domingo, 30 de novembro de 2008

O Regresso ao Passado


Ainda anteontem dizia que só faria prognósticos "depois do jogo" mas penso estar hoje em condições de alterar esta minha posição. Como se vê a situação no país é bastante evolutiva e sempre em movimento.

Até agora nada digno de relevo se passou neste fim de semana. A Policia tentou forçar um bloqueio ao aeroporto, sem sucesso, houve bombas na Government House e no aeroporto com uns cinquenta feridos, mas nada mudou no cenário actual.

O Governo lançou um programa no sentido de repatriar os cerca de 120.000 estrangeiros que se encontram "presos" no país, utilizando o aeroporto militar de U-tapao, a 150 km de Bangkok, como porta de saída. A operação é gigantesca pois implica a criação de 5 pontos de check in na capital, a transferência dos viajantes em autocarros escoltados e selados (por motivos de segurança visto as pessoas passarem a fronteira nos pontos de check in) para o referido aeroporto que só está preparado para receber diariamente uma centenas de passageiros.

Contudo parece estar a funcionar a contento e há que louvar o Governo pelo plano e pela forma como se dedicou, Ministro e altos funcionários do Ministério do Turismo a ele. Inclusíve o Governo está a pagar a cada turista até 2.000 bath por dia para despesas de alojamento e alimentação.

Mas vamos a ver a situação de fundo.

Enquanto nos "divertimos" com estes fait divers aqueles que manobram nos bastidores puseram em andamento o plano final para este país.

Como já uma vez referi, a grande luta passa-se entre uma aristocracia, conservadora que não quer perder o poder e uma burguesia urbana, na maioria de ascendência chinesa, como Thaksin, que enriqueceu e quer liderar os destinos do país.

Por outro lado os militares, sempre omni presentes nestes cantos do Mundo, são os fieis servidores daquela aristocracia e também por ela vistos como os seus guardas. No Conselho Privado do Rei os Generais reformados têm assento ao lado dos representantes das grandes famílias símbolos de um país ainda guiado pelas regras anteriores a 1932 data em que foi estabelecida a Monarquia Constitucional

A Polícia, uma força da ordem com menos pergaminhos, como em todo o Mundo, não faz parte deste grupo e alinha-se geralmente com o segundo.

As altas instâncias do país como os Tribunais Supremos de igual modo estão alinhados com o primeiro grupo visto os interesses serem os mesmos.

É dificilmente aceite que a nova burguesia, endinheirada e urbana, queira ter assento nos mesmos fora, nos mesmos salões que a aristocracia e ainda pior que queira governar o país retirando o poder de aqueles que sempre o tiveram. De qualquer maneira, pensam os primeiros que a Tailândia desenvolveu-se o suficiente para não necessitar "dessa gente" e tem capacidade para viver muito bem isolada do Mundo, sem ter de vergar a estes conceitos modernos e ocidentais como o da Democracia representativa onde, como nós pensamos, um homem vale um voto. O PAD aliás numa das suas primeiras exigências dizia que os órgãos de poder não poderiam ser 100% eleitos visto os eleitores das zonas rurais, a maioria no país, não tinham educação suficiente para compreender o que era votar e deixavam que os partidos comprassem os seus votos. Foram os primeiros a falar de órgãos onde só 30% dos representantes eram eleitos. Os outros 70% seriam escolhidos pelas elites do país.

Será de acordo com este pano de fundo que na próxima semana haverá desenvolvimentos que poderão transformar a Tailândia num país olhando para trás.

No início da semana será decretada a dissolução de três dos partidos que estão na base da coligação no poder. O processo estava agendado para meados de Dezembro mas os Tribunais decidiram acelarar a tomada de decisões. Com a dissolução desses Partidos os seus executivos ficarão sem direitos políticos por 5 anos, entre eles o PM e variados Ministros. De um ponto de vista prático os Deputados irão transitar para um outro Partido já constituído, mas existe um vazio Constitucional no que respeita ao que se irá passar.

O facto é que o PM perde os direitos políticos (um dos objectivos do primeiro grupo é a redução ao mínimo dos políticos no activo) e tem de abandonar o Governo. Contudo a Constituição não prevê o que se segue. Se este PM fica como interino até à formação de um novo Governo (que será da mesma cor visto os Deputados serem os mesmos, embora noutro Partido) ou se ficará outro membro do actual Governo não abrangido pela cassação dos direitos políticos.

O interesse do primeiro grupo é que o PM saia, mas é necessário que fique alguém a Governar o país e, eles, não querem que seja ninguém que "cheire a Shinawatra".

Como é que o vão tirar de lá?

Pode ser que os próprios apoiantes do PM possam dar uma ajuda visto que o UDD, que agora mesmo se está a demonstrar em Bangkok, "contra o Golpe", e promete ficar instalado na praça em frente ao Palácio do Governador, já proclamaram que defenderão o Governo com todas as forças e convocarão os seus apoiantes pelo país inteiro para isso.

Pode ser que isso, caso degenere em confrontações seja o argumento necessário para que os militares intervenham em nome do primeiro grupo para "restaurar a ordem no país e evitar uma confrontação sangrenta entre os tailandeses".

Deste modo aos olhos do povo haveria uma razão para intervir e mesmo tal poderia ser facilmnte explicado à comunidade internacional.

Agora se o UDD nada fizer ou se realizarem demonstrações completamente pacíficas terão de derrubar o Governo "apontando uma arma ao PM". Isso será menos aceite e por certo condenado pela comunidade internacional.

De qualquer maneira é este o cenário já em avançado estado de preparação. De igual modo isso permitirá que o PAD largue o aeroporto visto as suas pretensões de uma sociedade com uma democracia controlada por elites estão atingidas.

E o país viverá em paz...... até???

2 comentários:

Anónimo disse...

não é verdade, porque as cidades estão com o PAD e votam contra o Taksin. Basta ler os jornais europeus para perceber que o que está em causa, é o assalto às instituições e o controle da economia pelos mesmos de sempre: os milionários e os oportunistas do costume. Vivi seis anos em Macau e sei que os chinas organizam máfias sem qualquer respeito para com os países onde se infiltram, procurando construir o seu poder através do dinheiro. Veja o que se passou na Indonésia e a reacção popular. Mas há chineses de outro tipo, como Chamlong e Lin Thon Gkul que acima de tudo, servem o país e não se deixam teleguiar pela antiga pátria-mãe.
Luís Rangel

Nuno Caldeira da Silva disse...

A queatao esta muito para alem de um confronto de etnias. Acontece que na realidade a maioria dos grandes grupos economicos eato na mao de familias de origem chinesa, como em muitos paises da regiao. O pais esta todo dividido. A maioria ainda vota Thaksin ou seguidores mas o sul vota 90% contra as cidades como Bangkok e mais ou menos 60% contra. O PAD nao e um partido politico e por isso nao tem representatividade. De alguma forma o Partido Democrata poderia angariar esses votos mas sempre ficou bastante aquem de poder chegar a uma maioria. Seria util para o sistema se o PAd abandonasse as ruas e se transformasse num Partido Politico com assento parlamentar mas sempre se recusaram a fazer isso. Semanalmente a Universidade catolica faz uma sondagem na capital sobre o que as pessoas pensam. Esta Segunda 76,3% dos inquiridos manifestava-se contra ambos as partes querendo uma alternativa. E essa a maioria ma sa qual falta encontrar um lider