segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Intervençao Americana

Felizmente a ajuda é em US$



O Governo dos Estados Unidos decidiu intervir junto dos mercados financeiros com uma medida extraordinária que no total ascende a 700 mil milhões de US dólares o equivalente a 1/4 do PIB Inglês e Francês, a soma dos PIB de Portugal, Finlândia a Republica Checa, enfim uma quantia de dinheiro que utilizada no combate à fome, à Sida, à Malária, eventualmente as erradicaria e ainda era capaz de sobejar para um ou outro pilar para uma AIG qualquer.

Contudo devemos entender que a não intervenção do Governo Americano teria consequências por ventura ainda piores para este Mundo que está desesperadamente a necessitar de uma injecção de algo diferente para ver se consegue criar uma nova ordem para o funcionamento das instituições. A excessiva especulação em volta das empresas, e as fragilidades do sistema financeiro, alimentadas pela nossa fome de consumismo criou um mundo empresarial que muitas das vezes vive muito, mesmo muito, acima da realidade dos seus recursos.

No mundo ocidental em geral habituamo-nos a viver acima daquilo que a nossa produção permite. O nível de endividamento pessoal por norma é superior ou próximo dos 100%, o que implica a existência de enormes quantidades de dinheiro, não real, existente no mercado e por consequência envolvendo também as próprias empresas nessa fragilidade.

O donimó é total e em todas as direcções pois se essas empresas não tivessem essa riqueza, a maioria das vezes aparente, não haveria emprego, aumentaria, a dependência, a criminalidade, a insegurança genérica no Mundo e a pobreza.

Interessante é ver que nestes momentos de crise quem continua sempre a ganhar e a florescer são os sectores mais escuros da sociedade, os sectores do dinheiro fácil, visto que por norma são sectores que funcionam na base do "cash". Nos "basfonds" da sociedade não funciona o crédito. A norma é a "chapa batida" e estes momentos acabam por ser propícios para todo o tipo de aventureiros e portadores de dinheiros duvidosos florescerem e multiplicarem os seus teres.

O Mundo está carente de uma nova ordem de valores e de regras de funcionamento mas a carteira vazia não é boa conselheira para pensar e parar pelo que a intervenção Americana pode ser um importante momento para se ponderar naquilo que andamos a fazer e evitar que daqui a alguns anos (os ciclos da economia irão encurtar) estejamos a necessitar de outra forte dose de soro revitalizante como são estes milhões de milhões.

Que saibamos entender o que se passa e saibamos encontrar a porta correcta para a saída.

1 comentário:

Carlos Diogo disse...

Estando de acordo, de uma forma geral, com o que escreve, devo no entanto acrescentar que estes últimos acontecimentos se devem em muito ao facto de nos últimos anos a banca, sobretudo a banca de investimento, ter criado instrumentos financeiros extremamente complexos sem a devida protecção do activo inicial e sem regulação ou supervisão das autoridades. É o caso dos empréstimos à habitação de risco (sub-prime) que eram securitizados pelo banco inicial e depois vendidos em pacote a outros bancos. E muitos outros casos em que se está a negociar não um activo mas o interesse sobre esse activo. Como por exemplo, o indivíduo A, produtor de café, vende a B a sua produção que remete por barco. Este, por sua vez, vende logo a C porque C ofereceu um preço superior na convicção que a cotação vai subir nos mercados. E C acaba ainda por vender a D porque D está ainda mais optimista na subida do preço. Ou seja, o café antes de chegar ao destino já duplicou o seu preço inicial. Ora se o consumidor achar que o preço da bica é demasiado caro deixa de tomar café e D vai ver-se com um carregamento do produto que não consegue despachar. Logo não vai conseguir pagar a C que não vai conseguir pagar a B que não consegue pagar a A. Agora imagine este cenário multiplicado por milhares de instrumentos financeiros e que versam sobre inúmeras mercadorias, taxas de juro, índices, etc., etc.
O que eu espero é que haja de futuro regulação e supervisão muito rigorosos. Claro está que os mercados têm que ser dinâmicos e a mente de um "investment banker" estará sempre a procurar novas formas de ganhar dinheiro. Têm é que o fazer respeitando regras, sobretudo éticas, que têm sido completamente ignoradas nos últimos anos.