terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Exército


Há poucos dias veio a lume que o edifício onde se encontra o Comando do exército teria sido alvo de um ataque vindo do exterior que ocasionou a explosão de uma granada M79.

O próprio PM Abhisit veio suportar esta tese na Televisão..

O primeiro suspeito apontado foi, como de costume, o Major-General Khattiya Sawasdipol, um perito em explosivos e uma permanente ameaça para tudo e todos pela forma desabrida como fala. Foi este General que após Thaksin o ter acusado de ter colocado uma bomba perto de sua casa em 2005, veio dizer que não tinha sido ele, pois se o fosse, Thaksin não estaria vivo para falar.

O General Khattiya agora convergiu para o campo vermelho e está permanentemente a atacar o General Anupong. Recentemente foi suspenso de funções e veio logo dizer que o General Anupong tinha 30 dias para o readmitir pois senão quando se reformar, a 30 de Setembro, não poderia sair de casa já que seria atacado todos os dias. É esta a forma de agir de Khattyia. Sempre ao ataque e “sem papas na língua”.

Voltando ao “ataque” ao comando do exército começam agora a vir ao de cima muitas dúvidas sobre se ele na realidade existiu ou se é tão somente uma forma de arranjar mais um caso contra o General Khattyia. Vejamos a cronologia do que aconteceu.

A primeira contradição: o ataque terá tido lugar no dia 14 pela manhã segundo uma das fontes; segunda outra o ataque teria sido na manhã do dia 15 e a granada teria caído junto do gabinete do General Anupong facto que teria levado a reforçar a sua segurança. Alguns jornalistas afirmaram ter falado pelo telefone com o General que disse nada ter acontecido mas como as versões que corriam eram de que o ataque tinha existido decidiram avançar com a notícia embora a visita ao local lhes tenha sido negada.


Embora Anupong tivesse negado o acontecido, como Abhisit disse que tinha havido um ataque, o General instruiu o Coronel Sansern Kaewkamnerd para convocar uma conferência de imprensa para dar a conhecer a versão oficial.

Acontece que este ainda trouxe mais confusão para a situação dizendo que os soldados que montavam guarda ao Comando não notaram nada de anormal nessa noite nem ouviram algum barulho na manhão seguinte. Um perito em explosões disse que poderia ter havido uma explosão, repito usou a palavra “poderia”, mas que não podia confirmar de que tipo e de onde eventualmente teria ocorrido.

É caso para perguntar que tipo de explosivos são utilisados pelas forças armadas tailandesas que não se fazem ouvir nem memso aos ouvidos de soldados profissionais como os que patrulham o edifício do Quartel General?

Sansern disse depois que de facto teria ocorrido uma explosão mas numa sessão de exercícios perto do escritório de Anupong, mais disse que não sabia porque é que o exército não tinha levantado um inquérito para averiguar desse facto, e mantido o silèncio durante dias. O local continuou selado à comunicação social e todos parecem embaraçados com a confusão reinante. .

Entretanto foi feita uma busca a uma casa do General Khattyia, sem mandado e sem a presença deste, reclama o General, e a um dos seus adjuntos onde foram encontradas armas, logo fotografadas pela comunicação social, convocada para acompanhar as buscas, mas posteriormente o Comadante Interino da Polícia veio dizer que não podia ser estabelecida nenhuma relação entre as armas encontradas e o “incidente” no Quartel General. Saeh Deang, como é chamado Khattyia, desmente os factos mas da sua forma agressiva sempre ao ataque dizendo que isto não é mais do que uma luta entre ele e Anupong e que o Comandante perderá.

Muitas questões estão no ar. Aconteceu ou não o incidente? Se é verdade como é que os tailandeses podem estar descansados com as suas forças armadas quando nem o próprio Quartel General sabem defender? Porque é que Anupong não fala? Porque é que existem tantas contradições dentro do próprio exército? Porque é que Saeh Deang diz o que diz e ninguém o incrimina, desde os tempos de Thaksin que diz o que lhe vem à cabeça sem que com tal seja incomodado.? Quem o protege?

Alguns dizem que tudo foi feito só para incriminar Khattya, outros que é só a ponta do icebergue das disputas que se passam no exército. Já ninguém acredita que realmente houve o lançamento de uma granada para o interior do Quartel e muito menos que, se tal tivesse acontecido, fosse o General Khattyia a lançá-la. Dizia um jornalista. Ele, Khattyia, é louco mas não ao ponto de ir de peito aberto contra Anupong. É um militar e conhece as regras.

Entretanto o clima é tão sensível que ontem, á noite, movimentaram-se vários tanques na cidade e os rumores de um golpe de estado em curso correram por todo o lado. Versão oficial eram só tanques vindos do Sul para reparação para serem posteriormente enviados para a missão de paz das Nações Unidas no Sudão. E porque é que não vieram em camiões militares, como seria normal, e andaram a transitar pelas ruas?

Só perguntas e poucas respostas.

Uma resposta obtive e de uma jornalista que é muito próxima dos meios militares.

Que “ainda não era mas que tal estava na mente dos militares”. Acrescentou para não entrar em pânico mas para estar vigilante. Acrescentaria eu: a quem serve o presente clima de permanente inquietude, embora se saiba que não está na cultura dos tailandeses nada de muito extremo, que os militares constantemente transmitem para o exterior?

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