sábado, 13 de março de 2010

Sábado 13

A Marcha Vermelha continua em andamento mas a passo de caracol já que os controlos militares estão a tentar reter os comboios de manifestantes o mais que podem.

O sistema está a funcionar de acordo com o que os militares querem mas o facto é que já aconteceram alguns incidentes devido a essas prolongadas buscas às caravanas.

Continua a campanha de (des)informação de parte a parte embora nesse campo o poder ganhe por uma larga nargem já que a esmagadora maioria de meios de comunicação são por si controlados. Como já uma vez referi mais de 50% dos canais de televisão e rádio pertencem aos militares.

Uma das acusações sempre presente é a de que os manifestantes fazem a marcha por dinheiro e que cada um recebem 1.000 bath proveniente de Thaksin. O dinheiro existe, uma parte vem concerteza dele e dos seus próximos e outro vem de muitos, ricos e pobres, que suportam o movimento. O mesmo se passa sempre. A manifestação do PAD que durou 192 dias consumia, segundo se diz, cerca de 10 milhões de bath por dia, e sabe-se de onde vinha uma parte grossa dessa dinheiro, e havia, também, muitos dos manifestantes que recebiam dinheiro para ali estar. Assim se faz política na Tailândia. O mesmo acontece nas eleições já que na provincia a maioria das pessoas recebe dinheiro, de todos os partidos, e depois acabam por votar como muito bem entendem. Há variados estudos que sustentam o que afirmo.

Estamos num momento de "guerra suja" em que as partes tentam criar ambientes de rejeição da outra parte, acirrando ainda mais a divisão.

Há quem clame contra os "vermelhos" dizendo que eles estão a destruir a "calma" existente, mas esses mesmos não olham para dentro dessa calma e observam bem o porquê o movimento existe.

Os opositores dos vermelhos dizem que a única coisa que estes querem é trazer Thaksin de volta mas ver as coisas por este prisma é ser cego de um olho e portanto ter uma visão curta da realidade. O novimento vermelho existe com ou sem Thaksin e é isso que se torna necessário entender. É uma movimento político-social com objectivos pouco claros ainda mas que luta pelas igualdade de direitos.

É claro que Thaksin usa o movimento como uma das suas armas para atingir o seu objectivo de poder, mas pessoalmente, perfiro este movimento do que Thaksin ver que a UDD falhou e avançar com outros meios mais radicais para atingir os seus objectivos.

Continuo a pensar, e nisso até sou seguido por pesoas muito perto do Primeiro Ministro Abhisit, que é necessário ouvir aquilo que os vermelhos dizem, dialogar, contradizer, e aproveitar o que de bom eles têm para melhorar o funcionamento do país e garantir igualdade de oportunidade para todos.

Abhisit pode ser o protagonista dessa mudança, é o homem que no momento tem mais capacidades para o fazer, mas o "sistema", que também o utiliza, tem de o deixar estender as mãos a todos os lados para chegar ao ponto de equilibrio dentro da sociedade.

E a Marcha continua

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ás 3 da tarde


Um dos líderes da UDD declarou que a manifestação terminou por hoje e que a acção tinha tido somente por objectivo a preparação da grande manifestação de Domingo.

Na realidade houve várias concentrações de "camisas vermelhos" ao fim da manhã nos locais préviamente anunciados, mas foram poucas as pessoas que mal se fizeream notar o que terá sido a real razão para esta mudança tática. O maior grupo terá sido provávelemnte em Nonthaburi, alguns milhares, mas no resto resumiram-se a centenas.

O governo continua com a sua campanha de (des)informação e a última mensagem que recebi, vinda de meios militares, era para comunicar às pessoas que não deveriam andar de táxi porque os taxistas as poderiam fazer reféns. Sem comentários.

Falei pessoalmente com as pessoas que estão em contacto de ambas as partes e estas confirmaram o facto embora se queixassem de que a outra parte não era flexivel, o que se compreende. Negociações nunca foi uma coisa que começa por um acordo. Começa~se normalmente bem afastado para se chegar a um ponto de equilíbrio. Se não fosse assim não era necessário negociar, bastava anunciar intenções~.

O positivo, como já referi, é existir o diálogo.

Sexta 12


Ainda bem que não é Sexta-feira 13.

Faz hoje 80 anos que Gandhi começou a Marcha do Sal contra os ingleses na Índia e igualmente começa hoje a Marcha Vermelha sobre Bangkok contra Abhisit mas fundamentalmente contra as forças que o apoiam.

Ambas as partes reafirmam a sua intenção de obedecerem aos princípios da não violência e da observância da lei. Assim se espera que aconteça.

Ontem o governo mostrou as forças da ordem que vão estar em acção (num total de 100.000 entre forças no terreno e de reserva) e a UDD uma vez mais confirmou o seu objectivo de vir a Bangkok solicitar a convocação de novas eleições.

Depois do apelo do Dr Gotham Arya, que ontem referi, ambas as partes deram a conhecer quem estará do outro lado da linha permanente que estabeleceram. O Secretário do PM Korbsab e o líder Dr Weng. Saúda-se este passo pois é fundamental que as partes tenham a possibilidade de dialogar.

Só do diálogo pode sair uma solução. Nunca da confrontação.

O PM Abhisit disse, o que também se saúda, que se for necessário para evitar o aprofundar da crise se demitirá e convocará eleições.

Contudo já houve alguns pequenos incidentes quando controles militares impediram manifestantes de viajaram para Bangkok e inclusíve viraram os carros em que se faziam transportar.

O fundamental é que a linha de contacto funcione e que de parte a parte aqueles que estão na liderança sejam capazes de transmitir as ordens com eficácia.

Para continuar a seguir ao longo do dia.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Os Brancos


Enquanto de um lado são dados os últimos preparativos para a Marcha Vermelha e do outro para a contrariar, vâo surgindo movimentos, que por certo representam a maioria do povo que não quer nem uns nem os outros e quer ver o seu país em paz e a progredir.

Um dos movimentos chama-se Stop Hurting Thailand e apelou aos cidadãos que a partir de amanhã usem uma banda branca na sua indumentária como símbolo de paz. Mais uma cor para o arco-irís politico-social do país.

Numa conferência de impremsa ontem organizada solicitaram aos vermelhos que não bloqueassem a cidade e que se manifestassem com total respeito pela lei. Igualmente um dos seus membros, um General e director do King Phrajadipok Institut, apelou ao governo para respeitar a Constituição quanto ao direito à diferença e à manifestação e para assegurar que os militares exercem o seu dever com o total respeito pela lei e pelos direitos dos cidadãos..

Aconselhou as duas partes a criar uma hot line para poderem seguir constantemente a situação e evitar qualquer mal entendido que possa fazer descarrilar as acções de ambas as partes para o lado da violência.

Note-se neste particular que o Presidente do Parlamento já se ofereceu para ser o mediador entre as partes, mas não obteve até à data nenhuma resposta.

Outro movimento, com um nome mais radical já que o que ele prenúncia não me parece estar de forma alguma em cima da mesa, The People that Not Accept a Civil War, convocou uma manifestação para hoje, da qual não sei ainda promenores, mas que se destinava igualmente a repudiar acções violentas e aconselhar calma e contenção às partes.

Gotham Arya, um muito respeitado activists dos Direotos Humanos e professor da Universidade Mahidol, encontrou-se ontem com o principal líder da UDD, e hoje com o Governo, para transmitir uma mensagem de paz e de conciliação, que por certo será ouvida dado o peso do Professor.

Os jornalistas foram igualmente alertados para o dever de não tomar parte e de serem um elemento essencial na produção de um clima de calma e conciliação, facto que diga-se não tem sido o caso tal forma são partidários nas suas análises e relatos.

Exemplo disso era a primeira página do The Nation de hoje que falava do corte de imensas ruas na capital, tendo lançado o pânico, e quando eu próprio telefonei para o jornal perguntando qual tinha sido a fonte, depois de ter ligado os telefones de emergência da polícia, governo e município, foi me dito que não havia cortes mas talvez, talvez, repito, operações de controlo das viaturas. O próprio jornal contradiz aquilo que escreveu na sua primeira página em letras bem grossas.

Este mesmo jornal, fazendo referència à conferência de imprensa, dirigida ás duas partes e que aqui refiro, titulava " Grupos pedem aos vermelhos para não serem violentos", quando na realidade o apelo à calma foi feito para as duas partes.

O papel da comunicação social é crítico numa situação destas pois podem criar o caos ou desenvolver a paz. A eles de decidirem aquilo que querem.

Saudam-se sim os movimentos de cidadãos que querem levar a Tailândia para a frente com a cabeça erguida e com os respeito de todos e por todos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Segunda Actualização

Quer o Governo quer a UDD acabam de convocar a imprensa para os actualizar sobre os planos.

Nada de muito novo foi dito embora se possm realçar os seguintes pontos:

Os militares estão em controlo total da situação. Uma das partes disse-o de uma forma negativa a outra confirmando que o ISOC, Internal Security Operational Command, é o ponto focal de coordenação de todos os movimentos.

Esta noite deverão ser movidas para Bangkok as tropas que ainda não estão na cidade.

Serão impostas fortes restrições ao movimento de pessoas e carros e abolida a utilzação de equipamentos electrónicos em zonas a definir amanhã pelo ISOC.

Embora não confirmado fala-se que os táxis serão proíbidos de circular no Domingo, os postos de gasolina fechados e que os carros com matrículas fora de Bangkok serão impedidos de aceder à cidade.

Evoluir da Situação

Alguma histeria está a tomar conta da cidade num momento em que se aconselharia contecção e precaução.

O exército veio agora falar de que tem 100.000 homens preparados para reagir a qualquer incidente que venha a acontecer. o custo desta operação vai neste momento em 319 milhões de bath.

Ontem o MNE Kasit informou a comunidade diplomática dos preparativos do governo, que parecem normais. mas tudo está a ser feito criando alguma tensão e ansiedade nas pessoas. Nesse mesmo debriefing Kasit disse que o governo tinha instruído o tribunal para não prender os dirigentes vermelhos que estão em liberdade condicional numa total e absurda confissão de interferência do poder executivo no poder judicial.

O PM Abhisit veio a dizer que o aumento do consumo de gasolina e de garrafas vazias era um sinal de que estariam a ser preparados cokctails molotov para serem usados contra os edifícios do governo. É uma afirmação insensata a quem se pede sensatez. É normal que as pessoas consumam mais gasolina visto estarem com medo de um, também anunciado, encerramento dos postos de gasolina, e gostaria de saber onde o PM consegue ver que aumenta o consumo de garrafas vazias? Onde é que elas se compram? Quem faz a estatística?

O governo igualmente pôs em vigor 18 leis diferentes que lhe dão a possibilidade de actuar para contrariar a marcha vermelha.

A Polícia enviou ontem para muitos e variados faxes na cidade o plano de cortes de ruas que irá entrar em vigor a partir do meio dia de Sexta-feira. A cidade de alguma forma vai ser bloqueada com um particular incidência na zona norte.

Ontem no distrito de Dusit, onde se encontram os ministérios, foi encerrada uma área devido ao facto de ter sido visto um objecto estranho. Uma bomba por certo. Notícias nos jornais, na TV e pânico. Era simplesmente um pneu velho que tinha arames como sempre existe dentro dos pneus.

É este ambiente de tensão que não se deseja e que nada favorecerá que o fim de semana decorra, por certo com alguma alteração da vida normal ou não venham para Bangkok de acordo com as estimativas do governo 200.000 manifestantes, de uma forma pacífica e que cada um faça fazer ouvir os seus pontos de vista com razão mas sem paixão.


Entretanto o maior perigo parece ser a possibilidade de agitadores vindos de uma terceira força e fala-se muito de 8.000 falsos camisas vermelhas que estariam já a preparar uma série de atentados para criar o caos. O próprio governo veio falar, sem se saber de onde obteve a informação, de que havia 40 edifícios que poderiam ser alvos de ataques bombistas.

As forças próximas dos "vermelhos" puseram a circular uma série de imagens da televisão que mostra o Vice-Primeiro Ministro Suthep a dar ordens aos "camisas azuis" de Nevin Chidchob durante os acontecimentos de Pattaya em Abril passado. Nevin, também nas imagens, foi igualmente visto no local nessa altura viajando numa moto e misturado com os seus homens que tomaram parte activa nos disturbios.

A intervenção de forças interessadas a provocar o caos parece ser o grande problema para este fim de semana mas quando se reunem centenas de milhares de pessoas uma simples discussão menor poder inflamar o todo.

terça-feira, 9 de março de 2010

A Marcha Vermelha

Já aqui referi o propósito da UDD em avançar com uma manifestação de grandes proporções contra o governo que começará a tomar forma durante o próximo fim de semana.

Até um certo momento tive algumas dúvidas sobre a capacidade de mobilização e de organização e portanto, como mais do que uma vez aconteceu, a “grande marcha” seria adiada ou cancelada ou alterada no seu formato.

Parece agora seguro que tal irá acontecer com “1 milhão” de pessoas a convergirem para a capital a partir da próxima Sexta-feira. O número parece ser uma meta não atingível mas por outro lado é crível que sejam centena ou centenas de milhares as pessoas que virão de todo o país exigir a demissão de Abhisit e a convocação de eleições.

Os planos estão bem elaborados ao ponto do porta-voz de Abhisit tal ter reconhecido. A UDD começou já desde a passada semana a mobilização e pode dizer-se que a marcha está em andamento. Os manifestantes virão de todos os pontos do país, não só do Norte e Nordeste, tradicionais pontos de apoio dos “vermelhos” e entrarão na capital por dez pontos definidos. Depois no Domingo irão convergir para a zona onde quase sempre acontecem as manifestações ou seja o distrito de Dusit onde se encontram a sede do Governo, o Parlamento, o Conselho Privado do Rei, etc.

Aí ficarão a exigir a dissolução do governo e a convocação de eleições, o fim daquilo que sejam o poder aristocrático e burocrático e do sistema de dois pesos e duas medidas existente fundamentalmente no que respeita a aplicação da lei e da justiça.

O governo anda em grande azáfama para preparar a “contra-ofensiva”. O PM viu-se obrigado a cancelar a viagem que iria começar á Austrália e ao Borneo Dar es Salaam, foi decretado a aplicação a partir de Quinta-feira e até ao dia 23, do Internal Security Act, lei que atribui aos militares o controlo da situação.

O Genaral Kanit, o comandante da mais poderosa região militar no país, parece estar a ditar ordens já que invulgarmente deu a cara e afirmou ter colocado 50.000 militares em estado de alerta para o fim de semana.

Serão montados controles nas principais entradas da cidade, aliás já visiveis nalguns pontos da capital desde o passado Sábado, de modo a afunilar a chegada dos manifestantes da UDD para os seus pontos de convergência. Escolas, bancos e outros estabelecimentos foram autorizados a encerrar portas se assim entenderem como conveniente.

O governo está determinado a não usar a violência, bem como a UDD, mas a manter a lei e a ordem usando para isso todos os meios ao seu dispôr. Hoje o representante da Human Rights Watch solicitiva a ambas as partes, UDD e Governo, o respeito pelos Direitos Humanos na condução da manifestação e medidas de controlo.

O clima de grande instabilidade está assumido como o disse o Ministro das Finanças ontem num jantar com empresários e embora todas as vozes neutrais e independentes apelem a ambas as partes para operarem a de forma ordeira e pacífica, uma simples “ovelha negra” pode criar situações de confusão ou até caos.

Entretanto, e contráriamente ao que tem acontecido o PAD, os “amarelos” para quem já não se lembra autores da ocupação do Palácio do Governo durante 192 dias e dos aeroportos durante uma semana, veio reclamar actuação firme por parte do governo contra os “vermelhos” visto estes violarem o artigo 68 da Constituição ao quererem, com a manifestação, derrubar o governo. Fraca memória têm os seus dirigentes já que nem das próprias acções se lembram.

A situação está frágil e propícia a grandes cuidados e contenções.

Entretanto ontem ao fim da tarde PM Abhisit avistou-se com o Rei para o informar da situação. Não deixou de ser notado que o Rei mostrava estar bem de saúde.

Assunto a seguir com atenção.

domingo, 7 de março de 2010

Tailândia no Feminino

Vai fazer dois anos que comecei a escrever este Blog com a ideia inicial de fazer o relato de um quotidiano em Bangkok.

Estes dois anos foram igualmente anos de grande turbolência na vida política no país, na continuação do que tinha começado a desenhar-se em Outubro de 2005, e aconteceu que a maíoria dos escritos, ditos posts, acabaram por ser reflexo dessa crise, da minha experiência diária dessa crise e da forma como a via.

A minha vida profissional está ligada a esse fenómeno e os escritos inclusíve ajudavam-me a por ordem em certa informação que ia coligindo e às ideias que daí iam nascendo e que fazia parte de relatórios a enviar, na maior parte das vezes cifrados pois iam para além daquilo que públicamente aqui escrevia.

Sinto-me feliz pois a minha visão e interpretação dos factos chegou a muita gente e ajudou alguns a melhor entender esta país que me acolhe tão carinhosamente como é a sua gente e a sua cultura.

Muitas foram as mensagens que recebi por diversos meios ora comentando, ora discordando, ora agradecendo, ora pedindo apoio ou esclarecimentos. É sempre motivador qualquer mensagem, seja em que sentido, essencialente se elas são simbolos de uma forma de diálogo correcta, formal e intelectualmente, e honesta como o que senpre tive com todos.

Acontece que sinto alguma dificuldade em escrever neste momento. Haverá porventura muito para dizer mas há demasiados olhos nas nossas costas nem sempre entendendo o que escrevemos.

A Tailândia em português é feminina. Em português qualificam-se os países. Uns são femininos outros masculinos e outros ainda assexuados.

A Tailândia é feminina mas últimamente deve ter frequentado demasiado os gimnásios e começou a ganhar uma musculatura pouco condizente com o seu caracter de duçura e simpatia sempre bem visiveis na cara e nos costumes do povo.

Infelizmente o desenvolvimento desses musculos está tão presente no dia a dia que ontem uma larga dezena de quilómeteros feitos pela cidade em variadas direcções levou-me a escrever o que agora digo. Eles, os sinais, aí estavam visíveis e a fazer ver-se.

Já na Sexta feira tinha ficado boquiaberto ao olhar para fotografias das quais, como dizia um amigo meu, nenhum país se pode orgulhar. A Sexta, reetiu-se ontem e hoje e porventura será amanhã e todos sabemos que quando a excepção se torna vulgaridade acaba por ser aceite. O pior é que ninguém nos vem contar disso. Os orgãos de "Comunicação Social" não cumprem o objectivo que o próprio nome determina: comunicar à sociedade o que acontece.

O país vive um momento conturbado e os dias que se aproximam serão disso exemplo. A incapacidade de dialogar e de discernir correctamente turva as mentes à direita e à esquerda ou como aqui é mais comum do arco-íris do expectro político.

A mudança para aquilo que os tailadeses querem, mostra que será uma mudança geracional e complexa.

Digo "aquilo que os tailadses querem" baseado não só nas permanentes sondagens que são feitas sobre os acontecimentos políticos e onde a consistência das respostas é grande mas também pelo conhecimento directo do pensar de muitos daqueles que estão silenciados, voluntáriamente, seja em Bangkok, seja em Chiang Mai, seja em Khon Kaen, seja em Nakhon Si Tammarat, ou seja ainda nos corredores do poder e da burocracia ou no simples homem ou mulher na rua.

A Tailândia tem de assumir a sua feminilidade. As mulheres sempre foram boas donas de casa e capazes de nos momentos mais difíceis de muitas famílias de serem elas as que sabem conduzir os destinos.

É momento de tornar os músculos mais suaves já que esses não ficam bem a uma cara bonita como a da Tailândia.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Duas questões?

Duas questões relevam da decisão judicial sobre os bens de Thaksin.

O poder dominante no país começou a pregar os últimos pregos no caixão de Thaksin?

O que vai fazer o ex PM acantonado e perto da derrota total?

Depois da decisão de confiscar 46 mil milhões de bath e de concluir que Thaksin violou a lei em dois pontos principais, a não declaração de bens enquanto exercia um cargo público e o abuso desse mesmo cargo para beneficiar as suas empresas com os consequentes prejuízos para o país outras empresas, vão seguir-se uma série de processos cíveis requerendo indemnizações que numa primeira aproximação atinge o valor de 117 mil milhões de bath. De igual modo o Ministério das Finanças irá requerer o pagamento de 12 mil milhões de bath de impostos não pagos. Para além desses processos cíveis procedimentos criminais poderão ser iniciados com as devidas consequências.

O actual PM Abhisit já veio a público para instruir as empresas dependentes do estado e que no entender da decisão judicial foram prejudicadas para que façam prevalecer os seus direitos e o Minsitro das Finanças já fez sabe que irão ser investigados os Administradores dessas mesmas empresas, ao tempo dos factos agora vindos a público. Todas as empresas são do sector de telecomunicações e ontem a bolsa de Bangkok teve uma significativa queda nesse sector.

O sistema Judicial tailandês está disposto a conseguir aquilo que não foi consseguido por outros meios, ou seja a morte política e financeira de Thaksin.

Como vai reagir o ex PM agora que se encontra fortemente acossado e em real perigo de vir a sofrer pedidos de indemnizações que serão muito superiores aos bens que eventualemente detêm, forçando a sua ruptura financeira? Para além desta questão Thaksin irá por certo ser indiciado em vários processos criminais que poderão terminar na condenação, ainda que in absentia, em muitos anos de prisão efectiva.

Parece evidente que não resta ao fugitivo ex PM outra saída que não seja a de lutar de qualquer forma e, utilizando uma linguagem de jogador, “encavar”, para tentar encontrar uma saída do canto onde foi encurralado.

Antes do termo do processo falou-se muito de que negociações estariam em curso no sentido de encontrar uma solução que pudesse ser do agrado de todas as partes e contribuísse para a pacificação no país. Tal rumor parece ter consistência mas o facto é que, se existiram, as negociações falharam já que as partes porventura não conseguiram encontrar o ponto de equilíbrio necessário.

A decisão do Tribunal, se bem que restituiu uma parte a Thaksin, (que muito difícilmente receberá), abriu as portas para aquilo que referi, ou seja colocar os últimos pregos no caixão de Thaksin.

Dizia hoje Nevin, o ex braço direito de Thaksin e que o conhece bem, que este não vai parar e irá incentivar a intensificação das acções dos seus apoiantes já que não lhe resta nenhuma outra alternativa. Segundo Nevin a única possibilidade de Thaksin será a de provocar o regresso ao poder dos seus apoiantes, por qualquer forma, esperando que estes possam aprovar uma lei que o amnistie de todos os crimes.

Estamos perante um cenário de conflito latente e crescente e as acções já iniciadas e programadas quer pela UDD quer pelo Puea Thai são disso um bom exemplo.

Contráriamente ao que muitos julgaram a decisão do passado dia 26 não foi o fim mas o príncipio de uma nova fase neste processo complexo de mudança na sociedade tailandesa.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Rei regressa a Siriraj


Depois de ter saído do Siriraj Hospital no Sábado pelas 9.25 da noite o Rei regressou ao hospital à 1.35 da madrugada de Domingo. Esteve no Palácio de Chitralada pouco mais do que 4 horas e não se conhecem mais promenores.

Contráriamente ao que é normal os jornais tailandeses não divulgaram a notícia e os que falam deste retorno fazem-no só hoje de forma pouco visível nas suas edições on-line. As primeiras notícias vieram de fora, de Singapura e da Malásia.

Não existe nenhum comunicado oficial.

Ainda o Julgamento

Dois dias depois do veredicto sobre os bens de Thaksin começam agora a discutir-se de uma forma mais calma, as questões legais em volta do caso e as consequências, também legais, que poderão ocorrer.

A decisão dos Juízes foi práticamente unanime sobre todas as questões em discussão.

Primeiro se Thaksin tinha ou não utilizado esquemas para esconder a real titularidade dos seus bens. Segundo sobre o eventual abuso de poder durante o tempo que esteve à frente do Governo e posteriormente sobre a consfiscação ou não dos bens.

Outra questão que vem agora a público é o conteúdo de alguns depoiamentos contra Thaksin, alguns deles com grande valor, como o do Ex Ministro dos Negócios Estrangeiros, Surakiat, que terá avisado Thaksin repetidamente sobre o caso do empréstimo feito pelo Exim Bank ao Governo da Birmânia para compra de serviços de telecomunicações e que beneficiou directamente as empresas de Thaksin. Esse empréstimo foi concedido em condições mais vantajosas e devido ás pressões do Governo o que é uma clara prática de abuso de poder.

Outros testemunhos são menos importantes e mesmo dificeis de compreender, do ponto de vista juridico, já que são produzidos por pessoas que estiveram envolvidas na investigação e portanto já mostraram o seu ponto de vista de uma forma formal e concertada.

A questão agora mais importante é o conjunto de casos criminais que se poderão seguir devido às decisões e possiveis certidões que deverão vir a ser extraídas do processo que agora terminou.

A comunicação social começa já a criar casos falando-se mesmo que os prejuízos causados por Thaksin ao estado foram de centenas de milhões de milhões de euros e, se assim proseguir, a batalha jurídica vai ser acesa, embora sejam conhecidas as insuficiências e fraquezas do sistema jurídico e legal existente.

Entretanto do ponto de vista político a calma impera no momento sendo esperado para meados do mês alguma reacção dos seus apoiantes da UDD. Esta vai reunir-se por todo o país a partir do dia 5 em Korat, para decidir qual a acção que vão tomar em mais uma "batalha final" na luta contra o governo. Já o PAD anunciava constantemente batalhas finais para derrubar o governo que afinal acabou por cair por força da acção dos Tribunais.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Rei volta ao Palácio

Acaba de ser transmita a notícia que o Rei deixou o hospital e regresssou ao Palácio em Bangkok. Acompanhado do seu cão Khun Thong Daeng, o Rei vestia-se de cor de rosa a cor que neste momento tem sido usada para mostrar afecto pelo Rei depois do amarelo, a sua cor, ter sido utilizada para conotações politicas.

Como há dias já tinha relatado o Rei vinha mostrando sinais de recuperação e o regresso a Chitralada só vem confirmar isso mesmo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Julgamento

Está a decorrer a leitura da sentença sobre os bens de Thaksin Shinawatra por um Tribunal especial do qual não cabe recurso (!!) e a primeira decisão, que já era de todos esperada, foi de 9-0 ou seja todos os Juízes votaram no mesmo sentido de derrotar o argumento de Thaksin e família de que a investigação e instrucção tinha sido levada a cabo por um entidade, já não existente, e dependente do poder político, não democrático, a AEC, instituída pelos militares só para o efeito em questão.

A segunda decisão foi também desfavorável a Thaksin. Os Juízes decidiram que os bens que estavam em nome de várias pessoas pertenciam na realidade a Thaksin e aqueles eram somente cabeças-de-turco dele. Isto quer dizer que violou o princípio de que um PM em exercício não pode deter interesses em companhias.

E o Tribunal continua a leitura que não deverá estar terminada antes das 9-10 da noite.

Ás 9.35 da noite acabou por ser conhecido o veredícto final que acabou com uma concessão. Da totalidade dos bens de Thaksin Shinawatra cerca de 46.374 milhões de bath foram confiscados e 30.248 milhões restítuidos. O tribunal considerou que estes bens eram pertença da família antes de Thaksin assumir o cargo de PM, mas o argumento para aprender uma fatia significativa foi muito frouxo. O Tribunal alega que Thaksin ganhou com a subida da bolsa e esses ganhos devem ser confiscados embora não tenha provado que as suas empresas ganharam na bolsa mais do que o mercado ou que os outros títulos do sector. Há que lembrar que o grande investimento de Thaksin foram as telecomunicações móveis e que os anos de 2001 a 2006 são exactamente os anos de ouro das empresas deste sector. Thaksin já veio dizer numa transmissão que fez em directo para o país, que se é por culpa dele ser PM que o mercado bolsista sobe o melhor é trazê-lo de volta para ver se a bolsa de Bangkok volta aos seus períodos áureos.

Nessa alocução Thaksin agradeceu aos seus apoiantes o facto de não se terem manifestado junto do tribunal e diz que irá a continuar a lutar sózinho até que a justiça, no seu entender, seja feita.

Já me referi várias vezes à questão do julgamento que considero errado do ponto de vista quer legal quer processoal mas ele está a ser assim.

A parte mais negativa foi o facto do actual PM Abhisit, ter dito ontem, como se soubesse ou tivesse transmitido ordens aos Juízes, que os "camisas vermelhas" não iriam gostar do veredicto.

Tal frase só enfraqueceu ainda mais um sistema judicial onde os Juízes gozam de pouca idependência. Na realidade a maíoria dos Juízes nos Tribunais Superiores actualmente em funções, foi nomeada por um governo não democrático, o do General Surayuth saído do golpe de estado de 2006, e depois de terem sido afastados os que lá estavam, então nomeados pelo anterior parlamento.

No local estiveram mais polícias e militares do que apoiantes do ex PM, que não eram sequer um milhar e todos os que ali estiveram não se manifestram,

Após a decisão interessa agora observar as reacções de ambas as partes mas não me parece ser de temer que algo de violento aconteça embora se saiba que o país continua a caminhar sobre o fio de uma navalha.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Ameaça da família Chidchob



O Presidente do Parlamento, Chai Chidchob, pai de Nevin e outros políticos que estão banidos dos seus direitos por terem sido executivos do antigo partido de Thaksin que foi dissolvido, veio hoje avisar públicamente Abhisit que o BJTP podia aliar-se com as forças de Thaksin de um dia para o outro "como o fez com os Democratas", afirmou.

Há dias os jornais começaram a falar de mais um escândalo, neste caso no Ministério do Interior, cujo ministro é o Presidente legal do BJTP, já que o de facto é Nevin, e a pessoa que está directamente envolvida no caso de corrupção é outro dos filhos de Chai, Saksayam.

O caso refere-se à compra de computadores para o Ministério que eventualmente estariam a ser facturados muito acima do preço de mercado.

Um Sorriso


O cartoon hoje publicado pelo The Nation, aparte a nota de bom humor, mostra uma das realidades do país.

Os tailandeses são “shopaholics” e sempre que vêm o sinal de um saldo compram tudo “porque é barato”.

Constatei isso nos Bazares Diplomáticos onde as coisas mais inacreditáveis são vendidas só porque há a percepção de que são baratas. Outro dia passei na rua e reparei numa loja onde estavam a fazer a decoração para a abrirem ao público. A coisa que mais visível na montra era um cartaz já a anunciar 50% de desconto. Ainda não estava aberta mas já lá estava a isca.

O positivo disso é que a força do consumo interno ajuda, e muito, o país em momentos mais apertados da crise económica.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Dia do Julgamento

Na próxima Sexta-feira, como já referi, será o julgamento sobre os bens de Thaksin Shinawatra que se encontram congelados no país.

A acusação pede a confiscação desses 76 mil milhões de bath (cerca de 1,7 mil milhões de Euros) e os acusado, Thaksin, a sua ex mulher e os filhos, pedem a absolvição e o levantamente do congelamento dos bens.

Quando Thaksin subiu ao poder, no início do século, as manchetes dos jornais falavam dele como um milionário que tinha decidido entrar na política. Até essa altura acumulou riqueza, da mesma forma que muitos aqui acumulam, sem contestação, e posteriormente, quando no poder, tratou de a fazer crescer, mas já então era dito ser um dos homens mais ricos do país.

Já uma vez me referi que a justiça contra Thaksin começa “pelos pés”, já que ele deveria ser acusado do crime de abuso de poder antes, pois terá sido esse que o levou a acumular a quantidade de bens que tem.

Thaksin contesta que parte do dinheiro era seu já antes de chegar ao poder, e que o restante foi adquirido através de transacções, dos membros da sua família que não ele, legais. É um facto que as operações que foram feitas no conjunto do seu império empresarial foram legais mas tal só aconteceu porque ele fez aprovar leis que servissem os seus interesses. Isso aconteceu porque o sistema democrático era fraco ou inexistente pois Democracia não é só ganhar eleições com mais votos é, essencialmente, exercer o poder dentro do mandado que o povo conferiu e para servir esse mesmo povo, facto que Thaksin terá “esquecido” tão logo se apanhou com uma considerável maioria.

A forma como o julgamento está a ser conduzido só irá dar razão a Thaksin que as decisões contra ele são politicamente motivadas e conduzidas, isto no caso de a decisão ser a da confiscação dos bens.

Desde o golpe, como já antes referi, o sistema judicial só conseguiu condenar Thaksin a um simples caso de conflito de interesses embora seja apelidade de criminoso nos jornais todos os dias. A condenação de que foi alvo não é crime, já que só é crime aquilo que vem defenido no Código de Processo Penal. Este é um dos principios mais básicos do Direito. Teria havido muitas razões para trazer Thaksin para a barra dos tribunais criminais, como o referido e como as milhares de mortes extrajudiciais que aconteceram durante a chamada “guerra contra a droga”, mas o facto é que as investigações nunca levaram a nada.

Agora a tensão sobe para o dia 26 quando os milhóes todos irão a julgamento e o que se fala é sempre do dinheiro e muito pouco de bases e procedimentos legais.

Por outro lado o governo, numa histeria como ontem referia um jornalista do The Nation, tem um plano de defesa para o caso de acontecerem disturbios devido a manifestações dos apoiantesdo ex PM.

A UDD reclama que o plano do governo e dos militares é tão somente um plano para poderem exercer contra o movimento dos “camisas vermelhas” qualquer tipo de acções que entenderem por necessárias para os suprimir e colocar na cadeia os seus líderes.

Repetidamente estes já afirmaram que não se irão manifestar nesse dia pois o problema dos dinheiros de Thaksin não é a razão da luta deles, segundo afirmam. Haverá por certo apoiantes do ex PM que manifestarão o seu apoio a ele mas irão fazê-lo a título pessoal, continua a afirmar a direcção da UDD. Estes mesmos convocaram a comunicação social e quem entender querer ir para um jantar às 6 da tarde de Sexta-feira, num restaurante em Lad Prao 20, onde se possa discutir a decisão do tribunal, isto à volta de umas cervejas e um bom som tam.

De qualquer maneira o país vive caminhando sobre gelo muito fino e qualquer movimento errado pode levar a uma queda. Esse perigo existe e os acontecimentos de Abril passado onde a direcção da UDD foi impotente perante as infiltrações de agitadores e os actos dos seus próprios militantes, levanta a questão de saber se isso não irá acontecer de novo.

Bom Exemplo


Sábado passado no campeonato de futebol tailandês aconteceu que os adeptos de um clube não contentes com a derrota da sua cor acabaram por invadir o terreno causando sérios disturbios e cenas de violência.

Nada de diferente do que acontece um pouco todos os fins de semana por esse mundo fora onde as paixões clubísticas se sobrepôem á razão e onde o facto de uma bola ter entrado ou não na baliza do adversário parece ser a salvação para todas as maleitas.

Contudo a Tailândia mostrou ser diferente, para melhor, do que a maioria.

Dois dias depois do incidente os adeptos do clube causador dos incidentes foram banidos de presenciar o próximo jogo do clube.

Também num gesto de grande significado prostaram-se aos pés do Presidente do clube pedindo desculpa pela sua conduta.

Gostava de ver isso acontecer em Portugal, embora gostasse mais de que tal não fosse necessário e que cada um soubesse “amar a sua dama” com amor e não com paixão.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Manifestações


As manifestações de carácter político são parte do dia a dia tailandês desde há uns anos.

Durante o ano de 2008 o People’s Alliance for Democracy (camisas amarelas) manifestou-se durante 192 dias consecutivos e ocupou os aeroportos de Bangkok durante uma semana causando o verdadeiro caos com cerca de 400.000 turistas bloqueados na capital.

Depois, durante o ano de 2009, foi a vez da United front for Democracy against Ditactorship (os camisas vermelhos), estarem debaixo dos holofotes tendo-se manifestado multiplas vezes sendo que em Abril essas manifestações levaram quer ao cancelamento da cimeira da ASEAN (com a consequente perca de imagem por parte do país), quer a cenas de verdadeiro caos na cidade de Bangkok.

Esses dois incidentes mostraram a ambos os grupos que não era esta a forma de fazerem ver os seus pontos de vista já que a condenação popular de ambas acções foi clara e bem evidente em todas as sondagens levadas a cabo.

Os amarelos têm-se mantido calados e quietos já que o controlo da situação pelo governo de Abhisit lhes é favorável. Quem agora se evidencia são os vermelhos pois têm como objectivo “um estado Democrático não dominado pelas elites, que condenam, e que segundo eles controlam o sistema de poder”.

Devido à mancha com que ficaram desde os acontecimentos de Abril têm tentado fazer todas as manifestações de forma simples, não violentas e atacando aquilo que denominam o “double standard” existente no país onde uns poderiam fazer tudo o que quiserem e aos soutros tudo lhes está vedado.

Assim tem sido e inclusíve já conseguiram uma vitória importante quando forçaram que um conselheiro privado do Rei fosse obrigado a destruir a sua imponente casa de veraneio no Parque Nacional de Khao Yai e a devolver o terreno onde ela estava construída devido ao facto de ser uma reserva natural onde não era permitido fazer construções. Mesmo assim o General Surayuth não foi acusado de nada visto ter afirmado que “se violei a lei foi sem intenção de o fazer”, e assim não houve procedimento criminal. Será que isso irá criar um precedente jurisprudêncial?

Hoje contudo houve uma manifestação assaz diferente e bizarra.

Durante 3 horas e meia largas centenas de camionetas de carga e de turismo estacionaram numa das autoestradas de acesso a Bangkok, causando o caos no trânsito. A manifestação foi convocada pela Federação dos Operadores de Camionagem e manifestavam-se contra o facto de a Polícia da Estrada estar permanentemente a multar os condutores e a pedir largas somas ás empresas de camionagem, dizendo a Federação que em alguns casos chega a 250.000 dólares por mês, uma verdadeira exorbitância. Num país onde 94% dos inquiridos de um recente estudo levado a cabo em todo o país se mostram complacentes com a corrupção é interessante ver os outros 6% na rua.

Um facto é evidente. A agitação política dos últimos 4/5 anos, trazendo para a rua a discussão dos problemas tem alertado as consciências para muitas questões que dantes não vinham à superfície. É um longo processo de aprendizagem mas quando se aprende está-se sempre a evoluir.

A manifestação de hoje é um sinal da coragem dos seus autores e da capacidade de enfrentarem directamente uma força tão poderosa como a Polícia.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os Números de Janeiro

A Ministra da Economia, Porntiva Nakasai, anunciou ontem os números da economia do país registados em Janeiro números esses que mostram a pujança do país apesar de toda as perturbações políticas em que está mergulhado desde há muito.

As exportações, cruciais para o país, cresceram 30.8%, comparando com o mês de Janeiro de 2009, para um valor de 13.72 mil milhões de dolares e a Ministra mostrou-se confiante de que o país poderá atingir o seu objectivo de fazer crescer as exportações 14% para um total de 170 mil milhões de dolares no ano de 2010.

Sabe-se que os números da economia à um ano atrás eram maus, devido à baixa confiança no país por causa da "crise dos aeroportos"em Dezembro de 2008, mas mesmo assim é significativo e um indicador de que há sinais claros de retoma.

As importações cresceram 44.8% para um total de 13.21 mil milhões de dolares deixando assim um superavit na balança das transacções comerciais. Estes números são registados num momento em que a moeda tailandesa, o bath, tem sofrido um a forte subida o que fragiliza a competitividade da economia e de alguma forma favorece as importações como os números demonstram.

A força das economias asiáticas e a sua capacidade de mais fácilmente enfrentar a crise que se vive tem vindo a fortalecer a sua posição no panorama mundial como demonstrou o facto da China ter ultrapassado recentemente a Alemanha ameaçando sériamente tornar-se, já este ano, na segunda maior economia do planeta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Rei

Faz hoje 5 meses que Sua Majestade o Rei Bumiphol se encontra no Siriraj Hospital de onde saíu por três vezes.

Primeiro a 23 de Outubro para prestar homenagem ao seu avô o Rei Chulalongkorn, o Grande, e á sua falecida irmã, Princesa Galiany, posteriormente durante as festividades de Loy Khratong, para colocar o seu khratong a flutuar Chao Praya abaixo e mais tarde no dia do seu aniversário para falar aos dignatários e familia.

Também por três vezes recebeu no hospital altos funcionários ora para nomear os novos membros do Governo ora para dar posse aos novos Juízes dos Supremos Tribunais de Justiça e Admninistrativo.

Recentemente e durante as festividades do ano novo Chinês o Rei apareceu a uma das janelas do hospital, munido da sua tão famosa máquima fotográfica, para apreciar, e por certo fotografar, uma das suas grandes paixões, os eventos que podia observar.

A sua filha mais nova, Princesa Chulabhorn, já por duas vezes veio dizer que o monarca se encontrava bem e que saíria rápidamente do hospital.

Acontece que ainda ali se mantém mas nas vezes que apareceu o monarca não mostrava nenhum sintoma de maior debilidade, antes pelo contrário. Durante a recepção aos Juízes do Supremo Tribunal de Justiça fez um discurso de cerca de 10 minutos, sem nenhum apoio e mostrando claridade não só no que dizia como na expressão corporal.

Outro diz perguntava a uma pessoa, com acesso ao Palácio, a razão pela qual o Rei não regressava a casa já que via que tinha havido uma recuperação, não havia comunicados médicos sobre a sua saúde e por certo no Palácio teria todos os meios necessários para convalescer.

A resposta que obtive era a de que o Rei se sentia muito feliz em Siriraj, hospital fundado pelo seu pai, o Principe de Songkla, e da sua penthouse pode observar o rio, o templo do Buda esmeralda e todos outros maravilhosos edifícios que por ali se encontram.

A felicidade é um dos melhores remédios para as maleitas.