quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Orçamento e a Tailândia no Mundo


Uma das prioridades anunciadas pelo Governo de Abhisit Vejjajiva é reparar os danos feitos à imagem do país no Mundo após o turbulento ano político de 2008.

Ontem o Banco da Tailândia apresentou as suas conclusões dos danos sofridos pelo país com a ocupação dos aeroportos durante 10 dias no final do ano e tal estudo aponta para o número astronómico, e sabe-se bem quanto os bancos centrais são conservadores, de 290 mil milhões de bath, o que ao câmbio de hoje representa um pouco mais de 6 mil milhões de € e por outro lado é 3% do PIB da Tailândia. Os jornais fazem eco também das palavras de um diplomata Japonês acreditado na capital referindo a necessidade de o país fazer "um grande esforço" para recuperar turistas e investidores. Refira-se que o Japão é o maior investidor no país com mais de 6.000 empresas instaladas e com uma forte componente na indústria automóvel na sua generalidade, carros peças e acessórios.

Uma fatia importante do orçamento dos Ministérios do Turismo e do Comércio é dedicada precisamente a tentar recuperar ambos os turistas e os empreendedores tão necessários para desenvolver o sector exportador. Refira-se aqui, e como uma novidade no orçamento neste sector, o facto de o Governo ir dedicar parte de sua atenção aos tailandeses residentes no estrangeiro, como se sabe sempre uma fonte importante de atracão de exportações para os países onde se instalaram. Anteriores governos pouca ou nenhuma atenção tinham dado a este sub-sector.

Um dos aspectos cruciais nesta batalha para restaurar credibilidade vai ser a realização da cimeira da ASEAN, já adiada e que tem andado "em bolandas" com constantes mudanças de localização e data.

Acabou ontem de ser confirmada a sua realização para 27 de Fevereiro até 1 de Março em Hua Hin, a estância costeira a três horas de Bangkok, mas a cimeira vai ficar "coxa" visto não ter sido possível associar a ela, como de costume, as reuniões ASEAN+3 e ASEAN+6 que constituem outras importantes plataformas nas quais a organização tenta ter um papel de liderança.

Hoje no Bangkok Post Achara Ashayagachat, uma das mais conceituadas jornalistas no país, num artigo com o título " ASEAN is perplexed but understanding" alertava ser esta a última oportunidade que o Governo tem para regressar ao pleno convívio das Nações.

Contudo muitas nuvens existem ainda no ar e apesar da mudança de local da cimeira, com medo de problemas criados pela UDD, esta já anunciou que irá mobilizar as suas forças para Hua Hin para perturbar/impedir o funcionamento da cimeira.

Noutro artigo, desta vez no The Nation, alertava-se o governo para o facto de se não tomarem nenhumas medidas punitivas contra as acções do PAD no passado e responsabilizarem este movimento e os seus lideres pelos danos causados ao país, estarão implicitamente a abrir as portas para que a UDD utilize os mesmos meios e tácticas devido à impunidade de que, no passado, semelhantes actos beneficiaram.

Abhisit, entretanto vai se desdobrando em preparações para apresentar publicamente o seu programa de estímulos para a economia, ontem descrito através da imprensa. Na realidade na próxima semana o PM vai falar em três Forums, em dias consecutivos, e tenho informação de que um quarto está já em preparação, desta vez para os empresários. Embora o pacote de medidas anunciadas se destine, fundamentalmente, aos meios menos favoráveis aos Democratas, numa clara tentativa de "matar dois coelhos com a mesma cajadada", os problemas que afectam os mais desprotegidos e desviar os seus corações de "amar" Thaksin, as apresentações serão feitas primeiro à elite de Bangkok no FCCT depois a quem pagar 3.500 bath por lugar num grande Forum organizado pelo Bangkok Post na capital e por fim aos convidados do Board of Investment, na realidade o mesmo conjunto de pessoas para os três dias, excepto a imprensa estrangeira que só irá ao FCCT visto poder colocar questões.

Duro trabalho espera a equipa governamental e como se sabe destruir uma imagem dura um segundo mas construí-la ou refazê-la pode durar uma vida.

É este um desafio crucial para esta governação.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Acidentes na Estrada


Portugal é sempre considerado como um dos países onde há mais acidentes nas estradas na Europa e tal, infelizmente, é verdade.

Pasme-se contudo com os números na Tailândia.

Desde 30 de Dezembro até Domingo 4 de Janeiro, altura de grandes deslocações devido aos feriados dos dias 31, 1 e 2, houve na Tailândia o astronómico e horrendo número de 335 mortos e 3.810 feridos devido a acidentes nas estradas. Há contudo que entender que no país existem cerca de 65 milhões de pessoas e um elevadíssimo número de carros e de motos. Cerca de 44% dos acidentados envolveu jovens com 25 ou menos anos de idade o que torna as estatisticas ainda mais penosas.

As principais causas foram, como seria de esperar, o álcool, 41% do total de acidentes, os tailandeses não são parcos na bebida, e a velocidade. Refira.se aqui que é proíbido vender bebidas alcoólicas nos postos de abastecimento nas estradas mas foram detectadas inúmeras violações a esta lei.

Os principais afectados foram os motociclistas, sempre vulneráveis visto o para choques ser o próprio corpo. Uma impressionante percentagem de 84% dos acidentes ocorreram com veiculos motorizados.

Mas espante-se estes números representam uma melhoria comparando com igual período de 2007 na ordem dos 10% e um facto é que as estradas são de qualidade bastante boa (67% dos acidentes ocorreram à noite e em rectas) só que os carros são muitos e os cuidados com a segurança inexistentes como também ficou demonstrado no caso do incêndio na boîte no fim do ano.

Sobre o Santika a situação é ainda um pouco confusa visto ter recebido ao início desta tarde uma lista da polícia de Tonglor que dava conta de ainda existirem 31 corpos não identificados e não o reduzido número que antes se referia. Noutro documento lê-se que a causa de praticamente todas as mortes foi a intoxicação respiratória devido ao facto de o revestimento da boîte ser feito de materiais altamente tóxicos. Os médicos legistas afirmam que mesmo aqueles que sobreviveram, mas aspiraram grandes quantidades de gases, correm sérios riscos de verem os seus pulmões rebentarem mais tarde.

O sector da segurança é uma das áreas onde, em geral na Ásia, existe ainda um muito longo caminho a percorrer.

Coisas da Justiça



Ruangkrai Leekitwattana é um dos 74 Senadores que a Constituição entende que devem ser nomeados e não eleitos como os restantes. Estes Senadores funcionam, dentro do Senado como que um tipo de câmara Corporativa visto representarem, embora que não formalmente, vários sectores da sociedade.

Durante todo o ano de 2008 foram bastante activos e notados pela forma como sempre se aliaram ao movimento do PAD e atacaram constantemente os governos pró Thaksin formados na sequência das eleições de 23 de Dezembro de 2007.

Ruangkrai, um Jurista e diria, purista, a par de M. R. Pryanandana Rangsit, uma aristocrata multi-milionária, têm sido particularmente activos em tentar acusar os governos desde o início do ano passado em todo o tipo de casos em que supõem haver indícios de irregularidades quer nas pessoas quer nos processos.

Assim se passou todo o ano de 2008.

Ontem Ruangkrai, apresentou uma queixa na Comissão de Eleições contra o actual Governo solicitando investigação no processo de constituição do mesmo que ele acusa de irregular. Nada mais do que o que este Dom Quixote fez contra os governos de Samak e Somchai.

Inesperadamente e com urgência nunca antes exibida a Comissão de Eleições decidiu investigar se este Senador obteve o seu lugar de acordo com os preceitos constitucionais visto "haver dúvidas se a organização que o propôs dispõe do necessário suporte constitucional", assim reza a nota agora emitida.

Pois é!!!

Entretanto hoje na imprensa tailandesa, Krungthep Turakit, citando um dos Vice-Primeiro Ministros, Sanan, afirma que ele propôs que os membros dos organismos de controlo da Democracia, como a Comissão de Eleições, Comissão Contra a Corrupção, etc, deveriam ser nomeados pelo Conselho Privado do Rei. A base desta afirmação está no facto de sendo uma das instituições mais venerada no país, e com grande exposição teria todo o cuidado na escolha dos nomeados de modo a não correr o risco de "se enganar".

Parece-me que a sugestão traria uma enorme transparência para o sistema visto passar a ser visível a mão que está por detrás das nomeações, e a transparência sempre foi de elogiar.

Liberdade de Imprensa

A Associação dos Jornalistas Tailandeses (TJA) emitiu um comunicado onde considera o ano de 2008 como um pesadelo para o exercício das funções dos seu sócios.

O comunicado refere 10 pontos que passo a transcrever:

1) O assassínio de dois Jornalistas do Matichon mortos aparentemente por causa de artigos que escreveram. Os assassinos continuam por identificar.

2) O contínuo abuso verbal do ex PM Samak perante os jornalistas.

3) O "pedido" de Samak para que os jornalistas alinhassem com o Governo contra o PAD depois da ocupação de Government House.

4) Intimidação verbal e física sobre jornalistas por parte do PAD/UDD

5) O abuso de controlo sobre os meios de comunicação estatais para que servissem os interesses do gabinete instalado.

6) Os ataques violentos por manifestantes às estações NBT, TBPS e ASTV.

7) Acção por parte da companhia Tesco/Lotus contra jornalistas pedindo 100 milhões de bath em virtude de artigos que escreveram.

8) A morte de 6 membros do jornal Thai Rath no Sul do país. Um morto num atentado e outros cinco num acidente quando ia assistir ás cerimónias funerárias do colega.

9) A permanente retirada de programas do ar quando estes não agradavam as vozes dominantes.

10) O facto de os jornalistas que usavam T-Shirts com a frase "Intimidating the media Intimidating the people", terem sido proibidos de estar presentes nas conferências de imprensa do Governo.

A tudo isto há a acrescentar a prisão do jornalista Australiano Harry Nicolaides e a acusação do correspondente da BBC, Johnathan Head, ambos por crimes de lese majeste.

De igual modo a edição do The Economist, um dos mais antigos (Setembro de 1843 sem interrupção) e respeitadas revistas do Mundo, do início do mês de Dezembro que fazia capa com um artigo sobre o papel da Casa Real na actual crise no país, segundo a versão oficial, não foi distribuída visto o importador assim ter entendido.

Acrescente-se a isto o facto de terem sido bloqueados 2.300 sítios na net e o governo estar à espera de autorização do Tribunal, um mero pro forma, para encerrar outros 400.

Hoje mesmo o Bangkok Post no seu editorial e pela pena do seu director lamenta e condena veementemente que a nova Ministro da Informação e Tecnologia, Rananongrak Suwanchawee, tenha anunciado como a sua primeira prioridade a censura da Internet. No primeiro dia em funções a Ministro chamou ao seu gabinete os Directores do Ministério e transmitiu, sem equívocos (nas palavras no editorial) claras instruções sobre o que deveriam fazer nesse sentido. A Senhora Ministro está neste momento a preparar a alteração do Computer Crimes Act de tal modo que permita bloquear acessos sem autorização judicial e solicitou ao governo 92 milhões de bath para estabelecer um war room que permita uma mais rápida pesquiza de sitíos considerados hostís.

No editorial Pattnapong Chantranontwong, apela à abertura de um debate sobre a liberdade da imprensa lembrando que o antigo Ministro também levou a efeito semelhante política com o efeito contrário visto que os sítios de web que foram bloqueados tinham poucos visitantes até ao momento em que os Ministros decidiram "dar-lhes vida" ao apontarem as suas armas contra eles. Ficou claro que muito mais pessoas se interessam pelos conteúdos somente após a "publicidade gratuita" que obtiveram da parte dos governos tailandeses. Esse facto por si mostra que a política carece de efeito e é tão somente usada como publicidade interna e como oportunidade para mostrar que o Ministério está atento "defendendo a cultura e as tradições no país", afirma o articulista.

Pattnapong termina afirmando o cariz fundamental do Ministério como fomentador do desenvolvimento da educação e do conhecimento e que a Ministro faria melhor em criar um método democrático e transparente para todos. Um saudável debate público deve decidir existe um risco real que obrigue a solicitar ao Tribunal um ordem para bloquear um conteúdo (sic).

Vamos lá decidir quem vai levar o Prémio Sakharov, se a Ministro ou o Editor do Bangkok Post!

Uma nota pessoal. Não consegui aceder ao sitio dos Repórteres sem Fronteiras.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Programa do Governo (II)

Como já referi o Primeiro Ministro Abhisit Vejjajiva apresentou o seu programa de Governo no dia 30 de Dezembro numa improvisada sessão no Ministério dos Negócios Estrangeiros que foi objecto de uma queixa da Oposição, ausente da sessão devido a não terem sido regularmente convocados os Deputados segundo alegam, ao Tribunal Constitucional. Devido à sua importância aqui deixo os pontos principais do documento de 52 páginas na sua versão em Inglês.

Irei referir somente os considerandos, visto eles traçarem o pano de fundo da actual situação política, social e económica no país e os principais objectivos através dos quais o Governo pretende fazer-lhes frente.

Considerandos:

"The impact of this global economic slowdown on the Thai economy has come faster than many had anticipated. The value of our exports in US dollars fell by 18.6 per cent in November, while the quantity declined by 22.6 per cent. The number of tourists in September shrunk by 16.5 per cent compared to the same month last year. The value of investments under promotion during the past 11 months fell by around 40 per cent. The construction sector continues to contract. Government revenue from taxes and other sources in 2009 is expected to decrease by 10 per cent from the previous estimate.

In 2009, the global economy is expected to grow only slightly. We can expect to see a slowdown in our exports, a decrease in the number of tourists, a drop of the price of agricultural produce, as well as sluggish investment by the private sector. As a consequence, the number of unemployed is expected to rise from 500,000 to one million, bringing with it more poverty, social problems and crime. Moreover, if the existing political differences which have exacerbated into a conflict among the people are left unresolved, and the confidence of investors and tourists not restored, our country’s economy and tourist industry would be heading towards recession.

In addition to those issues which need urgent attention, the Government will attach importance to the country’s long-term fundamental weaknesses, as these cannot be ignored. At present, Thais have an average of only nine years of compulsory basic education, which is less than the average of Asian countries at ten to twelve years. Problems in the quality of education have caused students’ educational achievements to remain below standard in important subjects, such as Thai language, English language, mathematics and science. Meanwhile, Thai people today live longer but are experiencing more health problems. Our senior citizens are afflicted with hypertension, diabetes and heart disease, all of which require continuous care and expensive treatment. Safety of life and property remains a major challenge for Thai society; so does the problem of drugs abuse. The accelerating degradation of our natural resources and the environment, in both urban and rural areas, has directly affected the quality of life of the people as well as our national competitiveness.

The Government will therefore implement its policy in various areas in parallel with addressing the country’s urgent problems, so as to achieve sustainable development of the country. These include, among others, preparation for an ageing society; climate change and global warming; food and energy security; building of a knowledge-based and creative society; poverty alleviation and income disparity; development of good governance, rural development and decentralization of administrative powers; as well as promotion of Thailand’s role on the international stage; enhancement of economic linkages with other countries in the region, and peaceful development cooperation with our neighbouring countries."

Abhisit é um conhecedor da situação económica e social e portanto capaz de fazer uma análise clara das grandes tarefas que se colocam na sua frente. Igualmente sabe bem quanto tem custado ao país a divisão na sociedade e a consequente instabilidade política em que se tem vivido desde os finais de 2005.

Para enfrentar o cenário que traçou, realista e cheio de desafios anunciou quatro políticas base:

This Government considers it our foremost mission to lead Thailand through the current global economic crisis towards sustainable growth, to heal social division and ensure for Thais a better quality of life, to put an end to the political crisis and undertake political reform consistent with the system of democratic governance with the King as Head of State. To this end, the Government will undertake its actions based upon the following four basic guiding principles:

"Firstly, to protect and uphold the Monarchy in its role as the centre of national unity and harmony among Thais, to enshrine the Monarchy in a position of reverence above all forms of political conflict; and to take all necessary measures to prevent any infringement of the royal inviolable position;

Secondly, to foster reconciliation and harmony on the basis of righteousness, justice and concurrence of all sections of society;

Thirdly, to rejuvenate the economy and ensure its sustainable growth, while alleviating negative impact of the economic condition faced by the people;

Fourthly, to further develop stable democracy and political system, and ensure compliance with the rule of law, and enforcement of laws on the basis of equality, justice, and universally accepted norms."

No seguimento do seu discurso de mais de 2 horas o PM desenvolveu estes pontos mas acabou por se focar fundamentalmente nas questões económicas e num pacote de medidas no montante de cerca de 8,7 mil milhões de USD fundamentalmente dirigido a restabelecer a confiança no sistema bancário e na capacidade dos bancos emprestarem dinheiro aos sectores mais afectados pelos efeitos no país da crise económica internacional. De igual modo foram retomadas um largo conjunto de medidas, postas em prática pelos governos de Thaksin através do reforço da regionalização e das respectivas Administrações e da canalização de fundos para as comunidades rurais especialmente no Nordeste do país.

Uma palavra para referir o facto de ser restaurada fundamentalmente a política de Thaksin para o conflito no Sul do país que não teve grande sucesso. Sendo os Democratas largamente dominantes nesta zona do país, e no momento em se viu aumentar significativamente os ataques após a tomada de posse do Governo, sendo este período já o pior de sempre neste conflito que em mais de 4 anos já fez cerca de 4.000 mortos, esperava-se a implemantação de uma política inovadora e mais baseada nos grupos locais e não na criação da uma Agência para o Sul como em tempos já foi experimentado.

Entretanto o braço direito de Abhisit e Secretário-Geral dos Democratas, Suthep está encarregado de mediar com Thaksin o seu retorno ao país uma medida tendente a trazer acalmia e paz para todos. Suthep, foi em tempos próximo de Thaksin, aliás como a maioria dos políticos, tendo sido mesmo convidado para SG do Thai Rak Thai o primeiro Partido daquele.

Agora resta observar a capacidade de implentação destas medidas mas nada será conseguido se não se encontrar uma formula para conciliar o grosso das questões que divide os tailandeses, que muitos colocam como a questão monarquia-républica, o que é uma visão errada visto os tailandeses serem incondionalmente a favor do seu Rei.

A questão está em encontrar uma forma de elevar o nível educacional e social no interior do país, atenuar as diferenças entre uma elite urbana excepcionalmente rica e uma população rural pobre e obrigada a migrar à procura dos empregos mais degradantes nos centros urbanos, tornar a governação limpa e responsabilizável, fazer com que as pessoas acreditem na justiça, e fazer com que os militares consigam conciliar o seu voto de obediência à monarquia com a simultânea obediência a um poder político democraticamente eleito sem a qual a eminência de golpes e interferências daqueles que detêm as armas destroi as capacidades que a Democracia tem para oferecer ao povo e ao país.

Tem a palavra Abhisit e o seu Governo mas também a Oposição e as outras forças no país para que seja levada a bom porto esta nau que navega em mares difíceis.

( os sublinhados no discuro do PM são meus para ajudar a leitura )

domingo, 4 de janeiro de 2009

Fim do Ano


Fim do Ano de 2008 passado em Vientiane. capital do Laos um dos últimos países onde os lideres ainda se chamam Camaradas e onde por todo o lado se vê hasteada a par da bandeira do país a bandeira vermelha com a foice e o martelo, símbolo de um passado que não deixa saudades!

Vientiane por outro lado é uma cidade tranquila, pequena com pouco mais de 200.000 pessoas e capital de um país, que apesar de estar em 151 lugar na classificação dos países por PIB nominal per capita, tem um sorriso bem sincero nas faces dos seus habitantes.

A capital. na margem do rio Kong (normalmente chamado por nós Mekong), mesmo do outro lado de Nong Khai, capital da província Tailandesa com o mesmo nome, tem imensos traços da passagem dos franceses pelo seu país, nos letreiros das ruas, nos nomes dos Ministérios, na grande quantidade de restaurantes franceses, e mesmo na língua que apesar de ser muito semelhante ao tailandês tem nalguns sons lembranças da colonização francesa.

A história do país mistura-se muitas vezes quer com a Tailândia quer com o Vietname.

Nos anos do Reino Lan Xang, o reino dos mil elefantes, a partir do século XIV parte dos territórios que hoje são Tailândia, como o Norte e o Nordeste, eram território reclamado pelo Rei Somdetch Brhat-Anya Fa Ladhuraniya Sri Sadhana Kanayudha Maharaja Brhat Rajadharana Sri Chudhana Negara, mais conhecido por Fa Ngum (nome hoje dado à avenida que ladeia o Kong), rei que veio a morrer onde hoje é a província tailandesa de Nan. Fa Ngum reinava desde aquilo que hoje é a China até aos campos de Champasack, fazendo por vezes algumas incursões até Angkor. Durante o seu reino o Reino de Lan Xang era o maior desta região.

Muito mais recente é a relação com os Vietnamitas que atinge o seu auge no século XX durante os anos das lutas comunistas que assolaram o Laos e o Vietname. Ainda hoje existem várias zonas do país crivadas de minas lançadas por ar pelos americanos durante a guerra contra os comunistas do Vietcong que se serviam do Laos como retaguarda da sua batalha contra o "imperialismo" americano.

No Museu Nacional do Laos podem ver-se essas várias etapas da vida do país até aos dias dos camaradas que actualmente lideram e ao grande apoio dos lideres dos países comunistas amigos, assim reza o que se vê na última sala do Museu.

Como sempre na Ásia o pragmatismo prevalece e apesar de estarmos num país comunista o que mais interessa são os objectivos imediatos e as relações principais hoje em dia são com os "suspeitos do costume". Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália, China e Coreia (do Sul entenda-se que a do Norte fechou a sua missão aqui). No fim de contas são este grupo de países aqueles que pode comprar os bens que o Laos produz, e que pode atribuir a tão necessária ajuda humanitária para a construção de escolas, hospitais, etc.

Comunistas à parte não deixei de ver um Hummer e um Lamborguini e as matrículas eram do Laos não de outro país qualquer. É de certeza um mal sinal pois quem trabalha honestamente neste país não consegue ter dinheiro para tanto nem mesmo para encher um depóstito de gasolina para aqueles "cavalos" todos.

Vientiane, bem como o Laos, são bem merecedores da nossa visita e revisita pela sua naturalidade e simpatia e o facto de uma pessoa se sentir bem ali. Pouco há para fazer mas tem o encanto de se estar num sítio que é um grande contrastaste com o reboliço de uma metrópole como Bangkok. Encontrei contudo uma livraria de muito boa qualidade para além de outras, várias, mais pequenas, sinal de que existe hábitos de leitura na terra.

Enfim, uma entrada em 2009 bem suave como deve ser visto que na realidade entre a meia noite de 31 de Dezembro e as 0:01 de 1 de Janeiro para mim não vai mais do que um segundo. O resto é folclore que me diz muito, mesmo muito pouco.

O anúncio da festa parecia ser uma premonição do desastre

Entretanto Bangkok acabou mergulhado num outro desastre. O Santika que deveria estar fechado há 4 anos ainda não estava e como muitos lugares por esse mundo fora, com alguma incidência aqui na Ásia, não respeitam nada na ganância do dinheiro e agora 64 vidas perderam-se dos quais 13 ainda não foram identificados, e 86 pessoas estão ainda hospitalizados sendo que 24 nos cuidados intensivos.

O dono e outros irão ser culpabilizados mas quem também deveria estar no banco dos réus eram os juízes que deram uma licença precária, contra a decisão da Polícia em fechar o estabelecimento, o que permitiu ao Santika operar atropelando todas as regras de segurança e pôr em perigo a vida de todos como agora ficou evidente. Argumentam os Juízes agora que a Polícia quis tirar a licença sem base legal, mas é sabido quem dá licenças de funcionamento a estabelecimentos como o Santika é a Polícia. Mais informa o Supremo Administrativo que a Polícia recorreu da senteça desse Tribunal em 2007 e que deverá aguardar o julgamento. Será que os mortos que já houve não são suficientes para calar o porta voz do Supremo Admiistrativo?

Estou a ler actualmente um livro escrito por um jornalista e escritor Italiano que vive há longos anos na Ásia e que a páginas tantas diz: "as in so much of Asia nothing is really illegal". Infelizmente é uma das verdades que se aplica ao caso Santika.

Entretanto um dos principais videntes/adivinhos/astrólogos , sempre muito houvidos por tudo e por todos, mesmo todos, previu, isto ainda nos finais de Dezembro, que haveria um grande fogo em Bangkok em Janeiro e para já acertou em cheio. Outras coisas ele diz mas por ora vou guardar para mim visto na generalidade não serem muito boas.

Que o Ano de 2009 consiga trazer de novo às nossas faces grande parte do sorriso que 2008 quis à viva força tirar.

É somente isso que desejo a todos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Programa do Governo


Esta manhã a Polícia tentou abrir as portas do Parlamento sem sucesso mas sem evitar algumas confrontações com os manifestantes o que começa a ser um mau sinal visto ter havido algumas escoriações.

A Polícia mostra-se de novo ineficaz e incapaz de lidar com manifestantes e é sabido ao que isso levou no caso das manifestações do PAD. Pelas fotografias acima vê-se que a UDD é um movimento ainda pequeno, com pouco dinheiro e pouca organização, mas como escrevia ontem, se lhe dão tempo pode crescer e tornar-se um PAD, o que não se deseja.

O Governo de igual modo mostra-se pouco esclarecido e, sem que o Presidente do Parlamento tivesse consultado os vários lideres parlamentares, numa grossa violação das regras Constitucionais em vigor, fez mudar o local de apresentação do seu Programa para o Ministério dos Negócios Estrangeiros levando a que os Deputados da Oposição anunciassem que irão boicotar tal sessão devido a esse desrespeito pela lei.

Aliás o PM foi ingénuo primeiro anunciando que iria apresentar o programa de governo através de todos os canais televisivos chegando assim a todos os representantes do povo (sic) para posteriormente já não respeitar "esses representantes" e convocar a reunião para outro lugar como se fosse ele próprio o líder do Parlamento. Por outro lado para quem apregoava ainda não há muito tempo que os votantes do Norte do país (os que lhe são adversos) eram incultos e vendiam facilmente os seus votos, não me parece que o PM esteja a ser muito coerente com os seus pensamentos ou será como aqueles que dizem que em política o que hoje é mentira amanhã é verdade. Penso que foi um "grade filósofo" do futebol português que proclamou tão "elevada" mensagem.

Abhisit, violando as regras Constitucionais, no entendimento de alguns, acabou por juntar os dois planos e decidiu realizar a sessão numa sala do MNE e utilizar a televisão, mas apenas a NBT, para "apresentar ao país" o seu programa. Ao fim de três horas de discurso e, pela primeira vez na história da "democracia" tailandesa, o Programa foi aprovado sem votação nem discussão visto estarem na sala só os Deputados de um lado. Pelo que se pode observar pela televisão o PM parecia muito convicto de que esta é uma maneira éticamente correcta de apresentar o seu programa e assim haverá um Governo com um programa "aprovado" com o atropelo de todas as práticas até aqui usadas no país e todas as regras de ética ainda hoje mesmo reclamadas pelo Assessor do Partido no poder Banyat Bantadtan.

Um mau começo para um Governo do qual se deseja, e necessita, muito.

Reprovável!

Entretanto a temperatura vai aquecendo e a Polícia Metropolitana de Bangkok emitiu um comunicado onde se avisa a população para estar especialmente atenta em vários locais da cidade durante as festividades do fim do ano. Os locais mencionados pela Polícia no seu comunicado são: Victory Monument, Major Ratchoythain, Seacon Square, Central World, Khao San, áreas em volta de Chitralada Palace, Si Sao Thewet, Mo Chit, Soi Nana, Central Pinklao e Saphan Kwai.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Domingo em Bangkok


De volta à cidade dos anjos esperava-se um Domingo com algum calor devido à anunciada manifestação do UDD na sua luta contra o Governo de Abhisit e pela convocação de novas eleições. Ontem o Governo foi apresentar cumprimentos ao General Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, e a sempre presente figura na vida política tailandesa, e o PM deve ter ficado muito satisfeito por ter ouvido da boca daquele que " a Tailândia tinha muita sorte de o ter como Primeiro Ministro" (sic).

Aconteceu calma mas a dança parece prestes a (re)começar.

Deu-se a volta à mesa mas os parceiros continuam os mesmos.

De um lado um Governo que é contestado. Do outro aqueles que o contestam

Antes eram as marionetas de Thaksin Shinawatra e os amarelos do PAD. Agora são as marionetas de Anupong/Nevin (reconhecidos como as figuras do ano pela imprensa) e os vermelhos do UDD.

Existem algumas diferenças é certo mas a mesa (país) é a mesma e os objectivos são também os mesmos. Correr com o parceiro que se senta do outro lado dessa mesa.

Hoje estava agendada o início da discussão do programa do Governo mas os UDD arrancaram de Sanan Luang a decidiram bloquear o Parlamento para impedir essa sessão. O Parlamento e o Governo actuaram da mesma maneira que fez o de Samak/Somchai, ou seja recuando, embora hoje o Comando da Polícia disse que os manifestantes podiam ser presos por "tentativa de inssureição" artigo do Código Penal só "aplicável" aos vermelhos pois nunca tal foi dito ou feito contra os amarelos.

Este reeditar de uma política de contemporização com as manifestações desordeiras deu o que se sabe com o PAD e se este Governo vai pelo mesmo caminho daqui a uns meses teremos uma nova cena semelhante ao que aconteceu com a ocupação dos aeroportos.

Da mesma forma que o PAD, quase há três anos atrás, o UDD não está organizado nem tem fundos. Contudo se lhe dão tempo para tal acaba por se tornar num exército bem organizado e munido de todas as condições para acções extremamente bem planeadas, financiadas e dirigidas como o PAD, e portanto capaz do pior.

Este último não desmobilizou e os milhões que arrecadou estão ainda a ser utilizados para manterem as estruturas activas. Para testar a sua capacidade de mobilização e festejar os sucessos do ano, reuniram ontem em Muang Tong Thani os seus apoiantes numa grande festa de Fim de Ano.

Entretanto a grande notícia do dia foi a presença do Rei numa regata em Khao Tao, um facto pouco visto. O Rei manteve-se durante toda a competição, atento e tirando fotografias como gosta, aparentando muito boa saúde e uma cara fresca e bem disposta, podendo ver-se quase que um sorriso no gosto que estava a ter de poder conviver com os seus súbditos.

Chegou discreto, numa carrinha, acompanhado de um pequeno cortejo de carros oficiais e de um dos seus cães predilectos, Tongdaeng.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

1ª Medida Económica


Qual Pai Natal, Korn Chatikavanij, o Ministro das Finanças recentemente empossado, acaba de anunciar a primeira medida de um pacote económico que diz ser vasto e vir a cobrir os sectores da sociedade com maiores dificuldades.

Essa primeira medida vai direita aos adquirentes de casa através de crédito bancário, que passam a poder deduzir nos impostos sobre rendimentos a totalidade dos juros pagos ao longo do ano quando até aqui esse montante era limitado a 100.000 bath.

Se bem que esta medida não cubra muita gente a seja fundamentalmente dirigida à classe mais alta do país, é uma medida que tem um sentido positivo com duas facetas.

Atribui benefícios fiscais, só a quem paga impostos, e permite dar um impulso a um sector da economia com bastantes dificuldades dando uma ajuda áqueles que querem comprar habitação.

Para além disso não é uma medida populista como se temia que viesse a ser as primeiras, na sequência de declarações feitas por alguns dos apoiantes da coligação no poder.

Num momento em que é anunciado que a economia teve um crescimento negativo entre 2 e 3% no segundo semestre de 2008, que as exportações decaíram, só em Novembro, 18 % e o FDI 6,4%. é positivo ver que o Governo tem como sua primeira prioridade tentar encontrar medidas para suavizar a crise que também se abateu sobre a Tailândia.

Entretanto o Director-Geral do Orçamento, Somchai Sajjapong, avançou que a previsão para o crescimento da economia para 2009 é de entre 0 e 1%, o que não sendo bom atento o passado recente da Tailândia e do próprio Sudeste Asiático, é contudo melhor do que o cenário de recessão que ameaça grande parte do Mundo.

O Pedido de Desculpas



O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros pediu hoje desculpas ao povo pelas afirmações que fez acerca do bloqueio aos aeroportos há perto de 3 semanas.

De acordo com as fontes, Kasit, numa conversa com um grupo de diplomatas estrangeiros e jornalistas, passada no FCCT na semana passada, e presenciada por um colega meu, afirmou que a ocupação dos aeroportos tinha sido divertida e que havia lá comida muito boa e bons artistas para divertir os sitiantes.

Para quem quer assumir a pasta da Diplomacia não se consegue encontrar pior forma de começar. Se tivesse sido só num circulo restrito de Diplomatas tal seria possível mas na presença de jornalistas é demasiado descuido. O ex MNE Noppadon também fez algumas afirmações pouco recomendáveis mas essas ficaram no segredo das salas de Embaixadas.

O mais interessante é que Kasit não desmente as afirmações somente tenta dizer que porventura terão sido mal interpretadas. Na realidade não as pode desmentir visto, segundo me informaram, estarem cerca de 7 pessoas ao redor dele quando disse aquela "piada".

Para acrescentar ao pouco tacto que sempre mostrou, Kasit, no seu pedido de desculpas, diz que quer dividir a sua vida entre o que se passou até ao dia 22 de Dezembro recente a o que se irá passar a partir da sua entrada para a governação. Para uma pessoa de 64 anos convenhamos que recomeçar de novo é proeza.

Cá na terra existem provérbios que contradizem essas possibilidades mas como já escrevi na Tailândia tudo é possível.

Já tinha referido que foi uma das mais infelizes escolhas (?) de Abhisit para o gabinete num momento em que se deseja acima de tudo sarar um pouco as feridas provocadas ao longo do ano de 2008 com as desastrosas governações do PPP e os desacatos provocados pelo PAD que tanto mal fizeram ao país.

Esperamos que Kasit tenha aprendido quando pode e quando não deve tentar usar aquilo que apelidei de estilo Samak, estilo de permanente confrontação. Para os admiradores de Kasit esta pérola.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal

Queria Desejar a Todos

Muito Bom Natal



Votos de um 2009 que nos traga de novo o sorriso que 2008 quis roubar.


O Natal de Abhisit


O período de calma registado na Tailândia com a constituição e posterior confirmação pelo Rei Rama IX do novo Governo veio mesmo a calhar para este muito curto período de férias em Portugal.

Natal é harmonia na família, Natal é Paz, Natal é Esperança e, se bem que sendo um país Budista, a Tailândia necessita de todos estes valores do mundo católico, para se relançar e recomeçar a construir algo de positivo depois de mais de três anos de paragem.

Hoje SM o Rei, em audiência no Palácio de Hua Hin, sauda-se desde já a sua recuperação, aliás já referida há cerca de duas semanas, confirmou o novo Governo depois de ter sido possível tirar a fotografia da praxe de novo em frente a Government House, rehabilitada depois de gastos mais de 20 milhões de Euros que serão pagos pelos contribuintes.

Abhisit, já apelidado Oba-Mark, numa referência ao Presidente eleito dos EEUU e ao seu nick name, Mark, e à esperança nele depositada, reconheceu que o gabinete fica aquém das expectativas dizendo que teve de o constituir à pressa. Recorde-se que o prazo constitucional é de 30 dias e só a necessidade de não fazer perder o momentum pode justificar essa afirmação. Na realidade parece mais um Governo Suthep/Nevin/Militares do que um Governo com a mão de Abhisit. O próprio Chuan Leekpai foi afastado de tudo.

Vai ser bastante interessante analisar o desenvolvimento desta aliança nos próximos tempos.

Todos aqueles que contribuíram quer financeiramente quer através dos jogos de força acabaram de ser recompensados com postos e o Ministério da Defesa volta a ser atríbuido aos militares, uma ligeira subversão daquilo que é tradicional ver-se em estados Democráticos sendo os próprios a gerir o seu orçamento, e sabe-se bem quanto os militares são zelosos dos seus "quarteis".

A atribuição do lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros a Kasit Piromya, um conhecido apoiante do PAD, em cujos palcos aparecia regularmente para falar aos militantes, vai por certo ser um problema para o governo nas suas relações internacionais, nomeadamente com o Cambodja, devido às posições que assumiu e também ao seu estilo "Samak" de total confrontação contra tudo e todos, o oposto daquilo que é um diplomata. Mas o mais gritante foi a nomeação para Ministro do Comércio, uma pasta crucial neste momento, de Pornthiva Nakasai, uma empresária "da noite" ligada a um das mais famosas "catedrais das massagens não medicinais" o Poseidon, em Ratchada. A falta de capacidade de Abhisit em rejeitar o seu nome mostra as dificuldades que enfrenta. O único facto que se pode dizer em sua defesa é que o negócio prosperou sempre com ela à cabeça.

Entretanto muito preocupante para o país foi o anúncio feito hoje pelo Presidente da Toyota de que este seria o pior ano de sempre da companhia com uma quebra de vendas de 50% e que não estava em condições de prever o futuro para o Grupo. Sabendo-se da importância da Toyota na economia da Tailândia este anúncio vem na pior altura e será mais uma machadada a acrescentar à já grande lista de sectores que estão a gerar desemprego.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Situação Económica na Tailândia



O Tourism Council of Thailand (TCT), o organismo independente onde se juntam governo, operadores e utilizadores dos serviços de Turismo, acabou de divulgar as conclusões da analise sobre o sector e as previsões a curto prazo para o país.

É esperado que o fluxo de turistas que entrem no país durante a presente estação alta, decresça em cerca de 3 milhões ou seja 20% do total previamente esperado para o ano. Isso terá um impacto negativo na ordem dos 109 mil milhões de bath (2.200 mil milhões de €). Como já anteriormente referi a maioria dos hotéis de 5 estrelas está "às moscas", alguns mesmo sem clientes e todos os outros serviços adjacentes, museus, locais turísticos,restaurantes,bares, zonas de animação, agências de turismo, guias, etc, estão despedindo pessoal devido à falta de clientes. Os únicos que mantém umas taxas de ocupação razoável são os hotéis não classificados ou de 1/2 estrelas mas mesmo assim aquela é de 19% de acordo com o TCT. A Thai Hotels Assotiation prevê que cerca de 30% dos efectivos empregados no sector hoteleiro serão despedidos durante o ano de 2009.

Em Chiang Mai era previsto estar-se a realizar neste momento a 14ª Cimeira da ASEAN, com a participação das delegações dos 10 Estados Membros mais a China, Coreia do Sul e Japão e igualmente uma delegação do Banco Mundial encabeçada pelo seu Presidente e outra das Nações Unidas com Baan Ki-Moon a liderar. Os hotéis estavam todos reservados e sei de pessoas que não conseguiram fazer marcações em Outubro devido à cimeira. Neste momento esses mesmos hotéis estão totalmente vazios e a cidade que iria receber cerca de 3.000 pessoas entre Delgados, assistentes e jornalistas está deserta.

Os Governadores de Phuket, Krabi e Phang Na solicitaram ao Governo Central ajuda para poderem enfrentar a crise.

O turismo foi afectado devido à instabilidade política existente no país fundamentalmente por causa do fecho dos aeroportos mas não é só o Turismo que está a ser afectado ao ponto de o Banco Central hoje vir requerer ao novo governo a implemantação de medidas extraordinárias e não convencionais de modo a poder enfrentar-se a crise que se alastra a todos os sectores da economia.

Primeiro foi a industria automóvel, logo seguida pela electrónica, os dois principais pilares das exportações no país (estes dois sectores entre produtos acabados e peças ocupam os quatro primeiro lugares na tabela das exportações), a entrarem em forte quebra induzida pelo arrefecimento da procura nos mercados de destino. Hoje é referido que a Associação dos Produtores de camarão decidiram reduzir a produção em 20%, com os consequentes cortes na força laboral, devido igualmente à retracção da procura externa.

Pela primeira vez este ano a venda de veículos caiu 1.88%. Pode parecer nada para quem na Europa vê esses números multiplicados exponencialmente mas o facto é que todas as marcas fortes no mercado estão a vender entre 6 e 17% a menos este ano com excepção da Honda que regista ganhos. A indústria automóvel e de acessórios é o maior empregador no país e um dos grandes motores das exportações e do consumo interno.

O cenário é muito pouco favorável para uma economia tão aberta como a tailandesa e o Presidente do Bangkok Bank, o maior banco do país, advertiu hoje que se não forem tomadas medidas urgentes o próximo ano poderá ver o pais registar um crescimento negativo da sua economia.

Do ponto de vista orçamental se bem que a balança comercial deva apresentar ganhos, devido à contracção da procura e portanto das importações, existe uma grande preocupação com a falta de animação do consumo e consequente arrecadamento de receitas. Mesmo assim alguns analistas aconselham o novo gabinete a reduzir o IVA de 7 para 5%. Contudo este já afirmou que irá prosseguir, à sua maneira, algumas das políticas populistas de Thaksin, que custam muitos milhões, não só para conquistar os corações dos que não os apoiam mas também para dinamizar o consumo interno.

Abhisit, Doutorado em Economia em Oxford irá, ao que tudo aponta, liderar ele próprio a equipa económica visto haver a consciência de que atacar estas questões é uma das prioridades do novo executivo. Contudo Korn Chatikavanij, seu companheiro de estudos em Oxford, Secretário-Geral Adjunto do Partido, ex Managing Director do JP Morgan Thailand, e o muito provável novo Ministro das Finanças, adverte que ainda antes desse ataque á economia há que criar as condições para unir o país e trazer os irmãos desavindos para a mesma mesa.

Uma árdua tarefa para um PM que acaba de receber a necessária aprovação pelo Rei para iniciar a formação do seu Governo e apresentar ao país o seu programa de governação previsto para o dia 26,

Imagens

Estas são, algumas das imagens, felizmente do passado ainda que recente, que não ajudam nem o país nem o seu Monarca, que sem o pretender é envolvido nestas disputas.

Seria bom que o sistema policial e jurisdicional punisse estes comportamentos de forma igual para todos, sejam eles "amarelos" ou "vermelhos".

Muitas criticas já circulam à (nova) atitude do Comando da Polícia em apresentar queixa judicial, e muito bem, contra os "vermelhos" por terem atirado pedras aos carros dos Deputados na Segunda-feira,mas não ter tido o mesmo comportamento com os "amarelos" quando praticaram, documentadamente, os maiores vandalismos, inclusive ao próprio património da Polícia.

A justiça e as forças da ordem só ganham quando são independentes e não olham à cor dos infractores mas aos actos que praticam.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mark e as Flores


Mark é o nome pelo qual é conhecido o novo PM Abhisit.

Nos últimos dias andou a distribuir flores por todas "as capelinhas" na sua ronda á procura de apoio para a sua nomeação. Diziam-me hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros que as flores tinham sido muito caras pois eram sempre rosas importadas da Holanda.

Foi a casa de todos os lideres dos Partidos coligados com o defunto PPP oferecer flores facto que foi por demais divulgado na comunicação social.

Entenda-se que este é um hábito bastante salutar e deveras agradável dos tailandeses e é sempre melhor receber um ramo de rosas do que os espinhos.

Mas Mark não se limitou unicamente aos lideres que lhe podiam dar votos. Era necessário ter o apoio de todos e por isso visitou o seu amigo, sem aspas, de longa data, o feiticeiro do PAD como se pode observar na imagem. O único que conseguiu escapar às lentes dos repórteres foi o General Anupong Paochinda figura central em todas as movimentações recentes. Para quem tem interesse em entender o papel das forças armadas na política na Tailândia aconselho o artigo que hoje saiu no Bangkok Post e que pode ler aqui.

Amizade




Só um dia após ter garantido que Abishit Vejjajiva fosse eleito o novo PM da Tailândia, Nevin Chidchob, começou a receber o pagamento.

Num processo em Tribunal em que ele, como Ministro da Agricultura num dos Governos de Thaksin Shinawatra, era acusado, a par de um outro grande numero de políticos, de ter usado fraudulentamente o dinheiro de um Fundo dos Agricultores para comprar rebentos de árvores de borracha por um preço considerado exorbitante, Nevin acaba de ver ser-lhe atribuída uma caução de 2 milhões de bath o que em boa linguagem judicial tailandesa significa que "está safo".

Interessante verificar que o Tribunal só decidiu em relação a ele e todos os outros acusados continuam em julgamento, nomeadamente o antigo Vice-Primeiro Ministro, e um dos mais consagrados catedráticos no campo da Economia no país, Prof. Somkid Jastupitak.

Escumalha


Não gosto da palavra escumalha, aliás nunca gostei muito de adjectivos especialmente quando eles se destinam a classificar pessoas.

Bem sei que o nosso mundo está diferente, que a luta diária por um posição, um lugar, um pouco de ar, nos faz por vezes demasiado focados numa só realidade e nos impede de parar e escutar. A nossa corrida diária é um grande obstáculo para que sejamos capazes de ler e ouvir ao lado e só assim opinar.

Já uma vez referi uma frase que me ficou do Professor C K Prahalad " It is not important to be qualified. What is important is to stay qualified". Tento lembrar esta mensagem todos os dias naquilo que traz consigo da necessidade de abrirmos mais as nossas orelhas do que a nossa boca.

Vem isto a propósito da referência, já anteontem escrita, que o Miguel Castelo Branco faz aos apoiantes, daquilo que vulgarmente se chama "os Vermelhos" por oposição "aos Amarelos" do PAD. Uma escumalha de baixo nível, gente muito pobre, etc. Aliás esta mesma afirmação encontra-se no blog do PAD:

So Red-shirt Gangsters became crazy Furious, angry and low-class Red-shirt Gangsters as same as Thaksin, their father.

Por acaso encontrei estas imagens dessas gentes de baixo nível, trazidas da província para encherem os comícios na cidade.


Esta do Comício no Dia 1 de Novembro






Mais interessante é a conversa com a elite urbana. Embora não entenda quem faria então a política se "os políticos não deveriam fazer política". Entendo contudo a frustração que existe nestas camadas de jovens profissionais urbanos (também não gosto da palavra elite) e a sua dissociação com a vida do país. O mesmo se passa infelizmente no mundo. Obama terá sido uma Change ao ter conseguido trazer para a vida política grande numero de jovens. Na realidade o problema não está neles. O problema está naqueles que querem "representar" os interesses deles sem terem a mínima ideia do que é ética, clareza, e outros adjectivos que ora me atrevo a utilizar. Os políticos, aqui como em Portugal e muitos outros lugares do mundo, conseguiram a fantástica proeza de afastar os jovens da vida comum, visto lhes ser muito mais vantajoso não ter de suportar pessoas incómodas e interessadas no comun e não no particular.

Embora de forma diferente, quer o Miguel quer eu, interessamo-nos deveras por este país e pelas suas gentes (elites ou escumalha) e muitas e boas discussões se passam à volta de um bacalhau e de um bom vinho português e é isso, uma das coisas, que nos vai enriquecendo aos dois.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O 27º Primeiro Ministro




A Tailândia tem desde esta manhã o seu novo Primeiro Ministro, Abhisit Vejjajiva de 44 anos nascido e crida em Inglaterra onde os seus pais trabalhavam quando veio ao Mundo.

Este filho de uma elite urbana, como é apelidado hoje por vários meios de comunicação, tem uma tarefa porventura maior do que a sua experiência pode fazer crer. Já o compararam ao Pai Natal, aquele que traz boas notícias e alguma esperança especialmente quando dela muito se necessita. Pode eventualmente dizer-se que é um Obama à tailandesa.

A maioria que conseguiu, 233-198, é escassa atento ainda que no dia 11 de Janeiro haverá 30 lugares em disputa nas eleições intercalares, com fortes possibilidades de ganhos para a actual oposição, e foi conseguida após uma luta incessante pela compra dos votos com milhões de bath atirados para o colo dos Deputados, mas é a suficiente para segurar a posição de PM. Agora o que se espera é que consiga liderar todas as facções e todos os interesses que querem ser satisfeitos de forma a levar por diante este país tão necessitado de uma liderança transparente.

Abhisit era tido por alguém que nunca chegaria ao poder visto ser um elemento estranho ao modo de fazer política aqui. A única acusação que lhe é atirada é a de que terá falsificado documentos para fugir à tropa, o que a provar-se ditará a sua condenação a três anos de cadeia, mas nunca ninguém levantou a menor suspeita por envolvimento em práticas corruptas tão comuns ao funcionamento dos Partidos e dos políticos.


Contrariamente à compra de votos directamente dos eleitores, que levou à dissolução dos Partidos da antiga coligação no poder, o pagamento de dinheiro e favores aos Partidos que conseguirem fazer os seus Deputados mudarem de sentido de voto não está previsto na Constituição e como tal não é passível de qualquer procedimento criminal pelos órgãos judiciais.

Por coincidência celebra-se hoje o Dia Internacional Contra a Corrupção e na sessão comemorativa no edifício das Nações Unidas houve uma sessão em que estiveram presentes, entre outros, o Presidente e um Comissário da National Anti-Corruption Commission (NACC) e uma Professora, Dr Juree Vichit-Vadakan, da Tranaparency Thailand, que abordaram o tema e a forma como a Tailândia o encara.

Infelizmente o NACC bem como da maioria dos órgãos de controlo da Democracia, têm os seus actuais membros nomeados não por uma entidade representativa do povo, como inclusive é exigido pela Convenção Contra a Corrupção á qual a Tailândia aderiu em 2003 mas ainda não ratificou, visto aquando do Golpe de Estado de 2006 os militares terem removido os que lá estavam e terem aí colocado pessoas da sua confiança.

Aliás essa falta de transparência foi gritante quando um Comissario do NACC disse, para espanto de todos e alguns risos na assistência, que, "com a eleição do novo PM a relação da Comissão com o Governo irai mudar substancialmente".

Mas o mais interessante foi dito pela Dra. Juree referindo-se aos grandes obstáculos que têm de ultrapassar para fazer entender a mensagem de que a corrupção é um problema de todos.

Referia: A aceitação de que a corrupção faz parte do funcionamento da socieade; A falta de sanção publica perante a corrupção; A permissividade face a práticas corruptas; O sistema de subordinação hierárquica, no mau sentido. Utilizou a palavra "patronage"; A normal tolerância tailandesa e a atitude submissa que lhe está adjacente.

No fim a aceitação social de que a corrupção é um facto da vida e é "assim que se tem de viver". Nós, em Portugal, conhecemos bem esta questão pois sabemos quantas vezes temos de "dar uma palavra" a alguém para conseguir aquilo que o sistema deveria produzir por si normalmente. Sabemos bem que se conhecermos alguém no serviço, no hospital, na escola, na Câmara, etc, os assuntos andam mais depressa do que o normal. Esta aceitação social, que é um problema mundial, faz-nos no fundo cúmplices de práticas que deveríamos lutar por terminar.

Se bem pensarmos as escolas que faltam, os hospitais que não existem, as estradas que estão por fazer, os esgotos necessários á saúde de todos, a comida que aquelas bocas pedem, os livros que nunca chegam às escolas ou a falta das pessoas certas nos lugares onde fazem falta, são porque o sistema não funcionou porque um elemento alheio, a corrupção, lá apareceu.

Sabe-se como nasceu o 27º Governo na Tailândia, sabe-se das qualidades humanas do seu PM, sabe-se da sua aparente falta de experiência, mas deve-lhe ser dado o tempo para poder mostrar o que vale e para isso espera-se que os abutres que voam dentro da sua gaiola se entretenham com a "comida" que já armazenaram no processo.

E o ano de 2008 vai terminar como um dos mais turbulentos neste processo de aprendizagem da Democracia na Tailândia com a tomada de posse do quarto PM desde o início do ano.

Deseja-se que as festividades do Natal o inspirem e que o Ano Novo seja, de facto Bom.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Comício do UDD


Ontem, como previamente anunciado os apoiantes do ex PM Thaksin Shinawatra reuniram-se no Estádio Nacional, bem no centro da cidade ao contrário do que o tinham feiro no dia 1 de Novembro.

O Miguel Castelo Branco, que visitou o local
reporta, pelo seu olhar, o que se passou ontem.

Não concordo em muitos dos pontos que relata nomeadamente em dois. O número de pessoas e o a origem social dos manifestantes.
Vários meios de comunicação hoje referiam 50.000 o número de apoiantes que se encontravam no local. Não me parece ser relevante que sejam 20 ou 50.000 mas o facto é que três dos principais meios de comunicação, verdadeiros bastiões da luta anti Thaksin, falam exactamente no mesmo numero, 50.000 que por acaso é mais do que o dobro de 20.000.

Quanto ao estrato social dos manifestantes. Aí estamos 100% em desacordo. Os dois vimos através da televisão que aqueles que se encontravam no estádio são no geral do mesmo tipo que se vê diariamente nas ruas, com muitas"tias" de Channel vestidas e bem maquilhadas. Engraçado foi ver pelas 11.30 da noite num bar de um dos hotéis mais caros da cidade, onde fui, entrar um casal vindo directamente do estádio com as suas camisas encarnadas. Verdadeiro proletariado rural disposto a pagar 100 € por umas bebidas!! Por outro lado eu sempre fui um adepto de que todos nós somos iguais e não só quando nascemos. Pobres ou ricos, para mim nada me diz! A nobreza de cada um não está associada à sua conta bancária mas ao seu saber. Sempre tive uma grande convicção de que "o povo nunca é estúpido" especialmente quando vota. A sabedoria que demosntram, especialmente aqueles que são mais puros e menos "trabalhados" pelos ares e luzes das cidades, se bem analisada, é uma grande lição para os políticos que na maoíria das vezes os desprezam a não ser para lhes conquistarem o voto.

Outro dia em conversa com um lider de uma comunidade numa das províncias no Sul da Tailândia, onde existe uma situação de instabilidade que já matou mais de 3.000 desde 2002, lider esse que me relatava aquilo que entendia ser as atrocidades da Polícia, perguntava se os Deputados eleitos pela região davam algum apoio a esses movimentos da sociedade civíl como o que ele representava. A resposta foi elucidativa.
Nunca mais os vimos. Para a próxima vamos ter de escolher outros.

Passado estes fait divers não me parece que se esteja a assistir ao nascimento de uma esquerda visto não haver hoje em dia na Tailândia espaço para correntes alinhadas do pensamento político ideológico. O debate de alguns intelectuais ainda está numa plataforma tão distante dessa que me parece um pensamento remoto. Por outro lado as "massas" que são arrastadas para as manifestações fazem-no por questões "do coração" pela paixão ou pelo ódio a um homem: Thaksin e aquilo que uns vêm o perigo que ele representa para a monarquia.

Concordo com o Miguel que o Thaksin me parecer ser uma chama a apagar-se sem muita capacidade de reconquistar o terreno perdido. Outro dia dizia a um professor de uma Universidade, um astuto analista político, que se os jornais deixassem de escrever a palavra Thaksin, o que fazem em demasia, o "homem" deixaria de ter eco na sociedade. falaria para os seus apoiantes mas sem o eco que a comunicação social lhe dá. Sempre foi um verdadeiro manobrador dos profissionais do sector e soube (sabe) aproveitar-se dele muito bem, mas compete também aos jornalistas darem-lhe o devido peso e não entenderem que é a única maneira de venderem papel.

Voltando à esquerda e direita vemos que aqueles que tinham alguma relação com o Comunista internacionalista que pairou sobre a Indochina no passado estavam de um modo geral no PAD. Reciclados mas com ainda as capacidades organizativas que a vida de militância e clandestinidade propiciou a alguns.

O UDD, os vermelhos, está a milhas de distancia da capacidade organizativa que o PAd mostrou através quer dos seus lideres quer através das acções extremamente bem preparadas dos "guardas do PAD". deveria tirar as aspas pois são assim reconhecidos pelos seus próprios lideres. Aqueles são hoje um exército bem treinado, equipado e pago que controla os 98% dos manifestantes do PAD que lutam pacificamente por uma causa que entendem ser justa. Do outro lado, UDD, o mais que conseguem fazer é ameaças verbais e alguns actos isolados que levaram a cabo contra o PAD durante os tempos da ocupação da Government House.

O comício lá se terminou com um discurso, via vídeo, de Thaksin que nada de novo trouxe, e todos voltaram para casa ordeira e pacificamente sem perturbarem em nada a vida dos habitantes desta cidade e é bom de referir que o comício foi bem no coração da cidade.

O único incidente foi uma pequena bomba que terá sido atirada de um autocarro que fez muito barulho mas nenhum estragos. Vi na televisão o que se passou e era difícil mesmo perceber onde teria rebentado visto nada estar danificado.

Amanhã no Parlamento lá se irão contar as espingardas. Ainda há menos de uma hora a televisão dava como previsão que o líder Democrata seria eleito com uma maioria escassa de 241 contra 235 Deputados mas suficiente.

Deseja-se paz e capacidade de respirar mas não parece que o futuro seja uma avenida plana para quem quer que ficar á frente do país. Ainda hoje os jornais alertavam para as centenas de milhares de postos de trabalho em risco na indústria electrónica. Num país onde não existe regime de segurança social que dê alguma compensação a quem perde emprego, esses desempregados, que se irão juntar aos já cerca de 200.000 na indústria automóvel, só em Novembro, e aos milhares também no sector turístico, poderão ser uma problema social a ter em conta num futuro a curto prazo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

No Coments

Antes




Durante




Depois








Mas o pior nem são estas imagens

O pior é o estado em que ficou a economia do país nomeadamente o seu sector turístico exactamente no início da época alta e num momento em que a Tailândia está também a ser seriamente afectada pela crise mundial com o numero de desempregados a subir vertiginosamente..

Alguns dados do sector turístico:

Na semana passada, durante um dia, o Oriental , a jóia da hotelaria, e o Four Seasons estiveram vazios, isto é sem nenhum quarto ocupado. O Shangri-la teve um dia com somente 4 quartos ocupados. Este hotel deve ter cerca de 1.000 quartos. A média da ocupação dos hotéis de 5 estrelas não chega a 20%. Os turistas e homens de negócios, que mais dinheiro gastam nas suas viagens ao o país, decidiram não vir para cá. A maioria dos hotéis já cancelou o seu programa de fim de ano visto não terem reservas. A Associação dos Hoteleiros na Tailândia aconselhou os seus associados a reduzirem os dias de trabalho do staff de 6 para 5 reduzindo assim os custos. Foi igualmente aconselhado que fechassem por completo andares para poupar energia e se existem vários elevadores bloquearem alguns para o mesmo efeito e assim por diante.

Quanto irá custar ao país o que se passou ao longo dos últimos meses e quanto tempo será necessário para tentar repor a situação? Todos são unânimes em considerar que a situação é bastante pior, do ponto de vista da economia do pais e das suas consequências sociais, do que o que se passou com o tsunami de 2004.

E ninguém é responsabilizado por tal.