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terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Cheias


Apesar da presença de Ban Kii-moon em Bangkok as cheias não podem de deixar de ser a notícia principal.

Até ao momento estão contabilizados 56 casos fatais e há centenas de milhares de pessoas afectadas sanitariamente pelas cheias devido fundamentalmente à falta de água ou à sua contaminação.

O Governador de Bangkok apelou às autoridades que tentassem moderar os fluxos de água das barragens na parte superior do Chao Phraya visto a zona ribeirinha do rio estar já totalmente tomada pelas águas que continuam a subir. Ontem na estação de Pak Klhong Talat, o mercado das flores junto ao tempo do Wat Po ou templo do Budha reclinado, as águas tinham atingido 2,23 metros acima do nível do mar. De igual modo a corrente no rio é forte o que provoca preocupações caso haja pessoas ou bens que sejam envolvidos pelas águas.

Outro dos problemas em Bangkok, para além das zonas adjacentes aos canais da cidade, é a zona de Lat Krabang, transversal norte-sul a leste da capital a não muito longe do novo aeroporto, que para além de ser uma zona pantanosa está a sofrer os efeitos da construção desse mesmo aeroporto que nalgumas das suas frentes funciona como barragem às águas naturais que por ali deveriam correr e se acumulam inundando grandes áreas.

Nós homens ditos sapientes temos, por todo o Mundo, a brilhante ideia de construir projectos em cima das correntes naturais de água, que dizemos estarem secas, e quando estas são em grande volume não conseguem encontrar as saídas e criam albufeiras que tudo destroem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cheias em Bangkok

A água avança rápido sobre Bangkok e o governo prepara um plano de evacuação das populações das zonas ribeirinhas, quer junto do rio quer dos muitos canais da Veneza do Oriente como antigamente era chamada a cidade.

Até agora foram contabilizadas 41 vítimas fatais e os prejuízos para o país e para as pessoas em bens e em perdas de rendimento futuro, fundamentalmente na agricultura, são muito significativos.

O povo tailandês tem contudo uma relação muito especial com a água, fonte de riqueza e de purificação, que está bem ilustrada na fotografia acima.

A Tailândia é mesmo a terra dos sorrisos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Inundações


Mesmo em Portugal não posso deixar de sentir a ansiedade com que se vive neste momento em muitas áreas na Tailândia devido às cheias que assolam grande parte da zona central do país.

A maioria das províncias nessa zona estão "debaixo e água" e estão contabilizados até agora 37 vítimas mortais das piores inundações de há muitos anos.

Várias barragens não resistiram e tiveram de ser abertas ou viram as suas barreiras serem galgadas pelo volume da águas.

Em meados da próxima semana espera-se que essas águas cheguem à capital o que conjugado com a alta maré dos dias 26 e 27 irá por certo fazer com que o Chao Phraya salte do seu leito e tome conta das margens.

O Governador de Bangkok tem andado incansável a tentar proteger a cidade e oxalá os esforços das forças de prevenção consigam minorar as cheias visto que uma coisa é certa. O volume de água é tanto e os solos estão tão empapados que não há duvidas que elas virão por aí abaixo em direcção ao Golfo da Tailândia que por si também está cheio.

Como dizia hoje um jornal "todos os olhos estão postos no rio".

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Moto-Táxis e o Panorama Sociopolítico Tailandês

Claudio Sopranzetti está presentemente a preparar a sua tese de Doutoramento na Universidade de Harvard e o tema que escolheu para a sua dissertação está relacionado com o desenho sociopolítico de uma das camadas mais importantes no quotidiano tailandês – os condutores da moto-taxis em Bangkok.

Segundo uma entrevista recentemente feita a Cláudio por um jornalista francês, Arnaud Dubus para a cadeia Al Jazeera, existem cerca de 200.000 mototaxistas em Bangkok homens que se podem considerar os "reis desta cidade" visto conhecerem-na como ninguém. Desde as suas largas avenidas até às ruelas mais pequenas e impossíveis de aí se transitar eles tudo vasculham com todos contactam e a todos servem.

A sua organização a sua participação na vida política e a sua visão dos "dois mundos" como refere Cláudio, são relatos únicos e a não perder.

O Professor termina afirmando da consciência que esses homens (e algumas mulheres) têm de que se um dia param a cidade fica bloqueada e da força que isso lhes dá.

Estou curioso pela peça final que será a sua tese.

Entretanto a não perder esta estrevista.

domingo, 13 de junho de 2010

Together We Can

O Governador de Bangkok lançou no rescaldo dos acontecimentos que tantas marcas deixaram em Bangkok, como os edifícios destruídos que demorarão a ser reabilitados, uma campanha com o objectivo de chamar os bangkokianos a participar na devolução de um sorriso a esta cidade.

A campanha começou com a limpeza da cidade que foi feita num tempo record com um forte apoio dos habitantes da capital e entenderam estende-la à criação de ruas piedonais como foi já o caso de Silom e de Henri Dunant.

Silom recebeu este fim de semana pela segunda o evento, Silom Walking Street, e toda a rua desde Saladaeng até Naratiwas foi encerrada e transformada num grande mercado atraindo muitos milhares de pessoas apesar do intenso calor que se fez sentir.

Como em todos os mercados tailandeses vende-se um pouco de tudo. Ali pode-se encontrar quase tudo o que se necessita e muito em especial o que não se necessita a preços incrívelmente baixos mas mesmo assim o regateio faz parte do entretenimento.

A única nota negativa vai para umas escaramuças havidas ontem de manhã entre comerciantes.

O distrito de Bangrak tinha procedido ao registo prévio dos comerciantes interessados aos quais foram atribuídos os espaços. Quando estes se dirigiram, ontem de manhã, para os locais que lhes estavam destinados esses estavam na sua maíoria já ocupados por outros comerciantes que não se tinham registado o que acabou em pancadaria com a necessidade de a polícia ter de intervir para separar as partes em contenda.

A solução foi encontrada mas "à tailandesa" ou seja com um compromisso que me parece pouco correcto. A organização decidiu estender o espaço fechando Naratiwas entre Sathorn e Surawongse para que os comerciantes que tinham cumprido o requerido se instalassem enquanto os prevaricadores se mantiveram nos locais que tinham ocupado e que era na própria Silom. Conclusão deste incidente. Não cumprir as ordens emanadas pela municipalidade é o melhor caminho para garantir uma posição preveligiada nestes eventos. Em vez de ser o principio legal do prevaricador pagador é o do prevaricador ganhador.

Aparte este incidente os objectivos foram conseguidos com a adesão dos bangkokianos a estas iniciativas e isso é o mais importante num momento em que se fala tanto de reconciliação e em "descolorar" a vida das pessoas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

M.R. Sukhunbhand no FCCT

O Governador de Bangkok esteve ontem no Clube dos Correspondentes Estrangeiros para falar da sua cidade, dos acontecimentos dos dois últimos meses e dos desafios que se lhe colocam.

Já uma vez me referi ao excelente trabalho desempenhado por M.R. Sukhunbhand quer durante a manifestação da UDD, onde sempre tentou preservar o melhor que podia os destinos da capital, quer no pós 19 de Maio quando em pouco mais de três dias limpou as ruas das marcas deixadas por 2 meses de ocupação.

O Governador falou ontem com grande emoção sobre o seu trabalho para reconstruir a cidade e para recuperar as feridas deixadas entre os seus habitantes. Nunca da sua boca saiu uma acusação a ninguém e sempre falou no plural usando o "nós" quando se referiu a tudo inclusive aos incêndios que deixaram a cidade a arder.

Começou por dizer que no seu entender tinha sido o período mais triste dos 227 anos da cidade e comparou com a destruição de Ayudhya mas disse que naquela altura podiam apontar o dedo aos birmaneses mas agora "tínhamos sido nós próprios a destruir a nossa terra" e não poderíamos acusar nenhum invasor.

Falou longamente nos planos para recuperar a cidade e para tornar aquilo que era designada a zona vermelha numa área enobrecida da cidade e de todos os esforços do governo da capital para ajudar todos os que foram prejudicados com os acontecimentos de Março/Maio.

Referiu uma questão importante que raramente se vê na comunicação social. Disse que diariamente pela manhã a manifestação de Rajaprasong contava pouco mais do que 1.000 pessoas mas que esse número começava a engrossar a partir das 6 da tarde e que por volta das 9 chegou algumas vezes a atingir os 70.000. A partir disso afirmou que um dos trabalhos grandes na cidade é o de sarar as divisões entre as famílias, os colegas de emprego, os amigos visto no seu entender àparte o núcleo duro que veio de fora da capital o grosso dos manifestantes, tal como os que se manifestavam contra os "camisas vermelhos", eram gente de Bangkok.

No período que se seguiu, de perguntas e respostas o tema que era de esperar apareceu. O seu papel nas negociações, e o seu, conhecido de muitos, encontro com Thaksin.

Sobre o primeiro o Governador disse que após os acontecimentos de 10 de Abril entendeu que era seu dever como "zelador da cidade" fazer algo em seu benefício e assim entendeu entrar em contacto com os líderes da UDD. Disse ser um homem do passado e acreditar muito que os problemas têm de ser discutidos cara a cara e não através de intermediários e que não via isso estar a acontecer. Avistou-se por várias vezes com Khun Nathawut, como referiu, e acordou com ele vários passos possíveis para melhorar o funcionamento da cidade como algumas aberturas de corredores e de espaços neutros. Posteriormente transmitiu as suas conversas ao PM que lhe disse para continuar, até um dia, 8 de Maio, em que recebeu uma mensagem para parar.

Quando lhe perguntaram sobre se era verdade que tinha ido ao Brunei encontrar-se com Thaksin, parou um momento para reflectir para dizer o seguinte: "acredito que quando o Senhor X é o responsável por tudo o que acontece, se queremos resolver a situação é necessário ir falar com o Senhor X", para continuar afirmando que se entender que devo fazer alguma coisa só o faço com o conhecimento do PM. Esta frase despoletou uma nova questão sobre a capacidade do actual PM sobreviver á presente crise.

M.R. Sukhumbhand, que é um potencial sucessor de Abhisit no caso de este "cair", já que é uma figura de topo do partido Democrata, disse que um dos problemas que o PM tem actualmente é que não tem interlocutores com quem falar. "Os líderes da UDD estão atrás das grades. Arissaman, não obrigado! O Senhor X (nunca disse o nome de Thaksin) é actualmente considerado um terrorista". O governo tem agora de arredondar os cantos do quadrado que construiu (em inglês: round the corners of the square it created), concluíu.

Acabou a sessão recebendo uma grande salva de palmas mas antes "requereu" que a Polícia passasse a estar dependente do governo da metrópole pois no seu entender poderia servir o público muito melhor uma indirecta à sempre controversa actuação daquela força de segurança.

sábado, 29 de maio de 2010

Silom

Numa iniciativa do Governador de Bangkok, M.R. Sukhumbhan, Silom transformaou-se numa rua piedonal que ontem fez a alegria de muitos e dos comerciantes da área tão afectados pela ocupação pelos vermelhos da zona adjacente do parque Lumpini.

Embora Silom tivesse escapado à ocupação vermelha o facto é que o medo de que eles por ali se instalassem fez com que fosse de facto ocupada pelo exército, cheia de arame farpado e de forças miliatres durante mais de um mês o que afastou todos de uma das mais tradicionais zonas de comércio da capital. Os acontecimentos sangrentos que por alí também aconteceram por várias ocasiões levaram a que a zona Silom-Saladaeng se tivesse transformado, tal como Rajaprasong, numa zona de alto perigo e inacessível.

Esta iniciativa do governo da cidade é de saudar e o facto de milhares de pessoas terem respondido positivamente com a sua presença foi um sinal muito positivo.

Silom de novo com o seu sorriso na face é um dos sinais da Bangkok pós o Maio sangrento de 2010 e uma esperança para o futuro.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Hoje em Rajadamri.

Milhares de pessoas acorreram hoje á avenida Rajadamri, que liga Rajaprasong a Saladaeng, e anteriormente ocupada pela UDD, numa cerimónia religiosa, oferecendo comida aos, também muitos, monges, forma que os tailandeses têm de pedir perdão sobre e de purificar os maus momentos.


terça-feira, 25 de maio de 2010

Bangkok Acorda

Os carros voltaram a Rajaprasong uma das artérias mais congestionadas de Bangkok.

O Governado da cidade fez um trabalho excelente colocando milhares de trabalhadores, bem coordenados, em acção que práticamente em três dias limparam a cidade de grande partes das marcas deixadas por dois meses de ocupação da UDD e das manchas negras dos incêncios do dia 19.

Os prédios que foram afectados mostram ainda as suas entranhas, como o Central World, à direita na fotografia mas a vida regressa á normalidade pouco a pouco.

Contudo o governo estendeu o Recolher Obrigatório até ao dia 28, Sexta-feira, passando agora a ser da meia-noite até às 4 da manhã,

A único facto ainda pouco normal que vi hoje, para além da fachada do Central World bem negra, for a existência de patrulhas militares armadas deslocando-se em motociclos, o que me pareceu invulgar e perigoso pois a possibilidade de um acidente é sempre grande. Recorde-se que morrem no país, em média, 38 pessoas por dia, só em desastres com motorizadas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

M.R. Sukhumbhand Paribatra

É este o nome do Governador de Bangkok.

Mom Rajawongse abreviado M.R. define que o seu pai foi um príncipe da casa real tailandesa.

Sukhumbhand é igualmente Sub Secretário-Geral do partido Democrata e foi há pouco mais de 10 anos Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Era apontado como o mais provável candidato à chefia das relações exteriores mas Abhisit acabou, cedendo a pressões, por escolher o Embaixador Kasit Piromya para o lugar. Desde essa altura as relações do actual governador com o PM nunca foram muito próximas.

Sucedeu no lugar a Apirak Khosayodhin através de eleições antecipadas devido ao facto do anterior governador se ter demitido depois de ter sido incriminado num caso de corrupção que no fim nunca chegou aos tribunais como acontecena maíoria dos casos. Apirak é agora conselheiro privado de Abhisit.

Sukhumbhand durante a presente crise, e com toda a propriedade já que a "sua" cidade estava em causa, tentou mediar o conflito e chegou a ter várias sessões de discussão com Nathawuth Saikua. Nessa altura foi travado por Abhisit e disse que por certo o PM teria boas razões para o obrigar a terminar o trabalho ao mesmo tempo que afirmava ter conseguido algums avanços nas negociações pois, segundo ele, tinham falado das questões que eram possíveis realizar a curto prazo e que facilitariam a vida aos bangkokianos.

Hoje Sukhumbhand mostrou como os habitantes da grande metrópole podem contar com ele.

Sem se intimidar pelo facto de ainda haver alguns incidentes (incêndios provocados e tiros), como em Ding Daeng, Bang Sue e Lumpini, o governador visitou os locais onde ontem houve incêndios e com a sua equipa fez uma primeira vistoria e por certo anotou aquilo que seria necessário para se avançar com a rápida recuperação da cidade.

Uma vendedora de rua na zona de Rajaprasong dizia, segundo citava hoje um jornal: "recuperar a cidade talvez seja rápido, mas o mútuo entendimento entre os tailandeses irá demorar muito"

sábado, 24 de abril de 2010

Silom

A rua de Silom no centro do que é considerado o Districto Financeiro de Bangkok é também sinónimo de mercados, bares e paródia.

Costuma-se dizer que em Silom se pode encontrar de tudo mas tudo mesmo.

No meio da rua existe o mercado de Patpong famoso pelas cópias. Patpong 2 é mesmo chamada a Soi Louis Vuitton tantas são as lojas a venderem as cópias dessa famosa marca de bolsas e malas francesas. Relogios é outro dos produtos mais procurados. Desde Rolex, a Cartier ou um Piaget exclusivo até aos mais sofisticados Silberstein, tudo se compra por meia dúzia de bath se for bem negociado.

Quem não sabe negociar não deve aventurar-se em Patpong. Mas não é só nessas duas ruas. Toda a Silom é um mercado de prazeres para os shopaholics e para os menos puristas.

Ontem Silom entristeceu e hoje chora sem luz, sem turistas, sem vendedores, sem alma. Patpong já desapareceu faz quatro dias. Hoje em dia é o parque de estacionamento dos veículos militares.




Faz três dias ainda havia os boys vendendo DVD sex DVD, mesmo em frente aos polícias e soldados que já populavam a zona. Hoje nem esses. Todos partiram. Vieram outros ocupantes. Sem cor, sem alegria.

A um canto, hoje já distantes dos vermelhos, estavam uns 10 Multi Cor gritando sem que alguém lhes ligasse nada. Silom está em silêncio não se quer ouvir barulho. Como disse o General Apichart, o que ontem aconteceu foi um erro de todos e não deve voltar a acontecer.

Uma das ruas mais alegres da cidade está triste, talvez a pensar nos que morreram.

sábado, 20 de março de 2010

No Fim do Dia


Regressados ao ponto de partida os manifestantes puderam dizer que atinjiram os seus objectivos, levar a toda Bangkok a sua mensagem. A quem a ouviu ou a recebeu o dever de decidir.

Deixo aqui um dos muitos artigos já escritos sobre o dia de hoje por um dos mais experientes jornalistas em Bangkok, Nirmal Gosh, whe escreve para o Strait Times de Singapura.

Mesmo assim ainda há quem afirme que nada aconteceu hoje na "Big Mango" como muitos apelidam Bangkok.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ainda Mariza

John Clewley, o jornalista que tem uma coluna no Bangkok Post chamada “World Beat”, voltou a escrever sobre o concerto de Mariza no passado dia 8 em Bangkok e parte do Festival de Música e Dança da capital tailandesa.

Tinha sido o mesmo autor que há três anos tinha dito “One of the best concerts I have seen” (lembro-me de ter lido não um dos mas o melhor) e agora repete a frase afirmando que o do dia 8 “was even better”.

Por vezes temos, em Portugal, uma noção um pouco restrita daquilo que são as conquistas conseguidas no estrangeiro por artistas com o peso de Mariza e outros lutando por dar a conhecer a nossa cultura e os nossos valores e muitas vezes sem a pompa promocional que outros paises conseguem produzir.

Na passada Sexta-feira tive um jantar em casa do Embaixador Belga na capital e, como o tinha visto no concerto, perguntei-lhe se tinha gostado do espectáculo. Para meu espanto afirmou-me já ter visto a Mariza actuar ao vivo 6 vezes e que tem todos os seus discos, fazendo-me corar pois eu só a vi duas vezes e tenho uns meros 4 discos.

Mariza conquistou as gentes de Bangkok e só é pena que os discos dela não estejam acessíveis ao público aqui.

Vale a pena dar uma vista de olhos sobre o artigo do Bangkok Post que aqui fica.

Também o The Nation relatava hoje, sobre o concerto do dia 8, num artigo intitulado Fado's Beating Heart e a alturas escreve Michael Smithies que - os espectadores vêm "comer-lhe à mão" devido a forte personalidade e ao encanto de Mariza - Fala igualmente da magia da cantora ao ter conseguido transformar a enorme sala de espectaculos de Bangkok numa pequena Casa de Fado (taberna como ela lhe chamou), onde todos couberam e viveram Lisboa por uns instantes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Como Bangkok é Grande!

Anteontem dizia-me uma amiga que vive na zona leste de Bangkok, para ter cuidado ao guiar pois a chuva era torrencial e tudo à sua volta estava “debaixo de água” o que a impedia de sair de casa.

Respondi-lhe que onde me encontrava nem sequer chovia embora mais tarde tal tenha acontecido.

Na realidade choveu bastante mas nada que “fizesse parar o trânsito” aqui no centro da cidade.

Acontece que desde essa altura tem continuado a chover com profunda intensidade ali na zona leste se bem que noutras áreas o tempo esteja calmo.

Ontem pela tarde o tempo aqui no centro era mesmo extremamente bom com o céu limpo, azul e uma brisa ligeira. Atravessei a pé todo o parque Lumpini, mesmo ao lado do escritório, e o clima era mesmo de Primavera.

Estamos no mês onde é natural haver cheias em Bangkok mas essas cheias são normalmente devidas ao facto do Chao Praya, o rio que banha a capital, sair das suas margens por força de dois elementos que se conjugam em paralelo. Vir cheio do Norte devido ao acumular das águas das chuvas e a maré do Golfo da Tailândia atingir o seu ponto mais alto tornando mais dificil o fluxo das águas para Sul.

O Governador de Bangkok já encomendou uns milhões de sacos de areia que estão a ser colocados nos pontos mais sensíveis ao longo das margens do rio para obviar à situação. Agora o que o Governador de Bangkok não estava por certo a contar é que teria de arregaçar as calças para andar na zona de Srinakharind onde há três dias consecutivos a água tomou conta das ruas.

Hoje um jornal trazia uma fotografia muito engraçada que mostrava uns garotos, a brincarem na água, como é normal nestas situações, mas estes estavam à pesca de peixes e mostravam já uma das suas capturas.
Temos assim um aparte de Bangkok “debaixo de água” e outras com sol , qual eira e nabal.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Voz Portuguesa


Ontem cantou-se o Fado.

Uma pequena nota sobre o concerto de Mariza que o Combustões já relata.

Quase no final e depois de já ter a plateia rendida Mariza falou de Lisboa das tabernas de Fado e mostrou como nas pequenas vielas se canta essa música que ela vem mostrando ao Mundo de uma forma tão digna.

Chegando-se à frente do palco com os dois guitarristas, cada um apoiando o pé numa cadeira cantou (melhor cantaram pois eles também entraram no canto) sem microfone com aquela voz que encanta. Tal como diz na letra do “Transparente”, nasci para cantar.

Portugal no seu melhor

domingo, 4 de outubro de 2009

Domingo e o Clima

O dia nasceu cheio de Sol. Ceu azul sem nuvens. Pouco usual para esta altura do ano. Ainda estamos na estação das chuvas e o normal serão nuvens, humidade e aguaceiros que por vezes são fortes.

Felizmente Bangkok não é muito dada a sofrer com as tempestades tropicais que inundam a região e mesmo quando um tufão chega a atingir Bangkok nessa fase já se encontra, normalmente, significativamente enfraquecido.

A Cidade dos Anjos, nome pelo qual é conhecida Bangkok, paraece ter estes a protege-la.

Infelizmente não muito longe centenas de milhares de pessoas sofrem com os desastes naturais que vão acontecendeo mesmo à frente do nosso nariz.

Filipinas, Vietname, Camboja e Laos afectados pelo furação Ketsana e agora debaixo dos ventos fortes do Parma.

Na Indonésia sucessivos tremores de terra deixaram a devastação por todo o lado. A BBC através de um excelente trabalho do seu correspondente, mostrava, aquilo que era possível, do interior da ilha onde tudo desapareceu. Estradas, caminhos e outras infraestruturas desapareceram quer por força das crateras deixadas pelos abalos quer através das grande e devastadores desmoronamentos. Aí os sobreviventes tentavam com as ferramentas caseiras tentar escavar á procura de familiares e ami.gos desaparecidos

Samoa foi palco de mais um tsunami que arrasou as ilhas deixando também a destruição à sua passagem. Muitos destes desastres acontecem em zonas afastadas e de difícil acesso, como o caso de Sumatra, tornando impossível por vezes dar um verdadeira percepção da gravidade do desastre. Se bem se lembram aquando do Tsunami de devastou o sudoeste asiático em 2004 ao início falava-se em centenas de mortos e depois em poucos milhares. Quando a conta final pode ser feita estav-se perto dos 300.000 mortos.


Na Índia são hoje notícia inundações que deixam centenas sem vida na primeira contagem sobre a calmidade.

Esta semana em Bangkok reuniram-se as Nações tentando encontrar pontos de acordo para a cimeira de Dezembro em Copenhaga que se irá debruçar sobre as mudanças climatéricas. Depois de Bangkok, e em Novembro, Barcelona acolherá nova ronda de negociações que se esperam produtivas e capazes de dar respostas. Outro dia um cartoon de um jornal local titulava, mostrando vitimas a serem arrastadas por uma corrente de água, é fundamental passar das conversasões às acções.

É essa a tarefa do Mundo e a Ásia tem de ter uma palavra muito importante a dizer visto ser, neste momento, o continente mais afectado pelos desastres naturais.

Naturais mas em grande percentagem causados pela nossa negligência em tratar este Mundo em que vivemos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Songkran



Para quem não se lembre a semana que findou também teve a festa do Songkran, o Ano Novo tailandês a festa da água, significando purificação, tornada batalha bem molhada.

Embora este ano tivesse sido bastante ensombrada pelos acontecimentos que opuseram os apoiantes de Thaksin contra as forças militares, ainda houve tempo e espaço para o Songkran.

Ouvi dizer que enquanto numa área da cidade mais de 50.000 pessoas lutavam com violência com as forças militarizadas, provocando os distúrbios que conhecemos, em Silom, por exemplo, mais de 5.000 celebravam o Songkran.

São assim os contrastes de uma cidade com tantas pessoas como Portugal.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ainda o Santika

Estranhamente "KA" é uma das formas de dizer Morte em tailandês

Felizmente não demorou muito a serem conhecidos os primeiros resultados da investigação levada a efeito pelo Ministério da Justiça sobre o caso do Santika, o clube que ardeu na passagem do ano e que levou consigo um numero que agora se estima em 66 pessoas.

O inquérito para já concluído o seguinte:

O Chefe-Adjunto do Crime Suppression Division da Polícia, Pol Col Prayapont Lasua era um dos maiores accionistas e desde o momento que comprou, ou lhe deram, as acções do complexo, em 17 de Setembro de 2006, dois dias antes do último golpe de estado, nunca mais houve nenhuma queixa contra os seus proprietários. Até aí tinha havido 47 por operarem sem licença.

Alguns dos accionistas tinham sido anteriormente presos por venderem álcool ilegalmente e operarem sem licença.

O Director-geral da empresa White & Brothers que geria o Santika, Suriya Ritrabhue, actualmente a monte, era nem mais nem menos do que um dos arrumadores de automóveis no estabelecimento (presume-se para não envolver o peixe graúdo).

A companhia não pagava a taxa devida sobre o consumo de álcool há cinco anos.

Durante esse período o clube arrecadou 250 milhões de bath e devia 25 milhões em impostos.

Também não pagava as taxas devidas á "junta de freguesia" local pelos letreiros luminosos nem os seus directores pagaram qualquer imposto sobre os rendimentos.

Igualmente foi revelado que o edifício que se encontrava instalado era destinado a habitação e que as obras de transformação foram feitas sem licença e nunca foram inspeccionadas após conclusão.

Por fim as assinaturas dos engenheiros que fizeram as alterações são falsas e por isso impossível de serem incriminados.

Parece estar-se perante um caso de altíssima corrupção, bem elaborado, pois só "oleando" as mãos de muita gente é possível passar impune durante tantos anos a tantos abusos legais.

Louve-se o Governo pela rapidez e clareza do inquérito e agora espera-se que o caso seja levado para a frente e não comecem a aparecer juízes a entender que não há meios suficientes de prova para levar por diante as acusações.

Abhisit e o seu governo têm mais uma grande oportunidade de mostrar que as suas palavras são seguidas com acções e que a Tailândia e as suas instituições, nomeadamente a justiça, funciona seja quem for que tenha de ser incriminado por práticas ilegais e criminosas.

Entretanto o vocalista dos Burn (premonitório nome da banda que actuou nessa noite fatídica), Saravuth Ariya, de 28 anos foi acusado de ter utilizado no concerto fogo de artifício que deu início ao fogo que provocou as mortes no clube. Foi-lhe concedido sair em liberdade mediante a caução de 1 milhão de bath ou seja cerca de 20.ooo €.

domingo, 23 de novembro de 2008

Enquanto


Enquanto esperamos pelos desenvolvimentos sobre a "marcha final" do PAD que até agora nada produziu, Bjorn Borg e John MacEnroe defrontaram-se ontem em Bangkok naquilo que é mais um exemplo desta cidade a que uns querem "deitar fogo" e outros querem é levar uma vida normal.

Felizmente que a cidade é suficientemente grande para acomodar todos estes e muitos outros que querem fazer aquilo que muito bem entendem. Na realidade a grande maioria dos residentes nesta metrópole está totalmente alheada, para não dizer, enfastiada, farta, destes amarelos, encarnados e outras cores para se dar ao trabalho de os escutar.

Borg o vencedor de 11 torneios do Grand Slam, só suplantado por Sampras e Federer, perdeu num, encontro exibição fortemente disputado, por 7-6 7-5 mas ambos deixaram um perfume daquilo que é o ténis de grande classe em Bangkok.

Entretanto ...... outros devem estar a perder o Domingo em actividades até agora sem nunhum sinal de Dia D ou qualquer outra letra com importância.

Está mesmo bom é para uma soneca ou qualquer exercício ao ar livre.

Assim se passa o fim de semana em Bangkok

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Pra Roop song maa




Hoje faz 100 anos que foi inaugurada a estátua do Rei Rama V de que falei faz dias acerca de Rajadamnoen.

O Rama V, o Grande, foi como já descrevi o Rei que modernizou a Tailândia e introduziu muitos dos costumes que viu e experimentou durante as suas visitas à Europa.

O nome da estátua significa simplesmente o Rei a cavalo mas utilizando linguagem real pois caso fosse um comum dos mortais seria por exemplo, Khun Nuno kii maa.

Uma questão interessante na língua tailandesa é o facto de existir um vocabulário para os diferentes estratos sociais em especial para os assuntos do palácio.

Uma vez dizia-me uma senhora da alta sociedade tailandesa numa recepção restrita na residência de Portugal onde estava presente a Princesa Maha Chakrit Sirindhorn, quanto era bom ter-se falado em Inglês pois ela não saberia como se dirigir à Princesa se fosse em tailandês.

Também hoje, e neste dia comemorativo dos 100 anos quão bom seria que o PAD tivesse desocupado Rajadamnoen de modo a que Sua Majestade o Rei Rama IX pudesse fazer aquilo que sempre fez por ocasião de qualquer cerimónia real e não ser importunado por um conjunto de pessoas que dizem defender a monarquia.

Nós em Portugal costumamos dizer que com amigos destes não necessitamos de inimigos.