quarta-feira, 16 de julho de 2008

Algarve



Agora sim verdadeiras férias. Algarve, Dunas Douradas Beach Club, bom tempo, céu azul e ...... preguiça. preguiça para escrever, só há tempo para a família, para não fazer nada e para ler.

Parece que em Bangkok o PM tenta ganhar tempo enquanto não avança, novamente, com o seu plano de revisão da Constituição, após a reabertura do Parlamento. Entretanto lança duas ofensivas.

Uma, contra 61 membros do Partido Democrata e Senadores, não eleitos, tentando obter a inibição de direitos políticos deles naquilo que é uma contra ofensiva contra o, já largo, conjunto de políticos da coligação a quem foram retirados os seus direitos.

Outra, uma medida populista destinada a tentar combater o alto custo de vida num conjunto de seis pontos. Redução das taxas sobre a gasolina e gasóleo, revisão em baixa dos preços do gás liquefeito para consumo doméstico, água gratuita para quem consome menos de 50 m3 mês, electricidade gratuita para quem consome menos de 80 unidades e redução de 50% para aqueles que consomem até 150 unidades, transportes gratuitos em Bangkok em cerca de metade dos trajectos e transporte gratuito nos comboios quando se viajar em 3ª classe.

Por certo que os mais pobres aumentarão o seu apoio ao Governo de Samak e ao PPP e este reforçará o seu "escudo de defesa" para futuras investidas tendentes à sua dissolução.

Entretanto foi pré anunciada para o dia 28 uma, bem necessária, remodelação Governamental.

Mais uma vez recordo que no dia 25 a Tailândia assume a Presidência da ASEAN sem ter Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Felizmente que os funcionários civis dos Ministérios têm, para além de prestigio, capacidade de continuar o País.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Soluções ou demagogia


A avalanche de notícias sobre a situação política na Tailândia tem tomado toda a minha atenção mas hoje queria dedicar um pouco de tempo a Portugal.

Esta semana o Primeiro Ministro de Portugal lançou, com grande pompa e na companhia de Carlos Goshn, Presidente da Renault/Nissan o projecto para a introdução de um carro, totalmente eléctrico em Portugal em 2010. Este acordo, semelhante ao feito com os Governos da Dinamarca e Israel, irá permitir introduzir este tipo de veículos baseados no Mixim da Nissan no mercado Português num momento importante quando os mercados se debatem com os elevados preços dos combustíveis, frente onde Portugal é um dos pioneiros na Europa.

Louve-se este iniciativa do Governo Português em ter conseguido atrair este grupo para investir em Portugal e utilizar, também, o nosso mercado como um teste importante para esta inovação/revolução nos transportes.

Para que tal se efective com total eficácia torna-se necessário que o Imposto Sobre veículos (ISV), seja reduzido ou anulado para que esse benefício, para o país e para a economia, seja alargado a um vasto numero de pessoas.

o ISV em Portugal é um dos mais pesados na Europa e por isso para que seja realmente eficaz a introdução destes veículos torna-se necessário que os carros eléctricos estejam ao alcance, com vantagens, das populações.

Para isso o Primeiro Ministro, sempre tão convicto das suas declarações veio dizer, na Quarta-feira, que o Governo iria "estudar um modelo fiscal para permitir que os futuros carros eléctricos, sem emissões poluentes, possam pagar menos do actual imposto automóvel" (agência Lusa).

Convém lembrar o Sr Primeiro Ministro, como aliás a Deco já tentou fazer, que o artigo 2 do Código do ISV diz:

2 - ESTÃO EXCLUÍDOS DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO OS SEGUINTES VEÍCULOS:

A -Veículos não motorizados, bem como os veículos exclusivamente eléctricos, ou movidos a energias renováveis não combustíveis.


A iniciativa é de louvar e aplaudir mas mais uma vez, como aquando do Debate sobre o Estado da Nação, ontem realizado na Assembleia da Republica, o PM parece preparar mal os temas que aborda e acaba enveredando sempre pela prosa fácil. Há que lembrar que a campanha eleitoral para as próximas legislativas só irá começar dentro de muitos meses.
No exacto momento em que estava a escrever esta nota ouvi a Televisão, num noticiário, anunciar que o Sr PM se tinha equivocado quando referiu o que referiu.

E as outras vezes?

Lá vai mais um


Nas vésperas da Tailândia assumir a Presidência da ASEAN o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Noppadon Pattama, teve de ceder e apresentou a sua demissão na sequência do caso sobre Khao Phra Viharn.

Agora os Senadores que apresentaram a queixa no Tribunal Constitucional sobre este caso estão a estudar apresentar uma outra sobre o resto do gabinete visto a decisão ter sido aprovada em Conselho de Ministros. A ser, igualmente decidida como procedente pelo Tribunal, isto levaria à demissão de todo o Governo.

Interessante é que do lado da oposição, Partido Democrata, PAD e Senadores nomeados, ainda não foi apresentada nenhuma solução para o futuro do País. O único propósito deste grupo é a luta contra este governo e as forças que o apoiam.

Quanto a soluções positivas, nem uma. A isto chamam o interesse nacional.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Os Deuses não dormem


Veja-se lá como os Deuses, sejam eles quais forem, não dormem.

Ontem o Supremo deciciu pela desqualificação política do antigo Presidente do Parlamento, Yongyuth Tiyapairat, e ontem mesmo, uma árvore que ele tinha plantado no tempo em que trabalhava no gabinete de Thaksin Shinawatra, caíu com um temporal que se abateu sobre Bangkok.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O dia depois - E agora?



Como referi ontem foi um dia crucial para a sobrevivência do Governo Samak e não correu nada bem para este embora o PM tenha dito que dormiu descansado. Que grande dose de calmantes deve ter tomado pois a situação é para deixar todos sem um minuto de descanso.

Mas vejamos.

Yongyuth Tiyapairat, o antigo líder do Parlamento foi considerado culpado de fraude eleitoral durante as eleições de Dezembro, retirado do seu lugar de Deputado e impedido do exercício de actividade política por 5 anos. Esta decisão do Tribunal levará a Comissão Nacional de Eleições ( EC ) a apreciar o caso e a aplicar a Constituição, onde se diz que no caso de um executivo de um Partido ter violado as leis eleitorais e, por isso sido condenado, o Partido será dissolvido.

Neste momento a eventual decisão sobre a dissolução dos Partidos com base no artº 98 de Constituição ameaça os três maiores Partidos da coligação no Governo aí incluído o vencedor das eleições, o PPP, para muitos a reencarnação do Thai Rak Thai do antigo Primeiro Ministro Thaksin Shinawatra.

A dissolução, caso venha a ser decidida pela EC implicará, para além do enfraquecimento e descrédito do Partido, que os Deputados tenha 30 para mudar de Partido, o que poderão fazer par um dos Partidos menores da coligação mas essa possibilidade parece pouco "saudável" em democracia.

A outra decisão, que deveria ter feito o PM não dormir, foi a do Tribunal Constitucional que considerou que o acordo assinado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e pelo próprio PM sobre o Templo de Khao Phra Viharn, violou a Constituição no seu artº 190 e por isso estes Ministros actuaram em violação da Constituição e contra os interesses do País.

Fontes disseram que o Secretário do Ministro foi visto a "limpar" o gabinete deste esta manhã num sinal de que os seus dias estarão contados. Contudo não é só ele, que no passado era o advogado e porta-voz de Thaksin, que está em causa.

Perguntar-se-à e agora?

Várias opções se colocam e entendendo que irá acontecer tudo de mau para a coligação no poder com a dissolução dos Partidos dela constituintes.

Tentar sobreviver como um Governo moribundo, atacado por tudo e por todos e actuando como uma manta de retalho.

Fazer uma mega remodelação Governamental, e tentar dar uma nova face ao abatido Governo, mas o problema é que o PM tem de continuar a ser o mesmo.

Dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, um peso demasiado grande para o País que está a necessitar urgentemente de estabilidade para tratar com urgência das questões económicas que assolam o país. Par além disso novas eleições muito provavelmente levarão a resultados semelhantes aos actuais com um novo "fantoche" de Thaksin a ganhar outra vez.

Fazer um golpe de estado, mais um, mas neste momento um golpe vindo de parte do próprio grupo no Governo. Ou seja um golpe de estado pró-governamental que suspenda a Constituição e introduza o Estado de Emergência que permita a continuação no poder deste governo.

Qualquer das soluções não é boa e a última, aquela que mais poderá beneficiar o PPP e de alguma forma o país, visto trazer estabilidade, tem graves perigos para a Democracia.

Venha o diabo e escolha, dirá um Português.

Outro dia dizia o líder de Singapura, cuja família está no poder há cinco décadas e construíram um dos quatro estados mais ricos do Mundo, que uma eleições poderiam deitar a perder tudo aquilo que foi construído. Infelizmente o que ele diz é verdade e encontrar na Ásia o balanço entre aquilo que nos consideramos democracia e as "democracias" tipo asiático é uma arte bem importante para a estabilidade dos países e, no fim, o bem estar das populações. O Mundo extremamente competitivo que se vive na Ásia a isso obriga.

A Tailândia tenta ser uma Democracia ao estilo ocidental com todos os vícios que os políticos na Ásia têm o que na prática se mostra impossível. Nem as mentes nem os sistemas Constitucional e Jurídico são adequados a esse fim.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Dia D




Já lhe chamam o Dia D ao dia de hoje pois a decisão sobre o caso Younghyt pode ser a alavanca para a futura dissolução dos principais partidos da coligação no poder.

Para "ajudar à festa" a UNESCO decidiu favoravelmente a pretensão do Cambodja em incluir como património da Humanidade o Templo de Khao Prha Viharn e hoje mesmo também o Tribunal Constitucional irá decidir sobre a actuação do Ministro dos Negócios Estrangeiros neste caso. Os Senadores que iniciaram o caso clamam que ele violou o artigo 191 da Constituição visto, tratando-se de um Tratado teria de ser aprovado pelo Senado.

O Ministro alega, e no meu ver bem, que visto nada ter mudado sobre a decisão do Tribunal Internacional de Justiça de 1962 trata-se de um mero acto administrativo e portanto dentro da esfera de competência do Governo. O Tribunal decidirá hoje. Se a decisão for favorável isso será como que um balão de oxigénio para o PAD. Lembram-se?. Ainda continua em manifestação mas já sem o fulgor do passado. Tudo o que é demais cansa.

Entretanto o Ministro da Saúde, Chaiya Sasomsab, acabou por ter uma multa de 25.000 bath ( cerca de 500 € ) por ter criticado a decisão do Supremo Tribunal Administrativo, e três jornais receberam uma reprimenda por terem publicado o respectivo desabafo.

Mais uma vez o General Anupong, CEME, veio desmentir rumores de que o Exército está a preparar um Golpe de Estado.

Cenas dos próximos capítulos a apresentar em breve.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O mês do azar?


Parece que as previsões sobre o "terrível" 2 de Julho seriam mais bem acolhidas no que se refere ao mês de Julho em geral pois este promete, a partir de agora ser bem quente, quer no sector político quer no sector económico.

Politicamente vamos ter já hoje a decisão do Tribunal Administrativo sobre o Ministro da Saúde e a sua luta contra os membros da Governmental Pharmaceutical Organization (GPO).

Há cerca de 3 meses o Ministro decidiu demitir o Presidente desta Agência devido à sua persistência em tentar aplicar o "compolsury licence" sobre vários medicamentos relacionados com o tratamento do cancro.

Este caso tem vindo desde o Governo Surayud a dificultar as relações económicas com os estados ocidentais pela, alegada por estes, violação dos acordos da Organização Mundial de Comércio no que se refere ao respeito sobre as normas de propriedade intelectual, produzindo a Tailândia drogas sobre patente internacional. O Ministro da Saúde demitiu o Presidente desta Agência que posteriormente o Tribunal Administrativo reintegrou compulsivamente. Hoje este Tribunal pronuncia-se sobre os comentários então, produzidos pelo Ministro sobre a reintegração e tentativa de não acatar a decisão do Tribunal, e tal poderá inclusive levar à sua demissão.

Amanhã é julgado o "caso" Yongyuth Tiyapairat, o antigo líder do Parlamento que foi acusado de tentativa de compra de votos na sua circunscrição em Chiang Rai e que, se condenado, na medida em que ele é um dos executivos do PPP, poderá levar a um novo processo visando a dissolução compulsiva deste partido com o consequente enfraquecimento da coligação no Governo. Refira-se que se o partido for dissolvido os Parlamentares têm 30 dias para mudar de partido de modo a poderem manter-se no Parlamento, mas como a maioria dos partidos que constituem a coligação no poder está sobre investigação sobre fraudes eleitorais poderá vir a acontecer não restar nada mais do que o partido da oposição, o partido Democrata.

No dia 28 deste mês será a vez do Ministro das Finanças vir a ser julgado pelo seu envolvimento não caso da lotaria de dois e três dígitos, um dos instrumentos do regime Thaksin, utilizado com sucesso para retirar dinheiro do jogo ilegal, mas que foi feito com tal falta de cuidados que violava várias leis sobre o jogo. Naquela altura o Governo tinha uma ideia e implementava-a sem se preocupar muito com as questões da legalidade pensando estar impune a todas essas questões. Contudo este caso é um dos exemplos do insucesso da governação Surayud visto a investigação ter começado logo após o golpe e só agora passados quase dois anos é que irá a julgamento.

Para terminar em cheio o mês no dia 31 a mulher de Thaksin irá ser julgada no caso da transferência das acções da Shin Corp para o seu irmão, sem ter pago impostos. como o Ministério Público reclama que deveria ter feito.

Para terminar, este "repasto" de más coisas para o Governo, o Ministro da Economia veio dizer que este ano a inflação irá ultrapassar os 10% e que os efeitos do amontoar de crédito mal parado estão a começar a incomodar seriamente o sistema bancário.

Afinal não era o dia 2 de Julho que era o pior do ano é o mês de Julho, todo ele, que poderá ser o princípio do fim da Governação Samak/PPP/Thaksin/TRT

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Previsões


Há cerca de três semanas, Thaksin Shinawatra disse, após ter consultado o seu vidente, que o dia 2 de Julho seria o dia que marcaria a viragem da situação política na Tailândia e que a partir de aí tudo "seriam rosas".

Imediatamente outro vidente, do campo oposto, veio dizer que as conjugações astrais para o dia 2 de Julho eram as piores possíveis e que esse seria o pior dia do ano.

Afinal hoje estamos a 4 de Julho ( e vivam os Estados Unidos), e nada aconteceu nem de tão dramático para o país nem nada de bom para o campo TS.

Contudo várias coisas aconteceram que podem ditar mudanças importantes nos tempos mais próximos. Não há dois dias mas exactamente ontem e hoje.

Em primeiro lugar o PM, que está de visita à China e ao Brunei, disse que havia uma conspiração para o prender quando ele chegasse ao aeroporto de Bangkok. Mais uma vez mostrou a sua incapacidade para utilizar os meios de comunicação social ou então tem uma estratégia de comunicação muito sui generis.

O Comandante da Polícia teve que desmentir e anunciou que iria proceder a um inquérito sobre o fundamento da notícia.

O Puen Pandi , o terceiro maior partido da coligação no poder, viu agora o seu líder receber um cartão vermelho por possíveis irregularidades durante as eleições, que como se sabe foram a 23 de Dezembro. De acordo com a Constituição, que tanto querem mudar os apoiantes de TS, o Puean Pandi está agora, passados os prazos de possíveis apelos, sujeito a uma eventual dissolução com as consequências que isso terá sobre a coligação. Recorde-se que tal facto pode igualmente acontecer quer ao PPP, se for provado que o antigo líder da House of Representatives e executivo do Partido, violou as regras eleitorais ( o caso irá a julgamento no próximo dia 8), quer ao Chart Thai, por igualmente o seu líder estar envolvido em possíveis irregularidades durante as eleições. Tudo isto se passa mais de seis meses depois do acto eleitoral.

Outro facto é o caso de TS ter sido impedido de se ausentar do país, ele que, depois do seu regresso a 27 de Fevereiro, tinha podido movimentar-se livremente quando e para onde queria. esta mudança pode significar que estará par breve o início de algum dos casos sobre os quais está indiciado ou é uma clara retaliação sobre a conduta dos seus advogados no já triste caso dos 2 milhões de bath.

Outro facto relevante, e não descrito na imprensa é o caso de o Parlamento ainda não ter ratificado a Constituição da ASEAN, já que não aprovou ainda uma única(!!!) lei desde que entrou em funcionamento em finais de Janeiro. A Tailândia vai iniciar a Presidência da ASEAN, agora a 25 de Julho e não a 18 como inicialmente previsto, sem que tenha ratificado a Constituição o pilar principal do seu discurso nos últimos seis meses sobre a Organização.

O País não consegue encontrar saídas para nenhuma das suas várias frentes da crise e não existe ninguém capaz de ter uma palavra de sensatez neste momento.

Entretanto o PAD está a reflectir a nova estratégia visto ter perdido força nos últimos dias.

Parece claro que os tailandeses começam a estar fartos de uns e dos outros mas falta-lhes uma solução de saída.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Novidades de Bangkok


A situação política parece estar num ponto de amolecimento.

Os manifestantes do PAD lá estão, embora o Tribunal tenha ordenado que desimpeçam as ruas que ocupam desde que se movimentaram para junto do Government House, e que parem a utilização de altifalantes durante o período de aulas que vai das 8 da manhã até às 4 da tarde. Interpuseram um recurso mas perderam e disseram que desimpediriam as ruas mas não retiravam os palcos para poderem continuar os discursos à noite.

Entretanto Samak está em visita oficial à China, mas como sempre, (aprendeu com o Thaksin que não o fez ) leva consigo o General Anupong - o Chefe de Estado General do Exército - não vá este querer "brincar aos golpes" durante a sua ausência.

A pressão neste momento está na eventual remodelação do gabinete mas, como se sabe, quanto mais pressão é feita para que este ou aquele Ministro saia, menos provável é que isso aconteça e Samak tem resistido bastante bem a todos esses "pedidos".

Samak, como um político com muitos anos disto, não confundir com experiência ou sensatez, vai resistindo muito mais do que seria de pensar, e fazendo orelhas de mouco e aparentando fragilidade, a maioria das vezes acaba por conseguir fazer aquilo que lhe está na cabeça.

O problema contudo subsiste visto não haver solução para campos tão extremados como os que se apresentam aqui.

Contradições


Ontem falava das contradições existentes na situação política na Tailândia sem me dar contra de uma que me está a minar.

Comecei férias, como sempre faço em Julho em Portugal, e acabo por ter menos tempo para escrever. Complexo mas verdadeiro. Será por estar mais longe dos acontecimentos, eu que escrevo "Visto de Bangkok" e analiso, por força da minha actividade profissional, todos os dias a situação política na Tailândia, ou será por outro qualquer factor que me está a escapar?

Não sou muito dado a interrogações, pois tento viver a realidade, mas o facto é que a quebra da rotina nos altera substancialmente os passos diários e acaba por nos trazer surpresas. Boas e más.

Não é só não escrever, até porque o estou a fazer, é o facto de me interrogar sobre o que o dizer! Não gosto de falar sobre a minha vivência pessoal, sobre os meus, aqueles que nós temos a mania de pensar que nos pertencem, dos amigos, visto esta escrita estar aberta ao Mundo mas só me chegam á cabeça as suas vivências.

Amigo vive pelo amigo, com o amigo e para o amigo e nele espelha os seus sentires e olhares mas eu prometi escrever sobre uma realidade, agora distante, pelas medidas e distante pelos cheiros que nos ficam no nariz a qualquer esquina, e agora esse sentir está vago, impreciso.

Vou pensar o que escrever e o que olhar, sempre foi fértil a minha memória visual, já que esses cheiros tão distantes nada me trazem, nem nostalgia.

Pensei que poderia estar aí alguma da razão mas não. Aqui estou com as minhas gentes ( outra vez a possessão) com os meus caminhos.

Vou continuar a pensar e talvez lá chegue.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Madiba


Nelson "Madiba" Mandela faz 90 anos, embora as festas desse acontecimento já tenham começado.

Para aquele que foi um dos mais fantásticos homens do século XX as minhas homenagens.

Aconselho a leitura do artigo Madiba , no Combustões pois, com tudo o que lá está escrito, concordo.

Aconselho também, hoje estou muito directivo, uma olhada pelo filme Madiba, um bom e fiel retrato da história daquele homem que fez virar páginas de História só com a sua "doce combatividade".

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A pressão intensifica-se

Contradição das contradições.

O golpe militar de 19 de Setembro de 2006, teve por objectivo terminar com a Thaksin Politics e eliminar aquilo que chamaram de estado corrupto e naturalmente tentar apresentar perante a justiça aquele e os seus apoiantes.

Foram feitas leis, mudados os membros das agências que poderiam investigar e levar a julgamento os casos, garantidos os meios necessários mas a "montanha acabou por parir um rato".

A "devolução" à democracia foi feita com as eleições de 23 de Dezembro passado e quem acabou por ganhar foram exactamente aqueles que foram colocados de fora pelo levantamento de 2006 e nem Thaksin nem nenhum dos seus apoiantes, significativos, foi levado a julgamento durante os 18 meses de Governo militar.

Processos começaram mas os tropeções burocráticos e jurídicos foram tantos que a ineficácia foi predominante.

Novo Governo, e esperanças junto da causa Thaksin, de que os processos se iriam dissipar nas cinzas dos corredores dos tribunais.

Assim parecia ao início mas o descuido das hostes do PPP, ou TRT, que em vez de cumprirem o seu dever de governar, dedicaram-se sobretudo a tentar reconstruir o antigo estado TS, levando que de novo as forças hostis se levantassem e pusessem pressão sobre o Governo e Deputados da situação. Essa pressão imobilizou a acção Governativa e Parlamentar.

O Parlamento depois de estar em funções desde o inicio de Fevereiro nem sequer conseguiu constituir comissões ou fazer passar nenhuma lei. A Tailândia vai iniciar a Presidência da ASEAN sem ter ratificado a Constituição embora a lei para tal tenha sido enviada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros para o Parlamento em Maio.

Pior que isso para as forças leais ao antigo PM, os processos contra ele parecem, agora estar com mais força e a avançar a bom ritmo e o episódio dos 2 milhões de bath que levou à cadeia os seus advogados não augura nada de bom para ele.

Será quase que o caso para pedir o retorno dos lideres do Golpe de 2006 pois enquanto estes estavam no poder, e não os seus aliados, Thaksin ia conseguindo fazer com que os processos contra ele não avançassem.

Vá-se lá saber quem são os amigos?

domingo, 29 de junho de 2008

Visto do Estoril

Pois é agora deveria redenominar o blog como "Visto do Estoril" ou de Portugal pois não me limitarei a este recolhimento mas como o Mundo hoje em dia tem poucas fronteiras, especialmente no mundo cibernético, é quase que irrelevante o local onde nos encontramos.

O que nos liga a esses locais são as pessoas, as memórias e os costumes.

As pessoas primeiro pois somos seres dependentes, da atenção, dos olhares, dos comentários, das intrigas e das acções, dos cheiros do ar das folhas e das comidas.

A comida cria em nós terríveis dependências. Nunca conseguimos resistir aos nossos sabores e mesmo longe, aquilo que nos vem sempre à ideia como tempero nacional é cozinhar, comer, algo de "nosso".

Pois aqui estou. Portugal lindo na sua aproximação a Lisboa, cheio daquela luz que fez Wim Wenders rumar a Portugal, cheio também daquelas imperfeições a que já tanto nos habituamos.

Lisboa apresentou-se bonita na aproximação mas já não tanto quando se foca demasiado o nosso olhar. Pouco, nada, muda, parece dormente e pouco atenta ao desenvolvimento no Mundo. Para além disso para quem vem de uma cidade de 10 milhões de pessoas entrar num "bairro" com menos de um milhão parece que somos capazes de o ter e controlar. Qual quê? Lisboa é fugidia pois continua a procurar o seu melhor sempre de olhos postos barra fora e nunca em si onde deveriam estar.

Depois de Lisboa o Estoril. Sempre apetecido mas pelas pessoas. Elas estão aqui. Passeiam-se por entre as casas acolhem-se nos mesmos lugares, visitam-se.

A Garrett tem sempre encontro marcado. Lugar cativo nas caminhadas e no estômago e porque não no nariz. Os cheiros vêm longe. Viajam ao longo da rua e não só no Natal, quando toda a rua se submete à ditadura da Garrett.

Ontem também tivemos saudade. Saudades sentidas e profundas. Era 28 de Junho um dia de memórias e de recordações boas porque o que a vida nos deu é bom e nunca o devemos rejeitar por mais duro e doloroso que tenha sido.

Sempre pensai que é mais importante lembrar o bom do que o que de mau existiu. A vida tem de ser feita de passos positivos e não de passos dolorosos da nossa caminhada. Só com esses passos positivos avançamos ou outros puxam-nos para trás e para o fundo.

E a vida está lá à frente sempre um milímetro à nossa frente para que a possamos alcançar.

E a Ema continua a dormir.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pausa


Hoje irei iniciar férias, e como sempre vou até Portugal.

Sair, viajar, passear é sempre bom mas a sensação de voltar é uma das melhores que os caminheiros e viajantes têm.

Portugal não é um país dado a grandes mudanças e por isso a maioria das vezes que regresso pouco ou nada vejo de novo. A paisagem não muda, o tempo das grandes obras estruturais já terminou, parece que se adormeceu esperando outra vez por alguém que surja da bruma de Alcácer Quibir. Mas desta vez é diferente, desta vez há a Ema.

Lisboa, o Estoril dos últimos quase 40 anos está diferente. Vou ver, olhar, que é mais do que ver, sentir, e gozar esses novos momentos.

Será um mês calmo, com sabor, com amor, com leituras e como estamos em Portugal com uma sempre, boa mesa. Esses pecados são inevitáveis para quem como eu não consegue resistir aos tratos das cozinheiras portuguesas.

Deseja-se sempre um pouco de moderação para que a balança não reclama. No final lá se farão as contas.

Por agora um longo mas apetecido vôo e aí estamos.

As minhas desculpas pela pausa que se vai seguir mas mesmo sem ser "Visto de Bangkok" continuarei, talvez a partir de Segunda-feira os meus retratos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Doces amargos


Três advogados do ex Primeiro Ministro Thaksin Shinawatra foram ontem condenados a 6 meses de prisão efectiva, sem direito a recurso, e a uma multa, essa de pouca monta por tentativa de corrupção de oficiais do Supremo. Para além disso sofrerão um processo pela Ordem dos Advogados que os impedirá de exercer pelo prazo de 5 anos e o Supremo Tribunal de Justiça enviou para o Ministério Público o caso para averiguação sobre a possível prática de acto criminoso.

A história é simples. No dia 10 de Junho este grupo de advogados dirigiu-se ao Supremo Tribunal de Justiça e um deles, primo por casamento de Khunying Potjaman, mulher de Thaksin, pediu para ser chamado um funcionário a quem entregou uma caixa de doces para ser distribuída pelos funcionários como um gesto de agradecimento "visto eles estarem a trabalhar arduamente no caso em questão sobre o ex PM". Acontece que o funcionário que recebeu a caixa a abriu e constatou que continha dois milhões de bath o equivalente a 40.000 €.

O advogado reclamou que o seu motorista tinha trocado a caixa por outra que continha o dinheiro destinado a principio de pagamento do uma propriedade que a sua mulher ia comprar.

Tal facto não convenceu os agentes que ainda arguiram por que é que o advogado em questão tinha feito a entrega em privado e não à vista de toda a gente. Como se diz quem não deve não teme.

Feito o auto do ocorrido na presença dos advogados e tiradas fotografias do "corpo de delito", foi o caso enviado para julgamento que ontem mesmo decidiu a da forma drástica que referi.

Este é por certo um forte abalo na credibilidade da defesa de Thaksin Shinawatra e poderá ter repercussões fortes na sua popularidade.

Em breve será ouvido num dos principais casos, a compra de uns terrenos pertencentes a uma agência do Estado pela sua mulher e agora a sua equipa de advogados está fortemente empobrecida e com um estigma que por certo não vai ter nenhuma simpatia por parte dos juízes do caso.



quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Templo da disputa - debate no Parlamento


A noticia do dia continua a ser a disputa no Parlamento sobre a situação de Khao Prha Viharn e a conduta do Governo de Samak na questão.

Já assisti a muitos episódios em política mas nunca assisti a um debate onde o "desgraçado" levasse tanta tareia e tivesse tão pouca habilidade para se esquivar dos golpes.

O PM, que pelo seu aspecto parece um touro capaz de levar tudo pela frente e que por outro lado tem uma linguagem agressiva e por vezes violenta, parece um cordeirinho incapaz de se defender daquilo que vem sendo atacado. Por outro lado aparece cada vez mais como um homem só e isolado.

De mentiroso a deficiente mental tudo já lhe chamaram no debate de hoje para além de o acusarem de ser inepto para Governar, de estar a destruir a Monarquia, o que é grave aqui, de não ser capaz de liderar o Governo nem o Partido da maioria, enfim um conjunto de piropos dignos de um Parlamento que se preze da liberdade da palavra (e da bojardice também).

A questão do templo é aquela que mais salta para a ribalta pois, como ontem escrevi, ateia o fogo do nacionalismo, e é fácil manobrar a imprensa e as emoções neste contexto.

Continua a ser dito que a decisão de 1962 do Tribunal Internacional de Justiça , que atribuiu o Templo ao Cambodja, nunca foi aceite pela Tailândia, mas ninguém parece interessado em dar alguma relevância de que a decisão não é passível de recurso e só no caso de haver algum facto superveniente de relevância tal que possa por si só alterar o sentido da decisão, e isto até passados 10 anos da decisão, é que o Tribunal poderá reapreciar o caso.

Nenhum jornal dá algum relevo a isso mas todos dão relevo ao facto de quer os Democratas quer os lideres do PAD chamarem mentiroso ao PM.

Alemanha vs Turquia

Hoje joga-se a meia final onde Portugal deveria estar, mas não está. E não está porque os Alemães foram melhores do que nós. Simplesmente por isso.

escrevi bastante sobre a nossa derrota mas é bom que assimilemos que perdemos porque a outra equipa foi simplesmente mais eficaz, mais acutilante, mais produtiva do que a nossa.

Normalmente perdemos "porque o arbitro é um malandro e estava comprado pelos outros ou era ceguinho e mal intencionado de todo".

Na realidade em 99% dos casos perde-se porque pura e simplesmente outros ganham. La Palisse era mestre nestas afirmações mas aquilo que é verdade faz todo o sentido.

Temos quase sempre a tendência, e na generalidade dos temas, para atribuir a outros as culpas dos nossos fracassos. Não é só no desporto que isso se passa. Essa tendência tem, por certo, a ver com a nossa dificuldade em aceitar sermos um país pequeno e com uma reduzida importância no panorama internacional, isto após termos, nos longínquos séculos XV e XVI dominado o Mundo.

Quando existe um pequeno êxito de Portugal ou de um português exaltamos de alegria e tentamos sempre fazer o Mundo ver como somos fantásticos, mas depois somos por demais pequenos nas coisas do nosso dia a dia.

A consciência do conhecimento pessoal, e neste caso colectivo, é um dos cimentos dos grandes homens, dos grandes países, das grandes causas. Saber aquilo que somos e sabemos e talvez mais importante aquilo que não somos e não sabemos, cria valor na nossa vida só pode conduzir ao engrandecimento das nossas acções.

A humildade para a todos atendermos, a todos vermos como iguais e para o facto de que somos imperfeitos só nos fortalece e enobrece ao contrário do que muitos pensam.

A nossa vida é uma aprendizagem permanente e esses ensinamentos vêem de todos e de todos os lados seja ele o Rei ou o pedinte. Dizia um famoso Professor de Michigan "it is not important to be qualified. It is important to stay qualified" C K Prahalad.

Esta noção da necessidade de estarmos em permanente alerta e atentos aos outros e às outras coisas fará de nós, por certo, seres melhores e mais contributivos para o engrandecimento de Portugal como país e de nós como portugueses.

Vem isto tudo a propósito do Euro e também do facto que quando se está longe sente-se o país de forma diferente daquela que quando estamos no dia a dia emersos na realidade. Apetece nos ser "mais" portugueses mas, como vemos de fora, sabemos o quanto temos de lutar para mostrar que esse nosso país é digno de existir no Mundo.

Logo à noite o jogo não nos interessa muito mas quanto a mim já agora que ganhem os Alemães. Não posso "gostar" deles, porque nos ganharam, mas assim como assim ainda são contribuintes para a melhoria de vida dos portugueses através dos fundos comunitários. São para além disso são nosso parceiros/irmãos nesta imensa comunidade e os Turcos ainda estão à porta e por muitos anos.

Contudo seria engraçado se os Turcos fossem campeões Europeus pois aconteceria que durante o campeonato a única equipa que os tinha vencido tinha sido precisamente Portugal.

Que joguem bem é aquilo que se pede. O resto é uma bola de couro e 26 protagonistas mais alguns espontâneos que podem aparecer durante a partida.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Khao Phra Viharn


Quando há cerca de duas semanas visitei o templo de Khao Phra Viharn nao pensava quanto ele viria a ser hoje em dia um dos pontos fundamentais da luta politica na Tailândia.

O Governo tailandês assinou recentemente, conjuntamente com o Governo do Cambodja, o pedido para que o templo fosse incluído na lista do Património da Humanidade e tal facto é visto como uma cedência, inadmissível, do território e da soberania. Para além disso invoca-se que o Governo Tailandês agiu ilegalmente visto que deveria ter passado tal acto pelo Parlamento já que só este ter competência para Assinar Tratados Internacionais. Contudo outros advogam, e penso que com razão, que tal não seria necessário visto nao haver alterações para o país decorrentes de tal facto.

O território do Templo está "atribuído", desde 1962, pelo Tribunal Internacional de Justiça, e tal aceite pela Tailândia, como pertencente ao Cambodja. A questão está em cerca de menos de 5 km2 adjacentes ao Templo que continuam a ser disputados pelos dois países. Na resolução de 1962 este especto não foi considerado e no acordo agora assinado de igual modo nada é mencionado. Afirmam os apoiantes da "causa nacionalista" que a assinatura irá enfraquecer a capacidade do Governo deste pais em futuras negociações sobre os ditos terrenos.

O absurdo da situação é que, em teoria, tudo é Tailândia, excepto o Templo em si mesmo, e agora clama-se que os vendedores de "souvenir" na entrada do Templo devem sair pois estão a ocupar ilegalmente território tailandês.

O PAD desde que iniciou esta campanha, a 25 de Maio, não tinha nenhuma bandeira com fortes conotações emocionais como há dois anos atrás quando Thaksin vendeu o seu império á holding estatal de Singapura, e por isso foram lestos a pedir a cabeça de tudo e todos por causa desta questão e a levantarem-na bem alta como a nova bandeira da união do grupo.

Têm contado com a preciosa ajuda do Senado (note-se que 50% dos Senadores são não eleitos e foram escolhidos pelos mesmos que fizeram o golpe de 2006) que de uma forma um pouco invulgar atacou o Governo neste questão. Igualmente de altas instâncias vieram palavras sobre a necessidade da sociedade civil saber defender o território nacional inflamando os manifestantes.

Como se sabe nada há melhor do que um pouco de patriotismo para que as multidões se excedam nos seus calores em defesa daquilo que é apresentado como uma violação desse dever sagrado de cada um. A defesa da Pátria.

Um grupo de académicos veio já a lume tentando explicar os perigos que decorrem destes excessos de patriotismo oportunista mas o debate está lançado e as mentes incendiadas por uma questão de "perigoso atentado á soberania". E lembre-se que o Cambodja e a Tailândia são, para alem de vizinhos, países "irmãos" na ASEAN.
Para já o Governo de Phnom Pehn encerrou o Templo no sequência de manifestações que ocorreram, também, na estrada de acesso a este.

A irracionalidade impera e há pouca noção de bom senso quando um dos mais importantes órgãos da soberania fala de forma tão pouco esclarecida como está sendo feito actualmente.



segunda-feira, 23 de junho de 2008

Situação política - Segunda 23



O país parece ter entrado num período de paz podre.

Government House continua cercada mas o PM passou para ir trabalhar e tudo está pacificado embora não esteja á vista nenhuma solução para a presente crise.

O Governo aceitou estender a sessão Parlamentar para debater a Moção de Censura embora seja ponto assente que esta não tem nenhumas hipóteses de vir a ser aprovada visto o governo dispor de maioria suficiente para sair vitorioso. Contudo se a Moção não fosse debatida o Parlamento não poderia ser dissolvido, uma das possibilidades em discussão no momento. O debate será por certo acalorado mas, e apesar de haver algumas vozes discordantes dentro da coligação, especialmente explorando a questão da demarcação de fronteiras com o Cambodja em Khao Phra Vihan, a Moção não irá ser aprovada. É sabido que muitos dos deputados do PPP não gostam do actual PM e que ele é um homem só, mas o facto é que ele está lá, e estou aqui a reproduzir as palavras de um dos mais influentes políticos do PPP, que tal disse em privado.

As outras possibilidades, um governo liderado pelo Partido Democrata com os restantes partidos da actual coligação é praticamente impossível. Isso criaria uma maioria de somente quatro deputados. Tendo em vista que seria uma coligação de 6 partidos e 5 deles terem estado "contra" o Partido Democrata no actual Governo torna essa coligação unicamente um sonho.

Mais um golpe de Estado, parece igualmente improvável visto os militares saberem muito bem os custos que tiveram com o golpe de 2006 que, no final acabou por não ser aprovado pelo povo que votou naqueles que as forças militares queriam derrubar.

Interessante foi ver uma sondagem que hoje apareceu feita pela Assumption University, onde é manifesto o desagrado pela existência da Moção, por ser ainda demasiado cedo, e pelas acções do PAD por igual motivo. Em conclusão, os inquiridos, a maioria de Bangkok, terreno adverso ao Partido no poder, respondem que deve ser dado mais tempo a este Governo para provar a sua qualidade.

Este mesmo Instituto de sondagens tem vindo a conduzir estudos regulares e tem sido visível o descontentamento para com o actual Governo pelo que a sondagem de hoje espanta ainda mais pela clareza de vista perante a situação. Como se costuma dizer os eleitores têm sempre razão e a história por muitas vezes o demonstrou por todo o Mundo.

Contudo continua sem se entender como é que vai ser encontrada uma saída para a presente crise visto não haver solução Constitucional que sirva.

Thaksin foi "á bruxa", ou seja consultar um dos seus videntes preferidos, facto comum a políticos e homens de negócios aqui, e disse que a partir de 2 de Julho tudo serão rosas, mas, entenda-se lá porquê, um outro vidente veio dizer que o dia 2 de Julho é o pior dia do ano.

Logo se verá, pelo menos no dia 3 de Julho.

Ema


Junho 22, 2008, 7.05 horas de uma linda tarde em Lisboa, já madrugada em Bangkok, 3.065 kg 49 cm.

Chama-se Ema.