sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ainda o Chefe da Polícia


Uma nota mais sobre a novela das 8 – A Escolha do Chefe da Polícia.

Abhisit tem insistido sempre no "seu homem" General Pateep enquanto os outros membros que têm votado contra apostam no General Chumpol.

Actualmente ambos são Comandantes Adjuntos o que à partida os qualifica mas é necessário ver porque é que, essencialmente a corporação e aqueles que lhe estão mais perto, escolhe Chumpol.

Pateep é um homem do aparelho administrativo da Polícia familiarizado com as questões relacionadas com finanças e organização e afastado das aéreas de investigação e combate ao crime. Tem pouca experiência de funções de comando visível, ou seja na “frente de batalha”, e tem sido ao longo da sua longa carreira um homem de bastidores e um burocrata. É conhecida a sua ligação ao líder do PAD Sondhi L. fundamentalmente através da sua forte proximidade com o seu subordinado Chaliya Siri-amphankul parceiro regular daquele. Pateep não é reconhecido como um líder pelos seus colegas da área de investigação e isso tem sido repetidamente trazido a lume dentro da corporação.

Chumpol começou a sua carreira na luta contra o crime e na investigação e ganhou prestígio nesse sector e assim subiu na carreira. É visto como um líder e como um oficial capaz de cortar cerce nas investigações que estão a seu cargo. Tem um handicap. É da mesma classe de cadetes que Thaksin, recorde-se que o fugitivo ex PM é Polícia, embora também da mesma classe que o General Anupong, o que quer dizer que nem todos os membros da classe 10 são "thaksinistas".

Em resumo. De dentro da corporação Chumpol é o mais apreciado e só o empenho político de Abhisit faz de Pateep o único candidato que vai a votos mas que sai sempre derrotado.

Muitos perguntam-se porque Abhisit não avança com outros candidatos tirando da luta esta dualidade que só o prejudica. Para esses a razão é o PAD estar por detrás de Pateep e o facto de, até para mais atrapalhar Abhisit, nenhum outro membro da Comissão apresentar outro candidato.

O mais caricato é que se até ao dia 30 de Setembro não for encontrado o novo Comandante quem, de acordo com a lei vai ser nomeado é o General Priewpan Damapong, o primeiro na hierarquia, e por acaso cunhado de Thaksin Shinawatra.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nobreza

Nobreza é a atitude da Princesa Bajrakitiyabha da Tailândia, aqui na fotografia como um simples participante, quando, há três dias em Geneva, representava o seu país fazendo um discurso na sessão inaugural da 12ª Reunião do Comité dos Diritos Humanos das Nações Unidas.

Quem é nobre de formação, de espírito e de coração não necessita de o mostrar nem de se pôr em bicos de pés para que os outros fiquem mais abaixo. Quem é nobre por natureza é simples.

As Fraquezas de Abhisit

Uma vez mais a liderança do Primeiro Ministro Abhisit Vejjajiva foi posta em causa quando teve de adiar a escolha do novo Comandante da Polícia, segundo ele por não haver unanimidade na decisão.

Todas as pessoas se questionam por que é que Abhisit se meteu nesta guerra na qual tem vindo a sofrer continuadas derrotas abalando seriamente a sua credibilidade.

Dizia-me ontem uma jornalista tailandesa que a partir do momento em que o PM afirmou, publicamente, que ele próprio se encarregaria de “fazer andar” a investigação sobre a tentativa de assassinato de Sondhi L., ficou refém não só da sua palavra mas pior, das pressões do PAD que continua a meter medo a todos.

Na realidade o movimento amarelo continua a existir como um fantasma na cena política tailandesa e não existe ninguém com capacidade de chamar os seus líderes à responsabilidade sobre os gravíssimos danos que causaram ao país. A simples ideia de que possam voltar para a rua, com toda a impunidade que gozam, e levem a cabo manifestações semelhantes, causa dores de cabeça na maioria dos governantes. São conhecidos os apoios de que gozam nas mais altas instâncias e sabe-se que se decidirem avançar para novas manifestações o governo terá (?) de utilizar os mesmos métodos que utiliza actualmente contra os “encarnados” e isso é certo causará grandes distúrbios e eventualmente confrontações violentas. Neste momento o PAD concentra as suas atenções, de novo, sobre o caso de Pharae Vihaern e anuncia ir fazer uma marcha este Sábado na zona do templo onde, segundo dizem, quer tropas inimigas quer populações ocupam território tailandês. O governo de Abhisit e o governo Cambojano já lançaram os seus avisos, o primeiro para que se abstivessem de qualquer manifestação e o segundo de que serão repelidos a tiro de canhão caso ousem entrar em território considerado do Camboja. Os comandos militares estão sobremaneira preocupados com as possíveis consequências da acção quer a nível nacional quer internacional. Note-se contudo que neste caso, e uma vez mais utilizando dois pesos e duas medidas, não foi a zona declarada ao abrigo do Internal Security Act como acontece com Bangkok neste fim de semana.

Mas voltando ao caso da eleição do Comando da Polícia, Abhisit, que tinha utilizando os métodos daqueles que ele condena para afastar todos os obstáculos no caminho da escolha do seu protegido, General Prateep, viu à última hora que afinal iria sofrer mais uma derrota e, segundo as informações que vieram cá para fora ainda maior do que da primeira vez. Desta vez seriam 6 contra e somente 3 a favor sendo que inclusive o Comandante interino que Abhisit colocou no lugar de Pathcharawat disse que iria votar contra.

Mais uma vez o PM mostrou os seus maus fígados, cortando breve a reunião e abandonando furioso, segundo as testemunhas oculares, o local refugiando-se até ao fim do dia no seu gabinete com o, seu conselheiro favorito do momento, o deputado Sirichock alcunhado de “wallpaper”.

O isolamento de Abhisit, de quem não se conhece hoje em dia ninguém próximo a não ser o seu colega de Oxford, o Ministro das Finanças Korn e o já citado “wallpaper”, só é atenuado com a clara sensação de que os seus inimigos, que são hoje os seus aliados mais próximos, não o querem deitar abaixo mas somente fragilizar para melhor servir os interesses imediatos dos seus grupos.

A actual fragilidade de Abhisit levará a que a sua visita à AG das Nações Unidas, a partir do dia 20, seja marcada pelo isolamento e falta de importantes encontros bilaterais mesmo sendo ele o Presidente em exercício da ASEAN. Ecos disse já se fizeram sentir na imprensa.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

É Assim a Segurança?


Uma vez mais o Governo decidiu impor o Internal Security Act (ISA) na zona de Dusit onde se encontram a maioria dos edifícios que se julga possíveis de serem afectados pela anunciada manifestação da UDD “comemorativa” do terceiro aniversário do golpe de estado que depôs Thaksin Shinawatra.

Contrariamente ao aviso de muitos o gabinete aprovou a aplicação do ISA de 18 a 22 de Setembro. O terceiro aniversário do golpe celebra-se no Sábado 19 e a UDD anunciou que iriam realizar duas manifestações uma na “Royal Plaza”, assim é conhecida a praça em frente ao palácio Ananda Samakhom e em Si Sao Theves, a rua onde mora o General Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, a quem sempre se aponta a autoria moral do golpe.

A aplicação do ISA implica que os militares sejam trazidos para a rua para completar a acção das forças policiais e que sejam suspensos os direitos fundamentais dos cidadãos no que respeita à sua liberdade de movimento, associação e opinião. As forças militares ficam com a capacidade de prender, sem mandado e por simples conveniência, quem entenderem, julgando em causa própria, que é uma ameaça para a segurança. Espera-se que desta vez as forças de segurança actuem com mais clareza já que aquando da instauração do ISA no dia 29 de Agosto, houve um caso em que foram presos três sindicalistas, alegadamente por violarem o ISA, por se manifestarem contra o encerramento da sua empresa, só que essa prisão ocorreu no dia 28 e não no dia 29 ou seja foi invocado o ISA quando não estava em vigor. E do “engano” não houve nenhum pedido de desculpas nem os acusados recorrem por medo de represálias.

Resta agora saber qual vai ser a resposta das forças da UDD. Duas semanas atrás a UDD decidiu cancelar a manifestação planeada mas agora não parece ser esse o caso. Já tinham anunciado que as manifestações desse dia seriam totalmente pacíficas e que o dia seria marcado como uma jornada pela Democracia e contra os golpes de estado militares.

Teme-se agora, e com alguma razão de que, à semelhança do que aconteceu em Abril, terceiras forças, a quem a confusão aproveite, se intrometam no meio dos manifestantes e possam desencadear acções que coloquem a situação em total risco de descontrolo voltando a haver confrontações violentas.

É hoje por demais sabido que ao acontecimentos de Abril, quer em Pattaya quer em Ding Daeng foram provocados por agitadores ao serviço de forças que pretendem levar os militares a intervir a desencadearem um novo golpe de estadão. Infelizmente ainda existe muita gente, o que não é estranho após 18 golpes de estado em cerca de 50 anos, que acredite que um regime militar é o que melhor serve o país. Basta ver um pouco da história política recente do país para entender isso sem grande dificuldade.

Aqueles que lutam pela Democracia, seja no campo da coligação governamental seja no campo da oposição, ainda o tentam fazer por métodos legais e democráticos, como deverá ser, mas acabam ultrapassados por radicalismos ao serviço de interesses pouco claros.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Novo Chefe da Polícia

Está assegurada a nomeação do novo Comandante da Polícia que Abhisit quer.

Se bem se lembram na votação que aconteceu há cerca de três semanas o Primeiro Ministro tailandês perdeu, quando o candidato que propôs foi derrotado, 5 contra 6. Perdeu a votação e perdeu a face o que é mau no contexto asiático. Abhisit reagiu mal e os jornais mostraram à saciedade essa derrota.

Havia que fazer alguma coisa para que aqueles que votaram contra mudassem a sua opinião ou saíssem de cena.

Num regime onde prevaleça o debate de ideias, a troca sã de opiniões, Abhist teria tentado fazer ver à comissão da polícia que tem por dever votar o novo comando, o mérito do seu proposto e muito provavelmente conseguido o apoio necessário para apresentar de novo, e agora vitoriosamente, o seu candidato.

Mas não, não foi assim que as coisas se passaram. Entraram em função, aqueles que os ingleses tão bem denominam os “spin doctors”, para tratar de assegurar, por linhas tortas e caminhos dúbios, os resultados que deveriam ser obtidos através de um são ,aberto e democrático debate político.

Os inimigos principais estavam na pessoa do até à data Comandante da Polícia, o General Patcharawat, do Ministro do Interior e do seu Secretário-Geral e de um outro membro do comando da corporação.

E, um de cada vez, foram afastados de poderem emitir uma opinião contrária à do PM.

Patcharawat acabou, no início desta semana, indiciado num processo levantado pela Comissão Nacional Anti-Corrupção (NACC) pelo facto de ser o Comandante da Polícia ao tempo dos incidentes de 7 de Outubro, quando as forças policiais, de uma forma desastrosa, avançaram contra os manifestantes do PAD tendo acabado por morrer uma manifestante e serem feitos feridos centenas de pessoas. Não se compreende porque foi aquela comissão (não houve caso algum de corrupção no assunto) e não o ministério público, chamada a investigar os incidentes, mas compreende-se agora pois a capacidade mostrada para ser manipulada assim o justificava. A decisão sai no momento certo e Patcharawat sai de cena.
Ontem, o General Suthep Thammarak, o outro membro da Polícia que tinha votado contra, teve uma reunião de uma hora com Abhisit e após esta ter terminado anúnciou a sua demissão do seu posto. Outro que já não vai votar contra.
Faltavam o Ministro do Interior e o Secretário-geral do Ministério. Desde a semana passada que vem a aparecer todos os dias nos jornais um escândalo relacionado com um terreno que tinha sido doado a um templo e que de acabou sendo um campo de golfe. O Secretaria-geral do Ministério do Interior é apontado como suspeito de ter estado por detrás da utilização irregular de tal terreno e está ameaçado de investigação do caso. Mais dois elementos, Vichai e o Ministro Chawoarat que vão que ter de se submeter a um discreto silêncio em vista da possível investigação.

Trabalho feito. A nomeação do General Prateep Tamprasert está assegurada.
Contudo Abhisit sai muito mal aos olhos do público como o confirmou uma sondagem da ABAC (Assumption University) hoje publicada e foi ontem frontalmente acusado pela Associação da Polícia, numa conferência de imprensa na qual estiveram vários antigos Comandos da Corporação, incluindo um General com 94 anos, que repudiaram as acusações contra Patcharawat feitas pela NACC. Nessa conferência de imprensa o General (r) Salang Bunnag, originário de uma das mais distintas famílias tailandesas, acusou o PM de estar por detrás da decisão da NACC e solicitou àquela agência que emitisse uma directiva sobre como os efectivos da polícia deveriam actuar em casos semelhantes sob pena de esta corporação se remeter ao imobilismo em futuras manifestações, como a já prevista para o dia 19, data em que a UDD afirmou ir comemorar, à sua forma, o 3º aniversário do golpe de estado que destituiu Thaksin.

Entretanto Abhisit nomeou como Comandante interino do Polícia o General Thanee Somboonsap, tão próximo do PAD que chegou a apresentar-se, várias vezes, no palco que aquela força teve montado em Government House e participou numa manifestação do PAD contra os acontecimentos de 7 de Outubro em frente do comando da polícia de Bangkok a própria força a que pertence sem ter sido alvo de nenhum processo disciplinar.



Entretanto Sondhi L., o líder do PAD foi ontem condenado a dois anos de cadeia, já reduzidos a 6 meses pela primeira instância de apelo, por insultos a um ex Ministro das Finanças do tempo do Governo saído do golpe de 2006, e tenha saído em liberdade e por certo assim ficará. Esse mesmo Sondhi tinha acusado na semana passada Abihsit de estar escravo de algumas das forças que o apoiam (leia-se Bhum Jai Thai Party e o General Anupong) e de não ter coragem para acabar com o caso do comando da polícia.

Resposta pronta e directa satisfazendo o requerido

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Avião de Papel


Mong Thongdee, é um jovem que se tornou famoso, por ser um ás em fazer voar aviões de papel tendo ganho uma competição em Chaing Mai, onde vive, e, em face disso, teve direito a representar a Tailândia, numa competição internacional no Japão.

Acontece que Mong se tornou famoso também por que é "apátrida".

Os seus pais fazem parte dos cerca de 3.500.000, segundo os números mais optimistas, de ilegais existentes na Tailândia. Trabalhadores que demandam este país em busca de algo ganhar procedentes na sua maioria dos países vizinhos, Birmânia, Laos, Cambodja mas também da China.

Acontece que Mong nasceu já na Tailândia mas tal não lhe deu direito a ter a sua situação resolvida. Um sistema complexo que conjuga em simultâneo o jus soli com o jus sanguinae impede que Mong tenha papéis neste país.

Requerido um passaporte, o Ministério do Interior recusou, tendo mesmo o Ministro dito que se ele queria ir ao Japão deveria ir representar “o seu país” (a Birmânia). O assunto acabou por se resolver com a intervenção de Abhisit que atribuiu um passaporte temporário a Mong e lá irá ele para o Japão no dia 17 para representar, penso eu a Tailândia.

Duas notas sobre este incidente.

O aproveitamento político feito por Abhisit. Não são bonitas, embora aconteça por todo o mundo, as fotografias que os líderes políticos aproveitam para fazer para lhes dar boa publicidade nestes momentos. Lá estava, nas muitas fotografias, Abhisit com o jovem Mong que, obviamente, só disse bem e aplaudiu o Primeiro Ministro.

O “caso Mong”, veio mais uma vez mostrar um dos graves problemas desta sociedade que é a imigração ilegal. Actualmente cerca de 5% da população vive sem documentação, vide direitos, no país. Dessas pessoas, 400.000 estão nos campos de refugiados, se bem que a Tailândia os apelide de desalojados visto nunca ter ratificado as Convenções Internacionais, que assinou, sobre os direitos dos refugiados. Esses refugiados são acolhidas, alimentadas, recebem cuidados de saúde e educação, etc, tudo proporcionado pela Comunidade Internacional com a União Europeia à cabeça.

Agora os outros mais de 3 milhões vivem ao desabrigo de todos os cuidados inerentes aos direitos de um ser humano. Abusados por máfias, patrões sem escrúpolos e mesmo por aqueles cujo dever é defender e proteger os refugiados e todas as pessoas em geral. São usados nas fábricas e nos bordéis onde ficam na total dependência daqueles que deles se usam. O país conhece a sua existência, conhece a necessidade que a economia tem deles mas não consegue elaborar um sistema capaz de enquadrar as pessoas boas deste largo contingente de tal modo que sejam um real beneficio para o país, e para eles, sem serem pelo contrário uma permanente fonte de problemas essencialmente em dois aspectos. Criminalidade e questões sanitárias.

Uma vez um anterior Comandante em Chefe da Polícia dizia em “petit comité” que os trabalhadores ilegais que havia, ás centenas de milhares, em Samut Songkran (oeste de Bangkok) a trabalhar em industrias do sector alimentar eram uma grave problema para a boa qualidade sanitária dos produtos pois se estavam doentes nunca iam aos hospitais devido ao facto de serem ilegais e terem medo das eventuais consequências.

No dia 16 de Fevereiro foi proposto, pela União Europeia ao Ministro Kasit a constituição de uma comissão que estudasse a questão dos campos de refugiados e outras questões sobre imigração ilegal, o que o Ministro aceitou, mas até agora nada aconteceu visto a parte tailandesa nunca ter respondido posteriormente ás tentativas de agendar uma reunião de trabalho. E não se pense que é pelo facto de não haver interesse em encontrar uma solução. Por três vezes nos últimos 10 meses, do meu conhecimento, que variados departamentos do governo tailandês mostraram interesse em recolher informação sobre como é que se lida com esta questão noutros pontos do globo. Do Minstério do Interior ao Exército vários são os interessados. Talvez neste dispersão de funções e responsabilidades esteja uma das causas da inacção.

Resolver a questão dos refugiados e de todos os ilegais no país necessita vontade política para afrontar interesses fortes que estão por detrás da manutenção deste estado de coisas com prejuízo do país e fundamentalmente de todos que, tal como Mong, não conseguem fazer voar no seu avião de papel um sonho de uma vida digna .

Justiça e Desilusão


Justiça, Desenvolvimento e Democracia são conceitos permanentemente associados e interligados. Não é concebível haver Democracia sem direitos e liberdades essenciais, sem mútuo respeito, sem a liberdade de cada um ser diferente mas responsável, livre e capaz de poder exprimir as suas opiniões dentro do respeito da lei e da dignidade e respeitabilidade dos outros.

O abuso destes princípios tem de ser punido devidamente e na justa medida por um sistema judicial em que as pessoas possam acreditar e no qual vejam reflectidas as suas necessidades de protecção contra uma sociedade sempre e cada vez mais ameaçadora como é a que passivamente vamos construindo pelo Mundo fora.

Também não há Democracia sem Desenvolvimento. A desigualdade não pode trazer unidade e a capacidade de todos poderem aceder aos seus sonhos de vida. O Desenvolvimento, infelizmente, muitas das vezes é ele próprio a fonte de maior desigualdade e de grandes injustiças sociais. O balanço que a Justiça deve saber exercer também aí é fundamental para que o Desenvolvimento seja sustentado e chegue a todos independentemente da sua origem social, condição, religião, cor de pele e orientação sexual.

A Tailândia é um país cujo povo acredita fundamentalmente nestes princípios como o demonstram muitos dos estudos sociológicos feitos e muitos dos inquéritos de opinião. A Democracia está no coração dos tailandeses, à sua maneira, como deve ser em cada um dos cantos do Mundo observando-se os diferentes valores culturais.

Apesar disso a Justiça tailandesa “deixa descalços” a maioria do seu povo de tão controversa e “cega” que chega a ser com as suas decisões em nada, mesmo nada, ajudando à consolidação de um estado de Direito e de respeito pelos direitos humanos.

Já várias vezes referi casos de justiça controversos. Aqui mais alguns exemplos recentes, a maioria deles no sector político, ou não seja este o que mais casos leva a Tribunal com a fragilidade quer do sistema quer das leis vigentes: Samak, o ex PM deveria estar na cadeia, visto a condenação a que foi sujeito, de 2 anos de prisão efectiva, em 21 de Outubro de 2008 não tinha apelo; Pojaman ex-Shinawatra, foi condenada a 2 anos de prisão, fugiu do país, regressou e vive descansada na sua casa em Thomburi; Thaksin foi condenado a 3 anos por “conflito de interesses” visto ter dado o seu cartão de identidade (cópia da sentença) para que a sua mulher comprasse uma parcela de terra supostamente de uma entidade controlada pelo Governo, facto do qual ela foi absolvida; Thaksin fugiu do país para não cumprir esses dois anos e é constantemente reclamada a extradição dele, se bem que só para “inglês ver” já que nunca foi iniciado nenhum processo de extradição (por demais impossível perante a fragilidade da condenação); Victor Bount, um traficante de armas Russo é preso em Bangkok, requerida a sua extradição pelos EEUU devido a estar indiciado de crimes de tráfico ilícito de armas e drogas naquela país e tal é negado pelos tribunais tailandeses; três activistas manifestam-se em Chiang Rai contra a política sobre o arroz do governo, bloqueando por duas horas uma estrada e estão desde então encarcerados; milhares de pessoas destroem grande parte da sede do Governo, bloqueiam durante uma semana os dois aeroportos da capital causando mais de 3 mil milhões de euros de prejuízo e nada lhes acontece; deputados de um partido são acusados de ter viciado as eleições e são destituídos; Deputados do partido oposto têm os seus julgamentos adiados desde há mais de ano e meio; atentam contra a vida de Sondhi L., a polícia vem dizer que numa semana sabe-se quem o fez, existem acusações contra altas patentes militares e o caso está esquecido; o Santika arde na noite de Ano Novo, morrem mais de 70 pessoas, diz-se que um dos accionistas é um importante membro da polícia (inquérito do Ministério da Justiça), nada aconteceu a não ser acusar o cantor da banda que estava a actuar e o guarda do parque de automóveis que legalmente é o gerente do clube; as investigações sobre os acontecimentos do dia 7 de Outubro passado não avançam ou melhor é anunciada a decisão e depois adiada sem motivo; a decisão sobre a utilização irregular de 265 milhões de bath pelo partido no poder já foi adiada quatro vezes pois existe sempre um dos juízes que está ausente ou no estrangeiro em missão ou doente; o antigo chefe da polícia anda a ser procurado para ser notificado por construção ilegal numa zona protegida mas não o encontram e o oficial (também da policia) que o foi notificar da última vez afirmou que podia ser emitido um mandado de captura mas não o fazia devido o general ser mais sénior; semelhante caso existe contra o antigo PM, pós golpe de 2006, do qual há um relatório do Ministério do Ambiente dizendo que o local onde ele tem a casa é área protegida, mas nada aconteceu até aqui e duvida-se que tal venha a produzir algum resultado, etc, etc, etc.

Os casos apontados são só meros exemplos de centenas, verdadeiramente centenas, de outros onde não existem decisões ou elas são feitas tendo em atenção o dinheiro do arguido, a sua condição social ou ainda a cor política de que se veste.

Se o país não conseguir evoluir neste particular a Justiça deixa de ser um benefício de todos, essencialmente dos mais desprotegidos, para ser uma arma dos mais fortes daqueles que estão no controlo do poder, tenha ele a forma que tiver e o país recuará em todos os aspectos.

Para uma economia tão carente do investimento estrangeiro (mais de 70% do sector industrial vive de investimento proveniente do estrangeiro) o facto de a Justiça ter uma aplicação deficiente das leis é um tremendo problema sabido como é a dificuldade existente em fazer cumprir contractos livremente assinados por duas partes. Os contratos são em muito casos simples papeis a que uma das partes não atribuiu qualquer valor visto saber que se litigar vai conseguir ganhar benefício junto da instituição Justiça.

Dizia-me outro dia um Inglês que vive à 37 anos neste país, sócio de uma das maiores firmas de advogados em Bangkok que tiveram de sair do escritório onde estavam vistos o senhorio (das mais respeitadas instituição no país), ter requerido a propriedade para construir um condomínio. Passados 10 anos a casa está na mesma e desde o primeiro dia alugada a outros. Óbvio que o dono a isso tem direito. É um facto mas a ética nos negócios, como em tudo na vida, só dignifica.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Visita de Jim Webb

O Senador da Virginia Jim Webb recentemente fez uma visita surpresa à Birmânia poucos dias após a condenação da Aung San Suu Kyi a 3 anos de prisão efectiva comutados, pelo Chefe da Junta, em 18 meses de prisão domiciliária.

Há muitos anos que nenhum político americano fazia uma visita ao país que vive mergulhado no isolamento internacional devido ao forte regime conduzido pelos militares e encabeçado pelo General Than Shew.

Não é fãcil obter um visto para entrar na Birmânia, que o digam os enviados do SG das Nações Unidas e da União Europeia, Gambari e Fassino, que muito têm de esperar, e algumas vezes em vão, para conseguir essa porta aberta. Webb já enteriormente teve algumas iniciativas similares, aproximando-se de regimes "non gratos" para a Diplomacia americana como Cuba, e nesse caso sem resultados. Desta vez conseguiu, sem dúvida nenhuma com o apoio dos oficiais americanos sediados quer em Rangoon quer em Bangkok, ir à Birmânia ser recebido pelo sempre invisível Than Shew, falar com Suu Kyi e obter a libertação do americano Yettaw, o homem que nadando através do lago adjacente à casa da lutadora pela liberdade, levou que esta fosse julgada pelo "crime" de violação das regras da sua detenção domiciliária. Yettaw foi condenado no memso julgamento a sete anos de prisão com trabalhos forçados e agora está livre e de volta aos Estados Unidos.

Muito se tem escrito sobre se o incidente do lago foi provocado (preparado) pelas autoridades Birmanesas para terem uma possibilidade de prolongar a detenção de Suu Kyi, visto a sua pena anterior ter terminado a 27 de Maio, dando-lhes assim apossibilidade de a manterem afastada e calada durante o processo eleitoral que deverá tomar lugar no próximo ano e onde a Junta Militar quer a todo o custo evitar que ela possa intervir e volte a obter, como em 1990, uma vitória esmagadora, embora o regime das próximas eleições garanta á partida que 40% dos assentos no Parlamento serão ocupados por militares, por certo os que estão actualmente no poder.

Webb conseguiu aquilo que Ban Ki-moon não conseguiu pois aquando da sua recente visita a Napitaw, a capital-bunker, onde a Junta se refugia, não falou com o lider nem com Suu Kyi nada tendo mais do que conseguido transmitir algumas mensagens da comunidade internacional ao Primeiro Ministro General Thien Sein.

Jim Webb depois de fazer uma acção semelhante à de Bill Clinton na Coreia do Norte escreveu recentemente um artigo no New York Times chamando a atenção para a necessidade de o Mundo ter uma nova visão sobre a forma como olha para a Birmãnia.

As sanções em vigor impostas quer pelos Estados Unidos quer pela União Europeia têm produzido pouco efeito e na realidade dado a oportunidade para que a China, e a Índia em menor escala, exerçam uma influência desproporcionada sobre o país o que é desfavorável aos interesses da comunidade internacional e sobretudo ao povo birmane, um dos mais pobres do Mundo.

A Birmânia é um país rico em recursos naturais, gás, urânio, petróleo, jade, etc, mas o seu povo, formado por um conjunto de minorias étnicas, vive numa situação de total sobrevivência mesmo, num país que pode ser auto-suficiente do ponto de vista alimentar, com fome.

A comunicação social do mundo ocidental escreve muito sobre a luta pela Democracia e pelos Direitos Humanos da qual Suu Kyi é a face visível, mas da qual também existem mais de 2.000 prisioneiros políticos, para além de todos os que desaparecem sempre que há alguma movimentação contra a Junta, mas existe outras questões relevadas pelas diferenças étnicas e pelos constantes conflitos com o poder centar. A luta armada travada pelas várias minorias étnicas contra os ditadores de Napitaw leva a graves actos de opressão das populações no interior do país, abandonados á sua sorte e no meio de um conflito de décadas ao qual o mundo ocidental presta pouca atenção. Só só este mes de Agosto mais de 10.000 pessoas procuraram refúgio na China abandonando a Birmânia através das montanhas no norte e nordeste.

O alerta de Jim Webb é importante para que seja possível encontrar ontra forma de, pressionando a Junta no que respeita os direitos, liberdades e dignificação individuais, seja possível fazer com que a paz e melhoria das condições de vida cheguem a todos neste país tão necessitado.

Cabe a palavra à comunidade internacional, aí incluida e a na linha da frente a ASEAN.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Militares a Subir


Ontem em Phnom Penh, os Comandantes em Chefe do Camboja e da Tailândia, encontraram e terminaram com afirmações que são um grande alívio para as disputas constantes entre os dois países, especialmente sobre o templo de Prasat Khao Phrae Viharn e a fronteira adjacente.

Songkitti Jaggabantra, o Comandante Supremo tailandês afirmou, após a reunião, que “queria clarificar que não haverá mais problemas entre os dois países. A fronteira não será palco de mais disputas”. Ao que o General Pol Sarnoen, do lado Cambojano, retorquiu” nós temos a mesma visão. O nosso objectivo é a paz e a solidariedade entre os dois países irmãos”.

Este encontro e estas declarações vêm dois dias depois de o Camboja unilateralmente ter anunciado uma redução dos efectivos militares na zona..

Desde Junho de 2008 que os conflitos, que existem ao longo dos séculos devido à deficiente demarcação fronteiriça, se agudizaram e nos encontros que entretanto aconteceram, e que relatei, morreram, pelo menos, sete soldados de cada lado para além de varios feridos.

Existe uma comissão encarregada de fazer os trabalhos de demarcação da fronteira mas tal comissão tem sido totalmente ineficaz pois depende da vontade política dos líderes de ambos os países e tal tem estado ausente.

Onde os políticos têm falhado os militares agora conseguiram criar algum espaço de diálogo fundamental e necessário para qualquer futuro desenvolvimento.

Recorde-se as duas visitas feitas a Phnom Penh por Kasit e por Suthep, anunciadas com grande pompa e expectativas na comunicação social antes da sua realização e que nada trouxeram a não ser alguma humilhação para a Tailândia que veio de lá de mãos completamente vazias e com algum aspecto de terem levado com a porta na cara.

Os comandos militares reuniram-se sem comunicação social e sem prévio aviso para fora e resultou.

Os próximos passos serão importantes nesta questão crucial visto tratar-se de dois países vizinhos, entre os quais as trocas comerciais e as movimentações de pessoas são constantes, membros da ASEAN e que têm “ a obrigação” de viver em harmonia para bem deles, da região e da Associação onde se inserem.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Luta pelo Controle da Polícia

Ontem era um dia supostamente para se ter passado calmamente e sem sobressaltos não tivesse sido mais um episódio da novela à volta da nomeação do novo Comando da Polícia Nacional que uma vez mais fez perder a Abhisit credibilidade para além do humor. Os titulos dos jornais de língua tailandesa eram muito claros. "A liderança de Abhisit contestada", "A polícia bateu em Abhisit", "Abhisit foi travado", "batido pela polícia", "com quem é que ele pode contar agora?", "um homen sem amigos". Os de língua inglesa também mostravam bem o retrato da situação em que ficou o PM.

Abhisit tem vindo a travar este braço de ferro com a instituição, que como já referi se estende às forças armadas através da forte ligação entre o Ministro da Defesa e o seu irmão, Patcharawat, e destes ao Bhum Jai Thai Party (BJTP) de Nevin e ao General Anupong, aos quais Suthep presta constante vassalagem.

Abhisit, por pressão do PAD e eventualmente por convicção própria tem tentado, a todo o custo, neutralizar Patcharawat, que embora se reforme em 30 de Setembro ainda tem um papel importante a dizer na habitual remodelação da corporação. Foi a "missão" na China, à qual se seguiu a "missão" no Sul mas sempre sem efeito pois o General reaparecia passados poucos dias no seu escritório.

Abhisit pareceu decidir-se a enfrentar a realidade e convocou a comissão com poderes para escolher o sucessor de Patcharawat, à qual preside, e avançou com o nome de um candidato, o General Prateep Tunprasert e aconteceu aquilo que não podia acontecer. O nome proposto pelo PM perdeu e este acabou derrotado e de alguma forma humilhado tendo abandonado a sala sem falar aos repórteres presentes e tendo cancelado todos os actos que ainda tinha pela frente, entre os quais dois importantes acontecimentos, qual menino amuado.

Os títulos dos jornais de hoje são claros em qualificar o que ontem se passou como uma derrota pessoal de Abhisit e como um forte desafio à sua autoridade.

Entre os que votaram contra o nome proposto por Abhisit encontra-se o Ministro do Interior, o líder legal, que o de facto é Nevin, do BJTP, o seu Secretário-Geral e, sem surpresa o General Patcharawat.

Abhisit regressou ao seu gabinete e remeteu-se a sucessivas reuniões com pessoas que lhe são próximas nas quais não participou Suthep que entretanto foi para a sede do Partido Democrata reunir-se com o “mentor” o antigo PM Chuan Leekpai.

Fala-se que Abhisit, solicitou que o Parlamento não reunisse hoje e espera-se uma comunicação ao país onde se especula que ir+a anunciar uma remodelação governamental. Se essa se verificar os alvos são os membros do BJTP, General Pravit e Chaorawat, o Ministro do Interior.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aniverssários


Ontem Barnhan Silpa-Archa, o líder, na sombra visto estar desqualificado do exercício de direitos políticos, do Charthai Pattana Party, fez 77 anos e foi aquilo que se chama uma grande festa de amigos.
Barnhan é chamado por muitos "a Enguia" e quando estava no Governo adicionavam algo chamando-lhe Pla Lai Sai Skate, a enguia que usa skates, ou seja ainda capaz de escapar mais facilmente de todos os que o querem agarrar o controlar, tal era a sua capacidade de se esquivar a todas as situações políticas embaraçosas. Os seus admiradores chamam-lhe "O Dragão" um bom nome associado á suas ascendência chinesa.

De todos os lados, sem excepção, vieram as flores, as visitas e os wai, o símbolo tailandes de saudação e de respeito ao mesmo tempo.

Abhisit, Suthep, Nevin, Prawit, Somchai (para quem já não se lembra o ex PM cunhado de Thaksin), Sudarat (a sempre aliada de Thaksin e a mulher mais poderosa da política tailandesa), etc, todos desfilaram em frente do velho líder entregando flores e prestando a sua homenagem.

Quem diria? Nevin
Na realidade se andarmos uns anos para trás veremos que todos, sem excepção, se encontraram e andaram de mão e braço dado em algum momento das suas carreiras política ou de negócios, o que para o velho sistema de partidos é a mesma coisa.

Para a semana teremos mais um aniversário o 89 do poderoso Presidente do Conselho Privado do Rei o General Prem Tisunalonda. É costume nesse dia o General abrir a sua casa para receber todos os que o queiram saudar nessa data festiva. Por certo que não será tão concorrida como o aniversário de Barnhan já que Prem é sem dúvida uma das figuras, como Thaksin, que atrai amores e ódios.

Curioso foi que no ano passado, e quebrando essa tradição de sempre, decidiu, dias antes, não abrir as portas de sua casa e logo se especulou sobre a informação preveligiada que teria recebido visto nesse mesmo dia 26 de Agosto de 2008 o PAD ter avançado para a ocupação da Government House de onde só saiu para as ocupações dos dois aeroportos da capital em finais de Novembro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lin Ping


Lin Ping, 82 dias mas crescidinho, com a sua mãe.

Não há Duas sem Três

Ora agora mandas tu ora agora mando eu parece ser o vira que mais se dança no momento na Tailândia.

Refiro-me à saga do Comando da Polícia Nacional tailandesa.

Como por várias vezes já referi o Primeiro Ministro Abhisit deu a entender que o actual comandante nacional da Polícia, General Patcharawat Wonsuwan, estava a dificultar o processo das investigações relativas à tentativa de assassinato do chefe do PAD Sondhi L., e tem tentado desfazer-se dele sem a mínima habilidade para tal.

Primeiro Abhisit disse que Patcharawat ia de ferias para a China durante um mês, quando se sabe que ninguém tem um mês de ferias no país. Acabou por estar em Pequim durante três dias regressando posteriormente pois tinha “que tratar das questões relacionadas com o aniversário da rainha”, segundo o General. Passado esses dias festivos, onde nunca nada pode acontecer, Abhisit enviou Patcharawat para uma missão, que este disse não saber o conteúdo, para o Sul do país. Passados quatro dias eis que o General está de volta a Bangkok e já se pergunta qual é a próxima missão que lhe vai ser atribuída especulando-se que agora terá de ser ou na Europa os nos Estados Unidos pois será mais longe e ele não regressará tão repentinamente.

Para além da investigação sobre a tentativa de assassinato que referi, existe também um outro tema, talvez o mais importante, que é a elaboração e revisão da lista das modificações nos comandos da corporação. Refira-se que todos os anos aqueles que atingem os 60 passam á reforma compulsiva, no dia 1 de Outubro, e por isso há que se rever a organização e proceder ás nomeações necessárias. Esse processo em todos os ramos militares (a polícia é quase que considerado como um deles) é sempre acompanhado de grande controvérsia e clamores de forte corrupção numa verdadeira compra de lugares visto eles darem acesso ao poder e portanto ao dinheiro que lhe está associado e isto nada tem a ver com o salário, que é magro. Abhisit, também, desajeitadamente, disse há cerca de 10 dias que havia nomes que, no seu entender não tinham as qualificações para os cargos propostos, numa quase clara intromissão no assunto, facto que lhe está vedado pela Constituição podendo mesmo perder o cargo se se provar que interferiu no processo.

Abhisit, como já referi, tem estado a travar batalhas com fortes poderes, o PAD por um lado a instigá-lo sobre a investigação e os militares por outro lado que não só não querem ver essa investigação avançar (fala-se da implicação de altos cargos) como querem continuar a distribuir os seus lugares entre si sem que os políticos, esses intrometidos, se imiscuam no processo.

Aliado a isso, anda agora mais viva a sempre pressente ameaça de um golpe de estado devido ao cocktail de ingredientes existentes. Inclusive nos últimos três dias quer Abhisit quer Suthep vieram dizer que um golpe de estado não faz sentido e ontem mesmo Sonthi B, o líder do golpe de 2006 que entretanto decidiu entrar na política, afirmou o mesmo. Hoje havia um blog que perguntava se alguém tinha feito um estudo sobre a ligação das declarações de negação da preparação de um golpe de estado com o facto de haver um que aconteça.

Entretanto no meio desta dança da cadeira de comando, que Abhisit também prometeu vir a ser preenchida em breve com um novo General, existe o comandante interino que nada mais parece do que uma bola de pingue-pongue nas raquetas de Abhisit e Patcharawat. O “pobre” General Wichien nos últimos 10 dias já foi nomeado por duas vezes como comandante substituto e quando começa a trabalhar aparece Patcharawat para lhe tirar a cadeira. Quando será a terceira?

Abhisit, por inabilidade e também por isolamento, já que nem Suthep está com ele agora, vai abrindo arcas cheias de esqueletos e segredos que lhe poderão ser fatais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Dia D numero......

Hoje era outra vez dia D no calendário político, ou melhor ainda o é visto um dos acontecimentos que estava programando para hoje ainda se desenrolar neste momento em que começo a escrever.

Desde o início do mês de Agosto que as tensões têm vindo a crescer visto estar narcado para o dia de hoje pois à 1 hora da tarde será feita a entrega da petição ao Rei pedindo perdão para Thaksin, entrega feita pelos seus apoiantes da UDD.

Muito se tem escrito sobre a petição, sobre se é legalmente possível, se é apropriada eticamente, se é correcta politicamente e no fim se de alguma forma ajuda o país.

A última questão é a mais fácil de responder. Não ajuda o país visto Thaksin não poder ser parte da solução para este país. Uma parte significativa das suas políticas podem, uma boa parte daquilo que fez como PM pode, mas ele pessoalmente não, visto ser um elemento que traz mais divisão do que reconciliação e a Tailândia necessita é da primeira. Necessita de reconciliação mas onde todos, sem exclusão, estejam incluídos, em que todos possam ter o seu dizer e onde todos se sintam protegidos pela lei e pelos tribunais e não assistam a este permanente desfile de decisões influenciadas por questões políticas como tem vindo a acontecer nos últimos meses.

Existem tantos argumentos a favor da petição como contra. De um ponto de vista estritamente formal e de acordo com a Constituição é legítima e legal. Assim o diz por exemplo a maior autoridade do país no campo do Direito Constitucional o Professor Borwornsak Uwanno, que tomou parte na redacção da presente lei fundamental e é o presidente do King Phrajadipok Institute. Contra, o principal argumento é o de que não é possível solicitar um perdão no caso vertente visto Thaksin não estar a cumprir a pena. Teria de aceitar a sentença, começar a servi-la e posterior pedir clemência ao Rei, o que faz todo o sentido do ponto de vista ético.

Contudo a questão era saber como é que ia decorrer a entrega da petição até porque o Governo patrocinou a “petição contra a petição”, através do Ministro do Interior como já afirmei anteriormente. Abhisit neste contexto tem vindo a ser acusado de ter deixado o Rei desprotegido pois é sabido que qualquer que seja a decisão essa só agradará a metade das pessoas tal é a divisão no país. Na realidade a única iniciativa que o PM de alguma forma apoiou foi a contra petição que na realidade ainda veio agravar e pôr a nu a divisão existente na sociedade.

A sabedoria neste momento veio do lado da Casa Real. Desde Sexta-feira que tive conhecimento que o “Royal Household Bureau” tinha contactado a UDD no sentido de organizar a recepção da petição e tudo aconteceu e foi feito na maior tranquilidade e sem que viesse a acontecer a manifestação de centenas de milhares de pessoas que estava prometida para esta manhã em Bangkok.

Assim desde as 6 da manhã elementos da UDD juntaram-se em Sanam Luang, perto do local da entrega, o Grande Palácio, ás 10 da manhã, Thaksin, vestido de vermelho e com uma fotografia do Rei e da Rainha por detrás falou numa vídeo conferência aos seus apoiantes e cerca da 1 da tarde um cortejo de cerca de 1.500 pessoas, encabeçado por 15 representantes, entre os quais alguns dos Monges mais seniores do país, fez a entrega das 500 caixas, contendo, segundo os relatos 10.000.000 de assinaturas, ao representante do Secretário de Sua Majestade o Rei e posteriormente dispersaram ordeiramente.

Está agora ao cuidado da Casa Real a petição e tudo se passou sem incidentes embora como referi o embaraço de uma decisão exista mas agora é tempo de pensar e retomar a actividade normal.
Entretanto no outro acontecimento, Nevin, o sempre presente "líder" do partido Bhum Jai Thai, e outros 43 indivíduos, entre os quais vários ex Ministros do tempo de Thaksin, deveriam ouvir a sentença de um caso de corrupção de que vêm acusados e que poderá determinar o encarceramento por 20 anos ao homem sempre mais falado quando se trata de manobras políticas de bastidores. Nevin tem dito estar preparado para qualquer decisão mas pelo sim pelo não passou o fim-de-semana em Singapura com o Ministro da Defesa e seu irmão Patcharawat, sempre bons conselheiros e sempre prontos a “pegar em armas” para defender as suas damas.

Ao início disse que ainda se desenrolava a decisão do tribunal que supostamente era para ter sido conhecida às 2 horas locais, mas ela acaba por sair agora com a decisão de emitir um mandado de captura contra um dos arguidos, por faltar ao julgamento, e adiando a leitura da sentença para o dia 21 do próximo mês. Assim Nevin pode ir para casa descansado, aliás como era mais do que previsto.

Só, e sempre, é o peixe miúdo que fica apanhado nas redes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Reforma Constitucional e os Tailandeses


A The Asia Foundation acaba de apresentar em Bangkok um estudo que fez em todo o país sobre o tema “Constitutional Reform and the Thai People”. É um extenso inquérito feito a 1.500 pessoas e abaixo apresentam-se parte das conclusões. As entrevistas foram todas feitas, cara a cara, durante o segundo trimestre de 2009.

Antes refira-se que a cobertura do país foi a seguinte: Norte - Chiang Mai, Lamphun, Phitsanulok e Sukothai; Nordeste – Khon Kaen, Kalasin, Nakhon Ratchasima e Yasothon; Centro – Chonburi, Kanchanaburi, Singburi e Chantanaburi; Sul – Nakhon Si Thamarat, Phuket, Songklha/Haat Yai and Trang e Bangkok. O número de inquiridos em cada região teve em conta o número de votos que existe em cada província.

A primeira parte dizia respeito ao “Sentimento Nacional” e a primeira resposta aponta para que 58% dos inquiridos digam que o país vai na direcção errada contra 31% com a opinião oposta. O principal problema para os tailandeses é a má economia/falta de desenvolvidamente/pobreza/desemprego com 60% seguido, com 24% por conflito político/manifestações/confrontações. Somente 10% dizem que a economia e o governo vão na direcção certa. Perguntados como comparavam a situação pessoal actual com a que sentiam dois anos atrás 54% disse estar pior e 13% muito pior contra 15% que pensam estar melhor dos quais 1% diz ser muito melhor. No que respeita a satisfação com o governo 53% estão satisfeitos e 44% não estão. Dos primeiros 5% estão muito satisfeitos e dos segundos 7% estão muito insatisfeitos.

O segundo tema era “Reforma Constitucional e Reforma”.Perguntados sobre a reforma da actual Constituição 28% manifestam-se negativamente, 24% querem o regresso da anterior Constituição, a chamada Constituição do Povo de 1997, e 18% entende que deveria ser elaborado um novo texto que de acordo com 84% dos inquiridos deveria ser submetido a referendo. 67% das pessoas respondem que o processo de reforma constitucional deve ser feito envolvendo todos e consultando o povo. Sobre a questão se deveria haver eleições para reafirmar a legitimidade do Governo a resposta é de que se deve esperar pelo termo do mandato para 45% dos respondentes enquanto 30% entendem necessário esperar pelas reformas do sistema político. No tocante ao tão falado artigo 237 do texto constitucional que tem sido a causa da retirada de direitos políticos a tantos, claramente a resposta é manter. 63% é favorável à sua continuação enquanto 31% é favorável à sua substituição. Nesse mesmo sentido 69% dos inquiridos entende que os políticos condenados não devem ser amnistiados. Já em relação ao artigo que amnistia os autores do golpe de estado de 2006, 57% dos respondentes disseram que o perdão deveria ser retirado contra 32% que entende que deveria manter-se. O papel do exército é para 62% dos inquiridos importante no processo político. Enquanto 34% entende que o exército tem um papel demasiado importante nos desenvolvimentos do processo político. Sobre a questão de saber se a dimensão do exército é adequada ou não, 69% responde que está correcta a dimensão do exército. De alguma forma contraditório com a questão das dificuldades económicas que as pessoas sofrem quando as forças armadas são o único sector a garantir sempre não só uma grade fatia orçamental como o seu aumento contrariamente aos outros Ministérios. Em relação ao facto de metade dos membros do Senado serem nomeados, não eleitos, 63% manifesta-se contra e 28% a favor ao mesmo tempo que 74% dos inquiridos desaprova as propostas para uma nova política onde parte dos membros do Parlamento sejam não eleitos.

O terceiro tema é a “Descentralização” e 69% dos inquiridos são favoráveis à descentralização de poderes para os governos locais enquanto 27% se mantém favorável ao sistema actual centralizado. Em relação aos Governadores 75% dos inquiridos é a favor de serem eleitos directamente e não nomeados, como actualmente acontece.

O quarto tema “Democracia na Tailândia”. Na primeira pergunta tenta-se obter, a partir de respostas sugeridas qual era o mais importante no entendimento do que era democracia. E a resposta principal com 36% é para a questão eleições livres/participação popular/ governo da maioria. Segue-se com 20% igualdade de direitos 16% liberdade de actuação/vivo a vida como quero 12% liberdade de opinião 5% honestidade/igualdade/governação para a união e estabilidade e 8% que diz não saber o significado de democracia o que contradiz os 95% que apoiam a democracia como sistema político e desses 69%, fortemente. De igual modo 68% dizem ser o regime democrático melhor enquanto 30% diz ser necessário um líder forte que não necessita de ser eleito, algo que contradiz um pouco a resposta anterior, ou mostra um conceito de democracia distinto. 83% das pessoas dizem desaprovar, das quais 57% fortemente, as influências ou pressões sobre os eleitores e 90% dizem que os líderes religiosos devem abster-se de falar de questões políticas. Ao mesmo tempo 80% dos inquiridos dizem não serem influenciáveis na hora de votar, o que vai de acordo com algumas teorias sobre a “compra de votos” que dizem que os eleitores aceitam dinheiro de todos os partidos e depois votam como muito bem entendem. Num aspecto distinto perguntados sobre a influência que as instituições internacionais podem ter na melhoria da situação política na Tailândia as opiniões não podem ser mais divididas com 48% sendo favoráveis ao apoio internacional e 47% contra.

O quinto ponto “Sociedade Civil e Confiança” é aquele que mostra o muito que há a fazer no capítulo da educação cívica no país. A primeira pergunta era sobre a pertença/afiliação a alguma Organização da Sociedade Civil e as respostas são desoladoras pois somente uma pequeníssima parte da população toma parte em movimentos cívicos e mesmo assim é nas zonas rurais onde existe maior envolvimento fundamentalmente através da participação nos “Village Funds”, tipo caixas de aforro comunitárias criadas nas aldeias durante os governos de Thaksin. 87,7% dos habitantes das áreas urbanas não tomam parte em nenhum movimento da sociedade civil. No que respeita a confiança é também desanimador ver que 61% dos tailandeses dizer que não se poder confiar nas pessoas, a pergunta não fala em políticos, contra 35% que tem uma visão positiva. Esta pergunta foi feita também dividindo por regiões e perguntando, a todos, de que região as pessoas eram mais confiáveis sendo estas as respostas: 56% Norte, 37% Nordeste, 39% Bangkok, 26% Sul e 21% do Centro.

A última parte do longo inquérito respeitava as “Instituições Democráticas”. A percepção daquela com maior integridade foi para os Tribunais com 64% de vozes positivas, seguido pelo Parlamento 60%, Senado, 59%, Comunicação Social 52%, Exército 44%, Polícia 42%, Comissão Eleitoral 36% e ONGs 21%. Outra questão interessante foi colocada sobre a imparcialidade dessas instituições e os Tribunais são ultrapassados em um ponto pela Comunicação Social, 63 e 62% e o Exército aparece largamente à frente da Polícia, 37 contra 14%. Preocupante é a resposta à questão que é posta sobre a corrupção. 94% dos inquiridos entende que é uma prática corrente entre os agentes governamentais e só 1% diz ser rara. No respeitante à clareza do sistema eleitoral as posições estão outra vez bem divididas com 48% a dizer que as eleições não são transparentes e 47% a dizer que são. Não há nenhuma indicação sobre o género dos inquiridos mas quando perguntados sobre o papel que as mulheres devem ter na política 78% dos respondentes dizem dever ser aquela só para homens e só 3% respondem a favor da igualdade mas 92% dizem que as mulheres decidem por elas próprias no momento do voto embora ainda há 8% que entende que os homens deverão aconselhar as mulheres.
Aqui ficam os dados para as muitas interpretações sempre possíveis destes inquéritos mas estes estudos são de louvar pois sem estes dados muitoo dos trabalhos de investigação social ficam incompletos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O "Julgamento"

Terminou, como se esperava com uma sentença de condenação o "julgamento" de Daw Aung San Suu Kyi. Juntamente foram condenados, no mesmo processo o americano que nadou até sua casa, sete anos, curiosamente um ano por ter violado a proibição de nadar em lagos públicos, e duas das empregadas que servem a prémio Nobel da Paz.

A única diferença neste processo para o tradicional tratamento a que os ditadores que lideram a junta Birmanesa nos habituaram foi o facto de o "julgamento" ter demorado vários meses mostrando bem ao Mundo o medo que os tiranos ainda têm daquela que representa a esperança de uma vida democrática para o país.

Acabou condenada a três anos de cadeia e trabalhos forçados, comutados para 18 meses de prisão domiciliária pelo ditador Than Shew, que ainda teve a coragem de afirmar que estava muito incomodado com o julgamento mas que não tinha querido interferir no processo judiciário.

18 Meses são suficientes para obstar a que Suu Kyi esteja fora do processo eleitoral que acontecerá na primeira metade de 2010 e essa sua ausência, bem como a de todos os que se opõem ao regime actual tirará qualquer legitimidade a esse processo e não serve o objectivo que se diz prosseguir que é o da reconciliação nacional. É demasiado fácil fazer reconciliação somente entre aqueles que nos apoiam.

De todo o Mundo vieram as condenações com pedidos de libertação e de imposição de sanções mas sanções que possam ir directamente ao centro do poder e não afectar o povo da Birmânia.

Da ASEAN vieram duas reacções bastante fortes, Filipinas e Malásia, com este último país a requerer a realização de uma reunião de urgência para debater o caso. Singapura também se mostrou bastante incomodada apelando a que a condenação fosse encurtada de forma a permitir a participação de Suu Kyi nas eleições de 2010. A Tailândia, presidente em exercício do agrupamento, depois do Ministro Kasit ter demorado um dia a reagir dizendo estar à espera do relatório da sua Embaixada em Rangoon, afirmou estar a ASEAN "muito desapontada" com as conclusões do "julgamento" e requerendo a libertação de todos os prisioneiros políticos na sequência das decisões recentemente tomadas no seio da ASEAN e ARF. Contrariando estas declarações, que assinou, o governo do Camboja, veio mostrar-se feliz pela redução da pena e afirmou "que tinha sido dado um passo no processo democrático em curso no país". Na Indonésia uma reunião de dissidentes Birmaneses que estva programada para ontem e hoje foi cancelada devido a aparente pressão dos ditadores de Napitaw. O porta-voz do MNE disse reconhecer o desapontamento pela decisão sobre o caso mas que o governo Indonésio não podia permitir que "um governo no exílio" de um país amigo reunisse em solo indonésio.

A China, o sempre aliado do regime Birmanês, solicitou ao Mundo que respeitasse a decisão do tribunal na sua habitual política de "não interferência em assuntos internos", como entendem ser este. Para mim foi uma surpresa pois ainda não há dois meses numa reunião do ASEAN Regional Fórum, em que estive presente, a chefe da delegação Chinesa falando sobre o mesmo assunto disse que "o processo de reconciliação nacional na Birmânia só poderia ser atingido envolvendo todas as partes". Isto foi dito num contexto em que se discutia o início do julgamento que agora terminou.

Suu Kyi já deu luz verde aos seus advogados para apelar da sentença, mas isso será uma mera formalidade processual e nada, por certo, será alterado.

Os ditadores em Napithaw insistem que deste modo afastando todos os que se lhe opõem conseguem reunificar a nação e avançar num processo que traga paz e prosperidade ao país.

Para já trás por certo grande prosperidade a eles e ás suas famílias, como é sabido, e de todos conhecido, mas enquanto a China e a Índia não puserem um travão no apoio que dão ao regime não se conseguirá encontrar uma solução para um povo que tanto sofre.

A Tailândia, não só na sua capacidade dentro da ASEAN, mas também como um país fronteira e com o qual a Birmânia tem fortes relações em todos os domínios tem sempre uma palavra a dizer e é pena que apesar de um inicio muito promissor do governo de Abhisit neste particular, agora se contraia e seja muito parco e comedido em declarações contra os ditadores no seu vizinho de noroeste.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Dia da Mãe

Hoje, dia 12 de Agosto celebra-se por todo o país o dia da mãe no dia do aniversário da Rainha Sirikit a mãe de todos os tailandeses, assim é entendido. Da mesma forma o dia do aniversário do Rei, a 5 de Dezembro, é o dia do pai.

Para além dos festejos oficiais onde a Rainha esteve presente (o Rei quedou-se por Hua Hin, a sua habitual residência) e que se desenrolaram durante todo o dia, os tailandeses aproveitam o feriado para aquilo que é considerado o grande dia da família.

Mais do que qualquer outro este é o dia em que as famílias se reunem à volta da figura da mãe, saindo, passeando e acabando quase sempre a comerem fora. A mãe é a figura pivotal da família tailandesa como acontece um pouco pela Ásia toda.

Estive no parque de Phutthamonthon, parque que foi construído para celebrar a chegada ao meio do ciclo de vida budista de 5.000 anos. É um imenso e belo parque na província de Nakhon Pathom onde estavam literalmente milhares e milhares de pessoas fazendo as suas orações, passeando, fazendo piqueniques, enfim disfrutando da beleza do parque e também da beleza do dia que esteve, quente mas bonito.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lin Ping

Quase a fazer três meses a panda, o icon da pandamia que atingiu a Tailândia, foi baptizada e chama-se Lin Ping.

Lin por parte de mãe e Ping por parte da cidade onde nasceu, Chiang Mai, banhada pelo rio Ping.

Foram enviados mais de 22 milhões de postais onde as pessoas escolhiam, entre quatro nomes possíveis que chegaram à final nesta competição cujo prémio é 1 milhão de bath ou seja um pouco mais de 20.000 Euros, aquele que era de sua eleição

Desses 22 milhões mais de 13 escolhera Lin Ping como o nome favorito e de entre essa montanha de postais foi escolhida uma sortuda, uma rapariga de Sakhon Nakhon no nordeste do país para receber o prémio.

Como se pode ver pelas fotografias a "criança" tem crescido e apresenta-se bem de saúde

Patcharawat, o Homem do Momento

Após ter sido “despachado” para a China naquilo que foi anunciado como um período de férias, o General Patcharawat Wongsuwan, regressou no passado Domingo e ontem mesmo reassumiu o seu posto de Comandaste Nacional da Polícia. O Genaral afirmou que regressava devido ás notícias sobre o mau tempo na China e devido ao facto de ter de preparar as suas forças para o aniversário da Rainha afirmando que os seus subordinados continuariam a viagem de trabalho.

Afinal a viagem era oficial, a desculpa agarrada à família real é a sempre utilizada, mesmo sabendo-se que não se prepara eventos destes em dois dias, Segunda e Terça, e o mau tempo não afectou Pequim e pelos vistos tal não é preocupação no que respeita aos seus subordinados.

No próprio Domingo, Patcharawat, enviou uma mensagem ao PM Abhisit anunciando o seu retorno e também informou todos os seus subordinados do facto para que ficasse claro que estava de regresso.

A sua abrupta partida, foi antecedida de várias afirmações públicas quer por Abhisit quer pelo seu número dois, Suthep, sempre contraditórias, tendo mesmo chegado a ser atribuídas a Abhisit a declaração de que o lento andamento da investigação sobre a tentativa de assassinato de Sondhi L. era uma das razões para a necessidade de Patcharawat ter um tempo de descanso. Outra das questões que era aflorada era a lista, que todos os anos é elaborada, nesta altura do ano, das movimentações nos comandos da corporação, que não seria do agrado do Primeiro Ministro. Na realidade Abhisit, na sua habitual comunicação via televisão aos Domingos disse que havia nomes nessa lista que não lhe pareciam adequados, e mais não disse visto a Constituição ser clara em proibir todos os titulares de cargos políticos de interferir nessa movimentação sob pena de perca de mandado.

Abhisit entretanto nomeou um Comandante interino que acaba por exercer esse posto somente dois dias. Também essa nomeação foi controversa visto o número dois na corporação, ex cunhado de Thaksin e que já por 22 vezes exerceu essa posição nas ausências de Patcharawat, se queixou de ter sido afastado por motivos políticos. Há que referir que Priewpan, o General em questão, subiu na carreira de forma irregular devido ao facto de ter sido fortemente privilegiado nas suas rápidas promoções pelo seu ex cunhado quando este estava no poder.

Abhisit, “comprou” assim uma guerra para a qual parece ter ido sem armas adequadas pois está neste momento em confronto com todos os detentores do verdadeiro arsenal bélico.

Patcharawat, Prawit e Anupong

Prawit, o Ministro da Defesa e irmão de Patcharawat, e como já referi, homem forte do grupo que mais manobra na sombra, há bastante tempo que não toma parte em nenhuma actividade do governo a que pertence. Não esteve presente em nenhum dos últimos Conselhos de Ministros nem na apresentação das actividades dos primeiros 6 meses no poder feita há 4 dias por Abhisit com toda a pompa e presença dos seus Ministros. Já não foge a ninguém o distanciamento entre Prawit e Abhisit e correm rumores de que este, Patcharawat e o próprio Anupong poderiam demitir-se abrindo um grave crise no seio das forças armadas.

Entretanto Prawit faz hoje 64 anos e são esperados na sua residência todos os pesos pesados militares e da polícia e por certo Patcharawat não deixará de ser o principal tema para conversa.

Abhisit, tropeçando mais uma vez, anunciou que Patcharawat seria enviado numa missão para o Sul da Tailândia, sem especificar qual, logo após as celebrações do aniversário de SM a Rainha Sirikit, que se comemora amanhã, e que voltaria a ser nomeado o mesmo Comandante interino, uma afirmação que já levantou inúmeras vozes de espanto pois Patcharawat é o Comandante nacional e sendo o Sul parte da Tailândia como pode haver dois comandantes nacionais da mesma força em simultâneo.

Porventura não será estranho a esta sucessão de casos “mal contados” à imprensa o facto de que o porta-voz do Primeiro Ministro acabe de ser substituído. Panitan, que vinha exercendo esse cargo vai ser substituído pelo antigo governador de Bangkok e adjunto do PM, Apirak Kosayodhin. Apirak teve de se demitir de governador devido a ter sido constituído arguido num caso de corrupção, que também envolve o ex PM e ex governador de Bangkok, Samak, devido à compra de carros para os bombeiros da capital.

Resta referir que no que respeita a tentativa de assassinato de Sondhi L. foi emitido um mandado de captura contra um sargento do exército. Há contudo quem afirme que estarão envolvidos quatro generais do exército e um alto comando da polícia, mas sabe-se que nas redes acaba por vir sempre peixe míudo.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Sol que Não Brilha


O Semanário lisboeta Sol publicou no passado dia 4 e a propósito da queda de um avião da Bangkok Airways, como relatei de imediato, o seguinte:

Tailândia
Pelo menos 10 pessoas perderam a vida 41 ficaram feridas quando um avião comercial da Bangkok Airways chocou contra a torre de controlo do aeroporto da ilha turística de Koh Samui

Não compreendo onde é que a redacção de O Sol foi buscar a fonte para a notícia pois, e apesar da informação não ter sido a mais clara no momento do desastre, o que normalmente sempre acontece, nunca li em nenhuma fonte qualquer referência a 10 mortos nem a 41 feridos. De igual modo a informação de que o avião teria sofrido um incêndio é desmentida fácilmente pelas fotografias que de imediato estiveram disponíveis.

Na realidade houve um morto, o piloto, e sete feridos graves entre os quais o co-piloto que se encontra em estado crítico.

Pouco mais de 3 horas após o desastre VdB publicou a lista dos passageiros e informou da não existência de nomes portugueses afectados.

Fez me lembrar quando anos atrás um respeitável jornal de Lisboa publicou uma crónica sobre o muito bom concerto que um cantor tinha dado na noite anterior numa sala da capital. Acontece que esse concerto tinha sido cancelado por doença do artista.

Assim não se faz informação. O que se "atira cá para fora" é disinformação e quem sofre é quem lê que ainda quer acreditar naquilo que os meios de comunicação nos trazem.

Para agravar a questão, enviei ao Director do Semanário um email. Sem resposta!