segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Sistema Político

Desde os acontecimentos do início de Abril que lançaram, de novo, o caos sobre o país e na sequência das derrotas de quase todos os actores, os ânimos têm estado bastante mais calmos visto ninguém se atrever a dar mais um passo em falso.

Abhisit, como já referi, aproveitou para lançar um plano de reestruturação do sistema político e de reconciliação nacional, através da propalada amnistia de 220 políticos cujos direitos estão caçados, mas falhou em ambos os seus intentos.

De comissão em comissão o país vai assistindo ao adiar das propostas entretanto feitas no Parlamento.

Neste momento são já sem conta os números de comissões que investigam tudo e todos para não se chegar a nenhuma conclusão. O mesmo se passa com o sistema judicial onde todos os casos continuam por ver o dia em que será realizada a audiência de julgamento. O caso mais saliente é o relativo ao congelamento dos bens de Thaksin Shinawatra que já vai em mais de dois anos. O último julgamento esteve marcado para o dia 15 de Dezembro, o exacto dia em que o Governo da coligação Democrata assumiu o poder. Desde então nada mais se ouviu dizer. Entretanto temos os casos do Santika, do PAD, dos membros da UDD, dos Deputados acusados de corrupção, do próprio Samak, num caso de difamação, dos acontecimentos do 7 de Outubro, do atentado contra Sondhi, da compra das árvores-da-borracha em que está envolvido Nevin, entre outros, etc, etc, etc.

Parece mesmo que estamos em Portugal. Comissões para que nada se resolva e ineficiência judicial com as investigações e os julgamentos a arrastarem-se até ao esquecimento.

Outros como os vermelhos e os amarelos estão num momento de reflexão. Ambos têm marcado para a próxima semana eventos onde irão repensar as próximas acções sendo que no caso do PAD a questão dominante é se deverão ou não transformar-se num Partido Político. Há muitas vozes que estão contra alegando que se o fizerem perdem a sua capacidade de ser uma força capaz de sair a defender os seus pontos de vista da forma que têm utilizado até agora. Na UDD o seu grande empenho é reconstruir a sua máquina de propaganda com uma nova estação de Televisão e novas rádios, visto as anteriores terem sido recentemente encerradas pelo Governo. Por outro lado nota-se um mais claro distanciamento do movimento de Thaksin aliás como era esperado. A UDD pretende representar uma força unitária contra a elite dominante e as forças que a apoiam.

As propostas de Abhisit para rever a Constituição e reformar o sistema político estão claramente em "banho-maria" e já ninguém se lembra do, já expirado, prazo de 15 dias dado aos partidos para apresentarem as suas propostas. Pelo contrário debate-se na comunicação social argumentos a favor e contra a revisão constitucional e a amnistia sem que nenhuma proposta seja avançada por qualquer dos partidos. Em vez de ser fazer política nos locais apropriados, Parlamento, faz-se politiquice, na comunicação social.

Uma das principais questões do falhanço de todas estas iniciativas tem a ver com o sistema político vigente no país.


Os partidos políticos não são associações cívicas de interesses sociais e políticos de cidadãos mas unicamente clubes movidos por interesses económicos e pelo dinheiro do “cacique” local. As eleições têm duas componentes. A lista partidária nacional onde se escolhe o partido e as eleições nas constituições das 76 províncias onde em geral é eleito o/a candidato/a que pelo seu poder e influência é mais capaz comprar votos. Este tem sido um dos cavalos de batalha do PAD, dizendo que o povo se deixa influenciar pelo dinheiro e “vende” o seu voto e por isso deveria haver um sistema de tipo corporativo com uma representação de sectores sociais e não eleição directa. Interessante que esta visão de que o povo é inculto não é acompanhada de nenhuma proposta para que se eleve a qualidade da educação e dos meios de comunicação social como a televisão que durante as horas nobres só passa telenovelas, qual Portugal. O normal de um movimento consciente e interessado no seu povo seria a de propor uma mais extensa e melhor educação para todos e meios de comunicação social que permitissem o povo, sabendo-se a força da penetração da televisão, pudesse estar mais consciente dos seus direitos e deveres como cidadãos capazes de intervir na definição do seu futuro.

Muitas vozes reclamam agora para o retorno da Constituição de 1997, aquela que é apelidada a Constituição do Povo, mas o facto é que não existe mecanismo legal que permita que venha de novo a ser reintroduzida no sistema. As possibilidades de isso acontecer dentro do actual quadro legal existente são menores do que 1% e na realidade só uma intervenção estranha ao sistema democrático, um golpe seja ele de que teor for, poderá suspender o actual texto constitucional e trazer de volta aquele que é favorável ao desenvolvimento do sistema de partidos.

Como Churchil uma vez disse a Democracia é o pior dos sistemas políticos, excepto comparando com todos os outros que já foram experimentados. E essa sem Partidos Políticos fortes, ideológicamente identificáveis, limpos e capazes de verdadeiramente representar os interesses dos cidadãos não é possível. Democracias baseadas no dinheiro, como aqui, ou em partidos únicos como em vários dos estados vizinhos não são salutares.

A Tailândia tem direito a ter o seu próprio entender de democracia mas quando aqueles para quem ela deve servir forem não os beneficiários mas as vítimas esse sistema estará errado.

Não se entrar numa via que tenha em conta os interesses, reais e legítimos dos cidadãos, será sempre uma derrota mesmo para aqueles que pensam estar a ganhar.
Abhisit já mostrou por várias vezes querer tentar dar um novo rumo ao país mas os “partidos” que existem no sistema político não estão aqui para isso.

Abhsit é um extemporâneo. Chegou ao poder talvez uns 10 anos cedo demais.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Daw Aung San Suu Kyi

O dia 27 de Maio aproxima-se e com isso aumenta a pressão sobre a Junta ditatorial que controla Burma para dar uma resposta ao Mundo sobre a detenção de Daw Aung San Suu Kyi.

Contráriamante ao que se pode pensar a Junta Militar preocupa-se em tentar dar ao Mundo a ideia de que obedecem a lei do próprio país de tal modo que possam responder nos forum internacionais em que ainda têm assento que são um país que obedece as próprias leis e que a lider, democráticamente eleita em 1990, infringiu uma qualquer lei mesmo por mais pequena que essa infração seja.

Estando prestes a terminar o prazo legal para manter em prisão domiciliária a combatente pela liberdade em Burma, a Junta teria de encontrar um motivo, legal como espliquei, de a manter silenciada e fora dos olhos do seu povo.

Ainda sem se entender muito bem como aconteceu, as próprias autoridades americanas não estão 100% conhecedoras dos factos, um cidadão americano de nome John William Yethaw, nadou até à casa de Daw Aung San Suu Kyi, onde se manteve durante dois dias embora esta tenha pedido que ele regressasse a donde tinha vindo.

A história deste cidadão é ainda uma incógnita embora se saiba, e a Junta sabia-o, que no ano passado ele fez o mesmo tendo sido apanhado pelas forças de segurança. Várias perguntas andam no ar: porque é que lhe foi de novo concedido um visto para entrar no país apesar do conhecimento do incidente do ano passado? Porque é que as forças de segurança que rodeiam a casa da lider Birmanesa para impedir exactamente o seu contacto com o Mundo não conseguiram detectar e prender o ameriocano? Qual era a sua inteção ao tentar entrar em contacto com Daw Aung San Suu Kyi? Como é possível que tenha tirado uma fotografia a si mesmo na prisão e ela tenha sido enviado para o exterior?


Preparado pela Junta ou sendo uma mera coincidência que caíu do céu para os ajudar, o facto é que Suu Kyi é agora acusada de violar o regulamentado sobre as condições de prisão domiciliária, não receber estranhos sem autorização da Junta, e irá ser julgada na próxima Segunda-feira ao abrigo do artigo 22 da Lei de Segurança Nacional que a condenará, estou quase certo disso, a uma pena que vai de 3 a 5 anos de cadeis e a uma multa de 5.000 Kyat ou seja 5 US dólares. Esta multa pode ser em alternativa á pena de prisão ou será aplicade em acomulação se for julgado que ela actuou com intenção de violar a lei, o que por certo vai ser provado.

É essencial para a Junta encontrar um meio "legal" para manter Suu Kyi calada e fora dos olhares do povo pelo menos até após as eleições (?) que se irão realizar em 2010, provávelemnte em Maio. Nessas eleições ela não poderá ser candidata visto a lei estipular que uma pessoa que seja ou tenha sido casado/a com um estrangeiro está imediatamente excluído/a de participar.

Daw Aung San Suu Kyi é o símbolo da luta do povo de Burma pela liberdade, é aquela que é utilizada como a bandeira dessa luta, quer nacional quer internacionalmente. Afirmam muitos que ela é o elemento aglutinador das muitas etnias existentes num país tão vasto e tão diverso, sainda que tal seja um ponto bastante discutível, mas o facto é que a Junta não a pode deixar falar visto na sua maíoria o povo seguirá os seus ideais. Assim foi em 1990 quando foi a vencedora das eleições e assim tem sido sempre que, ainda por breves momentos a sua figura frágil é vista ou ouvida pelo povo.


Entretanto a NDL (National League for Democrcy), o seu Partido, apelou hoje em Bangkok à comunidade internacional para que não deixe Aung San Suu Kyi só e pressione a Junta para a sua libertação bem como a de mais de 2.000 prisioneiros políticos que estão nas prisões no país.

Numa conferência de imprensa Nyo Ohn Myint, o lider do Comité de Assuntos Externos, fez esses apelo ao mesmo tempo que reiterava a oferta do Partido para um diálogo capaz de iniciar o verdadeiro processo de reconciliação nacional. Afirmou estarem abertos a concessões, embora não se esquecessem dos rsultados das eleições de 1990 que venceram, mas abertos a encontrar um processo para que todos possam participar na verdadeira unificação e pacificação no país. Esta não é uma proposta nova mas sempre que é apresentada recebe um não rotundo do poder em Napidaw.

O apelo à comunidade internacional. ASEAN, UN, USA e UE, é no sentido que de seja convocada uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir e decidir sobre acções a tomar no caso da Junta continuar a prosseguir com a ilegal de detenção da lider Birmanesa.

A ASEAN tem uma política, bem clara na Charter e bem assimilada pelos seus líderes, daquilo que são "assuntos internos". Hoje Abhisit Vejjajiva, PM tailandês e Presidente em exercício da ASEAN, manifestou a sua preocupação sobre a detençao de Suu Kyi mas mais longe foram a Indonésia e a Malásia que a condenaram. Um MP Democrata com quem falei esta manhã manifestou que o seu Partido era muito lento no processo de tomada de decisões e que por certo não conseguiriam tomar, como deveria ser, a liderança no seio da ASEAN neste assunto e ficava feliz pelo facto da Indonésia, visto hoje em dia, após a pacificação dos conflitos nas suas regiões com processos separatistas, como um exemplo de boa conduta democrática na região.

Os Estados Unidos e a União Europeia emitiram comunicados condenando a possibilidade de Daw Aung San Suu Kyi vir a ser condenada por factos alheios á sua conducta e solicita ao Governo de Burma a libertação da Líder bem como dos outros prisioneiros políticos e a entabulação de conversações para iniciar um processo de reconciliação nacional.

Resta ver agora se até Segunda-feira as Nações Unidas vão tomar alguma iniciativa e se tal acontecer qual vai ser o papel da China e da Rússia os membros do Conselho de Segurança mais habituados a vetar propostas sobre Burma. Recorde-se que ambos este países já solicitaram a libertação da Prémio Nobel da Paz anteriormente e por isso estarão sobre alguma prssão para não modificarem as suas posições mas poderão encontrar alguma forma de não ser penalizantes em relação á Junta.

China, Rússia e a Índia, os poderosos vizinhos e clentes do gás e de outros produtos de Burma, são países inconornáveis em qualquer solução neste país. A ASEAN, especialmente após o papel desempenhado no apoio e comando das operações pós Nargis, vem-se mostrando igualmente uma importante força mas as oposições, não expressas mas conhecidas, como as vindas do Vietname e de Laos tornam difícil qualquer posição política condenatória

A Tailãndia como o principal vizinho e também como um importante cliente do gás poderia também ser mais activa no processo. A preocupação mostrada por Abhisit, ainda que seja pouco, é um sinal que há 8 anos, desde os tempos de Thaksin, um amigo da Junta, não se ouvia e por isso tem um sinal mais importante do que o próprio conteúdo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Visakha


Hoje celebra-se o mais importante dia para a Religião Budista que coincide com a Lua Cheia do sexto mês do calendário lunar.

Relembro, de Luang Prabang, uma das grandes cidades Budistas, apesar de estar situada num pais comunista, o Laos, aquilo que escrevi em 2008 sobre este tão significativo dia na vida de um Budista.

Anteontem as Nações Unidas reconheceram este dia como um Dia da Humanidade numa sessão que reuniu todas as religiões na sede da ONU em Bangkok.

http://www.youtube.com/watch?v=3XfywCpi9xc

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Coroação



Ontem 5 de Maio é o dia em que celebra a Coroação do Rei Rama IX e foi aproveitado mais uma vez pelo movimento Stop Hurting the Country, os brancos, em mais uma referência cromática, para realizar na capital a maior manifestação dos últimos tempos.

Cerca de 300.000 pessoas, de todas as condições e vindas de todo o lado, decidiram, ao mostrar o seu amor pelo Rei Rama IX, dizer a vermelhos, amarelos, azuis e verdes, que o caminho não é aquele que esses têm seguido.

É certo que nada está resolvido, nada está esclarecido e muitos dos que andaram ali ao beija mão são capazes do pior mas mais uma vez a voz dos silenciados fez-se ouvir e bem alto mesmo sem palanques, sem Sodhis ou Jaturons a falar às multidões que arregimentam.

Da mesma forma que PAD e UDD têm todo o direito de se manifestar, mas devem fazê-lo ordeiramente e sem por em causa os direitos dos outros, aqueles que não têm causa, os silencioso, tiveram, como na Segunda-feira uma nova oportunidade para dizer: Basta.

A luta politica continua e o PM tem hoje um dia bem difícil pois está a preparar o orçamento para o ano fiscal 2010, que começa em Outubro 2009, e o que veio a lume é que os ministérios que vão ser mais afectados nos cortes orçamentais necessários pela contracção da economia, Defesa, Interior e Transportes, são exactamente aqueles que estão mais próximos de Nevin sendo os dois últimos claramente "controlados"pelos seus homens. Não é por certo por acaso que sai, também hoje, nos jornais que numa próxima eleição o Bhum Jai Party de Nevin seria o partido charneira e incontornável em qualquer coligação visto se prever que consiga obter cerca de 100 lugares no Parlamento.

Na mesma página existe um artigo de um dos chief editor titulado Abhisit may not last beyond August. A combinação das três notícias mostra claramente o poder, e o dinheiro, de que o grupo de Nevin está munido e as dificuldades que Abhisit enfrenta.

Mais do que as sondagens que já anteriormente referi, o povo mostra agora na rua, vestidos de branco e empunhando a bandeira da Tailândia, aquilo que quer.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Outra Cor


Amarelos, Vermelhos, Azuis e Verdes têm tomado conta do nosso dia a dia neste arco-íris político, contudo desde sempre as sondagens realizadas pelos vários institutos demonstraram que a maioria ainda não tinha cor e estava calda como estão quase todas as maiorias: silenciosas.

Desde há meses que havia alguns indícios de movimentos transversais á sociedade capazes de vir a ter uma palavra dominante neste mar de ódios e disputas pelo poder que se tornou a cena política tailandesa.

No passado fim de semana estive no Norte do país e aí pude constatar como as gentes se dedicam á labuta diária tratando da sua vida e de ganhar o que comer, indiferentes a amarelos e vermelhos e desconhecedores de azuis e verdes. Esses pertencem ás elites políticas urbanas e mesmo na província só mesmo em Amphon Muang, ou seja na capital da província, se consegue entender algum interesse, ou conhecimento daquilo que ou por que se batem na capital.

Há cerca de duas semanas dizia-me um político de bastante peso no país que o que acontecia era que aqueles que eram válidos do ponto de visto intelectual ou da sua capacidade democrática ou não estavam interessados em se "misturar" com aqueles que agora estão no poder ou estavam impedidos de exercer direitos políticos. Não se pense que aqueles, entre os cerca de 220 que estão cerceados de direitos políticos, são todos sósias de Thaksin, bem pelo contrário, existe aí gente muito válida a par com algum "lixo".

Mas ontem saiu á rua uma nova cor, a cor da Tailândia o vermelho mas este misturado com o encarnado e com o branco, as cores da bandeira deste país, as cores dos grandes símbolos que os que prezam o seu país trazem consigo. O País, o Rei e o Budismo.


Grande numero de manifestações tiveram lugar em Bangkok pela harmonia, pela conciliação e pela paz política tão necessária.

è bom que estes movimentos se façam ouvir mas de nada servirão se não forem um aporta para a discussão dos problemas do país de uma forma aberta e frontal sem medo dos tabus e com respeito por todos.

É também necessário que as cliques que detêm ou querem o poder entendam e deixem este povo pacífico falar e fazer ouvir a sua voz. O país tem de avançar com liberdade e respeito. O controlo do poder de forma anti democrática e o exercício da autoridade desrespeitadora é sinal somente de fraqueza. Os países só se constroiem á volta de homens e mulheres fortes e conscientes dos seus deveres enquanto cidadãos livres.

Ontem dizia-me um cineasta tailandês que uma vez tinha pedido autorização para realizar umas filmagens sobre os caminhos de ferro na Tailândia. Tinha obtido autorização com a condição de dizer bem deles e do serviço. Assim não. Deixe-se desenvolver as mentes e as consciências.

Vivam as outras cores.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Ano

Este fim de semana fez um ano que comecei estes escritos. Um ano 11.400 "bisbilhoteiros" e bastante prazer em escrever e em ser um pouco útil aqueles que tiveram a pachorra de me ler.



Obrigado

Conferência de Imprensa ou Bomba ao Retardador?

A muito esperada conferência de imprensa de Sondhi deu brado e ainda vão haver ecos da sua voz por muitos tempos.

Aconteceu ontem e apontou o dedo, mencionando sem medo os nomes, a três pessoas colocadas em posições de grande relevo: Thanpuying Viriya Chavakul, uma dama ao serviço pessoal da Rainha, ex presidente do Comité das Comemorações das Celebrações do 60 Aniversário da subida ao trono do Rei Rama IX, Presidente de várias associções de caridade em que a Rainha é a patrona, e também envolvida com os serviços sociais das forças armadas. Para além dela o General Anupong Poachinda, o Chefe do Estado Maior do Exército e Prawit Wongsuwon o Ministro da Defesa. Nem mais nem menos!

Sondhi durante a conferência de imprensa nunca nomeou os títulos dos acusados tratando-os sempre por Khun (senhora ou senhor) mas não existem dúvidas que eram estes três titulares de cargos importantes, e não outras pessoas por um mero acaso com os mesmos nomes, que ele queria acusar.

Disseram-me, quem fala muito bem tailandês, que Sondhi utilizou todos os artifícios da língua tailandesa para tudo dizer sem na realidade acusar ninguém. Acrescentam que a conferência foi uma lição de como bem falar. Sondhi, por exemplo, disse que não acreditava que estas pessoas tenham tentado matá-lo visto todos o terem já de uma forma ou outra negado. Terminou dizendo que o que diziam eram presunções pois se fossem factos reais ele teria de estar rancoroso contra essas pessoas mas igualmente as teria já perdoado.

Acompanhado de muitos dos outros lideres, Sondhi depois de nomear aqueles que estiveram por detrás da tentativa de assassinato, referiu ainda que o próximo alvo era o próprio PM Abhisit. Acrescentou ainda que 4 dos 10 soldados que estiveram envolvidos no atentado já foram devidamente disciplinados e a expressão utilizada na tradução a que tive acesso refere "gotten rid of them" o que pode ser interpretado de muitas formas.

Interessante foi a sua declaração de "absolvição" de Thaksin dizendo ainda que ambos têm o mesmo objectivo comum de mudar a situação política no país. É sabido que foram sócios no passado mas os acontecimentos recentes tinham no separado radicalmente tendo Sondhi ajudado a deitar abaixo dois governos thksinistas.

Até ao momento a única pessoa que reagiu foi Thanpunying (um título semelhante ao de Dame em Inglaterra), negando qualquer relação com o caso e dizendo que ela própria quando vai ao Sul do país sento o que é o problema da insegurança e imediatamente ao saber do atentado sentiu grande simpatia por Sondhi. Disse ainda ser uma mulher só, sem marido, incapaz de fazer algum mal a Sondhi e que nunca lhe tinha passado pela cabeça assassina-lo (sic). Acrescentou ainda que a estavam a tentar desacreditar pois tinha referdido recentemente que Thaksin era um leal servidor de Sua Majestade. Os dois generais até ao momento não fizeram nenhuma declaração.

Para terminar a conferência de imprensa Sondhi disse que irai ausentar-se do país por um período pois necessitava de descansar. Irá em peregrinação para a Índia e Nepal e posteriormente para os Estados Unidos, afirmando não querer estar na Tailândia enquanto durarem as investigações no caso da sua tentativa de assassinato.


Logo a seguir á conferência, os outros líderes do PAD realizaram eles próprios uma conferência de imprensa e afirmaram estar o movimento contra a projectada reforma constitucional e a tão falada amnistia dos 220 políticos banidos do exercício dos seus direitos proposta pelo Primeiro-Ministro. De igual modo convocaram para os dias 24/25 de Maio próximo uma reunião dos seus apoiantes para discutir a possível resposta aquela iniciativa de Abhisit.

Mais uma dor de cabeça para o Governo e mais um objectivo para os amarelos lutarem, e o ano passado mostrou bem aquilo de que são capazes.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Os Camisas Azuis

Nevin em Pattaya no dia 10

Hoje aparece assinado por Somroutai Sapsomboon, uma das mais claras e esclarecedoras análises sobre aquilo que se passou durante os acontecimentos de Abril quer em Pattaya quer em Bangkok.

O artigo está no The Nation, como já referi aqui várias vezes um jornal maioritariamente simpatizando com o partido Democrata, o partido do PM Abhisit Vejjajiva.

Há dias escrevi que todos tinham perdido no rescaldo dos acontecimentos de Abril excepto o povo tailandês naquilo que de alguma forma está a ser a criação de uma consciência de valores democráticos e da capacidade de debate, ordenado e respeitador, de questões que a todos interessam.

O que hoje vem a lume é parte também desta, nova, capacidade que se nota nos meios de comunicação social de abordar mais abertamente os problemas do estado. e chamar pelos nomes os diversos actores em cena.



Em Pattaya e a utlização das fotografias reais quando isso convém

Muitos dizem que isto não passa de manobras de informação e contra-informação sendo que neste caso esta seria montada pelos Democratas contra o seu aliado (?) Nevin, o homem mais temido do momento. Outros dizem que neste cocktail de militares e pol+iticos ainnda falta a pessoa do General Prayudh Chan-ocha, ex comandante da 1ª região e actualmente número 2 no Estado Maior.

Desde cedo alertamos para aquilo que se passava na sombra manobrado pelo homem de Buriram. Desde a formação do primeiro gabinete de Samak e ao longo de 2008 Nevin Chidchob foi colocando os seus homens em lugares de relevo e com fortes capacidades de controlo das situações. Seu pai é o Speaker of the House, o nosso Presidente do Parlamento mas aqui com a capacidade de ter um papel de influência no Senado visto o Speaker of Senate ser funcionalmente dependente do primeiro. Por outro lado todos os decretos reais têm de ser ratificados pela sua assinatura dando-lhe deste modo um poder de escrutínio, que, embora não o use, faz com que as decisões quando lhe chegam já foram devidamente lidas e aprovadas pelos seus homens.

Muito provavelmente soldados

Chaowarat, o presidente do Bhumjai Thai Party, o partido de Nevin, é o actual Ministro do Interior um figura chave no controlo das províncias, da forma como os dinheiros lhes são distribuídos, da nomeação dos governadores (muitos foram substituídos por pessoas de confiança desde que está no lugar) e para além disso crucial em qualquer processo eleitoral. Chaowarat, foi o PM interino após a queda de Somchai e foi ele que trouxe de volta para o comando da Polícia Patcharawat, o General demitido e acusado pela sua inacção durante os acontecimentos de 7 de Outubro de 2008. Este mesmo comandante que é o irmão do actual Ministro da Defesa, mais um homem próximo de Thaksin, no passado, e sempre putativo novo PM quando se fala de que um golpe de estado pode acontecer. Outro lugar forte que tem controlado é o do Ministro dos Transportes e Comunicações, o ministério que detêm neste momento a maior fatia de dinheiro para gastar em investimentos em infraestruturas.

Para além dos lugares chaves há ainda as manobras nos bastidores onde Nevin é um perito ou não tenha tido ele o melhor dos professores, Thaksin Shinawatra, o próprio, a quem ele quando dele se decidiu separar chamou "boss".

O movimento azul está em marcha com o claro objectivo de conquistar o poder. Há um obstáculo que Nevin tem de vencer que é o facto de estar banido do exercício de direitos políticos até Maio de 2013, o que na realidade não o tem impedido de actuar como de facto presidente do partido e mantendo grande actividade politica directa. Esse particular os seus homens, Chai, Snoh e outros estão no momento encarregues de encontrar uma solução.

Nevin sabe contudo esperar. Esta é uma das suas qualidades. Como os predadores sabem esperar pacientemente pelo melhor momento para atacar, de um só golpe, a sua presa, Nevin vai construindo a sua teia e um dia as presas lá serão apanhadas.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Visto de Seul

Assim é visto em Seul o panorama político na Tailândia.

Para além da piada do cartoon ele reflecte duas outras realidades: há semanas Thaksin disse à imprensa que era um cão domesticável, mais uma vez tentando atrair alguma simpatia, aqui em Bangkok, para a sua causa tentando ser visto como alguém capaz de ser parta da solução e não parte do problema. Deste modo pretendia afirmar que se o soubessem tratar bem, se soubessem falar docemente com ele, seria capaz de ser fiel ao seu dono como será normal num cão. A outra realidade que o cartoon mostra é a forma como afinal o cão tem de sair do "seu" local, sem honra nem dignidade, acossado por muitos e fustigado por outros tantos.

Como um rafeiro, um cão de rua, Thaksin está neste momento fugindo de canto para canto sem encontrar a saída para os problemas em que se meteu e a notícia hoje vinda a lume de que uma boa parte dos Deputados do "seu" Partido poderiam estar a encontrar uma alternativa política para o futuro deles, embora sendo muito provavelmente uma manobra de contra propaganda, é ao mesmo tempo um sinal claro do moral actual das "tropas" vermelhas.

Essa falada mudança de 110 Deputados da oposição para "um outro Partido", que poderá muito bem estar ligada com mais uma investida de Nevin Chidchob oferecendo largas quantias de dinheiro para fortalecer o seu Bhumjai Thai Party, pode dar uma estocada muito forte em Thaksin e temporariamente nos planos da UDD, embora seja hoje em dia claro que com ele ou sem ele, muito mais provavelmente sem Thaksin, esse movimento irá desenvolver-se de forma autónoma representando sentimentos unitários contra o grupo que está por detrás da coligação no poder.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Vencidos e Vencidos


Depois dos incidentes durante o Songkran, escrevi que o PM Abhisit Vejjajiva tinha uma oportunidade de ouro de poder fazer a diferença e mostrar a sua real capacidade de comando e de liderança política que o país tanto necessita.

Infelizmente isso não aconteceu e aquilo que se pode analisar no rescaldo daqueles acontecimentos é que fundamentalmente todos perderam.

Perdeu a Tailândia porque a sua imagem perante o Mundo saiu chamuscada devido ao facto de ter sido necessário adiar, uma vez mais, as cimeiras da ASEAN. O tecido económico do país afectado, o turismo mais uma vez em perca com os visitantes de novo receosos de demandarem o país.

Perdeu Abhisit pois não conseguiu alavancar a posição que tinha conquistado de alguma simpatia popular pelo facto de ter emergido como vitorioso da crise. Abhisit foi incapaz de avançar com soluções e aquelas que propôs acabaram por ser tomadas em mãos por outros que não ele. para além disso viu-se agora envolvido no estranho caso da morte, ainda por explicar, de um soldado que fazia guarda á casa onde nos dias 12 e 13 se recolheu. Nessa altura Abhisit e Suthep, pernoitaram, em casa do comandante da 1ª região Militar, General Kanit, e um dos soldados que ai se encontrava de guarda enviou uma mensagem à sua namorada dizendo que o PM aí se encontrava. Igualmente estava a falar ao telefone com a sua mãe referindo o mesmo, quando a conversa foi abruptamente cortada. No dia seguinte o corpo dele foi entregue á família com instruções para ser cremado rapidamente e acompanhado de 10.000 bath para o efeito. A família realizou uma cremação fictícia e levou o corpo para ser autopsiado pela maior autoridade em medicina legal no país que confirmou fractura do crânio e várias escoriações no corpo aconselhando que a polícia investigasse. Como se tratava de uma localização do exército a investigação terá de ser feita pela policia militar o que a tornará impossível. Abhisit saiu já a clamar que a morte do soldado foi acidental numa antecipação a qualquer pergunta que lhe possam fazer o que não ajudou nada. Chamlong, o general líder do PAD, ontem numa entrevista a um jornal, e colocando mais um prego no caixão do PM, afirmou que Abhisit não controla nada no comando da nação.

Perderam Thaksin e a UDD visto a forma como levaram a efeito as suas manifestações criaram o caos que ninguém desejava. Até ao momento a sua manifestação tinha sido grande em pessoas e pacifica granjeando simpatias pela forma ordeira como se tinha desenvolvido. Após os incidentes no Songkran saíram perdendo e muito. Thaksin pelo seu lado cada vez mais se vê confinado a ser um homem acossado, agora já sem passaporte tailandês tendo a necessidade de se movimentar de um lado para o outro e com muito cuidado para não aterrar num país que o reencaminhe para a Tailândia onde para além das acusações que já tinha tem agora outros mandados de captura à espera.

Perdeu Nevin Chidchob pois ficou agora claro que o ex mão direita de Thaksin tornado no aliado de privilégio da coligação no poder, esteve por detrás das manifestações em Pattaya e se envolveu com os seus "camisas azuis" nalguns dos distúrbios em Bangkok ajudando a provocar o caos numa tentativa de fazer sair para a rua os "amarelos" para se confrontarem com os "vermelhos". Nevin foi ainda acusado. explicitamente, por Sondhi de ser um dos que está por detrás da tentativa de assassinato contra ele.

Perderam os Militares, e especialmente o seu chefe Anupong Paochinda pois a sua actuação em todo o processo ficou demonstrada ter sido inadequada. Existem registos fotográficos e em vídeo da cumplicidade dos "verdes" com os "azuis" de Nevin quer em Pattaya quer em Bangkok. A utilização da M16 e AK 47 não é compreensível quando o objectivo era controlar manifestações. O facto de Anupong ter admitido, depois de duas negativas de que as tropas podariam ter disparado balas reais contra os manifestantes. O facto de continuar ainda em discussão se houve ou não mortos em virtude da actuação dos militares e finalmente pelo facto, que teve de confirmar, de algumas das balas utilizadas no atentado contra Sondhi serem provenientes do 9º Regimento de Infantaria da Royal Thai Army. Por outro lado torna-se hoje evidente para muitos que Anupong não tem o apoio de todos na hierarquia.

Perdeu o PAD que viu um dos seus mais altos dirigentes ser alvo de um violento atentado e sentindo na realidade que aqueles que os apoiaram durante a cruzada dos 193 dias em 2008 não estão todos solidários com a causa que perfilham. Isso mesmo levou a que Sondhi L. acusasse, para além dos militares e de Nevin de estarem envolvidos no atentado, um Ministro do próprio Governo que era persuposto estar do mesmo lado do que eles. A partir deste momento o PAD terá de rever quem são os seus amigos e quem são na realidade os seus inimigos.

Perdeu por fim a Liberdade visto na sequência dos incidentes, e mais uma vez contra as palavras de Abhisit, forças policiais e do Ministério do Ciência e Informação terem fechado cerca de 6.000 sítios de web, calado centenas de rádios locais e fechado a estação de Televisão que apoiava os "vermelhos", mais uma vez numa política de dois pesos e duas medidas em relação aos grupos em disputa no país.

Contudo neste arco-íris político pare haver um vencedor ou pelo menos um elemento que sai de algum modo fortalecido deste processo e ele é a Consciência Nacional.

Os tailandeses começam a entender que a luta a que a maioria assiste não é uma luta somente entre "amarelos" e "vermelhos". Muitas outras cores estão envolvidas e é hoje claro que as perguntas circulam na cabeça de muitos que antes não prestavam nenhuma atenção a questões de natureza política. os próprios meios de comunicação social mais importantes, aqueles que o poder não consegue tocar pela força que têm, sejam eles em língua tailandesa ou em inglês, começam eles próprios a ser porta estandartes dessas questões que circulam nas cabeças de muitos e muitos tailandeses.

A formação de uma consciência democrática é sempre um longo e penoso processo mas parece estar em marcha num país onde os assuntos de estado estavam até não há muito relegados para fóruns onde os cidadãos não queriam intervir.

O processo de mudança está em marcha.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A China, a Crise Económica e a ASEAN


Aproveitando a crise económica a China está a lançar uma ofensiva diplomática e económica com o claro objectivo de aumentar a sua, já grande, influência na região.

Estava previsto que durante a cimeira de Pattaya, que acabou por ser cancelada há três semanas a trás, a China apresentasse um plano no valor de 15 mais 10 mil milhões de US Dólares para apoio à região. Embora adiado o pacote de apoio está preparado para entrar em funcionamento a qualquer momento.

Seram 10 mil milhões para investimento directo na região e 15 mil milhões numa linha de crédito aos países da ASEAN para os ajudar a fortalecer os seus laços económicos e apoiar o desenvolvimento de infraestruturas.

Ajudando os países do sudoeste asiático a enfrentar a crise financeira e económica mundial, a China fortalece e defende o seu comércio com a região. Embora também fortemente abalada pelo recuo das suas exportações, a crise na China está a ser de alguma forma contrariada com um grande apoio do Governo chinês ao consumo interno. A economia continua apesar de tudo a crescer, embora a um ritmo mais moderado, mas deve atingir, de acordo com as perspectivas actuais, os 6.1% de crescimento efectivo no final do ano.

No pólo contrário estão Singapura e a Tailândia onde a economia irá ter uma contracção bastante forte em qualquer dos casos superior a 5%. Singapura estará mais protegida, até porque habituada a estas flutuações, devidoà sua dimensão e capacidade política de decisão e enfrentará a crise de uma forma mais suave do que a Tailândia onde não só há falta de direcção política, falta de fundos e a dependência da economia do exterior é bastante grande. Por outro lado as más notícias não param de chegar ao mercado.

A China conhecedora da situação dos países da ASEAN e também sabendo que uma fatia extremamente importante do comércio na região e nesses países é controlada por chineses, quer continentais, quer de Taipé quer da Diáspora, exercendo a sua política de grande pragmatismo decide criar como que um mercado interno de toda esse "mundo chinês" que lhe está disponível.

Aqui na Tailândia os grandes negócios e os grandes grupos económicos estão quase sempre ligados a famílias de origem chinesa que continuam, como em Singapura e na Malásia, a manter fortes laços culturais com o país de sues pais ou avós.

É essa herança cultural que o governo de Pequim quer trazer cada vez para mais perto de si e controlar de uma forma uniformizada.

A crise económica serve assim para fortalecer o já enorme poder do Dragão não só na Ásia mas também para além dela.

É esta e outras iniciativas no domínio diplomático e económico que fizeram Hillary Clinton parar em Pequim durante o seu périplo pela Ásia, sem emitir, aqui, uma única palavra sobre as questões dos direitos humanos na China e faz com que a União Europeia siga uma política semelhante.

O velho império chinês torna-se cada vez mais o pólo do Mundo.

domingo, 26 de abril de 2009

São Nuno de Santa Maria


A Igreja acolhe hoje um dos mais nobres filhos de Portugal, Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável e, a partir de hoje São Nuno de Santa Maria ou São Nuno Álvares Pereira.

Já aqui me referi áquele que tenho a felicidade de ser meu padrinho de baptismo e que hoje na Praça de São Pedro será canonizado como o 11º santo português.

"Procuremos conhecer em profundidade o itinerário espiritual do Beato Nuno de Santa Maria! A simples leitura da sua vida é capaz de nos edificar e de fazer crescer como carmelitas e como cristãos!" Estas são palavras de Frei Agostinho Marques de Castro, O. Carm.Superior Maior da Ordem do Carmo em Portugal.
São Nuno, aquele que terá sido o mais poderoso ao seu tempo e alguns mesmo dizem que só não foi ele o Rei porque sempre quis servir aquele que sua mãe lhe indicou, o Mestre de Avis, D.João I de Portugal, foi o mais humilde dos carmelitas quando decidiu recolher-se no Convento do Carmo e aí terminar a sua vida em profunda meditação e total retiro.

Na realidade o novo santo não foi somente aquele que dirigindo as tropas de Portugal venceu os castelhanos em Aljubarrota, foi acima de tudo um muito leal servidor de Portugal, do seu Rei e de Deus. Nunca antes de qualquer das batalhas ou de qualquer dos seus actos de bravura em defesa do seu país e do seu Rei, São Nuno deixava de apelar à Virgem Maria para salvação das suas tropas e para grandeza do seu Portugal.

Dom José Policarpo considera que a partir de agora há muito para fazer, nomeadamente pelos investigadores: "a relação do Condestável com a mãe" será um dos aspectos que o patriarca considera indispensável investigar. “Tudo leva a crer que terá sido uma pessoa marcante na primeira parte da vida de D. Nuno”.

O patriarca admite que faz falta “uma boa biografia” do Condestável.

Em Portugal há um grande desconhecimento sobre aquele que é indubitavelmente tão grande como as maiores figuras da nossa história e todos só ganharíamos por melhor o conhecer devido á sua enorme grandeza moral e humana.

O meu obrigado à minha mãe por ter medado como padrinho, no acto do Baptismo, aquele de que me orgulho muito. Só não me chamo, também, Nuno de Santa Maria porque houve alguém na família que entendeu que tal não era nome de homem, como se São Nuno não tivesse sido ele um dos maiores homens na nossa história.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Debate Parlamentar


Quarta e Quinta-feira realizou-se o debate par(a)lamentar que o PM tinha proposto como primeiro passo para se entrar num processo político de reconciliação e se encontrassem portas para sair da presente crise.

Dois dias perdidos. Dois dias em que uma parte, a Oposição, acusou a outra, o Governo, de ter usados meios desproporcionados para resolver a crise, tendo as forças militares disparado sobre os manifestantes, e em que os deputados afectos á coligação e membros do Governo se defenderam e acusaram por sua vez os vermelhos de usarem eles próprios armas.

Vídeos, fotografias, testemunhos gravados, um sem numero de provas de lado a lado para nada se avançar naquilo que era o propósito do debate. A crise política e o encontrar de saídas para o curto prazo que permitam o país voltar à normalidade. Nem mesmo se chegou a nenhuma clarificação de ter ou não havido outras vítimas para além das duas pessoas mortas em confrontos entre populares deixando assim o campo aberto para todas as especulações.


O debate acabou por ser feito mais fora do hemiciclo através das declarações contínuas de Anupong tendo o chefe militar na sua última, já esta madrugada, admitido que os militares pudessem ter disparado sobre os manifestantes mas só em casos de defesa pessoal e de acordo com as instruções de salvaguarda de bens e pessoas. Anupong tem vindo desde ontem a debitar declarações umas atrás das outras e todas elas recuando um pouco mais como já referi.

Também Prem, o chefe do Conselho Privado do Rei, pessoa que nunca intervém em questões políticas como costuma referir, afirmou que rezava para que o Anjo da Guarda do país o libertasse daqueles nacionais que têm intenções de fazer mal ao seu próprio país naquilo que o Bangkok Post titulou de "forte ataque contra Thaksin" .

O debate de alguma forma tinha sido esvaziado pelo próprio PM ao início quando solicitou a todos os partidos com assento parlamentar que apresentassem no prazo de duas semanas as suas propostas de revisão constitucional essencial, no seu entender, para que se possa equacionar um novo processo eleitoral que esclareça de alguma forma o quadro politico-partidário actual.

Recorde-se que Abhisit ainda há pouco tempo tinha recomendado ao prestigiado King Prajadipok Institute (KPI), que iniciasse um processo de revisão do sistema político, como na altura referi, um passo que era visto como uma iniciativa para ganhar tempo junto quer de vermelhos quer de amarelos. Na altura era espectável que o KPI durasse 17 meses a preparar o estudo, mas agora, e segundo as palavras de Abhisit, ficará só com o papel de recompilar e organizar as sugestões dos diferentes Partidos que deverão ser apresentadas em duas semanas. Recorde-se igualmente que no ano passado uma das bandeiras do PAD era a luta contra a tentada revisão da Constituição.

Há agora então que esperar essas duas semanas para que algo possa avançar no quadro do processo político enquanto no campo do processo da luta pelo poder continuam as escaramuças através de variados meios entre os muitos grupos em cena. Sobre este aspecto recomendo a leitura deste excelente artigo de Supalak Ganjanakhundee no The Nation.

O debate acabou empatado e numa sonolenta sessão de eu disparei, tu disparas-te.

Entretanto o PM Abhisit levantou hoje o Estado de Emergência isto depois da controvérsia sobre as declarações de um dos seus Ministros, como já referi, e do facto que de acordo com o artº 5 da lei sobre o Estado de Emergência se ter constatado que a decisão do Governo estava ferida de nulidade devido a não ter seguido os procedimentos legais. De acordo com este artigo o PM tem três dias para fazer ratificar a sua decisão mas todos se esqueceram deste facto e o Estado de Emergência esteve em vigor durante 12 dias irregularmente.~

Não é na realidade facto importante pois ele foi violado a cada 5 minutos por tudo e por todos.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As Balas contra Sondhi L


Sondhi está em franca recuperação e é possível que saia do hospital durante este fim de semana mas os ecos e as ondas de choque causados pela tentativa de assassinato ainda estão em pleno desenvolvimento.

O General Anupong, o todo poderoso comandante militar que tão bem se tinha saído dos acontecimentos durante o Songkran em Bangkok, está cada vez mais debaixo de fogo por causa do atentado e ele próprio confirmou hoje que as balas encontradas no local do atentado são provenientes da 9ª Divisão de Infantaria pertencente à 1ª Região do Exército, a mais forte do país e cujo comando se encontra perto de Bangkok em Lop Buri.

As armas usadas são armas militares mas pior do que isso as munições também. Anupong ordenou um inquérito de imediato para que se saiba como essas munições acabaram no corpo e no carro de Sondhi. Ao mesmo tempo disse logo que não será fácil encontrar claras respostas para essa investigação.

A oposição tem igualmente insistido que o Exército disparou contra as pessoas durante as manifestações em Bangkok, tendo mostrado ontem provas disso no Parlamento e a imprensa que até aqui tinha suportado a versão do Governo de que não houve vítimas a não ser as duas causadas pelos "vermelhos", começa a interrogar-se se na realidade não houve mortos devido às acções do Exército. Face a isso Anupong, num recuo de posição, afirmou que os militares dispararam contra os manifestantes "blank bullets", e dispararam para o ar balas verdadeiras. Interrogam-se os jornais hoje se não terá havido casos em que os soldados "trocaram as mãos" e dispararam ao contrário.

Ontem uma importante personagem do panorama político tailandês segredava-me que o PAD queria Anupong fora e substituído pelo General Prayuth Chan-ocha, exactamente até à muito pouco tempo o Comandante da 1ª Região.
Convém não esquecer que o atentado decorreu com o Estado de Emergência em vigor, onde é suposto haver um reforço da vigilância das ruas, e agora está confirmado, depois de todas as contradições apresentadas pela Polícia, que duas pick-up transportavam os atacantes que actuaram de cara descoberta e sem medo mostravam o arsenal de armas que utilizaram. Outro ponto também já confirmado é que as câmaras de vigilância na zona foram danificadas duas e as outras duas estavam inactivas há já bastante tempo e por isso nada registaram, ou pelo menos é isso o que se quer fazer crer.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Porta Voz

De acordo com a definição o Porta Voz é uma pessoa que fala em nome de outras ou de um grupo e foi exactamente isso que o

fez ontem no Clube dos Correspondentes Estrangeiros em Bangkok (FCCT). Nessa "conversa" com a imprensa, e para reforçar o seu papel de Porta Voz referiu que no caminho para o FCCT tinha falado com o PM Abhisit para "actualização (update) da informação".

Confesso que fiquei perplexo e descrente. Há vários dias escrevi sobre a possibilidade única que Abhisit teria de poder dar um novo rumo ao país após o bom desempenho que lhe era dado durante a crise durante o Songkran. Sempre vi em Abhisit alguém diferente do tradicional político tailandês e alguém capaz de ser o inovador de um sistema político caduco e corrupto como todos referem. Ontem fiquei desiludido para dizer somente um pouco daquilo que senti.

O Dr Buranaj, um homem formado em Harvard, foi tão claro nas afirmações que fez que faz sentir medo e dá para muito pensar. Só para dar uma ideia daquilo que foi dito um jornalista japonês presente afirmou, para espanto de todos conhecida que é a reserva dos japoneses, que a estratégia de reconciliação do Partido Democrata era semelhante á utilizada pela Junta Militar em Burma/Myanmar. O Porta Voz ficou sem voz.

Outro jornalista, desta vez um tailandês comentava que Ruranaj era como Abhisit dizendo: ainda não compreenderam que quem manda não são eles (sic).

Para completar a triste história aconselho a ler o artigo de opinião de Pravit Rojanaphruk, jornalista do The Nation e conhecido pelos seus pontos de vista anti Thaksin, que pode ser consultado aqui.

Será que os modelos de governação na China e em Singapura estão a fazer escola? Talvez os êxitos económicos destes países estejam a retirar a capacidade de crítica necessária para aqueles que, entendia eu estarem interessados em seguir diferentes vias.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Seis é Demais


Só uma pequena nota para relatar um facto que em si parece um pouco anedótico para não utilizar piores adjectivos.

Na sequência dos incidentes entre os apoiantes de Thaksin e as forças da ordem, o Governo decretou o Estado de Emergência.

Esta decisão governamental é uma decisão com grandes consequências quer no plano dos direitos individuais quer no plano da segurança dos cidadãos e do Estado, e ainda no plano internacional com impacto na economia do país. Na reunião havida no passado dia 16 entre Abhisit e diplomatas de 67 países um dos tópicos que preocupou esses diplomatas e foi alvo de duas das perguntas que foram feitas era exactamente o Estado de Emergência.

Acontece que é hoje anunciado que o Governo na sua reunião do Conselho de Ministros de hoje tem de levantar o Estado de Emergência visto a reunião do Parlamento, agendada para amanhã e depois para debater a situação política, convocada, e bem, pelo Primeiro Ministro, violará o Estado de Emergência visto tratar-se de uma reunião de mais do que 5 pessoas.

De pasmar! Será que o próprio Conselho de Ministros não é ele próprio violador da lei? No final das coisas a situação de Estado de Emergência não é assim tão importante ou a própria lei está tão mal escrita que nem os órgãos de soberania se podem reunir visto violarem a lei.

Confuso, no mínimo.
Passado um dia vê-se que quem estava confuso e nos quiz confundir a todos era o membro do Governo que deu a indicação pois o Estado de Emergência não foi levantada. Ou era capaz de não estar confundido pois na realidade e de acordo com a lei a reunião é ilegal.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Bomba do Dia


Esta manhã, Manager on line, o sitio de internet do jornal The Manager, que é detido pelo grupo ASTV/Manager do qual Sondhi é o maior accionista traz um artigo, que pode e será por certo sujeito a muitas interpretações.

Para além de ser um artigo explosivo vem assinado nada mais do que pelo próprio filho de Sondhi, Jittinart.

Neste artigo Jittinart acusa quer a polícia quer o exército de estarem por detrás do atentado a seu pai e vai mais longe ao acusar as mesmas forças de terem igualmente um plano para assassinar Abhisit.

Refere que o ataque à cimeira da ASEAN em Pattaya, que acabou no cancelamento dessa importante reunião e se tornou um sério embaraço no plano internacional para a Tailândia, foi obra de uma acção concertada dos "azuis", o novo grupo liderado por Nevin Chidchob, associados ao exército à polícia e a um Ministro do próprio Governo, e não dos "vermelhos" como se quis fazer crer e mostrar ao Mundo.

As acusações continuam e refere ainda Jittinart que ambos os ataques "são parte de um plano mais vasto da elite para criar por um Estado Gestapo " (tradução literal).

Este artigo, que por certo vai criar muitos comentários, cai que nem uma bomba e só vem dar à luz vários rumores que corriam pela cidade. O que o torna ainda mais importante e contundente é quem é o autor e o local onde está publicado.

Sondhi, que aparenta verdadeiras melhoras e aparece no jornal sentado na cama não pode por certo estar alheio ao que o seu filho escreve visto serem fortes acusações.

O atentado contra Sondhi levantou por outro lado outros véus dos quais já se falava à bastante tempo sobre ligações entre um dos militares do topo da hierarquia e Nevin, sobre a linha seguida por Sondhi que o afastava do PAD e o colocava mais numa frente independente e outras impossíveis de relatar.

Mais elementos a seguir neste caso. Hoje o The Nation não traz uma só linha sobre a evolução do estado de saúde de Sondhi e só fala do nome dele para anunciar que Nevin irá dar uma conferência de imprensa para negar os factos de que o acusa o filho de Sondhi. Nessa conferência, que já aconteceu, Nevin diz que o filho de Sondhi tem demasiada imaginação. Jittinart nunca tinha sido visto ou ouvido anteriormente o que levanta ainda mais a ideia de que foi somente utilizado como um veículo de comunicação para que o seu pai dissesse aquilo que pensava.

Por outro lado o General Jongrak Jutanont que estava á frente das investigações à tentativa de assassinato ocorrida na passada Sexta-feira, foi removido do seu posto e substituído pelo seu colega general Thani Somboonsup. O comando da Polícia diz que estes movimentos aconteceram como parte de uma movimentação de pessoal mais vasta e de acordo como uma ordem assinada pelo Comandante Geral no passado Sábado.

Passaporte de Thaksin

No passado Domingo o MNE tailandês anunciou que tinha retirado a Thaksin Shinawatra o passaporte que o cidadão utilizava.

Logo após a tomada de posse o governo tinha retirado a Thaksin o passaporte diplomático, que os antigos chefes de governo têm direito, e agora retirou-lhe o passaporte ordinário como o PAD e forças próximas vinham pedindo há algum tempo.

Não tardaram a aparecer nos jornais as notícias, já há muito faladas, de que Thaksin tinha vários passaportes consigo e a evidência aí está quando é confirmado pela Nicarágua que o Presidente Daniel Ortega, na foto, tinha conferido, em Janeiro de 2009, a Thaksin a categoria de Embaixador Especial daquele país da América Central.

Bem escolhido! A Nicarágua não tem representação diplomática em Bangkok e assim não haverá nenhuma manifestação reclamando que lhe seja retirado o passaporte.

Songkran



Para quem não se lembre a semana que findou também teve a festa do Songkran, o Ano Novo tailandês a festa da água, significando purificação, tornada batalha bem molhada.

Embora este ano tivesse sido bastante ensombrada pelos acontecimentos que opuseram os apoiantes de Thaksin contra as forças militares, ainda houve tempo e espaço para o Songkran.

Ouvi dizer que enquanto numa área da cidade mais de 50.000 pessoas lutavam com violência com as forças militarizadas, provocando os distúrbios que conhecemos, em Silom, por exemplo, mais de 5.000 celebravam o Songkran.

São assim os contrastes de uma cidade com tantas pessoas como Portugal.

domingo, 19 de abril de 2009

Ainda Sondhi


Começa agora a saber-se mais sobre o atentado de que foi alvo Sondhi.

Em primeiro refira-se que ele está a recuperar bem, já anda e fala. O seu motorista está em condição crítica e a sua secretária, que também se encontrava no carro, nada sofreu. Sondhi encontra-se no oitavo andar do Chulalongkorn Hospital, muito perto de onde vivo.

Afinal Sondhi não tinha nenhuma bala alojada no crânio mas somente um fragmento que estava enterrado na pele, debaixo do crânio e foi removido verificando-se que não houve dano de maior. Contudo vai ficar em observação por mais uma semana pelo menos.

Começam entretanto a surgir alguns dados sobre o atentado.

Foi perpetrado por pessoas que se faziam transportar em motos e não numa pick-up como inicialmente tinha sido informado. Na realidade havia uma pick-up por perto mas era só um condutor que circulava no momento junto do carro de Sondhi. Atrás do carro de Sondhi vinha um outro carro com os seus guarda costas, armados, que de imediato dispararam, facto que fez com que os assassinos retirassem apressadamente e não conseguissem mais do que disparar sem muita precisão o que por certo salvou a vida de Sondhi. Também se tinha referido que as câmaras de vigilância no local tinham sido danificadas anteriormente o que não se confirma e podem ser um elemento útil para o trabalho de investigação, se assim o quiserem.

Como disse antes Sondhi era um homem de muitos inimigos e comentam, do lado do PAD, que ele sabe muito bem quem está por detrás da tentativa de assassínio mas que não fala à Polícia pois não tem confiança nos investigadores. Interessante esta afirmação vinda da parte do porta-voz do PAD. O filho de Sondhi, Jintanat, aconselhou o PAD em usar extrema cautela e não cair na trapaça montada pelos seus inimigos, não se sabendo se ele referia o campo Thaksin ou a Polícia/Militares, vistos agora como potenciais autores do atentado.

Por outro lado o Comandante da Polícia que está a liderar a investigação, General Jongrak Juthanond, disse estarem próximos de prender os suspeitos. Espera-se que como em muitos casos não sejam encontrados uns bodes-expiatórios quaisquer que sirvam para o efeito.

Basta lembrar os muitos, mesmo muitos casos, em que a Polícia "nunca" conseguiu identificar ou acusar ninguém, isto apesar de existirem provas fotográficas ou outras e onde por variadas vezes os investigadores se recusam a analisar ADN ou utilizar outros meios mais propícios de levar a conclusões claras. O mais recente é a morte de 66 pessoas no fogo no Ano Novo na discoteca Santika onde apesar do relatório da investigação feita pelo Ministério do Interior apontar factos graves aos donos, onde se encontra uma alta personalidade da Polícia, o único acusado é o líder da banda, havendo fotografias que mostram que ele não estava no palco quando o fogo começou, e o "gestor", da discoteca, que por acaso era um dos rapazes que arrumava os carros!