segunda-feira, 10 de maio de 2010

Abhisit e a UDD


Costuma-se dizer que em política não há nem amigos nem inimigos. Apenas adversários e apoiantes já que o futuro é pródigo em alterações ao repensar de posições.

Basta lembrar o apoio dos americanos aos talibãs do Afeganistão na guerra deles contra os soviéticos, como um dos melhores exemplos disso.

A Tailândia é também pródiga em exemplos de partidos e indivíduos a mudarem de posicionamento e encontrarem acolhimento em campos opostos. Os actuais colegas da coligação no governo estavam todos com o partido de Thaksin antes de saltarem a barreira. Veera, o principal líder da UDD foi um proeminente membro do partido Democrata de abhisit actualmente no governo. Sondhi L., o mais mediático líder do PAD era uma dos principais sócios de negócios de Thaksin, etc, etc.

Neste momento em que as duas principais partes em conflito continuam a gerir uma guerra mediática enquanto negoceiam nos bastidores o conceito acima referido pode muito bem ser aplicado.

Quer Abhisit quer a UDD, pelo menos a liderança moderada e por certo a grossa maioria dos manifestantes, querem uma saída para esta crise, mas uma saída que lhes permita alguns ganhos políticos.

A UDD quer sair de Rajaprasong em caravana vitoriosa e de forma organizada sem que ninguém fique isolado e sujeito a ser preso ao mesmo tempo que todas as armas que eventualmente possuam (há ainda um considerável número de armas apreendidas durante o 10 de Abril que não foram devolvidas), saia sem terem de passar por controlos da polícia ou militares. Os seus líderes não querem ser presos a uma qualquer "porta" da manifestação mas querem sim apresentar-se no dia 15, como já anunciaram, na esquadra para iniciarem os procedimentos de defesa. Por outro lado não podem chegar ao palco e dizerem ás pessoas. Ganhámos e agora vão todos para casa: isso terá de ser feito com alguma pompa e com hinos de vitória que acompanhem o movimento de saída.

Do lado do governo Abhisit também luta pela sua sobrevivência e sabe que tem de lutar só. Os militares não cumprem as suas ordens e de igual modo actuará a polícia mesmo com o protegido de Abhisit á cabeça. Por outro lado a comunidade empresarial está cansada e farta daquilo que consideram as indecisões do PM. O ultimato ontem emitida pelo PM dando 24 horas para que a UDD abandone Rajaprasong, já foi hoje suavizado pelo seu Ministro da Presidência que exigia ao movimento uma "rápida resposta".


Os movimentos que o apoiam estão cada vez mais contra ele e agora até os "multi-cor", que ontem anunciavam que 50% dos seus apoiantes eram apoiantes dos amarelos, como se isso fosse uma novidade, pedem a Abhisit que avance contra os sitiados.

Os Estados Unidos, numa acção sem precedentes, sentaram à mesa do Adjunto de Hillary Clinton, Kurt Campbell, líderes da UDD e seus apoiantes próximos de Thaksin numa sessão de "esclarecimento" que era pressuposto também contar com pessoas do lado dos Democratas e do governo que declinaram o convite.

Outro elemento de pressão sobre Abhisit veio hoje da Comissão Nacional de Eleições ao enviar para o Tribunal Constitucional mais um caso solicitando a dissolução do Partido Democrata.

São neste momento já dois os casos de irregularidades eleitorais cometidas pelo partido, que no tribunal aguardam julgamento, no mesmo dia em que os advogados do partido solicitaram mais 30 para responder ao primeiro, cujo prazo termina dia 12.

Mais do que nunca neste momento os melhores aliados mútuos são a UDD e Abhisit. Cada um pode ajudar o outro a sobreviver ou, caso contrário, serão os dois levados numa qualquer enxurrada que estará a ser preparada.

Por alguma razão Chuan Leekpai com discrição, mas não sem emitir a sua opinião contra o plano do PM, distanciou-se.

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