sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Mediação

Dr. Surin Pitswan, o Secretário-geral da ASEAN, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, falou à imprensa em Singapura, onde se encontra para participar na cimeira da APEC e na Cimeira da ASEAN+US, sobre a crise que se encontra instalada entre dois dos membros da organização, Tailândia e Camboja, mostrando grande apreensão pelo momento que se vive e afirmando que todos os líderes da Associação estavam empenhados em encontrar uma solução para o conflito durante os trabalhos deste fim-de-semana.
Este fim-de-semana, em Singapura, abre-se uma janela de oportunidade para fazer com que as duas partes baixem o teor das suas declarações e temos que a aproveitar, afirmou o Secretário-Geral.

A ASEAN tem, na sua Carta Constitucional, em vigor há pouco menos de 1 ano, uma clausulo em que se afirma o principio de não interferência nos assuntos internos dos estados membros, Ao contrario da União Europeia a ASEAN ainda não tem mecanismos comuns nem áreas onde a soberania individual foi alienada a favor do colectivo, embora se prepara para implementar, a partir de 2015, a Comunidade Económica embora ainda não estejam claramente definidos os contornos desse pilar da ASEAN.

O MNE cambojano mostrou-se disponível para aceitar qualquer mediação “desde que a Tailândia também aceite” mas Abhisit, hoje à saída de uma reunião do Conselho nacional de Segurança disse que os problemas entre os dois países são assuntos bi-laterais e portanto não deveriam ser discutidos durante o fim-de-semana.

O S-G da ASEAN mostrava-se particularmente preocupado com a imagem que a organização está a dar ao Mundo, com o seu Presidente envolvido numa disputa ,com já fortes consequências diplomáticas, com outro membro, no momento em que pela primeira vez vai ser realizada a Cimeira com os Estados Unidos que estará representado pelo Presidente Obama.

Apesar das reticências de Abhisit pode ser que o bom senso acabe por impor-se e as duas partes encontrem uma plataforma comum onde possam começar a caminhar em conjunto no sentido de resolver as divergências à mesa das negociações.

Ontem para ainda assanhar mais as relações e depois de o Camboja ter declarado persona non grata o segundo secretário da Embaixada tailandesa em Phnom Penh, Bangkok retaliou com a expulsão de um diplomata ao serviço na capital tailandesa. Asiim vai de resposta em resposta o conflicto.

Dr. Surin conhece bem estes corredores e sabe que é necessário parar e acabar com esta espiral que a nada leva e daí a sua iniciativa, um pouco fora do comum na Associação mas que se resultar lhe dará a ele e ao próprio secretariado um forte impulso positivo.

O Bom Exemplo


Os militares dos dois países acabam de dar uma lição de bom serviço.

Anunciaram que foi estabelecida uma linha telefónica directa entre os dois Ministros da Defesa de modo a que possam manter um salutar e aberto contacto a qualquer momento de modo a evitar qualquer possível mal entendimento e acordaram, igualmente, realizar no próximo dia 21 um encontro de futebol entre militares dos dois lados em princípio num local na fronteira.

Uma jornalista que trabalha fundamentalmente junto das forças armadas disse-me que os militares continuam em permanente e amigável contacto e que consideravam que o que se está a passar é um problema que compete ao governo resolver e não a eles.

O único receio é que com os ânimos quentes qualquer pequeno incidente possa levar um soldado, de qualquer dos lados, a disparar uma arma o que gerará por certo confusão, daí esta iniciativa de criar a hot-line para estarem sempre em comunicação.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Conferência de Imprensa de Hun Sen


O PM Cambojano deu ontem uma conferência de imprensa, ao lado de Thaksin Shinawatra, onde ultrapassa todas as barreiras do que é diplomacia.

Começa por dizer que o problema que existe entre os dois países é um problema pessoal entre ele e Abhisit e que este último sabe muito bem do que se trata, e que enquanto Abhisit ainda andava a brincar como uma criança, que o era na altura, ele (Hun Sen) já andava na política.

Continua afirmando: Se quer fechar a fronteira, que feche. Nós, cambojanos sabemos muito bem se queremos produtos tailandeses onde os ir buscar e não necessitamos das fronteiras para nada. Para além disso fechar as fronteiras afecta mais os negócios tailandeses do que os nossos visto no ano passado termos comprado 2 mil milhões de US$ e vendido somente 90 milhões.

Para mim, diz Hun Sen, quem está a fazer um grande drama é Abhisit pois foi ele que cancelou um MoU validamente assinado entre dois países (referência ao Memorando de Interesses sobre a exploração das plataformas petrolíferas no Golfo da Tailândia), perguntando como é que a comunidade internacional vai sentir-se ao assinar um qualquer contracto com a Tailândia se sabe que depois eles o podem rasgar. Nós sempre negociamos com a Tailândia em boa fé mas quando acabamos de assinar qualquer acordo eles apagam com os pés, afirma Hun Sen.

Diz ter tudo explicado durante a cimeira em Hun Sen, sobre a nomeação de Thaksin como conselheiro económico tal e qual o tinha antes feito com o actual PM Coreano, Lee, e com Australianos.

Escala o tom acusando Abhisit de ser uma marioneta nas mãos de Thaksin pois cada vez que se fala deste o PM reage sem direcção e simplesmente por razões pessoais e nunca pensando nos interesses do seu povo e do seu país. Podem os tailandeses suportar um líder como este? Pode a ASEAN ter um presidente como este? São duas perguntas das mais insultuosas que faz. Nós (refere a ASEAN) um dia seremos um só mercado, teremos uma só moeda (referência ao modelo europeu) mas quem em vez de querer construir quer destruir é o Presidente da ASEAN, a Tailândia.

Quando acusa o Camboja de ter roubado território à Tailândia o melhor é ler a história e verá quem são os agressores, volta á carga Hun Sen.

Pergunta depois se todo o problema é por o Rei do Camboja ter nomeado Thaksin conselheiro do Governo. Se é assim então voltemos tudo para trás inclusive o golpe de estado de 2006 em que aquele foi retirado de um lugar para o qual tinha sido democraticamente eleito. De que é que Abhisit tem medo? Eu sou PM neste país porque recebi 2/3 dos votos do meu povo. Quantos votos Abhisit recebeu (note-se que o partido Democrata tem só 1/3 dos Deputados no Parlamento)? A nomeação de Thaksin não tem nada a ver com a Tailândia. Ele é meu amigo e amigo não trai amigo.

Abhisit está envolvido em todo o tipo de problemas. Pode morrer devido ao stress que isso lhe causa. Tem problemas com todos os seus vizinhos (Abhisit ainda não visitou nenhum deles o que é tido como uma das grandes falhas da Diplomacia tailandesa em ano de presidência da ASEAN), e para além disso tem problemas com os amarelos, com os vermelhos, os azuis e os verdes.

Que tipo de respeito é que a Tailândia merece para o Camboja (se a tradução para inglês está correcta esta é muito forte pois Hun Sem não refere Abhisit mas Tailândia e portanto torna-se numa forte acusação contra o país). Não há nada no sistema judicial tailandês que deveremos respeitar. No passado davam guarida aos Khmer Rouges quando eles atacavam e destruíam o meu povo e o meu país.
A acrescentar ao que fica relatado, hoje o Governo do Camboja recusou o pedido de extradição apresentado pelo Encarregado de Negócios em Phnom Penh, e mais tarde declarou esse mesmo diplomata persona non grata dando-lhe 48 horas para abandonar o país.

Pergunta-se agora. Qual a resposta? Qual é o jogo de Hun Sen (e de Thaksin)? Apostarem na fragilidade de Abhisit e fazer cair o governo? Mas entretanto Abhisit subiu estrondosamente nas sondagens já que o povo tailandês não tolera tamanha arrogância (para ser simpático) vinda do outro lado da fronteira.

Há quem diga que tudo isto é uma estratégia para fazer Abhisit querer que está forte e pode dissolver o Parlamento e convocar eleições sabendo (ou crendo) que essas serão sempre ganhas pelo Puea Thai. Até pode ser verdade mas é tremendamente arriscada e custosa, mas Hun Sen, como ele diz já anda nisto há muitos anos e não vai ser agora que muda e se torna um líder com contornos democráticos.

Os próximos dias (horas) vão ser cruciais para entender o rumo deste destroyer sem comando.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

PAD no seu pior

Hoje o jornal Manager, propriedade do líder do PAD, Sondhi L. trazia um artigo sobre as disputas actuais entre a Tailãndia e o Camboja, Como é natural o artigo atacava Thaksin Shinawatra e Hun Sen, apelidando o primeiro de traidor à pátria.

Nada de mais. É essa a linha do PAD e portanto é natural esses ataques. O Manager não é um jornal independente é um jornal que defende uma linha política, o que do meu ponto de vista é salutar especialmente se se comparar com outros que se dizem independentes e depois estão totalmente viciados nas suas opiniões.

Aprecio, portanto, mais o Manager do que, por exemplo, The Nation, embora na maíoria das vezes não esteja de acordo com as opiniões lá emitidas por as achar demasiadamente extremistas. Nunca fui adepto de fundamentalismos sejam eles de que quadrante forem.

Hoje porém o Manager ultrpassou o risco do admíssivel.

Esse artigo tinha, na sua versão on-line, variados comentários de leitores e uma das obrigações do jornal, quando autoriza a publicação dos comentários é ver se eles estão ou não dentro da sua linha editorial.

Acontece que um dos comentaristas afirmava, qual membro da Al-Qaeda, o seguinte: "Estou pronto para matar toda a família Shinawatra", ao que infelizmente outros adicionaram alguns comentários de apoio nomeadamente dizendo "os verdadeiros tailandeses estão prontos a tudo".

Pior do que esses comentários foi que no espaço de uma hora 327 pessoas apoiaram aquela afirmação.

Um péssimo trabalho jornalístico, um péssimo trabalho a favor do país, um péssimo trabalho a favor da paz que se necessita.

É legítimo condenar Thaksin, merece-o, mas apelar a e apoiar uma "Jihad" nunca é a solução.

É bom que o PAD e os seus líderes não se esqueçam, como muito bem dizia hoje um dos mais respeitados Professores da Universidade de Chulalongkor, que existem muitas culpas daqui deste lado da fronteira nesta guerra absurda.

O MNE Kasit foi o primeiro a repetidamente atacar o PM Hun Sen com todas as palavras inclusíve chmando-o criminoso; o PAD recentemente entrou pelo "Templo da Disputa" atacando as populações locais que os querim ver fora dali, causando feridos entre os seus compatriotas; por último o governo de Abhisit, apoiado pelo PAD, autorizou que o líder da oposição Cambojana, Sam Rainsy, fizesse um comício em sólo tailandês atacando Hun Sen.

Como diz o provérbio:

Se de um lado venta, do outro chove.

Citações

É sabido que em política não há amigos. Existem companheiros ou camaradas, consoante a área política, mas essa qualificação é sempre ocasional e tem a ver com o momento em que qualquer táctica aproxima ou afasta as personagens.

Temos bastantes exemplos disso em Portugal, em todos os quadrantes políticos, quando se vê encontros ad-hoc sempre no “interesse da Nação”, em que os figurantes (alguns dirão figurões), mudam de casaco com grande facilidade tal qual como numa passagem de modelos.

Também aqui na Tailândia isso acontece e lembrei-me disso a propósito da calorosa recepção que o líder do país vizinho, Hun Sen, fez ao seu “eterno e fiel amigo” Thaksin Shinawatra.

Em 2003 a Embaixada da Tailândia em Phnom Penh foi incendiada pelos cambojanos depois de uma actriz tailandesa ter feito declarações consideras provocatórias acerca de territórios que no entender dela tinham sido roubados à Tailândia pelo Camboja. Nessa altura Thaksin, então Primeiro-Ministro, deste lado, ameaçou enviar forças especiais para a capital cambojana para matar os criminosos e houve uma troca de palavras, através dos meios de comunicação social, bastante quente entre ele e Hun Sen. Os grandes amores por vezes têm os seus momentos de raiva e nalguns dos casos acabam em divórcio. Mais tarde se verá até que ponto quer Hun Sem quer Thaksin podem confiar um no outro. Uma das citações que muitas vezes se ouve é a de que os nossos piores inimigos são os nossos amigos.

Que o diga Abhisit que anda a governar numa gaiola cheia de cobras escorregadias.

Mas recordemos outras interessantes citações ditas em tempos aqui na Tailândia:

Sondhi Limthongkul, co-líder do PAD e agora Presidente do Parido da Nova Política e inimigo mortal (?) de Thaksin “ Thaksin é o melhor Primeiro-Ministro que a Tailândia já teve”, em 2004.

General Chamlong Srimuang, co-líder do PAD: “Thaksin é a pessoa certa para liderar, a partir de agora, o Phlang Dharma party”, o partido que Chalong fundou nos anos 90 e de cuja liderança se afastou nesse momento. Foi o General que trouxe Thaksin para a política.

Nevin Chidchob, o líder de facto do Bhum Jai Thai party, ex braço direito de Thaksin e actualmente dedicado, segundo disse, a defender até à sua morte o Rei e a Monarquia, disse: “Choro pelo que fizeram a Thaksin”. Foi ele mesmo que após ter sido feito prisioneiro e posteriormente corrido de Bangkok (como ele disse com as calças na mão) no rescaldo do golpe de 2006, acusou o Presidente do Conselho Privado do Rei de interferências no processo.

Kasit Piromya, o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês chamou a Hun Sen, por duas vezes, "criminoso" quando era um dos animadores dos palcos do PAD, mas mais tarde disse que tudo o que tinha dito antes de 22 de Dezembro, dia da tomada de posse, não era relevante. Por certo para ele pois Hun Sen não o esquece.

O único que tem razão é o “grande filósofo” português, João Pinto, ex capitão do Futebol Clube do Porto, que disse que “prognósticos só no fim do jogo”. Enorme sabedoria muito aplicável no campo político.

La Famiglia


Uma nova familia nasceu. A familia Shinawatra-Sen

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O Homem que não ouve a ninguém

Thaksin Shinawatra chegou esta manhã, pelas 9.45 locais a Phnom Penh.

Nada de anormal visto ter sido nomeado há dias para assessor económico do Governo do Camboja. Como bom funcionário apresenta-se ao trabalho.

Desde o momento do anúncio por Hun Sem de que iria proceder à nomeação do seu amigo afirmando mais que não o extraditaria para a Tailândia, que a tensão entre os dois países voltou a subir, como já relatei.

No meio dessa escalada Abhisit está a jogar, com sucesso, a carta nacionalista. Começou por apelar a Thaksin para que olhasse para os interesses do seu país, para mais tarde o vir a acusar de traidor entre outros adjectivos. A discussão desceu a níveis tão baixos que o porta-voz do PM,Thepthai Senapong, declarou que Thaksin e a família deveriam ser decapitados! O facto é que Abhisit subiu nas sondagens e agora lidera com confortável margem à frente do fugitivo ex PM.

Assim, como diz hoje o Thai Rath, um jornal de língua tailandesa independente, o povo esquece que o governo actual não resolveu nenhum dos problemas no sector económico, começa a estar manchado por váriados casos de corrupção e nepotismo para além de governar à sombra de um sistema judicial que o protege. Hoje mesmo foi adiada, pela enésima vez, a decisão sobre o financiamento ilegal do Partido Democrata que a ser provada levará (mas tal nunca acontecerá) à dissolução do Partido. Recorde-se também que está quase a fazer 1 ano que o PAD, o pricipal suporte actual de Abhisit, ocupou os aeroportos da capital com os prejuízos de milhões de milhões de bath, mais do que o a totalidade do actual estímulo para a economia, segundo o Banco Central, e ninguém foi presente perante a justiça.
Para agravar as questões Thaksin concedeu uma entrevista ao Times onde faz comentários sobre a monarquia, e se bem que eles em si nada de especial representem, foi mais um prego no caixão que o espera. Todo o tipo de acusações estão a ser feitas o que o obrigou a vir acusar o jornal britânico de distorcer a verdade.

Uma nota interessante para ver como o sistema na Tailândia funciona sempre a favor do vento que sopra. Há dias foram constituídos arguidas algumas pessoas por terem reproduzido uma notícia da Bloomberg sobre a saúde do Rei. Hoje quando, inclusive membros do Governo o fazem, isso já não é uma ofensa passível de procedimento criminal. A já cansada prática dos dois pesos e duas medidas do sistema judicial.

Voltando a Thaksin, o ex PM não consegue parar para reflectir e preparar uma estratégia que seja favorável à sua causa. Thaksin quer voltar ao país, voltar ao poder. Argumenta que é um perseguido político que a condenação de que foi alvo foi politicamente motivada (o que é evidente) mas jogar o papel do separatismo em nada ajuda a sua causa.

Thaksin é conhecido por não ouvir ninguém. Só ele é que sabe, só ele é que tem a verdade. Nem mesmo no tempo em que esteve casado, e com uma mulher poderosa e inteligente, não lhe dava espaço para ouvir um conselho dela ao ponto de ela se ter cansado de seguir um homem sem rumo e sem estratégia.

O seu objectivo é ganhar o coração dos seus concidadãos, dos quais uma vasta percentagem ainda lhe presta grande vassalagem, mas não consegue largar o seu antigo hábito de ver todos os outros como os seus empregados.

Thaksin teve grande mérito em muitas questões na política tailandesa ao ponto de o presente governo replicar, passo a passo, linha a linha, muitos dos projectos que ele lançou ou mesmo alguns que estavam na gaveta ao tempo em que foi corrido pelo golpe de estado de 2006.

Um dos grandes problemas de Thaksin foi a sua atitude para com todos aqueles que eram seus “compagnons de route”, como o seu, actual, archi-inimigo, Sondhi L. Para Thaksin todos passaram de seus parceiros a seus empregados como o patrão que tudo tem e depois distribui os lucros do negócio, como e a quem quer, utilizando tal como uma forma de ir comprando serventias casuais.

Mais uma vez nesta guerra que ajudou a acender com o seu país e que Abhisit, fortemente pressionado pelo PAD, está a inflamar ao contrário do que seria desejável, Thaksin não conseguiu trabalhar nos ganhos iniciais que teve, aproveitar a precipitação do governo de Bangkok, e jogar ele a cartada do “pai do povo” como ele tão bem soube jogar no passado.

Um cão acossado é sempre mais perigoso do que um cão que tem espaço e capacidade para “pensar” e isso é o que se está a passar actualmente com Thaksin.

Deitou a perder o momento que criou e está envolvido numa guerra da qual dificilmente vai sair vencedor. Talvez lhe reste a possibilidade de renunciar à cidadania tailandesa e obter o passaporte, mais um, Cambojano.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Tailândia vs Camboja

A Tailândia e o Camboja voltaram a atiçar o fogo que lavra entre os dois países há muitos anos.

Como já relatei várias vezes as escaramuças na fronteira face à existência de uma longa frente comum de 807 quilómetros, bastante mal demarcada por razões históricas e de tratados nem sempre acordados na plena capacidade de uma das partes.

O ano passado viu esses confrontos acenderem-se, após a candidatura apresentada pelo Camboja a que o templo de Phrae Vihearn, que é deles por decisão do Tribunal Internacional de Justiça de 1962, decisão não contestada pela Tailândia, em devido tempo, a Património da Humanidade. Nesses confrontos acabaram por falecer 14 soldados de ambos os lados quando foi trocado fogo entre as tropas estacionadas no local. Desde essa altura a tensão nunca desceu apesar das muitas fotografias tiradas em conjunto por políticos de ambos os países. A realidade é que a Joint Border Commission, estabelecida através do Memorando de Entendimento assinado por ambos os países em 2001, nunca conseguiu passar do inicio visto nunca terem conseguido definir o nome do templo, que se escreve mais ao menos da mesma maneira nas duas línguas mas pronuncia-se diferentemente.

Em 2003 a Embaixada da Tailândia em Phnom Penh foi destruído por fogo posto por uma multidão enraivecida com comentários feitos por uma artista sobre o “templo da disputa” (era capaz de este ser um nome aceite por ambas as partes) em mais uma demonstração da permanente e latente animosidade que existe entre os dois países, e mesmo entre os dois povos.

Enquanto os laocianos são os “irmãos” os cambojanos nunca conseguiram ter esse “apelido” e a história de permanentes confrontos é disso a prova.

Agora a inimizade entre os dois países atingiu um novo e altíssimo patamar.

Dias antes da Cimeira da ASEAN em Cha-Am/Hua Hin, o novo Prsidente do Puea Thai, o partido de Thaksin, visitou o Camboja e ouviu o seu Primeiro Ministro declarar-se um amigo fraternal do fugitivo ex PM tailandês. Nesse altura Hun Sen também apelou ao dialogo para resolver a disputa fronteiriça.

Chegado à estância balneária onde se realizou a Cimeira Hun Sen conseguiu retirar todo o brilho ao hóspede Abhisit, já que durante um dia a comunicação social só falou da oferta daquele de um posição para Thaksin como seu conselheiro económico ao qual Hun Sen adiantou que Thaksin nunca seria extraditado pois considerava que o seu amigo era um perseguido politico. Chegou inclusive a comparar o ex PM a Aung San Suu Kyi (o que diga-se é de bastante mau gosto).

Abhisit não conseguiu ter resposta para o experiente e matreiro Hun Sen e acabou arrastado no turbilhão de atoardas que foram ditas em vez de conduzir, como líder da ASEAN, a sua própria agenda.

Passado esse incidente, onde mais uma vez Hun Sen se sentiu vitorioso, este voltou a à carga, cumprindo a sua promessa e Thaksin foi nomeado, por decreto Real, Conselheiro Económico do Primeiro Ministro do Camboja.

A Tailândia mostrando mais uma vez a falta de experiência do seu Primeiro Ministro em assuntos diplomáticos decidindo, sem mais nem menos, chamar o seu Embaixador em Phnom Penh, gesto que foi retaliado pelo Camboja no mesmo dia.

Antes da retirada de um Embaixador existem vários outros mecanismos diplomáticos para mostrar o desagrado pela actuação de um pais com o qual se matem relações diplomáticas. Convocar o Embaixador desse pais para o Ministério para indagar do assunto em questão, um aide-memoire, uma demarche, e estes quer verbais (mais leves) quer por escrito (mais fortes), são mecanismos a utilizar antes daquele que Bangkok tomou.

A notícia da decisão do MNE tailandês foi comunicada ao pais através do Secretario do Ministro e não através do porta voz do Ministério visto haver fortes discordâncias sobre a decisão, vista pela maioria dos diplomatas como desproporcionada. Há que notar que a Tailândia é presentemente o Presidente em exercício da ASEAN, é membro do Tratado de Amizade e Cooperaçã, dos quais o Camboja também é signatário, e acaba por criar com a reacção desproporcionada a divisão e não a união como deve ser o papel do Presidente.

Singapura e o Secretário-geral da ASEAN já se manifestaram altamente preocupados e chamaram à atenção dos dois países para os prejuízos que estão a trazer para a associação nas vésperas da reunião da APEC e da Cimeira ASEAN-US, a realizar em Singapura, à qual vai estar presente o Presidente Obama.

A chamada de Embaixadores corta automaticamente os canais de comunicação entre dois países e coloca agora uma questão muito complexa. Como é que se vai voltar para trás? Como é que a Tailândia, repito, Presidente em exercício da ASEAN, vai retroceder sem que isso seja visto como uma derrota para o pais, como já está a sê-lo no contexto da diplomacia internacional.

Do ponto de vista de politica domestica Abhisit marcou pontos e a sondagem que hoje saiu já mostra isso pois voltou a estar á frente de Thaksin. Este pelo seu lado está a jogar uma cartada que lhe pode sair muito cara. Abhisit, inteligentemente (bom teria sido que também o tivesse sido e utilizasse uma medida protocolar mais leve), está a levantar a bandeira patriótica e já apelou para que Thaksin ponha os interesses da Tailândia, o seu pais, à frente dos interesses de um pais estranho. Hun Sen, pelo seu lado, tem o povo todo atrás dele nestas questões de disputas com a Tailãndia e aproveita para reforçar a sua popularidade.

A parada vai alta de ambas as partes e não está mais alta porque os militares dos dois países continuam a ter uma boa relação pessoal. Na noite de Quinta-feira, dia em que a Tailândia decidiu (decisão tomada por Abhisi e Kasit o MNE tailandês que quando era activista do PAD por duas vezes acusou Hun Sen de criminoso – este nunca perdoou a Abhisit a nomeação de Kasit para o cargo vendo isso como uma ofensa pessoal feita pelo PM tailandês), nessa noite, o PM instruiu o Comando do exército para que retirasse o Adido Militar de Phnom Penh, ao que lhe foi dito redondamente. Não! O General que recebeu o telefonema de Abhisit disse que os militares dois países continuam a ter boas relações pessoais e canais de comunicação sempre abertos e que por isso retirar o AM seria uma atitude que não se toma entre amigos.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Portugal Global

O AICEP – Portugal Global realizou recentemente em Bangkok, com o apoio da Missão de Portugal na capital, um encontro com empresas tailandesas subordinado ao tema “Business Opportunities in Portugal”.

Pode dizer-se que o evento foi um sucesso: pelo conjunto largo de participantes e pela sua qualidade.

Os trabalhos foram abertos pelo Embaixador Faria e Maya que no final convidou os participantes para um almoço na Residência, sempre um ponto alto para qualquer evento em Bangkok.

Para além das muitas e variadas empresas estiveram presentes, o Ministério do Comércio, através do Sub-Secretário Geral, o Board of Investment, representado pela sua Directora Executiva, a Thai Chamber of Commerce e dois representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

É a primeira vez que o AICEP, a nova estrutura do Ministério da Economia Português para a promoção de Portugal no estrangeiro, se apresenta na Tailândia e o seu Director Executivo para a região, Carlos Velez Moura, pode dar-se por bastante satisfeito pelos primeiros resultados.

Sabemos que a promoção do país como destino quer turístico quer de investimentos é uma tarefa continuada e permanente e portanto muito há que continuar a fazer, mas estas iniciativas são importantes e pode constatar-se, através, quer das questões colocadas quer através das conversas posteriores, que pelo menos a plateia captou o recado e está apta a continuar o diálogo.

Assim sejam, o AICEP e as estruturas empresariais em Portugal, capazes de responder ao interesse manifestado para já pelos presentes.

domingo, 1 de Novembro de 2009

European Higher Education Fair

Realizou-se durante dois dias em Bangkok a European Higher Education Fair, um evento que tem por objectivo promover o estudo na Europa.

A EHEF insere-se num evento maior, International Education EXPO, onde estão presentes Universidades e Escolas de todo o Mundo na busca de dessiminar a sua cultura e as suas capacidades de ensino e tentando levar para as suas ecolas os estudantes que procuram melhorar e diversificar os seus conhecimentos estudando no estrangeiro.

Hoje em dia, em qualquer parte do Mundo é sabido que estudar e aprofundar conhecimentos é crucial num mercado tão competitivo como o actual.

Fazê-lo num país diferente do de origem faz uma clara diferença. Por norma isso acrescenta ao estudo o conhecimento linguístico e de culturas diferentes, tão necessário um Mundo tão globalizado e tão competitivo, profundamento tornado num pequeno/grande mercado local, pelos meios de comunicação que tudo aproximaram

Os tailandeses são por natureza estudantes. Dizia-me uma colega minha, mulher nos seus 40 com um bacharelato e três mestrados, actualmente a estudar, mais uma língua, espanhol, que ia tentada a fazer um PhD em Línguas numa Universidade Europeia. Os tailandeses são muito mais ousados do que nós nesta matéria e são capazes de largar uma vida acomodada com muito maior facilidade do que em Portugal se faz.

Ainda não sei os números dos que acorreram nos dois dias ao certame mas falava-se em 40.000 pessoas e posso certificar, por ali ter estado os dois dias, que eram muitos e a maioria estava lá interessada em recolher informações que lhes permitissem seguir o seu intento de ir aprofundar os seus conhecimentos no estrangeiro.

Portugal esteve presente através de três escolas superiores: A Universidade Técnica de Lisboa (www.utl.pt) , a Universidade do Porto (www.up.pt)e o Instituto Superior de Engenharia do Porto (www.isep.ipp.pt).

Alguns vieram pela primeira vez, e já disseram que, face ao acolhimento, não será o último. Outros já estão mais acostumados e não só já possuem experiências anteriores de receber alunos tailandeses como têm protocolos assinados com várias Universidades tailandesas.

O resultado foi encorajador, pelo que ouvi e o trabalho que estes "embaixadores" fazem a favor do nosso país é bastante positivo.

O nosso Embaixador, Antonio de Faria e Maya teve oportunidade de estar presente nas cerimónias oficiais e recebeu também os professores portugueses, que aqui se deslocaram, podendo trocar com eles opiniões sobre o desenvolvimento da iniciativa da União Europeia em favor da divulgação do estudo na Europa e do programa Erasmus.Mundus.






quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

As cores são uma constante na política tailandesa e como sabem há uma constante referência às camisas amarelos e às camisas vermelhos e esporádicas aos outros, os azuis, os verdes e os em caqui.

Há dias um dos colunistas do The Nation, por acaso bastante anti-thaksinista, Thanong KIhlantong escrevia um artigo, que aqui fica, e onde fazia uma análise da relação do Primeiro-Ministro Abhisit e as várias cores em cena no país.

A páginas tantas e depois de ir anotando a reacção a cada uma das cores dizia que o “amarelo era ainda a menina dos olhos do PM mas que ele sabe que o seu sistema imunológico não pode tolerar isso por muito mais tempo”,

Ao ler o artigo vê-mos que os fantasmas que assolam a Government House não são só vermelhos como muita gente julga e por vezes os de outras cores são mais perigosos visto não actuarem de frente para o inimigo sendo por isso mais letais.

Ontem Abhisit, numa, ou em mais uma, cartada escusada, decidiu ser o convidado de honra do lançamento de um novo jornal pertencente ao líder do PAD, e agora Presidente do Partido da Nova Política, Sondhi Limthongkul, e recebeu da mão do filho deste Jittanart as devidas honras.

Quando mais de dois terços da população do país rejeita quer amarelos quer vermelhos e no momento em que o PM é acusado de só se preocupar com os problemas em redor de si, é mais um tiro no pé que vai dando e desta forma ajudando aqueles que o criticam. Não admira assim que na sondagem ontem vinda a lume feita pela Assumption University, Thaksin tenha ultrapassado Abhisit em popularidade, inclusive em Bangkok onde pela primeira vez lidera por dois pontos.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Cimeira da ASEAN

O sempre presente ausente Thaksin tem tido mais linhas nos jornais nos últimos dias que o Primeiro-Ministro Abhisit Vejjajiva.

Abhisit deixou-se enredar na teia que lhe foi montada por aquele e por Hun Sen, o PM cambojano e “amigo do coração” do ex PM tailandês, e acabou respondendo às provocações de Hun Sen quando teria sido mais inteligente continuar a sua agenda e desqualificar as palavras do líder do país vizinho.

Abhisit poderia ter utilizado parte das declarações de Hun Sem, quando ele se refere ao objectivo de encontrar uma via negociada para o conflito de fronteira, para saudar essas declarações e obrigar a comunicação social a fazer eco dessas e não das que Hun Sem fez referindo-se ao fugitivo ex-PM e que retiraram todo o brilho do primeiro dia da Cimeira da ASEAN.

Chegar ao fim a 15ª Cimeira, que em si engloba outras cimeiras, sem incidentes foi um objectivo conseguido e a Tailândia deve sentir um grande alívio quando a 31 de Dezembro passar a presidência da ASEAN para o Vietname visto tantas terem sido as dificuldades sentidas para realizar alguma coisa.

A Cimeira acabou, todos se sentem felizes mas na realidade vários sinais dão mostra da sua pouca funcionalidade.

A ASEAN Inter-Governmental Commission for Human Rights (AICHR) foi constituída mas as críticas à sua capacidade de acção e à forma como são nomeados os seus membros são muitas. Os estatutos da Comissão não lhes dão grande capacidade de manobra e o seu papel vai-se restringir à divulgação da mensagem da necessidade de observar respeito pelos Direitos Humanos. Os seus membros são na sua maioria funcionários dos governos e o seu orçamento para o ano de 2010 é de 200.000 USD. Contudo é melhor do que nada e deve saudar-se e apoiar-se o seu trabalho.

O tema da Presidência tailandesa era “ASEAN a People Centred Association” e esse objectivo acabou por ter um grande revés, quando pouco menos de 30 minutos antes do agendado encontro entre os representantes da sociedade civil e os líderes dos 10 países, este teve de ser cancelado quando foi anunciado que metade dos estados membros se recusavam a receber os representantes já que os queriam escolher.

Outro ponto negativo foi o facto de 5 dos 10 líderes não terem comparecido à cerimónia de abertura e o Sultão do Brunei ter optado por, em vez de ficar no hotel oficial que o Governo da Tailândia tinha posto à disposição dos líderes, numa casa pertencente a Thaksin Shinawatra.

A cimeira acabou por ficar marcada, no início pela troca de palavras entre Hun Sem e Abhisit e no fim pelo discurso do Primeiro-Ministro japonês (o Japão a par da China, Coreia do Sul, Índia, Austrália e Nova Zelândia fazem parte da East Asian Comunity) que lançou o repto para o nascimento de uma Comunidade Asiática, ao estilo da União Europeia, alargada e integrada, onde os EEUU deveriam ter uma palavra a dizer (se bem que referi-se que isso deveria ser discutido posteriormente). Hatoyama anunciou que um bom começo deveria ser a criação de uma moeda única que seria a moeda dominante no Mundo visto as economias asiáticas no seu conjunto suplantam os blocos Americano e Europeu.

A proposta japonesa foi a grande surpresa e vai levar os burocratas de todos os estados presentes, bem como os americanos e os europeus, a estudarem cenários possíveis de como a concretização de um passo desses afectará o equilíbrio Mundial.

Hatoyama, recém-chegado ao poder está definitivamente a fazer sucesso no palco internacional e quando receber dentro de dias o Presidente Obama vai dar por certo mais um passo nessa sua visão ainda que se saiba ser uma visão de longo prazo.

Abhisit pode agora dormir descansado pois conseguiu terminar a presidência tailandesa em paz, ainda vai ter tempo para receber Obama em Novembro numa cimeira ASEAN-US, a realizar em Singapura, onde poderá, contando com mais umas fotografias, acabar “em beleza”.

Para a história a 15ª Cimeira vai ficar marcada por dois factos: o início da AICHR e a proposta da Hatoyama.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

O Dia do Rei Chulalongkorn




Hoje comemora-se a data que marca o falecimento do Rei Rama V, Chulalongkorn o Grande, que reinou no virar do século XIX para o século XX e marcou profundamente o desenvolvimento do país, modernizando-o e cimentando a independência do país numa altura em quer o Reino Unido quer a França dominavam na região e tinham pretensões de estender os seus territórios ao Reino do Sião.

Já o ano passado me referi a este dia mas hoje faço-o não por causa de Rama V mas do seu actual sucessor Rama IX que hoje deu uma grande alegria ao seu povo aparecendo no rés-do-chão do hospital onde está internado há nais de 1 mês para colocar uma grinalda de homenagem à sua falecida mãe e ao seu antecessor Rama V.

O Monarca, mostrou sinais de recuperação e a sua aparência foi o sol do dia no país.

A 15ª Cimeira da ASEAN

Inicia-se hoje em Cha-Am e Hua Hin, na costa Oeste do Golfo da Tailândia, a 15ª Cimeira da ASEAN.

Esta é a segunda cimeira que a Tailândia tem de organizar visto esta Presidência ter sido especial e ter demorado 18 meses.

Em final de 2006 os chefes de Estado e de Governo dos 10 países da associação assinaram a sua Constituição e a entrada em vigor em 15 de Dezembro do ano passado, no meio da Presidência tailandesa, fez alterar o ciclo das lideranças.

Como já é sabido as cimeiras, quer as da ASEAN quer as dos seus fóruns ASEAN+3 e ASEAN+6, têm sido bastante agitadas e desta vez o Governo tailandês decidiu quase que construir uma fortaleza à volta do local dos encontros de tal modo que parece estar o país em verdadeira guerra.

As cidades vizinhas onde se vai realizar estas cimeiras estão totalmente cercadas por militares equipados de todo o tipo de material bélico, constantemente patrulhado por caças da Força Aérea e a zona marítima em fronte foi declarada zona proibida á navegação e está patrulhada por um largo número de fragatas e vedetas de intervenção rápida.

No total foram mobilizados 36.000 militares com os enormes custos de salários, horas extras, alimentação, combustível, etc, que lhe estão associados.

Hoje um dos jornais trazia um breve resumo dos custos suportados pelo Gabinete do PM nesta operação.

9 Milhões de Euros a gastarem na recepção aos visitantes
6 Milhões em segurança pessoal incluindo a compra de 20 Range Rover blindados ao preço de 200.000 Euros cada.
625 Mil Euros para montar uma operação mediática que sirva a cimeira.

Todo este aparato de segurança, e todos estes custos, acontece com medo que se repitam os acontecimentos de Abril em Pattaya quando os líderes presentes na cimeira tiveram de ser evacuados à pressa devido à ineficácia (ou cooperação com os manifestantes como muitos dizem) das forças de segurança enviadas para o local que permitiu o avanço dos camisas vermelhas e doutros até inclusívé dentro do hotel onde estavam os Chefes de Governo.

Esta cimeira fica desde já marcada pela ausência à cerimónia de abertura de quatro dos dez líderes. Camboja, Filipinas, Indonésia e a Malásia não estarão representadas na cerimónia inaugural, hoje pelas 9.45 horas locais, pelos seus Chefes de Governo que só chegaram ao local mais no final do dia.

No fundo a Cimeira vai produzir nada. O início da ASEAN Inter-Governamental Commission for Human Rights (AICHR) é o único produto da conturbada Presidência tailandesa mas mesmo assim é uma comissão que deixa muito a desejar visto os seus Termos de Referência limitarem a sua acção a um papel de mero consultor e ser sabido que alguns dos membros escolhidos para esta Comissão representarem, não os interesses da sociedade civil mas os dos governos no poder.

Resta acrescentar que quer os "vermelhos" quer os "amarelos" já anunciaram não ter nenhuma intenção de perturbar a Cimeira. Abisit e o seu Governo já estão tão enfraquecidos que serão sempre vistos como líderes de transição e não como aqueles com quem se pode tomar decisões sobre assuntos bi ou muiti laterais.


A Tailândia estará desejosa de ver chegar o dia 31 de Dezembro altura em que passa a pasta para o Vietname que será o próximo presidente durante o ano de 2010.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Chavalit Yongchaiyuth

O Partido do fugitivo Primeiro-Ministro Thaksin, o Phue Thai, está na ofensiva.

Há cerca de duas semanas conseguiram que o antigo Primeiro-Ministro e antigo Comandante Supremo, General Chavalit Yongchaiyuth, aderisse ao partido e desde esse momento o vento tem soprado a favor.

Chavalit é um velho político, 77 anos, com bastante experiência e respeitado por muitos apesar de minimizado pelo partido no poder que dizem estar o General com Alzheimer.

Tanto no Norte como no Sul do país o General é altamente respeitado e tratado pela expressão Pho Yai (e a sua correspondente em malay-pattani), mostrando o respeito que por ele é nutrido. Foi nomeado Comandante Supremo das Forças Armadas tailandesas pelo General Prem, o Presidente do Conselho Privado do Rei, quando era Primeiro-Ministro. É uma voz ouvida junto dos vários poderes existentes no país.

É para muitos considerado o Presidente do Partido (no país visto o de facto ser Thaksin) ao que ele responde que está no partido somente para ajudar e poder resolver a divisão no país. Sempre a palavra-chave para granjear apoio.

Desde a sua adesão já muitos comentários foram emitidos por personalidades do campo oposto incluindo Abhisit e, fundamentalmente, Prem, o homem que nunca fala.

Isso só mostra a atenção que a sua reaparição na cena política merece.

O General Prem acabou mesmo por escorregar na casca de banana e afirmou ter enviado um emissário para dizer a Chavalit que deveria pensar muito bem antes de aderir ao Phue Thai pois isso “poderia ser visto como um acto de traição ao país”. Estas infelizes palavras, confirmadas de viva voz pelo General, que como referi, raramente fala e afirma nunca se meter em política, já lhe valeram duas acusações de difamação e outros crimes, mas fundamentalmente foram um trunfo para Chavalit.

No rescaldo dessas palavras 50 militares, recentemente reformados, portanto com 60 anos, resolveram aderir ao Phue Thai, numa clara resposta a Prem, afirmando que o faziam para defender a unidade no país e o respeito pela Monarquia.

Hoje foi um Deputado dos democratas que decidiu abandonar o partido para se juntar à oposição.

Contudo Chavalit está numa missão de soberania e de liderança. Aproveitando a extrema fragilidade de Abhisit, cada vez mais visto como o ”guarda da quinta” daqueles que o “contrataram” para essa função, o General resolveu iniciar a sua cruzada de Reconciliação.

Ontem foi ao Camboja tendo sido recebido efusivamente pelo seu “grande amigo” Hun Sen e aproveitaram para que este fizesse afirmações de dois sentidos. Sobre Thaksin umas e favoráveis a um entendimento pacifico e negociado com a Tailândia sobre as disputas fronteiriças, outras.

Quanto a Thaksin disse para ele vir para o Camboja onde será "recebido de braços abertos" e que ele próprio irá construir uma casa, por certo com o dinheiro dos contribuintes, para o fugitivo ex PM. A sua mulher disse que cada vez que fala de Thaksin lhe vêm as lágrimas aos olhos pois não entende o “que os tailandeses fizeram a quem de eles tão bem tratou”. A conversa desta manhã em Bangkok era estas notícias transmitidas pela televisão, pelas rádios e por todos os jornais como a grande “caixa”. Chavalit conseguiu também obter as afirmações positivas sobre a relação entre os dois países e sai assim vitorioso deste encontro. É importante notar que a partir de amanhã os líderes dos países da ASEAN se vão reunir em Cha-Am/Hun Hin, zona trasnformada numa fortaleza inexpugnavel sob a escolta de 36.000 militares e fortes contingentes de equipamento bélico da marinha e aviação, e Hun Sen chega lá fortalecido e irá falar com Abhisit numa posição de força mostrando que não é com ele que os problemas dos dois países se resolvem.

Continuando esta política externa Chavalit irá para a semana reunir-se com o PM malaio e com o General Than Shwei, o líder da junta birmane, também tentando obter declarações importantes no que respeita aos problemas nas duas fronteiras, Sul e Oeste.

Mas Chavalit não se fica por aqui. Já agendou para a semana uma visita ao Sul do país para discutir localmente as questões do conflito que se arrasta à 5 anos e todos os dias vitima pessoas. Terá ainda um encontro com o General Chamlong, nem mais nem menos do que o co-líder do PAD, falando-se que posteriormente se irá encontrar com Sondhi L. o outro co-líder e agora Presidente do partido político que o PAD fundou.

Chavalit aproveita a falta de liderança que Abhisit demonstra para mostrar ao país, através de actos que fazem as manchetes de todos os meios de comunicação social, quem é capaz de enfrentar e resolver os grandes problemas do país.

O General já afirmou que o seu objectivo é o de conseguir a harmonia dos tailandeses e depois pensar nas questões estritamente políticas como a respeitante à alteração da Constituição que tem sido o grande cavalo de batalha de Abhisit nos últimos dias. Essa batalha tem eventualmente o objectivo de fazer esquecer a profunda confusão que arranjou na Polícia. Esta corporação está profundamente enfraquecida e a perder respeitabilidade pelo facto de não haver novos comandos nomeados desde o dia 1 de Outubro. Os que estão são interinos e os que deveriam estar ainda não foram nomeados e acontecem agora, todos os dias, casos em que os subordinados não respondem às ordens, visto não reconhecerem a liderança que as dá.

O Velho Leão como muitos lhe chamam veio avivar a luta política no país, fazê-lo com estilo e com a experiência que um PM deverá ter e vê-se que sabe muito bem todos os movimentos que estão em curso no país. Espera-se agora a resposta do partido no poder mas para já a única coisa de que os democratas foram capazes foi ter Shutep avisado que se Thaksin entrasse no Camboja seria activado o processo de extradição, o que não é novidade pois isso já foi dito umas centenas de vezes. Não é em si um facto político e para que a Tailândia consiga a extradição é necessário que o Camboja active de igaul modo esse mecanismo o que a avaliar pelas palavras de Hun Sen nunca será feito.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Reconciliação

Uma palavra que anda sempre na boca de todos os Partidos e de todos os políticos é Reconciliação. O objectivo de todos é a reconciliação nacional, assim o dizem.

Abhisit quando apresentou o programa de governo, um dos principais pontos que estabeleceu como objectivo da sua governação foi o de reconciliar os tailandeses divididos e desavindos entre os campos, amarelo e vermelho.

Na realidade desde meados de 2005 que se vem notando uma profunda e crescente divisão entre as gentes da província e as elites urbanas.

O problema não se põe tanto em estritos termos de classes sociais, como seria na Europa, mas na diferença entre aqueles que lutam por 100 bath por dia e aqueles que gastam mais do que isso cada vez que vão a um Starbucks beber um café.

Aqui há meses realizei uma missão ao nordeste do país onde tive a oportunidade de contactar com todos os espectros da sociedade e é clara a diferença existente entre aqueles que lutam pelo arroz do dia e os outros. Houve algumas perguntas que fiz a todos de modo a testar o conhecimento que teriam de certos temas como Direitos Humanos e o conflito no Sul da Tailândia. Dos “eruditos” obtive respostas mais ao menos decalcadas de um qualquer jornal, por vezes ainda com a cor do redactor agarrada às palavras do meu interlocutor. Dos “incultos” (usando a linguagem do PAD) ouvi indiferença, desconhecimento pois ou seus pensamentos estavam quase sempre centrados em coisas locais e que lhes são próximas.

A Tailândia está profundamente divida entre estes dois grupos e obter a reconciliação dos seus interesses é uma tarefa de grande monta.

O atitude das “gentes de Bangkok” profundamente distanciadas das populações em nada ajuda. Recorde-se que o último Primeiro-Ministro a visitar o Nordeste foi Thaksin Shinawatra (só agora Abhisit foi a Buriram – escoltado pelos guardas de Nevin - e a Ubon, Yasothon e Amnat Charoen, sempre de helicóptero entre cada cidade). recorde-se que depois de Thaksin já houve Surayuth, Samak (já agora correm rumores de que terá morrido) e Somchai antes de Abhisit chegar ao poder.

A atitude da burguesia urbana classicista, discriminativa e racista (os da províncias são escuros e os das cidades brancos) foi sempre aproveitada, e aprofundada pelo PAD quando proclamavam através da sua “Nova Política” que os compatriotas do campo não dispunham de educação suficiente e se deixavam comprar nas eleições e, por isso, não poderia haver um Parlamento 100% eleito. Refira-se que há dois estudos, um conduzido pela Universidade Assumption e outro pela The Asian Society, que mostram que hoje em dia os eleitores recebem dinheiro de todos os partidos, inclusive dos Democratas, e depois votam e plena consciência. Será que se pode exigir a uma pessoa que luta pelos tais 100 bath (2,1 Euros) por dia para comer que rejeite as notas de 100 ou 500 bath que todos os Partidos lhe estendem? Interessante é que nunca se ouviu nenhuma dessas vozes da cidade propor um plano dotando mais fundos para “educar” as pessoas que eles julgam não educados.

O Mundo está cheio de exemplos onde as eleições mostram a grande sabedoria dos eleitores. Quando se julga que um povo vai voltar de esta ou daquela forma por norma acaba por se obter resultados que mostram uma grande capacidade de entendimento daquilo que são as capacidades dos candidatos pelos votantes. Já estou a ver todos a vasculharem nos arquivos de memória os muitos exemplos contrários ao que digo, e por certo terão razão, mas esta é a minha convicção.

A sabedoria do povo feita e cimentada através do seu viver diário e do pragmatismo, porventura recebido do facto de lutar pela vida dia a dia, acaba por ser prevalente na formação das consciências cívicas que nós, citadinos, burgueses, sempre acomodados, consciente ou inconscientemente julgamos deverem merecer algumas lições de nós.

A Reconciliação nacional é o tema de todos os políticos em Bangkok até porque sabem que as palavras soam bem e ganham simpatia e melhor ainda não são atacadas mas as acções ficam sempre para amanhã.

Contudo na província as acções são para hoje e começam a despontar um pouco por todo o lado iniciativas que visam juntar amarelos e vermelhos à mesma mesa para de uma forma correcta dirimirem as suas disputas. fala-se de vermelhos e amarelos visto serem hoje em dia os símbolos dos dois campos que se opôe ainda que por vezes exista um total incoreecção na identificação dos motivos e objectivos detrás dos dois grupos. Ou muito me enganao ou ainda os irei ver juntos em Bangkok.

Desde Korat, a Ubon, a Chiang Mai, para só citar alguns, e agora Phayao surgem essas iniciativas do “povo inculto e deseducado” qual professor dos “ilustres urbanos”. Neste encontro no Norte as camisas mudaram de cor e o vermelho e o amarelo só são visiveis na parede.

Como há quem diga em Portugal: 20 valores.

sábado, 17 de Outubro de 2009

Chiang Mai


Faz hoje 142 dias e vejam como está crescida.

Ainda só está visivel para visitas oficiais razão pela qual, embora esteja em Chiang Mai, só vejo Lin Ping em fotografias.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Ainda Mariza

John Clewley, o jornalista que tem uma coluna no Bangkok Post chamada “World Beat”, voltou a escrever sobre o concerto de Mariza no passado dia 8 em Bangkok e parte do Festival de Música e Dança da capital tailandesa.

Tinha sido o mesmo autor que há três anos tinha dito “One of the best concerts I have seen” (lembro-me de ter lido não um dos mas o melhor) e agora repete a frase afirmando que o do dia 8 “was even better”.

Por vezes temos, em Portugal, uma noção um pouco restrita daquilo que são as conquistas conseguidas no estrangeiro por artistas com o peso de Mariza e outros lutando por dar a conhecer a nossa cultura e os nossos valores e muitas vezes sem a pompa promocional que outros paises conseguem produzir.

Na passada Sexta-feira tive um jantar em casa do Embaixador Belga na capital e, como o tinha visto no concerto, perguntei-lhe se tinha gostado do espectáculo. Para meu espanto afirmou-me já ter visto a Mariza actuar ao vivo 6 vezes e que tem todos os seus discos, fazendo-me corar pois eu só a vi duas vezes e tenho uns meros 4 discos.

Mariza conquistou as gentes de Bangkok e só é pena que os discos dela não estejam acessíveis ao público aqui.

Vale a pena dar uma vista de olhos sobre o artigo do Bangkok Post que aqui fica.

Também o The Nation relatava hoje, sobre o concerto do dia 8, num artigo intitulado Fado's Beating Heart e a alturas escreve Michael Smithies que - os espectadores vêm "comer-lhe à mão" devido a forte personalidade e ao encanto de Mariza - Fala igualmente da magia da cantora ao ter conseguido transformar a enorme sala de espectaculos de Bangkok numa pequena Casa de Fado (taberna como ela lhe chamou), onde todos couberam e viveram Lisboa por uns instantes.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Rumores e mais Rumores

A falta de informação é a maior amiga do Rumor.

Os Rumores alimentam todo o tipo de mentes sejam elas as mais esclarecidas seja, elas as mais influenciáveis.

A capital está cheia de Rumores.

Nada de anormal já que por exemplo Rumores sobre golpes de estado são mais frequentes que os próprios golpes tão frequentes que já poucos lhes ligam.

Não deve haver nenhum mês em que não passe pela cabeça das pessoas, e porque são induzidas através dos rumores, que um golpe está para sair à rua. Uma vez que também embarquei num dessas rumores, ou boatos numa linguagem mais vulgar, disse a uma amiga minha que tivesse cuidado visto estar eminente a saída dos militares para as ruas ao que ela me respondeu que se eram os militares era o Rei e por isso estava descansada.

O que ela me disse é para além de tudo um sinal do conforto que o Rei transmite ao seu povo que muito o ama.

Mas os rumores desta vez são sobre a saúde do próprio Monarca o que põe milhões de corações ansiosos.

A estadia de Sua Majestade no hospital é a mais longa que a maioria das pessoas tem memória. Em 2007 esteve hospitalizado durante 25 dias na sequência de um pequeno problema cardíaco mas desta vez está hospitalizado há já cerca de 1 mês e os boletins que são diariamente emitidos pelo seu Secretariado são de alguma forma pouco elucidativos.

Ontem a Bolsa caiu mais de 4% e hoje voltou a baixar 2% sendo que um dos títulos mais penalizados foi o do Siam Commercial Bank, um banco cujo maior accionista é o Crown Property Bureau. Tal facto foi claramente assumido por jornais de língua tailandesa como um sinal de preocupação sobre a situação no país e o Presidente da Bolsa teve de vir esclarecer que tal não era justificavel.

O papel inigualável que o Rei conseguiu junto do seu povo ao longo de mais de 60 anos de reinado, faz com que qualquer pequeno problema ao seu redor seja sentido pelo país de uma forma intensa como o demonstram o já cerca de meio milhão de assinaturas nos livros que estão à disposição no hospital onde se encontra para que cada um possa desejar as melhoras ao reverendo Monarca.

Será importante que o Royal Household Bureau consiga mostrar rapidamente ao país que os cuidados médicos ministrados ao Rei estão a resultar e que ele está a ganhar forças para de novo poder acenar com carinho ao seu povo.

Como Bangkok é Grande!

Anteontem dizia-me uma amiga que vive na zona leste de Bangkok, para ter cuidado ao guiar pois a chuva era torrencial e tudo à sua volta estava “debaixo de água” o que a impedia de sair de casa.

Respondi-lhe que onde me encontrava nem sequer chovia embora mais tarde tal tenha acontecido.

Na realidade choveu bastante mas nada que “fizesse parar o trânsito” aqui no centro da cidade.

Acontece que desde essa altura tem continuado a chover com profunda intensidade ali na zona leste se bem que noutras áreas o tempo esteja calmo.

Ontem pela tarde o tempo aqui no centro era mesmo extremamente bom com o céu limpo, azul e uma brisa ligeira. Atravessei a pé todo o parque Lumpini, mesmo ao lado do escritório, e o clima era mesmo de Primavera.

Estamos no mês onde é natural haver cheias em Bangkok mas essas cheias são normalmente devidas ao facto do Chao Praya, o rio que banha a capital, sair das suas margens por força de dois elementos que se conjugam em paralelo. Vir cheio do Norte devido ao acumular das águas das chuvas e a maré do Golfo da Tailândia atingir o seu ponto mais alto tornando mais dificil o fluxo das águas para Sul.

O Governador de Bangkok já encomendou uns milhões de sacos de areia que estão a ser colocados nos pontos mais sensíveis ao longo das margens do rio para obviar à situação. Agora o que o Governador de Bangkok não estava por certo a contar é que teria de arregaçar as calças para andar na zona de Srinakharind onde há três dias consecutivos a água tomou conta das ruas.

Hoje um jornal trazia uma fotografia muito engraçada que mostrava uns garotos, a brincarem na água, como é normal nestas situações, mas estes estavam à pesca de peixes e mostravam já uma das suas capturas.
Temos assim um aparte de Bangkok “debaixo de água” e outras com sol , qual eira e nabal.