Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Abhisit o Ingénuo?

Depois de ter negado, Abhisit veio a confirmar aquilo que todos sabiam, que tinha tido um encontro em privado com o de facto líder do Bhum Jai Thai Party, Nevin Chidchob.

Na realidade no dia 1 de Julho ambos almoçaram na Baan Phitsanulok, um dos edifícios na Government House acompanhados do Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban e do secretário do PM Niphon Prompan. Demasiada gente e num local tão evidente para poder passar desconhecido dos meios de comunicação social.

Mesmo assim Abhisit veio dizer que o encontro não teve nada a ver com a situação política e foi somente uma conversa de amigos!

Vieram agora a lume os temas discutidos durante o almoço:

  1. a possibilidade de se abandonar o plano dos autocarros que o BJTP quer
    levar àvante e que está a causar tremendas dores de cabeça ao executivo
    visto ter ficado claro junto da opinião pública que por detrás do plano
    está o financiamento ao partido de Nevin
  2. melhor coordenação entre os partidos da coligação para futuros projectos
    obviando a que cada um puxe só para o seu lado
  3. aumentar a trasnparência de funcionamento do Governo
  4. a possível remodelação governamental já há muito falada

Se isto não é temas políticos deveremos estar todos muito enganados. A questão que se põe é que uma vez mais Abhisit deixa fugir uma oportunidade de se autonomizar e garantir a clara liderança política. Já no rescaldo dos acontecimentos de Abril onde saiu com alguma imagem de vitória deixou que ela escapasse por entre as suas indecisões em poucos dias. Agora, e depois das sucessivas derrotas de Nevin nas eleições em Junho, Abhisit ganhou outra vez um espaço de afirmação independente mas uma vez mais não consegue avançar sem as muletas que aquele lhe vai chegando.

Outro exemplo desta dependência é o facto de o governo ter anunciado que, Abhisit irá visitar o Nordeste do país, zona não visitado por nenhum PM desde Thaksin, mas irá fazê-lo começando por Buriram, a província dominada por Nevin, uma decisão que está a gerar grande desconforto junto dos Deputados Democratas eleitos naquela região, que se vêem subalternizados em favor de um parceiro menor na coligação governamental. Um dos Deputados acusa mesmo o PM de se afastar dos seus correligionários, ameaçando demitir-se, dizendo que se o PM quer ajudar o Partido Democrata a ganhar votos no Nordeste é com os seus membros que tem de fazer campanha e não com os de outros partidos.

Todos sabem que Nevin é o "charme político" em pessoa e consegue exercer uma tremenda influência sobre os políticos na capital, o que lhe permite os muitos milhões de bath que distribuiu, mas ao mesmo tempo é muitas vezes tido por ser uma enguia das mais viscosas capazes de fugir quando muito bem quer e sem aviso para qualquer dos lados do espectro político.

Não são esses os aliados que Abhisit necessita para levar a cabo a sua política de reconciliação nacional e a tão necessária recuperação económica.

Abhsit com muitas das suas acções tem tentado imprimir um novo rumo, mais claro e mais transparente, à forma de razer política mas é por demasiado ingénuo (será que é a palavra correcta) na forma como se deixa, por vezes enredar, em cenários contraditórios.

Em Portugal temos o provérbio "Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és" que define estas situações.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

500 Anos, Tailândia e Portugal

Aproxima-se a data comemorativa da chegada da primeira armada portuguesa a terras do Sião, em 1511, e vão avançando os preparativos para o culminar dessas comemorações. Já há meses aqui relatei a conferência produzida na Siam Society, pelo Professor António Vasconcelos Saldanha, e também a recente visita levada a cabo por vários jornalistas portugueses a convite da Embaixada do reino da Tailândia em Lisboa, a estas terras, de onde produziram bastante material informativo e de grande interesse.

É sempre importante que cada um e todos nós, com a simplicidade do contributo de cada um, em consonância e honorabilidade, de modos e linguagem, continuemos a contribuir para esse propósito.


Ontem realizou-se na antiga capital do reino do Sião, e onde os portugueses aportaram há quase 500 anos, uma importante conferência que o Combustões relatou e documentou com total a propósito e que por isso aqui recomendo, com um obrigado aos organizadores, à Embaixada de Portugal e obviamente ao Miguel.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O Primeiro Semestre

Ri ou Chora

Acabam de ser publicados os números do primeiro semestre na Tailândia e, um pouco como por todo o Mundo, não são nada positivos.

Vamos primeiro aos maus para podermos ficar com um bom gosto na boca no final.

As receitas fiscais tiveram um decréscimo significativo caindo 8,9% no primeiro trimestre e 9,1% no segundo e 15,7% em Fevereiro, 0,5% em Março e 19% em Abril. Refira-se que o ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro

As exportações tiveram igualmente um comportamento bastante negativo com quebras de 36,1% em Fevereiro, 26,8% em Março e 25% em Abril. No sector das receitas as maiores quebras verificaram-se no IVA, com a forque queda do consumo, e mos impostos das empresas devido à menor rentabilidade das suas operações.

O Turismo foi outro sector bastante afectado com quebras de 23,2%, 12,1% e 11,6% comparando com os dados do ano anterior para os meses já referidos. A taxa de ocupação das unidades hoteleiras baixou para níveis que, segundo sei saber, são incomportáveis para uma rentabilidade dos mesmos - 43.3%.

A produção industrial em geral sofreu quedas acentuadas, com relevo para o sector do aço e metais, 36,2% e automóvel, 35,1% mas em contraste o sector do tabaco teve um aumento de 56,3%. Sinais dos tempos difíceis, onde se fumará mais, ou sinal de que a política de combate ao tráfico de produtos ilegais está a produzir frutos? Outro dos sectores de grande importância para as exportações da Tailândia, o sector eléctrico e electrónico, sofreu uma queda de 21%.

A capacidade utilizada do sector industrial desceu para 56,6% comparando com 71,3% um ano atrás. Actualmente quase metade da capacidade instalada está parada ou não produz.

Contudo a taxa de desemprego oficial situa-se nos 1,3% o que parece pouco cível, tendo em vista os constantes layoff que acontecem, mas o facto de não haver um sistema de segurança social, faz com que os desempregados não sejam registados visto não poderem recorrer a nenhum esquema de apoio público. Esse só é facilitado aos funcionários públicos e de empresas estatais, ou então através de esquemas privados normalmente de multinacionais.

Contudo nem tudo é mau.

O país tem actualmente 65.905.410 pessoas das quais só 8,7% têm mais de 65 anos. A taxa de natalidade é de 13,4/1.000 e a de mortalidade de 7,17/1.000, Quase o dobro e dando ao país uma vitalidade para o futuro. A média de idade é de 33,3 anos e existe um grande equilíbrio entre os sexos embora actualmente nasçam mais homens do que mulheres.

O défice público está em níveis verdadeiramente sustentáveis e as reservas são sólidas. quanto ao défice público há que referir que estes dados são anteriores á aprovação no Parlamento, na semana passada, de duas leis que permitirão ao governo contrair empréstimos até ao valor de duas vezes 400 mil milhões de Bath, qualquer coisa como 8,5 mil milhões de Euros o que por certo, a efectivar-se na totalidade, irá afectar sobremaneira as contas públicas.

Um aspecto que em muitos países seria visto como negativo é o facto de 42,6% da população trabalhar na agricultura. Contudo isso não só contribui com uma forte componente para a exportação como é um elemento sobremaneira importante de fixação das populações nos meios rurais embora 33% da população já seja urbana.

O actual governo está fortemente empenhado na recuperação económica do país e os empréstimos ora garantidos no Parlamento serão utilizados em medidas de promoção da economia. Contudo, como se sabe, nem sempre este governo tem tido a capacidade de colocar as suas acções no mesmo patamar das palavras e por demasiadas vezes está tão embrenhado na sua sobrevivência e nas questões relacionadas com as divisões políticas no país para poder levar as suas intenções a bom porto.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Fim de Semana Político


O fim-de-semana ficou marcado por dois importantes acontecimentos políticos.

A manifestação realizada em Bangkok pela UDD que, de uma forma pacífica juntou 30.000 apesar de uma verdadeira tromba de água que se abateu sobre a cidade, solicitando ao governo a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

Tudo coreu sem nenhum incidente, como deve ser, e antes de dispersarem os lideres do agrupamento próximo do fugitivo ex. PM Thaksin, anunciaram para o mês de Julho manifestações por todo o país e que no final desse mês regressarão a Bangkok, para, numa nova demonstração da sua força se manifestarem na Government House, no monumento á Democracia e no Comando do Exército.

Entretanto em Si Sa Ket, uma província no sul do Issan, o Puea Thai, o partido que segue a linha dos anteriores partidos aliados a Thaksin Shinawatra, obteve mais uma esmagadora vitória nas eleições intercalares que aí se realizaram devido á desqualificação do deputado anteriormente eleito.

Esta vitória, por uma maioria de 64% dos votos expressos tem um grande significado visto o anterior deputado pertencer ao partido Chart Thai, actual Chart Pattana Thai, que se viu agora "esmagado" pelo candidato apoiado por Thaksin, ainda que tivesse a suportar a sua candidatura as forças da coligação governamental e toda a máquina do Ministério do Interior.
Em dois fim-de-semana seguidos. O Puea Thai mostrou claramente ser ainda a principal força política na região, porventura no país, batendo os aliados do partido Democrata por margens bastante consideráveis mas ao mesmo tempo dando uma ajuda a Abhisit que deste modo vê os seus parceiros de coligação ficarem mais brandos nas suas constantes exigências devido ao apagar da sua aura.

Contudo hoje surgem rumores, falta ver se se confirmam de que 11 deputados de partidos actualmente na coligação estão de partida para o Puea Thai engrossando ainda mais as suas fileiras e enfraquecendo a coligação no poder.

Por outro lado esta está com a espada sobre a cabeça devido ao largo número de Deputados seus que estão a ser investigados por possuírem acções em empresas concessionárias de serviços públicos o que contraria a Constituição, art. 265, e que, se ficar provado, levará à sua demissão forçada e mais que provável queda do governo de Abhisit.

Interessante que o líder parlamentar do Puea Thai, contrariamente ás solicitações da UDD, disse não exigir a dissolução do Parlamento pois, e segundo ele, este cairá por si mesmo com o tempo e com o reconhecimento de que o Puea Thai é o maior partido na Tailândia e que é este que o povo quer ver a governar o país.

Durante a manifestação da UDD Thaksin fez uma das suas habituais vídeo chamadas apelando à população que o façam regressar à Tailândia pois, segundo disse, não quer morrer no deserto, uma alusão ao local onde actualmente vive, o Dubai. Especula-se que após os sinais dados pelas vitórias eleitorais o Puea Thai vai avançar com a recolha de assinaturas para uma petição de perdão para Thaksin, um processo que a avançar poderá causar alguns embaraços no sistema regente devido ás conhecidas divergências entre membros da mais alta hierarquia do país sobre a personagem.

Entretanto Abhisit ganhos por agora algum espaço de descanso mas o futuro não se apresenta muito promissor para a sua governação.

Mais uma Vítima


Um recruta da base naval de Sathaip foi a terceira vítima fatal do vírus A(H1N1) na Tailândia onde o número de casos conhecidos ontem à noite era de 1.330.

Como é normal nestes casos começa a haver especulação política e o Governo era ontem acusado por um jornal que normalmente lhe é favorável, mas os ventos estão a mudar, de estar a esconder a situação real e que haveria no país mais de 10.000 casos confirmados.

O Ministério da Saúde Pública decidiu constituir uma equipa de peritos médicos em virologia para tentar conhecer melhor o caso do homem de 42 anos que faleceu no Sábado passado.

Os grupos de risco são tidos por serem os jovens, os idosos e as pessoas com doenças crónicas ou debilidades dos sistemas imunológico o que não era o caso do falecido ao contrário da outra mulher que tinha conhecidas deficiências cardíacas

Sábado, 27 de Junho de 2009

A(H1N1) Actualização

Ontem verificou-se o primeiro caso fatal na Tailândia relacionado com o vírus A(H1N1) e o número de casos registados é actualmente de 1.132.

Uma mulher de 40 anos residente em Bangkok foi a primeira vítima e são esperados hoje numa conferência de imprensa do Ministro da Saúde Pública mais detalhes do desenvolvimento da epidemia no país.

Depois de já ter escrito este post o Ministro falou e referiu haver não uma mas duas vítimas. Para além da mulher atrás referida faleceu um homem de 42, ambos em Bangkok. Acrescentou que de todos os caos diagnosticados, cerca de 1.200, só existem 16 pessoas internadas para tratamento hospitalar.

27 de Junho


A panda faz hoje um mês.

Ainda não é conhecido o seu nome pois prossegue a recolha a nível nacional dos postais através dos quais as pessoas estão a votar, mas os felizardos que também nasceram neste dia têm hoje uma oportunidade única de ver ao vivo o mais jovem habitante do jardim zoológico de Chiang Mai.

Até agora a panda só é vista através de um sistema de televisão para proteger a sua privacidade e evitar um elevado nível de stress que pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento.

A pandamania está tão disseminada que em Ayudhya um elefante foi pintado como um panda, visto "o que está a dar são pandas não elefantes" e agora temos Elepandas.

Insólita Tailândia

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Dois Pesos Duas Medidas


Ontem, numa recepção, encontrei um tailandês que é actualmente Professor de Relações Internacionais no centro Burkle da University of California, Los Angeles, UCLA, e perguntei-lhe como é que nos Estados Unidos é actualmente vista a Tailândia.

A resposta foi clara: CONFUNDIDOS

Segundo esse Professor, os americanos não conseguem compreender como é que há um Primeiro Ministro que é condenado, e forçado a demitir-se, pelo facto do seu motorista receber pouco mais de 100 doláres para os ingredientes de um programa culinário que tem na televisão (Samak), e, ao mesmo tempo, os aeroportos de Bangkok são bloqueados durante mais de uma semana causando milhares de milhões de dólares de prejuízo ao país e ninguém é apresentado perante a justiça e responsabilizado acto.

Realmente também eu deveria estar CONFUNDIDO só que, como já disse várias vezes, tudo pode acontecer na Tailândia.

Fios de Ovos Tailandeses


Com a devida vénia a Elsa Resende da Agência Lusa, aqui fica um dos seus trabalhos feito aquando da visita ao país de um grupo de jornalistas portugueses, organizada pela Embaixada da Tailândia em Lisboa.

Portugal/Tailândia: O país dos queques e dos fios de ovos

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - Por "culpa" dos portugueses, os primeiros europeus a chegarem à Tailândia, os tailandeses comem queques e fios de ovos, nome por que são também conhecidos os jogadores da selecção de futebol das "quinas".

Os doces genuinamente tailandeses são confeccionados com arroz e leite de coco.

Maria de Guiomar Pina, filha de uma portuguesa e de um japonês, resolveu baralhar os tailandeses, introduzindo na sua gastronomia doces feitos com açúcar e ovos.

Os portugueses aportaram ao antigo Sião em 1511, quando o governador da Índia, Afonso de Albuquerque, enviou à capital do reino, Ayutthaya, um embaixador, Duarte Fernandes.

Maria de Guiomar Pina pisou território tailandês anos mais tarde, no século XVII, para fugir à perseguição aos católicos no Japão.

Casou-se com o grego Constantino Phaulkon, que se tornou confidente pessoal e primeiro-ministro do rei siamês Narai.

Com a morte do marido, que foi executado por o Sião temer uma tomada do poder por parte da França devido às fortes relações de Phaulkon com o rei francês Luís XIV, a luso-japonesa foi integrada na corte siamesa, onde, nas cozinhas reais, transmitiu a receita dos fios de ovos e queques, que ainda hoje são confeccionados artesanalmente em Thon Buri, numa das margens do rio Chao Phraya, em Banguecoque.

"Os queques apresentam formato semelhante aos nossos [portugueses], sendo o sabor ligeiramente diferente", refere a historiadora Maria da Conceição Flores, autora de "Os Portugueses e o Sião no Século XVI".

Também os fios de ovos, uma sobremesa fina usada em festas e celebrações religiosas especiais, como a ordenação de monges budistas, têm na Tailândia um paladar distinto dos de Aveiro.
"São feitos com ovos de pato e não de galinha", aponta o embaixador José Melo Gouveia .

"E podem levar aroma de jasmim", adianta Ganjanawan Grabgraigaew Cirne, co-proprietária de um restaurante de comida tailandesa em Lisboa que deixou a Tailândia, onde nasceu, para casar com um português com quem vive há sete anos.

Ora, é pelo nome de fios de ovos, "Foi Tong" em tailandês, que os jogadores da selecção portuguesa de futebol, são chamados, conta, por sua vez, Nuno Caldeira da Silva, conselheiro político da União Europeia radicado há cinco anos em Banguecoque.

Mas, se a origem portuguesa dos doces com ovos na gastronomia siamesa é consensual para lusos e tailandeses, o mesmo já não se pode dizer da comida picante.

Para os tailandeses, a malagueta chegou à Tailândia no século XVI pela mão de missionários cristãos portugueses que serviam no Brasil.

O investigador Miguel Castelo-Branco, a residir há cerca de dois anos em Banguecoque onde prepara a sua tese de doutoramento sobre as relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia no período 1782-2009, dá outra versão.

"O picante da comida tailandesa é originário", desde o século XII, "da Índia", aonde os portugueses aportaram três séculos depois, em 1498.

A sua chegada à Tailândia só ocorreu passados 13 anos.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A (H1N1) - Actualização


O número de pessoas infectadas na Tailândia pelo vírus A (H1N1) da presente onda de gripe deve ter neste momento ultrapassado o milhar mas não se registaram até agora nenhum caso mortal ou mesmo de grande gravidade.

As autoridades sanitárias continuam a trabalhar com bastante acerto, nada escondendo e tentando, dentro dos possíveis, alertar as pessoas para os riscos de contaminação a que estão sujeitas.

Ontem na principal base naval, em Sathahip a cerca de 150 km ao sul de Bangkok, sete recrutas testaram positivos e cerca de 200 foram de imediato colocados de quarentena para proceder a testes e obviar a mais contágios nesta célula.

Cartazes, alertando as populações, estão a ser distribuídos pelo país e os hospitais estão devidamente equipados com o antiviral necessário.

Recorde-se que a OMS autorizou a Tailândia a produzir o Tamilflu como genérico podendo assim refazer rapidamente os necessários stocks

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Tensão na Fronteira

Entre a Tailândia e o Cambodja existem cerca de 850 km de fronteira que não estão correctamente demarcadas. Uma das razões para a falta de demarcação é a existência de grande número de minas anti pessoais e as tensões que desde sempre aí se verificaram têm muito a ver com essa falta de demarcação. Acontece amiúde os soldados de um e do outro lado da “fronteira” atravessarem-na sem que tenha plenas consciência desse facto. De igual modo a falta de equipamento e de preparação adequada a isso obriga. Só como exemplo é conhecido que soldados de ambos os lados, sabendo que os seus mapas são duvidosos por colocarem as linhas de fronteira de acordo com a interpretação de cada país, utilizam o Google maps para saber onde estão. Como se sabe esses mapas não só não são objecto de nenhum acordo entre os dois países como não possuem a qualificação de documentos oficiais.


A 15 de Junho de 1962 o Tribunal Internacional de Justiça, numa decisão 9-3, decidiu que o templo da Khao Prear Vihearn pertencia ao Cambodja mas nada foi decidido, visto isso não ser parte do processo em apreciação, sobre os 4,6 km quadrados de terrenos adjacentes ao templo que continuam a ser parte dos territórios em disputa. Com há tempos escrevi é como se o templo, cambojano, estivesse no ar. O Primeiro-ministro tailandês na altura, o Marechal Sarit Thanarat, não queria entregar o templo mas o Rei Bumibol disse que as decisões do tribunal eram para ser acatadas, aliás de acordo com a estrutura de pensamento do Rei, um defensor da lei e da sua respeitabilidade como muitas vezes tem demonstrado. No dia 2 de Julho o Primeiro-ministro numa mensagem ao país através da televisão aceitou a decisão judicial e fez as tropas tailandesas saírem do templo.

No que respeita às questões fronteiriças foi constituída em 2000 uma comissão mista a Joint Boundary Commission (JCB), com o objectivo de proceder à demarcação das linhas de fronteira entre os dois países. Passados 9 anos a JCB não consegue ter nenhum avanço nos intentos para que foi constituída apesar das inúmeras declarações de boas intuições políticas de ambos os lados e no que respeita ao templo nem mesmo conseguem sair da simples elaboração daquilo que podem discutir visto não acordarem no nome do templo que, embora praticamente diferente, tem duas fonéticas diferentes para cada uma das línguas.

Na semana passada mais uma vez se ouviram discursos políticos de amizade, cordialidade e intenção de encontrar uma solução política e pacífica para o problema. Na visita que Abhisit fez a Pnhom Penh tudo correu em grande harmonia tendo inclusive o PM tailandês devolvido ao Camboja várias estátuas Khmer que tinham sido em tempos trazidas por soldados tailandeses para o país.

Acontece que ao regressar a Bangkok Abhisit declarou à comunicação social que a Tailândia iria solicitar à UNESCO, na sua reunião em Sevilha no próximo dia 15, que revisses o processo do templo e retirasse a classificação de Património da Humanidade que está em curso de confirmação.

Foi o suficiente para atear de novo a fogueira com declarações explosivas de parte a parte embora a Tailândia diga que a questão não é com o Camboja mas com a UNESCO. Fortes contingentes de forças armadas foram enviados para a fronteira pelas duas capitais e a qualquer momento poderão haver novos conflitos sendo que desta vez, segundo afirma o Chefe do Comando cambojano no local, a presença de tanto armamento pode levar a que os confrontos tomem uma proporção muito superior aos do passado ano onde cerca de 12 soldados de ambos os lados morreram.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

As Eleições em Nakhon Sakhon


A vencedora

Ontem realizaram-se eleições de extrema importância para entender os próximos passos no panorama político na Tailândia.

Em Sakhorn Nakorn สกลนคร uma das províncias do Nordeste tailandês, o Isaan, a terra sempre leal a Thaksin e onde ele encontra o maior eco para a s suas palavras realizaram-se ontem eleições intercalares devido à desqualificação de um Deputado pertencente ao Puea Thai.

O Bhum Jai Party de Nevin Chidchob, empreendeu a fundo nesta campanha vista como o primeiro passo para uma possível substituição do poder de Thaksin nesta importante parte do país.

Desde sempre o Norte e o Nordeste têm sido fiéis a Shinawatra e é aqui que as suas políticas de aproximação ás populações mais se fizeram sentir. Logo após a sua primeira vitória eleitoral Thaksin entendeu que teria de ter um seguro controlo dessas grande maioria de votos no sentido de assegurar uma maioria confortável que lhe permitisse levar a cabo as suas políticas. Assim implementou medidas dirigidas ás populações rurais satisfazendo os seus anseios o que eles mais tarde retribuíram dando-lhe a maioria absoluta.

A ligação de Thaksin às populações rural não se apagou e quando há cerca de um mês me desloquei a Khon Kaen, a capital do Issan do Norte, se assim se pode descrever a cidade, pude constatar, e mesmo pela boca dos seus adversários políticos, que Thaksin continuava no coração das populações.

Assim aconteceu ontem apesar de todos os esforços levados a cabo por Nevin e seus homens, quando a candidata do Puean Thai Party obteve 68,6% dos votos expressos dando uma inequívoca vitória ao fugitivo ex Primeiro-ministro.


Os derrotados

Na próxima semana haverá eleições em Si Sa Ket, na parte Sul do Issan, numa província de fronteira com Buriram, a terra de Nevin, mas é crível, agora, que o cenário não se altere. O Bhum Jai Thai Party, apareceu perante as câmaras de televisão com caras de grande derrota e terão agora de repensar a estratégia já que ficou claro que o seu desejo de ser a força dominante na região, que tantos deputados elege, não passa, por enquanto, de um sonho.

Para além do facto de o partido de Nevin ter que retirar para reflectir, há muitas outras implicações que estas eleições mostram. Contrariamente ao que se poderá pensar Abihsit deverá ter ficado satisfeito com a derrota do seu parceiro de coligação visto isso fazer baixar o seu poder negocial e poder ajudar à solidez do governo já que parece evidente que se a coligação se desfizer e for necessário avançar para um cenário de eleições antecipadas a coligação no poder sairia derrotada e o thaksinismo regressaria ao poder.

Contudo como sempre a imprevisibilidade é o factor dominante na Tailândia e poderá que a sentir-se derrotado Nevin eleve o seu tom de voz requerendo mais apoios para os seus Ministros nas questões orçamentais visto lhe poder parecer necessitar de mais dinheiro para as lutas eleitorais. Nevin é grande admirador da velha frase de que em política não há amigos mas também não há inimigos e os meus "inimigos" de hoje poderão ser os meus parceiros de amanhã. Assim poderá muito bem regressar ao lugar de onde partiu para ajudar a formar uma coligação com o Puea Thai se isso conseguir negociar e se mostrar necessário àquele partido para liderar uma coligação.

Existe outro factor a ter em conta que é o facto de actualmente 44 Deputados da coligação no poder estarem a ser investigados por violação de um preceito constitucional referente à detenção de acções em companhias concessionárias de serviços públicos. Se tal se provar, o que pode levar algum tempo mas é uma espada que enfraquece a coligação como já reconheceu Abhisit, isso levará à queda do governo por falta de base de sustentação no Parlamento e por tanto eleições.

Neste primeiro encontro que opôs Nevin e Thaksin, o último mostrou que ainda é aquele que mais sabe fazer política no país e derrotou o primeiro por KO técnico logo no primeiro assalto. Thaksin, para mostrar a sua real ligação ao povo e ás suas estruturas telefonou directamente para os telemóveis dos kanmam, semelhante aos presidente de câmaras, para assegurar o seu apoio à candidata do Puea Thai. Nevin fez campanha à antiga, distribuindo dinheiro e levando os pesos pesados a comícios mas os votantes já experimentaram a realidade Sginawatra a por agora essa chega-lhes.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Coligação no Poder

Os rumores que correm há bastante tempo sobre a insatisfação que se vive na liderança do Partido Democrata face aos permanentes obstáculos que os parceiros na coligação colocam à liderança, vieram hoje a público através de um artigo num dos jornais locais .

O mais falado caso é o dos autocarros para a cidade de Bangkok, no qual o Ministério dos Transportes, controlado pela facção liderada por Nevin Chidchob, pretende levar a cabo uma operação no valor de cerca de 1,4 mil milhões de Euros para fazer o leasing de 4.000 autocarros, operação que é mais do que cinco vezes o valor de aquisição dos referidos autocarros. O Governo, com a ajuda dos media que controla, trouxe o assunto para o domínio público de tal forma que ficou evidente que o partido Bhum Jai queria avançar com este projecto como forma de se financiar para as mais do que espectáveis eleições. Outro dia o líder deste Partido, e actual Ministro do Interior, uma posição chave para controlar o sistema eleitoral, disse, num almoço onde estiveram com seis pessoas, portanto não tão privado como se possa pensar, que assim que sentissem estar em condições para ganhar as eleições deixaria a coligação. Assim se passa a fidelidade dentro do poder.

Outros casos relativos às permanentes pressões exercidas sobre o executivo no sentido de conceder mais fundos a este ou aquele outro partido tem vindo a desgastar o já muito cansado Primeiro-Ministro e a própria governação.

Abhisit tem em geral conseguido ganhar tempo, tentando adiar decisões, criando comissões e comissões no sentido de conseguir, numa política de um passo e meio á frente um passo atrás, levar por diante o seu programa. Muitas das vezes tem encarregado o seu número dois, Suthep Thaugsuban, de ser o mediador de conflitos. Suthep foi o arquitecto, do lado dos Democratas, na formação da coligação e é conhecida a sua proximidade quer a Nevin quer ao Ministro da Defesa Pravit. Acontece agora que começam a aparecer demasiadas vozes discordantes dentro do próprio Partido Democrata sobre a actuação de Suthep pois este é visto como fazendo demasiadas concessões aos parceiros de coligação ao ponto de muitos levantarem dúvidas sobre as reais intenções de Suthep.

Em tempos atrás, e logo após a formação deste Governo escrevi, que Suthep, Nevin e Thaksin têm demasiados pontos em comum e demasiados interesses onde se sentem coligados para que não seja possível uma aproximação ou conjugação de esforços destes três homens para levarem a cabo um projecto comum. Muitas vezes como a história já nos ensinou, os aparentes inimigos figadais acabam coligados “a bem dos superiores interesses da nação” como sempre dizem. Parece-me que a história destes três pode fazer repetir este cenário.

A aprovação de duas leis que habilitam o governo a financiar-se com a emissão de obrigações até um valor de 8,5 mil milhões de Euros, para fazer face á grave crise financeira que o estado enfrenta, ainda veio agudizar mais as divisões pois existe uma percepção de que o governo vai arrecadar “muito dinheiro” e todos querem a sua fatia desse bolo.

Acontece que hoje, no artigo mencionado no início, Abhisit era referido como dizendo estar preparado para seguir em frente com um governo minoritário, ou seja um governo com pouca capacidade de sobreviver no Parlamento a não ser que a parte das forças armadas que o apoia, viesse a ditar de novo regras.

Se Abhisit se decidir por essa via de ruptura com parte ou todos os partidos da coligação (o artigo falava do Bhum Jai de Nevin e do Chart Pattana de Bhanharn), o mais interessante será ver o emergir à superfície da,já conhecida mas sempre negada, divisão no seio das forças armadas.

O Ministro da Defesa, Pravit está claramente ao lado de Nevin, talvez também Prayud Chan-Ocha mas Anupong quererá manter a sua independência e tentar algo por si. Por outro lado os amarelos, que neste momento se encontram fortemente divididos, poderão ter uma oportunidade para se reagrupar não como Partido da Nova Política mas com a sua velha cara de PAD.

Noutro contexto, e possivelmente para desviar as atenções de outras questões Abhisit levantou de novo a questão do templo de Prha Viharn afirmando que a Tailândia irá solicitar à UNESCO a revisão do processo de registo em curso do templo e fez tal declaração no dia imediato ao seu regresso de uma viagem de um dia ao Cambodja, onde tudo “correu num clima de grande amizade”.
Noutro contexto o número de casos de gripe A (H1N1) subiu para cerca de 700 e está espalhada por cerca de 50% do país apesar das autoridades sanitárias estarem em pleno na campanha de informação ás pessoas sobre as medidas de precaução a tomar.

E está em marcha a votação do nome para a panda. para mim seria Lin Ping. Lin o nome da mãe e Ping o do rio que percorre Chiang Mai

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

A (H1N1) - actualização


O numero de casos conhecidos de pessoas contagiadas pelo vírus da gripe A(H1N1) aumentou ontem para 201 depois de terem sido diagnosticados mais 51. Pela primeira vez foram verificados casos em Phuket tendo as autoridades sanitárias procedido à desinfecção das zonas frequentadas pelos infectados.

Mais 8 escolas foram fechadas de forma a evitar o contágio entre alunos.

Domingo, 14 de Junho de 2009

A(H1N1)

É assim que é denominado o vírus que causa a, anteriormente denominada, gripe dos porcos.

Só poderia ser daqueles que não se lavavam pois porcos nem um morreu. Rapidamente a Organização Mundial de Saúde deu-lhe o nome cientifico correcto desta conjugação H1N1 de tipo A.

Recentemente a OMS elevou o nível da situação para o máximo, 6, o que quer dizer estarmos perante uma pandemia de dimensões ainda não calculáveis.

A Tailândia como não pode deixar de ser não está imune e o número de casos que se verificaram até agora atingem os 106 obrigando ao encerramento de escolas devido ao facto de estar confirmada a transmissão entre humanos. Dois casos foram exemplares nessa qualificação. Numa discoteca em Pattya 21 pessoas foram contaminadas devido a um cliente da China-Taipé, que foi confirmado estar contaminado, aí ter estado a divertir-se. Também muna escola em Bangkok um aluno, recentemente regressado dos Estados Unidos testou positivo ao vírus e no dia seguinte 13 dos seus colegas estavam com sintomas de gripe que se confirmou mais tarde ser provocada pelo vírus A(H1N1).

Enquanto a OMS continua a dizer, neste preciso momento em que escrevo, no seu
site oficial que na Tailândia existem 8 casos confirmados, o Ministério da Saúde confirma os 106.

O Mundo tem aprendido, com o eclodir destes fenómenos nos anos recentes que o mais importante é a saúde das pessoas do que os interesses económicos e a Tailândia não tem medo de dar mais uma machadada no seu já tão debilitado sector do turismo, visto o que está em causa é as pessoas estarem bem conscientes da situação, conscientes dos cuidados que têm que tomar e fazer a sua vida normal seguindo as instruções dos serviços de saúde e prevenção.

Todos os dias os serviços responsáveis tailandeses informam sobre a situação e nada tem sido escondido do publico que vai fazendo a sua vida normal mas por certo tenta ser cauteloso em certas situações e tomar as medidas de higiene necessárias para enfrentar a pandemia.

Só assim é que se pode vencer estes inimigos ocultos que atacam as sociedades modernas sem que nós os convidemos a entrar na nossa casa.

Bom trabalho das autoridades e do Governo do país.

Educar e informar correctamente é uma das melhores formas de prevenção nestes casos.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Voar para a Tailândia

A Air Asia, a maior companhia low cost a actuar na região, e uma das maiores no Mundo, acaba de lançar um repto ás autoridades tailandesas no sentido de repensarem a estrutura de custos aeroportuários no país se pretendem aumentar o fluxo de turistas.

A Air Asia actualmente transporta cerca de 24 milhões de passageiros anualmente (para comparação o objectivo da TAP para este ano é de 9 milhões) e é indiscutivelmente o grande operador no sector turístico na região.

Para a TailAñdia são actualmente transportados 5,2 milhões mas Tony Fernandes, o malaio, por certo de origem portuguesa, que é o fundador e presidente da companhia, quer aumentar esse número para 20 milhões em 2013.

Contudo para que tal aconteça e que a Air Asia possa ser o grande veículo dinamizador do turismo na Tailândia, torna-se necessário que as taxas aeroportuárias estejam dentro daquilo que é praticado na região.

Já uma vez aqui referi que aquando da ocupação e encerramento do Aeroporto de Bangkok os principais concorrentes, Hong Kong, Singapura e Kuala Lumpur, ofereceram a muitas companhias condições excepcionais para aí fazerem escala e que muitas delas não regressaram a aterrar em Suvarnabhumi.

Na realidade, e pode observar-se no quadro anexo, as taxas por passageiro na Tailândia, neste caso em Bangkok, são significativamente superiores ás praticadas pelos principais concorrentes fazendo com que os bilhetes de avião para esses outros destinos sejam invariavelmente mais baratos e desviando assim o fluxo turístico para outros países.

Compete ás autoridades tailandesas reagirem com celeridade pois é sabido que quando os operadores turísticos se habituam, e criam canais com um determinado destino, só com alguma dificuldade introduzirão outros destinos.


10 de Junho em Bangkok

Porque o Miguel Castelo Branco fez uma bela reportagem do dia de ontem aqui vos deixo, com a devida vénia, o link

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Panda

A nova casa dos panda com neve para um melhor ambiente



Já gatinha ou já pandinha!

O Ataque à Mesquita

Anteontem, dia 8 de Junho, um número ainda não identificado de atiradores (2-5) entrou numa mesquita em Cho Airong na Província de Narathiwat, sul de Tailândia e matou pelo menos 12 pessoas ferindo ainda outros tantos quando dispararam indiscriminadamente sobre os crentes que assistiam a um serviço religioso.

As três províncias mais ao Sul no país, Narathiwat, Yala e Pattani, são palco de permanentes incidentes violentos, especialmente desde 2004, e já morreram mais de 4.000 pessoas quer em atentados quer em confrontações entre as forças militares e militarizadas e grupos de rebeldes que lutam por um modo de vida diferente, uns e por questões autonómicas, outros. As três províncias são maioritariamente Muçulmanas, cultural e etnicamente muito próximas da Malásia e desde os tempos do colonialismo inglês no Sul. Também a confrontação das forças da ordem e as populações, como o recentemente relatado caso de Tak Bai, tem sido uma das causas não só de mortes mas também da fúria das populações.

Os sucessivos governos posteriores a Thaksin sempre anunciaram intenções de resolver o conflito pela via do diálogo e da integração da minoria budista nos costumes muçulmanos no Sul e dos muçulmanos no geral do pais, mas a oposição permanente dos militares tem sido um obstáculo para tal. Abhisit quando chegou ao poder uma das medidas que anunciou foi a intenção de desmilitarizar o Sul e de criar uma agência civil com coordenação de toda a gestão das questões tendentes a uma melhor integração das sociedades, mas nunca tal conseguiu sair do papel do programa do Governo e das suas boas intenções.

Desde o dia 5 de Junho 19 pessoas morreram na região onde se deu o ataque à Mesquita e mais de 40 ficaram feridas algumas com gravidade. Estes ataques atingem as comunidades muçulmanas e budistas de igual forma e cada vez mais são um desafio entre o Estado em Bangkok e aqueles que no Sul lutam por uma forma diferente de entender as diferenças sociais, étnicas e religiosas. Por detrás disto começam a aparecer alguns sinais do fundamentalismo islâmico que até há pouco tempo estava fundamentalmente ausente no conflito. É sabido que parte de juventude local vai frequentar madrassas no Paquistão e Afeganistão e isso não são sinais positivos para o futuro de um diálogo que se pretende poder vir a existir em breve.

A Tailândia nunca quis “internacionalizar” o conflito tentando mantê-lo sempre dentro das suas fronteiras e as deslocações de diplomatas ao Sul do país deverão ser sempre feitas com prévia autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros mas a falta de um avanço no encontrar de soluções vai pondo em questão essa política de isolamento.

Abhisit com a decisão de Tak Bai e com o incremento dos ataques fica cada vez mais dependente daqueles que ele se queria ver livre ou seja dos comandos militares que, ao abrigo de entenderem existir um estado de conflito permanente na região, obtêm uma lei marcial e um decreto de estado de emergência que lhes permite actuar a seu bel-prazer e sem escrutínio, como se viu na sentença do caso Tak Bai. O controlo de todo o tipo de tráfico que é feito na fronteira com a Malásia é por demais importante para que os grupos que aí actuam, a coberto das autoridades, deixem que os políticos de Bangkok se intrometam nas suas actividades.

Assim vai um conflito sem fim à vista e no qual o grosso das populações só quer é encontrar uma forma de viver a sua cultura e a sua religião ao lado dos outros que são diferentes, mas irmãos.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

A Grande Atracção

No dia 27 de Maio nasceu no zoo de Chiang Mai um panda. Segundo os especialistas é a primeira vez que uma panda nasce em Maio visto o período normal de nascimento é entre Julho e Setembro.

A pequena panda que ainda não tem nome, havendo mesmo um concurso, oferecendo o zoo 1 milhão de bath (cerca de 20.000 Euros) para este lhe ser atribuído, nasceu através da segunda tentativa de inseminação artificial da sua mão, Lin Hui, que está em Chiang Mai ao abrigo de um protocolo com as autoridades Chinesas que emprestaram por um período de 10 anos à cidade do norte um casal de pandas, que é a grande atracção daquele parque zoológico.

Com o nascimento do novo habitante, as filas para visitar o zoo e ver, através de uma câmara, o "rebento" são agora enormes visto este se ter tornado rapidamente na grande novidade.

Variadas foram as tentativas para que o casal de pandas tivesse um filho por meios naturais tendo os tratadores chegados ao ponto de exibirem filmes eróticos de pandas de modo a tentar aumentar a libido do casal mas sem sucesso.

Assim foi recorrido à inseminação artificial e á segunda tentativa nasceu o pequeno panda.

Sabendo-se da fragilidade destes animais imediatamente um grupo de peritos chineses se deslocou para Chiang Mai para ajudar os veterinários e tratadores do zoo a lidar com esta novidade. O facto de ser o primeiro filho de Lin Hui faz aumentar as precauções pois não é sabido até que ponto ela é capaz de tratar da sua filha, visto tratar-se de uma panda conforme confirmou um dos peritos chineses que actualmente está em Chiang Mai.

O nascimento ocorreu na maior surpresa pois o pessoal do zoo não sabia que Lin Hui estava grávida. Se virem as fotos podem constatar que na realidade não se deve notar nenhuma alteração no corpo da mãe, o que eventualmente haverá é alguma alteração nos seus hábitos e comportamentos.

O facto é que a pequena panda parece estar a reagir bem ao ambiente, já se levantou nas frágeis patas e alimenta-se do leite materno embora sempre acompanhada dos cuidados de toda uma equipa que a quer ver singrar na vida.

Apesar da grande turbulência que existe no seio da coligação no poder, com muitos jogos nos bastidores, e da morte de David Carrendine no quarto de um hotel em Bangkok, em circunstâncias pouco claras e muito semelhantes à da de Michael Hutchence, o nascimento do panda, e agora o concurso para lhe dar um nome, são as grandes noticias que trazem os tailandeses agarrados à televisão.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Tak Bai

Tak Bai é uma povoação na província da Narathiwat no Sul da Tailândia, infelizmente celebre pelo incidente que aí aconteceu e que tirou a vida a muitas pessoas.

Em Outubro de 2004, durante a governação de Thaksin Shinawatra, sete pessoas foram mortas num ataque feito pelas forças militares a uma mesquita local. Na sequência dos incidentes seis membros da povoação foram feitos prisioneiros, por alegadamente serem conspiradores e colaboradores dos terroristas, e ficaram detidos na prisão de Tak Bai.

Mais de um milhar de pessoas manifestou-se à porta da estação da Polícia solicitando a libertação daqueles que diziam ter sido presos sem razão.

No dia 25 as forças militares atacaram os manifestantes e procederam à prisão de 1.292 pessoas. De acordo com relatos da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, os detidos foram espancados, torturados, humilhados de variadas formas.

As forças militares decidiram transferir os detidos de Tak Bai para a província de Pattani para um campo militar onde ficariam detidos. Os detidos foram colocados, empilhados uns sobre os outros nos camiões militares em condições sobejamente conhecidas como sub humanas.

Nesse processo de transferência 78 pessoas encontraram a morte por asfixia devido às faltas de condições mínimas no transporte dos prisioneiros numa clara violação de todas as convenções internacionais que a própria Tailândia assinou e aderiu de livre vontade.

Nessa altura o PM Thaksin ainda teve o desplante de dizer que o facto de trem morrido se devia ao facto de se estar em pleno Ramadão e as pessoas estarem mais fracas.

O General Surayud, o PM saído do golpe militar de 2006 teve a honestidade de pedir desculpas aos familiares das vítimas e atribuiu uma verba a cada um dos familiares dos falecidos.

Entretanto os responsáveis pelos actos criminosos que ditaram a morte dessas pessoas acabaram agora, passados quase 5 anos por ser julgados.

E assim se teria feito justiça se não fosse o caso de todos terem sido absolvidos por o tribunal (um claro t pequeno) que os "julgou" durante este tempo todo.

Na sentença pode ler-se o seguinte: os militares e a polícia actuaram de acordo com a lei, utilizaram o seu julgamento para lidar com a situação de pressão e fizeram o seu melhor baseado nas circunstâncias da situação (sic). Na realidade, e ontem dizia-o no Bangkok Post, Voranai Vanijaka, a decisão do tribunal está conforme com a lei visto os militares estarem protegidos pelo Estado de Emergência e leis aplicáveis que lhes dão o poder de actuar sem que sejam feitos responsáveis pelos actos praticados enquanto tal situação existe.

Continua este articulista que a sentença está totalmente correcta de acordo com a lei tailandesa e que os familiares das vítimas poderão, se assim o entenderem, recorrer para o Tribunal Internacional dos Direitos Humanos.

Contudo o articulista deixa um pedido ás forças armadas tailandesas.

Depois de os saudar pelo facto de estarem prontos a defender o país solicita que quando se trata dos compatriotas, e no interesse do povo tailandês, quando se trata de tratar de assuntos internos que o façam pensando nos direitos das pessoas e das populações e que tenham em conta que são irmãos seus aqueles que estão na sua frente. Pode ser que entendam a mensagem.

Quem sai decididamente derrotado desta decisão judicial, que ao menos poderia ter condenado moralmente os autores de tremendo crime já que legalmente não o podiam fazer, é o Governo de Abhisit Vejjajiva que depositava alguma esperança numa decisão que de alguma forma apoiasse a sua intenção de encontrar uma forma de diálogo com o Sul que não passasse pelas armas só como é o que actualmente acontece. Abhisit anunciou no programa de Governo a criação de uma agência, civil, que seria quem iria regular e gerir as questões do Sul. De imediato os militares saíram a terreiro contradizendo a proposta do PM que até agora ainda não foi implementada e que com a decisão de hoje terá enorme dificuldade de o ser. Acrescenta-se que Abhisit perde, através desta decisão e do seu conteúdo, qualquer capacidade de entabular um diálogo construtivo com as gentes do Sul visto poucos irem, por certo, a partir de agora acreditar nas suas palavras.

Um dia triste para a Tailândia


Sábado, 30 de Maio de 2009

Visita ao Nordeste


Encontro-me há dois dias em Khon Kaen, a segunda maior cidade do Nordeste da Tailândia e a terceira no país.

Verdadeiro centro político e económico da bacia do Mekong, ainda que bastante distante do rio, é aqui que a Great Mekong Sub-Region tem a sua base de sustentação e trabalho no que respeita a Tailândia. Igualmente é a mais importante cidade do Economic Corridor West-East, a rede de comunicação projectada e criada com a ajuda do Asian Development Bank que pretende vir a ser o grande corredor para transportes de mercadorias entre a Baía de Bngala e o Mar da China, no Vietname.

Khon Kaen tem por outro lado uma das mais importantes Universidades do país com cerca de 40.000 alunos e 10.000 funcionários nos quais se incluiu uma grande quantidade de professores de línguas estrangeiras. Aqui chegam alunos de todos os países da região, com especial relevo para Birmânia, China, Cambodja e Vietname, que coexistem com alunos de muitas outras nacionalidades tão distantes como Gâmbia e Brasil. Interessante foi o encontro com a Presidente da associação dos estudantes nada mais nada menos que uma brasileira, ou não seja esse povo tão extrovertido em grande contraste com a tradicional timidez dos tailandeses.

Contrariamente ao que se possa entender Khon Kaen é amarela. Amarelo do Rei que não do PAD. A imagem de Sua Majestade está por todo o lado e o amarelo é profundamente usado pelas pessoas e não só às Segundas. Comparado com Bangkok, onde as cores de alguma forma desapareceram, devido ao receio que as pessoas têm de se ver associadas a movimentos políticos que não lhes interessam, o amarelo é a cor dominante.

Por outro lado a cor no coração e no sentimento das pessoas é o vermelho. Também não o vermelho da UDD mas a vermelho do seu mentor, Thaksin.

Contactei pessoas tão dispares como: o Governador, recentemente nomeado para substituir um "vermelho", um dos 111 membros excluídos da política, do TRT de Thaksin, que foi Deputado durante 26 anos e embora impedido de o ser agora continua a trabalhar na sombra, uma militante, com responsabilidades no PAD, o Director do Centro para o Desenvolvimento Social e Económico do Issan, assim é chamado o nordeste, um "Phuiyban", espécie de Presidente da Junta de Freguesia de um concelho limítrofe de Khon Kaen, o Reitor da Universidade e o Director do Centro de Estudos Internacionais, vários professores e alunos e um militante da esquerda, refugiado nas montanhas durante os anos 70 na época da caça aos comunistas.

Todos mostram uma consciência democrática muito mais evoluída do que aquilo que os "iluminados de Bangkok" pensam. Todos têm algum "desprezo" quer por vermelhos quer por amarelos e na essência a luta deles é pela sua terra, pelos valores mais próximos daquilo que é uma vida em comunidade e no fim pela pão para comer no dia a dia.

Amam, uns, e reconhecem-no, outros, o que Thaksin aqui fez, a forma como soube devolver às populações os votos que lhe deram através dos programas de desenvolvimento regional e constatam que a sua figura estará sempre na primeira linha de pensamento dos votantes. O Director da agência para o desenvolvimento, um claro apoiante do PM Abhisit, para além de dele dependente, dizia que Thaksin mostrou ao povo o que eles podiam conseguir com o voto e essa é um legado que retêm.

Também segundo esse senhor um dos grandes trabalhos a fazer tem a ver com o desenvolvimento dos recursos humanos e naturais da região. É necessário desenvolver o sistema educativo e a qualidade dos media, nomeadamente a da televisão, de modo a que as comunidades rurais, a grande maioria da população, tenha acesso a uma informação construtiva e não só baseada nas novelas que sempre passam nos horários nobres. Outra das grandes preocupações é o irrigamento das terras. Como já algumas vezes referi, em muitos pontos da Tailândia no mesmo ano existe seca e cheias não se conseguindo tirar todo o proveito e benefício que a água pode dar para um país onde a agricultura é predominante e um importante elemento contributivo para a economia da país. Mas dizia que nem 1% da verba que necessita tem e por isso se limita a elaborar um plano quinquenal sem ter no fim grande capacidade de o implementar.

Outro aspecto importante dos meus encontros foi o constatar que desde os tempos de Thaksin o Governo tem "desprezado" Khon Kaen com tão poucas vezes que aqui se v~e um seu membro, mas ao mesmo tempo as pessoas não dão grande importância a isso visto estarem mais concentrados na sua região. Não existe uma negação do ser tailandês, bem pelo contrário, não existe uma noção de desinteresse pelo país, mas existe uma forte noção de ser Issan de pertencer a este pedaço de terra, o maior no país, onde as gentes labutam a terra no dia a dia ou "oferecem" os seus filhos para o trabalho que tem de ser feito nas industrias e nos serviços no Sul e que os urbanos não querem fazer.

O "nacionalismo" Issan é uma realidade sem que isso traga qualquer carga de separatismo ou semelhante, e a imagem sempre presente de Rama IX, o Rei deles, isso bem mostra.

Uma das actuais preocupações, pelo menos para a maioria, que não para o Governador que minimizou este aspecto, é o facto de poder haver um retorno de cerca de 200.000 mil pessoas que perderam ou estarão em vias de perder os seus empregos nas fábricas de Chon Buri ou Rayong, ou nos hotéis, restaurantes e bares no Sul devido á crise económica nacional e internacional. Enquanto três pessoas me falavam daquele número o governador referia que o desemprego, devido à crise, afectava 800 pessoas. Não me esqueci de nenhum zero. Foi esse o número exacto que disse e afirmou que o governo da província está a proporcionar treino para requalificar essas pessoas.

No aspecto político vir aqui é confirmar a realidade daquilo que é o sistema partidário na Tailândia. Clubes de interesses e de negócios dominados por uma família que normalmente é a família mais rica na província e que consegue através da compra de tudo e todos colocar os seus homens nos lugares de influência. Em duas palavras é assim que funciona. Thaksin, se bem que seja um dos expoentes deste tipo de fazer política, alterou significativamente a equação quando mostrou aos habitantes das zonas rurais que caso votem num determinado projecto, o dele, conseguem obter o retorno em benefícios pare eles e para a comunidade em que vivem. Foi uma prática de aprendizagem de democracia directa que ultrapassou o velho sistema do cacique familiar para passar a ser o Partido ou ele mesmo o controleiro não de uma Província mas de toda uma região.

As próximas eleições intercalares em meados de Junho em Sakhon Nakhorn, onde consta que Nevin está a apostar forte para sair do seu "ghetto" de Buriran, vão ser um teste para entender se ele consegue ser o novo Thaksin, como penso que quer, ou se o velho ainda vai continuar a mandar. Dizia-me o Phuyaban, aquele que realmente iluminava a cara ao falar de Thaksin: ele hoje em dia não dá dinheiro ás pessoas. Já não precisa pois todos o têm no coração.

Esta é Khom Kaen a cidade amarela, capital do Issan do Norte como Ubon é a capital do Sul e Korat a do Centro.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

A Vela que Ilumina


O PAD decidiu, depois de dois dias de discussões, em constituir um partido político e preparar-se para as futuras eleições. O partido poderá ser chamado, Tien Haeng Dharma, a Vela que Ilumina o Caminho, numa tradução livre, um nome diferente como os seus promotores pretendem que seja a sua política. O nome final será escolhido pelos aderentes entre o já referido e Partido PAD ou Partido da Nova Política.

O partido será subsidiado pela contribuição de 100 bath por mês de cada um dos seus militantes e/ou simpatizantes, contrariamente ao que é normal. Os partidos vão buscar dinheiro aos grandes grupos económicos para o redistribuir pelos seus membros que conseguem ser eleitos Deputados. Noutros casos compra-se o lugar que se pretende como o Secretário de Estado da Agricultura, que ontem se demitiu, por pressões do seu partido, o Bhum Jai Thai Party de Nevin, que disse, com a maior simplicidade, ter pago 100 milhões de bath, € 2,2 milhões, para obter a posição.

O Tien Haeng Dharma, o nome que recolhe segundo relatos o amaior número de adeptos, irá continuar a falar da “Nova Política” que o PAD pretende que seja limpa e capaz de responder perante os eleitores. Esta questão dos eleitores é um dos pontos sensíveis da “Nova Política” pois o PAD sempre se mostrou avesso a aceitar o voto das camadas rurais, a maioria no país, alegando que a sua falta de preparação política e de informação levava a que estivessem fortemente abertos a “vender” o seu voto a quem oferecesse mais dinheiro.

Na realidade esse é um facto na política tailandesa onde a eleição de deputados nas constituições, há também eleições em lista partidária nacional, é feita, não tendo em conta o Partido mas a pessoa que mais garante segurança, ofertas ou outros benefícios para o eleitor. Contudo verificou-se nas últimas eleições, bastantes disputadas e onde muito dinheiro andou de mão em mão, que muitos eleitores se deixaram seduzir pelo dinheiro mas fizeram-no de uma forma mais inteligente, tendo aceitado ofertas de diversos partidos, e no final votavam em consciência. Há um estudo feito pela Universidade Católica (Assunção) que mostra esta realidade a emergir.

O PAD apesar de falar da falta de instrução e informação dos eleitores nunca propôs nenhum programa de educação cívica que permitisse contrariar essa desigualdade, na palavra deles, e unicamente advogou que os votos deveriam ser expressos somente nas listas partidárias e também através de um sistema corporativo em que os diversos sectores profissionais elegessem os seus representantes para um Parlamento misto de eleitos e representantes.

Suriyasai Kantasila o Secretário-geral do PAD e provável secretário do Partido anunciou que o facto do movimento se ter constituído em partido não lhes retira a capacidade para continuarem os seus protestos de rua sempre e quando o entenderem necessário para lutar pelos seus ideais.

Shondi imthongkul será o líder do Tien Haeng Dharma e os jornais de imediato recordam um discurso dele em 2006 quando disse que podiam dar-lhe uma bofetada se ele entrasse na vida política activa. Com a nova moda de atirar sapatos perguntava o jornal em questão quem seria o primeiro a atirar um sapato a Sondhi.

Uma coisa o novo partido tem de diferente, para melhor, em relação à maioria dos outros. Têm um claro objectivo e um programa e não é só um clube de interesses monetários e de distribuição de lugares. Que sejam bem-vindos à luta democrático-partidária que este país bem necessita de debate constructivo para aprofundar os ideais de cada grupo de forma organizada, nos devidos lugares que a Democracia reservou, que não na rua. .

Outro aspecto a realçar nesta aparição, a melhor palavra para associar à vela, é o facto de ser mais uma nota a demonstrar que todos se preparam para as muito possíveis eleições a realizar num prazo curto. O Puea Thai procura um novo líder e está agendada para o dia 31 a sua reunião magna. O Bhum Jai está em marcha acelarada para conseguir o objectivo de ser o partido charneira do sistema político no país (só falta mesmo a amnistia para Nevin ser o candidato a PM), sem o qual nenhum outro partido pode assumir o poder. Os outros partidos mais pequenos estão de igual modo em movimento. Os Democratas pelo seu lado vão assistindo ao fortalecimento de organizações políticas que lhe vão retirar posições, visto concorrerem no mesmo espaço eleitoral, mas com tanto trabalho a fazer para assegurar que o governo e o país subsistam não conseguem dar atenção aos problemas partidários e estão claramente numa curva descendente.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

ASEAN


A Junta Militar da Birmânia acaba de emitir um comunicado rejeitando violentamente a declaração da Presidência da ASEAN, a Tailândia, que no passado dia 18 apelou à libertação da Aung San Suu Kyi e dos outros prisioneiros políticos.

A Junta acusa a Tailândia de emitir uma declaração que não está de acordo com os princípios da associação e viola a soberania de um dos países membros.

A declaração é um facto inédito de luta política entre dois membros da ASEAN. Recorde-se que um dos principiou da associação é a de não intromissão nos assuntos internos dos estados, bem diferente da União Europeia. Contudo o assunto da detenção de Aung San Suu Kyi só com uma visão muito restrita poderá ser considerado um assunto unicamente respeitante ao estado birmanês visto ser uma clara violação das próprias leis do país para além da violação de leis internacionais algumas delas a que o próprio estado está obrigado.

Na recente cimeira da ARF em que estive presente o Delegado da Birmânia agradeceu, como já referi, aos países vizinhos, omitindo propositadamente a Tailândia, China, Índia e Laos, a compreensão para com o processo Democrático em curso (já há quase 20 anos, acrescentaria) solicitando ao mesmo tempo que se tornassem nos arautos desse entendimento perante o Mundo. A China não condenou a prisão de lutadora pela liberdade mas referiu que o processo democrático deveria envolver todas as partes envolvidas nas questões no país, numa clara alusão à exclusão a que a oposição ao regime ditatorial está obrigada.

Teremos agora de esperar pela resposta da Tailândia e ver como se seguirá o diálogo daqui para a frente no espaço ASEAN.

A Irmã da Rainha


Quando Sondhi L deu a conferência de imprensa depois de ter saído do hospital na sequência do atentado de que foi alvo, atacou fortemente Thamphunying Viriya Chavakul que disse estar por detrás da tentativa de o calar para sempre.

A senhora em questão era ou é uma dama de companhia da Rainha e isso fez logo grandes ondas ao ponto de o palácio ter vindo a explicar que uma lady-in-waiting é nomeada por decreto real e não havia nenhum que nomeasse Viriya. O certo é que a senhora é Presidente de várias instituições que têm o alto patrocínio de Sua Majestade a Rainha e a ligação de ambas é evidente em muitos outros aspectos da vida social.

Desde essa altura o Grupo ASTV, proprietário dos meios de comunicação social, televisão e jornais, pertencentes a Sondhi, têm lançado permanentes ataques contra a figura de Viriya.

Recentemente um conjunto de pessoas organizou um almoço de solidariedade com Viriya e logo o Manager, jornal do grupo, atacou todos os presentes e organizdores do almoço denunciando a sua qualidade de apoiantes de quem tinha estado por detrás da organização do atentado ao seu líder.

Acontece que na fotografia que é dada à estampa nos jornais sobre o almoço aparece na primeira fila, e no lugar de mais relevo, Thanpuying Mom Rajawongse Busba Kitiyakara Sathanapong, nada mais nada menos do que a irmã mais nova da Rainha.

Veremos se a famosa lei de Lèse Majesté será chamada a terreiro neste caso ou se ela só se aplica contra os vermelhos como tem sido o caso.

Entretanto o PAD, que este fim de semana decidiu avançar para a criação de um partido político com Sondhi à cabeça, vai entendendo que os seus inimigos estão também dentro daqueles que os utilizaram como tropa de choque contra o thaksinismo.

Sábado, 23 de Maio de 2009

O Julgamento em Insein


O julgamento de Daw Aung San Suu Kyi continua na prisão de Insean o que de alguma forma é identificador da pressão que os ditadores de Napidaw sentem.

Na passada Quinta-Feira três Embaixadores, Rússia, Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Tailândia, Presidente da ASEAN e Singapura o Decano do Corpo Diplomático, tivera a oportunidade de se encontrar com Suu Kyi constatando que se encontrava de boa saúde e com elevado moral. O encontro contudo não durou mais do que escassos 10 minutos.

No dia seguinte o Corpo Diplomático foi igualmente autorizado a entrar na sala de audiências por um breve período, óbviamente num momento em que nada de importante acontecia.

Embora de pouca monta estes passos têm algum significado e, associados ao demorar dos procedimentos, alegando as autoridades de que existem bastantes testemunhas de acusação para serem ouvidas, mostra algum disconforto da Junta e é devido à pressão internacional que se faz sentir um pouco por todo o lado.

Na Quarta-feira, participei na cimeira da ARF, e tive a oportunidade de ouvir quase todos os países presentes condenarem o que se passa na Birmânia exigindo a imediata libertação de Suu Kyi e de todos os prisioneiros políticos como uma condiçao prévia para o apoio da comunidade internacional para aquilo que a Junta chama o caminho para a Democracia. No fim o Delegado da Junta falou.

Começou por explicar os aspectos legais relacionados com a "viloção" das condições de detenção de Suu Kyi para terminar por agradecer aos estados vizinhos, China, Índia e Laos, por compreenderem o processo Birmanês de Democracia e solicitando que fossem os arautos dessa noção junto da comunidade internacional. A Índia trata Burma como o país amigo com o qual tanto partilhamos (sic), o Laos, mais cauteloso, não deixou de mostrar que apoia o processo de "democratização em curso", sem mencionar os prisioneiros políticos, e a China considera que se tratar de um assunto de política interna sem contudo deixar de ter dito que o processo que conduz ás eleições de 2010 só pode ser bem entendido pelo comunidade internacional se nele entrarem todos os birmaneses. A Rússia não disse uma palavra sobre a Birmânia

A Tailândia, que presidia à Cimeira, após a intervençao do delegado da Birmânia, relembrou os delegados que no passado dia 18 tinha emitido um comunicado condenando a detenção e julgamento de Aung San Suu Kyi e apelando à imediata libertação de todos os prisioneiros políticos como o passo fundamental para a reconciliação nacional que todos apoiam.

Apesar de todos estes esforços da comunidade internacional e da possivel visita, ainda por confirmar, do Secretário-Geral das Nações Unidas, que se encontra na região, mais dia menos dia a lutadora pela liberdade e vencedora das últimas eleições será por certo condenada de tal forma que continue afastada dos olhos e dos ouvidos do Mundo. A Junta não se pode dar "ao luxo" de deixar que a liberdade dos seus opositores ponha em questão a vitória que necessitam, e assim garantem, nas eleições de 2010, de modo a preparar a forma como os lideres da Junta, já com significativa idade, possam continuar a enriquecer e a garantir a segurança deles e das suas famílias e a preparar a forma de saída que não os leve à barra do Tribunal Criminal Internacional a ser julgados pelos variados crimes contra a humanidade que tem sido o seu domínio de quase 20 anos.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O Sistema Político

Desde os acontecimentos do início de Abril que lançaram, de novo, o caos sobre o país e na sequência das derrotas de quase todos os actores, os ânimos têm estado bastante mais calmos visto ninguém se atrever a dar mais um passo em falso.

Abhisit, como já referi, aproveitou para lançar um plano de reestruturação do sistema político e de reconciliação nacional, através da propalada amnistia de 220 políticos cujos direitos estão caçados, mas falhou em ambos os seus intentos.

De comissão em comissão o país vai assistindo ao adiar das propostas entretanto feitas no Parlamento.

Neste momento são já sem conta os números de comissões que investigam tudo e todos para não se chegar a nenhuma conclusão. O mesmo se passa com o sistema judicial onde todos os casos continuam por ver o dia em que será realizada a audiência de julgamento. O caso mais saliente é o relativo ao congelamento dos bens de Thaksin Shinawatra que já vai em mais de dois anos. O último julgamento esteve marcado para o dia 15 de Dezembro, o exacto dia em que o Governo da coligação Democrata assumiu o poder. Desde então nada mais se ouviu dizer. Entretanto temos os casos do Santika, do PAD, dos membros da UDD, dos Deputados acusados de corrupção, do próprio Samak, num caso de difamação, dos acontecimentos do 7 de Outubro, do atentado contra Sondhi, da compra das árvores-da-borracha em que está envolvido Nevin, entre outros, etc, etc, etc.

Parece mesmo que estamos em Portugal. Comissões para que nada se resolva e ineficiência judicial com as investigações e os julgamentos a arrastarem-se até ao esquecimento.

Outros como os vermelhos e os amarelos estão num momento de reflexão. Ambos têm marcado para a próxima semana eventos onde irão repensar as próximas acções sendo que no caso do PAD a questão dominante é se deverão ou não transformar-se num Partido Político. Há muitas vozes que estão contra alegando que se o fizerem perdem a sua capacidade de ser uma força capaz de sair a defender os seus pontos de vista da forma que têm utilizado até agora. Na UDD o seu grande empenho é reconstruir a sua máquina de propaganda com uma nova estação de Televisão e novas rádios, visto as anteriores terem sido recentemente encerradas pelo Governo. Por outro lado nota-se um mais claro distanciamento do movimento de Thaksin aliás como era esperado. A UDD pretende representar uma força unitária contra a elite dominante e as forças que a apoiam.

As propostas de Abhisit para rever a Constituição e reformar o sistema político estão claramente em "banho-maria" e já ninguém se lembra do, já expirado, prazo de 15 dias dado aos partidos para apresentarem as suas propostas. Pelo contrário debate-se na comunicação social argumentos a favor e contra a revisão constitucional e a amnistia sem que nenhuma proposta seja avançada por qualquer dos partidos. Em vez de ser fazer política nos locais apropriados, Parlamento, faz-se politiquice, na comunicação social.

Uma das principais questões do falhanço de todas estas iniciativas tem a ver com o sistema político vigente no país.


Os partidos políticos não são associações cívicas de interesses sociais e políticos de cidadãos mas unicamente clubes movidos por interesses económicos e pelo dinheiro do “cacique” local. As eleições têm duas componentes. A lista partidária nacional onde se escolhe o partido e as eleições nas constituições das 76 províncias onde em geral é eleito o/a candidato/a que pelo seu poder e influência é mais capaz comprar votos. Este tem sido um dos cavalos de batalha do PAD, dizendo que o povo se deixa influenciar pelo dinheiro e “vende” o seu voto e por isso deveria haver um sistema de tipo corporativo com uma representação de sectores sociais e não eleição directa. Interessante que esta visão de que o povo é inculto não é acompanhada de nenhuma proposta para que se eleve a qualidade da educação e dos meios de comunicação social como a televisão que durante as horas nobres só passa telenovelas, qual Portugal. O normal de um movimento consciente e interessado no seu povo seria a de propor uma mais extensa e melhor educação para todos e meios de comunicação social que permitissem o povo, sabendo-se a força da penetração da televisão, pudesse estar mais consciente dos seus direitos e deveres como cidadãos capazes de intervir na definição do seu futuro.

Muitas vozes reclamam agora para o retorno da Constituição de 1997, aquela que é apelidada a Constituição do Povo, mas o facto é que não existe mecanismo legal que permita que venha de novo a ser reintroduzida no sistema. As possibilidades de isso acontecer dentro do actual quadro legal existente são menores do que 1% e na realidade só uma intervenção estranha ao sistema democrático, um golpe seja ele de que teor for, poderá suspender o actual texto constitucional e trazer de volta aquele que é favorável ao desenvolvimento do sistema de partidos.

Como Churchil uma vez disse a Democracia é o pior dos sistemas políticos, excepto comparando com todos os outros que já foram experimentados. E essa sem Partidos Políticos fortes, ideológicamente identificáveis, limpos e capazes de verdadeiramente representar os interesses dos cidadãos não é possível. Democracias baseadas no dinheiro, como aqui, ou em partidos únicos como em vários dos estados vizinhos não são salutares.

A Tailândia tem direito a ter o seu próprio entender de democracia mas quando aqueles para quem ela deve servir forem não os beneficiários mas as vítimas esse sistema estará errado.

Não se entrar numa via que tenha em conta os interesses, reais e legítimos dos cidadãos, será sempre uma derrota mesmo para aqueles que pensam estar a ganhar.
Abhisit já mostrou por várias vezes querer tentar dar um novo rumo ao país mas os “partidos” que existem no sistema político não estão aqui para isso.

Abhsit é um extemporâneo. Chegou ao poder talvez uns 10 anos cedo demais.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Daw Aung San Suu Kyi

O dia 27 de Maio aproxima-se e com isso aumenta a pressão sobre a Junta ditatorial que controla Burma para dar uma resposta ao Mundo sobre a detenção de Daw Aung San Suu Kyi.

Contráriamante ao que se pode pensar a Junta Militar preocupa-se em tentar dar ao Mundo a ideia de que obedecem a lei do próprio país de tal modo que possam responder nos forum internacionais em que ainda têm assento que são um país que obedece as próprias leis e que a lider, democráticamente eleita em 1990, infringiu uma qualquer lei mesmo por mais pequena que essa infração seja.

Estando prestes a terminar o prazo legal para manter em prisão domiciliária a combatente pela liberdade em Burma, a Junta teria de encontrar um motivo, legal como espliquei, de a manter silenciada e fora dos olhos do seu povo.

Ainda sem se entender muito bem como aconteceu, as próprias autoridades americanas não estão 100% conhecedoras dos factos, um cidadão americano de nome John William Yethaw, nadou até à casa de Daw Aung San Suu Kyi, onde se manteve durante dois dias embora esta tenha pedido que ele regressasse a donde tinha vindo.

A história deste cidadão é ainda uma incógnita embora se saiba, e a Junta sabia-o, que no ano passado ele fez o mesmo tendo sido apanhado pelas forças de segurança. Várias perguntas andam no ar: porque é que lhe foi de novo concedido um visto para entrar no país apesar do conhecimento do incidente do ano passado? Porque é que as forças de segurança que rodeiam a casa da lider Birmanesa para impedir exactamente o seu contacto com o Mundo não conseguiram detectar e prender o ameriocano? Qual era a sua inteção ao tentar entrar em contacto com Daw Aung San Suu Kyi? Como é possível que tenha tirado uma fotografia a si mesmo na prisão e ela tenha sido enviado para o exterior?


Preparado pela Junta ou sendo uma mera coincidência que caíu do céu para os ajudar, o facto é que Suu Kyi é agora acusada de violar o regulamentado sobre as condições de prisão domiciliária, não receber estranhos sem autorização da Junta, e irá ser julgada na próxima Segunda-feira ao abrigo do artigo 22 da Lei de Segurança Nacional que a condenará, estou quase certo disso, a uma pena que vai de 3 a 5 anos de cadeis e a uma multa de 5.000 Kyat ou seja 5 US dólares. Esta multa pode ser em alternativa á pena de prisão ou será aplicade em acomulação se for julgado que ela actuou com intenção de violar a lei, o que por certo vai ser provado.

É essencial para a Junta encontrar um meio "legal" para manter Suu Kyi calada e fora dos olhares do povo pelo menos até após as eleições (?) que se irão realizar em 2010, provávelemnte em Maio. Nessas eleições ela não poderá ser candidata visto a lei estipular que uma pessoa que seja ou tenha sido casado/a com um estrangeiro está imediatamente excluído/a de participar.

Daw Aung San Suu Kyi é o símbolo da luta do povo de Burma pela liberdade, é aquela que é utilizada como a bandeira dessa luta, quer nacional quer internacionalmente. Afirmam muitos que ela é o elemento aglutinador das muitas etnias existentes num país tão vasto e tão diverso, sainda que tal seja um ponto bastante discutível, mas o facto é que a Junta não a pode deixar falar visto na sua maíoria o povo seguirá os seus ideais. Assim foi em 1990 quando foi a vencedora das eleições e assim tem sido sempre que, ainda por breves momentos a sua figura frágil é vista ou ouvida pelo povo.


Entretanto a NDL (National League for Democrcy), o seu Partido, apelou hoje em Bangkok à comunidade internacional para que não deixe Aung San Suu Kyi só e pressione a Junta para a sua libertação bem como a de mais de 2.000 prisioneiros políticos que estão nas prisões no país.

Numa conferência de imprensa Nyo Ohn Myint, o lider do Comité de Assuntos Externos, fez esses apelo ao mesmo tempo que reiterava a oferta do Partido para um diálogo capaz de iniciar o verdadeiro processo de reconciliação nacional. Afirmou estarem abertos a concessões, embora não se esquecessem dos rsultados das eleições de 1990 que venceram, mas abertos a encontrar um processo para que todos possam participar na verdadeira unificação e pacificação no país. Esta não é uma proposta nova mas sempre que é apresentada recebe um não rotundo do poder em Napidaw.

O apelo à comunidade internacional. ASEAN, UN, USA e UE, é no sentido que de seja convocada uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir e decidir sobre acções a tomar no caso da Junta continuar a prosseguir com a ilegal de detenção da lider Birmanesa.

A ASEAN tem uma política, bem clara na Charter e bem assimilada pelos seus líderes, daquilo que são "assuntos internos". Hoje Abhisit Vejjajiva, PM tailandês e Presidente em exercício da ASEAN, manifestou a sua preocupação sobre a detençao de Suu Kyi mas mais longe foram a Indonésia e a Malásia que a condenaram. Um MP Democrata com quem falei esta manhã manifestou que o seu Partido era muito lento no processo de tomada de decisões e que por certo não conseguiriam tomar, como deveria ser, a liderança no seio da ASEAN neste assunto e ficava feliz pelo facto da Indonésia, visto hoje em dia, após a pacificação dos conflitos nas suas regiões com processos separatistas, como um exemplo de boa conduta democrática na região.

Os Estados Unidos e a União Europeia emitiram comunicados condenando a possibilidade de Daw Aung San Suu Kyi vir a ser condenada por factos alheios á sua conducta e solicita ao Governo de Burma a libertação da Líder bem como dos outros prisioneiros políticos e a entabulação de conversações para iniciar um processo de reconciliação nacional.

Resta ver agora se até Segunda-feira as Nações Unidas vão tomar alguma iniciativa e se tal acontecer qual vai ser o papel da China e da Rússia os membros do Conselho de Segurança mais habituados a vetar propostas sobre Burma. Recorde-se que ambos este países já solicitaram a libertação da Prémio Nobel da Paz anteriormente e por isso estarão sobre alguma prssão para não modificarem as suas posições mas poderão encontrar alguma forma de não ser penalizantes em relação á Junta.

China, Rússia e a Índia, os poderosos vizinhos e clentes do gás e de outros produtos de Burma, são países inconornáveis em qualquer solução neste país. A ASEAN, especialmente após o papel desempenhado no apoio e comando das operações pós Nargis, vem-se mostrando igualmente uma importante força mas as oposições, não expressas mas conhecidas, como as vindas do Vietname e de Laos tornam difícil qualquer posição política condenatória

A Tailãndia como o principal vizinho e também como um importante cliente do gás poderia também ser mais activa no processo. A preocupação mostrada por Abhisit, ainda que seja pouco, é um sinal que há 8 anos, desde os tempos de Thaksin, um amigo da Junta, não se ouvia e por isso tem um sinal mais importante do que o próprio conteúdo.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Visakha


Hoje celebra-se o mais importante dia para a Religião Budista que coincide com a Lua Cheia do sexto mês do calendário lunar.

Relembro, de Luang Prabang, uma das grandes cidades Budistas, apesar de estar situada num pais comunista, o Laos, aquilo que escrevi em 2008 sobre este tão significativo dia na vida de um Budista.

Anteontem as Nações Unidas reconheceram este dia como um Dia da Humanidade numa sessão que reuniu todas as religiões na sede da ONU em Bangkok.

http://www.youtube.com/watch?v=3XfywCpi9xc

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Coroação



Ontem 5 de Maio é o dia em que celebra a Coroação do Rei Rama IX e foi aproveitado mais uma vez pelo movimento Stop Hurting the Country, os brancos, em mais uma referência cromática, para realizar na capital a maior manifestação dos últimos tempos.

Cerca de 300.000 pessoas, de todas as condições e vindas de todo o lado, decidiram, ao mostrar o seu amor pelo Rei Rama IX, dizer a vermelhos, amarelos, azuis e verdes, que o caminho não é aquele que esses têm seguido.

É certo que nada está resolvido, nada está esclarecido e muitos dos que andaram ali ao beija mão são capazes do pior mas mais uma vez a voz dos silenciados fez-se ouvir e bem alto mesmo sem palanques, sem Sodhis ou Jaturons a falar às multidões que arregimentam.

Da mesma forma que PAD e UDD têm todo o direito de se manifestar, mas devem fazê-lo ordeiramente e sem por em causa os direitos dos outros, aqueles que não têm causa, os silencioso, tiveram, como na Segunda-feira uma nova oportunidade para dizer: Basta.

A luta politica continua e o PM tem hoje um dia bem difícil pois está a preparar o orçamento para o ano fiscal 2010, que começa em Outubro 2009, e o que veio a lume é que os ministérios que vão ser mais afectados nos cortes orçamentais necessários pela contracção da economia, Defesa, Interior e Transportes, são exactamente aqueles que estão mais próximos de Nevin sendo os dois últimos claramente "controlados"pelos seus homens. Não é por certo por acaso que sai, também hoje, nos jornais que numa próxima eleição o Bhum Jai Party de Nevin seria o partido charneira e incontornável em qualquer coligação visto se prever que consiga obter cerca de 100 lugares no Parlamento.

Na mesma página existe um artigo de um dos chief editor titulado Abhisit may not last beyond August. A combinação das três notícias mostra claramente o poder, e o dinheiro, de que o grupo de Nevin está munido e as dificuldades que Abhisit enfrenta.

Mais do que as sondagens que já anteriormente referi, o povo mostra agora na rua, vestidos de branco e empunhando a bandeira da Tailândia, aquilo que quer.

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Outra Cor


Amarelos, Vermelhos, Azuis e Verdes têm tomado conta do nosso dia a dia neste arco-íris político, contudo desde sempre as sondagens realizadas pelos vários institutos demonstraram que a maioria ainda não tinha cor e estava calda como estão quase todas as maiorias: silenciosas.

Desde há meses que havia alguns indícios de movimentos transversais á sociedade capazes de vir a ter uma palavra dominante neste mar de ódios e disputas pelo poder que se tornou a cena política tailandesa.

No passado fim de semana estive no Norte do país e aí pude constatar como as gentes se dedicam á labuta diária tratando da sua vida e de ganhar o que comer, indiferentes a amarelos e vermelhos e desconhecedores de azuis e verdes. Esses pertencem ás elites políticas urbanas e mesmo na província só mesmo em Amphon Muang, ou seja na capital da província, se consegue entender algum interesse, ou conhecimento daquilo que ou por que se batem na capital.

Há cerca de duas semanas dizia-me um político de bastante peso no país que o que acontecia era que aqueles que eram válidos do ponto de visto intelectual ou da sua capacidade democrática ou não estavam interessados em se "misturar" com aqueles que agora estão no poder ou estavam impedidos de exercer direitos políticos. Não se pense que aqueles, entre os cerca de 220 que estão cerceados de direitos políticos, são todos sósias de Thaksin, bem pelo contrário, existe aí gente muito válida a par com algum "lixo".

Mas ontem saiu á rua uma nova cor, a cor da Tailândia o vermelho mas este misturado com o encarnado e com o branco, as cores da bandeira deste país, as cores dos grandes símbolos que os que prezam o seu país trazem consigo. O País, o Rei e o Budismo.


Grande numero de manifestações tiveram lugar em Bangkok pela harmonia, pela conciliação e pela paz política tão necessária.

è bom que estes movimentos se façam ouvir mas de nada servirão se não forem um aporta para a discussão dos problemas do país de uma forma aberta e frontal sem medo dos tabus e com respeito por todos.

É também necessário que as cliques que detêm ou querem o poder entendam e deixem este povo pacífico falar e fazer ouvir a sua voz. O país tem de avançar com liberdade e respeito. O controlo do poder de forma anti democrática e o exercício da autoridade desrespeitadora é sinal somente de fraqueza. Os países só se constroiem á volta de homens e mulheres fortes e conscientes dos seus deveres enquanto cidadãos livres.

Ontem dizia-me um cineasta tailandês que uma vez tinha pedido autorização para realizar umas filmagens sobre os caminhos de ferro na Tailândia. Tinha obtido autorização com a condição de dizer bem deles e do serviço. Assim não. Deixe-se desenvolver as mentes e as consciências.

Vivam as outras cores.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Um Ano

Este fim de semana fez um ano que comecei estes escritos. Um ano 11.400 "bisbilhoteiros" e bastante prazer em escrever e em ser um pouco útil aqueles que tiveram a pachorra de me ler.



Obrigado

Conferência de Imprensa ou Bomba ao Retardador?

A muito esperada conferência de imprensa de Sondhi deu brado e ainda vão haver ecos da sua voz por muitos tempos.

Aconteceu ontem e apontou o dedo, mencionando sem medo os nomes, a três pessoas colocadas em posições de grande relevo: Thanpuying Viriya Chavakul, uma dama ao serviço pessoal da Rainha, ex presidente do Comité das Comemorações das Celebrações do 60 Aniversário da subida ao trono do Rei Rama IX, Presidente de várias associções de caridade em que a Rainha é a patrona, e também envolvida com os serviços sociais das forças armadas. Para além dela o General Anupong Poachinda, o Chefe do Estado Maior do Exército e Prawit Wongsuwon o Ministro da Defesa. Nem mais nem menos!

Sondhi durante a conferência de imprensa nunca nomeou os títulos dos acusados tratando-os sempre por Khun (senhora ou senhor) mas não existem dúvidas que eram estes três titulares de cargos importantes, e não outras pessoas por um mero acaso com os mesmos nomes, que ele queria acusar.

Disseram-me, quem fala muito bem tailandês, que Sondhi utilizou todos os artifícios da língua tailandesa para tudo dizer sem na realidade acusar ninguém. Acrescentam que a conferência foi uma lição de como bem falar. Sondhi, por exemplo, disse que não acreditava que estas pessoas tenham tentado matá-lo visto todos o terem já de uma forma ou outra negado. Terminou dizendo que o que diziam eram presunções pois se fossem factos reais ele teria de estar rancoroso contra essas pessoas mas igualmente as teria já perdoado.

Acompanhado de muitos dos outros lideres, Sondhi depois de nomear aqueles que estiveram por detrás da tentativa de assassinato, referiu ainda que o próximo alvo era o próprio PM Abhisit. Acrescentou ainda que 4 dos 10 soldados que estiveram envolvidos no atentado já foram devidamente disciplinados e a expressão utilizada na tradução a que tive acesso refere "gotten rid of them" o que pode ser interpretado de muitas formas.

Interessante foi a sua declaração de "absolvição" de Thaksin dizendo ainda que ambos têm o mesmo objectivo comum de mudar a situação política no país. É sabido que foram sócios no passado mas os acontecimentos recentes tinham no separado radicalmente tendo Sondhi ajudado a deitar abaixo dois governos thksinistas.

Até ao momento a única pessoa que reagiu foi Thanpunying (um título semelhante ao de Dame em Inglaterra), negando qualquer relação com o caso e dizendo que ela própria quando vai ao Sul do país sento o que é o problema da insegurança e imediatamente ao saber do atentado sentiu grande simpatia por Sondhi. Disse ainda ser uma mulher só, sem marido, incapaz de fazer algum mal a Sondhi e que nunca lhe tinha passado pela cabeça assassina-lo (sic). Acrescentou ainda que a estavam a tentar desacreditar pois tinha referdido recentemente que Thaksin era um leal servidor de Sua Majestade. Os dois generais até ao momento não fizeram nenhuma declaração.

Para terminar a conferência de imprensa Sondhi disse que irai ausentar-se do país por um período pois necessitava de descansar. Irá em peregrinação para a Índia e Nepal e posteriormente para os Estados Unidos, afirmando não querer estar na Tailândia enquanto durarem as investigações no caso da sua tentativa de assassinato.


Logo a seguir á conferência, os outros líderes do PAD realizaram eles próprios uma conferência de imprensa e afirmaram estar o movimento contra a projectada reforma constitucional e a tão falada amnistia dos 220 políticos banidos do exercício dos seus direitos proposta pelo Primeiro-Ministro. De igual modo convocaram para os dias 24/25 de Maio próximo uma reunião dos seus apoiantes para discutir a possível resposta aquela iniciativa de Abhisit.

Mais uma dor de cabeça para o Governo e mais um objectivo para os amarelos lutarem, e o ano passado mostrou bem aquilo de que são capazes.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Os Camisas Azuis

Nevin em Pattaya no dia 10

Hoje aparece assinado por Somroutai Sapsomboon, uma das mais claras e esclarecedoras análises sobre aquilo que se passou durante os acontecimentos de Abril quer em Pattaya quer em Bangkok.

O artigo está no The Nation, como já referi aqui várias vezes um jornal maioritariamente simpatizando com o partido Democrata, o partido do PM Abhisit Vejjajiva.

Há dias escrevi que todos tinham perdido no rescaldo dos acontecimentos de Abril excepto o povo tailandês naquilo que de alguma forma está a ser a criação de uma consciência de valores democráticos e da capacidade de debate, ordenado e respeitador, de questões que a todos interessam.

O que hoje vem a lume é parte também desta, nova, capacidade que se nota nos meios de comunicação social de abordar mais abertamente os problemas do estado. e chamar pelos nomes os diversos actores em cena.



Em Pattaya e a utlização das fotografias reais quando isso convém

Muitos dizem que isto não passa de manobras de informação e contra-informação sendo que neste caso esta seria montada pelos Democratas contra o seu aliado (?) Nevin, o homem mais temido do momento. Outros dizem que neste cocktail de militares e pol+iticos ainnda falta a pessoa do General Prayudh Chan-ocha, ex comandante da 1ª região e actualmente número 2 no Estado Maior.

Desde cedo alertamos para aquilo que se passava na sombra manobrado pelo homem de Buriram. Desde a formação do primeiro gabinete de Samak e ao longo de 2008 Nevin Chidchob foi colocando os seus homens em lugares de relevo e com fortes capacidades de controlo das situações. Seu pai é o Speaker of the House, o nosso Presidente do Parlamento mas aqui com a capacidade de ter um papel de influência no Senado visto o Speaker of Senate ser funcionalmente dependente do primeiro. Por outro lado todos os decretos reais têm de ser ratificados pela sua assinatura dando-lhe deste modo um poder de escrutínio, que, embora não o use, faz com que as decisões quando lhe chegam já foram devidamente lidas e aprovadas pelos seus homens.

Muito provavelmente soldados

Chaowarat, o presidente do Bhumjai Thai Party, o partido de Nevin, é o actual Ministro do Interior um figura chave no controlo das províncias, da forma como os dinheiros lhes são distribuídos, da nomeação dos governadores (muitos foram substituídos por pessoas de confiança desde que está no lugar) e para além disso crucial em qualquer processo eleitoral. Chaowarat, foi o PM interino após a queda de Somchai e foi ele que trouxe de volta para o comando da Polícia Patcharawat, o General demitido e acusado pela sua inacção durante os acontecimentos de 7 de Outubro de 2008. Este mesmo comandante que é o irmão do actual Ministro da Defesa, mais um homem próximo de Thaksin, no passado, e sempre putativo novo PM quando se fala de que um golpe de estado pode acontecer. Outro lugar forte que tem controlado é o do Ministro dos Transportes e Comunicações, o ministério que detêm neste momento a maior fatia de dinheiro para gastar em investimentos em infraestruturas.

Para além dos lugares chaves há ainda as manobras nos bastidores onde Nevin é um perito ou não tenha tido ele o melhor dos professores, Thaksin Shinawatra, o próprio, a quem ele quando dele se decidiu separar chamou "boss".

O movimento azul está em marcha com o claro objectivo de conquistar o poder. Há um obstáculo que Nevin tem de vencer que é o facto de estar banido do exercício de direitos políticos até Maio de 2013, o que na realidade não o tem impedido de actuar como de facto presidente do partido e mantendo grande actividade politica directa. Esse particular os seus homens, Chai, Snoh e outros estão no momento encarregues de encontrar uma solução.

Nevin sabe contudo esperar. Esta é uma das suas qualidades. Como os predadores sabem esperar pacientemente pelo melhor momento para atacar, de um só golpe, a sua presa, Nevin vai construindo a sua teia e um dia as presas lá serão apanhadas.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Visto de Seul

Assim é visto em Seul o panorama político na Tailândia.

Para além da piada do cartoon ele reflecte duas outras realidades: há semanas Thaksin disse à imprensa que era um cão domesticável, mais uma vez tentando atrair alguma simpatia, aqui em Bangkok, para a sua causa tentando ser visto como alguém capaz de ser parta da solução e não parte do problema. Deste modo pretendia afirmar que se o soubessem tratar bem, se soubessem falar docemente com ele, seria capaz de ser fiel ao seu dono como será normal num cão. A outra realidade que o cartoon mostra é a forma como afinal o cão tem de sair do "seu" local, sem honra nem dignidade, acossado por muitos e fustigado por outros tantos.

Como um rafeiro, um cão de rua, Thaksin está neste momento fugindo de canto para canto sem encontrar a saída para os problemas em que se meteu e a notícia hoje vinda a lume de que uma boa parte dos Deputados do "seu" Partido poderiam estar a encontrar uma alternativa política para o futuro deles, embora sendo muito provavelmente uma manobra de contra propaganda, é ao mesmo tempo um sinal claro do moral actual das "tropas" vermelhas.

Essa falada mudança de 110 Deputados da oposição para "um outro Partido", que poderá muito bem estar ligada com mais uma investida de Nevin Chidchob oferecendo largas quantias de dinheiro para fortalecer o seu Bhumjai Thai Party, pode dar uma estocada muito forte em Thaksin e temporariamente nos planos da UDD, embora seja hoje em dia claro que com ele ou sem ele, muito mais provavelmente sem Thaksin, esse movimento irá desenvolver-se de forma autónoma representando sentimentos unitários contra o grupo que está por detrás da coligação no poder.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Vencidos e Vencidos


Depois dos incidentes durante o Songkran, escrevi que o PM Abhisit Vejjajiva tinha uma oportunidade de ouro de poder fazer a diferença e mostrar a sua real capacidade de comando e de liderança política que o país tanto necessita.

Infelizmente isso não aconteceu e aquilo que se pode analisar no rescaldo daqueles acontecimentos é que fundamentalmente todos perderam.

Perdeu a Tailândia porque a sua imagem perante o Mundo saiu chamuscada devido ao facto de ter sido necessário adiar, uma vez mais, as cimeiras da ASEAN. O tecido económico do país afectado, o turismo mais uma vez em perca com os visitantes de novo receosos de demandarem o país.

Perdeu Abhisit pois não conseguiu alavancar a posição que tinha conquistado de alguma simpatia popular pelo facto de ter emergido como vitorioso da crise. Abhisit foi incapaz de avançar com soluções e aquelas que propôs acabaram por ser tomadas em mãos por outros que não ele. para além disso viu-se agora envolvido no estranho caso da morte, ainda por explicar, de um soldado que fazia guarda á casa onde nos dias 12 e 13 se recolheu. Nessa altura Abhisit e Suthep, pernoitaram, em casa do comandante da 1ª região Militar, General Kanit, e um dos soldados que ai se encontrava de guarda enviou uma mensagem à sua namorada dizendo que o PM aí se encontrava. Igualmente estava a falar ao telefone com a sua mãe referindo o mesmo, quando a conversa foi abruptamente cortada. No dia seguinte o corpo dele foi entregue á família com instruções para ser cremado rapidamente e acompanhado de 10.000 bath para o efeito. A família realizou uma cremação fictícia e levou o corpo para ser autopsiado pela maior autoridade em medicina legal no país que confirmou fractura do crânio e várias escoriações no corpo aconselhando que a polícia investigasse. Como se tratava de uma localização do exército a investigação terá de ser feita pela policia militar o que a tornará impossível. Abhisit saiu já a clamar que a morte do soldado foi acidental numa antecipação a qualquer pergunta que lhe possam fazer o que não ajudou nada. Chamlong, o general líder do PAD, ontem numa entrevista a um jornal, e colocando mais um prego no caixão do PM, afirmou que Abhisit não controla nada no comando da nação.

Perderam Thaksin e a UDD visto a forma como levaram a efeito as suas manifestações criaram o caos que ninguém desejava. Até ao momento a sua manifestação tinha sido grande em pessoas e pacifica granjeando simpatias pela forma ordeira como se tinha desenvolvido. Após os incidentes no Songkran saíram perdendo e muito. Thaksin pelo seu lado cada vez mais se vê confinado a ser um homem acossado, agora já sem passaporte tailandês tendo a necessidade de se movimentar de um lado para o outro e com muito cuidado para não aterrar num país que o reencaminhe para a Tailândia onde para além das acusações que já tinha tem agora outros mandados de captura à espera.

Perdeu Nevin Chidchob pois ficou agora claro que o ex mão direita de Thaksin tornado no aliado de privilégio da coligação no poder, esteve por detrás das manifestações em Pattaya e se envolveu com os seus "camisas azuis" nalguns dos distúrbios em Bangkok ajudando a provocar o caos numa tentativa de fazer sair para a rua os "amarelos" para se confrontarem com os "vermelhos". Nevin foi ainda acusado. explicitamente, por Sondhi de ser um dos que está por detrás da tentativa de assassinato contra ele.

Perderam os Militares, e especialmente o seu chefe Anupong Paochinda pois a sua actuação em todo o processo ficou demonstrada ter sido inadequada. Existem registos fotográficos e em vídeo da cumplicidade dos "verdes" com os "azuis" de Nevin quer em Pattaya quer em Bangkok. A utilização da M16 e AK 47 não é compreensível quando o objectivo era controlar manifestações. O facto de Anupong ter admitido, depois de duas negativas de que as tropas podariam ter disparado balas reais contra os manifestantes. O facto de continuar ainda em discussão se houve ou não mortos em virtude da actuação dos militares e finalmente pelo facto, que teve de confirmar, de algumas das balas utilizadas no atentado contra Sondhi serem provenientes do 9º Regimento de Infantaria da Royal Thai Army. Por outro lado torna-se hoje evidente para muitos que Anupong não tem o apoio de todos na hierarquia.

Perdeu o PAD que viu um dos seus mais altos dirigentes ser alvo de um violento atentado e sentindo na realidade que aqueles que os apoiaram durante a cruzada dos 193 dias em 2008 não estão todos solidários com a causa que perfilham. Isso mesmo levou a que Sondhi L. acusasse, para além dos militares e de Nevin de estarem envolvidos no atentado, um Ministro do próprio Governo que era persuposto estar do mesmo lado do que eles. A partir deste momento o PAD terá de rever quem são os seus amigos e quem são na realidade os seus inimigos.

Perdeu por fim a Liberdade visto na sequência dos incidentes, e mais uma vez contra as palavras de Abhisit, forças policiais e do Ministério do Ciência e Informação terem fechado cerca de 6.000 sítios de web, calado centenas de rádios locais e fechado a estação de Televisão que apoiava os "vermelhos", mais uma vez numa política de dois pesos e duas medidas em relação aos grupos em disputa no país.

Contudo neste arco-íris político pare haver um vencedor ou pelo menos um elemento que sai de algum modo fortalecido deste processo e ele é a Consciência Nacional.

Os tailandeses começam a entender que a luta a que a maioria assiste não é uma luta somente entre "amarelos" e "vermelhos". Muitas outras cores estão envolvidas e é hoje claro que as perguntas circulam na cabeça de muitos que antes não prestavam nenhuma atenção a questões de natureza política. os próprios meios de comunicação social mais importantes, aqueles que o poder não consegue tocar pela força que têm, sejam eles em língua tailandesa ou em inglês, começam eles próprios a ser porta estandartes dessas questões que circulam nas cabeças de muitos e muitos tailandeses.

A formação de uma consciência democrática é sempre um longo e penoso processo mas parece estar em marcha num país onde os assuntos de estado estavam até não há muito relegados para fóruns onde os cidadãos não queriam intervir.

O processo de mudança está em marcha.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

A China, a Crise Económica e a ASEAN


Aproveitando a crise económica a China está a lançar uma ofensiva diplomática e económica com o claro objectivo de aumentar a sua, já grande, influência na região.

Estava previsto que durante a cimeira de Pattaya, que acabou por ser cancelada há três semanas a trás, a China apresentasse um plano no valor de 15 mais 10 mil milhões de US Dólares para apoio à região. Embora adiado o pacote de apoio está preparado para entrar em funcionamento a qualquer momento.

Seram 10 mil milhões para investimento directo na região e 15 mil milhões numa linha de crédito aos países da ASEAN para os ajudar a fortalecer os seus laços económicos e apoiar o desenvolvimento de infraestruturas.

Ajudando os países do sudoeste asiático a enfrentar a crise financeira e económica mundial, a China fortalece e defende o seu comércio com a região. Embora também fortemente abalada pelo recuo das suas exportações, a crise na China está a ser de alguma forma contrariada com um grande apoio do Governo chinês ao consumo interno. A economia continua apesar de tudo a crescer, embora a um ritmo mais moderado, mas deve atingir, de acordo com as perspectivas actuais, os 6.1% de crescimento efectivo no final do ano.

No pólo contrário estão Singapura e a Tailândia onde a economia irá ter uma contracção bastante forte em qualquer dos casos superior a 5%. Singapura estará mais protegida, até porque habituada a estas flutuações, devidoà sua dimensão e capacidade política de decisão e enfrentará a crise de uma forma mais suave do que a Tailândia onde não só há falta de direcção política, falta de fundos e a dependência da economia do exterior é bastante grande. Por outro lado as más notícias não param de chegar ao mercado.

A China conhecedora da situação dos países da ASEAN e também sabendo que uma fatia extremamente importante do comércio na região e nesses países é controlada por chineses, quer continentais, quer de Taipé quer da Diáspora, exercendo a sua política de grande pragmatismo decide criar como que um mercado interno de toda esse "mundo chinês" que lhe está disponível.

Aqui na Tailândia os grandes negócios e os grandes grupos económicos estão quase sempre ligados a famílias de origem chinesa que continuam, como em Singapura e na Malásia, a manter fortes laços culturais com o país de sues pais ou avós.

É essa herança cultural que o governo de Pequim quer trazer cada vez para mais perto de si e controlar de uma forma uniformizada.

A crise económica serve assim para fortalecer o já enorme poder do Dragão não só na Ásia mas também para além dela.

É esta e outras iniciativas no domínio diplomático e económico que fizeram Hillary Clinton parar em Pequim durante o seu périplo pela Ásia, sem emitir, aqui, uma única palavra sobre as questões dos direitos humanos na China e faz com que a União Europeia siga uma política semelhante.

O velho império chinês torna-se cada vez mais o pólo do Mundo.

Domingo, 26 de Abril de 2009

São Nuno de Santa Maria


A Igreja acolhe hoje um dos mais nobres filhos de Portugal, Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável e, a partir de hoje São Nuno de Santa Maria ou São Nuno Álvares Pereira.

Já aqui me referi áquele que tenho a felicidade de ser meu padrinho de baptismo e que hoje na Praça de São Pedro será canonizado como o 11º santo português.

"Procuremos conhecer em profundidade o itinerário espiritual do Beato Nuno de Santa Maria! A simples leitura da sua vida é capaz de nos edificar e de fazer crescer como carmelitas e como cristãos!" Estas são palavras de Frei Agostinho Marques de Castro, O. Carm.Superior Maior da Ordem do Carmo em Portugal.
São Nuno, aquele que terá sido o mais poderoso ao seu tempo e alguns mesmo dizem que só não foi ele o Rei porque sempre quis servir aquele que sua mãe lhe indicou, o Mestre de Avis, D.João I de Portugal, foi o mais humilde dos carmelitas quando decidiu recolher-se no Convento do Carmo e aí terminar a sua vida em profunda meditação e total retiro.

Na realidade o novo santo não foi somente aquele que dirigindo as tropas de Portugal venceu os castelhanos em Aljubarrota, foi acima de tudo um muito leal servidor de Portugal, do seu Rei e de Deus. Nunca antes de qualquer das batalhas ou de qualquer dos seus actos de bravura em defesa do seu país e do seu Rei, São Nuno deixava de apelar à Virgem Maria para salvação das suas tropas e para grandeza do seu Portugal.

Dom José Policarpo considera que a partir de agora há muito para fazer, nomeadamente pelos investigadores: "a relação do Condestável com a mãe" será um dos aspectos que o patriarca considera indispensável investigar. “Tudo leva a crer que terá sido uma pessoa marcante na primeira parte da vida de D. Nuno”.

O patriarca admite que faz falta “uma boa biografia” do Condestável.

Em Portugal há um grande desconhecimento sobre aquele que é indubitavelmente tão grande como as maiores figuras da nossa história e todos só ganharíamos por melhor o conhecer devido á sua enorme grandeza moral e humana.

O meu obrigado à minha mãe por ter medado como padrinho, no acto do Baptismo, aquele de que me orgulho muito. Só não me chamo, também, Nuno de Santa Maria porque houve alguém na família que entendeu que tal não era nome de homem, como se São Nuno não tivesse sido ele um dos maiores homens na nossa história.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

O Debate Parlamentar


Quarta e Quinta-feira realizou-se o debate par(a)lamentar que o PM tinha proposto como primeiro passo para se entrar num processo político de reconciliação e se encontrassem portas para sair da presente crise.

Dois dias perdidos. Dois dias em que uma parte, a Oposição, acusou a outra, o Governo, de ter usados meios desproporcionados para resolver a crise, tendo as forças militares disparado sobre os manifestantes, e em que os deputados afectos á coligação e membros do Governo se defenderam e acusaram por sua vez os vermelhos de usarem eles próprios armas.

Vídeos, fotografias, testemunhos gravados, um sem numero de provas de lado a lado para nada se avançar naquilo que era o propósito do debate. A crise política e o encontrar de saídas para o curto prazo que permitam o país voltar à normalidade. Nem mesmo se chegou a nenhuma clarificação de ter ou não havido outras vítimas para além das duas pessoas mortas em confrontos entre populares deixando assim o campo aberto para todas as especulações.


O debate acabou por ser feito mais fora do hemiciclo através das declarações contínuas de Anupong tendo o chefe militar na sua última, já esta madrugada, admitido que os militares pudessem ter disparado sobre os manifestantes mas só em casos de defesa pessoal e de acordo com as instruções de salvaguarda de bens e pessoas. Anupong tem vindo desde ontem a debitar declarações umas atrás das outras e todas elas recuando um pouco mais como já referi.

Também Prem, o chefe do Conselho Privado do Rei, pessoa que nunca intervém em questões políticas como costuma referir, afirmou que rezava para que o Anjo da Guarda do país o libertasse daqueles nacionais que têm intenções de fazer mal ao seu próprio país naquilo que o Bangkok Post titulou de "forte ataque contra Thaksin" .

O debate de alguma forma tinha sido esvaziado pelo próprio PM ao início quando solicitou a todos os partidos com assento parlamentar que apresentassem no prazo de duas semanas as suas propostas de revisão constitucional essencial, no seu entender, para que se possa equacionar um novo processo eleitoral que esclareça de alguma forma o quadro politico-partidário actual.

Recorde-se que Abhisit ainda há pouco tempo tinha recomendado ao prestigiado King Prajadipok Institute (KPI), que iniciasse um processo de revisão do sistema político, como na altura referi, um passo que era visto como uma iniciativa para ganhar tempo junto quer de vermelhos quer de amarelos. Na altura era espectável que o KPI durasse 17 meses a preparar o estudo, mas agora, e segundo as palavras de Abhisit, ficará só com o papel de recompilar e organizar as sugestões dos diferentes Partidos que deverão ser apresentadas em duas semanas. Recorde-se igualmente que no ano passado uma das bandeiras do PAD era a luta contra a tentada revisão da Constituição.

Há agora então que esperar essas duas semanas para que algo possa avançar no quadro do processo político enquanto no campo do processo da luta pelo poder continuam as escaramuças através de variados meios entre os muitos grupos em cena. Sobre este aspecto recomendo a leitura deste excelente artigo de Supalak Ganjanakhundee no The Nation.

O debate acabou empatado e numa sonolenta sessão de eu disparei, tu disparas-te.

Entretanto o PM Abhisit levantou hoje o Estado de Emergência isto depois da controvérsia sobre as declarações de um dos seus Ministros, como já referi, e do facto que de acordo com o artº 5 da lei sobre o Estado de Emergência se ter constatado que a decisão do Governo estava ferida de nulidade devido a não ter seguido os procedimentos legais. De acordo com este artigo o PM tem três dias para fazer ratificar a sua decisão mas todos se esqueceram deste facto e o Estado de Emergência esteve em vigor durante 12 dias irregularmente.~

Não é na realidade facto importante pois ele foi violado a cada 5 minutos por tudo e por todos.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

As Balas contra Sondhi L


Sondhi está em franca recuperação e é possível que saia do hospital durante este fim de semana mas os ecos e as ondas de choque causados pela tentativa de assassinato ainda estão em pleno desenvolvimento.

O General Anupong, o todo poderoso comandante militar que tão bem se tinha saído dos acontecimentos durante o Songkran em Bangkok, está cada vez mais debaixo de fogo por causa do atentado e ele próprio confirmou hoje que as balas encontradas no local do atentado são provenientes da 9ª Divisão de Infantaria pertencente à 1ª Região do Exército, a mais forte do país e cujo comando se encontra perto de Bangkok em Lop Buri.

As armas usadas são armas militares mas pior do que isso as munições também. Anupong ordenou um inquérito de imediato para que se saiba como essas munições acabaram no corpo e no carro de Sondhi. Ao mesmo tempo disse logo que não será fácil encontrar claras respostas para essa investigação.

A oposição tem igualmente insistido que o Exército disparou contra as pessoas durante as manifestações em Bangkok, tendo mostrado ontem provas disso no Parlamento e a imprensa que até aqui tinha suportado a versão do Governo de que não houve vítimas a não ser as duas causadas pelos "vermelhos", começa a interrogar-se se na realidade não houve mortos devido às acções do Exército. Face a isso Anupong, num recuo de posição, afirmou que os militares dispararam contra os manifestantes "blank bullets", e dispararam para o ar balas verdadeiras. Interrogam-se os jornais hoje se não terá havido casos em que os soldados "trocaram as mãos" e dispararam ao contrário.

Ontem uma importante personagem do panorama político tailandês segredava-me que o PAD queria Anupong fora e substituído pelo General Prayuth Chan-ocha, exactamente até à muito pouco tempo o Comandante da 1ª Região.
Convém não esquecer que o atentado decorreu com o Estado de Emergência em vigor, onde é suposto haver um reforço da vigilância das ruas, e agora está confirmado, depois de todas as contradições apresentadas pela Polícia, que duas pick-up transportavam os atacantes que actuaram de cara descoberta e sem medo mostravam o arsenal de armas que utilizaram. Outro ponto também já confirmado é que as câmaras de vigilância na zona foram danificadas duas e as outras duas estavam inactivas há já bastante tempo e por isso nada registaram, ou pelo menos é isso o que se quer fazer crer.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O Porta Voz

De acordo com a definição o Porta Voz é uma pessoa que fala em nome de outras ou de um grupo e foi exactamente isso que o

fez ontem no Clube dos Correspondentes Estrangeiros em Bangkok (FCCT). Nessa "conversa" com a imprensa, e para reforçar o seu papel de Porta Voz referiu que no caminho para o FCCT tinha falado com o PM Abhisit para "actualização (update) da informação".

Confesso que fiquei perplexo e descrente. Há vários dias escrevi sobre a possibilidade única que Abhisit teria de poder dar um novo rumo ao país após o bom desempenho que lhe era dado durante a crise durante o Songkran. Sempre vi em Abhisit alguém diferente do tradicional político tailandês e alguém capaz de ser o inovador de um sistema político caduco e corrupto como todos referem. Ontem fiquei desiludido para dizer somente um pouco daquilo que senti.

O Dr Buranaj, um homem formado em Harvard, foi tão claro nas afirmações que fez que faz sentir medo e dá para muito pensar. Só para dar uma ideia daquilo que foi dito um jornalista japonês presente afirmou, para espanto de todos conhecida que é a reserva dos japoneses, que a estratégia de reconciliação do Partido Democrata era semelhante á utilizada pela Junta Militar em Burma/Myanmar. O Porta Voz ficou sem voz.

Outro jornalista, desta vez um tailandês comentava que Ruranaj era como Abhisit dizendo: ainda não compreenderam que quem manda não são eles (sic).

Para completar a triste história aconselho a ler o artigo de opinião de Pravit Rojanaphruk, jornalista do The Nation e conhecido pelos seus pontos de vista anti Thaksin, que pode ser consultado aqui.

Será que os modelos de governação na China e em Singapura estão a fazer escola? Talvez os êxitos económicos destes países estejam a retirar a capacidade de crítica necessária para aqueles que, entendia eu estarem interessados em seguir diferentes vias.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Seis é Demais


Só uma pequena nota para relatar um facto que em si parece um pouco anedótico para não utilizar piores adjectivos.

Na sequência dos incidentes entre os apoiantes de Thaksin e as forças da ordem, o Governo decretou o Estado de Emergência.

Esta decisão governamental é uma decisão com grandes consequências quer no plano dos direitos individuais quer no plano da segurança dos cidadãos e do Estado, e ainda no plano internacional com impacto na economia do país. Na reunião havida no passado dia 16 entre Abhisit e diplomatas de 67 países um dos tópicos que preocupou esses diplomatas e foi alvo de duas das perguntas que foram feitas era exactamente o Estado de Emergência.

Acontece que é hoje anunciado que o Governo na sua reunião do Conselho de Ministros de hoje tem de levantar o Estado de Emergência visto a reunião do Parlamento, agendada para amanhã e depois para debater a situação política, convocada, e bem, pelo Primeiro Ministro, violará o Estado de Emergência visto tratar-se de uma reunião de mais do que 5 pessoas.

De pasmar! Será que o próprio Conselho de Ministros não é ele próprio violador da lei? No final das coisas a situação de Estado de Emergência não é assim tão importante ou a própria lei está tão mal escrita que nem os órgãos de soberania se podem reunir visto violarem a lei.

Confuso, no mínimo.
Passado um dia vê-se que quem estava confuso e nos quiz confundir a todos era o membro do Governo que deu a indicação pois o Estado de Emergência não foi levantada. Ou era capaz de não estar confundido pois na realidade e de acordo com a lei a reunião é ilegal.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

A Bomba do Dia


Esta manhã, Manager on line, o sitio de internet do jornal The Manager, que é detido pelo grupo ASTV/Manager do qual Sondhi é o maior accionista traz um artigo, que pode e será por certo sujeito a muitas interpretações.

Para além de ser um artigo explosivo vem assinado nada mais do que pelo próprio filho de Sondhi, Jittinart.

Neste artigo Jittinart acusa quer a polícia quer o exército de estarem por detrás do atentado a seu pai e vai mais longe ao acusar as mesmas forças de terem igualmente um plano para assassinar Abhisit.

Refere que o ataque à cimeira da ASEAN em Pattaya, que acabou no cancelamento dessa importante reunião e se tornou um sério embaraço no plano internacional para a Tailândia, foi obra de uma acção concertada dos "azuis", o novo grupo liderado por Nevin Chidchob, associados ao exército à polícia e a um Ministro do próprio Governo, e não dos "vermelhos" como se quis fazer crer e mostrar ao Mundo.

As acusações continuam e refere ainda Jittinart que ambos os ataques "são parte de um plano mais vasto da elite para criar por um Estado Gestapo " (tradução literal).

Este artigo, que por certo vai criar muitos comentários, cai que nem uma bomba e só vem dar à luz vários rumores que corriam pela cidade. O que o torna ainda mais importante e contundente é quem é o autor e o local onde está publicado.

Sondhi, que aparenta verdadeiras melhoras e aparece no jornal sentado na cama não pode por certo estar alheio ao que o seu filho escreve visto serem fortes acusações.

O atentado contra Sondhi levantou por outro lado outros véus dos quais já se falava à bastante tempo sobre ligações entre um dos militares do topo da hierarquia e Nevin, sobre a linha seguida por Sondhi que o afastava do PAD e o colocava mais numa frente independente e outras impossíveis de relatar.

Mais elementos a seguir neste caso. Hoje o The Nation não traz uma só linha sobre a evolução do estado de saúde de Sondhi e só fala do nome dele para anunciar que Nevin irá dar uma conferência de imprensa para negar os factos de que o acusa o filho de Sondhi. Nessa conferência, que já aconteceu, Nevin diz que o filho de Sondhi tem demasiada imaginação. Jittinart nunca tinha sido visto ou ouvido anteriormente o que levanta ainda mais a ideia de que foi somente utilizado como um veículo de comunicação para que o seu pai dissesse aquilo que pensava.

Por outro lado o General Jongrak Jutanont que estava á frente das investigações à tentativa de assassinato ocorrida na passada Sexta-feira, foi removido do seu posto e substituído pelo seu colega general Thani Somboonsup. O comando da Polícia diz que estes movimentos aconteceram como parte de uma movimentação de pessoal mais vasta e de acordo como uma ordem assinada pelo Comandante Geral no passado Sábado.

Passaporte de Thaksin

No passado Domingo o MNE tailandês anunciou que tinha retirado a Thaksin Shinawatra o passaporte que o cidadão utilizava.

Logo após a tomada de posse o governo tinha retirado a Thaksin o passaporte diplomático, que os antigos chefes de governo têm direito, e agora retirou-lhe o passaporte ordinário como o PAD e forças próximas vinham pedindo há algum tempo.

Não tardaram a aparecer nos jornais as notícias, já há muito faladas, de que Thaksin tinha vários passaportes consigo e a evidência aí está quando é confirmado pela Nicarágua que o Presidente Daniel Ortega, na foto, tinha conferido, em Janeiro de 2009, a Thaksin a categoria de Embaixador Especial daquele país da América Central.

Bem escolhido! A Nicarágua não tem representação diplomática em Bangkok e assim não haverá nenhuma manifestação reclamando que lhe seja retirado o passaporte.

Songkran



Para quem não se lembre a semana que findou também teve a festa do Songkran, o Ano Novo tailandês a festa da água, significando purificação, tornada batalha bem molhada.

Embora este ano tivesse sido bastante ensombrada pelos acontecimentos que opuseram os apoiantes de Thaksin contra as forças militares, ainda houve tempo e espaço para o Songkran.

Ouvi dizer que enquanto numa área da cidade mais de 50.000 pessoas lutavam com violência com as forças militarizadas, provocando os distúrbios que conhecemos, em Silom, por exemplo, mais de 5.000 celebravam o Songkran.

São assim os contrastes de uma cidade com tantas pessoas como Portugal.

Domingo, 19 de Abril de 2009

Ainda Sondhi


Começa agora a saber-se mais sobre o atentado de que foi alvo Sondhi.

Em primeiro refira-se que ele está a recuperar bem, já anda e fala. O seu motorista está em condição crítica e a sua secretária, que também se encontrava no carro, nada sofreu. Sondhi encontra-se no oitavo andar do Chulalongkorn Hospital, muito perto de onde vivo.

Afinal Sondhi não tinha nenhuma bala alojada no crânio mas somente um fragmento que estava enterrado na pele, debaixo do crânio e foi removido verificando-se que não houve dano de maior. Contudo vai ficar em observação por mais uma semana pelo menos.

Começam entretanto a surgir alguns dados sobre o atentado.

Foi perpetrado por pessoas que se faziam transportar em motos e não numa pick-up como inicialmente tinha sido informado. Na realidade havia uma pick-up por perto mas era só um condutor que circulava no momento junto do carro de Sondhi. Atrás do carro de Sondhi vinha um outro carro com os seus guarda costas, armados, que de imediato dispararam, facto que fez com que os assassinos retirassem apressadamente e não conseguissem mais do que disparar sem muita precisão o que por certo salvou a vida de Sondhi. Também se tinha referido que as câmaras de vigilância no local tinham sido danificadas anteriormente o que não se confirma e podem ser um elemento útil para o trabalho de investigação, se assim o quiserem.

Como disse antes Sondhi era um homem de muitos inimigos e comentam, do lado do PAD, que ele sabe muito bem quem está por detrás da tentativa de assassínio mas que não fala à Polícia pois não tem confiança nos investigadores. Interessante esta afirmação vinda da parte do porta-voz do PAD. O filho de Sondhi, Jintanat, aconselhou o PAD em usar extrema cautela e não cair na trapaça montada pelos seus inimigos, não se sabendo se ele referia o campo Thaksin ou a Polícia/Militares, vistos agora como potenciais autores do atentado.

Por outro lado o Comandante da Polícia que está a liderar a investigação, General Jongrak Juthanond, disse estarem próximos de prender os suspeitos. Espera-se que como em muitos casos não sejam encontrados uns bodes-expiatórios quaisquer que sirvam para o efeito.

Basta lembrar os muitos, mesmo muitos casos, em que a Polícia "nunca" conseguiu identificar ou acusar ninguém, isto apesar de existirem provas fotográficas ou outras e onde por variadas vezes os investigadores se recusam a analisar ADN ou utilizar outros meios mais propícios de levar a conclusões claras. O mais recente é a morte de 66 pessoas no fogo no Ano Novo na discoteca Santika onde apesar do relatório da investigação feita pelo Ministério do Interior apontar factos graves aos donos, onde se encontra uma alta personalidade da Polícia, o único acusado é o líder da banda, havendo fotografias que mostram que ele não estava no palco quando o fogo começou, e o "gestor", da discoteca, que por acaso era um dos rapazes que arrumava os carros!

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Últimas sobre Sondhi


Segundo um boletim médico que foi emitido há pouco Sondhi está livre de perigo e a bala que estava alojada no crânio com risco de criar uma hemorragia interna foi removida e o paciente está a recuperar.

De igual modo o seu motorista está igualmente considerado livre de perigo.

Até ao momento não se conhece quem perpetrou o ataque embora todos os olhos estejam apontados para o "outro lado da barricada", os vermelhos.

Amigos de Sondhi, que já o tinham avisado da possibilidade de ser alvo de ataques, dizem que ele é um homem com muitos inimigos e lembram as suas recentes violentas acusações quer á Polícia quer aos Militares pela forma, segundo ele, complacente, como permitiam que os "vermelhos" actuassem.

Sondhi, um magnate da comunicação social, tornado militante e líder da causa "amarela", há muito que vem fazendo inimigos, inclusive no seu meio, pela forma sempre desabrida como fala e acusa todos e tudo que não estão de acordo com a sua maneira dever o Mundo. De igual modo no meio empresarial e financeiro criou vários inimigos quer através da sua luta pela sobrevivência do seu "império" de comunicação social, fortemente endividado, quer pela inveja que criava nos seus adversários.

Neste momento como em situações destas é necessário seguir com atenção as próximas horas para ver a reacção de Sondhi, quer á cirurgia quer aos tratamentos, mas para já a boa notícia é que os médicos consideram estar o líder "amarelo" fora de perigo, embora nada adiantem sobre a extensão dos seus ferimentos.


Ultímos Acontecimentos


Ontem à tarde ABhisit recebeu o corpo diplomático para um debriefing sobre a situação e os passos que o Governo tenciona seguir de seguida.

Usando pela primeira vez um carro à prova de bala o PM chegou a Government House para falar para diplomatas de cerca de 70 países acreditados na capital.

Após cerca de 15 minutos onde o PM fez a descrição de como via a situação, falou do projecto de reconciliação nacional em que o Governo se compromete.

Irá ser realizado um debate no Parlamento na próxima semana, Quarta e Quinta, e espera que a oposição dê o seu acordo para um processo de revisão do sistema político incluindo a revisão da própria Constituição e um processo de amnistia para todos aqueles acusados de "acções ilegais de carácter político", as palavras utilizadas, embora reconhecesse a dificuldade de traçar a diferença. Nesta abordagem do problema. e respondendo a questões que lhe foram postas o PM não fechou as portas a novas eleições embora tenha dado prioridade à reforma do sistema político. Recorde-se que a oposição à revisão constitucional foi uma das grandes lutas do PAD e a que esteve na origem dos acontecimentos sangrentos do dia 7 de Outubro de 2008.

Depois da exposição do PM seguiu-se um período de perguntas e respostas. As questões focaram-se na existência ou não de outras vítimas para além daquelas que estão oficialmente anunciadas. Um diplomata inquiriu se os corpos que foram encontrados a boiar no Chao Praya eram de vítimas ou não. A estas questões o PM respondeu dizendo que tinha ordenado inquérito claro que pudesses responder a essas questões. Igualmente, e na sequência de uma outra pergunta sobre os processos contra os lideres do PAD e a diferença de tratamento existente, pois enquanto três lideres da UDD estão presos os do PAD nunca sofreram tal punição, o PM respondeu dizendo que tinha solicitado ao comando da Polícia para que apressasse as acções legais contra eles. Há que referir que os lideres do PAD já foram notificados formalmente e o processo está (ou pelo menos deveria estar pelo sistema processual) para acusação pelo Ministério Público e não pela Polícia.

Ficou claro que Abhisit, o ganhador da "batalha" do fim de semana aos olhos dos tailandeses, está ainda navegando em águas muito tumultuosas e mostra-se pouco seguro e pouco convicto. Essa foi a impressão generalizada dos presentes.

Para contradizer as suas palavras de harmonia, reconciliação e amnistia e Polícia realizou buscas em Bangkok, Chiang Mai e Lampang em estações de TV e Rádio, encerrando as suas emissões e mandou para o Ministério do Informação e Comunicação o nome de 67 sítios de internet que deveriam ser removidos ou bloqueados. Pelo que pude constatar alguns já o foram.

Entretanto esta manhã, e para piorar a já frágil situação política, o líder do PAD Sondhi Limthongkul foi alvejado quando se dirigia para o seu grupo editorial e está, segundo o primeiro relatório médico em situação crítica. Neste momento está a ser operado para que lhe seja removida uma bala alojada no crânio. A acção foi altamente profissionalizada e os assaltantes, que se transportavam numa pick-up, sem matrícula, atiraram para os pneus para imobilizar o veículo de Sondhi e depois saindo da viatura, alvejaram a seu bel-prazer o carro imobilizado, utilizando espingardas AK47 que se sabe têm vindo a ser introduzidas na Tailândia provenientes do Cambodja desde 2006.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Um Novo Dia


Após alguns dias de violência que deixaram dois mortos (as forças vermelhas reclamam mais), 50 pessoas hospitalizadas e outras cerca de 50 com escoriações menores os manifestantes, apoiantes do ex PM Thaksin, decidiram dispersar a abrir caminho para que a calma voltasse a Bangkok.

Dois lideres do movimento entregaram-se às autoridades (um diferença a salientar face aos amarelos), e solicitaram apoio para que as forças militares abrissem cordões e fornecessem os meios para que os manifestantes pudessem regressar de onde vieram.

Como referi no artigo anterior é tempo agora de iniciar o processo de reconciliação nacional. Saúda-se o facto de por parte do Governo não se ter cantado vitória. A única declaração veio do MNE mas esta foi dirigida á comunidade estrangeira explicando que nunca os seus elementos estiveram em causa e garantindo que o governo tudo continuará a fazer para tratar a crise política de forma a defender a segurança de todos.

É importante aproveitar o momento para solidificar a trégua e tentar avançar calma mas seguramente para uma solução que permita o país entrar numa via de respeito pela ordem e pela lei.

Compete agora ao Governo e a Abhisit essa tarefa que será difícil requerendo enorme capacidade de liderança e de paciência.

Não conheço os detalhes daquilo que se terá passado nos bastidores para que a paz tivesse regressado, mas as negociações, que por certo aconteceram, são sempre mais produtivas quando são feitas na calma dos encontros privados do que nas disputas de rua.

Abhisit, que sai vitorioso desta crise, mais o será se continuar a mostrar a calma e determinação que mostrou nos últimos dias. O país necessita de liderança mas de uma liderança que não escolha cores, uma liderança que recolha no seu colo todos os tailandeses amantes da paz e do seu país.

Espera-se que Thaksin, um homem com uma tremenda dificuldade em ouvir, tenha também aprendido alguma coisa e pelo menos por agora se cale e seja, pela sua ausência, também um elemento capaz de colaborar nesses desígnio de unidade que no fim é o desejo de todos os tailandeses.

Espera-se que por fim que a clique mais conservadora, receosa de perder o poder, entenda que o poder é de todo o povo, de todos os tailandeses, vermelhos, amarelos, azuis, ou outros, de todos os que querem trabalhar para o benefício comum.

O poder é e terá de ser daqueles que querem respeitar a lei e a ordem, estejam eles vestidos de verde, ou de outra cor, com os sem galões, com ou sem títulos. Sem o respeito pela lei, pela ordem será difícil criar algo de positivo e a Tailândia disso tanto necessita.

Está chegada a hora da união e Abhisit pode levar essa bandeira. Não a derrubem!

Será que Abhisit vai Ganhar?


Sei que essa é a grande vontade de muitos dos tailandeses mas será que Abhisit vai ter a coragem de conseguir ganhar?

Abhsit é diferente de todos os políticos que até agora estiveram no poder na Tailândia. Basta olhar um pouco atrás e compará-lo com Samak, o velho touro desbocado, pouco educado e sempre habituado a jogos de poder onde passou toda a vida. A Somchai o cunhado de Thaksin, envergonhado, quase pedindo desculpa por estar ali, que não é capaz de articular uma palavra de Inglês e por certo terá dificuldades em comandar a sua própria vida. a Surayud, o General que estava de pantufas no Conselho Privado do Rei e teve que fazer o frete de aguentar o fardo de governar (?) durante um ano enquanto lhe preparavam uma Constituição que de tão mal feita não produziu os seus desígnios de enfraquecer os partidos políticos especialmente o(s) ligado(s) a Thaksin. Deste nem vale a pena falar mas mesmo assim pode dizer-se, experto que nem um rato, fugidio que nem um jibóia, e tão fiel aos seus como Judas. Todos educados nas escolas da política local nos jogos de interesses e na transacção de dinheiros de um e para outro lado.

Abhisit, o inglês, nascido e educado em terras de Sua Majestade Isabel II, para além de ser novo tem uma base de sustentação cultural diferente. O caminho político também o fez nas fileiras dos Partidos em Bangkok mas não se lhe conhecem participação em negociatas. Talvez porque era um "garoto" foi a isso poupado e ainda bem. Os PhuYai tratavam dos "assuntos importantes" e assim Abhisit pode ir crescendo dentro da política olhando de fora para ela.

A sua grande fraqueza era, e de algum modo ainda é, a necessidade de, como Nong, ou seja mais jovem ter de obedecer aos Phu Yai o que lhe tira capacidade de autonomamente decidir. Para além de Mark, Abhisit tem outra alcunha que nada abona em seu favor: dek sen, ou seja o miudo que tem um padrinho, ou seja aquele que só lá chega porque o apoiam e diz-se que quem assina por ele, a outra tradução possível de dek sen, é o grande padrinho Prem.

Abhisit pode contudo sair desta crise mais forte e mais capaz de mostrar àqueles que o colocaram no poder de que tem reais qualidades para ser aquele que a Tailândia necessita para mudar o país de uma forma evolutiva mas pacífica.

Para além de ter de ganhar esta batalha contra as forças de Thaksin, que ele inteligentemente trata como pessoas, concidadãos, que têm opiniões diferentes das dele, e essa é neste momento a questão primeira, terá de o fazer sem ferir as susceptibilidades e os sentimentos dos tailandeses. Tem de ser firme mas não violento e para isso tem uma enorme tarefa, controlar as forças armadas e a polícia.

Sabe-se como estas duas corporações são difíceis de manobrar e Abhisit já provou desse fel quando fez declarações que no segundo seguinte eram destruídas ou contraditas por uma ou outra dessas forças. É sabido e conhecido as dificuldades existentes dentros destas forças onde existem facções cujos inimigos são os colegas e que por vezes tudo fazem para que esses fiquem mal colocados.

É o exercício de um poder de equilíbrio bastante difícil mas, acredito que realizável.

Por outro lado tem de reabilitar o país no fórum internacional. A Tailândia está "pelas ruas da amargura", como dizemos, e os acontecimentos do último fim-de-semana só fizeram piorar tal situação. Não se iludam aqueles, como muitos arautos perto do poder, que pensam que a Tailândia pode virar as costas ao Mundo. O país é por demais dependente das suas relações internacionais para poder sobreviver como nação isolado.

Tem de levar a cabo a política que definiu para o problema do Sul do país mas isso implica mais uma vez enfrentar os militares e todos os poderes por eles instalados na região. Sem isso e sem haver um verdadeiro respeito pelos direitos humanos no país e em especial no Sul da Tailândia nada feito. O problema dos Rohihgya é um problema importante mas de muito menor monta do que aqueles que Abhisit enfrenta no que respeita o controlo exercido pelo ISOC no Sul à conta da Lei Marcial, do Estado de Emergência e de leis especiais que permitem todo o tipo de abusos.

Outra questão pontual a resolver é a crise económica, constantemente agravada com a deterioração da situação política e militar. O desemprego não para de aumentar e quando não há pão na mesa a razão perde-se muitas vezes.

Para final a reforma não só da famigerada Constituição mas essencialmente de todos os órgãos que servem para defender os cidadãos e para regular o funcionamento dos órgãos do estado. Os actuais detentores desses órgão exercem o poder que lhes está atribuído de uma forma politizada, pior partidarizada, ou seja não o fazem tendo em conta os interesses dos cidadãos e do país mas em função de interesses próprios de alguns. O poder Judicial, um dos vectores mais importantes de um estado sério e cumpridor de regras. sejam elas ocidentais ou asiáticas, está não ao serviço desse cumprimento de leis e regras mas ao serviço de ideários políticos e assim perde toda a clarividência se é que alguma queria ter.

Para finalizar Abhisit tem de levar ao banco dos réus os lideres do PAD e responsabilizá los por todos os danos causados ao país e pelo abusivo desrespeito da lei e mesmo do monarca reinante.

Dirão; tarefa tamanha para o jovem Primeiro-Ministro!. É verdade que é e não creio que a possa realizar de animo leve, ainda por cima porque tem também de se precaver dos seus "amigos" e de muitos que polulam à sua volta. Mas uma coisa estou certo. Olhando para o panorama dos homens públicos actualmente existentes na Tailândia, Abhisit Vejjajiva é aquele que, no meu entender, reunirá mais condições para encontrar uma plataforma capaz de conduzir o país a evoluir de forma serena e cordata.

E este é o momento que terá de aproveitar para sair daqui vencedor mas sem esmagar os adversários. Sair de cabeça erguida e capaz de poder dizer, a todos tratei com dignidade, mas fui eu que consegui guiar este barco para bom porto.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

A Situação Vista de Fora



Estou ainda em Lisboa e tenho portanto a oportunidade de ver, e ler aquilo que a imprensa internacional vai falando acerca dos confrontos em Bangkok.

Tenho em simultâneo informações provenientes de amigos e colegas em Bangkok e é interessante ver a diferença dos ângulos pelos quais se abordam os acontecimentos.

De Bangkok um amigo dizia-me estar a gozar o feriado, hoje, amanhã e depois são feriados devido ao Songkran, aproveitando para nadar na piscina de sua casa. Outro, lamentando-se sobre tudo o que estava a acontecer disse ir passear com o sobrinho de dois anos para um Centro Comercial. Outro mostrava-se indignado com os distúrbios na rua mas ia dormir tranquilo e um outro ainda nada me dizia e quando eu lhe perguntei só me disse que era muito mau e que as pessoas não pensavam no país.

Nada de drama. Alguma tristeza, alguma insatisfação, talvez cansaço de amarelos e vermelhos mas só isso.

Visto daqui temos o Times a acusar o governo da Abhisit, um seu natural, de estar a esconder ao país as mortes que já terão ocorrido. A AFP bate na mesma tecla e anuncia a cavalgada dos militares em direcção ao Government House na tentativa de desalojar os manifestantes.

A SIC mostra numa reportagem imagens de Bangkok onde se v~em os confrontos de rua a polícia e os militares a a lançarem granadas de gás lacrimogéneo e dois militares a dispararem as suas metralhadores em direcção, sem a mínima dúvida, dos manifestantes. Fortemente armados os militares, onde estavam eles quando o Governador de Samut Prakan solicitou o apoio para libertar o aeroporto em Dezembro, avançam disparando para o ar mas como disse alguns directamente sobre as pessoas.

Vê-se igualmente nessa reportagem duas pessoas, indefesas, uma delas, manietada a ser pontapeada na cara por um militar e outra, uma mulher, a ser arrastada pelos cabelos rua fora por um elemento trajado á civil, mas saído de trás das barreiras de militares.

Estas imagens mostram uma Bangkok anárquica, com manifestantes a atacarem as forças militares sem medo e estes avançando de forma compacta mas também sem um claro comando.

Desde o ano passado é sabido que as forças militares e militarizadas têm um comando dividido não só naquilo que são os objectivos mas também na forma de actuar. É sabido que por exemplo na Polícia há comandos que se degladiam e lutam entre si dando azo a que algumas acções acabem no fiasco que têm sido.

De Bangkok chegam umas vozes de desacordo, de tristeza mas a população, a grande maioria que sempre se pôs de fora quer contra amarelos quer vermelhos, essa leva a sua vida de forma pacífica tentando prosseguir em frente e encarar o amanhã de forma positiva.


Entretanto um novo elemento apareceu nesta guerra de cores. O já muito falado Nevin, criou os "azuis". Não se sabiam muito bem quem eram e porque se lançaram na defesa do aeroporto de forma a serem os guardiões dessa porta do país. Na realidade são uma força arregimentada e bem paga para lutar, agora contra os vermelhos, para evitar que algo aconteça no aeroporto e nos negócios de Vichai o todo poderoso dono do King Power, o operador do freeshop, e o maior financiador do Partido Bhumjai Thai.

Jornalismo e a Crise


O Miguel Castelo Branco no seu estilo sem lobi, sem seita e sem religião escreve que nunca se fiou nos noticiários para partir para a sua crónica da noite passada no "acampamento vermelho" e pelo que se pode ver na foto abaixo da prestigiada AFP e por vezes os media dão-lhe razão.


Aconselho a ler o descrito pelo Miguel e acrescentaria que o caos parece ter invadido certas partes da cidade de Bangkok enquanto noutras se celebra o Songkran , o Ano Novo tailandês, o festival da água. Ainda há pouco um amigo meu me dizia que estava a desfrutar o feriado na sua piscina, bem no centro da Bangkok.

Os rumores são muitos, a contrainformação ataca e as notícias nas televisões tailandesas são censuradas.


Já há dias referi que quando Thaksin começou o ataque ao Conselho Privado do Rei passou uma porta fechando-a atrás e ficou sem possibilidade de retroceder.


Para ele neste momento o único caminho é seguir em frente e lançar os seus apoiantes numa luta que nem muitos entendem. O objectivo de destituir Abhisit não é de si um objectivo muito aglutinador visto inclusive o PM ter legitimidade proveniente da Assembleia para estar no lugar.


É sabido que foi lá colocado na sequência dos fortes disturbios causados pelo PAD e pela conjugação da força do dinheiro que fez mudar Deputados e das armas que Anupong "apontou" à cabeça de alguns dos lideres que antes estavam do lado de Thaksin, mas o certo é que alguns resistiram a esse dinheiro e a essas ameaças mostrando a "liberdade", palavra tão mal tratada neste reino, de escolher.


O facto é que Thaksin se lançou numa clara luta pelo poder, numa "revolução" como ele disse, com contornos de luta contra a monarquia tal como ela é entendida por Prem o primeiro alvo da ira de Thaksin.


Nos mentideros sempre tem sido esta a pedra de toque de todas as más previsões sobre o futuro do país e sempre se disserta acerca de quando é que essa luta se inicia. Thaksin quis que ele tivesse lugar antes do tempo e decidiu avançar de peito aberto, o dos seus "soldados" que não o seu, para ela.


A ameaça de que entraria no país para liderar os seus apoiantes ganha forma. Já no passado, em Dezembro, pensei que isso iria acontecer mas neste momento estou mais convicto dessa possibilidade.


Não se têm ouvido nenhuma voz capaz de iniciar algum processo de trégua, alguma forma de compromisso, tão asiático, e por isso a luta avança. É certo que as "milícias vermelhas" estão cansadas com menos recursos do que os militares mas é igualmente certo de que por vezes nestes momentos se "faz das tripas coração" e se luta sem tréguas.


À pouco diziam-me de Bangkok que se tinha amigos, turistas, por lá lhes deveria dizer para saírem. Não conjugo dessa opinião pois os incidentes não estão disseminados por toda a cidade nem existe um clima de guerra aberta. Existem confrontações é certo mas circunscritas aos locais onde as duas formas em campo se encontram. São aquilo que se pode chamar, para meu contragosto por detestar adjectivos, "arruaceiros" que andam de um lado par o outro da cidade provocando distúrbios que são por vezes enfrentados pela polícia ou militares. Por isso quem não quer ser herói que não vista a capa. Eu próprio amanhã demandarei a cidade pois as férias estão perto de terminar.


A situação é imprevisível e porventura incontrolável mas está em todos e cada um de nós a capacidade de actuar para a não tornar ainda pior.


Os tailandeses já tiveram crises destas no passado. Diziam-me à pouco que era pior do que a de 1992 mas até agora têm sabido manter a capacidade de não "atirar às cegas" razão pela qual não á mortos apenas feridos ligeiros. São assim os tailandeses mas aqueles que puxam os cordéis de um e de outro lado por vezes respeitam pouco a vida dos seus "soldados" e esse pode ser um problema.

Imagens Recentes

O carro do Secretário-Geral



A desorganização das forças policiais

Carros de combate em Bangkok



À porta da Cimeira



Violência no Hotel em Pattaya




Evolução da Situação


Charnvit Kasetsiri, antigo reitor da Universidade de Thammasat disse "The situation has gotten completely out of hand. Violence and bloodshed is very much possible" e recomenda ao Primeiro Ministro que se demita e convoque eleições como uma das propostas para obviar a esse banho de sangue que prevê. É uma mensagem clara e séria embora não a subscreva a 100% visto entender que os tailandeses, por natureza pacíficos, tudo tentarão para obviar a esse banho de sangue.

Abhisit apareceu ao início da madrugada na televisão rodeado de vários Ministros, incluindo Suthep e dos lideres militares e da polícia tentado contradizer os rumores de divisões no seio da coligação no poder.

Entretanto em Bangkok os eixos centrais e intersecções estão ora controladas por militares ou por "vermelhos" quer utilizando táxis quer autocarros que desviaram para esse efeito. Não existem até este momento confrontações entre estas duas forças mas o certo é que ambos os campos se preparam para isso tendo mesmo Thaksin, em mais uma comunicação ao país, dito que se os militares atacarem entrará no país pare ele próprio dirigir a "revolução", foi essa a palavra usada contra as forças "anti democráticas".

Como já tinha repetido há dias Thaksin e as suas forças vermelhas deram um passo em frente de tal modo decidido que não existe possibilidade de retorno. Agora o caminho é como diria El Comandante, Vitória ou Morte.
O clan Shinawatra

Os tailandeses por tradição acabam por conciliar e pode ser que consiga aparecer uma mente iluminada que consiga encontrar uma solução par esta crise que é de extrema gravidade e se consiga fazer com que os principais actores saiam de cena, regressem aos camarins e se reformem dando lugar a gentes "de bem" (deteste estes palavrões mas eles são elucidativos) que possam desviar este povo de um caminho cuja maioria não quer. Recorde-se que desde o tempo dos 2amarelos" todas as sondagens davam cerca de 70% a favor daqueles que não queriam nem uns nem outros mas as maiorias silenciosas são assim por natureza e não se manifestam.

Quer Abhisit quer o seu Secretário-Geral sofreram ligeiros ferimentos na fuga do Ministério do Interior mais uma vez sem que as forças da "ordem" nada fizessem como sempre acontece. esta inacção é confrangedora e põem sérias duvidas sobre a capacidade de se fazer impor a lei e ordem.

O próprio PAD, embora actualmente dividido, saiu a terreiro criticando o Governo e pedindo ao PM que demitisse Suthep pelo facto de ele se ter mostrado incapaz de assegurar a ordem durante a cimeira de Pattaya. Começam a escassear os apoios á coligação. Mesmo os militares como é de todos conhecido não estão todos no mesmo barco e existem fortes divisões no seu seio.

A não condenação clara do PAD por parte do Governo e de Abhisit em particular. foi uma dos maiores erros que o PM fez pois desde esse momento nunca se conseguiu libertar dessa grilheta que sempre o tem importunado. Para além disso o facto de ter um Ministro, Kasit, e vários assessores provenientes do PAD nunca lhe permitiu poder actuar de forma clara contra as forças de Thaksin que se vêm legitimadas pela inacção do sistema judicial e do Governo face aos actos levados a cabo pelo PAD.

A falta de controlo da situação par parte do governo e das "forças da ordem" está a estender uma passadeira para o golpe de estado militar que nem os próprios, penso, desejam visto se isso acontecer vão ter de lidar com os graves problemas financeiros que o país atravessa para além do crescente isolamento da Tailândia no seio da comunidade internacional.

Domingo, 12 de Abril de 2009

Estado de Emergência


Aparentemente sem necessidade Abhisit Vejjajiva declarou o Estado de Emergência em Bangkok, Nonthaburi e alguns distritos nas províncias de Samut Prakhan, Pathum Thani, Nakhon Pathom and Ayutthaya.

A razão invocada foi a necessidade de devolver a ordem ao país.

Imediatamente após a declaração do Estado de Emergência os "camisas vermelhas" a a Polícia envolveram-se em escaramuças dentro do Ministério do Interior em mais uma demonstração da incapacidade das forças da ordem para serem exactamente isso, forças capazes de impor a ordem.

Segundo me comentaram a declaração do Estado de Emergência foi uma imposição dos militares ávidos de instrumentos que lhes permitam controlar, ainda mais a situação sem terem de recorrer ao golpe de estado que lhes corre nas veias, qual sangue que os alimenta.

Suthep Thaugsuban, o Vice Primeiro Ministro, ficou encarregado de impor a observância do Estado de Emergência, ele que é no Governo o responsável pelas questões de segurança e o elo principal na relação com o General Anupong.

Hoje começa na Tailãndia o Songkran, o festival da água e estou intrigado como é que as forças da "ordem" vão lidar com os bandos de jovens que irão correr toda a cidade festejando o evento. Como se sabe durante o Estado de Emergência é proibido ajuntamentos, tal qual aqui em Portugal no tempo "da outra senhora". Será que mais uma vez uma medida do Governo será só para anunciar na Televisão mostrando alguma autoridade mas na prática ninguém a acatará?

Está a tornar-se por demais evidente que o cumprimento da lei passa ao lado do funcionamento do dia a dia do país e isso vê-se pela forma simples e eficaz como quer os vermelhos quer os amarelos no ano passado, atravessavam barreiras da polícia e de militares, violavam todas as leis em vigor perante o sorriso daqueles que as deveriam fazer cumprir.

Abhisit cada vez mais mostra ser uma figura perdida no mar de contradições que é esta coligação no poder que na realidade não tem poder nenhum visto eles estar sediado noutras paragens.

Quando é que alguém será capaz de entender que só no momento em que todos e nesta palavra cabem mesmo todos, acatem a lei, cumpram os deveres constitucionais e respeitam a autoridade, não a das armas mas a do poder emanado das regras de convivência democrática e cumpridora dos preceitos de respeito pelo ser humano?

A partir desse momento talvez seja possível começar a pensar o país e a reconstruir a credibilidade que já se perdeu no contexto das nações, o que é extremamente penalizador para um país tão dependente do exterior como é a Tailândia.

A Cimeira da Pattaya


Como hoje disse Abhisit Vejjakiva, o Primeiro Ministro da Tailândia, todos perderam neste fim de semana.

O cancelamento das cimeiras da ASEAN+3 e EAS é uma tremenda derrota política para o país.

Esta cimeira era um desdobramento da cimeira realizada em Cha-Am/Hua Hin no final de Fevereiro e devido ao facto de essa cimeira não ter sido possível no momento que inicialmente estava marcada ou seja 15 de Dezembro de 2008. A China, a dias de preparar a Assembleia do Povo obrigou a desdobrar as cimeiras e que fossem agendadas para uma data posterior. Inicialmente marcadas para Phuket, o Japão opôs-se devido às preocupações de segurança. Os japoneses temiam que, à semelhança do que tinha acontecido em Dezembro, o aeroporto da ilha no Sul fosse bloqueado e tornado inoperacional e os seus Ministros e restante delegação ficassem prisioneiros em Phuket. Desse modo a diplomacia tailandesa mudou a cimeira para Pattaya, alegando que os hotéis estavam cheios, visto aí ser possível, assim se pensava, controlar melhor os movimentos dos opositores do Governo da coligação liderada pelos Democratas.

No contexto actual as cimeiras da ASEAN+3 (China. Coreia do Sul e Japão) e EAS. aqueles mais a Austrália, Índia e Nova Zelândia, eram de grande importância no ideário da ASEAN de se tornar a força dominante na região Ásia/Pacífico.

A necessidade de cancelar as cimeiras como disse é uma enorme derrota para a liderança da ASEAN e para a Tailândia como país no contexto internacional, para além de ser mais uma machadada na credibilidade que o país tinha nas relações entre nações, e tem vindo a perder desde os acontecimentos de 2008.

Os noticiários em Portugal hoje abriam com as notícias do que se passava em Pattaya e a reacção da pessoas era invariavelmente de descrença no país. É isso que estes acontecimentos reflectem nas pessoas para além das perdas políticas e diplomáticas no contexto das relações entre estados.

Acresce a isso que a já débil relação com o maior investidor no país, o Japão, vai continuar a degradar-se com o necessário efeito na economia tailandesa. Conhecendo como conheço os diplomatas japoneses sediados em Bangkok e as regras e instruções que têm, tenho a certeza de que a esta hora estarão a transmitir para Tóquio relatórios pouco favoráveis ao país.

Mas como é que tudo isto aconteceu quando este Governo é fortemente apoiado pelos militares e forças da polícia. Como acontece quando o local onde os trabalhos deveriam decorrer era um conjunto de hotéis de protecção muito fácil e por outro lado era sabido que o MNE tailandês, em conjunto com o Ministério do Interior, tinha o assunto bem preparado.

Mais uma vez se viram as deficiências de comando das forças militarizadas que já se tinham manifestado em 2008, embora nessa altura houvesse uma vontade clara de não obedecer ás decisões do Governo. Apesar da declaração do Estado de Emergência as forças da "ordem" mostram uma terrível ineficácia e inaptidão para lidar com movimentos contestatários sejam eles de que teor forem.

Acresce a isso tudo a falta de voz de comando político e a fraqueza do próprio PM que acaba por ser mais vitima do que culpado.

Para finalizar existem muitos ditados em Português e ensinamentos do budismo para explicar isto mesmo. Nós dizemos, "não faças aos outros aquilo que não queres que façam a ti", "quem semeia ventos colhe tempestades" e os budistas dizem que "se recebe sempre aquilo que se pratica, faz".

O Governo e as forças que o apoiam não conseguem (não querem) fazer justiça no caso das graves violações da ordem causadas pelo PAD durante os 193 dias em que se passearam por Bangkok e destruíram, para além da confiança dos investidores e turistas, a Government House e variados outros locais da cidade e Aeroportos.

Abhisit se quer trazer calma ao país não pode deixar de punir quem viola a lei. Por muito que as forças mais reaccionárias que o apoiam queiram tudo apagar se isso não fizer nunca mais terá sossego e nem a propalada captura/assassinato de Thaksin, fazendo-o sair de cena trará a calma que o país necessita.

É tempo de aprender que a lei tem de ser igual para todos e que ninguém, mesmo ninguém está acima dela.

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

O Dia D


A situação evoluiu de forma negativa e hoje a UDD, agarrando numa táctica que o PAD não chegou a pôr em prova decidiu começar a bloquear acessos a Bangkok e neste momento ocupa a praça do Victory Monument. Grande número de táxis, uma força sempre leal a Thaksin, iniciou um plano destinado a causar o caos na cidade bloqueando as vias de acesso. Victory Monument é o principal ponto de convergência de transportes públicos da zonas vizinhas de Bangkok, o local onde grande número de pequenas carrinhas chegam a toda a hora. Para além disso é um ponto importante de passagem para a zona Ministerial e onde se situa igualmente quer a Government House e a casa do Presidente do Conselho privado do Rei, General Prem, que se encontra de alguma forma cercado tendo tido de cancelar todas as suas actividades visto não poder sair de casa.

De igual forma a UDD, que segundo observadores ainda há pouco tinha na rua uma multidão de cerca de 75.000 pessoas, decidiu avançar sobre Pattaya para perturbar directamente a chegada dos participantes às cimeiras ASEAN+3 e EAS que se realiza naquela cidade a partir de amanhã.

O Hotel onde irão decorrer os trabalhos é fácil de proteger pela Polícia mas por certo que os manifestantes irão perturbar o trajecto das comitivas desde o aeroporto até ao local o que se tornará muito mais complicado de proteger. Entretanto os comerciantes de Pattaya já se manifestaram contra as manobras da UDD.

O Governo tenta á viva força entrar em contacto com Thaksin com o objectivo de o trazer de volta e segundo me afirmaram esta manhã tal será para que ele enfrente a justiça mas fundamentalmente para ver se existe, e na continuidade da proposta anteriormente avançada por Suthep, alguma plataforma de entendimento que permita o país regressar á calma e enfrentar as grandes tarefas que tem pela frente nomeadamente no campo económico que mais uma vez está a ser afectado.

Como referi Thaksin não tem nada a perder e vendo-se acossado joga todas as suas possibilidades numa tentativa de forçar mudanças que lhe sejam favoráveis e lhe permitam o seu sonho de regressar ao poder e "pôr mão" nos seus milhões retidos no país.

Abhisit a única afirmação que fez até agora, é de que a sua demissão ou a dissolução do Parlamento não são uma solução mas está previsto que fale ao país daqui a pouco eventualmente no noticiário das 8 da noite. Aguarda-se portanto aquilo que possa dizer sabendo-se contudo que a última palavra será sempre dos militares.

A UDD avança, desafia, na procura de confrontar as forças da ordem e obter alguma vitimização, e parece que o Governo lhes quer dar essa oportunidade. Abhisit , que acabou agora mesmo de falar numa curta mensagem ao país, afirmou de que amanhã será feriado dizendo que assim as forças da ordem poderão actuar mais facilmente contra os prevaricadores da ordem e não importunar as pessoas. Afirmou também que amanhã voltará a falar aos tailandeses. Pouca coisa mas o que disse não é de bom presságio.
Já recebi solicitações sobre informações de segurança mas aquilo que posso dizer limita-se a pedir ás pessoas que aguardem um ou dois dias para ver o evoluir da situação. Até agora a UDD tem sido pacífica mas é bem claro que procuram uma confrontação o que lhes daria um acrescido apoio. O Governo tenta manter-se calmo mas está a ver comprometida a sua imagem internacional e as suas instituições desprotegidas. Os dois dias que se seguirão serão indicativos. No Domingo é o inicio do Songkran e como disse pode ser que a água acalme os ânimos. A seguir

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

A Situação


Não estando em Bangkok não tenho seguido a situação muito de perto embora a minha caixa de correio esteja cheia de informações que os amigos me enviam de lá.

Ainda há poucos uma amiga minha, quando eu lhe dizia que regressava a 15 dizia esperar que o aeroporto não fosse de novo bloqueado.

Não me parece que a fase actual da luta amarela-vermelha veja a repetição daquilo que aconteceu em Dezembro.

A luta neste momento está muito mais centrada nos fundamentos do estado tailandês e nas suas figuras representativas.

Há já quem chame a esta a luta final de Thaksin. Como um cão acossado e acantonado ladra e a todos ameaça morder e vai incendiando os que lhe estão próximos. E o que fazem aqueles que poderiam domar essa besta como ele próprio disse recentemente ser, Um "cão doméstico" e domesticável.

A luta de Thaksin é a luta pelos seu 2.2 mil milhões e pelo eterno desejo de voltar ao poder. Para além disso tornou-se numa luta por uma nova Tailândia onde os alvos principais são os Conselheiros Privados do Rei, envolvidos, como sempre se soube, no golpe que derrotou o fugitivo ex PM em 2006,e de entre eles o seu Presidente a "mão invisível" de todas as manobras políticas como sempre tem sido considerado e desde há já muito tempo.

A situação está quente e ao rubro, como é a cor da UDD, e fazerem-se previsões é difícil e por certo falível.

Abhisit entretanto tenta ver passada esta "batalha final" de Thaksin e se assim o conseguir pode vir a manter-se no poder mas porventura ainda mais "hipotecado" a Nevin que ontem fez um lancinante e teatral apelo para que o seu antigo patrão, Thaksin, pare de atacar, aquilo que ele diz ser um ataque à monarquia.

Songrkan, o ano novo tailandês, o festival da água, aproxima-se e por certo vai trazer algum espaço para se respirar e pode ser que a água que se usa para molhar as pessoas arrefeça os ânimos e os humores acalmem-se já que a verdadeira solução para os problemas políticos que o país enfrenta são mais complexos do que a própria situação.

A Situaç

Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

G 20

Será que se riem de nós?

Terminou em Londres a cimeira apelidada G20 e as bolsas por todo o Mundo regozijaram de felicidade com a decisão tomada de injectar triliões (a palavra não é correcta em Português) no mercado mas o facto é que agora já nem em biliões ( outra incorrecção) se fala.

O facto das bolsas terem tido reacções tão positivas mostra bem como a economia está ainda longe de encontrar o equilíbrio necessário para que seja criado um sistema de controlos e regulações capazes de prevenir que crises como a que actualmente vivemos voltem a surgir.

Na realidade nada se alterou a não ser a expectativa de que o dinheiro que vai ser injectado no sistema financeiro permitirá retomar o ritmo de crescimento a que nos tornamos adictos nos últimos tempos.

É certo que a actual crise, especialmente a vivida no sector financeiro tem permitido fazer algumas correcções a um sistema que era (é) totalmente selvagem e desregulamentado, e esse é um facto positivo, mas os fundamentos em que todo o sistema assenta e em que no fundo a economia real tem vivido necessitariam de algo de novo, na realidade algo que todos nós temos a consciência de ser necessário mas acabamos por não implementar.

Seria necessário que cada um de nós, cada país, cada empresa vivesse não acima daquilo que é capaz de produzir mas exactamente um pouco abaixo de forma a ser capaz de poupar o suficiente para os momentos de necessidade. Mas todos sabemos que não é assim o Mundo, não somos assim nós.

O ser humano infelizmente tem mais defeitos do que qualidades e o mundo da competitividade que se criou, fundamentalmente a partir de meados do século passado, não para e somos nós que não queremos que ele pare.

Assim hoje damos vivas às decisões do G 20 e o Mundo está cor de rosa.

O Primeiro Ministro da Tailândia esteve presente na cimeira numa posição bastante ingrata mas soube tirar partido do facto para dar algumas entrevistas e ter tido a sorte de aparecer na fotografia de família, como é ironicamente chamada a foto de grupo, se bem que saibamos que na realidade em muitas famílias são mais as facas do que os beijos, ter aparecido, como dizia, mesmo sobre o ombro direito de Obama, a grande estrela da cimeira.

Falando de estrelas desta cimeira não se pode deixar de falar de Sarkozy que do alto dos seus 1.6o e qualquer coisa, por isso está sempre em bicos de pés, e por isso mesmo fez aquilo que nós designamos por "uma peixeirada" para tentar, e conseguir , regressar a Paris e ter alguma coisa para contar aos seus concidadãos e esses não lhe lançassem uns tomates à cara. Aliás nestas cimeiras normalmente o mais importante é que todos os lideras presentes consigam, quando chegarem ao seu país, falar para a comunicação social acerca das grandes vitórias que eles próprios conseguiram para o país e assim ajudar á sua permanência no poder.

Abhisit teve, como referi, uma posição ingrata visto não estar lá por direito próprio, mas por ser o país Presidente da ASEAN mas com a grande desvantagem de o país deste bloco que interessava para a cimeira, e era só um, estar lá por direito próprio, refiro-me á Indonésia.

Há cerca de três semanas o Embaixador Scott Marciel, embaixador americano junto do Secretariado da ASEAN, referia em Bangkok, numa conferência a que assisti, que a Indonésia começa a sentir que a sua voz é grande demais para ser transmitida através da ASEAN e que não necessita desta associação para se fazer ouvir. Relembrava ele a visita da Secretária de Estado Clinton a Jacarta durante a sua tournée asiática.
Abhisit, o mais jovem dos presentes, o que motivou o cartoon acima hoje publicado no The Nation, teve oito minutos para falar mas lembrou um aspecto importante que foi a capacidade que os estados do sudoeste asiático mostraram para trabalhar em conjunto quando foi a crise de 1997 e que levou à criação da Chiang Mai Initiative actualmente revitalizada na sequência da última cimeira da ASEAN.

A posição da Indonésia, e o peso que pouco a pouco vai ganhando no seio da comunidade internacional, é um forte desafio à solidificação da ASEAN mas felizmente que o Secretariado está sediado em Jacarta e que Surin Pitswan, o Secretário-Geral, é um diplomata de grandes qualidades.