sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Comício dos Democratas

Ontem aconteceu o comício dos Democratas e felizmente acabou por tudo correr da melhor maneira.

Pode dizer-se que só houve dois incidentes, se assim se poder apelidar os factos. Uma dúzia de "camisas vermelhas" vestidos como fantasmas apareceram no templo Pathumwanaram, onde no dia 19 de Maio de 2010, morreram, em condições que ainda por esclarecer, como aliás com todos os outros casos, enfermeiros voluntários da Cruz Vermelha que estavam a ajudar mulheres e crianças das hostes vermelhas que para ali tinham sido levadas. A polícia eficazmente manteve "os fantasmas" calmos e afastados do local onde estavam concentrados os líderes Democratas. O outro foi o facto do Vice PM Suthep ter, numa parte da sua intervenção, atirado para o ar uma afirmação que deixou, mesmo os presentes de boca aberta e estupefactos. Afirmou que quem estava na origem do assassinato, ele chamou-lhe morte, do general vermelho Saeh Daeng era o líder vermelho e actual candidato a Deputado pelo partido da oposição Jatuporn Prompan. Se não fosse triste daria vontade de rir.

Mas o ponto importante é que a manifestação decorreu sem incidentes e ganhou a Democracia.

Quanto aos números dos presentes houve contudo elementos interessantes. Hoje o jornal Bangkok Post afirmava que tinham estado presentes 30.000 apoiantes dos Democratas.

Vejamos a informação que obtive: do próprio Director da Campanha Democrata, o ex ministro Korbsab, 6.000; de um jornalista inglês presente no local 5.000; de uma agência que monitoriza este tipo de acontecimentos 5 a 7.500 e de colegas meus, apoiantes dos Democratas, que lá foram e aí estiveram até ao final "não mais do que 5.000".

Quer estes últimos quer a agência LBG afirmaram que o tráfico na zona era melhor do que em qualquer dia normal, porque muitos evitaram o local e porque os apoiantes dos Democratas se estenderem somente pelo passeio frontal ao Central World não "pisando" a rua que lhe fica em frente, Rajaprasong.

Por todas estas informações que obtive, e nas quais acredito, não compreendo como um jornal que deve ter como principal objectivo informar, consegue descobrir o número de 30.000 manifestantes sem ter a noção de que vai cair no ridículo. Bastava seguir, como fiz, o "live stream" do local ou os Twits contínuos que de ali se faziam, inclusive de Abhisit, Apirak e Korbsab, para se ver que o numero de presentes deverá ter andado por volta dos 5.000 ou pouco mais conforme os outros relatam.

Jornalismo de má qualidade informativa.

Entretanto os líderes do Pheu Thai e do Chart Thai Pattana afirmaram que afinal o comício dos Democratas não trouxe nada de novo como prometia Abhisit e não foi mais do que a repetição das mesmas mensagens.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

23 de Junho

O dia 23 de Junho, hoje, é um dia que vai ficar marcado na história da Tailândia e por duas razões.

Acaba de ser publicado no blog New Mandala a primeira parte de um longo ensaio sobre a Tailândia baseado nos telegramas americanos, relativos ao país, que foram dados a conhecer através do que é conhecido como Wikileaks, e que por razões que poderão entender fizeram com que o seu autor, Andrew MaGregor Marshall, o numero dois da Reuters em Bangkok tivesse de pedir a demissão abandonado o país onde por certo não poderá voltar a entrar. O jornal inglês The Independent traz hoje um texto de Marshall onde ele explica as razões para tal.

A segunda razão é o facto de o Partido Democrata realizar hoje um comício que está a levantar muitas dúvidas a muitas pessoas. Será o ponto alto da campanha em Bangkok e vai ser realizado no local onde há um ano tanto aconteceu como a morte de dezenas de pessoas e o incendiar de muitos edifícios daquela zona. Estou a falar de Rajaprasong.
Nesse comício os pesos pesados dos Democratas irão falar e Suthep disse ir revelar a "verdade" sobre o que aconteceu em Maio de 2010. Recorde-se que o PM Abhisit em Outubro de 2010 constituiu uma comissão para apurar a verdade sobre o que ali se passou e esta comissão apesar de já ter produzido três relatórios para Abhisit, diz não ter conseguido terminar o seu trabalho devido à falta de colaboração de alguns dos sectores envolvidos nos incidentes.

Pelos vistos Suthep deveria ter transmitido à Comissão, nomeada pelo governo do qual é o número 2, aquilo que conhece e desse modo contribuiria eficazmente para a descoberta de toda a verdade facto essencial ao restaurar de confiança na dividida sociedade tailandesa.

Como já referi muitos sectores, inclusive do lado Democrata e da coligação que forma o Governo, já anunciaram a sua discordância temendo que o local do comício seja visto com o uma provocação e possa desencadear actos de violência que inclusive poderão levar à paragem do processo eleitoral em curso.

O partido da oposição e os "camisas vermelhos" já avisaram todos os seus apoiantes para se manterem afastados do local e não caírem em nenhuma armadilha que porventura possa estar a ser preparada por terceiras partes sempre tão interessadas em criar situações das quais se possam aproveitar.

Contudo familiares das vítimas de Maio de 2010 anunciaram que não tolerarão que Suthep venha acusar os que ali morreram de actos dos quais não são responsáveis, no entender desses familiares, que continuam a esperar que justiça seja feita.

Os ingredientes para agitadores se aproveitarem da situação estão criados e a polícia montou um forte dispositivo de segurança (sabendo-se quão eficaz isso tem sido no passado duvida-se que resulte se necessário) e o comandante do exército ordenou que os seus homens estivessem preparados subindo o nível do alerta de segurança. Foram inclusive movimentadas tropas para a capital.

Este comício tem a capacidade de ser um grande acto de Democracia, se todas as partes souberem o que é o respeito por esta forma de estar na sociedade, e assim saírem vitoriosos, quer os Democratas quer os seus opositores, ou pode acabar sendo o oposto e agravar ainda mais a divisão existente na sociedade.

Esperamos que prevaleça a primeira e que amanhã os Democratas se orgulhem do seu comício, do facto de terem transmitido a sua mensagem, sem abusar de outros, e que o Pheu Thai esteja de mente tranquila e satisfeito por ter, através do seu afastamento, contribuído para mais um passo no processo democrático e na reconciliação no país.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Planking na Campanha

Planking é a nova moda pelo país e chegou agora á política como forma de atrair os eleitores.

Depois de já gastas todas as promessas (algumas verdadeiramente loucas) a campanha, que está a entoar na sua fase final ganha algum colorido com a planking mania que vem enchendo páginas de jornais, revistas e a social-media.

O primeiro nestas coisas foi, como sempre, Chuwit, o candidato fora do sistema, que diz somente querer ser uma voz na oposição contra a corrupção, seja quem for o governo. Colocou no seu Facebook uma fotografia planking numa praia.

Planking é como que um jogo, com alguns perigos visto já terem morrido algumas pessoas na sua execução descuidada, com origem na Inglaterra mas que tomou a sua actual denominação e iniciou a febre na Austrália a fazer fé no Wikipedia.

Com uma campanha eleitoral um pouco morta já que todas as sondagens são claras sobre quem irá vencer o planking aparece como um raio de cor (mais uma) para a política.

Talvez o mais interessante neste momento na campanha é ver-se os partidos de dimensão mediana, partidos tidos por ser os essenciais para a formação de um governo, a perderem terreno e a serem de alguma forma esmagados pela luta que se trava entre o Pheu Thai e os Democrats nos círculos onde ainda pensam ser capaz fazer mudar as intenções de voto.

O país está a mover-se no sentido de um sistema bi-partidário que no fundo corresponde neste momento da vida do processo democrático tailandês na escolha entre um lado ou o outro. Não estão em disputa esta ou aquela política partidária mas a escolha entre o modelo de estado que é defendido pelo Pheu Thai thaksinista ou pelo Democrats situacionista.
É esta a grande batalha e Abhisit, reconhecendo ontem numa entrevista o atraso atribuído ao seu partido, vai jogar muito forte amanhã realinhando um comício no exacto local onde em Maio de 2010 se desenrolaram os mais sangrentos incidentes em Bangkok. Muita gente tem vindo a lume criticando esta decisão do partido como um acto que pode constituir uma provocação e desencadear violência e de entre os que levantam a sua voz estão algumas das mais proeminentes figuras da política tailandesa e parceiros de Abhisit na actual coligação governamental. Será uma cartada muito forte com graves riscos de poder ser um tiro nos pés mas também poderá vir a desencadear actos pela outra parte que façam levantar o moral das tropas de Abhisit. A seguir muito atentamente e com precaução.

Do lado do Pheu Thai a sua candidata a PM, Yingluck fez ontem 44 anos e continua forte quer nas sondagens quer na forma como vai fazendo campanha criando a noção de ser alguém capaz, ao contrário do seu principal adversário, muito próximo do "povo da rua" facto que está a fazer que pela primeira vez Bangkok deva votar por uma larga maioria "vermelho".

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Tailândia está em Mudança

As sondagens são o que são mas quando mostram consistência e tendências começam a ser mais credíveis.

É sabido, ainda que não seja público, que ontem "deu à luz" uma importante sondagem e coincidência ou não o General Comandante-chefe do Exército decidiu dar, logo após, uma entrevista de cerca de 40 minutos, falando sobre as próximas eleições, na Televisão e que foi retransmitida por dois canais nacionais.

Os jornais de hoje fazem eco dessa entrevista e ressaltam vários comentários feitos pelo General.

Referiu então que os eleitores têm que votar "na gente de bem", que não devem "votar como antigamente pois senão o pais não avança", deverão igualmente " não votar em candidatos apoiados por grupos no exterior", etc, tudo comentários tidos por serem um alerta face à constante tendência de subida do partido de Thaksin e à mais que provável vitória da sua irmã no dia 3 de Julho.

Esta teve ontem um dia de apoteose numa zona do país que não lhe é favorável, o Sul, e o facto de os jornais lhe dedicarem primeiras páginas e largos espaços está a ajudar e a impulsionar a campanha. Por seu lado, e pela primeira vez, Abhisit veio ontem dizer que se o seu partido tiver menos votos do que em 2007 (165 num parlamento de 480 deputados que agora foi alargado para 500) se demitirá do cargo de líder do partido Democrata aliás como há cerca de três semanas sugeriu o seu actual aliado Nevin Chidchob.

Também o partido Chart Thai Pattana, um dos aliados dos Democratas na presente coligação no governo que tem vindo nos últimos tempos a criticar Abhisit e os Democratas, decidiu que os seus dois membros que fazem parte do gabinete (Vice PM Sanan e Ministro do Turismo Chumpol) não comparecessem no conselho de ministros que ontem se realizou mostrando assim o seu distanciamento e o sentido do seu alinhamento após eleições de 3 de Julho.

Há uma convicção de que o Pheu Thai "já ganhou" a batalha eleitoral e, embora alguns ainda tentem os últimos cartuchos contra aquilo que no fim de contas vem acontecendo no país há muito (Thaksin Shinawatra e/ou os seus representantes ganharam as últimas 4 eleições realizadas no país desde 2001) o facto é que todos os olhos estão colocados nas forças extra constitucionais e naquilo que poderão ser os seus movimentos pré ou pós 3 de Julho.

A este respeito recomendo vivamente a leitura do artigo vindo hoje a lume no jornal The Nation e que é por si um sinal dos tempos e sinal de que as pessoas em geral adquiriram ao longo dos últimos anos uma consciência politica e social nova e diferente.

Recordo ontem mesmo ter me encontrado com um político de uma partido actualmente parte da coligação governamental, homem de cultura, diplomata e com 63 anos, portanto não um jovem da geração "social network", que me dizia quanto o povo em geral mudou nos últimos anos afirmando que aquilo que aconteceu em 2008, referia-se á formação do presente governo, não será possível acontecer neste momento. Dizia mais que o povo em geral quer transparência, justiça e clareza de processos de forma a ver o país avançar.

A Tailândia está em mudança acelerada e sem possibilidade de retorno.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Campanha

A campanha continua animada e colorida como não pode deixar de ser na política tailandesa.

Tenho reunido com os principais partidos e a coisa que mais me salta á vista é que todos falam do mesmo e esquecem o mesmo.

Todos falam de mais e mais benefícios para os eleitores. Até certo ponto até dá vontade ser eleitor neste país mas depois sabemos como, aqui como ali, as promessas eleitorais nada mais são do que isso mesmo – promessas para serem esquecidas quando já não for necessário o voto do povo.

As últimas sondagens vindas a lume ou melhor conhecidas "por debaixo da mesas" já que "não existem", refiro-me a sondagens feitas pelo exército e pela polícia, continuam a dar uma larga margem à candidata do Pheu Thai, a irmã mais jovem do fugitivo PM Thaksin Shinawatra.

Os Democratas que são a força dominante quer em Bangkok quer no Sul do país continuam a ver os resultados a descer e a sondagem da polícia dava que em Bangkok, onde actualmente o partido tem 30 deputados estavam à frente somente em 6 assembleias.

No Sul do país, de maioria muçulmana, o partido está a ter uma forte concorrência de dois pequenos partidos, O Mathubum liderado pelo general Sondhi B., autor do golpe de estado de 2006 e muçulmano e do Rak Santi do antigo Ministro de Thaksin Purachai o homem que é conhecido como o "Mr. Clean" pela sua aura de não corrupto. Ambos os partidos estão em crescendo e a roubar votos na base de apoio dos Democratas.

O PM Abhisit contudo diz-se confiante e, apesar de toda as sondagens que até ao momento apareceram darem maior número de votos à oposição, diz que o seu partido irá conseguir cerca de 210 deputados e será o número um no país. Como usa dizer-se a grande sondagem vai ser feita no dia 3 e essa será a definitiva pois essa será a que vai sair da contagem dos votos colocados nas urnas.

Entretanto a candidata do Pheu Thai, Yingluck está a fazer campanha no Sul do país, área onde o seu partido tradicionalmente não consegue bons resultados. Yingluck tem apostado, nas áreas onde sabe ter menos apoio, no facto de ser mulher apelando á solidariedade feminina para granjear as simpatias dos, neste caso das, votantes.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Morte ou Hibernação

A Comissão Nacional de Eleições acabou de anunciar que os cartazes de campanha do Partido da Nova Política o braço político do movimento amarelo PAD teriam de ser retirados de circulação num prazo de 3 dias.

Na realidade os cartazes são ofensivos para a Democracia pois, como se vê na imagem, equiparam os Deputados, representantes do povo e dos eleitores, com animais nada simpáticos o que aqui no país tem uma (má) conotação acrescida.

O PNP apela ao Não voto ou seja apela à não participação dos tailandeses num acto que se quer ser um exemplo da Democracia. Penso já ter relatado que aquando da assinatura do um documentos no Parlamento que é um compromisso de todos os partidos em participarem no acto eleitoral de forma digna e correcta, o primeiro partido a apor a sua assinatura no dito código de conduta foi precisamente o líder do PNP Somsak!

O PAD e o seu aliado PNP têm vivido tempos difíceis. Se bem que ninguém "dê por isso" o movimento amarelo continua a manifestar-se, desde o dia 25 de Janeiro, junto do palácio do PM. Contestam a "política de rendição perante o Camboja da administração Abhisit" e prometem só sair quando os "agressores" do país vizinho forem expulsos de todas as parcelas de território que, segundo o seu entendimento ocupam. O facto é que tal manifestação atrai presentemente menos de 100/200 pessoas e só a indiferença da polícia e a forma não confrontacional como estas questões são tratadas no país permite que por ali continuem. Mesmo o facto de há poucos dias ter como clama o movimento lançada uma granada para o acampamento ferindo uma mão cheia de pessoas não atraiu mais do que uma breve notícia nos jornais no dia a seguir a esse possível evento.

De igual modo as divisões existentes no seio do movimento são bem visíveis. Os casos mais evidentes são a acusação feita por Somsak, o líder do PNP, de que o secretário-geral quer do partido quer do PAD, Suryiasai Kantasila, se tinha apropriado de dinheiro do movimento e a ontem anunciada acção judicial que seria interposta por vários funcionários contra Somsak por falta de pagamento dos seus salários, são evidências das brechas existentes no movimento.

Para culminar ontem o Vice PM Suthep veio acusar o carismático líder do PAD Sondhi L. de estar agora do lado de Thaksin pois, segundo o entender daquele, o movimento apoia agora a candidata do Pheu Thai Yingluck Shinawatra.

Maus ventos a soprarem contra o PAD/PNP cada vez mais acantonado lutando sem objectivo. Os velhos tempos em que a luta comum contra o fantasma Thaksin atraía multidões está, pelo menos por agora, seriamente afectada até ao momento em que nova vaga possa fazer ressurgir o movimento e fundos o alimentem.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

As Cores na Politica

As cores têm grande importância na sociedade tailandesa.

Começa pelo dia da semana em que se nasce e a cor que lhe está associada mas passa por cores que são propícias para a saúde, para o trabalho, situação financeira, e como não podia deixar de ser o amor.

São quase sempre aquelas as receitas da ligação de influências astrais, numéricas, energéticas, e neste caso coloridas sobre o bem-estar e o "destino" na vida de cada um.

O Amarelo é (era?) a cor associada ao Rei Rama IX devido ao facto do monarca ter nascido a uma Segunda-feira dia marcado por essa cor. Todas as Segundas era bem visível o mar de amarelo que invadia o país e a grossa maioria das pessoas não esqueciam de se vestir com essa cor nesse dia em homenagem ao rei que tanto veneram e respeitam. Hoje em dia assim já não se passa não porque tenha desaparecido esse respeito e admiração mas porque outros factores interferiram na coloração do país.

A política tomou conta do espectro de cores e como nos últimos 5 anos as questões políticas se radicalizaram ao ponto de termos assistido aos confrontos e à violência que marcou as acções de grupos antagónicos o significado das cores acabou por sofrer com isso.

O amarelo, associado ao rei, foi a cor escolhida pelos manifestantes do PAD para marcarem o seu movimento e assim ficou associado a um dos pólos radicais do leque político. O vermelho por outro lado, dantes somente associado ao Domingo ou ao ano novo chinês, passou a ser a cor da revolta daqueles que se manifestaram contra o actual governo e em total oposição com os amarelos. O panorama político ficou assim profundamente dividido entre amarelos e vermelhos bipolarizando o sistema político e as preferências das pessoas.


Curioso notar a questão da pretensa oposição do vermelho à cor do rei, o amarelo, quando na realidade ele próprio o desmentiu uma vez quando afirmou que o vermelho era uma cor do seu agrado dando como exemplos o facto da princesa Mãe e da sua irmã, a Princesa Galyani, ambas sempre muito próximas do monarca, terem nascido num Domingo e, segundo disse o rei a sua irmã gostava muito daquela cor. O próprio pai do Rei, o Príncipe Mahidol de Songkla, tinha como alcunha "Daeng" que em tailandês quer dizer vermelho.

O facto é que a casa real teve de alguma forma se afastar daquelas cores, para que não se especulasse sobre favores para um ou outro lado e acabou por ser o próprio rei, numa das suas primeiras aparições depois de ter sido internado no hospital de Siriraj, a mostrar o "novo caminho" usando um casaco cor-de-rosa cor tida por ser banéfica para a saúde do rei.

Temos assim que a casa real tem vindo, suavemente, a deslocar a "sua cor" para o rosa cor que marcou as manifestações levadas a cabo por altura do 83 aniversário do rei no passado Dezembro.

Com a criação da bipolarização, vermelho-amarelo, no espectro politico acabou por ser o Partido Democrata do PM Abhisit de alguma forma a herdar a denominação de "amarelo" até porque o movimento do PAD quase que desapareceu. Para isso também contribuiu o facto de o Azul dos Democratas ter "mudado de mãos" quando Nevin Chidchob, o líder de facto do Bhum Jai Thai, apareceu durante os incidentes de Pattaya em 2009 à frente de uma milícia de "arruaceiros" todos eles vestidos de azul passando desde esse momento essa cor a estar associada consigo e com o seu partido em prejuízo dos Democratas que a ostentam há mais de 60 anos. Nevin de igual modo e talvez aproveitando a onda, "pintou de azul" o clube de futebol que comanda e possui. Quanto a este diga-se que o político fez construir na sua terra natal, Buriram, um estádio de futebol para o PEA-Thunder Castle, que é uma cópia do estádio do Leicester que detém em parceria com o dono das lojas francas tailandesas, e custou perto de 20 milhões de euros uma verba considerada astronómica para o meio futebolístico local.

Voltando ás cores acabámos no outro extremo por ter o Pheu Thai de Thaksin, que sempre usou as três cores da bandeira tailandesa, azul, vermelho e branco, a ficar catalogado como o partido vermelho cor que acabou mesmo por adoptar e marca a presente campanha.

O Chart Thai Pattana que dantes era um partido visível pela sua cor vermelha "teve" de fazer um pouco de maquilhagem na sua apresentação e, como não só é um partido que é capaz de se associar quer à esquerda quer à direita e o seu principal tema na campanha é a unidade e o fim às hostilidades entre as facções mais radicais da sociedade, acabou por escolher o rosa. Como por si o CTP não é polémico e o apelo à união é positivo não parece crível que a casa real tenha de empreender novo movimento de dissociação como o fez anteriormente.

A todo este espectro resta o verde que de alguma forma deveria ser uma cor associada a movimentos "limpos" ou de intenções ecológicas mas que é pouco usado e sempre com o máximo cuidado para não criar confusões com o verdadeiro significado da cor verde a cor dos militares.

Um verdadeiro arco-íris cheio de mensagens ocultas debaixo da coloração de cada um mas por outro lado bem agradável de ver tal como é o colorido de uma rua em Bangkok devido à multi-coloração dos táxis na capital.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha

O Pheu Thai parece ter aprendido bem a lição para estas eleições e isso está a valer-lhe aparecer com uma confortável margem à frente em todas as sondagens que são publicadas.

A candidata a primeiro-ministro pelo "partido vermelho" tem vindo a ganhar popularidade e sabe muito bem usar as suas qualidades para granjear as simpatias dos eleitores.

Apresenta-se como uma mulher de negócios, afável, simples e com um toque "humano" que a diferencia muito dos tradicionais políticos. A sua beleza e frescura de mulher jovem ajudam fortemente e ela sabe muito bem explorar esse factor.

Abhisit tem vindo a acusar Yingluck da sua falta de experiência política como um factor que a impossibilitará de governar o país sem ter sempre por trás a mão invisível do seu irmão Thaksin. Abhisit está sempre a acusar que quem será o candidato a PM do PT será Thaksin e que Yingluck é só uma marioneta nas mãos dele mas tais argumentos cada vez vão convencendo menos os eleitores a crer na evolução dos dados colhidos pelas diferentes sondagens que têm dado Yingluck sempre a crescer.

Esta pelo seu lado, sem nunca ter respondido directamente a ninguém, e dessa forma evitando qualquer tipo de confrontação (quando há que "responder" quem o faz é o porta voz do partido ao passo que Abhisit tem caído nesse erro já por algumas vezes), continua com o discurso que tem preparado e fundamentalmente aponta ao futuro e á solução dos problemas das pessoas.

Ainda não se ouviu Yingluck falar de erros dos Democratas ou de virtudes dos governos do partido que agora lidera pois tem escolhido falar sempre da forma que, se for eleita PM, vai "resolver" os problemas que afectam os tailandeses. Indirectamente respondendo a Abhisit e á alegada falta de experiência política explora o facto de a maioria das pessoas considerar que o "mal do país" está associado á classe política. Dessa forma e apresentando-se como uma empresária de sucesso e capaz de fazer acontecer coisas aposta nesta característica como o factor positivo.

Nota-se que ao contrário das outras campanhas, talvez á excepção do Rak Prathet Thai de Chuwit, um pequeno partido que embora sem expressão nacional aparece com algumas possibilidades devido ao seu marketing político inovador, a campanha do PT deverá ter sido muito bem delineada por quem tem experiência de marketing político e fez um trabalho de investigação sério sobre como deveria ser conduzida a campanha.

Hoje o The Nation, um jornal muito próximo de círculos que apoiam o presente governo, traz na sua segunda página, a página de negócios, uma fotografia a toda a página de Yingluck, com um toque extremamente humano, encimada por um título onde se fala de que o que é importante para o sucesso do país é a confiança dos tailandeses e dos investidores pois só assim será possível criara postos de trabalho e riqueza. Tal poderia ser dito por qualquer presidente de uma associação empresarial e é dessa forma que Yingluck quer ser vista pelos eleitores.

Enquanto a maioria dos partidos em campanha vai insistindo na mesma tecla de acusação política, à esquerda e á direita, de trazer o passado para a campanha, Yingluck olha para a frente e tem o guião muito bem preparado e estudado.

Pena é que nem ela nem nenhum dos partidos se lembre de trazer para a campanha temas como os dos variados direitos das pessoas que de alguma forma estão cerceados sendo certo que há um crescendo interesse na sociedade por tais temas.

Poderíamos passar de uma campanha "tipo colgate" para algo mais sério e profundo mas infelizmente a política tornou-se um "negócio" e para isso é necessário conhecer todos os truques do marketing para "angariar mais clientes", e nesse capítulo Yingluck dá dez a zero à concorrência.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Noticia do Dia

A grande notícia do dia, que fez primeira página de todos os jornais, foi o facto do monarca ter ontem abandonado os seus aposentos no hospital de Siriraj para prestar homenagem à figura do seu antecessor Rama V e manter-se por alguns momentos nas margens do rio observando o seu correr foz abaixo e por certo tirar algumas fotografias juntando dois amores de sempre de Rama IX, a água e a fotografia.

A presença pública do Rei foi também motivo para nos apercebermos que a intervenção cirúrgica a que foi submetido recentemente é coisa do passado e que o monarca está em franca recuperação como foi anunciado no 43 boletim médico do palácio.

Eleições Legislativas

Termina hoje o segundo dia para a apresentação das candidaturas para os lugares a preencher nas eleições legislativas.

Os cerca de 53 milhões de eleitores terá de votar duas vezes no próximo dia 3 de Julho ou a 26 de Junho dia para as votações antecipadas daqueles que não podem exercer o seu dever no dia agendado. Votam uma vez no candidato do seu círculo eleitoral (antes da revisão Constitucional de Fevereiro de 2011 havia vários candidatos em cada círculo) e uma outra no partido que preferem na lista nacional.

Acontece amiúde votar-se num partido a nível local e num partido diferente a nível nacional. A relação directa de um candidato com os eleitores do seu círculo eleitoral é por vezes mais forte do que a simpatia que esse mesmo eleitor possa ter por um determinado partido a assim acontece haver votos diferentes. Um dos casos que pude constatar directamente é o relacionado com candidatos do partido Bhum Jai Thai que nas eleições de 2007 foram eleitos pelo partido PPP (thaksinista). Muitos eleitores questionados sobre a tendência do seu voto diziam votar no candidato que anteriormente tinham eleito (embora actualmente sob diferente bandeira) mas ao mesmo tempo "queriam Thaksin" dizendo votar no partido que o apoia, o Pheu Thai.

Haverá, de acordo com a última revisão constitucional, 375 deputados eleitos em círculos uninominais e 125 deputados eleitos a nível nacional numa lista partidária única. O Pheu Thai é o único partido que concorrerá em todos os círculos eleitorais seguido pelos Democratas que irão falhar poucos círculos. De resto a maioria dos partidos concorrerá somente nos círculos onde esperam poder ter sucesso. A nível nacional haverá contudo muitos partidos a concorrer. No Parlamento recentemente dissolvido havia deputados de 9 partidos e no futuro não será muito diferente embora se apresentem dois ou três novos partidos com alguma possibilidade de elegerem um pequeno número de deputados.

A campanha avançou ontem no meio de acusações mútuas entre os dois principais partidos, o PT e os Democratas, fundamentalmente ao nível de segundos planos. Abhisit só se manifestou para mostrar o seu desagrado com a contestação que sofreu durante o dia de campanha por parte dos seus adversários solicitando à Comissão Eleitoral que tomasse medidas mas esta saiu em defesa dos opositores dizendo que a forma como protestaram era legítima e estava dentro do código de conduta eleitoral. O incidente fez com que o PM em exercício decidisse mudar por completo o seu corpo de segurança que desde hoje passará a estar confiado a um serviço especial em detrimento dos militares do Regimento de Infantaria 21 que prestavam aquele serviço até ontem.
Surpreendente foi uma sondagem, que vale o que valem as sondagens, publicada pelo The Nation (jornal bem próximo do poder) sobre as intenções de voto em Bangkok, onde tradicionalmente os Democratas vencem, e que mostrava, apesar de haver ainda uma maioria de 52% de indecisos, uma significativa vantagem da candidata do Pheu Thai. Os números são os seguintes: PT 25,8% vs Democratas 14,7% no que respeita a lista nacional. Quanto ás listas locais (Bangkok tem vários círculos) os números eram: 26,3% contra 15,2% favorável ao PT. Perguntados quem queriam ver como Primeiro-ministro os residentes de Bangkok entrevistados responderam: 26,9 % contra 17,4% a favor da jovem irmã de Thaksin. O comentário a esta sondagem, também repetido noutros jornais, era da dificuldade que os Democratas iriam ter para tentar manter a larga maioria de lugares detida na capital (30 contra 19 do PT).

Ainda faltam contudo cerca de 40 dias.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Campanha Eleitoral

Como em Portugal a campanha eleitoral na Tailândia, que formalmente começa hoje (embora já esteja nas ruas há dias e nos jornais há meses) resume-se a dois candidatos para o posto principal e a um conjunto de outros partidos que estão disponíveis para formar uma coligação a troco de lugares, favores e tudo o que os ajude a continuar no poder.

Também aqui há um candidato, à semelhança do MRPP-PCTP em Portugal, que só quer ser eleito para estar na oposição e ser uma voz diferente. Refiro-me a Chuvit o sempre energético candidato que se apresenta a várias eleições e recebe sempre alguns apoios devido á sua linguagem directa e pouco elaborada bem diferente daqueles que "têm de ser politicamente correctos" para ganhar os votos do povo.

Parece igualmente claro que nenhum dos dois principais partidos, o Pheu Thai (PT) e os Democratas (Ds) irá obter a maioria embora os seus líderes continuem a lutar por ela e dizerem-se confiantes de que a atingirão.

A última sondagem saída ontem e elaborada pela Universidade Assumption (católica), dava uma vantagem de cerca de 6 pontos ao PT sem que contudo isso significasse uma maioria.

Deste modo os partidos de menor dimensão, que se espera poderem obter cerca de 100 deputados num parlamento de 500, serão os pivots da formação da nova coligação que governará a Tailândia nos próximos 4 anos.

A actual coligação no poder, que tem todos os ingredientes para continuar, tem contra si o facto dos Ds muito provavelmente não conseguirem ser o partido mais votado e de uma forma normal em Democracias a primazia para a formação de um governo dever ser dada ao partido mais votado, questão aliás também muito debatida recentemente em Portugal.

Contudo a coligação que actualmente é feita com os Ds pode ser feita também com o PT embora seja conhecido que um dos principais partidos desta coligação, o Bhum Jai Thai (BJT) já tenha dito pela boca do seu líder que "mesmo que ganhe o PT não será autorizado a formar governo".

A subida do PT ao poder , e tendo em atenção a forte divisão existente na sociedade tailandesa e as experiências do passado, significará instabilidade e a possibilidade de voltarem práticas não democráticas de se fazer ouvir as vozes descontentes. O contrário é igualmente verdadeiro e se o PT ganhar e for impedido de formar governo o movimento vermelho que o apoia sairá decerto à rua eventualmente arrastando essa maioria de votantes, e o cenário não é muito promissor.


Uma eventual coligação dos 2 maiores partidos, muitas vezes falada e eventualmente desejada, parece muito pouco provável, e neste momento mais por parte dos Ds do que por parte do PT que é o único partido a colocar como item na sua agenda política a reconciliação.

Abhisit e a jovem Yingluck são assim os candidatos à cadeira do poder mas quem os irá lá colocar, para além da força dos votos que tiverem atrás de si, serão os pequenos partidos e, como amiúde tem acontecido no passado, aqueles que por detrás dos bastidores irão determinar o que se seguirá ao dia 3 de Julho.

A campanha será renhida e embora tenha sido assinado pela maioria dos partidos um código de (boa) conduta o facto é que ainda no Domingo um político regional foi abatido a tiro e o Chart Thai Pattana (CTP) advertiu que nenhum dos seus candidatos se deveria aventurar sozinho ou a fazer propaganda á noite. Outros casos têm acontecido. Nos últimos 15 dias houve já o caso de um Deputado do PT que viu o seu carro ser varrido por balas de M16 tendo ficado ferido com duas balas alojadas no corpo. No passado fim-de-semana o filho de um General da Polícia e ex Ministro de governos de Thaksin (PT) foi encontrado morto numa piscina sem que se conheça a causa.

Até ao dia 3 de Julho muitos casos irão acontecer e o papel, muito contestado por todos os partidos, da Comissão de Eleições vai ser vital para se conseguir levar a cabo eleições da melhor forma possível dentro dos condicionalismos existentes como o facto de o Internal Security Office Command uma agência militar que se concentra nas questões tidas como de segurança nacional, ter despachado para as províncias afectas ao PT milhares de efectivos para "assegurar a ordem" que no seu entender só é preocupante naquelas áreas. Bangkok, onde se têm registado os maiores confrontos dos últimos anos, e o Sul onde diariamente há atentados e morrem pessoas por esse facto (hoje foram dois militares) não estão neste momento nas preocupações do comando.

O fundamental será neste momento o comportamento dos políticos, à cabeça dos quais se colocam Abhisit e Yingluck, no sentido de darem corpo a uma campanha que ajude a resolver os diferendos no país e não seja pelo contrário mais um foco de conflito.

Este é o meu voto para o dia 3.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Código de Conduta



Decorreu esta manhã uma cerimónia numa muito bem intencionada organização do Dr. Gotham Arya, Professor da Universidade de Mahidol e que teve como objectivo a assinatura de um Código de Conduta dos partidos políticos código esse que se quer implementado na próxima campanha.

Os objectivos são universais de encorajar os partidos políticos e os seus candidatos a praticarem o bem, a defenderem os interesses dos seus eleitores, a comportar-se com civismo e dentro do respeito dos princípios da democracia que se quer ver em qualquer eleição pelo mundo fora.

Associaram-se a esta cerimónia os líderes religiosos das três mais importantes comunidades, a budista, a muçulmana e a católica, que falaram a fizeram ver os valores que devem nortear a conduta daqueles que têm por missão servir o povo e o país que os elegem e que representam.

A cerimónia foi testemunhada por muitos elementos do corpo diplomático acreditado na capital mostrando o interesse com que vai ser seguido o próximo acto eleitoral e foi apadrinhado pelo actual presidente do Senado e pelo secretário-geral da Comissão Nacional de Eleições que receberam, cada um, um livro contendo o código devidamente assinado pelos 18 partidos que se quiseram associar a este acto.

O código em si é uma simples manifestação de valores sem qualquer efeito vinculativo mas é ao mesmo tempo um elemento importante da sociedade civil em querer fazer ouvir os seus valores e por isso se saúda.
Ficam contudo algumas notas da cerimónia. Dos principais partidos dois dos mais importantes actuais parceiros da coligação no poder e mais do que certo membros de qualquer coligação futura, Bhum Jai Thai e Chart Thai Pattana, não se fizeram representar. À parte alguns partidos sem expressão, actual e muito provavelmente futura, nenhum partido se fez representar por uma figura de topo a nível de direcção. Dois dos partidos que assinaram o código criam algum sorriso cínico nas caras das pessoas. O Partido da Nova Política, o braço político do PAD-Amarelo, que advoga a não participação no acto eleitoral por um lado e o Matubhum o partido liderado pelo autor do golpe de estado de 2006 ou seja liderado por quem agiu contra o processo democrático.

Louve-se o Ajarn Gotham pelo seu continuado esforço em prol de uma Tailândia melhor e as esperanças de actos como o de hoje deixem sempre algumas raízes que ajudem a fazer crescer a Democracia.

terça-feira, 10 de maio de 2011

3 de Julho

A dissolução do Parlamento foi anunciada e terá efeito a partir de hoje dia 10 de Maio.

Deste modo serão realizadas eleições no dia 3 de Julho com votação antecipada para 26 de Junho.

Na Tailândia, um país com uma grande percentagem de população migrante entre províncias, foi aberta a possibilidade de os leitores que estejam indisponíveis para votar no dia das eleições possam votar uma semana antes mas para isso têm de previamente fazer o registo da sua indisponibilidade junto de uma assembleia eleitoral do local onde se encontrem.

O processo acaba por prestar-se a algumas dúvidas pois sendo feitas e publicadas sondagens sobre esse voto antecipado tal pode de alguma forma interferir no processo eleitoral.

Começa agora a contarem-se os prazos para a "corrida" do dia 3 de Julho.,

Durante este mês de Maio terão de ser apresentados os candidatos. O processo eleitoral tailandês compreende dois tipos de candidatos. Os que concorrem e são eleitos numa lista partidária nacional (utilizando-se o método de Hondt para determinar o número de eleitos por partido) e os que concorrem nos vários distritos e são de alguma forma deputados pela província onde concorrem.

Recentemente, a 11 de Fevereiro foi alterada a Constituição criando-se constituências de um só deputado e não como anteriormente acontecia onde também se utilizava o método de Hondt em cada círculo eleitoral. Foi igualmente alargado o número de membros do Parlamento dos actuais 480 para 500 sendo que 125 são eleitos em lista nacional e os restantes um por cada círculo que foram redesenhados.

A campanha vai ser dura já que todas as sondagens até ao momento mostram que parece pouco provável haver uma maioria saída dos resultados destas eleições. Uma vez mais vão ser os pequenos partidos os que vão determinar quem será o próximo governo.

Uma das questões que mais se tem levantado recentemente é a de saber quem deve formar governo.

O partido na oposição, que de acordo com todas as sondagens, se apresenta como o favorito diz que deve formar governo e reclama que Abhisit assuma que assim deverá ser mas a posição do PM e de o seu mais importante aliado na actual coligação é que deverá ser dada a oportunidade a quem conseguir formar um governo maioritário, ou seja, atenta a mais que provável não existência de uma maioria, à actual coligação no poder. Nevin Chidchob o líder de facto do principal aliada de Abhisit já disse mesmo que se o Pheu Thai ganhar não poderá formar governo.


Entretanto o Pheu Thai irá apresentar como candidato a PM a irmã mais nova de Thaksin, Yingluch Shinawatra, numa tentativa de com esta escolha "matar dois coelhos de uma cajadada". O apelido dela atrai a população votante do ex PM e o facto de ser uma mulher, jovem, bonita e com grande sucesso no mundo empresarial constitui um trunfo para atrair eleitorado mais habituado ao modo urbano do actual PM Abhisit.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Adiamento

Começam a aparecer sinais de que o Parlamento não será dissolvido amanhã como tudo fazia prever.

Na semana passada o Líder do Parlamento anunciou que ontem, dia 4 , seria a última reunião do mesmo, o PM na sua alocução televisiva de Domingo passado anunciou que essa seria a última e todos os partidos políticos já anunciaram as suas listas e os seus candidatos para concorrer às eleições inicialmente previstas acontecer no dia 26 de Junho.

A dissolução do Parlamento é decidida pelo PM que solicita aprovação ao Rei que a confirma, ou não, através de um decreto real onde em simultâneo convoca eleições que não se poderão realizar antes de 45 dias nem após 60 dias da data da dissolução.

Contudo começaram a aparecer sinais de que tal seria impossível.

Várias figuras de grande peso politico, entre as quais o Vice-Primeiro Ministro Suthep, vieram a dizer que haveria ainda alguns obstáculos legais para serem cumpridos como a aprovação pelo Tribunal Constitucional das três leis eleitorais necessárias após a alteração da constituição aprovada a 11 de Fevereiro passado.

Essas leis foram enviadas para o tribunal no início da semana e o processo de apreciação não estará a ser tão célere como o PM Abhisit desejaria.

Barnharn Silpa-archa, o veterano da politica, actualmente com 78 anos, ex PM e líder de facto (recorde-se que perdeu os direitos políticos por 5 anos na sequencia da dissolução do seu anterior partido) do actual Chart Thai Pattana, veio dizer que Abhisit não deveria apresar-se a dissolver o Parlamento num momento “em que o Rei não havia ainda recuperado da operação que realizou na passada Segunda-feira”.

Abhisit ontem voltou a dizer que o calendário por ele anunciado ainda era válido mas é uma declaração sem conteúdo visto ser mais do que certo que o processo irá sofrer um atraso.

O simples facto de não haver uma normalidade a 100% no sistema poderá implicar o recorrer a mecanismos previstos na constituição o que será demorado.

Convém então esperar.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Natal em Maio

O Pai Natal tailandês apareceu este ano mais cedo mas, com o mais que possível anúncio de eleições à porta, está "justificado".

Hoje o Bangkok Post intitula ao largo da primeira página "Abhisit acusado de compra maciça de votos" referindo-se á verdadeira "orgia" de aprovações de despesas que foi o conselho de ministros de ontem tido por ser o último desta legislatura antes da realização de eleições.

Já ontem me referi a esta reunião do gabinete mas vale a pena relembrar os números: 102 pontos na agenda acrescidos de 96 fora da ordem do dia também para discutir mais 56 relatórios a serem considerados! Obra ciclópica diria Marcello Caetano.

Começou às 8 da manhã e estendeu-se por todo o dia e acabou por ser considerado pelos vários jornais, quer de língua inglesa quer de língua tailandesa, como um verdadeiro acto de campanha eleitoral. Interessante de notar que o único jornal que não traz nenhuma referência ao assunto na primeira página é o jornal de língua inglesa The Nation, normalmente sempre muito próximo dos pontos de vista do governo.

Um dos pontos mais atacados é a concessão de dois anos de moratória na aplicação de juros para a compra da primeira habitação. A partir da próxima Sexta-feira quem queira comprar casa, pela primeira vez (ou arranje alguém que faça esse favor em nome de alguém que já tenha uma ou várias casas) terá direito a não pagar juros nos dois primeiros anos do contracto de hipoteca. Esta decisão contraria claramente a declaração feita á imprensa pelo porta-voz do PM de que afirmou ontem só ter sido aprovada uma despesa de 733 milhões de baht (56 milhões de euros), já prevista no orçamento, visto todos os outros pontos serem unicamente promessas orçamentais dependentes de posteriores aprovações. A anterior referida não é uma promessa (aplica-se a partir do dia 6) até porque se o fosse iria criar uma grande confusão no mercado imobiliário. Por outro lado não é com promessas que se ganham votos?

O quadro acima mostra as aprovações do conselho sem incluir as despesas destinadas aos militares que são de grande monta como ontem referi.

O total ronda os 1,2 mil milhões de euros. Num momento em que o deficit orçamental já era uma preocupação do Ministro das Finanças nota-se a generosidade do governo. Se aplicassem esse valor na compra de dívida externa portuguesa por certo que obteriam um bom retorno (com o elevado risco associado) o que seria também uma boa acção de ajuda a um "doente" por certo apreciada na altura em que se comemoram os 500 Anos das relações entre os dois países.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A três dias da Dissolução do Parlamento

Hoje está a acontecer o último Conselho de Ministros que tem uma agenda de mais de uma centena de pontos para cumprir.

Todos os últimos decretos serão aprovados hoje e espera-se um "bodo aos pobres" em termos de aprovações orçamentais extraordinárias. Esta manhã um jornal falava que possivelmente seria também aprovado um projecto que tem gerado bastante controvérsia que é a aquisição de 7 submarinos alemães, recentemente abatidos ao activo, por uma verba que é considerada bastante elevada face quer á necessidade da marinha tailandesa ter aquele tipo de embarcações (nunca houve submarinos no activo) quer á opção de compra de submarinos novos coreanos ou chineses. Este projecto que tem sido apadrinhado pelo Chefe do Estado-maior da Armada não tem recebido o apoio total do Ministro da Defesa que parece inclinar-se para a solução coreana.

A Comissão Eleitoral reuniu-se ontem com líderes e representantes dos principais partidos políticos e estes assinaram um acordo de cinco pontos relativo às eleições legislativas de 2011: 1) Não envolver a monarquia nas questões políticas nem a usarem para fins eleitorais, 2) Cumprir rigorosamente a Lei Eleitoral, 3) Não usar recursos estatais para a campanha, 4) Realizar a campanha de forma pacífica, sem ameaçar os concorrentes, e 5) Respeitar os resultados eleitorais.

Assim se desejaria que corresse a campanha mas é sabido, como a classe política, aqui e na maioria dos países, por norma esquece aquilo que assina com a rapidez de um raio. Lembro aqui que no Domingo passado Nevin Chidchob, o ex braço direito de Thaksin agora líder de facto do Bhum Jai Thai aliadao de Abhisit no governo, disse que "mesmo que o Pheu Thai ganhe as eleições nunca serão autorizados a formar governo".

De qualquer forma sejamos optimistas e acreditemos, uma vez mais, que quer a campanha quer os resultados das eleições serão respeitados por todos.

Entretanto o Rei Bhumibol foi submetido ontem à noite a uma intervenção cirúrgica para diminuir o nível anormalmente elevado de líquido cefalorraquidiano existente no cérebro. "Esta situação, comum entre os idosos, cria instabilidade impossibilitando o Rei de andar". A equipa médica composta por especialistas tailandeses e estrangeiros recomendou o tratamento que envolve colocar um dreno no ventriculoperitoneal para retirar o líquido cefalorraquidiano para a cavidade abdominal. A condição pós-operatória do Rei é boa ", assim era dito no comunicado emitido pelo Palácio. O estado de saúde do Rei, actualmente com 83 anos e internado desde Setembro de 2009, cria sempre grande preocupação entre os tailandeses que vêm nele a figura reverenda de um pai.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eleições

Tudo aponta para que na próxima Sexta-feira o Primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva anuncie a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições que deverão ter lugar no próximo dia 26 de Junho.

De um ponto de vista formal a prerrogativa de dissolução do Parlamento compete ao Rei que o poderá fazer a pedido do PM. Desse modo Sua Majestade assinará um decreto real onde é anunciado em simultâneo a dissolução da câmara e a data das novas eleições que terão de se realizar num período não inferior a 45 dias nem superior a 60 dias a contar da data da dita dissolução.

O presidente do parlamento também já anunciou que a última sessão seria na Quarta-feira dia 4 e ontem mesmo o PM, que todos os Domingos fala num programa televisivo anunciou que o seu programa era o último.

Estão assim reunidos todos os condimentos para se prepararem as próximas eleições.

Mesmo sem esses anúncios era sabido e sentido que o acto "estava no ar".

Os diversos partidos políticos puseram em marcha a sua máquina eleitoral, escolheram os seus candidatos, reuniram para angariar fundos e anunciaram políticas.

Por outro lado há outros sinais bem visíveis sobre a aproximação d acto eleitoral.

As políticas de "mãos rotas" do governo estão em marcha há alguns meses. Ontem mesmo o PM, na sua alocução televisiva prometeu um novo aumento dos salários mínimos em mais 25%. Dizia-me hoje um colega que as pessoas não leram as "letras miudinhas" do anúncio pois esse salário só será para muito poucos e de forma lenta para não afugentar os votos do sector empresarial. Recorde-se que este mês de Abril viu os funcionários públicos receberem uns chorudos aumentos que no caso dos administradores locais (tipo presidente de junta de freguesia) chegou aos 100%. De igual modo foi feita uma revisão alargada do salário mínimo e mantidos artificialmente, através de subsídios á produção, o preço de um grande conjunto de bens essenciais.

Anuncia-se que no conselho de Ministros de amanhã, o último desta legislatura, serão aprovados vários pacotes de despesas adicionais: 65 milhões de euros para as Finanças para suportar o programa de manutenção de preços artificiais; 165 milhões para a Defesa comprarem uns tanques de fabrico Ucraniano; 744 milhões para os Transportes para a melhoria de sistemas de transporte. O último ministério é liderado pelo partido Bhum Jai Thai que tem por função principal nas próximas eleições fazer diminuir o poder do Pheu Thai (taksinista-vermelho) no Nordeste do país.

Outro sinal de que vêm aí eleições é o muscular da posição de alguns sectores de forma a controlar eficazmente as vozes discordantes. O uso da lei que pune comentários tidos por negativos sobre a monarquia teve um forte crescendo no último mês e de igual modo foram silenciadas, na semana passada, bastantes estações de rádio tidas por simpatizantes do movimento vermelho levando mesmo a chefia do Comando de Segurança Interna a dizer que muitas haveria mais umas 800 rádios para serem encerradas devido "ás suas actividades ilegais".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Situação na Fronteira

Após 6 dias de escaramuças na fronteira e das queixas de muitos, fundamentalmente daqueles que ou vivem nas zonas onde se passam os combates ou do comércio que por elas passa, parece que a postura dos militares de ambos os lados abrandou ligeiramente e hoje, até ao momento não ouve troca de tiros.

Contudo estamos longe de ter as questões esclarecidas.

Uma reunião entre os dois Ministros da Defesa agendada para hoje acabou por ser esta manhã cancelada abruptamente pelo Ministro Pravit depois de um jornal de Phnom Penh ter reproduzido palavras atribuídas ao Ministro da Defesa cambojano dizendo que os tailandeses teriam solicitado que as partes se sentassem á mesa das negociações facto que foi visto, deste lado da fronteira, como uma tentativa de fazer crer que os tailandeses tinham capitulado ou estavam a ser forçados a sentarem-se a uma mesa negocial depois de serem derrotados na frente de combate. Entretanto, em mais umas declarações desligadas, o PM Abhisit disse também esta manhã durante uma visita que fez ás tropas estacionadas na frente de combate, que as reuniões com os cambojanos, com o objectivo de encontrar uma solução pacífica para o conflito, aconteceriam como estava previsto.

A tensão é tanta que qualquer mal entendido é pretexto para atitudes ou respostas de uma ou de outra parte.

Num artigo de fundo hoje no jornal The Nation, Supalak Ganjanakhundee, titula que a Tailândia necessita de rever a sua posição sobre a questão da fronteira e alega que Abhisit tem errado na postura diplomática ao tentar misturar várias questões diferentes e impossíveis de coordenar no mesmo período de tempo.

A seguir os desenvolvimentos durante o resto do dia. Recorde-se que as escaramuças ontem aconteceram não só no local onde se têm desenvolvido desde Sexta-feira mas também e de novo em volta de Prahe Viharn, cerca de 150 km a nordeste.

Entretanto ontem o conselho de ministros aprovou dois pedidos pelos militares de mais fundos: um no valor de 28 milhões de Euros para as actuais operações na fronteira e outro de 207 milhões de euros para um fundo especial do Comando Operacional das Forças Armadas.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mais Uma vez. Tailândia e Camboja

Tropas tailandesas e do Camboja voltaram a confrontar-se desde Sexta-feira passada contando-se até ao momento 12 mortos e umas dezenas de feridos, alguns com gravidade, números referentes a acidentados dos dois lados.

Como de costume ambas as partes acusam a outra de ter feito o primeiro disparo e cada vez parece mais longe a possibilidade de encontrar uma solução negociada e pacifica para o conflito nesta tão mal demarcada fronteira entre os dois países membros da ASEAN. Hoje mesmo o MNE Indonésio, presidente em exercício da associação, era para se ter deslocado às duas capitais no sentido de entender a situação e encontrar uma saída mas acabou por ter de cancelar as visitas visto ter concluído que não iria conseguir adiantar nada.

Para além da longa história já várias vezes relatada recorde-se que a 22 de Fevereiro passado, após uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os MNE dos 10 países da ASEAN reuniram-se no sentido de encontrar uma plataforma de entendimento para o conflito e acordaram que a Indonésia enviaria para a fronteira uma equipa de observadores e igualmente acolheria no seu território uma reunião da Comissão de Demarcação de Fronteira (JCB) que está inoperante desde há muito.

O Camboja de imediato acordou nos termos de referência da missão de observadores mas a Tailândia, por imposição dos seus militares, paralisou o processo. De igual modo o Ministro da Defesa e o comandante-chefe do Exército recusaram participara na reunião do JCB alegando que ela deveria realizar-se sem a participação de terceiros ao contrário do acordado pelo MNE Kasit em Jacarta.

Deste modo foi-se vivendo umas tréguas não formalmente acordadas e nada foi avançado no processo de encontrar uma solução para o problema. Tem sido sempre esta a posição da Tailândia a de evitar a intervenção de terceiros no conflito possivelmente devido ao sentir de que se estes vierem a ter alguma participação numa decisão essa será, como sempre tem sido nos fóruns internacionais, favorável ao Camboja.

A Tailândia prefere viver assim numa paz podre alegando sempre que os militares dos dois países têm uma muito boa relação e as escaramuças que possam acontecer são sempre incidentes provocados com intenções políticas externas aos interesses na região.

Refere hoje uma notícia que ontem mesmo quando o MNE Kasit visitou de surpresa a área os militares não o deixaram ir á zona do conflito alegadamente por motivos de segurança mas, relata-se, na verdade para mostrar o desacordo por parte dos militares com a forma como tem conduzido o processo.

Os militares de ambos os países fizeram deslocar para o local fortes contingentes e ambos têm também utilizado por vezes a força aérea quer para espionagem quer para bombardear posições, isto no caso dos tailandeses, como é conhecido muito mais bem apetrechados em equipamento.

Parece contudo hoje claro que o incidente desta vez foi preparado e montado pelos cambojanos no intuito de mais uma vez pressionar os tailandeses a aceitarem a mediação internacional.


Na semana passada o exército cambojano fez deslocar para o local homens e equipamento para "um exercício de rotina" e numa zona territorial em disputa começaram a construir um "bunker" de protecção tendo levado, segundo observadores, a que o exército tailandês tivesse aproximado os cambojanos exigindo a destruição dessa construção. Do lado contrário diz-se que os tailandeses em vez de solicitarem a paragem dessa construção começaram logo a disparar e desse modo as tropas tiveram de responder.

Enfim as escaramuças vão continuando, os locais (mais de 30.000 deslocados no lado tailandês) sofrendo as consequências e como sempre culpando os políticos pela situação.

Resta continuar atento e ver o que se passa amanhã mas o volume e a qualidade de tropas e equipamento colocado de um e de outro lado na fronteira nas províncias de Surin e Buriram, do lado tailandês, não é bom presságio de nada positivo.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Hipocrisia no Mundo

Esta manhã ao ler o The Nation reparei no "cartoon" que mostram a lembrei-me da Páscoa.

Parece uma contradição mas na realidade a Páscoa é (ou deveria ser) um bom momento para parar e reflectir naquilo que somos e naquilo que vamos fazendo.

A pausa que a Páscoa permite em quase todo o Mundo deveria ser propícia a um momento de reflexão sobre o nosso dia a dia.

Um dos maiores pecados da nossa civilização é a Hipocrisia, a falta de dignidade e verticalidade naquilo que fazemos.

Uma coisa que sempre muito apreciei e sempre me guiou foi a minha Independência a minha capacidade de não necessitar de "lamber botas" nem atropelar ninguém para atingir o que quer que seja na vida.

Olhar para o lado, para cima e para baixo, enfim para todos os que nos rodeiam, com os mesmos olhos, olhos de ver, de entender e de escutar deverá ser a forma de nos comportarmos na sociedade. Deveremos ter em mente constantemente o velho provérbio " não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti" não por medo de sofrer mas como uma prática de vida e de respeito pela dignidade dos outros.

Esta é de alguma forma uma mensagem de Páscoa que aqui queria deixar.

Voltando ao "cartoon" ele é por si um muito bom exemplo da Hipocrisia do Mundo em que viemos que nada mais é do que a falta do nosso respeito para connosco próprios.

A sua legenda é simples. A Republica Popular do Laos está empenhada na construção de uma barragem no Mekong e isso tem levantado clamores em toda a região e nas mais variadas organizações internacionais pelo facto de tal poder ser uma grave afronta á sustentabilidade do ecossistema na região e poder pôr em causa o sustento de muitos que vivem de actividades na parte baixa do rio. Até terão razão:

Essas mesmas vozes calam-se, escondem-se que nem ratos, quando a China construiu uma enorme barragem a montante do mesmo Mekong, com efeitos muito mais danosos, da mesma forma como condenam violentamente as violações dos direitos humanos na Birmânia e se calam quando o mesmo ou pior acontece na China.

A actual subserviência ao poder económico da China. Ao facto de ser o maior mercado para qualquer produto e/ou companhia leva a tapar os olhos sem nada dizer sobre o que naquele gigante dragão acontece e a "bater furiosamente" nos pequenos gatos que pouco mais fazem do que arranhar. O mesmo se passa agora na Líbia quando todos aqueles que andaram a bajular e a beijar Gadhaffi lhe apontam a porta de saída.

Esta política de duas caras é uma verdadeira demonstração da nossa menoridade como seres humanos e da hipocrisia reinante no Mundo.

A incapacidade existente para formar pessoas livres e com qualidades que possam ser líderes no nosso caminho é tremendamente preocupante.

Onde estão os valores que tão Hipocritamente queremos demonstrar?