segunda-feira, 1 de março de 2010

Rei regressa a Siriraj


Depois de ter saído do Siriraj Hospital no Sábado pelas 9.25 da noite o Rei regressou ao hospital à 1.35 da madrugada de Domingo. Esteve no Palácio de Chitralada pouco mais do que 4 horas e não se conhecem mais promenores.

Contráriamente ao que é normal os jornais tailandeses não divulgaram a notícia e os que falam deste retorno fazem-no só hoje de forma pouco visível nas suas edições on-line. As primeiras notícias vieram de fora, de Singapura e da Malásia.

Não existe nenhum comunicado oficial.

Ainda o Julgamento

Dois dias depois do veredicto sobre os bens de Thaksin começam agora a discutir-se de uma forma mais calma, as questões legais em volta do caso e as consequências, também legais, que poderão ocorrer.

A decisão dos Juízes foi práticamente unanime sobre todas as questões em discussão.

Primeiro se Thaksin tinha ou não utilizado esquemas para esconder a real titularidade dos seus bens. Segundo sobre o eventual abuso de poder durante o tempo que esteve à frente do Governo e posteriormente sobre a consfiscação ou não dos bens.

Outra questão que vem agora a público é o conteúdo de alguns depoiamentos contra Thaksin, alguns deles com grande valor, como o do Ex Ministro dos Negócios Estrangeiros, Surakiat, que terá avisado Thaksin repetidamente sobre o caso do empréstimo feito pelo Exim Bank ao Governo da Birmânia para compra de serviços de telecomunicações e que beneficiou directamente as empresas de Thaksin. Esse empréstimo foi concedido em condições mais vantajosas e devido ás pressões do Governo o que é uma clara prática de abuso de poder.

Outros testemunhos são menos importantes e mesmo dificeis de compreender, do ponto de vista juridico, já que são produzidos por pessoas que estiveram envolvidas na investigação e portanto já mostraram o seu ponto de vista de uma forma formal e concertada.

A questão agora mais importante é o conjunto de casos criminais que se poderão seguir devido às decisões e possiveis certidões que deverão vir a ser extraídas do processo que agora terminou.

A comunicação social começa já a criar casos falando-se mesmo que os prejuízos causados por Thaksin ao estado foram de centenas de milhões de milhões de euros e, se assim proseguir, a batalha jurídica vai ser acesa, embora sejam conhecidas as insuficiências e fraquezas do sistema jurídico e legal existente.

Entretanto do ponto de vista político a calma impera no momento sendo esperado para meados do mês alguma reacção dos seus apoiantes da UDD. Esta vai reunir-se por todo o país a partir do dia 5 em Korat, para decidir qual a acção que vão tomar em mais uma "batalha final" na luta contra o governo. Já o PAD anunciava constantemente batalhas finais para derrubar o governo que afinal acabou por cair por força da acção dos Tribunais.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Rei volta ao Palácio

Acaba de ser transmita a notícia que o Rei deixou o hospital e regresssou ao Palácio em Bangkok. Acompanhado do seu cão Khun Thong Daeng, o Rei vestia-se de cor de rosa a cor que neste momento tem sido usada para mostrar afecto pelo Rei depois do amarelo, a sua cor, ter sido utilizada para conotações politicas.

Como há dias já tinha relatado o Rei vinha mostrando sinais de recuperação e o regresso a Chitralada só vem confirmar isso mesmo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Julgamento

Está a decorrer a leitura da sentença sobre os bens de Thaksin Shinawatra por um Tribunal especial do qual não cabe recurso (!!) e a primeira decisão, que já era de todos esperada, foi de 9-0 ou seja todos os Juízes votaram no mesmo sentido de derrotar o argumento de Thaksin e família de que a investigação e instrucção tinha sido levada a cabo por um entidade, já não existente, e dependente do poder político, não democrático, a AEC, instituída pelos militares só para o efeito em questão.

A segunda decisão foi também desfavorável a Thaksin. Os Juízes decidiram que os bens que estavam em nome de várias pessoas pertenciam na realidade a Thaksin e aqueles eram somente cabeças-de-turco dele. Isto quer dizer que violou o princípio de que um PM em exercício não pode deter interesses em companhias.

E o Tribunal continua a leitura que não deverá estar terminada antes das 9-10 da noite.

Ás 9.35 da noite acabou por ser conhecido o veredícto final que acabou com uma concessão. Da totalidade dos bens de Thaksin Shinawatra cerca de 46.374 milhões de bath foram confiscados e 30.248 milhões restítuidos. O tribunal considerou que estes bens eram pertença da família antes de Thaksin assumir o cargo de PM, mas o argumento para aprender uma fatia significativa foi muito frouxo. O Tribunal alega que Thaksin ganhou com a subida da bolsa e esses ganhos devem ser confiscados embora não tenha provado que as suas empresas ganharam na bolsa mais do que o mercado ou que os outros títulos do sector. Há que lembrar que o grande investimento de Thaksin foram as telecomunicações móveis e que os anos de 2001 a 2006 são exactamente os anos de ouro das empresas deste sector. Thaksin já veio dizer numa transmissão que fez em directo para o país, que se é por culpa dele ser PM que o mercado bolsista sobe o melhor é trazê-lo de volta para ver se a bolsa de Bangkok volta aos seus períodos áureos.

Nessa alocução Thaksin agradeceu aos seus apoiantes o facto de não se terem manifestado junto do tribunal e diz que irá a continuar a lutar sózinho até que a justiça, no seu entender, seja feita.

Já me referi várias vezes à questão do julgamento que considero errado do ponto de vista quer legal quer processoal mas ele está a ser assim.

A parte mais negativa foi o facto do actual PM Abhisit, ter dito ontem, como se soubesse ou tivesse transmitido ordens aos Juízes, que os "camisas vermelhas" não iriam gostar do veredicto.

Tal frase só enfraqueceu ainda mais um sistema judicial onde os Juízes gozam de pouca idependência. Na realidade a maíoria dos Juízes nos Tribunais Superiores actualmente em funções, foi nomeada por um governo não democrático, o do General Surayuth saído do golpe de estado de 2006, e depois de terem sido afastados os que lá estavam, então nomeados pelo anterior parlamento.

No local estiveram mais polícias e militares do que apoiantes do ex PM, que não eram sequer um milhar e todos os que ali estiveram não se manifestram,

Após a decisão interessa agora observar as reacções de ambas as partes mas não me parece ser de temer que algo de violento aconteça embora se saiba que o país continua a caminhar sobre o fio de uma navalha.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Ameaça da família Chidchob



O Presidente do Parlamento, Chai Chidchob, pai de Nevin e outros políticos que estão banidos dos seus direitos por terem sido executivos do antigo partido de Thaksin que foi dissolvido, veio hoje avisar públicamente Abhisit que o BJTP podia aliar-se com as forças de Thaksin de um dia para o outro "como o fez com os Democratas", afirmou.

Há dias os jornais começaram a falar de mais um escândalo, neste caso no Ministério do Interior, cujo ministro é o Presidente legal do BJTP, já que o de facto é Nevin, e a pessoa que está directamente envolvida no caso de corrupção é outro dos filhos de Chai, Saksayam.

O caso refere-se à compra de computadores para o Ministério que eventualmente estariam a ser facturados muito acima do preço de mercado.

Um Sorriso


O cartoon hoje publicado pelo The Nation, aparte a nota de bom humor, mostra uma das realidades do país.

Os tailandeses são “shopaholics” e sempre que vêm o sinal de um saldo compram tudo “porque é barato”.

Constatei isso nos Bazares Diplomáticos onde as coisas mais inacreditáveis são vendidas só porque há a percepção de que são baratas. Outro dia passei na rua e reparei numa loja onde estavam a fazer a decoração para a abrirem ao público. A coisa que mais visível na montra era um cartaz já a anunciar 50% de desconto. Ainda não estava aberta mas já lá estava a isca.

O positivo disso é que a força do consumo interno ajuda, e muito, o país em momentos mais apertados da crise económica.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Dia do Julgamento

Na próxima Sexta-feira, como já referi, será o julgamento sobre os bens de Thaksin Shinawatra que se encontram congelados no país.

A acusação pede a confiscação desses 76 mil milhões de bath (cerca de 1,7 mil milhões de Euros) e os acusado, Thaksin, a sua ex mulher e os filhos, pedem a absolvição e o levantamente do congelamento dos bens.

Quando Thaksin subiu ao poder, no início do século, as manchetes dos jornais falavam dele como um milionário que tinha decidido entrar na política. Até essa altura acumulou riqueza, da mesma forma que muitos aqui acumulam, sem contestação, e posteriormente, quando no poder, tratou de a fazer crescer, mas já então era dito ser um dos homens mais ricos do país.

Já uma vez me referi que a justiça contra Thaksin começa “pelos pés”, já que ele deveria ser acusado do crime de abuso de poder antes, pois terá sido esse que o levou a acumular a quantidade de bens que tem.

Thaksin contesta que parte do dinheiro era seu já antes de chegar ao poder, e que o restante foi adquirido através de transacções, dos membros da sua família que não ele, legais. É um facto que as operações que foram feitas no conjunto do seu império empresarial foram legais mas tal só aconteceu porque ele fez aprovar leis que servissem os seus interesses. Isso aconteceu porque o sistema democrático era fraco ou inexistente pois Democracia não é só ganhar eleições com mais votos é, essencialmente, exercer o poder dentro do mandado que o povo conferiu e para servir esse mesmo povo, facto que Thaksin terá “esquecido” tão logo se apanhou com uma considerável maioria.

A forma como o julgamento está a ser conduzido só irá dar razão a Thaksin que as decisões contra ele são politicamente motivadas e conduzidas, isto no caso de a decisão ser a da confiscação dos bens.

Desde o golpe, como já antes referi, o sistema judicial só conseguiu condenar Thaksin a um simples caso de conflito de interesses embora seja apelidade de criminoso nos jornais todos os dias. A condenação de que foi alvo não é crime, já que só é crime aquilo que vem defenido no Código de Processo Penal. Este é um dos principios mais básicos do Direito. Teria havido muitas razões para trazer Thaksin para a barra dos tribunais criminais, como o referido e como as milhares de mortes extrajudiciais que aconteceram durante a chamada “guerra contra a droga”, mas o facto é que as investigações nunca levaram a nada.

Agora a tensão sobe para o dia 26 quando os milhóes todos irão a julgamento e o que se fala é sempre do dinheiro e muito pouco de bases e procedimentos legais.

Por outro lado o governo, numa histeria como ontem referia um jornalista do The Nation, tem um plano de defesa para o caso de acontecerem disturbios devido a manifestações dos apoiantesdo ex PM.

A UDD reclama que o plano do governo e dos militares é tão somente um plano para poderem exercer contra o movimento dos “camisas vermelhas” qualquer tipo de acções que entenderem por necessárias para os suprimir e colocar na cadeia os seus líderes.

Repetidamente estes já afirmaram que não se irão manifestar nesse dia pois o problema dos dinheiros de Thaksin não é a razão da luta deles, segundo afirmam. Haverá por certo apoiantes do ex PM que manifestarão o seu apoio a ele mas irão fazê-lo a título pessoal, continua a afirmar a direcção da UDD. Estes mesmos convocaram a comunicação social e quem entender querer ir para um jantar às 6 da tarde de Sexta-feira, num restaurante em Lad Prao 20, onde se possa discutir a decisão do tribunal, isto à volta de umas cervejas e um bom som tam.

De qualquer maneira o país vive caminhando sobre gelo muito fino e qualquer movimento errado pode levar a uma queda. Esse perigo existe e os acontecimentos de Abril passado onde a direcção da UDD foi impotente perante as infiltrações de agitadores e os actos dos seus próprios militantes, levanta a questão de saber se isso não irá acontecer de novo.

Bom Exemplo


Sábado passado no campeonato de futebol tailandês aconteceu que os adeptos de um clube não contentes com a derrota da sua cor acabaram por invadir o terreno causando sérios disturbios e cenas de violência.

Nada de diferente do que acontece um pouco todos os fins de semana por esse mundo fora onde as paixões clubísticas se sobrepôem á razão e onde o facto de uma bola ter entrado ou não na baliza do adversário parece ser a salvação para todas as maleitas.

Contudo a Tailândia mostrou ser diferente, para melhor, do que a maioria.

Dois dias depois do incidente os adeptos do clube causador dos incidentes foram banidos de presenciar o próximo jogo do clube.

Também num gesto de grande significado prostaram-se aos pés do Presidente do clube pedindo desculpa pela sua conduta.

Gostava de ver isso acontecer em Portugal, embora gostasse mais de que tal não fosse necessário e que cada um soubesse “amar a sua dama” com amor e não com paixão.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Manifestações


As manifestações de carácter político são parte do dia a dia tailandês desde há uns anos.

Durante o ano de 2008 o People’s Alliance for Democracy (camisas amarelas) manifestou-se durante 192 dias consecutivos e ocupou os aeroportos de Bangkok durante uma semana causando o verdadeiro caos com cerca de 400.000 turistas bloqueados na capital.

Depois, durante o ano de 2009, foi a vez da United front for Democracy against Ditactorship (os camisas vermelhos), estarem debaixo dos holofotes tendo-se manifestado multiplas vezes sendo que em Abril essas manifestações levaram quer ao cancelamento da cimeira da ASEAN (com a consequente perca de imagem por parte do país), quer a cenas de verdadeiro caos na cidade de Bangkok.

Esses dois incidentes mostraram a ambos os grupos que não era esta a forma de fazerem ver os seus pontos de vista já que a condenação popular de ambas acções foi clara e bem evidente em todas as sondagens levadas a cabo.

Os amarelos têm-se mantido calados e quietos já que o controlo da situação pelo governo de Abhisit lhes é favorável. Quem agora se evidencia são os vermelhos pois têm como objectivo “um estado Democrático não dominado pelas elites, que condenam, e que segundo eles controlam o sistema de poder”.

Devido à mancha com que ficaram desde os acontecimentos de Abril têm tentado fazer todas as manifestações de forma simples, não violentas e atacando aquilo que denominam o “double standard” existente no país onde uns poderiam fazer tudo o que quiserem e aos soutros tudo lhes está vedado.

Assim tem sido e inclusíve já conseguiram uma vitória importante quando forçaram que um conselheiro privado do Rei fosse obrigado a destruir a sua imponente casa de veraneio no Parque Nacional de Khao Yai e a devolver o terreno onde ela estava construída devido ao facto de ser uma reserva natural onde não era permitido fazer construções. Mesmo assim o General Surayuth não foi acusado de nada visto ter afirmado que “se violei a lei foi sem intenção de o fazer”, e assim não houve procedimento criminal. Será que isso irá criar um precedente jurisprudêncial?

Hoje contudo houve uma manifestação assaz diferente e bizarra.

Durante 3 horas e meia largas centenas de camionetas de carga e de turismo estacionaram numa das autoestradas de acesso a Bangkok, causando o caos no trânsito. A manifestação foi convocada pela Federação dos Operadores de Camionagem e manifestavam-se contra o facto de a Polícia da Estrada estar permanentemente a multar os condutores e a pedir largas somas ás empresas de camionagem, dizendo a Federação que em alguns casos chega a 250.000 dólares por mês, uma verdadeira exorbitância. Num país onde 94% dos inquiridos de um recente estudo levado a cabo em todo o país se mostram complacentes com a corrupção é interessante ver os outros 6% na rua.

Um facto é evidente. A agitação política dos últimos 4/5 anos, trazendo para a rua a discussão dos problemas tem alertado as consciências para muitas questões que dantes não vinham à superfície. É um longo processo de aprendizagem mas quando se aprende está-se sempre a evoluir.

A manifestação de hoje é um sinal da coragem dos seus autores e da capacidade de enfrentarem directamente uma força tão poderosa como a Polícia.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os Números de Janeiro

A Ministra da Economia, Porntiva Nakasai, anunciou ontem os números da economia do país registados em Janeiro números esses que mostram a pujança do país apesar de toda as perturbações políticas em que está mergulhado desde há muito.

As exportações, cruciais para o país, cresceram 30.8%, comparando com o mês de Janeiro de 2009, para um valor de 13.72 mil milhões de dolares e a Ministra mostrou-se confiante de que o país poderá atingir o seu objectivo de fazer crescer as exportações 14% para um total de 170 mil milhões de dolares no ano de 2010.

Sabe-se que os números da economia à um ano atrás eram maus, devido à baixa confiança no país por causa da "crise dos aeroportos"em Dezembro de 2008, mas mesmo assim é significativo e um indicador de que há sinais claros de retoma.

As importações cresceram 44.8% para um total de 13.21 mil milhões de dolares deixando assim um superavit na balança das transacções comerciais. Estes números são registados num momento em que a moeda tailandesa, o bath, tem sofrido um a forte subida o que fragiliza a competitividade da economia e de alguma forma favorece as importações como os números demonstram.

A força das economias asiáticas e a sua capacidade de mais fácilmente enfrentar a crise que se vive tem vindo a fortalecer a sua posição no panorama mundial como demonstrou o facto da China ter ultrapassado recentemente a Alemanha ameaçando sériamente tornar-se, já este ano, na segunda maior economia do planeta.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Rei

Faz hoje 5 meses que Sua Majestade o Rei Bumiphol se encontra no Siriraj Hospital de onde saíu por três vezes.

Primeiro a 23 de Outubro para prestar homenagem ao seu avô o Rei Chulalongkorn, o Grande, e á sua falecida irmã, Princesa Galiany, posteriormente durante as festividades de Loy Khratong, para colocar o seu khratong a flutuar Chao Praya abaixo e mais tarde no dia do seu aniversário para falar aos dignatários e familia.

Também por três vezes recebeu no hospital altos funcionários ora para nomear os novos membros do Governo ora para dar posse aos novos Juízes dos Supremos Tribunais de Justiça e Admninistrativo.

Recentemente e durante as festividades do ano novo Chinês o Rei apareceu a uma das janelas do hospital, munido da sua tão famosa máquima fotográfica, para apreciar, e por certo fotografar, uma das suas grandes paixões, os eventos que podia observar.

A sua filha mais nova, Princesa Chulabhorn, já por duas vezes veio dizer que o monarca se encontrava bem e que saíria rápidamente do hospital.

Acontece que ainda ali se mantém mas nas vezes que apareceu o monarca não mostrava nenhum sintoma de maior debilidade, antes pelo contrário. Durante a recepção aos Juízes do Supremo Tribunal de Justiça fez um discurso de cerca de 10 minutos, sem nenhum apoio e mostrando claridade não só no que dizia como na expressão corporal.

Outro diz perguntava a uma pessoa, com acesso ao Palácio, a razão pela qual o Rei não regressava a casa já que via que tinha havido uma recuperação, não havia comunicados médicos sobre a sua saúde e por certo no Palácio teria todos os meios necessários para convalescer.

A resposta que obtive era a de que o Rei se sentia muito feliz em Siriraj, hospital fundado pelo seu pai, o Principe de Songkla, e da sua penthouse pode observar o rio, o templo do Buda esmeralda e todos outros maravilhosos edifícios que por ali se encontram.

A felicidade é um dos melhores remédios para as maleitas.

Quem Manda e Quem Obedece?

A querela à volta do detector de explosivos GT200 promete aquecer depois das declarações de ontem e que hoje aparecem em grande manchete nas primeiras páginas dos jornais.

Por um lado Abhisit diz: “É demasiado arriscado continuar a utilizar o detector já que ele pode dar indicações erradas….o que é que irá acontecer se o equipamento estiver errado”.

Pelo seu lado Anupong diz: “As forças no terreno devem continuar a utilizar o GT200 com confiança na sua eficácia. Isto pode não se explicar cientificamente mas, acreditem, estou a dizer a verdade”

Numa conferência de imprensa, acompanhado de todo o seu estado maior, o General Anupong desafiou o Governo, e a sua autoridade, e no fim colocou os pontos nos is sobre quem efectivamente manda.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

GT200

Já aqui referi no dia 29 os problemas havidos com o detector de explosivos GT200.

O detector começou por ser utilizado pela Força Aérea, ainda em 2005, alargou o seu campo de utilização durante o governo do General Surayud onde era utilizado pela sua segurança pessoal e ganhou o seu apogeu com a compra feita pelo General Anupong em Março de 2009.

O caso levantado em Inglaterra contra a companhia que produz os equipamentos e que já levou á cadeia um dos seus executivos por fraude fez com que a comunicação social na Tailândia viesse pôr em causa a utilização dos equipamentos e a pressão acabou por levar o PM Abhisit a ordenar que fossem conduzidos testes.

Estes aconteceram no fim de semana passada e, sem espanto, mostraram a total ineficácia dos aparelhos que só conseguiram detectar 4 explosivos numa amostra de 20.

O PM ordenou que fossem postos de lado os aparelhos mas o todo poderoso General Anupong, embora admitisse os resultados dos testes levados a cabo, reafirmou que continuarão a ser utilizados na “campanha do Sul”.

Num artigo de opinião hoje publicado no The Nation, Pravit Rojanaphruck, perguntava se isto era a negação da realiade, corrupção ou ambas.

Entretanto Abhisit ordenou que fosse investigada a compra dos GT200 já que é referido que o preço de mercado ronda os 500.000 bath enquanto os que foram comprados por Anupong custaram 1.4 milhões cada.

O PM veio, também, requerer que a firma inglesa, produtora dos GT200, assumisse as responsabilidades mas o tiro pode sair pela culatra já que o contracto assinada pela Tailândia impossibilita esta de fazer testes científicos aos equipamentos.

Anupong está com má sorte pois um Zepelim, denominado Spy Dragon, que encomendou, por 350 milhões de bath, a uma empresa americana para sobrevoar o Sul em missão de vigilância e que deveria ter sido entregue em Outubro, está estacionado numa base na província de Pattani inoperacional e sem que o equipamento que deveria ter visto tratar-se de equipamento militar e não foi obtida a devida autorização de exportação. Para alem do mais o engenho mostra-se inadequado para as temperaturas da região e o seu custo de operacionalidade é muito superior ao esperado, pelo menos assim é referido.

Comenta-se, com alguma piada, que se houvesse no mercado um detector de sensibilidades na relação entre Abhisit e Anupong ele estaria já em uso nos dois “bunkers”. Entretanto o PM fez um "upgrade" no seu carro, utilizando agora um Range Rover altamente blindado, não vá haver alguma bala perdida que se travesse no caminho.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Thaksin e a Justiça


Já por várias vezes falei do sistema de justiça tailandês, fundamentalmente criticando a sua ineficácia e morosidade.

Só lembrando um milésimo dos casos mais recentes: Santika, a discoteca que ardeu causando dezenas de mortos; a ocupação dos aeroportos que causaram milhões de milhões de prejuízos ao pais; o ataque à cimeira da ASEAN, que fez o pais perder credibilidade internacional, já tão afectada; a tentativa de assassinato do líder amarelo Sondhi L.; etc,.

Está agora chegado o dia do grande julgamento, o julgamento sobre os bens de Thaksin Shinawatra que se encontram confiscados desde o golpe de estado de 19 de Setembro de 2006.

No próximo dia 26 o secção do Supremo Tribunal de Justiça especial para julgar casos envolvendo detentores de cargos políticos, instancia da qual não há apelo, irá decidir, se não adiar uma vez mais como o já fez por bastantes vezes, qual o destino a dar aos cerca de 1,5 mil milhões de Euros que se encontram custodiados em bancos tailandeses.

É de crer que desta vez o julgamento irá para a frente e portanto haverá uma decisão já que o pais está preparado psicologicamente para que tal aconteça.

É espectável que a confiscação dos bens aconteça mas existem argumentos para que seja feita na totalidade ou somente em parte alegando-se neste caso que Thaksin antes de ter subido ao poder já tinha adquirido parte considerável da sua fortuna.

Deixemos ao tribunal a tarefa de decidir e ao povo tailandês a de aceitar o veredicto seja ele qual for.

O que me interessa hoje é voltar à questão das deficiências nos sistemas de investigação, judicial e processual no pais.

Thaksin vai de novo a julgamento por uma causa errada se bem que uma condenação neste caso possa desencadear um processo criminal que há muito já deveria ter acontecido.

Neste momento Thaksin está fugido do pais por ter sido condenado por “conflito de interesses” num caso demasiadamente dúbio. A sua mulher comprou um terreno pertencente a um fundo de investimentos gerido pelo Banco Central. Como era casada o marido, neste caso o PM, tinha de assinar, também, os documentos da compra. A senhora foi ilibada de qualquer violação de direitos, aceitando-se assim que ela comprou os terrenos sem violar a lei, mas o marido, ao apor a sua assinatura entrou em conflito de interesses visto o Banco Central estar dependente dele! Desde quando é que os Bancos Centrais estão dependentes do poder politico? Como é que na mesma transacção uma parte é ilibada e a outra é acusada?

A conclusão foi a de que Thaksin por apor a sua assinatura “apanhou” dois anos de prisão efectiva. Para não servir tal sentença resolveu fugir do pais. O poder politico ameaçou centenas e vezes que iria pedir a sua extradição mas só o fizeram muito recentemente quando o fugitivo entrou no Camboja.

No dia 26 mais uma vez o que vai a julgamento, do ponto de vista processual, são os bens de Thaksin, sempre um assunto tão querido num pais onde o dinheiro toma sempre o lugar de honra. Parece-me que mais uma vez o que está em questão é errado.

O que se deveria julgar, para alem dos crimes contra a humanidade cometidos por Thaksin, na guerra contra a droga, no combate aos povos do Sul do país e outros, era o abuso de poder prática comum durante os seus anos no poder.

As operações que estão em julgamento e que levaram ao excessivo enriquecimento de Thaksin são na sua generalidade legais. Isto acontece em todos os estados em que as instituições são fracas ou corruptas. O poder politico aproveitando-se da situação legisla não em proveito do pais mas em proveito dos interesses privados próprios ou de grupos. Quantas vezes já vimos isto pelo mundo fora?

Assim fez Thaksin. Utilizou o poder de que estava democrática e legalmente investido para, através da aprovação de textos legais, nunca rebatidos quer nos tribunais quer no Parlamento devido à sua fraqueza politica, para seu proveito pessoal. O locupletamento não é uma causa mas uma consequência de uma prática criminal ou no mínimo dolosa, e portanto o que deveria estar em julgamento eram os seus anos no poder e a forma como utilizou esse poder para si, sua família e as suas empresas.

A investigação e o sistema de justiça é tão pouco eficiente que há dois ou três dias a caravana do PM Abhisit, foi por duas vezes “atacada” por dois carros que tentaram intrometer-se nela sendo que um deles quase que chocou com o caro oficial, e até agora nem sequer foram chamados para interrogatório os condutores sendo que as viaturas estão identificadas. Como é óbvio casos destes, e as acções ou falta delas consequentes, levantam logo a dúvida se na realidade isso aconteceu, se foi feito pela própria “entourage” ou seja se foi só um golpe de propaganda, como tem havido vários nos últimos dias, tendente a criar um clima propício a que as forças de ordem, que montaram postos de controlo por toda a capital, possam intervir contra os camisas vermelhas que alegadamente estarão a preparar o “ataque final” para o tal dia 26, coisa que já formalmente desmentiram dizendo que nem sequer se irão manifestar junto do Tribunal.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Ano do Tigre

Na caminhada para o dia 26 de Fevereiro, o dia do julgamento sobre os bens da familia Shinawatra, os boatos e contra boatos vão crescendo mas os militares parecem levar a sério as ameaças de que os “vermelhos” farão marchar sobre a capital mais de 1 milhão de apoiantes do ex PM, e começaram já, activamente, a prepararem-se para essa possível mega manifestação.

Existem movimentos de militares em grande número das províncias do país fundamentalmente naquelas que são mais afectas a Thaksin. Por outro lado têm acontecido várias prisões, sem razão aparente, de activistas anti-regime nulgumas universadades da província sendo mesmo alguns professores acusados do crime de lese-majesté, a arma mais utilizada pelos sectores mais conservadores do poder.

Abhisit está só já que quem tomou neste momento a condução das mais variadas operações foram os militares. Estes mantêm-se leais ao General Anupong embora existam algumas vozes contrárias vindas de sectores que pretendem o diálogo e não a confrontação.

Anupong também não será um apoiante de qualquer intervenção, já que conhece bem que o povo não acolherá tal facto tão bem como aconteceu em 2006, mas existem por vezes pressões que mesmo ele, o homem que controla as armas, não pode resistir.

Thaksin, sabe bem que, embora a sua defesa pareça sólida, não tem hipótese de ganhar. Terá enviado largas somas de dinheiro para financiar as movimentações que poderão ser a sua última opção. Neste particular os opositores do fugitivo ex PM acusam-no de financiar os seus apoiantes mas nunca se lembram de falar do financiamento, parte dele com o dinheiro dos contribuintes, que é dado aos seus opositores.

A capacidade de conseguir ser independente neste diálogo é nula, logo prejudicial.

Os dias que se vão seguir poderão dar algumas indicações sobre o evoluir da situação mas a intransigência das partes não é propícia a soluções de paz.

Entretanto vai começar o ano do Tigre. Para esta situação espera-se que seja um tigre sem dentes.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Hun Sen vs Abhisit

Como já muitas vezes referi as relações entre o Camboja e a Tailândia ao longo dos séculos nunca foram boas embora a história e a cultura dos dois povos se misture em muitos aspectos.

Desde a crise de meados 2008 quando o Camboja decidiu requerer à UNESCO a classificação do templo de Preah Vihearn como património da humanidade, facto que levou à queda do Ministro dos Negócios Estrangeiros tailandês, que a tensão se agravou.

Houve algumas trocas de tiros na fronteira, aliás o que acontece ocasionalmente quando há intrusões territoriais, facto quase que natural numa fronteira mal demarcada, acabarm por morrer duas dezenas de militares de cada lado, o templo acabou por ser fechado ao turismo, houve confrontações entre os residentes do local e manifestantes do PAD, que tomaram esta disputa como um caso de soberania nacional ameaçada, etc.

Existem mais de 800 quilómetros de fronteira irregularmente demarcados e para tentar resolver essa disputa existe uma comissão conjunta que nunca conseguiu passar do primeiro ponto da agenda que é a denominação dos locais, que embora pareça ser igual se escreve diferentemente em thai e em khmer.

De qualquer forma as disputas occoridas desde 2008 sempre foram mais provocadas por desígnios políticos internos do que por reais questões àcerca do problema. Como referi no início, esta situação existe, pode dizer-se há 13 séculos, e as populações e os países sempre assim viveram. As relações pessoais trans-fronteiriças são as da melhor vizinhança existindo famílias que se constituem com membros de um e de outro lado já que na realidade eles não são tailandeses ou cambojanos mas locais que falam a mesma língua, comem a mesma comida, sofrem as mesmas alegrias e tristezas e veneram os mesmos credos.

O assunto estava em banho maria já que havia outros mais importantes para que as forças em disputa na Tailândia se preocupassem com as relações na fronteira.

Contudo recentemente o Rei do Camboja decidiu, a pedido do seu Primeiro Ministro Hun Sen, nomear Thaksin Shinawatra como conselheiro económico do país e tudo voltou a aquecer. Desde esse momento as reacções foram crescendo de tom: houve chamada de Embaixadores com a consequente diminuição do estatudo das representações diplomáticas, acusações de um lado e de outro, etc. Do lado cambojano Hun Sen não esquece que o Ministro Kasit o acusou de ladrão da terra tailandesa quando militava no PAD e no auge da campanha nacionalista levada a cabo pelos “amarelos”. Do lado tailandês não se esquece a nomeação de Thaksin e o acolhimento que a este é dado cada vez que pôe os pés no país vizinho.

Este fim de semana Hun Sem decidiu ir visitar na região fronteiriça os templo de Preah Vihearn e Ta Muan Thom, um outro templo situado noutra zona em disputa mas “de facto” em território tailandês (província de Surin).

A tensão avolumou-se, as tropas estiveram em alerta, embora os militares continuem a tentar manter-se afastados desta polémica que é essencialmente desencadada por necessidades das politicas domésticas, mas tudo parecia ir acabar calmo. Contudo as deslocações não foram exactamente de acordo com a agenda de Hun Sem e ele decidiu falar dizendo aquilo que era impensável. O sempre conciliador Suthep disse que Hun Sem estaria furioso por não ter conseguido fazer as visitas como queria e foi essa a razão.

Foram as seguintes as afirmações que fez:

“Você (Abhisit) é um ladrão que roubou o poder. Se não acredita no que digo então convoque eleições e verá o resultado”. “ Se vier dizer que o exército tailandês não invadiu o Camboja em 15 de Julho de 2008 só espero que todas os demónios e males (que ttenha um acidente de carro, que o avião em que ele e a família viagem caía, que parta o pescoço, etc) caiam sobre si”. “Os tailandeses não só invadiram o meu país como distoceram a história chamando nomes errados a Preah Vihearn”. “Eu quero dizer ao povo tailandês que nunca antes o país esteve tão dividido a não ser desde que Abhisit é PM. As relações com os países estrangeiros são péssimas”. “Você utilizou os “amarelos” para fazer um golpe de estado e conseguir o poder”. “ Se eu uso ou não fardamenta militar (Hun Sen apresentou-se com a sua mulher ambos vestindo camuflados) não é um assunto que lhe diga respeito”

Abhisit com alguma elegância, hoje, respondeu que não tinha medo das maldições lançadas por Hun Sem e que o que o preocupava era verificar se não havia violações do território tailandês. Mesmo assim à cautela lá recebeu um amuleto que um monge de Roi Et lhe foi levar ao gabinete.

Segurança



Há dias alguém, as suspeitas caem sobre um motociclista ainda não identificado, alguém passou em frente à residência de Abhisit e atirou para a entrada do edifício alguns sacos de plástico com excrementos e um com peixe podre.

A residência, como é normal, está rodeada de polícias e militares que fazem a vigilância mas ao que agora se sabe estavam a dormitar e acabaram por ir passar uma semana na cadeia para “curar o sono”.

Após o sucedido que foi transmitido na comunicação social como um atentado, foi reforçada a segurança e destacados 50 militares armados para proteger o Primeiro Ministro.

Na passada Sexta-feira um jornal foi entrevistar os militares e os relatos são significativos. Referia um dos sargentos que faziam turnos de 12 horas (!!) e que não podiam sair do local para ir comprar comida mas que as criadas do prédio lhes levavam comida embora esta não fosse muito boa. Dizia ainda que era duro mas que tinham que aceitar. Turnos de 12 horas só podem dar como resultado que ao fim de algumas horas a qualidade de concentração e de atenção desce a níveis muito baixos e portanto a maioria do tempo o PM e família acabam por estar pouco protegidos.

Deverá ter sido por isso que o pai de Abhisit veio dizer para os jornais que paga do seu bolso mensalmente 300.000 bath, cerca de 6.200 euros, para, segundo ele, garantir a segurança do filho e da sua família.

O mais interessante é que os tailandeses não vêm nesta afirmação a passagem de um certificado de total irresponsabilidade ao país e ás suas forças de segurança. O que comentam é o facto de o coitado do pai ter de pagar tanto dinheiro.

Quer o assunto dos turnos e da não alimentação dos militares envolvidos na protecção ao PM, quer a necessidade de complementar a segurança (?), são vistos, pelos tailandeses, com olhos completamente diferentes daqueles que nós europeus nos habituamos. Contudo parece-me que neste caso não se trata daquilo que muitas vezes acontece que é o facto de não compreender-mos esta(s) sociedade(s).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Besta encurralada, Besta assanhada


Nos últimos tempos o tema dominante é a grande dúvida Shakespeariana há golpe ou não há golpe.

Desde à cerca de três semanas que tem acontecido, um pouco por todo o país, uma constante movimentação de efctivos e equipamento militar de uma unidade para outra naquilo que parece ser uma reorganização da presença de efectivos e material nas várias unidades aquarteladas.

Segundo o porta-voz do Governo, Panitan Wattanayagorn, cerca de 20.000 militares serão colocados em alerta por todo o país; 13.300 no nordeste (área predominantemente thaksiniana), e 6.500 em Bangkok. À volta da capital serão organizados cerca de 200 pontos de controlo de entradas e de movimentos. De acordo com Panitan o número final de efectivos poderá chegar aos 35.000.

A UDD e o Puea Thai já vieram afirmar, e desmentir ao mesmo tempo, afirmações de que estaria em constituição um “exército do povo”, que seria comandado pelo General Khattya e que 1 milhão de pessoas desceriam a Bangkok para cercar o Parlamento e o Governo até que esse caísse. Tudo isto aconteceria por volta ou antes do dia 26 deste mês quando o Supremo decidir no caso relativo aos bens de Thaksin, cerca de 1,5 mil milhões de Euros, que poderão vir a ser confiscados a favor do Estado.

Vários Deputados e outros elementos próximos do Governo afirmam estarem a ser treinados por todo o país membros para tal exército numa operação de recrutamento massivo de pessoas.

Parece tudo um pouco surrealista inclusivé tendo em vista as recentes divergências no seio da UDD e as manifestações que agora realizam, quase que diáriamente, e ás quais somente poucas pessoas acorrem. Na passada Quinta-feira manifestaram-se junto ao clube militar na zona norte de Bangkok e não chegariam a ser 100 pessoas por relatos de pessoas amigas que presenciaram. Também no dia anterior o fizeram no Quartel General do exército e igualemente não chegaria a ser 200 o número dos presentes.

O próprio Governo que anteriormente utilizava sempre o Internal Security Act (ISA), lei que lhe permite impôr medidas excepcionais, se necessário, não tem utilizado actualmente essa medida.

Serão tudo manobras para fazer crer que existe uma fraqueza do “lado vermelho” e fazer relaxar as guarda defensiva? Será que a fraqueza existe na verdade, como as divergências vindas a lume parecem mostrar? Será que essa fraqueza pode levar a actos extremos tipo “última oportunidade”? Estas são muitas das perguntas que andam no ar neste momento.

As únicas certezas são as seguintes: existem movimentações militares (para além dos exercícios conjuntos com os Americanos); no meio militar desdobram-se as manifestações de apoio ao General Anupong (entretanto em oportuna visita aos Estados Unidos); existe grande nervosismo no sector governamental como o demonstram todas as informações daí provenientes entre as quais as do Ministro Kasit aos diplomatas, que em vez de acalmar as capitais as alarma; Suthep, há muito calado, vem afirmar estar o país pronto para garantir a sua segurança; existem as permanentes ameaças do General Khattyia ao qual ninguém consegue pôr cobro (nem ás suas constantes deslocações para visitar Thaksin); o próprio Conselho Privado do Rei saiu agora, através de um dos seus membros, a criticar aquilo que apelidam de “inacção do Governo em defender a monarquia”, etc

Entretanto o General Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, cujas palavras são sempre alvo de enorme atenção e expeculação, afirmou ontem que a Tailândia necessita de um líder carismático e integro (no ano passado tinha afirmado que o país estava em boas mãos com Abhisit) e que o exército continua a jogar um papel crucial no país. "Os militares têm de ter qualidades de liderança melhores do que os outros pois o seu trabalho é em favor do bem estar do povo e da preservação da paz em tempos de guerra".

Costuma-se sempre perguntar. Quem é que beneficía com este clima de aparente instabilidade? Por certo que não é o Governo que deveria estar calmo e confiante. Não são os militares que sabem bem o custo de um intervenção não desejada pelo povo. Só pode ser o “canto” Thaksin, o único ao qual a confusão poderia ser benéfica neste momento.

Fica assim mais uma pergunta no ar. Tem ainda tanta força ao ponto de conseguir fazer que os seus melhores aliados nesta guerra psicológica sejam o próprio governo e as forças que o apoiam, que vão criando rumores e factos políticos que lhes são adversos?

Entretanto Thaksin reuniu-se este fim de semana com os seus mais radicais "amigos" (foto de cabeçalho).

O pior que se pode fazer a um animal acossado e perseguido é acurralá-lo pois torna-se raivoso e assanhado e portanto perigoso. Parece que é isto mesmo que está a acontecer.

Afirmações de Abhisit


Possiveis eleições são um tema que muito interessa à oposição que persistentemente as reclama proclamando a não legitimidade democrática do presente Governo. Este fim de semana também o PM veio dizer que o seu partido estava pronto para “ir á luta” e que as sondagens, que tinha em seu poder, apontavam para que os Democratas obtivessem 240 lugares num novo Parlamento.

Os Democratas têm actualmente 173 lugares, menos 15 que o partido mais votado, o Puea Thai (aliado de Thaksin), e esse numero é o maior que alguma vez os Democratas conseguiram obter.

As bases de apoio do partido Democrata concentram-se nas zonas urbanas e no Sul do país, sendo que esta área é a que elege menos Deputados. Contudo uma sondagem vinda a público em Dezembro dava mais dois Deputados ao Puea Thai em Bangkok do que aos Democratas. O grosso dos Deputados vêm contudo das áreas mais populosas, nordeste e norte, onde a influência de Thaksin é prodominante e se mantém viva como foi evidenciado nas últimas quatro eleições intercalares.

Numa delas, ocorrida em 11 de Janeiro em Maha Sarakhan, o Puea Thai concorrem contra um só partido, o Bhum Jai Thai, que actuou como uma frente comum da actual coligação no poder, e mesmo assim conseguiu a vitória reelegendo o Deputado do seu partido que tinha sido desqualificado.

A afirmação de Abhisit de que os Democratas conquistariam 240 Deputados, exactamente metade da Câmara Baixa, segundo ele baseado em sólidos estudos, só pode ser entendida como uma forma de fazer campanha antes de tempo pois todos os outros analistas, que não os que Abhisit quer ver, afirmam que o vencedor numa eleição será de novo o Puea Thai, sendo que isso, como agora acontece, não queira dizer que tenha a capacidade para formar governo. A decisão para esse efeito não está ao nível dos resultados das eleições mas a outros niveis como vem sendo demonstrado há tempos.

Aliás uma das grandes fraquezas do Puea Thai é que os seus melhores políticos estão banidos do exercício de actividades políticas, 220 no total, e é visível a falta de “caras capazes” para estarem à frente dos destinos do país.

Abhisit continua numa campanha de sobrevivência diária, fazendo afirmações tendentes a manter viva a chama que vai iluminando o governo e a coligação.

Noutra afirmação feita, infelizmente para ele perante uma plateia de empresários na Sexta à noite, o PM disse que a economia do país, depois de ter caido 7,1% no ano passado começou a mostrar sinais de recuperação no último trimestre do ano, altura em que o desemprego que era de 1 milhão de pessoas foi reduzido em 400 ou 500 mil!!

É de propor o PM para prémio Nobel da Economia visto ter conseguido fazer com que o desemprego fosse reduzido para metade num só trimestre. Uma afirmação que aparece no mesmo momento em que é mostrado que a ocupação dos escritórios desceu 3,34%, e a utilização dos parques industriais na zona de Chon Buri-Rayong, foi fortemente afectada pela crise mundial no sector automóvel, faz pensar onde será que foram colocados esse meio milhão de novos empregados.

Abhisit apesar de ter tudo a seu favor tem uma tendência, ele e o seu núcleo mais próximo, para por por vezes criar factos políticos sem sustentação e fundamentalmente sem necessidade.

As suas afirmações são cada vez mais interpretadas como sendo feitas fora do contexto daquilo que está na realidade a acontecer na política no país e assim é porque o centro do poder não está na Government House.

Um exemplo disso foram as duas últimas convocatórias feitas, nas últimas três semanas, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kasit, aos diplomatas acreditados em Bangkok, ambas feitas com carácter de urgência para o próprio dia. Em ambas aprentou-se ladeado não pelo seus funcionários do seu ministério mas por generais do exército.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

500 Anos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandês acaba de lançar concurso para a produção de um cartaz comemorativo dos 500 anos da chegada dos portugueses ao reino do Sião.

Nesse longínquo ano de 1511 os portugueses foram os primeiros ocidentais a entrarem em contacto com o Rei do Sião, na então capital Ayuthaya, e aí deixaram marcas que ainda hoje estão visíveis.

Para além do legado arqueológicas deixado ficou a amizade com este povo e variadas formas de geminação do que são elementos mais importantes, ainda hoje visíveis, os membros da comunidade luso descendente, o bairro de Santa Cruz, que em tempos já referi, e elementos da gastronomia local, nomeadamente a doçaria.

Portugal tem já um logotipo, mas para o conjunto das comemorações da presença de Portugal na Ásia.

Estamos sempre presentes na mente dos povos de aqui, que não se esquecem de nós, e tão ausentes do outro lado onde é sabido o grande desconhecimento sobre as venturas dos portugueses por toda esta região.

Faz-se votos que estas comemorações ajudem os portugueses a melhor compreender a Ásia e os seus povos.