quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

King Bhumibol Adulyadej


King Bhumibol Adulyadej, o nono rei da dinastia Chakrit também chamado Rama IX, festeja o seu 81 aniversário no próximo dia 5 de Dezembro, também Dia do Pai e todo o país presta homenagem ao reverendo monarca.

Rama IX é o actual monarca há mais tempo no trono. Fez no dia 9 de Junho passado exactamente 62 anos que sucedeu ao seu irmão, o Rei Rama VIII, que falecendo cedo num acidente, abriu a sucessão para o seu irmão mais novo.

Educado na Europa e nos Estados Unidos o Rei Rama IX sempre mostrou ser um monarca atento às necessidades do seu povo e na sua qualidade de perito em questões hídricas muitas vezes contribuiu directamente para a resolução de problemas causados pela deficiente gestão das abundantes águas neste país.

Ontem mesmo começaram as cerimonias que se irão estender até ao dia 8.

Ontem foi a "Trouping the Colour" em que os vários sectores das forças armadas desfilam, com os seus fardamentos de diferentes cores marcando o inicio formal das comemorações. Coincidência ou não foi exactamente à mesma hora em que o monarca chegou ao local onde se realizaram as cerimónias que o PAD anunciou o fim à sua luta de 192 dias depois de um dos seus lideres ter anunciado vitória com a saída de cena de Somchai Wongsawat.

O país, como é tradição, está todo unido nas comemorações do aniversario do muito amado monarca. As divisões desapareceram e todos se concentram agora em prestar as devidas homenagens.

Durante a cerimónia o Rei falou brevemente aos militares presentes, sem que o seu discurso tivesse sido interpretado por quem quer que seja como tendo abordado a crise em que o país se viu submerso nos últimos tempos.

O ano passado as cerimónias foram muito maiores e mais faustosas mas isso deveu-se ao facto de o Rei comemorar 80 anos uma data marcante logo após ter completado os 60 anos de regência.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

E Tudo o Vento Levou


Andamos todos distraídos, confundidos. Nós os que vivemos aqui, os jornalistas internacionais que escreveram páginas inteiras sobre o que se passou no país, as centenas de milhares de turistas que foram incomodados, os milhões de milhões que houve em prejuízo para a economia deste país. Todos completamente cegos.

Nada disso existiu. Estávamos todos a sonhar. seriam pesadelos, provavelmente, mas por certo sonhava-mos inconscientes, eu próprio, daquilo que por muitas vezes escrevi.

Na Tailândia tudo é possível e parece que assim é.

O quê? Algo aconteceu? Na verdade nada aconteceu! Não houve a ocupação da Government House, nem a sua destruição. Acabei de ver na Televisão dizerem que estava tudo bem quando é visível a total destruição dos jardins, pelo menos. Não houve pessoas que morreram nem feridos que chegue. Nem tem importância que a lei não seja cumprida. Os danos que fizemos a todo o material da Policia, carros, instalações, viseiras, escudos, armas, pedimos desculpa e está tudo bem. Os autocarros da Municipalidade, não sabemos deles, mas deixe lá que algum dia ao de aparecer. Não se incomode. As perturbações constantes aos alunos das escolas vizinhas. Pobres pequenos, que pena, desculpem. Para a próxima temos mais cuidado. Os incómodos que causamos ao nosso tão amado Rei, não tem importância pois ele na sua generosidade vai-nos desculpar e nós vamos-lhe oferecer o presente no dia 5 que é a abertura de um, um não dois, aeroportos em Bangkok.

Esses estrangeiros que andavam a falar de Democracia e de cumprimento da lei nada sabem do que é a cultura ancestral do povo siamês e nada conhecem do que é que nós queremos deles. Só os mercados para podermos ter quase 70% do dinheiro que necessitamos para comer. Mas se não quiserem comemos só arroz e frango que temos muito e fechamos as fronteiras. Além disso já temos a experiência adquirida nesta ultima semana.

E amanhã vamos todos comemorar este magnífico tempo com uma almoço todos juntos como sempre fizemos no passado. Sondhis, Shinawatras, Chamlongs, Somchais etc só é pena não estar cá o Samak para cozinhar.

Na realidade se atentarmos nas notícias das últimas horas o paraíso terrestre é aqui e nada mesmo nada de realmente importante se passou nos últimos tempos. O noticiário das 7 da noite da estação oficial do Governo só à quarta notícia referiu, e em termos descritivos, que o Tribunal Constitucional tinha dissolvido os Partidos da coligação. nada mais. Os noticiários das televisões nada referem a não ser que amanha (?) o aeroporto vai ficar livre o portanto a normalidade regressou.

Sinto-me parvo, mas penso que não sou. Sinto-me frustrado mas penso que deve ser engano meu. Sinto-me enganado mas isso então é de certeza erro meu pois ainda acreditei que havia regras e normas de funcionamento no país e que a lógica de pensamento tinha algum valor.

A única consolação, algo desajustada, é a de saber, que como disse ainda um destes dias a avestruz enterrou a cabeça ainda mais fundo na areia, pois nem ela quer acreditar naquilo que apregoa como fantástico.

Parabéns ao Miguel Castelo Branco que dizia hoje. Está tudo bem. Até já escreveu o Epílogo E parece que sim.

Boa Notícia


Acaba de ser anunciado pelo PAD que o aeroporto pode ser aberto de imediato. Não é claro o que o líder do PAD que anunciou se referia com clareza e a qual aeroporto ele se referia. Esta foi a frase usada, que já confirmei é a mesma que aparece nos jornais on line tailandeses: La PAD a autorisé des vols à décoller et à atterrir immédiatement, à la fois pour les passagers et le fret", a confirmé à des journalistes un dirigeant des manifestants, Somkiat Pongpaiboon

Teremos de ler com cuidado esta notícia mas de qualquer maneira é um sinal positivo e todos os sinais positivos são bons.

De acordo com o que o Director do Aeroporto ontem tinha anunciado mo caso do PAD desocupar o Aeroporto hoje, o que parece ser o que irá começar a acontecer, seriam necessários mais do que 8 dias para proceder a todos os cheques de segurança, dos equipamentos e do software necessário ao funcionamento. Acabei de ler as suas declarações e o mesmo senhor diz agora que tentará ter tudo a funcionar em 24 horas e que o PAD irá ajudar nas necessárias inspecções!!!!!!!

O Aeroporto ficaria assim com uma zona para o normal funcionamento e outra dedicada aos manifestantes que seria arranjada pelo AOT (Airports of Thailand).

Como acontece com os contratos de seguros parece conveniente ler as letras pequeninas.

É de qualquer maneira um pequeno sorriso mas nunca e de maneira nenhuma uma solução para a complexa crise que o país vive.

Um Sorriso na Escuridão



Ontem na Tailândia quando Júpiter e Vénus se aproximaram da Lua formaram uma imagem única que só poderemos voltar a ver daqui a 40 anos.

Vale a pena registar esse sorriso num momento em que ele é bem preciso.

Ultima Hora



Três dos Partidos da coligação no poder acabaram de ser dissolvidos por decisão do Tribunal Constitucional.

O Tribunal reuniu na sede do Supremo Administrativo, cerca de 50 km ao norte de Bangkok para evitar confrontos com os apoiantes dos Governo e desses Partidos.

De qualquer modo ao longo da manhã os manifestantes foram chegando ao local onde os esperou um fortíssimo contingente de Polícia e militar. Vê-se que os trabalhos que o PAD têm dado à Polícia serviu para alguma coisa. A manifestação decorreu de forma pacífica e após a leitura dos veredictos decidiram regressar a Bangkok ao ponto de partida a praça em frente ao Palácio do Governador de Bangkok onde é suposto que os seus apoiantes, incluindo os Deputados se juntem e se manifestem.

O PPP contesta a decisão, da qual não há apelo, alegando os seguintes factos: os juízes não têm qualificação visto terem sido nomeados pela Junta que realizou o Golpe de Estado de 2006; os juízes foram tendenciosos vistos terem recusado ouvir as testemunhas de defesa apresentadas pelo Partido; a sentença já estaria escrita antes da sessão final de julgamento.

O PM manifestou-se dizendo unicamente que tinha feito o seu melhor para governar o país.

Na sequência da dissolução dos Partidos os executivos desses Partidos ficam inibidos dos direitos políticos por 5 anos e os Deputados de um partido dissolvido têm 60 dias para mudar para outro Partido, que como se sabe já está constituído para os acolher. O Partido chama-se Puen Thai Party e há quem já o apelide de Potjaman Thaksin Party.

É contudo vago no texto constitucional o que se passa no entretanto. Qual a capacidade dos Deputados enquanto não transitam? É necessário realizar novas eleições ou muda-se só a estrutura do Governo? O que se passa na Assembleia enquanto os Deputados não transitam para outro Partido na medida em que não são admitidos Deputados independentes? Estas e outras perguntas feitas a constitucionalistas obtém respostas diferentes e vagas.

Como uma vez já referi, o conhecimento da aplicação da lei e das regras democráticas não escritas é restrito na Tailândia o que torna as questões fluídas e tremendamente difíceis de entender.

O PAD ainda nada disse mas não me parece que esta decisão seja suficiente para os fazer "levantar ferro" dos aeroportos visto no fundo os actores só mudarem ligeiramente. O script da peça é o mesmo.

Como próximo passo há que estar atento aos movimentos do UDD e de todos os apoiantes dos Partidos dissolvidos. Mais logo se verá.

Entretanto o PAD abandonou a Government House mas deixando atrás um rasto de total destruição do que antes eram uns lindos jardins e edifícios. Agora concentraram as suas forças todas nos aeroportos onde ontem mais uma granada explodiu, matando um e fazendo uma dezena de feridos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Visita ao aeroporto de Suvarnabhumi


O Miguel Castelo Branco escreveu no Combustões a experiência de uma visita ao ocupado aeroporto de Suvarnabhumi.

É um excelente retrato sobre o que se está lá a passar. É factual, não interpretativo mas, vou atrever-me a completar com alguns pontos.

Existe uma desobediência civil por parte do PAD visto ter sido intimidado pelos Tribunais a sair do local. Há mais de 150.000 turistas encurralados neste país e a situação em U-tapao é de grande confusão. Imaginem o aeroporto de Tires a receber 10.000 ou 20.000 pessoas por dia. Vários países, China, Japão, Itália, Espanha e França enviaram aviões para repatriar os seus nacionais. A Finlândia está a transportar as pessoas por via terrestre de Bangkok para Phuket, cerca de 12 horas, para operar a partir de lá mas também esse aeroporto está saturado. Várias companhis decidiram não operar para U-tapao devido a não existir condições de segurança para os voos. O nível de alerta na maioria das Missões em Bangkok foi elevado visto haver fundados receios pela segurança no país. Sem nenhum capacidade das forças de segurança em actuar o país torna-se um alvo terrorista muito fácil. Dizia-me contudo um amigo que isso nunca aconteceria pois os terroristas não íam atacar no seu paraíso!

Enfim a anarquia e o não funcionamento de um país e das suas instituições.

Para além disso a economia, está de rastos. Mais de 2/3 do PIB do país é gerado através das exportações e muito mais do que o que se pensa é feito de avião. O turismo representa 11% das receitas do país e o futuro está defenitivamente comprometido.

Para finalizar o que o PAD faz ou o que o UDD faz ou o que o Governo ou as Forças Armadas fazem ou tentam fazer não é uma solução para encontrar estabilidade e sustentabilidade para o país.

Não me perguntem qual é pois também não a sei e se o soubesse só diria em privado, mas passa sempre pelo equilíbrio democrático das forças que representam os diferentes extractos e diferentes pensares num país.

É assim em Portugal, é assim no Mundo democrático e é assim que deveremos sempre guiar o nosso pensamento.

O Rídiculo da Situação


Só para se entender aonde chegou esta manicómio, custa-me usar esta palavra mas embora exagerada serve para definir algumas situações que por aqui se passam.

Ontem o General Chamlong, um dos principais lideres, avistou-se com o Chefe da Polícia Metropolitana da Bangkok para lhe solicitar que proteja as pessoas do PAD de ataques que lhes são dirigidos.

O General é líder de um movimento que está em desobediência civil visto não ter acatado a ordem dada pelo Tribunal Civil para que sejam de imediato desocupados os aeroportos da cidade de Bangkok.

O General é o líder de um movimento que no Sábado cercou as forças da Polícia, lhes retirou os escudos e capacetes de que vinham equipados (nada se sabe sobre as armas mas o resto foi exibido para a comunicação social como troféus de guerra) e os obrigou a retirar.

O General é líder de um movimento que no início de Setembro roubou, confiscou, retirou, o que quiserem,veículos à Polícia e um deles tem sido sempre visto ser usado para transporte dos seus apoiantes.

O General é líder de um movimento que no rescaldo da ocupação da Governement House em 26 de Agosto destruiu inúmeros veículos da Polícia Metropolitana, partindo os vidros das viaturas, rebentando os pneus, destruindo guaridas, etc.

E o General Camlong encontrou-se num ambiente de grande amizade e cordialidade e saiu sem ter sido preso.

Vamos lá nós, educados no príncipio do cumprimento da lei entender.

domingo, 30 de novembro de 2008

O Regresso ao Passado


Ainda anteontem dizia que só faria prognósticos "depois do jogo" mas penso estar hoje em condições de alterar esta minha posição. Como se vê a situação no país é bastante evolutiva e sempre em movimento.

Até agora nada digno de relevo se passou neste fim de semana. A Policia tentou forçar um bloqueio ao aeroporto, sem sucesso, houve bombas na Government House e no aeroporto com uns cinquenta feridos, mas nada mudou no cenário actual.

O Governo lançou um programa no sentido de repatriar os cerca de 120.000 estrangeiros que se encontram "presos" no país, utilizando o aeroporto militar de U-tapao, a 150 km de Bangkok, como porta de saída. A operação é gigantesca pois implica a criação de 5 pontos de check in na capital, a transferência dos viajantes em autocarros escoltados e selados (por motivos de segurança visto as pessoas passarem a fronteira nos pontos de check in) para o referido aeroporto que só está preparado para receber diariamente uma centenas de passageiros.

Contudo parece estar a funcionar a contento e há que louvar o Governo pelo plano e pela forma como se dedicou, Ministro e altos funcionários do Ministério do Turismo a ele. Inclusíve o Governo está a pagar a cada turista até 2.000 bath por dia para despesas de alojamento e alimentação.

Mas vamos a ver a situação de fundo.

Enquanto nos "divertimos" com estes fait divers aqueles que manobram nos bastidores puseram em andamento o plano final para este país.

Como já uma vez referi, a grande luta passa-se entre uma aristocracia, conservadora que não quer perder o poder e uma burguesia urbana, na maioria de ascendência chinesa, como Thaksin, que enriqueceu e quer liderar os destinos do país.

Por outro lado os militares, sempre omni presentes nestes cantos do Mundo, são os fieis servidores daquela aristocracia e também por ela vistos como os seus guardas. No Conselho Privado do Rei os Generais reformados têm assento ao lado dos representantes das grandes famílias símbolos de um país ainda guiado pelas regras anteriores a 1932 data em que foi estabelecida a Monarquia Constitucional

A Polícia, uma força da ordem com menos pergaminhos, como em todo o Mundo, não faz parte deste grupo e alinha-se geralmente com o segundo.

As altas instâncias do país como os Tribunais Supremos de igual modo estão alinhados com o primeiro grupo visto os interesses serem os mesmos.

É dificilmente aceite que a nova burguesia, endinheirada e urbana, queira ter assento nos mesmos fora, nos mesmos salões que a aristocracia e ainda pior que queira governar o país retirando o poder de aqueles que sempre o tiveram. De qualquer maneira, pensam os primeiros que a Tailândia desenvolveu-se o suficiente para não necessitar "dessa gente" e tem capacidade para viver muito bem isolada do Mundo, sem ter de vergar a estes conceitos modernos e ocidentais como o da Democracia representativa onde, como nós pensamos, um homem vale um voto. O PAD aliás numa das suas primeiras exigências dizia que os órgãos de poder não poderiam ser 100% eleitos visto os eleitores das zonas rurais, a maioria no país, não tinham educação suficiente para compreender o que era votar e deixavam que os partidos comprassem os seus votos. Foram os primeiros a falar de órgãos onde só 30% dos representantes eram eleitos. Os outros 70% seriam escolhidos pelas elites do país.

Será de acordo com este pano de fundo que na próxima semana haverá desenvolvimentos que poderão transformar a Tailândia num país olhando para trás.

No início da semana será decretada a dissolução de três dos partidos que estão na base da coligação no poder. O processo estava agendado para meados de Dezembro mas os Tribunais decidiram acelarar a tomada de decisões. Com a dissolução desses Partidos os seus executivos ficarão sem direitos políticos por 5 anos, entre eles o PM e variados Ministros. De um ponto de vista prático os Deputados irão transitar para um outro Partido já constituído, mas existe um vazio Constitucional no que respeita ao que se irá passar.

O facto é que o PM perde os direitos políticos (um dos objectivos do primeiro grupo é a redução ao mínimo dos políticos no activo) e tem de abandonar o Governo. Contudo a Constituição não prevê o que se segue. Se este PM fica como interino até à formação de um novo Governo (que será da mesma cor visto os Deputados serem os mesmos, embora noutro Partido) ou se ficará outro membro do actual Governo não abrangido pela cassação dos direitos políticos.

O interesse do primeiro grupo é que o PM saia, mas é necessário que fique alguém a Governar o país e, eles, não querem que seja ninguém que "cheire a Shinawatra".

Como é que o vão tirar de lá?

Pode ser que os próprios apoiantes do PM possam dar uma ajuda visto que o UDD, que agora mesmo se está a demonstrar em Bangkok, "contra o Golpe", e promete ficar instalado na praça em frente ao Palácio do Governador, já proclamaram que defenderão o Governo com todas as forças e convocarão os seus apoiantes pelo país inteiro para isso.

Pode ser que isso, caso degenere em confrontações seja o argumento necessário para que os militares intervenham em nome do primeiro grupo para "restaurar a ordem no país e evitar uma confrontação sangrenta entre os tailandeses".

Deste modo aos olhos do povo haveria uma razão para intervir e mesmo tal poderia ser facilmnte explicado à comunidade internacional.

Agora se o UDD nada fizer ou se realizarem demonstrações completamente pacíficas terão de derrubar o Governo "apontando uma arma ao PM". Isso será menos aceite e por certo condenado pela comunidade internacional.

De qualquer maneira é este o cenário já em avançado estado de preparação. De igual modo isso permitirá que o PAD largue o aeroporto visto as suas pretensões de uma sociedade com uma democracia controlada por elites estão atingidas.

E o país viverá em paz...... até???

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Enterrar a cabeça na areia


A sociedade tailandesa bem tenta enfiar a cabeça na areia, como a avestruz, de forma a não ver o que se passa.

É de alguma forma a posição tomada por todos e hoje vários académicos emitiram um artigo comentário onde se falava exactamente dessa situação.

Culturalmente na Tailândia evita-se sempre as confrontações e a discussão de questões complexas e por norma, como já referi há dias, não se consegue nunca avistar uma terceira via para a solução de qualquer problema. Está-se sempre no campo do preto ou do branco, do mal ou do bem, do a favor ou contra. Uma terceira via onde se concilie aquilo que de bom existe num modelo e se ponha de parte o que de mau ele tem, não faz parte das possíveis conclusões.

Os asiáticos, tailandeses incluídos, são conciliadores por natureza, mas uma conciliação feita por inacção, alinhando pelo menor denominador e não uma conciliação conseguida após algum tempo de frutuosas discussões onde cada um foi livre e capaz de produzir os seus argumentos.

A conciliação é sempre feita de forma a que se não perca a face, ou seja de forma a que nenhuma das partes conceda em nada. Acontece que a maior parte das vezes a conciliação é somente um Sim mesmo que se queira dizer Não e posteriormente ignora-se o que se acordou.

É uma constante deste processo político a nomeação de mediadores, a apresentação de propostas de solução, a convocação do anúncio de mensagens, enfim os acordos, que não se materializam nunca. Se lermos para trás aquilo que tenho escrito ao longo destes meses vemos isso mesmo. Ainda me lembro em Setembro de o Partido no poder, o da oposição, o Líder da Câmara de Deputados e o Líder do Senado terem acordado em nomear este último como mediador no conflito. No dia seguinte por acaso encontrei me com ele e afirmou-me a sua convicção de que as partes estavam empenhadas em encontrar uma solução para a divisão no país. Aplaudia-se esta via democrática. Dois dias depois já ninguém se lembrava e nunca mais foi falada. A mesma coisa com a proposta de um referendum aprovada no Parlamento. Onde está a implementação dessa decisão? E por aí fora.

Nos últimos dias planos, propostas, anúncios têm sido feitos, uns mais formais outros somente como comentários na imprensa, mas na realidade será que se pode acreditar em algum? Eu diria que não! Estou quase como o João Pinto só vou fazer o prognóstico do que se vai passar depois de acontecer. Por certo que não vou falhar.

Ontem o MNE thailandês convocou os diplomatas para os "acalmar" e anunciar o plano do Governo.

Negociações se falharem avisos e se estes falharem intervenção das forças de segurança.

Negociações devem ser muito secretas pois nem os blogues mais underground falam delas e mesmo se assim for é um erro político pois o Governo só ganharia, num momento em que o apoio do público ao PAD está reduzido a nada, em fazer eco de que está empenhado em negociar.

Avisos! Meu Budha, como se dirá aqui, é o que há mais todos os dias. Que vamos fazer isto, aquilo, que já fez o que não fez, etc.

Intervenção das forças de segurança. Mas onde estão elas? Porque é que desde há muito não fazem o seu papel de impor a ordem e o cumprimento da lei? Quem manda nelas? O Governo ou alguém que está por detrás de alguma cortina?

Em inglês chama-se a isto tudo "wishfull thinking".

Existe contudo uma outra questão neste momento, aliás questão que é perene na cultura e política tailandesa. Quem manda nunca mostra onde está e nunca é aquele que manda.

Os do PAD dizem que quem manda é o Thaksin. Talvez! Os do outro lado que quem manda é o General Prem, Chefe do Conselho Privado do Rei. Talvez!

O facto é que uma parte manda continuamente emissários avistar-se com Shinawatra para receber conselhos que são ou não implementados e a outra nada faz sem o conselho do puu yai como se diz aqui referindo a uma pessoa mais sénior e a quem é devido respeito e direi mesmo subserviência.

Assim estamos nestas discussões filosóficas enquanto o país e a suas pessoas e economia se afundam e num momento que o mundo não esta muito capaz de ajudar.

Alguns aviões estão a operar de e para uma basa militar a 150 km ao sul de Bangkok, mas esse aeroporto não tem condições para substituir aquilo que é (era) o maior hub da aviação na Ásia. A maioria dos vos não levanta com direcção a Bangkok e os que o fazem vão para outros aeroportos no país, Chiang Mai, Phuket, Yat Hai, ou Singapura ou Kuala Lampur.

Entretanto em Phuket comenta-se com alguma piada que não há perigo de o PAD fechar o aeroporto lá, pois os adeptos na ilha do movimento foram todos para Bangkok. O facto é que está quase impossível encontrar um bilhete de Phuket para Singapura ou aeroportos na Malásia.

Acabou de ser anunciado que a Polícia iria lançar uma guerra psicológica contra o PAD. Mais uma.

Quem terá de ir ao psicólogo dentro de algum tempo é todo o país.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rumores

Desde esta manhã que nada mais existe do que rumores de golpes e de contra golpes mas a situação mantem-se inalterada com a excepção de o antigo aeroporto que actualmente serve os voos domesticos ter sido também ocupado.

À minutos o PM anunciou o Estado de Emergência confinado aos dois aeroportos e espera que as forças da ordem avancem para os limpar.

Entretanto a vida continua normal para nós e difícil para os que estão ou a tentar chegar à Tailândia ou a sair dela.

Só esta breve nota visto o meu dia ter sido, e continuar a ser hiper preenchido ... e não por causa da situação.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Será Hoje?


Desde ontem à noite que o aeroporto internacional de Bangkok está ocupado pelas forças do PAD e todos os vôs cancelados com milhares de passageiros em terra.

O caos é total tendo inclusivé os manifestantes ocupado a torre de controlo e serem eles a dizer quem pode entrar ou sair. Esta reportagem do Sidney Morning Herald é elucidativa.

Ontem as televisões quer tailandesas quer de todo o mundo mostravam os incidentes que houve quando, a caminho do aeroporto, um pequeno grupo de cada um dos lados se envolveu em confrontações onde foi bem visível um guarda do PAD, empunhando uma pistola a disparar sobre os outros. Sómente uns feridos e nada mais.

Desde ontem só um vôo, com peregrinos para o Haj "foi autorizado " a levantar voo.

Entretanto o PM está no ar a caminho do país e não se sabe onde irá aterrar. Ao rumor de que seria em U-Tapao, a 150 km ao sul de Bangkok, o PAD disse que iria bloquear essa base militar. Veremos.

A questão de fundo parece ser neste momento saber se, como e quando é que os militares vão sair para a rua.

Se, visto continuadamente repetem, como ainda esta manhã, de que um Golpe de Estado não é a solução para a crise.

Como, pois é sabido que os militares querem ser vistos como independentes, só sendo submissos ao Rei.

Quando, visto estar mais que provado, sabido e conhecido por todos de que a situação não pode continuar desta maneira. Só a Thai Airways anunciou que perde 500 milhões de bath por dia com o bloqueio do aeroporto, e todos são unanimes em condenar o que está a acontecer.

Contudo o PAD diz não sair de lá enquanto o PM não resignar.

O General Anupong veio à minutos propor que o PM dissolva o Parlamento, ou seja convoque eleições, e que o PAD termine a manifestação. Parece-me uma proposta demasiado inocente pois não altera nada na presente situação visto ser mais do que provável que o partido no poder, ou o seu sucessor após a dissolução deste, ganhe de novo as eleições.

A solução a curto prazo tem de passar por um compromisso em que os militares saiam para a rua de modo a que a ordem seja restabelecida, visto a Polícia não ser respeitada após os acontecimentos sangrentos de 7 de Outubro, e o PM Somchai abandone o Governo dando lugar a um dos Vice-Primeiro Ministros ao memso tempo que o PAD termina a sua saga.

Pelo menos uma solução como esta ou similar, que parece estar a tentar ser negociada nos inúmeros encontros terminados ou ainda em curso hoje, poderia dar um espaço de respiração ao país.

Num momento em que a crise económica está a penalizar as exportações nomeadamente o sector automóvel, o já fragilizado turismo, fonte tremendamente importante de receitas, está a sofrer um verdadeiro tsunami político do qual vai ser dificil de recuperar.

Muitas pesoas me perguntaram hoje sobre a segurança no país e se devem ou não cancelar as suas previstas visitas.

A segurança das pessoas não tem estado em causa em nenhuma ocasião a não ser que queiram "entrar na festa" e aderir a algum dos movimentos. Desde 25 de Maio que o PAD se manifesta nesta cidade e só por uma vez, e já lá vão 6 meses, é que me cruzei com eles quando uma manifestação passou à porta do meu escritório na altura em que distribuíam videos dos acontecimentos do dia 7 de Outubro. Uma única vez em 6 meses. A vida está 100% normal e não ser para aqueles infelizes que tinham de utilizar o aeroporto de Suvarnabhumi para entrar ou sair do país. Esses sim estão a ser molestados, incomodados e a sofrer como quando existe uma greve de companhias de aviação ou controladores de tráfego.

Como em todas as ocasiões quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele e se não queremos ter contratempos é bom evitarmos andar a fazer de PAD ou de UDD e à procura de problemas.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PAD em acção

Aconselho a ver este vídeo registado esta tarde pelas 5 horas no Norte de Bangkok por uma televisão.
Entretanto o PAD continua a tudo fazer para ver se conseguem que as forças armadas intervenham mas estas continuam a mostrar estarem unidas e calmas. Esta atitude de quase completa ignorância das acções do PAD por parte das forças armadas tem tido os seus resultados mas como se costuma dizer "um homem não é de pau" e às vezes uma faísca pode acender a fogueira.

Mais um Dia Final

Bloqueio do Comando Supremo


Passado que foi o "Dia Final" de ontem passamos ao Dia Final de hoje numa série de tentativas por parte dos manifestantes do PAD em conseguirem aquilo a que chamam a vitória final, ou seja a queda do governo eleito em 23 de Dezembro de 2007.

Ontem foi o bloqueio do Parlamento, impedindo a Tailândia de ratificar importantes acordos para a próxima cimeira da ASEAN de que é o Presidente. Hoje o Bangkok Post tinha um longo artigo sobre o facto de o país estar a perder a face no contexto internacional. Depois disso foi o avanço sobre a sede provisória do Governo no antigo aeroporto de Don Muang, onde os manifestantes, que segundo fontes não chegam a um milhar, ocuparam, sem a menor resistência as instalações do Primeiro Ministro abusando das instalações (uma das fotografias nos jornais de hoje mostrava os manifestantes sentados na sala do Conselho de Ministros fazendo como que um piquenique) e ao que fomos informados destruindo documentação.

O piquenique foi aqui

O Primeiro Ministro que está em viagem de regresso a Bangkok (foi dito que o seu avião teve uma providencial avaria técnica e ainda não descolou) após a cimeira da APEC no Peru, convocou uma reunião de emergência para ser realizada no edifício do Comando Supremo das Forças Armadas. O PAD decidiu "levantar ferro" de Don Muang e dirigir-se para Cheng Wattana onde se encontra aquele comando. Até ao momento as únicas noticias que são conhecidas é que os manifestantes impediram um carro tanque com água de entrar nas instalações e que os comandos militares reunidos afirmaram manterem-se solidários na infecção de evitar a qualquer confrontação com as forcas rebeldes. Entretanto o General Anupong, mais uma vez, foi claro em afirmar que um Golpe de Estado não é a solução para a crise do país.

Esta madrugada houve grande confusão numa das entradas da autoestrada que vai de Bangkok até ao antigo aeroporto visto os carros (e provavelmente os 4 autocarros que ontem os guardas do PAD aprisionaram e as autoridades não sabem, ou não querem saber, onde estão) não quererem pagar portagem considerando-se, o que é muito verdade, acima da lei. Dir-se ía fora da lei! Depois de muitas negociações e uns larguíssimos quilometros de fila lá pagaram a portagem. Pelo menos por uma vez alguém, neste caso os portageiros da autoestrada, mostrou firmeza perante estes continuados abusos.

O afrontar as forças armadas nunca foi a melhor da estratégia e isso mesmo deverão ter pensado os lideres do PAD. Assim, enquanto escrevia este pequeno artigo, resolveram "largar" o Comando Supremo das Forças Armadas e dirigirem-se para o Aeroporto de Suvarnabhumi, o aeroporto internacional de Bangkok. Por certo será para desejar bom regresso a casa ao Primeiro Ministro. Uma coisa não se podem queixar. Tiveram um dia bastante movimentado e é bom aproveitar agora enquanto a gasolina está barata. Segundo fontes no local não são mais do que 400 mas com a complacência das forças da ordem (?) as minorias tornam-se maiorias.

Quem segue o que escrevo terá notado no repto que lancei a Miguel Castelo Branco sobre os ódios e as paixões dos tailandeses e, como sempre, produziu peça digna de se ler e reler e que aqui fica referenciada penso que com os agradecimentos de todos os que se interessam por estas questões de ciência política e história.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pobre Tailândia

Pobre país que tem de suportar o que está a acontecer.
Só dois exemplos do que se passa hoje em dia nesta terra.
Um slide show do assalto do PAD ao Parlamento, a casa da Democracia
O ataque a um Comandante da Polícia sem consequências para os assaltantes.
E é este grupo que se chama democrático

A Última Batalha


Mas afinal quem é a Polícia?


O PAD tinha anunciado que Domingo iria ser a última batalha e para isso mobilizariam mais de 100.000 manifestantes e iriam ocupar aquilo que muito bem entendessem necessário. De igual modo o UDD anunciou que iria realizar uma manifestação em Nonthaburi, uns 40 km ao norte de Bangkok.

Esta última manifestação realizou-se, como previsto e criticado, num templo em Nothaburi, e terminou sem o mais pequeno incidente tendo os "camisas encarnadas" dispersado calmamente. Interessante foi ver o Abott do templo a falar. Dizia ele. " Acusam-me de deixar que a UDD utilize o templo e a mim para a campanha política deles. Não é verdade. Eu que é os estou a utilizar a eles. Os políticos não vêm muito aos templos. Esta é uma boa oportunidade para eles ouvirem a palavra de um monge" e assim continuou solicitando a que todos usem do seu direito à livre expressão mas respeitando os direitos dos outros.

Entretanto o PAD adiou para esta madrugada a "batalha final" e anunciaram que iriam ocupar o Parlamento de modo a impedir que fosse discutida a tão necessária revisão da Constituição. Os rapazes andam mal informados pois na semana anterior o Primeiro Ministro já tinha anunciado que o projecto passaria para a próxima sessão parlamentar a iniciar em Fevereiro.

Contudo assim fizeram. Pelas 6 da manhã, aqui começa-se sempre cedo, arrancaram em direcção do Parlamento, cortaram o fornecimento de energia e bloquearam todos os acessos a este, tudo isto com centenas de Polícias a assistir sem mexer uma pestana sequer. A meio da manhã o Presidente da Assembleia anunciou que o assunto da revisão da Constituição não estava agendado e só seria debatido em Fevereiro, cantaram vitória e largaram ferro para a sede da Polícia. Chegados aí, com a ajuda das forças de ordem (?) montaram um novo palanque e começaram um novo ataque, verbal, contra a Polícia "responsável por todos os ataques de que têm sido alvo". Nova caminhada, novo capítulo e dirigiram-se para a actual sede provisória do Governo, no antigo aeroporto de Don Muang, alguns 30 km ao norte de Bangkok que agora ocupam.

Quem ler este post deve pensar que estamos a falar de um país sem nenhum sentido de o que é a lei e a obediência que lhe é devida.

Na realidade, e lendo a imprensa internacional as pessoas pensam que a Tailândia se transformou num gigantesco manicómio onde é impossível entender quem manda, o que manda, quando manda e para que é que manda se é que alguém manda.

dentro de três semanas a Tailândia que é actualmente o Presidente da ASEAN , vai receber os Chefes de Estado dos 10 países membros numa cimeira a realizar em Chiang Mai, e vai fazê-lo sem ter aderido a vários importantes acordos essenciais para os debates. O rídiculo está instalado quando o Presidente vai ter a atrapalhação de não poder falar visto não ter autorização parlamentar para tal. A não ser que aconteça como com a ratificação da "Charter" que aconteceu no último dia possível às 4.15 da tarde o país vai passar por mais esta vergonha no palco internacional.

Hoje o Bangkok Post no seu editorial lançava esse aviso mas os lideres das massas que se manifestam têm um nível de entendimento do que é a Democracia eventualmente menor do que o que tinha Estaline.

Uma vez Churchil disse mais ao menos isto: a Democracia é o pior dos sistemas políticos excepto daqueles que de vez em quando aqui e ali querem experimentar.

E assim segue este belo país a sua caminhada para o abismo porque um conjunto de "hooligans", como alguém de muito, mesmo muito, peso, disse uma vez em privado, pagos e bem pagos não consegue entender que amar o país não é destruí-lo.

O Mestre Miguel Castelo Branco, que já várias vezes referi a propósito do seu blog Combustões, e que gosta de filosofia, deveria investigar porque é que os tailandeses não conseguem ser racionais no amor. A constante mistura do amor/ódio faz parte da vivência do dia a dia do povo, se bem que no final, o compromisso, o não perder a face, faça com que ninguém ouse afrontar e/ou decidir de forma concreta e afirmativa sempre que existe um confronto de ideias.

domingo, 23 de novembro de 2008

Enquanto


Enquanto esperamos pelos desenvolvimentos sobre a "marcha final" do PAD que até agora nada produziu, Bjorn Borg e John MacEnroe defrontaram-se ontem em Bangkok naquilo que é mais um exemplo desta cidade a que uns querem "deitar fogo" e outros querem é levar uma vida normal.

Felizmente que a cidade é suficientemente grande para acomodar todos estes e muitos outros que querem fazer aquilo que muito bem entendem. Na realidade a grande maioria dos residentes nesta metrópole está totalmente alheada, para não dizer, enfastiada, farta, destes amarelos, encarnados e outras cores para se dar ao trabalho de os escutar.

Borg o vencedor de 11 torneios do Grand Slam, só suplantado por Sampras e Federer, perdeu num, encontro exibição fortemente disputado, por 7-6 7-5 mas ambos deixaram um perfume daquilo que é o ténis de grande classe em Bangkok.

Entretanto ...... outros devem estar a perder o Domingo em actividades até agora sem nunhum sinal de Dia D ou qualquer outra letra com importância.

Está mesmo bom é para uma soneca ou qualquer exercício ao ar livre.

Assim se passa o fim de semana em Bangkok

sábado, 22 de novembro de 2008

Fim de semana em Bangkok

A temperatura baixou, alguns bangkokianos dizem mesmo estar frio, mas o fim de semana promete ser bastante quente.

O PAD anunciou,mais uma vez, a baltalha final para Domingo 23 em resposta aos ataques que têm sofrido nos últimos dias. Esta noite pelas 2 da manhã mais uma granada foi lançada para gentes do PAD ferindo um com gravidade que se encontra agora nos cuidados intensivos de um hospital.

Entretanto a UDD manifesta-se também no Domingo mas em Nonthaburi a cerca de 40 kilometros ao norte de Bangkok. Benvinda distância.

Ontem estive num debate na Universidade de Thammasat sobre democracia na ASEAN, através das lições da Indonésia, talvez o mais democrático estado do agrupamento regional, e da Tailândia e pode constatar-se que todos, sem excepção, estão fartos do PAD, do PPP, da UDD, do Partido Democrata e de todos aqueles que manobram por detrás dos acontecimentos e só deixam ficar mal vista a Tailândia. Dizia um dos mais acreditados Professores de Política deste país que o caminho era fácil. Regressar à Constituição de 1997, ao fundamental das políticas de Thaksin e aos controlos Democráticos que existiam naquela Cosntituição com gente nova, limpa e capaz de trabalhar para o país, só que as cliques conservadoras (reaccionárias) não conseguem entender a necessidade de evoluir e os benefícios da Democracia.

A loucura parece ter tomado todos. Desde há uns tempos o Major General Khatiya Sawadiphol, um especialista em explosivos do exército tailandês e conhecido por no tempo de Thaksin ter sido por este acusado de colocar uma bomba num carro que rebentou perto da sua residência e posteriormente removido do seu posto. Nessa altura o General disse que não tinha sido ele a pôr a bomba pois se isso tivesse acontecido Thaksin não estaria cá para falar. O General, agora mudando de campo e alegadamente envolvido no treino dos apoiantes do UDD no uso de armas, tem sistemáticamente ameaçado o PAD de que se eles não evacuam a Government House ele os atacará à granada como vem acontecendo agora com alguma regularidade e já levou a que um grupo de Senadores solicitasse a sua prisão pelo facto de o que está a acontecer ser exactamente o que ele ameaça. Pois o nosso General veio agora dizer que aqueles que decidissem ir à manifestação de amanhã era melhor fazerem a prévia marcação de um templo para o próprio funeral numa clara ameaça de que iria haver um banho de sangue. Interessante que a sua unica filha é uma conhecida apoiante do PAD.

O facto é que o General Khattiya diz o que lhe vem à cabeça quando e como quer sem que ninguém ponha cobro às suas afirmaçõs. Está neste momento sobre investigação pelo exército mas continua a praguejar com total liberdade. Entretanto o comando ordenou-lhe que fosse dar aulas de aerobica para os mercados, um estilo de serviço comunitário, ao que ele respondeu que era um guerreiro e não um dançarino e que o que ele poderia ensinar era como lançar granadas e não dança. Assim se passa o respeito pela lei neste país.

Com este clima de "anarquia com um sorriso" como penso poder chamar-lhe tudo é possível acontecer, e várias embaixadas emitiram avisos para as pessoas evitarem este fim de semana a zona onde os PADs se reunem, embora esteja convicto de que no final acaba tudo junto a beber um copo ou não sejam todos parceiros de todos neste país apesar de haver mais ferido menos ferido.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Acabou a Paz

Mal terminaram as cerimónias da cremaçãode SAR a Princesa Galyani recomeçaram as querelas políticas e os incidentes que não se desejam. Até ao aniversário do Rei a 5 de Dezembro, ainda medeiam duas semanas e estas serão por certo envolvidas em ataques de parte a parte.

Esta madrugada uma bomba explodiu dentro do acampamento do PAD provocando uma morte e 26 feridos.

O PAD, considerando-se um estado dentro do estado, não autorizou a Polícia a lá entrar nem a investigar o que quer que seja realizando eles mesmos essas investigações. Como sabemos ninguém é "bom juiz em causa própria" e, sem surpresas, o Governo e a Polícia são acusados pelo PAD de "impedirem a pacífica manifestação daqueles que se lhes opõem".

Não é claro se a granada foi lançada do exterior ou se explodiu lá dentro e nunca tal poderá ser claramente investigado com esta política de total desrespeito pelas autoridades levada a acabo pelo PAD.

Entretanto este incidente é relacionado com a ameaça feita por Thaksin de regressar à política e de ir lutar agora dente por dente, olho por olho com os seus inimigos e o anúncio que foi feito que de novo irá falar numa manifestação a organizar no Estádio Nacional a 13 de Dezembro. Igualmente a afirmação do Major General Khattiya, um antigo adversário férreo do ex PM agora aparentemente transformado em seu apoiante, de que expulsaria o PAD de Government House de qualquer modo e que todos os dias haveria bombas no local até eles saírem é um elemento de apreensão. Um grupo de Senadores já apelou à prisão do General afirmando que a explosão aconteceu exactamente como previsto por ele.

O PAD já anunciou, ao bom estilo do que vimos diariamente na Palestina, que irá desfilar com o corpo do militante falecido, esta tarde em frente ao comando da Polícia Metropolitana. Não autorizam a Polícia a chegar próximo do ajuntamento e depois acusam a Polícia de não os defender. A coerência total em política.

O PAD apelou igualmente aos seus apoiantes para um desfile em massa para no próximo Domingo não se sabendo qual vai ser o destino desta nova incursão mas por certo vamos de novo assistir à ausência das autoridades (?) e eventualmente a uma nova ocupação de outra posição.

Assim vai a política neste país que parece ter enlouquecido.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Que Esteja em Paz


Estão prestes a terminar as cerimónias da cremação de SAR a Princesa Galyani, quando amanhã as suas cinzas forem depositadas no Wat Rajabopit. Ontem e hoje houve várias cerimónias nas quais participaram os Reis e restantes membros da família real, tendo havido rituais e cantos em memória da falecida.

Estas cerimónias Budistas são simples mas longas e têm sempre algumas componentes semelhantes em todos os dias. O acender de velas junto das cinzas, a oferta de vestes a monges, a oferta de comida a monges e cantos por estes entoados em pali, a linguagem utilizada nos templos, ao longo do dia. Por outro lado as relíquias reais, como agora são chamadas as cinzas, vão passando por vários lugares importantes quer para o Budismo quer para a casa real e cada movimentação da urna é um processo complexo de cerimoniais que dura horas.

Amanhã, como disse a urna contendo as relíquias será depositada no Wat Rajabopit e o Assistente do Templo Phra Dhamma Vorametee disse hoje que o trabalho de decorar o local com as 84 variedades de flores e plantas, na sua maioria de cor azul, a favorita da Princesa, está quase concluído. O local será chamando o Jardim das Memórias.

Desta forma serão concluídas as cerimónias que atraíram mais de 100.000 pessoas só no Sábado o dia mais intenso dos cerimoniais.

Razões para um Divórcio


Muito se tem especulado sobre as razões que levaram o casal Shinawatra a se separar e eu pessoalmente tenho tido muitas com os meus amigos tailandeses pois para eles só existe uma razão: Dinheiro.

Apareceu agora aquilo que pode ser a razão real.

Thaksin teria dita a sua mulher, aquando do golpe de estado de 2006 que nunca mais voltaria para a política e agora, agora, não parece ter outra oportunidade para deixar de ser simplesmente um homem em fuga, senão mandar essa promessa às malvas e voltar à luta.

Isso mesmo anunciou um dos seus próximos que a partir de agora seria olho por olho dente por dente na batalha, como normalmente cães acossados e encurralados costumam ter.

Thaksin anunciou, depois de lhe ter sido retirado o visto para regressar ao Reino Unido que o tinham encostado à parede,que iria lutar e que iria denunciar os nomes de todos aqueles que o queriam ver de rastos.

Posteriormente ocorreu o divórcio no Consulado Tailandês em Hong Kong. Como disse todos disseram que era um divórcio só no papel para safar o dinheiro que têm congelado por ordem do tribunal na Tailândia. Para mim parecia-me um pouco mais do que só isso visto que muito rapidamente os tribunais vieram dizer que a separação nada faria alterar na situação do casal. Era necessário entender o que poderia passar-se na cabeça de Potjaman, uma mulher a quem de repente tudo lhe faltava. Não tinha, casa, não tinha amigos e além de tudo não tinha família. Via a sua vida reduzida a seguir o seu marido nas suas aventuras loucas, mundo fora, na tentativa de encontrar soluções para a sua situação. Por isso defendi que para além de eventualmente o divórcio ser benéfico para ambos por certo que Potjaman teria dito alguma vez a Thaksin " estou farta. Pensa em mim só por um momento e verás que quase tudo acabou para mim", ou coisa parecida.

Parece agora claro que a decisão, anunciada por Thaksin, de regressar em força ao combate político terá sido a cereja que o bolo necessitava para ser concluído. Um conjunto largo de factores determinaram esse divórcio e agora o casal irá ter vidas diferentes e lutaram em campos separados.

Potjaman pela sua liberdade e pela sua família, filhos, ou não seja mãe e tailandesa, e Thaksin pela sua honra e pelos seus 76 mil milhões de bath que estão confiscados pelos tribunais. A acrescentar a isto Thaksin irá utilizar o método de "terrorismo" político ameaçando tudo e todos determinado a não deixar nenhum respirar até que alguém o consiga fazer calar. Há que recordar que a maíoria daqueles que actualmente andam envolvidos na política andou de mãos dadas a fazer negócios uns com os outros e portanto conhecem demasiadamente bem todos os podres uns dos outros. Só para dar um exemplo Sondhi, o líder, transformado em guru, do PAD era sócio de Thaksin. A questão é que Thaksin ganhou mais dinheiro que todos os outros e muitas vezes à custa precisamente deles.

Para já anuncia-se que Potjaman quer regressar a Bangkok para se defender e que Thaksin irá fazer uma nova, longa e corrosiva, intervenção numa manifestação no dia 14 de Dezembro num estádio, desta vez não muito longe de onde se encontra o PAD.

A seguir com muita atenção.