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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Chiranuch Premchaiporn é uma activista pelos direitos da liberdade de expressão que faz a gestão de um muito conhecido sítio de internet, o Prachathai. Na Sexta-feira foi detida pela segunda vez no período de dois anos alegadamente por permitir que no fórum estejam escritos comentários tidos por serem contra a monarquia.

Chegava de Helsínquia vinda de conferência sobre liberdade de imprensa occorida em Budapeste quando foi detida no aeroporto para mais tarde ser libertada por o juíz de Khon Kaen para onde foi levada, pagando uma "gorda" caução.

Hoje nos dois principais jornais de língua inglesa na capital vêm artigos, um o editorial e outro um artigo de opinião sobre o caso.

No editorial do The Nation alega-se que no momento em que existem tantas iniciativas no sentido de encontrar formas para a reconciliação de uma Nação dividida a prisão de Chiranuch é " pouco feliz e politicamente incorrecta", como reza o título. Penso que Tulsathit, o editir chefe, afirma que quem conhece a activista sabe bem que ela é tudo menos uma ameaça para a segurança nacional e nada mais é do que uma voz radical, comparando-a à da ASTV, a televisão amarela, e anota a continuação da política de duas atitudes do governo para contra aqueles que têm opiniões divergentes. Os amarelos nunca são incomodados nem presos e se isso acontece são de imediato libertados sem fianças enquanto no campo oposto se passa o contrário. Lembre-se que continuam detidos centenas de militantes vermelhos desde Maio sem que contra eles tenha sido produzida nenhuma acusação.

No Bangkok Post o artigo de opinião é assinado por Thitinan Pongsuthirak, professor de Ciência Política da Universidade de Chulalongkorn, Director do Centro de Estudos Internacionais e de Segurança e professor convidado da Universidade de Stanford na Califórnia.

Thitinan vai mais longe na sua análise e lembra que quem está à frente dos destinos do país é Abhisit ele, como muitos outros, um jovem professor e activista no passado por direitos que agora vê serem negados bem em frente do seu nariz. Thitinan, professor da mesma geração de Abhisit, lembra que o caso de Chiranuch é a ponta visível de um icebergue volumoso existente em todo o país e representado por tantos outros casos de falta de liberdade de expressão, detenções arbitrárias e medo das pessoas.

Thitinan acaba com um desafio a Abhisit dizendo que o caso Chiranuch é uma teste á rectidão moral do PM.

Entretanto o Abhisit, presentemente em Nova Iorque para participar na Assembleia-geral das Nações Unidas, foi recebido à saída do hotel onde se hospedou por uma manifestação vermelha na qual as pessoas o apelidavam de "assassino", por certo fazendo lembrar as mortes ocorridas durante os sangrentos confrontos de Abril/Maio deste ano em Bangkok. Tais vídeos ou mesmo imagens não foram mostradas na comunicação social tailandesa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Liberdade de Imprensa

"O CRES ataca a Imprensa" é o titilo que se pode ler em dois dos jornais de maior tiragem na Tailândia, o Matichon e o Krungthep Turakij.

Ontem o Coronel Sansern, o porta-voz do CRES, e actual vedeta com direito a capa de todas as revistas sociais e cosmopolitas tailandesas, veio avisar, será a palavra apropriada, os órgãos de comunicação social que o CRES vai estar atento às notícias vindas a lume nos jornais visto que "alguns distorcem a informação e outros ofendem as instituições".

Se o CRES considerar essas notícias ofensivas (sem explicar a clara definição da palavra tailandesa utilizada) os meios de comunicação social em questão serão encerrados e as consequentes acções contra os autores e responsáveis serão iniciadas.

Não se sabe quem são os alvos do "aviso à imprensa" visto a maioria da comunicação social que se pode considerar vermelha, e portanto contrária ao governo, estar já encerrada, mas é possível que seja o Thai Rath, o jornal de maior tiragem no país, que por vezes tenta ter uma linha independente e tem posto a descoberto vários casos que se passam no seio da coligação governamental.

sábado, 19 de junho de 2010

Wassana Nanuam

Wassana é tida por ser a jornalista com maior conhecimento de assuntos militares.

O trabalho principal é feito no Bangkok Post, onde dirige exactamente aquele sector no grupo editorial, mas colabora também com a rádio e com a televisão para além de escrever.

Um dos seus livros mais lidos é uma autobiografia autorizada do General Prem que lhe deu o acesso quer a ele quer aos dados necessários para produzir o texto mostrando assim a sua confiança na jornalista.

Wassana é engraçada pois ela própria parece um militar já que usualmente se veste como aqueles com quem convive no seu dia a dia.

Costuma dizer-se que os militares têm um pacto com Wassana usando a sua posição na comunicação social para transmitir "cá para fora" factos e notícias que querem ver a circular.

Lidar com uma instituição militar tem sempre os seus segredos e procedimentos e até é capaz de ser certo esse pacto, o facto é que Wassana consegue manter sempre uma imparcialidade e sabe muito bem onde está o risco que não deverá pisar sob pena de perder a confiança daqueles com quem trabalha.

Pode dizer-se, e sei que muitos militares pensam o mesmo, que é um prazer conhecer esta profissional e ter o previlégio de a ter como amiga. Sabedora, segura e muito alheia a especulações.

Acontece que o seu estilo mudou. Veja-se este artigo que hoje insere no Bangkok Post com o título que sugere que o exército está no seu ponto mais alto na escala de poder desde os acontecimentos de Maio. Nele Wasana passou de analista e comentadora a simples relatora de factos. Não existe nele uma opinião quando era isso uma das suas grandes forças como jornalista. Apresentar os factos e fazer a sua interpretação de acordo com o vasto conhecimento que tem dos meandros militares.

Por certo que não é alheio a esta mudança de estilo, com a clara perca para o leitor, o facto de ter sido afastada de participar num programa de rádio que vinha realizando há anos. Nesse programa Wassana entrevistava pessoas ligadas ao sector militar e durante o mês de Abril, e já depois dos confrontos sangrentos do dia 10 desse mês, era natural que quizesse ouvir as partes em contenda de forma a poder dar ao público as opiniões daqueles que se opunham nas ruas de Bangkok.

Por decisão do Vice PM Suthep foi afastada do programa pois este não queria ver aparecer na televisão, estatal como todas, vozes que fossem contrárias ao regime.

Para além de Wassana vários outros jornalistas foram, substituidos, transferidos, afastados, enfim, impedidos de fazer a sua actividade pelo facto de estarem a tentar trazer para o ar e para a informação ao público vozes das duas partes que se confrontavam.

Triste. Necessitamos de ter a pena e a voz de Lek, o nome porque Wassana é conhecida pois é pequena de estatura, aptas a continuar a dar a todos a sua visão privilegiada que o conhecimento de tantos anos de contacto e vivência com os militares lhe permitiu acumular.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Informação e Comunicações

O Ministério da Informação e Comunicações acelerou a sua acção contra sítios de internet considerados uma ameaça á segurança do país, assim foram considerados todos aqueles que emitam opiniões tidas por difamatórias sobre a monarquia.

Para o efeito foi criada uma task force cujos serviços foram dotados com mais equipamento e pessoal através de um orçamento suplementar especial que foi concedido pelo cabinete.


Esta task force deverá ter atingido os seus objectivos de limpar o espaço cibernético dessas ameaças á segurança nacional num prazo de três meses. O ministro Juti Krairikish afirmou ter o seu ministério encerrado até ao momento 43.000 sítios tidos por difamatórios.

A continuar neste ciclo iremos ter, à semelhança do que aconteceu recentemente na China, uma guerra com os grandes nomes do mundo da comunicação como a Google, Microsoft, Facebook, YouTube, etc. Recorde-se que os dois últimos sofrem ocasionais "saídas de cena".

O ministro afirmou entretanto que as empresas do sector que se recusarem a colaborar nesta campanha verão os seus escritórios encerrados e os seus bens apreendidos para posteriores investigações.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Imprensa Estrangeira

A Imprensa estrangeira tem sido alvo de grandes ataques pela "distorção" dos seus relatos durante os confrontos entre vermelhos e forças do governo em Bangkok.

A CNN tem sido o alvo principal e formaram-se inclusive "milicias anti-CNN", vá lá saber-se com que intenção, mas vários outros orgãos de informação (ou desinformação na visão de outras pessoas) também estão na mira.

O Korean Times que publicou o cartoon abaixo vai por certo engrossar o número dos jornais non gratae para certos tailandeses.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

The Nation

Hoje o The Nation traz na página 16A, ocupando mais de meia página, a lista das pessoas contra os quais foram emitidos pelo tribunal mandados de captura, na sequência dos acontecimentos recentes, com um título a grandes letras "WANTED".

Depois desfilam as fotografias de 16 procurados e mais três nomes sem fotografia.

Pretende por certo ser uma informação para o público mas prima pelo mau gosto.

Dos 19, 7 estão detidos pela polícia 11 não se conhece o paradeiro e 1 morto. Estão actualmente detidos, como pertencentes á liderança da UDD, de acordo com a lista fornecida pela polícia, um conjunto de 21 indivíduos dos quais só 5 se encontram na lista produzida pelo The Nation.

Para além desta confusão é extrememente desagradável e um péssimo serviço de comunicação ver a cara do Major-General Khattiya Sawasdipol, aka, Seh Deang, como procurado pela polícia, como se todos não o tivessem visto a toda a largura da primeira página do mesmo jornal após ter sido abatido por uma bala que nunca se saberá de onde veio.

sábado, 24 de abril de 2010

A Distorção da Informação

Acabei de fazer a minha revista matinal da imprensa e fiquei boquiaberto, embora talvez o não devesse, por ver que o The Nation alterou uma notícia que ontem mesmo publicou.

Como referi ontem o General Apichart falando sobre os acontecimentos de Silom, disse que já tinha havido "soldados contra soldados e soldados contra o povo e isso não era admissível". O que disse era de grande sensatez e apelava à calma e ao diálogo.

Hoje essa frase está apagada do mesmo artigo. Alguém mandou usar o lápis vermelho.

Há tempos uma jornalista minha amiga tinha estado comigo num certo evento e quando no dia seguinte vi o que ela tinha escrito comentei com ela que afinal tinhamos ido a sítios diferentes pois não revia no que ela tinha escrito o que nós ambos tinhamos presenciado. Ela mandou-me então o texto que tinha escrito e entendi a forma como tinha sido censurado pelo corpo editorial. Isso passou-se no Bangkok Post.

O governo decidiu fechar a Televisão dos vermelhos, vários sítios de web e rádios por "distorcerem a informação". Porque não fecha também estes dois jornais? E já agora os canais de televisão que controla, ou seja todos?

Há cerca de três meses na Universidade de Rangsit dizia-me o Dr. Panittan que um dos erros do governo era não ouvir os Camisas Vermelhas pois, ainda segundo ele, nem todos os pedidos deles estavam errados. Veja-se como o senhor mudou em tão pouco tempo, já que ele é o cerebro por detrás de muitos destas decisões. As suas teorias sobre segurança e os cenários que traça, a matéria em que se doutorou, cada vez estão mais próximas de algumas que vimos na Europa nos anos 30.

Assim se presta mau serviço ao país assim se contribui para a divisão. Quando se deve trabalhar para restabelecer a união e preparar o futuro porque se faz o contrário.

Há alguns que julgam ser os "donos da verdade" e têm um ego superior ao tamanho de um elefante mas o com cerebro de uma cobra.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Liberdade de Expressão


A organização RSF - Reporters Without Borders - elabora o indíce da liberdade de imprensa no Mundo onde a Tailândia está, neste momento, colocada num lugar muito modesto, 130.

Por certo que o facto dos orgãos de comunicação social, fundamentalmente a rádio e televisão que são aquelas que chegam a todo o lado, estarem na sua maioria na mão dos militares e de estes exercerem um controlo muito apertado sobre todas as questões que não lhes sejam favoráveis tem profundas implicações no julgamentos que os profissionais da comunicação fazem do país.

A comunicação social escrita é contudo mais livre e capaz de esprimir com um muito maior grau de independência o sentir dos diversos grupos na sociedade.

terça-feira, 10 de março de 2009

Pressão sobre os Democratas


O PAD decidiu no final da semana passada criar um Partido político, a Vela da Correcção (numa tradução livre de Thien Hang Tham-THT). Esse Partido rejeitará doações vindas de empresas só aceitando contribuições dos militantes aos quais vai pedir 100 bath por mês. Estranho que durante os 193 dias da campanha de 2008 os principais contribuintes para a sua luta tenham sido empresas, para além de altas individualidades interessadas em ver o movimento derrubar o "regime de Thaksin".

O General Chamlong será o seu líder e apresentarão ao país um programa o que está a criar grande expectativa visto, finalmente, a "Nova Política" que sempre apregoaram e defenderam vai ser explicada. Chamlong declarou que a principal razão para que o movimento se transformasse em partido, o que sempre tinha sido reclamado e sempre negado, é porque o Governo não está a actuar e não está a mostrar agradecimento pela forma como o PAD ajudou a colocá-los no poder(sic). Suthep o braço direito de Abhisit veio a lume dizendo que os Democratas nada devem ao PAD e negou que exista algum conflito com o PAD na sequência da acusação que estaria por detrás dos mandados de captura emitidos, mas adiada a sua execução contra os líderes "amarelos". Para se ver como a justiça tem ritmos diferentes, alguns elementos da UDD que no passado dia 26 de Fevereiro, aquando do cerco à Government House, atacaram um polícia, estão já atrás das grades. Viva a igualdade de direitos!

A partir deste momento os Democratas, e num futuro processo eleitoral terão a competir nas mesmas águas o PAD ou THT, o que irá ser um problema sério para as suas aspirações para além de este desaguisado entre pares poder trazer de novo o PAD para as ruas. Alguns crêem ver neste movimento uma forma de fazer com que o Governo pressione o sistema judicial para que ele seja ainda mais lento do que tem sido até aqui com o PAD ou mesmo deixe cair, como um dos seus Ministros já disse, as queixas contra o movimento pelos prejuízos descomunais que causaram ao país.

Por outro lado a nova tática da UDD de levar as suas manifestações para a província, multiplicando-se em variadas manifestações, parece estar a dar frutos visto conseguirem muito mais cobertura jornalística, e assim também atrair mais pessoas, para o movimento. Thaksin pelo seu lado continua a manter viva a chama dos seus apoiantes com permanentes discursos e entrevistas que vai dando pelo mundo fora e que sempre têm grande eco nos meios de comunicação tailandeses. Numa das últimas entrevistas disse que até ao final do ano tudo estava resolvida sendo encontrada uma solução para o país onde todos estarão em paz. fez afirmações interessantes como a de que se este PM conseguisse trazer paz ao país e receber o apoio do povo ele, "como um cão que se doma", estaria a seu lado para ajudar a consolidar essa união nacional!!

Para ajudar a pressão sobre o Governo um grupo de grandes personalidades encabeçadas pelo antigo Ministro das Finanças do Genaral Surayud Chulanon (o PM após o golpe de 2006), M.R. Pryidhianon Devakhula, que se tem mantido bastante activo com uma coluna semanal sobre assuntos económicos no The Nation, criou um grupo de pressão, chamado Rak Muang Thai, ou seja "amor pela Tailândia", que pretende vir a intervir na sociedade sem contudo, pelo menos para já se transformar de movimento cívico em movimento político.

O Rak Muang Thai incluí pessoas de todos os espectro políticos, sendo transversal á sociedade, podia dizer-se com amarelos, vermelhos e outras cores, o que pode criar um movimento de grande solidariedade á sua volta. É bom não esquecer que todas as sondagens feitas, especialmente pela Universidade Assumption, sempre apontaram para uma larga maioria de cerca de 2/3 sempre contra as duas principais forças em competição. Os Thaksinistas e os conservadores.

Por outro lado as questões sobre os casos de Lèse majesté estão cada vez mais na ordem do dia e a internacionalizar-se sem que o Governo consiga ter uma posição coerente.

Na sequência do abaixo assinado a ser apresentado ao PM por um grupo de académicos e políticos espalhados por todo o mundo para que a lei seja revista, Abhsit respondeu positivamente dizendo que o gabinete iria olhar para a lei. No dia seguinte uma empresa que tinha um sitio de web onde alojava um fórum de discussão, foi invadida pela polícia que levou os computadores e prendeu a sua Directora, uma professora universitária. Acontece que esse fórum é propriedade de um Senador, meio tailandês meio inglês, irmão do professor Ji Ungphakorn, que se refugiou no Reino Unido após ser acusado do crime de Lèse Majesté devido ao conteúdo do seu livro "Um golpe para os ricos". A empresa tinha sido criada no tempo de Thaksin e era um dos principais fóruns de discussão contra aquele, mas nunca tinha sido objecto de nenhuma acção policial como a que agora aconteceu.

Este caso tocou forte no meio da comunicação social que ontem, entre os próprios jornalistas, o comentava com palavras pouco simpáticas para Abhisit.

É sabido que ataques á comunicação social e á liberdade de expressão deste grupo nunca são bem vindos pela corporação e acabam por fazer ricochete sobre quem inicia os disparos.

Abhisit, já voltou atrás na sua palavras sobre a revisão da lei e veio agora dizer que ela será levada acabo mas, mas e mais mas ou seja que não tem intenção de abrir o debate só que ele está na rua. Amanhã e depois de amanhã há dois importantes eventos em Bangkok, um deles recheado de Embaixadores, em que estes assuntos por certo irão ser discutidos.

Outro facto que está agitar os meios é a visita de Abhisit a Londres em início de Abril. No dia 2 irá ao seu antigo "College" em Oxford proferir uma palestra mas nesse mesmo dia e no mesmo local, Gilles Ji Ungphakorn irá falar, por certo sobre os temas que lhe são queridos o que pressupões uma tarde quente na Universidade. Há quem conspire que os dois se irão encontrar, por detrás das cortinas o que poderá muito bem acontecer, sabendo-se da forma de ser de Abhsit, mas mesmo que aconteça será sempre negado visto lhe ser extremamente prejudicial perante os seus apoiantes nas esferas mais altas do poder.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Liberdade de Imprensa (II)


Este mês de Janeiro tem sido fértil em questões relacionadas com as liberdades individuais.

Até um certo momento o dominante foram as questões económicas e os pacotes apresentados pelo governo, com os aplausos e as críticas que se seguiram - ainda ontem Thaksin numa entrevista televisiva acusava o governo de "lhe roubar" as ideias visto as políticas serem as mesmas que os seus governos tinham posto em prática.

Depois de apresentadas e postas em marcha algumas das medidas do pacote, as questões relacionadas com as liberdades e os direitos humanos têm sido as dominantes desta segunda metade de Janeiro e estão a criar alguma tensão no governo.

Como já referi durante uma semana houve como que fogo cerrado sobre o país começando com o relatório da Amnesty Internacional relativo ao Sul do país, seguido do caso dos Rohynguia que já relatei. Desde Quinta-feira que as principais estações estrangeiras de Televisão têm dado grande relevo a este caso e ao facto de haver fundadas convicções de que a marinha empurrou para alto mar sem condições de salvamento e sobrevivência aqueles que iam dando à costa em Kho Sai Daeng. A CNN apresentou uma grande reportagem feita por Dan Rivers, onde se apresentavam evidências fotográficas e em vídeo de barcos, cheios de refugiados, a serem rebocados para alto mar por embarcações militares.


O governo tem tido uma postura aparentemente bastante correcta tentando chamar os países envolvidos, Bangladesh, Burma, Índia, Indonésia e Malásia, a sentarem-se à mesa para discutir este problema regional e não só tailandês e abrindo as portas a que organizações internacionais possam investigar aquilo que é evidenciado pelos meios de comunicação social e por relatos de testemunhas locais e ainda pela marinha indiana que capturou refugiados á deriva no Golfo de Bengala.

Contudo esta aparente abertura do governo de Abhisit Vejjajiva não tem tido uma tradução em acções concretas visto haver grande, para não dizer total, oposição por parte dos militares que controlam graças à lei de segurança nacional as zonas em questão. O próprio governo tem andado num constante "ping-pong" com a ONU sobre o acesso aos migrantes.

A par das questões dos abusos dos direitos humanos relativas ao tratamento dado aos refugiados outra questão tem estado na ordem do dia como já aqui relatei - a liberdade de imprensa e no fim a liberdade de expressar uma opinião. De novo a edição do The Economist não foi distribuída e há vozes que clamam para que seja bloqueado o acesso ás emissões da BBC e da CNN.

Harry Nicolaides, jornalista e escritor Australiano foi condenado a três anos de cadeia, numa audiência onde foi, humilhantemente, apresentado agrilhoado de pés e mãos a prisioneiros de delito comum. O governo australiano já apresentou um pedido de perdão clamando contra uma decisão que é contrária ás convenções internacionais das quais a Tailândia é signatária embora na maioria dos casos se recuse posteriormente a ratificar. Uma política de duas caras.

É certo que as leis no país proíbem qualquer referência que seja tida por difamatória da monarquia mas nestes casos o que está quase sempre em questão é a interpretação entre aquilo que pode ou não ser considerado difamatório e aquilo que é uma mera opinião, e sabe-se, e a Tailândia sabe-o bem pois como disse aderiu livremente ás convenções que referi, o que é diferença de opinião e o que é difamação.

Sou, pessoalmente, um defensor do respeito pelos outros e só consigo compreender a liberdade quando essa não violenta outros mas sou igualmente pelo diálogo, pelo debate e pela discussão de ideias visto, no meu entender, só assim se consegue evoluir e criar progresso.

Nicolaides escreveu um livro que ao que parece, e segundo as várias informações que consegui, não chegou a nenhum escaparate de livraria e não chegou sequer a vender dez livros. Três dizem uns sete dizem outros! Será que o juri que o condenou foi o único comprador dos exemplares vendidos ou pior do que isso obteve cópias, portanto versões ilegais, para basear a sua sentença?

Parece que o seu conteúdo não deveria ser de grande interesse e foi assim aquilo que se pode chamar um colapso editorial. Agora com a sua condenação o livro navega livremente na internet e é, segundo me informaram, extremamente fácil fazer o download de uma cópia tornando-se neste momento num "best-seller" à conta da publicidade gratuíta que obteve.

Outro professor da Universidade de Chulalongkorn está agora na calha para seguir os passos de Nicolaides, mas esse um velho militante comunista e intelectual de peso na cena académica tailandesa, começou ele mesmo a atacar e os seus escritos, polulam e nascem como cogumelos por toda a parte.

Neste particular é interessante também ver a diferença de comunicação entre aquilo que diz o PM e a sua Ministra da Ciência e Tecnologia, a senhora que tem dedicado o seu tempo todo, numa luta, totalmente ineficaz como já reconheceu, a bloquear sítios de internet. Abhisit disse outro dia que o objectivo do governo não era bloquear esses sítios mas fazer com que os autores desses sítios retirassem as mensagens tidas por difamatórias da monarquia., Entendia o PM que era esse o dever do governo no sentido de defender a monarquia e ao mesmo tempo educar aqueles que tinham uma "visão errada" sobre ela. A sua Ministra pelo contrário continua na campanha do bloqueio, tendo sido encerrados mais de 4.000 sítios mas reconhecendo ela que outros, cerca de 10.000 apareceram posteriormente.

Assim vai o cumprimento das obrigações a que a Tailândia enquanto signatária da Declaração Universal dos Direitos Humanos, se comprometeu logo em 1948 quando se colocou na linha da frente dos países a que ela aderiram.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Liberdade de Imprensa

A Associação dos Jornalistas Tailandeses (TJA) emitiu um comunicado onde considera o ano de 2008 como um pesadelo para o exercício das funções dos seu sócios.

O comunicado refere 10 pontos que passo a transcrever:

1) O assassínio de dois Jornalistas do Matichon mortos aparentemente por causa de artigos que escreveram. Os assassinos continuam por identificar.

2) O contínuo abuso verbal do ex PM Samak perante os jornalistas.

3) O "pedido" de Samak para que os jornalistas alinhassem com o Governo contra o PAD depois da ocupação de Government House.

4) Intimidação verbal e física sobre jornalistas por parte do PAD/UDD

5) O abuso de controlo sobre os meios de comunicação estatais para que servissem os interesses do gabinete instalado.

6) Os ataques violentos por manifestantes às estações NBT, TBPS e ASTV.

7) Acção por parte da companhia Tesco/Lotus contra jornalistas pedindo 100 milhões de bath em virtude de artigos que escreveram.

8) A morte de 6 membros do jornal Thai Rath no Sul do país. Um morto num atentado e outros cinco num acidente quando ia assistir ás cerimónias funerárias do colega.

9) A permanente retirada de programas do ar quando estes não agradavam as vozes dominantes.

10) O facto de os jornalistas que usavam T-Shirts com a frase "Intimidating the media Intimidating the people", terem sido proibidos de estar presentes nas conferências de imprensa do Governo.

A tudo isto há a acrescentar a prisão do jornalista Australiano Harry Nicolaides e a acusação do correspondente da BBC, Johnathan Head, ambos por crimes de lese majeste.

De igual modo a edição do The Economist, um dos mais antigos (Setembro de 1843 sem interrupção) e respeitadas revistas do Mundo, do início do mês de Dezembro que fazia capa com um artigo sobre o papel da Casa Real na actual crise no país, segundo a versão oficial, não foi distribuída visto o importador assim ter entendido.

Acrescente-se a isto o facto de terem sido bloqueados 2.300 sítios na net e o governo estar à espera de autorização do Tribunal, um mero pro forma, para encerrar outros 400.

Hoje mesmo o Bangkok Post no seu editorial e pela pena do seu director lamenta e condena veementemente que a nova Ministro da Informação e Tecnologia, Rananongrak Suwanchawee, tenha anunciado como a sua primeira prioridade a censura da Internet. No primeiro dia em funções a Ministro chamou ao seu gabinete os Directores do Ministério e transmitiu, sem equívocos (nas palavras no editorial) claras instruções sobre o que deveriam fazer nesse sentido. A Senhora Ministro está neste momento a preparar a alteração do Computer Crimes Act de tal modo que permita bloquear acessos sem autorização judicial e solicitou ao governo 92 milhões de bath para estabelecer um war room que permita uma mais rápida pesquiza de sitíos considerados hostís.

No editorial Pattnapong Chantranontwong, apela à abertura de um debate sobre a liberdade da imprensa lembrando que o antigo Ministro também levou a efeito semelhante política com o efeito contrário visto que os sítios de web que foram bloqueados tinham poucos visitantes até ao momento em que os Ministros decidiram "dar-lhes vida" ao apontarem as suas armas contra eles. Ficou claro que muito mais pessoas se interessam pelos conteúdos somente após a "publicidade gratuita" que obtiveram da parte dos governos tailandeses. Esse facto por si mostra que a política carece de efeito e é tão somente usada como publicidade interna e como oportunidade para mostrar que o Ministério está atento "defendendo a cultura e as tradições no país", afirma o articulista.

Pattnapong termina afirmando o cariz fundamental do Ministério como fomentador do desenvolvimento da educação e do conhecimento e que a Ministro faria melhor em criar um método democrático e transparente para todos. Um saudável debate público deve decidir existe um risco real que obrigue a solicitar ao Tribunal um ordem para bloquear um conteúdo (sic).

Vamos lá decidir quem vai levar o Prémio Sakharov, se a Ministro ou o Editor do Bangkok Post!

Uma nota pessoal. Não consegui aceder ao sitio dos Repórteres sem Fronteiras.