sexta-feira, 17 de abril de 2009

Últimas sobre Sondhi


Segundo um boletim médico que foi emitido há pouco Sondhi está livre de perigo e a bala que estava alojada no crânio com risco de criar uma hemorragia interna foi removida e o paciente está a recuperar.

De igual modo o seu motorista está igualmente considerado livre de perigo.

Até ao momento não se conhece quem perpetrou o ataque embora todos os olhos estejam apontados para o "outro lado da barricada", os vermelhos.

Amigos de Sondhi, que já o tinham avisado da possibilidade de ser alvo de ataques, dizem que ele é um homem com muitos inimigos e lembram as suas recentes violentas acusações quer á Polícia quer aos Militares pela forma, segundo ele, complacente, como permitiam que os "vermelhos" actuassem.

Sondhi, um magnate da comunicação social, tornado militante e líder da causa "amarela", há muito que vem fazendo inimigos, inclusive no seu meio, pela forma sempre desabrida como fala e acusa todos e tudo que não estão de acordo com a sua maneira dever o Mundo. De igual modo no meio empresarial e financeiro criou vários inimigos quer através da sua luta pela sobrevivência do seu "império" de comunicação social, fortemente endividado, quer pela inveja que criava nos seus adversários.

Neste momento como em situações destas é necessário seguir com atenção as próximas horas para ver a reacção de Sondhi, quer á cirurgia quer aos tratamentos, mas para já a boa notícia é que os médicos consideram estar o líder "amarelo" fora de perigo, embora nada adiantem sobre a extensão dos seus ferimentos.


Ultímos Acontecimentos


Ontem à tarde ABhisit recebeu o corpo diplomático para um debriefing sobre a situação e os passos que o Governo tenciona seguir de seguida.

Usando pela primeira vez um carro à prova de bala o PM chegou a Government House para falar para diplomatas de cerca de 70 países acreditados na capital.

Após cerca de 15 minutos onde o PM fez a descrição de como via a situação, falou do projecto de reconciliação nacional em que o Governo se compromete.

Irá ser realizado um debate no Parlamento na próxima semana, Quarta e Quinta, e espera que a oposição dê o seu acordo para um processo de revisão do sistema político incluindo a revisão da própria Constituição e um processo de amnistia para todos aqueles acusados de "acções ilegais de carácter político", as palavras utilizadas, embora reconhecesse a dificuldade de traçar a diferença. Nesta abordagem do problema. e respondendo a questões que lhe foram postas o PM não fechou as portas a novas eleições embora tenha dado prioridade à reforma do sistema político. Recorde-se que a oposição à revisão constitucional foi uma das grandes lutas do PAD e a que esteve na origem dos acontecimentos sangrentos do dia 7 de Outubro de 2008.

Depois da exposição do PM seguiu-se um período de perguntas e respostas. As questões focaram-se na existência ou não de outras vítimas para além daquelas que estão oficialmente anunciadas. Um diplomata inquiriu se os corpos que foram encontrados a boiar no Chao Praya eram de vítimas ou não. A estas questões o PM respondeu dizendo que tinha ordenado inquérito claro que pudesses responder a essas questões. Igualmente, e na sequência de uma outra pergunta sobre os processos contra os lideres do PAD e a diferença de tratamento existente, pois enquanto três lideres da UDD estão presos os do PAD nunca sofreram tal punição, o PM respondeu dizendo que tinha solicitado ao comando da Polícia para que apressasse as acções legais contra eles. Há que referir que os lideres do PAD já foram notificados formalmente e o processo está (ou pelo menos deveria estar pelo sistema processual) para acusação pelo Ministério Público e não pela Polícia.

Ficou claro que Abhisit, o ganhador da "batalha" do fim de semana aos olhos dos tailandeses, está ainda navegando em águas muito tumultuosas e mostra-se pouco seguro e pouco convicto. Essa foi a impressão generalizada dos presentes.

Para contradizer as suas palavras de harmonia, reconciliação e amnistia e Polícia realizou buscas em Bangkok, Chiang Mai e Lampang em estações de TV e Rádio, encerrando as suas emissões e mandou para o Ministério do Informação e Comunicação o nome de 67 sítios de internet que deveriam ser removidos ou bloqueados. Pelo que pude constatar alguns já o foram.

Entretanto esta manhã, e para piorar a já frágil situação política, o líder do PAD Sondhi Limthongkul foi alvejado quando se dirigia para o seu grupo editorial e está, segundo o primeiro relatório médico em situação crítica. Neste momento está a ser operado para que lhe seja removida uma bala alojada no crânio. A acção foi altamente profissionalizada e os assaltantes, que se transportavam numa pick-up, sem matrícula, atiraram para os pneus para imobilizar o veículo de Sondhi e depois saindo da viatura, alvejaram a seu bel-prazer o carro imobilizado, utilizando espingardas AK47 que se sabe têm vindo a ser introduzidas na Tailândia provenientes do Cambodja desde 2006.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um Novo Dia


Após alguns dias de violência que deixaram dois mortos (as forças vermelhas reclamam mais), 50 pessoas hospitalizadas e outras cerca de 50 com escoriações menores os manifestantes, apoiantes do ex PM Thaksin, decidiram dispersar a abrir caminho para que a calma voltasse a Bangkok.

Dois lideres do movimento entregaram-se às autoridades (um diferença a salientar face aos amarelos), e solicitaram apoio para que as forças militares abrissem cordões e fornecessem os meios para que os manifestantes pudessem regressar de onde vieram.

Como referi no artigo anterior é tempo agora de iniciar o processo de reconciliação nacional. Saúda-se o facto de por parte do Governo não se ter cantado vitória. A única declaração veio do MNE mas esta foi dirigida á comunidade estrangeira explicando que nunca os seus elementos estiveram em causa e garantindo que o governo tudo continuará a fazer para tratar a crise política de forma a defender a segurança de todos.

É importante aproveitar o momento para solidificar a trégua e tentar avançar calma mas seguramente para uma solução que permita o país entrar numa via de respeito pela ordem e pela lei.

Compete agora ao Governo e a Abhisit essa tarefa que será difícil requerendo enorme capacidade de liderança e de paciência.

Não conheço os detalhes daquilo que se terá passado nos bastidores para que a paz tivesse regressado, mas as negociações, que por certo aconteceram, são sempre mais produtivas quando são feitas na calma dos encontros privados do que nas disputas de rua.

Abhisit, que sai vitorioso desta crise, mais o será se continuar a mostrar a calma e determinação que mostrou nos últimos dias. O país necessita de liderança mas de uma liderança que não escolha cores, uma liderança que recolha no seu colo todos os tailandeses amantes da paz e do seu país.

Espera-se que Thaksin, um homem com uma tremenda dificuldade em ouvir, tenha também aprendido alguma coisa e pelo menos por agora se cale e seja, pela sua ausência, também um elemento capaz de colaborar nesses desígnio de unidade que no fim é o desejo de todos os tailandeses.

Espera-se que por fim que a clique mais conservadora, receosa de perder o poder, entenda que o poder é de todo o povo, de todos os tailandeses, vermelhos, amarelos, azuis, ou outros, de todos os que querem trabalhar para o benefício comum.

O poder é e terá de ser daqueles que querem respeitar a lei e a ordem, estejam eles vestidos de verde, ou de outra cor, com os sem galões, com ou sem títulos. Sem o respeito pela lei, pela ordem será difícil criar algo de positivo e a Tailândia disso tanto necessita.

Está chegada a hora da união e Abhisit pode levar essa bandeira. Não a derrubem!

Será que Abhisit vai Ganhar?


Sei que essa é a grande vontade de muitos dos tailandeses mas será que Abhisit vai ter a coragem de conseguir ganhar?

Abhsit é diferente de todos os políticos que até agora estiveram no poder na Tailândia. Basta olhar um pouco atrás e compará-lo com Samak, o velho touro desbocado, pouco educado e sempre habituado a jogos de poder onde passou toda a vida. A Somchai o cunhado de Thaksin, envergonhado, quase pedindo desculpa por estar ali, que não é capaz de articular uma palavra de Inglês e por certo terá dificuldades em comandar a sua própria vida. a Surayud, o General que estava de pantufas no Conselho Privado do Rei e teve que fazer o frete de aguentar o fardo de governar (?) durante um ano enquanto lhe preparavam uma Constituição que de tão mal feita não produziu os seus desígnios de enfraquecer os partidos políticos especialmente o(s) ligado(s) a Thaksin. Deste nem vale a pena falar mas mesmo assim pode dizer-se, experto que nem um rato, fugidio que nem um jibóia, e tão fiel aos seus como Judas. Todos educados nas escolas da política local nos jogos de interesses e na transacção de dinheiros de um e para outro lado.

Abhisit, o inglês, nascido e educado em terras de Sua Majestade Isabel II, para além de ser novo tem uma base de sustentação cultural diferente. O caminho político também o fez nas fileiras dos Partidos em Bangkok mas não se lhe conhecem participação em negociatas. Talvez porque era um "garoto" foi a isso poupado e ainda bem. Os PhuYai tratavam dos "assuntos importantes" e assim Abhisit pode ir crescendo dentro da política olhando de fora para ela.

A sua grande fraqueza era, e de algum modo ainda é, a necessidade de, como Nong, ou seja mais jovem ter de obedecer aos Phu Yai o que lhe tira capacidade de autonomamente decidir. Para além de Mark, Abhisit tem outra alcunha que nada abona em seu favor: dek sen, ou seja o miudo que tem um padrinho, ou seja aquele que só lá chega porque o apoiam e diz-se que quem assina por ele, a outra tradução possível de dek sen, é o grande padrinho Prem.

Abhisit pode contudo sair desta crise mais forte e mais capaz de mostrar àqueles que o colocaram no poder de que tem reais qualidades para ser aquele que a Tailândia necessita para mudar o país de uma forma evolutiva mas pacífica.

Para além de ter de ganhar esta batalha contra as forças de Thaksin, que ele inteligentemente trata como pessoas, concidadãos, que têm opiniões diferentes das dele, e essa é neste momento a questão primeira, terá de o fazer sem ferir as susceptibilidades e os sentimentos dos tailandeses. Tem de ser firme mas não violento e para isso tem uma enorme tarefa, controlar as forças armadas e a polícia.

Sabe-se como estas duas corporações são difíceis de manobrar e Abhisit já provou desse fel quando fez declarações que no segundo seguinte eram destruídas ou contraditas por uma ou outra dessas forças. É sabido e conhecido as dificuldades existentes dentros destas forças onde existem facções cujos inimigos são os colegas e que por vezes tudo fazem para que esses fiquem mal colocados.

É o exercício de um poder de equilíbrio bastante difícil mas, acredito que realizável.

Por outro lado tem de reabilitar o país no fórum internacional. A Tailândia está "pelas ruas da amargura", como dizemos, e os acontecimentos do último fim-de-semana só fizeram piorar tal situação. Não se iludam aqueles, como muitos arautos perto do poder, que pensam que a Tailândia pode virar as costas ao Mundo. O país é por demais dependente das suas relações internacionais para poder sobreviver como nação isolado.

Tem de levar a cabo a política que definiu para o problema do Sul do país mas isso implica mais uma vez enfrentar os militares e todos os poderes por eles instalados na região. Sem isso e sem haver um verdadeiro respeito pelos direitos humanos no país e em especial no Sul da Tailândia nada feito. O problema dos Rohihgya é um problema importante mas de muito menor monta do que aqueles que Abhisit enfrenta no que respeita o controlo exercido pelo ISOC no Sul à conta da Lei Marcial, do Estado de Emergência e de leis especiais que permitem todo o tipo de abusos.

Outra questão pontual a resolver é a crise económica, constantemente agravada com a deterioração da situação política e militar. O desemprego não para de aumentar e quando não há pão na mesa a razão perde-se muitas vezes.

Para final a reforma não só da famigerada Constituição mas essencialmente de todos os órgãos que servem para defender os cidadãos e para regular o funcionamento dos órgãos do estado. Os actuais detentores desses órgão exercem o poder que lhes está atribuído de uma forma politizada, pior partidarizada, ou seja não o fazem tendo em conta os interesses dos cidadãos e do país mas em função de interesses próprios de alguns. O poder Judicial, um dos vectores mais importantes de um estado sério e cumpridor de regras. sejam elas ocidentais ou asiáticas, está não ao serviço desse cumprimento de leis e regras mas ao serviço de ideários políticos e assim perde toda a clarividência se é que alguma queria ter.

Para finalizar Abhisit tem de levar ao banco dos réus os lideres do PAD e responsabilizá los por todos os danos causados ao país e pelo abusivo desrespeito da lei e mesmo do monarca reinante.

Dirão; tarefa tamanha para o jovem Primeiro-Ministro!. É verdade que é e não creio que a possa realizar de animo leve, ainda por cima porque tem também de se precaver dos seus "amigos" e de muitos que polulam à sua volta. Mas uma coisa estou certo. Olhando para o panorama dos homens públicos actualmente existentes na Tailândia, Abhisit Vejjajiva é aquele que, no meu entender, reunirá mais condições para encontrar uma plataforma capaz de conduzir o país a evoluir de forma serena e cordata.

E este é o momento que terá de aproveitar para sair daqui vencedor mas sem esmagar os adversários. Sair de cabeça erguida e capaz de poder dizer, a todos tratei com dignidade, mas fui eu que consegui guiar este barco para bom porto.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Situação Vista de Fora



Estou ainda em Lisboa e tenho portanto a oportunidade de ver, e ler aquilo que a imprensa internacional vai falando acerca dos confrontos em Bangkok.

Tenho em simultâneo informações provenientes de amigos e colegas em Bangkok e é interessante ver a diferença dos ângulos pelos quais se abordam os acontecimentos.

De Bangkok um amigo dizia-me estar a gozar o feriado, hoje, amanhã e depois são feriados devido ao Songkran, aproveitando para nadar na piscina de sua casa. Outro, lamentando-se sobre tudo o que estava a acontecer disse ir passear com o sobrinho de dois anos para um Centro Comercial. Outro mostrava-se indignado com os distúrbios na rua mas ia dormir tranquilo e um outro ainda nada me dizia e quando eu lhe perguntei só me disse que era muito mau e que as pessoas não pensavam no país.

Nada de drama. Alguma tristeza, alguma insatisfação, talvez cansaço de amarelos e vermelhos mas só isso.

Visto daqui temos o Times a acusar o governo da Abhisit, um seu natural, de estar a esconder ao país as mortes que já terão ocorrido. A AFP bate na mesma tecla e anuncia a cavalgada dos militares em direcção ao Government House na tentativa de desalojar os manifestantes.

A SIC mostra numa reportagem imagens de Bangkok onde se v~em os confrontos de rua a polícia e os militares a a lançarem granadas de gás lacrimogéneo e dois militares a dispararem as suas metralhadores em direcção, sem a mínima dúvida, dos manifestantes. Fortemente armados os militares, onde estavam eles quando o Governador de Samut Prakan solicitou o apoio para libertar o aeroporto em Dezembro, avançam disparando para o ar mas como disse alguns directamente sobre as pessoas.

Vê-se igualmente nessa reportagem duas pessoas, indefesas, uma delas, manietada a ser pontapeada na cara por um militar e outra, uma mulher, a ser arrastada pelos cabelos rua fora por um elemento trajado á civil, mas saído de trás das barreiras de militares.

Estas imagens mostram uma Bangkok anárquica, com manifestantes a atacarem as forças militares sem medo e estes avançando de forma compacta mas também sem um claro comando.

Desde o ano passado é sabido que as forças militares e militarizadas têm um comando dividido não só naquilo que são os objectivos mas também na forma de actuar. É sabido que por exemplo na Polícia há comandos que se degladiam e lutam entre si dando azo a que algumas acções acabem no fiasco que têm sido.

De Bangkok chegam umas vozes de desacordo, de tristeza mas a população, a grande maioria que sempre se pôs de fora quer contra amarelos quer vermelhos, essa leva a sua vida de forma pacífica tentando prosseguir em frente e encarar o amanhã de forma positiva.


Entretanto um novo elemento apareceu nesta guerra de cores. O já muito falado Nevin, criou os "azuis". Não se sabiam muito bem quem eram e porque se lançaram na defesa do aeroporto de forma a serem os guardiões dessa porta do país. Na realidade são uma força arregimentada e bem paga para lutar, agora contra os vermelhos, para evitar que algo aconteça no aeroporto e nos negócios de Vichai o todo poderoso dono do King Power, o operador do freeshop, e o maior financiador do Partido Bhumjai Thai.

Jornalismo e a Crise


O Miguel Castelo Branco no seu estilo sem lobi, sem seita e sem religião escreve que nunca se fiou nos noticiários para partir para a sua crónica da noite passada no "acampamento vermelho" e pelo que se pode ver na foto abaixo da prestigiada AFP e por vezes os media dão-lhe razão.


Aconselho a ler o descrito pelo Miguel e acrescentaria que o caos parece ter invadido certas partes da cidade de Bangkok enquanto noutras se celebra o Songkran , o Ano Novo tailandês, o festival da água. Ainda há pouco um amigo meu me dizia que estava a desfrutar o feriado na sua piscina, bem no centro da Bangkok.

Os rumores são muitos, a contrainformação ataca e as notícias nas televisões tailandesas são censuradas.


Já há dias referi que quando Thaksin começou o ataque ao Conselho Privado do Rei passou uma porta fechando-a atrás e ficou sem possibilidade de retroceder.


Para ele neste momento o único caminho é seguir em frente e lançar os seus apoiantes numa luta que nem muitos entendem. O objectivo de destituir Abhisit não é de si um objectivo muito aglutinador visto inclusive o PM ter legitimidade proveniente da Assembleia para estar no lugar.


É sabido que foi lá colocado na sequência dos fortes disturbios causados pelo PAD e pela conjugação da força do dinheiro que fez mudar Deputados e das armas que Anupong "apontou" à cabeça de alguns dos lideres que antes estavam do lado de Thaksin, mas o certo é que alguns resistiram a esse dinheiro e a essas ameaças mostrando a "liberdade", palavra tão mal tratada neste reino, de escolher.


O facto é que Thaksin se lançou numa clara luta pelo poder, numa "revolução" como ele disse, com contornos de luta contra a monarquia tal como ela é entendida por Prem o primeiro alvo da ira de Thaksin.


Nos mentideros sempre tem sido esta a pedra de toque de todas as más previsões sobre o futuro do país e sempre se disserta acerca de quando é que essa luta se inicia. Thaksin quis que ele tivesse lugar antes do tempo e decidiu avançar de peito aberto, o dos seus "soldados" que não o seu, para ela.


A ameaça de que entraria no país para liderar os seus apoiantes ganha forma. Já no passado, em Dezembro, pensei que isso iria acontecer mas neste momento estou mais convicto dessa possibilidade.


Não se têm ouvido nenhuma voz capaz de iniciar algum processo de trégua, alguma forma de compromisso, tão asiático, e por isso a luta avança. É certo que as "milícias vermelhas" estão cansadas com menos recursos do que os militares mas é igualmente certo de que por vezes nestes momentos se "faz das tripas coração" e se luta sem tréguas.


À pouco diziam-me de Bangkok que se tinha amigos, turistas, por lá lhes deveria dizer para saírem. Não conjugo dessa opinião pois os incidentes não estão disseminados por toda a cidade nem existe um clima de guerra aberta. Existem confrontações é certo mas circunscritas aos locais onde as duas formas em campo se encontram. São aquilo que se pode chamar, para meu contragosto por detestar adjectivos, "arruaceiros" que andam de um lado par o outro da cidade provocando distúrbios que são por vezes enfrentados pela polícia ou militares. Por isso quem não quer ser herói que não vista a capa. Eu próprio amanhã demandarei a cidade pois as férias estão perto de terminar.


A situação é imprevisível e porventura incontrolável mas está em todos e cada um de nós a capacidade de actuar para a não tornar ainda pior.


Os tailandeses já tiveram crises destas no passado. Diziam-me à pouco que era pior do que a de 1992 mas até agora têm sabido manter a capacidade de não "atirar às cegas" razão pela qual não á mortos apenas feridos ligeiros. São assim os tailandeses mas aqueles que puxam os cordéis de um e de outro lado por vezes respeitam pouco a vida dos seus "soldados" e esse pode ser um problema.

Imagens Recentes

O carro do Secretário-Geral



A desorganização das forças policiais

Carros de combate em Bangkok



À porta da Cimeira



Violência no Hotel em Pattaya




Evolução da Situação


Charnvit Kasetsiri, antigo reitor da Universidade de Thammasat disse "The situation has gotten completely out of hand. Violence and bloodshed is very much possible" e recomenda ao Primeiro Ministro que se demita e convoque eleições como uma das propostas para obviar a esse banho de sangue que prevê. É uma mensagem clara e séria embora não a subscreva a 100% visto entender que os tailandeses, por natureza pacíficos, tudo tentarão para obviar a esse banho de sangue.

Abhisit apareceu ao início da madrugada na televisão rodeado de vários Ministros, incluindo Suthep e dos lideres militares e da polícia tentado contradizer os rumores de divisões no seio da coligação no poder.

Entretanto em Bangkok os eixos centrais e intersecções estão ora controladas por militares ou por "vermelhos" quer utilizando táxis quer autocarros que desviaram para esse efeito. Não existem até este momento confrontações entre estas duas forças mas o certo é que ambos os campos se preparam para isso tendo mesmo Thaksin, em mais uma comunicação ao país, dito que se os militares atacarem entrará no país pare ele próprio dirigir a "revolução", foi essa a palavra usada contra as forças "anti democráticas".

Como já tinha repetido há dias Thaksin e as suas forças vermelhas deram um passo em frente de tal modo decidido que não existe possibilidade de retorno. Agora o caminho é como diria El Comandante, Vitória ou Morte.
O clan Shinawatra

Os tailandeses por tradição acabam por conciliar e pode ser que consiga aparecer uma mente iluminada que consiga encontrar uma solução par esta crise que é de extrema gravidade e se consiga fazer com que os principais actores saiam de cena, regressem aos camarins e se reformem dando lugar a gentes "de bem" (deteste estes palavrões mas eles são elucidativos) que possam desviar este povo de um caminho cuja maioria não quer. Recorde-se que desde o tempo dos 2amarelos" todas as sondagens davam cerca de 70% a favor daqueles que não queriam nem uns nem outros mas as maiorias silenciosas são assim por natureza e não se manifestam.

Quer Abhisit quer o seu Secretário-Geral sofreram ligeiros ferimentos na fuga do Ministério do Interior mais uma vez sem que as forças da "ordem" nada fizessem como sempre acontece. esta inacção é confrangedora e põem sérias duvidas sobre a capacidade de se fazer impor a lei e ordem.

O próprio PAD, embora actualmente dividido, saiu a terreiro criticando o Governo e pedindo ao PM que demitisse Suthep pelo facto de ele se ter mostrado incapaz de assegurar a ordem durante a cimeira de Pattaya. Começam a escassear os apoios á coligação. Mesmo os militares como é de todos conhecido não estão todos no mesmo barco e existem fortes divisões no seu seio.

A não condenação clara do PAD por parte do Governo e de Abhisit em particular. foi uma dos maiores erros que o PM fez pois desde esse momento nunca se conseguiu libertar dessa grilheta que sempre o tem importunado. Para além disso o facto de ter um Ministro, Kasit, e vários assessores provenientes do PAD nunca lhe permitiu poder actuar de forma clara contra as forças de Thaksin que se vêm legitimadas pela inacção do sistema judicial e do Governo face aos actos levados a cabo pelo PAD.

A falta de controlo da situação par parte do governo e das "forças da ordem" está a estender uma passadeira para o golpe de estado militar que nem os próprios, penso, desejam visto se isso acontecer vão ter de lidar com os graves problemas financeiros que o país atravessa para além do crescente isolamento da Tailândia no seio da comunidade internacional.

domingo, 12 de abril de 2009

Estado de Emergência


Aparentemente sem necessidade Abhisit Vejjajiva declarou o Estado de Emergência em Bangkok, Nonthaburi e alguns distritos nas províncias de Samut Prakhan, Pathum Thani, Nakhon Pathom and Ayutthaya.

A razão invocada foi a necessidade de devolver a ordem ao país.

Imediatamente após a declaração do Estado de Emergência os "camisas vermelhas" a a Polícia envolveram-se em escaramuças dentro do Ministério do Interior em mais uma demonstração da incapacidade das forças da ordem para serem exactamente isso, forças capazes de impor a ordem.

Segundo me comentaram a declaração do Estado de Emergência foi uma imposição dos militares ávidos de instrumentos que lhes permitam controlar, ainda mais a situação sem terem de recorrer ao golpe de estado que lhes corre nas veias, qual sangue que os alimenta.

Suthep Thaugsuban, o Vice Primeiro Ministro, ficou encarregado de impor a observância do Estado de Emergência, ele que é no Governo o responsável pelas questões de segurança e o elo principal na relação com o General Anupong.

Hoje começa na Tailãndia o Songkran, o festival da água e estou intrigado como é que as forças da "ordem" vão lidar com os bandos de jovens que irão correr toda a cidade festejando o evento. Como se sabe durante o Estado de Emergência é proibido ajuntamentos, tal qual aqui em Portugal no tempo "da outra senhora". Será que mais uma vez uma medida do Governo será só para anunciar na Televisão mostrando alguma autoridade mas na prática ninguém a acatará?

Está a tornar-se por demais evidente que o cumprimento da lei passa ao lado do funcionamento do dia a dia do país e isso vê-se pela forma simples e eficaz como quer os vermelhos quer os amarelos no ano passado, atravessavam barreiras da polícia e de militares, violavam todas as leis em vigor perante o sorriso daqueles que as deveriam fazer cumprir.

Abhisit cada vez mais mostra ser uma figura perdida no mar de contradições que é esta coligação no poder que na realidade não tem poder nenhum visto eles estar sediado noutras paragens.

Quando é que alguém será capaz de entender que só no momento em que todos e nesta palavra cabem mesmo todos, acatem a lei, cumpram os deveres constitucionais e respeitam a autoridade, não a das armas mas a do poder emanado das regras de convivência democrática e cumpridora dos preceitos de respeito pelo ser humano?

A partir desse momento talvez seja possível começar a pensar o país e a reconstruir a credibilidade que já se perdeu no contexto das nações, o que é extremamente penalizador para um país tão dependente do exterior como é a Tailândia.

A Cimeira da Pattaya


Como hoje disse Abhisit Vejjakiva, o Primeiro Ministro da Tailândia, todos perderam neste fim de semana.

O cancelamento das cimeiras da ASEAN+3 e EAS é uma tremenda derrota política para o país.

Esta cimeira era um desdobramento da cimeira realizada em Cha-Am/Hua Hin no final de Fevereiro e devido ao facto de essa cimeira não ter sido possível no momento que inicialmente estava marcada ou seja 15 de Dezembro de 2008. A China, a dias de preparar a Assembleia do Povo obrigou a desdobrar as cimeiras e que fossem agendadas para uma data posterior. Inicialmente marcadas para Phuket, o Japão opôs-se devido às preocupações de segurança. Os japoneses temiam que, à semelhança do que tinha acontecido em Dezembro, o aeroporto da ilha no Sul fosse bloqueado e tornado inoperacional e os seus Ministros e restante delegação ficassem prisioneiros em Phuket. Desse modo a diplomacia tailandesa mudou a cimeira para Pattaya, alegando que os hotéis estavam cheios, visto aí ser possível, assim se pensava, controlar melhor os movimentos dos opositores do Governo da coligação liderada pelos Democratas.

No contexto actual as cimeiras da ASEAN+3 (China. Coreia do Sul e Japão) e EAS. aqueles mais a Austrália, Índia e Nova Zelândia, eram de grande importância no ideário da ASEAN de se tornar a força dominante na região Ásia/Pacífico.

A necessidade de cancelar as cimeiras como disse é uma enorme derrota para a liderança da ASEAN e para a Tailândia como país no contexto internacional, para além de ser mais uma machadada na credibilidade que o país tinha nas relações entre nações, e tem vindo a perder desde os acontecimentos de 2008.

Os noticiários em Portugal hoje abriam com as notícias do que se passava em Pattaya e a reacção da pessoas era invariavelmente de descrença no país. É isso que estes acontecimentos reflectem nas pessoas para além das perdas políticas e diplomáticas no contexto das relações entre estados.

Acresce a isso que a já débil relação com o maior investidor no país, o Japão, vai continuar a degradar-se com o necessário efeito na economia tailandesa. Conhecendo como conheço os diplomatas japoneses sediados em Bangkok e as regras e instruções que têm, tenho a certeza de que a esta hora estarão a transmitir para Tóquio relatórios pouco favoráveis ao país.

Mas como é que tudo isto aconteceu quando este Governo é fortemente apoiado pelos militares e forças da polícia. Como acontece quando o local onde os trabalhos deveriam decorrer era um conjunto de hotéis de protecção muito fácil e por outro lado era sabido que o MNE tailandês, em conjunto com o Ministério do Interior, tinha o assunto bem preparado.

Mais uma vez se viram as deficiências de comando das forças militarizadas que já se tinham manifestado em 2008, embora nessa altura houvesse uma vontade clara de não obedecer ás decisões do Governo. Apesar da declaração do Estado de Emergência as forças da "ordem" mostram uma terrível ineficácia e inaptidão para lidar com movimentos contestatários sejam eles de que teor forem.

Acresce a isso tudo a falta de voz de comando político e a fraqueza do próprio PM que acaba por ser mais vitima do que culpado.

Para finalizar existem muitos ditados em Português e ensinamentos do budismo para explicar isto mesmo. Nós dizemos, "não faças aos outros aquilo que não queres que façam a ti", "quem semeia ventos colhe tempestades" e os budistas dizem que "se recebe sempre aquilo que se pratica, faz".

O Governo e as forças que o apoiam não conseguem (não querem) fazer justiça no caso das graves violações da ordem causadas pelo PAD durante os 193 dias em que se passearam por Bangkok e destruíram, para além da confiança dos investidores e turistas, a Government House e variados outros locais da cidade e Aeroportos.

Abhisit se quer trazer calma ao país não pode deixar de punir quem viola a lei. Por muito que as forças mais reaccionárias que o apoiam queiram tudo apagar se isso não fizer nunca mais terá sossego e nem a propalada captura/assassinato de Thaksin, fazendo-o sair de cena trará a calma que o país necessita.

É tempo de aprender que a lei tem de ser igual para todos e que ninguém, mesmo ninguém está acima dela.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Dia D


A situação evoluiu de forma negativa e hoje a UDD, agarrando numa táctica que o PAD não chegou a pôr em prova decidiu começar a bloquear acessos a Bangkok e neste momento ocupa a praça do Victory Monument. Grande número de táxis, uma força sempre leal a Thaksin, iniciou um plano destinado a causar o caos na cidade bloqueando as vias de acesso. Victory Monument é o principal ponto de convergência de transportes públicos da zonas vizinhas de Bangkok, o local onde grande número de pequenas carrinhas chegam a toda a hora. Para além disso é um ponto importante de passagem para a zona Ministerial e onde se situa igualmente quer a Government House e a casa do Presidente do Conselho privado do Rei, General Prem, que se encontra de alguma forma cercado tendo tido de cancelar todas as suas actividades visto não poder sair de casa.

De igual forma a UDD, que segundo observadores ainda há pouco tinha na rua uma multidão de cerca de 75.000 pessoas, decidiu avançar sobre Pattaya para perturbar directamente a chegada dos participantes às cimeiras ASEAN+3 e EAS que se realiza naquela cidade a partir de amanhã.

O Hotel onde irão decorrer os trabalhos é fácil de proteger pela Polícia mas por certo que os manifestantes irão perturbar o trajecto das comitivas desde o aeroporto até ao local o que se tornará muito mais complicado de proteger. Entretanto os comerciantes de Pattaya já se manifestaram contra as manobras da UDD.

O Governo tenta á viva força entrar em contacto com Thaksin com o objectivo de o trazer de volta e segundo me afirmaram esta manhã tal será para que ele enfrente a justiça mas fundamentalmente para ver se existe, e na continuidade da proposta anteriormente avançada por Suthep, alguma plataforma de entendimento que permita o país regressar á calma e enfrentar as grandes tarefas que tem pela frente nomeadamente no campo económico que mais uma vez está a ser afectado.

Como referi Thaksin não tem nada a perder e vendo-se acossado joga todas as suas possibilidades numa tentativa de forçar mudanças que lhe sejam favoráveis e lhe permitam o seu sonho de regressar ao poder e "pôr mão" nos seus milhões retidos no país.

Abhisit a única afirmação que fez até agora, é de que a sua demissão ou a dissolução do Parlamento não são uma solução mas está previsto que fale ao país daqui a pouco eventualmente no noticiário das 8 da noite. Aguarda-se portanto aquilo que possa dizer sabendo-se contudo que a última palavra será sempre dos militares.

A UDD avança, desafia, na procura de confrontar as forças da ordem e obter alguma vitimização, e parece que o Governo lhes quer dar essa oportunidade. Abhisit , que acabou agora mesmo de falar numa curta mensagem ao país, afirmou de que amanhã será feriado dizendo que assim as forças da ordem poderão actuar mais facilmente contra os prevaricadores da ordem e não importunar as pessoas. Afirmou também que amanhã voltará a falar aos tailandeses. Pouca coisa mas o que disse não é de bom presságio.
Já recebi solicitações sobre informações de segurança mas aquilo que posso dizer limita-se a pedir ás pessoas que aguardem um ou dois dias para ver o evoluir da situação. Até agora a UDD tem sido pacífica mas é bem claro que procuram uma confrontação o que lhes daria um acrescido apoio. O Governo tenta manter-se calmo mas está a ver comprometida a sua imagem internacional e as suas instituições desprotegidas. Os dois dias que se seguirão serão indicativos. No Domingo é o inicio do Songkran e como disse pode ser que a água acalme os ânimos. A seguir

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Situação


Não estando em Bangkok não tenho seguido a situação muito de perto embora a minha caixa de correio esteja cheia de informações que os amigos me enviam de lá.

Ainda há poucos uma amiga minha, quando eu lhe dizia que regressava a 15 dizia esperar que o aeroporto não fosse de novo bloqueado.

Não me parece que a fase actual da luta amarela-vermelha veja a repetição daquilo que aconteceu em Dezembro.

A luta neste momento está muito mais centrada nos fundamentos do estado tailandês e nas suas figuras representativas.

Há já quem chame a esta a luta final de Thaksin. Como um cão acossado e acantonado ladra e a todos ameaça morder e vai incendiando os que lhe estão próximos. E o que fazem aqueles que poderiam domar essa besta como ele próprio disse recentemente ser, Um "cão doméstico" e domesticável.

A luta de Thaksin é a luta pelos seu 2.2 mil milhões e pelo eterno desejo de voltar ao poder. Para além disso tornou-se numa luta por uma nova Tailândia onde os alvos principais são os Conselheiros Privados do Rei, envolvidos, como sempre se soube, no golpe que derrotou o fugitivo ex PM em 2006,e de entre eles o seu Presidente a "mão invisível" de todas as manobras políticas como sempre tem sido considerado e desde há já muito tempo.

A situação está quente e ao rubro, como é a cor da UDD, e fazerem-se previsões é difícil e por certo falível.

Abhisit entretanto tenta ver passada esta "batalha final" de Thaksin e se assim o conseguir pode vir a manter-se no poder mas porventura ainda mais "hipotecado" a Nevin que ontem fez um lancinante e teatral apelo para que o seu antigo patrão, Thaksin, pare de atacar, aquilo que ele diz ser um ataque à monarquia.

Songrkan, o ano novo tailandês, o festival da água, aproxima-se e por certo vai trazer algum espaço para se respirar e pode ser que a água que se usa para molhar as pessoas arrefeça os ânimos e os humores acalmem-se já que a verdadeira solução para os problemas políticos que o país enfrenta são mais complexos do que a própria situação.

A Situaç

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G 20

Será que se riem de nós?

Terminou em Londres a cimeira apelidada G20 e as bolsas por todo o Mundo regozijaram de felicidade com a decisão tomada de injectar triliões (a palavra não é correcta em Português) no mercado mas o facto é que agora já nem em biliões ( outra incorrecção) se fala.

O facto das bolsas terem tido reacções tão positivas mostra bem como a economia está ainda longe de encontrar o equilíbrio necessário para que seja criado um sistema de controlos e regulações capazes de prevenir que crises como a que actualmente vivemos voltem a surgir.

Na realidade nada se alterou a não ser a expectativa de que o dinheiro que vai ser injectado no sistema financeiro permitirá retomar o ritmo de crescimento a que nos tornamos adictos nos últimos tempos.

É certo que a actual crise, especialmente a vivida no sector financeiro tem permitido fazer algumas correcções a um sistema que era (é) totalmente selvagem e desregulamentado, e esse é um facto positivo, mas os fundamentos em que todo o sistema assenta e em que no fundo a economia real tem vivido necessitariam de algo de novo, na realidade algo que todos nós temos a consciência de ser necessário mas acabamos por não implementar.

Seria necessário que cada um de nós, cada país, cada empresa vivesse não acima daquilo que é capaz de produzir mas exactamente um pouco abaixo de forma a ser capaz de poupar o suficiente para os momentos de necessidade. Mas todos sabemos que não é assim o Mundo, não somos assim nós.

O ser humano infelizmente tem mais defeitos do que qualidades e o mundo da competitividade que se criou, fundamentalmente a partir de meados do século passado, não para e somos nós que não queremos que ele pare.

Assim hoje damos vivas às decisões do G 20 e o Mundo está cor de rosa.

O Primeiro Ministro da Tailândia esteve presente na cimeira numa posição bastante ingrata mas soube tirar partido do facto para dar algumas entrevistas e ter tido a sorte de aparecer na fotografia de família, como é ironicamente chamada a foto de grupo, se bem que saibamos que na realidade em muitas famílias são mais as facas do que os beijos, ter aparecido, como dizia, mesmo sobre o ombro direito de Obama, a grande estrela da cimeira.

Falando de estrelas desta cimeira não se pode deixar de falar de Sarkozy que do alto dos seus 1.6o e qualquer coisa, por isso está sempre em bicos de pés, e por isso mesmo fez aquilo que nós designamos por "uma peixeirada" para tentar, e conseguir , regressar a Paris e ter alguma coisa para contar aos seus concidadãos e esses não lhe lançassem uns tomates à cara. Aliás nestas cimeiras normalmente o mais importante é que todos os lideras presentes consigam, quando chegarem ao seu país, falar para a comunicação social acerca das grandes vitórias que eles próprios conseguiram para o país e assim ajudar á sua permanência no poder.

Abhisit teve, como referi, uma posição ingrata visto não estar lá por direito próprio, mas por ser o país Presidente da ASEAN mas com a grande desvantagem de o país deste bloco que interessava para a cimeira, e era só um, estar lá por direito próprio, refiro-me á Indonésia.

Há cerca de três semanas o Embaixador Scott Marciel, embaixador americano junto do Secretariado da ASEAN, referia em Bangkok, numa conferência a que assisti, que a Indonésia começa a sentir que a sua voz é grande demais para ser transmitida através da ASEAN e que não necessita desta associação para se fazer ouvir. Relembrava ele a visita da Secretária de Estado Clinton a Jacarta durante a sua tournée asiática.
Abhisit, o mais jovem dos presentes, o que motivou o cartoon acima hoje publicado no The Nation, teve oito minutos para falar mas lembrou um aspecto importante que foi a capacidade que os estados do sudoeste asiático mostraram para trabalhar em conjunto quando foi a crise de 1997 e que levou à criação da Chiang Mai Initiative actualmente revitalizada na sequência da última cimeira da ASEAN.

A posição da Indonésia, e o peso que pouco a pouco vai ganhando no seio da comunidade internacional, é um forte desafio à solidificação da ASEAN mas felizmente que o Secretariado está sediado em Jacarta e que Surin Pitswan, o Secretário-Geral, é um diplomata de grandes qualidades.

Tensão na Fronteira

Esta madrugada voltou a haver incidentes na fronteira entre a Tailândia e o Cambodja na zona do templo de Khao Prha Viharn.

Houve troca de tiros e um soldado tailandês perdeu uma perna num incidente com uma mina anti pessoal que fez detonar.

As autoridades cambojanas clama que os soldados tailandeses entraram em território nacional e por isso foram repelidos a tiro.

Este incidente vem na sequência do incidente sobre as palavras do MNE tailandês, Kasit sobre o PM Hun Sen que ainda agudizaram mais o permanente estado de grande tensão quese vive na região. Hoje mesmo vem publicada num jornal de Phom Penh uma carta pessoal que Kasit teria enviado ao PM Hun Sen explicando o sentido das palavras qeu proferiu e pedindo desculpas pela má interpretação que possam ter causado.

Vezes sem conta referi que os incidentes estão sempre ligados a uma outra questão de fundo. Quando o poder em Phnom Penh se sente forte e nota debilidades em Bangkok atacam como mais uma ferramenta de política interna nacionalista. Bangkok tem sofrido bastante devido á inépcia dos seus governos desde há muito e de todas as fragilidades associadas. Por outro lado a escorregadela de Kasit dá mais ânimo a Hun Sen para atacar.

Uma curiosidade sobre esta questão que nada me custa a acreditar. Na semana passada numa reunião com uma ONG que trabalha intensamente no campo da desminagem aqui na região com profundos conhecimentos do terreno especialmente do Laos, Cambodja e Tailândia, dizia-me o director regional que estas incursões dos tailandeses para o outro lado da fronteira são constantes e o facto deve-se à utilização do mapa do Google Earth, como se se tratasse de algo de oficial, que apresenta uma delimitação da fronteira errada.
Tenho em meu poder mapas, enviados pelas autoridades tailandesas e pelas cambojanas e é evidente que cada um tem uma noção diferente daquilo que é a fronteira. cada um empurra para o lado de lá até ao ponto em que entendem estender-se o seus país.


A Joint Border Commission, cujo trabalho é a demarcação das linhas de fronteira, reúne de vez em quando mas não existe desde há 4 anos nenhum resultado concreto. Nem sequer conseguem sair do primeiro ponto que é a denominação dos locais visto terem nomes diferentes em cada um dos países e nenhum abdicar deles.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Crise Económica em KSR



Em primeiro lugar há que explicar o que é KSR.

Khao San Road é uma rua na zona antiga de Bangkok, Kho Ratanakosin, conhecida como a Meca dos backpackers. Pouco mais do que 500 metros sem carros e cheia de comércio onde tudo se vende mesmo algumas coisas que o melhor eram nunca terem saído de onde estavam.

Mais de 70% da população flutuante de KSR, que atinge normalmente 10 milhões de visitantes por ano, é constituída por jovens estrangeiros de mochila ás costas e que por aqui gastam os poucos, dólares americanos, singaporeanos e australianos, euros, yenes, etc que trazem no bolso. Normalmente ficam por algum tempo e alguns mesmo esquecem-se de voltar para donde vieram. A estadia média é de 7 dias e o gasto por cabeça anda entre 10 a 15.000 bath. O montante que cada turista está a despender caiu neste momento para um valor entre 8 e 10.000 bath devido á necessidade que os comerciantes tiveram de ajustar preços, já de si muito baixos, tendo em vista a falta de clientes.

As noites, e muitas vezes os dias também, são passadas na rua a beber, a fumar, nem sempre o que deveriam e isto é já ser condescendente com o tabaco, e mantendo-se por ali em conversas filosóficas ou nem tanto.

Quando houve no ano passado a ocupação dos aeroportos e centenas de milhares de turistas ficaram em terra, KSR foi a zona turística menos afectada. Os seus "habitantes" na maioria dos casos chegam por via terrestre, quer do Cambodja, a maioria, quer ainda do Laos ou da Malásia e por isso o impacto foi aí menos sentido embora também houvesse vozes, e com razão, que fizeram notar que KSR também estava a ser afectada.

O pior acabou por vir a ser 2009. Desde o final do ano passado os viajantes começaram a demandar menos KSR e o presidente da Khao San Association, Surat Vongchansilp veio agora, com base nos dados recolhidos na zona, lançar o alerta para a quebra verificada em KSR.

Na rua existem cerca de 280 pequenos negócios e nos últimos 6 meses 115 empresas tiveram de fechar e o comércio caiu 40%. O valor de negócio geralmente rondava os 2-3 mil milhões de bath anual e este ano não se espera que ultrapasse o 1.5 mil milhões sendo mesmo esse valor uma expectativa optimista.

As pensões da zona estão com uma ocupação, segundo afirmam, 50% abaixo daquilo que seria de esperar nesta época. Thanchalerm Khiewsri, o dono de um cabeleireiro da rua afirmou que o ano passado fazia cerca de 2.000 bath por dia e que agora faz entre 500 a 800 bath diariamente uma significativa quebra. O único que se não queixava nesta apresentação de dados á imprensa era o dono de uma galeria de arte, Vichai Limsrikarjana, que dizia os seus clientes serem fieis e pessoas que compram indiferentemente da situação. Ou são pessoas que compram por gostar ou investidores.

Em Dezembro foram os hotéis de luxo a estarem às moscas e ainda estão longe de recuperarem com despedimentos previstos de 50.000 pessoas para o segundo trimestre do ano. Agora a crise económica mundial e todas as outras implicações internas que afastaram as pessoas da Tailândia também está a ter a sua quota parte no turismo "dos pobres".

Entretanto ontem em Londres numa entrevista à Bloomberg, Abhisit disse que o país está de regresso ao seu normal e a estabilidade, apesar de algumas manifestações normais em países democráticos, está instalada. Grande tirada!

Compreende-se que o PM de um país tem de "vender o seu peixe", como todos nós, mas será que os compradores acreditam? Será que ele próprio acredita? Se a resposta é sim então o assunto está complicado pois isso quer dizer que está, continua, nas nuvens.

Maha Chakri Sirindhorn


Há 54 anos nascia em Bangkok a 2 de Abril a terceira filha do actual monarca, Rama IX, aquela que é hoje titulada no Bangkok Post, por Songpol Kaopatumtip, a Princesa do Povo.

A Princesa Maha Chakri Sirindhorn é uma mulher de grande cultura e sempre foi das mais brilhantes alunas nas suas classes. Licenciada em Artes e História, Doutorada em Artes Orientais, com profundos conhecimentos quer de sânscrito quer de pali, fala fluentemente inglês, francês e com bastante acuidade o alemão.

Para além de ser uma pessoa sempre interessada em todos os pormenores nas áreas cientificas a história e a linguística são os seus campos preferidos.

Desde muito nova acompanhou os seus pais em visitas junto das comunidades ao longo de todo o país e é normal ver um pouco por todo o lado, para além da sua fotografia, forma de homenagem, escolas, e outras instituições com o seu nome lembrando sempre aquela que, na realidade, é muito querida pelo povo tailandês.

Nascida num sábado a sua cor é o purpura ou violeta e isso reflecte-se nas suas armas e em todas as instituições que a ela estão ligadas.

Na cultura tailandesa cada dia da semana tem uma cor facto pelo qual o amarelo sempre presente por todo o lado. É a cor do Rei, nascido a uma Segunda-feira.

Tive a oportunidade, e honra, de várias vezes ter convivido com a Princesa Sirindhorn, quer em privado quer em funções, e só posso, em virtude desse conhecimento, nutrir por ela uma enorme simpatia. pela forma simples que sempre manifesta no contacto com tudo e todos para além do interesse que sempre tem em todos os assuntos.

Ainda recentemente numa visita a uma exposição na Universidade de Chaiang Mai, onde os alunos tinham que apresentar os vários projectos em exibição era visível o nervosismo destes por terem de falar para Sua Majestade. Note-se que a própria linguagem utilizada com membros da família real é diferente e por vezes, mesmo pessoas da alta sociedade não sabem as palavras correctas que devem utilizar. Foi a própria Princesa que, de uma forma completamente informal, como ela na realidade é, tomava a inciativa e ajudava os alunos a descontraírem-se e a poderem explicar aquilo que deveriam ter relido mentalmente vezes sem conta durante uma noite porventura em branco devido a tamanha excitação.

Quando a cerimonia terminou falei com alguns desses alunos e via-se nas suas caras não só o alívio da descompressão mas o enorme prazer de terem tido a ajuda da Princesa Sirindhorn.

Esse título que o Bangkok Post hoje lhe atribui não pode ser mais correcto.

Cedo se dedicou ás causas do povo e hoje em dia de alguma forma patrocina e continua os projectos de que se encarregava a sua tia a Princesa Galyani falecida há pouco mais de um ano atrás. Aliás as duas eram muito próximas não só por partilharem os mesmos valores mas por força de uma cumplicidade de ideias sempre bem visível.

A Princesa Maha Chakri Sirindhorn tem o título de Somdet Phra Theprat Ratsuda Chao Fa Maha Chakri Sirindhorn Ratthasima Khunakon Piyachat Sayam Borommaratchakumari e é, a par do Princepe Maha Chakri Vajiralongkorn, o segundo filho do Rei Rama IX, possivel sucessora no trono, de acordo com a Constituição.
Hoje como é tradição na casa real na Tailândia a Princesa devolveu ao rio, num gesto simbólico, peixes, voltando a dar-les a vida e a liberdade que aí gozam.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Kasit Piromya (II)

Eles andaram todos na mesma escola e a comer dos mesmos cozinhados.

Já aqui uma vez referi que o grande líder do PAD Sondhi tinha sido parceiro de negócios de Thaksin Shinawatra aliás como a maioria daqueles que hoje se opõem ao ex-Primeiro.

A classe de empresários neste país não é assim tão grande e por isso não espanta que isso aconteça.

Como em muitos casos as comadres zangam-se e depois começam a partir a loiça. Na Tailândia o que se passou essencialmente foi que Thaksin quando juntou ao seu poder como empresário o seu poder como político entendeu que era chegado o momento de ficar com o bolo todo para ele dando umas pequenas fatias àqueles que lhe traziam os recados, como Nevin, e deixando as migalhas que ficavam no fundo do prato para os seus antigos parceiros como Sondhi e outros que hoje o odeiam por isso mesmo.

O facto é que todos andaram a roer o mesmo bolo durante uns tempos.

Vem isto a propósito de mais umas declarações de Kasit que, falando á imprensa, admitiu ter recebido dinheiro de Thaksin, é assim que os controlou a quase todos, mas afirmou, que nunca o usou em proveito pessoal mas sempre para o serviço das Embaixadas onde serviu. A cada um a capacidade de julgar as acções e as palavras, mas para mim o facto de aceitar é por si já mau. Quem não quer ser o lobo que não lhe vista a pele.

Entretanto Suthep Thaugsuban, o Primeiro Ministro em exercício, convocou uma reunião de emergência do Governo esta manhã para analisar a situação mas de concreto só se sabe que o Ministro do Interior solicitou aos governadores das províncias que seguissem com atenção os movimentos locais da UDD. Contudo saíram rumores de que Suthep teria afirmado estar pronto a negociar com Thaksin, naquilo que seria o reafirmar de uma vontade que em tempos já tinha manifestado como sendo a única forma de trazer paz ao país.

Kasit Piromya


O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kasit Piromya, que ontem descrevi como um homem de coragem está a tornar-se um forte embaraço para o Primeiro Ministro.

Kasit é um diplomata de carreira, que não de estilo, com variados postos de grande relevo tendo começado a sua carreira no estrangeiro em Bruxelas junto das Instituições Europeias e terminado como Embaixador em Washington DC. Pelo meio, entre outros lugares, esteve colocado em Moscovo.

Nascido em 1944 em Thomburi, do outro lado do Chao Paraya, cidade que foi a capital do reino siamês antes de esta se mudar para a actual Krung Thep Maha Nakhorn.

Depois de se licenciar na Universidade de Chulalongkorn, continuou estudos em Georgetown, Washington DC e em Haia, Holanda antes de ingressar nos quadros do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Terminada a sua carreira de funcionário diplomático Kasit retirou-se mas sendo uma pessoa de acção decidiu, em 2008, aproximar-se do PAD, defendendo aquilo que recentemente disse serem os seus ideais de uma monarquia constitucional, da qual ele acredita ser o PAD o grande defensor. Muitos não pensarão da mesma maneira visto as acções do PAD por vezes constituirem um embaraço para a própria instituição devido á violência gratuita e aos actos de verdadeiro gangsterismo em que se envolvem.

Ficaram famosos os sesu comentários de que a ocupação dos aeroportos, que tanto mal fez ao país, era divertida e agradável visto aí se poder encontrar boa animação e boa comida.

Contráriamente à tradição de que os diplomatas são homens de poucas e sábias palavras, Kasit, nunca se escusa de dar a sua opinião e fá-lo de forma por vezes demasiadamente aberta. Ainda recentemente num almoço, em que eu estava sentado á sua direita, referiu, e a propósito dos constantes rumores de golpes militares neste país, que não tinha medo deles dizendo que já vivi tantos golpes de estado que mais um menos um nâo tem importância (sic), como se o assunto fosse uma questão menor.

Em Julho do ano passado desferiu violentos ataques contra o actual Primeiro Ministro do Cambodja na altura em que estava quente o conflito em torno das questões fronteiriças. Foi, rude, foi inconveniente, mas na altura tratava-se de um manifestante do PAD, com antigas responsabilidades é certo, mas sem funções como as actuais embora já fosse MNE sombra.

Quando tomou posse como Ministro, em Dezembro, e foi alvo dos ataques da oposição devido ás suas posições radicais salientou que o que tinha acontecido até ao dia 22 de Dezembro era diferente do que aconteceria agora que era Ministro e tinha responsabilidades no país.

Em relação a Hun Sen referiu que em tempos tinham andado nas mesmas reuniões e discussões sobre variados temas e que por certo o PM sabia distinguir as questões e nada se iria passar.

A UDD na sua agenda tem vindo sempre a pressionar Abhisit Vejjajiva para que demita Kasit atento as suas declarações e o facto de ele ter sido (ser?) um prominente membro do PAD cujas acções, como o encerramento dos aeroportos, tantos danos causaram ao país.

Abhisit, comprensivelmente, tem resistido mas os ultimos comentários de Kasit começam a ser um embaraço demasiado grande para o jovem PM que cada vez mais se vê entalado entre tudo e todos. Para sorte dele está agora em Londres na cimeira do G 20, repreesentando a ASEAN, pois se aqui estivesse nem local para trabalhar tinha visto a Government House estar cercada. Refira-se que Abhisit solicitou encontros bilaterais à margem da cimeira, na sua constante tentativa de elevar o perfil do país, trabalho de um PM, mas sei que não está a ter grande sucesso nessas démarches visto começar a haver na comunidade internacional algum mal estar sobre a situação, fundamentalmente dos direitos humanos e das liberdades indivuduais, na Tailãndia.

Kasit depois de desafiar Thaksin para um debate, em qualquer ponto do Mundo que ele quizesse apelidou o ex PM de demónio. No momento em que o Governo tenta desvalorizar os constantes ataques do fugitivo ex-PM, Kasit só ajuda este ateando o fogo que é exactamente aquilo que Thaksin mais quer no momento. Criar o caos e a confusão que permita elevar o moral das suas tropas.

Noutro incidente o PM do Cambodja lançou um violento ataque contra Kasit em virtude de palavras usadas durante um de um recente debate parlamentar onde segundo Hun Sen, Kasit o teria apelidado de gangster.

Hun Sen perguntou o que diria Kasit se ele insultasse o Rei ou o PM da Tailândia, continuando que se o país queria ser respeitado que se desse ao respeito primeiro. Acrescentou que o seu Governo é um Governo democráticamente eleito, uma alusão clara á forma como foi constituído o Governo de Abhisit. Kasit, através do porta voz do MNE, veio a tentar explicar que as palavras usadas eram um elogio para Hun Sen visto o Ministro ter querido dizer que o PM Cambodjano era um homem duro.

Os comentários de Hun Sen não podem vir em pior altura visto terem sido ditos depois de ter havido um incidente, com alguma gravidade, na fronteira quando alguns soldados tailandeses entraram em território do Cambodja e dez dias antes de se dar início às cimeiras ASEAN+3 e EAS em Pattaya.

O incidente na fronteira vem de novo acender a fogueira na zona fronteiriça e Hun Sen falou claro dizendo que se acontece outro incidente deste tipo as tropas do seu país respoderão de forma activa não admitindo invasões de tropas estrangeiras.

Kasit, que não consegue manter-se calado, qual negação de uma carreira brillante de diplomata, está a tornar-se um fardo cada dia mais complicado para Abhisit mas se este cede agora está a ceder à UDD e a abrir mais uma porta para o avanço das inteções destes.

Abhisit quando regresar de Londres, para além dos problemas prementes da economia do país, vai ter mais esta batata bem quente nas mãos isto se não tiver já acontecido que a situação em volta de Government House se deteriore com as ameaças que entretanto o Gen Anupong Paochinda fez e o facto de terem sido enviados militares para o local. Que diferença de tratamento em relação ao PAD. Quando o governo de Somchai Wongsawat, o ano passado, solicitou à tropa para intervir, nem um soldado saíu dos quarteis. Outros tempos ou será que ao contrário do que Anupong sempre diz os soldados afinal tomam partido?
Entretanto a UDD tem usado uma tática bastante inteligente ao permitir, sem obstáculos, que todos os funcionários entrem em Government House para trabalhar só bloqueando o acesso aos membros do Governo. Isso permitiu que o Tribunal, que anteriormente tinha emitido uma sentença ordenando que saissem do local, tenha voltado atrás dando permissão para que a manifestação continue no local. Entretanto a UDD já anunciou que no próximo dia 9 a manifestação será alargada a outros locais incluíndo a casa do General Prem.

A UDD tem sido paciente e pacífica, sabendo que o tempo lhes é favorável, mas se lhes "oferecem" um ou mais mártires tornam-se mais fortes e por ventura violentos.

terça-feira, 31 de março de 2009

Actualização da Situação


Em primeiro lugar uma palavra de desculpa sobre estes dias sem notícias mas o tempo tem escasseado. Nem para dormir dá.

Na realidade, desde que a UDD lançou a sua ofensiva na passada Quinta-feira que muitas coisas têm acontecido á volta desta manifestação.

Ainda que não tenha tido a atitude agressiva como o PAD, que ocupou e destruíu os jardins da Government House como sabem, a UDD mantêm a sede do Governo cercada sem que possa funcionar, e lá continua, com algumas indicações de que estarão lá até que o Governo ceda naquilo que é uma reedição dos acontecimentos de 2008.

O número de pessoas que cercam o complexo é superior ao dos "amarelos" e a forma pacífica como estão a actuar está a criar alguns problemas ao Governo onde existem vozes que gostariam de ver a polícia avançar sobre os manifestantes. Esse parecer ser igualmente um dos pontos que poderia ajudar a UDD se conseguisse ter algun(s) martires. Por outro lado a UDD continua a realizar comícios em todo o país e durante este fim de semana na maioria das capitais de distrito no Centro e no Norte do país houve ajuntamentos e manifestações favoráveis ao movimento "thaksinista" criando assim não só uma onda de adesões como dando ao movimento uma extensa cobertura televisiva.

O numero de manifestantes em Bangkok não aumentou mais porque as forças militares levantaram controlos nas estradas de acesso á capital vindas do Norte, nomeadamente em Nakhon Sawan, Pichit, Saraburi e Lop Buri tentando, e conseguindo, dissuadir os manifestantes da província a juntarem-se aos da capital. Contudo estes reagruparam-se nas suas origens e o movimento ganha uma força, não nacional, pois o Sul é sempre dos Democratas, mas com uma alargada extensão.

De igual forma o movimento passou a contar com mais apoios financeiros visto desde sábado ser distribuída comida gratuita aos presentes da mesma forma que acontecia com o PAD.

Temos assim um movimento de alguma forma organizado (anote-se a calma com que os manifestantes esperam um deslize do Governo) e um movimento com mais apoios (o caso da grua que rapidamente apareceu para retirar os contentores do caminho dos manifestantes e o facto da comida passar a ser distribuída gratuitamente).

O nervosismo do Governo nota-se por várias declarações que têm vindo a público e ainda ontem o Vice-Primeiro Ministro Korsab disse, a um amigo meu, não saber quanto tempo este Governo ia durar.

Mas o mais importante de tudo isto é o facto de Thaksin Shinawatra ter feito desde Quita-feira três intervenções em vídeo conferência falando aos manifestantes, e ao país, o seu alvo, e foi tão contundente nos seus ataques a dois Conselheiros Privados do Rei. o Presidente e o Primeiro Ministro após golpe de 2006, que ultrapassou o ponto de onde não pode recuar.

O General Prem de alguma forma saiu de cena desvalorizando os comentários (acusações) de Thaksin, mas o General Surayud saiu chamuscado tendo mesmo admitido a possibilidade de se demitir, visto depois de ter negado a sua presença num jantar realizado dias antes do golpe onde se discutiu a situação no país e possíveis soluções, para posteriormente confrontado com declarações de outras pessoas presentes nesse jantar, ter de voltar a trás a dizer que efectivamente tinha estado presente mas que não se tratou de nenhum preparativo para o golpe de estado que aconteceu dias depois.

Na realidade Thaksin não disse que se discutiu o golpe nesses jantar mas disse que nessa ocasião foram traçados os cenários para sair da crise em que o país vivia e um deles era o de um golpe militar. Nesse jantar para além de Surayud estiveram os lideres de dois dos mais importantes Tribunais Supremos do país, e sabemos a importância que tiveram no período após golpe como garantes de que o que tinha sido feito pelas armas era continuado pela via "legal", e alguns militares das áreas de segurança.

Thaksin ganhou esta batalha mas ao atacar os Conselheiros atacou de forma velada a instituição e quem eles servem de tal forma que o MNE, Kasit no sábado veio dizer, e pela primeira vez ouço isto em público, que o que estava em causa era o apoio ou não a um sistema de Monarquia Constitucional como o que ele defendia e que estava disposto a discutir ideologicamente, em público, com Thaksin estas questões. Corajosa declaração. Kasit é altamente controverso e um dos alvos da UDD, mas não se lhe pode negar, a par com alguma (bastante) sobranceria, a coragem de defender os seus interesses sem se esconder atrás de ninguém.

Como dizia esta batalha foi ganha mas fez com que Thaksin entrasse num caminho que só o pode levar para a frente num tudo ou nada com um muito incerto fim. Inclusivé afirmou de que se houvesse um golpe de estado entraria no país para estar com o povo e defender a democracia. Pobre palavra todos dela usam e abusam.

A manifestação continua. as movimentações nos bastidores continuam, Abhisit, que hoje parte para Londres para a cimeira do G20 representando a ASEAN da qual a Tailândia é o actual presidente, parece continuar a viver numa nuvem que paira sobre este país sem se dar conta(?) daquilo que acontece no país real. Nevin continua a sua forte campanha quer publicitária quer de recrutamento e financiamento e os rumores de golpes e contra golpes voltaram a estar em alta em Bangkok.

Por outro lado a economia vai continuando a trazer notícias altamente alarmantes e nem os famosos 2.000 bath, que somente vão dar azo a umas estatísticas mais positivas no que respeita o consumo interno neste mês de Abril, aliviam as dores que o Ministro das Finanças vai sentindo cada vez que olha para o cofre mais vazio e lê os relatórios que lhe chegam.

Dizia-me um amigo hoje ao almoço que o seu advogado, tailandês, lhe tinha dito que só daqui a 5 anos a Tailândia poderia pensar em recomeçar a viver em paz social.

Infelizmente não deverá andar muito longe da verdade e mesmo assim é necessário que os actuais actores se reformem e apareçam outras caras e especialmente outros valores, limpeza e transparência de ideias e de métodos, para que isso aconteça.