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segunda-feira, 25 de julho de 2011

500 Anos

Abaixo um pequeno excerto do artigo hoje publicado no The Nation ácerca de mais um acontecimento comemorativo dos 500 Anos da chegada dos Portugueses ao reino do Sião, actual Tailândia.

"The Portuguese were the first Europeans to enter Ayutthaya in 1511. Today, five centuries on, Thailand and Portugal are the closest of friends, so much so that a Thai pavilion is about to be constructed in the heart of Lisbon to celebrate the five centuries of diplomatic ties.

Yet many Portuguese today are decidedly ignorant about Thailand. Generalities abound, with many believing that Bangkok is in Indochina, bamboo is everywhere, the city is criss-crossed with rivers and canals, and the movie "Tears of the Black Tiger" is great".

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Natal em Maio

O Pai Natal tailandês apareceu este ano mais cedo mas, com o mais que possível anúncio de eleições à porta, está "justificado".

Hoje o Bangkok Post intitula ao largo da primeira página "Abhisit acusado de compra maciça de votos" referindo-se á verdadeira "orgia" de aprovações de despesas que foi o conselho de ministros de ontem tido por ser o último desta legislatura antes da realização de eleições.

Já ontem me referi a esta reunião do gabinete mas vale a pena relembrar os números: 102 pontos na agenda acrescidos de 96 fora da ordem do dia também para discutir mais 56 relatórios a serem considerados! Obra ciclópica diria Marcello Caetano.

Começou às 8 da manhã e estendeu-se por todo o dia e acabou por ser considerado pelos vários jornais, quer de língua inglesa quer de língua tailandesa, como um verdadeiro acto de campanha eleitoral. Interessante de notar que o único jornal que não traz nenhuma referência ao assunto na primeira página é o jornal de língua inglesa The Nation, normalmente sempre muito próximo dos pontos de vista do governo.

Um dos pontos mais atacados é a concessão de dois anos de moratória na aplicação de juros para a compra da primeira habitação. A partir da próxima Sexta-feira quem queira comprar casa, pela primeira vez (ou arranje alguém que faça esse favor em nome de alguém que já tenha uma ou várias casas) terá direito a não pagar juros nos dois primeiros anos do contracto de hipoteca. Esta decisão contraria claramente a declaração feita á imprensa pelo porta-voz do PM de que afirmou ontem só ter sido aprovada uma despesa de 733 milhões de baht (56 milhões de euros), já prevista no orçamento, visto todos os outros pontos serem unicamente promessas orçamentais dependentes de posteriores aprovações. A anterior referida não é uma promessa (aplica-se a partir do dia 6) até porque se o fosse iria criar uma grande confusão no mercado imobiliário. Por outro lado não é com promessas que se ganham votos?

O quadro acima mostra as aprovações do conselho sem incluir as despesas destinadas aos militares que são de grande monta como ontem referi.

O total ronda os 1,2 mil milhões de euros. Num momento em que o deficit orçamental já era uma preocupação do Ministro das Finanças nota-se a generosidade do governo. Se aplicassem esse valor na compra de dívida externa portuguesa por certo que obteriam um bom retorno (com o elevado risco associado) o que seria também uma boa acção de ajuda a um "doente" por certo apreciada na altura em que se comemoram os 500 Anos das relações entre os dois países.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Demissão de Sócrates

Numa mais que anunciada e muitos dirão atrasada decisão o PM português entregou a sua "resignação" ao PR ontem ao final do dia depois de ter perdido no Parlamento o voto que lhe daria mais uns tempos em São Bento.

O Parlamento acabou por dizer Não ao PEC IV. O PSD desta vez, contrariamente ao que tinha feito antes (abstenção), votou contra o que foi o suficiente para que mais uma medida de austeridade levasse a que ao fim de seis anos o PM apresentasse a sua demissão do cargo.

Cabe agora ao PR consultar os partidos com assento parlamentar e todas as forças que entender por bem, e decidir. Poderá decidir por solicitar ao partido mais votado, o do demissionário PM Sócrates, para apresentar outro governo, pode solicitar a outro partido que se "aventure" a constituir governo ou pode, sendo esta a mais provável decisão, depois de consultar o Conselho de Estado convocar novas eleições legislativas que se realizarão num prazo de até 55 dias após a sua convocação.

O plano de austeridade ontem apresentado era o PEC IV, ou seja tinha três irmãos anteriores, três planos que se mostraram incapazes de resolver o que quer que seja e só mantiveram a nau a flutuar num mar muito revolto.

As medidas têm sido pouco criativas e assentam sempre em duas vertentes. O corte de custos públicos e o aumento da receita fiscal. Qualquer das medidas tem o seu limite e caricaturava-se há dias em todos os jornais mostrando que o PEC IV era a forma de os contribuintes irem entregar a última coisa que lhes restava ou seja a roupa que vestiam.

A capacidade dos portugueses encontrarem mais fundos nos bolsos está esgotada e pedir mais aos mesmos nada adianta a não ser manter essa nau desgovernada a flutuar por mais um tempo, cada vez mais escasso.

Em Julho do ano passado este mesmo governo que ontem "se rendeu" tinha apresentado um plano de austeridade anunciado quer pelo PM quer pelo Ministro das Finanças como a correcção necessária para os desajustes da economia portuguesa.

Esse acto mostrou a total incompetência do executivo Ou por um lado não sabia qual era a realidade financeira do país, o que é grave pois está na sua mão conhecer as contas do estado, ou por outro lado estava a mentir ao povo português levando-o a entender que aprovando aquele plano se entraria num novo capítulo de ajustes orçamentais e estruturais da economia.

Enganado Portugal lá teve de aceitar um segundo e um terceiro plano sempre com as mesmas medidas cada vez mais rigorosas mas sempre socorrendo-se dos bolsos rotos e esvaziados dos contribuintes.

A economia mundial já tinha passado pelo seu pior momento do último choque quando Sócrates apresentou ao país o seu PEC I salvador da crise que afectava o país o que lhe oferece menos desculpas.

Portugal vive sobre a espada de uma intervenção do FMI como se isso fosse uma desgraça que levaria o país para o fundo de uma escuridão de onde não sairia.

Na nossa casa não se deseja haver outros a impor regras mas quando não somos capazes, e há que lembrar que os portugueses reelegeram o actual demissionário PM recentemente, devemos aceitar isso de cara limpa e olhando para a frente e há no Mundo exemplos de sobra de países que ainda há pouco estavam nessa situação e que agora brilham (Indonésia e Argentina são dois exemplos). O facto de estarmos na zona Euro retira-nos alguma margem de manobra mas o mesmo se passou com a Grécia e a Irlanda e o facto de terem sido ajudados não lhes retirou capacidade de futuro.

O que nos tirará essa capacidade será a nossa inabilidade, se assim continuarmos, para construir o país.

Falta-nos uma noção de país, de pátria e uma capacidade de projectar vitórias. Não somos capazes de dar as mãos em seguir em frente. Só causas fúteis como a Selecção de futebol é que nos consegue aglutinar e mesmo assim teve de ser um brasileiro, Scolarai, a dar esse empurrão.

Há uma anedota que corre na net que mostra isso bem. Pergunta um português a outro. "Como é possível que um povo como o nosso descendente dos grandes conquistadores do Mundo chegue tão baixo?" E o outro responde: "Estás enganado nós somos descendentes daqueles que ficaram não dos que partiram à conquista do Mundo".

A apresentação de demissão de Sócrates, que muito provavelmente será aceite pelo PR, coloca contudo mais incertezas do que certezas.

Qual vai ser a solução possível? Quem é o líder que neste momento é capaz de galvanizar os portugueses para o futuro? Quem terá a coragem de apresentar ideias inovadoras que consigam colocar o país a olhar para a frente e não para os pés? Vem esse líder que de partido? E se as eleições continuarem a mostrar a enorme insuficiência de mentes capazes de fazer aquilo que atrás descrevo?

Confesso que tenho grande dificuldade em vislumbrar neste momento quem, será capaz de semelhante tarefa e tenho um terrível medo quando de alguma forma considero Sócrates como um dos melhores políticos actualmente em Portugal, pelo menos visíveis à superfície.

Sou voluntarista por natureza e tento pensar que há no espectro partidário português pessoas capazes da tarefa que se lhes vai pedir, mas acabo por ser pouco convicto neste meu sonho que quero que seja uma realidade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

José Eduardo Bettencour abandona

O Sporting sofreu mais uma humilhante derrota em Alvalade e José Eduardo Bettencourt apresentou a demissão do seu cargo de Presidente no rescaldo do jogo.

Oito anos na Vice-Presidência do clube, alguns dos quais na companhia de JEB e quase 63 anos de sócio, impedem-me de não me manifestar perante a situação.

Tenho por JEB amizade e respeito pessoais. É uma pessoa de bem, um sportinguista nato de coração generoso mas faltou-lhe liderança à frente do clube.

Desde cedo deixou que a estrutura e sobretudo os “abutres” (não gosto muito de adjectivar pessoas mas neste caso faço-o) que voam sempre sobre os clubes de futebol tomassem conta da nau e as consequências foram visíveis.

O futebol é um sector da industria de entretenimento muito especial e que movimenta muitos interesses sendo o principal os holofotes que sempre estão sobre os actores. A maioria diz detestar a atenção que a comunicação social dá ao mais pequeno acontecimento, mas não é capaz de resistir em aparecer numa boa capa especialmente quando esta o adula.

O futebol carece de uma forte liderança, unipessoal pois se assim não for não é liderança é um pseudo comando cedendo à esquerda e á direita e portanto não seguindo em frente. Como referi conheci com alguma profundidade o meio do futebol e a grande diferença que existe entre o FC do Porto e os seus dois grandes rivais é que naquele clube sabe-se quem manda. Ninguém tem dúvidas e nessa questão não entram empresários de futebol nem promotores publicitários, muito ao contrario do que acontece nos clubes de Lisboa.

As ditaduras, assim se pode chamar ao que me refiro, são pouco do meu agrado mas no futebol têm a enorme vantagem de não permitir intrusões alheias nem dúvidas sobre a liderança.

Ao grosso dos actores do futebol não se pode pedir, até pela sua proveniência social (e não escondamos as coisas – ainda me lembro do Cristiano Ronaldo com 16 anos que nem falar sabia) e formação, repito, não se pode pedir que actuem num ambiente de liberdade/responsabilidade que seria decerto mais produtivo.

José Mourinho costuma dizer que prefere jogadores inteligentes do que jogadores com grande talento e ele diz isso pois é mais simples para ele fazer entender os seus pontos de vista de uma forma concertada junto daqueles que têm capacidades de assimilação superiores.

Quem se aproveita deste ambiente são os “apoiantes, conselheiros e outros” dos actores e todas essas opiniões “avisadas” nada acrescentam ao bom funcionamento de uma equipa de futebol que necessita essencialmente de conhecer o “dono” e saber com muita clareza o dia seguinte.

Nada disso aconteceu durante a gestão de JEB. Os problemas de uma estrutura complexa, muito ao estilo empresarial mas não atenta aos recursos humanos de que dispunha, muito cedo começaram a vir ao de cima e JEB começou a isolar-se criando uma barreira entre ele e os que tinham opiniões diversas (e que no seu entender estavam contra ele) o que levou à demissão de Rita Figueira, Miguel Ribeiro Telles, entre outros.

O dia em que JEB, o Presidente, veio a público chamar de terroristas aos sócios, mostrou-me o seu isolamento. Um Presidente nunca diz isso. Um Presidente “manda” dizer, um Presidente tem os seus apoiantes que dizem isso e outras coisas mas não pode descer tão baixo. Como o JEB eu também sou fundamentalmente um “adepto do peito” do clube mas o Presidente tem de deixar por momentos esse título de adepto pois tem de ter uma postura que não se conforma com o grito que se dá no momento em que o golo acontece, o impropério que se lança quando algo não core como gostamos, etc.

A recente contratação do José Couceiro, outro sportinguista sem dúvida e sem mácula, veio mais uma vez mostrar a incapacidade de JEB lidar com o universo complexo que é uma estrutura e um clube de futebol.

Que eu saiba JC não entrou para substituir ninguém, ninguém se demitiu para que ele entrasse, então porque é que só após tanto tempo foi notada a necessidade de um Director-Geral que afinal é mas é Administrador e que de início manda num dos administradores que por sua vez manda em JC.

A confusão com esta nomeação, que nada irá acrescentar ao clube a não ser mais um cadáver para outro armário, mostra a falta de ruma da estrutura do clube.

Agora virá outro Presidente mas a estrutura, as portas abertas aos adeptos, aos empresários, aos patrocinadores e aos jornalistas continuam escancaradas e portanto sem ser possível fazer uma remodelação completa (extremamente dispendiosa no momento em que a dívida é assustadora) em nada irá mudar o futuro próximo do clube com muita, mesmo muita pena minha.

Até à entrada do JEB o clube estava a trilhar os primeiros passos para poder criar uma organização com algum potencial de futuro. Os resultados desportivos eram razoáveis. Agora voltámos para trás e vai ser muito difícil encontrar o rumo.

A JEB nunca lhe faltou o empenho, que sempre foi muito, mas faltou-lhe o engenho.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cá como Lá

Esta poderia ser a "fotografia" do parlamento de São Bento só com a diferença de que não há dinheiro para tamanha estarvagância que é o aumento de salário.

Os aumentos dos políticos na Tailândia continua a ser a nota dominante do dia e as setas estão apontadas para os Deputados.

De acordo com os dados vindos a público nenhum dos 630 membros do Parlamento (480 Deputados e 150 Senadores) esteve presente em todas as votações durante a última sessão parlamentar.

Houve 39 que "heroicamente" só falharam uma votação mas há um dos Deputados, e ainda por cima dos mais antigos políticos no hemiciclo, Snoh Thienthong do partido Pracharaj, que nunca votou (não é referido se por acaso foi alguma vez ao Parlamento).

Por outro lado há um deputado, Kiat-udom Menasawat do partido Pheu Thai, que custou ao estado 627,565 baht (15,700 euros) em viagens ao seu círculo eleitoral pois viajou de Bangkok para Udon Thani, 230 vezes o que faz que, por certo, esteve por certo mais tempo num avião do que ou no parlamento ou junto dos eleitores.

Ontem mesmo foi lançado uma página no Facebook intitulada " Cremos que existem mais de um milhão de tailandeses contra os aumentos" e o primeiro dia foi um sucesso em adesões.

Assim vai o país tal qual outros que bem conhecemos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Hu Jintao em Portugal

A visita do Presidente Hu Jintao a Portugal trouxe para as primeiras páginas dos jornais portugueses a "ajuda" que a China pode dar a Portugal nestes tempos tão conturbados para o país, o seu povo e a sua economia.

A questão tem de ser vista num contexto muito mais vasto do que a simples visita de um chefe de estado e a assinatura de alguns acordos que o Governo português usa para sua promoção e publicidade interna.

Não é por acaso que a revista Forbes considerou este ano Hu o homem mais poderoso do Mundo relegando para um plano secundário Obama que tinha ganho o mesmo "título" no ano passado.

A diplomacia externa Chinesa da era Hu Jintao tem sido uma das componentes mais fortes da politica desta potência. A abertura do país à política dos dois sistemas começou com Deng mas Hu entendeu que haveria muito mais a fazer do que somente deixar que algumas zonas do país ganhassem um desenvolvimento desproporcional com outras. Aliás esse desenvolvimento não corrigido era por si só uma ameaça á estabilidade necessária para o desígnio da nação chinesa de "conquistar o mundo".

Hu corrigiu algumas assimetrias, introduziu métodos mais consistentes com as necessidades dos seus clientes ocidentais (lembre-se a forma enérgica como foram condenados os falsificadores do leite para crianças), e tem continuado a política de Deng de ser o banqueiro dos Estados Unidos com a diferença de que estendeu essa prática a outros países especialmente aqueles que podem contribuir para ajudar a China nesse seu propósito de dominação pela força da sua economia.

As próximas cimeiras da APEC e do G-20 são mais dois passos na verificação do domínio chinês e da forma como esse domínio no sector financeiro é a "salvação" das economias mundiais em crise no ocidente. Essa mesma foi já a expectativa da cimeira dos Ministros das Finanças da APEC reunidos esta semana em Kyoto.

Vários países ainda têm dúvidas sobre acreditarem ou não no crescente poderio chinês, Brasil incluído, mas aqueles têm a paciência necessária para esperar e continuar a sua política de suavemente tomarem posições nos vários fora mundiais.

O Fundo Monetário Internacional na sua reunião de Sexta-feira passada colocou a China como a terceira voz mais importante no seu Conselho, depois dos EEUU e do Japão.

O governo chinês soube durante a crise económica dos últimos 18 meses, e que ainda subsiste em parte, impulsionar a procura interna de tal forma que mostrou ao mundo que o facto de a procura externa ter decaído, devido aos problemas no ocidente, não era um impeditivo para o desenvolvimento da economia na China e que este país pode ser o motor da recuperação. A permanente batalha entre os EEUU e a China sobre o valor do Yuan, acaba sempre por ser ganha pela China que abre um pouco a gaveta quando quer e a fecha no momento seguinte. Mesmo as questões dos direitos humanos (exemplo o recente Nobel atribuído ao activista Chinês Liu Xiaobo), não conseguem criar obstáculos na progressão ao mesmo tempo suave e firme dos avanços do "império amarelo".

A visita de Hu a Portugal e os grandes ecos feitos sobre ela não podem deixar de ser desassociados da próxima presença de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas e da estratégia global da China em aproximar-se do Mundo de língua portuguesa (Brasil e Angola especialmente) devido aos seus recursos naturais, tão necessários para o apoio do crescimento económico chinês. A China através de imensos mecanismos, financeiros e económicos, tem hoje uma presença forte e determinante nos dois referidos países. Em 2004 quando Angola estava num momento de grave crise financeira foi o governo da China que avançou com dois pacotes de 10 mil milhões de dólares cada que foram usados como um balão de oxigénio para a nação africana. Nesse momento o país já não conseguia dar garantias para os empréstimos externos e a China soube contornar esse problema para em vez de pedir petróleo pedir o desenvolvimento das infra-estruturas que hoje estão a ser feitas por empresas chinesas em Angola. A China é de um pragmatismo que não tem comparação com a mentalidade ocidental e dessa forma, que apelidei atrás de suave e firme, vão avançando e conquistando as posições, quer nos países quer nas organizações internacionais, que lhes darão de mão beijada a liderança a curto prazo do curso da história do nosso planeta.

Será bom, será mau? O tempo o dirá mas o facto é quem ignorar esta realidade está de olhos e ouvidos tapados e é por certo cego.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lisboa não fica atrás

Lisboa quis mostrar que nós também temos cheias e desdobrou-se em esforços para ultrapassar Bangkok o que conseguiu com alta classificação.

Ainda não está ao nível das cheias no centro da Tailândia mas a desordem urbanística e o desleixo dos escoamentos fez com que muitas artérias da baixa lisboeta se transformassem esta manhã em verdadeiros rios como se pode ver nas imagens.






segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Domingo em Santa Cruz

O Domingo de ontem foi um dia especial passado em Santa Cruz o "bairro português" de Bangkok.

Já uma vez me referi a esta comunidade que mantêm consigo algumas memórias de Portugal.

Para além da Igreja, onde assisti á missa das 8.30 em tailandês, há uma pequena comunidade ancorada quer na Igreja quer na escola do convento de Santa Cruz que faz gosto em lembrar e manter as coisas do nosso país.

Depois da missa preparar a comida, para locais e para os dois padres da paróquia.

Como não podia deixar de ser, comida portuguesa.

Mãos à obra que a barriga chama por nós.

Arroz de Pato, um prato que bem podia ser tailandês pois o arroz é a base fundamental da cozinha do país. Há mesmo quem diga que a comida tailandesa é "arroz com" ou seja que tudo gira á volta do arroz. É um exagero mas é ao mesmo tempo uma realidade que o arroz é uma parte crucial da vida do país. A Tailândia consome imenso arroz e era até à bem pouco o primeiro exportador mundial de arroz mas com a presente crise provocada pela valorização do baht caiu estrondosamente para o 11º lugar tendo sido ultrapassado por todos os seus rivais na região.

Para continuar uma Carne de Porco à Alentejana, outro prato, se bem que aparentemente um pouco estranho para os tailandeses poderia ser inserido na cozinha local já que o grosso dos ingredientes é bem conhecido localmente. Aliás um dia ainda irei experimentar um Pad Ka Paw Moo á Alentejana, ou seja uma variante deste nosso prato com malaguetas e manjericão tailandês.

O terceiro prato Ervilhas com Ovos escalfados definitivamente com poucas raízes aqui. Não lhe consegui encontrar semelhanças com a cozinha tailandesa e os locais chamavam-lhe "sopa" devido ao seu caldo. Aliás sempre que há algum caldo assim acontece. Lembro-me de fazer um arroz de mariscos malandrinho e um amigo meu tailandês me dizer uma vez quando é que eu voltava a fazer "aquela sopa de marisco", qual Tom Yum mas com arroz.

Esta iniciativa das pessoas da embaixada foi um sucesso e para mim foi uma honra poder contribuir com algo que tenho prazer e gosto fazer, cozinhar.

Os comensais não se fizeram parcos e fizeram jus à nossa tradição de boa comida com constantes "aroi" (palavra usada para dizer que a comida é deliciosa) o que nos deixou a todos muitos felizes.

O Domingo de ontem foi mesmo um dia muito especial passado com muito gosto em Santa Cruz .

Entre as pessoas sentadas á volta da mesa havia uma velha senhora orgulhosa de possuir uma receita de carne estufada "à portuguesa" (na realidade, embora os estufados sejam muito mais comuns no leste europeu, os nossos não são nada de desprezar) que dizia não partilhar mas que era uma grande especialidade. Ansioso por provar.
Bem hajam os organizadores deste grande Domingo, dia também onde se viu numa página inteira no Post Today a despedida da Sagres do porto de Bangkok com as velas desfraldadas e os tailandeses a acenar até à próxima.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Construir o Futuro

De acordo com todas as fontes Portugal voltará a enfrentar uma situação de recessão no próximo ano e o orçamento a votar trará significativos aumentos da carga fiscal para todos os portugueses.

Impostos directos e indirectos irão aumentar de forma significativa num esforço para repor nos cofres públicos o nível de conforto necessário para o estado não entrar na bancarrota.

Os problemas de Portugal são muito mais profundos do que as mezinhas ora utilizadas podem deixar transparecer.

No pós 25 de Abril Portugal tentou transformar-se. Em curtas palavras:

Primeiro houve uma fase da consolidação da Democracia parlamentar com a saída de cena dos militares do Conselho da Revolução e do MFA.

Posteriormente entrou-se numa outra fase do crescimento económico e da tentativa de apanhar o comboio europeu de modo a não nos atrasarmos mais com o resto do continente.

Depois deveria ter sido feita a reestruturação dos vários sectores da sociedade: educação, justiça, administrativo, etc.

Concordando ou não com esta sequência de fases o facto é que foi assim que se passou.

Acontece que a terceira fase nunca se fez. Foi adiada a passado o fardo para o futuro com as consequências gravíssimas que hoje vemos visto não haver um ensino formador, uma justiça efectiva e credível, um estado limpo e por todos aceite, etc, etc.

O próprio sistema empresarial e económico deixou-se aburguesar e ficar dependente da vaidade dos holofotes e das ajudas estatais e com raras excepções mostra-se pouco criativo e inovador e pouco acrescenta para a riqueza do país.

A falta de competitividade do país e das suas empresas num mundo tão ansioso de inovação é uma realidade. Portugal, um país com poucos recursos naturais, necessitaria de estar alavancado em dois importantes recursos: a qualidade da formação da sua gente e a forma simples acolhedora, limpa e transparente como deveria ser atraído o investimento produtivo estrangeiro. Para isso necessitaríamos de ter muito mais disciplina na formação, mais investigação, mais qualidade dos professores e dos alunos e não a situação actual.

Necessitaríamos de ter também um poder, central e fundamentalmente local, limpo e interessado nos problemas do país e não em questões paroquiais como na maioria dos casos acontece.

Coisas tão simples de dizer mas tão difíceis de compreender porque não são a prática do nosso quotidiano.

Aqui na Tailândia, país que tem vivido conturbados momentos, crise económica de 1997, Tsunami de 2004, crise política desde 2006, que seriam porventura grandes obstáculos ao desenvolvimento caso acontecessem lá mais para Oeste, vemos a economia com uma força impressionante e o seu povo, que não beneficia de todos os apoios sociais a que nós ocidentais nos habituamos, sempre a levar o país para a frente.

Um dos muitos exemplos disso é o que se passa actualmente com a indústria automóvel, uma das mais importantes no país. Lembro-me de em 2006 ter assistido, durante uma feira automóvel à comemoração do facto de a Tailândia ter ultrapassado a fasquia do milhão de carros ano. Pois em 2010 o número deverá ficar próximo dos 1,7 milhões e em 2012 deverá subir para cerca de 2,6-2,8 milhões tendo em conta os investimentos que estão em curso no sector.

Nem o facto do baht ter apreciado 12% em relação ao US Dólar desde o início do ano, de haver problemas políticos que assustam investidores, de haver incertezas no que respeita o investimento estrangeiro. Estes são capazes de continuar a olhar para a Tailândia de uma forma positiva acreditando sobretudo na sua gente, nas qualidades profissionais dos tailandeses e nas plataformas necessárias à produção dos seus produtos.

Nem tudo é paraíso, há questões sociais a ter em atenção, há ainda muita gente que não consegue alcançar aquilo que anseia e merece, mas há a sensação (certeza) de que o futuro está ali, ao alcance da acção de cada um, e isso os tailandeses sabem bem.

Com capacidades e sabendo atrair os investimentos produtivos os tailandeses constroem futuro.

Tantas semelhanças e tantas diferenças com Portugal.

sábado, 9 de outubro de 2010

A Sagres





Majestática subiu hoje pela manhã o Chao Phraya atracando por volta das 10.10 ao cais OB do porto de Bangkok.

A Sagres trouxe com ela tanto que não sei descrever.

Para além dos nossos Embaixadores havia várias personalidades a aguardar a "Velha Senhora" mas mais do que esses a melhor parte foi oferecida pelas crianças da Escola de Santa Cruz e pelos alunos da Universidade de Thammasat, num esforço de organização dos funcionários da nossa representação, que tanto dão ao nosso país. No fim tanta gente, alunos e professores que muito sentem e amam Portugal

Deixo algumas imagens que falam muito mais daquilo que não seria capaz de escrever.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sagres em Bangkok

Como parte da viagem de Circum-Navegação iniciada a 15 de Janeiro em Lisboa, a Sagres atracará ao porto de Bangkok no próximo dia 9 de Outubro e aí ficará até ao dia 14 continuando depois a sua viagem.

A visita marca o início das Comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao reino do Sião, que se celebra em 2011, e a visita deste magnífico veleiro é uma marco importante nas relações dos dois países e uma oportunidade rara para os tailandeses de poderem ver um dos mais antigos e bonitos barcos ainda em utilização.

A Sagres estará acostada no porto de Bangkok, em Klong Toei no cais OB, e poderá ser visitada por todos de acordo com o seguinte calendário: Sábado 9 das 14.00-18.00 e das 20.00-22.00 horas, Domingo dia 10 das 10.00-12.00, 14.00-1800 e 20.00-22.00 horas, Segunda dia 11 das 15.00-18.00 e 20.00-22.00, Terça dia 12 das 10.00-12.00 e Quarta dia 13 das 10.00-12.00 e14.00-18.00.

A não perder

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sétimo Céu

Estar fora faz olhar para "dentro" com outros olhos e é sempre uma alegria, uma emoção quando vemos o vermelho e verde da bandeira e das cores de Portugal a fazerem as manchetes na comunicação social.

Os dois jornais de língua inglesa na capital trazem curiosamente o mesmo título para falar sobe a inesperada goleada da selecção portuguesa contra os norte coreanos – Seven Heaven, assim titulam quer o Bangkok Post quer o The Nation.

As páginas dos jornais, incluindo os de língua tailandesa trazem todos na primeira página destaques com o "feito" da Selecção e sempre com a referência ao 7 que é o número de Ronaldo muito conhecido por aqui fundamentalmente pelo seu trabalho no Manchester United. Os tailandeses são grandes aficionados do futebol e todos os jogos do campeonato inglês são transmitidos em directo pelos vários canais de desporto pelo que os jogadores ingleses e das equipas da "premiership" ganham enorme popularidade.

Por outro lado os patrocinadores de variados produtos que apoiam o seu marketing nas imagens de jogadores de futebol estão bastante activos no mercado tailandês e existem por todo o lado promoções de produtos com as caras dos craques a actuar na África do Sul e Ronaldo é um dos que tem uma das maiores fatias nessa publicidade.

Muitos dos metros de superfície têm o seu exterior decorado com a fotografia de Ronaldo publicitando uma marca de "shampoo".

Muitas foram as mensagens de felicitações que ontem recebi pela "cabazada" da Selecção o que é sempre um motivo de orgulho e regozijo.

Esperemos agora pelo Brasil para ver a consistência da equipa nacional.

A única coisa que me preocupa agora é pensar que os Estados Unidos vão por certo requerer a nossa astúcia para resolver os problemas que têm com a Coreia do Norte.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Portugal


Embora no postal não esteja incluída a bandeira ou referência à Tailândia também aqui existem alguns, poucos é verdade, portugueses.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Saldanha Sanches

Não me situo no mesmo quadrante político de José Luis Saldanha Sanches mas reconhecia-lhe uma característica que, a tem também sua mulher, e que no texto (abaixo) que lhe dedica e que publicou, diz: "A intolerância contra os corruptos, cobardes e oportunistas". Não posso estar mais de acordo.

Zé Luis: começámos esta tua última viagem (tu gostavas de viagens) na cama 56 dos serviços de cirurgia 1 do Hospital de Santa Maria. Lia-te poesia e um dia parámos neste poema da Sophia de Mello Breyner:

”Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A Força dos teus sonhos é tão forte,

Que tudo renasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias”.

Assim foi.

No teu visionário e intenso mundo, a voracidade de um cancro traiçoeiro não te consumiu a alegria, a coragem, a liberdade.

Entraste pela morte dentro de olhos abertos. O mundo que habitavas era rico de ideias, de sonhos, de projectos, de honradez e carinho.

Percebemos o que ia acontecer quando no fundo do teu olhar sorridente brilhava uma estrela de tristeza. Quando te deixava ao fim do dia na cama 56 e te trazia no coração enquanto descia a Alameda da Cidade Universitária a respirar o teu ar da Universidade, das aulas e dos alunos que adoravas, do futuro em que acreditavas sempre.

Foste intolerável com a corrupção, com os cobardes e oportunistas. Não suportavas facilidades. Resististe à sordidez, à subserviência, à canalhice disfarçada de respeitabilidade e morreste como sempre viveste - livre.

Uma palavra para aqueles que te acompanharam nesta última viagem:

para os melhores médicos do mundo, para as melhores equipas de enfermagem e de apoio, num exemplo de inexcedível dedicação ao serviço médico público.

Vivi com emoção diária o carinho com que te cuidaram.

Uma palavra de gratidão sentida para o Professor Luis Costa e para o Paulo Costa. E para um velho amigo de sempre o Miguel.

Também para Laura e para o Jorge e para a minha mãe e toda a família que nunca te deixou.

Por fim uma palavra para aqueles amigos que inventaram uma barricada contra a morte no serviço de cirurgia 1, cama 56, e te ajudaram a escrever, a pensar, a continuar a trabalhar: o João Gama, o João Pereira e senhor

Albuquerque, cada um à sua maneira.

Suspiraste nos meus braços pela última vez cerca da 1,15 da madrugada do dia 14 de Maio.

Vai faltar-me a tua mão a agarrar na minha enquanto passeávamos e conversávamos.

Provavelmente uma saudade ridícula, perante a força do exemplo e da obra que nos deixaste e me foi trazido por todos aqueles que te homenagearam – a quem deixo a tua eterna gratidão.

Tenham a coragem de continuar.

[16.05.2010 - Maria José Morgado]


terça-feira, 11 de maio de 2010

Bento XVI em Portugal




Há pouco mais de uma hora o Papa Bento XVI chegou a Lisboa para uma visita apostólica, de 4 dias, a Portugal.

Entre outros factos relevantes da sua visita Bento XVI celebrará missa em Fátima no dia 13, uma celebração à Virgem no mês de Maria a Mãe Bendita.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bom Exemplo


Sábado passado no campeonato de futebol tailandês aconteceu que os adeptos de um clube não contentes com a derrota da sua cor acabaram por invadir o terreno causando sérios disturbios e cenas de violência.

Nada de diferente do que acontece um pouco todos os fins de semana por esse mundo fora onde as paixões clubísticas se sobrepôem á razão e onde o facto de uma bola ter entrado ou não na baliza do adversário parece ser a salvação para todas as maleitas.

Contudo a Tailândia mostrou ser diferente, para melhor, do que a maioria.

Dois dias depois do incidente os adeptos do clube causador dos incidentes foram banidos de presenciar o próximo jogo do clube.

Também num gesto de grande significado prostaram-se aos pés do Presidente do clube pedindo desculpa pela sua conduta.

Gostava de ver isso acontecer em Portugal, embora gostasse mais de que tal não fosse necessário e que cada um soubesse “amar a sua dama” com amor e não com paixão.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

500 Anos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandês acaba de lançar concurso para a produção de um cartaz comemorativo dos 500 anos da chegada dos portugueses ao reino do Sião.

Nesse longínquo ano de 1511 os portugueses foram os primeiros ocidentais a entrarem em contacto com o Rei do Sião, na então capital Ayuthaya, e aí deixaram marcas que ainda hoje estão visíveis.

Para além do legado arqueológicas deixado ficou a amizade com este povo e variadas formas de geminação do que são elementos mais importantes, ainda hoje visíveis, os membros da comunidade luso descendente, o bairro de Santa Cruz, que em tempos já referi, e elementos da gastronomia local, nomeadamente a doçaria.

Portugal tem já um logotipo, mas para o conjunto das comemorações da presença de Portugal na Ásia.

Estamos sempre presentes na mente dos povos de aqui, que não se esquecem de nós, e tão ausentes do outro lado onde é sabido o grande desconhecimento sobre as venturas dos portugueses por toda esta região.

Faz-se votos que estas comemorações ajudem os portugueses a melhor compreender a Ásia e os seus povos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Louvor

A Licenciada Paula Alexandre conseguiu numa só semana mostrar a totalidade das suas enormes qualidades profissionais e pessoais.

Chapeau!!