segunda-feira, 25 de julho de 2011

Aeronaves, Inquéritos e Poderes Sobrenaturais

Esta semana espera-se que a Comissão Nacional de Eleições legitime os restantes deputados necessários para que o Parlamento se possa reunir na semana próxima.

Até ao momento há 402 deputados já aprovados pela CNE e para que a assembleia inicie trabalhos terá de haver um mínimo de 475 ou seja 95% do número total de deputados. Depois disso terá de ser publicado um decreto real que dará por constituída a assembleia legislativa.

A primeira sessão tem de realizar-se no dia 2 de Agosto, como prevê a Constituição, escolhendo o seu Presidente que posteriormente será empossado através de uma audiência com o Rei. Só após isto se dará início á votação dos candidatos a primeiro-ministro (é normal o partido mais votado apresentar o seu candidato e a oposição um outro) e depois de aprovado o candidato escolhido iniciará os trabalhos conducentes à formação do executivo.

Entretanto enquanto todo este moroso processo prossegue a questão no momento é a sequência de acidentes com helicópteros do exército que no escasso período de 8 dias já fez 17 vítimas mortais e um ferido grave.

No dia 16 de Julho um helicóptero levando a bordo militares e jornalistas despenhou-se numa área de floresta mesmo na fronteira com a Birmânia aparentemente devido a condições climatéricas adversas. Nesse acidente pereceram 5 passageiros incluindo um general do exército tailandês. Os corpos, encontrados por patrulhas pedestres, foram transportados para uma base na região de onde seriam posteriormente trazidos para Bangkok. Para tal foi enviado no dia 19 um helicóptero Black Hawk com 9 tripulantes, incluindo outro general e mais duas altas patentes, que acabou por se despenhar não muito longo de onde tinha caído a primeira aeronave. Todos a bordo perderam a vida.

Ontem de manhã um Bell 212 destinado a transportar os corpos dos 9 militares falecidos no passado dia 19 caiu quando se deslocava para o local e com ele perderam a vida mais 3 tripulantes tendo um deles ficado ferido ainda que com gravidade.

Muitos se interrogam por esta série de incidentes e há mesmo quem atribua tudo a magias negras ou poderes sobrenaturais dos "deuses da floresta" do parque nacional de Kang Krachan. Entrevistam-se residentes para substanciar estas crenças e esses são unânimes de que as forças da floresta são demasiadamente poderosas e os helicópteros foram por elas deitados abaixo.

A realidade é que pereceram 17 pessoas e o facto está a criar bastante consternação no seio do exército e a levantar inúmeras questões que não são respondidas.

Não se ouviu até agora nem o governo, através do Ministro da Defesa, nem o exército através do seu CEME, anunciarem a abertura de nenhum inquérito mas penso que deverá acontecer se bem que as suas conclusões não serão por certo conhecidas do público. Aqui lembro o caso de dois F-16 que se despenharam há poucos meses, e ao mesmo tempo, na província de Chayaphum. É sabido de muitos as razões que fizeram com que esses dois aparelhos se despenhassem, razão que tem só a ver com a obsolescência de materiais usados pelos pilotos e nada com as aeronaves, mas oficialmente nunca houve nenhuma explicação para o incidente.

Este tipo de acidentes, como quase tudo que envolva patentes, acaba por ser decididos "debaixo da mesa" evitando-se qualquer tipo de publicidade sobre as causas reais o que, se bem que possa calar sentimentos no curto prazo, é uma solução com custos pesados no sentir da população e nada ajuda ao prestígio dos envolvidos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Justiça e Política Externa

A semana foi muito marcada por duas questões de relevância no que respeita casos judiciais e política externa.

O primeiro e previamente anunciado arresto do avião utilizado pelo Príncipe herdeiro devido a uma questão de incumprimento de uma dívida do estado para com uma empresa alemã.

Há pouco mais de 2 anos o administrador da massa falida de uma empresa que esteve envolvida na construção e exploração da auto-estrada entre o centro de Bangkok e o seu antigo aeroporto situado em Don Muang, obteve de um tribunal arbitral Suíço a condenação do estado tailandês a pagar uma indemnização de cerca de 30 milhões de euros, acrescida de juros, a como esse pagamento não foi efectuado requereu a execução da sentença solicitando o arresto de bens que garantissem aquele pagamento.

Como consequência desse pedido foi arrestado o avião normalmente usado, e pilotado, pelo Príncipe herdeiro que se encontrava no aeroporto de Munique.

Como todos os assuntos que envolvem a casa real são de extrema sensibilidade o facto foi mantido em silêncio durante dois dias até que a BBC, e muitos outros meios de comunicação social pelo mundo fora, deram ampla cobertura ao facto. O governo de Abhisit de imediato enviou o ministro Kasit para a Alemanha tratar do assunto tentando mostrar que o avião não é pertença do estado tailandês mas que foi oferecido ao Príncipe herdeiro em 2007, solicitando assim que fosse liberto a aeronave. Kasit afirmou, após um encontro com o Secretário-geral do MNE alemão, que o caso poderia criar dificuldades ás relações bilaterais depois de ter ouvido do seu interlocutor que o assunto era um caso de justiça e portanto fora do controlo do governo alemão.

Ao que parece o tribunal alemão não ficou convencido com os argumentos e documentos apresentados (o título de registo de propriedade continua revelando que pertence á Força Aérea) e decidiu a libertação da aeronave tão logo o governo tailandês depositasse uma caução de 20 milhões de euros, valor tido por ser o presente valor do equipamento. O governo recusa-se a fazer tal e o caso vai continuar. Entretanto outro avião semelhante já aterrou em Munique e estou curioso em saber, caso seja também arrestado, se será alegado também não pertencer á Força Aérea. Num acto, relacionado ou não, a Força Aérea anunciou a compra de 4 novos aviões para a frota real pelo valor de 3,6 mil milhões de baht (cerca de 90 milhões de Euros).

O outro caso Judicial relevante para a política externa foi a decisão do Tribunal Internacional de Justiça relativa ao pedido do Camboja para que interpretasse a decisão de 15 de Junho de 1062 que ainda criava tensões entre os dois países nomeadamente no que respeita a disputa territorial em redor do templo de Prhae Vihearn.

O TIJ acabou por tomar uma decisão que parece avisada e tendente a minimizar as tensões existentes.



Decidiu o tribunal que ambas as partes retirassem, num prazo de 30 dias, as suas tropas da zona em disputa, que os tailandeses dessem serventia de acesso ao templo a entidades civis cambojanas e que fossem enviados para a zona observadores independentes provenientes dos países da ASEAN de alguma forma como o previamente acordado na reunião de 22 de Fevereiro entre os MNE dos dois países e da Indonésia actual presidente da associação.

Até ao momento quer o Camboja quer a Tailândia já anunciaram, os primeiros que não retiram as forças antes que cheguem os observadores e os segundos de que os cambojanos têm que sair do local em primeiro lugar.

Estamos assim num novo impasse e parece que nenhum dos estados está disposto a acatar a decisão do TIJ com facilidade.

Na Tailândia por outro lado movimentam-se as forças do PAD-Amarelo no sentido de requerer ao governo em exercício que não reconheça o TIJ (o que é o mesmo que não reconhecer as Nações Unidas) e que expulse os cambojanos do local. Convém referir que se bem que a sentença é equilibrada ela é levemente favorável ao Camboja pois a maioria de tropas na zona em disputa são actualmente tailandesas e a obrigação de abrir corredores para os cambojanos aceder ao Templo, cuja titularidade não é contestada por ninguém, abre a possibilidade para que construam infra-estruturas no local e não põe em causa a denominação de Património da Humanidade pela UNESCO facto rejeitado pela Tailândia que inclusive abandonou a última reunião daquele órgão das NU.

Nos sectores mais conservadores do país volta a acender-se a chama nacionalista e da perda territorial num momento que parecia ser possível encontrar uma solução mais estável para o longo conflito que, como uma vez já referi, nem com uma "camioneta" de legalistas e historiadores poderá ser resolvido pois a única forma será encontrar uma forma comum de vida para as populações com a mesma etnicidade que vivem dos dois lados da fronteira e que fazendo parte de ASEAN e com os objectivos traçados pelos seus governantes um dia essa fronteira deixar de existir.

Entretanto no que respeita as eleições continua a saga da aprovação dos candidatos e ainda falta 93 serem aprovados para que a câmara possa reunir no dia 2 de Agosto. Se isso não acontecer há um vazio legislativo já que a Constituição nada prevê. Espera-se assim que a Comissão Nacional de Eleições termine o seu trabalho a tempo. Começa a haver grande impaciência entre muitos por esta demora e certificar os candidatos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Curtas

Hoje duas questões chamaram a minha atenção e uma delas anda a correr o espaço cibernético rápidamente.

A primeira foi o caso de uma avião, especial, da Força Aérea tailandesa ter sido apreendido no aeroporto de Munique devido a um caso de uma decisão judicial de penhora de bens devido a uma dívida vencida e não cumprida do estado a uma companhia alemã. O caso pode ver-se aqui.

O segundo é um artigo de opinião no The Nation com o título " Dear Khun Thaksin save your sister" que é um sumário muito bem escrito dquilo que talvez a grande maioria dos tailandeses pensam e do qual só cito a seguinte frase aconselhando a leitura do resto.

"Hoje Khun Yingluck não é a sua iramã mais nova. Ela vai ser a PM do país. Deve respeitá-la nessa qualidadepelo menos por respeito a ela se não o fizer por respeito ao país"

terça-feira, 12 de julho de 2011

Investimento Estrangeiro, a Política e a Mudança

Já me referi à mudança de ventos que se fazem sentir no país mas há um episódio que merece relato.

Por todo o Mundo, e a Tailândia não foge á regra, os funcionários públicos são diligentes no respeito das suas hierarquias e cumpridores das suas funções disciplinadamente e sem grandes desvarios de pensamento.

Também já me referi às "guerras" que opõem os operadores de comunicações sempre em constantes acusações, a maioria das quais em tribunais, uns contra os outros na ânsia de ganhar mercado e poder.




Uma das operadoras de comunicações móveis, a DTAC, é gerida pela Telenor norueguesa e muitas vezes se tem colocado se na realidade a companhia é ou não uma companhia tailandesa visto que se a maioria do capital for estrangeiro está-se perante um caso de violação da lei facto que poderá acarretar consequências para a companhia, inclusive a perda da licença de operador.

A Telenor sempre afirmou só deter 49% do capital e que o restante é detido por tailandeses. O resto do capital está na posse de um conjunto de outras companhias sendo que se nota através da estrutura do capital haver uma cascata de companhias sediadas em "off-shores" que no seu conjunto totalizam os 51%.

A outra concorrente que também detém capital estrangeiro, a AIS (ex Thaksin). A maioria do capital é da Themasek de Singapura mas pelo facto de ser um país membro da ASEAN a legislação é distinta embora qualquer decisão desfavorável ao caso DTAC pode vir a implicar investigações sobre a estrutura accionista da AIS. A ASEAN tem por objectivo em 2015 avançar para um mercado económico comum e integrado destruindo as fronteiras ainda existentes. A TRUE a terceira operadora, pertença de um grande grupo empresarial local com ramificações em vários sectores, tem, com alguma naturalidade num país proteccionista, recebido alguns benefícios e favores no sentido de poder concorrer com os seus competidores melhor equipados quer financeira quer tecnologicamente.

A TRUE recentemente requereu que o Ministério do Comércio (MC) se pronunciasse sobre a estrutura accionista da DTAC alegando que esta última era uma empresa maioritáriamente estrangeira e violava assim a lei que protege o sector.

O caso tem sido seguido com enorme interesse no país pois a decisão sobre ele será por certo ou um incentivo ou um alerta para os investidores estrangeiros. Note-se que a indústria tailandesa tem uma muito significativa dependência do investimento estrangeiro. Os quatro primeiros itens exportados pelo país são provenientes de sectores onde o investimento estrangeiro, maioritariamente japonês, representa mais de 80%.

O pedido da TRUE tem prosseguido o seu caminho no MC e o Secretário de Estado na Sexta-feira através de uma ordem por escrito afirmou que a DTAC era estrangeira ordenando ao Director do Departamento de Desenvolvimento de Negócio, Banyong Limprayoonwong, que interpusesse uma acção contra a Telenor por violação da lei no que respeita à sua participação na empresa.

Ora o referido Director veio para a comunicação social afirmar o seguinte: " Ele (referia-se a Alongkorn Ponlaboot) não tem autoridade nem obrigação ao abrigo do Foreign Business Act para me forçar a acusar uma companhia de ser detida ou não por estrangeiros" para concluir "A decisão de Khun Alongkorn não pode ser vista como uma decisão emanada de acordo com as políticas do governo é uma clara intromissão politica". No entendimento de Banyong a investigação sobre o caso deveria ser conduzida pelo Ministério Público e não por um departamento ministerial, como queria o membro do governo, daí a sua total "desobediência" às ordens de Alongkorn.

Entende-se que o Director em questão sabe que o seu patrão dentro de dias será outro, o que nada garante que concorde com a posição, mas normalmente o comportamento teria sido diferente. Ou a pessoa "adoece", ou "empurra para o lado" ou coloca os documentos bem na última gaveta para demorar a lá chegar. Há muitos funcionários a quem cabe tomar decisões que sabendo da sua próxima reforma deixam as simplesmente no ar e assim evitam qualquer confrontação.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Harmonia

A Tailândia é como uma criança, incorrigível.

As eleições foram no passado dia 3, o governo só tomará posse em normais circunstâncias lá para meados de Agosto, portanto o governo de Abhisit continua em funções, mas parece que o país acordou virado para o lado contrário.

Alguns exemplos.

Hoje havia a primeira audiência do caso dos 19 membros da UDD acusados de terrorismo. A sessão marcada para hoje destinava-se a verificar os procedimentos de aceitação ou não das testemunhas de acusação.

A sessão foi curta e a decisão foi adiar para 1 de Junho de 2012, por acaso um dia bastante simbólico pois nesse dia estarão de novo em pleno uso dos direitos políticos os executivos do Thai Rak Thai que foram banidos na sequência da dissolução do partido em 2007.

Vamos a ver se agora os julgamentos contra os membros do PAD avançam enquanto a velocidade parece estar a ser reduzida quanto aos vermelhos.

A saga dos serviços de comunicação de terceira geração tem sido um dos grandes problemas do sector e arrasta-se há anos. A própria nomeação dos membros do regulador nacional das telecomunicações anda envolto em contestação desde 2000 e tudo tem funcionado de uma forma "ad-hoc" e sem uma clara direcção nem nenhum membro com efectivo poder, facto que convém a muitos. As várias companhias de telecomunicações móveis e também as fixas, acusam-se e interpõem acções judiciais umas contra as outras e o concurso para a atribuição de licenças 3G foi cancelado há um ano devido à suposta ilegitimidade do regulador, pelos factos que acima relatei, para lançar tal concurso.

Curiosamente ou não a AIS, empresa que pertencia ao ex PM Thaksin e que é o maior operador de telefonia móvel no país, embora sem nada oficial está neste momento a fornecer serviços 3G. Isso é bem visível nos telefones dos utentes dessa rede que vêm aparecer no mostrador o sinal de que estão a receber um serviço 3G e não Edge.

Outra questão, de certo menos controverso, é o facto do índice de felicidade no país, que subiu de 6,61 para 7,55, subida justificada pela expectativa de que este governo vai solucionar os problemas do país, quando na realidade nem sequer ainda existem nomes para os postos de ministros.

Outra questão ainda foi o facto de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter conduzido até à zona da fronteira com o Camboja vários diplomatas indonésios que inspeccionaram os locais onde os observadores daquele país irão estacionar. Lembre-se que a Tailândia e o Camboja acordaram a 22 de Fevereiro no envio de observadores para as zonas em disputa, facto que foi posteriormente rejeitado pelos militares e desde então nem a reunião mediada pela Indonésia a 7-8 de Abril conseguiu nenhuma alteração. Sem alaridos e com poucas notícias na imprensa a situação mudou embora, repito, sejam as mesmas pessoas que estão no poder.

A Tailândia é mesmo assim. Sempre a aproveitar o bom vento venha ele de onde vier

terça-feira, 5 de julho de 2011

Rescaldo Eleitoral

O rescaldo das eleições vai-se fazendo com suavidade e sem sobressaltos. A bolsa de Bangkok registou ontem a sua maior subida de há vários anos, 4.9%, mostrando bem a confiança que os investidores depositam de que o país possa entrar num período de maior pacificação.

Para além de alguns, poucos, que não gostam de democracia e que continuam a "chorar" a perda do partido Democrata a grande maioria está de volta ao trabalho porque quem tem agora que suar são aqueles a quem o povo determinou dar um mandado para dirigir o país. O povo cumpriu o seu dever, votar, escolheu e agora tem de seguir o desenvolvimento dentro dos princípios de civilidade que se conhecem através das práticas democráticas. No próximo acto eleitoral de novo julgará aqueles que governam e aqueles que fazem oposição.

A presumível PM tem estado reunida com os parceiros da coligação e já ficou assente a distribuição dos lugares embora ainda não haja referência a nomes para os vários ministérios.

Fui informado há bem pouco, por um elemento do seu gabinete, que o que esteve até agora em cima da mesa foi a discussão das políticas base da coligação, a plataforma de entendimento e o número de lugares que caberia a cada um dos parceiros no governo a formar.

A partir de amanhã então serão discutidos os nomes que cada partido pretende indicar para formar o governo.

A comunicação social, como é natural e compreensível, não para de lançar nomes para o ar. O que se sabe é aquilo que relatei e a informação também de que não haverá nenhum elemento da liderança dos camisas vermelhas na composição do novo governo. Aliás ontem a líder da UDD, parece que o mundo na Tailândia passou para as mãos das mulheres visto a Dr. Thida ser quem lidera o movimento, anunciou que a organização estava satisfeita com os resultados das eleições de Domingo mas que não iria baixar as mãos pois a luta deles é pela justiça e continuarão a exigir saber quem são os verdadeiros responsáveis pelas mortes de Abril/Maio de 2010 e querem que os "prisioneiros políticos" sejam libertados.

Entretanto a Comissão Nacional de Eleições continua o seu trabalho de apuramento e deverá anunciar ainda hoje a totalidade dos votos registados e a sua distribuição ainda que tais resultados não sejam oficiais ainda.

Os partidos concorrentes têm 7 dias para apresentar reclamações que a própria ECT julgará (um dos pontos fracos do sistema eleitoral tailandês é o facto de as decisões da ECT não serem passíveis de apelo para o Tribunal Administrativo). Tanto quanto é sabido até agora há a possibilidade de serem "mostrados" 5 cartões vermelhos que irão desqualificar os candidatos impedindo que voltem a concorrer (se o cartão for amarelo o candidato perde o lugar mas pode voltar a candidatar-se) e fala-se muito na possibilidade de dissolução do partido Bhum Jai Thai de Nevin Chidchob. Na ECT, já no passado dia 24 de Junho, estava registada uma infracção grave na província de Buriram envolvendo um executivo do partido

Enfraquecer este partido e ao mesmo tempo cimentar a coligação no poder irá por certo ser uma das tarefas do Pheu Thai. Thaksin e os seus apoiantes não esquecem Nevin, apelidado de traidor (era o braço direito do ex PM). O BJT já sofreu uma forte derrota tendo ficado a menos de metade daquilo que o próprio Nevin tinha predicto mas estou convicto que o Pheu Thai tudo irá fazer para seduzir deputados, que anteriormente estavam consigo e depois se passaram para o lado de Nevin, a regressar e desse modo dar a estocada final num partido já enfraquecido.

Se assim for isso irá colocar um problema ao PT pois terá de alocar alguns lugares, nesta dança das cadeiras, para aqueles que quiserem "regressar a casa".

Até ao final da semana teremos a versão final do governo e o cenário estará clarificado.

Entretanto o partido Democrata está em período de reflexão e mesmo falar com os seus executivos é difícil neste momento. Abhisit demitiu-se de líder do partido mas já começa a ouvir-se vozes favoráveis ao seu regresso nomeadamente a do homem mais influente no partido o ex PM Chuan Leekpai. Pessoalmente não me parece a melhor solução. Em política há sempre momentos em que se está no pódio e outros momentos em que se deve deixar esse lugar para outros. Nada é definitivo em política mas é necessários saber ganhar e perder e quando se perde saber esperar pois os ciclos políticos vão e vêm.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Abhisit Vejjajiva

Abhisit Vejjajiva, o líder do partido Democrata acaba de anunciar a sua demissão da liderança depois do revés sofrido ontem nas eleições gerais.

Abre-se agora um novo círculo para o mais antigo partido do país que apesar dos seus 65 anos de idade e tido por ser o partido da elite tem sempre grandes dificuldades em ganhar eleições no país pois nunca consegue atrair os eleitores do norte e nordeste do país onde se concentra a grande maioria da população.

A última vez que os Democratas ganharam eleições foi em 1992, contra o General Chamlong, actual líder dos amarelos do PAD, e mesmo assim foi uma vitória escassa e envolta em inúmeras controvérsias.

Está assim aberto o caminho para uma renovação do partido e aquele que sempre tem sido apontado como sucessor é o actual Ministro das Finanças Korn Chatikawanij antigo colega de Abhisit no Reino Unido e CEO da J.P.Morgan (Thailand) antes de se dedicar á política. Korn é visto por muitos com a mesma imagem de Abhisit pelo que se vier a suceder-lhe não será de crer que o partido mude de rumo.

Viva a Democracia

As eleições para o Parlamento decorreram ontem num clima de grande responsabilidade cívica por todo o país.

Os incidentes que são conhecidos são de pequena monta e mesmo os famosos cartões vermelhos ou amarelos que poderão vir a ser mostrado aos candidatos pela Comissão Nacional de Eleições são desta vez, de acordo com o porta-voz desta, menos do que no passado.

A Democracia saiu reforçada do acto eleitoral e agora o país tem de olhar para o futuro e pensar como pode um novo governo, que estará em funcionamento no início de Agosto, responder aos grandes desafios que se colocam pela frente.

A maioria do povo, 52,4% votou no partido Pheu Thai liderado por Yingluck Shinawatra que assim será a primeira mulher a assumir o mais alto posto no executivo tailandês. O partido Democrata do PM em exercício Abhisit Vejjajiva obteve 32% dos votos. O resto foi divido por vários partidos mais pequenos com o realce para o Bhum Jai Thai party e o Chart Thai Pattanna que conseguiram 34 e 19 lugares respectivamente.

O governo para os próximos quatro anos (é este sempre a expectativa nos sistemas democráticos) será liderado por um partido que por si só obteve a confiança da maioria do povo tailandês o que tem um importante significado.

Contudo, para reforçar a maioria já alcançada (262 lugares num parlamento de 500 lugares) e até por causa do sistema constitucional onde os Ministros que são em simultâneo Deputados não podem votar em assuntos que lhes dizem respeito o que enfraquece uma maioria, o próximo governo será uma coligação que pelo menos irá contar com os 19 deputados do CTP e os 7 deputados do Phalang Chong. Outros partidos ou facções poderão associar-se.

As negociações para a formação do executivo já começaram e irão ser o tema dos próximos dias.

Quer Yingluck quer Abhisit mostraram dignidade quer na vitória quer na derrota o que augura sinais positivos para o país.

Outro aspecto positivo ontem foi o facto do fugitivo ex PM Thaksin, o homem que ria fantasmas em muitos (e com algum fundamento para tal) ter falado para a TV tailandesa TPBS de uma forma bastante calma e mostrando entender que o "timing" para o seu regresso ao país ainda está longe de ter chegado. Thaksin afirmou que o principal neste momento é satisfazer as necessidads das pessoas no campo económico e avançar no processo de reconciliação dizendo mesmo que a comissão nomeada por Abhisit, com o DR Kanit na Nakhon à cabeça, deveria ser mantida "pois as coisas bem feitas devem continuar e ser apoiadas". Como muitos no país quero acreditar que as suas palavras são genuínas. O tempo o dirá mas contudo Thaksin pareceu, tal qual me havia dito um dos seus próximos durante a campanha, mais maduro e consciente de que se o país não estiver pacificado e no caminho da democracia ele não pode regressar.

Um aspecto altamente negativo foi o facto de todas, repito todas as sondagens feitas á boca das urnas terem errado estrondosamente. Há quatro institutos, respeitáveis entidades, que fazem sondagens há bastante tempo e são sempre esses os pontos de referência para preparar projecções. Claro que os partidos fazem as suas próprias, bem como os militares, mas essas não são públicas. São eles a NIDA (Instituto de Estudos da Administração), a Universidade de Bangkok, Universidade Suan Dusit Rajabhat e a Universidade Assumption (católica). Pois ontem todas erraram de forma nunca vista chegando a ABAC (Assumption) a um erro de 17,7% enquanto as outras se situaram entre 12 e 15%. O normal será margens de erros de até 3% mas por algumas razões que ainda não estão apuradas ontem não foi assim.

No total no país observou-se uma afluência de 76%, dois pontos acima daquilo que se tinha verificado em 2007.É um número muito bom (até tendo em conta os erros que aconteceram nos cadernos eleitorais – o general Chamlong do PAD, põe exemplo, não pode votar pois o seu nome não constava). Isto mostrou o empenho de todos os candidatos no acto e o interesse com que as populações seguiram a campanha e mostraram querer participar nas decisões para o país. Um ponto ainda sem explicação foi o de Udon Thaini, uma província bastante politizada e considerado o principal bastião do Pheu Thai, onde a votação foi estranhamente bastante baixa pois somente 52,1% dos eleitores compareceram.

Pode contudo concluir-se o seguinte: O povo tailandês empenhou-se no acto eleitoral e fez a sua escolha claramente (o partido associado ao ex PM Thaksin ganha pela 4 vez consecutiva e os Democratas perdem pela 6 vez consecutiva). O país tem condições para que seja formado um governo sólido que responda a esse voto maioritário do povo (a coligação que se avizinha terá a legitimidade de cerca de 60% dos votos dos tailandeses). O processo foi no seu essencial claro, transparente e decorreu sem sobressaltos.

Agora resta apoiar o país. Resta respeitar os que venceram e solicitar aos que perderam que sejam uma oposição forte, construtiva e capaz de pensar no país e nos tailandeses.

Como dizia o Professor Thitinan Pongsuthirak há dias "peço a todos, mesmo todos, que deixem o país entrar definitivamente no século XXI e seguir o processo democrático".

Sempre acreditei na DEMOCRACIA e quero continuar assim. Espero também que todos a apoiem deixando para trás os interesses paroquiais.

O povo foi claro no seu voto. Agora compete aos políticos serem também claros e transparentes.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

UNESCO, Phrae Viharn e Politica Externa

Cartoon no Bangkok Post de hoje


Um dos temas actuais e que tem da alguma forma criado um "novo evento" na campanha eleitoral é o facto do Ministro Suwit, líder da Delegação que em Paris junto da UNESCO discutiu os assuntos relacionados com o plano de gestão do templo de Phrae Viharn como Património da Humanidade, ter decidido abandonar a Comissão que discutia o assunto deixando o mundo perplexo por tal atitude tão ao estilo dos velhos tempos da guerra fria quando os poderes comunistas quer da China quer da União Soviética abandonavam as sessões onde sabiam que as votações lhes seriam desfavoráveis.

A Tailândia deixou assim uma má impressão na comunidade internacional mas segundo certas fontes tal facto tem ajudado os partidos envolvidos na campanha eleitoral. Bem visível hoje quando aparecem na rua cartazes do partido do Ministro Suwit a proclamar que as pessoas devem votar naqueles, como ele, que defendem a integralidade do património nacional. De igual forma os Democratas, num novo cartaz, chama a atenção para a questão do patriotismo sempre envolvida nesta contenda.

Anteontem o Conselho de Ministros decidiu estranhamente, ou não, apoiar a decisão de Suwit mas deixar a assinatura da decisão para "o próximo executivo" como afirmou o PM Abhisit.

Hun Sen, o presidente Cambojano que nunca perde a oportunidade para atacar o seu congénere tailandês, que é sabido não lhe merecer grande consideração, já que clama, como o seu "amigo" Thaksin, que Abhisit chegou ao poder pela via não democrática (como se o Camboja fosse um modelo de democracia), aconselhou Abhisit a portar-se como "um homem e assinar a saída do Comité da UNESCO já". Abhisit não conseguiu mais do que continuar a condenar Hun Sem e Thaksin como os geradores do conflito. Convém referir que em conversas que tive com altos dignitários do Pheu Thai e perguntando-lhes eu como resolveriam a questão, me foi dito que no dia seguinte á tomada de poder basta Yingluck falar com Hun Sen e tudo será resolvido. O PT tenciona criar nos 4,6 km de território em disputa uma zona denominada "Mercado da Paz" e aí estabelecendo uma mercado onde as populações dos dois países vêm transaccionar os seus produtos e atraírem com isto, de novo, o turismo quer para o templo quer para a região.

A questão do acto do governo tailandês coloca-se, para além do aproveitamento do caso em questões de política interna, como referia em privado ainda esta semana um alto funcionário do MNE tailandês, na fragilidade que vai criando em relação à posição da Tailândia nas relações externas. Quando os chefes de estado e de governo se encontram nas cimeiras internacionais querem ter confiança quando assumem compromissos uns com os outros. Como vem acontecendo as posições assumidas quer pelo PM quer pelo MNE tailandês na grande maioria das vezes não passam de declarações sem implementação no horizonte e isto tem feito com que hoje nenhum dos vizinhos da Tailândia veja o país do centro desta região como o parceiro privilegiado e mesmo o comércio dentro da região, que era sempre favorável à Tailândia está a deslocar-se para a China e para o Vietname.

No início desta década o governo de Thaksin esteve na fundação do ACMECS, um fórum com o nome dado pelos principais rios na região, fontes de grande riqueza em muitos domínios como o fornecimento de matérias primas e irrigação para as populações e energia para os estados, e nesse fórum a Tailândia dominava e conseguiu criar ali uma plataforma de diálogo que em muito ajudou a construir o seu papel como o foco principal de todas as atenções do mundo sobre a região. A ACMECS está morta e será difícil revitalizá-la pois os olhos de Camboja, Laos, Myanmar e Vietname estão neste momento mais focados a Norte nos benefícios que uma colaboração com a China (apesar das escaramuças actuais no Mar do Sul da China) lhes traz no futuro.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Domingo - 3 ou 6

Todas as seis/sete eleições que decorreram desde 1992 até à data foram sempre batalhas entre o Partido Democrata e outros partidos que se lhes opunham. Enquanto seus adversários vêm e vão o Partido Democrata, fundado há 65 anos, é o mais antigo partido no panorama político tailandês e o único que se mantêm com uma estrutura em muito semelhante com aquilo que são organizações político partidárias segundo o conceito ocidental. Contudo, nos últimos 20 anos, os democratas venceram apenas a eleição de 1992. A amarga verdade para os democrata é que o partido perdeu cinco eleições de seguida isto se não contamos a eleição de 2006 boicotada por grande número de partidos e que mais tarde foi declarada nula.

Embora o Partido Democrata tenha perdido todas as eleições desde esse long]inquo ano de1992, foi capaz de formar governo por duas vezes. A primeira em 1997, logo após a crise financeira asiática, quando o putativo primeiro-ministro general Chavalit Yongchaiyudh renunciou ao cargo que deveria assumir. Aquando o Partido Nova Aspiração procurava um candidato que o substituísse houve uma cisão e o Partido do Cidadão Tailandês (membro da coligação vencedora) transferiu o seu apoio para Chuan Leekpai do Partido Democrata.

Desta forma os Democratas asseguraram a maioria dos assentos no parlamento e Chuan foi capaz de, pela segunda vez, ser nomeado PM e formar governo. Esse incidente ficou conhecido como "O Incidente de Cobra". Os políticos desertores eram liderados pelo agora fugitivo Wattana Asavahame. Este nome foi-lhe atribuído por Samak Sundaravej, à altura líder do Partido do Cidadão Tailandês e PM em Janeiro de 2008 quando liderou o PPP (de Thaksin) à vitória nas primeiras eleições após o golpe de estado de 2006.

A "Cobra" está ligada ao imaginário popular em referência às cobras nos arrozais: "a cobra trai o agricultor mordendo-o de morte". Samak, na altura, comparou-se a si mesmo como um "agricultor" e Wattana com a "cobra".

A segunda vez que os democratas conseguiram virar o jogo e voltar a ser poder, tal como em 1997 sem serem o maior partido no parlamento, foi em 2008 quando a facção de Newin Chidchob (a nova cobra) saltou de bancada ajudando à formação do presente governo, hoje em dia abertamente dito por quase todos, inclusive por membros da presente coligação como o Chart Thai Pattana, que tal aconteceu por pressão dos militares.

A questão no próximo Domingo é saber se os Democratas vão para a sexta derrota consecutiva ou para a terceira formação de um governo sem serem o maior partido no parlamento já que todas as sondagens mostram de forma unânime esse sentido. A própria mudança de rumo da campanha dos Democratas, para uma posição de oposição, dá isso a entender.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Irina Bokova - UNESCO

O Ministro dos Recursos naturais da Tailândia, Suwit Khunkitti, que chefiou a delegação tailandesa nas negociações em Paris, junto da Convenção sobre o Património da Humanidade, da UNESCO, acusou a Directora-Geral daquela agência das Nações Unidas de ter mostrado falta de respeito pelo PM da Tailândia por se ter recusado a atender chamadas telefónicas que este lhe fez.

Presumo que se a delegação tailandesa tivesse sido conduzida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, facto que seria normal visto o que estava em discussão ser um assunto diplomático e não uma tecnicidade como a Tailândia tentou fazer entender, o protocolo teria sido respeitado e o Senhor PM da Tailândia nunca teria tentado contactar com a Senhora Directora-Geral da UNESCO num momento em que estava em discussão um assunto entre a Tailândia e o Camboja sobre o templo de Praeh Viharn. Todo e qualquer mal entendido causado por uma conversa bilateral poderia ser explorado politicamente por qualquer das partes.

Bem esteve Irina Bokova.

Eleições Antecipadas

Domingo passado estive todo o dia analisando, no campo, o que se passava com as eleições antecipadas.

Como já expliquei os tailandeses têm duas possibilidades para antecipar o dia em que irão votar.

No caso de não poderem comparecer no dia marcado para as eleições, 3 de Julho podem votar no seu círculo no dia 26 (Domingo passado). Igualmente se não puderem deslocar-se ao seu círculo eleitoral no dia marcado par as eleições podem votar antecipadamente noutro local, normalmente o local de residência.

É este o caso de muitos que saem das suas terras da província, sobretudo do Nordeste e Norte do país para procurar trabalho na zona de Bangkok e províncias vizinhas onde estão instaladas as principais unidades industriais do país.

O processo decorreu com bastante transparência no que respeita o acto em si e de acordo com especialistas com que contactei suficientemente bem organizado.

Houve contudo um pormenor onde o dia correu menos bem.

Tomemos Bangkok por exemplo. Dos eleitores registados para votar por antecipação no próprio circulo eleitoral 90% compareceram no Domingo e cumpriram o seu dever cívico.

Dos eleitores que votaram por antecipação em virtude de não se poderem deslocar ao seu círculo eleitoral de origem somente 55,6% votaram nesse dia.

A diferença é grande e atribuída a vários factores ligados, fundamentalmente, a uma má comunicação entre a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e os votantes.

Em 2007, as últimas eleições, as eleições antecipadas foram feitas em dois dias e sem registo prévio. Desta vez foi utilizado um só dia com registo prévio mas aconteceu que mais pessoas compareceram para votar. Em muitos casos os engarrafamentos de trânsito eram tão grandes que as pessoas ou desistiram de votar ou aconteceu como alguns relatam que desde que chegaram perto da assembleia de voto até ao acto de votar decorreram 5 horas. Outro facto foi a CNE ter mudado os locais das assembleias de voto ou ter feito divisões sem que tivesse disso informado correctamente os eleitores. Por fim em muitos casos, e disso fui testemunha, as pessoas não encontravam os seus nomes nos cadernos eleitorais.

Tudo isto fez com que nalgumas assembleias o número de não votantes ter sido superior a 50% quando na realidade as pessoas ali se deslocaram com a intenção de fazer a sua escolha.

O próprio PM Abhisit se manifestou desagradado com a situação, que no final por certo joga a seu favor visto a maioria dos leitores que não votaram são das províncias que menos votam Democrata, e solicitou á CNE que fizesse algo para remediar a situação tendo obtido uma resposta negativa do presidente da CNE dizendo que não era possível agora solucionar a questão.

A P-Net, uma associação de ONG's paga pela CNE para ajudar no processo eleitoral, de igual modo relatou este facto à CNE mostrado os elementos que são conhecidos mas em vão. Está aberta a porta a suspeições sobre a condução da votação que, como atrás disse, de um ponto de vista processual parece muito correcta e transparente.

Note-se que só em Bangkok estavam registados para votarem antecipadamente 1.079.923 pessoas das quais mais de 800.000 são votos da província e desses cerca de 87% provenientes dos bastiões da oposição. Desses 44,4% não puderam votar, e como disse falamos só de Bangkok.

Espera-se que no próximo Domingo a votação corra melhor e que as pessoas possam deslocar-se facilmente ás assembleias e que consigam encontrar os seus nomes nos cadernos eleitorais para levar por diante o processo sem mais sobressaltos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Comício dos Democratas

Ontem aconteceu o comício dos Democratas e felizmente acabou por tudo correr da melhor maneira.

Pode dizer-se que só houve dois incidentes, se assim se poder apelidar os factos. Uma dúzia de "camisas vermelhas" vestidos como fantasmas apareceram no templo Pathumwanaram, onde no dia 19 de Maio de 2010, morreram, em condições que ainda por esclarecer, como aliás com todos os outros casos, enfermeiros voluntários da Cruz Vermelha que estavam a ajudar mulheres e crianças das hostes vermelhas que para ali tinham sido levadas. A polícia eficazmente manteve "os fantasmas" calmos e afastados do local onde estavam concentrados os líderes Democratas. O outro foi o facto do Vice PM Suthep ter, numa parte da sua intervenção, atirado para o ar uma afirmação que deixou, mesmo os presentes de boca aberta e estupefactos. Afirmou que quem estava na origem do assassinato, ele chamou-lhe morte, do general vermelho Saeh Daeng era o líder vermelho e actual candidato a Deputado pelo partido da oposição Jatuporn Prompan. Se não fosse triste daria vontade de rir.

Mas o ponto importante é que a manifestação decorreu sem incidentes e ganhou a Democracia.

Quanto aos números dos presentes houve contudo elementos interessantes. Hoje o jornal Bangkok Post afirmava que tinham estado presentes 30.000 apoiantes dos Democratas.

Vejamos a informação que obtive: do próprio Director da Campanha Democrata, o ex ministro Korbsab, 6.000; de um jornalista inglês presente no local 5.000; de uma agência que monitoriza este tipo de acontecimentos 5 a 7.500 e de colegas meus, apoiantes dos Democratas, que lá foram e aí estiveram até ao final "não mais do que 5.000".

Quer estes últimos quer a agência LBG afirmaram que o tráfico na zona era melhor do que em qualquer dia normal, porque muitos evitaram o local e porque os apoiantes dos Democratas se estenderem somente pelo passeio frontal ao Central World não "pisando" a rua que lhe fica em frente, Rajaprasong.

Por todas estas informações que obtive, e nas quais acredito, não compreendo como um jornal que deve ter como principal objectivo informar, consegue descobrir o número de 30.000 manifestantes sem ter a noção de que vai cair no ridículo. Bastava seguir, como fiz, o "live stream" do local ou os Twits contínuos que de ali se faziam, inclusive de Abhisit, Apirak e Korbsab, para se ver que o numero de presentes deverá ter andado por volta dos 5.000 ou pouco mais conforme os outros relatam.

Jornalismo de má qualidade informativa.

Entretanto os líderes do Pheu Thai e do Chart Thai Pattana afirmaram que afinal o comício dos Democratas não trouxe nada de novo como prometia Abhisit e não foi mais do que a repetição das mesmas mensagens.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

23 de Junho

O dia 23 de Junho, hoje, é um dia que vai ficar marcado na história da Tailândia e por duas razões.

Acaba de ser publicado no blog New Mandala a primeira parte de um longo ensaio sobre a Tailândia baseado nos telegramas americanos, relativos ao país, que foram dados a conhecer através do que é conhecido como Wikileaks, e que por razões que poderão entender fizeram com que o seu autor, Andrew MaGregor Marshall, o numero dois da Reuters em Bangkok tivesse de pedir a demissão abandonado o país onde por certo não poderá voltar a entrar. O jornal inglês The Independent traz hoje um texto de Marshall onde ele explica as razões para tal.

A segunda razão é o facto de o Partido Democrata realizar hoje um comício que está a levantar muitas dúvidas a muitas pessoas. Será o ponto alto da campanha em Bangkok e vai ser realizado no local onde há um ano tanto aconteceu como a morte de dezenas de pessoas e o incendiar de muitos edifícios daquela zona. Estou a falar de Rajaprasong.
Nesse comício os pesos pesados dos Democratas irão falar e Suthep disse ir revelar a "verdade" sobre o que aconteceu em Maio de 2010. Recorde-se que o PM Abhisit em Outubro de 2010 constituiu uma comissão para apurar a verdade sobre o que ali se passou e esta comissão apesar de já ter produzido três relatórios para Abhisit, diz não ter conseguido terminar o seu trabalho devido à falta de colaboração de alguns dos sectores envolvidos nos incidentes.

Pelos vistos Suthep deveria ter transmitido à Comissão, nomeada pelo governo do qual é o número 2, aquilo que conhece e desse modo contribuiria eficazmente para a descoberta de toda a verdade facto essencial ao restaurar de confiança na dividida sociedade tailandesa.

Como já referi muitos sectores, inclusive do lado Democrata e da coligação que forma o Governo, já anunciaram a sua discordância temendo que o local do comício seja visto com o uma provocação e possa desencadear actos de violência que inclusive poderão levar à paragem do processo eleitoral em curso.

O partido da oposição e os "camisas vermelhos" já avisaram todos os seus apoiantes para se manterem afastados do local e não caírem em nenhuma armadilha que porventura possa estar a ser preparada por terceiras partes sempre tão interessadas em criar situações das quais se possam aproveitar.

Contudo familiares das vítimas de Maio de 2010 anunciaram que não tolerarão que Suthep venha acusar os que ali morreram de actos dos quais não são responsáveis, no entender desses familiares, que continuam a esperar que justiça seja feita.

Os ingredientes para agitadores se aproveitarem da situação estão criados e a polícia montou um forte dispositivo de segurança (sabendo-se quão eficaz isso tem sido no passado duvida-se que resulte se necessário) e o comandante do exército ordenou que os seus homens estivessem preparados subindo o nível do alerta de segurança. Foram inclusive movimentadas tropas para a capital.

Este comício tem a capacidade de ser um grande acto de Democracia, se todas as partes souberem o que é o respeito por esta forma de estar na sociedade, e assim saírem vitoriosos, quer os Democratas quer os seus opositores, ou pode acabar sendo o oposto e agravar ainda mais a divisão existente na sociedade.

Esperamos que prevaleça a primeira e que amanhã os Democratas se orgulhem do seu comício, do facto de terem transmitido a sua mensagem, sem abusar de outros, e que o Pheu Thai esteja de mente tranquila e satisfeito por ter, através do seu afastamento, contribuído para mais um passo no processo democrático e na reconciliação no país.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Planking na Campanha

Planking é a nova moda pelo país e chegou agora á política como forma de atrair os eleitores.

Depois de já gastas todas as promessas (algumas verdadeiramente loucas) a campanha, que está a entoar na sua fase final ganha algum colorido com a planking mania que vem enchendo páginas de jornais, revistas e a social-media.

O primeiro nestas coisas foi, como sempre, Chuwit, o candidato fora do sistema, que diz somente querer ser uma voz na oposição contra a corrupção, seja quem for o governo. Colocou no seu Facebook uma fotografia planking numa praia.

Planking é como que um jogo, com alguns perigos visto já terem morrido algumas pessoas na sua execução descuidada, com origem na Inglaterra mas que tomou a sua actual denominação e iniciou a febre na Austrália a fazer fé no Wikipedia.

Com uma campanha eleitoral um pouco morta já que todas as sondagens são claras sobre quem irá vencer o planking aparece como um raio de cor (mais uma) para a política.

Talvez o mais interessante neste momento na campanha é ver-se os partidos de dimensão mediana, partidos tidos por ser os essenciais para a formação de um governo, a perderem terreno e a serem de alguma forma esmagados pela luta que se trava entre o Pheu Thai e os Democrats nos círculos onde ainda pensam ser capaz fazer mudar as intenções de voto.

O país está a mover-se no sentido de um sistema bi-partidário que no fundo corresponde neste momento da vida do processo democrático tailandês na escolha entre um lado ou o outro. Não estão em disputa esta ou aquela política partidária mas a escolha entre o modelo de estado que é defendido pelo Pheu Thai thaksinista ou pelo Democrats situacionista.
É esta a grande batalha e Abhisit, reconhecendo ontem numa entrevista o atraso atribuído ao seu partido, vai jogar muito forte amanhã realinhando um comício no exacto local onde em Maio de 2010 se desenrolaram os mais sangrentos incidentes em Bangkok. Muita gente tem vindo a lume criticando esta decisão do partido como um acto que pode constituir uma provocação e desencadear violência e de entre os que levantam a sua voz estão algumas das mais proeminentes figuras da política tailandesa e parceiros de Abhisit na actual coligação governamental. Será uma cartada muito forte com graves riscos de poder ser um tiro nos pés mas também poderá vir a desencadear actos pela outra parte que façam levantar o moral das tropas de Abhisit. A seguir muito atentamente e com precaução.

Do lado do Pheu Thai a sua candidata a PM, Yingluck fez ontem 44 anos e continua forte quer nas sondagens quer na forma como vai fazendo campanha criando a noção de ser alguém capaz, ao contrário do seu principal adversário, muito próximo do "povo da rua" facto que está a fazer que pela primeira vez Bangkok deva votar por uma larga maioria "vermelho".

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Tailândia está em Mudança

As sondagens são o que são mas quando mostram consistência e tendências começam a ser mais credíveis.

É sabido, ainda que não seja público, que ontem "deu à luz" uma importante sondagem e coincidência ou não o General Comandante-chefe do Exército decidiu dar, logo após, uma entrevista de cerca de 40 minutos, falando sobre as próximas eleições, na Televisão e que foi retransmitida por dois canais nacionais.

Os jornais de hoje fazem eco dessa entrevista e ressaltam vários comentários feitos pelo General.

Referiu então que os eleitores têm que votar "na gente de bem", que não devem "votar como antigamente pois senão o pais não avança", deverão igualmente " não votar em candidatos apoiados por grupos no exterior", etc, tudo comentários tidos por serem um alerta face à constante tendência de subida do partido de Thaksin e à mais que provável vitória da sua irmã no dia 3 de Julho.

Esta teve ontem um dia de apoteose numa zona do país que não lhe é favorável, o Sul, e o facto de os jornais lhe dedicarem primeiras páginas e largos espaços está a ajudar e a impulsionar a campanha. Por seu lado, e pela primeira vez, Abhisit veio ontem dizer que se o seu partido tiver menos votos do que em 2007 (165 num parlamento de 480 deputados que agora foi alargado para 500) se demitirá do cargo de líder do partido Democrata aliás como há cerca de três semanas sugeriu o seu actual aliado Nevin Chidchob.

Também o partido Chart Thai Pattana, um dos aliados dos Democratas na presente coligação no governo que tem vindo nos últimos tempos a criticar Abhisit e os Democratas, decidiu que os seus dois membros que fazem parte do gabinete (Vice PM Sanan e Ministro do Turismo Chumpol) não comparecessem no conselho de ministros que ontem se realizou mostrando assim o seu distanciamento e o sentido do seu alinhamento após eleições de 3 de Julho.

Há uma convicção de que o Pheu Thai "já ganhou" a batalha eleitoral e, embora alguns ainda tentem os últimos cartuchos contra aquilo que no fim de contas vem acontecendo no país há muito (Thaksin Shinawatra e/ou os seus representantes ganharam as últimas 4 eleições realizadas no país desde 2001) o facto é que todos os olhos estão colocados nas forças extra constitucionais e naquilo que poderão ser os seus movimentos pré ou pós 3 de Julho.

A este respeito recomendo vivamente a leitura do artigo vindo hoje a lume no jornal The Nation e que é por si um sinal dos tempos e sinal de que as pessoas em geral adquiriram ao longo dos últimos anos uma consciência politica e social nova e diferente.

Recordo ontem mesmo ter me encontrado com um político de uma partido actualmente parte da coligação governamental, homem de cultura, diplomata e com 63 anos, portanto não um jovem da geração "social network", que me dizia quanto o povo em geral mudou nos últimos anos afirmando que aquilo que aconteceu em 2008, referia-se á formação do presente governo, não será possível acontecer neste momento. Dizia mais que o povo em geral quer transparência, justiça e clareza de processos de forma a ver o país avançar.

A Tailândia está em mudança acelerada e sem possibilidade de retorno.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Campanha

A campanha continua animada e colorida como não pode deixar de ser na política tailandesa.

Tenho reunido com os principais partidos e a coisa que mais me salta á vista é que todos falam do mesmo e esquecem o mesmo.

Todos falam de mais e mais benefícios para os eleitores. Até certo ponto até dá vontade ser eleitor neste país mas depois sabemos como, aqui como ali, as promessas eleitorais nada mais são do que isso mesmo – promessas para serem esquecidas quando já não for necessário o voto do povo.

As últimas sondagens vindas a lume ou melhor conhecidas "por debaixo da mesas" já que "não existem", refiro-me a sondagens feitas pelo exército e pela polícia, continuam a dar uma larga margem à candidata do Pheu Thai, a irmã mais jovem do fugitivo PM Thaksin Shinawatra.

Os Democratas que são a força dominante quer em Bangkok quer no Sul do país continuam a ver os resultados a descer e a sondagem da polícia dava que em Bangkok, onde actualmente o partido tem 30 deputados estavam à frente somente em 6 assembleias.

No Sul do país, de maioria muçulmana, o partido está a ter uma forte concorrência de dois pequenos partidos, O Mathubum liderado pelo general Sondhi B., autor do golpe de estado de 2006 e muçulmano e do Rak Santi do antigo Ministro de Thaksin Purachai o homem que é conhecido como o "Mr. Clean" pela sua aura de não corrupto. Ambos os partidos estão em crescendo e a roubar votos na base de apoio dos Democratas.

O PM Abhisit contudo diz-se confiante e, apesar de toda as sondagens que até ao momento apareceram darem maior número de votos à oposição, diz que o seu partido irá conseguir cerca de 210 deputados e será o número um no país. Como usa dizer-se a grande sondagem vai ser feita no dia 3 e essa será a definitiva pois essa será a que vai sair da contagem dos votos colocados nas urnas.

Entretanto a candidata do Pheu Thai, Yingluck está a fazer campanha no Sul do país, área onde o seu partido tradicionalmente não consegue bons resultados. Yingluck tem apostado, nas áreas onde sabe ter menos apoio, no facto de ser mulher apelando á solidariedade feminina para granjear as simpatias dos, neste caso das, votantes.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Morte ou Hibernação

A Comissão Nacional de Eleições acabou de anunciar que os cartazes de campanha do Partido da Nova Política o braço político do movimento amarelo PAD teriam de ser retirados de circulação num prazo de 3 dias.

Na realidade os cartazes são ofensivos para a Democracia pois, como se vê na imagem, equiparam os Deputados, representantes do povo e dos eleitores, com animais nada simpáticos o que aqui no país tem uma (má) conotação acrescida.

O PNP apela ao Não voto ou seja apela à não participação dos tailandeses num acto que se quer ser um exemplo da Democracia. Penso já ter relatado que aquando da assinatura do um documentos no Parlamento que é um compromisso de todos os partidos em participarem no acto eleitoral de forma digna e correcta, o primeiro partido a apor a sua assinatura no dito código de conduta foi precisamente o líder do PNP Somsak!

O PAD e o seu aliado PNP têm vivido tempos difíceis. Se bem que ninguém "dê por isso" o movimento amarelo continua a manifestar-se, desde o dia 25 de Janeiro, junto do palácio do PM. Contestam a "política de rendição perante o Camboja da administração Abhisit" e prometem só sair quando os "agressores" do país vizinho forem expulsos de todas as parcelas de território que, segundo o seu entendimento ocupam. O facto é que tal manifestação atrai presentemente menos de 100/200 pessoas e só a indiferença da polícia e a forma não confrontacional como estas questões são tratadas no país permite que por ali continuem. Mesmo o facto de há poucos dias ter como clama o movimento lançada uma granada para o acampamento ferindo uma mão cheia de pessoas não atraiu mais do que uma breve notícia nos jornais no dia a seguir a esse possível evento.

De igual modo as divisões existentes no seio do movimento são bem visíveis. Os casos mais evidentes são a acusação feita por Somsak, o líder do PNP, de que o secretário-geral quer do partido quer do PAD, Suryiasai Kantasila, se tinha apropriado de dinheiro do movimento e a ontem anunciada acção judicial que seria interposta por vários funcionários contra Somsak por falta de pagamento dos seus salários, são evidências das brechas existentes no movimento.

Para culminar ontem o Vice PM Suthep veio acusar o carismático líder do PAD Sondhi L. de estar agora do lado de Thaksin pois, segundo o entender daquele, o movimento apoia agora a candidata do Pheu Thai Yingluck Shinawatra.

Maus ventos a soprarem contra o PAD/PNP cada vez mais acantonado lutando sem objectivo. Os velhos tempos em que a luta comum contra o fantasma Thaksin atraía multidões está, pelo menos por agora, seriamente afectada até ao momento em que nova vaga possa fazer ressurgir o movimento e fundos o alimentem.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

As Cores na Politica

As cores têm grande importância na sociedade tailandesa.

Começa pelo dia da semana em que se nasce e a cor que lhe está associada mas passa por cores que são propícias para a saúde, para o trabalho, situação financeira, e como não podia deixar de ser o amor.

São quase sempre aquelas as receitas da ligação de influências astrais, numéricas, energéticas, e neste caso coloridas sobre o bem-estar e o "destino" na vida de cada um.

O Amarelo é (era?) a cor associada ao Rei Rama IX devido ao facto do monarca ter nascido a uma Segunda-feira dia marcado por essa cor. Todas as Segundas era bem visível o mar de amarelo que invadia o país e a grossa maioria das pessoas não esqueciam de se vestir com essa cor nesse dia em homenagem ao rei que tanto veneram e respeitam. Hoje em dia assim já não se passa não porque tenha desaparecido esse respeito e admiração mas porque outros factores interferiram na coloração do país.

A política tomou conta do espectro de cores e como nos últimos 5 anos as questões políticas se radicalizaram ao ponto de termos assistido aos confrontos e à violência que marcou as acções de grupos antagónicos o significado das cores acabou por sofrer com isso.

O amarelo, associado ao rei, foi a cor escolhida pelos manifestantes do PAD para marcarem o seu movimento e assim ficou associado a um dos pólos radicais do leque político. O vermelho por outro lado, dantes somente associado ao Domingo ou ao ano novo chinês, passou a ser a cor da revolta daqueles que se manifestaram contra o actual governo e em total oposição com os amarelos. O panorama político ficou assim profundamente dividido entre amarelos e vermelhos bipolarizando o sistema político e as preferências das pessoas.


Curioso notar a questão da pretensa oposição do vermelho à cor do rei, o amarelo, quando na realidade ele próprio o desmentiu uma vez quando afirmou que o vermelho era uma cor do seu agrado dando como exemplos o facto da princesa Mãe e da sua irmã, a Princesa Galyani, ambas sempre muito próximas do monarca, terem nascido num Domingo e, segundo disse o rei a sua irmã gostava muito daquela cor. O próprio pai do Rei, o Príncipe Mahidol de Songkla, tinha como alcunha "Daeng" que em tailandês quer dizer vermelho.

O facto é que a casa real teve de alguma forma se afastar daquelas cores, para que não se especulasse sobre favores para um ou outro lado e acabou por ser o próprio rei, numa das suas primeiras aparições depois de ter sido internado no hospital de Siriraj, a mostrar o "novo caminho" usando um casaco cor-de-rosa cor tida por ser banéfica para a saúde do rei.

Temos assim que a casa real tem vindo, suavemente, a deslocar a "sua cor" para o rosa cor que marcou as manifestações levadas a cabo por altura do 83 aniversário do rei no passado Dezembro.

Com a criação da bipolarização, vermelho-amarelo, no espectro politico acabou por ser o Partido Democrata do PM Abhisit de alguma forma a herdar a denominação de "amarelo" até porque o movimento do PAD quase que desapareceu. Para isso também contribuiu o facto de o Azul dos Democratas ter "mudado de mãos" quando Nevin Chidchob, o líder de facto do Bhum Jai Thai, apareceu durante os incidentes de Pattaya em 2009 à frente de uma milícia de "arruaceiros" todos eles vestidos de azul passando desde esse momento essa cor a estar associada consigo e com o seu partido em prejuízo dos Democratas que a ostentam há mais de 60 anos. Nevin de igual modo e talvez aproveitando a onda, "pintou de azul" o clube de futebol que comanda e possui. Quanto a este diga-se que o político fez construir na sua terra natal, Buriram, um estádio de futebol para o PEA-Thunder Castle, que é uma cópia do estádio do Leicester que detém em parceria com o dono das lojas francas tailandesas, e custou perto de 20 milhões de euros uma verba considerada astronómica para o meio futebolístico local.

Voltando ás cores acabámos no outro extremo por ter o Pheu Thai de Thaksin, que sempre usou as três cores da bandeira tailandesa, azul, vermelho e branco, a ficar catalogado como o partido vermelho cor que acabou mesmo por adoptar e marca a presente campanha.

O Chart Thai Pattana que dantes era um partido visível pela sua cor vermelha "teve" de fazer um pouco de maquilhagem na sua apresentação e, como não só é um partido que é capaz de se associar quer à esquerda quer à direita e o seu principal tema na campanha é a unidade e o fim às hostilidades entre as facções mais radicais da sociedade, acabou por escolher o rosa. Como por si o CTP não é polémico e o apelo à união é positivo não parece crível que a casa real tenha de empreender novo movimento de dissociação como o fez anteriormente.

A todo este espectro resta o verde que de alguma forma deveria ser uma cor associada a movimentos "limpos" ou de intenções ecológicas mas que é pouco usado e sempre com o máximo cuidado para não criar confusões com o verdadeiro significado da cor verde a cor dos militares.

Um verdadeiro arco-íris cheio de mensagens ocultas debaixo da coloração de cada um mas por outro lado bem agradável de ver tal como é o colorido de uma rua em Bangkok devido à multi-coloração dos táxis na capital.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Campanha

O Pheu Thai parece ter aprendido bem a lição para estas eleições e isso está a valer-lhe aparecer com uma confortável margem à frente em todas as sondagens que são publicadas.

A candidata a primeiro-ministro pelo "partido vermelho" tem vindo a ganhar popularidade e sabe muito bem usar as suas qualidades para granjear as simpatias dos eleitores.

Apresenta-se como uma mulher de negócios, afável, simples e com um toque "humano" que a diferencia muito dos tradicionais políticos. A sua beleza e frescura de mulher jovem ajudam fortemente e ela sabe muito bem explorar esse factor.

Abhisit tem vindo a acusar Yingluck da sua falta de experiência política como um factor que a impossibilitará de governar o país sem ter sempre por trás a mão invisível do seu irmão Thaksin. Abhisit está sempre a acusar que quem será o candidato a PM do PT será Thaksin e que Yingluck é só uma marioneta nas mãos dele mas tais argumentos cada vez vão convencendo menos os eleitores a crer na evolução dos dados colhidos pelas diferentes sondagens que têm dado Yingluck sempre a crescer.

Esta pelo seu lado, sem nunca ter respondido directamente a ninguém, e dessa forma evitando qualquer tipo de confrontação (quando há que "responder" quem o faz é o porta voz do partido ao passo que Abhisit tem caído nesse erro já por algumas vezes), continua com o discurso que tem preparado e fundamentalmente aponta ao futuro e á solução dos problemas das pessoas.

Ainda não se ouviu Yingluck falar de erros dos Democratas ou de virtudes dos governos do partido que agora lidera pois tem escolhido falar sempre da forma que, se for eleita PM, vai "resolver" os problemas que afectam os tailandeses. Indirectamente respondendo a Abhisit e á alegada falta de experiência política explora o facto de a maioria das pessoas considerar que o "mal do país" está associado á classe política. Dessa forma e apresentando-se como uma empresária de sucesso e capaz de fazer acontecer coisas aposta nesta característica como o factor positivo.

Nota-se que ao contrário das outras campanhas, talvez á excepção do Rak Prathet Thai de Chuwit, um pequeno partido que embora sem expressão nacional aparece com algumas possibilidades devido ao seu marketing político inovador, a campanha do PT deverá ter sido muito bem delineada por quem tem experiência de marketing político e fez um trabalho de investigação sério sobre como deveria ser conduzida a campanha.

Hoje o The Nation, um jornal muito próximo de círculos que apoiam o presente governo, traz na sua segunda página, a página de negócios, uma fotografia a toda a página de Yingluck, com um toque extremamente humano, encimada por um título onde se fala de que o que é importante para o sucesso do país é a confiança dos tailandeses e dos investidores pois só assim será possível criara postos de trabalho e riqueza. Tal poderia ser dito por qualquer presidente de uma associação empresarial e é dessa forma que Yingluck quer ser vista pelos eleitores.

Enquanto a maioria dos partidos em campanha vai insistindo na mesma tecla de acusação política, à esquerda e á direita, de trazer o passado para a campanha, Yingluck olha para a frente e tem o guião muito bem preparado e estudado.

Pena é que nem ela nem nenhum dos partidos se lembre de trazer para a campanha temas como os dos variados direitos das pessoas que de alguma forma estão cerceados sendo certo que há um crescendo interesse na sociedade por tais temas.

Poderíamos passar de uma campanha "tipo colgate" para algo mais sério e profundo mas infelizmente a política tornou-se um "negócio" e para isso é necessário conhecer todos os truques do marketing para "angariar mais clientes", e nesse capítulo Yingluck dá dez a zero à concorrência.