terça-feira, 6 de julho de 2010

Bangkok e o Sul

Já há dias relatei que a sede do Partido Bhum Jai Thai foi alvo de um atentado à bomba que fez um ferido mas não causou danos maiores.

Este e outro incidente vieram no momento em que a comunidade em geral solicita ao Governo que levante o Estado de Emergência.

Comenta-se que estes actos foram organizados para suportar a tese do governo de que o país está ainda instável e portanto é necessário continuar com grande vigilância.

Ontem foi apresentado um abaixo-assinado por associações empresariais e académicos solicitando o levantamento do Estado de Emergência e até a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, tradicionalmente sempre alinhada com o governo, fez semelhante pedido. De vários cantos da comunidade internacional vieram os mesmos ecos.

Hoje o Conselho de Ministros deverá aprovar a proposta do CRES para manter o estado de Emergência por mais três meses, uma medida que segundo muitos tem a ver com a imunidade que se quer garantir para os comandos militares e também garantir a transferência de poderes militares que acontece a 1 de Outubro sem sobressaltos.

Interessante neste episódio foi o facto do Governo do Reino do Camboja ter rapidamente apanhado os dois suspeitos do atentado e decidido repatriá-los para a Tailândia.

Deste modo ontem aterraram em Bangkok um casal que é tido por ser o principal suspeito no caso. Ficaram à custódia da Polícia aguardando serem ouvidos pelo tribunal que por certo irá determinar a prisão.

Os suspeitos, sem surpresa, negam o envolvimento no acto de que são acusados, mas referem, vá lá saber-se porquê, que são simpatizantes da UDD. Tal facto faz as manchetes dos jornais. O movimento vermelho pelo seu lado afirma que desconhece os suspeitos e não os reconhece como "seus".

Duas perguntas ficam no ar sobre esta estranha operação.

Porque é que as manchetes dos jornais destacam o facto de serem "vermelhos", criando um cenário de acusação pública, em vez de descreverem o contexto do que aconteceu ou mesmo fazerem alguma investigação sobre quer a explosão quer sobre o comportamento do Governo de Hun Sen?

Segundo porque é que o "grande inimigo" Hun Sem capturou e decidiu extraditar estes dois indivíduos no curto prazo de dois dias, quando é sabido, e relatado diariamente, que dois dos mais importantes cabecilhas da UDD, acusados de terrorismo pela justiça tailandesa, se encontram no território onde se passeiam animadamente, segundo os relatos, em Boi Phet e em Siem Reap?

Que interesses estão por detrás desta súbita aproximação de dois países que ainda estão sem Embaixadores nas respectivas capitais?

Seria interessante entender a verdade sobre toda esta história, já que aquela que nos é contada soa muito desconchavada.

Entretanto no Sul do país, aparentemente sem que isso tenha grande importância para a comunicação social, morreram nos últimos dias uma mão cheia de militares, daqueles que recebem, por dia, menos de metade do que os seus colegas que servem no ar condicionado do CRES em Bangkok. Tal facto tem aumentado o desconforto na corporação.

Ainda o Mundial

Sem comentários

Consultar o Povo

Como parte do plano de Reconciliação Nacional o PM Abhisit lançou uma mega operação entitulada 63 milhões de vozes tentando obter a opinião dos Tailandeses sobre as necessidades sentidas e quais as mensagens que queriam transmitir ao Governo para acção.

As pessoas eram chamadas a ligar para um número que o governo pôs à disposição ou a enviar emails para o sítio do PM. No lançamento do programa o próprio Abhisit esteve no Call Centre para atender a chamadas e anotar o que ia sendo dito.

Clara acção de propaganda, como sempre o são por mais bem intencionado que seja o proponente, que acabou sendo um tiro no pé.

O prazo para a campanha foi curto: de 1 a 6 de Julho.

O número de linhas disponíveis reduzido: 300 linhas.

O processo pouco claro e lançado à pressa: anunciado escassos dias antes de começar.

Conclusão. Ao fim da primeira hora o sistema intupiu com tantas as chamadas feitas tornando-se inútil a presença de Abhisit e irritando os respondentes. Quando foi retomado as queixas eram mais do que as sugestões. Os temas principais eram o endividamento das famílias e o custo de vida (como seria de esperar) e o próprio Abhisit foi bombardeado com insultos e impropérios que teve de ouvir.

Como mostra o cartoon do Bangkok Post de hoje o PM estará mais mareado do que esclarecido tantas são as questões que foram colocadas e a campanha que era suposto ser um trunfo a favor do Governo numa campanha de boa imagem acabou por se tornar um exercício pouco esclarecedor e demasiado custoso como o qualifica parte da comunicação social.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Modernidades

Em tempo de Campeonato do Mundo e de tanto apelo à introdução de alguma tecnologia que auxilie os 8 olhos dos árbitros em campo este cartoon hoje publicado no The Nation merece aplausos.

Frustação?

Várias pessoas me têm perguntado se fui de férias devido à ausência do "espaço" há já uns dias.

Na realidade não fui mas apoderou-se de mim uma certa dificuldade para prosseguir.

Quando comecei a escrever já lá vão dois anos pretendia relatar um pouco do meu dia a dia em Bangkok. Acontece que durante esse tempo aquilo que acabou por dominar o meu trabalho e o meu dia a dia na capital foi os acontecimentos políticos.

Por força da minha actividade profissional, pelo impacto no nosso viver e porque na realidade este aspecto da vida da sociedade tailandesa era o dominante.

As lutas que se desenvolveram, primeiro contra os governos de raiz Thaksin, constituídos após as eleições de 2007 em que o Partido que representava os seus interesses ganhou, e depois contra o presente governo de Abhisit Vejjajiva foram o "prato do dia", e continuam a condicionar a vida diária não só nesta capital mas também em todo o país.

A Tailândia viveu momentos muito difíceis, infelizmente bastantes pessoas pagaram com a vida as diferenças que se iam acentuando na sociedade, mas também de alguma forma foi crescendo em consciência e em entendimento a necessidade de algo ser mudado. Tal veio ontem a lume em mais uma sondagem da Universidade Católica, que confirmava que uma larga maioria, mais de 2/3 dos inquiridos, de uma amostra superior a 2.000 pessoas por todo o país, embora não acreditando no plano de reconciliação iniciado pelo Governo, estavam desejosas de ver o país caminhar num rumo democrático e onde todos pudessem ter a sua voz.

O país está disposto a aceitar a diversidade e as diferenças de opinião, sempre tão positivo numa sociedade, mas na realidade tão não acontece.

Após ter sido interrompido o protesto da UDD, e digo interrompido já que nenhuma das causas que o iniciou se alterou e portanto o seu regresso é somente uma questão de tempo, o país mergulhou num período de estranha apatia e alguns dos sinais que existem são deveras preocupantes.

Em primeiro lugar o Estado de Emergência continua em vigor, o que por si só significa que o Governo entende que o país não está estabilizado. Há muitas leis que podem ser invocadas para defender ameaças para além do Estado de Emergência. Há muitos que contestam o facto de todos os países continuarem a ter alertas sobre as condições de viagem para o país, mas esquecem-se que os primeiros a dizer que a situação não está estabilizada é o próprio governo tailandês.

O Estado de Emergência mantém-se em vigor apesar dos apelos de muitos, inclusive apoiantes do governo, nomeadamente o sector empresarial (a falta de clientes na maioria de locais como hotéis, restaurantes, lojas, etc é uma realidade em todo o país), e para sustentar a sua manutenção o governo alega o facto de ter havido recentemente dois incidentes com explosivos. Um na sede do partido de Nevin (os jornais esqueceram-se de referir que o próprio Nevin, nos tempos em que alinhava com Thaksin, fez explodir a própria casa em Buriram e quando as evidências eram tantas de que não tinha sido um atentado escudou-se num acidente) que provocou pequenos estragos e um ferido ligeiro. O outro incidente foi o lançamento de três granadas contra um depósito de combustível na região da grande Bangkok. Os jornais no dia seguinte vieram com grandes manchetes de que teria sido um acto muito bem e demoradamente preparado. Difícil de crer já que os depósitos estão desactivados há mais de 20 anos e portanto se foi longamente preparado talvez tenha começado por essa altura mas os autores esqueceram-se de reanalisar a situação. O ataque não provocou nenhuns danos para além de mostrar, ainda mais, a ferrugem que corrói esses depósitos.

Onde o Estado de Emergência está a ser eficaz é no controlo da comunicação social e de toda a informação que circula na net. Têm sido realizados vários seminários na capital abordando essa questão, que parece ser o tema do momento, e a aplicação do art.º 9 do decreto que estabelece o Estado de Emergência que autoriza o governo a fechar meios de comunicação e a exercer censura sempre que entender que a segurança do estado está em perigo. Nós portugueses, conhecemos, infelizmente, bastante bem o que são este tipo de intervenções em defesa da segurança do estado. Deveremos ser mesmo peritos a nível mundial pois sofremos essa mesma indesejada intervenção vinda de dois quadrantes políticos ditos opostos.
Nos tempos de Thaksin os abusos sobre a liberdade de imprensa eram exercidos pela via do dinheiro. O estado e as empresas que queriam estar de bem com o governo selecionavam os meios de comunicação onde colocavam a sua publicidade de acordo com aquilo que estes relatavam. Outro modo era a continuada pressão através de acções criminais contra editores ou jornalistas que escreviam artigos tidos por ser contra o regime. Agora é tudo mais silencioso e feito ao abrigo da evocação da segurança do estado. Fecham-se os meios de comunicação, bloqueiam-se acessos e prendem-se pessoas mas ninguém é acusado formalmente e nem sequer à capacidade de apelar. Assim acontece e não há contestação possível.

Os sítios de net, Twitters, Facebook, etc, que têm sido fechados atingem, segundo alguns, já a casa dos 6 dígitos e o trabalho continua. Para além disso o governo, dizia hoje um dos mais reputados professores de ciência política da Universidade de Chulalongkorn, se o facto se deveria á desproporcional força actualmente detida pelos militares e não propriamente ao governo, está apostado na erradicação de todos os meios de comunicação que não transmitam a "verdade". Um jornalista francês que trabalha para a agência France 24, refere, também hoje, que durante os incidentes de Maio foi chamado ao CRES onde lhe perguntaram porque ia regularmente ao acampamento de Rajaprasong, ao que ele disse que ali ia para obter informação. A resposta que obteve é que, como ele fala tailandês fluentemente, deveria ouvir a televisão (estatal) se queria ter informação correcta e clara (presume-se que não disseram isenta ou que o trabalho de um correspondente é sentar-se no sofá e reproduzir a informação oficial).

Para além disso muitos outros factos vão acontecendo pelo país fora que não revelam estar-se num período de reconciliação ou a para lá caminhar.

Torna-se por demais doloroso ver que a muito necessária reconciliação e unidade não avança.

Sempre acreditei que os valores não se impõem, que os sentimentos não se injectam. O fundamental quando há uma mensagem a transmitir é que ela chegue ao destinatário e dele seja entendida no sentido de assimilada. Só assim a comunicação flui só assim se criam consciências desenvolvidas e capazes de intervir para benefício das sociedades em que se inserem.

Impor seja o que for a nada conduz mas pode contudo levar exactamente ao contrário daquilo que se pretende. É a velha história de empurrar a tampa da panela com força para baixo enquanto a água continua a ferver. Não resulta ela irá saltar um dia e nesse momento em vez de ser um movimento concertado será uma erupção, sempre pior.

Um dos grandes erros que muitas vezes as pessoas fazem é saber que uma mudança está no ar mas lutar desesperadamente contra ela. Se essa mudança é inevitável, e não me refiro exclusivamente a este país refiro-me a tudo em geral, é sempre preferível sermos o agente da mudança do que sermos colhidos na torrente das águas dessa mudança e portanto sermos levados na enxurrada sem nada poder-mos fazer.

No fundo talvez seja alguma frustração que me levou a parar estes dias, na expectativa de ver algo positivo acontecer.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sétimo Céu

Estar fora faz olhar para "dentro" com outros olhos e é sempre uma alegria, uma emoção quando vemos o vermelho e verde da bandeira e das cores de Portugal a fazerem as manchetes na comunicação social.

Os dois jornais de língua inglesa na capital trazem curiosamente o mesmo título para falar sobe a inesperada goleada da selecção portuguesa contra os norte coreanos – Seven Heaven, assim titulam quer o Bangkok Post quer o The Nation.

As páginas dos jornais, incluindo os de língua tailandesa trazem todos na primeira página destaques com o "feito" da Selecção e sempre com a referência ao 7 que é o número de Ronaldo muito conhecido por aqui fundamentalmente pelo seu trabalho no Manchester United. Os tailandeses são grandes aficionados do futebol e todos os jogos do campeonato inglês são transmitidos em directo pelos vários canais de desporto pelo que os jogadores ingleses e das equipas da "premiership" ganham enorme popularidade.

Por outro lado os patrocinadores de variados produtos que apoiam o seu marketing nas imagens de jogadores de futebol estão bastante activos no mercado tailandês e existem por todo o lado promoções de produtos com as caras dos craques a actuar na África do Sul e Ronaldo é um dos que tem uma das maiores fatias nessa publicidade.

Muitos dos metros de superfície têm o seu exterior decorado com a fotografia de Ronaldo publicitando uma marca de "shampoo".

Muitas foram as mensagens de felicitações que ontem recebi pela "cabazada" da Selecção o que é sempre um motivo de orgulho e regozijo.

Esperemos agora pelo Brasil para ver a consistência da equipa nacional.

A única coisa que me preocupa agora é pensar que os Estados Unidos vão por certo requerer a nossa astúcia para resolver os problemas que têm com a Coreia do Norte.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

19 de Junho

No dia 19 de Junho "celebrou-se" um mês sobre os acontecimentos sangrentos e tristes que ensombraram a cidade de Bangkok e que puseram fim à manifestação da UDD com as consequências em perdas de vidas e bens que se conhece.

Continua sem se saber o que quer que seja sobre quem, como, e por que razão foram mortas tantas pessoas, na sua grande maíoria, civis indefesos, incluíndo alguns jornalistas estrangeiros, e foram destruidos ou danificados tantos edifícios. Muitos especulam mas verdades duras e cruas não existem.

Tarda em haver um inquérito e já ninguém acredita que a investigação que será levada a cabo (será?) por Kanit na Nakhon, venha a ver a luz do dia, como o mostram todas as sondagens que recentemente saíram onde mais de 50% dos inquiridos nela não acredita.

Como parte do "lembrar o dia 19" foi realizado, no Sábado, na Universidade de Thammasat um seminário onde falaram vários académicos que se mostraram fortes críticos do governo e da actuação das forças da ordem durante as operações que causaram as perdas que referi.

Deixo aqui o relato desse seminário conforme foi visto pelos jornalistas do The Nation, cuja leitura recomendo.

Uma curiosidade sobre esta data 19.

Foi no dia 19 de Setembro de 2006 que aconteceu o último golpe de estado. Foi no dia 19 de Setembro de 2009 que o Rei Bhumipol foi internado no hospital Siriraj, onde ainda se encontra já lá vão mais de 9 meses apesar de por duas vezes uma das suas filhas ter dito que o monarca estava bem de saúde e saíria em breve, e foi no dia 19 de Maio de 2010 que o governo decidiu avançar contra os manifestntes da UDD pondo fim à manifestação que durava desde 12 de Março terminando assim uma página triste da história da cidade e do país.

As Dores de Cabeça de Abhisit

Apesar da "reconciliação", a perseguição e prisão de já cerca de 400 afiliados da causa vermelha serem os temas principais dos meios de comunicação social outras questões se colocam no horizonte a curto prazo no que respeita a solidez da coligação e as possibilidades do partido Democrata.

Devido ao recente falecimento de um Deputado Democrata por Bangkok, será necessário recorrer a eleições intercalares que terão lugar no final de Julho ou princípios de Agosto de acordo com data ainda a indicar pela Comissão Nacional de Eleições.

Estas eleições apesar de irem eleger um só membro para o Parlamento têm vários pontos novos e interessantes.

Pela primeira vez os democratas irão confrontar-se com o partido da Nova Política (PNP), o partido político constituído pelo movimento amarelo PAD. Para essas eleições o PNP já escolheu o candidato que será um famoso actor, Saranyu Wongkrachang, apostando na sua imagem televisiva que como se sabe ajuda sempre. O PNP disputa o mesmo eleitorado que os Democratas.

Por outro lado o Pheu Thai irá apresentar como candidato um dos líderes da UDD. Nathawut Saikua, que se encontra preso mas, ainda, não incriminado.

Este partido disse contudo que não contestará as eleições se o Estado de Emergência não for levantado. Aproveita-se das palavras ditas pelo PM Abhisit quando referiu que seria necessário o país voltar á normalidade antes de se poder realizar eleições. É um facto que levar a cabo eleições enquanto o Estado de Emergência está em vigor é um contra censo já que essa mesma lei proíbe ajuntamentos de mais de 5 pessoas e portanto sessões de esclarecimento não poderão ter lugar. Sabemos bem que os tailandeses cumprem pouco essas questões legais, como se viu durante dois meses com a manifestação vermelha, mas o facto é que tal lei é sempre um pretexto para os militares impedirem qualquer ajuntamento e portanto intervir na campanha.

Estas eleições serão um primeiro teste a essas duas questões que no fim de contas testarão o estado do partido no poder e isso é crucial para um dos mais importantes debates que se irá seguir em Agosto, a aprovação do orçamento.

Actualmente o partido no poder detém, com a coligação, 260 lugares no Parlamento enquanto a oposição conta com 197 o que aparentemente dá uma vantagem considerável. Contudo há que ver que desses lugares da coligação cerca de 50 estão neste momento debaixo do controlo de Nevin Chidchob, depois das brechas que se abriram no Puean Pandiin. Sabe-se bem, e os Democratas ainda melhor, que o Bhum Jai Thai (BJT) é um partido dedicado somente aos negócios e a obter fundos e benefícios para os seus membros e apoiantes. Diz-se que Nevin paga a cada deputado, debaixo do seu controlo, 200.000 bath mensais, vindos por certo de muitos projectos de obras públicas e outros aprovados pelos ministros do seu partido. O salário nominal de um Deputado anda á volta de 100.000 bath para alem de um conjunto grande de benefícios. Para se ter a noção de quanto é importante ganhar uma dessas posições note-se que um funcionário público ganha de início cerca de 8.000 e quando atinge uma posição de topo obterá no máximo 50.000.

Nevin e o seu BJT são cruciais para a coligação liderada por Abhisit mas a sua posição de camaleões faz com que estejam em permanência a fazer valer esse seu apoio pedindo mais e mais ao PM.

O debate do orçamento é crucial para a distribuição desses fundos através dos partidos e também para a sobrevivência de Abhisit à frente do governo.

Para que o orçamento seja aprovado são necessários 237 votos favoráveis no parlamento e embora a coligação detenha os já referidos 260 lugares os membros do governo estão por lei impedidos de votar na questão do orçamento o que faz com que a coligação no poder só detenha 224 dos 237 votos requeridos.

Se nas próximas eleições, embora como mencionei se trate só de um lugar, os Democratas perderem a posição isso mostrará franqueza e levará as negociações do debate sobre o parlamento para um campo que poderá ser muito custosas para Abhisit e portanto para o seu partido.

Como uma vez aqui já referi estamos num momento na história da Democracia tailandesa de viragem com o redesenho do mapa dos partidos políticos com a ascensão dos pequenos partidos o que poderia à partido parecer positivo mas com os actores em cena, Nevin e similares, não se poderá obter grandes ganhos pois o que parece estar em desenvolvimento é o retorno á velha situação de partidos-empresas onde só conta o dinheiro que cada um consegue obter, como sempre á custa do contribuinte.

Tudo isto vai acontecer ao mesmo tempo em que vamos ter a tradicional saga das escolhas das novas posições de comando quer na polícia quer nas forças armadas que são outros das posições altamente disputadas (envolvendo milhões de bath) devido aos enormes benefícios que delas se pode tirar.

Convêm lembrar que a polícia vive há quase um ano com uma chefia interina já que Abhisit se viu impossibilitado de impor o seu candidato, numa luta que se diz ter envolvido pessoas extremamente importantes no país. Abhisit tem tido a vida muito dificultada com a polícia, sempre tida por próxima de Thaksin, ele próprio um general da polícia, mas parece estar a tentar fazê-la ainda mais complicada, ou então está a testar as águas, com a alegada criação de um posto especial no comando da corporação a ser atribuído ao seu "protegido" que tem estado a trabalhar com o CRES, o general Assawin. Este general aceitou fazer parte da estrutura do CRES quando Abhisit lá quis colocar um representante da polícia e o seu comando se mostrou renitente. A acção isolada de Assawin pode valer-lhe uma promoção mas também lhe vai criar algumas dificuldades na corporação.

Tempos interessantes.

Entretanto um jornal recordava hoje uma frase dita há anos pelo general Chavalit que referia que os governos passavam metade do tempo a recolher as populações isoladas e afectadas pelas cheias e a outra metade a tentar dar-lhes água para beber e utilizar nas culturas de arroz. Nenhum governo (por certo ele também não) fez um plano para que isso não acontecesse.

Com a mais dramática seca de há dezenas de anos a questão da água, para beber e para utilizar nas culturas, é neste momento uma questão vital e que está a "incendiar" muitos daqueles que simpatizam com a causa vermelha, fundamentalmente os agricultores do Nordeste do país, mas Bangkok continua a olhar para frases escritas no umbigo.

sábado, 19 de junho de 2010

Wassana Nanuam

Wassana é tida por ser a jornalista com maior conhecimento de assuntos militares.

O trabalho principal é feito no Bangkok Post, onde dirige exactamente aquele sector no grupo editorial, mas colabora também com a rádio e com a televisão para além de escrever.

Um dos seus livros mais lidos é uma autobiografia autorizada do General Prem que lhe deu o acesso quer a ele quer aos dados necessários para produzir o texto mostrando assim a sua confiança na jornalista.

Wassana é engraçada pois ela própria parece um militar já que usualmente se veste como aqueles com quem convive no seu dia a dia.

Costuma dizer-se que os militares têm um pacto com Wassana usando a sua posição na comunicação social para transmitir "cá para fora" factos e notícias que querem ver a circular.

Lidar com uma instituição militar tem sempre os seus segredos e procedimentos e até é capaz de ser certo esse pacto, o facto é que Wassana consegue manter sempre uma imparcialidade e sabe muito bem onde está o risco que não deverá pisar sob pena de perder a confiança daqueles com quem trabalha.

Pode dizer-se, e sei que muitos militares pensam o mesmo, que é um prazer conhecer esta profissional e ter o previlégio de a ter como amiga. Sabedora, segura e muito alheia a especulações.

Acontece que o seu estilo mudou. Veja-se este artigo que hoje insere no Bangkok Post com o título que sugere que o exército está no seu ponto mais alto na escala de poder desde os acontecimentos de Maio. Nele Wasana passou de analista e comentadora a simples relatora de factos. Não existe nele uma opinião quando era isso uma das suas grandes forças como jornalista. Apresentar os factos e fazer a sua interpretação de acordo com o vasto conhecimento que tem dos meandros militares.

Por certo que não é alheio a esta mudança de estilo, com a clara perca para o leitor, o facto de ter sido afastada de participar num programa de rádio que vinha realizando há anos. Nesse programa Wassana entrevistava pessoas ligadas ao sector militar e durante o mês de Abril, e já depois dos confrontos sangrentos do dia 10 desse mês, era natural que quizesse ouvir as partes em contenda de forma a poder dar ao público as opiniões daqueles que se opunham nas ruas de Bangkok.

Por decisão do Vice PM Suthep foi afastada do programa pois este não queria ver aparecer na televisão, estatal como todas, vozes que fossem contrárias ao regime.

Para além de Wassana vários outros jornalistas foram, substituidos, transferidos, afastados, enfim, impedidos de fazer a sua actividade pelo facto de estarem a tentar trazer para o ar e para a informação ao público vozes das duas partes que se confrontavam.

Triste. Necessitamos de ter a pena e a voz de Lek, o nome porque Wassana é conhecida pois é pequena de estatura, aptas a continuar a dar a todos a sua visão privilegiada que o conhecimento de tantos anos de contacto e vivência com os militares lhe permitiu acumular.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Informação e Comunicações

O Ministério da Informação e Comunicações acelerou a sua acção contra sítios de internet considerados uma ameaça á segurança do país, assim foram considerados todos aqueles que emitam opiniões tidas por difamatórias sobre a monarquia.

Para o efeito foi criada uma task force cujos serviços foram dotados com mais equipamento e pessoal através de um orçamento suplementar especial que foi concedido pelo cabinete.


Esta task force deverá ter atingido os seus objectivos de limpar o espaço cibernético dessas ameaças á segurança nacional num prazo de três meses. O ministro Juti Krairikish afirmou ter o seu ministério encerrado até ao momento 43.000 sítios tidos por difamatórios.

A continuar neste ciclo iremos ter, à semelhança do que aconteceu recentemente na China, uma guerra com os grandes nomes do mundo da comunicação como a Google, Microsoft, Facebook, YouTube, etc. Recorde-se que os dois últimos sofrem ocasionais "saídas de cena".

O ministro afirmou entretanto que as empresas do sector que se recusarem a colaborar nesta campanha verão os seus escritórios encerrados e os seus bens apreendidos para posteriores investigações.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Passar à Acção


O Primeiro-ministro Abhisit fez ontem, num seminário em Bangkok, um conjunto de afirmações pouco usuais e deveras importantes.

Irei simplesmente traduzir partes do seu discurso e produzirei um pequeno comentário no fim.

"Ao longo dos meus 18 anos de vida política tenho visto os políticos de uma forma crescente a preocuparem-se mais com os seus interesses pessoais do que em servirem o país".

"Esta tendência continua e acentua-se. Muitas vezes perguntei aos políticos mais importantes qual era a visão que tinham sobre a situação política actual. Estaria melhor ou pior e a resposta unânime era de que tem piorado."

"A corrupção é também utilizada como a desculpa daqueles que têm levado a cabo os golpes de estado. Isto é uma das principais razões porque o desenvolvimento do país e da Democracia tem sido adiado"

Depois de falar do Departamento das Alfandegas como sendo aquele onde existe mais corrupção mencionou o facto dos cidadãos terem o direito de se mostrar profundamente desapontados com a actuação dos agentes do poder, mas sabem bem que não têm outra solução senão acabar colaborando na fraude.

Palavras corajosas as de Abhisit, embora não tenha mencionado outros sectores da sociedade onde a corrupção é tida por ser ainda maior. Todos sabem quais são e também que fazem parte dos tabus desta sociedade.

Agora faltam as acções, como dizem os ingleses " Walk the Talk"

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma Montanha para Escalar

O Bangkok Post diz hoje que as Honduras são capazes de ser campeões do mundo de futebol antes que o plano de Abhisit para a reconciliação nacional consiga ser implementado, mostrando assim a total descrença sobre os propósitos do PM ou a sua capacidade para levar por diante tal plano.

Na realidade ninguém consegue acreditar naquilo que Abhisit tenta empurrar. Como já referi os partidos da coligação no poder não ligam nenhuma importância ao projecto afirmando mesmo que isso é um assunto do PM e que eles têm outras prioridades. Tal foi-me dito explicitamente por um Deputado do Bhum Jai Thai.

Abhisit nomeou várias comissões para levar por diante os trabalhos referentes a quatro dos cinco pontos do plano e espera que essas comissões possam apresentar conclusões até ao final do ano. Com este calendário, e acreditando que algo será produzido, eleições só serão possíveis no mínimo no final do primeiro semeaste de 2011 o que faz com que o mais correcto será levar a legislatura até ao fim, ou seja Dezembro de 2011. Note-se que por aquela altura há sempre dois pontos quentes na agenda política tailandesa que são o orçamento (e as lutas pelas dotações) e as nomeações para os postos de comando nas forças armadas e na polícia.

Entretanto enquanto o PM fala em reconciliação forças militares têm conduzido uma série de exercícios em várias províncias do Nordeste dando azo a muitos rumores sobre as verdadeiras intenções desses exercícios e da sua oportunidade visto estar ainda muito vivo nas cabeças das pessoas os confrontos entre os militares e os militantes vermelhos cuja principal base de apoio é precisamente o Nordeste do país a zona mais populosa e onde vivem cerca de 4 milhões de pessoas com um rendimento mensal inferior a 1.200 bath (25 Euros), de acordo com o que ainda ontem mesmo afirmou o Ministro das Finanças numa entrevista.

Para além desses movimentos militares as constantes buscas e prisões efectuadas pela polícia em várias zonas do Nordeste (há neste momento mais de 100 elementos ditos pertencerem à UDD que foram detidos por militares e cujo paradeiro é desconhecido) criam inquietação nas pessoas. Tal ficou bem demonstrado na massiva presença de activistas vermelhos no funeral de um elemento vermelho assassinado na passada semana em Korat. Este foi a primeira manifestação, embora espontãnea, do movimento pós 19 de Maio. Recentemente foram assassinadas 6 pessoas, todos vermelhos e na maioria no Nordeste, e os dedos estão apontados aos militares. A polícia, encarregue de averiguações, como sempre mostra-se inoperante.

A mesma inoperância aprece estar a contaminar a comissão liderada por Kanit (no cartoon acima procurando provas), encarregue de investigar os acontecimentos sangrentos de Abril e Maio em Bangkok, visto que este não consegue encontrar pessoas para a constituir.

Outro dos pontos que está neste momento indo no sentido contrário ao do anunciado pelo PM é o da reforma do sector de comunicação social. Lembre-se que Abisit disse querer uma comunicação social livre e responsável. O Dr. Gothom Ária na passada Segunda feira numa conferência na Universidade de Chulalongkorn quando lhe perguntaram qual era a sua opinião sobre aquela declaração do PM disse que para Abhisit responsável deveria querer significar "que não dissesse nada contra o governo". Entretanto o Governo criou uma Comissão (mais uma) para conter e reprimir (to repress foi a palavra usada) a utilização da internet com comentários tidos por contrários aos sentimentos monárquicos. O número de sítios de web bloqueados nos últimos tempos é muito grande e a política de "Big Brother" está definitivamente implementada. O Ministério da Comunicação e Informação viu o seu orçamento reforçado com verbas destinadas a contratar especialistas em informática para aquele efeito. O número de pessoal actualmente em funções no serviço disso encarregeado duplicou já durante este mês de Junho. Relembre-se que o orçamento para a Educação e Saúde, entre outros, foi reduzido.

Entretanto o país está a sofrer a pior seca de há décadas e, segundo me dizia um membro do Governo na semana passada, isso vai ser o pior problema que Abhsiit terá de enfrentar a curto/ médio prazo pois irá afectar a economia do Nordeste e do país de forma significativa. Sempre esta larga zona do país em rota de colisão com o PM. As principais barragens do país estão a um nível nunca visto e nas duas principais, Bhumiphol e Sirikit (nomes do Rei e da Rainha) só 4% (não é engano é 4%) das reservas existentes podem ser utilizadas.


Na realidade ainda vamos ver as Honduras ganhar o campeonato do Mundo de futebol antes de tudo o resto. Talvez em 3010, se ainda houver planeta Terra

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reconciliação e Interesses

Reconcilio ou não reconcilio parece ser o dilema de Abhisit.

Tanto diz que sim como diz não. Na Quinta-feira disse não estar confiante no processo. No sábado voltou a afirmar o seu compromisso com o "road map" para no Domingo vir a dizer que este poderá ser implementado em seis meses mas os resultados só serão visíveis dentro de 3 ou 4 anos. Talvez por isso o Secretário geral adjunto admitiu ontem que uma das soluções que a Comissão Nacional de Eleições vê para a presente instabilidade e para as faladas dificuldades de se conseguir realizar eleições livres é emendar a Constituição alterando o prazo do mandado parlamentar para 10 anos mantendo assim o presente governo até o final de 2017. Um verdadeiro golpe de estado Constitucional.

Entretanto a ABAC, universidade católica, fez uma sondagen que de igual modo mostrava o cepticismo face ao plano já que 60% dos respondentes estavam descrentes no processo e não acreditavam que ele fosse levado para a frente.

A teoria de ganhar tempo por parte do governo assenta perfeitamente com a estratégia dos parceiros da coligação cujo único objectivo, como disse há dias, é dinheiro e poder. A manutenção de Abhisit à cabeça do governo deixa-lhes tempo e espaço para realizarem as preparações necessárias para esses seus objectivos. O mesmo se pode dizer no que respeita as forças armadas que nunca viram tanto dinheiro ser canalizado para o seu orçamento como durante este governo. O orçamento para o ano fiscal 2010/2011 que previa inicialmente uma redução no orçamento militar acabou com um aumento de cerca de 15%, quando ao mesmo tempo os recursos para a educação, saúde e recursos naturais (o país debate-se com a pior seca de que há memória), a título de exemplo, foram reduzidos.

Tudo parece estar a ser feito para que se perpetue a presente situação até serem atingidos os objectivos dos pequenos partidos da coligação, altura em que forçarão a realização de eleições.



Entretanto a contestação ao nome do nomeado para encabeçar a comissão dita independente para averiguar os incidentes sangrentos dos últimos meses aumenta de tom e vieram a lume relatos da actuação de Kanit na Nakhon, quando em 1996, na altura em que era o Acusador Público, mandou arquivar um processo de alegada corrupção na aquisição de terras em Phuket, destinadas àqueles que não tinham terras, e que acabaram todas nas mãos das famílias poderosas da província. Esse processo passou-se na altura do governo Democrata e para além de haver um cunhado de Kanit envolvido o grosso dos putativos implicados eram membros do partido no poder, o mesmo de agora. Kanit é acusado de favorecer o partido Democrata o que alegadamente poderá acontecer agora.

Abhisit parece cada vez mais ser usado quer pelos seus parceiros de coligação quer pelos militares como alguém que tome conta a faça o trabalho "chato e difícil" de governar enquanto esses se encarregam de zelar pelos seus interesses muito próprios.

Abhisit de uma forma genuína lança ideias, promove projectos e depois as coisas só acontecem na medida em que não conflituam com os interesses e poderes dessas "máfias" políticas tremendamente bem organizadas e financiadas. Por isso dizia Nevin, na semana passada, num pequeno círculo onde estava um amigo meu, que tem neste momento mais dinheiro do que Thaksin. Sempre os dois verdadeiros demónios (ou deverei dizer três?), Thaksin e dinheiro.

domingo, 13 de junho de 2010

Together We Can

O Governador de Bangkok lançou no rescaldo dos acontecimentos que tantas marcas deixaram em Bangkok, como os edifícios destruídos que demorarão a ser reabilitados, uma campanha com o objectivo de chamar os bangkokianos a participar na devolução de um sorriso a esta cidade.

A campanha começou com a limpeza da cidade que foi feita num tempo record com um forte apoio dos habitantes da capital e entenderam estende-la à criação de ruas piedonais como foi já o caso de Silom e de Henri Dunant.

Silom recebeu este fim de semana pela segunda o evento, Silom Walking Street, e toda a rua desde Saladaeng até Naratiwas foi encerrada e transformada num grande mercado atraindo muitos milhares de pessoas apesar do intenso calor que se fez sentir.

Como em todos os mercados tailandeses vende-se um pouco de tudo. Ali pode-se encontrar quase tudo o que se necessita e muito em especial o que não se necessita a preços incrívelmente baixos mas mesmo assim o regateio faz parte do entretenimento.

A única nota negativa vai para umas escaramuças havidas ontem de manhã entre comerciantes.

O distrito de Bangrak tinha procedido ao registo prévio dos comerciantes interessados aos quais foram atribuídos os espaços. Quando estes se dirigiram, ontem de manhã, para os locais que lhes estavam destinados esses estavam na sua maíoria já ocupados por outros comerciantes que não se tinham registado o que acabou em pancadaria com a necessidade de a polícia ter de intervir para separar as partes em contenda.

A solução foi encontrada mas "à tailandesa" ou seja com um compromisso que me parece pouco correcto. A organização decidiu estender o espaço fechando Naratiwas entre Sathorn e Surawongse para que os comerciantes que tinham cumprido o requerido se instalassem enquanto os prevaricadores se mantiveram nos locais que tinham ocupado e que era na própria Silom. Conclusão deste incidente. Não cumprir as ordens emanadas pela municipalidade é o melhor caminho para garantir uma posição preveligiada nestes eventos. Em vez de ser o principio legal do prevaricador pagador é o do prevaricador ganhador.

Aparte este incidente os objectivos foram conseguidos com a adesão dos bangkokianos a estas iniciativas e isso é o mais importante num momento em que se fala tanto de reconciliação e em "descolorar" a vida das pessoas.

sábado, 12 de junho de 2010

Morto à Nascença

O Primeiro Ministro Abhisit Vejjajiva disse ontem numa conferência que deu no National Defence Studies Institute (NDSI), que "não estava confiante no sucesso da implementação do plano de reconciliação nacional", que tinha apresentado no dia anterior.

Mesmo que 80% da população adira ao plano não é suficiente. Continuou dizendo que a divisão na socieade é tão grande e tão profunda que se torna necessário um concenso de mais de 95% dos tailandeses para que o plano possa ter sucesso. Como é sabido concensos desse tipo só são possiveis em sociedades onde as intenções de voto ou de opinião são dirigidas como por exemplo em Cuba ou no Zimbabué onde os líderes são sempre "eleitos" por 99% dos votos.

Falou depois para afirmar que os problemas que dividem a sociedade são problemas que vêm do passado e irão demorar muito tempo para sarar as feridas existentes.

Terminou mesmo assim convicto de que está a fazer todos os possíveis para alcançar o objectivo que se propôs mas, afirmou, que os ainda recentes assassinatos de dois líderes da segumda geração da UDD são exemplos das divisões e facções que se encontram fortemente impregnados e activas na sociedade.

Todo este conjunto de afirmações um dia após o relançamento do plano e da constituição de quatro Comissões, com a escolha dos seus Presidentes, para observar e coordenar a sua implementação, não agura nada de bom e só vem dar voz à oposição que sempre tem clamado que o que Abhisit quer com os seus planos é ganhar tempo para se manter no poder.

O próprio PM está a dar os trunfos ao inimigo mas há que confessar que o seu discurso é genuíno, As divisões dentro de todos os escalões da socieade são tão profundas que qualquer ideia de reconciliação é quase que uma miragem.

Talvez se lembrem de eu uma vez ter escrito o que o Director do Centro de Medecina Legal da municipalidade de Bangkok afirmou, no contexto das autópsias aos corpos das vítimas de 10 de Abril. Segundo ele era impossível fazer-se um relatório de uma autópsia com correcção e independência porque havia interesses "amarelos" e "vermelhos" irreconciliáveis entre os médicos que deveriam estar a fazer um trabalho científico e não um acto de propaganda política.

Mas infelizmente é assim que acontece.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Plano de Abhisit

Ontem o PM Abhisit, com grande pompa, mas talvez sem o eco que esperava, reapresentou o seu plano de cinco pontos para a reconciliação nacional.

Pompa vinda do local, a Government House, no dia em que o próprio PM celebrou vários rituais para libertar o local do sangue derramado pela UDD, e todo o cenário que foi montado com pessoas à volta de Abhisit pretendendo mostrar o apoio de diferentes sectores da sociedade.

Acabou por se reduzir tudo a uma curta intervenção que não chegou aos 10 minutos e ficaram, do acto, mais perguntas do que respostas como hoje, quase que em uníssono, refere a imprensa de língua inglesa e tailandesa. Este é só um exemplo.

Abhisit nada adiantou àquilo que tinha afirmado no passado com a única diferença de agora não haver uma data para a realização de eleições.

Fortalecer o papel da monarquia, enfrentar (a palavra usada; não disse resolver) as desigualdades sociais, reformar a comunicação social, desenvolver a estrutura política e realizar um inquérito aos incidentes recentes. Eis os cinco pontos.

Quanto ao primeiro ponto não é por certo aquele que mais divide a sociedade! É sabida e conhecida a admiração e respeito pela instituição por parte da esmagadora maioria do povo.

O segundo necessita de explicação como é que vai ser levado a cabo já que nada foi dito e é um dos pontos fundamentais como se pode ver abaixo.

O terceiro é difícil de entender pois ao mesmo tempo que o governo continua a encerrar sítios de internet e rádios locais meios de comunicação extremamente radicais como os pertencentes ao líder amarelo Sondhi L. continuam livremente a incitar á violência contra os vermelhos. Exemplos disso é o "apoio" descarado que deram aos dois assassinatos recentes, um ontem e o outro há poucos dias, de dois líderes da segunda geração da UDD.

O quarto, que significa na linguagem de Abhisit rever a Constituição, continua a ser um dos grandes problemas da sua administração. Já em Abril de 2009 tentou avançar nesse sentido mas tem sido sistematicamente travado porque os seus parceiros de coligação querem uma reforma de artigos que vai contra os interesses dos próprios Democratas. Se por um lado satisfaz os seus parceiros de coligação por outro enfurece os próprios militantes e vice-versa. Tarefa complicada.

Por fim o último dificilmente terá credibilidade. A escolha de Abhisit recaiu sobre Kanit Na Nakhon que não é aceite como independente pela UDD. Kanit foi nomeado pelo General Surayuth, PM depois do golpe de 2006 e Conselheiro Privado do Rei, para investigar as acções de Thaksin, missão que não concluiu. Também o Ministro da Presidência Sathit quando anunciou essa escolha indicou os factos a averiguar. Acontecimentos de 10 de Abril (25 mortos e centenas de feridos), acontecimento de 22 de Abril (confrontações em Saladaeng das quais resultou 1 ou 3 mortos e uma dezena de feridos) e os acontecimentos do dia 19 de Maio (a limpeza final, os mortos do dia e os incêndios). E então o assassinato de Seh Daeng quando dava uma entrevista à comunicação social? E a lista de 51 pessoas desaparecidas apresentada pela Mirror? E os três corpos que foram enterrados sem serem identificados confirmado pela polícia? Etc.

Entretanto ontem igualmente, a Capital Markets Academy realizou em Bankok uma conferência que contou com os principais "cérebros" do sector económico e financeiro da capital e nela foram ditos coisas que talvez o Ministro das Finanças, presente, pudesse transmitir ao PM.

"Cerca de 80% da população tailandesa tirou muito reduzido benefício do desenvolvimento da economia durante a última década. A grande parte dos ganhos ficaram nas mãos daqueles que controlam os recursos financeiros como mostra os ganhos das grandes corporações, 300%, durante o período de 1998 e 2009. Durante este mesmo período o produto interno bruto (PIB) per capita subiu 47% mas os salários mais baixos registaram um declínio de 1.6%. "

O presidente de Phatra Securities acabou dizendo que a fatia mais significativa dos ganhos de capital foram parar ás mãos de 10% da população que apelidou, os políticos, os burocratas e a aristocracia. A acrescentar aos dados estáticos a Tisco Securities mostrou o declínio impressionante no que respeita o investimento directo estrangeiro (FDI), um dos factores críticos para o funcionamento da economia tailandesa uma economia fortemente dependente das exportações. O investimento feito por não nacionais na economia tailandesa, que antes de 2006 (golpe de Setembro) era de 34%, representa neste momento uns meros 16% do total dos investimentos. O decréscimo do FDI é uma ameaça a prazo para uma economia onde o factor exportação é o principal motor de desenvolvimento e de criação de emprego.

Até parecia um discurso da UDD mas não. Eram os dados de banqueiros e financeiros e, como se usa dizer, contra factos não há argumentos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Portugal


Embora no postal não esteja incluída a bandeira ou referência à Tailândia também aqui existem alguns, poucos é verdade, portugueses.

O Arsenal Vermelho

O Departamento de Investigação Especial da Polícia acaba de apresentar á comunicação social os bens apreendidos aos manifestantes vermelhos em Rajaprasong.

Estes são dados oficiais, anunciados pelas autoridades, não factos baseados em documentos ditos confidenciais.

Vejamos a lista dos bens apreendidos e apresentados:

11 Espingardas de tipo vário incluindo uma metralhadora Tavor
1 Lançador de granadas M79
1 Carabina AKA
17 Cartuchos de balas
25 Explosivos incluindo granadas M26 (granadas de mão) e dispositivos C4 (bombas)
12 Foguetes artesanais
3 Coletes á prova de balas
41 Veículos
7 Motociclos

Para além disso 47 bens considerados de valor, incluindo colares, anéis, amuletos e outros.

De entre os veículos havia um Mercedes e um Mitsubishi pertençentes a dois dos líderes, um camião que era utilizado como palco e um contentor com ar condicionado que era utilizado como sala para as conferências de imprensa.

Todos os bens à excepção dos veículos encontram-se no CRES, ainda existente já que o Estado de Emergência não foi levantado, e situado no Regimento 11 de Infantaria em Phaholyothin.

Como se pode ver pela lista que foi apresentada o "arsenal" não era impressionante e capaz de fazer medo a um exército muito bem equipado como o tailandês.

Para onde terão ido então as tão apregoadas armas que a comunicação social e o CRES sempre foram anunciando estarem na posse dos terroristas? Como foi que os militares que estabeleceram o cerco ao acampamento vermelho cerrando ainda mais este nos dias que precederam o 19 de Maio deixaram que essas armas eventualmente saíssem sem serem inspeccionadas?

Muito se falou de que em todos os incidentes os vermelhos lançavam granadas M79 contra os militares e afinal só foi encontrado um lançador! Que capacidade tinha aquela gente de andar sempre a colocar semelhante aparelho nos pontos estratégicos nos momentos precisos!

Alguém não está a falar verdade nesta história toda.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Assim vai a Justiça

Algo está profundamente errado com o sistema de justiça neste país.

Pedófilos abusadores de crianças são repetidamente absolvidos ou ficam em liberdade sob caução.

Líderes vermelhos acusados de terrorismo são libertados sob fiança.

Um estudante que incendiou a universidade que frequentava, porque estava farto de estudar, não vai ser responsabilizado pelos prejuízos que causou já que a própria universidade assim decidiu e pode regressar pois a escola está aberta a recebê-lo de volta.

E ..... um grupo de 200 deficientes, vendedores de lotaria, aos quais fora prometida, por duas vezes, mas não concretizada, uma reunião para atender a reivindicação de lhes ser atribuído um maior número de bilhetes para venderem (acusam o governo de privilegiar os vendedores que pagam a "alguém"), foram dispersados à bastonada pela polícia e 23 deles presos para mais tarde serem libertados.

O cartoon acima, hoje publicado no jornal Bangkok Post, é também um bom exemplo de um sistema de justiça que está doente. Num dos lados um dos amarelos ocupantes do aeroporto, que tantos prejuízos causou ao país, toma um chá em liberdade confortávelmente sentado num sofá enquanto do outro lado um vermelho, causador dos últimos disturbios em Bangkok, está numa posição menos confortável na cadeia, mas com a porta aberta.

O sistema parece só servir alguns não todos.

Entretanto em Yala, no Sul do país, 22 pessoas ficaram gravemente feridas sendo que 2 estão nos cuidados intensivos, devido à explosão de uma bomba num café no centro da cidade. Mas isso é assunto de pequena importância sempre relegado para segundo plano!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Imprensa Estrangeira

A Imprensa estrangeira tem sido alvo de grandes ataques pela "distorção" dos seus relatos durante os confrontos entre vermelhos e forças do governo em Bangkok.

A CNN tem sido o alvo principal e formaram-se inclusive "milicias anti-CNN", vá lá saber-se com que intenção, mas vários outros orgãos de informação (ou desinformação na visão de outras pessoas) também estão na mira.

O Korean Times que publicou o cartoon abaixo vai por certo engrossar o número dos jornais non gratae para certos tailandeses.