segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Salário Mínimo

O governo de Abhisit pretende rever o salário mínimo diário e proceder a um ajuste de grande relevância.

Actualmente o salário mínimo de referência é diferente de província para província sendo o mais alto em Bangkok 206 baht (pouco mais de 5 €) por dia.

Existem no país cerca de 2 milhões de trabalhadores ilegais, número reconhecido por todas as entidades, que se vêm na maioria dos casos sujeitos a receber salários inferiores alimentando deste modo muitas indústrias que se valem disso para competir no mercado dos baixos custos salariais. Em Bangkok é normal na indústria de construção encontrar largos contingentes de trabalhadores ilegais, fundamentalmente vindos da Birmânia. Contudo o grosso da mão-de-obra encontra-se na indústria sendo que a do camarão congelado (a Tailândia é o maior exportador Mundial de camarão) é aquela que tem maior contigentes.

Abhisit pretende aumentar o salário mínimo para 250 baht e uniformizá-lo para todo o país mas está a enfrentar uma grande oposição por parte dos empresários e das várias associações sectoriais. Como é óbvio conta com o total apoio das organizações sindicais mas arrisca-se, com uma medida tão ousada, 21% de aumento nos casos mais baixos e 66% nos casos mais altos, a ver o tiro fazer ricochete nos seus pés.
A medida proposta por Abhisit parece ter sido pouco elaborada. A maioria das pessoas está de acordo com um razoável aumento mas a ideia da criação de uma salário mínimo de aplicação nacional parece totalmente fora da realidade e se avançar irá por certo criar mais instabilidade do que beneficiar os trabalhadores.

Uma delas veio hoje a público dizer que se o PM vai avante com a sua iniciativa isso vai siginificar um aumento do fluxo de ilegais vindos dos parisses vizinhos. O à-vontade com que uma associação sectorial fala de uma questão que é não só ilegal como violadora dos direitos humanos (a Tailândia é neste momento o presidente do Human Rights Council das NU), seria de espantar e criticar se o próprio sector público não fizesse de igual modo coro sobre a questão.

O Bangkok Post publica hoje um quadro do Serviço Nacional de Estatística com os diferentes salários mínimos e os salários médios, nas províncias onde é mais elevado e onde é mais baixo, e nele pode ver-se, repito fonte de uma entidade governamental, que nas três províncias onde ele é mais baixo o salário médio é inferior ao salário mínimo.

Sem comentários.

sábado, 9 de outubro de 2010

A Sagres





Majestática subiu hoje pela manhã o Chao Phraya atracando por volta das 10.10 ao cais OB do porto de Bangkok.

A Sagres trouxe com ela tanto que não sei descrever.

Para além dos nossos Embaixadores havia várias personalidades a aguardar a "Velha Senhora" mas mais do que esses a melhor parte foi oferecida pelas crianças da Escola de Santa Cruz e pelos alunos da Universidade de Thammasat, num esforço de organização dos funcionários da nossa representação, que tanto dão ao nosso país. No fim tanta gente, alunos e professores que muito sentem e amam Portugal

Deixo algumas imagens que falam muito mais daquilo que não seria capaz de escrever.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sagres em Bangkok

Como parte da viagem de Circum-Navegação iniciada a 15 de Janeiro em Lisboa, a Sagres atracará ao porto de Bangkok no próximo dia 9 de Outubro e aí ficará até ao dia 14 continuando depois a sua viagem.

A visita marca o início das Comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao reino do Sião, que se celebra em 2011, e a visita deste magnífico veleiro é uma marco importante nas relações dos dois países e uma oportunidade rara para os tailandeses de poderem ver um dos mais antigos e bonitos barcos ainda em utilização.

A Sagres estará acostada no porto de Bangkok, em Klong Toei no cais OB, e poderá ser visitada por todos de acordo com o seguinte calendário: Sábado 9 das 14.00-18.00 e das 20.00-22.00 horas, Domingo dia 10 das 10.00-12.00, 14.00-1800 e 20.00-22.00 horas, Segunda dia 11 das 15.00-18.00 e 20.00-22.00, Terça dia 12 das 10.00-12.00 e Quarta dia 13 das 10.00-12.00 e14.00-18.00.

A não perder

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sinistro

Na passada Sexta-feira o aeroporto da capital foi palco de mais um incidente difícil de explicar mas não difícil de entender porque acontece. O triângulo política, uniformes e interesses económicos de tudo é capaz e a impunidade ajuda.

Cerca de 200 homens vestidos de preto e de cabeça coberta tomaram de assalto um dos parques do aeroporto, controlando todos os acessos e saídas. Quem foi apanhado no meio veio a sofrer a indecisão de sabe o que ia acontecer, se violência ia ser utilizada, etc.

Os caixeiros foram pontapeados para fora do recinto e há notícias de passageiros terem de igual modo sido molestados inclusive intimidados com disparos.

E tudo isto aparentemente porque existe um conflito acerca de novas regra que a AOT (Airports of Thailand) quer introduzir no contrato entre esta companhia e o concessionário dos parques de estacionamento, uma empresa detida por um "cabeça de turco" de Nevin Chidchob. A AOT depende do Ministério dos Transportes, pasta pertencente á quota BJT ou seja Nevin.

Nada de novo no país onde tudo é comandado pelos interesses de grupos sempre intrinsecamente ligados á política e aos seus actores.

O importante é que, e de acordo com o que se relata hoje em editorial no The Nation:

"Nenhuma informação foi dado ao público, a AOT fechou os olhos e ou ouvidos ao acontecimento, a segurança do aeroporto não actuou deixando os "homens de negro" operar livremente, o CRES, o controlo operacional do Estado de Emergência (sim estamos sob o estado de Emergência por mais três meses), nada controlou, o ministro responsável pela segurança Suthep, nada disse, o patrão dele, o PM Abhisit, também não e as forças armadas, apesar desta enorme falha na segurança, nada comentaram igualmente."

Hoje vêm também a público que os 200 "homens de preto", tal qual os acusados pelo governo de durante os distúrbios de Abril-Maio actuarem ao lado dos vermelhos contra as forças do executivo, são nem mais nem menos do que militares dirigidos por um coronel do exército, homem forte em duas províncias do leste do país, contratados para actuar em defesa de interesses económicos suspeitos mas onde se encontram sempre uniformes em posições de destaque.

Conclui aquele editorial – alguns pensam que estes "homens de preto" intimidam e na Tailândia pós 19 de Maio isso para além de ser verdade é arrepiante.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

1 de Outubro

Dois comentários simples e distintos para hoje Sexta-feira 1 de Outubro dia que dá início ao novo ano fiscal tailandês, dia que também é marcado pelas mudanças em muitos postos quer na função pública quer nas forças armadas quer na polícia.

a) Acabou de me chegar à caixa de correio a mensagem sobre um escrito que alguém fez sobre coisas que não presenciou mas sobre as quais emite opiniões baseadas em "amigos que por lá passaram". Ás vezes até se pode comentar factos alheios mas será sempre conveniente verificar as fontes pois o comentário que leio nada tem, mesmo nada, com o que aconteceu.

Faz-me lembrar a história daquele repórter que elabora, e o jornal publica, um largo relato sobre um evento que afinal acabou por não acontecer mas como ele não foi lá achou que poderia "imaginar" os factos e transmiti-los dessa forma ao mundo. No fim do que se trata aqui é de mentir ou talvez pior enganar propositadamente terceiros.

b) O Centro para a Resolução do Estado de Emergência (CRES), entidade criada na sequência da declaração do Estado de Emergência (EM) em Abril passado que funciona como o comando geral que faz a análise da situação do país no que respeita segurança e consequentemente aconselha o governo sobre as acções a tomar tem vindo a ser contestado na sua insistência em manter o EM em várias províncias do país. Há dois dias a comissão do Senado que segue as questões de segurança apelou ao levantamento daquela medida. Muitas e diversas entidades publicas e privadas se manifestaram igualmente contra a continuação da situação.

A resposta para a "teimosia" talvez se encontre no facto de os oficiais colocados no CRES receberem generosos per diem. Enquanto no Sul do país, onde todos os dias morrem militares ao serviço do país, os membros das forças aí destacadas recebem 180 baht diários aqueles "aquartelados" no ar condicionado do 11º regimento de Infantaria recebem 400 baht e o CRES tem um orçamento diário de quase 350.000 Euros.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Saber Ouvir e Aprender

Os estrangeiros são por norma acusados de "nada entenderem sobre a Tailândia " e de estarem mal informados. Estes são argumentos múltiplas vezes usados pelo Governo (em comunicados oficiais) ou por forças que não gostam daquilo que ouvem ou lêem.

Na realidade entender a cultura, o pensar e o sentir dos tailandeses requer uma longa ambientação e um profundo sentido de abertura a ideias e conceitos que são por vezes "estranhos" para uma mente ocidentalizada e desse modo habituada a padrões de raciocínio bastantes diferentes.

Aquela afirmação é portanto em muitos casos bastante correcta mas, como sempre, a generalização é um pecado a não cometer.

Conheço este país, convivo com a sua gente, quer na cidade quer no campo ou em muitas outras cidades longe da enorme metrópole que é Bangkok há mais de 6 anos e mesmo assim estou a aprender diariamente e considero-me um aluno diligente pois sei bem que conhecer um povo e uma cultura por ele representada é uma longa e árdua tarefa.

Vem tudo isto a propósito de uma conferência que hoje ocorreu no Instituto de Estudos Internacionais e de Segurança da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Chulalongkorn (ISIS), com o seguinte tema: Thailand Troubles – Long Time Resident Foreigners Prespectives.

Falaram então hoje pessoas residentes na Tailândia há bastante tempo sobre os acontecimentos políticos recentes e sobre as perspectivas de futuro no que respeita a tão ansiada reconciliação nacional que permita ao país caminhar a um ritmo mais rápido que as capacidades e anseios do seu povo permite e desejam. Sala cheia para ouvir os três oradores.

O primeiro comentário que quero fazer foi dito por uma jornalista sénior tailandesa que afirmou que os oradores conheciam mais do país dela do que a grande maioria dos seus compatriotas.

Dos três oradores o primeiro foi um ex banqueiro no país, hoje Assessor do Banco da China e consultor de várias empresas na região e que vive na Tailândia há 31 anos; o segundo um ex professor, jornalista e actual Director de uma consultora que vive há 35 anos no país e o último um jovem licenciado em direito que decidiu vir para a Tailândia quando ainda não havia electricidade nas aldeias na província, onde começou a ensinar, mais tarde ingressou na Universidade de Chulalongkorn, onde se doutorou e de onde acabou por se jubilar como catedrático e vive neste país há 56 anos.

Todos com profundas raízes no país, mulheres, filhos, trabalho académico e produtivo realizado e falando tailandês como qualquer nacional.

Estava-mos assim perante um painel de tailandeses de adopção e de pessoas que dedicaram muito da sua vida a estudar fundamentalmente os aspectos sócio-económico-politicos do país tendo produzido inúmeros "papers" sobre a matéria.

A sessão foi longa, extremamente participada e ilustrativa e não irei mais do que referir algumas mensagens que deixaram.

"Actual governo mostrou ao dar três anos às comissões que criou para estudarem as necessidades do sistema politico tailandês que conduzam a uma reconciliação, que quando esteve na oposição durante 6 anos não fez o trabalho de casa e não têm uma visão daquilo que quer para o país". "O PAD e a UDD não são capazes de mostrar nada mais do que a oposição a posições que não lhes são favoráveis. Nenhum movimento tem, igualmente uma noção daquilo que podem oferecer se fossem chamados a governar"

Estas afirmações são uma clara descrição daquilo que é o sistema político-partidário que nada mais se interessa do que na distribuição de lugares e do orçamento que lhe está associado.

"Desde o final dos acontecimentos de Maio foram encerrados 210.000 sítios de internet, o que não é um bom sinal para uma desejada reconciliação".

"O sistema educacional tailandês está desenhado para uma economia baseada na exploração dos recursos naturais e oferta de mão-de-obra barata e não para uma economia baseada no valor acrescentado e inovação".

Na realidade a Tailândia tem todas as condições para poder, e dever, concorrer com os seus mais directos rivais em termos económicos elevando a qualidade da sua oferta mas com o sistema educativo a ficar cada vez mais para trás em relação àqueles concorrentes isso torna-se difícil.

"Na guerra das políticas económicas Thaksin ganhou pois ele introduziu melhorias. O governo actual limitou-se a manter ou mesmo expandir os benefícios anteriores mas como isso já não constitui novidade os louros vão para o fugitivo ex PM"

É uma constatação interessante. Embora as políticas sejam as mesmas ou estejam inclusive melhoradas os beneficiários não sentem que haja nada de novo e este governo consequentemente não beneficia do facto.

Muito se falou sobre as mudanças na sociedade e as exigências vindas da vida rural. Neste particular foi também analisada a transformação que se registará nos próximos 20 anos no país pelo facto da população rural estar envelhecida e o facto de o sector agrícola já contar só para cerca de 10% do PIB. O que foi contudo mais falado foi a grande transformação da consciência das gentes no campo. Dantes a noção de direitos, regalias, exigências estava arredada de todo do pensar nas aldeias, hoje tal facto não se verifica e há uma cada vez maior "urbanização" do pensar colectivo rural.

O terceiro orador disse que quando começou a viver numa aldeia no Nordeste e estava a ensinar entendeu uma vez fazer uma comparação com uma situação que se vivia e o conflito no canal do Suez. No fim dizia um aldeão para outro: "O que é que isto tem a ver com o arroz?" Também, e na sua ingenuidade de recem licenciado em direito, ao ver os abusos que eram cometidos sobre as pessoas logo lhe ocorreu que elas deveriam accionar os perpetradores de tais abusos. Tal facto era tão alheio ao dia a dia das pessoas que não só não tinham posses para tal como a hierarquização da sociedade nunca tal permitiria. Como se diz em bom português – "come a cala-te"! A situação actual é diferente. Existe uma consciência e noção daquilo que se pede e há claras ideias quanto aquilo que se quer ver no futuro. As mentes estão alertas e o espírito comunitário fortemente desenvolvido.

No sítio do ISIS podem os interessados encontrar mais informação já que a sessão ter muito, mesmo muito, mais para contar do que as simples notas que tomei.

Em conclusão nem todos os estrangeiros são estúpidos, mal informados ou incapazes de entender a Tailândia como muitas vozes apregoam e por vezes uma visão de fora é algo que também se deve ouvir. Aliás saber ouvir é a melhor maneira para aprender.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tráfico de Armas


"Apontamos o dedo a homens como Viktor Bout pelo facto de manchar a imagem da Tailândia mas é a elite militar e política que transformou este país num terreno aberto para o tráfico ilícito de armas" é este o destaque quê se vê hoje no editorial do jornal The Nation num texto acerca da constante desaparecimento de armas e munições dos arsenais militares.

Neste mês de Setembro houve dois incidentes deste tipo (desaparecimento de largos milhares de munições e centenas de granadas do arsenal de Lop Buri) mas o editorialista refere isso ser uma constante e que os tailandeses não deveriam estar surpreendidos pois tal não é mais nada do que o "reflexo de uma cultura de impunidade existente no país".

No Sul do país existe um verdadeiro mercado de armas ligeiras e munições a céu aberto tal qual qualquer mercado de rua no resto do país. Pode mesmo regatear-se o preço de uma bala ou de uma granada e todas elas são provenientes dos arsenais militares.

No corpo do artigo o editorialista refere uma outra grande verdade, que infelizmente se passa em todo o mundo quando estamos a lidar com traficantes.

Diz o jornalista que a patente mais elevada que alguma vez é acusada neste casos é a de sargento e nunca um general viu o dedo ser-lhe apontado.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Chiranuch Premchaiporn é uma activista pelos direitos da liberdade de expressão que faz a gestão de um muito conhecido sítio de internet, o Prachathai. Na Sexta-feira foi detida pela segunda vez no período de dois anos alegadamente por permitir que no fórum estejam escritos comentários tidos por serem contra a monarquia.

Chegava de Helsínquia vinda de conferência sobre liberdade de imprensa occorida em Budapeste quando foi detida no aeroporto para mais tarde ser libertada por o juíz de Khon Kaen para onde foi levada, pagando uma "gorda" caução.

Hoje nos dois principais jornais de língua inglesa na capital vêm artigos, um o editorial e outro um artigo de opinião sobre o caso.

No editorial do The Nation alega-se que no momento em que existem tantas iniciativas no sentido de encontrar formas para a reconciliação de uma Nação dividida a prisão de Chiranuch é " pouco feliz e politicamente incorrecta", como reza o título. Penso que Tulsathit, o editir chefe, afirma que quem conhece a activista sabe bem que ela é tudo menos uma ameaça para a segurança nacional e nada mais é do que uma voz radical, comparando-a à da ASTV, a televisão amarela, e anota a continuação da política de duas atitudes do governo para contra aqueles que têm opiniões divergentes. Os amarelos nunca são incomodados nem presos e se isso acontece são de imediato libertados sem fianças enquanto no campo oposto se passa o contrário. Lembre-se que continuam detidos centenas de militantes vermelhos desde Maio sem que contra eles tenha sido produzida nenhuma acusação.

No Bangkok Post o artigo de opinião é assinado por Thitinan Pongsuthirak, professor de Ciência Política da Universidade de Chulalongkorn, Director do Centro de Estudos Internacionais e de Segurança e professor convidado da Universidade de Stanford na Califórnia.

Thitinan vai mais longe na sua análise e lembra que quem está à frente dos destinos do país é Abhisit ele, como muitos outros, um jovem professor e activista no passado por direitos que agora vê serem negados bem em frente do seu nariz. Thitinan, professor da mesma geração de Abhisit, lembra que o caso de Chiranuch é a ponta visível de um icebergue volumoso existente em todo o país e representado por tantos outros casos de falta de liberdade de expressão, detenções arbitrárias e medo das pessoas.

Thitinan acaba com um desafio a Abhisit dizendo que o caso Chiranuch é uma teste á rectidão moral do PM.

Entretanto o Abhisit, presentemente em Nova Iorque para participar na Assembleia-geral das Nações Unidas, foi recebido à saída do hotel onde se hospedou por uma manifestação vermelha na qual as pessoas o apelidavam de "assassino", por certo fazendo lembrar as mortes ocorridas durante os sangrentos confrontos de Abril/Maio deste ano em Bangkok. Tais vídeos ou mesmo imagens não foram mostradas na comunicação social tailandesa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Exemplo de Justiça

Khunying Potjaman na Pombejra a ex mulher de Thaksin Shinawatra foi hoje condenada por uma decisão do tribunal a restituir ao fundo gerido pelo Banco da Tailândia o terreno que tinha comprado em 2003 e esse fundo foi condenado a devolver a Potjaman o valor por ela pago acrescido dos juros legais.

Mais uma decisão judicial que deixa algumas questões por responder. Vejamos os factos

A, então, mulher do, também então, Primeiro-ministro licitou para comprar aquele terreno que era propriedade de um fundo de investimentos gerido pelo banco central. A sua proposta foi a mais alta e ganhou. Para assinar o contracto de compra e venda a senhora teve de obter a assinatura do seu marido no acto.

De um ponto de vista ético o negócio não é transparente já que um dos intervenientes tinha uma relação de privilégio com o Primeiro-ministro do país. Do ponto de vista jurídico é mais controversa visto o fundo ter personalidade jurídica autónoma e ser gerido por uma entidade que à luz de todos os conceitos de finanças públicas internacionais é independente.

Após o golpe de estado de 2006, a Assets and Examiniation Commission, criada para apurar as responsabilidades de Thaksin nos casos de corrupção durante os seus mandados, avançou com uma queixa-crime com base neste caso e em Agosto de 2008 o tribunal decidiu.

E decidiu da seguinte forma: absolveu Khunying Potjaman de qualquer irregularidade no negócio mas condenou a dois anos de prisão efectiva, por conflito de interesses, o então já ex Primeiro-ministro Thaksin. Na sequência dessa condenação Thaksin fugiu do país, à frente dos olhos de toda a gente transportando 48 malas para uma viagem, dita de dois dias, para assistir á abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Conclusão a senhora saiu sem mácula e o negócio é confirmado como correcto pela sentença do tribunal e o senhor leva dois anos de cadeia por "conflito de interesses", pena que em qualquer país daria no máximo 6 meses de pena suspensa.

Esqueçamos esta introdução e vejamos agora a sentença de hoje.

Potjaman tem de devolver o terreno, não porque tivesse havido alguma irregularidade, facto confirmada pela sentença de 2008, mas porque o banco central, representado pelo seu fundo de investimentos, conseguiu nulificar a transacção. Então a transacção não tinha sido validade por uma anterior sentença transitada em julgado ou estamos em só mais um caso em que se pretende lavar a cara? Como é que uma transação tida por correcta por uma sentença judicial é nula para outra?

Sei que a lei é sempre controversa mas para isso é que existem tribunais e sentenças para que a interpretação seja feita e os diferentes pontos de vista clarificados.

Ou será que me engano?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pessoas Influentes

A mulher do acusador público da província de Surat Thani foi assassinada na terça-feira de forma violenta.

Deslocava-se num autocarro quando um homem entrou no veículo, a agarrou e disparou três tiros sobre a sua cabeça liquidando-a de imediato.

O caso infelizmente não seria notícia, e mesmo assim passa quase desconhecido nos jornais do dia, devido à regularidade deste tipo de ocorrências, se não fosse o caso de se relacionar este caso com o pai de um Ministro do gabinete Abhisit.

A senhora em questão era normal negociadora em terrenos e acabara de aprazar comprar do pai desse ministro uma parcela de terra para a qual tinha avançado com um sinal. O vendedor na impossibilidade de vender o terreno acordado propôs uma troca por outro terreno, só que esse terreno, aliás como outros na zona pertencentes a pessoas localmente influentes, eram terrenos do estado e ilegalmente transacionados. Note-se que esta é uma prática muito corrente no país onde burocratas estatais vendem terrenos em reservas naturais ou outras áreas pertencentes ao estado a especuladores em escrúpulos.

A compradora não gostou da troca e andou a investigar todo a processo até porque dizia que não queria ver o seu marido, acusador público como referi, envolvido em nenhum escândalo.

Costuma-se dizer que não se deve meter o nariz em negócios alheios e isso foi fatal para a mulher.

"Engraçado" é o marido ter vindo dizer que era natural a sua mulher ser ameaçada visto "estar a lidar com gente muito influente".

Hoje veio uma muito pequena notícia nos jornais sobre o assunto mas amanhã tal já estará esquecido e tudo voltará à normalidade ou seja á impunidade pois não será de crer que mais uma investigação envolvendo pessoas influentes, como o acusador público diz, possa levar a algum lado. Ou será que pelo facto de a vítima ser a mulher de um magistrado algo vai mudar?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amnistia

As eleições aproximam-se, ou pelo menos assim pensam vários partidos políticos, e as movimentações iniciam-se

Nevin Chidchob, o líder na sombra do Bhum Jai Thai (orgulho de ser tailandês) avançou com uma campanha para propor uma amnistia para todos aqueles que viram os seus direitos cerceados por factos políticos. Neste propósito seriam incluídos todos os militantes amarelos, vermelhos ou outros políticos que se viram destituídos dos seus direitos, Nevin incluído. O que é desconhecido é se Thaksin seria incluído nessa lista de amnistiáveis mas outros que estão presos e indiciados por terrorismo, crime muito mais grave do que o simples conflito de interesses pelo qual Thaksin está condenado, estariam incluídos segundo o proponente.

O BJT diz que é tempo de terminar com a política de duas faces (tal qual a UDD diz) pois se no passado houve amnistia para os casos políticos agora também se deve proceder do mesmo modo.

A ideia depois de ter sido desaprovada por Abhisit, veio a ser revigorada, num desafio do BJT que recebeu apoios de outros partidos mais pequenos. Uma larga campanha que se estende a todo o país foi lançada pelo próprio Nevin acompanhado de apoiantes seus vestidos com as camisolas do PAD e da UDD. O maior partido o oposicionista Pheu Thai olha com desconfiança para a proposta pois conhecem bem demais Nevin para saber que nunca é capaz de dar ponto sem nó.

Depois de resolvida a questão do orçamento e da remodelação nas forças armadas, onde se jogam sempre grandes paradas, e de tal ter corrido a contento do BJT, o partido sente-se agora mais forte para avançar para a posição tão ambicionada de ser a chave na formação de qualquer governo no país já que o mais provável, nas próximas eleições, será não haver nenhum partido com o numero suficiente de Deputados para formar uma maioria e assim o BJT terá sempre a escolha de se virar para um lado ou para o outro. Note-se que o partido não é alérgico a nenhuma cor embora a sua cor preferida seja o verde (dos dólares) e não o azul que Nevin exibe na fotografia qual Maradona sempre a retribuir o dinheiro investido pelos seus patrocinadores, neste caso a cerveja Chang.

Também o facto de no passado dia 19, o dia da comemoração dos aniversários, 4/4, o BJT ter sido capaz de levar a cabo um importante comício no Nordeste do país com o objectivo de lançar o seu movimento pela defesa da Monarquia, reforçou essa ideia existente no partido de que estão com a força necessária para se aventurar e lançar farpas mais afiadas contra o PM Abhisit e o seu partido Democrata o verdadeiro perdedor em todas estas lutas.


Quem manda?

Tulsathit Taptim, o Editor do jornal The Nation, é, a para do seu patrão Sutichai Yoon, um dos principais colunistas do jornal.

Ambos são tidos por muito próximos do actual poder, como anteriormente referi, mas ambos têm uma qualidade presente sempre nos bons jornalistas que é a de não serem "cegos" e apesar da linha de opinião em que acreditam são capazes de ver o que se passa em redor.

Hoje Tulsathit escreve um artigo de opinião intitulado "Não confiamos uns nos outros inclusive no mais simples pormenor" onde aborda o caso da concessão das licenças de telefonia de 3ª geração.

A história é basicamente a seguinte:

Na sequência da entrada em vigor da Constituição de 1997 deveria ter sido constituída uma comissão nacional reguladora dos serviços de tele e rádio difusão. Acontece que as lutas pela partilha do poder e por controlo dos acessos às bandas de rádio fez que essa comissão nunca se constituísse. O golpe de estado de 2006 veio revogar a Constituição de 1997 e com isso introduzir mais confusão e permitir todo o tipo de interpretações sobre as questões pendentes de aplicação baseadas na anterior lei fundamental. Conclusão: passados 13 anos existe uma comissão mas não é claro se essa comissão tem poderes e se os tem quais os poderes que tem.

Decidiu essa comissão avançar com o mais que atrasado concurso para a atribuição de licenças de telefonia de 3ª geração. O processo iniciou-se, apresentaram-se concorrentes e no exacto momento em que se deveria ter dado início ao leilão, vem um dos incumbentes apelar para o Tribunal Administrativo alegando que a comissão não tem competência conseguindo com isso parar todo o processo.

A credibilidade internacional do país ficou uma vez mais abalada pois na realidade é difícil para os investidores estrangeiros, a principal fonte de criação de riqueza no país, prosseguirem os seus objectivos quando têm de trabalhar num terreno tão pantanoso e cheio de incertezas.

Como diz Thulsathip " ao fim de treze anos (ele escreve bloody years), ainda estamos a discutir quem tem a autoridade. Cada vez que damos um passo para a frente damos dois passos de gigante para trás". Comparando a Tailândia com o Laos e o Camboja, países que fazem parte da lista dos países menos desenvolvidos, diz que "se um tailandês for a esses países o melhor é não dizer de onde vem", tocando numa tecla fundamental do orgulho tailandês que é o facto de verem os seus vizinhos bem mais atrás em termos de desenvolvimento que não em termos de acesso ás novas tecnologias. "Como foi possível que os nossos vizinhos nos deixassem no pó do seu chão no que toca à tecnologia de 3ª geração", pergunta à frente Tulsathit!

Afirma o articulista que a próxima vez que ouvir alguém apelar ao "interesse nacional" ou o agarram ou ele cometerá um massacre. "Todos e cada um dos grupos da sociedade estão tão somente interessados no seu próprio ganho pessoal ou corporativo e nada lhes diz o interesse geral".

Esta questão do poder dos grupos de interesses existentes numa sociedade se por um lado pode ser considerado positivo na realidade aqui não o é pois não existe nem uma entidade reguladora independente nem quem defenda os direitos dos consumidores e ponha travão nas disputas dos vários grupos unicamente ansiosos dos possíveis ganhos existentes nos grandes projectos.

Muitos outros exemplos há neste particular e basta referir a linha de metro até ao aeroporto que só entrou em funcionamento 9 meses depois de ter sido dada como apta a funcionar pelo consórcio que a construiu porque se debatiam os vários ministérios sobre quem iria fazer a gestão do projecto ou seja quem vai ter acesso aos futoros concurso (ganhos) para a expansão e compra de materiais, já que a exploração é por si deficitária. Caso muito semelhante aconteceu com a extensão do metro aéreo e, se bem que estejam em funcionamento duas estações ainda não está esclarecido quem é o operador para essa extensão.

Atribulações duma casa onde o patrão não manda.
Entretanto alegre-se o país. Nadal vem jogar o Tailand Open e essa é a grande notícia do dia com fotografias de primeira página por todo o lado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Golpe

Ontem, como já referi, o Bangkok Post fazia uma alargada análise dos quatro anos que se passaram sobre o Golpe de Estado que depôs o governo de Thaksin Shinawatra e concluía que o país ainda estava a calcular os prejuízos causados para a economia e para a democracia.

Interessante ver que passados estes quatro anos a generalidade da comunicação social, incluindo a mais próxima do regime, como o citado periódico e outros, não se coíbem em apontar o dedo aos erros que foram cometidos, não com o golpe em si mas com as acções levadas a cabo na sua sequencia e que ao contrário do propósito anunciado de devolver a democracia ao país ainda criou maiores fricções e divisões como se vem constatando ao longo destes anos de marés amarelas e vermelhas.

Na realidade o golpe de 2006 tinha por objectivo terminar com o regime corrupto e autoritário de Thaksin e restabelecer um regime com respeito pelos direitos democráticos dos cidadãos mas falhou completamente.

Ao fim deste quatro anos Thaksin não foi acusado em mais nada do que abuso de poder e conflito de interesses, quando havia mais do que matéria para o condenar a largos anos atrás das grades e, como no caso vertente em que ele anda fugido, ter matéria legal suficiente para iniciar um processo de extradição. Repare-se que neste último aspecto nunca foi apresentado a nenhum país ou à Interpol, um pedido de extradição, ao contrário de amiúde referido por altas personagens do poder, porque na realidade tal é impossível com as condenações de que Thaksin foi alvo.

O golpe de estado produziu uma Constituição que deveria ser o novo mapa para dinamizar a vida democratica no país mas tem sido o oposto e um terreno de constantes discussões e causador de divisões. Recorde-se que Abhisit anda há mais de um ano a anunciar intenções de rever o texto fundamental, aliás como está escrito no seu programa de governo, mas tal têm-se mostrado impossível e parece a historia do cobertor pequeno demais para tapar os pés e a cabeça. Puxa de um lado há gritos e vice-versa.


O governo actual que era pressuposto ser o governo capaz de impor ordem e o respeito pela lei de modo a que o país evoluísse no sentindo de um maior respeito pelas normas tem tido enormes dificuldades em poder fazer valer os seus pontos de vista e o seu programa.

Veja-se três casos muito recentes onde se mostra que o poder é fluído e existe uma noção de incerteza em tudo. Na realidade existem mais do que um poder.

O caso do traficante de armas russo Viktor Bout. Em Agosto o Supremo Tribunal condenou-o a ser extraditado, tendo mesmo os EEUU enviado um avião para o levar. O caso está de novo envolto em mistérios e ninguém sabe o que é que vai acontecer nem se a sentença vai ou não ser executada.

O caso com a Árábia Saudita: a promoção para um posto no comando superior na Polícia de um general acusado, com julgamento marcado para Novembro, de crime de abducção de um saudita, relevante testemunha no caso do roubo e desaparecimento de um diamante da casa reinante saudita. Os diplomatas sauditas na capital declararam-se estupefactos com o caso, já se reuniram com o MNE Kasit, com Suthep e com o próprio Abhisit sobre o caso mas continuam a dizer que ainda não receberam nenhuma explicação formal sobre o caso e ameaçam fechar a representação na capital. A Arábia Saudita é uma importante fonte de turismo, especialmente no campo da saúde, e também uma fonte importante de receitas de remessas de tailandeses a trabalhar no médio oriente.


O terceiro caso é o da atribuição das licenças móveis de 3ª geração. O processo iniciou-se, apresentaram-se companhias a concurso (a primeira derrota foi não ter aparecido nenhuma companhia estrangeira apesar dos enormes esforços levados a cabo pelo Ministério da Economia), foram aceites os actuais três operadores móveis, fizeram os respectivos depósitos no valor de centenas de milhões de Euros, e quase ao soar do gongo vem o Tribunal Administrativo parar o concurso declarando que a entidade reguladora não tem competência para o realizar. Note-se que a constituição desta entidade vem de 1997 e até agora não foi possível haver consensos sobre a sua constituição fundamentalmente pela pressão feita junto das entidades competentes por parte dos militares que querem continuar a ter o controlo sobre todo o sector de radiodifusão nacional. Abhisit ontem na televisão tentava explicar esta questão mas sem o conseguir.

O poder é actualmente tão fluído e tão volátil que o país muda de direcção com um levíssimo sopro.

Os únicos que ganharam desde 2006 foram as instituições militares. O orçamento do Ministério da Defesa aumentou de 85 para 154 mil milhões de baht comparando o ano fiscal de 2006 e o de 2010 e passará para 170 mil milhões, ou seja o dobro, no próximo orçamento que entra em vigor no dia 1 de Outubro de 2010.

Mais de 100% em quatro anos é obra mas há que notar que a Tailândia é o país no mundo que tem mais oficiais de patente de general em comparação com o número de efectivos nas forças armadas. Actualmente, só no exército há 1.100 oficiais generais!

domingo, 19 de setembro de 2010

4/4

Comemora-se hoje o dia que foi apelidado pelo movimento vermelho o 4/4.

Quatro anos do golpe de Setembro de 2006 que depôs o governo de Thaksin e quatro meses sobre o avanço das tropas leais ao governo de Abhisit contra os manifestantes vermelhos pondo fim à ocupação do centro de Bangkok que causou 91 mortos e cerca de 2.000 feridos.

O quatro é o número que os chineses associam à morte visto a sua sonoridade ser semelhante à palavra “morte”, “azar”.

Diz hoje o Bangkok Post, no seu editorial, que passados quatro anos o país ainda está a fazer as contas aos prejuízos económicos e democráticos causados pelo golpe de estado.

Passados também quatro meses sobre o final dos incidentes de Rajaprasong continuam a haver, oficialmente , 212 presos sem acusação tendo muitos deles já ultrapassado o prazo legal para a detenção sem acusação em condições normais mas o facto d estarem presos ao abrigo do Estado de Emergência permite que tal aconteça.

Por outro lado as várias comissões constituídas para investigar o sucedido e a causa das mortes não conseguiram ainda começar a produzir trabalho fundamentalmente pelo facto de não possuírem orçamento para tal. Num encontro que recentemente tive com o presidente de uma dessas comissões, nomeado pelo Primeiro Ministro, ele referia-me que tem estado a funcionar com pessoal cedido em regime de part-time por vários ministérios e ele próprio subsidia do seu bolso várias actividades da comissão.

A UDD anunciou uma conjunto largo de manifestações simbólicas que terminam com um comício em Chiang Mai no qual são esperadas cerca de 20.000 pessoas. Em Bangkok serão colocadas flores junto das prisões onde se encontram militantes da causa, fitas vermelhas em Rajaprasong e lançados balões para lembrar a ocasião. Há também cerimónias religiosas em vários templos para lembrar todos os que morreram nos recentes confrontos.

Faz hoje também um ano que o monarca, Rama IX, se encontra hospitalizado no hospital Sisiraj mas os jornais não fazem disso eco.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dissolução à Vista?

A Comissão Eleitoral (CE) decidiu uma votação de 4 -1 recomendar a dissolução do partido líder da coligação no governo, o Democrata por este ter recebido uma doação de 258 milhões de baht ilegal e também pelo alegado desvio de um fundo de desenvolvimento de 29 milhões de baht posto à disposição do partido pela CE.

O uso indevido de fundos da CE pode ser o tiro de misericórdia que levará à dissolução do partido Democrata.

No passado houve oito outros pequenos partidos políticos que abusara dos mesmos fundos e todos os 8 foram considerados culpados e dissolvidos. O partido Democrata é o 9 a enfrentar as mesmas acusações e por isso vai ser muito interessante seguir o caso e analisar os argumentos usados para defender o partido e, de igual modo ver qual vai ser o veredicto do Supremo Tribunal em Novembro neste caso. Se for como no passado sentenciada a dissolução o mais antigo partido político na Tailândia deixam de existir.

A decisão da CE foi tomada em uma reunião especial presidida por Apichart Sukhagganond. Tinha sido o próprio Apichart a apresentar a recomendação á Comissão para apreciação. Em Dezembro do ano passado, a CE tinha decidido que Apichart, como o responsável pela área dos partidos políticos na CE, deveria decidir por si propor ou não a dissolução do Partido Democrata para o Tribunal Constituição. Aphichart contudo voltou a remeter o assunto ao plenário dos Comissários que decidiu como acima se refere.

A decisão é um golpe severo para o partido Democrata, cujo líder, e primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva está sob forte pressão também por parte dos "vermelhos" para dissolver o Parlamento e convocar uma eleição. Poderá agora encontrar uma motivação para avançar com a dissolução, por um lado indo de encontro ao pedido da UDD e do partido da oposição o Pheu Thai mas também para se antecipar á dissolução do seu partido tomando a liderara nessa necessária mudança.

O Partido Democrata, o mais antigo partido político na Tailândia, foi acusado de receber mais de 258 milhões de baht em doações ilegais da TPI Polene que usou na campanha para as eleições de 2005 e não procedeu á respectiva declaração.O partido foi também acusado de uso irregular do fundo da CE no valor de 29 milhões de baht. As constituições actuais e anteriores limites de doações individuais de 10 milhões de baht por ano.A TPI Polene, uma cimenteira, foi acusada de ter feito doações totalizando 258 milhões de baht aos democratas através da empresa Messhia, seu intermediário no sector de publicidade.

O Partido Democrata enfrenta assim a eventual dissolução e os seus executivos podem ser banidos da política por um período de cinco anos, se o Tribunal Constituição der seguimento à conclusão da CE. Apenas Korn o Ministro das Finanças e Chuan Leekpai (ex-PM) irão sobreviver já não são membros executivos do partido.

Nos bastidores diz-se que reina grande nervosismo na sede do Partido e que estão em estudo as várias alternativas deixadas quer pela Constituição quer pela Lei dos Partidos Políticos que permite a criação de "prateleiras" fantasmas para onde transitam os deputados não afectados pela impossibilidade de continuar a carreira política.

Como refiro acima a dissolução do Parlamento conjugada com uma operação cosmética ao partido poderá ser outra solução que se feita atempadamente poderá salvar mesmo os executivos da retirada dos direitos. O actual Pheu Thai é o "neto" do primeiro partido de Thaksin já que os seus dois antecessores foram dissolvidos e com isso 220 políticos estão de momento "oficialmente" foram de cena. Um desses é Nevin Chidchob que comenta ser esta a situação ideal pois não tem de ser expor do ponto de vista financeiro. Ontem mesmo um deputado do partido Democrata foi destituído e banido por 5 anos por não ter informado na sua declaração de bens que tinha dívidas no valor de 200 milhões de baht. Outro caso é o do partido de Barnhan Silpa-archa que se chamava Chart Thai Party e após ter sido dissolvido em 2008 chama-se agora Chart Thai Pattana Party e faz parte da coligação no governo quando antes estava do outro lado da bancada.

Muitas soluções podem ser encontradas mas será interessante ver como é que vai ser conduzido este caso da muito possível dissolução do partido base do actual poder.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sutichai Yoon é o Director do grupo editorial onde se inclui o jornal The Nation. Escreve de uma forma regular artigos de opinião assinados Thai Talk, que são por natureza controversos e objecto de muitos comentários.

Yoon é normalmente conotado com o ideário do PAD e por isso visto com desconfiança pelas hostes vermelhas o que já lhe granjeou alguns dissabores. Aliás o sentido editorial do grupo editorial que dirige cai, na maioria das vezes, para o lado amarelo, ou pelos menos assim é visto no contexto da catalogação de afiliações no seio da comunicação social.

Hoje escreve um artigo de opinião, a não perder, sobre o que são os Partidos Políticos na Tailândia que é uma análise dura e crua do sistema político partidário e da sua forma de funcionamento.

Acaba dizendo que será necessário um terramoto com muitas réplicas para ficar convencido de que existe luz no fundo do túnel. Pode igualmente acrescentar-se de que quase tudo o que vemos, analisamos ou discutimos como factos políticos de relevo são eventos de pequena importância comparado com a realidade daquilo que se passa nos bastidores. Há uma face visível para a comunicação social, intencionalmente mostrando uma realidade, e o reverso que é aquilo que Yoon descreve e nada tem a ver com o interesse dos cidadãos ou do país.

"Isto significa que espero muitas notícias más antes de sermos capazes de dar a volta", termina o jornalista.

Hoje também um estudo do Instituto Nacional de Estatística aponta o dedo a um problema que é o crescente endividamento dos funcionários público, actualmente 84,1% vivem acima das suas posses e estão endividados, cerca de 5% mais do que o que se verificava em 2006. A falta de dinheiro é sempre um mau conselheiro e por vezes as pessoas mostram-se demasiado criativas nas formas como tentam equilibrar as suas finanças.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Moto-Táxis e o Panorama Sociopolítico Tailandês

Claudio Sopranzetti está presentemente a preparar a sua tese de Doutoramento na Universidade de Harvard e o tema que escolheu para a sua dissertação está relacionado com o desenho sociopolítico de uma das camadas mais importantes no quotidiano tailandês – os condutores da moto-taxis em Bangkok.

Segundo uma entrevista recentemente feita a Cláudio por um jornalista francês, Arnaud Dubus para a cadeia Al Jazeera, existem cerca de 200.000 mototaxistas em Bangkok homens que se podem considerar os "reis desta cidade" visto conhecerem-na como ninguém. Desde as suas largas avenidas até às ruelas mais pequenas e impossíveis de aí se transitar eles tudo vasculham com todos contactam e a todos servem.

A sua organização a sua participação na vida política e a sua visão dos "dois mundos" como refere Cláudio, são relatos únicos e a não perder.

O Professor termina afirmando da consciência que esses homens (e algumas mulheres) têm de que se um dia param a cidade fica bloqueada e da força que isso lhes dá.

Estou curioso pela peça final que será a sua tese.

Entretanto a não perder esta estrevista.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pheu Thai


Sempre gostei muito da forma como os cartoonistas observam a realidade. O facto de utilizarem o desenho para caricaturar a sociedade permite-lhes observar os diferentes ângulos de um problema com muita maior acuidade do que muitas linhas de escritos.

Aqui em Bangkok há cartoonistas de muita qualidade que utilizam a sua arte para por vezes ousarem dizer aquilo que muitas vezes por palavras se torna difícil.

Não é o caso do cartoon de hoje do bangkok Post pois aquilo que mostra é uma evidência de há muito. As dificuldades do partido da oposição em encontrar uma liderança firme e livre das mãos do "mestre" em marionetas que é Thaksin.

Desde há tempos que penso, e tenho escrito, que o Phue Thai está em desagregação e não consegue encontrar um rumo e muito disso deve-se ao facto de não conseguir cortar o cordão umbilical com o ex PM. Todos os líders que tem tido nunca o são na realidade já que o líder de facto é o fugitivo ex-PM

Fazer isso contudo não é uma questão simples e basta para quem tenha algumas dúvidas fazer uma pequena viagem pela província que logo entenderá porque é que, mesmo se quiser, o Pheu Thai está enfeudado àquele que ainda continua a ser o primeiro-ministro de uma larguíssima franja no país. Tão larga que ainda muito recentemente o partido de Nevin Chidchob, o Bhum Jai Thai, que pretende vir a ser a força dominante no terreno thaksinista, afirmou que nas próximas eleições o Pheu Thai ainda sairá vencedor.

Há não muitos dias, em mais uma missão ao nordeste do país para contacto com as populações locais, perguntei porque é que as políticas deste governo, que são de uma forma geral cópias melhoradas das políticas utilizadas por Thaksin para o mundo rural, não têm a mesma aceitação por parte das populações. Note-se que o governo Abhisit não retirou nenhum dos benefícios anteriormente oferecidos por Thaksin e adicionou outros e mesmo assim não consegue "entrar no coração" (tradução literal da expressão tailandesa) das pessoas.

A resposta foi muito simples. Não há sintonia entre quem fazer a "entrega" e quem recebe. Dantes Thaksin, os seus Ministros e outros que faziam a política local estavam no terreno em permanência em contacto com as comunidades e as populações conseguiam fazer a ligação directa entre os benefícios percebidos e os doadores. O próprio Thaksin deslocava-se amiúde ao terreno onde se sentava e comia um "som tum" com o povo à beira da estrada.

Agora quem "decreta em Bangkok" são uns senhores bem apalavrados e bem vestidos que só são visíveis na televisão e os deputados eleitos localmente dedicam-se mais aos "prazeres" da metrópole do que ao convívio com os seus.

O Pheu Thai está moribundo, sangrando com deputados a saírem para outros partidos mas esses deputados não saem para ir estar juntos dos seus eleitores saem sim para se sentar à mesa onde é repartido o "grande bolo" do poder e as suas benesses.

Por um lado o Pheu Thai necessita de se tornar independente e capaz de ter uma estratégia motivadora e catalisadora mas por outro não pode cortar as cordas que o fazem mexer sob pena de se tornar ainda mais num passado de memórias.

Era bom que se pudesse assumir como um partido livre e capaz de exercer o seu dever democrático como oposição, mas parece não ser ainda nos anos mais próximos que o sistema político partidário vai ser um sistema baseado nos interesses e vontades das populações.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ambiente e Ma Tha Phut


Ma Tha Phut é um parque industrial situado no Sudeste da Tailândia que é simultaneamente o 8º mais importante conjunto petroquímico mundial.

Tem sido pano para discussões há já muitos anos devido aos alegados casos de intoxicação que os gases emitidos pelas indústrias aia implantadas provocam. O número de casos de diversos tipos de doenças, mortais ou causadoras de lesões profundas, é naquele local superior aos outros pontos do país.

O que se passa em Ma Tha Phut não será muito diferente do que se passa em muitos outros pontos por esse Mundo fora em que a sociedade industrializada vem tratando tão mal o planeta a que chamamos nosso e com o qual deveríamos viver em harmonia.

Há um ano atrás uma organização não governamental conseguiu que o Tribunal decidisse, na sequência de um apelo que fizeram, colocar um travão em mais 76 projectos que estariam para arrancar na zona.

Após apelo das empresas envolvidas, 11 desses projectos receberam luz verde mas 65 foram declarados não compatíveis com as necessidades de protecção ambientais dentro dos limites da razoabilidade.

Nessa altura ouviram-se as vozes de alegria dos residentes, muitos com graves problemas de saúde possivelmente causados pelo ambiente onde se vêm forçados a viver, e vozes de desagrado dos empresários, donos dos projectos e de autoridades que clamavam que tal decisão iria colocar um obstáculo ao crescimento da economia do país e seria uma machadada no já tão mal tratado apelo ao investimento estrangeiro a primeira fonte de emprego qualificado na Tailândia.

Abhisit colocou-se na posição possível de tentar encontrar uma solução para o problema que a economia do país enfrentaria e a necessidade de atender à situação dos residentes da tão mal tratada área.

Foi nomeada uma Comissão (mais uma no oceano de comissões que tudo estudam e nada concluem), presidida pelo ex PM Anand (também ele um eterno "salvador" das causas difíceis). Passou-se um ano, pouco ou nada foi modificado a não ser uma nova decisão do Supremo Tribunal que "libertou" a maioria dos projectos congelados e Ma Tha Phut vai ver erguerem-se mais torres, mais chaminés, mais fumos e mais poluição quer de solos, quer de águas quer do ar.

Os residentes na zona choravam a sua derrota mas essas lágrimas não serão suficientes para limpar os poluídos solos nem para criar chuvas que possam despoluir os céus.

Como mostra o cartoon de hoje do Bangkok Post, haveria sempre que salvar alguns e Abhisit foi isso mesmo que fez.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Combate à Corrupção

O Primeiro-Ministro Abhisit iniciou uma campanha contra a corrupção facto que lhe valerá por certo muitos inimigos mas que trará frutos para o país tão mal tratado por esta praga mundial. Merece por tal o aplauso.

Ontem no Conselho de Ministros só admitiu aprovar a compra de 96 veículos de combate para o exército à Ucrânia depois de ter obtido a garantia de que o contracto poderia ser anulado caso se verificasse que os carros entregues não correspondiam ás características requeridas como muitas vezes acontece. É quase uma norma as entregas serem de qualidade inferior à das propostas de modo a que o diferencial possa ser transferido para alguns bolsos mais sequiosos.

De igual modo veio a lume que dos 373 projectos em curso no sector de Prevenção Civil, 274 (uma enorme percentagem) tinham visto os seus fundos desviados para proveito próprio de agentes públicos.

Abhisit numa declaração hoje emitida aposta na eliminação desta praga até ao final do ano.

É uma declaração impossível de cumprir mas é uma declaração de grande valor pela disposição mostrada pelo PM em enfrentar esta questão que tão presente está no dia a dia da sociedade tailandesa.
Recorde-se que num estudo levado a cabo pela The Asian Society no ano passado cerca de 90% dos inquiridos dizia ser a corrupção um facto do dia a dia o que é sintomático da magnitude do problema. O gráfico apresentado acima, produzido pelo Banco Mundial, é referente a 2006 e já de si ilustrativo, mas desde então a Tailândia desceu mais 4 posições na lista mundial dos países onde existe mais corrupção.

Com esta atitude Abhisit irá por certo aumentar o número dos seus inimigos mas pode estar certo de que está a dar os passos correctos como já demonstrou nalguns casos recentes quando afrontou poderosos lobbies da socideade tailandesa. Lembremo-nos dos casos dos detectores de explosivos GT 2000, onde o exército gastou milhões na compra de um artefacto totalmente inútil, e também o caso passado com os parceiros de coligação Bhum Jai Thai Party que patrocinou o leasing de 4.000 autocarros opção impossível de sustentar visto a tremenda disparidade entre os custos (mais do que 4 vezes) para a solução compra com manutenção.

O PM tem contudo ainda pela frente uma tarefa de enorme dimensão.

A corrupção não é um problema da Tailândia é não é correcto apontar o dedo ao país já que até os "mais puros" são afectados o que deve ser realçado é a coragem do PM Abhisit em tentar enfrentar abertamente o problema sabendo mesmo das tremendas dificuldades que tem pela frente e dos poderosos lobbies instalados em todos os extractos da sociedade.