagens do poder, porque na realidade tal é impossível com as condenações de que Thaksin foi alvo.

O golpe de estado produziu uma Constituição que deveria ser o novo mapa para dinamizar a vida democratica no país mas tem sido o oposto e um terreno de constantes discussões e causador de divisões. Recorde-se que Abhisit anda há mais de um ano a anunciar intenções de rever o texto fundamental, aliás como está escrito no seu programa de governo, mas tal têm-se mostrado impossível e parece a historia do cobertor pequeno demais para tapar os pés e a cabeça. Puxa de um lado há gritos e vice-versa.


O governo actual que era pressuposto ser o governo capaz de impor ordem e o respeito pela lei de modo a que o país evoluísse no sentindo de um maior respeito pelas normas tem tido enormes dificuldades em poder fazer valer os seus pontos de vista e o seu programa.

Veja-se três casos muito recentes onde se mostra que o poder é fluído e existe uma noção de incerteza em tudo. Na realidade existem mais do que um poder.

O caso do traficante de armas russo Viktor Bout. Em Agosto o Supremo Tribunal condenou-o a ser extraditado, tendo mesmo os EEUU enviado um avião para o levar. O caso está de novo envolto em mistérios e ninguém sabe o que é que vai acontecer nem se a sentença vai ou não ser executada.

O caso com a Árábia Saudita: a promoção para um posto no comando superior na Polícia de um general acusado, com julgamento marcado para Novembro, de crime de abducção de um saudita, relevante testemunha no caso do roubo e desaparecimento de um diamante da casa reinante saudita. Os diplomatas sauditas na capital declararam-se estupefactos com o caso, já se reuniram com o MNE Kasit, com Suthep e com o próprio Abhisit sobre o caso mas continuam a dizer que ainda não receberam nenhuma explicação formal sobre o caso e ameaçam fechar a representação na capital. A Arábia Saudita é uma importante fonte de turismo, especialmente no campo da saúde, e também uma fonte importante de receitas de remessas de tailandeses a trabalhar no médio oriente.


O terceiro caso é o da atribuição das licenças móveis de 3ª geração. O processo iniciou-se, apresentaram-se companhias a concurso (a primeira derrota foi não ter aparecido nenhuma companhia estrangeira apesar dos enormes esforços levados a cabo pelo Ministério da Economia), foram aceites os actuais três operadores móveis, fizeram os respectivos depósitos no valor de centenas de milhões de Euros, e quase ao soar do gongo vem o Tribunal Administrativo parar o concurso declarando que a entidade reguladora não tem competência para o realizar. Note-se que a constituição desta entidade vem de 1997 e até agora não foi possível haver consensos sobre a sua constituição fundamentalmente pela pressão feita junto das entidades competentes por parte dos militares que querem continuar a ter o controlo sobre todo o sector de radiodifusão nacional. Abhisit ontem na televisão tentava explicar esta questão mas sem o conseguir.

O poder é actualmente tão fluído e tão volátil que o país muda de direcção com um levíssimo sopro.

Os únicos que ganharam desde 2006 foram as instituições militares. O orçamento do Ministério da Defesa aumentou de 85 para 154 mil milhões de baht comparando o ano fiscal de 2006 e o de 2010 e passará para 170 mil milhões, ou seja o dobro, no próximo orçamento que entra em vigor no dia 1 de Outubro de 2010.

Mais de 100% em quatro anos é obra mas há que notar que a Tailândia é o país no mundo que tem mais oficiais de patente de general em comparação com o número de efectivos nas forças armadas. Actualmente, só no exército há 1.100 oficiais generais!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Prem Tinsunalonda


Cumpre hoje 90 anos de idade e é ainda um dos mais influentes homens na cena política do país.

O General Prem Tinsunalonda, Presidente do Conselho Privado do Rei é, sem dúvida quer pelo seu passado quer pela posição que actualmente ocupa, uma peça incontornável em qualquer movimentação no espectro político no país. O facto também de ser uma reverenda pessoa devido à sua idade faz dele, num país onde a idade "é um posto", alguém cujas palavras ou silêncios devem ser sempre ouvidos.

O General Prem antes de chegar á posição que actualmente ocupa, teve uma carreira militar brilhante, foi Comandante Supremo do Exército e Primeiro Ministro na década de 80 e foi-lhe atribuído, por Sua Majestade o Rei, o título de Estadista, o único actualmente vivo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Prayuth Chan-ocha

O Conselho de Ministros ontem reunido aceitou, sem alterar, a lista para a remodelação anual dos quadros superiores da hierarquia militar apresentada pelo Ministro da Defesa Prawit e decidiu enviar para que seja revista e aprovada pelo monarca Rama IX se assim o entender. Sobre o apoio dado pelo governo à remodelação importa ver este artigo no The Washington Times

Deste modo a partir de 1 de Outubro próximo, altura em que o General Anupong Paochinda passa à reforma por ter atingido 60 anos de idade no presente ano fiscal tailandês, o General Prayuth Chan-ocha será por certo o novo comandante supremo do exército um dos postos mais importantes na estrutura do sistema político/militar em vigor na Tailândia.

Desconhecer os meandros dos quartéis e das estruturas militares e da Polícia (como que a quarta força militar no país), torna impossível compreender e interpretar os factos políticos sejam eles de que naturezas forem.

Prayuth ascendeu meteoricamente na hierarquia queimando etapas para atingir o lugar de topo. Proveniente da classe 12 da escola militar (Anupong é da classe 10 - as mesma de Thaksin) passou à frente de outros que se encontravam potencialmente melhor colocados devido á sua senioridade mas foram preteridos a favor deste "falcão" proveniente do regimento "os Guardas da Rainha", aliás como Anupong e muitos dos que agora estão em lugares de chefia. Recorde-se que foi este regimento que esteve em grande destaque nos confrontos do dia 10 de Abril contra os manifestantes da UDD em que morreram 25 pessoas e ficaram feridos perto de um milhar. Entre os mortos estava um dos coronéis de elite desta força, Romklao, cujo funeral foi presidido pela própria Rainha numa homenagem "aos seus guardas".

Ao contrário de Anupong que sempre foi hesitante nas posições que pudessem de alguma forma manchar a sua carreira, isto no que respeita a tomar posicionamentos políticos claros, Prayuth é um claro apoiante do actual regime e uma voz determinada contra as intenções vermelhas. Recordo a propósito disto que há meses numa conversa com um jornalista tailandês ele me dizia que se este ano for mau (falava-se antes da crise Abril/Maio) o próximo será pior pois Prayuth não terá hesitações no que respeita ao uso da força ao contrário de Anupong.

Prayuth e Anupong têm caminhos muito semelhantes. Para além de pertencerem ao regimento real que mencionei foram ambos comandantes da 1 ª Região (a mais poderosa do país) antes de se instalarem no quartel-general. Outro homem que estará na calha e neste mesmo percurso é o General Kanit Sapitak, o actual Comandante da 1 ª Região e que se tem mantido próximo dos dois generais. Poderá vir a ser o próximo numero dois na hierarquia e vir a suceder a Prayuth em 2014 quando este se reformar.

Apesar de ter saltado duas classes (havia generais da classe 10 na lista dos elegíveis e ainda havia a classe 11 da qual fazia parte o falecido General Kathya -Seh Daeng) Prayuth conseguiu obter todo o apoio político necessário para chegar ao poder e não deverá ter dificuldades no comando pois as alterações já produzidas nas reestruturações de Outubro passado e na intermédia que tem lugar em Abril (e por certo os últimos toques para o próximo Outubro) asseguraram que os lugares de comando funcional estejam preenchidos com homens de sua inteira confiança e leais à usa palavra.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Militares e Política

Este artigo de Chambers é melhor do que inúmeros relatos que se possam ler nos jornais sobre os políticos e os partidos na Tailândia quando respeita a compreender aquilo que se passa na essência da vida política no país.

Como diz um dos comentários. É necessário ler as folhas de chá da política intra-militar tailandesa para se poder compreender o país.

A estreita ligação da aristocracia com os militares, sempre presente na vida política da Tailândia(exemplo disso é o facto de a esmagadora maíoria dos Primeiro-ministros terem vindo da área milititar), determina todos os passos que são dados mesmo pelos políticos que aparentemente estão de fora desse círculo, da mesma forma que deternima o rumo da vida no país.

Abhisit é um protegido dessa parceria. Ele próprio foi professor na mais importante academia militar e o seu pai é amigo pessoal do Presidente do Conselho Privado do Rei, também ele um militar, General Prem.

A sucessão do General Anupong, que se aproxima, é o momento de reorganizar as forças armadas em torno do novo eleito e, para quem está de fora, obervar a forma como as diversas forças se cruzam e posicionam durante este processo de escolha. Contudo a presente sucessão deverá ser mais concesual já que o General Prayuth, o provável sucessor, preparou bem o caminho especialmente durante a dispersão da recente manifestação da UDD. Mesmo assim há que observar as possibilidades do General Piroon, mais antigo e pertencente ao ramo de cavalaria, área do General Prem, que é tido como o cavalo de Troia na presente corrida.

A primeira discusão sobre as listas, que serão mais tarde apresentadas ao Rei para confirmação, deverá ter lugar hoje mesmo na reunião do Conselho de Ministros.


PS: Já depois de escrito o texto acima veio a confirmação de que o Conselho de Ministros decidiu recomendar que a lista apresentada pelo Ministro da Defesa fosse enviada, sem alterações, para aprovação real, querendo isto dizer que o General Prayuth Chan-ocha está indigitado como o próximo comandante do exército e homem forte do sistema politico/militar vigente.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Cerco ao Parlamento

Ontem era para ter havido uma sessão do Parlamento mas esta acabou por decorrer sem a presença dos Deputados da oposição.

Depois de na manhã todas as forças terem declarado estar prontas a reiniciar os trabalhos na parte da tarde de ontem os militares, aparentemente sem ordem do governo, mas no exercício dos poderes que lhes confere a Lei de Segurança Interna, fizeram deslocar para o local um contingente de polícias e militares, bloquearam o edifício com arame farpado e montaram uma guarda cerrada á volta da câmara o que fez com que os Deputados da oposição se recusassem a estar nos trabalhos enquanto cercados pelos militares.

O aparato e a reacção dos militares foi de tal forma desmedida que o próprio presidente do Senado, Prasopsuk Boondet, um senador da área do governo e pertencente á metade não eleita, comentou que muitos dos Senadores se sentiam incomodados pelo ambiente demasiadamente tenso que se vivia e que impedia o normal desenrolar dos trabalhos.

Hoje o Vice Suthep já anunciou que pela tarde os militares levantarão o cerco ao Parlamento mas essa medida é inútil, e só para consumo político, visto que amanhã não está prevista nenhuma sessão.

terça-feira, 23 de março de 2010

Presente de Bom Comportamento


Embora o governo continue com dificuldades em se reunir, sendo apelidade pela comunicação social de governo em movimento, isso não impediu o Ministro da Defesa de emitir um comunicado para todas as unidades dos três ramos das forças armadas para que preparassem a sua lista de compras.

As unidades foram assim instruídas para enviar ao Ministério a lista do material que julgam necessário adquirir.

Num momento em que os agricultores sofrem um forte declínio nas suas produções devido à seca, num momento que que estão parados vários projectos de investimento público face aos cuidados com que o Ministro das Finanças manuseia um orçamento ainda não suficiente para apoiar a retoma, já ténuamente visivel, da economia, não se compreende que as forças armadas vejam os seus orçamentos reforçados e o seu equipamento aumentado.

Tem sido um prática constante deste Ministro da Defesa, ele próprio um General na reserva, o pedir mais e mais para os seus homens e para que isso suceda tem contado sempre com o forte apoio do Vice-Primeiro Suthep.

Não admira que hoje o Bangkok Post na sua primeira página faça a ligação desta notícia com o facto de Abhisit ther de agradecer aos militares o apoio “comprando”, com este presente mais tempo desse indispensável suporte e a garantia de que não intervirão com mais um golpe de estado.

O orçamento para o sector militar aumentou neste ano fiscal em cerca de 15%.

Já anteriormente o Governo tinha aprovado uma linha especial de despesa para dar subsídio aos 30.000 soldados, este acaba por ser o número anunciado pelo Ministro, que estão neste momento encarregados da segurança em Bangkok. O per diem dado a estes soldados é 3 vezes o que eles recebem em tempo normal.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um Sorriso


O cartoon hoje publicado pelo The Nation, aparte a nota de bom humor, mostra uma das realidades do país.

Os tailandeses são “shopaholics” e sempre que vêm o sinal de um saldo compram tudo “porque é barato”.

Constatei isso nos Bazares Diplomáticos onde as coisas mais inacreditáveis são vendidas só porque há a percepção de que são baratas. Outro dia passei na rua e reparei numa loja onde estavam a fazer a decoração para a abrirem ao público. A coisa que mais visível na montra era um cartaz já a anunciar 50% de desconto. Ainda não estava aberta mas já lá estava a isca.

O positivo disso é que a força do consumo interno ajuda, e muito, o país em momentos mais apertados da crise económica.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quem Manda e Quem Obedece?

A querela à volta do detector de explosivos GT200 promete aquecer depois das declarações de ontem e que hoje aparecem em grande manchete nas primeiras páginas dos jornais.

Por um lado Abhisit diz: “É demasiado arriscado continuar a utilizar o detector já que ele pode dar indicações erradas….o que é que irá acontecer se o equipamento estiver errado”.

Pelo seu lado Anupong diz: “As forças no terreno devem continuar a utilizar o GT200 com confiança na sua eficácia. Isto pode não se explicar cientificamente mas, acreditem, estou a dizer a verdade”

Numa conferência de imprensa, acompanhado de todo o seu estado maior, o General Anupong desafiou o Governo, e a sua autoridade, e no fim colocou os pontos nos is sobre quem efectivamente manda.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

GT200

Já aqui referi no dia 29 os problemas havidos com o detector de explosivos GT200.

O detector começou por ser utilizado pela Força Aérea, ainda em 2005, alargou o seu campo de utilização durante o governo do General Surayud onde era utilizado pela sua segurança pessoal e ganhou o seu apogeu com a compra feita pelo General Anupong em Março de 2009.

O caso levantado em Inglaterra contra a companhia que produz os equipamentos e que já levou á cadeia um dos seus executivos por fraude fez com que a comunicação social na Tailândia viesse pôr em causa a utilização dos equipamentos e a pressão acabou por levar o PM Abhisit a ordenar que fossem conduzidos testes.

Estes aconteceram no fim de semana passada e, sem espanto, mostraram a total ineficácia dos aparelhos que só conseguiram detectar 4 explosivos numa amostra de 20.

O PM ordenou que fossem postos de lado os aparelhos mas o todo poderoso General Anupong, embora admitisse os resultados dos testes levados a cabo, reafirmou que continuarão a ser utilizados na “campanha do Sul”.

Num artigo de opinião hoje publicado no The Nation, Pravit Rojanaphruck, perguntava se isto era a negação da realiade, corrupção ou ambas.

Entretanto Abhisit ordenou que fosse investigada a compra dos GT200 já que é referido que o preço de mercado ronda os 500.000 bath enquanto os que foram comprados por Anupong custaram 1.4 milhões cada.

O PM veio, também, requerer que a firma inglesa, produtora dos GT200, assumisse as responsabilidades mas o tiro pode sair pela culatra já que o contracto assinada pela Tailândia impossibilita esta de fazer testes científicos aos equipamentos.

Anupong está com má sorte pois um Zepelim, denominado Spy Dragon, que encomendou, por 350 milhões de bath, a uma empresa americana para sobrevoar o Sul em missão de vigilância e que deveria ter sido entregue em Outubro, está estacionado numa base na província de Pattani inoperacional e sem que o equipamento que deveria ter visto tratar-se de equipamento militar e não foi obtida a devida autorização de exportação. Para alem do mais o engenho mostra-se inadequado para as temperaturas da região e o seu custo de operacionalidade é muito superior ao esperado, pelo menos assim é referido.

Comenta-se, com alguma piada, que se houvesse no mercado um detector de sensibilidades na relação entre Abhisit e Anupong ele estaria já em uso nos dois “bunkers”. Entretanto o PM fez um "upgrade" no seu carro, utilizando agora um Range Rover altamente blindado, não vá haver alguma bala perdida que se travesse no caminho.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Segurança



Há dias alguém, as suspeitas caem sobre um motociclista ainda não identificado, alguém passou em frente à residência de Abhisit e atirou para a entrada do edifício alguns sacos de plástico com excrementos e um com peixe podre.

A residência, como é normal, está rodeada de polícias e militares que fazem a vigilância mas ao que agora se sabe estavam a dormitar e acabaram por ir passar uma semana na cadeia para “curar o sono”.

Após o sucedido que foi transmitido na comunicação social como um atentado, foi reforçada a segurança e destacados 50 militares armados para proteger o Primeiro Ministro.

Na passada Sexta-feira um jornal foi entrevistar os militares e os relatos são significativos. Referia um dos sargentos que faziam turnos de 12 horas (!!) e que não podiam sair do local para ir comprar comida mas que as criadas do prédio lhes levavam comida embora esta não fosse muito boa. Dizia ainda que era duro mas que tinham que aceitar. Turnos de 12 horas só podem dar como resultado que ao fim de algumas horas a qualidade de concentração e de atenção desce a níveis muito baixos e portanto a maioria do tempo o PM e família acabam por estar pouco protegidos.

Deverá ter sido por isso que o pai de Abhisit veio dizer para os jornais que paga do seu bolso mensalmente 300.000 bath, cerca de 6.200 euros, para, segundo ele, garantir a segurança do filho e da sua família.

O mais interessante é que os tailandeses não vêm nesta afirmação a passagem de um certificado de total irresponsabilidade ao país e ás suas forças de segurança. O que comentam é o facto de o coitado do pai ter de pagar tanto dinheiro.

Quer o assunto dos turnos e da não alimentação dos militares envolvidos na protecção ao PM, quer a necessidade de complementar a segurança (?), são vistos, pelos tailandeses, com olhos completamente diferentes daqueles que nós europeus nos habituamos. Contudo parece-me que neste caso não se trata daquilo que muitas vezes acontece que é o facto de não compreender-mos esta(s) sociedade(s).

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ainda o Golpe

Vem hoje no The Nation in artigo de opinião do seu sub-director acaerca do “Golpe”.

Infelizmente para o país, para os seus habitantes, para a sua economia e para o mercado mobiliário, não se fala de outra coisa: há golpe não há golpe, e qualquer facto menos normal logo cria ansiedades quer nas pessoas quer nos mercados e na reputação externa do país.

Ontem à noite Abhisit saíu do país para participar na cimeira de Davos e dizia um Deputado, do seu Partido, penso que como piada, que já não deveria poder regressar. Engraçado é que no meio de todos estes rumores e contra rumores aquele que parece mais calmo ainda é o próprio Abhisit e a sua limitada “entourage”, Korn e Panitan. Compreende-se: são homens limpos, não têm conflitos de interesses e se perderem o lugar irão continuar a sua vida de cabeça erguida.

É certo que Abhisit não consegue ser o líder que o país necessitaria mas diga-se em abono da verdade quem o conseguiria ser com tantos e tão poderosos e ocultos poderes a puxarem as cordas para cá e para lá?

Voltando ao tema do Golpe: ontem pela milionésima vez Anupong veio dizer que não há golpe e hoje a UDD vai fazer uma manifestação em frente do Quartel General do Exército pedindo o desmentido do numero dois, Genaral Prayuth, de que ele tem tudo preparado para avançar (Prayuth é o provável sucessor de Anupong em Setembro mas bastante mais conservador que este e fortemente apoioado desde os seus tempos de fiel servidor da Rainha).

No artigo que referi no início Thanong fazia eco de todos os “sinais” que têm acontecido ultimamente e a sua possível interpretação.

Os movimentos de tropas. Não só o caso dos tanques alguns dias atrás na capital mas o reforço da 11ª unidade, sediada na grande Bangkok, com equipamento proveniente de unidades da província. O aparecimento do General Prem em uniforme militar após 4 anos sem o vestir, dizendo ele que era um sinal para mostrar às tropas que “estamos prontos”. Os repetidos e continuados movimentos de apoio ao General Anupong que vão acontecendo “espontâneamente” em várias unidades ao longo do país. O discurso do Rei aos Juízes elevando o seu moral e fazendo-os senhores do cumprimento do seu dever de defender o país.

Todos estes sinais são comparáveis com os de 2006 que antecederam o golpe de 19 de Setembro. Prem, a última vez que foi visto com uniforme, visitou as várias unidades de comando, onde aconteciam manifestações de lealdade ao Rei, para incentivar os militares a defenderem a monarquia, presumivelmente em perigo devido ao demasiado poder de Thaksin. O discurso do Rei em Maio de 2006 aos Juízes, em tudo semelhante ao desta semana. Os permanentes desmentidos do General Sonthi Boonyaratglin, o “Anupong” da altura, que acabou de conduzir os militares a fazer o golpe.

Anupong e Sonthi Boonyaratglin

Na realidade tudo parece semelhante mas talvez não o seja.

Há que entender quem fica favorecido com um Golpe? Naquela altura, 2006, eram os ammat (termo utilizado para definir a classe dominante) que se veriam livres de Thaksin, que concentrava em si demasiado poder ameaçando o poder que sempre tinha estado concentrado noutras instituições. Agora quem perderia seria exactamente os mesmos ammat o que não faz grande sentido.

Um golpe agora só poderia beneficiar Thaksin, já que o caos lhe é favorável. Fazer ver ao povo que o regime saído do golpe de 2006 não é a solução para o país e que ele a é, será um dos principais objectivos de Thaksin.

Deste modo só um golpe pró-Thaksin poderia acontecer. Contudo quem tem as armas é o exército regular aquele que está do lado dos ammat e é comandado por Anupong que, como já referi anteriormente, quer chegar a 30 de Setembro, data da sua reforma, “limpo” e capaz de começar uma nova vida, provavelmente na política, sem ser incomodado com acções contra alguma acto ou documento onde tenha posto a sua assinatura. Para ele a estabilidade, mesmo no presente limbo de permanentes indefinições, é a melhor opção.

Ele sabe, como os mais esclarecidos, que o país vive, desde há quase uma década, num período de transicção e que golpes não são a solução. Há comportamentos na sociedade que levarão muito tempo a transformar-se e isso faz parte de um logo e evolutivo processo que não pode ser conseguido por qualquer varinha mágica nem que ela seja uma arma ou um tanque.

Toda a presente instabilidade vivida na instituição militar, a granada atirada ou não contra o Quartel General, a corrupção à volta dos detectores de bombas, os rumores sobre divisões, os violantos e continuados ataques do General Katthyia, mostram que nem tudo vai bem mas é Anupong quem está no comando e como dizia Thanong no seu artigo hoje Abhisit já não manda. O jogo de poder mudou-se para outro tabuleiro.

Para nos descansar ainda mais os três mais importantes videntes da Tailândia, presenças sempre vitais na vida política e económica do país, vieram dizer que em Fevereiro e em Março não há golpe

Vamos todos então aproveitar a gozar descontraídamente o fim de semana que se avizinha.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Detector de Explosivos

O Exército desdobra-se em acções para tentar demonstrar que os detectores de bombas que comprou são adequados depois de no Parlamento um Deputado ter directamente acusado os militares de algo de errado ter acontecido na compra dos GT200 por um preço três vezes superior ao do seu valor de mercado.

Para ainda aumentar mais a confusão o governo Inglês acaba de proibir a exportação de detectores de explosivos que utilisam a mesma tecnologia, devido à sua total ineficácia, enquanto um executivo da empresa que os fabricam foi preso e acusado de fraude.

Ontem o exército convocou os jornalistas para fazerem eles próprios os exeecícios de detecção de bombas, mas estes reclamam que a metodologia utilizada não é a que está conforma com os regulamentos para testes deste tipo de equipamentos e portanto de nada vale essa acção de propaganda.

Um dos melhores testes foi o facto de a 6 e 19 de Outubro passado terem deflagrado duas bombas, em Narathiwat e Yala, causando vítimas mortais, em lugares que tinham sido préviamente considerados “limpos” pelos GT200.

O momento que se vive no seio da corporação é bastante complexo tendo havido ontem em dois pontos do país manifestações dentro dos quarteis de apoio ao General Anupong, um gesto raro e que só normalmente acontece quando existe uma fraqueza que se quer esconder através de loas e elogios.


Entretanto o General Katthyia, tornado agora por sua iniciativa, por ineficiência do exército e pela comunicação social no heroi –vilão do momento, apareceu risonho e bem disposto numa festa comemorativa dos 50 anos de um Instutuo das Forças Armadas sendo fotografado em amena cavaqueira com outras altas patentes e camaradas de armas. O General Anupong também esteve no evento mas a sua segurança evitou que os dois se cruzassem. Ontem mesmo Saeh Deang afirmou que os juízes que irão julgar o caso dos bens de Thaksin que estão congelados e sujeitos a serem confiscados no caso de uma decisão que lhe não seja favorável, serão por certo alvo de tentaivas de assasinato por parte daqueles que querem ver o processo arrastar-se na justiça.

O General Khattyia continua a falar sem que ninguém o faça calar. Ontem o Ministro da Defesa veio dizer que ele era um “mau exemplo”. Suave a qualificação para quem todos os dias abre a boca da forma mais desregrada que se possa pensar.

Liberdade de Expressão


A organização RSF - Reporters Without Borders - elabora o indíce da liberdade de imprensa no Mundo onde a Tailândia está, neste momento, colocada num lugar muito modesto, 130.

Por certo que o facto dos orgãos de comunicação social, fundamentalmente a rádio e televisão que são aquelas que chegam a todo o lado, estarem na sua maioria na mão dos militares e de estes exercerem um controlo muito apertado sobre todas as questões que não lhes sejam favoráveis tem profundas implicações no julgamentos que os profissionais da comunicação fazem do país.

A comunicação social escrita é contudo mais livre e capaz de esprimir com um muito maior grau de independência o sentir dos diversos grupos na sociedade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Há Golpe ou não há Golpe


Duas imagens tiradas hoje do Bangkok Post que demonstram o pensamento das pessoas depois de há duas noites atrás 22 APC, a definição militar para Armoured Personnel Carrier, terem atravessado as ruas de Bangkok, fazendo parar o trânsito e aumentar a factura das empresas de telecomunicações tantas foram as chamadas e mensagens trocadas pelas pessoas que queriam saber o que estava a acontecer. Ontem o porta voz dos militares deu a explicação oficial - veículos vindos do Sul em trânsito para uma província ao Norte de Bangkok para serem reparados e posteriormente enviados para o Sudão - e pediu desculpa pelo facto das forças armadas não terem informado com a devida clareza do movimento.

Pergunta-se porque o não fizeram e mais por que é que foi necessário fazer o transbordo em Bangkok e fazer circular os tanques pelas ruas da capital? Não teria sido mais simples e menos oneroso fazê-lo directamente de um sítio par o outro? Parece que sim.
As confusões no campo militar com permanentes desmentidos sobre golpes e contragolpes está agora acrescida devido a um novo escândalo que surgiu com a compra de detectores de explosivos, utilisados no Sul, que se mostram completamente ineficientes. Ontem no Parlamento um Deputado, sem que tivesse sido contestada a sua afirmação, disse que o exército os tinha comprado por um valor três vezes superior ao valor de mercado e que por certo alguém, no exército, teria ganho com a compra. Silêncio total.

Ainda está quente, embora o exército tente fazer esquecer, o "incidente" da granada atirada para o Quartel General e logo aparecem outros casos a chamuscarem a corporação.

Há quem diga que é tudo manobra das forças thaksinistas para provocarem o caos e fazerem intervir os militares. Será? Não me convence muito pois penso pouco terem a ganhar mas com a decisão sobre os bens de Thaksin congelados agendada para daqui a 4 semanas eventualmente qualquer confusão lhe possa ser benéfica.

Contudo é meu crer profundo que os militares, apesar das suas insuficiências, deficiências e problemas internos, querem levar tudo com tranquilidade até à reforma de Anhupong em 30 de Setembro.

Depois será com Prayuth e Anhupong estará já calmo a preparar o seu futuro na política ou eventualmente a jogar golf com o seu companheiro de escola militar Thaksin, o próprio.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Exército


Há poucos dias veio a lume que o edifício onde se encontra o Comando do exército teria sido alvo de um ataque vindo do exterior que ocasionou a explosão de uma granada M79.

O próprio PM Abhisit veio suportar esta tese na Televisão..

O primeiro suspeito apontado foi, como de costume, o Major-General Khattiya Sawasdipol, um perito em explosivos e uma permanente ameaça para tudo e todos pela forma desabrida como fala. Foi este General que após Thaksin o ter acusado de ter colocado uma bomba perto de sua casa em 2005, veio dizer que não tinha sido ele, pois se o fosse, Thaksin não estaria vivo para falar.

O General Khattiya agora convergiu para o campo vermelho e está permanentemente a atacar o General Anupong. Recentemente foi suspenso de funções e veio logo dizer que o General Anupong tinha 30 dias para o readmitir pois senão quando se reformar, a 30 de Setembro, não poderia sair de casa já que seria atacado todos os dias. É esta a forma de agir de Khattyia. Sempre ao ataque e “sem papas na língua”.

Voltando ao “ataque” ao comando do exército começam agora a vir ao de cima muitas dúvidas sobre se ele na realidade existiu ou se é tão somente uma forma de arranjar mais um caso contra o General Khattyia. Vejamos a cronologia do que aconteceu.

A primeira contradição: o ataque terá tido lugar no dia 14 pela manhã segundo uma das fontes; segunda outra o ataque teria sido na manhã do dia 15 e a granada teria caído junto do gabinete do General Anupong facto que teria levado a reforçar a sua segurança. Alguns jornalistas afirmaram ter falado pelo telefone com o General que disse nada ter acontecido mas como as versões que corriam eram de que o ataque tinha existido decidiram avançar com a notícia embora a visita ao local lhes tenha sido negada.


Embora Anupong tivesse negado o acontecido, como Abhisit disse que tinha havido um ataque, o General instruiu o Coronel Sansern Kaewkamnerd para convocar uma conferência de imprensa para dar a conhecer a versão oficial.

Acontece que este ainda trouxe mais confusão para a situação dizendo que os soldados que montavam guarda ao Comando não notaram nada de anormal nessa noite nem ouviram algum barulho na manhão seguinte. Um perito em explosões disse que poderia ter havido uma explosão, repito usou a palavra “poderia”, mas que não podia confirmar de que tipo e de onde eventualmente teria ocorrido.

É caso para perguntar que tipo de explosivos são utilisados pelas forças armadas tailandesas que não se fazem ouvir nem memso aos ouvidos de soldados profissionais como os que patrulham o edifício do Quartel General?

Sansern disse depois que de facto teria ocorrido uma explosão mas numa sessão de exercícios perto do escritório de Anupong, mais disse que não sabia porque é que o exército não tinha levantado um inquérito para averiguar desse facto, e mantido o silèncio durante dias. O local continuou selado à comunicação social e todos parecem embaraçados com a confusão reinante. .

Entretanto foi feita uma busca a uma casa do General Khattyia, sem mandado e sem a presença deste, reclama o General, e a um dos seus adjuntos onde foram encontradas armas, logo fotografadas pela comunicação social, convocada para acompanhar as buscas, mas posteriormente o Comadante Interino da Polícia veio dizer que não podia ser estabelecida nenhuma relação entre as armas encontradas e o “incidente” no Quartel General. Saeh Deang, como é chamado Khattyia, desmente os factos mas da sua forma agressiva sempre ao ataque dizendo que isto não é mais do que uma luta entre ele e Anupong e que o Comandante perderá.

Muitas questões estão no ar. Aconteceu ou não o incidente? Se é verdade como é que os tailandeses podem estar descansados com as suas forças armadas quando nem o próprio Quartel General sabem defender? Porque é que Anupong não fala? Porque é que existem tantas contradições dentro do próprio exército? Porque é que Saeh Deang diz o que diz e ninguém o incrimina, desde os tempos de Thaksin que diz o que lhe vem à cabeça sem que com tal seja incomodado.? Quem o protege?

Alguns dizem que tudo foi feito só para incriminar Khattya, outros que é só a ponta do icebergue das disputas que se passam no exército. Já ninguém acredita que realmente houve o lançamento de uma granada para o interior do Quartel e muito menos que, se tal tivesse acontecido, fosse o General Khattyia a lançá-la. Dizia um jornalista. Ele, Khattyia, é louco mas não ao ponto de ir de peito aberto contra Anupong. É um militar e conhece as regras.

Entretanto o clima é tão sensível que ontem, á noite, movimentaram-se vários tanques na cidade e os rumores de um golpe de estado em curso correram por todo o lado. Versão oficial eram só tanques vindos do Sul para reparação para serem posteriormente enviados para a missão de paz das Nações Unidas no Sudão. E porque é que não vieram em camiões militares, como seria normal, e andaram a transitar pelas ruas?

Só perguntas e poucas respostas.

Uma resposta obtive e de uma jornalista que é muito próxima dos meios militares.

Que “ainda não era mas que tal estava na mente dos militares”. Acrescentou para não entrar em pânico mas para estar vigilante. Acrescentaria eu: a quem serve o presente clima de permanente inquietude, embora se saiba que não está na cultura dos tailandeses nada de muito extremo, que os militares constantemente transmitem para o exterior?