terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Enigma do Dia


O enigma do dia é a fotografia (Abhisit e próximos do lado esquerdo da Rainha e Sukhumbhand e grupo do outro lado) acima e as perguntas são:

Quem falta?
Quando foi tirada a fotografia.

UDD em Khao Yai


Ontem foi um dia de recomeço das manifestações da UDD.

O foco foi a casa do General Surayuth em Khao Yai e a ineficiência das autoridades judiciais em levarem o General a tribunal pelas várias violações legais que já referi.

Apesar dos muitos medos de confrontações tudo se passou em paz e sem incidentes.

Os mais de 10.000 manifestantes mostraram o seu ponto de vista, mostraram a sua força e foram capazes de controlar todos os eventuais excessos que se temiam. Por outro lado o tão apregoado grupo de 5.000 apaniguados de Nevin Chidchob que seriam deslocados para confrontar os manifestantes da UDD e provocar distúrbios ou não vieram ou se o fizeram acabaram aliados a estes últimos.

O General Surayuth, salvaguardado pela inédita decisão do Ministério Público, diz que devolverá a casa se isso for a solução e continua a sustentar que nada de mal fez.

Hoje vem um historial sobre as transacções havidas em relação ao terreno e os factos são muito questionáveis.

Em 29 de Abril de 1975 o governo de então decidiu dar terrenos aos fazendeiros sem terra e nessa operação 20 rai foram dados a Bao Sinnock e outros 20 a um seu genro. A doação era feita na condição de que os terrenos não podiam ser vendidos. Só seria possível a transmissão por morte para os herdeiros legais.

Vinte anos passdos os dois fazendeiros decidiram vender 30 rai de terra conjunta a Noppadon Pitakwanit pelo valor de 700.000 bath. Dois anos mais tarde este vendeu a mesma terra a um Coronel do Exército, Surarit Chantratatip, pela módica quantia de 50.000 bath. Primeira questão: o que terá feito Noppadon decidir perder tanto dinheiro em tão pouco tempo?

Três anos volvidos, o já então Major-general Suranit, regista a casa. Dois anos mais tarde existe o pagamento de impostos relativos à casa em questão por parte da mulher do General Surayuth, Khunying Chitrawadee, embora ela não se lembre de “quando comprou a casa”.

são os factos. A acusação da investigação refere-se unicamente ao facto de a casa estar situada num local reservado somente para os beneficiários da Lei de 1975 e seus herdeiros.

Após fazerem ouvir os seus argumentos os “camisas vermelhas” dispersaram mas com a satisfação, por certo, de ler na imprensa de língua tailandesa de hoje, que conseguiram uma vitória quer na forma como se manifestaram quer na questão que levantaram e que ainda vai fazer correr muita tinta.

Entretanto o Ministério Público decidiu, como habitualmente, criar uma comissão para no prazo de 60 dias, que poderão ser 600, decidir sobre o que fazer no “caso Surayuth”. Nunca lhes passou pela cabeça iniciar um processo contra o Conselheiro do Rei por violação da Lei embora não haja nenhuma provisão na Constituição ou outra Lei que dê imunidade aos detentores desse cargo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Jurisprudência


Uma investigação confirmou o que há muito se sabia.

O General Surayut Chulanot, actual Conselheiro Privado do Rei, e Primeiro Ministro após o golpe de Estado de 2006, tem uma casa no parque natural de Khao Yai construida numa zona protegida e portanto ilegal.

O General já disse que se se confirmasse que tinha violado a lei devolveria o terreno e a casa. A investigação levada a caso pelo Ministério Público constatou que o General violou o artigo 54º da Lei sobre a Floresta do ano 2484 (da era budista + 543 anos), o artigo 9º da Lei sobre a Propriedade do ano 2497 e os artigos 83º, 91º e 361º do Código Penal.

Acontece que numa decisão, inimaginável do ponto de vista jurídico, o Ministério Público arquivou o caso porque o General "não teve intenção de violar a lei" conforme se lê no acordão.

Assim não haverá procedimento por violação das leis referidas e o general limitar-se-à a devolver a terra. Contudo existem outros tailandeses na mesma situação, que violaram a Lei e construiram casas e mesmo alguns hotéis na região e que foram constituido arguidos e, posteriormente, condenados quer a penas de prisão quer a penas pecuniárias.

A partir deste momento será que, em qualquer novo caso, basta a um cidadão do país declarar a sua não intenção de violar a lei para ser perdoado de qualquer acto ilegal ou criminoso, ou será que a jurisprudência criada com esta decisão será só aplicada a militares e altos cargos no "establishment"? Isto foi exactament o mesmo método que Thaksin utilisou para se safar de ser condenado em 2002 quando clamou que não tinha intenção de violar a Lei, o que de facto fez.

A Lei e o seu cumprimento tem de ser para todos sejam elas Thaksins ou Surayuts. Como é que se quer impôr ao povo o cumprimento de regras e normas legais quando as mesmas são perdoadas a quem está no poder a todo o tempo?

Sem comentários.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Comunicação


Existem na Tailãndia 524 estações de rádio registadas e licenciadas para operar.

Do número acima referido 201 pertencem aos militares, 147 ao Public Relations Department do gabinete do Primeiro-Ministro, 62 ao MCOT, a agência governamental para a comunicação, e 114 a outros operadores.

A nomeação dos membros da National Broadcasting and Telecommunications Commission (NBTC), a agência que controla a atribuição de licenças e outros aspectos relacionados com a radio e teledifusão, tem sido um quebra cabeças que se arrasta por mais de 4 anos.

Vozes têm vindo a público sobre a pressão que estará a ser feita pelos círculos militares para que estes tenham assento na referida comissão que é suposto ser constituída por elementos da sociedade civil relacionados com o sector e os consumidores. Assim rezam os estatutos da agência.

O processo deve passar por ser enviado uma lista de nomes para que o Senado se pronuncie. A luta faz-se, há anos, à volta dos nomes a incluir nessa lista. O Ministro do sector já veio desmentir que haja alguma pressão dos militares mas acrescenta que a sua presença, não contemplada nos estatutos, seria desejável.

Alguns membros do comité de pré selecção já manifestaram o seu desagrado afirmando que a presença de militares na NBTC viola claramente a independência da agência devido ao conflito de interesses existente. Acrescentam que as forças militares controlam um grande número de estações de rádio e de televisão e a sua presença nas comissões que atribuem licenças faz com que o processo seja desvirtuado desde o início.

Entretanto o Coronel Orathai Amornsri da Broadcasting Television and Telecommunications Office, uma outra agência paralela ao NBTC, vem dizer que o facto de haver uma situação de conflito armado no Sul do país justifica que os militares, para salvaguarda da segurança interna (tarefa que deve ser assumida pelo Minstério do Interior e não pelo da Defesa!), possam controlar as mensagens que são transmitidas através das comunicações via rádio, televisão e internet.

A utilização dos meios de comunicação pelos militares ficou famosa quando a 16 de Outubro de 2008 o General Anupong ladeado por todos os altos comandos militares e da Polícia disse que o Primeiro-Ministro, Somchai Wongsawat, se deveria demitir facto que foi considerado por todos como um golpe de estado cibernético. Sinais dos tempos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Momento


Pouco de novo existe no panorama político no país.

Os Democratas e Abhisit continuam a sua estratégia de sobrevivência, lutando mais dentro da coligação no poder do que com a oposição. O Minstro da Saúde Pública demitiu-se por envolviemnto num caso de corrupçãp mas o seu Secretário de Estado não (embora tenha pedido hoje uma licença por 30 dias), devido ao facto de o sue partido o aopoiar e quere utilizar a sua imolação em troca de alguma coisa.

Coligações são por norma campos onde os interesses que estão em jogo são fundamentalmente os relacionados com o número e a qualidade de empregos que podem oferecer aos militantes dos partidos. Passa-se aqui, passa-se em Portugal e passa-se um pouco por todo o mundo.

Foi hoje anunciada para a comunicação social o que deverá ser a remodelação governamental (e digo deverá porque ele não vai ter lugar tão cedo. Para além da necessária assinatura do Rei, ainda internado, há procedimentos complexos a seguir). Um rearanjo ainda só contemplando o partido Democrata e por isso vai continuar a haver pressão dos parceiros para se saber o que “lhes toca”. Entretanto o Ministro que se demitiu, por envolvimento num processo de corrupção que hoje recebe mais contornos na comunicação social, afinal parece apto a continuar a servir o país (?) visto ter sido colocado como “Chief Government Whip” uma figura que não existe formamente reconhecida no sistema político português, mas que tem tremenda importância na gestão da actividade dos membros dos partidos políticos.

A par da remodelação o grande debate é a alteração ou não da Constitução com Abhisit a dar um passo atrás e outro à frente na tentativa de ganhar tempo, já que a remodelação não lhe é favorável, e os seus parceiros de coligação a ameaçar juntarem-se ao Puea Thai para desse modo fazer passar as alterações da Lei Constitucional que pretendem. Mais do que a certeza desta ameaça o que os parceiros da coligação querem é sempre o mesmo, assustar Abhisit com o possivel retorno ao outro lado da bancada, para ganhar mais posições no seio do poder. Entretanto para que não ficassem dúvidas o PAD, há muito tempo remetido ao silêncio, afirmou estar contra qualquer alteração da Constituição e que sairiam para a rua se se provar necessário fazer defender esse ponto de vista.

Com a actual diferença de Deputados entre um e o outro lado, através das correcções que foram feitas pelas eleições intercalares devido a suspensão de Deputados e que o Puea Thai tem vindo a ganhar, a margem está tão encurtada que basta um dos partidos na coligação virar de novo a casaca que o Governo cai.

Não será estranho a isso o facto já anunciado de que a Comissão de Eleições tem uma comissão que está a estudar a possibilidade de dissolver o Puea Thai, por alguém ter dito que o líder era o ex PM Thaksin que, como se sabe, está inibido do exercício dos direitos políticos até 2012. Sabendo-se como tem actuado o sistema judicial é claro que se tal for necessário para manter o presente estado das coisas, tal será feito.

Entretanto também os militares querem que não haja alterações no actual status quo. Anupong, o chefe militar, quer levar a corporação calmamente até à sua reforma em 30 de Setembro para poder passar a pasta ao seu protegido, Prayuth, e assegurar o seu futuro na cena política e os fundos necessários para tal.

Entretanto do lado da oposição aproximam-se momentos importantes sendo que o fundamental é o julgamento relativo aos 1,5 mil milhões de Euros de Thaksin que estão congelados no país e que poderão vir a ser confiscados. O processo é profundamente complexo pois não se trta de um saco de dinheiro mas de um conjunto de bens mobiliãrios e imobiliários detidos por sociedades e em nome individual e existem inúmeras questões legais e ter em causa. Por outro lado a semsibilidade política do caso é muito alta e qualquer decisão terá impacto quer positivo quer negativo. Para fazer pressão sobre o poder nessa ocasião, a UDD vai começar a organizar uma série de manifestações pelo país ameaçando que “desta é que é” e que irão, ao bom estimo guevarista, “até à vitória final”. Para além disso os Deputados da oposição revelaram a intenção de avançar com uma moção de censura ao governo baseada nos casos de corrupção, dizendo que têm mais provas do que aquelas que são já do conhecimento público, e na inabilidade de Abhisit em encontrar uma solução quer para a reconciliação no país quer para os graves problemas da economia.

Neste último particular foi importante a declaração hoje vinda a lume do Presidente da Japanese External Trade Organisation (JETRO) que afirmou que a Tailândia já não é o país de preferência como destino do investimento estrangeiro japonês. Recorde-se que o império do Sol nascente é o maior investidor estrangeiro no país e dele dependem milhões de empregos e o grosso do Produto Interno Bruto devido às exportações.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Acidentes na Estrada


Faz um ano escrevi sobre a quantidade enorme de acidentes que ocorrem nas estradas tailandesas com a co9nsequência de grandes perdas quer em vidas quer em bens.

Este ano infelizmente não fugiu à regra e mais uma vez aconteceram, até agora, um número impressionante de 3.289 acidentes que causaram, 3.563 feridos e 309 mortos. Note-se a percentagem de fatalidades por acidente. Mais feridos do que acidentes. Uma das razões poderá ser o facto de muitas vezes serem utilizadas carrinhas de caixa aberta, vulgo "pick-up", onde viajam um grande número de pessoas sem qualquer protecção. Lembro-me um dia de ter contado, só na parte aberta da "pick-up", 19 pessoas!

Isto é a conta de 6 dias de férias grandes quando os tailandeses viajam através do país para visitar as famílias.

Infelizmente o álcool continua a ser o grande causador dos desastres que tantas vidas ceifam.

Há contudo um outro elemento onde os tailandeses podiam e deveriam melhorar. O cumprimento de regras.

Recentemente em Saigão vi a forma como a polícia se faz impor e como é respeitada. Ali os motociclistas têm de utilizar capacete, apertados em baixo, e todos, sem excepção, o fazem já que a polícia é vigilante e manda parar os infractores.

A Tailândia tem uma cultura muito própria daquilo que se chama o mai pen rai ou seja não tem importância, ou deixa andar. Existe um livro, com esse mesmo título, escrito por Carol Hollinger que explica bem a influência deste sentimento na conduta da sociedade.

Há tempos um amigo meu disse-me que tinha tirado a carta de condução. Dei-lhe os parabéns e perguntei-lhe quantas lições ele tinha tido para obter a carta. Surpreendido por não entender a minha pergunta lá chegamos à conclusão que tinha sido ensinado por um amigo dele e o que tinha na mente era que quando estivesse ao volante de uma viatura tinha de seguir com muita atenção aquilo que o veículo à frente dele fazia.

O exame tinha sido feito num local destinado a esse fim e, conclusão, tinha obtido licença para se aventurar à estrada, atrás de um volante de um carro, sem nunca ter tido nenhuma experiência do que era o tráfego a sério pois nunca tinha conduzido numa situação igual àquela que iria enfrentar no dia a dia.

Assim obteve a licença para ser “atirar” à estrada. A falta de preparação para as condições reais, e fundamentalmente para as inesperadas, explica muitas coisas para além do consumo do álcool que sempre acontece nestas ocasiões.

Acabo de ler os números de Portugal onde sempre achamos que existem muitos acidentes, e é verdade. Nos últimos 5 dias: 8 mortos, 28 feridos graves e 396 feridos ligeiros.

Muito longe dos números da Tailãndia (6 vezes maior do que Portugal) mas mesmo assim muita gente que não quer chegar salva ao destino.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bom Ano


Ano passado em Saigão, hoje em dia Ho Chi Min City em homenagem ao heroi vietnamita sempre presente na história recente do país.

Cidade vivendo já com poucos traços de um passado de guerra e de lutas em quase todo o século XX, mas cidade de grandes contrastes, caótica no seu trânsito mas com uma muito interessante mistura de valores culturais originais e adquiridos através quer da colonização francesa quer da ocupação americana.

Saigão, e o sul do país, é também, ao contrário de Hanoi, uma cidade com profunda influência da cultura Khmer proveniente fundamentalmente do reino de Angkor e do seu auge nos Séculos X a XII. Phnom Penh é "ao virar da esquina" e sente-se essa presença combojana na cidade. Muitas vezes faz-se a comparação quando na realidade as cidades são diferentes.

As grandes avenidas com largos passeios, tipo "Champs Elysées" da "cidade nova" contrastam com as ruelas pequenas e desalinhadas da "old city" onde vive a maioria dos 8 milhões que hoje em dia se concentram nesta que é a capital económica do país contrastando com a cidade governamental que é a capital Hanoi.

Uma cidade a rever.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Mensagem do Rei


O Rei Rama IX, embora continue hospitalizado por medida de precaução, falou ontem aos tailandeses, como costuma fazer no início do ano para, numa mensagem simples, lhes lembrar, e talvez a todos os que o ouvirem e entenderem, que fazer bem aos outros, pensar nos outros antes de pensarmos em nós é um bem que fazemos a nós próprios e ao colectivo.

สวัสดี ปี ใหม่ ou seja Bom Ano Novo para todos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Santika - Um Ano Depois













Um ano passou sobre o incêndio no Santika que tantos danos pessoais e materiais causou e nada aconteceu.

Ninguém foi constituído arguido, não se conhece nenhum desenvolvimento das investigações mas as vítimas que fez continuam a sofrer como é o caso de Kanchan, uma jovem de 27 anos que desde esse fatídico dia se encontra num quarto esterilizado de um hospital, sofreu já inúmeras operações, e muitas outras se perfilam no horizonte, e fundmantalmente perdeu a vivacidade dos seus dias, não quer ver nenhum dos seus antigos amigos e vive afastada de um mundo que tanto a acolhia, ou de Pirawat, de 35 anos cuja mãe tem de dormir com ela no hospital devido ás tendências suícidas que demonstra face à incapacidade de suportar o horror que é agora a sua cara e a sua vida.

Estas são somente duas das muitas vítimas de um crime do qual ninguém é acusado nem feito responsável isto mesmo depois de ter havido uma investigação levada a cargo pelo governo que dava claros indícios de qum seriam os responsáveis por uma discoteca funcionar sem autorização e sem nenhumas das medidas de segurança exigidas.

Na voz corrente do povo sabe-se muito bem quem está por detrás daquele "inferno" mas o sistema judiciário é inepto na condução das investigações e na consequente apresentação de responsáveis perante a justiça.

Assim se passa com quase todos os casos em que estarão envolvidas figuras com protecção superior.

Por muito que pregue São Tomás, aka Abhisit, sem actos concretos e actuação pronta e responsável, não se chega lá.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Thai Kaem Khaeng - Tailândia Forte



Depois de ter rebentado o escândalo no Ministério da Saúde Pública, Abhisit reconheceu, em comentários feitos à imprensa, que vai agora ser mais difícil continuar com o programa de recuperação da economia devido ás suspeitas em que este já está envolvido.

O Secretário de Estado da Saúde Pública, pertencente ao Partido Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob (BJT - sempre ele) e que é acusado no relatório recentemente trazido a lume de ter pressionado os funcionários para favorecerem a província pela qual é Deputado, vem de uma forma confirmar a acusação mas dizendo, candidamente, que não fez mais do que o seu dever como Deputado. Ou seja o Deputado Manit lobbying o Secretário de Estado Manit para que este fizesse uma distribuição que favorecesse os seus eleitores por certo antevendo a necessidade de lembrar isso ao povo aquando das próximas eleições.

Korn Chatikanavij, o Ministro das Finanças, e companheiro de sempre de Abhisit, veio dizer da necessidade de conduzir uma investigação independente em todos os Ministérios que estão envolvidos no pacote de estímulo da economia Tailândia Forte, isto depois de várias empresas de construção terem afirmado que actualmente estariam a pagar 20% do custo de cada projecto, aos políticos envolvidos, nomeadamente nos projectos em curso no Ministério dos Transportes (também do BJT).

Referem esses empresários que se não pagarem não conseguem os contractos e que o preço actual, de 20% da totalidade de cada projecto, é superior ao do que pagavam antigamente no tempo de Thaksin.

Toda esta saga da corrupção fez-me lembrar o estudo feito pela The Asia Foundation, e a que já anteriormente me referi, que, na resposta a uma pergunta sobre a corrupção apresenta um espantoso número de 94% dos tailandeses a dizerem que faz parte do funcionamento da sociedade. Igualmente, não há muito tempo, apareceu um estudo feito por uma Universidade onde se concluía que 36% dos deputados de igual forma consideravam a corrupção uma questão normal na vida pública tailandesa. Talvez por essas e por outras é que o país desceu no índice anualmente publicado relativo à corrupção no país.

Também há cerca de três meses em conversa com o Presidente do partido da oposição ele me dizia que a coligação no poder iria cair de podre devido aos casos de corrupção que iria ver a público. Note-se que o Puea Thai conhece bem os parceiros de Abhisit pois eles estavam de braço dado com o PPP no ano passado.

Abhisit e Korn são pessoas de outra geração e de outros interesses mas parecem frágeis animais no meio de um ninho de cobras, perigosas e escorregadias.

Mais uma luta para Abhisit que por certo vai passar a noite de fim de ano a pedir que o tirem dali mas sabendo ao mesmo tempo que desistir é uma derrota para ele e para o país.

A Personagem do Ano



Escolher a personalidade ou o facto do ano é sempre um exercício delicado visto muitos ficarem de fora e muitas vezes sem razão aparente pelo que este tipo de escolhas acaba sempre por ser fundamentalmente pessoal e apresenta só uma visão.

Poder-se ia pensar que na Tailândia a figura do ano seria Abhisit, o PM que luta pele sua sobrevivência e que hoje mesmo é considerado pelos jornalistas acreditados em Governmental House e que cobrem as suas actividades como um homem inteligente mas indeciso. Poderia ser o sempre presente Thaksin, com as suas manobras de bastidores na ânsia de regressar e recuperar o poder que o golpe de estado de 2006 lhe tirou. Poderia ser um outro qualquer político ou militar sempre tão presentes na vida diária no país. Poderia ser, com propriedade, o Rei Rama IX pela sua carreira de dedicação ao povo e pelo facto de se encontrar fragilizado tendo mesmo de se manter internado no Hospital de Siriraj desde 19 de Setembro. Poderia ser o seu filho o Príncipe Vajiralongkorn apelidado pelo Bangkok Post, num inédito artigo a 19 de Dezembro passado, “King in Waiting”.

Do lado dos factos poderia ser o nascimento de Lin Ping, acontecimento nacional ou a continuada luta no Sul do país que já leva mais de 4.000 mortos ou ainda os já estafados movimentos da UDD e do PAD.

Contudo escolherei para acontecimento e figura do ano a luta pelo ambiente e a pessoa do advogado Srisuwan Janya que com a campanha e a liderança do movimento Stop Global Warming Association, lançou um debate de grande impacto na sociedade tailandesa.

Map Ta Phut é um parque industrial na província de Rayong onde imperam essencialmente as indústrias petroquímicas e associadas. É uma das zonas mais poluídas do país mas para além disso é uma zona onde os índexes de qualidade de vida estão reduzidos dramaticamente. Muitos têm sido os casos de raras doenças e posteriores mortes a aparecerem nas comunidades que vivem por perto ou nos milhares de trabalhadores que dia a dia ali operam.

O desenvolvimento industrial é essencial para a economia do país mas tem sido feito num permanente atropelo das regras de segurança sanitárias e ambientais. A ganância dos empresários e dos estados, em muitos pontos do globo, tem produzido parques como o de Map Ta Phut um pouco por todo o lado e se queremos algo fazer para proteger o planeta onde vivemos e onde viverão os nossos filhos e netos é necessária acção. Não a acção dos líderes em Copenhaga, onde nada se viu de concreto, mas a acção da sociedade civil, aquela que de uma forma organizada e responsável sabe tomar em suas mãos os ideais e os projectos de futuro como é o caso do trabalho de Srisuwan.

Este advogado ousando enfrentar os poderosos lobbies empresariais tailandeses interpôs acções nos tribunais contra um total de 76 projectos novos de investimento na zona que no seu entender não cumpriam as regras de protecção ambiental devidas e conseguiu que o tribunal lhe desse razão em 65 desses casos.

Milhares de milhões de dólares de investimento estão parados, o Banco Central diz que a não resolução dessta questão levará a uma quebra para o próximo ano de 0.5% do PIB mas mesmo assim Srisuwan conseguiu os argumentos suficientes para fazer alertar as mentes de todos para os perigos da reprodução selvagem de fábricas e refinarias sem o devido enquadramento ambiental

O poder da Sociedade Civil e das suas acções é hoje em dia inquestionável é torna-se em muitos dos casos a peça fundamental na diplomacia e na conquista de causas que de outro modo não se conseguem. Carne Ross, um antigo diplomata inglês que, entre outros locais, esteve colocado nas Nações Unidas diz, num artigo publicado na revista Europe's World, que é chegado o tempo dos Embaixadores darem lugar á Sociedade Civil na defesa dos interesses que não são mais bilaterais ou de um só país mas da humanidade e das comunidades.

O exemplo deste advogado é bom ser lembrado quer aos “vermelhos” quer aos “ amarelos” pois ele mostrou que com uma luta correcta, argumentada, e pacífica se consegue vencer mesmo os mais poderosos como são os grandes patrões da indústria.

Merece, para mim “a medalha do ano”.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Demissão

Numa atitude pouco comum o Ministro da Saúde Pública, Witthaya Kaewparadai, apresentará a sua demissão do Governo, numa carta a enviar ao PM amanhã, na sequência de ter sido considerado negligente na sua actuação num caso de possível corrupção no seu ministério.

O Ministro, membro do Partido Democrata, disse aceitar a sua responsabilidade política no caso que, após o inquérito levado a efeito, mostrou haver 30 membros do seu ministério envolvidos num esquema fraudolento de compras de productos e equipamentos no âmbito do plano de estímulo da economia conhecido como Thai Khem Kaeng (Tailãndia Forte).

As acusações são essecialmente de empolamento de preços de equipamentos: aparelhos de monitorização cardiológica de 3,5 para 9,2 milhões de bath; equipamento de fluoroscopia digital de 8 para 15 milhões de bath: ventoinhas ultravioletas de 40 para 80 mil bath cada; máquinas de rádioterapia de 19,2 para 27 milhões de bath, etc.

A conduta do Secretário de Estado é também criticada no relatório final, e em termos mais fortes do que o Ministro visto se identificar que pressionou os funcionários para que fosse favorecida a província pela qual foi eleito. Contudo não é conhecida nenhuma reacção deste que terá sido o primeiro a ter conhecimento da decisão do seu Ministro.

Coincidência?


Wassana Nanuam, a jornalista do Bangkok Post que cobre os assuntos militares escreve hoje um interessante artigo sobre a visita dos altos quadros militar a Si São Theves, a casa do General Prem Tisunalonda, Presidente do Conselho Privado do Rei.

Prem apareceu vestido em uniforme militar. A última vez que foi visto assim vestido foi em Agosto de 2006, um mês antes do golpe que derrubou Thaksin, e quando se empenhou numa série de visitas a unidades militares incentivando os oficiais a cumprirem o seu dever de defender o Rei e a monarquia.

Ontem Prem também incentivou os militares ao mesmo dever e recomendou como um “must read” o artigo publicado no Naew Na por Chirmsak Phinthong, conhecido activista do PAD, que tem por título e conteúdo o facto de, segundo o autor, o país estar à beira de uma guerra civil.

Ontem também Prem foi às escolas do exército sedeadas em Bangkok onde falou aos cadetes sobre os seus deveres e a monarquia.

Prem fez ainda questão de salientar e referir como um exemplo a seguir o trabalho do General Prayuth Chan-ocha, o número dois do exército, "em defesa da monarquia", uma forma aparente de "lhe passar a mão pelo pêlo" quando são conhecidas as divergências deste com o General Piroon Paewpolsong, o número três, e homem muito próximo de Prem. Diz-se que Piroon foi colocado no comando geral do exército para evitar a sucessão de Prayuth após a retirada de Anupong já que Piroon é um ano mais velho.

Parece um remake de 2006 e dos momentos que antecederam o golpe de 19 de Setembro.

Creio bem que o velho General, Prem tem actualmente 89 anos, desta vez está enganado. Não se pode sempre ver a vida pelo passado. Aqueles, como ele, que recusam olhar para a frente, enganam-se muitas vezes nos seus julgamentos.

Só falta agora Anupong vir uma vez mais dizer que não há golpe.

Penso desnecessário pois os tailandeses estão fartos destes tipos de jogos e cada vez mais têm a consciência daquilo que necessitam fazer para assegurar o seu futuro e o do seu país.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O General

Anupong recebendo o testemunho de Sondhi


Todos os anos em Setembro são feitas as mudanças nos comandos das forças militares e da Polícia. Nesta última, como se sabe, a devida transição ainda está por acontecer por causa da luta travada entre poderosas forças na superstrutura ás quais Abhisit não consegue dar uma resposta.

Assim no próximo dia 30 de Setembro de 2010 o General Anupong Paochinda, comandante do exército, cessará funções devido ao facto de atingir o limite de idade ou seja fazer 60 anos no decorrer do próximo ano.

Anupong durante o ano de 2008 foi um dos principais intervenientes da vida política aparecendo quase que diariamente nos meios de comunicação social por tudo e por nada. Era sempre a opinião dele que contava e por centenas de vezes veio dizer que os militares não fariam um golpe de estado. Curiosamente ele próprio tentou um golpe de estado sui-generis quando em finais de Outubro de 2008 apareceu no canal de televisão controlado pelos militares, numa espécie de conferencia de imprensa, acompanhado de todos os outros altos comandos militares e militarizados, e afirmou que o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat se deveria demitir.

Durante quase todo o ano de 2009 Anupong manteve-se muito mais contido aparecendo poucas vezes nos media e fazendo poucas afirmações. Fontes próximas do General dizem que ele tem tentado manter-se afastado dos grupos políticos rivais e mesmo das forças políticas ou de poder que puxam os diversos cordéis na sociedade, mantendo-se confinado a gerir as forças armadas e a preparar a sua sucessão. As nomeações que fez para os diversos comandos durante o ano de 2009 são disso um sinal.

Preparar a sucessão significa também preparar o futuro. Anupong faz 60 anos o que lhe deixa ainda muita energia disponível para aventuras que queira prosseguir após o dia 1 de Outubro próximo.

Vem isto a propósito de afirmações suas referentes ao ano 2010 vindas hoje a público.

Para além de pela enésima vez ter dito que não haverá um golpe de estado em 2010, vem fazer um conjunto de afirmações de carácter político que prenunciam algo daquilo que deverá estar a tactear para o seu futuro.

Assim refere o General: “ É o dever de todos os tailandeses salvaguardar a pátria e ninguém deverá permitir que o combate político fuja aos princípios democráticos”. “Os campos opostos, distinguidos por diferentes cores, devem suspender a sua luta e deixar o processo político decorrer em normalidade”. “ Planos em qualquer dos campos para aniquilar o outro só leva ao aniquilamento da nação”. “Estou confiante que a maioria dos tailandeses é capaz de entender estas questões. O país é como um barco onde todos navegamos e nada se ganha, nem a Democracia, se o barco se afundar”

Estas afirmações vindas de um militar, que tem estado a preparar a sua passagem à reforma e tem estado calado, só podem trazer “água no bico” e serem o prenúncio da entrada de Anupong Paochinda na vida política depois de reformado aliás como já fez o seu antecessor e líder do golpe de estado de 2006, Sonthi Boonyaratglin, que é agora o Presidente do partido Matuphum.

Deportação

Afastado dos olhos de todos, incluída a comunicação social que foi proibida de relatar (nem um simples artigo de opinião aparece nos jornais), começa, segundo se crê hoje, a deportação de cerca de 4.371 Lao Hmong detidos no campo de refugiados de Huay Nam Khao na província de Petchabun no nordeste tailandês.

Para tal estão mobilizados 4.500 militares, polícias e forças especiais do Ministério do Interior para conduzir a deportação e criar uma zona de cerca de 10 quilómetros em redor do campo onde o acesso é bloqueado a agentes das Nações Unidas, diplomatas e jornalistas.

A luta dos Hmong, uma minoria no Laos, vem desde 1946 quando este grupo étnico comandado por Touby Lyfoung libertou o Rei do Laos que tinha sido destituído pela força pelo Príncipe Souphanouvang e seus irmãos. A luta dos Hmong desde essa altura tem sido uma luta contra o regime comunista que dirige o Laos, ora apoiada pelos franceses ora mais tarde, aquando da guerra do Vietname, pelos americanos. Nessa altura as forças comunistas do Pathet Lao apoiavam os combatentes comunistas do país vizinho e eram apoiadas pelo regime Soviético.

Ao longo dos anos centenas de milhares de Hmong perseguidos pelos comunistas refugiaram-se nas montanhas do país ou na Tailândia, o país de retaguarda das forças americanas na região. Durante a investida comunista no sudoeste asiático a Tailândia foi fortemente apoiada pelas forças americanas de forma a poder servir de tampão à expansão soviético-chinesa de Khruschev/Brezhnev e Mao Zedong.

Os Estados Unidos têm sido desde sempre um país de acolhimento de muitos refugiados Hmong mas, e apesar de continuar a manter uma muito próxima relação com o governo tailandês, vê-se impotente para travar a deportação que como disse estará já em curso.

Durante a visita feita pelo antigo PM Samak ao Laos foi assinado o acordo de repatriação dos refugiados tendo sido acordado que tal se faria até ao final do ano de 2009. Abhisit, embora fortemente pressionado pelos parceiros, especialmente os Americanos e os Europeus, para além das Nações Unidas, manteve o acordo e recusa falar sobre os refugiados passando a “batata quente” sempre para os militares.

Posso acrescentar que cada vez que uma das missões diplomáticas em Bangkok levanta o assunto junto de entidades governamentais e resposta é sempre o silêncio total e absoluto.

A questão coloca-se no quadro dos Direitos Humanos já que a deportação é feita contra a vontade dos refugiados e é sabido que as forças políticas e militares no Laos não são propriamente amigáveis a tratar estas questões. No fundo os Hmong foram e são inimigos de um regime comunista que, embora tenha uma face simpática para o exterior, não se compadece com opositores ou com aqueles que entendem por bem criticá-lo.

O Governo tailandês está assim a prestar um péssimo serviço à causa da protecção dos Direitos Humanos e esta sua atitude vai ter por certo repercussão nas relações com o mundo, ainda para mais quando tudo faz para ocultar o que está acontecendo.

A organização da Nações Unidas para os Refugiados já reclamou veementemente contra a situação e, apesar de ter sido bloqueado o seu acesso ao local, mostra-se disponível para, a qualquer momento, enviar observadores para acompanhar o processo.

Uma nota bem negativa para o governo de Abhisit.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Justiça e Transparência


Ainda ontem fiz um relato sobre a luta pela transparência na qual o PM Abhisit parece ter-se empenhado.

Aí referia que os casos que envolvem o seu Partido tinham sempre a mesma decisão: adiamento ou arquivo.

Ontem mesmo mais uma vez, a quarta desde que o processo começou, a Comissão Nacional de Eleições adiou a decisão sobre o caso do financiamento, eventualmente irregular ou ilegal, do Partido Democrata. Neste caso houve contudo ainda uma particularidade. Como o colégio de Commissários estava dividido votou no sentido de atribuir o processo para decisão do Presidente da CE, Suchart Sukhagganond, que em declarações públicas anteriores, mostrando um total falta do dever de isenção, se manifestou a favor do arquivamento do caso.

O caso conta-se em poucas palavras.

Uma empresa estatal, subsidiária do conglomerado petrolífero PTT, terá pago, é esta a alegação, a factura de uma agência de publicidade, no valor de 258 milhões da bath, por trabalhos prestados ao Partido durante a campanha eleitoral de 2007.

No caso de haver uma decisão que condene o Partido Democrata este será dissolvido, como já aconteceu com os dois anteriores Partidos “pertencentes” ao ex PM Thaksin, e isso implicará uma nova reviravolta no quadro governamental tailandês com a perda de direitos políticos de Abhisit e da maioria dos membros do Governo actual.

Poderão acontecer ou novas eleições ou a criação de um novo governo pois é sabido que os Deputados de um Partido dissolvido, que não forem desqualificados politicamente, podem criar um novo Partido e continuar no Parlamento sob outra bandeira, como acontece actualmente com os Deputados do Pheu Thai.

Casos como o de ontem mostram uma vez mais a relação existente entre as decisões dos órgãos de controlo da Democracia e os interesses partidários específicos.

Curioso é que são sempre as causas sobre os casos relativos a um dos quadrantes político partidário que são adiadas, arquivadas ou absolvidas

As respeitantes ao outro quadrante são céleres e despachadas sempre no mesmo sentido.

Transparência e Democracia é mais do que isto.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Corrupção


O Governo do Primeiro-Ministro Abhisit era tido há partida por ser um governo onde a corrupção iria ser menor e haveria um acréscimo de transparência e credibilidade.

Abhisit para além de ter nascido em Newcastle Upon Tyne, no nordeste da Inglaterra fez a sua educação em Eton, a mesma escola onde são formados os membros da família real inglesa, e posteriormente em Oxord. São duas das mais prestigiadas escolas inglesas onde o rigor, a transparência de métodos e de condutas é uma das disciplinas onde é necessário ter a melhor nota.

O Primeiro-Ministro é por excelência um homem “limpo”, um político capaz de mostrar a diferença entre o passado recente e a sua administração. Esta é por certo uma das suas mais positivas características contudo acontece que na maioria dos casos aquilo que Abhisit quer e/ou afirma não consegue passar das palavras aos actos.

Recentemente a Transparecy International apresentou o “Global Corruption Perception Índex” onde se mostrava que a Tailândia acabou por ter um mau desempenho em 2009 ao descer 4 posições na tabela de 80 para 84.

Na realidade a governação de Abhisit, que completou um ano à escassos dias, acabou por ser apanhada nas contradições de ser uma coligação de interesses desligados onde aquilo que uns querem não é exactamente a vontade de outros.

Em Dezembro de 2008, um grupo de 4 partidos mais uma mão cheia de deputados que estavam juntos na anterior coligação no poder, saltaram de bancada para se associarem ao segundo maior partido, os Democratas, para formarem o actual governo. O facto é que esses que saltaram de bancada ou viraram a casaca como se diz em português corrente, são os mesmos que eram sempre acusados de serem corruptos e de gerirem os interesses de estado para proveito próprio.

Nesse momento, e sabendo da incapacidade do maior partido, o PPP (actual Phue Thai), em continuar a servir os interesses que prosseguem, entenderam por bem dar esse passo no sentido do “ex-inimigo” juntando forças para atingirem os seus objectivos.

A “doença” estava instalada desde o início no seio da governação Abhisit e este, sempre a apagar fogos colocados quer pela oposição quer pelos seus “amigos”, pouco o nada podia fazer para tentar impedir a disseminação desse “cancro” pelo corpo da governação.

Vários foram os discursos sobre a transparência de métodos mas poucos foram aqueles que os ouviram ou se o fizeram acreditaram que o Primeiro-Ministro era capaz de mobilizar forças para o combate à corrupção.

Ontem mesmo foi apresentada uma sondagem em que contrastando com o facto de 90% da população dizer que a corrupção é um dos principais problemas do país, um impressionante numero dos deputados, 35%, entende que ela faz parte da vida normal da sociedade tailandesa. Felizmente que os jornais têm a capacidade e a independência para publicar esse estudo que deve envergonhar aqueles a quem se pede serem os representantes da Nação.

Parece contudo que o PM, ou alguém por ele está empenhado numa cruzada contra a corrupção visto nos últimos dias terem vindo a público vários casos onde são apontados os dedos aos actores de casos de corrupção.

O gabinete do Secretário-Geral da Presidência do Conselho de Ministros publicou um relatório que põe a nu os casos de abuso de poder e corrupção relacionados com o exercício do orçamento de 2009. Esse relatório mostra que está em crescendo o número de casos onde existem fortes evidências de corrupção e de utilização indevida de dinheiros públicos. Estão relatados 335 casos onde o prejuízo para o estado se cifra em 35 milhões de Euros. A maioria desses casos passa-se em órgãos da Administração Local mas estranhamente todos os casos são apontados como estando sediados em Ministérios sob a alçada do Bhum Jai Thai Party (BJTP) de Nevin Chidchob e mesmo quando se fala de um caso no Ministério da Saúde, liderado por um Democrata, ele é atribuído à esfera do Secretário de Estado pertencente ao BJTP. Para alem deste estudo apareceram também nos jornais dois casos, ambos envolvendo altos oficiais, ao nível de General, um na Polícia e outro no Exército.

Vários outros casos estão a vir a lume como o do Presidente da Thai Airways que viajou de Tóquio para Bangkok com 390 quilos de bagagem extra, sem pagar e sem passar pela alfândega. Acontece também que o senhor é amigo do Ministro dos Transportes, membro do BJTP.

É extremamente positivo que sejam do conhecimento público os casos, que sejam levados a julgamento e que os culpados, se os houver, sejam condenados, mas estranha-se a casualidade (?) de os casos só se dirigirem a uma força política e a extractos das forças de ordem que constituem blocos ocasionais para Abhisit.

Quanto a este ponto refira-se que o PM ainda não conseguiu nomear o seu candidato para o topo da hierarquia da Polícia (que continua a ser dirigida por um interino com todas as consequências de falta de autoridade que isso acarreta), e que o Exército tem mantido uma luta surda contra o PM na questão do Sul do País opondo-se à iniciativa do PM, lançada em Fevereiro passado, da criação de um organismo civil para gerir o conflito na região que desde 2004 já matou mais de 4.000 pessoas e onde estão estacionadas 60.000 tropas com a dotação orçamental que isso implica.

O dia a dia de Abhisit é feito de um passo à frente e 99/100 pequenos passos atrás e assim vai tentando avançar. Há contudo dias em que os passos para trás são mais do que os que consegue dar para a frente e os que o puxam mais para trás acabam por ser sempre os seus “aliados” ou porque essa é a estratégia ou por total inabilidade em seguir o PM.

Seria bom, também, que a aguardada decisão judicial sobre o caso da atribuição de um subsidio ao Partido Democrata no valor de 5.3 milhões de euros, em violação das leis eleitorais, por uma empresa estatal, que se vem a arrastar por mais de um ano com sucessivos adiamentos e que é esperada para hoje, seja tomada em consciência e com completa indepêndencia para próprio benefício do sistema. A questão é que se essa decisão, for no sentido da condenação acarretará a dissolução do Partido e sabe-se que isso não é do interesse daqueles que apoiam Abhisit já que se sentem protegidos com a sua liderança

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Discurso do Rei


O inicio de Dezembro é normalmente calmo muito especialmente devido às celebrações relativas ao aniversário do Rei Rama IX.

O ano passado foi inesperadamente turbulento devido à ocupação dos aeroportos da cidade (facto ainda, incompreensivelmente, impune) e também devido ao facto de pela primeira vez, durante o já longo reinado, o Rei não ter falado, como sempre faz no dia 4 de Dezembro.

Vários ainda se interrogam sobre aquela ausência, alegadamente por doença, mas o facto era que na altura, e devido à tremenda divisão no pais, causada pelos confrontos políticos, o Monarca não tinha condições de falar ao seu povo sem que houvesse alguém que de uma forma ou outra interpretasse as suas palavras diferentemente. Foi uma atitude pensada, e no fim ajustada à situação.

Este ano devido ao facto de o Rei estar hospitalizado há quase três meses de alguma forma era de esperar que o mesmo acontecesse. Tinha sido visível, quando no dia 23 de Outubro apareceu pela primeira vez, que se encontrava fragilizado e necessitando de descanso e cuidados médicos. Assim foi e a Casa Real decidiu que não seria possível a comparência à sempre cansativa cerimónia do “Trooping of the Colour” e que o Monarca só falaria aos familiares e dignitários do regime no dia do próprio aniversário, 5 de Dezembro sendo substituído em todas as outras funções oficiais pelo herdeiro aparente o Príncipe Vajilalongkorn.

As palavras de Rama IX acabam sempre por ter um eco maior do que aquela pequena audiência e acabaram por ser escutadas por todo o povo e entendidas como uma mensagem para todos. Dirigidas àquele circulo restrito ecoaram por todos os cantos da Tailândia.

Mais uma vez o Monarca falou da necessidade de olhar para o país e da necessidade de pôr os interesses colectivos acima dos pessoais acrescentando que só unidos os tailandeses podem trabalhar uns para os outros e cada um para o todo.

Acabou por ser assim uma mensagem vista, ouvida, sentida e, espera-se, assimilada por todos e resta agora entender o seu alcance e a capacidade que existe de encontrar uma solução para o beco onde se meteu o país.

Thongchai Winichakul, um Professor tailandês da Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos dizia numa, muito interessante conferência ocorrida dias depois, a 8 de Dezembro, e intitulada “Thailand in Transition: A Historic Challange and What’s Next”, que contou entre outros com a presença da Professora Dra. Pasuk Pongpaichite, eminente economista de Chulalongkorn e do Governador de Bangkok M.R. Sukhumbhand Paribatra, que “Quem só vê no pais Vermelho ou Amarelo tem uma visão profundamente distorcida da realidade”. É dever de todos, olhar para dentro de si e para a frente e encontrar a verdade da profunda divisão existente no pais.

O Dr. Thongchai é um dos historiadores com mais obra publicada sobre a Tailândia recente e ler os seus escritos ajuda a entender muitas das questões que se colocam para encontrar a união a que o Rei apelava no seu discurso. A Dra. Pasuk publicou recentemente um estudo, sob os auspícios do King Phrajadipok Institute sobre o tecido económico-social do pais, que foi apresentado no Congresso do KPI, e onde aborda as enormes disparidades existentes no pais e o facto do sistema fiscal do país aumentar de forma significativa esse fosso. O Governador de Bangkok, como se sabe dirigente do Partido no poder, reclamava mais acções da parte de Abhisit na solução dos grandes problemas económicos que o pais enfrenta neste momento e que estão a agravar a já grande divisão social.

O Rei falou, com toda a propriedade requerendo acções aos seus compatriotas. Há agora que esperar que esses tenham ouvido e entendido que é na resolução dos problemas do pais real que se encontra a chave para o futuro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Tratado de Lisboa


Entra hoje em vigor o Tratado de Lisboa o tratado possível para levar a União Europeia para um patamar superior e capaz de dar alguma força extra aos desígnios dos 27 Estados Membros (EM).

Lisboa vai ser hoje palco, com a Torre de Belém por fundo, de uma simbólica cerimónia que visa marcar esta data.

Depois de aprovado na Cimeira de Lisboa a 13 de Dezembro de 2007 o Tratado passou pela ratificação por todos os EM que ficou concluída com a aprovação pelo Presidente Checo Vaclav Claus no início de Novembro. O processo foi complicado devido aos diferentes requisitos constitucionais dos diversos EM, atrapalhou-se com o Não do primeiro referendo irlandês, mas acabou com todos os EM a dar o seu Sim a Lisboa, nome mais simples pelo qual fica conhecido o Tratado da União Europeia assinado na nossa bonita capital.

Muitas são as alterações sobre o anterior Tratado de Nice, em vigor até ontem, mas irei tentar sumariar as mais salientes e aquelas que irão vir a mostrar, ou não, da utilidade do novo Tratado.

Em primeiro lugar Lisboa, faz como que uma compilação de anteriores Tratados num só e confere entidade legal à União Europeia. Até aqui a EU não possuía entidade legal o que por vezes tornava extremamente complicado o acesso da União, como um tal, a forums, acordos ou iniciativas internacionais. De igual modo a Declaração dos Direitos Fundamentais dos Cidadãos Europeus, assinada em 2000 pelos EM entra neste momento em vigor.

Também se reconhece, do ponto de vista legal e formal, que a EU é constituída por 27 EM e não pelos 6 que a iniciaram. Pequena formalidade mas num mundo onde as questões burocráticas prevalecem de extremama importância.

Introduz-se com a “Citizens Initiative” a possibilidade de um número de pessoas por iniciativa própria poder desencadear mecanismos no Parlamento Europeu para defesa de interesses dos cidadãos, uma inovação em relação ao passado.

A partir de 2014 as decisões no Conselho de Ministros passam a poder ser tomadas por uma maioria de 55% dos EM desde que representem 65% da população Europeia. Até agora as decisões eram sempre tomadas por unanimidade o que tornava cada vez mais pesado ce demorado o processo devido ao alargamento da União.

Quanto às instituições existem duas mudanças de relevo: A criação do lugar de Presidente do Conselho da União Europeia, entidade que tem por objectivo representar a União e coordenar as actividades do Conselho, membro eleito por um período de 2 anos e meio com o máximo de dois mandados. As presidências rotativas continuam a existir mas as suas atribuições consistem fundamentalmente na coordenação do Conselho dos Assuntos Gerais e das reuniões do COREPER.

A segunda foi a criação do Alto-comissário representante da União para as políticas externa e de segurança, entidade que assume em simultâneo o lugar de Vice-Presidente da Comissão e que, como os outros Comissários, será eleito para um mandado de 5 anos. Desaparece o comissariado para as relações externas e este novo serviço denominado European External Action Service será uma fusão da anterior direcção para os assuntos externos da Comissão com o gabinete do anterior Alto-comissário ao qual vão ser acrescentados funcionários diplomáticos provenientes dos EM. Deste modo aquela velha pergunta feita por Henry Kissinger, “com quem falo quando quero ligar para a Europa” obtém resposta através deste novo serviço de política externa e de segurança. Do ponto de funcionamento da Democracia, Lisboa alarga as áreas em que o Parlamento Europeu pode intervir nos assuntos gerais da União da mesma forma que dá aos Parlamentos Nacionais dos EM a capacidade de escrutínio e interferência, construtiva, no processo legislativo Comunitário.

Com Lisboa, pretende-se uma Europa mais Democrática, mais Transparente, mais Coesa e portanto mais capaz de enfrentar os desafios que se lhe colocam pela frente.

Embora entre hoje em vigor e desde hoje algumas mudanças poderão ser notadas, o facto é que o alinhamento das novas instituições e seu pleno funcionamento irá ainda demorar alguns meses mas é esperado que no início do próximo mês de Abril todas as alterações estejam completamente implementadas e funcionais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Festejos Reais

Aproxima-se o 82º aniversário de Sua Majestade o Rei Bhumibol, no próximo dia 5 de Dezembro, e tendo em conta que está hospitalizado desde 18 de Setembro, muitos estavam ansiosos por saber se o muito amado monarca apareceria, como todos os anos faz, para grande gáudio da população.

Todos os anos o Rei preside ao desfile das forças militares, curiosamente chamado como na corte de Saint James, Trooping the Colour, que acontece no dia 2, falando aos soldados nessa ocasião. Posteriormente no dia 4 o Rei costuma falar ao país num discurso que é muito esperado e que serve sempre de guia através das suas palavras que são sempre repetidas e recordadas.

No ano passado o monarca falou ás tropas no dia 2 mas, pela primeira vez não compareceu no dia 4 tendo os dois filhos com direitos sucessórios, anunciado que o pai estava adoentado. Felizmente que tal não seria inteiramente verdade mas aconteceu que perante os acontecimentos preocupantes que estavam a fracturar a sociedade tailandesa era de todo aconselhável que o Rei se remetesse ao silêncio e não pudesse haver qualquer má interpretação das suas palavras por um ou outro dos campos.

O Rei está acima das lutas partidárias e é, como símbolo do país, o monarca de todos, o pai de todos, e por isso contribui, através do seu trabalho e das suas palavras, para a união e bem-estar dos tailandeses.

Atenta a saúde do monarca que o retém no hospital há mais de dois meses era altamente esperado o anúncio de saber-se se apareceria aos tailandeses nesta ocasião festiva.

A Secretário Privado de Sua Majestade acaba de anunciar, através de um comunicado à imprensa, que o “Trooping the Colour” foi cancelado e que o Rei não estará presente na tradicional audiência do dia 4 nem nas cerimónias religiosas do dia 6 e jantar aos dignitários do dia 8.

O Rei receberá os familiares, os membros do Gabinete e os parlamentares no dia 5 e decidiu que o Príncipe Maha Vajiralongkorn o representará nas restantes cerimónias oficiais.