A Comissão Eleitoral mais uma vez mostrou como a sua actividade é conduzida por uma agenda política que nada tem a ver com os processos democráticos a que deveria presidir.
Muitos devem estar lembrados da luta que a Presidência portuguesa teve na altura para fazer ver dos méritos de uma missão de observadores às eleições de 2007, luta essa perdida pela União Europeia mas fundamentalmente pelas instituições e pela Democracia na Tailândia.
Nessa altura defendendo-se atrás de procedimentos burocráticos impediram que pudesse haver observadores durante o processo eleitoral. Inclusívé, utilizando a imprensa, lançaram uma campanha nacionalista afirmando que a UE pretendia fazer ingerência nos assuntos domésticos do país. Como por ventura estarão cientes a UE promove essas missões de observação em todo o Mundo, países comunitários incluídos, sempre que se entende, quer o país em questão quer a própria União, ser do interesse da Democracia acrescentar este pedaço de dignidade a um processo que é vital para se fazer ouvir, livremente a vontade dos povos.
A Comissão Eleitoral tailandesa tem sido um dos órgãos mais controverso neste regresso a processos democráticos após o golpe de estado de 2006, emitindo instruções e pronunciando decisões que são em muitos casos contrários aos príncipios da própria Democracia dos quais deveria ser um dos principais defensores.
A última dessas decisões foi a de atribuir ao Partido Democrata a maior fatia no subsídio estatal aos Partidos.
Como em Portugal, os Partidos que têm assento parlamentar, têm direito a um subsídio, vindo do Estado, atribuído e gerido pela Comissão Eleitoral.
A CE atribuiu ao Partido Democrata, o segundo maior Partido no Parlamento, o primeiro é o Phue Thai a terceira reincarnação dos partidos de Thaksin, a maior fatia dos 62,8 milhões de bath argumentando o Senhor Thanes Sriprathet, Director da CE que a divisão era feita tendo em conta os resultados das eleições de Domingo passado.
Assim daquele bolo os Democratas levam 33 milhões ou seja 52,5% quando têm 36,6% dos Deputados e mesmo tendo em conta os resultados das eleições intercalares de Domingo onde não foram o Partido mais votado visto dos 29 Deputados eleitos eles só obtiveram 7 ou seja 24%. O Partido mais votado no dia 11 foi o Chart Thai Pattana, a segunda vida do Chart Thay Party de Barnhan Silpa-archa agora aliado dos Democratas, com 10 Deputados em 29.
Quando se quer manipular os números para conseguir torpedear a verdade tudo vale e como já uma vez disse, aqui tudo é possível!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Comissão Eleitoral - Assim vai a Democracia
Pacote Económico (II)
Ontem alguns dos Ministros do novo Governo explicaram para uma audiência de cerca de 500 pessoas, a pagarem 80 Euros cada, excepto os muitos convidados, numa organização do Post Group, companhia que é a proprietária do Bangkok Post, o Post Today e a rádio 89.00.
Primeiro falou o Vice-Primeiro Ministro Kobsak Sabhavasu, líder da área económica sobre os traços gerais da política económica do Governo Democrata. A apresentação baseou-se no seguinte principio: O Ciclo viciosa criado pela crise do sub-prime na América e naquilo que apelidou o Ciclo Virtuoso que o governo pretende criar. Kobsak pôs todas as culpas na falta de confiança e de liquidez existente no mercado e na necessidade de injectar fundos para que estes por si possam gerar riqueza. Assim o gabinete vai atribuir a fundo perdido 2.000 bath por mês a todos os que tenham um fendimento mensal inferior a 15.000 bath, atribuir 500 bath por mês aos idosos e injectar outros valores no meio rural. Com alguma piada Kobsak disse que os que afirmam que o governo está a fazer uma política populista mostram estar atentos e saber o que o governo faz.
A seguir o Ministro das Finanças, colega em Oxford do PM e ex CEO do JP Morgan (Thailand), Korn Chatikavanij falou unicamente sobre política orçamental e a única questão relevante que abordou foi a eventual necessidade de o governo ter de alterar a lei que permita aumentar o nível de endividamento público visto só disponibilizar neste momento de um tecto de 39 mil milhões de bath que pode emitir em obrigações para se financiar. De resto esquivou-se sempre a responder a qualquer questão do foro político. Sendo Korn uma das maiores estrelas deste governo, pode dizer-se que brilhou pouco mesmo muito pouco.
A sessão da tarde terminou com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Kasit Piromya num discurso que por vezes levantou risos da audiência. Foi um elogio permanente ao PM e ao país chegando a afirmar que desde o início do ano a Tailândia está todos os dias nos grandes meios de comunicação social n do mundo. Vê-se que Kasit ainda se sente a falar nos palcos do PAD para incitar as "tropas" para uma qualquer causa mas para a audiência presente só conseguiu levantar risadas gerais. A mais gritante foi quando se referiu aos migrantes e trabalhadores ilegais no país ter afirmado que estes vêm das Filipinas e da Singapura. Aí então quase que levaria uma ovação pela melhor piada do ano. Curiosamente quando chamado a responder a perguntas Kasit mostrou ser um Diplomata, uma pessoa que sabe ler dossiers e responder de forma adequada ás funções que exerce. Referiu uma questão importante que é o facto de Burma sendo membro da ASEAN saber muito bem quais são os seus deveres como membro da comunidade internacional e que essa é a linha a seguir pela Tailândia como Presidente da associação.O prato forte do dia seria o discurso do PM após um jantar pelo qual ele nos fez esperar 80 minutos em que a audiência foi tratada a pão e água. Para quem é um líder de topo na roda internacional, como Kasit afirmou, esperava-se pelo menos um pedido de desculpas, mas não houve.
Abhisit é bem falante, politicamente instruído e habilmente preparado para responder ás perguntas que não foram muito embaraçosas, tirando uma que o deixou a gaguejar.
Mas pouco disse, como é normal, pouco acrescentando aquilo que se sabia de antemão. Reafirmou a sua convicção de que esta coligação está para durar, que é sólida que nem uma rocha e que desde que começaram a trabalhar o fazem como um corpo só. Refutou a acusação de que as medidas económicas que apresentou são só para preparar eleições onde os Democratas possam ganhar, reafirmando que está aqui para servir o país durante três anos e depois os tailandeses o julgarão. Voltou a afirmar a necessidade de se introduzirem reformas políticas no sistema, a forma que os Democratas encontraram para se referirem a uma muito necessária reforma constitucional sem a mencionarem explicitamente.
O ponto baixa da noite que provocou o tal gaguejar foi quando disse que o número de turistas que tinham chegado a Bangkok no período Natal/Fim de Ano de 2008 tinha sido superior ao de 2007. Alguém do sector do turismo refutou essa afirmação e Abhisit disse que queria dizer que o número de chegadas era superior ao do início do mês. Pior a emenda do que o soneto pois como todos sabemos no início do mês os aeroportos estiveram encerrados e portanto o crescimento de chegadas até deverá ter sido quase que 100% maior.
ma minha mesa estava a Chief Economist de um banco na Tailândia, tailandesa ela mesmo, e manifestou o seu desapontamento por não ouvir nenhuma medida que se referisse ao atacar as questões estruturais da economia, como a produtividade, a modernização e o investimento estrangeiro tão fundamental para esta economia que depende em 45% do seu PIB da indústria e essa é dominada por capitais estrangeiros.
Mesmo sem especulação política compreende-se, e aceita-se a necessidade de injectar dinheiro na economia real (pode discutir-se o particular das medidas) mas o PM deveria ter afirmado que sendo essa a prioridade inicial para repor o funcionamento do consumo e da máquina geradora de riqueza, após esse primeiro choque seriam tomadas medidas de fundo para criar valor e aumentar a produtividade na sociedade e foi isso que faltou para tornar o discurso ganhador.
Um comentário final. Abhisit disse que agora o país é um país onde a lei tem de ser respeitada, por certo comparava com o que se passou com o PAD em 2008, mas o único exemplo que deu foi que não tolerariam que os seus opositores atirassem ovos, a nova moda, ás suas caravanas. Senhor Primeiro Ministro falta, continua a faltar, uma condenação dos actos devastadores para o país cometidos pelo PAD durante meio ano em 2008. O pacote económico que agora a presenta e que o seu Ministro das Finanças diz ter alguma dificuldade em financiar, é exactamente do mesmo valor da destruição trazida para este país pelo PAD em somente 10 dias e isto segundo os cálculos do banco da Tailândia, como se sabe entidade sempre prudente, conservadora e nunca ao lado das anteriores administrações.
No dia em que se demarcar daquilo que o PAD fez de mal estará a dar um grande passo no sentido da conciliação que tanto apregoa e se deseja. mas não esqueçamos as flores que ele próprio sorridente ofereceu a Sondhi.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
O Pacote Económico

O Governo de Abhisi Vejjajiva apresentou ontem o pacote de apoio á economia numa sessão que acabou por ter mais criticas pela negativa do que pela positiva.
O total do pacote é de 116 mil milhões de bath, cerca de 2,5 mil milhões de Euros e é destinado essencialmente ás camadas mais pobres e aos meios rurais ao melhor estilo de Thaksin.
Comentários que hoje se liam na imprensa:
Este pacote económico é mais populista que todos os apresentados por Thaksin e por certo se bem aplicado fará com que os Democratas consigam convocar eleições ainda este ano e ganharem e passarem a ser o maior partido no país (vamos a ver o que dirá o Bhum Jai Thai que anunciou querer ser o maior Partido) - Bangkok Post
O oferecer dinheiro, a fundo perdido, para as pessoas de baixo rendimentos não trará nenhum benefício para a produtividade de país e no médio/longo prazo nada produz - Sompop Nanarungsan Economista da Universidade Chulalongkorn
O pacote económico do Governo vai por certo injectar dinheiro no país, aumentar o consumo, mas não ajudará a economia no longo prazo - Dusit Nontakorn, Câmara de Comércio Tailandesa.
O que nós queremos é que o Governo apresente medidas concretas que garanta os empregos para os tailandeses - Wilaiwan Sae-tia da Comissão de Solidariedade com os Trabalhadores Tailandeses.
O antigo Ministro das Finanças do governo militar do General Surayud, MR Pridiyathorn Devakula afirmou o seguinte: "Não consigo imaginar como é que o Governo apresentou um plano destes. Não quero dizer que não quero acreditar que ele saiu da mente de um doutorado em Cambridge ou Oxford". Vindo de quem vem esta é a mais demolidora crítica ao pacote que ontem na sua conferência no FCCT o PM disse que, com ele (pacote) pretendia pôr dinheiro nos bolsos dos pobres!!!!!!!
Mas o mais interessante comentário veio de Achara Deboonme a colunista diária do The Nation que num artigo de opinião intitulado "Pacote Economico Mergulhado na Confusão" em que ela relata a forma desorganizada e complexa como foi feito o anúncio, onde as contas não batiam certas, comparando-o com a conferência de imprensa que Samak deu aquando o seu governo atacava a crise petrolífera e no final se se fizesse as contas daquilo que tinha prometido faltavam enormes somas de dinheiro.
Também aqui, segundo escreve Achara a confusão era grande e a perceptibilidade das medidas difícil.
Achara termina comentando acerca da nomeação para Assessor da Ministro da Ciência e Tecnologia, a que anda a fechar os sítios de Internet, do líder do PAD Praphan Khoonmee. notando que com o êxito do marketing do PAD e o seu actual posto ele o poder a melhorar as suas apresentações de forma a que se tornem mais perceptíveis.
Este é o terceiro membro ligado á liderança do PAD que é nomeado para lugares no administração. O PM quando foi ontem interrogado sobre aquela nomeação disse que Praphan era membro do Partido (nós também sabemos em Portugal que isso é uma qualificação essencial) e que as actividades dele fora do Partido eram a título pessoal. Quanto às suas qualificações para o posto, Abhisit, depois de reflectir um pouco, disse " ele tem alguns conhecimentos". Acrescentou mais que não se deve julgar ninguém antes dos tribunais, o que é uma grande verdade, mas ao chamar os três lideres e activistas do PAD para trabalharem consigo o PM está, ele mesmo, a fazer um julgamento político de absolvição. Será que o sistema judicial se encontrar algo contra estes senhores vai contra o julgamento ético que o PM já fez?
Hoje o Genaral Jongrak Juthanont Vice-Comandante Supremo da Polícia disse que está quase pronto, depois de entrevistar mais de 300 testemunhas e visionar múltiplos vídeos, como se não bastasse ter estado de olhos abertos, o processo sobre a ocupação dos aeroportos e que em breve serão emitidos mandados de captura.
Sabendo o valor que têm os mandados de captura (entre Thaksin , a ex mulher e os 9 lideres do PAD o único que ao que parece é efectivo é o do primeiro) vamos a ver se estes atinge os alvos.
Thaksin está de volta ?
Na realidade ainda não regressou ao país e mesmo há muitos dias que nada é relatado acerca dele o que só reforça a ideia que parece haver algo que corre nos corredores sobre a possível amnistia que estará em preparação.
No momento da constituição do actual Governo referi ser ele um produto de três mentes: Anupong, Shutep e Nevin aos quais Abhisit ofereceu a face para ser a parte visível do icebergue. Na realidade todos têm relações com o fugitivo ex PM. Anupong foi seu colega na Academia Militar, ou seja camaradas de armas. Quando a mãe de Suthep morreu Thaksin foi o primeiro a estar junto do seu rival e desde esse momento ficou um respeito sempre manifestado pelo agora Vice-Primeiro Ministro. Nevin era, será que não continua a ser, o numero dois de Thaksin.
Na realidade confirma-se haver agora um novo protagonista, alguém que tem estado na sombra desde há uns tempos mas que emerge de uma forma clara de novo no panorama político. Refiro-me ao General Sondhi Bunyaratglin o líder do golpe de estado de 2006 que pôs fim à governação de Thaksin.
É sabido que apesar das divergências os dois mantém uma relação cordial e têm jogado várias vezes golfe depois de Sondhi ter passado á reserva. Ainda não há muito tempo foram vistos os dois no Médio Oriente, para onde o General se desloca frequentemente, em amena confraternização. Sondhi afirmou mesmo a sua simpatia por Thaksin numa entrevista dada faz tempos ao jornal The Nation.
Agora o General anunciou o seu retorno à vida política activa visto, e segundo as suas palavras, não ter completado o trabalho que iniciou com o golpe de Setembro de 2006.
Nesse sentido criou um Partido político Bhum Jai Thai Party, que diz não querer liderar mas somente servir como Secretário Geral e também que financiará do seu bolso (sic) o desenvolvimento do Partido. Sempre se falou nos "mentideros" sobre a origem dos dinheiros de Sondhi de alguma forma ligando-os a Thaksin.
Agora espantemo-nos quem vai aderir a esse partido e quais são os nomes tidos como candidatos á sua liderança.
Os primeiros aderentes a esse Partido são o chamado grupo dos "Amigos de Nevin", ou seja o conjunto de, actualmente, cerca de 40 Deputados que Nevin Chidchob controla. Logo após o golpe Nevin acusou publicamente o General de lhe ter roubado tudo e o obrigar a voltar para casa em cuecas.
Tudo isto não passa de balões que são lançados para testar a capacidade de avançar com um processo de amnistia para todos os políticos banidos do exercício de direitos políticos (incluindo ou não Thaksin) mas é pelo menos grande fonte de especulação o ver-se tão grandes inimigos, pelo menos para consumo externo, associarem-se com um objectivo que é pouco claro.
Entretanto as irmãs de Thaksin irão estar presentes na reunião do PTP para mostrar que o "Chefe" não os abandonou ou será mais uma cortina de fumo nesta tão complexa teia que se tem vindo a montar desde que o trio que referi ao início tomou o poder.
Só para finalizar há que referir que por detrás disto tudo estão os 76 mil milhões de bath, cerca de 1.8 mil milhões de Euros, de Thaksin que continuam congelados na Tailândia. Existe um processo para a nacionalização destes bens e o julgamento já foi adiado por três vezes, duas delas já com os Democratas no poder - 25 de Dezembro e 2 de Janeiro. Está agora agendado para 27 de Março.
Especulando, penso que há alguma vontade de devolver uma parte a Thaksin, redistribuíndo o restante pelos protagonistas em cena, a troco da sua rendição, ou seja do aceitar dos processos e o retorno ao país para cumprir uma pena simbólica.
Os sinais são por demais evidentes.
Entretanto Abhisit começa hoje a sua campanha de marketing com o discurso no FCCT. Amanhã será no Centara Grande e Segunda no Dusit Thani. Tal e qual Thaksin usava fazer desdobrando-se em eventos públicos onde fazia passear os seus dotes de orador e calar todos aqueles que o queriam criticar. Abhisit vai por certo enfrentar um conjunto de perguntas difíceis (sei já de algumas preparadas para esse efeito) sobre os casos da liberdade de imprensa que estão neste momento num ponto alto como a política de encerramento de sítios considerados abusivos (já vai em mais de 4.000, qual China) e os julgamentos em curso de três proeminentes figuras da comunicação social e da universidade.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Ramos-Horta

José Ramos-Horta, Presidente de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz em 1996 a par com D Ximenes Belo, Arcebispo-Bispo de Dili, foi o Primeiro Chefe de Estado a visitar o recentemente empossado Primeiro Ministro Tailandês.
Numa visita de 3 dias a Bangkok, Ramos-Horta mostra que continua a saber mexer-se muito bem nos fora internacionais.
Timor-Leste tinha tomado o primeiro passo de aproximação ao novo Presidente da ASEAN, a Tailândia, quando em Junho do ano passado nomearam o seu primeiro Embaixador na capital, o Embaixador João Freitas da Câmara, com o objectivo de acompanhar de perto a presidência e assegurar o apoio necessário para a almejada adesão em 2012. Aliás nos últimos tempos Timor-Leste, ao contrário do que acontecia previamente, tem-se feito representar, sempre ao mais alto nível, nas reuniões da ASEAN e da ARF onde detêm o estatuto de observador.
Ramos-Horta soube garantir as necessárias palavras da parte de Abhisit, ou seja o reconhecimento de que a mais jovem nação do Mundo está no bom caminho para se tornar no 11º membro da ASEAN em 2012.
A Tailândia sempre esteve bem próximo de Timor-Leste neste construir do país, visto agrupamentos militares tailandeses terem sido parte importante das forças da UNTAET durante vários anos. Esses destacamentos foram comandados pelo actual CEMGFA, General Songkiti Chakabata, e pelo anterior, o General Bonsang Niampradit, que aliás escreveu um interessante livro relatando, em forma de diário os seus mais de 400 dias em Timor-Leste.
Ramos-Horta aproveitou igualmente para assinar um protocolo com a companhia PTT, a principal petrolífera tailandesa, protocolo esse que permitirá levar para Timor-Leste assistência técnica tão necessária para o diversificar das fontes de colaboração no campo da exploração das reservas no Mar de Timor.
Igualmente aproveitou para fazer ouvir a sua voz na causa Birmanesa. Ramos-Horta, que sempre se mostrou solidário com a também Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, não diexou de criticar a comunidade internacional, com ênfase nos Estados Unidos e na União Europeia, pela política de sanções ao regime militar que controla o país com mão de ferro.
O Presidente de Timor-Leste apelou a uma melhor compreensão para o processo de democratização no país fazendo ver que sem os militares, como em muitos outros países na região, não será possível levar a cabo a transição tão desejada para um regime democrático e respeitador dos Direitos do Homem.
É uma declaração de quem muitas horas passou nos corredores da Nações Unidas e de quem conhece em profundidade as realidades asiáticas e a forma distinta de lidar com elas. Para além disso é uma declaração bem pensada no tempo já que sucede ao encontro dos Ministros dos Negócios Estrangeiros tailandês e birmanês, Kasit Piromya e Kyaw Thu respectivamente, em Bangkok.
Sendo-lhe difícil falar em Napidaw, devido ao continuado apoio manifestado á causa de Aung San Suu Kyi, Ramos-Horta conseguiu desta forma construir uma ponte, elegante, sem trair os seus príncípios e capaz de garantir apoios para o seu país.
O Melhor do Mundo
Cristiano Ronaldo acaba de receber ontem na Opera House (!)em Zurique a única nomeação que ainda lhe faltava neste longo rosário que é ser o melhor futebolista da actualidade.Campeão inglês, no mais competititivo campeonato, campeão europeu, campeão mundial de clubes, melhor marcador inglês, melhor marcador europeu, Balon d'Or, melhor jogador do ano em Inglaterra, jogador europeu do ano, etc, etc.
Tudo isto conquistou Cristiano Ronaldo na época 2007/2008 e era impossível ter rival para o trono que há muito lhe estava destinado.
Como Sportinguista, e ex Dirigente ao tempo em que ele esteve connosco, sinto um grande orgulho por mais um dos frutos das escolas do SCP ter conseguido subir tão alto seguindo o exemplo de outro "lá feito", como é o caso de Luís Figo, mas há que atribuir também grande mérito ao seu clube actual que sabe desenvolver os diamantes ainda em fase de lapidação para lhes dar mais brilho. Clube e colegas, pois sem eles Ronaldo nada conseguia fazer.
Pena que a todos estes merecidos títulos Cristiano Ronaldo não pudesse ter, para alegria de todos nós, acrescentado o de Campeão Europeu de países mas a nossa prestação no Euro 2008 ficou aquém do que todos gostaríamos.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Eleições na Tailândia
As eleições para a maioria dos lugares vagos no Parlamento (no próximo dia 25 haverá a eleição em Nonthaburi para mais um lugar) após a dissolução de três dos Partidos da antiga maioria e da consequente cassação dos direitos políticos dos seus dirigentes.
Outra eleição foi a do Governador de Bangkok visto o anterior, eleito recentemente em Outubro, Apirak, actual Assessor do Primeiro Ministro, se ter demitido no seguimento de ter sido acusado de corrupção num caso envolvendo a compra de carros para os bombeiros na capital. Ganhou MR Sukhumbhand, um aristocrata até á pouco membro do gabinete sombra de Abhisit.Em ambas as eleições o Partido Democrata saiu vitorioso. Na eleição legislativa intercalar a principal vitória dos Democratas foi o facto de terem conseguido ganhar sete lugares antes ocupados por outros Partidos e por outro lado verem o Partido da Oposição, que representa os interesses aliados a Thaksin, perder posições, inclusive em algumas das suas praças fortes. Continua, o agora denominado Puea Thai, contudo a deter 199 dos 480 Deputados no Parlamento. No The Nation de hoje a única fotografia que aparece na primeira página é a da ex mulher de Thaksin a dirigir-se para uma assembleia de voto onde se vê quatro crianças fazendo com as mãos os sinal que os tailandeses usam para dizer "I love You". Nem uma do PM ou do novo Governador e sabe-se como o The Nation tem sido o campião da luta anti-Thaksin na imprensa. Intreressante!
A maioria parlamentar da coligação no Governo amplia-se o que dá ao PM Abhisit algum descanso e maior capacidade para enfrentar os problemas que se lhe colocam. O único senão que poderá ter com esta vitória é o facto, do Chart Thai Pattana (o novo nome do banido Chart Thai) já ter anunciado, querer rever a atribuição de lugares no Governo visto ter sido o Partido que mais ganhou nas eleições de ontem e se sentir fortalecido.
Estas eleições ficam marcadas contudo por uma decisão do Supremo Tribunal Constitucional no mínimo "estranha" para ser simpático com a palavra que uso.
Tinha sido apresentada uma queixa contra os candidatos do Chart Thai Pattana alegando que estes não reuniam as condições para concorrer visto não estarem inscritos no Partido há 90 dias como manda a Constituição. Aliás Barhan Silpa-archa, o todo poderoso político de Supham Buri e "dono " do Chart Thai, afirmou no dia 3 de Dezembro, que não se tinham preparado com a criação de um novo Partido visto nunca terem acreditado que o Partido viesse a ser dissolvido.
Só então foi criado, a 12 de Dezembro, como se pode ler em toda a comunicação social, o Chart Thai Pattana.
Os candidatos que se apresentaram aos eleitores alegaram contudo que o Partido tinha sido legalmente criado a 10 de Outubro, portanto em tempo, contrariando a todas as afirmações pelos próprios produzidas, e o Tribunal Constitucional, alegando contudo que não podia provar os factos contra (como se lê, expressamente, no acórdão) dá razão aos candidatos e assim eles ganharam 10 lugares que seria ganhos por outros Partidos se a decisão tivesse sido transparente.
O meu amigo Miguel dá uma versão completamente diferente, e emotiva, dos resultados, como seria de esperar, à qual só queria acrescentar alguns pontos.
A coligação no poder não ganhou 20 mas 19 lugares. O 20 será muito provavelmente no próximo dia 25 em Nonthaburi visto ser um antigo lugar Democrata. A actual oposição não está acantonada. Continua a ser o Partido com maior número de Deputados no Parlamento. O Partido que lidera a actual coligação continua a ser o segundo maior Partido.
Por fim para chamar ao actual grupo lider no país de coligação monárquica (os bons), por oposição à anterior coligação que o não seria (os maus), há que ver que esta coligação só existe porque 122 Deputados que actualmente a suportam, estavam do outro lado da barricada ainda á um mês atrás e todos sabemos, Miguel incluído, porque é que eles mudaram de lado. As pessoas e os grupos não podem ser apelidados e destituídos desses títulos assim tão fácilmente.
Uma coisa é certa o novo PM, Abhisit, é um homem de outra estirpe e com outra postura e oxalá consiga levar o país por novos caminhos mas a caricatura que aparecia no Sábado, Dia das Crianças, num jornal onde se via Abhisit, alcunhado o "dek sen" (o menino que tem um padrinho) sendo levado a passear pelos "papás", Suthep e Nevin, não era um bom sinal.
Frio
Pela primeira vez desde que aqui estou tenho sentido frio. No Sábado jantei com uns amigos portugueses á beira do rio, e estava aquilo que se pode chamar "um briol" com uma brisa sobre a água que deveria trazer a temperatura para uns meros 12-15º.
A minha amiga tiritava de frio ainda que envolta numa pashmina e o outro amigo, para sorte dele com um casaco, teve de virar a gola para cima para se proteger.
Assim está esta cidade onde em 2006 a temperatura mais baixa registada foi de 19º.
Os efeitos das alterações climáticas manifestam-se por todo o lado como pode ser observado por todos em Portugal e no sul da Europa na semana que passou.
Aqui ficam algumas fotos do Frio.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O Orçamento e a Tailândia no Mundo

Ontem o Banco da Tailândia apresentou as suas conclusões dos danos sofridos pelo país com a ocupação dos aeroportos durante 10 dias no final do ano e tal estudo aponta para o número astronómico, e sabe-se bem quanto os bancos centrais são conservadores, de 290 mil milhões de bath, o que ao câmbio de hoje representa um pouco mais de 6 mil milhões de € e por outro lado é 3% do PIB da Tailândia. Os jornais fazem eco também das palavras de um diplomata Japonês acreditado na capital referindo a necessidade de o país fazer "um grande esforço" para recuperar turistas e investidores. Refira-se que o Japão é o maior investidor no país com mais de 6.000 empresas instaladas e com uma forte componente na indústria automóvel na sua generalidade, carros peças e acessórios.
Uma fatia importante do orçamento dos Ministérios do Turismo e do Comércio é dedicada precisamente a tentar recuperar ambos os turistas e os empreendedores tão necessários para desenvolver o sector exportador. Refira-se aqui, e como uma novidade no orçamento neste sector, o facto de o Governo ir dedicar parte de sua atenção aos tailandeses residentes no estrangeiro, como se sabe sempre uma fonte importante de atracão de exportações para os países onde se instalaram. Anteriores governos pouca ou nenhuma atenção tinham dado a este sub-sector.
Um dos aspectos cruciais nesta batalha para restaurar credibilidade vai ser a realização da cimeira da ASEAN, já adiada e que tem andado "em bolandas" com constantes mudanças de localização e data.
Acabou ontem de ser confirmada a sua realização para 27 de Fevereiro até 1 de Março em Hua Hin, a estância costeira a três horas de Bangkok, mas a cimeira vai ficar "coxa" visto não ter sido possível associar a ela, como de costume, as reuniões ASEAN+3 e ASEAN+6 que constituem outras importantes plataformas nas quais a organização tenta ter um papel de liderança.
Hoje no Bangkok Post Achara Ashayagachat, uma das mais conceituadas jornalistas no país, num artigo com o título " ASEAN is perplexed but understanding" alertava ser esta a última oportunidade que o Governo tem para regressar ao pleno convívio das Nações.
Contudo muitas nuvens existem ainda no ar e apesar da mudança de local da cimeira, com medo de problemas criados pela UDD, esta já anunciou que irá mobilizar as suas forças para Hua Hin para perturbar/impedir o funcionamento da cimeira.
Noutro artigo, desta vez no The Nation, alertava-se o governo para o facto de se não tomarem nenhumas medidas punitivas contra as acções do PAD no passado e responsabilizarem este movimento e os seus lideres pelos danos causados ao país, estarão implicitamente a abrir as portas para que a UDD utilize os mesmos meios e tácticas devido à impunidade de que, no passado, semelhantes actos beneficiaram.
Abhisit, entretanto vai se desdobrando em preparações para apresentar publicamente o seu programa de estímulos para a economia, ontem descrito através da imprensa. Na realidade na próxima semana o PM vai falar em três Forums, em dias consecutivos, e tenho informação de que um quarto está já em preparação, desta vez para os empresários. Embora o pacote de medidas anunciadas se destine, fundamentalmente, aos meios menos favoráveis aos Democratas, numa clara tentativa de "matar dois coelhos com a mesma cajadada", os problemas que afectam os mais desprotegidos e desviar os seus corações de "amar" Thaksin, as apresentações serão feitas primeiro à elite de Bangkok no FCCT depois a quem pagar 3.500 bath por lugar num grande Forum organizado pelo Bangkok Post na capital e por fim aos convidados do Board of Investment, na realidade o mesmo conjunto de pessoas para os três dias, excepto a imprensa estrangeira que só irá ao FCCT visto poder colocar questões.
Duro trabalho espera a equipa governamental e como se sabe destruir uma imagem dura um segundo mas construí-la ou refazê-la pode durar uma vida.
É este um desafio crucial para esta governação.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Acidentes na Estrada

Portugal é sempre considerado como um dos países onde há mais acidentes nas estradas na Europa e tal, infelizmente, é verdade.
Pasme-se contudo com os números na Tailândia.
Desde 30 de Dezembro até Domingo 4 de Janeiro, altura de grandes deslocações devido aos feriados dos dias 31, 1 e 2, houve na Tailândia o astronómico e horrendo número de 335 mortos e 3.810 feridos devido a acidentes nas estradas. Há contudo que entender que no país existem cerca de 65 milhões de pessoas e um elevadíssimo número de carros e de motos. Cerca de 44% dos acidentados envolveu jovens com 25 ou menos anos de idade o que torna as estatisticas ainda mais penosas.
As principais causas foram, como seria de esperar, o álcool, 41% do total de acidentes, os tailandeses não são parcos na bebida, e a velocidade. Refira.se aqui que é proíbido vender bebidas alcoólicas nos postos de abastecimento nas estradas mas foram detectadas inúmeras violações a esta lei.
Os principais afectados foram os motociclistas, sempre vulneráveis visto o para choques ser o próprio corpo. Uma impressionante percentagem de 84% dos acidentes ocorreram com veiculos motorizados.
Mas espante-se estes números representam uma melhoria comparando com igual período de 2007 na ordem dos 10% e um facto é que as estradas são de qualidade bastante boa (67% dos acidentes ocorreram à noite e em rectas) só que os carros são muitos e os cuidados com a segurança inexistentes como também ficou demonstrado no caso do incêndio na boîte no fim do ano.
Sobre o Santika a situação é ainda um pouco confusa visto ter recebido ao início desta tarde uma lista da polícia de Tonglor que dava conta de ainda existirem 31 corpos não identificados e não o reduzido número que antes se referia. Noutro documento lê-se que a causa de praticamente todas as mortes foi a intoxicação respiratória devido ao facto de o revestimento da boîte ser feito de materiais altamente tóxicos. Os médicos legistas afirmam que mesmo aqueles que sobreviveram, mas aspiraram grandes quantidades de gases, correm sérios riscos de verem os seus pulmões rebentarem mais tarde.
O sector da segurança é uma das áreas onde, em geral na Ásia, existe ainda um muito longo caminho a percorrer.
Coisas da Justiça

Ruangkrai Leekitwattana é um dos 74 Senadores que a Constituição entende que devem ser nomeados e não eleitos como os restantes. Estes Senadores funcionam, dentro do Senado como que um tipo de câmara Corporativa visto representarem, embora que não formalmente, vários sectores da sociedade.
Durante todo o ano de 2008 foram bastante activos e notados pela forma como sempre se aliaram ao movimento do PAD e atacaram constantemente os governos pró Thaksin formados na sequência das eleições de 23 de Dezembro de 2007.
Ruangkrai, um Jurista e diria, purista, a par de M. R. Pryanandana Rangsit, uma aristocrata multi-milionária, têm sido particularmente activos em tentar acusar os governos desde o início do ano passado em todo o tipo de casos em que supõem haver indícios de irregularidades quer nas pessoas quer nos processos.
Assim se passou todo o ano de 2008.
Ontem Ruangkrai, apresentou uma queixa na Comissão de Eleições contra o actual Governo solicitando investigação no processo de constituição do mesmo que ele acusa de irregular. Nada mais do que o que este Dom Quixote fez contra os governos de Samak e Somchai.
Inesperadamente e com urgência nunca antes exibida a Comissão de Eleições decidiu investigar se este Senador obteve o seu lugar de acordo com os preceitos constitucionais visto "haver dúvidas se a organização que o propôs dispõe do necessário suporte constitucional", assim reza a nota agora emitida.
Pois é!!!
Entretanto hoje na imprensa tailandesa, Krungthep Turakit, citando um dos Vice-Primeiro Ministros, Sanan, afirma que ele propôs que os membros dos organismos de controlo da Democracia, como a Comissão de Eleições, Comissão Contra a Corrupção, etc, deveriam ser nomeados pelo Conselho Privado do Rei. A base desta afirmação está no facto de sendo uma das instituições mais venerada no país, e com grande exposição teria todo o cuidado na escolha dos nomeados de modo a não correr o risco de "se enganar".
Parece-me que a sugestão traria uma enorme transparência para o sistema visto passar a ser visível a mão que está por detrás das nomeações, e a transparência sempre foi de elogiar.
Liberdade de Imprensa
A Associação dos Jornalistas Tailandeses (TJA) emitiu um comunicado onde considera o ano de 2008 como um pesadelo para o exercício das funções dos seu sócios.O comunicado refere 10 pontos que passo a transcrever:
1) O assassínio de dois Jornalistas do Matichon mortos aparentemente por causa de artigos que escreveram. Os assassinos continuam por identificar.
2) O contínuo abuso verbal do ex PM Samak perante os jornalistas.
3) O "pedido" de Samak para que os jornalistas alinhassem com o Governo contra o PAD depois da ocupação de Government House.
4) Intimidação verbal e física sobre jornalistas por parte do PAD/UDD
5) O abuso de controlo sobre os meios de comunicação estatais para que servissem os interesses do gabinete instalado.
6) Os ataques violentos por manifestantes às estações NBT, TBPS e ASTV.
7) Acção por parte da companhia Tesco/Lotus contra jornalistas pedindo 100 milhões de bath em virtude de artigos que escreveram.
8) A morte de 6 membros do jornal Thai Rath no Sul do país. Um morto num atentado e outros cinco num acidente quando ia assistir ás cerimónias funerárias do colega.
9) A permanente retirada de programas do ar quando estes não agradavam as vozes dominantes.
10) O facto de os jornalistas que usavam T-Shirts com a frase "Intimidating the media Intimidating the people", terem sido proibidos de estar presentes nas conferências de imprensa do Governo.
A tudo isto há a acrescentar a prisão do jornalista Australiano Harry Nicolaides e a acusação do correspondente da BBC, Johnathan Head, ambos por crimes de lese majeste.
De igual modo a edição do The Economist, um dos mais antigos (Setembro de 1843 sem interrupção) e respeitadas revistas do Mundo, do início do mês de Dezembro que fazia capa com um artigo sobre o papel da Casa Real na actual crise no país, segundo a versão oficial, não foi distribuída visto o importador assim ter entendido.
Acrescente-se a isto o facto de terem sido bloqueados 2.300 sítios na net e o governo estar à espera de autorização do Tribunal, um mero pro forma, para encerrar outros 400.
Hoje mesmo o Bangkok Post no seu editorial e pela pena do seu director lamenta e condena veementemente que a nova Ministro da Informação e Tecnologia, Rananongrak Suwanchawee, tenha anunciado como a sua primeira prioridade a censura da Internet. No primeiro dia em funções a Ministro chamou ao seu gabinete os Directores do Ministério e transmitiu, sem equívocos (nas palavras no editorial) claras instruções sobre o que deveriam fazer nesse sentido. A Senhora Ministro está neste momento a preparar a alteração do Computer Crimes Act de tal modo que permita bloquear acessos sem autorização judicial e solicitou ao governo 92 milhões de bath para estabelecer um war room que permita uma mais rápida pesquiza de sitíos considerados hostís.
No editorial Pattnapong Chantranontwong, apela à abertura de um debate sobre a liberdade da imprensa lembrando que o antigo Ministro também levou a efeito semelhante política com o efeito contrário visto que os sítios de web que foram bloqueados tinham poucos visitantes até ao momento em que os Ministros decidiram "dar-lhes vida" ao apontarem as suas armas contra eles. Ficou claro que muito mais pessoas se interessam pelos conteúdos somente após a "publicidade gratuita" que obtiveram da parte dos governos tailandeses. Esse facto por si mostra que a política carece de efeito e é tão somente usada como publicidade interna e como oportunidade para mostrar que o Ministério está atento "defendendo a cultura e as tradições no país", afirma o articulista.
Pattnapong termina afirmando o cariz fundamental do Ministério como fomentador do desenvolvimento da educação e do conhecimento e que a Ministro faria melhor em criar um método democrático e transparente para todos. Um saudável debate público deve decidir existe um risco real que obrigue a solicitar ao Tribunal um ordem para bloquear um conteúdo (sic).
Vamos lá decidir quem vai levar o Prémio Sakharov, se a Ministro ou o Editor do Bangkok Post!
Uma nota pessoal. Não consegui aceder ao sitio dos Repórteres sem Fronteiras.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Programa do Governo (II)
Como já referi o Primeiro Ministro Abhisit Vejjajiva apresentou o seu programa de Governo no dia 30 de Dezembro numa improvisada sessão no Ministério dos Negócios Estrangeiros que foi objecto de uma queixa da Oposição, ausente da sessão devido a não terem sido regularmente convocados os Deputados segundo alegam, ao Tribunal Constitucional. Devido à sua importância aqui deixo os pontos principais do documento de 52 páginas na sua versão em Inglês.Irei referir somente os considerandos, visto eles traçarem o pano de fundo da actual situação política, social e económica no país e os principais objectivos através dos quais o Governo pretende fazer-lhes frente.
Considerandos:"The impact of this global economic slowdown on the Thai economy has come faster than many had anticipated. The value of our exports in US dollars fell by 18.6 per cent in November, while the quantity declined by 22.6 per cent. The number of tourists in September shrunk by 16.5 per cent compared to the same month last year. The value of investments under promotion during the past 11 months fell by around 40 per cent. The construction sector continues to contract. Government revenue from taxes and other sources in 2009 is expected to decrease by 10 per cent from the previous estimate.
In addition to those issues which need urgent attention, the Government will attach importance to the country’s long-term fundamental weaknesses, as these cannot be ignored. At present, Thais have an average of only nine years of compulsory basic education, which is less than the average of Asian countries at ten to twelve years. Problems in the quality of education have caused students’ educational achievements to remain below standard in important subjects, such as Thai language, English language, mathematics and science. Meanwhile, Thai people today live longer but are experiencing more health problems. Our senior citizens are afflicted with hypertension, diabetes and heart disease, all of which require continuous care and expensive treatment. Safety of life and property remains a major challenge for Thai society; so does the problem of drugs abuse. The accelerating degradation of our natural resources and the environment, in both urban and rural areas, has directly affected the quality of life of the people as well as our national competitiveness.
The Government will therefore implement its policy in various areas in parallel with addressing the country’s urgent problems, so as to achieve sustainable development of the country. These include, among others, preparation for an ageing society; climate change and global warming; food and energy security; building of a knowledge-based and creative society; poverty alleviation and income disparity; development of good governance, rural development and decentralization of administrative powers; as well as promotion of Thailand’s role on the international stage; enhancement of economic linkages with other countries in the region, and peaceful development cooperation with our neighbouring countries."
Abhisit é um conhecedor da situação económica e social e portanto capaz de fazer uma análise clara das grandes tarefas que se colocam na sua frente. Igualmente sabe bem quanto tem custado ao país a divisão na sociedade e a consequente instabilidade política em que se tem vivido desde os finais de 2005.
Para enfrentar o cenário que traçou, realista e cheio de desafios anunciou quatro políticas base:
This Government considers it our foremost mission to lead Thailand through the current global economic crisis towards sustainable growth, to heal social division and ensure for Thais a better quality of life, to put an end to the political crisis and undertake political reform consistent with the system of democratic governance with the King as Head of State. To this end, the Government will undertake its actions based upon the following four basic guiding principles:
"Firstly, to protect and uphold the Monarchy in its role as the centre of national unity and harmony among Thais, to enshrine the Monarchy in a position of reverence above all forms of political conflict; and to take all necessary measures to prevent any infringement of the royal inviolable position;
Secondly, to foster reconciliation and harmony on the basis of righteousness, justice and concurrence of all sections of society;
Thirdly, to rejuvenate the economy and ensure its sustainable growth, while alleviating negative impact of the economic condition faced by the people;
Fourthly, to further develop stable democracy and political system, and ensure compliance with the rule of law, and enforcement of laws on the basis of equality, justice, and universally accepted norms."
No seguimento do seu discurso de mais de 2 horas o PM desenvolveu estes pontos mas acabou por se focar fundamentalmente nas questões económicas e num pacote de medidas no montante de cerca de 8,7 mil milhões de USD fundamentalmente dirigido a restabelecer a confiança no sistema bancário e na capacidade dos bancos emprestarem dinheiro aos sectores mais afectados pelos efeitos no país da crise económica internacional. De igual modo foram retomadas um largo conjunto de medidas, postas em prática pelos governos de Thaksin através do reforço da regionalização e das respectivas Administrações e da canalização de fundos para as comunidades rurais especialmente no Nordeste do país.
Uma palavra para referir o facto de ser restaurada fundamentalmente a política de Thaksin para o conflito no Sul do país que não teve grande sucesso. Sendo os Democratas largamente dominantes nesta zona do país, e no momento em se viu aumentar significativamente os ataques após a tomada de posse do Governo, sendo este período já o pior de sempre neste conflito que em mais de 4 anos já fez cerca de 4.000 mortos, esperava-se a implemantação de uma política inovadora e mais baseada nos grupos locais e não na criação da uma Agência para o Sul como em tempos já foi experimentado.
Entretanto o braço direito de Abhisit e Secretário-Geral dos Democratas, Suthep está encarregado de mediar com Thaksin o seu retorno ao país uma medida tendente a trazer acalmia e paz para todos. Suthep, foi em tempos próximo de Thaksin, aliás como a maioria dos políticos, tendo sido mesmo convidado para SG do Thai Rak Thai o primeiro Partido daquele.
Agora resta observar a capacidade de implentação destas medidas mas nada será conseguido se não se encontrar uma formula para conciliar o grosso das questões que divide os tailandeses, que muitos colocam como a questão monarquia-républica, o que é uma visão errada visto os tailandeses serem incondionalmente a favor do seu Rei.
A questão está em encontrar uma forma de elevar o nível educacional e social no interior do país, atenuar as diferenças entre uma elite urbana excepcionalmente rica e uma população rural pobre e obrigada a migrar à procura dos empregos mais degradantes nos centros urbanos, tornar a governação limpa e responsabilizável, fazer com que as pessoas acreditem na justiça, e fazer com que os militares consigam conciliar o seu voto de obediência à monarquia com a simultânea obediência a um poder político democraticamente eleito sem a qual a eminência de golpes e interferências daqueles que detêm as armas destroi as capacidades que a Democracia tem para oferecer ao povo e ao país.
Tem a palavra Abhisit e o seu Governo mas também a Oposição e as outras forças no país para que seja levada a bom porto esta nau que navega em mares difíceis.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Fim do Ano
Vientiane por outro lado é uma cidade tranquila, pequena com pouco mais de 200.000 pessoas e capital de um país, que apesar de estar em 151 lugar na classificação dos países por PIB nominal per capita, tem um sorriso bem sincero nas faces dos seus habitantes.
A capital. na margem do rio Kong (normalmente chamado por nós Mekong), mesmo do outro lado de Nong Khai, capital da província Tailandesa com o mesmo nome, tem imensos traços da passagem dos franceses pelo seu país, nos letreiros das ruas, nos nomes dos Ministérios, na grande quantidade de restaurantes franceses, e mesmo na língua que apesar de ser muito semelhante ao tailandês tem nalguns sons lembranças da colonização francesa.
A história do país mistura-se muitas vezes quer com a Tailândia quer com o Vietname.
Nos anos do Reino Lan Xang, o reino dos mil elefantes, a partir do século XIV parte dos territórios que hoje são Tailândia, como o Norte e o Nordeste, eram território reclamado pelo Rei Somdetch Brhat-Anya Fa Ladhuraniya Sri Sadhana Kanayudha Maharaja Brhat Rajadharana Sri Chudhana Negara, mais conhecido por Fa Ngum (nome hoje dado à avenida que ladeia o Kong), rei que veio a morrer onde hoje é a província tailandesa de Nan. Fa Ngum reinava desde aquilo que hoje é a China até aos campos de Champasack, fazendo por vezes algumas incursões até Angkor. Durante o seu reino o Reino de Lan Xang era o maior desta região.
Muito mais recente é a relação com os Vietnamitas que atinge o seu auge no século XX durante os anos das lutas comunistas que assolaram o Laos e o Vietname. Ainda hoje existem várias zonas do país crivadas de minas lançadas por ar pelos americanos durante a guerra contra os comunistas do Vietcong que se serviam do Laos como retaguarda da sua batalha contra o "imperialismo" americano.
No Museu Nacional do Laos podem ver-se essas várias etapas da vida do país até aos dias dos camaradas que actualmente lideram e ao grande apoio dos lideres dos países comunistas amigos, assim reza o que se vê na última sala do Museu.Como sempre na Ásia o pragmatismo prevalece e apesar de estarmos num país comunista o que mais interessa são os objectivos imediatos e as relações principais hoje em dia são com os "suspeitos do costume". Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália, China e Coreia (do Sul entenda-se que a do Norte fechou a sua missão aqui). No fim de contas são este grupo de países aqueles que pode comprar os bens que o Laos produz, e que pode atribuir a tão necessária ajuda humanitária para a construção de escolas, hospitais, etc.
Comunistas à parte não deixei de ver um Hummer e um Lamborguini e as matrículas eram do Laos não de outro país qualquer. É de certeza um mal sinal pois quem trabalha honestamente neste país não consegue ter dinheiro para tanto nem mesmo para encher um depóstito de gasolina para aqueles "cavalos" todos.
Vientiane, bem como o Laos, são bem merecedores da nossa visita e revisita pela sua naturalidade e simpatia e o facto de uma pessoa se sentir bem ali. Pouco há para fazer mas tem o encanto de se estar num sítio que é um grande contrastaste com o reboliço de uma metrópole como Bangkok. Encontrei contudo uma livraria de muito boa qualidade para além de outras, várias, mais pequenas, sinal de que existe hábitos de leitura na terra.
Enfim, uma entrada em 2009 bem suave como deve ser visto que na realidade entre a meia noite de 31 de Dezembro e as 0:01 de 1 de Janeiro para mim não vai mais do que um segundo. O resto é folclore que me diz muito, mesmo muito pouco.

O dono e outros irão ser culpabilizados mas quem também deveria estar no banco dos réus eram os juízes que deram uma licença precária, contra a decisão da Polícia em fechar o estabelecimento, o que permitiu ao Santika operar atropelando todas as regras de segurança e pôr em perigo a vida de todos como agora ficou evidente. Argumentam os Juízes agora que a Polícia quis tirar a licença sem base legal, mas é sabido quem dá licenças de funcionamento a estabelecimentos como o Santika é a Polícia. Mais informa o Supremo Administrativo que a Polícia recorreu da senteça desse Tribunal em 2007 e que deverá aguardar o julgamento. Será que os mortos que já houve não são suficientes para calar o porta voz do Supremo Admiistrativo?Estou a ler actualmente um livro escrito por um jornalista e escritor Italiano que vive há longos anos na Ásia e que a páginas tantas diz: "as in so much of Asia nothing is really illegal". Infelizmente é uma das verdades que se aplica ao caso Santika.
Entretanto um dos principais videntes/adivinhos/astrólogos , sempre muito houvidos por tudo e por todos, mesmo todos, previu, isto ainda nos finais de Dezembro, que haveria um grande fogo em Bangkok em Janeiro e para já acertou em cheio. Outras coisas ele diz mas por ora vou guardar para mim visto na generalidade não serem muito boas.
Que o Ano de 2009 consiga trazer de novo às nossas faces grande parte do sorriso que 2008 quis à viva força tirar.
É somente isso que desejo a todos.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Programa do Governo
A Polícia mostra-se de novo ineficaz e incapaz de lidar com manifestantes e é sabido ao que isso levou no caso das manifestações do PAD. Pelas fotografias acima vê-se que a UDD é um movimento ainda pequeno, com pouco dinheiro e pouca organização, mas como escrevia ontem, se lhe dão tempo pode crescer e tornar-se um PAD, o que não se deseja.
O Governo de igual modo mostra-se pouco esclarecido e, sem que o Presidente do Parlamento tivesse consultado os vários lideres parlamentares, numa grossa violação das regras Constitucionais em vigor, fez mudar o local de apresentação do seu Programa para o Ministério dos Negócios Estrangeiros levando a que os Deputados da Oposição anunciassem que irão boicotar tal sessão devido a esse desrespeito pela lei.
Aliás o PM foi ingénuo primeiro anunciando que iria apresentar o programa de governo através de todos os canais televisivos chegando assim a todos os representantes do povo (sic) para posteriormente já não respeitar "esses representantes" e convocar a reunião para outro lugar como se fosse ele próprio o líder do Parlamento. Por outro lado para quem apregoava ainda não há muito tempo que os votantes do Norte do país (os que lhe são adversos) eram incultos e vendiam facilmente os seus votos, não me parece que o PM esteja a ser muito coerente com os seus pensamentos ou será como aqueles que dizem que em política o que hoje é mentira amanhã é verdade. Penso que foi um "grade filósofo" do futebol português que proclamou tão "elevada" mensagem.
Abhisit, violando as regras Constitucionais, no entendimento de alguns, acabou por juntar os dois planos e decidiu realizar a sessão numa sala do MNE e utilizar a televisão, mas apenas a NBT, para "apresentar ao país" o seu programa. Ao fim de três horas de discurso e, pela primeira vez na história da "democracia" tailandesa, o Programa foi aprovado sem votação nem discussão visto estarem na sala só os Deputados de um lado. Pelo que se pode observar pela televisão o PM parecia muito convicto de que esta é uma maneira éticamente correcta de apresentar o seu programa e assim haverá um Governo com um programa "aprovado" com o atropelo de todas as práticas até aqui usadas no país e todas as regras de ética ainda hoje mesmo reclamadas pelo Assessor do Partido no poder Banyat Bantadtan.
Um mau começo para um Governo do qual se deseja, e necessita, muito.
Reprovável!
Entretanto a temperatura vai aquecendo e a Polícia Metropolitana de Bangkok emitiu um comunicado onde se avisa a população para estar especialmente atenta em vários locais da cidade durante as festividades do fim do ano. Os locais mencionados pela Polícia no seu comunicado são: Victory Monument, Major Ratchoythain, Seacon Square, Central World, Khao San, áreas em volta de Chitralada Palace, Si Sao Thewet, Mo Chit, Soi Nana, Central Pinklao e Saphan Kwai.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Domingo em Bangkok

De volta à cidade dos anjos esperava-se um Domingo com algum calor devido à anunciada manifestação do UDD na sua luta contra o Governo de Abhisit e pela convocação de novas eleições. Ontem o Governo foi apresentar cumprimentos ao General Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, e a sempre presente figura na vida política tailandesa, e o PM deve ter ficado muito satisfeito por ter ouvido da boca daquele que " a Tailândia tinha muita sorte de o ter como Primeiro Ministro" (sic).
Aconteceu calma mas a dança parece prestes a (re)começar.
Deu-se a volta à mesa mas os parceiros continuam os mesmos.
De um lado um Governo que é contestado. Do outro aqueles que o contestam
Antes eram as marionetas de Thaksin Shinawatra e os amarelos do PAD. Agora são as marionetas de Anupong/Nevin (reconhecidos como as figuras do ano pela imprensa) e os vermelhos do UDD.
Existem algumas diferenças é certo mas a mesa (país) é a mesma e os objectivos são também os mesmos. Correr com o parceiro que se senta do outro lado dessa mesa.
Hoje estava agendada o início da discussão do programa do Governo mas os UDD arrancaram de Sanan Luang a decidiram bloquear o Parlamento para impedir essa sessão. O Parlamento e o Governo actuaram da mesma maneira que fez o de Samak/Somchai, ou seja recuando, embora hoje o Comando da Polícia disse que os manifestantes podiam ser presos por "tentativa de inssureição" artigo do Código Penal só "aplicável" aos vermelhos pois nunca tal foi dito ou feito contra os amarelos.
Este reeditar de uma política de contemporização com as manifestações desordeiras deu o que se sabe com o PAD e se este Governo vai pelo mesmo caminho daqui a uns meses teremos uma nova cena semelhante ao que aconteceu com a ocupação dos aeroportos.
Da mesma forma que o PAD, quase há três anos atrás, o UDD não está organizado nem tem fundos. Contudo se lhe dão tempo para tal acaba por se tornar num exército bem organizado e munido de todas as condições para acções extremamente bem planeadas, financiadas e dirigidas como o PAD, e portanto capaz do pior.
Este último não desmobilizou e os milhões que arrecadou estão ainda a ser utilizados para manterem as estruturas activas. Para testar a sua capacidade de mobilização e festejar os sucessos do ano, reuniram ontem em Muang Tong Thani os seus apoiantes numa grande festa de Fim de Ano.
Entretanto a grande notícia do dia foi a presença do Rei numa regata em Khao Tao, um facto pouco visto. O Rei manteve-se durante toda a competição, atento e tirando fotografias como gosta, aparentando muito boa saúde e uma cara fresca e bem disposta, podendo ver-se quase que um sorriso no gosto que estava a ter de poder conviver com os seus súbditos.
Chegou discreto, numa carrinha, acompanhado de um pequeno cortejo de carros oficiais e de um dos seus cães predilectos, Tongdaeng.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
1ª Medida Económica

Qual Pai Natal, Korn Chatikavanij, o Ministro das Finanças recentemente empossado, acaba de anunciar a primeira medida de um pacote económico que diz ser vasto e vir a cobrir os sectores da sociedade com maiores dificuldades.
Essa primeira medida vai direita aos adquirentes de casa através de crédito bancário, que passam a poder deduzir nos impostos sobre rendimentos a totalidade dos juros pagos ao longo do ano quando até aqui esse montante era limitado a 100.000 bath.
Se bem que esta medida não cubra muita gente a seja fundamentalmente dirigida à classe mais alta do país, é uma medida que tem um sentido positivo com duas facetas.
Atribui benefícios fiscais, só a quem paga impostos, e permite dar um impulso a um sector da economia com bastantes dificuldades dando uma ajuda áqueles que querem comprar habitação.
Para além disso não é uma medida populista como se temia que viesse a ser as primeiras, na sequência de declarações feitas por alguns dos apoiantes da coligação no poder.
Num momento em que é anunciado que a economia teve um crescimento negativo entre 2 e 3% no segundo semestre de 2008, que as exportações decaíram, só em Novembro, 18 % e o FDI 6,4%. é positivo ver que o Governo tem como sua primeira prioridade tentar encontrar medidas para suavizar a crise que também se abateu sobre a Tailândia.
Entretanto o Director-Geral do Orçamento, Somchai Sajjapong, avançou que a previsão para o crescimento da economia para 2009 é de entre 0 e 1%, o que não sendo bom atento o passado recente da Tailândia e do próprio Sudeste Asiático, é contudo melhor do que o cenário de recessão que ameaça grande parte do Mundo.
O Pedido de Desculpas

terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Natal
O Natal de Abhisit

O período de calma registado na Tailândia com a constituição e posterior confirmação pelo Rei Rama IX do novo Governo veio mesmo a calhar para este muito curto período de férias em Portugal.
Natal é harmonia na família, Natal é Paz, Natal é Esperança e, se bem que sendo um país Budista, a Tailândia necessita de todos estes valores do mundo católico, para se relançar e recomeçar a construir algo de positivo depois de mais de três anos de paragem.
Hoje SM o Rei, em audiência no Palácio de Hua Hin, sauda-se desde já a sua recuperação, aliás já referida há cerca de duas semanas, confirmou o novo Governo depois de ter sido possível tirar a fotografia da praxe de novo em frente a Government House, rehabilitada depois de gastos mais de 20 milhões de Euros que serão pagos pelos contribuintes.
Abhisit, já apelidado Oba-Mark, numa referência ao Presidente eleito dos EEUU e ao seu nick name, Mark, e à esperança nele depositada, reconheceu que o gabinete fica aquém das expectativas dizendo que teve de o constituir à pressa. Recorde-se que o prazo constitucional é de 30 dias e só a necessidade de não fazer perder o momentum pode justificar essa afirmação. Na realidade parece mais um Governo Suthep/Nevin/Militares do que um Governo com a mão de Abhisit. O próprio Chuan Leekpai foi afastado de tudo.
Vai ser bastante interessante analisar o desenvolvimento desta aliança nos próximos tempos.
Todos aqueles que contribuíram quer financeiramente quer através dos jogos de força acabaram de ser recompensados com postos e o Ministério da Defesa volta a ser atríbuido aos militares, uma ligeira subversão daquilo que é tradicional ver-se em estados Democráticos sendo os próprios a gerir o seu orçamento, e sabe-se bem quanto os militares são zelosos dos seus "quarteis".
A atribuição do lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros a Kasit Piromya, um conhecido apoiante do PAD, em cujos palcos aparecia regularmente para falar aos militantes, vai por certo ser um problema para o governo nas suas relações internacionais, nomeadamente com o Cambodja, devido às posições que assumiu e também ao seu estilo "Samak" de total confrontação contra tudo e todos, o oposto daquilo que é um diplomata. Mas o mais gritante foi a nomeação para Ministro do Comércio, uma pasta crucial neste momento, de Pornthiva Nakasai, uma empresária "da noite" ligada a um das mais famosas "catedrais das massagens não medicinais" o Poseidon, em Ratchada. A falta de capacidade de Abhisit em rejeitar o seu nome mostra as dificuldades que enfrenta. O único facto que se pode dizer em sua defesa é que o negócio prosperou sempre com ela à cabeça.
Entretanto muito preocupante para o país foi o anúncio feito hoje pelo Presidente da Toyota de que este seria o pior ano de sempre da companhia com uma quebra de vendas de 50% e que não estava em condições de prever o futuro para o Grupo. Sabendo-se da importância da Toyota na economia da Tailândia este anúncio vem na pior altura e será mais uma machadada a acrescentar à já grande lista de sectores que estão a gerar desemprego.









