quarta-feira, 30 de julho de 2008

Dança das Cadeiras


Com a saída do Puean Pandin da coligação a há muito esperada remodelação governamental está mais do que eminente pois os "buracos" existentes no actual mapa do Governo já começam a notar-se em demasia.

Para além de todos os casos já existentes anteontem o Supremo Tribunal decidiu aceitar julgar a questão relacionada com o lançamento pelo Governo de Thaksin Shinawatra, daquilo que ficou conhecido como a Lotaria dos 2 e 3 dígitos.

Naquela altura o Governo decidiu lançar esta Lotaria sem olhar ás questões legais envolvidas e, ainda que o objectivo fosse louvável, retirar dinheiro do jogo ilegal que tem grandes porpoções aqui na Tailândia, o facto é que isso foi feito "em cima do joelho" e a utilização dos fundos obtidos também, ao que parece, não foi a mais cuidada.

Este caso acusa três membros do actual gabinete entre os quais o Vice-Primeiro Ministro e Ministro das Finanças, e constitucionalmente, o simples facto de o Supremo ter aceite a queixa implica que os Ministros devam cessar funções. Como tudo em Direito, a interpretação que fazem da lei é diferente e não se demitem, esperando por uma clarificação da clausula constitucional.

O facto é que a remodelação está eminente e fala-se já em nomes para os diferentes postos.

Se bem que de um ponto de vista geral aquilo que se pensa ser o novo Gabinete é, aparentemente, mais credível e mais tecnocrático, ao que a figura do novo MNE ajudou bastante, o facto é que na maioria se resume em "baralhar e dar de novo" com as mesmas caras em novos postos. Só aqueles que estão mesmo impedidos do exercicio da actividade são afastados.

Contudo, e ainda a fazer fé nos rumores, Samak ganha um pouco de forca e vê o seu único aliado, Sahas Banditkul, subir de posição com a atribuição para além do posto que já tem de Vice-Primeiro Ministro de uma pasta concreta, a dos Transportes onde se decidem grandes questões dos maiores projectos que este Governo quer implementar.

Vamos lá a ver se a musica que acompanhará a dança das cadeiras é bem interpretada e se o coro não vem, como diria o Zeca Afonso "gritar para a rua".

Flores ou cardos


Ainda ontem falava do copo meio cheio ou meio vazio e da necessidade de se ver o Mundo pela positiva, mas o dia a dia tem sempre passos á frente e passos atrás. Quando aqueles que se dão para a frente são mais consegue avançar-se positivamente.

Mais uma boa mensagem veio ontem á noite de Pnhom Pehn quando o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Nam Hong disse que o desenvolvimento das negociações mostrou que era desnecessário para o Cambodja solicitar a ajuda do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

De um ponto de vista formal o envolvimento do Conselho de Segurança, se fosse admitida á discussão o conflito entre os dois países, transformaria um mero assunto bilateral, ainda que complexo, numa questão de Direito Internacional e portanto escalaria para um patamar onde estaria aberto intervenção de terceiros na questão.

Com esta declaração o ambiente melhorou e mostrou-se por outro lado que a via bilateral de conversações, começada anteontem, é a que deve prevalecer.

Por este lado estamos a navegar hoje em águas menos tumultuosas contudo o dia não foi de satisfação para a coligação no Governo pois o terceiro maior Partido nela decidiu ontem retirar-se.

O Puean Pandin com 24 deputados numa maioria de 316 num Parlamento de 480 lugares, e que tem cinco membros seus no Governo, decidiu ontem que era tempo de se retirar devido a serem demasiados os diferentes pontos de vista sobre a forma como Governar e quais os pontos prioritários na condução do Governo.

Esta decisão que ira ainda fragilizar mais o Governo e a sua base de apoio não é contudo pacifica pois 13 dos Deputados do Puen Pandin estarão renitentes em seguir a linha do seu Presidente e poderão "saltar" de bancada para o PPP.

Certo é que o Governo terá alguns membros a menos, para além daqueles que tem perdido ao longo dos meses e a imagem de coesão no topo sai enfraquecida.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Tensão na fronteira


Ontem, e durante mais de 12 horas, estiveram reunidos os Ministros dos Negócios Estrangeiros da Tailândia e do Cambodja para tentar encontrar uma plataforma de entendimento para a tensão que se vive actualmente na zona da fronteira especialmente junto ao Templo de Khao Prah Viharn.

Desde o inicio de Junho e depois do anterior MNE ter assinado o documento que permitiu o Cambodja obter a aprovação pela UNESCO daquele templo como Património da Humanidade, que a oposição ao Governo aproveitou para lançar uma campanha de teor Nacionalista contra este "acto de alienação de território nacional", que levou a demissão do MNE na sequência da decisão do Tribunal Constitucional de que teria actuado de forma inconstitucional. Já me referi a isto no passado e nada há a acrescentar.

A tensão veio a subir de tom ao ponto de as tropas dos dois países se terem envolvido em violações territoriais reciprocas acabando estacionadas frente a frente em demonstração de força.

O Cambodja tentou envolver as Nações Unidas e a ASEAN mas a Tailândia consegui, pelo menos para já, reduzir a disputa para o nível bilateral e foi neste sentido que o novo Ministro iniciou ontem mesmo as negociações tendentes a apaziguar a situação e a encontrar uma saída para esta crise profunda entre os dois países membros da mesma alianca regional, a ASEAN.

Para já parece claro que existe de parte a parte vontade de encontrar uma via pacifica e viável para a solução conflito. Quer pela qualidade da correspondência trocada entre os dois PM, quer pela abertura das partes a sentarem-se a uma mesa para dialogar.

O primeiro sinal foi a acordo ontem obtido no sentido de fazer regressar as tropas as bases retirando para já esta sensação de conflito militar latente a passível de explodir a qualquer momento.

Foi igualmente decidido estabelecer um "joint committee" que decida o numero de tropas necessárias, de parte a parte, nos 4.6 km2 em disputa entre as provinciais de Si Sa Ket na Tailandia e Praeh Vihear no Cambodja.

Foi igualmente manifestada a vontade de que muito em breve não hajam tropas de nenhum lado estacionadas na zona.

Também foi dito na conferência final de que o primeiro encontro foi bem sucedido e que não foi o ultimo, o que significa que as partes continuam interessadas em dialogar.

Foi também decidido que o "Joint Boundary Commission" reatará as conversações sobre a demarcação da fronteira no local.

O sentimento entre os negociantes de ambas as partes é bastante positivo mas resta saber da capacidade de as forças populares, incitadas pelos sentimentos Nacionalistas de ambos os lados da fronteira, poderem igualmente saber esperar que a Diplomacia vença aquilo que as armas querem destruir que é a estabilidade entre dois povos "irmãos" quer na historia quer na vida moderna no seio da comunidade internacional.

Um perfeito exemplo disso é a reportagem dos dois jornais de língua inglesa em Bangkok. Enquanto para o Bangkok Post a reunião foi positiva para o The Nation a reunião foi um flop. A velha teoria do copo meio cheio ou meio vazio.

Será que olhar o Mundo pela positiva não é uma melhor opção?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

João Azeredo


O João era leitor de Português em Bangkok e por incumbência Adido Cultural da Embaixada de Portugal neste reino.

Faleceu, no seu posto, após uma estóica luta contra a doença que tão rapidamente lhe traiu a vontade de continuar a difundir a língua de Camões como o fazia há muito.

Como o Combustões escreve, mais do que lamentar, condena-se a ausência de Portugal nas suas exéquias.

Teve a sorte de ter muitos Tailandeses que apreciaram as suas qualidades e os seus ensinamentos e eles aí estiveram com ele.

Era um amigo e foi um colega.

Obrigado João pelo teu trabalho em prol do nosso País

Regresso

os contrastes de uma cidade


Depois de uma muito atribulada viagem, "courtesy" da Qatar Airways ( recomendo vivamente ver este link ), aqui estou de novo na Cidade dos Anjos e a trabalhar.

As novidades são muitas mas com tempo vos irei informando.

É sempre necessário um tempo de reentrada no ciclo normal da vida, especialmente depois de umas férias muito boas com a família em Portugal.

De qualquer maneira, que já há um novo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Tej Bunnag, um experiente Diplomata antigo Secretário Geral do MFA e Embaixador em Pequim, Paris, Nações Unidas e Washington, ontem empossado e que já hoje foi "despachado" para Phnom Pehn, para tentar convencer o Governo do Cambodja a negociar o conflito sobre o Templo de Khao Prah Viharn e terrenos adjacentes, que neste momento faz com que tropas Tailandesas e Cambojanas estejam em alinhamento, frente a frente, naquele local prontas a entrar em acção.

O Cambodja tenta levar a disputa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Secreatriado da ASEAN o que poderá criar uma crise sem precedentes nas relações entre os dois países.

Tarefa complicada mas as suas credenciais e o facto de estar desligado do anterior compromisso podem ser um trunfo. Assim se espera e deseja!

Noutro capítulo, a luta PPP vs PAD avançou, infelizmente mal, com lutas entre apoiantes das duas frentes em Udonm Thani, que provocaram um morto e cerca de 20 feridos.

A ver os desenvolvimentos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Wan Kao Pan Sa


Na passada Sexta feira foi o Lent, o dia que marca o recolhimento dos monges por um período de três meses. Foi também nesse dia que os devotos ofereceram flores aos monges como já referi.

O Lent é um período em que os monges se devem dedicar à meditação, restringir as suas saídas ao mínimo e dormir sempre no mesmo sítio. Também, e porque estamos na estação em que o arroz começa a crescer devem evitar de pisar os terrenos onde ele está a desenvolver-se.

Basicamente este período deve ser usado para aprofundar os conhecimentos dos ensinamentos de Lord Budha.

Em Ubon, como também referi, há durante este mês o festival da Vela, em que durante 30 dias se realizam festividades à volta do grande monumento na praça central e o significado é semelhante pois a vela é dita ser para iluminar as almas e para ajudar os monges durante a noite a poder lerem os textos sagrados.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Asanha Bucha


Hoje comemora-se a Lua Cheia do oitavo mês do calendário Lunar em Tailandês o Asanha Bucha Day ao que se segue amanhã outro feriado o Khao Pan-Sa e nos Templos realiza-se o Tak Bat Dok-Mai, distribuição de flores.

Por isso vão ser dois dias calmos mas na Tailândia, na política nada consegue ser calmo seja em que dia for.

Por isso tivemos boas (?) e más notícias. Também por vezes as notícias são boas para um campo e más para outro conforme o lado de que ela é recebida.

A boa, ainda que com um ponto de interrogação, visto não poder ser confirmada, é o facto de ter sido anunciado a trégua da violência nas três províncias do Sul do País. Dois militantes anunciaram ontem, numa mensagem televisionada nos canais 5 e 7, o início de tréguas na violência que tem assolado o Sul desde há uns anos e que já causou a morte a cerca de 3.500 pessoas.

Os próximos dias dirão se este aviso é sério e duradouro ou se se tratou somente de um golpe publicitário de contornos políticos duvidosos.

Do lado do Governo outra "boa" notícia foi a emissão de um mandato de captura contra Somkiat, um dos lideres do PAD por " lese majeste", uma das piores acusações no âmbito da guerra política.

Do outro lado agudizou-se o conflito com o Cambodja que reclama terem tropas Tailandesas entrado no seu território criando um clima de alta tensão na fronteira.

Por outro lado a Comissão Nacional de Eleições enviou para o Tribunal, para apreciação, o caso de o PM ter recebido honorários pelo seu programa culinário na TV o que contraria a lei. Samak referiu em tempos que nada recebia visto o dinheiro a que teria direito era entregue directamente a uma Obra de Caridade.

Mais um processo. Juiz na Tailândia não tem feriado.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Algarve



Agora sim verdadeiras férias. Algarve, Dunas Douradas Beach Club, bom tempo, céu azul e ...... preguiça. preguiça para escrever, só há tempo para a família, para não fazer nada e para ler.

Parece que em Bangkok o PM tenta ganhar tempo enquanto não avança, novamente, com o seu plano de revisão da Constituição, após a reabertura do Parlamento. Entretanto lança duas ofensivas.

Uma, contra 61 membros do Partido Democrata e Senadores, não eleitos, tentando obter a inibição de direitos políticos deles naquilo que é uma contra ofensiva contra o, já largo, conjunto de políticos da coligação a quem foram retirados os seus direitos.

Outra, uma medida populista destinada a tentar combater o alto custo de vida num conjunto de seis pontos. Redução das taxas sobre a gasolina e gasóleo, revisão em baixa dos preços do gás liquefeito para consumo doméstico, água gratuita para quem consome menos de 50 m3 mês, electricidade gratuita para quem consome menos de 80 unidades e redução de 50% para aqueles que consomem até 150 unidades, transportes gratuitos em Bangkok em cerca de metade dos trajectos e transporte gratuito nos comboios quando se viajar em 3ª classe.

Por certo que os mais pobres aumentarão o seu apoio ao Governo de Samak e ao PPP e este reforçará o seu "escudo de defesa" para futuras investidas tendentes à sua dissolução.

Entretanto foi pré anunciada para o dia 28 uma, bem necessária, remodelação Governamental.

Mais uma vez recordo que no dia 25 a Tailândia assume a Presidência da ASEAN sem ter Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Felizmente que os funcionários civis dos Ministérios têm, para além de prestigio, capacidade de continuar o País.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Soluções ou demagogia


A avalanche de notícias sobre a situação política na Tailândia tem tomado toda a minha atenção mas hoje queria dedicar um pouco de tempo a Portugal.

Esta semana o Primeiro Ministro de Portugal lançou, com grande pompa e na companhia de Carlos Goshn, Presidente da Renault/Nissan o projecto para a introdução de um carro, totalmente eléctrico em Portugal em 2010. Este acordo, semelhante ao feito com os Governos da Dinamarca e Israel, irá permitir introduzir este tipo de veículos baseados no Mixim da Nissan no mercado Português num momento importante quando os mercados se debatem com os elevados preços dos combustíveis, frente onde Portugal é um dos pioneiros na Europa.

Louve-se este iniciativa do Governo Português em ter conseguido atrair este grupo para investir em Portugal e utilizar, também, o nosso mercado como um teste importante para esta inovação/revolução nos transportes.

Para que tal se efective com total eficácia torna-se necessário que o Imposto Sobre veículos (ISV), seja reduzido ou anulado para que esse benefício, para o país e para a economia, seja alargado a um vasto numero de pessoas.

o ISV em Portugal é um dos mais pesados na Europa e por isso para que seja realmente eficaz a introdução destes veículos torna-se necessário que os carros eléctricos estejam ao alcance, com vantagens, das populações.

Para isso o Primeiro Ministro, sempre tão convicto das suas declarações veio dizer, na Quarta-feira, que o Governo iria "estudar um modelo fiscal para permitir que os futuros carros eléctricos, sem emissões poluentes, possam pagar menos do actual imposto automóvel" (agência Lusa).

Convém lembrar o Sr Primeiro Ministro, como aliás a Deco já tentou fazer, que o artigo 2 do Código do ISV diz:

2 - ESTÃO EXCLUÍDOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO OS SEGUINTES VEÍCULOS:

A -Veículos não motorizados, bem como os veículos exclusivamente eléctricos, ou movidos a energias renováveis não combustíveis.


A iniciativa é de louvar e aplaudir mas mais uma vez, como aquando do Debate sobre o Estado da Nação, ontem realizado na Assembleia da Republica, o PM parece preparar mal os temas que aborda e acaba enveredando sempre pela prosa fácil. Há que lembrar que a campanha eleitoral para as próximas legislativas só irá começar dentro de muitos meses.
No exacto momento em que estava a escrever esta nota ouvi a Televisão, num noticiário, anunciar que o Sr PM se tinha equivocado quando referiu o que referiu.

E as outras vezes?

Lá vai mais um


Nas vésperas da Tailândia assumir a Presidência da ASEAN o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Noppadon Pattama, teve de ceder e apresentou a sua demissão na sequência do caso sobre Khao Phra Viharn.

Agora os Senadores que apresentaram a queixa no Tribunal Constitucional sobre este caso estão a estudar apresentar uma outra sobre o resto do gabinete visto a decisão ter sido aprovada em Conselho de Ministros. A ser, igualmente decidida como procedente pelo Tribunal, isto levaria à demissão de todo o Governo.

Interessante é que do lado da oposição, Partido Democrata, PAD e Senadores nomeados, ainda não foi apresentada nenhuma solução para o futuro do País. O único propósito deste grupo é a luta contra este governo e as forças que o apoiam.

Quanto a soluções positivas, nem uma. A isto chamam o interesse nacional.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os Deuses não dormem


Veja-se lá como os Deuses, sejam eles quais forem, não dormem.

Ontem o Supremo deciciu pela desqualificação política do antigo Presidente do Parlamento, Yongyuth Tiyapairat, e ontem mesmo, uma árvore que ele tinha plantado no tempo em que trabalhava no gabinete de Thaksin Shinawatra, caíu com um temporal que se abateu sobre Bangkok.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O dia depois - E agora?



Como referi ontem foi um dia crucial para a sobrevivência do Governo Samak e não correu nada bem para este embora o PM tenha dito que dormiu descansado. Que grande dose de calmantes deve ter tomado pois a situação é para deixar todos sem um minuto de descanso.

Mas vejamos.

Yongyuth Tiyapairat, o antigo líder do Parlamento foi considerado culpado de fraude eleitoral durante as eleições de Dezembro, retirado do seu lugar de Deputado e impedido do exercício de actividade política por 5 anos. Esta decisão do Tribunal levará a Comissão Nacional de Eleições ( EC ) a apreciar o caso e a aplicar a Constituição, onde se diz que no caso de um executivo de um Partido ter violado as leis eleitorais e, por isso sido condenado, o Partido será dissolvido.

Neste momento a eventual decisão sobre a dissolução dos Partidos com base no artº 98 de Constituição ameaça os três maiores Partidos da coligação no Governo aí incluído o vencedor das eleições, o PPP, para muitos a reencarnação do Thai Rak Thai do antigo Primeiro Ministro Thaksin Shinawatra.

A dissolução, caso venha a ser decidida pela EC implicará, para além do enfraquecimento e descrédito do Partido, que os Deputados tenha 30 para mudar de Partido, o que poderão fazer par um dos Partidos menores da coligação mas essa possibilidade parece pouco "saudável" em democracia.

A outra decisão, que deveria ter feito o PM não dormir, foi a do Tribunal Constitucional que considerou que o acordo assinado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e pelo próprio PM sobre o Templo de Khao Phra Viharn, violou a Constituição no seu artº 190 e por isso estes Ministros actuaram em violação da Constituição e contra os interesses do País.

Fontes disseram que o Secretário do Ministro foi visto a "limpar" o gabinete deste esta manhã num sinal de que os seus dias estarão contados. Contudo não é só ele, que no passado era o advogado e porta-voz de Thaksin, que está em causa.

Perguntar-se-à e agora?

Várias opções se colocam e entendendo que irá acontecer tudo de mau para a coligação no poder com a dissolução dos Partidos dela constituintes.

Tentar sobreviver como um Governo moribundo, atacado por tudo e por todos e actuando como uma manta de retalho.

Fazer uma mega remodelação Governamental, e tentar dar uma nova face ao abatido Governo, mas o problema é que o PM tem de continuar a ser o mesmo.

Dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, um peso demasiado grande para o País que está a necessitar urgentemente de estabilidade para tratar com urgência das questões económicas que assolam o país. Par além disso novas eleições muito provavelmente levarão a resultados semelhantes aos actuais com um novo "fantoche" de Thaksin a ganhar outra vez.

Fazer um golpe de estado, mais um, mas neste momento um golpe vindo de parte do próprio grupo no Governo. Ou seja um golpe de estado pró-governamental que suspenda a Constituição e introduza o Estado de Emergência que permita a continuação no poder deste governo.

Qualquer das soluções não é boa e a última, aquela que mais poderá beneficiar o PPP e de alguma forma o país, visto trazer estabilidade, tem graves perigos para a Democracia.

Venha o diabo e escolha, dirá um Português.

Outro dia dizia o líder de Singapura, cuja família está no poder há cinco décadas e construíram um dos quatro estados mais ricos do Mundo, que uma eleições poderiam deitar a perder tudo aquilo que foi construído. Infelizmente o que ele diz é verdade e encontrar na Ásia o balanço entre aquilo que nos consideramos democracia e as "democracias" tipo asiático é uma arte bem importante para a estabilidade dos países e, no fim, o bem estar das populações. O Mundo extremamente competitivo que se vive na Ásia a isso obriga.

A Tailândia tenta ser uma Democracia ao estilo ocidental com todos os vícios que os políticos na Ásia têm o que na prática se mostra impossível. Nem as mentes nem os sistemas Constitucional e Jurídico são adequados a esse fim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Dia D




Já lhe chamam o Dia D ao dia de hoje pois a decisão sobre o caso Younghyt pode ser a alavanca para a futura dissolução dos principais partidos da coligação no poder.

Para "ajudar à festa" a UNESCO decidiu favoravelmente a pretensão do Cambodja em incluir como património da Humanidade o Templo de Khao Prha Viharn e hoje mesmo também o Tribunal Constitucional irá decidir sobre a actuação do Ministro dos Negócios Estrangeiros neste caso. Os Senadores que iniciaram o caso clamam que ele violou o artigo 191 da Constituição visto, tratando-se de um Tratado teria de ser aprovado pelo Senado.

O Ministro alega, e no meu ver bem, que visto nada ter mudado sobre a decisão do Tribunal Internacional de Justiça de 1962 trata-se de um mero acto administrativo e portanto dentro da esfera de competência do Governo. O Tribunal decidirá hoje. Se a decisão for favorável isso será como que um balão de oxigénio para o PAD. Lembram-se?. Ainda continua em manifestação mas já sem o fulgor do passado. Tudo o que é demais cansa.

Entretanto o Ministro da Saúde, Chaiya Sasomsab, acabou por ter uma multa de 25.000 bath ( cerca de 500 € ) por ter criticado a decisão do Supremo Tribunal Administrativo, e três jornais receberam uma reprimenda por terem publicado o respectivo desabafo.

Mais uma vez o General Anupong, CEME, veio desmentir rumores de que o Exército está a preparar um Golpe de Estado.

Cenas dos próximos capítulos a apresentar em breve.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O mês do azar?


Parece que as previsões sobre o "terrível" 2 de Julho seriam mais bem acolhidas no que se refere ao mês de Julho em geral pois este promete, a partir de agora ser bem quente, quer no sector político quer no sector económico.

Politicamente vamos ter já hoje a decisão do Tribunal Administrativo sobre o Ministro da Saúde e a sua luta contra os membros da Governmental Pharmaceutical Organization (GPO).

Há cerca de 3 meses o Ministro decidiu demitir o Presidente desta Agência devido à sua persistência em tentar aplicar o "compolsury licence" sobre vários medicamentos relacionados com o tratamento do cancro.

Este caso tem vindo desde o Governo Surayud a dificultar as relações económicas com os estados ocidentais pela, alegada por estes, violação dos acordos da Organização Mundial de Comércio no que se refere ao respeito sobre as normas de propriedade intelectual, produzindo a Tailândia drogas sobre patente internacional. O Ministro da Saúde demitiu o Presidente desta Agência que posteriormente o Tribunal Administrativo reintegrou compulsivamente. Hoje este Tribunal pronuncia-se sobre os comentários então, produzidos pelo Ministro sobre a reintegração e tentativa de não acatar a decisão do Tribunal, e tal poderá inclusive levar à sua demissão.

Amanhã é julgado o "caso" Yongyuth Tiyapairat, o antigo líder do Parlamento que foi acusado de tentativa de compra de votos na sua circunscrição em Chiang Rai e que, se condenado, na medida em que ele é um dos executivos do PPP, poderá levar a um novo processo visando a dissolução compulsiva deste partido com o consequente enfraquecimento da coligação no Governo. Refira-se que se o partido for dissolvido os Parlamentares têm 30 dias para mudar de partido de modo a poderem manter-se no Parlamento, mas como a maioria dos partidos que constituem a coligação no poder está sobre investigação sobre fraudes eleitorais poderá vir a acontecer não restar nada mais do que o partido da oposição, o partido Democrata.

No dia 28 deste mês será a vez do Ministro das Finanças vir a ser julgado pelo seu envolvimento não caso da lotaria de dois e três dígitos, um dos instrumentos do regime Thaksin, utilizado com sucesso para retirar dinheiro do jogo ilegal, mas que foi feito com tal falta de cuidados que violava várias leis sobre o jogo. Naquela altura o Governo tinha uma ideia e implementava-a sem se preocupar muito com as questões da legalidade pensando estar impune a todas essas questões. Contudo este caso é um dos exemplos do insucesso da governação Surayud visto a investigação ter começado logo após o golpe e só agora passados quase dois anos é que irá a julgamento.

Para terminar em cheio o mês no dia 31 a mulher de Thaksin irá ser julgada no caso da transferência das acções da Shin Corp para o seu irmão, sem ter pago impostos. como o Ministério Público reclama que deveria ter feito.

Para terminar, este "repasto" de más coisas para o Governo, o Ministro da Economia veio dizer que este ano a inflação irá ultrapassar os 10% e que os efeitos do amontoar de crédito mal parado estão a começar a incomodar seriamente o sistema bancário.

Afinal não era o dia 2 de Julho que era o pior do ano é o mês de Julho, todo ele, que poderá ser o princípio do fim da Governação Samak/PPP/Thaksin/TRT

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Previsões


Há cerca de três semanas, Thaksin Shinawatra disse, após ter consultado o seu vidente, que o dia 2 de Julho seria o dia que marcaria a viragem da situação política na Tailândia e que a partir de aí tudo "seriam rosas".

Imediatamente outro vidente, do campo oposto, veio dizer que as conjugações astrais para o dia 2 de Julho eram as piores possíveis e que esse seria o pior dia do ano.

Afinal hoje estamos a 4 de Julho ( e vivam os Estados Unidos), e nada aconteceu nem de tão dramático para o país nem nada de bom para o campo TS.

Contudo várias coisas aconteceram que podem ditar mudanças importantes nos tempos mais próximos. Não há dois dias mas exactamente ontem e hoje.

Em primeiro lugar o PM, que está de visita à China e ao Brunei, disse que havia uma conspiração para o prender quando ele chegasse ao aeroporto de Bangkok. Mais uma vez mostrou a sua incapacidade para utilizar os meios de comunicação social ou então tem uma estratégia de comunicação muito sui generis.

O Comandante da Polícia teve que desmentir e anunciou que iria proceder a um inquérito sobre o fundamento da notícia.

O Puen Pandi , o terceiro maior partido da coligação no poder, viu agora o seu líder receber um cartão vermelho por possíveis irregularidades durante as eleições, que como se sabe foram a 23 de Dezembro. De acordo com a Constituição, que tanto querem mudar os apoiantes de TS, o Puean Pandi está agora, passados os prazos de possíveis apelos, sujeito a uma eventual dissolução com as consequências que isso terá sobre a coligação. Recorde-se que tal facto pode igualmente acontecer quer ao PPP, se for provado que o antigo líder da House of Representatives e executivo do Partido, violou as regras eleitorais ( o caso irá a julgamento no próximo dia 8), quer ao Chart Thai, por igualmente o seu líder estar envolvido em possíveis irregularidades durante as eleições. Tudo isto se passa mais de seis meses depois do acto eleitoral.

Outro facto é o caso de TS ter sido impedido de se ausentar do país, ele que, depois do seu regresso a 27 de Fevereiro, tinha podido movimentar-se livremente quando e para onde queria. esta mudança pode significar que estará par breve o início de algum dos casos sobre os quais está indiciado ou é uma clara retaliação sobre a conduta dos seus advogados no já triste caso dos 2 milhões de bath.

Outro facto relevante, e não descrito na imprensa é o caso de o Parlamento ainda não ter ratificado a Constituição da ASEAN, já que não aprovou ainda uma única(!!!) lei desde que entrou em funcionamento em finais de Janeiro. A Tailândia vai iniciar a Presidência da ASEAN, agora a 25 de Julho e não a 18 como inicialmente previsto, sem que tenha ratificado a Constituição o pilar principal do seu discurso nos últimos seis meses sobre a Organização.

O País não consegue encontrar saídas para nenhuma das suas várias frentes da crise e não existe ninguém capaz de ter uma palavra de sensatez neste momento.

Entretanto o PAD está a reflectir a nova estratégia visto ter perdido força nos últimos dias.

Parece claro que os tailandeses começam a estar fartos de uns e dos outros mas falta-lhes uma solução de saída.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Novidades de Bangkok


A situação política parece estar num ponto de amolecimento.

Os manifestantes do PAD lá estão, embora o Tribunal tenha ordenado que desimpeçam as ruas que ocupam desde que se movimentaram para junto do Government House, e que parem a utilização de altifalantes durante o período de aulas que vai das 8 da manhã até às 4 da tarde. Interpuseram um recurso mas perderam e disseram que desimpediriam as ruas mas não retiravam os palcos para poderem continuar os discursos à noite.

Entretanto Samak está em visita oficial à China, mas como sempre, (aprendeu com o Thaksin que não o fez ) leva consigo o General Anupong - o Chefe de Estado General do Exército - não vá este querer "brincar aos golpes" durante a sua ausência.

A pressão neste momento está na eventual remodelação do gabinete mas, como se sabe, quanto mais pressão é feita para que este ou aquele Ministro saia, menos provável é que isso aconteça e Samak tem resistido bastante bem a todos esses "pedidos".

Samak, como um político com muitos anos disto, não confundir com experiência ou sensatez, vai resistindo muito mais do que seria de pensar, e fazendo orelhas de mouco e aparentando fragilidade, a maioria das vezes acaba por conseguir fazer aquilo que lhe está na cabeça.

O problema contudo subsiste visto não haver solução para campos tão extremados como os que se apresentam aqui.

Contradições


Ontem falava das contradições existentes na situação política na Tailândia sem me dar contra de uma que me está a minar.

Comecei férias, como sempre faço em Julho em Portugal, e acabo por ter menos tempo para escrever. Complexo mas verdadeiro. Será por estar mais longe dos acontecimentos, eu que escrevo "Visto de Bangkok" e analiso, por força da minha actividade profissional, todos os dias a situação política na Tailândia, ou será por outro qualquer factor que me está a escapar?

Não sou muito dado a interrogações, pois tento viver a realidade, mas o facto é que a quebra da rotina nos altera substancialmente os passos diários e acaba por nos trazer surpresas. Boas e más.

Não é só não escrever, até porque o estou a fazer, é o facto de me interrogar sobre o que o dizer! Não gosto de falar sobre a minha vivência pessoal, sobre os meus, aqueles que nós temos a mania de pensar que nos pertencem, dos amigos, visto esta escrita estar aberta ao Mundo mas só me chegam á cabeça as suas vivências.

Amigo vive pelo amigo, com o amigo e para o amigo e nele espelha os seus sentires e olhares mas eu prometi escrever sobre uma realidade, agora distante, pelas medidas e distante pelos cheiros que nos ficam no nariz a qualquer esquina, e agora esse sentir está vago, impreciso.

Vou pensar o que escrever e o que olhar, sempre foi fértil a minha memória visual, já que esses cheiros tão distantes nada me trazem, nem nostalgia.

Pensei que poderia estar aí alguma da razão mas não. Aqui estou com as minhas gentes ( outra vez a possessão) com os meus caminhos.

Vou continuar a pensar e talvez lá chegue.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Madiba


Nelson "Madiba" Mandela faz 90 anos, embora as festas desse acontecimento já tenham começado.

Para aquele que foi um dos mais fantásticos homens do século XX as minhas homenagens.

Aconselho a leitura do artigo Madiba , no Combustões pois, com tudo o que lá está escrito, concordo.

Aconselho também, hoje estou muito directivo, uma olhada pelo filme Madiba, um bom e fiel retrato da história daquele homem que fez virar páginas de História só com a sua "doce combatividade".

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A pressão intensifica-se

Contradição das contradições.

O golpe militar de 19 de Setembro de 2006, teve por objectivo terminar com a Thaksin Politics e eliminar aquilo que chamaram de estado corrupto e naturalmente tentar apresentar perante a justiça aquele e os seus apoiantes.

Foram feitas leis, mudados os membros das agências que poderiam investigar e levar a julgamento os casos, garantidos os meios necessários mas a "montanha acabou por parir um rato".

A "devolução" à democracia foi feita com as eleições de 23 de Dezembro passado e quem acabou por ganhar foram exactamente aqueles que foram colocados de fora pelo levantamento de 2006 e nem Thaksin nem nenhum dos seus apoiantes, significativos, foi levado a julgamento durante os 18 meses de Governo militar.

Processos começaram mas os tropeções burocráticos e jurídicos foram tantos que a ineficácia foi predominante.

Novo Governo, e esperanças junto da causa Thaksin, de que os processos se iriam dissipar nas cinzas dos corredores dos tribunais.

Assim parecia ao início mas o descuido das hostes do PPP, ou TRT, que em vez de cumprirem o seu dever de governar, dedicaram-se sobretudo a tentar reconstruir o antigo estado TS, levando que de novo as forças hostis se levantassem e pusessem pressão sobre o Governo e Deputados da situação. Essa pressão imobilizou a acção Governativa e Parlamentar.

O Parlamento depois de estar em funções desde o inicio de Fevereiro nem sequer conseguiu constituir comissões ou fazer passar nenhuma lei. A Tailândia vai iniciar a Presidência da ASEAN sem ter ratificado a Constituição embora a lei para tal tenha sido enviada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para o Parlamento em Maio.

Pior que isso para as forças leais ao antigo PM, os processos contra ele parecem, agora estar com mais força e a avançar a bom ritmo e o episódio dos 2 milhões de bath que levou à cadeia os seus advogados não augura nada de bom para ele.

Será quase que o caso para pedir o retorno dos lideres do Golpe de 2006 pois enquanto estes estavam no poder, e não os seus aliados, Thaksin ia conseguindo fazer com que os processos contra ele não avançassem.

Vá-se lá saber quem são os amigos?

domingo, 29 de junho de 2008

Visto do Estoril

Pois é agora deveria redenominar o blog como "Visto do Estoril" ou de Portugal pois não me limitarei a este recolhimento mas como o Mundo hoje em dia tem poucas fronteiras, especialmente no mundo cibernético, é quase que irrelevante o local onde nos encontramos.

O que nos liga a esses locais são as pessoas, as memórias e os costumes.

As pessoas primeiro pois somos seres dependentes, da atenção, dos olhares, dos comentários, das intrigas e das acções, dos cheiros do ar das folhas e das comidas.

A comida cria em nós terríveis dependências. Nunca conseguimos resistir aos nossos sabores e mesmo longe, aquilo que nos vem sempre à ideia como tempero nacional é cozinhar, comer, algo de "nosso".

Pois aqui estou. Portugal lindo na sua aproximação a Lisboa, cheio daquela luz que fez Wim Wenders rumar a Portugal, cheio também daquelas imperfeições a que já tanto nos habituamos.

Lisboa apresentou-se bonita na aproximação mas já não tanto quando se foca demasiado o nosso olhar. Pouco, nada, muda, parece dormente e pouco atenta ao desenvolvimento no Mundo. Para além disso para quem vem de uma cidade de 10 milhões de pessoas entrar num "bairro" com menos de um milhão parece que somos capazes de o ter e controlar. Qual quê? Lisboa é fugidia pois continua a procurar o seu melhor sempre de olhos postos barra fora e nunca em si onde deveriam estar.

Depois de Lisboa o Estoril. Sempre apetecido mas pelas pessoas. Elas estão aqui. Passeiam-se por entre as casas acolhem-se nos mesmos lugares, visitam-se.

A Garrett tem sempre encontro marcado. Lugar cativo nas caminhadas e no estômago e porque não no nariz. Os cheiros vêm longe. Viajam ao longo da rua e não só no Natal, quando toda a rua se submete à ditadura da Garrett.

Ontem também tivemos saudade. Saudades sentidas e profundas. Era 28 de Junho um dia de memórias e de recordações boas porque o que a vida nos deu é bom e nunca o devemos rejeitar por mais duro e doloroso que tenha sido.

Sempre pensai que é mais importante lembrar o bom do que o que de mau existiu. A vida tem de ser feita de passos positivos e não de passos dolorosos da nossa caminhada. Só com esses passos positivos avançamos ou outros puxam-nos para trás e para o fundo.

E a vida está lá à frente sempre um milímetro à nossa frente para que a possamos alcançar.

E a Ema continua a dormir.