sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Luta pelo Controle da Polícia

Ontem era um dia supostamente para se ter passado calmamente e sem sobressaltos não tivesse sido mais um episódio da novela à volta da nomeação do novo Comando da Polícia Nacional que uma vez mais fez perder a Abhisit credibilidade para além do humor. Os titulos dos jornais de língua tailandesa eram muito claros. "A liderança de Abhisit contestada", "A polícia bateu em Abhisit", "Abhisit foi travado", "batido pela polícia", "com quem é que ele pode contar agora?", "um homen sem amigos". Os de língua inglesa também mostravam bem o retrato da situação em que ficou o PM.

Abhisit tem vindo a travar este braço de ferro com a instituição, que como já referi se estende às forças armadas através da forte ligação entre o Ministro da Defesa e o seu irmão, Patcharawat, e destes ao Bhum Jai Thai Party (BJTP) de Nevin e ao General Anupong, aos quais Suthep presta constante vassalagem.

Abhisit, por pressão do PAD e eventualmente por convicção própria tem tentado, a todo o custo, neutralizar Patcharawat, que embora se reforme em 30 de Setembro ainda tem um papel importante a dizer na habitual remodelação da corporação. Foi a "missão" na China, à qual se seguiu a "missão" no Sul mas sempre sem efeito pois o General reaparecia passados poucos dias no seu escritório.

Abhisit pareceu decidir-se a enfrentar a realidade e convocou a comissão com poderes para escolher o sucessor de Patcharawat, à qual preside, e avançou com o nome de um candidato, o General Prateep Tunprasert e aconteceu aquilo que não podia acontecer. O nome proposto pelo PM perdeu e este acabou derrotado e de alguma forma humilhado tendo abandonado a sala sem falar aos repórteres presentes e tendo cancelado todos os actos que ainda tinha pela frente, entre os quais dois importantes acontecimentos, qual menino amuado.

Os títulos dos jornais de hoje são claros em qualificar o que ontem se passou como uma derrota pessoal de Abhisit e como um forte desafio à sua autoridade.

Entre os que votaram contra o nome proposto por Abhisit encontra-se o Ministro do Interior, o líder legal, que o de facto é Nevin, do BJTP, o seu Secretário-Geral e, sem surpresa o General Patcharawat.

Abhisit regressou ao seu gabinete e remeteu-se a sucessivas reuniões com pessoas que lhe são próximas nas quais não participou Suthep que entretanto foi para a sede do Partido Democrata reunir-se com o “mentor” o antigo PM Chuan Leekpai.

Fala-se que Abhisit, solicitou que o Parlamento não reunisse hoje e espera-se uma comunicação ao país onde se especula que ir+a anunciar uma remodelação governamental. Se essa se verificar os alvos são os membros do BJTP, General Pravit e Chaorawat, o Ministro do Interior.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aniverssários


Ontem Barnhan Silpa-Archa, o líder, na sombra visto estar desqualificado do exercício de direitos políticos, do Charthai Pattana Party, fez 77 anos e foi aquilo que se chama uma grande festa de amigos.
Barnhan é chamado por muitos "a Enguia" e quando estava no Governo adicionavam algo chamando-lhe Pla Lai Sai Skate, a enguia que usa skates, ou seja ainda capaz de escapar mais facilmente de todos os que o querem agarrar o controlar, tal era a sua capacidade de se esquivar a todas as situações políticas embaraçosas. Os seus admiradores chamam-lhe "O Dragão" um bom nome associado á suas ascendência chinesa.

De todos os lados, sem excepção, vieram as flores, as visitas e os wai, o símbolo tailandes de saudação e de respeito ao mesmo tempo.

Abhisit, Suthep, Nevin, Prawit, Somchai (para quem já não se lembra o ex PM cunhado de Thaksin), Sudarat (a sempre aliada de Thaksin e a mulher mais poderosa da política tailandesa), etc, todos desfilaram em frente do velho líder entregando flores e prestando a sua homenagem.

Quem diria? Nevin
Na realidade se andarmos uns anos para trás veremos que todos, sem excepção, se encontraram e andaram de mão e braço dado em algum momento das suas carreiras política ou de negócios, o que para o velho sistema de partidos é a mesma coisa.

Para a semana teremos mais um aniversário o 89 do poderoso Presidente do Conselho Privado do Rei o General Prem Tisunalonda. É costume nesse dia o General abrir a sua casa para receber todos os que o queiram saudar nessa data festiva. Por certo que não será tão concorrida como o aniversário de Barnhan já que Prem é sem dúvida uma das figuras, como Thaksin, que atrai amores e ódios.

Curioso foi que no ano passado, e quebrando essa tradição de sempre, decidiu, dias antes, não abrir as portas de sua casa e logo se especulou sobre a informação preveligiada que teria recebido visto nesse mesmo dia 26 de Agosto de 2008 o PAD ter avançado para a ocupação da Government House de onde só saiu para as ocupações dos dois aeroportos da capital em finais de Novembro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lin Ping


Lin Ping, 82 dias mas crescidinho, com a sua mãe.

Não há Duas sem Três

Ora agora mandas tu ora agora mando eu parece ser o vira que mais se dança no momento na Tailândia.

Refiro-me à saga do Comando da Polícia Nacional tailandesa.

Como por várias vezes já referi o Primeiro Ministro Abhisit deu a entender que o actual comandante nacional da Polícia, General Patcharawat Wonsuwan, estava a dificultar o processo das investigações relativas à tentativa de assassinato do chefe do PAD Sondhi L., e tem tentado desfazer-se dele sem a mínima habilidade para tal.

Primeiro Abhisit disse que Patcharawat ia de ferias para a China durante um mês, quando se sabe que ninguém tem um mês de ferias no país. Acabou por estar em Pequim durante três dias regressando posteriormente pois tinha “que tratar das questões relacionadas com o aniversário da rainha”, segundo o General. Passado esses dias festivos, onde nunca nada pode acontecer, Abhisit enviou Patcharawat para uma missão, que este disse não saber o conteúdo, para o Sul do país. Passados quatro dias eis que o General está de volta a Bangkok e já se pergunta qual é a próxima missão que lhe vai ser atribuída especulando-se que agora terá de ser ou na Europa os nos Estados Unidos pois será mais longe e ele não regressará tão repentinamente.

Para além da investigação sobre a tentativa de assassinato que referi, existe também um outro tema, talvez o mais importante, que é a elaboração e revisão da lista das modificações nos comandos da corporação. Refira-se que todos os anos aqueles que atingem os 60 passam á reforma compulsiva, no dia 1 de Outubro, e por isso há que se rever a organização e proceder ás nomeações necessárias. Esse processo em todos os ramos militares (a polícia é quase que considerado como um deles) é sempre acompanhado de grande controvérsia e clamores de forte corrupção numa verdadeira compra de lugares visto eles darem acesso ao poder e portanto ao dinheiro que lhe está associado e isto nada tem a ver com o salário, que é magro. Abhisit, também, desajeitadamente, disse há cerca de 10 dias que havia nomes que, no seu entender não tinham as qualificações para os cargos propostos, numa quase clara intromissão no assunto, facto que lhe está vedado pela Constituição podendo mesmo perder o cargo se se provar que interferiu no processo.

Abhisit, como já referi, tem estado a travar batalhas com fortes poderes, o PAD por um lado a instigá-lo sobre a investigação e os militares por outro lado que não só não querem ver essa investigação avançar (fala-se da implicação de altos cargos) como querem continuar a distribuir os seus lugares entre si sem que os políticos, esses intrometidos, se imiscuam no processo.

Aliado a isso, anda agora mais viva a sempre pressente ameaça de um golpe de estado devido ao cocktail de ingredientes existentes. Inclusive nos últimos três dias quer Abhisit quer Suthep vieram dizer que um golpe de estado não faz sentido e ontem mesmo Sonthi B, o líder do golpe de 2006 que entretanto decidiu entrar na política, afirmou o mesmo. Hoje havia um blog que perguntava se alguém tinha feito um estudo sobre a ligação das declarações de negação da preparação de um golpe de estado com o facto de haver um que aconteça.

Entretanto no meio desta dança da cadeira de comando, que Abhisit também prometeu vir a ser preenchida em breve com um novo General, existe o comandante interino que nada mais parece do que uma bola de pingue-pongue nas raquetas de Abhisit e Patcharawat. O “pobre” General Wichien nos últimos 10 dias já foi nomeado por duas vezes como comandante substituto e quando começa a trabalhar aparece Patcharawat para lhe tirar a cadeira. Quando será a terceira?

Abhisit, por inabilidade e também por isolamento, já que nem Suthep está com ele agora, vai abrindo arcas cheias de esqueletos e segredos que lhe poderão ser fatais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Dia D numero......

Hoje era outra vez dia D no calendário político, ou melhor ainda o é visto um dos acontecimentos que estava programando para hoje ainda se desenrolar neste momento em que começo a escrever.

Desde o início do mês de Agosto que as tensões têm vindo a crescer visto estar narcado para o dia de hoje pois à 1 hora da tarde será feita a entrega da petição ao Rei pedindo perdão para Thaksin, entrega feita pelos seus apoiantes da UDD.

Muito se tem escrito sobre a petição, sobre se é legalmente possível, se é apropriada eticamente, se é correcta politicamente e no fim se de alguma forma ajuda o país.

A última questão é a mais fácil de responder. Não ajuda o país visto Thaksin não poder ser parte da solução para este país. Uma parte significativa das suas políticas podem, uma boa parte daquilo que fez como PM pode, mas ele pessoalmente não, visto ser um elemento que traz mais divisão do que reconciliação e a Tailândia necessita é da primeira. Necessita de reconciliação mas onde todos, sem exclusão, estejam incluídos, em que todos possam ter o seu dizer e onde todos se sintam protegidos pela lei e pelos tribunais e não assistam a este permanente desfile de decisões influenciadas por questões políticas como tem vindo a acontecer nos últimos meses.

Existem tantos argumentos a favor da petição como contra. De um ponto de vista estritamente formal e de acordo com a Constituição é legítima e legal. Assim o diz por exemplo a maior autoridade do país no campo do Direito Constitucional o Professor Borwornsak Uwanno, que tomou parte na redacção da presente lei fundamental e é o presidente do King Phrajadipok Institute. Contra, o principal argumento é o de que não é possível solicitar um perdão no caso vertente visto Thaksin não estar a cumprir a pena. Teria de aceitar a sentença, começar a servi-la e posterior pedir clemência ao Rei, o que faz todo o sentido do ponto de vista ético.

Contudo a questão era saber como é que ia decorrer a entrega da petição até porque o Governo patrocinou a “petição contra a petição”, através do Ministro do Interior como já afirmei anteriormente. Abhisit neste contexto tem vindo a ser acusado de ter deixado o Rei desprotegido pois é sabido que qualquer que seja a decisão essa só agradará a metade das pessoas tal é a divisão no país. Na realidade a única iniciativa que o PM de alguma forma apoiou foi a contra petição que na realidade ainda veio agravar e pôr a nu a divisão existente na sociedade.

A sabedoria neste momento veio do lado da Casa Real. Desde Sexta-feira que tive conhecimento que o “Royal Household Bureau” tinha contactado a UDD no sentido de organizar a recepção da petição e tudo aconteceu e foi feito na maior tranquilidade e sem que viesse a acontecer a manifestação de centenas de milhares de pessoas que estava prometida para esta manhã em Bangkok.

Assim desde as 6 da manhã elementos da UDD juntaram-se em Sanam Luang, perto do local da entrega, o Grande Palácio, ás 10 da manhã, Thaksin, vestido de vermelho e com uma fotografia do Rei e da Rainha por detrás falou numa vídeo conferência aos seus apoiantes e cerca da 1 da tarde um cortejo de cerca de 1.500 pessoas, encabeçado por 15 representantes, entre os quais alguns dos Monges mais seniores do país, fez a entrega das 500 caixas, contendo, segundo os relatos 10.000.000 de assinaturas, ao representante do Secretário de Sua Majestade o Rei e posteriormente dispersaram ordeiramente.

Está agora ao cuidado da Casa Real a petição e tudo se passou sem incidentes embora como referi o embaraço de uma decisão exista mas agora é tempo de pensar e retomar a actividade normal.
Entretanto no outro acontecimento, Nevin, o sempre presente "líder" do partido Bhum Jai Thai, e outros 43 indivíduos, entre os quais vários ex Ministros do tempo de Thaksin, deveriam ouvir a sentença de um caso de corrupção de que vêm acusados e que poderá determinar o encarceramento por 20 anos ao homem sempre mais falado quando se trata de manobras políticas de bastidores. Nevin tem dito estar preparado para qualquer decisão mas pelo sim pelo não passou o fim-de-semana em Singapura com o Ministro da Defesa e seu irmão Patcharawat, sempre bons conselheiros e sempre prontos a “pegar em armas” para defender as suas damas.

Ao início disse que ainda se desenrolava a decisão do tribunal que supostamente era para ter sido conhecida às 2 horas locais, mas ela acaba por sair agora com a decisão de emitir um mandado de captura contra um dos arguidos, por faltar ao julgamento, e adiando a leitura da sentença para o dia 21 do próximo mês. Assim Nevin pode ir para casa descansado, aliás como era mais do que previsto.

Só, e sempre, é o peixe miúdo que fica apanhado nas redes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Reforma Constitucional e os Tailandeses


A The Asia Foundation acaba de apresentar em Bangkok um estudo que fez em todo o país sobre o tema “Constitutional Reform and the Thai People”. É um extenso inquérito feito a 1.500 pessoas e abaixo apresentam-se parte das conclusões. As entrevistas foram todas feitas, cara a cara, durante o segundo trimestre de 2009.

Antes refira-se que a cobertura do país foi a seguinte: Norte - Chiang Mai, Lamphun, Phitsanulok e Sukothai; Nordeste – Khon Kaen, Kalasin, Nakhon Ratchasima e Yasothon; Centro – Chonburi, Kanchanaburi, Singburi e Chantanaburi; Sul – Nakhon Si Thamarat, Phuket, Songklha/Haat Yai and Trang e Bangkok. O número de inquiridos em cada região teve em conta o número de votos que existe em cada província.

A primeira parte dizia respeito ao “Sentimento Nacional” e a primeira resposta aponta para que 58% dos inquiridos digam que o país vai na direcção errada contra 31% com a opinião oposta. O principal problema para os tailandeses é a má economia/falta de desenvolvidamente/pobreza/desemprego com 60% seguido, com 24% por conflito político/manifestações/confrontações. Somente 10% dizem que a economia e o governo vão na direcção certa. Perguntados como comparavam a situação pessoal actual com a que sentiam dois anos atrás 54% disse estar pior e 13% muito pior contra 15% que pensam estar melhor dos quais 1% diz ser muito melhor. No que respeita a satisfação com o governo 53% estão satisfeitos e 44% não estão. Dos primeiros 5% estão muito satisfeitos e dos segundos 7% estão muito insatisfeitos.

O segundo tema era “Reforma Constitucional e Reforma”.Perguntados sobre a reforma da actual Constituição 28% manifestam-se negativamente, 24% querem o regresso da anterior Constituição, a chamada Constituição do Povo de 1997, e 18% entende que deveria ser elaborado um novo texto que de acordo com 84% dos inquiridos deveria ser submetido a referendo. 67% das pessoas respondem que o processo de reforma constitucional deve ser feito envolvendo todos e consultando o povo. Sobre a questão se deveria haver eleições para reafirmar a legitimidade do Governo a resposta é de que se deve esperar pelo termo do mandato para 45% dos respondentes enquanto 30% entendem necessário esperar pelas reformas do sistema político. No tocante ao tão falado artigo 237 do texto constitucional que tem sido a causa da retirada de direitos políticos a tantos, claramente a resposta é manter. 63% é favorável à sua continuação enquanto 31% é favorável à sua substituição. Nesse mesmo sentido 69% dos inquiridos entende que os políticos condenados não devem ser amnistiados. Já em relação ao artigo que amnistia os autores do golpe de estado de 2006, 57% dos respondentes disseram que o perdão deveria ser retirado contra 32% que entende que deveria manter-se. O papel do exército é para 62% dos inquiridos importante no processo político. Enquanto 34% entende que o exército tem um papel demasiado importante nos desenvolvimentos do processo político. Sobre a questão de saber se a dimensão do exército é adequada ou não, 69% responde que está correcta a dimensão do exército. De alguma forma contraditório com a questão das dificuldades económicas que as pessoas sofrem quando as forças armadas são o único sector a garantir sempre não só uma grade fatia orçamental como o seu aumento contrariamente aos outros Ministérios. Em relação ao facto de metade dos membros do Senado serem nomeados, não eleitos, 63% manifesta-se contra e 28% a favor ao mesmo tempo que 74% dos inquiridos desaprova as propostas para uma nova política onde parte dos membros do Parlamento sejam não eleitos.

O terceiro tema é a “Descentralização” e 69% dos inquiridos são favoráveis à descentralização de poderes para os governos locais enquanto 27% se mantém favorável ao sistema actual centralizado. Em relação aos Governadores 75% dos inquiridos é a favor de serem eleitos directamente e não nomeados, como actualmente acontece.

O quarto tema “Democracia na Tailândia”. Na primeira pergunta tenta-se obter, a partir de respostas sugeridas qual era o mais importante no entendimento do que era democracia. E a resposta principal com 36% é para a questão eleições livres/participação popular/ governo da maioria. Segue-se com 20% igualdade de direitos 16% liberdade de actuação/vivo a vida como quero 12% liberdade de opinião 5% honestidade/igualdade/governação para a união e estabilidade e 8% que diz não saber o significado de democracia o que contradiz os 95% que apoiam a democracia como sistema político e desses 69%, fortemente. De igual modo 68% dizem ser o regime democrático melhor enquanto 30% diz ser necessário um líder forte que não necessita de ser eleito, algo que contradiz um pouco a resposta anterior, ou mostra um conceito de democracia distinto. 83% das pessoas dizem desaprovar, das quais 57% fortemente, as influências ou pressões sobre os eleitores e 90% dizem que os líderes religiosos devem abster-se de falar de questões políticas. Ao mesmo tempo 80% dos inquiridos dizem não serem influenciáveis na hora de votar, o que vai de acordo com algumas teorias sobre a “compra de votos” que dizem que os eleitores aceitam dinheiro de todos os partidos e depois votam como muito bem entendem. Num aspecto distinto perguntados sobre a influência que as instituições internacionais podem ter na melhoria da situação política na Tailândia as opiniões não podem ser mais divididas com 48% sendo favoráveis ao apoio internacional e 47% contra.

O quinto ponto “Sociedade Civil e Confiança” é aquele que mostra o muito que há a fazer no capítulo da educação cívica no país. A primeira pergunta era sobre a pertença/afiliação a alguma Organização da Sociedade Civil e as respostas são desoladoras pois somente uma pequeníssima parte da população toma parte em movimentos cívicos e mesmo assim é nas zonas rurais onde existe maior envolvimento fundamentalmente através da participação nos “Village Funds”, tipo caixas de aforro comunitárias criadas nas aldeias durante os governos de Thaksin. 87,7% dos habitantes das áreas urbanas não tomam parte em nenhum movimento da sociedade civil. No que respeita a confiança é também desanimador ver que 61% dos tailandeses dizer que não se poder confiar nas pessoas, a pergunta não fala em políticos, contra 35% que tem uma visão positiva. Esta pergunta foi feita também dividindo por regiões e perguntando, a todos, de que região as pessoas eram mais confiáveis sendo estas as respostas: 56% Norte, 37% Nordeste, 39% Bangkok, 26% Sul e 21% do Centro.

A última parte do longo inquérito respeitava as “Instituições Democráticas”. A percepção daquela com maior integridade foi para os Tribunais com 64% de vozes positivas, seguido pelo Parlamento 60%, Senado, 59%, Comunicação Social 52%, Exército 44%, Polícia 42%, Comissão Eleitoral 36% e ONGs 21%. Outra questão interessante foi colocada sobre a imparcialidade dessas instituições e os Tribunais são ultrapassados em um ponto pela Comunicação Social, 63 e 62% e o Exército aparece largamente à frente da Polícia, 37 contra 14%. Preocupante é a resposta à questão que é posta sobre a corrupção. 94% dos inquiridos entende que é uma prática corrente entre os agentes governamentais e só 1% diz ser rara. No respeitante à clareza do sistema eleitoral as posições estão outra vez bem divididas com 48% a dizer que as eleições não são transparentes e 47% a dizer que são. Não há nenhuma indicação sobre o género dos inquiridos mas quando perguntados sobre o papel que as mulheres devem ter na política 78% dos respondentes dizem dever ser aquela só para homens e só 3% respondem a favor da igualdade mas 92% dizem que as mulheres decidem por elas próprias no momento do voto embora ainda há 8% que entende que os homens deverão aconselhar as mulheres.
Aqui ficam os dados para as muitas interpretações sempre possíveis destes inquéritos mas estes estudos são de louvar pois sem estes dados muitoo dos trabalhos de investigação social ficam incompletos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O "Julgamento"

Terminou, como se esperava com uma sentença de condenação o "julgamento" de Daw Aung San Suu Kyi. Juntamente foram condenados, no mesmo processo o americano que nadou até sua casa, sete anos, curiosamente um ano por ter violado a proibição de nadar em lagos públicos, e duas das empregadas que servem a prémio Nobel da Paz.

A única diferença neste processo para o tradicional tratamento a que os ditadores que lideram a junta Birmanesa nos habituaram foi o facto de o "julgamento" ter demorado vários meses mostrando bem ao Mundo o medo que os tiranos ainda têm daquela que representa a esperança de uma vida democrática para o país.

Acabou condenada a três anos de cadeia e trabalhos forçados, comutados para 18 meses de prisão domiciliária pelo ditador Than Shew, que ainda teve a coragem de afirmar que estava muito incomodado com o julgamento mas que não tinha querido interferir no processo judiciário.

18 Meses são suficientes para obstar a que Suu Kyi esteja fora do processo eleitoral que acontecerá na primeira metade de 2010 e essa sua ausência, bem como a de todos os que se opõem ao regime actual tirará qualquer legitimidade a esse processo e não serve o objectivo que se diz prosseguir que é o da reconciliação nacional. É demasiado fácil fazer reconciliação somente entre aqueles que nos apoiam.

De todo o Mundo vieram as condenações com pedidos de libertação e de imposição de sanções mas sanções que possam ir directamente ao centro do poder e não afectar o povo da Birmânia.

Da ASEAN vieram duas reacções bastante fortes, Filipinas e Malásia, com este último país a requerer a realização de uma reunião de urgência para debater o caso. Singapura também se mostrou bastante incomodada apelando a que a condenação fosse encurtada de forma a permitir a participação de Suu Kyi nas eleições de 2010. A Tailândia, presidente em exercício do agrupamento, depois do Ministro Kasit ter demorado um dia a reagir dizendo estar à espera do relatório da sua Embaixada em Rangoon, afirmou estar a ASEAN "muito desapontada" com as conclusões do "julgamento" e requerendo a libertação de todos os prisioneiros políticos na sequência das decisões recentemente tomadas no seio da ASEAN e ARF. Contrariando estas declarações, que assinou, o governo do Camboja, veio mostrar-se feliz pela redução da pena e afirmou "que tinha sido dado um passo no processo democrático em curso no país". Na Indonésia uma reunião de dissidentes Birmaneses que estva programada para ontem e hoje foi cancelada devido a aparente pressão dos ditadores de Napitaw. O porta-voz do MNE disse reconhecer o desapontamento pela decisão sobre o caso mas que o governo Indonésio não podia permitir que "um governo no exílio" de um país amigo reunisse em solo indonésio.

A China, o sempre aliado do regime Birmanês, solicitou ao Mundo que respeitasse a decisão do tribunal na sua habitual política de "não interferência em assuntos internos", como entendem ser este. Para mim foi uma surpresa pois ainda não há dois meses numa reunião do ASEAN Regional Fórum, em que estive presente, a chefe da delegação Chinesa falando sobre o mesmo assunto disse que "o processo de reconciliação nacional na Birmânia só poderia ser atingido envolvendo todas as partes". Isto foi dito num contexto em que se discutia o início do julgamento que agora terminou.

Suu Kyi já deu luz verde aos seus advogados para apelar da sentença, mas isso será uma mera formalidade processual e nada, por certo, será alterado.

Os ditadores em Napithaw insistem que deste modo afastando todos os que se lhe opõem conseguem reunificar a nação e avançar num processo que traga paz e prosperidade ao país.

Para já trás por certo grande prosperidade a eles e ás suas famílias, como é sabido, e de todos conhecido, mas enquanto a China e a Índia não puserem um travão no apoio que dão ao regime não se conseguirá encontrar uma solução para um povo que tanto sofre.

A Tailândia, não só na sua capacidade dentro da ASEAN, mas também como um país fronteira e com o qual a Birmânia tem fortes relações em todos os domínios tem sempre uma palavra a dizer e é pena que apesar de um inicio muito promissor do governo de Abhisit neste particular, agora se contraia e seja muito parco e comedido em declarações contra os ditadores no seu vizinho de noroeste.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Dia da Mãe

Hoje, dia 12 de Agosto celebra-se por todo o país o dia da mãe no dia do aniversário da Rainha Sirikit a mãe de todos os tailandeses, assim é entendido. Da mesma forma o dia do aniversário do Rei, a 5 de Dezembro, é o dia do pai.

Para além dos festejos oficiais onde a Rainha esteve presente (o Rei quedou-se por Hua Hin, a sua habitual residência) e que se desenrolaram durante todo o dia, os tailandeses aproveitam o feriado para aquilo que é considerado o grande dia da família.

Mais do que qualquer outro este é o dia em que as famílias se reunem à volta da figura da mãe, saindo, passeando e acabando quase sempre a comerem fora. A mãe é a figura pivotal da família tailandesa como acontece um pouco pela Ásia toda.

Estive no parque de Phutthamonthon, parque que foi construído para celebrar a chegada ao meio do ciclo de vida budista de 5.000 anos. É um imenso e belo parque na província de Nakhon Pathom onde estavam literalmente milhares e milhares de pessoas fazendo as suas orações, passeando, fazendo piqueniques, enfim disfrutando da beleza do parque e também da beleza do dia que esteve, quente mas bonito.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lin Ping

Quase a fazer três meses a panda, o icon da pandamia que atingiu a Tailândia, foi baptizada e chama-se Lin Ping.

Lin por parte de mãe e Ping por parte da cidade onde nasceu, Chiang Mai, banhada pelo rio Ping.

Foram enviados mais de 22 milhões de postais onde as pessoas escolhiam, entre quatro nomes possíveis que chegaram à final nesta competição cujo prémio é 1 milhão de bath ou seja um pouco mais de 20.000 Euros, aquele que era de sua eleição

Desses 22 milhões mais de 13 escolhera Lin Ping como o nome favorito e de entre essa montanha de postais foi escolhida uma sortuda, uma rapariga de Sakhon Nakhon no nordeste do país para receber o prémio.

Como se pode ver pelas fotografias a "criança" tem crescido e apresenta-se bem de saúde

Patcharawat, o Homem do Momento

Após ter sido “despachado” para a China naquilo que foi anunciado como um período de férias, o General Patcharawat Wongsuwan, regressou no passado Domingo e ontem mesmo reassumiu o seu posto de Comandaste Nacional da Polícia. O Genaral afirmou que regressava devido ás notícias sobre o mau tempo na China e devido ao facto de ter de preparar as suas forças para o aniversário da Rainha afirmando que os seus subordinados continuariam a viagem de trabalho.

Afinal a viagem era oficial, a desculpa agarrada à família real é a sempre utilizada, mesmo sabendo-se que não se prepara eventos destes em dois dias, Segunda e Terça, e o mau tempo não afectou Pequim e pelos vistos tal não é preocupação no que respeita aos seus subordinados.

No próprio Domingo, Patcharawat, enviou uma mensagem ao PM Abhisit anunciando o seu retorno e também informou todos os seus subordinados do facto para que ficasse claro que estava de regresso.

A sua abrupta partida, foi antecedida de várias afirmações públicas quer por Abhisit quer pelo seu número dois, Suthep, sempre contraditórias, tendo mesmo chegado a ser atribuídas a Abhisit a declaração de que o lento andamento da investigação sobre a tentativa de assassinato de Sondhi L. era uma das razões para a necessidade de Patcharawat ter um tempo de descanso. Outra das questões que era aflorada era a lista, que todos os anos é elaborada, nesta altura do ano, das movimentações nos comandos da corporação, que não seria do agrado do Primeiro Ministro. Na realidade Abhisit, na sua habitual comunicação via televisão aos Domingos disse que havia nomes nessa lista que não lhe pareciam adequados, e mais não disse visto a Constituição ser clara em proibir todos os titulares de cargos políticos de interferir nessa movimentação sob pena de perca de mandado.

Abhisit entretanto nomeou um Comandante interino que acaba por exercer esse posto somente dois dias. Também essa nomeação foi controversa visto o número dois na corporação, ex cunhado de Thaksin e que já por 22 vezes exerceu essa posição nas ausências de Patcharawat, se queixou de ter sido afastado por motivos políticos. Há que referir que Priewpan, o General em questão, subiu na carreira de forma irregular devido ao facto de ter sido fortemente privilegiado nas suas rápidas promoções pelo seu ex cunhado quando este estava no poder.

Abhisit, “comprou” assim uma guerra para a qual parece ter ido sem armas adequadas pois está neste momento em confronto com todos os detentores do verdadeiro arsenal bélico.

Patcharawat, Prawit e Anupong

Prawit, o Ministro da Defesa e irmão de Patcharawat, e como já referi, homem forte do grupo que mais manobra na sombra, há bastante tempo que não toma parte em nenhuma actividade do governo a que pertence. Não esteve presente em nenhum dos últimos Conselhos de Ministros nem na apresentação das actividades dos primeiros 6 meses no poder feita há 4 dias por Abhisit com toda a pompa e presença dos seus Ministros. Já não foge a ninguém o distanciamento entre Prawit e Abhisit e correm rumores de que este, Patcharawat e o próprio Anupong poderiam demitir-se abrindo um grave crise no seio das forças armadas.

Entretanto Prawit faz hoje 64 anos e são esperados na sua residência todos os pesos pesados militares e da polícia e por certo Patcharawat não deixará de ser o principal tema para conversa.

Abhisit, tropeçando mais uma vez, anunciou que Patcharawat seria enviado numa missão para o Sul da Tailândia, sem especificar qual, logo após as celebrações do aniversário de SM a Rainha Sirikit, que se comemora amanhã, e que voltaria a ser nomeado o mesmo Comandante interino, uma afirmação que já levantou inúmeras vozes de espanto pois Patcharawat é o Comandante nacional e sendo o Sul parte da Tailândia como pode haver dois comandantes nacionais da mesma força em simultâneo.

Porventura não será estranho a esta sucessão de casos “mal contados” à imprensa o facto de que o porta-voz do Primeiro Ministro acabe de ser substituído. Panitan, que vinha exercendo esse cargo vai ser substituído pelo antigo governador de Bangkok e adjunto do PM, Apirak Kosayodhin. Apirak teve de se demitir de governador devido a ter sido constituído arguido num caso de corrupção, que também envolve o ex PM e ex governador de Bangkok, Samak, devido à compra de carros para os bombeiros da capital.

Resta referir que no que respeita a tentativa de assassinato de Sondhi L. foi emitido um mandado de captura contra um sargento do exército. Há contudo quem afirme que estarão envolvidos quatro generais do exército e um alto comando da polícia, mas sabe-se que nas redes acaba por vir sempre peixe míudo.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Sol que Não Brilha


O Semanário lisboeta Sol publicou no passado dia 4 e a propósito da queda de um avião da Bangkok Airways, como relatei de imediato, o seguinte:

Tailândia
Pelo menos 10 pessoas perderam a vida 41 ficaram feridas quando um avião comercial da Bangkok Airways chocou contra a torre de controlo do aeroporto da ilha turística de Koh Samui

Não compreendo onde é que a redacção de O Sol foi buscar a fonte para a notícia pois, e apesar da informação não ter sido a mais clara no momento do desastre, o que normalmente sempre acontece, nunca li em nenhuma fonte qualquer referência a 10 mortos nem a 41 feridos. De igual modo a informação de que o avião teria sofrido um incêndio é desmentida fácilmente pelas fotografias que de imediato estiveram disponíveis.

Na realidade houve um morto, o piloto, e sete feridos graves entre os quais o co-piloto que se encontra em estado crítico.

Pouco mais de 3 horas após o desastre VdB publicou a lista dos passageiros e informou da não existência de nomes portugueses afectados.

Fez me lembrar quando anos atrás um respeitável jornal de Lisboa publicou uma crónica sobre o muito bom concerto que um cantor tinha dado na noite anterior numa sala da capital. Acontece que esse concerto tinha sido cancelado por doença do artista.

Assim não se faz informação. O que se "atira cá para fora" é disinformação e quem sofre é quem lê que ainda quer acreditar naquilo que os meios de comunicação nos trazem.

Para agravar a questão, enviei ao Director do Semanário um email. Sem resposta!


sábado, 8 de agosto de 2009

Petição contra a Petição


É anunciado que os promotores da petição contra a petição para amnistiar Thaksin conseguiram até agora cerca de 2 milhões de assinaturas.

Vem agora, contudo, a lume uma carta enviada pelo Governador de Buriram para todas as escolas onde se "informa" que terão de ser recolhidos os nomes de todos os professores, alunos e funcionários de cada escola para que assinem a petição contra a petição e assim se compreende como nessa província foi possível ter sido anunciado que em dois dias foram recolhidas 400.000 assinaturas.

Resta informar que Buriram é a terra de Nevin Chidchob que tão bem tem sabido tratar a coligação no poder mas sempre espera alguma paga em troca.

Em Portugal em tempos também tinhamos estes métodos de criar voluntários.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Há Golpe ou Não

Em Dezembro de 2008 quando foi constituído o governo do 27º Primeiro Ministro Tailandês, Abhsisit Vejjajiva, várias pessoas estiveram na sombra e foram os autores dessa construção.

Suthep Thaugsuban, o Secretário-Geral do partido Democrata e actual primeiro Vice-Primeiro Ministro encarregado entre outras das questões de segurança interna e das questões políticas que envolvem a coligação; General Prawit Wongsuwan, um ex Comandante Supremo das Forças Armadas com grande prestígio e poder no sector, que actualmente é Ministro da Defesa; General Anupong Paochinda, o actual Chefe do Estado Maior do Exército, o sector sempre mais forte das Forças Armadas e um dos mais visíveis intervenientes em todas as questões políticas durante o ano de 2008; Nevin Chidchob, o ex braço direito de Thaksin Shinawatra, filho do Presidente do Parlamento, actualmente despojado de direitos políticos até 2012 o que não o impede de ser o líder de facto do novo partido Bhum Jai Thai (BJT), partido que tem por grande objectivo ser a força política capaz de assegurar quer aos Democratas quer aos seus rivais do Phuea Thai os Deputados para fazer uma maioria capaz de formar um governo.

Estes quatro, por vezes apelidado O Bando dos 4, lembrando tempos pós Revolução Cultural na China, foram os "garantes" da formação da coligação no poder e são aqueles que Abhisit tem tido sempre que ter em conta em todas as suas acções como Primeiro Ministro.

Acontece que desenvolvimentos recentes começaram a abrir um conjunto de brechas nesta "solidariedade" e ameaçam de forte maneira a estabilidade actual.
Nevin não conseguiu ser bem sucedido no caso dos 4.000 autocarros para a cidade de Bangkok tendo ficado visível para o público que o projecto tinha todo o aspecto de ser uma forma de financiamento do seu recente partido. Abhisit conseguiu que o projecto se mantenha em estado de hibernação para já, mas é acusado de ter estado por detrás da campanha de descrédito do seu parceiro na coligação. Por outro lado nas eleições intercalares no Nordeste do país onde depositava grande esperança de poder demonstrar a força do BJT acabou derrotado de forma clara pelo partido apoiante de Thaksin. Igualmente no próximo dia 17, dia em que muitas coisas irão acontecer, irá a julgamento um velho caso em que na sua qualidade de ex Secretário de Estado da Agricultura, está acusado de corrupção.

O General Prawit viu o seu irmão, Patcharawat, Comandante da Polícia ser forçado a tirar umas férias por pressão de Abhisit, visto alegadamente estar a bloquear as investigações sobre a tentativa de assassinato do líder do PAD, Sondhi L. A tensão entre Abhisit e o seu Ministro da Defesa é tanta que este deixou de comparecer nos últimos Conselho de Ministros. Neste mesmo caso Suthep de igual modo saiu derrotado visto ter sempre suportado Patcharawat e isso foi visível na tomada de posse do Comandante interino, nomeado por Abhisit contra a vontade de Suthep. Embora oficialmente Patcharawat só vá estar ausente 5 dias e o processo de substituição ser automático passando o general mais sénior e primeiro adjunto a comandar, o PM decidiu utilizar uma prerrogativa legislativa que lhe dá a capacidade de nomear um comandante interino na ausência ou incapacidade do actual comandante. Aqui havia um problema adicional visto o general que deveria assumir o comando, ou seja o número 2, ser cunhado de Thaksin.

Suthep por seu lado tem vindo em movimento descendente visto a maioria das suas iniciativas recentes, como número dois do governo e também muitas vezes solicitado por Abhisit para tarefas de grande relevância, não terem tido nenhum sucesso bem pelo contrário.

Por último o General Anupong tem-se mantido calado e distante quando é sabido que não é essa a sua forma de estar e actuar. Anupong é por norma interveniente e sempre faz questão de deixar claro que é ele quem comanda o sector militar, sempre tão influente neste país.

Todo este cenário acontece no momento em que estão em marcha dois grandes movimentos de sentido contrário sobre o mesmo tema: a petição ao Rei para conceder um perdão de pena a Thaksin.

A UDD, o movimento que iniciou a petição, anunciou que no dia 17 fará entrega desse documento suportado por 10 milhões de assinaturas mas que tal será precedido das maiores manifestações em Bangkok, a 15 e 16, para as quais pretendem convocar 400.000 pessoas.

Também para 17 o PAD marcou uma manifestação de sentido contrário e a este movimento, de alguma forma, está a aliar-se o BJT (convém lembrar que Sondhi acusou directamente Nevin de envolvimento na tentativa de assassinato contra ele), visto ter em curso uma campanha para angariar 5 milhões de assinaturas contra a petição.

Abhisit por seu lado é acusado de nada fazer e de expor o Rei a este possível embaraço de vir a receber uma petição que seja qual for a acção irá sempre deixar metade do país descontente, sabendo-se como os tailandeses estão sempre divididos nas questões que respeitam Thaksin.

Abhisit embora parecer vitorioso na sua luta para ganhar espaço e ser o verdadeiro líder político do país, está por um lado a deixar algum amargo de boca nos círculos mais próximos do palácio e está também a afrontar directamente os militares correndo mesmo o rumor de que a posição do General Anupong estaria em risco. Recorde-se que Anupong só atinge a idade de reforma em 2012.

Assim e fazendo-se comparações com Agosto de 2006 e dos passos que precederam o golpe de estado de 19 de Setembro desse ano, fala-se cada vez mais num possível novo movimento militar que poderia mesmo ser antes do dia 17 para evitar não só a entrega da petição e o embaraço que irá causar, como as eventuais confrontações sempre possíveis com as varias manifestações anunciadas, mas também para repor no comando aqueles que neste momento se sentem ameaçados.

Mais uma vez há que esperar por sinais reais e claros e lembro que em Setembro de 2006 nem mesmo alguns dos altos comandos sabiam muito claramente o que se passava no próprio dia do golpe.

Amazing Thailand é o principal slogan publicitário do sector do turismo para atrair visitantes e assim contínua o país.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Queda de Avião em Samui

Apesar do aparato do acidente envolvendo o avião da Bangkok Airways proveniente de Krabi que saiu da pista ao aterrar e chocou frontalmente com o edifício base da torre de controlo, parece só ter falecido o piloto da aeronave.

As informações ainda não são muito claras mas posso avançar, por ter em meu poder a lista de passageiros, que não existe entre as 68 pessoas a bordo não incluíndo a tripulação, tailandesa, nenhum nome aparentando ser de um país de língua portuguesa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Acerca do Perdão Real

Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej assina a Constituição

Como referi anteriormente o tema do momento é a petição, assinada, segundo dizem, por mais de 6 milhões de tailandeses, para que S.M. o Rei conceda um perdão de pena ao condenado ex PM Thasin Shinawatra.

Já aduzi algumas questões que se levantam especialmente as do foro jurídico, mas a grande questão é sempre uma questão politica, o "envolvimento ou não da Instituição na política".

É um tema por demais falado e discutido quando na realidade, a meu ver, não o deveria ser e para tal basta ler a Constituição de 2007.

Quer o Regente quer os órgãos dele dependentes, aí incluindo o Conselho Privado, são parte integrante do texto legal principal do país. O Rei ou mais apropriadamente o Regente, tem funções bem definidas na Constituição e é um dos órgãos do funcionamento do Reino/Estado. Sem ele, sem a sua acção, o Parlamento, o Governo e todos os outros órgãos do estado não têm poder e as suas acções seriam anuláveis se as viesses a tomar. O Conselho Privado tem igualmente funções legalmente estipuladas de grande importância nomeadamente, e a maior de todas, o anúncio ou mesmo a designação do sucessor e o Presidente desse Conselho pode ele próprio ser designado Regente pro-tempore, no caso de não se poder encontrar um regente dentro do processo normal de sucessão.

O clamar contra estes factos é tão-somente uma manifestação de interesses partidários, sectários e um desrespeito pela Lei e pelo país. Por vezes, e mostrando como essa ambiguidade cega os actores políticos, temos outras manifestações como ainda muito recentemente.

Em Março de 2006, no momento em que Thaksin já se debatia com fortes problemas de liderança do país o que conduziu ás eleições de Abril posteriormente anuladas e que motivaram a dissolução do partido que liderava, o TRT, houve um grupo de 99 académicos que entregou uma petição a S.M. o Rei para que interviesse e nomeasse um governo de sua iniciativa. Tal facto foi considerado como um passo positivo, como se constata consultando os jornais da época e o próprio General Chamlong, o líder do PAD, afirmou "nada será melhor do que uma intervenção real, visto se ter chegado a um beco sem saída".

Nessa altura não se ouviu a voz de Abhisit ou outro membro das forças que actualmente suportam a coligação no poder a clamar que S.M. o Rei não deveria ser pressionado para intervir em questões políticas contrariamente ao que se vê agora.

O que não é saudável para o desenvolvimento democrático é ver a utilização da Instituição, seja por um lado seja pelo outro, para os seus próprios interesses políticos ocasionais assim desrespeitando não só os preceitos legais como o dever de preservação da Instituição, garante do país como descrito na Constituição.

....e passou 1 mês

Faz exactamente um mês que estive ausente de Bangkok e pouco mudou no panorama político no país.

Recordo sempre a frase de um amigo meu, Professor na Bangkok University, que me disse um dia: A coisa mais previsível na Tailândia é a imprevisibilidade.

A grande questão actual é a petição para um perdão real relativo à condenação de Thaksin que está a deixar, governo e seus apoiantes e as forças que se lhe opõem em estado de grande agitação.

Durante o mês de Julho havia alguns casos que mereceriam atenção e seguimento fundamentalmente na área jurisdicional. Houve também a cimeira da ARF e o Pos-Meeting onde estiveram presentes entre outros Hillary Clinton e Javier Solana, no meio de uma tremenda segurança e com a declaração do Estado de Emergência na ilha de Phuket quando era sabido de antemão que nada iria acontecer como foi o caso em Abril. A UDD inclusive teve uma reunião com o Governador de Phuket anunciando que se algo acontecesse não lhes poderia ser imputada nenhuma responsabilidade visto terem marcado actividades para Chiang Rai, a mais de 1.000 km de distância, nessa altura. Foi um momento importante para Abhisit pois permitiu algumas fotografias da praxe com os líderes presentes e assim alguma publicidade acrescida para si, mas a cimeira nada produziu e muito por culpa da fraca e muito fragilizada liderança do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kasit, entretanto acusado de actos terroristas pelo seu envolvimento na ocupação dos aeroportos em Dezembro passado, acusação que não passou disso visto não ter havido nenhum desenvolvimento processual.

No sector judicial havia alguma expectativa sobre o caso dos 76 mil milhões de bath congelados a Thaksin, que voltavam mais uma vez a julgamento, mas o assunto continua a arrastar-se como se ninguém quisesse tomar uma decisão sobre o assunto. Agora está agendado para o dia 6 de Agosto mais uma audiência quando era pressuposto este caso já estar resolvido há mais de um ano. Fala-se que o Governo queria ver se conseguia utilizar cerca de 40 mil milhões par pagar parte das indemnizações a que estará sujeito caso se prove a culpa nos processos internacionais que lhe foram movidos por companhias aéreas devido à inacção das forças da ordem aquando da ocupação dos aeroportos, mas mais uma vez é um boato possível ou não de acontecer como todos.

Outro caso, igualmente adiado, como o são quase todos a não ser o dos "pobres" camponeses como relatei anteriormente, é o da Comissão Nacional de Eleições contra o Partido Democrata devido às dúvidas sobre uma doação de 258 milhões de bath que receberam de uma companhia pública. Também adiado continua o caso da tentativa de assassinato de Sondhi L. mas este teve um incidente importante que foi o falado afastamento do Comandante-chefe da Polícia por eventual obstrução do processo. Foi anunciado que terá tirado umas "férias" de 30 dias (note-se que o mais alto funcionário público e já em fim de carreira só tem direito a 10 dias de férias), mas hoje circula que ele próprio anunciou que estará de volta dentro de 10 dias. Entretanto o Governo prepara-se para nomear um substituto "interino" e Abhisit anunciou que no final de Setembro haverá uma decisão sobre o caso.. A seguir com atenção.

De adiamento em adiamento, de rumor em rumor, de tentativas de isto ou aquilo fazer e nada acontecer, ficou cheio o mês de Julho.

Mas o caso do momento é o facto da UDD ter anunciado que tem 6 milhões de assinaturas para pedir o perdão real par Thaksin e que apresentará esse pedido no próximo dia 10 directamente ao secretariado de S M o Rei sem passar, como deveria ser o caso, pelo Conselho Privado. Essa entrega será precedida de manifestações em Bangkok para mostrar a força da causa que querem defender. No passado fim-de-semana a UDD juntou cerca de 30.000 pessoas em Bangkok, mais uma vez pressionando o Governo e mostrando-se firmes no seu propósito de avançar com o pedido de perdão.

Tem sido uma questão altamente controversa quer do ponto de vista político, pelo envolvimento da figura do Rei em questões políticas concretas, quer do ponto de vista jurídico alegando-se que não faz sentido pedir um perdão para alguém que não está a cumprir uma pena. Como se sabe Thaksin foi condenado a 3 anos de cadeia por conflito de interesses em Agosto de 2008, uma condenação controversa pois a sua mulher que tinha sido o veículo da acção passível de gerar conflito de interesses foi absolvida. Após a condenação Thaksin fugiu do país e nunca cumpriu a sentença a que foi condenado facto que é actualmente usado como argumento contra o pedido de clemência e que juridicamente faz sentido.

O Governo tem mostrado grande nervoso sobre esta questão tendo Abhisit chegado ao ponto de ameaçar aqueles que assinaram a petição, numa clara violação dos direitos individuais, e foram mesmo montados por todo o país centros onde as pessoas podem retirar o seu nome das listas se assim o quisessem.

Para acrescentar alguma confusão a este assunto o ex Comandante em Chefe das Forças Armadas e primo de Thaksin, Chaisit Shinawatra, veio anunciar que se o Governo obsta ao processo da petição haverá um golpe de estado e o Governo será corrido pela força. Resta saber quem serão os actores desta vez mas inclusive já se avança com o nome do Professor Somkid Jatusripitak como o novo PM após tal golpe.

Como se conclui pouco mudou. Cada um dos campos continua a avançar com argumentos mas o certo é que ninguém consegue prever o amanhã.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cadê os Outros


Ontem um Tribunal em Chaing Rai, no norte da Tailândia condenou a 6 meses de cadeia efectiva e 100 bath ( exactamente cem) de multa três líderes de agricultores por terem bloqueado uma estrada quando protestavam contra a política de preços do arroz do Governo.

E podem dar-se por muito satisfeitos pois viram a sentença ser reduzida a metade visto a condenação inicial ser de 1 ano de cadeia e 200 bath de multa.

Contrastes da "justiça" à Tailandesa.

Em primeiro lugar a manifestação ocorreu no início de Junho e já foram condenados. Segundo será que é conparável o dano que troxeram ao país comparado com a ocupação dos aeroportos ou com o cançelamento da cimeira da ASEAN e os danos à credebilidade internacional do país que acarretou.

Mais um excelente exemplo da política de dois pesos e duas medidas que a Justiça utiliza na Tailândia

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ano Negro


Acabam de vir a lume os números da actividade turistica na Tailândia e constata-se que o país regressou aos numeros de 1960. Exactamente 49 anos para trás é aquilo que a crise mundial, os desvarios da crise política no país e os desacatos provocados desde Maio do ano passado, agora acrescidos pelos números preocupantes da gripe A (H1N1) provocaram.

As receitas do turismo foram este ano cortadas em 210 mil milhões de bath ou seja 4,4 mil milhões de Euros e o número previsto de turistas a entrar no país cairá dos actuais 14,3 milhões para uns meros 11 milhões.

A ocupação dos aeroportos no início de Dezembro do ano passado teve uma profunda implicação nesta queda e quando havia algum sentimento de retoma possível os acontecimentos de Abril, quando a cimeira da ASEAN foi impedida de se realizar e houve manifestações violentas nas ruas, deram uma forte machadada nessa possível recuperação.

Agora há que esperar longo tempo para que a confiança no país seja renovada mas estas percas acabam sempre por demorar muito a recuperar visto outros países se aproveitarem para lançarem eles ofertas atractivas que perduram por muito tempo ou não seja assim o mecanismo da procura e da oferta.

Para agravar a já frágil situação, a propagação do surto de A (H1N1), que até ontem tinha feito 44 mortos e registado um numero de contaminados de cerca de meio milhão de pessoas, como hoje vinha a lume na comunicação social, referindo-se a pessoas que estão ou já estiveram infectadas pelo vírus, ainda piorou a situação.

O Governo que inicialmente trabalhou bem na questão do surto de gripe viu-se ultrapassado, como a maíoria dos outros pelo Mundo fora, e está a gerir a situação à vista tentando chegar ao momento em que a vacinação estiver disponível com o menor número possível de fatalidades.

terça-feira, 21 de julho de 2009

...e já lá vão seis meses

Passaram seis meses e Abhisit Vejjajiva continua ao leme do Governo na Tailândia apesar de ter andado sempre a navegar em mares muito revoltos. O Líder Democrata já nem deve saber bem quem são os seus inimigos mas talvez essa “falta de conhecimento” o tenha ajudado a manter-se firme olhando sempre para a frente permitindo-lhe chegar “intacto” a este ponto.

Para além dos inimigos conhecidos, Thaksin e os movimentos por ele apoiados, Abhisit veio a conhecer ao longo destes seis meses outros, porventura mais perigosos, e que na maioria dos casos se albergam junto de si no seio da própria coligação e dos movimentos que a/o apoiam.

A crise vivida em Abril, em pleno Songkran, o ano novo tailandês e festival da água, que mais parecia um songkram, palavra usada para dizer guerra em tailandês, veio trazer a lume, e para as primeiras páginas dos jornais o movimento de Nevin Chidchob, o líder de facto do segundo maior partido na coligação que é simultaneamente o maior opositor aos próprios Democratas na ânsia de vir a ser um dos partidos dominantes da cena politica tailandesa. O Bhum Jai Thai Party, tem sido claro, pela boca do seu presidente, o Ministro do Interior, Chaowarat, que quando realizarem o seu objectivo de serem um partido forte e com a garantia de cerca de uma centena de deputados, abandonarão a coligação mostrando assim de uma forma clara que o seu papel nessa é tão somente o prosseguir de interesses partidários e não os interesses do pais e da coligação. Esse objectivo veio a materializar-se quando os seus Ministros foram os campeões dos projectos megalómanos e despesistas que sempre foram vistos como uma das formas de financiamento daquela ambição que no fim vai directamente contra os interesses do PM e do partido que lidera. Esses projectos têm sido uma dor de cabeça não só para Abhisit mas também para Korn, o Ministro das Finanças e seu companheiro em Oxford, que vê os cofres vazios e tem dificuldades em prosseguir as políticas de recuperação económicas do seu governo.

Abhisit tem sempre navegado à vista tentando entender o dia seguinte e tentando sobreviver num panorama politico que não é o seu. Abihsit faz parte de uma linha de políticos, infelizmente poucos, que tenta realizar uma nova politica limpa dos vícios do passado e capaz de trazer para o pais uma democracia real, responsável, respeitada e respeitadora.

Aqui tem residido um dos outros problemas de Abhisit. A intransigência dos seus apoiantes mais conservadores e burocratas que temem perder as benesses e os privilégios de anos e se colocam em permanência como obstáculos a qualquer modernização do regime nomeadamente a tão necessária alteração do texto constitucional.

Deste grupo fazem parte os militares e os “ex” apoiantes de Abhisit o PAD que se vêm igualmente ameaçados sempre que existe algo que mexa com os poderes retrógrados e conservadores que defendem. A magnitude das forças de pressão no sistema politico tailandês é tão complexa que por vezes os inimigos de hoje são os amigos de amanhã e vice versa, e quando refiro hoje e amanhã é mesmo essa realidade temporal tão próxima que tento ilustrar.

Outro dos grandes apoiantes dos Democratas, especialmente através da sua luta contra os “thaksinistas”, o sistema judicial, é neste momento uma das maiores ameaças contra a estabilidade do governo e contra a sua própria sobrevivência sabendo, esses e todos os que apoiaram a coligação reinante, que se o governo cair e houver eleições as possibilidades do retorno do Puea Thai, o partido de Thaksin, são extremamente grandes. Apesar disso o sistema judicial volta-se agora contra os Democratas, tal qual o fez para derrubar o "thaksinismo", e um numero alargado de Deputados Democratas e mesmo alguns Ministros estão a ser alvos da acusação de conflito de interesses por eles próprios e/ou as suas mulheres deterem acções de empresas estatais ou com as quais o estado tem contratos. Este é um dos absurdos da Constituição que a tudo e todos incrimina sem saber separar o trigo do joio mas quando Abhsit, da mesma maneira como Samak e Sonchai o quiseram fazer no passado, avança com o projecto de reforma do sistema politico, o mesmo é dizer com a revisão da Constituição, é bloqueado por aqueles para os quais nada interessa haver sistemas de controlo do estado independentes e não sujeitos a pressões e partidos políticos responsáveis e aos quais o povo possa pedir contas e eleger ou destituir de acordo com as regras da Democracia.

Abhisit contra isso tem lutado numa clara tentativa de refundar uma Tailândia moderna e progressiva, sem necessidade de alterar o sistema de Monarquia Constitucional mas dando ao pais as necessárias regras para que as pessoas possam acreditar num sistema político onde a justiça é igual para todos e onde os cidadãos podem ter a sua opinião livre e independente no permanente respeito pelos outros e por instituições tão fortemente arreigadas na cultura e na tradição do pais como são a Monarquia e o Budismo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Abhisit o Ingénuo?

Depois de ter negado, Abhisit veio a confirmar aquilo que todos sabiam, que tinha tido um encontro em privado com o de facto líder do Bhum Jai Thai Party, Nevin Chidchob.

Na realidade no dia 1 de Julho ambos almoçaram na Baan Phitsanulok, um dos edifícios na Government House acompanhados do Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban e do secretário do PM Niphon Prompan. Demasiada gente e num local tão evidente para poder passar desconhecido dos meios de comunicação social.

Mesmo assim Abhisit veio dizer que o encontro não teve nada a ver com a situação política e foi somente uma conversa de amigos!

Vieram agora a lume os temas discutidos durante o almoço:

  1. a possibilidade de se abandonar o plano dos autocarros que o BJTP quer
    levar àvante e que está a causar tremendas dores de cabeça ao executivo
    visto ter ficado claro junto da opinião pública que por detrás do plano
    está o financiamento ao partido de Nevin
  2. melhor coordenação entre os partidos da coligação para futuros projectos
    obviando a que cada um puxe só para o seu lado
  3. aumentar a trasnparência de funcionamento do Governo
  4. a possível remodelação governamental já há muito falada

Se isto não é temas políticos deveremos estar todos muito enganados. A questão que se põe é que uma vez mais Abhisit deixa fugir uma oportunidade de se autonomizar e garantir a clara liderança política. Já no rescaldo dos acontecimentos de Abril onde saiu com alguma imagem de vitória deixou que ela escapasse por entre as suas indecisões em poucos dias. Agora, e depois das sucessivas derrotas de Nevin nas eleições em Junho, Abhisit ganhou outra vez um espaço de afirmação independente mas uma vez mais não consegue avançar sem as muletas que aquele lhe vai chegando.

Outro exemplo desta dependência é o facto de o governo ter anunciado que, Abhisit irá visitar o Nordeste do país, zona não visitado por nenhum PM desde Thaksin, mas irá fazê-lo começando por Buriram, a província dominada por Nevin, uma decisão que está a gerar grande desconforto junto dos Deputados Democratas eleitos naquela região, que se vêem subalternizados em favor de um parceiro menor na coligação governamental. Um dos Deputados acusa mesmo o PM de se afastar dos seus correligionários, ameaçando demitir-se, dizendo que se o PM quer ajudar o Partido Democrata a ganhar votos no Nordeste é com os seus membros que tem de fazer campanha e não com os de outros partidos.

Todos sabem que Nevin é o "charme político" em pessoa e consegue exercer uma tremenda influência sobre os políticos na capital, o que lhe permite os muitos milhões de bath que distribuiu, mas ao mesmo tempo é muitas vezes tido por ser uma enguia das mais viscosas capazes de fugir quando muito bem quer e sem aviso para qualquer dos lados do espectro político.

Não são esses os aliados que Abhisit necessita para levar a cabo a sua política de reconciliação nacional e a tão necessária recuperação económica.

Abhsit com muitas das suas acções tem tentado imprimir um novo rumo, mais claro e mais transparente, à forma de razer política mas é por demasiado ingénuo (será que é a palavra correcta) na forma como se deixa, por vezes enredar, em cenários contraditórios.

Em Portugal temos o provérbio "Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és" que define estas situações.