sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dissolução à Vista?

A Comissão Eleitoral (CE) decidiu uma votação de 4 -1 recomendar a dissolução do partido líder da coligação no governo, o Democrata por este ter recebido uma doação de 258 milhões de baht ilegal e também pelo alegado desvio de um fundo de desenvolvimento de 29 milhões de baht posto à disposição do partido pela CE.

O uso indevido de fundos da CE pode ser o tiro de misericórdia que levará à dissolução do partido Democrata.

No passado houve oito outros pequenos partidos políticos que abusara dos mesmos fundos e todos os 8 foram considerados culpados e dissolvidos. O partido Democrata é o 9 a enfrentar as mesmas acusações e por isso vai ser muito interessante seguir o caso e analisar os argumentos usados para defender o partido e, de igual modo ver qual vai ser o veredicto do Supremo Tribunal em Novembro neste caso. Se for como no passado sentenciada a dissolução o mais antigo partido político na Tailândia deixam de existir.

A decisão da CE foi tomada em uma reunião especial presidida por Apichart Sukhagganond. Tinha sido o próprio Apichart a apresentar a recomendação á Comissão para apreciação. Em Dezembro do ano passado, a CE tinha decidido que Apichart, como o responsável pela área dos partidos políticos na CE, deveria decidir por si propor ou não a dissolução do Partido Democrata para o Tribunal Constituição. Aphichart contudo voltou a remeter o assunto ao plenário dos Comissários que decidiu como acima se refere.

A decisão é um golpe severo para o partido Democrata, cujo líder, e primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva está sob forte pressão também por parte dos "vermelhos" para dissolver o Parlamento e convocar uma eleição. Poderá agora encontrar uma motivação para avançar com a dissolução, por um lado indo de encontro ao pedido da UDD e do partido da oposição o Pheu Thai mas também para se antecipar á dissolução do seu partido tomando a liderara nessa necessária mudança.

O Partido Democrata, o mais antigo partido político na Tailândia, foi acusado de receber mais de 258 milhões de baht em doações ilegais da TPI Polene que usou na campanha para as eleições de 2005 e não procedeu á respectiva declaração.O partido foi também acusado de uso irregular do fundo da CE no valor de 29 milhões de baht. As constituições actuais e anteriores limites de doações individuais de 10 milhões de baht por ano.A TPI Polene, uma cimenteira, foi acusada de ter feito doações totalizando 258 milhões de baht aos democratas através da empresa Messhia, seu intermediário no sector de publicidade.

O Partido Democrata enfrenta assim a eventual dissolução e os seus executivos podem ser banidos da política por um período de cinco anos, se o Tribunal Constituição der seguimento à conclusão da CE. Apenas Korn o Ministro das Finanças e Chuan Leekpai (ex-PM) irão sobreviver já não são membros executivos do partido.

Nos bastidores diz-se que reina grande nervosismo na sede do Partido e que estão em estudo as várias alternativas deixadas quer pela Constituição quer pela Lei dos Partidos Políticos que permite a criação de "prateleiras" fantasmas para onde transitam os deputados não afectados pela impossibilidade de continuar a carreira política.

Como refiro acima a dissolução do Parlamento conjugada com uma operação cosmética ao partido poderá ser outra solução que se feita atempadamente poderá salvar mesmo os executivos da retirada dos direitos. O actual Pheu Thai é o "neto" do primeiro partido de Thaksin já que os seus dois antecessores foram dissolvidos e com isso 220 políticos estão de momento "oficialmente" foram de cena. Um desses é Nevin Chidchob que comenta ser esta a situação ideal pois não tem de ser expor do ponto de vista financeiro. Ontem mesmo um deputado do partido Democrata foi destituído e banido por 5 anos por não ter informado na sua declaração de bens que tinha dívidas no valor de 200 milhões de baht. Outro caso é o do partido de Barnhan Silpa-archa que se chamava Chart Thai Party e após ter sido dissolvido em 2008 chama-se agora Chart Thai Pattana Party e faz parte da coligação no governo quando antes estava do outro lado da bancada.

Muitas soluções podem ser encontradas mas será interessante ver como é que vai ser conduzido este caso da muito possível dissolução do partido base do actual poder.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sutichai Yoon é o Director do grupo editorial onde se inclui o jornal The Nation. Escreve de uma forma regular artigos de opinião assinados Thai Talk, que são por natureza controversos e objecto de muitos comentários.

Yoon é normalmente conotado com o ideário do PAD e por isso visto com desconfiança pelas hostes vermelhas o que já lhe granjeou alguns dissabores. Aliás o sentido editorial do grupo editorial que dirige cai, na maioria das vezes, para o lado amarelo, ou pelos menos assim é visto no contexto da catalogação de afiliações no seio da comunicação social.

Hoje escreve um artigo de opinião, a não perder, sobre o que são os Partidos Políticos na Tailândia que é uma análise dura e crua do sistema político partidário e da sua forma de funcionamento.

Acaba dizendo que será necessário um terramoto com muitas réplicas para ficar convencido de que existe luz no fundo do túnel. Pode igualmente acrescentar-se de que quase tudo o que vemos, analisamos ou discutimos como factos políticos de relevo são eventos de pequena importância comparado com a realidade daquilo que se passa nos bastidores. Há uma face visível para a comunicação social, intencionalmente mostrando uma realidade, e o reverso que é aquilo que Yoon descreve e nada tem a ver com o interesse dos cidadãos ou do país.

"Isto significa que espero muitas notícias más antes de sermos capazes de dar a volta", termina o jornalista.

Hoje também um estudo do Instituto Nacional de Estatística aponta o dedo a um problema que é o crescente endividamento dos funcionários público, actualmente 84,1% vivem acima das suas posses e estão endividados, cerca de 5% mais do que o que se verificava em 2006. A falta de dinheiro é sempre um mau conselheiro e por vezes as pessoas mostram-se demasiado criativas nas formas como tentam equilibrar as suas finanças.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Moto-Táxis e o Panorama Sociopolítico Tailandês

Claudio Sopranzetti está presentemente a preparar a sua tese de Doutoramento na Universidade de Harvard e o tema que escolheu para a sua dissertação está relacionado com o desenho sociopolítico de uma das camadas mais importantes no quotidiano tailandês – os condutores da moto-taxis em Bangkok.

Segundo uma entrevista recentemente feita a Cláudio por um jornalista francês, Arnaud Dubus para a cadeia Al Jazeera, existem cerca de 200.000 mototaxistas em Bangkok homens que se podem considerar os "reis desta cidade" visto conhecerem-na como ninguém. Desde as suas largas avenidas até às ruelas mais pequenas e impossíveis de aí se transitar eles tudo vasculham com todos contactam e a todos servem.

A sua organização a sua participação na vida política e a sua visão dos "dois mundos" como refere Cláudio, são relatos únicos e a não perder.

O Professor termina afirmando da consciência que esses homens (e algumas mulheres) têm de que se um dia param a cidade fica bloqueada e da força que isso lhes dá.

Estou curioso pela peça final que será a sua tese.

Entretanto a não perder esta estrevista.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pheu Thai


Sempre gostei muito da forma como os cartoonistas observam a realidade. O facto de utilizarem o desenho para caricaturar a sociedade permite-lhes observar os diferentes ângulos de um problema com muita maior acuidade do que muitas linhas de escritos.

Aqui em Bangkok há cartoonistas de muita qualidade que utilizam a sua arte para por vezes ousarem dizer aquilo que muitas vezes por palavras se torna difícil.

Não é o caso do cartoon de hoje do bangkok Post pois aquilo que mostra é uma evidência de há muito. As dificuldades do partido da oposição em encontrar uma liderança firme e livre das mãos do "mestre" em marionetas que é Thaksin.

Desde há tempos que penso, e tenho escrito, que o Phue Thai está em desagregação e não consegue encontrar um rumo e muito disso deve-se ao facto de não conseguir cortar o cordão umbilical com o ex PM. Todos os líders que tem tido nunca o são na realidade já que o líder de facto é o fugitivo ex-PM

Fazer isso contudo não é uma questão simples e basta para quem tenha algumas dúvidas fazer uma pequena viagem pela província que logo entenderá porque é que, mesmo se quiser, o Pheu Thai está enfeudado àquele que ainda continua a ser o primeiro-ministro de uma larguíssima franja no país. Tão larga que ainda muito recentemente o partido de Nevin Chidchob, o Bhum Jai Thai, que pretende vir a ser a força dominante no terreno thaksinista, afirmou que nas próximas eleições o Pheu Thai ainda sairá vencedor.

Há não muitos dias, em mais uma missão ao nordeste do país para contacto com as populações locais, perguntei porque é que as políticas deste governo, que são de uma forma geral cópias melhoradas das políticas utilizadas por Thaksin para o mundo rural, não têm a mesma aceitação por parte das populações. Note-se que o governo Abhisit não retirou nenhum dos benefícios anteriormente oferecidos por Thaksin e adicionou outros e mesmo assim não consegue "entrar no coração" (tradução literal da expressão tailandesa) das pessoas.

A resposta foi muito simples. Não há sintonia entre quem fazer a "entrega" e quem recebe. Dantes Thaksin, os seus Ministros e outros que faziam a política local estavam no terreno em permanência em contacto com as comunidades e as populações conseguiam fazer a ligação directa entre os benefícios percebidos e os doadores. O próprio Thaksin deslocava-se amiúde ao terreno onde se sentava e comia um "som tum" com o povo à beira da estrada.

Agora quem "decreta em Bangkok" são uns senhores bem apalavrados e bem vestidos que só são visíveis na televisão e os deputados eleitos localmente dedicam-se mais aos "prazeres" da metrópole do que ao convívio com os seus.

O Pheu Thai está moribundo, sangrando com deputados a saírem para outros partidos mas esses deputados não saem para ir estar juntos dos seus eleitores saem sim para se sentar à mesa onde é repartido o "grande bolo" do poder e as suas benesses.

Por um lado o Pheu Thai necessita de se tornar independente e capaz de ter uma estratégia motivadora e catalisadora mas por outro não pode cortar as cordas que o fazem mexer sob pena de se tornar ainda mais num passado de memórias.

Era bom que se pudesse assumir como um partido livre e capaz de exercer o seu dever democrático como oposição, mas parece não ser ainda nos anos mais próximos que o sistema político partidário vai ser um sistema baseado nos interesses e vontades das populações.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ambiente e Ma Tha Phut


Ma Tha Phut é um parque industrial situado no Sudeste da Tailândia que é simultaneamente o 8º mais importante conjunto petroquímico mundial.

Tem sido pano para discussões há já muitos anos devido aos alegados casos de intoxicação que os gases emitidos pelas indústrias aia implantadas provocam. O número de casos de diversos tipos de doenças, mortais ou causadoras de lesões profundas, é naquele local superior aos outros pontos do país.

O que se passa em Ma Tha Phut não será muito diferente do que se passa em muitos outros pontos por esse Mundo fora em que a sociedade industrializada vem tratando tão mal o planeta a que chamamos nosso e com o qual deveríamos viver em harmonia.

Há um ano atrás uma organização não governamental conseguiu que o Tribunal decidisse, na sequência de um apelo que fizeram, colocar um travão em mais 76 projectos que estariam para arrancar na zona.

Após apelo das empresas envolvidas, 11 desses projectos receberam luz verde mas 65 foram declarados não compatíveis com as necessidades de protecção ambientais dentro dos limites da razoabilidade.

Nessa altura ouviram-se as vozes de alegria dos residentes, muitos com graves problemas de saúde possivelmente causados pelo ambiente onde se vêm forçados a viver, e vozes de desagrado dos empresários, donos dos projectos e de autoridades que clamavam que tal decisão iria colocar um obstáculo ao crescimento da economia do país e seria uma machadada no já tão mal tratado apelo ao investimento estrangeiro a primeira fonte de emprego qualificado na Tailândia.

Abhisit colocou-se na posição possível de tentar encontrar uma solução para o problema que a economia do país enfrentaria e a necessidade de atender à situação dos residentes da tão mal tratada área.

Foi nomeada uma Comissão (mais uma no oceano de comissões que tudo estudam e nada concluem), presidida pelo ex PM Anand (também ele um eterno "salvador" das causas difíceis). Passou-se um ano, pouco ou nada foi modificado a não ser uma nova decisão do Supremo Tribunal que "libertou" a maioria dos projectos congelados e Ma Tha Phut vai ver erguerem-se mais torres, mais chaminés, mais fumos e mais poluição quer de solos, quer de águas quer do ar.

Os residentes na zona choravam a sua derrota mas essas lágrimas não serão suficientes para limpar os poluídos solos nem para criar chuvas que possam despoluir os céus.

Como mostra o cartoon de hoje do Bangkok Post, haveria sempre que salvar alguns e Abhisit foi isso mesmo que fez.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Combate à Corrupção

O Primeiro-Ministro Abhisit iniciou uma campanha contra a corrupção facto que lhe valerá por certo muitos inimigos mas que trará frutos para o país tão mal tratado por esta praga mundial. Merece por tal o aplauso.

Ontem no Conselho de Ministros só admitiu aprovar a compra de 96 veículos de combate para o exército à Ucrânia depois de ter obtido a garantia de que o contracto poderia ser anulado caso se verificasse que os carros entregues não correspondiam ás características requeridas como muitas vezes acontece. É quase uma norma as entregas serem de qualidade inferior à das propostas de modo a que o diferencial possa ser transferido para alguns bolsos mais sequiosos.

De igual modo veio a lume que dos 373 projectos em curso no sector de Prevenção Civil, 274 (uma enorme percentagem) tinham visto os seus fundos desviados para proveito próprio de agentes públicos.

Abhisit numa declaração hoje emitida aposta na eliminação desta praga até ao final do ano.

É uma declaração impossível de cumprir mas é uma declaração de grande valor pela disposição mostrada pelo PM em enfrentar esta questão que tão presente está no dia a dia da sociedade tailandesa.
Recorde-se que num estudo levado a cabo pela The Asian Society no ano passado cerca de 90% dos inquiridos dizia ser a corrupção um facto do dia a dia o que é sintomático da magnitude do problema. O gráfico apresentado acima, produzido pelo Banco Mundial, é referente a 2006 e já de si ilustrativo, mas desde então a Tailândia desceu mais 4 posições na lista mundial dos países onde existe mais corrupção.

Com esta atitude Abhisit irá por certo aumentar o número dos seus inimigos mas pode estar certo de que está a dar os passos correctos como já demonstrou nalguns casos recentes quando afrontou poderosos lobbies da socideade tailandesa. Lembremo-nos dos casos dos detectores de explosivos GT 2000, onde o exército gastou milhões na compra de um artefacto totalmente inútil, e também o caso passado com os parceiros de coligação Bhum Jai Thai Party que patrocinou o leasing de 4.000 autocarros opção impossível de sustentar visto a tremenda disparidade entre os custos (mais do que 4 vezes) para a solução compra com manutenção.

O PM tem contudo ainda pela frente uma tarefa de enorme dimensão.

A corrupção não é um problema da Tailândia é não é correcto apontar o dedo ao país já que até os "mais puros" são afectados o que deve ser realçado é a coragem do PM Abhisit em tentar enfrentar abertamente o problema sabendo mesmo das tremendas dificuldades que tem pela frente e dos poderosos lobbies instalados em todos os extractos da sociedade.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lição dos Textos Sagrados


Por vezes vale a pena meditar um pouco nas palavras do Senhor.

Num Sabbath Jesus foi jantar a casa de um importante fariseu e todos O observavam com muita atenção.

Jesus falou então para aqueles que O tinham convidado vendo a forma como tinham escolhido os lugares à mesa." Se fordes convidados por alguém para uma festa não vos senteis no lugar mais importante da mesa. Um convidado mais importante pode chegar e o dono da casa terá de vos pedir para vos levantardes para que esse lugar seja dado ao outro e tereis então de envergonhadamente ir-se-vos sentar num lugar inferior. Assim quando fores convidado sentai-vos no lugar menos importante da mesa e quando o dono da casa chegar ele poderá dizer. Meu amigo tomai num lugar mais importante. Deste modo tereis a estima de todos os presentes. Aquele que for arrogante será humilhado e aquele que for humilde será exaltado."

Lucas 14:1, 7-14

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Liberdade de Imprensa

"O CRES ataca a Imprensa" é o titilo que se pode ler em dois dos jornais de maior tiragem na Tailândia, o Matichon e o Krungthep Turakij.

Ontem o Coronel Sansern, o porta-voz do CRES, e actual vedeta com direito a capa de todas as revistas sociais e cosmopolitas tailandesas, veio avisar, será a palavra apropriada, os órgãos de comunicação social que o CRES vai estar atento às notícias vindas a lume nos jornais visto que "alguns distorcem a informação e outros ofendem as instituições".

Se o CRES considerar essas notícias ofensivas (sem explicar a clara definição da palavra tailandesa utilizada) os meios de comunicação social em questão serão encerrados e as consequentes acções contra os autores e responsáveis serão iniciadas.

Não se sabe quem são os alvos do "aviso à imprensa" visto a maioria da comunicação social que se pode considerar vermelha, e portanto contrária ao governo, estar já encerrada, mas é possível que seja o Thai Rath, o jornal de maior tiragem no país, que por vezes tenta ter uma linha independente e tem posto a descoberto vários casos que se passam no seio da coligação governamental.

Explosões e Investigações

Ontem explodiu no parque de automóveis da estação de Televisão estatal NBT uma granada lançada para o local por volta da 1.30 da tarde.

Causou estragos em alguns carros que se encontravam estacionados no local e mais nada.

A estação tem sido alvo de vários incidentes desde o tempo do PAD, quando foi invadida pela turba amarela e destruído o material de televisão, até recentemente quando a vermelhada teve semelhante actuação.

Como tem sido sempre uma estação "ao serviço do poder" este tipo de acções tem acontecido com regularidade pelo que se estranha que, e no momento em que o CRES tanto fala nos grandes dispêndios com a instalação de câmaras de vídeo vigilância por toda a cidade, que esta estação, pelo seu passado, não tenha ou não funcionem tais equipamentos. E digo isto porque mais uma vez a Polícia "anda em bolandas" com o(s) autor(es) do lançamento da granada.

Deste o fim dos acontecimentos de Abril/Maio que é a sexta vez que uma explosão acontece em Bangkok, com pelo menos um morto e dois feridos graves, para além de outros ligeiros, e ainda ninguém está preso ou pelo menos identificado como possível autor.

Logo após a explosão de ontem foi anunciado que a granada teria sido lançada da via rápida que fica perto do local mas sabe-se agora que esta estava fechada para a passagem de uma procissão de carros com membros da família real. Se assim tivesse sido só poderiam ter sido os próprios polícias que fizeram esse encerramento.

O Ministro do sector e o Comandante da Polícia Metropolitana visitaram o local e começaram de imediato a lançar conjecturas sobre os motivos e as possíveis formas de como a granada foi lançada sem grande base para a argumentação.

Por hábito os oficiais de investigação comentam em demasia os factos no momento e lançam para a comunicação social "pistas" sem contudo terem o cuidado de serem cuidadosos nas suas palavras.

Assim uma vez mais teremos rumores, acusações, desmentidos mas nenhumas certezas sobre o que se passou e quem cometeu o atentado, etc.

Para que servem então as palavras proferidas no fim da semana passada pelo Vice Primeiro-Ministro Suthep de que a polícia tinha reparado todas as câmaras de vídeo vigilância que teriam sido destruídas pelos vermelhos? Gastam-se milhões de baht sem proveito pois, ou o trabalho não foi feito, mas a factura apresentada, ou as câmaras estão apontadas sempre para sítios errados pois nunca conseguem detectar nada!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eleições em Bangkok

Cerca de 40% dos eleitores acorreram ontem ás urnas em Bangkok para elegerem os Conselheiros Municipais para a grande metrópole (Município) e os distritos mais pequenos que por comparação com o sistema português chamaremos de freguesias. Os Conselheiros são como que os membros das Assembleias respactivas.

Como era de esperar o Partido Democrata saiu vencedor. Os democratas são por tradição os mais votados na grande metrópole se bem que por vezes este tipo de eleições é mais ligado ao conhecimento pessoal dos candidatos do que aos partidos políticos pelos quais concorrem. Apesar da menor importância destas eleições elas mostraram alguns aspectos que merecem realce.

A vitória dos Democratas foi sólida, com uma larga vantagem sobre o Pheu Thai, e o Partido da Nova Politica, a força política dos amarelos do PAD, que concorria pela primeira vez a umas eleições não elegeu nenhum dos seus candidatos o que vem mostrar o enfraquecimento do movimento e o erro que foi a criação de um Partido facto aliás contestado por muitos especialmente o seu líder Sondhi L. facto que o levou mesmo a abandonar o PNP.

Para os Democratas será um alívio ver aligeirar a pressão que a turbo amarela constantemente faz sobre o poder.

O Pheu Thai mostrou de igual modo que não atravessa um bom momento e a falta de uma liderança clara, o seu líder está no exílio (Thaksin), nunca lhes permitirá grandes feitos. Se a colagem a Thaksin é positiva para o partido no interior do país tal já não é tão aceite nas zonas urbanas. O Pheu Thai vive esse dilema de não poder viver sem Thaksin mas necessitar de um líder no terreno á altura de passar mensagens que sejam entendidas pelo eleitorado. Isso tem vindo pouco a pouco a retirar-lhe margem de manobra e será sempre um pesado fardo nos seus objectivos.

Em Klongsan, um dos distritos da capital pudemos observar um exemplo daquilo que não deve ser a forma de fazer política.

Um dos candidatos que não foi eleito, o que aconteceu a muito boa gente, já tinha sido anteriormente eleito, primeiro pelo Thai Rak Thai, ex Partido de Thaksin, depois pelos Democratas e agora concorria pelo PNP. O homem é um verdadeiro campeão da polivalência política mas desta vez o tiro saiu-lhe pela culatra e que também mostra o desenvolvimento da consciência e entendimento do acto por parte dos eleitores.

Outro resultado talvez não esperado foi o facto de o Pheu Thai ter ganho na freguesia de Dusit a mais antiga da cidade e local sempre em foco, e palco amargo para os residentes das coloridas manifestações em Bangkok. E dessas aquela que estará por certo na memória mais recente dos habitantes foi a vermelha. Mesmo assim premiaram o partido "irmão" da UDD.

Ainda com a freguesia de Dind Daeng por apurar, os Democratas ganham 45 Conselheiros municipais em Bangkok e 210 nas freguesias contra 14 e 39 do Pheu Thai respectivamente. Os restantes lugares, 1 e 7, foram ganhos por independentes.

O único aspecto negativo destas eleições foi o facto de, mais uma vez. se terem realizado eleições numa província onde está em vigor o Estado de Emergência e há relatos de eleitores que se sentiram intimidados pela presença de fortes contingentes de soldados armados junto das assembleias de voto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Cor faz a Diferença

Apresentaram-se ontem perante a Polícia 59 membros da liderança do PAD para ouvirem a acusação de prática de actividades terroristas no caso referente à ocupação quer da sede do Governo quer dos aeroportos da capital tailandesa ocorrência passada de 25 de Maio até 4 de Dezembro de 2008.

Estavam notificadas 79 pessoas mas só compareceram os referidos 59. Não é conhecida nenhuma medida especial que tenha sido sentenciada em relação aos elementos faltosos.

Ouvida que foi a acusação os 59 membros do PAD foram mandados em liberdade sem nenhuma medida coerciva, nem caução monetária estabelecida, visto, segundo o Juiz, "não há indícios de que queiram fugir do país". Um dos acusados e principal líder do PAD, Sondhi L. afirmou que irá interpor acções civis e criminais contra o comandante da polícia que "ousou" acusar a liderança do PAD.

Este caso tem semelhanças com o caso passado com os líderes da UDD que passados pouco mais de 30 dias sobre os incidentes de Abril/Maio deste ano foram presentes a juízo e ficaram em prisão preventiva, onde ainda se encontram, excepto Veera Musikapong ao qual foi atribuída uma caução de largos milhões de bath.

Há contudo uma grande diferença entre os dois casos: Uns são Vermelhos e os outros Amarelos!

PS: O livro cuja capa insiro em fotografia vale a pena desfolhar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Mercador da Morte

Há tempos a polícia tailandesa prendeu o cidadão Russo, Viktor Bout, num trabalho conjunto com agentes policiais americanos.

Bout está acusado nos EEUU de apoiar actividades terroristas nomeadamente fornecendo armamento às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Após a sua prisão num hotel de luxo no centro de Bangkok as autoridades americanas solicitaram a deportação de Bout para que pudesse ser ali julgado. Os tribunais tailandeses não deram seguimento ao pedido visto, segundo alegaram na altura, as FARC não serem consideradas uma organização terrorista pela Tailândia.

Desse modo Bout tem continuado preso acusado de permanência ilegal no país e de outros pequenos crimes, enquanto também prosseguia o apelo dos americanos e as pressões dos russos sobre o caso.

Na passada semana o tribunal de apelo deu razão aos americanos e determinou a extradição de Bout para que pudesse vir a ser julgado nos EEUU.

Todo este processo eram também sempre visto um pouco a par do caso de Thaksin visto a Tailândia clamar pela extradição do ex-PM (embora nunca tenha sido enviado nenhum pedido formal emitido por um tribunal do país) e o acusar, embora posteriormente o tribunal tivesse retirado essa acusação, de terrorista.

De algum modo o caso Bout era um exemplo para mostrar ao Mundo que o sistema judicial tailandês não tinha os tais "double-standards" tão apregoados pelos camisas vermelhas.

Notada a decisão do tribunal da passada Sexta-feira começaram todos os procedimentos para a deportação do prisioneiro russo, até que, alguma voz falou mais alto e tudo parou.

Note-se que entretanto os americanos, por certo depois de obterem as garantias necessárias, fizeram deslocar um avião, que se encontra estacionado no aeroporto ao Norte de capital, para levar de regresso aos EEUU Bout. Agora fala-se que o processo poderá demorar até Outubro e inclusive o PM Abhisit veio dizer que havia ainda procedimentos legais a realizar antes de extraditar o "mercador da morte" como Bout é apelidado nos EEUU.

De relevar também o facto de, já depois do veredicto de Sexta-feira, Sirichok Sopa, o mais próximo colaborador de Abhsit usualmente apelidado de "Wallpaper", ter visitado Bout na cadeia tendo este Deputado afirmado que se avistou com o prisioneiro para obter informações que pudessem ser úteis para verificar se o ex-PM Thaksin estaria de algum modo envolvido em actividades de tráfico de armas. Não se consegue entender o que é que um Deputado e Assessor do PM tenha que ver com o assunto que é ou deveria ser um caso de justiça, e como é que tem acesso a inquirir um prisioneiro. Entretanto a mulher de Bout veio afirmar que tem uma gravação secreta da conversa do seu marido com Sirichok e que se necessário a irá divulgar.

A Embaixada Russa na capital entretanto pôs a circular, por certo um boato, de que se Bout fosse extraditado para os EEUU e não para a Rússia, desaconselharia os seus nacionais a visitarem a Tailândia. Note-se que actualmente os russos são dos mais assíduos turistas no reino e em todos os locais de turismo, Phuket, Samui, Pattaya e Chiang Mai há uma crescente comunidade russa que tem investido fortemente especialmente no imobiliário. Para além de já haver jornais em língua russa os restaurantes e hotéis, a par do inglês e por vezes do japonês, têm agora as suas informações em russo.

No seio da Embaixada Americana na capital, a maior missão em toda a Ásia com mais de 2.000 pessoas, corre a perplexidade e o desconforto pela "traição" do forte aliado que é a Tailândia.

Entretanto lá continua o avião e as forças de segurança que vieram para escoltar Bout na sua viagem até ao julgamento nas terras do Tio Sam.

Pergunta-se de quem terá sido a tão forte voz que fez parar todo o processo depois de o tribunal ter proferido a sentença?

Prem Tinsunalonda


Cumpre hoje 90 anos de idade e é ainda um dos mais influentes homens na cena política do país.

O General Prem Tinsunalonda, Presidente do Conselho Privado do Rei é, sem dúvida quer pelo seu passado quer pela posição que actualmente ocupa, uma peça incontornável em qualquer movimentação no espectro político no país. O facto também de ser uma reverenda pessoa devido à sua idade faz dele, num país onde a idade "é um posto", alguém cujas palavras ou silêncios devem ser sempre ouvidos.

O General Prem antes de chegar á posição que actualmente ocupa, teve uma carreira militar brilhante, foi Comandante Supremo do Exército e Primeiro Ministro na década de 80 e foi-lhe atribuído, por Sua Majestade o Rei, o título de Estadista, o único actualmente vivo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Obras Públicas


Ontem o Conselho de Ministros decidiu aprovar uma dotação de 62 mil milhões de bath (cerca de 1,6 mil milhões de Euros) para a expansão do aeroporto de Suvarnabhumi.

Recorde-se que o aeroporto completará no próximo dia 26 de Setembro quatro anos de operação e está dotado para uma generosa capacidade de 45 milhões de passageiros ano.

Recorde-se ainda que de acordo com as estatísticas do Ministério dos Desportos e Turismo o número de entradas no país está actualmente cerca de 20 % abaixo do registado no ano passado, já de si um ano mau.

Ainda como nota registe-se que o aeroporto de Pukhet, que tem visto um crescendo de movimento internacional, está extremamente necessitado de melhoramentos e alargamento mas tal ainda não está nos planos do governo.

A decisão do governo acrescenta que as obras serão realizadas entre 2011 e 2016 e que o aeroporto passará a ter capacidade para 60 milhões de passageiros por ano, tal qual o novo aeroporto de Pequim construído especialmente para os Jogos Olímpicos de 2008.

Pergunta inocente.

Será que o facto de o Ministério dos Transportes, do qual depende a AOT, Airports of Thailand, ser liderado pelo partido Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob, o homem que se gaba publicamente de já ser mais rico do que Thaksin, tem alguma ligação?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Investigações


Três e quatro meses são passados sobre os incidentes de Maio e Abril onde morreram 91 pessoas e ficaram feridas mais de 1.800, alguns ainda hospitalizados, e o Departamento de Investigação Especial da Polícia (DSI) apresentou ontem o primeiro relatório sobre as autópsias, ou seja disse nada.

Passado este tempo e todo o trabalho feito (?) a conclusão é a que não se sabe nada sobre como é que as pessoas morreram.

Segundo alguns jornais há evidências sobre trajectórias de balas e outros factos causadores das mortes mas a Polícia entende não divulgar e diz necessitar de prosseguir a investigação. O Subchefe do DSI, Coronel de Polícia Narat Savetnant, disse que nem todas as peças necessárias estavam reunidas para se poder fazer qualquer afirmação segura adiantando contudo que ""nem todas as 91 vítimas foram mortas por actos das forças de segurança (sic)". O referido Coronel disse que as investigações deverão estar concluídas no espaço de um ano e que as dos dois estrangeiros, jornalistas Japonês e Italiano, que pereceram nos incidentes tinha prioridade "devido ás constantes pressões postas pelos governos destes dois países".

O Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, de visita oficial a Bangkok, colocou ontem uma coroa de flores no local onde faleceu Hiro Muramoto, e expressou a sua preocupação pelo acontecido nas reuniões com Abhisit e com Kasit esperando explicações em breve.

A comissão criada pelo governo para investigar os incidentes de Abril/Maio, onde se inclui as mortes e sua origem como prometeu o PM Abihisit, presidida por Kanit na Nakhorn, disse que espera ter o seu trabalho terminado em Janeiro do próximo ano o que de alguma forma não está em consonância com o afirmado pelo DSI.

Vários analistas lamentam que a Polícia não seja mais explícita e célere a informar as famílias das vítimas que clamam por explicações há meses.

Mais uma vez as investigações policiais a nada conduzem. Nunca ninguém é apresentado perante a justiça, a não ser os líderes da UDD que continuam presos sem contudo terem ainda sido formalmente acusados. A permanência do Estado de Emergência em Bangkok tal permite e portanto os detidos continuarão a ser mantidos nesse limbo judicial.

A enorme maíoria de casos, políticos ou não, estes quando envolvem forças importantes, acabam sempre no esquecimento e sem ninguém cumprir um dia sequer de pena.

Atente-se só numa infima amostra de casos em que a investigação nada conseguiu encontrar ou a justiça não conseguiu levar por diante: Takbai (78 muçulmanos empilhados num camião militar para serem transferidos de um local para outro que acabaram por morrer asfixiados); Somchai Nepalaichit (advogado muçulmano que foi visto ser feito refém pela Polícia e que desapareceu e nunca mais se soube do paradeiro); Santika (incêndio num clube nocturno que operava completamente de forma totalmente ilegal e onde morreram cerca de 80 pessoas); Pojama na Pombejra (ex mulher de Thaksin condenada a três anos de cadeia por fuga aos impostos que vive confortávelmente a coberto de um apelo que nunca será julgado); Liderança do PAD (ocupação da Government House durante 192 dias e dos aeroportos da capital durante 10 dias causando milhões de milhões de bath de prejuízo ao país), etc, etc, etc.

domingo, 22 de agosto de 2010

Orçamento

A votação sobre o Orçamento foi adiada para Terça-feira, uma decisão do Presidente do Parlamento Chai Chidchob, pai de Nevin, que deixou Abhisit visivelmente irritado como foi notório em muitas fotografias publicadas na imprensa.

A decisão teve por fundamento a necessidade de dar mais tempo à discussão de vários artigos da Lei vista haver muitos Deputados ainda inscritos. Nobre preceito democratico mas na realidade uma forma de tentar ainda obter mais alguns milhões por parte de uns parceiros de coligação sequiosos de fundos para preparar as próximas eleições.

O facto é que os Ministérios dominados pelo partido de Nevin obtêm no presente Orçamento consideráveis ganhos. Quer a Defesa quer o Interior, dois pilares para o controlo de eleições ganham cerca de 11% cada enquanto os Transportes chega aos 18%. Em contraste a Saúde e a Educação vêm os seus ganhos ficarem-se por 3 e 4% respectivamente e outros inclusive sofrem cortes na dotação.

Ontem o Bangkok Post publicava o cartoon acima que era bem descriptivo do actual momento e dos arranjos preparados para o futuro próximo pelo Orçamento.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Arissaman em Siem Reap

Há tempos falei sobre o caso de dois tailandeses que foram presos no Camboja e deportados de volta para a Tailândia num operação relâmpago que deixou muitas dúvidas.

Acontece que há diariamente relatos de que alguns dos líderes da UDD que fugiram do país na sequência dos acontecimentos do 19 de Maio se encontram naquele país e um dos mais famosos, Arissaman, o famoso cantor tornado militante político, actua mesmo no bar de um dos mais conhecidos hotéis de Siem Reap.

Ora por que é que o Camboja foi tão lesto em expulsar aqueles cidadãos, supostamente implicados no atentado contra a sede do partido Bhum Jai Thai, e porque é que "não sabe" que aqueles outros, indiciados por terrorismo e procurados pela justiça tailandesa, se encontram onde toda a gente os pode ver?

Aliás com a expulsão do Camboja do casal e com todo os actos mediáticos e alarido que a comunicação social tailandesa fez sobre o assunto este terminou e desapareceu das manchetes e o casal está em liberdade. Tratou-se tão somente de um acto de propaganda com simbolismo e sem nenhumas implicações judiciais como acontece quase sempre.

O caso de Arissaman é diferente. Ele é uma figura importante do ponto de vista político e um apoiante de causa "thaksinista". O City Angkor Hotel (mais conhecido por Nokor Kok Thlok) é propriedade de Siang Nam, um dos empresários mais próximos de Hun Sen, o PM Cambojano e amigo de Thaksin. Siang Nam é tão poderoso ao ponto de ter total autonomia na cidade mesmo em desafio, se necessário, do seu Governador, Sou Phirin.

O hotel é sempre o pouso de Hun Sen, família e amigos que para ali se deslocam de helicóptero, e está sempre muito bem guardado pelas forças de segurança do país.

Arissaman nunca será "visto" por essas pessoas já que nunca irão entregar ao "inimigo" um amigo e do outro lado da fronteira, a Tailândia, não ousa criar mais um problema com o regime de Hun Sem para além daqueles que já estão sobre a mesa do PM Abhisit.

Assim os visitantes do hotel podem deliciar-se com a música do "grande" cantor de canções do Nordeste tailandês.

Orçamento

O governo enfrenta nos próximos dias uma votação de extrema importância que é a respeitante ao Orçamento para o ano fiscal 2010/2011.

O ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro cada ano e o próximo Orçamento será aquele que irá vigorar no período mais crucial para a estabilização do país e a preparação, ou mesmo realização, do próximo acto eleitoral. O Orçamento contém medidas que serão extremamente importantes do ponto de vista eleitoral. O aumento dos funcionários públicos em 5% a partir de 1 de Abril próximo (bem acima da inflação esperada) e o aumento do salário mínimo para 250 bath dia (um pouco mais de 6 euros) tanbém extremamente elevadao (um pouco acima de 25%) na intenção de ganhar o coração dos eleitores através do seu bolso.

À partida, e depois da cisão que houve na coligação com a saída do Puea Pandin, a tarefa é difícil.

A coligação no poder actualmente conta com os seguintes deputados – 173 Democratas, 32 Bhum Jai Thai, 25 Chart Thai Pattana, 9 Ruamjai Thai, 5 Kij Sang Kom e 3 Mathubhum o que perfaz um total de 247.

O total de Deputados presentemente em funções é de 475 o que faz que uma maioria é obtida com os votos de 238 Deputados.

Como já referi os membros do Governo que são deputados (actualmente 34) não votam o Orçamento o que faz com que a coligação no poder não disponha do número suficiente de votos para fazer passar a lei.

A chave da questão está nos 31 Deputados do Peua Pandin. Sabendo-se que uma parte deles está neste momento alinhado com o Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob é de crer que esses votem em consonância com o governo e permitam assim a passagem da lei. É contudo impreciso o número de Deputados que estará alinhado de um e do outro lado.

Tudo se vai jogar até ao último voto e o Governo sabe bem disso ao ponto de ter contemplado na lei orçamental uma verba de até 50 milhões de bath (cerca de 1,250 milhões de Euros) por Deputado para utilizarem em projectos no respectivo círculo eleitoral, como que uma "cenoura" capaz de ajudar a ganhar o voto.

A oposição que conta com os 189 Deputado do Pheu Thai e 8 do Pracharaj tenta também aproximar-se dos indecisos do Peua Pandin de forma a derrotar a proposta e ver o governo cair já que sem orçamento não há condições para governar e os "ratos sem o queijo" serão os primeiros a abandonar o navio que é a coligação.

Os restantes dias da semana serão intensos nos bastidores do parlamento tentando ambos os campos negociar (comprar?) os votos necessários a obter o resultado que cada facção quer.

È contudo de esperar que o Governo consiga fazer aprovar o orçamento o que lhe dará fôlego para arrancar apara um novo ano e preparar as eleições da forma que melhor lhes assegure a vitória desejada pelos seus líderes e apoiantes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pai

Pai é uma pequena vila num vale no Noroeste do país na província de Mae Hon Song a província que se situa mais Nordeste na Tailândia temdo uma longa fronteira com a Birmânia.

Embora seja bem afastada de Bangkok (quase 1.000 km) é uma importante província pelo facto daquela fronteira por onde passa um pouco de tudo.

Guerra ou escaramuças entre os movimentos étnicos que se opôem ao regime ditatorial de Napidaw (a plástica capital da Birmânia, qual "bunker" a proteger Than Shwei) e as forças militares desse mesmo regime, a mais significativa parte do tráfico de drogas provenientes daquele país um dos principais produtores mundiais de opiáceos, todo o tipo de contrabando desde verdadeiras fábricas no sector textil (na maioria dos casos pertencentes a tailandeses) a grandes quantidades de vinhos e bedidas espirituosas, sempre enchendo os bolsos da burocracia dos dois países, etc.

Pai, que dista cerca de 120 km da capital da província e portanto da fronteira. é um oásis de calmaria no seu vale de arrozais rodeados por altas montanhas.

Recentemente Pai foi descoberta pelo turismo, inicialmente o turista da mochila às costas, mas tem vindo pouco a pouco a modificar o tipo dos visitantes e a ganhar qualidade sem perder a principal razão que atrai as pessoas. Os arrozais, a calma e o "dolce far niente" que se pode gozar em Pai.

Repetem-se os locais para ficar (hoteis, resorts, etc) mas na sua esmagadora maíoria preservando o ambiente tanto quanto é possível. Aliás os tailandeses quando bem instruídos são extremamente generosos na preservação da sua terra e da sua cultura e sabem bem o que não fazer.

Dois dias de descanso esperam-me.


Tak

Ontem ao passar por Tak, uma das portas de entrada no Norte da Tailândia, falou-se do Rei Taksin e uma pessoa confundiu o nome com o do ex-PM Thaksin.

Na realidade para ouvidos ocidentais pouco atentos a mudanças de som tão subtis é fácil de confundir Taksin (สมเด็จพระเจ้าตากสินมหาราช) com Thaksin (ทักษิณ ชินวัตร), se bem que aquela escrita já é por si própria uma tentaiva de ocidentalizar os sons da fonética tailandesa e portanto só tem o valor de tentar ajudar quem não lê tailandês a pode sonorizar as palvras.

A diferença é grande.

Taksin, o Grande, também chamado o Rei de Thomburi foi um dos monarcas mais influentes na história do Sião. Oriundo da província de Ayuthia reinou no último terço do século XVIII e foi o Rei do Sião que depois da destruição da antiga capital e sua cidade natal pelo Birmaneses assumiu a tarefa de reagrupor apoios, com a ajuda de alguns portugueses, e, a partir de Thomburi local que escolheu para a nova capital, antes de esta se transferir para Bangkok do outro lado do rio Chao Praya, lançou o ataque que expulsaria os invasores birmaneses e reestabeleceria a unidade do Sião.

Taksin o Grande reunificou o país. Thaksin dividiu-0.