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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os Números de Janeiro

A Ministra da Economia, Porntiva Nakasai, anunciou ontem os números da economia do país registados em Janeiro números esses que mostram a pujança do país apesar de toda as perturbações políticas em que está mergulhado desde há muito.

As exportações, cruciais para o país, cresceram 30.8%, comparando com o mês de Janeiro de 2009, para um valor de 13.72 mil milhões de dolares e a Ministra mostrou-se confiante de que o país poderá atingir o seu objectivo de fazer crescer as exportações 14% para um total de 170 mil milhões de dolares no ano de 2010.

Sabe-se que os números da economia à um ano atrás eram maus, devido à baixa confiança no país por causa da "crise dos aeroportos"em Dezembro de 2008, mas mesmo assim é significativo e um indicador de que há sinais claros de retoma.

As importações cresceram 44.8% para um total de 13.21 mil milhões de dolares deixando assim um superavit na balança das transacções comerciais. Estes números são registados num momento em que a moeda tailandesa, o bath, tem sofrido um a forte subida o que fragiliza a competitividade da economia e de alguma forma favorece as importações como os números demonstram.

A força das economias asiáticas e a sua capacidade de mais fácilmente enfrentar a crise que se vive tem vindo a fortalecer a sua posição no panorama mundial como demonstrou o facto da China ter ultrapassado recentemente a Alemanha ameaçando sériamente tornar-se, já este ano, na segunda maior economia do planeta.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Primeiro Semestre

Ri ou Chora

Acabam de ser publicados os números do primeiro semestre na Tailândia e, um pouco como por todo o Mundo, não são nada positivos.

Vamos primeiro aos maus para podermos ficar com um bom gosto na boca no final.

As receitas fiscais tiveram um decréscimo significativo caindo 8,9% no primeiro trimestre e 9,1% no segundo e 15,7% em Fevereiro, 0,5% em Março e 19% em Abril. Refira-se que o ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro

As exportações tiveram igualmente um comportamento bastante negativo com quebras de 36,1% em Fevereiro, 26,8% em Março e 25% em Abril. No sector das receitas as maiores quebras verificaram-se no IVA, com a forque queda do consumo, e mos impostos das empresas devido à menor rentabilidade das suas operações.

O Turismo foi outro sector bastante afectado com quebras de 23,2%, 12,1% e 11,6% comparando com os dados do ano anterior para os meses já referidos. A taxa de ocupação das unidades hoteleiras baixou para níveis que, segundo sei saber, são incomportáveis para uma rentabilidade dos mesmos - 43.3%.

A produção industrial em geral sofreu quedas acentuadas, com relevo para o sector do aço e metais, 36,2% e automóvel, 35,1% mas em contraste o sector do tabaco teve um aumento de 56,3%. Sinais dos tempos difíceis, onde se fumará mais, ou sinal de que a política de combate ao tráfico de produtos ilegais está a produzir frutos? Outro dos sectores de grande importância para as exportações da Tailândia, o sector eléctrico e electrónico, sofreu uma queda de 21%.

A capacidade utilizada do sector industrial desceu para 56,6% comparando com 71,3% um ano atrás. Actualmente quase metade da capacidade instalada está parada ou não produz.

Contudo a taxa de desemprego oficial situa-se nos 1,3% o que parece pouco cível, tendo em vista os constantes layoff que acontecem, mas o facto de não haver um sistema de segurança social, faz com que os desempregados não sejam registados visto não poderem recorrer a nenhum esquema de apoio público. Esse só é facilitado aos funcionários públicos e de empresas estatais, ou então através de esquemas privados normalmente de multinacionais.

Contudo nem tudo é mau.

O país tem actualmente 65.905.410 pessoas das quais só 8,7% têm mais de 65 anos. A taxa de natalidade é de 13,4/1.000 e a de mortalidade de 7,17/1.000, Quase o dobro e dando ao país uma vitalidade para o futuro. A média de idade é de 33,3 anos e existe um grande equilíbrio entre os sexos embora actualmente nasçam mais homens do que mulheres.

O défice público está em níveis verdadeiramente sustentáveis e as reservas são sólidas. quanto ao défice público há que referir que estes dados são anteriores á aprovação no Parlamento, na semana passada, de duas leis que permitirão ao governo contrair empréstimos até ao valor de duas vezes 400 mil milhões de Bath, qualquer coisa como 8,5 mil milhões de Euros o que por certo, a efectivar-se na totalidade, irá afectar sobremaneira as contas públicas.

Um aspecto que em muitos países seria visto como negativo é o facto de 42,6% da população trabalhar na agricultura. Contudo isso não só contribui com uma forte componente para a exportação como é um elemento sobremaneira importante de fixação das populações nos meios rurais embora 33% da população já seja urbana.

O actual governo está fortemente empenhado na recuperação económica do país e os empréstimos ora garantidos no Parlamento serão utilizados em medidas de promoção da economia. Contudo, como se sabe, nem sempre este governo tem tido a capacidade de colocar as suas acções no mesmo patamar das palavras e por demasiadas vezes está tão embrenhado na sua sobrevivência e nas questões relacionadas com as divisões políticas no país para poder levar as suas intenções a bom porto.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Voar para a Tailândia

A Air Asia, a maior companhia low cost a actuar na região, e uma das maiores no Mundo, acaba de lançar um repto ás autoridades tailandesas no sentido de repensarem a estrutura de custos aeroportuários no país se pretendem aumentar o fluxo de turistas.

A Air Asia actualmente transporta cerca de 24 milhões de passageiros anualmente (para comparação o objectivo da TAP para este ano é de 9 milhões) e é indiscutivelmente o grande operador no sector turístico na região.

Para a TailAñdia são actualmente transportados 5,2 milhões mas Tony Fernandes, o malaio, por certo de origem portuguesa, que é o fundador e presidente da companhia, quer aumentar esse número para 20 milhões em 2013.

Contudo para que tal aconteça e que a Air Asia possa ser o grande veículo dinamizador do turismo na Tailândia, torna-se necessário que as taxas aeroportuárias estejam dentro daquilo que é praticado na região.

Já uma vez aqui referi que aquando da ocupação e encerramento do Aeroporto de Bangkok os principais concorrentes, Hong Kong, Singapura e Kuala Lumpur, ofereceram a muitas companhias condições excepcionais para aí fazerem escala e que muitas delas não regressaram a aterrar em Suvarnabhumi.

Na realidade, e pode observar-se no quadro anexo, as taxas por passageiro na Tailândia, neste caso em Bangkok, são significativamente superiores ás praticadas pelos principais concorrentes fazendo com que os bilhetes de avião para esses outros destinos sejam invariavelmente mais baratos e desviando assim o fluxo turístico para outros países.

Compete ás autoridades tailandesas reagirem com celeridade pois é sabido que quando os operadores turísticos se habituam, e criam canais com um determinado destino, só com alguma dificuldade introduzirão outros destinos.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

A China, a Crise Económica e a ASEAN


Aproveitando a crise económica a China está a lançar uma ofensiva diplomática e económica com o claro objectivo de aumentar a sua, já grande, influência na região.

Estava previsto que durante a cimeira de Pattaya, que acabou por ser cancelada há três semanas a trás, a China apresentasse um plano no valor de 15 mais 10 mil milhões de US Dólares para apoio à região. Embora adiado o pacote de apoio está preparado para entrar em funcionamento a qualquer momento.

Seram 10 mil milhões para investimento directo na região e 15 mil milhões numa linha de crédito aos países da ASEAN para os ajudar a fortalecer os seus laços económicos e apoiar o desenvolvimento de infraestruturas.

Ajudando os países do sudoeste asiático a enfrentar a crise financeira e económica mundial, a China fortalece e defende o seu comércio com a região. Embora também fortemente abalada pelo recuo das suas exportações, a crise na China está a ser de alguma forma contrariada com um grande apoio do Governo chinês ao consumo interno. A economia continua apesar de tudo a crescer, embora a um ritmo mais moderado, mas deve atingir, de acordo com as perspectivas actuais, os 6.1% de crescimento efectivo no final do ano.

No pólo contrário estão Singapura e a Tailândia onde a economia irá ter uma contracção bastante forte em qualquer dos casos superior a 5%. Singapura estará mais protegida, até porque habituada a estas flutuações, devidoà sua dimensão e capacidade política de decisão e enfrentará a crise de uma forma mais suave do que a Tailândia onde não só há falta de direcção política, falta de fundos e a dependência da economia do exterior é bastante grande. Por outro lado as más notícias não param de chegar ao mercado.

A China conhecedora da situação dos países da ASEAN e também sabendo que uma fatia extremamente importante do comércio na região e nesses países é controlada por chineses, quer continentais, quer de Taipé quer da Diáspora, exercendo a sua política de grande pragmatismo decide criar como que um mercado interno de toda esse "mundo chinês" que lhe está disponível.

Aqui na Tailândia os grandes negócios e os grandes grupos económicos estão quase sempre ligados a famílias de origem chinesa que continuam, como em Singapura e na Malásia, a manter fortes laços culturais com o país de sues pais ou avós.

É essa herança cultural que o governo de Pequim quer trazer cada vez para mais perto de si e controlar de uma forma uniformizada.

A crise económica serve assim para fortalecer o já enorme poder do Dragão não só na Ásia mas também para além dela.

É esta e outras iniciativas no domínio diplomático e económico que fizeram Hillary Clinton parar em Pequim durante o seu périplo pela Ásia, sem emitir, aqui, uma única palavra sobre as questões dos direitos humanos na China e faz com que a União Europeia siga uma política semelhante.

O velho império chinês torna-se cada vez mais o pólo do Mundo.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G 20

Será que se riem de nós?

Terminou em Londres a cimeira apelidada G20 e as bolsas por todo o Mundo regozijaram de felicidade com a decisão tomada de injectar triliões (a palavra não é correcta em Português) no mercado mas o facto é que agora já nem em biliões ( outra incorrecção) se fala.

O facto das bolsas terem tido reacções tão positivas mostra bem como a economia está ainda longe de encontrar o equilíbrio necessário para que seja criado um sistema de controlos e regulações capazes de prevenir que crises como a que actualmente vivemos voltem a surgir.

Na realidade nada se alterou a não ser a expectativa de que o dinheiro que vai ser injectado no sistema financeiro permitirá retomar o ritmo de crescimento a que nos tornamos adictos nos últimos tempos.

É certo que a actual crise, especialmente a vivida no sector financeiro tem permitido fazer algumas correcções a um sistema que era (é) totalmente selvagem e desregulamentado, e esse é um facto positivo, mas os fundamentos em que todo o sistema assenta e em que no fundo a economia real tem vivido necessitariam de algo de novo, na realidade algo que todos nós temos a consciência de ser necessário mas acabamos por não implementar.

Seria necessário que cada um de nós, cada país, cada empresa vivesse não acima daquilo que é capaz de produzir mas exactamente um pouco abaixo de forma a ser capaz de poupar o suficiente para os momentos de necessidade. Mas todos sabemos que não é assim o Mundo, não somos assim nós.

O ser humano infelizmente tem mais defeitos do que qualidades e o mundo da competitividade que se criou, fundamentalmente a partir de meados do século passado, não para e somos nós que não queremos que ele pare.

Assim hoje damos vivas às decisões do G 20 e o Mundo está cor de rosa.

O Primeiro Ministro da Tailândia esteve presente na cimeira numa posição bastante ingrata mas soube tirar partido do facto para dar algumas entrevistas e ter tido a sorte de aparecer na fotografia de família, como é ironicamente chamada a foto de grupo, se bem que saibamos que na realidade em muitas famílias são mais as facas do que os beijos, ter aparecido, como dizia, mesmo sobre o ombro direito de Obama, a grande estrela da cimeira.

Falando de estrelas desta cimeira não se pode deixar de falar de Sarkozy que do alto dos seus 1.6o e qualquer coisa, por isso está sempre em bicos de pés, e por isso mesmo fez aquilo que nós designamos por "uma peixeirada" para tentar, e conseguir , regressar a Paris e ter alguma coisa para contar aos seus concidadãos e esses não lhe lançassem uns tomates à cara. Aliás nestas cimeiras normalmente o mais importante é que todos os lideras presentes consigam, quando chegarem ao seu país, falar para a comunicação social acerca das grandes vitórias que eles próprios conseguiram para o país e assim ajudar á sua permanência no poder.

Abhisit teve, como referi, uma posição ingrata visto não estar lá por direito próprio, mas por ser o país Presidente da ASEAN mas com a grande desvantagem de o país deste bloco que interessava para a cimeira, e era só um, estar lá por direito próprio, refiro-me á Indonésia.

Há cerca de três semanas o Embaixador Scott Marciel, embaixador americano junto do Secretariado da ASEAN, referia em Bangkok, numa conferência a que assisti, que a Indonésia começa a sentir que a sua voz é grande demais para ser transmitida através da ASEAN e que não necessita desta associação para se fazer ouvir. Relembrava ele a visita da Secretária de Estado Clinton a Jacarta durante a sua tournée asiática.
Abhisit, o mais jovem dos presentes, o que motivou o cartoon acima hoje publicado no The Nation, teve oito minutos para falar mas lembrou um aspecto importante que foi a capacidade que os estados do sudoeste asiático mostraram para trabalhar em conjunto quando foi a crise de 1997 e que levou à criação da Chiang Mai Initiative actualmente revitalizada na sequência da última cimeira da ASEAN.

A posição da Indonésia, e o peso que pouco a pouco vai ganhando no seio da comunidade internacional, é um forte desafio à solidificação da ASEAN mas felizmente que o Secretariado está sediado em Jacarta e que Surin Pitswan, o Secretário-Geral, é um diplomata de grandes qualidades.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Crise Económica em KSR



Em primeiro lugar há que explicar o que é KSR.

Khao San Road é uma rua na zona antiga de Bangkok, Kho Ratanakosin, conhecida como a Meca dos backpackers. Pouco mais do que 500 metros sem carros e cheia de comércio onde tudo se vende mesmo algumas coisas que o melhor eram nunca terem saído de onde estavam.

Mais de 70% da população flutuante de KSR, que atinge normalmente 10 milhões de visitantes por ano, é constituída por jovens estrangeiros de mochila ás costas e que por aqui gastam os poucos, dólares americanos, singaporeanos e australianos, euros, yenes, etc que trazem no bolso. Normalmente ficam por algum tempo e alguns mesmo esquecem-se de voltar para donde vieram. A estadia média é de 7 dias e o gasto por cabeça anda entre 10 a 15.000 bath. O montante que cada turista está a despender caiu neste momento para um valor entre 8 e 10.000 bath devido á necessidade que os comerciantes tiveram de ajustar preços, já de si muito baixos, tendo em vista a falta de clientes.

As noites, e muitas vezes os dias também, são passadas na rua a beber, a fumar, nem sempre o que deveriam e isto é já ser condescendente com o tabaco, e mantendo-se por ali em conversas filosóficas ou nem tanto.

Quando houve no ano passado a ocupação dos aeroportos e centenas de milhares de turistas ficaram em terra, KSR foi a zona turística menos afectada. Os seus "habitantes" na maioria dos casos chegam por via terrestre, quer do Cambodja, a maioria, quer ainda do Laos ou da Malásia e por isso o impacto foi aí menos sentido embora também houvesse vozes, e com razão, que fizeram notar que KSR também estava a ser afectada.

O pior acabou por vir a ser 2009. Desde o final do ano passado os viajantes começaram a demandar menos KSR e o presidente da Khao San Association, Surat Vongchansilp veio agora, com base nos dados recolhidos na zona, lançar o alerta para a quebra verificada em KSR.

Na rua existem cerca de 280 pequenos negócios e nos últimos 6 meses 115 empresas tiveram de fechar e o comércio caiu 40%. O valor de negócio geralmente rondava os 2-3 mil milhões de bath anual e este ano não se espera que ultrapasse o 1.5 mil milhões sendo mesmo esse valor uma expectativa optimista.

As pensões da zona estão com uma ocupação, segundo afirmam, 50% abaixo daquilo que seria de esperar nesta época. Thanchalerm Khiewsri, o dono de um cabeleireiro da rua afirmou que o ano passado fazia cerca de 2.000 bath por dia e que agora faz entre 500 a 800 bath diariamente uma significativa quebra. O único que se não queixava nesta apresentação de dados á imprensa era o dono de uma galeria de arte, Vichai Limsrikarjana, que dizia os seus clientes serem fieis e pessoas que compram indiferentemente da situação. Ou são pessoas que compram por gostar ou investidores.

Em Dezembro foram os hotéis de luxo a estarem às moscas e ainda estão longe de recuperarem com despedimentos previstos de 50.000 pessoas para o segundo trimestre do ano. Agora a crise económica mundial e todas as outras implicações internas que afastaram as pessoas da Tailândia também está a ter a sua quota parte no turismo "dos pobres".

Entretanto ontem em Londres numa entrevista à Bloomberg, Abhisit disse que o país está de regresso ao seu normal e a estabilidade, apesar de algumas manifestações normais em países democráticos, está instalada. Grande tirada!

Compreende-se que o PM de um país tem de "vender o seu peixe", como todos nós, mas será que os compradores acreditam? Será que ele próprio acredita? Se a resposta é sim então o assunto está complicado pois isso quer dizer que está, continua, nas nuvens.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Como os Números Enganam


A Balança Comercial tailandesa sofreu um impulso positivo bastante significativo em virtude de ter havido uma quebra das importações de 40,3%, a maior queda registada nos últimos 11 anos. Por seu lado as exportações sofreram um baixa menos significativa de somente 11%.

Deste modo a Balança Comercial apresentou um superavit de 3,58 mil milhões de dólares o que é significativo e parece bastante bom para o país.

Na realidade este desequilibrio, positivo, agora verificado deve-se fundamentalmente ao facto de a Tailândia estar a importar menos petróleo e matérias primas que, depois de transformadas e onde é incorporado valor local, são exportados como produtos acabados.

Por outro lado significa também uma quebra no consumo no país nomeadamente de bens importados, significativamente mais caros. Neste particular é interessante ver que o Governo anda fortemente empenhado numa campanha anti proteccionista, um dos temas principais do discurso de Abhisit recentemente no encontro com Gordon Brow, sendo a Tailândia um país altamente proteccionista, basta ver as pautas aduaneiras. Mas essa queda de importações também tem o seu reverso que é a quebra das receitas aduaneiras, como referido, significativas pelas altas taxas que são cobradas. Um exemplo é o vinho de mesa que em regra geral, há várias graduações e excepções, mas em regra, dizia, paga 420% sobre o valor ou da factura ou de um valor mínimo determinado pelos serviços fiscais portuários.

Na economia cada vez mais tudo é um sistema de vasos comunicantes e nunca existe só fases más como nunca existem só fases boas.

As "fases boas" vimos atá há cerca de uns meses atrás onde o mundo cor-de-rosa das facilidades de crédito fazia entender que o único caminho era o continuado crescimento das economias e consequente aumento dos PIB per capita.

Também as "fases más", como a que atravessamos agora e da qual números são um minúsculo exemplo, não são só más e a Tailândia é um bom exemplo disso pois sendo um país com enormes reservas no sector agrícola, auto suficiente no plano alimentar, um dos raros no Mundo, a capacidade de regeneração e de encontrar alternativas que lhe permitam levar a crise de uma forma mais leve existem e são reais.

O maior inimigo do país é a instabilidade política, o mais que deficiente sistema judiciário e fundamentalmente a corrupção que come muito dos recursos que este povo generosamente constroi dia a dia.

Morto, fundamentalmente, este polvo a Tailândia pode e deve preocupar-se com estes ou outros números, mas pode enfrentar o futuro com aquele sorriso que fez este país a terra dos mil sorrisos.

terça-feira, 10 de março de 2009

Crise Económica e a Tailândia - Ultimas


Acabo de receber os números relativos ao desempenho da economia na Tailândia em Fevereiro e dá para pensar.

As receitas fiscais sofreram uma queda de 23.48 mil milhões de bath em Fevereiro, o que representa 22.2% menos do que em Janeiro e 29,1% menos do que no mesmo mês em 2008. Até este momento, e após 5 meses do exercício no ano fiscal tailandês, a quebra da receita é de 8,4%, mas, a continuar a este ritmo, as expectativas apontam para uma quebra anual de cerca de 20% ou pior!

Outro indicador importante não só pelo peso nas receitas fiscais mas pelo que representa em relação à queda no consumo é o do IVA que caiu em Fevereiro 25.23% comparando com Fevereiro de 2008.

Estes números vêm por ainda mais pressão sobre a política do Governo da distribuição de 2.000 bath a todos os que têm um rendimento inferior a 15.000 bath mensal que quase todos os sectores criticam fortemente por ser uma medida com fins unicamente eleitorais e sem um mínimo de criação de valor para a economia. Pala além disso irá delapidar ainda mais o já empobrecido cofre das Finanças.

Aliás o próprio Ministro das Finanças, outro dia numa conferência disse que se se provasse que aquela política não era adequada ela poderia ser revista, naquilo que foi considerado uma declaração de índole pessoal para ver se encontrava algum espaço para se ver livre desse encargo que é sobretudo patrocinado pela facção de Nevin acostumado que está a políticas deste tipo desde os tempos de Thaksin.

Entretanto o Conselho de Ministros aprovou a autorização para uni novo pedido de endividamento externo no valor de mais 2 mil milhões de USD sendo justificado pelo PM devido á necessidade de reforçar os cofres do Estado ante a previsão da quebra de receitas. Alguns Fundos existentes, como Fundo da lotaria e o Fundo de reserva bancária foram já sujeitos a pedidos de autorização legislativa para poderem ser utilizados.

O Governo foi igualmente alertado para a possibilidade daquilo que é o equivalente ao Fundo de Desemprego ficar a descoberto no ano de 2010 devido à importante redução que está a haver nas contribuições e ao significativo aumento nas despesas. Com referi há dias o desemprego em Fevereiro duplicou o numero registado em Janeiro.


quinta-feira, 5 de março de 2009

A Economia do País



Boas e más notícias têm vindo a lume sobre a economia na Tailândia o que não é mau visto que no resto do Mundo só acontecem más notícias.

Vamos ás más para se ficar com um bom sabor na boca no final.

O desemprego registado duplicou se se comparar Fevereiro com Janeiro deste ano o que é bastante preocupante. Ontem o gabinete aprovou um decreto que permitirá ao Governo pedir um empréstimo de 70 mil milhões de bath (1,6 mil milhões de €) ao Banco Mundial, ADB e JICA, como anteriormente tinha descrito.

O Director-Geral daquilo que seria o Orçamento em Portugal, comunicou que as recitas fiscais tiveram uma quebra significativa no montante de 70 mil milhões em quatro meses e que é esperado até ao final do ano fiscal, Outubro, que essa quebra seja de 100-130 mil milhões de bath.

O Bangkok Bank, o maior banco tailandês, anunciou ontem que a economia poderá recuar até 2% neste ano de 2009, o que quer Governo, quer Banco central têm tentado contradizer. Não parece nada de extraordinário visto os grandes clientes da Tailândia, Japão, União Europeia e estados Unidos, estarem todos em forte contenção de despesas no que respeita as importações, o"pão da economia tailandesa". Por outro lado mercados que recentemente têm vindo a tomar fortes posições como a China, Médio Oriente e os outros parceiros da ASEAN, para além dos recentes parceiros Austrália e Nova Zelândia, não são suficientes para contrariar as fortes quebras dos primeiros.

O Banco Central saiu a dizer ao Governo que o programa para distribuir 2.000 bath a todos os que têm rendimentos mensais até 15.000 bath, não é uma medida que ajude os problemas estruturais e de longo prazo da economia e que deveria ser abandonada. Não sei se foi um discurso encomendado pelo Ministro das Finanças, devido aos problemas orçamentais que regista, mas o facto é que se não for para a frente esse programa isso irá afectar, por certo, a coligação e aqueles que querem com esta medida ir conquistar posições no campo do adversário. O programa está para ser implementado a partir de Abril e logo se verá.

Do lado das boas notícias temos a sentença do Supremo Tribunal Administrativo (STA) sobre um caso relativo ao meio ambiental no Parque Industrial de Ma Ta Phut, na província de Rayong, que tem sido palco de números queixas sobre as condições ambientais, inclusível com relatos de substâncias cancerígenas estarem a ser enviadas para o ar através das chaminés das fábricas. Ma Ta Phut é um parque onde se concentra grande número de empresas japonesas e faz parte da grande cintura industrial do país e aí cai grande parte do investimento estrangeiro. O STA sentenciou que Ma Ta Phut é uma zona onde a poluição deferá estar sob controle dentro dos limites requeridos para aí se trabalhar, mas recusou condenar o Parque Industrial o que, se tivesse sido feito, seria uma forte machadada especialmente no que respeita o investimento japonês, o mais importante no país. Poderá considerar-se que foi uma decisão politicamente motivada mas mesmo assim, e atenta as discrapãncias até aqui registadas, sensata.

A outra medida positiva foi o anúncio pelo Board of Investment (agência promotora do investimento) de que nos dois primeiros meses de 2009 tinham dado entrada nos serviços 141 projectos de investimento, tailandeses e estrangeiros, num valor total de 108.7 mil milhões de bath. Feliz o país onde ainda existe algum apetite para os investidores aí apostarem.

É destas medidas que o país necessita, especialmente se forem investimentos duradouros e não oportunistas, para ajudar a equilibrar a economia neste tempos tão conturbados.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Crise Económica e Política.



O National Economic and Social Development Board (NESDB) apresentou hoje as piores expectativas para a economia tailandesa na sequência de ter anunciado que o ultimo trimestre de 2008 viu o PIB cair 4,3%.

Ao contrário do Ministro das Finanças e do Banco Central que prevêem para este ano um crescimento positivo da economia em cerca de 2% o NESDB prevê como o melhor cenário um crescimento de 0%.

O NESDB é a agência governamental encarregada do elaborar e seguir o plano

Entretanto a dívida pública estará perto de atingir os 45% do PIB e em risco de chegar aos 50%, uma meta psicológica considerada perigosa.

O cenário de recessão está a preocupar seriamente a sociedade tailandesa e o desemprego não para de aumentar.

Entretanto todo o pacote de medidas anunciadas pelo governo em Janeiro tendentes a injectar dinheiro no sistema está ainda por acontecer, e não se espera que tal venha a ser realidade antes de pelo menos meados de Março.

Nessa altura poderá analisar-se o impacto que terá sobre o consumo e se, como espera o Ministério das Finanças, esse dinheiro é reintroduzido na economia real fazendo crescer o consumo doméstico.

Este fim de semana em Pattaya estavam a passar o fim de semana os militares americanos que tinham estado envolvidos no exercícios militares que todos os anos acontecem com o as tropas tailandesas - o Cobra Gold. Pattaya estava repleta de milhares de "marines" e outras forças auxiliares mas mesmo assim a indústria hoteleira registava uma quebra superior a 15% comparando com igual período do ano passado.

Não parece estar a ser fácil encontrar soluções para esta crise até porque ela é fundamentalmente induzida do exterior pois os países importadores de produtos tailandeses estão em recessão e os turistas não procuram, estas paragens por falta de dinheiro nos bolsos e porque os recente acontecimentos políticos no país também o tornaram menos apetecível.
Isto tudo está a acontecer quando está já em marcha uma nova ofensiva contra o país desta vez de cor vermelha.

Neste momento os vermelhos já cercaram Government House embora haja um forte contigente de militares e de polícia de choque (21 companhias e 3.000 polícias ) embora ao que os primeiros relatos narram parece serem menos do que o esperado. Sabemos contudo pela experiência com o PAD, se os deixam crescer, estes movimentos aproveitam!

O governo continuam ameaçado e hoje em dia a própria comunicação social que tanto o apoiou no ínicio está pedindo acções e não palavras. Acções contra os lideres e principais apoiantes do PAD para que sejam responsabilizados pelo que fizeram, e acções também no ataque à crise económica pois de todas as medidas anunciadas com grande pompa nenhuma até este momento tomou corpo.

No sector dos direitos humanos a crise dos Roinghya está longe de ter acabado e o governo tailandês continua sobre grande pressão internacional sobre o caso. A entrevista que Abhisit Vejjajiva deu a Dan Rivers da CNN, é hoje em dia utilizada como um exemplo daquilo que deverá ser feito contra aquilo que não é feito. Esta tem sido mais uma áera onde o governo continua a pecar por falar muito e agir pouco ou nada e assim se vai desgastando. Alguém disse, mais vale uma acção do que dez palavras e isso está a ser muito reclamado hoje em dia no país.

Entretanto os mandados de captura contra os 21 membros do PAD, onde se sussurra que está incluído o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que hoje mesmo nos jornais vem dizer que se demite se for considerado culpado (um sinal confirmando os rumores), não avança, alegadamente porque quem o deveria trazer á luz está ausente no estrangeiro em missão governamental! Em bom portugês chama-se a isto uma desculpa esfarrapada.

Este ataque contra o MNE vem a três dias do ínicio da XIV Cimeira da ASEAN, e enfraquece significativamnente a sua posição nesse forum.

Entretanto correm muitos rumores de que Thaksin estará para regressar ao país e entregar-se à justiça, ao mesmo tempo de que os Democratas viriam a formar um governo com o Puea Thai

Parece tudo um pouco surreal, mas são estes os rumores que correm com intensidade.

Desde a formação deste governo sempre tive a sensação, e já o referi uma vez, de que existem negociações nos bastidores entre Suthep, Nevin e Thaksin para encontrar uma formula em que todos possam conviver em paz e no fim continuar as políticas deste último que são aquelas que a generalidade do povo mais aprecia e os políticos também, visto poderem actuar mais livremente.

A seguir nos próximos dias.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ban Santi Suk


Na sequência da crise económica de 1997 no Sudoeste Asiático, esta pequena comunidade do Nordeste tailandês, Ban Santi Suk, por sugestão de dois farangs, nome porque são tratados os ocidentais aqui, um canadiano e um holandês, decidiram introduzir uma moeda local, aliás como tem acontecido um pouco por todo o Mundo quando há crises económicas.

O bia, assim se chamava o dinheiro era o meio de pagamento geralmente utilizado pela povoação e o Abott Phra Supajarawat era o "banqueiro" sendo o "banco" uma pequena dependência no templo que dirigia.

Dessa forma os habitantes da aldeia, que tinham visto as remessas geralmente enviadas de Bangkok pelos filhos e filhas da terra que para aqui debandaram á procura de trabalho reduzir drasticamente, decidiram, e segundo a teoria real ser independentes do ponto de vista económico e passarem a consumir só os produtos que entre si produziam. Para isso e para assegurar as transacções utilizavam o bia.

O banco de Ban Santi Suk

O banco central chamou o Abott e alguns habitantes a Bangkok, com estes receosos sobre a possibilidade de serem incriminados por falsificação de dinheiro.

Refira-se entretanto que para fazer as notas foi feito um concurso entre as crianças da terra para que apresentassem desenhos para serem utilizados na sua confecção e dai resultou dinheiro bastante colorido e atractivo mostrando os produtos da terra.

Na reunião em Bangkok afinal o grande problema era a denominação, bia visto ser esta uma das palavras que designava dinheiro em dialecto Issan e assim se resolveu o problema redenominado a "moeda" merit.

A emissão de moedas localizadas ou de senhas ou de outro tipo de títulos tem sido uma constante em várias regiões do globo inclusive em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido,. São em geral esquemas em que as pessoas, ou agrupamentos de pessoas, se refugiam quando os sistemas económicos em que vivem entram em colapso.

Pattamawadee Suzuki uma Professora da Universidade de Thammassat realizou um elaborado estudo onde concluío das vantagens, em tempo de crise, que estas populações que se agregam no prosseguir de interesses comuns conseguem obter com este tipo de medidas.

Agora com os tempos difíceis que correm estes exemplos voltam a estar em alta e o exemplo de Santi Suk já voltou às páginas dos jornais.

No momento em que a crise económica que atravessamos tem contornos totalmente diferentes de todas as anteriores visto ser induzida por muitos mais elementos, internos e externos, do que no passado é importante estar atento aquilo que se chama "out of the box ideas", atento a ouvir e experimentar ideias diferentes pois os remédios conhecidos só curam doenças conhecidas e esta, a que estamos a viver, tem muito de desconhecida.

Aqui podem observar um vídeo relato sobre a vida em Ban Santi Suk.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Orçamento e as Receitas Fiscais


Ontem o Ministro das Finanças anunciou a necessidade urgente da Tailândia recorrer ao Asian Development Bank, ao Banco Mundial e ao Japan Internacional Cooperation Agency o braço financeiro da cooperação japonesa visto as reservas do Ministério terem descido a um nível que só permitirá pagar salários À função pública durante dois meses

As receitas fiscais têm vindo a descer significativamente e o governo e o problema do fundo de maneio torna-se complicado.

Para além desse facto seu "dinheiro no cofre" não pode haver lugar às políticas populistas inicialmente anunciadas pelo PM o que pode por em causa a estabilidade da sua coligação.

Percebendo isso mesmo o PM quando esta manhã aterrou, vindo de Davos onde tomou parte no World Economic Forum, referiu que o país ainda tem largas reservas em ouro e divisas e que recorrer a empréstimos no estrangeiro tem de ser avaliado depois de um estudo mais pormenorizado da situação e da tendência que a receita fiscal mostrar.

Os analistas estão pouco confiantes sobre as políticas levadas a cabo pelo governo e não compreendem como é que ainda não foram tomadas medidas capazes de assegurar que os bancos se sintam confiantes em injectar dinheiro no mercado e como é que não foi até agora apresentado nenhum programa de longo prazo sobre a urgente necessidade de criar emprego duradouro.

O Ministro Korn , já disse outro dia que o seu trabalho é fazer com que a economia continue e não desfaleça sem capacidade de recuperação.

Não é previsível que a economia por si só melhore nos próximos tempos e por isso torna-se necessário apresentar medidas defensivas no que respeita à despesa, e não tentar seguir caminhos de esbanjar dinheiro como fazia Thaksin, e politicas construtivas quanto a criação de riqueza e consequente receita futura.

Há quem fale em que o governo deveria cortar o número de funcionários governamentais em 50% criando condições para que os excedentários pudessem iniciar novos pequenas empresas familiares capazes de assegurar a sua sobrevivência. Um dos graves problemas é o enorme número de pessoas nos activos militares, forças armadas e polícia, e sabe-se quão sensível são estas corporações a qualquer mudança que afecte o seu estatuto.

Os bancos estão com os cofres cheios mas têm relutância em emprestar dinheiro com medo de virem no futuro a entrar na lama do crédito-mal-parado. falta, como tem acontecido um pouco por todo o mundo uma garantia dada pelo estado sobre os empréstimos de modo a espevitar o mercado.

A moeda tailandesa que flutua com um peg ao dolar americano tem de reanalisar o seu posicionamento de forma a não tornar ainda mais difícil a vida para os exportadores devido à constante apreciação do bath. Desde o início do ano a moeda já se apreciou face ao Euro quase que em 5%.

Por fim é urgente desenvolver o programa de energias alternativas visto a factura energética ter demasiados custos para o país. A Tailândia tem enormes capacidades de aumentar a sua já grande área de exploração de óleo de palma mas isso tem de ser feito com um programa ordenado e para o benefício do país e não só de alguns.

Entretanto em Davos o PM Abhsit falou da, já premiada internacionalmente, política económica elaborada pelo Rei Rama IX, Sufficency Economy, como forma de ajudar a combater a crise económica mundial. É de facto, de um ponto de vista, simplístico, uma política que se bem aplicada traz frutos mas ela só pode ser aplicada numa economia sã e não hoje em dia em que existem tantos e tão diversos factores internos e induzidos a condicionar as escolhas nos caminhos para a solução para uma crise transversal ao mundo.

Os Camisas Vermelhas


Mudam os tempos mudam as cores. O ano passado esta fotografia era amarela



Este fim de semana estava agendado uma manifestação da UDD, os camisas vermelhas, por oposição aos "amarelos" do PAD.

Até aqui, e desde a tomada de posse do Governo a UDD tem andado um pouco à deriva por falta clara de objectivos, falta de liderança e falta de fundos.

O PAD tinha um objectivo claro e mobilizador fácil de muita gente. Acabar com Thaksin e as suas marionetas. Thaksin conseguiu que metade do povo o adorasse e a outra metade o odiasse o que torna fácil organizar um movimento com o objectivo claro de ir contra ele. Por outro lado o PAD vinha-se organizando desde Fevereiro de 2006 e tinha (ou ainda tem) uma direcção múltipla e disciplinada através do comando do General Chamlom e dispondo das capacidades de orador e mobilizador de Sondhi L, um homem habituado aos palcos da televisão e a falar às massas. Depois de alguma hesitação no início de 2008, o PAD garantiu os fundos necessários para iniciar em Maio aquilo que chamaram, por muitas vezes, a batalha final e que culminou com a queda do último governo aliado a Thaksin em 2 de Dezembro desse mesmo ano.

O PAD tinha uma guarda avançada, os "Guardas do PAD", bem pagos, bem treinados e equipados, e distribuía a todos aqueles que vinham para as manifestações comida e bebida para além de animação (tudo o que o actual MNE Kasit, disse ser "muito bom") e os meios necessários para continuar a luta.

A UDD está (ou estava) incipiente a não dispõe em primeiro lugar de um objectivo claro que una as pessoas, não dispõe de uma liderança forte e disciplinada, nem dos fundos para criar a sua guarda capaz de controlar e dirigir os manifestantes de acordo com os objectivos pontuais, mas está a crescer.

Este fim de semana a UDD deu aquilo que poderá ter sido o primeiro passo para se tornar no novo PAD se o governo não tomar medidas que assegurem o controlar da situação. Por outro lado parece ser mais claro que por detrás da UDD está a nascer algo que será, ou não, decisivo nos próximos anos neste país, um verdadeiro Partido com clara noção ideológica e com um objectivo claro de poder diferente do actual.

Durante todo o Sábado os "camisas vermelhas" juntaram-se primeiro em Sanan Luang, em frente ao templo de Wat Phra Kaew, onde normalmente se organizam, e daí marcharam, ordeiramente, mas determinados até Government House onde colocaram, na porta principal, mas já dentro do complexo apesar dos 5.000 polícias e uma força especial do exército estar presente, aquilo que é o aviso deles com as condições que querem ver satisfeitas.

Serem incriminados os lideres do PAD
Demissão do MNE Kasit Piromya
Dissolução do Parlamento e convocação de eleições


Falaram também no retorno à Constituição de 1997 mas esse pedido não foi passado ao papel até porque o Governo não tem competência para tal.

No comunicado afixado em Government House dava-se 15 dias ao governo para actuar, passado o qual regressariam para ocupar o complexo tal qual fez o PAD e com alguma "legitimidade" que lhes será dada pela impunidade que os lideres do PAD continuam a gozar depois de terem trazido o caos económico ao país de acordo com o relatório do Banco da Tailândia.

Os números dos manifestantes são, como sempre contraditórios, mas o que parece mais credível é o de entre 20 e 30 mil manifestantes de acordo com fontes da comunicação social e da Polícia.

É indiscutível um sinal de força, visto não terem sido detectado o facto de os organizadores terem pago viagens da província para quem quisesse vir e parece que veio quem veio por vontade própria. Não foi notado nenhum movimento especial ou de combóios ou de camionetas da província para Bangkok com manifestantes.

Há entretanto relatos interessantes sobre algumas das pessoas que estiveram presentes e de algumas alianças que se vão formando nos bastidores o que são o sinal de que algo mais profundo está em andamento para futuras lutas.

Duas das altas figuras presentes relatavam que não estão ali por Thkasin, mas para lutar por uma ideologia que acreditam, "uma nova ideologia" como afirmou Jaran Ditta-apichai, um respeitado ex Comissário dos Direitos Humanos.


''Being pro-Thaksin doesn't mean people are puppets of Thaksin, or are being paid by Thaksin. The movement is beyond Thaksin, it's a movement for democracy and a better future.''

Este é só um exemplo mas a associação de outras figuras, importantes em certos combates, à manifestação de ontem traz-lhe um sabor especial e tal será por certo objecto de muitas especulações nos próximos tempos.

A UDD está a ganhar forma e conteúdo e poderá ser uma real ameaça para o governo se este não for capaz de levar por diante as reformas necessárias para criar no país um clima de abertura e transparência que Abhisit tem vindo a proclamar desde que assumiu o poder em 17 de Dezembro passado.

Falando em abertura e transparência na semana passada convidava um dos mais activos jornalistas estrangeiro a trabalhar na Tailândia há muitos anos, profundo conhecedor da realidade do país, fluente em tailandês, falado e escrito, para que tomássemos um copo para falar-mos um pouco. A resposta foi clara: "na situação actual não é bom ser visto comigo", dizia o jornalista.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Situação Económica na Tailândia



O Tourism Council of Thailand (TCT), o organismo independente onde se juntam governo, operadores e utilizadores dos serviços de Turismo, acabou de divulgar as conclusões da analise sobre o sector e as previsões a curto prazo para o país.

É esperado que o fluxo de turistas que entrem no país durante a presente estação alta, decresça em cerca de 3 milhões ou seja 20% do total previamente esperado para o ano. Isso terá um impacto negativo na ordem dos 109 mil milhões de bath (2.200 mil milhões de €). Como já anteriormente referi a maioria dos hotéis de 5 estrelas está "às moscas", alguns mesmo sem clientes e todos os outros serviços adjacentes, museus, locais turísticos,restaurantes,bares, zonas de animação, agências de turismo, guias, etc, estão despedindo pessoal devido à falta de clientes. Os únicos que mantém umas taxas de ocupação razoável são os hotéis não classificados ou de 1/2 estrelas mas mesmo assim aquela é de 19% de acordo com o TCT. A Thai Hotels Assotiation prevê que cerca de 30% dos efectivos empregados no sector hoteleiro serão despedidos durante o ano de 2009.

Em Chiang Mai era previsto estar-se a realizar neste momento a 14ª Cimeira da ASEAN, com a participação das delegações dos 10 Estados Membros mais a China, Coreia do Sul e Japão e igualmente uma delegação do Banco Mundial encabeçada pelo seu Presidente e outra das Nações Unidas com Baan Ki-Moon a liderar. Os hotéis estavam todos reservados e sei de pessoas que não conseguiram fazer marcações em Outubro devido à cimeira. Neste momento esses mesmos hotéis estão totalmente vazios e a cidade que iria receber cerca de 3.000 pessoas entre Delgados, assistentes e jornalistas está deserta.

Os Governadores de Phuket, Krabi e Phang Na solicitaram ao Governo Central ajuda para poderem enfrentar a crise.

O turismo foi afectado devido à instabilidade política existente no país fundamentalmente por causa do fecho dos aeroportos mas não é só o Turismo que está a ser afectado ao ponto de o Banco Central hoje vir requerer ao novo governo a implemantação de medidas extraordinárias e não convencionais de modo a poder enfrentar-se a crise que se alastra a todos os sectores da economia.

Primeiro foi a industria automóvel, logo seguida pela electrónica, os dois principais pilares das exportações no país (estes dois sectores entre produtos acabados e peças ocupam os quatro primeiro lugares na tabela das exportações), a entrarem em forte quebra induzida pelo arrefecimento da procura nos mercados de destino. Hoje é referido que a Associação dos Produtores de camarão decidiram reduzir a produção em 20%, com os consequentes cortes na força laboral, devido igualmente à retracção da procura externa.

Pela primeira vez este ano a venda de veículos caiu 1.88%. Pode parecer nada para quem na Europa vê esses números multiplicados exponencialmente mas o facto é que todas as marcas fortes no mercado estão a vender entre 6 e 17% a menos este ano com excepção da Honda que regista ganhos. A indústria automóvel e de acessórios é o maior empregador no país e um dos grandes motores das exportações e do consumo interno.

O cenário é muito pouco favorável para uma economia tão aberta como a tailandesa e o Presidente do Bangkok Bank, o maior banco do país, advertiu hoje que se não forem tomadas medidas urgentes o próximo ano poderá ver o pais registar um crescimento negativo da sua economia.

Do ponto de vista orçamental se bem que a balança comercial deva apresentar ganhos, devido à contracção da procura e portanto das importações, existe uma grande preocupação com a falta de animação do consumo e consequente arrecadamento de receitas. Mesmo assim alguns analistas aconselham o novo gabinete a reduzir o IVA de 7 para 5%. Contudo este já afirmou que irá prosseguir, à sua maneira, algumas das políticas populistas de Thaksin, que custam muitos milhões, não só para conquistar os corações dos que não os apoiam mas também para dinamizar o consumo interno.

Abhisit, Doutorado em Economia em Oxford irá, ao que tudo aponta, liderar ele próprio a equipa económica visto haver a consciência de que atacar estas questões é uma das prioridades do novo executivo. Contudo Korn Chatikavanij, seu companheiro de estudos em Oxford, Secretário-Geral Adjunto do Partido, ex Managing Director do JP Morgan Thailand, e o muito provável novo Ministro das Finanças, adverte que ainda antes desse ataque á economia há que criar as condições para unir o país e trazer os irmãos desavindos para a mesma mesa.

Uma árdua tarefa para um PM que acaba de receber a necessária aprovação pelo Rei para iniciar a formação do seu Governo e apresentar ao país o seu programa de governação previsto para o dia 26,

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Visto de Fora


Cheguei hoje a Bruxelas e quando sai do avião dou de caras com dois grandes anúncios um do Banco Fortis e outro do Dexia.

O do Fortis rezava que "Live is a curve" e nunca tão certa foi a publicidade. O Fortis, que ainda não há um ano era falado como estando pronto a lançar uma OPA sobre o Millenium BCP está neste momento a ser retalhado e vendido a diferentes entidades devido à insuficiência de fundos para fazer frente às suas responsabilidades.

A crise que se instalou nos Estados Unidos e alastrou a todo o Mundo, com fortes incidências, agora na Europa, está a criar um clima de pânico difícil de ver onde e quando irá terminar. Apesar dos milhares de milhões de euros injectados nos mercados, apesar da medidas de confiança que são transmitidas aos depositantes o facto é que os mercados não cessam de cair sendo as percas hoje em dia infinitamente superiores aos triliões já injectados ou comprometidos.

O momento é diferente da crise de 1929 visto os mercados terem outra capacidade de mobilidade mas os sinais são ainda mais preocupantes dos que os desse tempo e as percas incumensoravelmente maiores.

Na Europa por outro lado o Euro continua a derrapar. A descida das taxas de juros, e o anúncio conjunto, hoje feito, pelos três bancos centrais, o Federal Reserve, o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu de baixar 50 pontos as respectivas taxas de referência poderá criar agora alguma esperança de que os agentes financeiros consigam ter o necessário oxigénio para, por si mesmos e com o apoio dos seus depositantes, ainda conseguirem dar a volta por cima nesta crise.

O facto é que os contribuintes, os depositantes, no fundo os agentes silenciosos do mundo económico, estão de costas viradas com este por já não confiarem nele e querem sair, encontrar outras alternativas, como o ouro, em que tenham mais confiança. Nem as crescentes garantias dadas pela maioria dos Bancos centrais tem acalmado os afforadores.

Construimos, todos, um mundo onde o sistema financeiro tal como ele existe faz parte do nosso quotidiano, um sistema imperfeito e onde muitos, governos incluídos, se aproveitaram da euforia, do laxismo, da falta de transparência e supervisão para o tornar fictício, permissivo e viciado. O sistema vive de euforias de ilusões e baseado em poucas realidades concretas e palpaveis. A "Governance" das grandes instituiçoes financeiras mundiais a isso levou na escalada de concorrência e nos prémios absolutamente escandalosos atríbuidos a executivos fazedores de sonhos e não criadores de riqueza como deveria de ser.

Por certo todos se lembram no início deste século da crise nos mercados chamada a "bolha dot com". Quando empresas que ainda não tinham feito nada valiam montantes imensos, onde os mercados criaram expectativas impossíveis. Todos criticaram as empresas por essa "utopia" criada e responsabilizaram os, na maioria, jovens empresários pelo acontecido. O facto é que tal não passou de um breve sopro face ao claro tufão que se passa agora, e quem foram na realidade os responsáveis por essa "bolhinha" foram os mesmos vendedores de sonhos que são os responsáveis por aquilo que agora se passa.

Como referia, ao deixar o avião dei de caras com mais dois anúncios vendendo sonhos de vida fácil e ganhos de dois Bancos que estão prestes de deixar de ter autonomia para sequer falarem por si sós.

É este o sistema que temos de repensar, recriar para legar ás novas gerações algo de que não nos acusem de mais uma vez ter destruído o futuro deles. Já que não somos capazes de cuidar do nosso ao menos que não hipotequemos os dos nosso filhos e netos.

Entretanto na Tailândia a situação acalmou um pouco mas ali também torna-se necessário legar algo de novo para o futuro. ou seremos cúmplices da destruição. Contudo aí sou só espectador. Preocupado mas espectador.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Black October

Memorial na Universidade Tammasat


O The Nation já denominou o que se está a passar como o Black October 2008 numa referencia a outros Black October em Bangkok, 1973 e 1976 respectivamente 14 e 6 de Outubro onde no último na Universidade de Tammashat morreram dezenas de estudantes que lutavam contra o regime.

Era o tempo dos comunistas no Vietname e no Cambodja e de uma série de governos fracos na Tailândia. Os estudantes também quiseram fazer ouvir a sua voz mas numa das manifestações foi queimada a esfinge daquilo que pareceu ser uma figura da casa real e isso foi o rastilho para que a polícia invadisse a Universidade e no seu campus e nas redondezas houve confrontos que deixaram muitos estudantes tombados. Samak que nessa altura tinha um programa de rádio foi acusado de incitar a polícia acusando os estudantes de comunistas e traidores do país. Quando chegou ao poder, em Fevereiro, Samak referiu, numa entrevista à CNN, que somente uma mão cheia de estudantes tinha morrido e que ele nada tinha a ver com o caso. Esta foi a sua primeira má saída no regresso à política.

Refira-se que Samak, se encontra actualmente hospitalizado com rumores de um cancro do fígado, e que irá para o Canadá para ser tratado. tendo em vista a qualidade superior dos serviços médicos aqui e a decisão do seu caso no próximo dia 21 os jornais já o acusam de partir para o exílio.

Um ponto final para lembrar que foi também em 29 de Outubro de 1929 que aconteceu outro Black October quando os mercados financeiros caíram dando início à grande depressão. Estamos, também neste domínio perante outro Black October muito provavelmente pior do que o anterior depois do que se passou ontem nos mercados bolsistas mundiais tudo é de prever por agora.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Boas Noticias



Nas duas frentes que mais tem ocupado o meu tempo ultimamente houve notícias positivas o que nos tempos que correm é sempre um muito bom sinal.

O Senado Americano acaba de votar por 74 votos a favor e 25 contra a nova Lei de apoio à economia americana e mundial dadas as intrincadas ligações existentes hoje em dia nos mercados financeiros globalizados, e na Sexta-feira espera-se que a House of Representatives também a vote favoravelmente o que permitará por em movimento essa bóia salvadora da economia. A derrota no início da semana permitiu que os legisladores americanos corrigissem mais um erro da administração Bush que queria precipitar-se, como no caso do Iraque, com medidas salvadoras de Wall St sem se lembrar de Main St e dos contribuintes. As alterações introduzidas mostraram as preocupações dos legisladores de não se tornarem cúmplices em mais uma vez se olhar só para um dos lados da moeda. De igual forma, se bem que as percas do DJIA tenham sido grandes, houve algum ressurgir posterior num sinal de que o mercado ainda tem vitalidade para se movimentar por si e não está completamente morto.

É importante, como muitos senadores afirmaram, estar atentos aos perigos do colapso da economia devida à falta de liquidez dos mercados, mas é igualmente vital olhar para aqueles que ao fim do mês tem de pagar a hipoteca da casa. O balancear destas duas realidades ajudará a que os contribuintes, que por si só são, os consumidores, os aforadores e os investidores se sintam mais confiantes nas instituições, facto vital para o bom funcionamento de uma economia.

Esperemos agora pela votação de Sexta mas a sensatez dos últimos desenvolvimentos faz prever um bom resultado para o Mundo.

Igualmente aqui na Tailândia depois de um período em que a política estava totalmente relegada para segundo plano, não só pela crise financeira mundial mas também pela falta de factos relevantes, voltamos a ter notícias.

Como em DC notícias boas. O novo Governo, apesar da espada que tem sobre a sua cabeça devido à mais que provável dissolução do PPP, está empenhado numa campanha de reconciliação com a sociedade e o soft approach que tem tido está a pagar dividendos. Ontem o PM Somchai teve um encontro de 50 minutos com o General Prem Tinsunalonda, o todo poderoso Presidente do Conselho Privado do Rei, muitas vezes apelidado a "mão invisível" que tudo controla. Nada transpirou desse encontro a não ser que o que foi discutido foi, a restauração da estabilidade no Sul do País, a alteração da Constituição e a harmonia na sociedade. Num outro facto separado o Vice-Primeiro Ministro Chavalit encontrou-se com o PAD e abriu uma porta para o início de negociações.

A tão falada, e necessária, revisão da Constituição, que tanta oposição tem tido visto ser entendida como uma forma de ajudar Thaksin a "safar-se" dos casos que contra ele existem, está a ser tratada por este Governo com imensa cautela e será proposto à Assembleia a alteração do texto constitucional de forma a permitir que a revisão seja preparada por um corpo de peritos independentes e não alinhados. Se isso conseguir o Governo obterá uma vitória importante.

No sector económico também as boas notícias apareceram com a possibilidade do Banco Central baixar a taxa de juro devido ao significativo abrandamento da inflação, com dois meses seguidos em baixa, e do investimento anunciado pelo Bank of Nova Scotia num banco local que é visto como um sinal de confiança no sistema financeiro tailandês.

Por outro lado as várias autoridades relevantes, Ministro das Finanças, Banco Central e Comissão dos Mercados Mobiliários estão a trabalhar em conjunto o que de alguma forma é raro visto no passado, recente se degladiarem constantemente.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Acabou a Hibernação



O Congresso Americano votou negativamente por 228 votos contra 205 o plano da administração Bush para apoiar a economia americana naquilo que já é considerada a maior crise depois da grande depressão do final dos anos 20.

Interessante ver que foram mais os Republicanos que votaram não do que os Democratas (133-95) o que deita por terra a reacção do Senador McCain que disse que Obama e os Democratas puseram a política á frente dos interesses do país. As acusações entre ambos os campos são muitas o que não favorece o encontrar de uma solução para a crise actual.

Os mercados tinham reagido positivamente no final da semana com os avanços feitos no sentido de ser votada favoravelmente a lei que permitiria o Tesouro Americano utilizar os 700 mil milhões anunciados injectando o muito necessitado sistema financeiro de fundos suficientes para que não se desse o colapso da economia. Contudo com a má notícia vinda de Capitol Hill, o DJIA caiu 777 pontos mais do que no 9/11, quando caiu 684,81, ou em Abril de 2000 com o "rebentar" da bolha .COM, com 617,78 pontos.

De igual modo na Europa os sinais de crise se manifestam com a nacionalização da Bradford & Bingley no Reino Unido, depois de tal já ter acontecido à Northen Rock e a necessária injecção de fundos no Fortis. Fala-se que os Governos Alemão e Dinamarquês terão de intervir com urgência e outros mercados por certo não estarão imunes a este "tsunami" financeiro que a pouco e pouco vai destruíndo Bancos e Seguradoras.

Na Tailândia, como já expliquei anteriormente, o mercado não está demasiadamente exposto, mas quer o Banco da Tailândia quer o Governo seguem com atenção o que se passa no mercado e estão preocupado com a possibilidade crescente de intervenções que permitam retirar liquidez do mercado já afactado pela queda do SET devido à saída de investidores estrangeiros ávidos de realizar "cash".

Os mercados Europeus seguem contudo a subir ligeiramente muito, por certo, por causa da mediada do BCE de disponibilizar 120 mil milhões de Euros ao mercado em condições favoráveis.

Parece-me que esta intervenção do BCE esta a ser mais sensata do que a do Tesouro Americano, embora, aparentemente, a crise na Europa seja menor. Tomar uma decisão desta magnitude com eleições a acontecer dentro pouco mais do que 30 dias, e eleições tão renhidas como as que estão a acontecer nos EEUU, parecer mostrar ser impossível discutir e encontrar soluções sem uma conotação e motivação política forte.

A realidade é que o mercado está doente, fortemente doente, e os Bears terminaram a hibernação.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Crise Económica e a UN


Apesar do pacote de emergência solicitado pelo Presidente Bush que trouxe alguma acalmia e esperança aos mercados, tão rapidamente dissipada na imediata corrida ao ouro e na subida sem precedentes do preço do crude, o debate sobre as medidas a seguir e da sua eficácia ainda está no início.

Neste mesmo momento começou a Assembleia Geral das Nações Unidas, palco onde todos os anos Chefes de Estado e/ou Governo fazem os seus depoimentos, este ano dominados, como seria de esperar pelo momento turbulento que vivemos. Até a crise da Geórgia passou para segundo plano. Aquilo que é chamado as "Non Tradicional threats" é hoje em dia um problema porventura mais importante para a segurança das nações do que intervenções militares.

O presidente Sarkozy, com a dupla responsabilidade da França e da Presidência Europeia, apelou a um "Regulated Capitalism" enquanto o Líder Iraniano, Almadinejad, anunciava estar-se próximo do fim do "império americano". Interessante de ouvir que, numa entrevista paralela que concedeu a Larry King, abriu as portas ao restabelecimento de relações com os Estados Unidos após a tomada de posse da nova administração em Janeiro. Sarkozy igualmente apelou à condenação dos responsáveis. Entretanto é sabido que o FBI está a investigar um largo conjunto de instituições financeiras a operarem no mercado americano. É indiscutível o benefício de responsabilizar aqueles que contribuíram com o embelezamento de situações para esta crise sem precedentes, mas é bom não esquecer que ela está em muito ligada a uma regulamentação frouxa, ineficaz e permissiva por parte das autoridades de supervisão dos mercados. A facilidade com que o mundo financeiro e empresarial em geral entrou em soluções de alto risco sem a devida ponderação, unicamente com o objectivo de encontrar liquidez e produzir ganhos rápidos num mundo tão competitivo como aquele que vivemos.

Muitos ainda se lembram quando em 1995 Nick Leeson, o então broker do mais antigo banco do Mundo, o Barrings, fundado em 1762, acumulou perdas de cerca de mil milhões de libras que levou aquela casa á falência e a ser comprada por um dolar pelo ING. Foi também um caso de fraca supervisão mas um facto isolado. Contudo isso não impediu que mais tarde variados outros casos semelhantes acontecessem e que hoje estejamos, de novo, perante uma situação em que, mais uma vez, as autoridades de supervisão e regulatórias tenham ficado longa de ter cumprido o seu dever.

A Associação dos Contribuintes Americanos começou o seu lobby junto de Capitol Hill no sentido de defender a contribuição dos taxpayers americanos que está estimada em 23.000 US$ por cabeça. Essa pressão sobre o Senado foi feita de uma forma responsável, não negando a importância de uma intervenção mas tentando obter dela o máximo benefício, quer para a economia em geral quer inclusive para os contribuintes, sobre os eventuais ganhos a prazo, do investimento que o Estado Americano irá fazer. Henry Paulson, fortemente pressionado, só quer ver o plano aprovado com rapidez, mas está a sofrer, conjuntamente com Bernake, um difícil frente a frente com a U.S. Senate Banking Committee pois esta parece entender a necessidade de parar e pensar antes de decidir. Sendo os representantes dos Americanos têm de ouvir todos os grupos de pressão que funcionam em Washington.

É dever de todos nest momento aprender e corrigir, para acertar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Intervençao Americana

Felizmente a ajuda é em US$



O Governo dos Estados Unidos decidiu intervir junto dos mercados financeiros com uma medida extraordinária que no total ascende a 700 mil milhões de US dólares o equivalente a 1/4 do PIB Inglês e Francês, a soma dos PIB de Portugal, Finlândia a Republica Checa, enfim uma quantia de dinheiro que utilizada no combate à fome, à Sida, à Malária, eventualmente as erradicaria e ainda era capaz de sobejar para um ou outro pilar para uma AIG qualquer.

Contudo devemos entender que a não intervenção do Governo Americano teria consequências por ventura ainda piores para este Mundo que está desesperadamente a necessitar de uma injecção de algo diferente para ver se consegue criar uma nova ordem para o funcionamento das instituições. A excessiva especulação em volta das empresas, e as fragilidades do sistema financeiro, alimentadas pela nossa fome de consumismo criou um mundo empresarial que muitas das vezes vive muito, mesmo muito, acima da realidade dos seus recursos.

No mundo ocidental em geral habituamo-nos a viver acima daquilo que a nossa produção permite. O nível de endividamento pessoal por norma é superior ou próximo dos 100%, o que implica a existência de enormes quantidades de dinheiro, não real, existente no mercado e por consequência envolvendo também as próprias empresas nessa fragilidade.

O donimó é total e em todas as direcções pois se essas empresas não tivessem essa riqueza, a maioria das vezes aparente, não haveria emprego, aumentaria, a dependência, a criminalidade, a insegurança genérica no Mundo e a pobreza.

Interessante é ver que nestes momentos de crise quem continua sempre a ganhar e a florescer são os sectores mais escuros da sociedade, os sectores do dinheiro fácil, visto que por norma são sectores que funcionam na base do "cash". Nos "basfonds" da sociedade não funciona o crédito. A norma é a "chapa batida" e estes momentos acabam por ser propícios para todo o tipo de aventureiros e portadores de dinheiros duvidosos florescerem e multiplicarem os seus teres.

O Mundo está carente de uma nova ordem de valores e de regras de funcionamento mas a carteira vazia não é boa conselheira para pensar e parar pelo que a intervenção Americana pode ser um importante momento para se ponderar naquilo que andamos a fazer e evitar que daqui a alguns anos (os ciclos da economia irão encurtar) estejamos a necessitar de outra forte dose de soro revitalizante como são estes milhões de milhões.

Que saibamos entender o que se passa e saibamos encontrar a porta correcta para a saída.