quinta-feira, 11 de junho de 2009

Voar para a Tailândia

A Air Asia, a maior companhia low cost a actuar na região, e uma das maiores no Mundo, acaba de lançar um repto ás autoridades tailandesas no sentido de repensarem a estrutura de custos aeroportuários no país se pretendem aumentar o fluxo de turistas.

A Air Asia actualmente transporta cerca de 24 milhões de passageiros anualmente (para comparação o objectivo da TAP para este ano é de 9 milhões) e é indiscutivelmente o grande operador no sector turístico na região.

Para a TailAñdia são actualmente transportados 5,2 milhões mas Tony Fernandes, o malaio, por certo de origem portuguesa, que é o fundador e presidente da companhia, quer aumentar esse número para 20 milhões em 2013.

Contudo para que tal aconteça e que a Air Asia possa ser o grande veículo dinamizador do turismo na Tailândia, torna-se necessário que as taxas aeroportuárias estejam dentro daquilo que é praticado na região.

Já uma vez aqui referi que aquando da ocupação e encerramento do Aeroporto de Bangkok os principais concorrentes, Hong Kong, Singapura e Kuala Lumpur, ofereceram a muitas companhias condições excepcionais para aí fazerem escala e que muitas delas não regressaram a aterrar em Suvarnabhumi.

Na realidade, e pode observar-se no quadro anexo, as taxas por passageiro na Tailândia, neste caso em Bangkok, são significativamente superiores ás praticadas pelos principais concorrentes fazendo com que os bilhetes de avião para esses outros destinos sejam invariavelmente mais baratos e desviando assim o fluxo turístico para outros países.

Compete ás autoridades tailandesas reagirem com celeridade pois é sabido que quando os operadores turísticos se habituam, e criam canais com um determinado destino, só com alguma dificuldade introduzirão outros destinos.


10 de Junho em Bangkok

Porque o Miguel Castelo Branco fez uma bela reportagem do dia de ontem aqui vos deixo, com a devida vénia, o link

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Panda

A nova casa dos panda com neve para um melhor ambiente



Já gatinha ou já pandinha!

O Ataque à Mesquita

Anteontem, dia 8 de Junho, um número ainda não identificado de atiradores (2-5) entrou numa mesquita em Cho Airong na Província de Narathiwat, sul de Tailândia e matou pelo menos 12 pessoas ferindo ainda outros tantos quando dispararam indiscriminadamente sobre os crentes que assistiam a um serviço religioso.

As três províncias mais ao Sul no país, Narathiwat, Yala e Pattani, são palco de permanentes incidentes violentos, especialmente desde 2004, e já morreram mais de 4.000 pessoas quer em atentados quer em confrontações entre as forças militares e militarizadas e grupos de rebeldes que lutam por um modo de vida diferente, uns e por questões autonómicas, outros. As três províncias são maioritariamente Muçulmanas, cultural e etnicamente muito próximas da Malásia e desde os tempos do colonialismo inglês no Sul. Também a confrontação das forças da ordem e as populações, como o recentemente relatado caso de Tak Bai, tem sido uma das causas não só de mortes mas também da fúria das populações.

Os sucessivos governos posteriores a Thaksin sempre anunciaram intenções de resolver o conflito pela via do diálogo e da integração da minoria budista nos costumes muçulmanos no Sul e dos muçulmanos no geral do pais, mas a oposição permanente dos militares tem sido um obstáculo para tal. Abhisit quando chegou ao poder uma das medidas que anunciou foi a intenção de desmilitarizar o Sul e de criar uma agência civil com coordenação de toda a gestão das questões tendentes a uma melhor integração das sociedades, mas nunca tal conseguiu sair do papel do programa do Governo e das suas boas intenções.

Desde o dia 5 de Junho 19 pessoas morreram na região onde se deu o ataque à Mesquita e mais de 40 ficaram feridas algumas com gravidade. Estes ataques atingem as comunidades muçulmanas e budistas de igual forma e cada vez mais são um desafio entre o Estado em Bangkok e aqueles que no Sul lutam por uma forma diferente de entender as diferenças sociais, étnicas e religiosas. Por detrás disto começam a aparecer alguns sinais do fundamentalismo islâmico que até há pouco tempo estava fundamentalmente ausente no conflito. É sabido que parte de juventude local vai frequentar madrassas no Paquistão e Afeganistão e isso não são sinais positivos para o futuro de um diálogo que se pretende poder vir a existir em breve.

A Tailândia nunca quis “internacionalizar” o conflito tentando mantê-lo sempre dentro das suas fronteiras e as deslocações de diplomatas ao Sul do país deverão ser sempre feitas com prévia autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros mas a falta de um avanço no encontrar de soluções vai pondo em questão essa política de isolamento.

Abhisit com a decisão de Tak Bai e com o incremento dos ataques fica cada vez mais dependente daqueles que ele se queria ver livre ou seja dos comandos militares que, ao abrigo de entenderem existir um estado de conflito permanente na região, obtêm uma lei marcial e um decreto de estado de emergência que lhes permite actuar a seu bel-prazer e sem escrutínio, como se viu na sentença do caso Tak Bai. O controlo de todo o tipo de tráfico que é feito na fronteira com a Malásia é por demais importante para que os grupos que aí actuam, a coberto das autoridades, deixem que os políticos de Bangkok se intrometam nas suas actividades.

Assim vai um conflito sem fim à vista e no qual o grosso das populações só quer é encontrar uma forma de viver a sua cultura e a sua religião ao lado dos outros que são diferentes, mas irmãos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Grande Atracção

No dia 27 de Maio nasceu no zoo de Chiang Mai um panda. Segundo os especialistas é a primeira vez que uma panda nasce em Maio visto o período normal de nascimento é entre Julho e Setembro.

A pequena panda que ainda não tem nome, havendo mesmo um concurso, oferecendo o zoo 1 milhão de bath (cerca de 20.000 Euros) para este lhe ser atribuído, nasceu através da segunda tentativa de inseminação artificial da sua mão, Lin Hui, que está em Chiang Mai ao abrigo de um protocolo com as autoridades Chinesas que emprestaram por um período de 10 anos à cidade do norte um casal de pandas, que é a grande atracção daquele parque zoológico.

Com o nascimento do novo habitante, as filas para visitar o zoo e ver, através de uma câmara, o "rebento" são agora enormes visto este se ter tornado rapidamente na grande novidade.

Variadas foram as tentativas para que o casal de pandas tivesse um filho por meios naturais tendo os tratadores chegados ao ponto de exibirem filmes eróticos de pandas de modo a tentar aumentar a libido do casal mas sem sucesso.

Assim foi recorrido à inseminação artificial e á segunda tentativa nasceu o pequeno panda.

Sabendo-se da fragilidade destes animais imediatamente um grupo de peritos chineses se deslocou para Chiang Mai para ajudar os veterinários e tratadores do zoo a lidar com esta novidade. O facto de ser o primeiro filho de Lin Hui faz aumentar as precauções pois não é sabido até que ponto ela é capaz de tratar da sua filha, visto tratar-se de uma panda conforme confirmou um dos peritos chineses que actualmente está em Chiang Mai.

O nascimento ocorreu na maior surpresa pois o pessoal do zoo não sabia que Lin Hui estava grávida. Se virem as fotos podem constatar que na realidade não se deve notar nenhuma alteração no corpo da mãe, o que eventualmente haverá é alguma alteração nos seus hábitos e comportamentos.

O facto é que a pequena panda parece estar a reagir bem ao ambiente, já se levantou nas frágeis patas e alimenta-se do leite materno embora sempre acompanhada dos cuidados de toda uma equipa que a quer ver singrar na vida.

Apesar da grande turbulência que existe no seio da coligação no poder, com muitos jogos nos bastidores, e da morte de David Carrendine no quarto de um hotel em Bangkok, em circunstâncias pouco claras e muito semelhantes à da de Michael Hutchence, o nascimento do panda, e agora o concurso para lhe dar um nome, são as grandes noticias que trazem os tailandeses agarrados à televisão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tak Bai

Tak Bai é uma povoação na província da Narathiwat no Sul da Tailândia, infelizmente celebre pelo incidente que aí aconteceu e que tirou a vida a muitas pessoas.

Em Outubro de 2004, durante a governação de Thaksin Shinawatra, sete pessoas foram mortas num ataque feito pelas forças militares a uma mesquita local. Na sequência dos incidentes seis membros da povoação foram feitos prisioneiros, por alegadamente serem conspiradores e colaboradores dos terroristas, e ficaram detidos na prisão de Tak Bai.

Mais de um milhar de pessoas manifestou-se à porta da estação da Polícia solicitando a libertação daqueles que diziam ter sido presos sem razão.

No dia 25 as forças militares atacaram os manifestantes e procederam à prisão de 1.292 pessoas. De acordo com relatos da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, os detidos foram espancados, torturados, humilhados de variadas formas.

As forças militares decidiram transferir os detidos de Tak Bai para a província de Pattani para um campo militar onde ficariam detidos. Os detidos foram colocados, empilhados uns sobre os outros nos camiões militares em condições sobejamente conhecidas como sub humanas.

Nesse processo de transferência 78 pessoas encontraram a morte por asfixia devido às faltas de condições mínimas no transporte dos prisioneiros numa clara violação de todas as convenções internacionais que a própria Tailândia assinou e aderiu de livre vontade.

Nessa altura o PM Thaksin ainda teve o desplante de dizer que o facto de trem morrido se devia ao facto de se estar em pleno Ramadão e as pessoas estarem mais fracas.

O General Surayud, o PM saído do golpe militar de 2006 teve a honestidade de pedir desculpas aos familiares das vítimas e atribuiu uma verba a cada um dos familiares dos falecidos.

Entretanto os responsáveis pelos actos criminosos que ditaram a morte dessas pessoas acabaram agora, passados quase 5 anos por ser julgados.

E assim se teria feito justiça se não fosse o caso de todos terem sido absolvidos por o tribunal (um claro t pequeno) que os "julgou" durante este tempo todo.

Na sentença pode ler-se o seguinte: os militares e a polícia actuaram de acordo com a lei, utilizaram o seu julgamento para lidar com a situação de pressão e fizeram o seu melhor baseado nas circunstâncias da situação (sic). Na realidade, e ontem dizia-o no Bangkok Post, Voranai Vanijaka, a decisão do tribunal está conforme com a lei visto os militares estarem protegidos pelo Estado de Emergência e leis aplicáveis que lhes dão o poder de actuar sem que sejam feitos responsáveis pelos actos praticados enquanto tal situação existe.

Continua este articulista que a sentença está totalmente correcta de acordo com a lei tailandesa e que os familiares das vítimas poderão, se assim o entenderem, recorrer para o Tribunal Internacional dos Direitos Humanos.

Contudo o articulista deixa um pedido ás forças armadas tailandesas.

Depois de os saudar pelo facto de estarem prontos a defender o país solicita que quando se trata dos compatriotas, e no interesse do povo tailandês, quando se trata de tratar de assuntos internos que o façam pensando nos direitos das pessoas e das populações e que tenham em conta que são irmãos seus aqueles que estão na sua frente. Pode ser que entendam a mensagem.

Quem sai decididamente derrotado desta decisão judicial, que ao menos poderia ter condenado moralmente os autores de tremendo crime já que legalmente não o podiam fazer, é o Governo de Abhisit Vejjajiva que depositava alguma esperança numa decisão que de alguma forma apoiasse a sua intenção de encontrar uma forma de diálogo com o Sul que não passasse pelas armas só como é o que actualmente acontece. Abhisit anunciou no programa de Governo a criação de uma agência, civil, que seria quem iria regular e gerir as questões do Sul. De imediato os militares saíram a terreiro contradizendo a proposta do PM que até agora ainda não foi implementada e que com a decisão de hoje terá enorme dificuldade de o ser. Acrescenta-se que Abhisit perde, através desta decisão e do seu conteúdo, qualquer capacidade de entabular um diálogo construtivo com as gentes do Sul visto poucos irem, por certo, a partir de agora acreditar nas suas palavras.

Um dia triste para a Tailândia


sábado, 30 de maio de 2009

Visita ao Nordeste


Encontro-me há dois dias em Khon Kaen, a segunda maior cidade do Nordeste da Tailândia e a terceira no país.

Verdadeiro centro político e económico da bacia do Mekong, ainda que bastante distante do rio, é aqui que a Great Mekong Sub-Region tem a sua base de sustentação e trabalho no que respeita a Tailândia. Igualmente é a mais importante cidade do Economic Corridor West-East, a rede de comunicação projectada e criada com a ajuda do Asian Development Bank que pretende vir a ser o grande corredor para transportes de mercadorias entre a Baía de Bngala e o Mar da China, no Vietname.

Khon Kaen tem por outro lado uma das mais importantes Universidades do país com cerca de 40.000 alunos e 10.000 funcionários nos quais se incluiu uma grande quantidade de professores de línguas estrangeiras. Aqui chegam alunos de todos os países da região, com especial relevo para Birmânia, China, Cambodja e Vietname, que coexistem com alunos de muitas outras nacionalidades tão distantes como Gâmbia e Brasil. Interessante foi o encontro com a Presidente da associação dos estudantes nada mais nada menos que uma brasileira, ou não seja esse povo tão extrovertido em grande contraste com a tradicional timidez dos tailandeses.

Contrariamente ao que se possa entender Khon Kaen é amarela. Amarelo do Rei que não do PAD. A imagem de Sua Majestade está por todo o lado e o amarelo é profundamente usado pelas pessoas e não só às Segundas. Comparado com Bangkok, onde as cores de alguma forma desapareceram, devido ao receio que as pessoas têm de se ver associadas a movimentos políticos que não lhes interessam, o amarelo é a cor dominante.

Por outro lado a cor no coração e no sentimento das pessoas é o vermelho. Também não o vermelho da UDD mas a vermelho do seu mentor, Thaksin.

Contactei pessoas tão dispares como: o Governador, recentemente nomeado para substituir um "vermelho", um dos 111 membros excluídos da política, do TRT de Thaksin, que foi Deputado durante 26 anos e embora impedido de o ser agora continua a trabalhar na sombra, uma militante, com responsabilidades no PAD, o Director do Centro para o Desenvolvimento Social e Económico do Issan, assim é chamado o nordeste, um "Phuiyban", espécie de Presidente da Junta de Freguesia de um concelho limítrofe de Khon Kaen, o Reitor da Universidade e o Director do Centro de Estudos Internacionais, vários professores e alunos e um militante da esquerda, refugiado nas montanhas durante os anos 70 na época da caça aos comunistas.

Todos mostram uma consciência democrática muito mais evoluída do que aquilo que os "iluminados de Bangkok" pensam. Todos têm algum "desprezo" quer por vermelhos quer por amarelos e na essência a luta deles é pela sua terra, pelos valores mais próximos daquilo que é uma vida em comunidade e no fim pela pão para comer no dia a dia.

Amam, uns, e reconhecem-no, outros, o que Thaksin aqui fez, a forma como soube devolver às populações os votos que lhe deram através dos programas de desenvolvimento regional e constatam que a sua figura estará sempre na primeira linha de pensamento dos votantes. O Director da agência para o desenvolvimento, um claro apoiante do PM Abhisit, para além de dele dependente, dizia que Thaksin mostrou ao povo o que eles podiam conseguir com o voto e essa é um legado que retêm.

Também segundo esse senhor um dos grandes trabalhos a fazer tem a ver com o desenvolvimento dos recursos humanos e naturais da região. É necessário desenvolver o sistema educativo e a qualidade dos media, nomeadamente a da televisão, de modo a que as comunidades rurais, a grande maioria da população, tenha acesso a uma informação construtiva e não só baseada nas novelas que sempre passam nos horários nobres. Outra das grandes preocupações é o irrigamento das terras. Como já algumas vezes referi, em muitos pontos da Tailândia no mesmo ano existe seca e cheias não se conseguindo tirar todo o proveito e benefício que a água pode dar para um país onde a agricultura é predominante e um importante elemento contributivo para a economia da país. Mas dizia que nem 1% da verba que necessita tem e por isso se limita a elaborar um plano quinquenal sem ter no fim grande capacidade de o implementar.

Outro aspecto importante dos meus encontros foi o constatar que desde os tempos de Thaksin o Governo tem "desprezado" Khon Kaen com tão poucas vezes que aqui se v~e um seu membro, mas ao mesmo tempo as pessoas não dão grande importância a isso visto estarem mais concentrados na sua região. Não existe uma negação do ser tailandês, bem pelo contrário, não existe uma noção de desinteresse pelo país, mas existe uma forte noção de ser Issan de pertencer a este pedaço de terra, o maior no país, onde as gentes labutam a terra no dia a dia ou "oferecem" os seus filhos para o trabalho que tem de ser feito nas industrias e nos serviços no Sul e que os urbanos não querem fazer.

O "nacionalismo" Issan é uma realidade sem que isso traga qualquer carga de separatismo ou semelhante, e a imagem sempre presente de Rama IX, o Rei deles, isso bem mostra.

Uma das actuais preocupações, pelo menos para a maioria, que não para o Governador que minimizou este aspecto, é o facto de poder haver um retorno de cerca de 200.000 mil pessoas que perderam ou estarão em vias de perder os seus empregos nas fábricas de Chon Buri ou Rayong, ou nos hotéis, restaurantes e bares no Sul devido á crise económica nacional e internacional. Enquanto três pessoas me falavam daquele número o governador referia que o desemprego, devido à crise, afectava 800 pessoas. Não me esqueci de nenhum zero. Foi esse o número exacto que disse e afirmou que o governo da província está a proporcionar treino para requalificar essas pessoas.

No aspecto político vir aqui é confirmar a realidade daquilo que é o sistema partidário na Tailândia. Clubes de interesses e de negócios dominados por uma família que normalmente é a família mais rica na província e que consegue através da compra de tudo e todos colocar os seus homens nos lugares de influência. Em duas palavras é assim que funciona. Thaksin, se bem que seja um dos expoentes deste tipo de fazer política, alterou significativamente a equação quando mostrou aos habitantes das zonas rurais que caso votem num determinado projecto, o dele, conseguem obter o retorno em benefícios pare eles e para a comunidade em que vivem. Foi uma prática de aprendizagem de democracia directa que ultrapassou o velho sistema do cacique familiar para passar a ser o Partido ou ele mesmo o controleiro não de uma Província mas de toda uma região.

As próximas eleições intercalares em meados de Junho em Sakhon Nakhorn, onde consta que Nevin está a apostar forte para sair do seu "ghetto" de Buriran, vão ser um teste para entender se ele consegue ser o novo Thaksin, como penso que quer, ou se o velho ainda vai continuar a mandar. Dizia-me o Phuyaban, aquele que realmente iluminava a cara ao falar de Thaksin: ele hoje em dia não dá dinheiro ás pessoas. Já não precisa pois todos o têm no coração.

Esta é Khom Kaen a cidade amarela, capital do Issan do Norte como Ubon é a capital do Sul e Korat a do Centro.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Vela que Ilumina


O PAD decidiu, depois de dois dias de discussões, em constituir um partido político e preparar-se para as futuras eleições. O partido poderá ser chamado, Tien Haeng Dharma, a Vela que Ilumina o Caminho, numa tradução livre, um nome diferente como os seus promotores pretendem que seja a sua política. O nome final será escolhido pelos aderentes entre o já referido e Partido PAD ou Partido da Nova Política.

O partido será subsidiado pela contribuição de 100 bath por mês de cada um dos seus militantes e/ou simpatizantes, contrariamente ao que é normal. Os partidos vão buscar dinheiro aos grandes grupos económicos para o redistribuir pelos seus membros que conseguem ser eleitos Deputados. Noutros casos compra-se o lugar que se pretende como o Secretário de Estado da Agricultura, que ontem se demitiu, por pressões do seu partido, o Bhum Jai Thai Party de Nevin, que disse, com a maior simplicidade, ter pago 100 milhões de bath, € 2,2 milhões, para obter a posição.

O Tien Haeng Dharma, o nome que recolhe segundo relatos o amaior número de adeptos, irá continuar a falar da “Nova Política” que o PAD pretende que seja limpa e capaz de responder perante os eleitores. Esta questão dos eleitores é um dos pontos sensíveis da “Nova Política” pois o PAD sempre se mostrou avesso a aceitar o voto das camadas rurais, a maioria no país, alegando que a sua falta de preparação política e de informação levava a que estivessem fortemente abertos a “vender” o seu voto a quem oferecesse mais dinheiro.

Na realidade esse é um facto na política tailandesa onde a eleição de deputados nas constituições, há também eleições em lista partidária nacional, é feita, não tendo em conta o Partido mas a pessoa que mais garante segurança, ofertas ou outros benefícios para o eleitor. Contudo verificou-se nas últimas eleições, bastantes disputadas e onde muito dinheiro andou de mão em mão, que muitos eleitores se deixaram seduzir pelo dinheiro mas fizeram-no de uma forma mais inteligente, tendo aceitado ofertas de diversos partidos, e no final votavam em consciência. Há um estudo feito pela Universidade Católica (Assunção) que mostra esta realidade a emergir.

O PAD apesar de falar da falta de instrução e informação dos eleitores nunca propôs nenhum programa de educação cívica que permitisse contrariar essa desigualdade, na palavra deles, e unicamente advogou que os votos deveriam ser expressos somente nas listas partidárias e também através de um sistema corporativo em que os diversos sectores profissionais elegessem os seus representantes para um Parlamento misto de eleitos e representantes.

Suriyasai Kantasila o Secretário-geral do PAD e provável secretário do Partido anunciou que o facto do movimento se ter constituído em partido não lhes retira a capacidade para continuarem os seus protestos de rua sempre e quando o entenderem necessário para lutar pelos seus ideais.

Shondi imthongkul será o líder do Tien Haeng Dharma e os jornais de imediato recordam um discurso dele em 2006 quando disse que podiam dar-lhe uma bofetada se ele entrasse na vida política activa. Com a nova moda de atirar sapatos perguntava o jornal em questão quem seria o primeiro a atirar um sapato a Sondhi.

Uma coisa o novo partido tem de diferente, para melhor, em relação à maioria dos outros. Têm um claro objectivo e um programa e não é só um clube de interesses monetários e de distribuição de lugares. Que sejam bem-vindos à luta democrático-partidária que este país bem necessita de debate constructivo para aprofundar os ideais de cada grupo de forma organizada, nos devidos lugares que a Democracia reservou, que não na rua. .

Outro aspecto a realçar nesta aparição, a melhor palavra para associar à vela, é o facto de ser mais uma nota a demonstrar que todos se preparam para as muito possíveis eleições a realizar num prazo curto. O Puea Thai procura um novo líder e está agendada para o dia 31 a sua reunião magna. O Bhum Jai está em marcha acelarada para conseguir o objectivo de ser o partido charneira do sistema político no país (só falta mesmo a amnistia para Nevin ser o candidato a PM), sem o qual nenhum outro partido pode assumir o poder. Os outros partidos mais pequenos estão de igual modo em movimento. Os Democratas pelo seu lado vão assistindo ao fortalecimento de organizações políticas que lhe vão retirar posições, visto concorrerem no mesmo espaço eleitoral, mas com tanto trabalho a fazer para assegurar que o governo e o país subsistam não conseguem dar atenção aos problemas partidários e estão claramente numa curva descendente.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

ASEAN


A Junta Militar da Birmânia acaba de emitir um comunicado rejeitando violentamente a declaração da Presidência da ASEAN, a Tailândia, que no passado dia 18 apelou à libertação da Aung San Suu Kyi e dos outros prisioneiros políticos.

A Junta acusa a Tailândia de emitir uma declaração que não está de acordo com os princípios da associação e viola a soberania de um dos países membros.

A declaração é um facto inédito de luta política entre dois membros da ASEAN. Recorde-se que um dos principiou da associação é a de não intromissão nos assuntos internos dos estados, bem diferente da União Europeia. Contudo o assunto da detenção de Aung San Suu Kyi só com uma visão muito restrita poderá ser considerado um assunto unicamente respeitante ao estado birmanês visto ser uma clara violação das próprias leis do país para além da violação de leis internacionais algumas delas a que o próprio estado está obrigado.

Na recente cimeira da ARF em que estive presente o Delegado da Birmânia agradeceu, como já referi, aos países vizinhos, omitindo propositadamente a Tailândia, China, Índia e Laos, a compreensão para com o processo Democrático em curso (já há quase 20 anos, acrescentaria) solicitando ao mesmo tempo que se tornassem nos arautos desse entendimento perante o Mundo. A China não condenou a prisão de lutadora pela liberdade mas referiu que o processo democrático deveria envolver todas as partes envolvidas nas questões no país, numa clara alusão à exclusão a que a oposição ao regime ditatorial está obrigada.

Teremos agora de esperar pela resposta da Tailândia e ver como se seguirá o diálogo daqui para a frente no espaço ASEAN.

A Irmã da Rainha


Quando Sondhi L deu a conferência de imprensa depois de ter saído do hospital na sequência do atentado de que foi alvo, atacou fortemente Thamphunying Viriya Chavakul que disse estar por detrás da tentativa de o calar para sempre.

A senhora em questão era ou é uma dama de companhia da Rainha e isso fez logo grandes ondas ao ponto de o palácio ter vindo a explicar que uma lady-in-waiting é nomeada por decreto real e não havia nenhum que nomeasse Viriya. O certo é que a senhora é Presidente de várias instituições que têm o alto patrocínio de Sua Majestade a Rainha e a ligação de ambas é evidente em muitos outros aspectos da vida social.

Desde essa altura o Grupo ASTV, proprietário dos meios de comunicação social, televisão e jornais, pertencentes a Sondhi, têm lançado permanentes ataques contra a figura de Viriya.

Recentemente um conjunto de pessoas organizou um almoço de solidariedade com Viriya e logo o Manager, jornal do grupo, atacou todos os presentes e organizdores do almoço denunciando a sua qualidade de apoiantes de quem tinha estado por detrás da organização do atentado ao seu líder.

Acontece que na fotografia que é dada à estampa nos jornais sobre o almoço aparece na primeira fila, e no lugar de mais relevo, Thanpuying Mom Rajawongse Busba Kitiyakara Sathanapong, nada mais nada menos do que a irmã mais nova da Rainha.

Veremos se a famosa lei de Lèse Majesté será chamada a terreiro neste caso ou se ela só se aplica contra os vermelhos como tem sido o caso.

Entretanto o PAD, que este fim de semana decidiu avançar para a criação de um partido político com Sondhi à cabeça, vai entendendo que os seus inimigos estão também dentro daqueles que os utilizaram como tropa de choque contra o thaksinismo.

sábado, 23 de maio de 2009

O Julgamento em Insein


O julgamento de Daw Aung San Suu Kyi continua na prisão de Insean o que de alguma forma é identificador da pressão que os ditadores de Napidaw sentem.

Na passada Quinta-Feira três Embaixadores, Rússia, Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Tailândia, Presidente da ASEAN e Singapura o Decano do Corpo Diplomático, tivera a oportunidade de se encontrar com Suu Kyi constatando que se encontrava de boa saúde e com elevado moral. O encontro contudo não durou mais do que escassos 10 minutos.

No dia seguinte o Corpo Diplomático foi igualmente autorizado a entrar na sala de audiências por um breve período, óbviamente num momento em que nada de importante acontecia.

Embora de pouca monta estes passos têm algum significado e, associados ao demorar dos procedimentos, alegando as autoridades de que existem bastantes testemunhas de acusação para serem ouvidas, mostra algum disconforto da Junta e é devido à pressão internacional que se faz sentir um pouco por todo o lado.

Na Quarta-feira, participei na cimeira da ARF, e tive a oportunidade de ouvir quase todos os países presentes condenarem o que se passa na Birmânia exigindo a imediata libertação de Suu Kyi e de todos os prisioneiros políticos como uma condiçao prévia para o apoio da comunidade internacional para aquilo que a Junta chama o caminho para a Democracia. No fim o Delegado da Junta falou.

Começou por explicar os aspectos legais relacionados com a "viloção" das condições de detenção de Suu Kyi para terminar por agradecer aos estados vizinhos, China, Índia e Laos, por compreenderem o processo Birmanês de Democracia e solicitando que fossem os arautos dessa noção junto da comunidade internacional. A Índia trata Burma como o país amigo com o qual tanto partilhamos (sic), o Laos, mais cauteloso, não deixou de mostrar que apoia o processo de "democratização em curso", sem mencionar os prisioneiros políticos, e a China considera que se tratar de um assunto de política interna sem contudo deixar de ter dito que o processo que conduz ás eleições de 2010 só pode ser bem entendido pelo comunidade internacional se nele entrarem todos os birmaneses. A Rússia não disse uma palavra sobre a Birmânia

A Tailândia, que presidia à Cimeira, após a intervençao do delegado da Birmânia, relembrou os delegados que no passado dia 18 tinha emitido um comunicado condenando a detenção e julgamento de Aung San Suu Kyi e apelando à imediata libertação de todos os prisioneiros políticos como o passo fundamental para a reconciliação nacional que todos apoiam.

Apesar de todos estes esforços da comunidade internacional e da possivel visita, ainda por confirmar, do Secretário-Geral das Nações Unidas, que se encontra na região, mais dia menos dia a lutadora pela liberdade e vencedora das últimas eleições será por certo condenada de tal forma que continue afastada dos olhos e dos ouvidos do Mundo. A Junta não se pode dar "ao luxo" de deixar que a liberdade dos seus opositores ponha em questão a vitória que necessitam, e assim garantem, nas eleições de 2010, de modo a preparar a forma como os lideres da Junta, já com significativa idade, possam continuar a enriquecer e a garantir a segurança deles e das suas famílias e a preparar a forma de saída que não os leve à barra do Tribunal Criminal Internacional a ser julgados pelos variados crimes contra a humanidade que tem sido o seu domínio de quase 20 anos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Sistema Político

Desde os acontecimentos do início de Abril que lançaram, de novo, o caos sobre o país e na sequência das derrotas de quase todos os actores, os ânimos têm estado bastante mais calmos visto ninguém se atrever a dar mais um passo em falso.

Abhisit, como já referi, aproveitou para lançar um plano de reestruturação do sistema político e de reconciliação nacional, através da propalada amnistia de 220 políticos cujos direitos estão caçados, mas falhou em ambos os seus intentos.

De comissão em comissão o país vai assistindo ao adiar das propostas entretanto feitas no Parlamento.

Neste momento são já sem conta os números de comissões que investigam tudo e todos para não se chegar a nenhuma conclusão. O mesmo se passa com o sistema judicial onde todos os casos continuam por ver o dia em que será realizada a audiência de julgamento. O caso mais saliente é o relativo ao congelamento dos bens de Thaksin Shinawatra que já vai em mais de dois anos. O último julgamento esteve marcado para o dia 15 de Dezembro, o exacto dia em que o Governo da coligação Democrata assumiu o poder. Desde então nada mais se ouviu dizer. Entretanto temos os casos do Santika, do PAD, dos membros da UDD, dos Deputados acusados de corrupção, do próprio Samak, num caso de difamação, dos acontecimentos do 7 de Outubro, do atentado contra Sondhi, da compra das árvores-da-borracha em que está envolvido Nevin, entre outros, etc, etc, etc.

Parece mesmo que estamos em Portugal. Comissões para que nada se resolva e ineficiência judicial com as investigações e os julgamentos a arrastarem-se até ao esquecimento.

Outros como os vermelhos e os amarelos estão num momento de reflexão. Ambos têm marcado para a próxima semana eventos onde irão repensar as próximas acções sendo que no caso do PAD a questão dominante é se deverão ou não transformar-se num Partido Político. Há muitas vozes que estão contra alegando que se o fizerem perdem a sua capacidade de ser uma força capaz de sair a defender os seus pontos de vista da forma que têm utilizado até agora. Na UDD o seu grande empenho é reconstruir a sua máquina de propaganda com uma nova estação de Televisão e novas rádios, visto as anteriores terem sido recentemente encerradas pelo Governo. Por outro lado nota-se um mais claro distanciamento do movimento de Thaksin aliás como era esperado. A UDD pretende representar uma força unitária contra a elite dominante e as forças que a apoiam.

As propostas de Abhisit para rever a Constituição e reformar o sistema político estão claramente em "banho-maria" e já ninguém se lembra do, já expirado, prazo de 15 dias dado aos partidos para apresentarem as suas propostas. Pelo contrário debate-se na comunicação social argumentos a favor e contra a revisão constitucional e a amnistia sem que nenhuma proposta seja avançada por qualquer dos partidos. Em vez de ser fazer política nos locais apropriados, Parlamento, faz-se politiquice, na comunicação social.

Uma das principais questões do falhanço de todas estas iniciativas tem a ver com o sistema político vigente no país.


Os partidos políticos não são associações cívicas de interesses sociais e políticos de cidadãos mas unicamente clubes movidos por interesses económicos e pelo dinheiro do “cacique” local. As eleições têm duas componentes. A lista partidária nacional onde se escolhe o partido e as eleições nas constituições das 76 províncias onde em geral é eleito o/a candidato/a que pelo seu poder e influência é mais capaz comprar votos. Este tem sido um dos cavalos de batalha do PAD, dizendo que o povo se deixa influenciar pelo dinheiro e “vende” o seu voto e por isso deveria haver um sistema de tipo corporativo com uma representação de sectores sociais e não eleição directa. Interessante que esta visão de que o povo é inculto não é acompanhada de nenhuma proposta para que se eleve a qualidade da educação e dos meios de comunicação social como a televisão que durante as horas nobres só passa telenovelas, qual Portugal. O normal de um movimento consciente e interessado no seu povo seria a de propor uma mais extensa e melhor educação para todos e meios de comunicação social que permitissem o povo, sabendo-se a força da penetração da televisão, pudesse estar mais consciente dos seus direitos e deveres como cidadãos capazes de intervir na definição do seu futuro.

Muitas vozes reclamam agora para o retorno da Constituição de 1997, aquela que é apelidada a Constituição do Povo, mas o facto é que não existe mecanismo legal que permita que venha de novo a ser reintroduzida no sistema. As possibilidades de isso acontecer dentro do actual quadro legal existente são menores do que 1% e na realidade só uma intervenção estranha ao sistema democrático, um golpe seja ele de que teor for, poderá suspender o actual texto constitucional e trazer de volta aquele que é favorável ao desenvolvimento do sistema de partidos.

Como Churchil uma vez disse a Democracia é o pior dos sistemas políticos, excepto comparando com todos os outros que já foram experimentados. E essa sem Partidos Políticos fortes, ideológicamente identificáveis, limpos e capazes de verdadeiramente representar os interesses dos cidadãos não é possível. Democracias baseadas no dinheiro, como aqui, ou em partidos únicos como em vários dos estados vizinhos não são salutares.

A Tailândia tem direito a ter o seu próprio entender de democracia mas quando aqueles para quem ela deve servir forem não os beneficiários mas as vítimas esse sistema estará errado.

Não se entrar numa via que tenha em conta os interesses, reais e legítimos dos cidadãos, será sempre uma derrota mesmo para aqueles que pensam estar a ganhar.
Abhisit já mostrou por várias vezes querer tentar dar um novo rumo ao país mas os “partidos” que existem no sistema político não estão aqui para isso.

Abhsit é um extemporâneo. Chegou ao poder talvez uns 10 anos cedo demais.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Daw Aung San Suu Kyi

O dia 27 de Maio aproxima-se e com isso aumenta a pressão sobre a Junta ditatorial que controla Burma para dar uma resposta ao Mundo sobre a detenção de Daw Aung San Suu Kyi.

Contráriamante ao que se pode pensar a Junta Militar preocupa-se em tentar dar ao Mundo a ideia de que obedecem a lei do próprio país de tal modo que possam responder nos forum internacionais em que ainda têm assento que são um país que obedece as próprias leis e que a lider, democráticamente eleita em 1990, infringiu uma qualquer lei mesmo por mais pequena que essa infração seja.

Estando prestes a terminar o prazo legal para manter em prisão domiciliária a combatente pela liberdade em Burma, a Junta teria de encontrar um motivo, legal como espliquei, de a manter silenciada e fora dos olhos do seu povo.

Ainda sem se entender muito bem como aconteceu, as próprias autoridades americanas não estão 100% conhecedoras dos factos, um cidadão americano de nome John William Yethaw, nadou até à casa de Daw Aung San Suu Kyi, onde se manteve durante dois dias embora esta tenha pedido que ele regressasse a donde tinha vindo.

A história deste cidadão é ainda uma incógnita embora se saiba, e a Junta sabia-o, que no ano passado ele fez o mesmo tendo sido apanhado pelas forças de segurança. Várias perguntas andam no ar: porque é que lhe foi de novo concedido um visto para entrar no país apesar do conhecimento do incidente do ano passado? Porque é que as forças de segurança que rodeiam a casa da lider Birmanesa para impedir exactamente o seu contacto com o Mundo não conseguiram detectar e prender o ameriocano? Qual era a sua inteção ao tentar entrar em contacto com Daw Aung San Suu Kyi? Como é possível que tenha tirado uma fotografia a si mesmo na prisão e ela tenha sido enviado para o exterior?


Preparado pela Junta ou sendo uma mera coincidência que caíu do céu para os ajudar, o facto é que Suu Kyi é agora acusada de violar o regulamentado sobre as condições de prisão domiciliária, não receber estranhos sem autorização da Junta, e irá ser julgada na próxima Segunda-feira ao abrigo do artigo 22 da Lei de Segurança Nacional que a condenará, estou quase certo disso, a uma pena que vai de 3 a 5 anos de cadeis e a uma multa de 5.000 Kyat ou seja 5 US dólares. Esta multa pode ser em alternativa á pena de prisão ou será aplicade em acomulação se for julgado que ela actuou com intenção de violar a lei, o que por certo vai ser provado.

É essencial para a Junta encontrar um meio "legal" para manter Suu Kyi calada e fora dos olhares do povo pelo menos até após as eleições (?) que se irão realizar em 2010, provávelemnte em Maio. Nessas eleições ela não poderá ser candidata visto a lei estipular que uma pessoa que seja ou tenha sido casado/a com um estrangeiro está imediatamente excluído/a de participar.

Daw Aung San Suu Kyi é o símbolo da luta do povo de Burma pela liberdade, é aquela que é utilizada como a bandeira dessa luta, quer nacional quer internacionalmente. Afirmam muitos que ela é o elemento aglutinador das muitas etnias existentes num país tão vasto e tão diverso, sainda que tal seja um ponto bastante discutível, mas o facto é que a Junta não a pode deixar falar visto na sua maíoria o povo seguirá os seus ideais. Assim foi em 1990 quando foi a vencedora das eleições e assim tem sido sempre que, ainda por breves momentos a sua figura frágil é vista ou ouvida pelo povo.


Entretanto a NDL (National League for Democrcy), o seu Partido, apelou hoje em Bangkok à comunidade internacional para que não deixe Aung San Suu Kyi só e pressione a Junta para a sua libertação bem como a de mais de 2.000 prisioneiros políticos que estão nas prisões no país.

Numa conferência de imprensa Nyo Ohn Myint, o lider do Comité de Assuntos Externos, fez esses apelo ao mesmo tempo que reiterava a oferta do Partido para um diálogo capaz de iniciar o verdadeiro processo de reconciliação nacional. Afirmou estarem abertos a concessões, embora não se esquecessem dos rsultados das eleições de 1990 que venceram, mas abertos a encontrar um processo para que todos possam participar na verdadeira unificação e pacificação no país. Esta não é uma proposta nova mas sempre que é apresentada recebe um não rotundo do poder em Napidaw.

O apelo à comunidade internacional. ASEAN, UN, USA e UE, é no sentido que de seja convocada uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir e decidir sobre acções a tomar no caso da Junta continuar a prosseguir com a ilegal de detenção da lider Birmanesa.

A ASEAN tem uma política, bem clara na Charter e bem assimilada pelos seus líderes, daquilo que são "assuntos internos". Hoje Abhisit Vejjajiva, PM tailandês e Presidente em exercício da ASEAN, manifestou a sua preocupação sobre a detençao de Suu Kyi mas mais longe foram a Indonésia e a Malásia que a condenaram. Um MP Democrata com quem falei esta manhã manifestou que o seu Partido era muito lento no processo de tomada de decisões e que por certo não conseguiriam tomar, como deveria ser, a liderança no seio da ASEAN neste assunto e ficava feliz pelo facto da Indonésia, visto hoje em dia, após a pacificação dos conflitos nas suas regiões com processos separatistas, como um exemplo de boa conduta democrática na região.

Os Estados Unidos e a União Europeia emitiram comunicados condenando a possibilidade de Daw Aung San Suu Kyi vir a ser condenada por factos alheios á sua conducta e solicita ao Governo de Burma a libertação da Líder bem como dos outros prisioneiros políticos e a entabulação de conversações para iniciar um processo de reconciliação nacional.

Resta ver agora se até Segunda-feira as Nações Unidas vão tomar alguma iniciativa e se tal acontecer qual vai ser o papel da China e da Rússia os membros do Conselho de Segurança mais habituados a vetar propostas sobre Burma. Recorde-se que ambos este países já solicitaram a libertação da Prémio Nobel da Paz anteriormente e por isso estarão sobre alguma prssão para não modificarem as suas posições mas poderão encontrar alguma forma de não ser penalizantes em relação á Junta.

China, Rússia e a Índia, os poderosos vizinhos e clentes do gás e de outros produtos de Burma, são países inconornáveis em qualquer solução neste país. A ASEAN, especialmente após o papel desempenhado no apoio e comando das operações pós Nargis, vem-se mostrando igualmente uma importante força mas as oposições, não expressas mas conhecidas, como as vindas do Vietname e de Laos tornam difícil qualquer posição política condenatória

A Tailãndia como o principal vizinho e também como um importante cliente do gás poderia também ser mais activa no processo. A preocupação mostrada por Abhisit, ainda que seja pouco, é um sinal que há 8 anos, desde os tempos de Thaksin, um amigo da Junta, não se ouvia e por isso tem um sinal mais importante do que o próprio conteúdo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Visakha


Hoje celebra-se o mais importante dia para a Religião Budista que coincide com a Lua Cheia do sexto mês do calendário lunar.

Relembro, de Luang Prabang, uma das grandes cidades Budistas, apesar de estar situada num pais comunista, o Laos, aquilo que escrevi em 2008 sobre este tão significativo dia na vida de um Budista.

Anteontem as Nações Unidas reconheceram este dia como um Dia da Humanidade numa sessão que reuniu todas as religiões na sede da ONU em Bangkok.

http://www.youtube.com/watch?v=3XfywCpi9xc

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Coroação



Ontem 5 de Maio é o dia em que celebra a Coroação do Rei Rama IX e foi aproveitado mais uma vez pelo movimento Stop Hurting the Country, os brancos, em mais uma referência cromática, para realizar na capital a maior manifestação dos últimos tempos.

Cerca de 300.000 pessoas, de todas as condições e vindas de todo o lado, decidiram, ao mostrar o seu amor pelo Rei Rama IX, dizer a vermelhos, amarelos, azuis e verdes, que o caminho não é aquele que esses têm seguido.

É certo que nada está resolvido, nada está esclarecido e muitos dos que andaram ali ao beija mão são capazes do pior mas mais uma vez a voz dos silenciados fez-se ouvir e bem alto mesmo sem palanques, sem Sodhis ou Jaturons a falar às multidões que arregimentam.

Da mesma forma que PAD e UDD têm todo o direito de se manifestar, mas devem fazê-lo ordeiramente e sem por em causa os direitos dos outros, aqueles que não têm causa, os silencioso, tiveram, como na Segunda-feira uma nova oportunidade para dizer: Basta.

A luta politica continua e o PM tem hoje um dia bem difícil pois está a preparar o orçamento para o ano fiscal 2010, que começa em Outubro 2009, e o que veio a lume é que os ministérios que vão ser mais afectados nos cortes orçamentais necessários pela contracção da economia, Defesa, Interior e Transportes, são exactamente aqueles que estão mais próximos de Nevin sendo os dois últimos claramente "controlados"pelos seus homens. Não é por certo por acaso que sai, também hoje, nos jornais que numa próxima eleição o Bhum Jai Party de Nevin seria o partido charneira e incontornável em qualquer coligação visto se prever que consiga obter cerca de 100 lugares no Parlamento.

Na mesma página existe um artigo de um dos chief editor titulado Abhisit may not last beyond August. A combinação das três notícias mostra claramente o poder, e o dinheiro, de que o grupo de Nevin está munido e as dificuldades que Abhisit enfrenta.

Mais do que as sondagens que já anteriormente referi, o povo mostra agora na rua, vestidos de branco e empunhando a bandeira da Tailândia, aquilo que quer.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Outra Cor


Amarelos, Vermelhos, Azuis e Verdes têm tomado conta do nosso dia a dia neste arco-íris político, contudo desde sempre as sondagens realizadas pelos vários institutos demonstraram que a maioria ainda não tinha cor e estava calda como estão quase todas as maiorias: silenciosas.

Desde há meses que havia alguns indícios de movimentos transversais á sociedade capazes de vir a ter uma palavra dominante neste mar de ódios e disputas pelo poder que se tornou a cena política tailandesa.

No passado fim de semana estive no Norte do país e aí pude constatar como as gentes se dedicam á labuta diária tratando da sua vida e de ganhar o que comer, indiferentes a amarelos e vermelhos e desconhecedores de azuis e verdes. Esses pertencem ás elites políticas urbanas e mesmo na província só mesmo em Amphon Muang, ou seja na capital da província, se consegue entender algum interesse, ou conhecimento daquilo que ou por que se batem na capital.

Há cerca de duas semanas dizia-me um político de bastante peso no país que o que acontecia era que aqueles que eram válidos do ponto de visto intelectual ou da sua capacidade democrática ou não estavam interessados em se "misturar" com aqueles que agora estão no poder ou estavam impedidos de exercer direitos políticos. Não se pense que aqueles, entre os cerca de 220 que estão cerceados de direitos políticos, são todos sósias de Thaksin, bem pelo contrário, existe aí gente muito válida a par com algum "lixo".

Mas ontem saiu á rua uma nova cor, a cor da Tailândia o vermelho mas este misturado com o encarnado e com o branco, as cores da bandeira deste país, as cores dos grandes símbolos que os que prezam o seu país trazem consigo. O País, o Rei e o Budismo.


Grande numero de manifestações tiveram lugar em Bangkok pela harmonia, pela conciliação e pela paz política tão necessária.

è bom que estes movimentos se façam ouvir mas de nada servirão se não forem um aporta para a discussão dos problemas do país de uma forma aberta e frontal sem medo dos tabus e com respeito por todos.

É também necessário que as cliques que detêm ou querem o poder entendam e deixem este povo pacífico falar e fazer ouvir a sua voz. O país tem de avançar com liberdade e respeito. O controlo do poder de forma anti democrática e o exercício da autoridade desrespeitadora é sinal somente de fraqueza. Os países só se constroiem á volta de homens e mulheres fortes e conscientes dos seus deveres enquanto cidadãos livres.

Ontem dizia-me um cineasta tailandês que uma vez tinha pedido autorização para realizar umas filmagens sobre os caminhos de ferro na Tailândia. Tinha obtido autorização com a condição de dizer bem deles e do serviço. Assim não. Deixe-se desenvolver as mentes e as consciências.

Vivam as outras cores.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Ano

Este fim de semana fez um ano que comecei estes escritos. Um ano 11.400 "bisbilhoteiros" e bastante prazer em escrever e em ser um pouco útil aqueles que tiveram a pachorra de me ler.



Obrigado

Conferência de Imprensa ou Bomba ao Retardador?

A muito esperada conferência de imprensa de Sondhi deu brado e ainda vão haver ecos da sua voz por muitos tempos.

Aconteceu ontem e apontou o dedo, mencionando sem medo os nomes, a três pessoas colocadas em posições de grande relevo: Thanpuying Viriya Chavakul, uma dama ao serviço pessoal da Rainha, ex presidente do Comité das Comemorações das Celebrações do 60 Aniversário da subida ao trono do Rei Rama IX, Presidente de várias associções de caridade em que a Rainha é a patrona, e também envolvida com os serviços sociais das forças armadas. Para além dela o General Anupong Poachinda, o Chefe do Estado Maior do Exército e Prawit Wongsuwon o Ministro da Defesa. Nem mais nem menos!

Sondhi durante a conferência de imprensa nunca nomeou os títulos dos acusados tratando-os sempre por Khun (senhora ou senhor) mas não existem dúvidas que eram estes três titulares de cargos importantes, e não outras pessoas por um mero acaso com os mesmos nomes, que ele queria acusar.

Disseram-me, quem fala muito bem tailandês, que Sondhi utilizou todos os artifícios da língua tailandesa para tudo dizer sem na realidade acusar ninguém. Acrescentam que a conferência foi uma lição de como bem falar. Sondhi, por exemplo, disse que não acreditava que estas pessoas tenham tentado matá-lo visto todos o terem já de uma forma ou outra negado. Terminou dizendo que o que diziam eram presunções pois se fossem factos reais ele teria de estar rancoroso contra essas pessoas mas igualmente as teria já perdoado.

Acompanhado de muitos dos outros lideres, Sondhi depois de nomear aqueles que estiveram por detrás da tentativa de assassinato, referiu ainda que o próximo alvo era o próprio PM Abhisit. Acrescentou ainda que 4 dos 10 soldados que estiveram envolvidos no atentado já foram devidamente disciplinados e a expressão utilizada na tradução a que tive acesso refere "gotten rid of them" o que pode ser interpretado de muitas formas.

Interessante foi a sua declaração de "absolvição" de Thaksin dizendo ainda que ambos têm o mesmo objectivo comum de mudar a situação política no país. É sabido que foram sócios no passado mas os acontecimentos recentes tinham no separado radicalmente tendo Sondhi ajudado a deitar abaixo dois governos thksinistas.

Até ao momento a única pessoa que reagiu foi Thanpunying (um título semelhante ao de Dame em Inglaterra), negando qualquer relação com o caso e dizendo que ela própria quando vai ao Sul do país sento o que é o problema da insegurança e imediatamente ao saber do atentado sentiu grande simpatia por Sondhi. Disse ainda ser uma mulher só, sem marido, incapaz de fazer algum mal a Sondhi e que nunca lhe tinha passado pela cabeça assassina-lo (sic). Acrescentou ainda que a estavam a tentar desacreditar pois tinha referdido recentemente que Thaksin era um leal servidor de Sua Majestade. Os dois generais até ao momento não fizeram nenhuma declaração.

Para terminar a conferência de imprensa Sondhi disse que irai ausentar-se do país por um período pois necessitava de descansar. Irá em peregrinação para a Índia e Nepal e posteriormente para os Estados Unidos, afirmando não querer estar na Tailândia enquanto durarem as investigações no caso da sua tentativa de assassinato.


Logo a seguir á conferência, os outros líderes do PAD realizaram eles próprios uma conferência de imprensa e afirmaram estar o movimento contra a projectada reforma constitucional e a tão falada amnistia dos 220 políticos banidos do exercício dos seus direitos proposta pelo Primeiro-Ministro. De igual modo convocaram para os dias 24/25 de Maio próximo uma reunião dos seus apoiantes para discutir a possível resposta aquela iniciativa de Abhisit.

Mais uma dor de cabeça para o Governo e mais um objectivo para os amarelos lutarem, e o ano passado mostrou bem aquilo de que são capazes.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Os Camisas Azuis

Nevin em Pattaya no dia 10

Hoje aparece assinado por Somroutai Sapsomboon, uma das mais claras e esclarecedoras análises sobre aquilo que se passou durante os acontecimentos de Abril quer em Pattaya quer em Bangkok.

O artigo está no The Nation, como já referi aqui várias vezes um jornal maioritariamente simpatizando com o partido Democrata, o partido do PM Abhisit Vejjajiva.

Há dias escrevi que todos tinham perdido no rescaldo dos acontecimentos de Abril excepto o povo tailandês naquilo que de alguma forma está a ser a criação de uma consciência de valores democráticos e da capacidade de debate, ordenado e respeitador, de questões que a todos interessam.

O que hoje vem a lume é parte também desta, nova, capacidade que se nota nos meios de comunicação social de abordar mais abertamente os problemas do estado. e chamar pelos nomes os diversos actores em cena.



Em Pattaya e a utlização das fotografias reais quando isso convém

Muitos dizem que isto não passa de manobras de informação e contra-informação sendo que neste caso esta seria montada pelos Democratas contra o seu aliado (?) Nevin, o homem mais temido do momento. Outros dizem que neste cocktail de militares e pol+iticos ainnda falta a pessoa do General Prayudh Chan-ocha, ex comandante da 1ª região e actualmente número 2 no Estado Maior.

Desde cedo alertamos para aquilo que se passava na sombra manobrado pelo homem de Buriram. Desde a formação do primeiro gabinete de Samak e ao longo de 2008 Nevin Chidchob foi colocando os seus homens em lugares de relevo e com fortes capacidades de controlo das situações. Seu pai é o Speaker of the House, o nosso Presidente do Parlamento mas aqui com a capacidade de ter um papel de influência no Senado visto o Speaker of Senate ser funcionalmente dependente do primeiro. Por outro lado todos os decretos reais têm de ser ratificados pela sua assinatura dando-lhe deste modo um poder de escrutínio, que, embora não o use, faz com que as decisões quando lhe chegam já foram devidamente lidas e aprovadas pelos seus homens.

Muito provavelmente soldados

Chaowarat, o presidente do Bhumjai Thai Party, o partido de Nevin, é o actual Ministro do Interior um figura chave no controlo das províncias, da forma como os dinheiros lhes são distribuídos, da nomeação dos governadores (muitos foram substituídos por pessoas de confiança desde que está no lugar) e para além disso crucial em qualquer processo eleitoral. Chaowarat, foi o PM interino após a queda de Somchai e foi ele que trouxe de volta para o comando da Polícia Patcharawat, o General demitido e acusado pela sua inacção durante os acontecimentos de 7 de Outubro de 2008. Este mesmo comandante que é o irmão do actual Ministro da Defesa, mais um homem próximo de Thaksin, no passado, e sempre putativo novo PM quando se fala de que um golpe de estado pode acontecer. Outro lugar forte que tem controlado é o do Ministro dos Transportes e Comunicações, o ministério que detêm neste momento a maior fatia de dinheiro para gastar em investimentos em infraestruturas.

Para além dos lugares chaves há ainda as manobras nos bastidores onde Nevin é um perito ou não tenha tido ele o melhor dos professores, Thaksin Shinawatra, o próprio, a quem ele quando dele se decidiu separar chamou "boss".

O movimento azul está em marcha com o claro objectivo de conquistar o poder. Há um obstáculo que Nevin tem de vencer que é o facto de estar banido do exercício de direitos políticos até Maio de 2013, o que na realidade não o tem impedido de actuar como de facto presidente do partido e mantendo grande actividade politica directa. Esse particular os seus homens, Chai, Snoh e outros estão no momento encarregues de encontrar uma solução.

Nevin sabe contudo esperar. Esta é uma das suas qualidades. Como os predadores sabem esperar pacientemente pelo melhor momento para atacar, de um só golpe, a sua presa, Nevin vai construindo a sua teia e um dia as presas lá serão apanhadas.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Visto de Seul

Assim é visto em Seul o panorama político na Tailândia.

Para além da piada do cartoon ele reflecte duas outras realidades: há semanas Thaksin disse à imprensa que era um cão domesticável, mais uma vez tentando atrair alguma simpatia, aqui em Bangkok, para a sua causa tentando ser visto como alguém capaz de ser parta da solução e não parte do problema. Deste modo pretendia afirmar que se o soubessem tratar bem, se soubessem falar docemente com ele, seria capaz de ser fiel ao seu dono como será normal num cão. A outra realidade que o cartoon mostra é a forma como afinal o cão tem de sair do "seu" local, sem honra nem dignidade, acossado por muitos e fustigado por outros tantos.

Como um rafeiro, um cão de rua, Thaksin está neste momento fugindo de canto para canto sem encontrar a saída para os problemas em que se meteu e a notícia hoje vinda a lume de que uma boa parte dos Deputados do "seu" Partido poderiam estar a encontrar uma alternativa política para o futuro deles, embora sendo muito provavelmente uma manobra de contra propaganda, é ao mesmo tempo um sinal claro do moral actual das "tropas" vermelhas.

Essa falada mudança de 110 Deputados da oposição para "um outro Partido", que poderá muito bem estar ligada com mais uma investida de Nevin Chidchob oferecendo largas quantias de dinheiro para fortalecer o seu Bhumjai Thai Party, pode dar uma estocada muito forte em Thaksin e temporariamente nos planos da UDD, embora seja hoje em dia claro que com ele ou sem ele, muito mais provavelmente sem Thaksin, esse movimento irá desenvolver-se de forma autónoma representando sentimentos unitários contra o grupo que está por detrás da coligação no poder.