quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Explosões e Investigações

Ontem explodiu no parque de automóveis da estação de Televisão estatal NBT uma granada lançada para o local por volta da 1.30 da tarde.

Causou estragos em alguns carros que se encontravam estacionados no local e mais nada.

A estação tem sido alvo de vários incidentes desde o tempo do PAD, quando foi invadida pela turba amarela e destruído o material de televisão, até recentemente quando a vermelhada teve semelhante actuação.

Como tem sido sempre uma estação "ao serviço do poder" este tipo de acções tem acontecido com regularidade pelo que se estranha que, e no momento em que o CRES tanto fala nos grandes dispêndios com a instalação de câmaras de vídeo vigilância por toda a cidade, que esta estação, pelo seu passado, não tenha ou não funcionem tais equipamentos. E digo isto porque mais uma vez a Polícia "anda em bolandas" com o(s) autor(es) do lançamento da granada.

Deste o fim dos acontecimentos de Abril/Maio que é a sexta vez que uma explosão acontece em Bangkok, com pelo menos um morto e dois feridos graves, para além de outros ligeiros, e ainda ninguém está preso ou pelo menos identificado como possível autor.

Logo após a explosão de ontem foi anunciado que a granada teria sido lançada da via rápida que fica perto do local mas sabe-se agora que esta estava fechada para a passagem de uma procissão de carros com membros da família real. Se assim tivesse sido só poderiam ter sido os próprios polícias que fizeram esse encerramento.

O Ministro do sector e o Comandante da Polícia Metropolitana visitaram o local e começaram de imediato a lançar conjecturas sobre os motivos e as possíveis formas de como a granada foi lançada sem grande base para a argumentação.

Por hábito os oficiais de investigação comentam em demasia os factos no momento e lançam para a comunicação social "pistas" sem contudo terem o cuidado de serem cuidadosos nas suas palavras.

Assim uma vez mais teremos rumores, acusações, desmentidos mas nenhumas certezas sobre o que se passou e quem cometeu o atentado, etc.

Para que servem então as palavras proferidas no fim da semana passada pelo Vice Primeiro-Ministro Suthep de que a polícia tinha reparado todas as câmaras de vídeo vigilância que teriam sido destruídas pelos vermelhos? Gastam-se milhões de baht sem proveito pois, ou o trabalho não foi feito, mas a factura apresentada, ou as câmaras estão apontadas sempre para sítios errados pois nunca conseguem detectar nada!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eleições em Bangkok

Cerca de 40% dos eleitores acorreram ontem ás urnas em Bangkok para elegerem os Conselheiros Municipais para a grande metrópole (Município) e os distritos mais pequenos que por comparação com o sistema português chamaremos de freguesias. Os Conselheiros são como que os membros das Assembleias respactivas.

Como era de esperar o Partido Democrata saiu vencedor. Os democratas são por tradição os mais votados na grande metrópole se bem que por vezes este tipo de eleições é mais ligado ao conhecimento pessoal dos candidatos do que aos partidos políticos pelos quais concorrem. Apesar da menor importância destas eleições elas mostraram alguns aspectos que merecem realce.

A vitória dos Democratas foi sólida, com uma larga vantagem sobre o Pheu Thai, e o Partido da Nova Politica, a força política dos amarelos do PAD, que concorria pela primeira vez a umas eleições não elegeu nenhum dos seus candidatos o que vem mostrar o enfraquecimento do movimento e o erro que foi a criação de um Partido facto aliás contestado por muitos especialmente o seu líder Sondhi L. facto que o levou mesmo a abandonar o PNP.

Para os Democratas será um alívio ver aligeirar a pressão que a turbo amarela constantemente faz sobre o poder.

O Pheu Thai mostrou de igual modo que não atravessa um bom momento e a falta de uma liderança clara, o seu líder está no exílio (Thaksin), nunca lhes permitirá grandes feitos. Se a colagem a Thaksin é positiva para o partido no interior do país tal já não é tão aceite nas zonas urbanas. O Pheu Thai vive esse dilema de não poder viver sem Thaksin mas necessitar de um líder no terreno á altura de passar mensagens que sejam entendidas pelo eleitorado. Isso tem vindo pouco a pouco a retirar-lhe margem de manobra e será sempre um pesado fardo nos seus objectivos.

Em Klongsan, um dos distritos da capital pudemos observar um exemplo daquilo que não deve ser a forma de fazer política.

Um dos candidatos que não foi eleito, o que aconteceu a muito boa gente, já tinha sido anteriormente eleito, primeiro pelo Thai Rak Thai, ex Partido de Thaksin, depois pelos Democratas e agora concorria pelo PNP. O homem é um verdadeiro campeão da polivalência política mas desta vez o tiro saiu-lhe pela culatra e que também mostra o desenvolvimento da consciência e entendimento do acto por parte dos eleitores.

Outro resultado talvez não esperado foi o facto de o Pheu Thai ter ganho na freguesia de Dusit a mais antiga da cidade e local sempre em foco, e palco amargo para os residentes das coloridas manifestações em Bangkok. E dessas aquela que estará por certo na memória mais recente dos habitantes foi a vermelha. Mesmo assim premiaram o partido "irmão" da UDD.

Ainda com a freguesia de Dind Daeng por apurar, os Democratas ganham 45 Conselheiros municipais em Bangkok e 210 nas freguesias contra 14 e 39 do Pheu Thai respectivamente. Os restantes lugares, 1 e 7, foram ganhos por independentes.

O único aspecto negativo destas eleições foi o facto de, mais uma vez. se terem realizado eleições numa província onde está em vigor o Estado de Emergência e há relatos de eleitores que se sentiram intimidados pela presença de fortes contingentes de soldados armados junto das assembleias de voto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Cor faz a Diferença

Apresentaram-se ontem perante a Polícia 59 membros da liderança do PAD para ouvirem a acusação de prática de actividades terroristas no caso referente à ocupação quer da sede do Governo quer dos aeroportos da capital tailandesa ocorrência passada de 25 de Maio até 4 de Dezembro de 2008.

Estavam notificadas 79 pessoas mas só compareceram os referidos 59. Não é conhecida nenhuma medida especial que tenha sido sentenciada em relação aos elementos faltosos.

Ouvida que foi a acusação os 59 membros do PAD foram mandados em liberdade sem nenhuma medida coerciva, nem caução monetária estabelecida, visto, segundo o Juiz, "não há indícios de que queiram fugir do país". Um dos acusados e principal líder do PAD, Sondhi L. afirmou que irá interpor acções civis e criminais contra o comandante da polícia que "ousou" acusar a liderança do PAD.

Este caso tem semelhanças com o caso passado com os líderes da UDD que passados pouco mais de 30 dias sobre os incidentes de Abril/Maio deste ano foram presentes a juízo e ficaram em prisão preventiva, onde ainda se encontram, excepto Veera Musikapong ao qual foi atribuída uma caução de largos milhões de bath.

Há contudo uma grande diferença entre os dois casos: Uns são Vermelhos e os outros Amarelos!

PS: O livro cuja capa insiro em fotografia vale a pena desfolhar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Mercador da Morte

Há tempos a polícia tailandesa prendeu o cidadão Russo, Viktor Bout, num trabalho conjunto com agentes policiais americanos.

Bout está acusado nos EEUU de apoiar actividades terroristas nomeadamente fornecendo armamento às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Após a sua prisão num hotel de luxo no centro de Bangkok as autoridades americanas solicitaram a deportação de Bout para que pudesse ser ali julgado. Os tribunais tailandeses não deram seguimento ao pedido visto, segundo alegaram na altura, as FARC não serem consideradas uma organização terrorista pela Tailândia.

Desse modo Bout tem continuado preso acusado de permanência ilegal no país e de outros pequenos crimes, enquanto também prosseguia o apelo dos americanos e as pressões dos russos sobre o caso.

Na passada semana o tribunal de apelo deu razão aos americanos e determinou a extradição de Bout para que pudesse vir a ser julgado nos EEUU.

Todo este processo eram também sempre visto um pouco a par do caso de Thaksin visto a Tailândia clamar pela extradição do ex-PM (embora nunca tenha sido enviado nenhum pedido formal emitido por um tribunal do país) e o acusar, embora posteriormente o tribunal tivesse retirado essa acusação, de terrorista.

De algum modo o caso Bout era um exemplo para mostrar ao Mundo que o sistema judicial tailandês não tinha os tais "double-standards" tão apregoados pelos camisas vermelhas.

Notada a decisão do tribunal da passada Sexta-feira começaram todos os procedimentos para a deportação do prisioneiro russo, até que, alguma voz falou mais alto e tudo parou.

Note-se que entretanto os americanos, por certo depois de obterem as garantias necessárias, fizeram deslocar um avião, que se encontra estacionado no aeroporto ao Norte de capital, para levar de regresso aos EEUU Bout. Agora fala-se que o processo poderá demorar até Outubro e inclusive o PM Abhisit veio dizer que havia ainda procedimentos legais a realizar antes de extraditar o "mercador da morte" como Bout é apelidado nos EEUU.

De relevar também o facto de, já depois do veredicto de Sexta-feira, Sirichok Sopa, o mais próximo colaborador de Abhsit usualmente apelidado de "Wallpaper", ter visitado Bout na cadeia tendo este Deputado afirmado que se avistou com o prisioneiro para obter informações que pudessem ser úteis para verificar se o ex-PM Thaksin estaria de algum modo envolvido em actividades de tráfico de armas. Não se consegue entender o que é que um Deputado e Assessor do PM tenha que ver com o assunto que é ou deveria ser um caso de justiça, e como é que tem acesso a inquirir um prisioneiro. Entretanto a mulher de Bout veio afirmar que tem uma gravação secreta da conversa do seu marido com Sirichok e que se necessário a irá divulgar.

A Embaixada Russa na capital entretanto pôs a circular, por certo um boato, de que se Bout fosse extraditado para os EEUU e não para a Rússia, desaconselharia os seus nacionais a visitarem a Tailândia. Note-se que actualmente os russos são dos mais assíduos turistas no reino e em todos os locais de turismo, Phuket, Samui, Pattaya e Chiang Mai há uma crescente comunidade russa que tem investido fortemente especialmente no imobiliário. Para além de já haver jornais em língua russa os restaurantes e hotéis, a par do inglês e por vezes do japonês, têm agora as suas informações em russo.

No seio da Embaixada Americana na capital, a maior missão em toda a Ásia com mais de 2.000 pessoas, corre a perplexidade e o desconforto pela "traição" do forte aliado que é a Tailândia.

Entretanto lá continua o avião e as forças de segurança que vieram para escoltar Bout na sua viagem até ao julgamento nas terras do Tio Sam.

Pergunta-se de quem terá sido a tão forte voz que fez parar todo o processo depois de o tribunal ter proferido a sentença?

Prem Tinsunalonda


Cumpre hoje 90 anos de idade e é ainda um dos mais influentes homens na cena política do país.

O General Prem Tinsunalonda, Presidente do Conselho Privado do Rei é, sem dúvida quer pelo seu passado quer pela posição que actualmente ocupa, uma peça incontornável em qualquer movimentação no espectro político no país. O facto também de ser uma reverenda pessoa devido à sua idade faz dele, num país onde a idade "é um posto", alguém cujas palavras ou silêncios devem ser sempre ouvidos.

O General Prem antes de chegar á posição que actualmente ocupa, teve uma carreira militar brilhante, foi Comandante Supremo do Exército e Primeiro Ministro na década de 80 e foi-lhe atribuído, por Sua Majestade o Rei, o título de Estadista, o único actualmente vivo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Obras Públicas


Ontem o Conselho de Ministros decidiu aprovar uma dotação de 62 mil milhões de bath (cerca de 1,6 mil milhões de Euros) para a expansão do aeroporto de Suvarnabhumi.

Recorde-se que o aeroporto completará no próximo dia 26 de Setembro quatro anos de operação e está dotado para uma generosa capacidade de 45 milhões de passageiros ano.

Recorde-se ainda que de acordo com as estatísticas do Ministério dos Desportos e Turismo o número de entradas no país está actualmente cerca de 20 % abaixo do registado no ano passado, já de si um ano mau.

Ainda como nota registe-se que o aeroporto de Pukhet, que tem visto um crescendo de movimento internacional, está extremamente necessitado de melhoramentos e alargamento mas tal ainda não está nos planos do governo.

A decisão do governo acrescenta que as obras serão realizadas entre 2011 e 2016 e que o aeroporto passará a ter capacidade para 60 milhões de passageiros por ano, tal qual o novo aeroporto de Pequim construído especialmente para os Jogos Olímpicos de 2008.

Pergunta inocente.

Será que o facto de o Ministério dos Transportes, do qual depende a AOT, Airports of Thailand, ser liderado pelo partido Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob, o homem que se gaba publicamente de já ser mais rico do que Thaksin, tem alguma ligação?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Investigações


Três e quatro meses são passados sobre os incidentes de Maio e Abril onde morreram 91 pessoas e ficaram feridas mais de 1.800, alguns ainda hospitalizados, e o Departamento de Investigação Especial da Polícia (DSI) apresentou ontem o primeiro relatório sobre as autópsias, ou seja disse nada.

Passado este tempo e todo o trabalho feito (?) a conclusão é a que não se sabe nada sobre como é que as pessoas morreram.

Segundo alguns jornais há evidências sobre trajectórias de balas e outros factos causadores das mortes mas a Polícia entende não divulgar e diz necessitar de prosseguir a investigação. O Subchefe do DSI, Coronel de Polícia Narat Savetnant, disse que nem todas as peças necessárias estavam reunidas para se poder fazer qualquer afirmação segura adiantando contudo que ""nem todas as 91 vítimas foram mortas por actos das forças de segurança (sic)". O referido Coronel disse que as investigações deverão estar concluídas no espaço de um ano e que as dos dois estrangeiros, jornalistas Japonês e Italiano, que pereceram nos incidentes tinha prioridade "devido ás constantes pressões postas pelos governos destes dois países".

O Ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, de visita oficial a Bangkok, colocou ontem uma coroa de flores no local onde faleceu Hiro Muramoto, e expressou a sua preocupação pelo acontecido nas reuniões com Abhisit e com Kasit esperando explicações em breve.

A comissão criada pelo governo para investigar os incidentes de Abril/Maio, onde se inclui as mortes e sua origem como prometeu o PM Abihisit, presidida por Kanit na Nakhorn, disse que espera ter o seu trabalho terminado em Janeiro do próximo ano o que de alguma forma não está em consonância com o afirmado pelo DSI.

Vários analistas lamentam que a Polícia não seja mais explícita e célere a informar as famílias das vítimas que clamam por explicações há meses.

Mais uma vez as investigações policiais a nada conduzem. Nunca ninguém é apresentado perante a justiça, a não ser os líderes da UDD que continuam presos sem contudo terem ainda sido formalmente acusados. A permanência do Estado de Emergência em Bangkok tal permite e portanto os detidos continuarão a ser mantidos nesse limbo judicial.

A enorme maíoria de casos, políticos ou não, estes quando envolvem forças importantes, acabam sempre no esquecimento e sem ninguém cumprir um dia sequer de pena.

Atente-se só numa infima amostra de casos em que a investigação nada conseguiu encontrar ou a justiça não conseguiu levar por diante: Takbai (78 muçulmanos empilhados num camião militar para serem transferidos de um local para outro que acabaram por morrer asfixiados); Somchai Nepalaichit (advogado muçulmano que foi visto ser feito refém pela Polícia e que desapareceu e nunca mais se soube do paradeiro); Santika (incêndio num clube nocturno que operava completamente de forma totalmente ilegal e onde morreram cerca de 80 pessoas); Pojama na Pombejra (ex mulher de Thaksin condenada a três anos de cadeia por fuga aos impostos que vive confortávelmente a coberto de um apelo que nunca será julgado); Liderança do PAD (ocupação da Government House durante 192 dias e dos aeroportos da capital durante 10 dias causando milhões de milhões de bath de prejuízo ao país), etc, etc, etc.

domingo, 22 de agosto de 2010

Orçamento

A votação sobre o Orçamento foi adiada para Terça-feira, uma decisão do Presidente do Parlamento Chai Chidchob, pai de Nevin, que deixou Abhisit visivelmente irritado como foi notório em muitas fotografias publicadas na imprensa.

A decisão teve por fundamento a necessidade de dar mais tempo à discussão de vários artigos da Lei vista haver muitos Deputados ainda inscritos. Nobre preceito democratico mas na realidade uma forma de tentar ainda obter mais alguns milhões por parte de uns parceiros de coligação sequiosos de fundos para preparar as próximas eleições.

O facto é que os Ministérios dominados pelo partido de Nevin obtêm no presente Orçamento consideráveis ganhos. Quer a Defesa quer o Interior, dois pilares para o controlo de eleições ganham cerca de 11% cada enquanto os Transportes chega aos 18%. Em contraste a Saúde e a Educação vêm os seus ganhos ficarem-se por 3 e 4% respectivamente e outros inclusive sofrem cortes na dotação.

Ontem o Bangkok Post publicava o cartoon acima que era bem descriptivo do actual momento e dos arranjos preparados para o futuro próximo pelo Orçamento.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Arissaman em Siem Reap

Há tempos falei sobre o caso de dois tailandeses que foram presos no Camboja e deportados de volta para a Tailândia num operação relâmpago que deixou muitas dúvidas.

Acontece que há diariamente relatos de que alguns dos líderes da UDD que fugiram do país na sequência dos acontecimentos do 19 de Maio se encontram naquele país e um dos mais famosos, Arissaman, o famoso cantor tornado militante político, actua mesmo no bar de um dos mais conhecidos hotéis de Siem Reap.

Ora por que é que o Camboja foi tão lesto em expulsar aqueles cidadãos, supostamente implicados no atentado contra a sede do partido Bhum Jai Thai, e porque é que "não sabe" que aqueles outros, indiciados por terrorismo e procurados pela justiça tailandesa, se encontram onde toda a gente os pode ver?

Aliás com a expulsão do Camboja do casal e com todo os actos mediáticos e alarido que a comunicação social tailandesa fez sobre o assunto este terminou e desapareceu das manchetes e o casal está em liberdade. Tratou-se tão somente de um acto de propaganda com simbolismo e sem nenhumas implicações judiciais como acontece quase sempre.

O caso de Arissaman é diferente. Ele é uma figura importante do ponto de vista político e um apoiante de causa "thaksinista". O City Angkor Hotel (mais conhecido por Nokor Kok Thlok) é propriedade de Siang Nam, um dos empresários mais próximos de Hun Sen, o PM Cambojano e amigo de Thaksin. Siang Nam é tão poderoso ao ponto de ter total autonomia na cidade mesmo em desafio, se necessário, do seu Governador, Sou Phirin.

O hotel é sempre o pouso de Hun Sen, família e amigos que para ali se deslocam de helicóptero, e está sempre muito bem guardado pelas forças de segurança do país.

Arissaman nunca será "visto" por essas pessoas já que nunca irão entregar ao "inimigo" um amigo e do outro lado da fronteira, a Tailândia, não ousa criar mais um problema com o regime de Hun Sem para além daqueles que já estão sobre a mesa do PM Abhisit.

Assim os visitantes do hotel podem deliciar-se com a música do "grande" cantor de canções do Nordeste tailandês.

Orçamento

O governo enfrenta nos próximos dias uma votação de extrema importância que é a respeitante ao Orçamento para o ano fiscal 2010/2011.

O ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro cada ano e o próximo Orçamento será aquele que irá vigorar no período mais crucial para a estabilização do país e a preparação, ou mesmo realização, do próximo acto eleitoral. O Orçamento contém medidas que serão extremamente importantes do ponto de vista eleitoral. O aumento dos funcionários públicos em 5% a partir de 1 de Abril próximo (bem acima da inflação esperada) e o aumento do salário mínimo para 250 bath dia (um pouco mais de 6 euros) tanbém extremamente elevadao (um pouco acima de 25%) na intenção de ganhar o coração dos eleitores através do seu bolso.

À partida, e depois da cisão que houve na coligação com a saída do Puea Pandin, a tarefa é difícil.

A coligação no poder actualmente conta com os seguintes deputados – 173 Democratas, 32 Bhum Jai Thai, 25 Chart Thai Pattana, 9 Ruamjai Thai, 5 Kij Sang Kom e 3 Mathubhum o que perfaz um total de 247.

O total de Deputados presentemente em funções é de 475 o que faz que uma maioria é obtida com os votos de 238 Deputados.

Como já referi os membros do Governo que são deputados (actualmente 34) não votam o Orçamento o que faz com que a coligação no poder não disponha do número suficiente de votos para fazer passar a lei.

A chave da questão está nos 31 Deputados do Peua Pandin. Sabendo-se que uma parte deles está neste momento alinhado com o Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob é de crer que esses votem em consonância com o governo e permitam assim a passagem da lei. É contudo impreciso o número de Deputados que estará alinhado de um e do outro lado.

Tudo se vai jogar até ao último voto e o Governo sabe bem disso ao ponto de ter contemplado na lei orçamental uma verba de até 50 milhões de bath (cerca de 1,250 milhões de Euros) por Deputado para utilizarem em projectos no respectivo círculo eleitoral, como que uma "cenoura" capaz de ajudar a ganhar o voto.

A oposição que conta com os 189 Deputado do Pheu Thai e 8 do Pracharaj tenta também aproximar-se dos indecisos do Peua Pandin de forma a derrotar a proposta e ver o governo cair já que sem orçamento não há condições para governar e os "ratos sem o queijo" serão os primeiros a abandonar o navio que é a coligação.

Os restantes dias da semana serão intensos nos bastidores do parlamento tentando ambos os campos negociar (comprar?) os votos necessários a obter o resultado que cada facção quer.

È contudo de esperar que o Governo consiga fazer aprovar o orçamento o que lhe dará fôlego para arrancar apara um novo ano e preparar as eleições da forma que melhor lhes assegure a vitória desejada pelos seus líderes e apoiantes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pai

Pai é uma pequena vila num vale no Noroeste do país na província de Mae Hon Song a província que se situa mais Nordeste na Tailândia temdo uma longa fronteira com a Birmânia.

Embora seja bem afastada de Bangkok (quase 1.000 km) é uma importante província pelo facto daquela fronteira por onde passa um pouco de tudo.

Guerra ou escaramuças entre os movimentos étnicos que se opôem ao regime ditatorial de Napidaw (a plástica capital da Birmânia, qual "bunker" a proteger Than Shwei) e as forças militares desse mesmo regime, a mais significativa parte do tráfico de drogas provenientes daquele país um dos principais produtores mundiais de opiáceos, todo o tipo de contrabando desde verdadeiras fábricas no sector textil (na maioria dos casos pertencentes a tailandeses) a grandes quantidades de vinhos e bedidas espirituosas, sempre enchendo os bolsos da burocracia dos dois países, etc.

Pai, que dista cerca de 120 km da capital da província e portanto da fronteira. é um oásis de calmaria no seu vale de arrozais rodeados por altas montanhas.

Recentemente Pai foi descoberta pelo turismo, inicialmente o turista da mochila às costas, mas tem vindo pouco a pouco a modificar o tipo dos visitantes e a ganhar qualidade sem perder a principal razão que atrai as pessoas. Os arrozais, a calma e o "dolce far niente" que se pode gozar em Pai.

Repetem-se os locais para ficar (hoteis, resorts, etc) mas na sua esmagadora maíoria preservando o ambiente tanto quanto é possível. Aliás os tailandeses quando bem instruídos são extremamente generosos na preservação da sua terra e da sua cultura e sabem bem o que não fazer.

Dois dias de descanso esperam-me.


Tak

Ontem ao passar por Tak, uma das portas de entrada no Norte da Tailândia, falou-se do Rei Taksin e uma pessoa confundiu o nome com o do ex-PM Thaksin.

Na realidade para ouvidos ocidentais pouco atentos a mudanças de som tão subtis é fácil de confundir Taksin (สมเด็จพระเจ้าตากสินมหาราช) com Thaksin (ทักษิณ ชินวัตร), se bem que aquela escrita já é por si própria uma tentaiva de ocidentalizar os sons da fonética tailandesa e portanto só tem o valor de tentar ajudar quem não lê tailandês a pode sonorizar as palvras.

A diferença é grande.

Taksin, o Grande, também chamado o Rei de Thomburi foi um dos monarcas mais influentes na história do Sião. Oriundo da província de Ayuthia reinou no último terço do século XVIII e foi o Rei do Sião que depois da destruição da antiga capital e sua cidade natal pelo Birmaneses assumiu a tarefa de reagrupor apoios, com a ajuda de alguns portugueses, e, a partir de Thomburi local que escolheu para a nova capital, antes de esta se transferir para Bangkok do outro lado do rio Chao Praya, lançou o ataque que expulsaria os invasores birmaneses e reestabeleceria a unidade do Sião.

Taksin o Grande reunificou o país. Thaksin dividiu-0.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Curta

O Governo do PM Abhisit está a tentar competir com o do fugitivo ex-PM Thaksin no que respeita o controlo sobre todo o tipo de oposição.

Foi enviada para todas as Universidades uma nota do Governo para que estas "cortem cerce toda e qualquer manifestação estudantil de carácter político" em nome da reconciliação nacional e para obstar à criação de divisões na sociedade.

Elementar, como dizia o outro.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Abhisit e o PAD

Como anteriormente referi o PAD decidiu manifestar-se durante o fim de semana erguendo mais uma vez a bandeira do nacionalismo como o estandarte da sua campanha.

Recentemente o Ministro do governo tailandês presente na reunião da UNESCO assinou as conclusões finais onde se dizia que o comité apreciava o trabalho levado a cabo pelo Camboja na preparação do plano de gestão para o templo de Phrae Viharn local recentemente designado como Património da Humanidade, de acordo com a definição da agência das Nações Unidas. Tal facto foi aproveitado pelo PAD para vir de novo afirmar que estaria em causa a soberania do território tailandês e que o governo Abhisit estava a capitular e a ceder às pressões do vizinho.

Note-se que no final deste mês irão ocorrer eleições para Conselheiros Municipais em Bangkok e pela primeira vez o partido da Nova Politica (PNP - o braço político do movimento amarelo) irá estar presente. A campanha, que já está na rua através de cartazes, é sintomática de que o PNP tem que disputar o espaço e os votos ao partido Democrata. Afirma-se nos cartazes que os bangkokianos sabem que têm de mudar e para serem mais claros usam cores significando mudar do azul claro (a cor Democrata) para o verde (a cor do PNP).

Assim não é de espantar que tenham levantado agora esta bandeira para de novo entusiasmar os seus apoiantes a criar um conflito com o partido do poder ao acusarem o PM de capitulação perante o "inimigo".

Abhisit tentou reagir mas fê-lo de forma pouco esclarecida.

No Sábado passado acedeu a ir falar aos manifestantes amarelos, reunidos numa manifestação num estádio da capital, e tal facto não só foi criticado por muitos (as sondagens posteriores feitas pela Universidade Católica mostram isso), como outros perguntam-se porque é que o PM não foi também falar aos manifestantes vermelhos (especialmente no seu início). Pior de tudo foi o que acabou por dizer visto ter feito afirmações que não só lhe podem criar problemas com o próprio PAD, um aliado que não deve ser menosprezado, como estão a criar com o Camboja.

Abhisit afirmou que agora seria mais simples solucionar a questão (o PM sabe bem as tremendas dificuldades que terá em conseguir a resposta que o PAD quer),e, caso fosse necessário, não só seria anulado o Acordo celebrado pelo seu antecessor e actual assessor sénior do partido Democrata Chuen Lekpai em 2000, como a Tailândia recorreria a todos os meios necessários, militares incluídos, para impedir qualquer perca territorial.

O Camboja está numa situação muito cómoda pois tem a seu favor os instrumentos internacionais (acordos de 1904 e 1907, decisão do ICJ de 1962 e o acordo de 2000), e a própria história e portanto nada tem de fazer senão continuar numa posição dominante e de força e esperar as reacções vindas de Bangkok.

Terá de ser a Tailândia, como se diz na gíria, a "correr atrás do prejuízo" e tentar encontrar soluções para uma questão que o PAD tenta sempre tornar numa grande questão nacional sabendo que isso é favorável a criar emoções nacionalistas e inflamar os seus apoiantes.

Abhisit meteu-se entre fogos cruzados, como se não lhe bastasse todos aqueles que tem, e sairá mais chamuscado de todo o conflito do que vitorioso.

Do lado do Camboja, o PM Hun Sen apresentou o caso à Assembleia-geral das Nações Unidas, enviando uma carta ao seu Presidente, solicitando a difusão dessa mesma aos membros do Conselho de Segurança, onde, baseando-se nas palavras de Abhisit, alerta para a mencionada possível denúncia unilateral de acordos internacionais por parte da Tailândia (afectação da credibilidade de um país como parceiro contratante em direito internacional) e para a ameaça do uso da força contra o seu país. Contra tal ABhisit já veio dizer que as suas palavras foram mal interpretadas e incorrectamente transcritas o que mostra a dificuldade do PM e a necessidade de estar à defesa.

Do lado do PAD o movimento tem agora como adquirido o "compromisso" do PM de resolver a questão sendo que Abhisit é por certo um dos que melhor sabe a reduzida possibilidade que a Tailândia tem de sair vitoriosa nesta contenda e, como referi, e que o Camboja não tem nenhuma razão, vantagem ou necessidade para suavizar a sua posição.

Um passo em falso de Abhist que cada vez se vê mais entalado no seu próprio campo quer pelos seus parceiros de coligação quer pelo PAD/PNP. Do outro lado da bancada o Pheu Thai/UDD aguardam o momento para voltar á acção realizando pequenos eventos de agitação propagandística para manter as suas forças vivas mas evitando ao máximo os perigos que para o movimento tem representado o Estado de Emergência e a repressão sobre o movimento actualmente em acção.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PAD

Boa novidade para o PAD, o movimento amarelo que tanta perturbação causou em 2008.

Uma vez mais, a enésima, o Tribunal adiou a eventualidade de processar ou prender os líderes do PAD pelo envolvimento, sabido, conhecido e demonstrado em muitos registos, na ocupação da sede do Governo durante 192 dias e dos aeroportos da capital durante 9 dias. Expeculam os "mentideros" se o facto de o candidato do PAD não ter concorrido ás eleições intercalares em Julho em Bangkok terá a ver com a decisão. O candidato do Phue Thai, o actualmente líder da UDD Khorkaew, perdeu mas conseguiu uns inesperados 42,7% dos votos o que faz pensar que se o candidato do New Politics Party (braço político do PAD) não tivesse desistido o candidato Democrata, Panich, que conseguiu 50,4% poderia ter perdido visto o NPP is buscar votos ao mesmo eleitorado.

A próxima pronunciamento será no dia 7 de Outubro, e muito provávelemente será um novo adiamento. Aliás ainda não há muito tempo ouvi, eu e muita gente visto estarmos num fórum público, um alto representante do governo, equiparado a Ministro, dizer que quem tinha encerrado os aeroportos não tinha sido o PAD mas a AOT, a empresa que gere os aeroportos no país, e só depois é que os manifestantes os ocuparam visto terem necessidade de encontrar um local para descansar. Não é brincadeira. Foi mesmo dito por esse alto representante do governo de Abhisit na presença de muita gente estupefacta. Usando estes zelosos argumentos legalistas é possível tudo argumentar.

Outros incidentes acabam por se envolver pelo meio e afinal a notícia pode não ser tão boa.

Na reunião da UNESCO recentemente realizada no Brasil, o Camboja apresentou o plano para a gestão do parque histórico do templo de Phrae Viharn que incluía um Comité de Coordenação Internacional para o qual a Tailândia foi convidada, facto que recusou, alegadamente por temer isso ser visto como uma concessão ao país vizinho na disputa que mantêm sobre terrenos não demarcados adjacentes ao templo. Contudo o Ministro tailandês presente acabou por assinar a declaração final da reunião onde estava expresso a manifestação de regozijo dos estados presentes sobre o plano de gestão apresentado, facto que foi de imediato utilizado pelo PAD para mais uma vez levantar a bandeira nacionalista dizendo que o Ministro tinha capitulado e anunciado que iria manifestar-se na Government House, este próximo fim de semana, contra essa posição de fraqueza.

O governo de Abhisit é bem conhecedor de todo o intricado problema, embora ele próprio defensor, enquanto na oposição, da tese amarela de que o templo é do Camboja mas a terra onde está assente é tailandesa, veio dar grande voz ao facto de o Conselho da UNESCO não ter tomado nenhuma decisão na sessão no Brasil e adiado para a próxima reunião esse ponto dando assim algum espaço para "dormir sobre o assunto". Hoje veio também a lume uma carta escrita pelo Príncipe Sisowath, Thomico assessor do Rei Norodom Shiamoni, uma verdadeira peça de cultura diplomática, onde o Príncipe chama a atenção para o que é mais importante neste conflito e que os dois países não devem pôr em perigo a estabilidade da região com argumentações de reclamações territoriais que irão afectar os interesses dos dois povos que têm tanto em comum. Abhisit já deu apoio ao espírito da carta embora comentasse que não conhecer todo o seu conteúdo.

A posição do PAD, mais uma vez puxando pelas emoções nacionalistas, está assim contra o espírito que o governo quer instalar de conciliação e entendimento o que já levou o Vice Suthep a avisar de que se o PAD, os sempre aliados dos Democratas, avançar com alguma manifestação essa será dispersada pela força atento o Estado de Emergência reinante na capital.

Coincidência ou não, hoje mesmo a polícia, depois de já ter confirmado que o processo contra os líderes amarelos iria ser adiado para o dia 7 de Outubro, como acima se refere, avançou que os membros do movimento que não se apresentarem na esquadra amanhã (para ouvir essa decisão direi eu) serão objecto da emissão de um mandado de captura.

Entretanto os líderes vermelhos continuam presos, excepto os que fugiram e Veera Musikapong que foi libertado sob fiança de cerca de 75.000 Euros, e ainda não foram formalmente acusados, facto que é possível devido à lei sobre o Estado de Emergência que rege todas as detenções que têm vindo a ser feitas por todo o país e que ascendem a milhares. Entretanto a Comissão Nacional para a Reconciliação, presidida pelo ex-Acusador Público Kanit na Nakhorn, solicitou ao governo que ponderasse não mostrar em público os detidos agrilhoados de pés e mãos visto tal ser uma imagem de degradação.

Assim prossegue a justiça.

Prayuth Chan-ocha

O Conselho de Ministros ontem reunido aceitou, sem alterar, a lista para a remodelação anual dos quadros superiores da hierarquia militar apresentada pelo Ministro da Defesa Prawit e decidiu enviar para que seja revista e aprovada pelo monarca Rama IX se assim o entender. Sobre o apoio dado pelo governo à remodelação importa ver este artigo no The Washington Times

Deste modo a partir de 1 de Outubro próximo, altura em que o General Anupong Paochinda passa à reforma por ter atingido 60 anos de idade no presente ano fiscal tailandês, o General Prayuth Chan-ocha será por certo o novo comandante supremo do exército um dos postos mais importantes na estrutura do sistema político/militar em vigor na Tailândia.

Desconhecer os meandros dos quartéis e das estruturas militares e da Polícia (como que a quarta força militar no país), torna impossível compreender e interpretar os factos políticos sejam eles de que naturezas forem.

Prayuth ascendeu meteoricamente na hierarquia queimando etapas para atingir o lugar de topo. Proveniente da classe 12 da escola militar (Anupong é da classe 10 - as mesma de Thaksin) passou à frente de outros que se encontravam potencialmente melhor colocados devido á sua senioridade mas foram preteridos a favor deste "falcão" proveniente do regimento "os Guardas da Rainha", aliás como Anupong e muitos dos que agora estão em lugares de chefia. Recorde-se que foi este regimento que esteve em grande destaque nos confrontos do dia 10 de Abril contra os manifestantes da UDD em que morreram 25 pessoas e ficaram feridos perto de um milhar. Entre os mortos estava um dos coronéis de elite desta força, Romklao, cujo funeral foi presidido pela própria Rainha numa homenagem "aos seus guardas".

Ao contrário de Anupong que sempre foi hesitante nas posições que pudessem de alguma forma manchar a sua carreira, isto no que respeita a tomar posicionamentos políticos claros, Prayuth é um claro apoiante do actual regime e uma voz determinada contra as intenções vermelhas. Recordo a propósito disto que há meses numa conversa com um jornalista tailandês ele me dizia que se este ano for mau (falava-se antes da crise Abril/Maio) o próximo será pior pois Prayuth não terá hesitações no que respeita ao uso da força ao contrário de Anupong.

Prayuth e Anupong têm caminhos muito semelhantes. Para além de pertencerem ao regimento real que mencionei foram ambos comandantes da 1 ª Região (a mais poderosa do país) antes de se instalarem no quartel-general. Outro homem que estará na calha e neste mesmo percurso é o General Kanit Sapitak, o actual Comandante da 1 ª Região e que se tem mantido próximo dos dois generais. Poderá vir a ser o próximo numero dois na hierarquia e vir a suceder a Prayuth em 2014 quando este se reformar.

Apesar de ter saltado duas classes (havia generais da classe 10 na lista dos elegíveis e ainda havia a classe 11 da qual fazia parte o falecido General Kathya -Seh Daeng) Prayuth conseguiu obter todo o apoio político necessário para chegar ao poder e não deverá ter dificuldades no comando pois as alterações já produzidas nas reestruturações de Outubro passado e na intermédia que tem lugar em Abril (e por certo os últimos toques para o próximo Outubro) asseguraram que os lugares de comando funcional estejam preenchidos com homens de sua inteira confiança e leais à usa palavra.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Militares e Política

Este artigo de Chambers é melhor do que inúmeros relatos que se possam ler nos jornais sobre os políticos e os partidos na Tailândia quando respeita a compreender aquilo que se passa na essência da vida política no país.

Como diz um dos comentários. É necessário ler as folhas de chá da política intra-militar tailandesa para se poder compreender o país.

A estreita ligação da aristocracia com os militares, sempre presente na vida política da Tailândia(exemplo disso é o facto de a esmagadora maíoria dos Primeiro-ministros terem vindo da área milititar), determina todos os passos que são dados mesmo pelos políticos que aparentemente estão de fora desse círculo, da mesma forma que deternima o rumo da vida no país.

Abhisit é um protegido dessa parceria. Ele próprio foi professor na mais importante academia militar e o seu pai é amigo pessoal do Presidente do Conselho Privado do Rei, também ele um militar, General Prem.

A sucessão do General Anupong, que se aproxima, é o momento de reorganizar as forças armadas em torno do novo eleito e, para quem está de fora, obervar a forma como as diversas forças se cruzam e posicionam durante este processo de escolha. Contudo a presente sucessão deverá ser mais concesual já que o General Prayuth, o provável sucessor, preparou bem o caminho especialmente durante a dispersão da recente manifestação da UDD. Mesmo assim há que observar as possibilidades do General Piroon, mais antigo e pertencente ao ramo de cavalaria, área do General Prem, que é tido como o cavalo de Troia na presente corrida.

A primeira discusão sobre as listas, que serão mais tarde apresentadas ao Rei para confirmação, deverá ter lugar hoje mesmo na reunião do Conselho de Ministros.


PS: Já depois de escrito o texto acima veio a confirmação de que o Conselho de Ministros decidiu recomendar que a lista apresentada pelo Ministro da Defesa fosse enviada, sem alterações, para aprovação real, querendo isto dizer que o General Prayuth Chan-ocha está indigitado como o próximo comandante do exército e homem forte do sistema politico/militar vigente.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Regresso a Bangkok

Três semanas de férias e três semanas em que nada escrevi. Mesmo o post que coloquei antes das eleições em Bangkok já o tinha escrito antes de partir. Era tudo tão linear e sabido que tinha a certeza de que nada se iria alterar. E assim foi.

Aqui em Bangkok a situação em pouco ou nada mudou e continua em vigor o Estado de Emergência, qual vara de condão utilizada para se continuar a proceder á "limpeza" das cores encarnadas no país. E também assim vai acontecendo.

As questões políticas mais prementes dizem contudo respeito ao foro do partido e da coligação no poder pois continuam a não ter sossego apesar dos sucessos contra a oposição. Muitas vezes se ouve dizer que os piores inimigos são aqueles que temos dentro de casa, ou seja os nossos amigos.

Ontem Suthep, o inefável Vice do governo Abhisit, disse na conferência do Partido Democrata realizada em Phuket, que estava vivendo o tempo mais difícil da sua já longa carreira de 30 anos na política, acabando por afirmar que as instituições e o sistema democrático na Tailândia estavam em risco e que uma guerra civil era possível. Esta expressão, que continua a sustentar a existência do Estado de Emergência, deve ter sido bem traduzida visto ser repetida em vários meios de comunicação sempre mencionando aquela "possibilidade", da qual, pessoalmente, não partilho.

É um facto que as acções posteriores a 19 de Maio que têm tido como objectivo acabar com a oposição e com o "thaksinismo", missão na qual o governo do General Surayud saído do golpe de estado de 2006 falhou ao permitir o regresso dos "clones" de Thaksin ao poder, criam um clima de grande animosidade nos apoiantes da causa vermelha mas esta está, ainda, enfraquecida e desorganizada. Segundo um dos líderes de uma das facções, a viver há mais de um ano no exílio, Jakrapob Penkair, a coordenação da luta dos camisas vermelhas faz-se agora do exterior o que ainda tornará mais difícil a sua condução.

Contudo ontem em Samut Sakorn, uma província às portas de Bangkok onde foi levantado o Estado de Emergência, estes realizaram uma manifestação presenciada por milhares de vermelhos, segundo os vários relatos que li, e onde Thaksin falou de novo aos seus apoiantes, facto que já não acontecia há meses. Mesmo assim a máquina do governo, operada pelos militares, é mais forte e eficaz do que a máquina de propaganda vermelha.

Enquanto estive lá fora, em Portugal, as pessoas perguntavam-me repetidamente sobre a situação no país e mostravam não compreender várias coisas. Primeiro porque é que as manifestações tinham demorado tanto tempo e segundo porque é que ninguém tinha intervindo com uma palavra de sensatez. Eram no essencial as duas perguntas que me eram feitas por quem está habituado a que as pessoas por um lado acatem a orden e a lei e portanto uma manifestação nunca pode atingir as proporções do que aqui acontece (recorde-se por exemplo que os "amarelos" ocuparam a sede do governo durante 192 dias ou seja quase 7 meses) e quando a situação começa a descarrilar existe no sistema constitucional alguém com o poder de mediação e de isenção capaz de falar para todo o país independentemente das posições de quem ouve.

O facto é que aqui na Tailândia nem o primeiro é verdade já que a permissividade, o "mai pen rai" e o facilitismo levam a que situações como as que se têm vivido nos últimos dois anos sejam "aceitáveis" e, nem o segundo, com o extremar e radicalizar de posições, torna possível encontrar alguém neutro capaz de mediar e a chefia da Nação, o Rei, não é por tradição e prática, envolvido em questões tidas por serem políticas e partidárias.

O grande desafio que se coloca no curto prazo a este Governo é o da aprovação do orçamento pois existe o risco verdadeiro de não vir a ser aprovado no Parlamento já que os Ministros não devem votar visto isso ser considerado uma questão de conflito de interesses. Esta tem sido a prática de sempre no Parlamento tailandês mas o facto de este fim-de-semana no congresso do partido ter havido um apelo ao voto dos Ministros mostra a dificuldade actual do executivo. A oposição acusa já o governo de estar a tentar aliciar alguns Deputados, que não fazem parte de coligação, com promessas de benefícios vários incluindo grossas verbas monetárias.

Para além desta questão crucial visto ser não só importante para o funcionamento do país mas também para manter coesa a coligação através dos dotações dos ministérios ocupados pelos vários partidos que a compõem, existem as negociações que serão feitas nas esferas militares e policiais respeitantes á remodelação que todos os anos tem efeito a partir do dia 1 de Outubro. Tendo em vista o presente controlo da situação que ambas as corporações têm sobre o aparelho executivo parece ser credível que as listas serão facilmente elaboradas especialmente a do exército onde o General Anupong tem praticamente tudo definido desde que há dois anos começou a organizar a força em redor dos seus aliados.

No caso da polícia, que passou um ano inteiro com uma chefia interina, facto inédito na história da corporação, visto o candidato apresentado duas vezes por Abhisit ter sido derrotado, as mesmas questões poderão vir a colocar-se de novo mas de forma menos evidente do que no ano passado.

Igualmente este mês de Agosto irá marcar, no dia 26, o 90º aniversário do general Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, que recorde-se continua internado no hospital desde 19 de Setembro de 2009. O General é uma figura incontornável na cena política do país pelo seu historial, carisma, facto de ser militar e pertencer ao restrito circulo próximo de Rama IX, e apesar de fazer 90 anos continua a mostrar uma forma física notável e a ser sempre uma referência aquilo que possa dizer ou mesmo o seu silêncio.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eleições de Julho

No dia 25 deste mês irão realizar-se eleições intercalares para a área 6 da capital devido ao facto de o Deputado, anteriormente eleito pelo Partido Democrata, ter falecido.

Foram nomeados inicialmente, para além de candidatos "menores", três políticos que seriam os principais candidatos ao lugar, embora os Democratas tenham em principio vantagem.

Um candidato do partido do poder, Panich, actual sub-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, um candidato do principal partido da oposição o Pheu Thai (PT), Korkaew e um deputado do Partido da Nova Política (PNP), o braço político do movimento PAD – amarelo.

Acontece que o Phue Thai, numa muito estranha e internamente contestada decisão, que bem mostra a falta de estratégia que neste momento há no partido, decidiu avançar com um dos líderes da UDD que se encontra detido e acusado de terrorista como o seu candidato.

Korkaew não é sequer um nome sonante e tem todo este "problema" de se encontrar em prisão preventiva. Por outro lado a decisão retirou independência ao partido tornando-o, como ao PNP no braço político de um movimento de rua. O facto do movimento vermelho ser eventualmente mais conhecido do que o PT, só acontece devido à falta de clarividência no discurso político do partido e á falta clara de liderança. Aliás recentemente o PT reuniu o seu estado maior e o que saiu de lá foi a confirmação das dissidências internas e da falta de liderança. Há que entender que o PT nunca conseguirá impor-se como uma força política enquanto continuar a ter como "líder" uma pessoa que não está no terreno e só manda ordens de fora com é o caso de Thaksin. É a escolha deles mas isso só continua a favorecer o Partido Democrata.

Este também se encontra fragilizado, também com dissidências e contestação interna inclusíve à liderança do PM Abhisit que é visto por muitos como um instrumento de outrem e não como o porta voz da política do partido. Um dos grandes "pecados" de Abhisit é, no entender de uma larga fatia de deputados Democratas, favorecer mais os outros partidos na coligação e dar-lhes tudo, ao contrário do que faz com os membros do seu próprio partido.

Esta decisão do PT foi um sopro de vida para a situação pois o candidato do PNP imediatamente desistiu da campanha dizendo que não iria concorrer contra um "terrorista" dando assim de mão beijada a vitória a Panich, já que a candidatura do PNP iria retirar votos ao campo Democrata e tal só iria favorecer o candidato do PT.

Comenta-se que isso terá sido um arranjo entre os dois partidos e a Comissão Nacional de Eleições está a "investigar", mas como sempre nada irá encontrar e irá arquivar o caso já que Korkaew "não pode ganhar". Fala-se mesmo em dinheiro que terá sido pago ao PNP para que se retirasse, o que não é nada de espantar. Funciona sempre assim. Thaksin fez o mesmo em 2 de Abril de 2006, quando mascarou umas eleições pagando aos seus adversários para competir no momento em que os Democratas decidiram não o fazer e boicotar as eleições.

Entretanto assiste-se a um cenário surrealista que é o de ter um candidato, potencialmente o "challenger", que não pode fazer campanha eleitoral pois está em prisão e são outros a fazer a campanha por ele.

Acresce que as eleições irão ser disputadas numa província onde está em vigor o Estado de Emergência e onde a qualquer momento uma pessoa pode ser presa sempre que o seu comportamento não seja do agrado dos militares. De igual modo a zelosa aplicação da lei impedirá qualquer acção de campanha visto muito fácilmente se juntarem mais do que 5 pessoas e assim violar-se a lei. É também perfeitamente legal, embora de pouco gosto, que as secções onde se vote estejam sob "protecção" de militares fortemente armados criando alguma intimidação sobre os eleitores.

Assim se constroi o caminho da Democracia.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Viva España

A Espanha sagrou-se ontem, com todo o mérito Campeã Mundial de Futebol dando continuidade a um trabalho que vem de longe desde o tempo que foi campeã de sub-20 e depois Europeia.

Ontem no onze principal só mesmo no final actuou um jogador, Torres, que não joga em Espanha ao contrário da maíoria dos países que têm as suas selecções formadas por imigrantes cada um habituado a um estilo diferente de futebol. Para mim uma das razões do exito.

Outro homem muito importante Vicente del Bosque. Dom Vicente é o mais velho treinador a sagrar-se campeão mundial e é um exemplo de modéstia. Raramente se ouve falar para a comunicação social. Sempre concentrado no seu trabalho e nos cuidados aos seus meninos.

E o Paul safou-se da grelha ou de ser comido a la Gallega.