sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O marasmo e os videntes


Muita discussão mas pouca conclusão assim se pode resumir a situação política na Tailândia após a, aparente saída de cena de Samak Sundaravej.

Os cenários estão todos em abertos, contudo houve os seguintes desenvolvimentos:

O PPP decidiu apoiar a recandidatura de Samak para PM. Os Partidos da coligação que apoiam este Governo disseram que aceitam as decisões do PPP e tudo estava preparado para esta manhã ser votada a proposta do PPP.

Mas como sempre aquilo que se acorda agora só vale até outra coisa acontecer.

Quem se lembra já de que na semana passada foi iniciado o processo para a realização de um referendum? Quem se lembra já que o Presidente do Senado foi nomeado mediador entre as partes em disputa?

Na realidade esta manhã nada aconteceu porque o numero de deputados era insuficiente para haver o quorum necessário ao funcionamento do Parlamento e isto porque uma das facções do PPP diz agora que Samak não é a melhor escolha para o Partido. Por outro lado o Chart Thai, o segundo maior Partido na coligação, vem agora, de igual modo e através da voz da filha do Presidente do Partido, dizer que Samak, não é capaz de criar a unidade de que o país necessita.

Ontem especulava-se que Samak seria nomeado, o que veio, em teoria, a acontecer, e que depois iria agradecer e ele próprio rejeitar a nomeação, fazendo o apelo a um Governo de unidade nacional com os Democratas. Saía por cima e ia-se embora.

Até pode ser que venha a ser assim pois os rumores agora são de que Samak se prepara para pedir a demissão de Presidente do PPP o que abriria a porta para a eleição de um novo Presidente e consequente candidato a PM.

Isto tudo se passa misturado com predições de um "fortune teller" que disse que, hoje dia 12, a posição de Saturno ou Plutão ( não sou um perito nesta questão ) não era propícia a discussões e que no dia 16 a reversão do transito de Mercúrio ( ou será Jupiter) fará com que se inicie um período de apaziguamento propício a novas venturas. Acrescenta que o novo PM é "handsome", muito normal aqui na Tailândia qualificar as pessoas, homens ou mulheres, por bonitos, pele branca, olhos assim, nariz assado, etc. Ora Samak tem tudo menos "handsome" inclusive é alcunhado de Chumpoo referente ao formato do seu nariz que faz lembrar aquele fruto que em inglês é conhecido como rose apple. mas que nunca vi em Portugal

Assim e sem estranheza a sessão do Parlamento para votar a proposta do PPP foi adiada para o dia 17, ou seja, exactamente, depois de 16 o dia previsto pelo vidente como início do período auspicioso.

A realidade é mesmo assim. Para quem não acredita é só vasculhar um pouca o passado da política neste país e as suas relações com os videntes.

Todos lá vão e não o escondem.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O cozinhado azedou


Depois da destituição de Samak, com base no veredicto do Tribunal Constitucional, começam a contar-se a espingardas para a formação do novo Governo e dizia ainda há pouco The Nation que o nome do próximo PM começa por S, sendo que um desses S pode ser para Samak.

Contrariamente ao que alguns pensam, veja-se o meu amigo
Combustões por exemplo, Samak Sundaravej é um muito provável sucessor de si mesmo. Éticamente é pouco digerível mas constitucionalmente ele tem todo o direito a isso. De acordo com a Constituiçao ele, presentemente, não viola nenhum príncipio daquele texto e tem todas as condições para ser eleito. Para além disso as principais forças no seu Partido anunciam apoiar a sua recandidatura.

De igual modo os Partidos da coligação no poder anunciam que apoiam o PPP e a sua decisão, contrariamente a notícias esta manhâ que diziam que o Partido Democrata tinha um plano para arregimentar os apoios necessários para serem eles a formar uma maioria, incluindo, "comprando" por 30 milhões de bath uma das facções do PPP. Aqui tudo anda á volta do dinheiro, mas como diria o Chico Anízio cadê os outros.

Dois comentários. O poder Judicial mostrou ontem ser capaz de funcionar e deu aquilo que pode parecer uma lição de independência, condenando o PM por uma "colher de sopa", mas no mesmo dia a Comissão Nacional de Eleições, decidiu por 3 votos contra 2 não indiciar o líder do Parlamento por alegadamente ter interesses, não declarados aquando da sua tomada de posse, nos negócios da sua mulher que são realizados nas propriedades do próprio. Como muitas vezes acontece, dois pesos e duas medidas.

Segundo comentário. A imprensa internacional "brincava" com a situação em Bangkok. Os relatos, entre o espantado e o sarcástico do correspondente da BBC a títulos como o do The Guardian, são sintomáticos de que o Mundo começa a não levar a sério aquilo que se passa em Bangkok.

O pior é que a economia está a sofrer grandemente, o único efeito positivo é que a inflação baixou mas devido à retracção da procura.


Só mais um ponto. Samak entretanto desapareceu. Ontem não regressou a casa e ninguém, ou pelo menos a comunicação social, sabe do seu paradeiro.


Entretanto o PAD chora, ou de alegria ou por falta de objectivo na sua luta.

Somchai Wongsawat, o primeiro Vice-Primeiro Ministro, e por coincidência cunhado de Thaksin, é o PM em exercício.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Culpado

Samak Sundaravej foi considerado culpado pelo Tribunal Constitucional, sem direito a apelo, pelo que tem de se demitir de Primeiro Ministro.

A decisão do Tribunal foi por unanimidade embora seis Juízes tenham considerado Samak, "empregado" do produtor e três outros "parceiro" desse mesmo produtor. De qualquer forma a prova conduzia sempre à sentença de culpado e à desqualificação, de acordo com a Constituição da Tailândia, de Samak como Primeiro Ministro.

No prazo de 30 dias os Parlamentares terão de escolher um novo Primeiro Ministro que pode ser outra vez Samak, que se assim acontecer verá a sua legitimidade reforçada.

Contudo a principal questão que se põem neste momento é saber se a coligação no poder se vai manter sólida e apoiante de Samak, ou de outro membro do PPP, ou se aproveitam a onda para demandar outras paragens e dar uma oportunidade ao Partido Democrata de vir a formar Governo. Actualmente no Parlamento é a seguinte a constituição dos grupos de Deputados.

- PPP 235
- Chart Thai 34
- Puen Thai 22
- Matchima 11
- RuamJai 9
- Prachai 5

- Democratas 164

Todos os seis primeiros partidos constituem a coligação no Poder mas a sua solidez tem estado sempre em questão, especialmente com os dois primeiros frequentemente ameaçando "largar o barco".

Segundo informação que acabo de receber o PPP reafirma a sua intenção de voltar a propor Samak para PM.

A seguir. Como sempre tenho dito. Aqui tudo pode acontecer.

O Caldo Entornado


Já vão longos os dias de protestos nas ruas, a economia do país já sofre bastante com os hotéis e perder neste mês tudo quilo que tinham conseguido amealhar no ano, já morreu uma pessoa em confrontos de rua entre manifestantes, pró e contra o Governo, e este está prestes a cair por causa de um prato de sopa.

Como já referi antes Samak é um amante da cozinha e, ao que parece um Chefe emérito. Isso deu-lhe direito a ter dois programas na Televisão onde cozinhava. Programas esses bastante apreciados.

Acontece que os detentores de cargos políticos não podem auferir remunerações de outrem que não o próprio Estado.

O Senado solicitou ao Ministério Público que accionasse o PM por violação dessa norma acusando-o de receber dinheiro da produção dos seus programas, que entretanto ele suspendeu quando tomou posse.

A acusação é de que o motorista de Samak recebia por cada programa 5.000 bath (100 €), que a produção confirmou, mas disse ser o dinheiro para Samak comprar os ingredientes, que ele próprio levava para o estúdio, e para custear o transporte. A decisão é aguardada a qualquer momento.

Como se vê após tanta confusão o PM pode cair por um insignificância.

Contudo, lembram-se de já ter escrito que na Tailândia tudo é possível, é levantada a hipótese de o PPP voltar a propor Samak para PM e este, obviamente ganhar, ou de este continuar como PM até à realização de novas eleições.

A Constituição, a tal tão famosa que o PAD não quer ver alterada, nada prevê nestas circunstancias.

A Nova Politica do PAD


Ontem o PAD emitiu um comunicado, anúncio 20/2008, que contém aquilo que é o seu Manifesto Político. Este documento é, para estudiosos de cenários políticos, um "paper" bastante ilustrativo da forma como se faz Política neste país.

Começa por dizer que "para o desenvovimento sustentado do país é necessário uma política nova no Reino". Refere-se depois que a Nova Política é a "verdadeira Democracia" numa Monarquia Constitucional e depois apela ao "bom povo" para bloquear ao "mau povo" o acesso ao Poder!
Parecer ser a tentativa da construção de um Estado Corporativo, dando voz aos cidadãos não de forma directa, eleições, mas através de agrupamentos de interesses.

Quanto a representantes do povo esses deveriam ser no máximo 30% dos membros do Parlamento, sendo que os restantes seriam nomeados porque os eleitores, estão pouco informados e são "incultos". De acordo com o PAD só a estação de Televisão ASTV, pertencente ao líder Sondhi, consegue transmitir "a verdade" ao povo da Tailândia. Entretanto Sondhi, deu uma entrevista ao Asia Times merecedora de atenção.

Igualmente o PAD diz estar disposto a discutir a sua proposta, com todos, e que respeitará as decisões da maioria que sejam ética e moralmente aceitáveis e que representem os vários sectores da sociedade (tradução livre minha).

E quem será o juiz dessa qualificação de ética, moral, etc? Por certo o próprio PAD!

Tenho algumas memórias de outros tempos de lideranças na Europa que se sentiriam orgulhosas das propostas do PAD.
Felizmente os Europeus conseguiram ver-se livres dela em devido tempo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Direito à Indiferença


Enquanto continuam quer a ocupação da Government House quer a teimosia do PM Samak, o país vai começando a exprimir outro tipo de sentimentos e, finalmente direi eu, começam a aparecer grupos de pessoas "ajuizadas" que apelam às duas partes.

Na Sexta foi, como já relatei, iniciada a tentativa de mediação pelo Presidente do Senado num esforço comum com o Presidente do Parlamento e o Líder da Oposição.

Como é normal ambas as partes reiteraram os seus "princípios" de não moverem uma vírgula no seu discurso sem que a outra avançasse primeiro. Até aqui nada de novo. Aqueles que negoceiam nunca vão dizer publicamente que o aceitam. De qualquer modo o Presidente do Senado que era suposto relatar os seus avanços hoje ainda não o fez. Também é um sinal de que continua empenhado e convicto no êxito da sua missão.

Mas entretanto, surgiram quer sondagens quer um grupo vasto de académicos e o que transparece é o sentimento de que nenhuma das partes, Governo e PAD, faz parte daquilo que os tailandeses querem.

As duas sondagens que hoje apareceram são claras. Numa 62% e na outra 66% dos inquiridos não apoiam nenhuma das facções em luta neste momento.

Para além de outras perguntas, e portanto outros indicadores, este é por si sintomático de que começa a haver um afastar da população das posições que quer uma parte quer a outra apregoam.

O grupo de Professores de várias Academias do país solicita numa declaração intitulada "Ninguém está acima da Lei" que os lideres do PAD se entreguem à justiça se querem ter alguma veleidade de encontrar uma via, legal e democrática de contestar o Governo de Samak e que os seus apoiantes abandonem a Government House. Por outro lado recomendam ao Governo o levantamento imediato do Estado de Emergência e o inicio de negociações sérias tendentes a encontrar uma solução para o futuro do país.

São pequenos sinais mas sinais que são ouvidos e que expressam de uma forma clara e lúcida aquilo que o povo genuinamente quer.

O Economist refere que a actual situação, do ponto de vista da economia do país, é pior do que um Golpe de Estado. Embora não deva ser seguido este pensamento o facto é que ele é verdadeiro sabendo-se como os Golpes de Estado neste país se desenvolvem de forma pacífica. Os prejuízos para a economia são por demais evidentes. Contudo um dos factos que conduziu à fraqueza da Democracia na Tailândia é o facto de sempre que não se sabe o que fazer se recorrer a um Golpe de Estado como que uma varinha mágica capaz de recolocar o país no bom caminho.

Tal tem sido um factor que de interrompe de forma continuada o desenvolvimento do processo democrático.

Num comentário à parte refira-se que Samak, afirmou a sua intenção de ir à Assembleia Geral da Nações Unidas, para explicar ao Mundo a situação na Tailândia, como disse, e reafirmando que não tinha razão alguma para não estar presente. Lembre-se que há dois anos atrás foi nesse mesmo momento que os militares retiraram o poder a Thaksin Shinawatra, quando este se encontrava na ONU.

domingo, 7 de setembro de 2008

Talat Nam Amphawa






Depois de um muito agradável concerto da Orquestra Filarmonica de Bangkok, Nordic Masters, com música de Subelius e Grieg, o pianista Sueco Patrick Jablonski e o maestro Finlandês Okko Kamu, no Thailand Cultural Centre ontem à noite, hoje fui passear ao Talat Nam Amphawa, mercado flutuante de Amphawa, muito perto do muito conhecido Mercado Flutuante de Damnoen Saduak e a cerca de 100 kilometros de Bangkok.

Bom tempo e muita calma. Pelas fotografias pode-se ver aquilo que os tailandeses gostam, mercados, comida e passeio. Nada que tenha a ver com os acontecimentos na Government House, cada vez mais isolados pela intolerância quer do PAD quer de Samak.

A calma de hoje é um muito bom contraste com a agitação a que temos sido obrigados desde o diz 26 de Agosto.

Esta é a verdadeira Tailândia

sábado, 6 de setembro de 2008

Ók payi


O grande slogan do PAD é Rataban ók payi ou seja Governo vá embora ou, em inglês que é sempre uma língua, mais fácil " Get Out".

Desde há longos dias que quando sobem ao palco dos acontecimentos, naquilo que outrora era a Government House e agora nada mais é do que "a sede" do PAD, um acampamento, que bem podem ver aqui, na visita que Mestre Miguel Castelo Branco lá fez ontem, dizia, quando sobem ao palco, os lideres gritam, para animar as hostes: Rataban Ók Payi.

Mas Ratabam mai payi, ou seja não vai. Samak, que entretanto já deixou de "andar com a casa ás costas" e se mudou para o Comando Supremo das Forças Armadas, sempre se está mais resguardado, continua a fazer a sua vida como nada se passasse.

Sendo um pouco sarcástico poderia dizer que estamos como que num parque de diversões e, com o turismo em queda, a Tourism Authority of Thailand deveria rapidamente incluir nos seus folhetos, a publicitar a Amazing Thailand, uma visita ao novo "zoo" que se tornou esta cidade.

A última das atracções foi que hoje um conjunto de agricultores do Norte decidiram criar nos jardins da Government House um arrozal!!!!.

Garanto-vos que não estou a ficar tão louco como alguns que populam Bangkok.

Instalados, e confortavelmente, cada uma das partes, ninguém Ók Payi e parece que se vai eternizar este stand off na sociedade e na política na Tailândia.

Nenhuma das partes parece disposta a mudar um milímetro na estratégia e muito difícil vai ser a mediação do Presidente do Senado. Parece que as partes preferem assim de modo a que ninguém "perca a face" uma preocupação muito asiática.

Estamos numa situação em que ambas a s partes perdem, pois a paciência das pessoas está esgotadas. De algum modo os tailandeses também se começam a alhear da situação entendendo cada mais que isto não é um problema deles mas de um conjunto de teimosos e obstinados que só entendem os seus interesses pessoais. Assim se vão afastando, como um pouco pelo Mundo, as pessoas da participação nos actos políticos que só a eles devem dizer respeito.

Samak diz que resignar é dar um apoio a práticas anti democráticas.

O PAD diz que Samak e o seu Governo nada mais são do que fantoches de um regime corrupto e que, com a mais que provável dissolução do PPP a curto prazo, por práticas ilegais nas eleições, perderam a legitimidade que estas lhe terão dado.

Ambos os argumentos são consideráveis e válidos só que em política só se vence quando não se esmaga a outra parte. O Mundo está feito com contrastes, com diferenças e a grande arte dos Homens com H grande da nossa história sempre foi a de conseguir acomodar essas diferenças num bem comum e em objectivos partilhados.

Aqueles que se impuseram pela sua teimosia ou pela força das armas que não da razão, só ficaram nas páginas negras da história, naquelas que ninguém consegue ler.

Seria bom que Samak, Sondhi, Chamlong e amigos quisessem ficar na história como pessoas que contribuíram para o futuro do seu Povo e para o desenvolvimento do seu país.

Aprece-me que não vai ser esse o caso. Vão acabar por sair, todos, pela porta muito pequena da história se tiverem a ventura de encontrar uma.

Mai Ók não é aquilo que os tailandeses querem ouvir.

Payi duay seria melhor.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Alguma luz


Ainda há pouco havia sol na janela do meu escritório mas agora chove, e bem. O tempo está cinzento, apetecendo um bom livro e recolhimento, mas surgiu alguma luz.

Os orgãos da Democracia afinal conseguem funcionar.

O Presidente da Assembleia, membro do PPP e pai do "famoso" Newin Chidchob, o Presidente do Senado, ex Presidente do Supremo Tribunal e um dos Senadores não eleitos, e o Líder da Oposição, reuniram-se e acordaram em nomear Prasopsuk Boondej, o Presidente do Senado, como mediador entre as facções em luta, o Governo e o PAD, e tentar encontrar uma solução para a crise.

Isto acontece depois de um grupo de Senadores ter proposto um plano em três pontos:

1- Governo deve dialogar com as partes em conflito
2- Caso nada obtenha deve dissolver a Assembleia e convocar eleições
3- Nesse momento todas as forças que se opõem ao Governo deverão desmobilizar

Somsak um dos lideres do PAD de imediato rejeitou a proposta.

A solução encontrada de nomear Prasopsuk Boondej como mediador parece credível visto ser uma personalidade com um passado que lhe atribui respeitabilidade.

O grupo determinou reunir-se de novo na Segunda-feira para fazer o ponto da situação.

Por vezes a luz aparece quando o sol se vai. Neste caso veio das mentes de alguns, que os ainda há na sociedade tailandesa, capazes de raciocinar com calma no meio deste turbilhão de acontecimentos.

104 Dias


Passam hoje 104 dias que o PAD começou os seus protestos, a 25 de Maio, e 11 dias que entrou naquilo que se pode chamar, a ofensiva final, e o que é que o país ganhou?

Divisão, incerteza, insónias, enormes percas, para além de um morto.

Divisão pois a sociedade tailandesa em vez de aproximar as diferenças cada dia as acentua mais. Numa sondagem feita pela Assumption University sobre se o Estado de Emergência resolvia a situação no país o sim teve, 50.2% e o não 49,8%. Ao PAD juntaram-se, do outro lado da barricada, o espelho deles, o UDD/DAAD.

Incerteza pois ninguém é capaz de apresentar uma proposta com sinal positivo para resolver a crise. Para além da teimosia de Samak, ontem o gabinete propôs a realização de um referendo. A Comissão de Eleições vem hoje dizer que isso demorará entre 6 a 7 meses. Como se sabe não há esse tempo todo. Antes disso o Governo vai cair devido à, mais que provável, dissolução do PPP lá para Dezembro ou Janeiro.

Insónias pelas noites sem sono, pelo cansaço que os bankokianos sentem com a situação, pelo stress que se vai acumulando, mesmo entre os manifestantes e contra manifestantes, enfim pela falta de luz e esperança numa solução.

Percas em todos os sectores. A capitalização bolsista na Tailândia já desceu este ano mais de 30 mil milhões de Euros e a Associação das Agências de Viagens afirmou que os cancelamentos até ao final do ano já somam para cima de 25 milhões de Euros.

E um morto e um morto na luta não por acidente. Pode-se dizer que não é nada comparado com o que, infelizmente se passa todos os dias noutras partes do Mundo, mas é sempre um sinal de desconforto, um sinal de que as boas palavras são fracas e as que saem de tantas bocas cheias de ódio são as que prevalecem.

Olhando para Bangkok, cheia de sol como hoje está e com um fim de semana à espreita, apetece dizer que bela cidade, cheia da calma e dos sorrisos, mundialmente reconhecidos, dos seus habitantes.

Porque é que é permitido a um punhado de arregimentados estragarem isso? Prendam-se aqueles que seguram as cordas destas marionetas.

Talvez não seja por acaso que nos dois principais jornais de língua inglesa vinha na primeira página e em grande destaque a mesma fotografia, inserida acima, mas tirada por fotógrafos diferentes. As pessoas estão cansadas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Avisos aos Turistas



Vários países tem feito avisos aos seus nacionais sobre a situação na Tailândia.

China, Singapura, Taiwan, Nova Zelândia, Suíça, Austrália, França, Dinamarca e Reino Unido todos emitiram notas informado os seus nacionais que pretendam visitar a Tailândia ou que aqui se encontram.

Um traço comum em todos.

Não há nenhum aviso para as pessoas deixarem de visitar a Tailândia, o que há é a indicação de que os estrangeiros, deverão afastar-se dos locais onde existem manifestações, localizadas na área dos Ministérios, e se devem abster de fazer comentários sobre as partes envolvidas. Especialmente no momento em que existe o Estado de Emergência as forças da ordem tem poderes de prender quem entendam estar a perturbar o normal funcionamento da cidade. Na realidade isto é teórico pois não existe até agora nenhuma imposição do Estado de Emergência pela força. Basta dizer que os manifestantes continuam nas suas posições e todos os dias existem novos grupos que dizem que se vão manifestar aqui e ali, facto que é ilegal pois ajuntamentos de mais de 5 pessoas violam o Estado de Emergência.

Contudo como sempre não se deve provocar que tem mais força do que nós.

Dito isto, a capital está 95% calma e a vida continua como se nada se passasse e numa cidade de cerca de 10 milhões de pessoas, um ajuntamento de uns 5 mil nada mais é do que uma pequeníssima gota de água.

Fica aqui a informação que penso útil tal o número de perguntas que tenho recebido.

Ultima Hora



Samak está a falar na Rádio e na TV, mas sem imagens , e começou por dizer da dificuldade que teve em chegar aos estúdios devido ao transito. Referiu inclusive que tinha querido apanhar uma moto-táxi mas que não o deixaram. Nem uma palavra sobre o facto de ter sido recebido pelo Rei, sendo que a imprensa, começa a duvidar se isso aconteceu ou não, e um agradecimento a Tej Bunnag dizendo contudo que ele não é um político e que não consegue aguentar a pressão como ele, Samak.

Fala, fala mas não diz nada mas mesmo assim disse. "Estão enganados se pensam que me demito. O pais necessita de um líder "


A tal imprevisibilidade

A impervisibilidade


Inquietantes momentos os de agora.

Ontem Bangkok era a calma, a esperança no encontrar de uma solução. Esta manhã a incerteza.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, um homem com fortes ligações ao Palácio, e o único não pertencente a nenhum Partido, demitiu-se ontem à tarde aparentemente depois de ter recebido uma chamada telefónica que a tal o "aconselhou".

O PM foi mandado comparecer perante o Rei e falará esta manhã pelas 7.30 ao país. Especula-se que será para anunciar a sua demissão.

A Universidade Católica Assumption, realizou uma sondagem sobre o Estado de Emergência e o resultado não poderia deixar mais dúvidas sobre a divisão no país: 50,2% a favor e 49,8% contra.
Entretanto o UDD/DAAD anunciou que irá atacar a sede do Partido Democrata, o único na Oposição e que nunca condenou o PAD e inclusive o seu líder já visitou os manifestantes da Government House por duas vezes.

Os lideres do PAD solicitaram aos seus apoiantes que se prepararem para o melhor ou para o pior e pediram às pessoas das províncias que venham para Bangkok.

Estudantes de várias Universidades anunciaram que se irão manifestar, lembre-se que tal é ilegal durante o Estado de Emergência, em favor do PAD em Siam Square, mesmo no coração da cidade.

O debate no Parlamento que ontem tinha sido solicitado pelo seu Presidente, parece que não irá para a frente e o debate sobre o orçamento, que estava agendado para ontem foi adiado.

A imprensa internacional fala de anarquia, dos perigos para a Democracia aqui e aqui, do isolamento de Samak, da sua falta de opções, da descreça da comunidade internacional sobre os métodos não democráticos.

Um dos lideres do PAD falam da possibilidade de se suspender a Constituição para dar lugar a um não Deputado poder ser Primeiro Ministro, em oposição ao que outro dos lideres disse ainda ontem mesmo.

Advinha-se um dia confuso na capital com desenvolvimentos importantes e a mais que provável demissão de Samak, mas a imprevisibilidade dos comportamentos dos tailandeses, já torna impossível prever o que quer que seja.

Assim o melhor é esperar e confiar, como acontece em 99% das vezes que tudo se desenvolva de forma pacífica.

A total devoção, obediência ao Rei é um dos trunfos que esta frágil Democracia tem para além do Budismo que obsta a que muitos comportamentos mais violentos aconteçam. A História também sempre mostrou que no Sião/Tailândia a diplomacia e a cultura são mais fortes do que as armas.

Só mais tarde poderei relatar de novo, devido a compromissos toda a manhã, mas como sempre estarei atentos e tentando ler nas milhares de entrelinhas, o que vai acontecendo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Obrigado


Obrigado a todos os que, pelo Mundo fora, seguem com atenção estes meus escritos e que me têm enviado comentários, e muitos, mesmos muitos email , quer encorajando quer solicitando informações.

Continuaremos como até aqui a relatar o que se passa nesta terra, sem deixar por vezes de olhar à volta.

Bem hajam

3 de Setembro

Fotos: The Nation



Depois dos acontecimentos sangrentos da noite anterior e da declaração do Estado de Emergência, Bangkok passou uma noite calma onde parece que todos estão conscientes da necessidade de encontrar uma solução negociada e pacífica para sair, pelo menos temporariamente, do presente impasse em que nos encontramos.

O General Anupong Poachinda, mostrou grande serenidade na aproximação, afirmando que os militares não tomam parte nesta contenda. "Os soldados estão sempre do lado do povo, mas quando o povo esta dividido em dois os soldados não têm lugar e só podem estar no meio a evitar o confronto. Reafirmou a necessidade de se encontrar uma via negociada e nesse sentido fez os seus apelos.

Do lado do PAD ouviu-se pela primeira vez a hipótese de terminar a ocupação da Government House mediante quatro condições: Demissão de Samak, a promessa de que o Governo não altera a Constituição, a observância da decisão do Tribunal Constitucional sobre o disputado templo de Prasat Kaho Prha Viharn (isso já foi feito), a supressão de todos o mega projectos ( grandes projectos de desenvolvimento que o PAD clama o Governo usa para se subsidiar através de esquemas de corrupção), e, acrescentou Sondhi, como um pedido pessoal não discutido com os sues pares na liderança do PAD, o compromisso em serem levadas a cabo reformas públicas e aumentar a participação popular no processo político.

De qualquer maneira os lideres do PAD recusam-se a negociar sem que a primeira condição esteja aceite ou seja a demissão de Samak.

De igual modo os sindicados da empresas Públicas, que representam 200.000 afiliados, mas onde só 300 se envolveram efectivamente com o PAD, afirmou que a anunciada Greve no sector dos serviços públicos vai para a frente hoje e enviaram uma carta ao Gen. Anupong solicitando a este para tomar o poder. Essa carta vinha acompanhada da ameaça de que a água e electricidade seriam cortadas ao Ministério da Defesa, caso o pedido não fosse aceite. Pode acrescentar-se a esta hora, 2 da tarde em Bangkok, que a anunciada greve está a ser um fiasco e nenhum serviço foi afectado. Só um avião, de Bangkok para Phitsanulok, não descolou porque a tripulação disse não se encontrar em condição para voar.

Chamo a vossa atenção para este link que traduz a calma que se vive na cidade.

O UDD/DAAD reagrupou-se às portas da cidade em Samut Prakan, deste modo não violam a lei do estado de emergência, mas não parecem suficientemente organizados e os militares estão atentos. Entretanto pequenos grupos do PAD vão bloqueando partes da cidade, sem que a Polícia possa intervir de tal modo está manietada.

Grupos de académicos e a Federação da Industria mostraram-se descontentes com a imposição do Estrado de Emergência e solicitaram ao Governo para a retirar ou para o PM resignar como um gesto de boa vontade para o país.

A questão parece agora ser a forma de encontrar uma situação em que todas as partes saiam vitoriosas e em que o PM saia de cena, o PAD também e haja um pequeno espaço de tempo que permita pensar e encontrar soluções mais duradouras.

Como sempre na Ásia é importante não perder a face e isso todos sabem.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Mandados de Captura


O Tribunal Criminal acaba de rejeitar o recurso feito pelo advogado do PAD relativo aos mandados de captura emitidos contra os seus lideres.

Ainda não há reacções, mas Sondhi acabou de dizer que a ocupação da Government House pode terminar dentro de dois dias quando os militares os fizerem sair do lugar. Esta é a primeira declaração que de algum modo pode levar a um desanuviamento da situação.

Entretanto espera-se que os Sindicatos que continuam com ameaças de tudo paralisar, ouçam e entendam que é tempo de dar uma trégua para que o bom senso possa prevalecer.

O General Anupong pelo seu lado continua a avançar com determinação no sentido de impor o Estado de Emergência numa política de dois passos à frente um atrás que parece estar a ser positiva.

Anupong, um militar com uma mente de servir e dedicação, está a mostrar dotes de diplomacia e condução política não conhecidos.

E agora?


As perguntas que a maioria das pessoas fazem, são: Como está a situação e o que vai acontecer.

A situação está, aparentemente calma, para quem esteja fora da área Governamental, onde a tensão, cuidado não confundir com confrontação, está a acontecer.

Esta madrugada após os incidentes e do aparecimento da Primeira Companhia do Exército Tailandês a situação arrefeceu e os intervenientes regressaram às suas bases, tendo posteriormente o UDD/DAAD dispersado. Contudo o PAD continua a desafiar a declaração do Estado de Emergência chamando mais pessoas para se juntarem a eles e continuando a afirmar que não cedem e que irão para a frente com o projecto da Greve Geral para amanhâ. Entretanto os aeroportos de Krabi e Hat Yai foram, de novo, tomados por apoiantes do PAD.

A questão agora parece estar claramente dependente de até que ponto o PAD quer esticar a corda e enfrentar uma tropa de elite bem equipada e bem preparada. A disposição dos militares é de não avançarem mas, estando o PAD neste momento fora da lei ( o Estado de Emergência proíbe ajuntamentos de mais do que 5 pessoas ), qualquer pequena provocação pode ser o suficiente para que isso aconteça. Convém aqui lembrar que enquanto a Policia é sempre vista com alguma suspeita pelo facto de Thaksin ser Lt Gen da Policia, o Exército é apelidado de "os soldados do Rei" e por isso uma afrontação com eles tem contornos bem diferentes especialmente para o PAD que clama serem os guardiões da Monarquia.

Noutro acontecimento do dia a Comissão de Eleições decidiu enviar para o Tribunal Constitucional o processo de dissolução do PPP que deverá demorar entre 4/5 meses a concluir. A coincidência, é na realidade uma coincidência visto que o dia 2 de Setembro era há muitos dias o dia marcado para a CE apreciar este caso. Contudo criou enormes confusões pois a imprensa relatou que a CE "tinha dissolvido o PPP" o que na realidade não aconteceu.

Aconteça o que acontecer nas próximas horas continua-se a não entender muito bem como é que uma sociedade completamente partida ao meio em todos os seus extractos vai conseguir encontrar a força e as ideias para se reunir.

Estado de Emergencia


Fotos: The Nation

Como se temia as duas facções, PAD e UDD/DAAD, o movimento leal ao Governo, acabaram por se encontrar frente a frente nesta noite e houve confrontações violentas donde resultou para já um morto, um membro do UDD/DAAD e dezenas de feridos.

O Estado de Emergência foi declarado mas o PAD diz não o acatar e que vai acelerar os preparativos para a Greve Geral que estava em andamento. Ver também a AFP

Samak falou ao pais, do Supremo Comando das Forcas Armadas, dizendo que um comité de três membros, encabeçados pelo General Anupong, Chefe do Estado Maior do Exercito, está encarregue de controlar a situação. Perguntado sobre se será declarado o recolher obrigatório respondeu que não sabia responder a essa pergunta e isso dependeria do evoluir da situação. A maioria das escolas foram fechadas. Recomendou que a população se mantenha calma e que evite tomar partido deixando o Comité encontrar uma solução para a crise. Para finalizar disse assumir, como líder do Governo, toda a responsabilidade pela situação. Samak pareceu bem escudado pelos militares e o General Boonsang, Comandante Supremo, que foi entrevistado a seguir reafirmou as palavras do PM.


Como é normal nestes momentos ambas as partes se acusam uma á outra sobre quem começou primeiro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Greve Geral


Está em preparação uma Greve Geral para o dia 3 de Setembro decretado pelos Sindicatos das Empresas Estatais com a particularidade de ser feita de forma a cortar o abastecimento quer de água quer de electricidade aos serviços do Governo tornando inoperantes os serviços que o ainda não estão.

Para além destes serviços os transportes serão fortemente afectados com as anunciadas Greves de Zelo quer nos aviões quer nos comboios e por ventura nos transportes terrestres.

Esta é uma acção que como se sabe depende dos trabalhadores e não somente da vontade dos dirigentes Sindicais mas pelo que conheço do país deverá ser bem sucedida e poderá desencadear reacções incertas.

A calma do dia de hoje fazia prever que algo estava em preparação.

A observar amanhã o desenvolvimento.

1 de Setembro


Novo mês mas a mesma situação.

Ontem o Parlamento esteve reunido durante mais de 12 horas num debate solicitado por Banharn Silpa-Archa, líder do segundo maior Partido da coligação no poder, e que foi bem acolhido por todos mas que acabou sem resultados. O Partido Democrata, o maior da oposição, que tem grandes responsabilidades por isso mesmo, acabou por ser o mau protagonista da sessão pois nada mais fez do que atacar o PM solicitando a sua demissão.

Samak repetidamente disse que o que estava em discussão não era uma moção de censura mas o futuro do país mas os Democratas, que até agora não condenaram os métodos do PAD para chegar ao poder, e portanto só podem ser vistos como seus apoiantes silenciosos, só quiseram falar do passado, de Thaksin e de Samak ser uma marioneta deste, e não conseguiram mostrar ideias capazes de ajudar o país a sair desta crise.

Ontem um Professor de Ciência Politica da Universidade de Chulalongkorn, um homem esclarecido, e opositor conhecido de Thaksin, escrevia que estamos perante a tirania de um minoria liderada pelo PAD, condenando de forma clara os métodos, antidemocráticos usados pelos seus lideres na condução da contestação ao Governo.

Aliás a imprensa internacional bem como a Reuters e a AFP, tem condenado a falta de respeito pela lei e Democracia deste agrupamento de "arruaceiros".



Voltando ao debate, aliados do PAD foram também os Senadores, não eleitos, que continuam somente a ter olhos para o ataque que a Polícia levou a cabo na Sexta-feira.

Este ataque acabou com a substituição do Comandante da Polícia Metropolitana de Bangkok, pois parece ser mais importante aos olhos dos tailandeses, da classe dominante, os ligeiríssimos ferimentos de 16 pessoas do que a total falta de cumprimento da lei por parte de milhares e da destruição que já fizeram quer da Government House quer de imensos equipamentos da Polícia como dezenas de carros. Isso para essas mentes avessas á Democracia é o que conta.

Samak continua a dizer que não se demite pois isso seria ceder aos "arruaceiros" mas ainda não apareceu ninguém com ideias inovadoras capazes de tirar o país deste circulo vicioso, desta luta entre uma aristocracia, rural, conservadora e reaccionária (à qual se aliaram a esquerda num remake nacional socialista) e a burguesia liberal que pretende viver democraticamente mas que também não consegue ter uma noção clara e esclarecida daquilo que, para nós, é a Democracia. Por detrás deste debate existe sempre outro, nunca debatido, por ser tabu, que é a luta entre os apoiantes e presumidos não apoiantes da Monarquia.

Fala-se muito de que este é a última oportunidade do PAD actuar e ser utilizado como o ponta de lança nesta luta. Ontem mesmo os sloganes que tinham nos palcos falavam da "Last War" e a minha leitura é de que estamos mesmo na última batalha mas como última chance dada pelos poderosos poderes por detrás do PAD para que consigam "limpar o país de Thaksin e dos seus apoiantes" ou seja de um dos pilares daquela luta e conseguir-se instalar um poder onde os órgãos não sejam eleitos pelo povo cujos votos aqueles compra. Isso mesmo afirmou Sondhi na Quinta-feira à CNN:

Parece confuso mas este é o cerne da questão na luta neste momento em Bangkok