quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Mercador da Morte

Há tempos a polícia tailandesa prendeu o cidadão Russo, Viktor Bout, num trabalho conjunto com agentes policiais americanos.

Bout está acusado nos EEUU de apoiar actividades terroristas nomeadamente fornecendo armamento às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Após a sua prisão num hotel de luxo no centro de Bangkok as autoridades americanas solicitaram a deportação de Bout para que pudesse ser ali julgado. Os tribunais tailandeses não deram seguimento ao pedido visto, segundo alegaram na altura, as FARC não serem consideradas uma organização terrorista pela Tailândia.

Desse modo Bout tem continuado preso acusado de permanência ilegal no país e de outros pequenos crimes, enquanto também prosseguia o apelo dos americanos e as pressões dos russos sobre o caso.

Na passada semana o tribunal de apelo deu razão aos americanos e determinou a extradição de Bout para que pudesse vir a ser julgado nos EEUU.

Todo este processo eram também sempre visto um pouco a par do caso de Thaksin visto a Tailândia clamar pela extradição do ex-PM (embora nunca tenha sido enviado nenhum pedido formal emitido por um tribunal do país) e o acusar, embora posteriormente o tribunal tivesse retirado essa acusação, de terrorista.

De algum modo o caso Bout era um exemplo para mostrar ao Mundo que o sistema judicial tailandês não tinha os tais "double-standards" tão apregoados pelos camisas vermelhas.

Notada a decisão do tribunal da passada Sexta-feira começaram todos os procedimentos para a deportação do prisioneiro russo, até que, alguma voz falou mais alto e tudo parou.

Note-se que entretanto os americanos, por certo depois de obterem as garantias necessárias, fizeram deslocar um avião, que se encontra estacionado no aeroporto ao Norte de capital, para levar de regresso aos EEUU Bout. Agora fala-se que o processo poderá demorar até Outubro e inclusive o PM Abhisit veio dizer que havia ainda procedimentos legais a realizar antes de extraditar o "mercador da morte" como Bout é apelidado nos EEUU.

De relevar também o facto de, já depois do veredicto de Sexta-feira, Sirichok Sopa, o mais próximo colaborador de Abhsit usualmente apelidado de "Wallpaper", ter visitado Bout na cadeia tendo este Deputado afirmado que se avistou com o prisioneiro para obter informações que pudessem ser úteis para verificar se o ex-PM Thaksin estaria de algum modo envolvido em actividades de tráfico de armas. Não se consegue entender o que é que um Deputado e Assessor do PM tenha que ver com o assunto que é ou deveria ser um caso de justiça, e como é que tem acesso a inquirir um prisioneiro. Entretanto a mulher de Bout veio afirmar que tem uma gravação secreta da conversa do seu marido com Sirichok e que se necessário a irá divulgar.

A Embaixada Russa na capital entretanto pôs a circular, por certo um boato, de que se Bout fosse extraditado para os EEUU e não para a Rússia, desaconselharia os seus nacionais a visitarem a Tailândia. Note-se que actualmente os russos são dos mais assíduos turistas no reino e em todos os locais de turismo, Phuket, Samui, Pattaya e Chiang Mai há uma crescente comunidade russa que tem investido fortemente especialmente no imobiliário. Para além de já haver jornais em língua russa os restaurantes e hotéis, a par do inglês e por vezes do japonês, têm agora as suas informações em russo.

No seio da Embaixada Americana na capital, a maior missão em toda a Ásia com mais de 2.000 pessoas, corre a perplexidade e o desconforto pela "traição" do forte aliado que é a Tailândia.

Entretanto lá continua o avião e as forças de segurança que vieram para escoltar Bout na sua viagem até ao julgamento nas terras do Tio Sam.

Pergunta-se de quem terá sido a tão forte voz que fez parar todo o processo depois de o tribunal ter proferido a sentença?

2 comentários:

Anónimo disse...

Talvez o Viktor sirva de moeda de troca para câmbio de um/alguns américas detidos na Rússia.
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Os Estados Unidos não têm traficantes de material pum-pum?

Nuno Caldeira da Silva disse...

È MAIS UMA QUESTÃO DE LUTA DE FORÇAS INTERNAS E DE PRESSÕES DE RUSSOS E AMERICANOS E DAS TAIS FORÇAS INTERNAS QUE APOIAM CADA UM DOS BLOCOS NO PAIS. HÁ MUITOS INTERESSES E MUITO DINHEIRO EM JOGO.