quarta-feira, 25 de maio de 2011

Noticia do Dia

A grande notícia do dia, que fez primeira página de todos os jornais, foi o facto do monarca ter ontem abandonado os seus aposentos no hospital de Siriraj para prestar homenagem à figura do seu antecessor Rama V e manter-se por alguns momentos nas margens do rio observando o seu correr foz abaixo e por certo tirar algumas fotografias juntando dois amores de sempre de Rama IX, a água e a fotografia.

A presença pública do Rei foi também motivo para nos apercebermos que a intervenção cirúrgica a que foi submetido recentemente é coisa do passado e que o monarca está em franca recuperação como foi anunciado no 43 boletim médico do palácio.

Eleições Legislativas

Termina hoje o segundo dia para a apresentação das candidaturas para os lugares a preencher nas eleições legislativas.

Os cerca de 53 milhões de eleitores terá de votar duas vezes no próximo dia 3 de Julho ou a 26 de Junho dia para as votações antecipadas daqueles que não podem exercer o seu dever no dia agendado. Votam uma vez no candidato do seu círculo eleitoral (antes da revisão Constitucional de Fevereiro de 2011 havia vários candidatos em cada círculo) e uma outra no partido que preferem na lista nacional.

Acontece amiúde votar-se num partido a nível local e num partido diferente a nível nacional. A relação directa de um candidato com os eleitores do seu círculo eleitoral é por vezes mais forte do que a simpatia que esse mesmo eleitor possa ter por um determinado partido a assim acontece haver votos diferentes. Um dos casos que pude constatar directamente é o relacionado com candidatos do partido Bhum Jai Thai que nas eleições de 2007 foram eleitos pelo partido PPP (thaksinista). Muitos eleitores questionados sobre a tendência do seu voto diziam votar no candidato que anteriormente tinham eleito (embora actualmente sob diferente bandeira) mas ao mesmo tempo "queriam Thaksin" dizendo votar no partido que o apoia, o Pheu Thai.

Haverá, de acordo com a última revisão constitucional, 375 deputados eleitos em círculos uninominais e 125 deputados eleitos a nível nacional numa lista partidária única. O Pheu Thai é o único partido que concorrerá em todos os círculos eleitorais seguido pelos Democratas que irão falhar poucos círculos. De resto a maioria dos partidos concorrerá somente nos círculos onde esperam poder ter sucesso. A nível nacional haverá contudo muitos partidos a concorrer. No Parlamento recentemente dissolvido havia deputados de 9 partidos e no futuro não será muito diferente embora se apresentem dois ou três novos partidos com alguma possibilidade de elegerem um pequeno número de deputados.

A campanha avançou ontem no meio de acusações mútuas entre os dois principais partidos, o PT e os Democratas, fundamentalmente ao nível de segundos planos. Abhisit só se manifestou para mostrar o seu desagrado com a contestação que sofreu durante o dia de campanha por parte dos seus adversários solicitando à Comissão Eleitoral que tomasse medidas mas esta saiu em defesa dos opositores dizendo que a forma como protestaram era legítima e estava dentro do código de conduta eleitoral. O incidente fez com que o PM em exercício decidisse mudar por completo o seu corpo de segurança que desde hoje passará a estar confiado a um serviço especial em detrimento dos militares do Regimento de Infantaria 21 que prestavam aquele serviço até ontem.
Surpreendente foi uma sondagem, que vale o que valem as sondagens, publicada pelo The Nation (jornal bem próximo do poder) sobre as intenções de voto em Bangkok, onde tradicionalmente os Democratas vencem, e que mostrava, apesar de haver ainda uma maioria de 52% de indecisos, uma significativa vantagem da candidata do Pheu Thai. Os números são os seguintes: PT 25,8% vs Democratas 14,7% no que respeita a lista nacional. Quanto ás listas locais (Bangkok tem vários círculos) os números eram: 26,3% contra 15,2% favorável ao PT. Perguntados quem queriam ver como Primeiro-ministro os residentes de Bangkok entrevistados responderam: 26,9 % contra 17,4% a favor da jovem irmã de Thaksin. O comentário a esta sondagem, também repetido noutros jornais, era da dificuldade que os Democratas iriam ter para tentar manter a larga maioria de lugares detida na capital (30 contra 19 do PT).

Ainda faltam contudo cerca de 40 dias.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Campanha Eleitoral

Como em Portugal a campanha eleitoral na Tailândia, que formalmente começa hoje (embora já esteja nas ruas há dias e nos jornais há meses) resume-se a dois candidatos para o posto principal e a um conjunto de outros partidos que estão disponíveis para formar uma coligação a troco de lugares, favores e tudo o que os ajude a continuar no poder.

Também aqui há um candidato, à semelhança do MRPP-PCTP em Portugal, que só quer ser eleito para estar na oposição e ser uma voz diferente. Refiro-me a Chuvit o sempre energético candidato que se apresenta a várias eleições e recebe sempre alguns apoios devido á sua linguagem directa e pouco elaborada bem diferente daqueles que "têm de ser politicamente correctos" para ganhar os votos do povo.

Parece igualmente claro que nenhum dos dois principais partidos, o Pheu Thai (PT) e os Democratas (Ds) irá obter a maioria embora os seus líderes continuem a lutar por ela e dizerem-se confiantes de que a atingirão.

A última sondagem saída ontem e elaborada pela Universidade Assumption (católica), dava uma vantagem de cerca de 6 pontos ao PT sem que contudo isso significasse uma maioria.

Deste modo os partidos de menor dimensão, que se espera poderem obter cerca de 100 deputados num parlamento de 500, serão os pivots da formação da nova coligação que governará a Tailândia nos próximos 4 anos.

A actual coligação no poder, que tem todos os ingredientes para continuar, tem contra si o facto dos Ds muito provavelmente não conseguirem ser o partido mais votado e de uma forma normal em Democracias a primazia para a formação de um governo dever ser dada ao partido mais votado, questão aliás também muito debatida recentemente em Portugal.

Contudo a coligação que actualmente é feita com os Ds pode ser feita também com o PT embora seja conhecido que um dos principais partidos desta coligação, o Bhum Jai Thai (BJT) já tenha dito pela boca do seu líder que "mesmo que ganhe o PT não será autorizado a formar governo".

A subida do PT ao poder , e tendo em atenção a forte divisão existente na sociedade tailandesa e as experiências do passado, significará instabilidade e a possibilidade de voltarem práticas não democráticas de se fazer ouvir as vozes descontentes. O contrário é igualmente verdadeiro e se o PT ganhar e for impedido de formar governo o movimento vermelho que o apoia sairá decerto à rua eventualmente arrastando essa maioria de votantes, e o cenário não é muito promissor.


Uma eventual coligação dos 2 maiores partidos, muitas vezes falada e eventualmente desejada, parece muito pouco provável, e neste momento mais por parte dos Ds do que por parte do PT que é o único partido a colocar como item na sua agenda política a reconciliação.

Abhisit e a jovem Yingluck são assim os candidatos à cadeira do poder mas quem os irá lá colocar, para além da força dos votos que tiverem atrás de si, serão os pequenos partidos e, como amiúde tem acontecido no passado, aqueles que por detrás dos bastidores irão determinar o que se seguirá ao dia 3 de Julho.

A campanha será renhida e embora tenha sido assinado pela maioria dos partidos um código de (boa) conduta o facto é que ainda no Domingo um político regional foi abatido a tiro e o Chart Thai Pattana (CTP) advertiu que nenhum dos seus candidatos se deveria aventurar sozinho ou a fazer propaganda á noite. Outros casos têm acontecido. Nos últimos 15 dias houve já o caso de um Deputado do PT que viu o seu carro ser varrido por balas de M16 tendo ficado ferido com duas balas alojadas no corpo. No passado fim-de-semana o filho de um General da Polícia e ex Ministro de governos de Thaksin (PT) foi encontrado morto numa piscina sem que se conheça a causa.

Até ao dia 3 de Julho muitos casos irão acontecer e o papel, muito contestado por todos os partidos, da Comissão de Eleições vai ser vital para se conseguir levar a cabo eleições da melhor forma possível dentro dos condicionalismos existentes como o facto de o Internal Security Office Command uma agência militar que se concentra nas questões tidas como de segurança nacional, ter despachado para as províncias afectas ao PT milhares de efectivos para "assegurar a ordem" que no seu entender só é preocupante naquelas áreas. Bangkok, onde se têm registado os maiores confrontos dos últimos anos, e o Sul onde diariamente há atentados e morrem pessoas por esse facto (hoje foram dois militares) não estão neste momento nas preocupações do comando.

O fundamental será neste momento o comportamento dos políticos, à cabeça dos quais se colocam Abhisit e Yingluck, no sentido de darem corpo a uma campanha que ajude a resolver os diferendos no país e não seja pelo contrário mais um foco de conflito.

Este é o meu voto para o dia 3.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Código de Conduta



Decorreu esta manhã uma cerimónia numa muito bem intencionada organização do Dr. Gotham Arya, Professor da Universidade de Mahidol e que teve como objectivo a assinatura de um Código de Conduta dos partidos políticos código esse que se quer implementado na próxima campanha.

Os objectivos são universais de encorajar os partidos políticos e os seus candidatos a praticarem o bem, a defenderem os interesses dos seus eleitores, a comportar-se com civismo e dentro do respeito dos princípios da democracia que se quer ver em qualquer eleição pelo mundo fora.

Associaram-se a esta cerimónia os líderes religiosos das três mais importantes comunidades, a budista, a muçulmana e a católica, que falaram a fizeram ver os valores que devem nortear a conduta daqueles que têm por missão servir o povo e o país que os elegem e que representam.

A cerimónia foi testemunhada por muitos elementos do corpo diplomático acreditado na capital mostrando o interesse com que vai ser seguido o próximo acto eleitoral e foi apadrinhado pelo actual presidente do Senado e pelo secretário-geral da Comissão Nacional de Eleições que receberam, cada um, um livro contendo o código devidamente assinado pelos 18 partidos que se quiseram associar a este acto.

O código em si é uma simples manifestação de valores sem qualquer efeito vinculativo mas é ao mesmo tempo um elemento importante da sociedade civil em querer fazer ouvir os seus valores e por isso se saúda.
Ficam contudo algumas notas da cerimónia. Dos principais partidos dois dos mais importantes actuais parceiros da coligação no poder e mais do que certo membros de qualquer coligação futura, Bhum Jai Thai e Chart Thai Pattana, não se fizeram representar. À parte alguns partidos sem expressão, actual e muito provavelmente futura, nenhum partido se fez representar por uma figura de topo a nível de direcção. Dois dos partidos que assinaram o código criam algum sorriso cínico nas caras das pessoas. O Partido da Nova Política, o braço político do PAD-Amarelo, que advoga a não participação no acto eleitoral por um lado e o Matubhum o partido liderado pelo autor do golpe de estado de 2006 ou seja liderado por quem agiu contra o processo democrático.

Louve-se o Ajarn Gotham pelo seu continuado esforço em prol de uma Tailândia melhor e as esperanças de actos como o de hoje deixem sempre algumas raízes que ajudem a fazer crescer a Democracia.

terça-feira, 10 de maio de 2011

3 de Julho

A dissolução do Parlamento foi anunciada e terá efeito a partir de hoje dia 10 de Maio.

Deste modo serão realizadas eleições no dia 3 de Julho com votação antecipada para 26 de Junho.

Na Tailândia, um país com uma grande percentagem de população migrante entre províncias, foi aberta a possibilidade de os leitores que estejam indisponíveis para votar no dia das eleições possam votar uma semana antes mas para isso têm de previamente fazer o registo da sua indisponibilidade junto de uma assembleia eleitoral do local onde se encontrem.

O processo acaba por prestar-se a algumas dúvidas pois sendo feitas e publicadas sondagens sobre esse voto antecipado tal pode de alguma forma interferir no processo eleitoral.

Começa agora a contarem-se os prazos para a "corrida" do dia 3 de Julho.,

Durante este mês de Maio terão de ser apresentados os candidatos. O processo eleitoral tailandês compreende dois tipos de candidatos. Os que concorrem e são eleitos numa lista partidária nacional (utilizando-se o método de Hondt para determinar o número de eleitos por partido) e os que concorrem nos vários distritos e são de alguma forma deputados pela província onde concorrem.

Recentemente, a 11 de Fevereiro foi alterada a Constituição criando-se constituências de um só deputado e não como anteriormente acontecia onde também se utilizava o método de Hondt em cada círculo eleitoral. Foi igualmente alargado o número de membros do Parlamento dos actuais 480 para 500 sendo que 125 são eleitos em lista nacional e os restantes um por cada círculo que foram redesenhados.

A campanha vai ser dura já que todas as sondagens até ao momento mostram que parece pouco provável haver uma maioria saída dos resultados destas eleições. Uma vez mais vão ser os pequenos partidos os que vão determinar quem será o próximo governo.

Uma das questões que mais se tem levantado recentemente é a de saber quem deve formar governo.

O partido na oposição, que de acordo com todas as sondagens, se apresenta como o favorito diz que deve formar governo e reclama que Abhisit assuma que assim deverá ser mas a posição do PM e de o seu mais importante aliado na actual coligação é que deverá ser dada a oportunidade a quem conseguir formar um governo maioritário, ou seja, atenta a mais que provável não existência de uma maioria, à actual coligação no poder. Nevin Chidchob o líder de facto do principal aliada de Abhisit já disse mesmo que se o Pheu Thai ganhar não poderá formar governo.


Entretanto o Pheu Thai irá apresentar como candidato a PM a irmã mais nova de Thaksin, Yingluch Shinawatra, numa tentativa de com esta escolha "matar dois coelhos de uma cajadada". O apelido dela atrai a população votante do ex PM e o facto de ser uma mulher, jovem, bonita e com grande sucesso no mundo empresarial constitui um trunfo para atrair eleitorado mais habituado ao modo urbano do actual PM Abhisit.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Adiamento

Começam a aparecer sinais de que o Parlamento não será dissolvido amanhã como tudo fazia prever.

Na semana passada o Líder do Parlamento anunciou que ontem, dia 4 , seria a última reunião do mesmo, o PM na sua alocução televisiva de Domingo passado anunciou que essa seria a última e todos os partidos políticos já anunciaram as suas listas e os seus candidatos para concorrer às eleições inicialmente previstas acontecer no dia 26 de Junho.

A dissolução do Parlamento é decidida pelo PM que solicita aprovação ao Rei que a confirma, ou não, através de um decreto real onde em simultâneo convoca eleições que não se poderão realizar antes de 45 dias nem após 60 dias da data da dissolução.

Contudo começaram a aparecer sinais de que tal seria impossível.

Várias figuras de grande peso politico, entre as quais o Vice-Primeiro Ministro Suthep, vieram a dizer que haveria ainda alguns obstáculos legais para serem cumpridos como a aprovação pelo Tribunal Constitucional das três leis eleitorais necessárias após a alteração da constituição aprovada a 11 de Fevereiro passado.

Essas leis foram enviadas para o tribunal no início da semana e o processo de apreciação não estará a ser tão célere como o PM Abhisit desejaria.

Barnharn Silpa-archa, o veterano da politica, actualmente com 78 anos, ex PM e líder de facto (recorde-se que perdeu os direitos políticos por 5 anos na sequencia da dissolução do seu anterior partido) do actual Chart Thai Pattana, veio dizer que Abhisit não deveria apresar-se a dissolver o Parlamento num momento “em que o Rei não havia ainda recuperado da operação que realizou na passada Segunda-feira”.

Abhisit ontem voltou a dizer que o calendário por ele anunciado ainda era válido mas é uma declaração sem conteúdo visto ser mais do que certo que o processo irá sofrer um atraso.

O simples facto de não haver uma normalidade a 100% no sistema poderá implicar o recorrer a mecanismos previstos na constituição o que será demorado.

Convém então esperar.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Natal em Maio

O Pai Natal tailandês apareceu este ano mais cedo mas, com o mais que possível anúncio de eleições à porta, está "justificado".

Hoje o Bangkok Post intitula ao largo da primeira página "Abhisit acusado de compra maciça de votos" referindo-se á verdadeira "orgia" de aprovações de despesas que foi o conselho de ministros de ontem tido por ser o último desta legislatura antes da realização de eleições.

Já ontem me referi a esta reunião do gabinete mas vale a pena relembrar os números: 102 pontos na agenda acrescidos de 96 fora da ordem do dia também para discutir mais 56 relatórios a serem considerados! Obra ciclópica diria Marcello Caetano.

Começou às 8 da manhã e estendeu-se por todo o dia e acabou por ser considerado pelos vários jornais, quer de língua inglesa quer de língua tailandesa, como um verdadeiro acto de campanha eleitoral. Interessante de notar que o único jornal que não traz nenhuma referência ao assunto na primeira página é o jornal de língua inglesa The Nation, normalmente sempre muito próximo dos pontos de vista do governo.

Um dos pontos mais atacados é a concessão de dois anos de moratória na aplicação de juros para a compra da primeira habitação. A partir da próxima Sexta-feira quem queira comprar casa, pela primeira vez (ou arranje alguém que faça esse favor em nome de alguém que já tenha uma ou várias casas) terá direito a não pagar juros nos dois primeiros anos do contracto de hipoteca. Esta decisão contraria claramente a declaração feita á imprensa pelo porta-voz do PM de que afirmou ontem só ter sido aprovada uma despesa de 733 milhões de baht (56 milhões de euros), já prevista no orçamento, visto todos os outros pontos serem unicamente promessas orçamentais dependentes de posteriores aprovações. A anterior referida não é uma promessa (aplica-se a partir do dia 6) até porque se o fosse iria criar uma grande confusão no mercado imobiliário. Por outro lado não é com promessas que se ganham votos?

O quadro acima mostra as aprovações do conselho sem incluir as despesas destinadas aos militares que são de grande monta como ontem referi.

O total ronda os 1,2 mil milhões de euros. Num momento em que o deficit orçamental já era uma preocupação do Ministro das Finanças nota-se a generosidade do governo. Se aplicassem esse valor na compra de dívida externa portuguesa por certo que obteriam um bom retorno (com o elevado risco associado) o que seria também uma boa acção de ajuda a um "doente" por certo apreciada na altura em que se comemoram os 500 Anos das relações entre os dois países.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A três dias da Dissolução do Parlamento

Hoje está a acontecer o último Conselho de Ministros que tem uma agenda de mais de uma centena de pontos para cumprir.

Todos os últimos decretos serão aprovados hoje e espera-se um "bodo aos pobres" em termos de aprovações orçamentais extraordinárias. Esta manhã um jornal falava que possivelmente seria também aprovado um projecto que tem gerado bastante controvérsia que é a aquisição de 7 submarinos alemães, recentemente abatidos ao activo, por uma verba que é considerada bastante elevada face quer á necessidade da marinha tailandesa ter aquele tipo de embarcações (nunca houve submarinos no activo) quer á opção de compra de submarinos novos coreanos ou chineses. Este projecto que tem sido apadrinhado pelo Chefe do Estado-maior da Armada não tem recebido o apoio total do Ministro da Defesa que parece inclinar-se para a solução coreana.

A Comissão Eleitoral reuniu-se ontem com líderes e representantes dos principais partidos políticos e estes assinaram um acordo de cinco pontos relativo às eleições legislativas de 2011: 1) Não envolver a monarquia nas questões políticas nem a usarem para fins eleitorais, 2) Cumprir rigorosamente a Lei Eleitoral, 3) Não usar recursos estatais para a campanha, 4) Realizar a campanha de forma pacífica, sem ameaçar os concorrentes, e 5) Respeitar os resultados eleitorais.

Assim se desejaria que corresse a campanha mas é sabido, como a classe política, aqui e na maioria dos países, por norma esquece aquilo que assina com a rapidez de um raio. Lembro aqui que no Domingo passado Nevin Chidchob, o ex braço direito de Thaksin agora líder de facto do Bhum Jai Thai aliadao de Abhisit no governo, disse que "mesmo que o Pheu Thai ganhe as eleições nunca serão autorizados a formar governo".

De qualquer forma sejamos optimistas e acreditemos, uma vez mais, que quer a campanha quer os resultados das eleições serão respeitados por todos.

Entretanto o Rei Bhumibol foi submetido ontem à noite a uma intervenção cirúrgica para diminuir o nível anormalmente elevado de líquido cefalorraquidiano existente no cérebro. "Esta situação, comum entre os idosos, cria instabilidade impossibilitando o Rei de andar". A equipa médica composta por especialistas tailandeses e estrangeiros recomendou o tratamento que envolve colocar um dreno no ventriculoperitoneal para retirar o líquido cefalorraquidiano para a cavidade abdominal. A condição pós-operatória do Rei é boa ", assim era dito no comunicado emitido pelo Palácio. O estado de saúde do Rei, actualmente com 83 anos e internado desde Setembro de 2009, cria sempre grande preocupação entre os tailandeses que vêm nele a figura reverenda de um pai.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eleições

Tudo aponta para que na próxima Sexta-feira o Primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva anuncie a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições que deverão ter lugar no próximo dia 26 de Junho.

De um ponto de vista formal a prerrogativa de dissolução do Parlamento compete ao Rei que o poderá fazer a pedido do PM. Desse modo Sua Majestade assinará um decreto real onde é anunciado em simultâneo a dissolução da câmara e a data das novas eleições que terão de se realizar num período não inferior a 45 dias nem superior a 60 dias a contar da data da dita dissolução.

O presidente do parlamento também já anunciou que a última sessão seria na Quarta-feira dia 4 e ontem mesmo o PM, que todos os Domingos fala num programa televisivo anunciou que o seu programa era o último.

Estão assim reunidos todos os condimentos para se prepararem as próximas eleições.

Mesmo sem esses anúncios era sabido e sentido que o acto "estava no ar".

Os diversos partidos políticos puseram em marcha a sua máquina eleitoral, escolheram os seus candidatos, reuniram para angariar fundos e anunciaram políticas.

Por outro lado há outros sinais bem visíveis sobre a aproximação d acto eleitoral.

As políticas de "mãos rotas" do governo estão em marcha há alguns meses. Ontem mesmo o PM, na sua alocução televisiva prometeu um novo aumento dos salários mínimos em mais 25%. Dizia-me hoje um colega que as pessoas não leram as "letras miudinhas" do anúncio pois esse salário só será para muito poucos e de forma lenta para não afugentar os votos do sector empresarial. Recorde-se que este mês de Abril viu os funcionários públicos receberem uns chorudos aumentos que no caso dos administradores locais (tipo presidente de junta de freguesia) chegou aos 100%. De igual modo foi feita uma revisão alargada do salário mínimo e mantidos artificialmente, através de subsídios á produção, o preço de um grande conjunto de bens essenciais.

Anuncia-se que no conselho de Ministros de amanhã, o último desta legislatura, serão aprovados vários pacotes de despesas adicionais: 65 milhões de euros para as Finanças para suportar o programa de manutenção de preços artificiais; 165 milhões para a Defesa comprarem uns tanques de fabrico Ucraniano; 744 milhões para os Transportes para a melhoria de sistemas de transporte. O último ministério é liderado pelo partido Bhum Jai Thai que tem por função principal nas próximas eleições fazer diminuir o poder do Pheu Thai (taksinista-vermelho) no Nordeste do país.

Outro sinal de que vêm aí eleições é o muscular da posição de alguns sectores de forma a controlar eficazmente as vozes discordantes. O uso da lei que pune comentários tidos por negativos sobre a monarquia teve um forte crescendo no último mês e de igual modo foram silenciadas, na semana passada, bastantes estações de rádio tidas por simpatizantes do movimento vermelho levando mesmo a chefia do Comando de Segurança Interna a dizer que muitas haveria mais umas 800 rádios para serem encerradas devido "ás suas actividades ilegais".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Situação na Fronteira

Após 6 dias de escaramuças na fronteira e das queixas de muitos, fundamentalmente daqueles que ou vivem nas zonas onde se passam os combates ou do comércio que por elas passa, parece que a postura dos militares de ambos os lados abrandou ligeiramente e hoje, até ao momento não ouve troca de tiros.

Contudo estamos longe de ter as questões esclarecidas.

Uma reunião entre os dois Ministros da Defesa agendada para hoje acabou por ser esta manhã cancelada abruptamente pelo Ministro Pravit depois de um jornal de Phnom Penh ter reproduzido palavras atribuídas ao Ministro da Defesa cambojano dizendo que os tailandeses teriam solicitado que as partes se sentassem á mesa das negociações facto que foi visto, deste lado da fronteira, como uma tentativa de fazer crer que os tailandeses tinham capitulado ou estavam a ser forçados a sentarem-se a uma mesa negocial depois de serem derrotados na frente de combate. Entretanto, em mais umas declarações desligadas, o PM Abhisit disse também esta manhã durante uma visita que fez ás tropas estacionadas na frente de combate, que as reuniões com os cambojanos, com o objectivo de encontrar uma solução pacífica para o conflito, aconteceriam como estava previsto.

A tensão é tanta que qualquer mal entendido é pretexto para atitudes ou respostas de uma ou de outra parte.

Num artigo de fundo hoje no jornal The Nation, Supalak Ganjanakhundee, titula que a Tailândia necessita de rever a sua posição sobre a questão da fronteira e alega que Abhisit tem errado na postura diplomática ao tentar misturar várias questões diferentes e impossíveis de coordenar no mesmo período de tempo.

A seguir os desenvolvimentos durante o resto do dia. Recorde-se que as escaramuças ontem aconteceram não só no local onde se têm desenvolvido desde Sexta-feira mas também e de novo em volta de Prahe Viharn, cerca de 150 km a nordeste.

Entretanto ontem o conselho de ministros aprovou dois pedidos pelos militares de mais fundos: um no valor de 28 milhões de Euros para as actuais operações na fronteira e outro de 207 milhões de euros para um fundo especial do Comando Operacional das Forças Armadas.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mais Uma vez. Tailândia e Camboja

Tropas tailandesas e do Camboja voltaram a confrontar-se desde Sexta-feira passada contando-se até ao momento 12 mortos e umas dezenas de feridos, alguns com gravidade, números referentes a acidentados dos dois lados.

Como de costume ambas as partes acusam a outra de ter feito o primeiro disparo e cada vez parece mais longe a possibilidade de encontrar uma solução negociada e pacifica para o conflito nesta tão mal demarcada fronteira entre os dois países membros da ASEAN. Hoje mesmo o MNE Indonésio, presidente em exercício da associação, era para se ter deslocado às duas capitais no sentido de entender a situação e encontrar uma saída mas acabou por ter de cancelar as visitas visto ter concluído que não iria conseguir adiantar nada.

Para além da longa história já várias vezes relatada recorde-se que a 22 de Fevereiro passado, após uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os MNE dos 10 países da ASEAN reuniram-se no sentido de encontrar uma plataforma de entendimento para o conflito e acordaram que a Indonésia enviaria para a fronteira uma equipa de observadores e igualmente acolheria no seu território uma reunião da Comissão de Demarcação de Fronteira (JCB) que está inoperante desde há muito.

O Camboja de imediato acordou nos termos de referência da missão de observadores mas a Tailândia, por imposição dos seus militares, paralisou o processo. De igual modo o Ministro da Defesa e o comandante-chefe do Exército recusaram participara na reunião do JCB alegando que ela deveria realizar-se sem a participação de terceiros ao contrário do acordado pelo MNE Kasit em Jacarta.

Deste modo foi-se vivendo umas tréguas não formalmente acordadas e nada foi avançado no processo de encontrar uma solução para o problema. Tem sido sempre esta a posição da Tailândia a de evitar a intervenção de terceiros no conflito possivelmente devido ao sentir de que se estes vierem a ter alguma participação numa decisão essa será, como sempre tem sido nos fóruns internacionais, favorável ao Camboja.

A Tailândia prefere viver assim numa paz podre alegando sempre que os militares dos dois países têm uma muito boa relação e as escaramuças que possam acontecer são sempre incidentes provocados com intenções políticas externas aos interesses na região.

Refere hoje uma notícia que ontem mesmo quando o MNE Kasit visitou de surpresa a área os militares não o deixaram ir á zona do conflito alegadamente por motivos de segurança mas, relata-se, na verdade para mostrar o desacordo por parte dos militares com a forma como tem conduzido o processo.

Os militares de ambos os países fizeram deslocar para o local fortes contingentes e ambos têm também utilizado por vezes a força aérea quer para espionagem quer para bombardear posições, isto no caso dos tailandeses, como é conhecido muito mais bem apetrechados em equipamento.

Parece contudo hoje claro que o incidente desta vez foi preparado e montado pelos cambojanos no intuito de mais uma vez pressionar os tailandeses a aceitarem a mediação internacional.


Na semana passada o exército cambojano fez deslocar para o local homens e equipamento para "um exercício de rotina" e numa zona territorial em disputa começaram a construir um "bunker" de protecção tendo levado, segundo observadores, a que o exército tailandês tivesse aproximado os cambojanos exigindo a destruição dessa construção. Do lado contrário diz-se que os tailandeses em vez de solicitarem a paragem dessa construção começaram logo a disparar e desse modo as tropas tiveram de responder.

Enfim as escaramuças vão continuando, os locais (mais de 30.000 deslocados no lado tailandês) sofrendo as consequências e como sempre culpando os políticos pela situação.

Resta continuar atento e ver o que se passa amanhã mas o volume e a qualidade de tropas e equipamento colocado de um e de outro lado na fronteira nas províncias de Surin e Buriram, do lado tailandês, não é bom presságio de nada positivo.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Hipocrisia no Mundo

Esta manhã ao ler o The Nation reparei no "cartoon" que mostram a lembrei-me da Páscoa.

Parece uma contradição mas na realidade a Páscoa é (ou deveria ser) um bom momento para parar e reflectir naquilo que somos e naquilo que vamos fazendo.

A pausa que a Páscoa permite em quase todo o Mundo deveria ser propícia a um momento de reflexão sobre o nosso dia a dia.

Um dos maiores pecados da nossa civilização é a Hipocrisia, a falta de dignidade e verticalidade naquilo que fazemos.

Uma coisa que sempre muito apreciei e sempre me guiou foi a minha Independência a minha capacidade de não necessitar de "lamber botas" nem atropelar ninguém para atingir o que quer que seja na vida.

Olhar para o lado, para cima e para baixo, enfim para todos os que nos rodeiam, com os mesmos olhos, olhos de ver, de entender e de escutar deverá ser a forma de nos comportarmos na sociedade. Deveremos ter em mente constantemente o velho provérbio " não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti" não por medo de sofrer mas como uma prática de vida e de respeito pela dignidade dos outros.

Esta é de alguma forma uma mensagem de Páscoa que aqui queria deixar.

Voltando ao "cartoon" ele é por si um muito bom exemplo da Hipocrisia do Mundo em que viemos que nada mais é do que a falta do nosso respeito para connosco próprios.

A sua legenda é simples. A Republica Popular do Laos está empenhada na construção de uma barragem no Mekong e isso tem levantado clamores em toda a região e nas mais variadas organizações internacionais pelo facto de tal poder ser uma grave afronta á sustentabilidade do ecossistema na região e poder pôr em causa o sustento de muitos que vivem de actividades na parte baixa do rio. Até terão razão:

Essas mesmas vozes calam-se, escondem-se que nem ratos, quando a China construiu uma enorme barragem a montante do mesmo Mekong, com efeitos muito mais danosos, da mesma forma como condenam violentamente as violações dos direitos humanos na Birmânia e se calam quando o mesmo ou pior acontece na China.

A actual subserviência ao poder económico da China. Ao facto de ser o maior mercado para qualquer produto e/ou companhia leva a tapar os olhos sem nada dizer sobre o que naquele gigante dragão acontece e a "bater furiosamente" nos pequenos gatos que pouco mais fazem do que arranhar. O mesmo se passa agora na Líbia quando todos aqueles que andaram a bajular e a beijar Gadhaffi lhe apontam a porta de saída.

Esta política de duas caras é uma verdadeira demonstração da nossa menoridade como seres humanos e da hipocrisia reinante no Mundo.

A incapacidade existente para formar pessoas livres e com qualidades que possam ser líderes no nosso caminho é tremendamente preocupante.

Onde estão os valores que tão Hipocritamente queremos demonstrar?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Songkran e Hipocrisia

Na semana passada passou mais um Songrkran, o ano novo tailandês também conhecido como o Festival da Água, água purificadora, e como sempre, para além dos feriados e paragem que tais festividades provocam, houve motivos de sobra para comentar o acontecido.

Os dois últimos Songkran foram, infelizmente, marcados pela violência trazida pelas manifestações vermelhas, mas o deste ano mostrou de novo a faceta de animação que deve caracterizar este momento do ano.

Para além das festividades há sempre o drama dos acidentes de automóveis nos quais perdem a vida muitos tailandeses. Este ano os números foram ligeiramente mais baixos, 3.215 acidentes, mas mesmo assim inaceitáveis visto terem morrido no curto espaço de 6 dias 271 pessoas e ficado feridas 3.476 alguns dos quais por certo virão a falecer ou ficar incapacitadas para sempre.

Este é o eterno problema, não só aqui, da mistura explosiva do álcool com a condução de veículos.

Contudo este ano houve um incidente que dominou todas as manchetes dos jornais e que de acordo com um muito bem escrito artigo de fundo no Bangkok Post mostra a hipocrisia de uma certa parte da sociedade tailandesa, infelizmente da classe que de uma forma ou outra controla e detêm o poder.

O incidente resume-se ao facto de ter havido três raparigas, com idades entre os 14 e 16 anos, que no auge da loucura que se apodera de muitos durante aquelas festividades subiram para o cimo de um carro e dançaram com o peito descoberto.

Tal facto levou a que o director do distrito de Bangrak, onde tal aconteceu, o mesmo distrito onde se situam todos os clubes de Patpong e vizinhanças onde muito pior se passa, apresentasse uma queixa na polícia contra o "acto obsceno e imoral" das raparigas que estariam, no seu entender, a dar uma má imagem da Tailândia ao mundo.

Note-se que o Ministério da Cultura tinha (refiro o passado pois subtilmente foi retirado ontem) no seu sítio de internet a aguarela de Somphop Butrach (figura acima), alusiva à festividade do Songkran e que mostrava exactamente três dançarinas com vestidos tradicionais tailandeses, mas de peito descoberto, a saudarem a chegada do novo ano tailandês.

O artigo de Pichai, o Editor Chefe do Bangkok Post, que vale a pena ler, põe a nu a hipocrisia de actos como os levados a cabo pelas autoridades que "branqueiam as mesma práticas que condenam práticas essas que desfilam bem debaixo dos seus narizes".

quinta-feira, 31 de março de 2011

Submarinos

Um dos temas do momento é a mais que provável decisão do governo esperada (ansiosamente) pelo Chefe do Estado-maior da Armada sobre a compra de seis submarinos alemães que hoje mesmo são desactivados do serviço efectivo das forças armadas alemãs.

Diz o CEMA tailandês que os submarinos têm um tempo de vida de 6 a 7 anos e por isso requer uma decisão urgente do Governo.

Clama-se que o país necessita de fortalecer a sua esquadra no Mar Andamão visto os seus vizinhos (Singapura, Malásia e Índia) estarem muito melhor equipados do que a marinha tailandesa e que a ambição de ter submarinos já tem 60 anos.

Num momento em que a generalizada subida dos preços com o consequente impacto no agravar das condições do custo de vida para as populações está a pedir muitos sacrifícios há muitas perguntas no ar sobre a razão da compra e necessidade daqueles submarinos.

No momento também em que o Sul do país se debate com fortes problemas provocados por chuvas intensas e onde muitos (relata-se mais de 1 milhão) se encontra desalojado e a viver de apoios que lhes possam ser fornecidos e pelas doações que estão a ser pedidas em todos os meios de comunicação social as vozes contra o dispêndio dos 7,7 milhões de baht não se calam.

Coincidência ou não a marinha tem sido a principal força a actuar no apoio às vítimas mostrando e dando uso aos meios de que dispõem.

O cartoon hoje publicado pelo Bangkok Post é bem o sentir de muitos sobre a situação.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Clima na Tailândia

Já há dias me referi ao clima actual na Tailândia e ás suas mudanças não muito diferente do que se passa pelo Mundo. Já passou aquela altura em que podíamos responder com certeza ao tempo que iria fazer numa certa altura do ano. Em Agosto por certo que havia calor e em Dezembro frio e chuva. Agora parece que tudo mudou e para pior. Não sou cientista só sei ler as permanentes noticias sobre as modificações climatéricas que o nosso modo de vida vai causando a este planeta mas penso que é de todos sentido que a nossa acção não é de facto a melhor. Basta vermos os fumos e os gazes que produzimos, os triliões de toneladas de lixo não biodegradável que atiramos para o mundo, para vermos que algo está mal. Por outro lado as mais constantes catástrofes naturais deveriam ser uma alerta mas são somente um sinal para mais discussões e reuniões infrutíferas. Actualmente a Tailândia está a sofrer o seguinte, numa altura em que deveria haver tempo seco temperaturas entre os 25 e os 30 graus e pouca humidade. Frio em Bangkok e no norte do país com temperaturas a atingirem os 4,8º na província de Loei. Em Bangkok sente-se realmente frio e nestes todos anos que já cá vivo foi este o primeiro em que senti frio de verdade. A temperatura varia entre os 15 e os 22 º mas o vento que também não existe normalmente faz com que a temperatura real seja bastante inferior. No Norte do país morreram inúmeras cabeças de gado devido ás baixas temperaturas e o Ministério da Agricultura já pôs em funcionamento vários apoios a agricultores que não estão habituados a estas temperaturas. Outras zonas do Norte e Nordeste foram declaradas zonas de seca pois não chove a os arrozais estão a esgotar a água.

Mas o problema maior regista-se no Sul onde já morreram pelo menos umas 20 a 30 pessoas por problemas causados por fortes chuvas e ventos que inundaram um largo número de províncias e deixaram milhares de turistas bloqueados em Samui, Ko Tao, Ko Pangnan e Krabi. O total de pessoas afectadas anda na casa de 1 milhão. A marinha já fez deslocar para lá um porta-aviões e uma fragata de modo a possibilitar a evacuação de populações aprisionadas pelas águas e as operações de socorro prosseguem. Não há dúvida que o país é bastante comprido cobrindo cerca de 12º de latitude mas temos actualmente quase que todas as situações climatéricas e algumas totalmente opostas. Para além disso não são as esperadas ou previsíveis para esta altura do ano. Os consulados de todos os países têm estado a trabalhar sem descanso para informar o seus nacionais que se encontram bloqueados pelas cheias ou aguardando transporte mas há sempre quem tenha um prazer em entrar pela porta errada.


Um jornal de Phuket Wan Tourist News anunciava esta manhã num despacho de um jornalista (?) que perto de Krabi tinha havido uma avalanche que tinha destruindo 8 aldeias e havia pelo menos 1.000 mortos. Nos dias de hoje como se sabe a notícia espalhou-se rapidamente e colocou todos em busca da verdade que felizmente está muito longe daquilo que o senhor Allan Morison escreveu. Houve na verdade uma pequena avalanche, como é normal nestes casos de chuvas intensas e contínuas, que provocou a morte, confirmada de 10 pessoas. Uma questão de zeros e de seriedade que ainda não vi desmentida no dito jornal (?). Assim vamos tratando o nosso mundo.


Mal com a nossa actuação descuidada e pessimamente aqueles que pensam informar mas desinformam.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Encerramento do Aeroporto

O Tribunal Civil acaba de pronunciar uma sentença condenando 13 líderes do PAD a pagar à AOT, a empresa que gere os aeroportos tailandeses, a quantia de 552 milhões de baht, qualquer coisa como um pouco mais de 12 milhões de euros, pela ocupação e consequente encerramento dos dois aeroportos da capital durante uma semana em Dezembro de 2008.

Será que vai ser pago é uma questão que fica no ar?

Note-se a disparidade deste número com o então calculado pelo Banco da Tailândia, o banco central, que foi de 61 mil milhões de euros de prejuízo. De igual modo bastantes companhias aéreas estrangeiras que viram as suas operações afectadas solicitaram à AOT indemnizações de largas centenas de milhões de Euros. Tal indemnizações não chegaram a ser pagas porque foram feitos acordos extrajudiciais com os queixosos. Não me parece que as companhias tivessem baixado os seus pedidos das largas centenas de milhões para se encaixarem naqueles "modestos" 12 milhões.

Um caso a seguir.

Declarações em tempo Eleitoral


Em tempos de pré campanha eleitoral muitas vezes dizem-se coisas que fazem pouco sentido e algumas provocam mais ondas de choque do que o tremor de terra ontem sentido no Norte da Tailândia cujo epicentro se situou na Birmânia não muito longe da fronteira com Chiang Rai. Desse tremor não são conhecidas as consequências no país vizinho, sempre tão fechado ao Mundo, e aqui provocou a morte de uma mulher que foi atingida pela parede da sua casa que ruiu, na província de Chiang Rai,

Foi esse o caso das palavras proferidas pelo Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban ontem e relatadas em toda a imprensa nacional e internacional.

Os jornalistas perguntavam a Suthep sobre a possibilidade de haver observadores estrangeiros nas próximas eleições parlamentares em princípio agendadas para a última semana de Junho ou primeira de Julho ao que o governante respondeu não.

Suthep numa declaração muito clara, afirmou que " Eu não respeito os estrangeiros (usou a palavra farang sinónimo de ocidentais) e acho que não temos que nos vergar a eles" para continuar dizendo não entender como é que os camisas vermelhas queriam "abrir mão da soberania tailandesa" ao requererem que observadores estrangeiros estivessem presentes durante as eleições.

Suthep estava a fazer uma intervenção política clara, tentando apelar a elementos nacionalistas mas foi pouco cuidado na forma como se expressou o que espantou tudo e todos.

Recorde-se que a Tailândia se dispensasse os "farangs" e outros estrangeiros como os japoneses, veria a sua indústria basicamente desaparecer visto ela ter por base, em mais de 80%, o investimento estrangeiro.

No que respeita a observação das eleições continua a ser confundido tal facto como uma ingerência interna nos assuntos tailandeses tal como o foi durante as eleições de 2007. Recordo que nessa altura quando o então Embaixador de Portugal, exercendo a presidência da União Europeia, foi propor ao governo uma missão de observação, tal facto originou fortes e errados comentários na comunicação social alguns mesmo de carácter profundamente xenófobo. As missões de observação eleitoral da UE acontecem em muitos países no Mundo, incluindo os Estados Unidos, e são sempre bem recebidas pois são usadas para fortalecer o processo e nunca para nele se imiscuir.

Suthep para terminar a sua cruzada anti-estrangeiro acabou a dizer que concordava com os chefes militares tailandeses no que respeita a recusarem-se a participar na reunião da Comissão de Demarcação da Fronteira (com o Camboja) agendada para Jacarta dentro de duas semanas visto no seu entender a reunião não necessitar de nenhuma mediação e deve ser somente bilateral. Suthep parece ter-se esquecido que essa reunião tinha sido previamente acordada (a 22 de Fevereiro) pelo seu colega de gabinete, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, e por certo a posição da Tailândia nessa reunião foi discutida e concertada em conselho de ministros onde Suthep é o número dois como sempre acontece nestes casos.

As campanhas eleitorais por vezes fazem com que os pensamentos e as palavras dos políticos sejam mais rápidos do que o que a cabeça deverá ditar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Demissão de Sócrates

Numa mais que anunciada e muitos dirão atrasada decisão o PM português entregou a sua "resignação" ao PR ontem ao final do dia depois de ter perdido no Parlamento o voto que lhe daria mais uns tempos em São Bento.

O Parlamento acabou por dizer Não ao PEC IV. O PSD desta vez, contrariamente ao que tinha feito antes (abstenção), votou contra o que foi o suficiente para que mais uma medida de austeridade levasse a que ao fim de seis anos o PM apresentasse a sua demissão do cargo.

Cabe agora ao PR consultar os partidos com assento parlamentar e todas as forças que entender por bem, e decidir. Poderá decidir por solicitar ao partido mais votado, o do demissionário PM Sócrates, para apresentar outro governo, pode solicitar a outro partido que se "aventure" a constituir governo ou pode, sendo esta a mais provável decisão, depois de consultar o Conselho de Estado convocar novas eleições legislativas que se realizarão num prazo de até 55 dias após a sua convocação.

O plano de austeridade ontem apresentado era o PEC IV, ou seja tinha três irmãos anteriores, três planos que se mostraram incapazes de resolver o que quer que seja e só mantiveram a nau a flutuar num mar muito revolto.

As medidas têm sido pouco criativas e assentam sempre em duas vertentes. O corte de custos públicos e o aumento da receita fiscal. Qualquer das medidas tem o seu limite e caricaturava-se há dias em todos os jornais mostrando que o PEC IV era a forma de os contribuintes irem entregar a última coisa que lhes restava ou seja a roupa que vestiam.

A capacidade dos portugueses encontrarem mais fundos nos bolsos está esgotada e pedir mais aos mesmos nada adianta a não ser manter essa nau desgovernada a flutuar por mais um tempo, cada vez mais escasso.

Em Julho do ano passado este mesmo governo que ontem "se rendeu" tinha apresentado um plano de austeridade anunciado quer pelo PM quer pelo Ministro das Finanças como a correcção necessária para os desajustes da economia portuguesa.

Esse acto mostrou a total incompetência do executivo Ou por um lado não sabia qual era a realidade financeira do país, o que é grave pois está na sua mão conhecer as contas do estado, ou por outro lado estava a mentir ao povo português levando-o a entender que aprovando aquele plano se entraria num novo capítulo de ajustes orçamentais e estruturais da economia.

Enganado Portugal lá teve de aceitar um segundo e um terceiro plano sempre com as mesmas medidas cada vez mais rigorosas mas sempre socorrendo-se dos bolsos rotos e esvaziados dos contribuintes.

A economia mundial já tinha passado pelo seu pior momento do último choque quando Sócrates apresentou ao país o seu PEC I salvador da crise que afectava o país o que lhe oferece menos desculpas.

Portugal vive sobre a espada de uma intervenção do FMI como se isso fosse uma desgraça que levaria o país para o fundo de uma escuridão de onde não sairia.

Na nossa casa não se deseja haver outros a impor regras mas quando não somos capazes, e há que lembrar que os portugueses reelegeram o actual demissionário PM recentemente, devemos aceitar isso de cara limpa e olhando para a frente e há no Mundo exemplos de sobra de países que ainda há pouco estavam nessa situação e que agora brilham (Indonésia e Argentina são dois exemplos). O facto de estarmos na zona Euro retira-nos alguma margem de manobra mas o mesmo se passou com a Grécia e a Irlanda e o facto de terem sido ajudados não lhes retirou capacidade de futuro.

O que nos tirará essa capacidade será a nossa inabilidade, se assim continuarmos, para construir o país.

Falta-nos uma noção de país, de pátria e uma capacidade de projectar vitórias. Não somos capazes de dar as mãos em seguir em frente. Só causas fúteis como a Selecção de futebol é que nos consegue aglutinar e mesmo assim teve de ser um brasileiro, Scolarai, a dar esse empurrão.

Há uma anedota que corre na net que mostra isso bem. Pergunta um português a outro. "Como é possível que um povo como o nosso descendente dos grandes conquistadores do Mundo chegue tão baixo?" E o outro responde: "Estás enganado nós somos descendentes daqueles que ficaram não dos que partiram à conquista do Mundo".

A apresentação de demissão de Sócrates, que muito provavelmente será aceite pelo PR, coloca contudo mais incertezas do que certezas.

Qual vai ser a solução possível? Quem é o líder que neste momento é capaz de galvanizar os portugueses para o futuro? Quem terá a coragem de apresentar ideias inovadoras que consigam colocar o país a olhar para a frente e não para os pés? Vem esse líder que de partido? E se as eleições continuarem a mostrar a enorme insuficiência de mentes capazes de fazer aquilo que atrás descrevo?

Confesso que tenho grande dificuldade em vislumbrar neste momento quem, será capaz de semelhante tarefa e tenho um terrível medo quando de alguma forma considero Sócrates como um dos melhores políticos actualmente em Portugal, pelo menos visíveis à superfície.

Sou voluntarista por natureza e tento pensar que há no espectro partidário português pessoas capazes da tarefa que se lhes vai pedir, mas acabo por ser pouco convicto neste meu sonho que quero que seja uma realidade.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A Indiferença

Desde os tempos de Thaksin Shinawatra que os Primeiros-Ministros se habituaram a ter um programa televisivo semanal onde falam aos tailandeses tentando explicar as suas políticas e atrair atenção do país e porque não dizê-lo dos eleitores já que esses programas, qualquer que tenha sido o protagonista, são sempre usados para promoção política pessoal.

Abhisit não fugiu a essa regra e desde sempre tem um programa ao Domingo de manhã nas televisões estatais. Dantes intitulava-se "Trust in Thailand under PM Abhisit weekly show" e agora chama-se "Inside the cabinet show". O programa tem como propósito mostrar ao país as políticas do governo e a forma como o são implementadas.

Hoje veio a público uma sondagem feita pelo Instituto Nacional de Estatística entre 1 e 17 de Dezembro de 2010 que mostra a indiferença do público para com o programa e a forma como tal tem crescido.

Antes 6.2% dos inquiridos viam o programa com regularidade contra somente 3,4% durante o período que correu o inquérito; Viam ocasionalmente 54,6% contra 33,1% e nunca viam 39,2% contra os actuais (Dezembro) 63,5%. A diferença é bastante significativa e mostra um desinteresse pelo programa perto do dobro do anteriormente registado.

Também aqui na Tailândia, como em muitos outros países no Mundo, começa a haver um sentido de desinteresse pelas questões da política que se torna preocupante. As pessoas a cada dia sentem mais as preocupações e as dificuldades com o aumento do custo de vida e é isso que os interessa.

Ainda anteontem, ao mesmo tempo que o PM Abhisit dizia na sua alocução no FCCT que a economia estava a brilhar e a crescer, o antigo Ministro das Finanças do governo do General Surayuth (governo constituído na sequência do golpe de estado de 2006), M.R. Pridyanon Devakhula, afirmava exactamente o contrário. O ex Ministro alertava o país para os graves riscos que está a correr, no seu entender, com o excessivo endividamento e com as políticas intervencionistas do governo. Um dos exemplos disso é o caso do gasóleo pois por cada litro consumido o governo gasta 1/5 do preço total. O mesmo tipo de política de manutenção artificial de preços baixos passa-se com um significante número de outros produtos o que está a constituir um peso muito significativo para o orçamento sem que disso a população mostre perceber resultados. De igual forma o aumento das despesas militares em 161% desde 2006 até ao presente orçamento são outra questão a fazer subir a preocupação.

O alheamento dos cidadãos da política do seu país nunca foi um bom sintoma e acaba quase sempre por ser aproveitado por minorias que se tornam os arautos do descontentamento enquanto as maiorias se mantêm silenciosas. A Tailândia tem visto isto bem nos últimos anos com os movimentos de rua venham eles de que lado vier. Um exemplo disso muito recente é o facto do PAD-Amarelo estar a ocupar uma parte importante da cidade velha desde o dia 25 de Janeiro, não sendo mais do que umas escassas centenas, e já ninguém se preocupa com o facto.

A indiferença é um mau sinal para a Democracia

terça-feira, 22 de março de 2011

Autoridade

O Chefe do Estado-maior do Exército e o Ministro da Defesa anunciaram hoje que se recusavam a participar na reunião bilateral com o Camboja relativa às questões fronteiriças que terá lugar no início de Abril em Jacarta.

Na sequência dos conflitos fronteiriços de há cerca de um mês entre os dois países e da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 22 de Fevereiro os Ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN reuniram-se em Jacarta, sob os auspícios da Indonésia, actual Presidente da ASEAN, onde decidiram que a Indonésia enviaria uma missão de observadores para a fronteira entre os dois países e organizaria as reuniões da Comissão de Demarcação da Fronteira, reunião essa que foi então aprazada para o início de Abril como refiro acima.

Na sequência daquela reunião de Jacarta foram enviados a cada país os termos da missão de observadores e a convocação para a reunião.

No que respeita aos observadores o Camboja anuiu de imediato com a proposta Indonésia mas o MNE da Tailândia enviou o documento para análise das estruturas militares de onde ainda não saiu decisão, embora o General Prayuth já tenha feitio saber que não está de acordo com a presença dos observadores e mesmo recusou uma proposta cambojana para a constituição de patrulhas conjuntas (tailandeses e cambojanos) acompanhadas dos observadores indonésios.

O General afirma que as forças armadas dos dois países têm muito boas relações e portanto todas as questões deverão ser tratadas entre eles "sem nenhum intervenção externa".

Compreende-se o que o General diz mas o que está em questão é a credibilidade do país no contexto internacional. O país através do seu qualificado representante acordou uma matéria num fórum internacional que vem mais tarde a ser colocada em causa pela estrutura militar.

Difícil de entender isto um dia após o PM Abhisit ter afirmado na sua anual presença no Clube dos Correspondentes Estrangeiros, que presenciei, e respondendo a uma pergunta de uma jornalista australiana sob a capacidade do seu governo implementar o programa que se propõem quando segundo ela há forças que parecem interessadas no seu bloqueio, que o seu governo é o único legítimo representante dos interesses da nação tailandesa.