sexta-feira, 3 de julho de 2009

Abhisit o Ingénuo?

Depois de ter negado, Abhisit veio a confirmar aquilo que todos sabiam, que tinha tido um encontro em privado com o de facto líder do Bhum Jai Thai Party, Nevin Chidchob.

Na realidade no dia 1 de Julho ambos almoçaram na Baan Phitsanulok, um dos edifícios na Government House acompanhados do Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban e do secretário do PM Niphon Prompan. Demasiada gente e num local tão evidente para poder passar desconhecido dos meios de comunicação social.

Mesmo assim Abhisit veio dizer que o encontro não teve nada a ver com a situação política e foi somente uma conversa de amigos!

Vieram agora a lume os temas discutidos durante o almoço:

  1. a possibilidade de se abandonar o plano dos autocarros que o BJTP quer
    levar àvante e que está a causar tremendas dores de cabeça ao executivo
    visto ter ficado claro junto da opinião pública que por detrás do plano
    está o financiamento ao partido de Nevin
  2. melhor coordenação entre os partidos da coligação para futuros projectos
    obviando a que cada um puxe só para o seu lado
  3. aumentar a trasnparência de funcionamento do Governo
  4. a possível remodelação governamental já há muito falada

Se isto não é temas políticos deveremos estar todos muito enganados. A questão que se põe é que uma vez mais Abhisit deixa fugir uma oportunidade de se autonomizar e garantir a clara liderança política. Já no rescaldo dos acontecimentos de Abril onde saiu com alguma imagem de vitória deixou que ela escapasse por entre as suas indecisões em poucos dias. Agora, e depois das sucessivas derrotas de Nevin nas eleições em Junho, Abhisit ganhou outra vez um espaço de afirmação independente mas uma vez mais não consegue avançar sem as muletas que aquele lhe vai chegando.

Outro exemplo desta dependência é o facto de o governo ter anunciado que, Abhisit irá visitar o Nordeste do país, zona não visitado por nenhum PM desde Thaksin, mas irá fazê-lo começando por Buriram, a província dominada por Nevin, uma decisão que está a gerar grande desconforto junto dos Deputados Democratas eleitos naquela região, que se vêem subalternizados em favor de um parceiro menor na coligação governamental. Um dos Deputados acusa mesmo o PM de se afastar dos seus correligionários, ameaçando demitir-se, dizendo que se o PM quer ajudar o Partido Democrata a ganhar votos no Nordeste é com os seus membros que tem de fazer campanha e não com os de outros partidos.

Todos sabem que Nevin é o "charme político" em pessoa e consegue exercer uma tremenda influência sobre os políticos na capital, o que lhe permite os muitos milhões de bath que distribuiu, mas ao mesmo tempo é muitas vezes tido por ser uma enguia das mais viscosas capazes de fugir quando muito bem quer e sem aviso para qualquer dos lados do espectro político.

Não são esses os aliados que Abhisit necessita para levar a cabo a sua política de reconciliação nacional e a tão necessária recuperação económica.

Abhsit com muitas das suas acções tem tentado imprimir um novo rumo, mais claro e mais transparente, à forma de razer política mas é por demasiado ingénuo (será que é a palavra correcta) na forma como se deixa, por vezes enredar, em cenários contraditórios.

Em Portugal temos o provérbio "Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és" que define estas situações.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

500 Anos, Tailândia e Portugal

Aproxima-se a data comemorativa da chegada da primeira armada portuguesa a terras do Sião, em 1511, e vão avançando os preparativos para o culminar dessas comemorações. Já há meses aqui relatei a conferência produzida na Siam Society, pelo Professor António Vasconcelos Saldanha, e também a recente visita levada a cabo por vários jornalistas portugueses a convite da Embaixada do reino da Tailândia em Lisboa, a estas terras, de onde produziram bastante material informativo e de grande interesse.

É sempre importante que cada um e todos nós, com a simplicidade do contributo de cada um, em consonância e honorabilidade, de modos e linguagem, continuemos a contribuir para esse propósito.


Ontem realizou-se na antiga capital do reino do Sião, e onde os portugueses aportaram há quase 500 anos, uma importante conferência que o Combustões relatou e documentou com total a propósito e que por isso aqui recomendo, com um obrigado aos organizadores, à Embaixada de Portugal e obviamente ao Miguel.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Primeiro Semestre

Ri ou Chora

Acabam de ser publicados os números do primeiro semestre na Tailândia e, um pouco como por todo o Mundo, não são nada positivos.

Vamos primeiro aos maus para podermos ficar com um bom gosto na boca no final.

As receitas fiscais tiveram um decréscimo significativo caindo 8,9% no primeiro trimestre e 9,1% no segundo e 15,7% em Fevereiro, 0,5% em Março e 19% em Abril. Refira-se que o ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro

As exportações tiveram igualmente um comportamento bastante negativo com quebras de 36,1% em Fevereiro, 26,8% em Março e 25% em Abril. No sector das receitas as maiores quebras verificaram-se no IVA, com a forque queda do consumo, e mos impostos das empresas devido à menor rentabilidade das suas operações.

O Turismo foi outro sector bastante afectado com quebras de 23,2%, 12,1% e 11,6% comparando com os dados do ano anterior para os meses já referidos. A taxa de ocupação das unidades hoteleiras baixou para níveis que, segundo sei saber, são incomportáveis para uma rentabilidade dos mesmos - 43.3%.

A produção industrial em geral sofreu quedas acentuadas, com relevo para o sector do aço e metais, 36,2% e automóvel, 35,1% mas em contraste o sector do tabaco teve um aumento de 56,3%. Sinais dos tempos difíceis, onde se fumará mais, ou sinal de que a política de combate ao tráfico de produtos ilegais está a produzir frutos? Outro dos sectores de grande importância para as exportações da Tailândia, o sector eléctrico e electrónico, sofreu uma queda de 21%.

A capacidade utilizada do sector industrial desceu para 56,6% comparando com 71,3% um ano atrás. Actualmente quase metade da capacidade instalada está parada ou não produz.

Contudo a taxa de desemprego oficial situa-se nos 1,3% o que parece pouco cível, tendo em vista os constantes layoff que acontecem, mas o facto de não haver um sistema de segurança social, faz com que os desempregados não sejam registados visto não poderem recorrer a nenhum esquema de apoio público. Esse só é facilitado aos funcionários públicos e de empresas estatais, ou então através de esquemas privados normalmente de multinacionais.

Contudo nem tudo é mau.

O país tem actualmente 65.905.410 pessoas das quais só 8,7% têm mais de 65 anos. A taxa de natalidade é de 13,4/1.000 e a de mortalidade de 7,17/1.000, Quase o dobro e dando ao país uma vitalidade para o futuro. A média de idade é de 33,3 anos e existe um grande equilíbrio entre os sexos embora actualmente nasçam mais homens do que mulheres.

O défice público está em níveis verdadeiramente sustentáveis e as reservas são sólidas. quanto ao défice público há que referir que estes dados são anteriores á aprovação no Parlamento, na semana passada, de duas leis que permitirão ao governo contrair empréstimos até ao valor de duas vezes 400 mil milhões de Bath, qualquer coisa como 8,5 mil milhões de Euros o que por certo, a efectivar-se na totalidade, irá afectar sobremaneira as contas públicas.

Um aspecto que em muitos países seria visto como negativo é o facto de 42,6% da população trabalhar na agricultura. Contudo isso não só contribui com uma forte componente para a exportação como é um elemento sobremaneira importante de fixação das populações nos meios rurais embora 33% da população já seja urbana.

O actual governo está fortemente empenhado na recuperação económica do país e os empréstimos ora garantidos no Parlamento serão utilizados em medidas de promoção da economia. Contudo, como se sabe, nem sempre este governo tem tido a capacidade de colocar as suas acções no mesmo patamar das palavras e por demasiadas vezes está tão embrenhado na sua sobrevivência e nas questões relacionadas com as divisões políticas no país para poder levar as suas intenções a bom porto.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fim de Semana Político


O fim-de-semana ficou marcado por dois importantes acontecimentos políticos.

A manifestação realizada em Bangkok pela UDD que, de uma forma pacífica juntou 30.000 apesar de uma verdadeira tromba de água que se abateu sobre a cidade, solicitando ao governo a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

Tudo coreu sem nenhum incidente, como deve ser, e antes de dispersarem os lideres do agrupamento próximo do fugitivo ex. PM Thaksin, anunciaram para o mês de Julho manifestações por todo o país e que no final desse mês regressarão a Bangkok, para, numa nova demonstração da sua força se manifestarem na Government House, no monumento á Democracia e no Comando do Exército.

Entretanto em Si Sa Ket, uma província no sul do Issan, o Puea Thai, o partido que segue a linha dos anteriores partidos aliados a Thaksin Shinawatra, obteve mais uma esmagadora vitória nas eleições intercalares que aí se realizaram devido á desqualificação do deputado anteriormente eleito.

Esta vitória, por uma maioria de 64% dos votos expressos tem um grande significado visto o anterior deputado pertencer ao partido Chart Thai, actual Chart Pattana Thai, que se viu agora "esmagado" pelo candidato apoiado por Thaksin, ainda que tivesse a suportar a sua candidatura as forças da coligação governamental e toda a máquina do Ministério do Interior.
Em dois fim-de-semana seguidos. O Puea Thai mostrou claramente ser ainda a principal força política na região, porventura no país, batendo os aliados do partido Democrata por margens bastante consideráveis mas ao mesmo tempo dando uma ajuda a Abhisit que deste modo vê os seus parceiros de coligação ficarem mais brandos nas suas constantes exigências devido ao apagar da sua aura.

Contudo hoje surgem rumores, falta ver se se confirmam de que 11 deputados de partidos actualmente na coligação estão de partida para o Puea Thai engrossando ainda mais as suas fileiras e enfraquecendo a coligação no poder.

Por outro lado esta está com a espada sobre a cabeça devido ao largo número de Deputados seus que estão a ser investigados por possuírem acções em empresas concessionárias de serviços públicos o que contraria a Constituição, art. 265, e que, se ficar provado, levará à sua demissão forçada e mais que provável queda do governo de Abhisit.

Interessante que o líder parlamentar do Puea Thai, contrariamente ás solicitações da UDD, disse não exigir a dissolução do Parlamento pois, e segundo ele, este cairá por si mesmo com o tempo e com o reconhecimento de que o Puea Thai é o maior partido na Tailândia e que é este que o povo quer ver a governar o país.

Durante a manifestação da UDD Thaksin fez uma das suas habituais vídeo chamadas apelando à população que o façam regressar à Tailândia pois, segundo disse, não quer morrer no deserto, uma alusão ao local onde actualmente vive, o Dubai. Especula-se que após os sinais dados pelas vitórias eleitorais o Puea Thai vai avançar com a recolha de assinaturas para uma petição de perdão para Thaksin, um processo que a avançar poderá causar alguns embaraços no sistema regente devido ás conhecidas divergências entre membros da mais alta hierarquia do país sobre a personagem.

Entretanto Abhisit ganhos por agora algum espaço de descanso mas o futuro não se apresenta muito promissor para a sua governação.

Mais uma Vítima


Um recruta da base naval de Sathaip foi a terceira vítima fatal do vírus A(H1N1) na Tailândia onde o número de casos conhecidos ontem à noite era de 1.330.

Como é normal nestes casos começa a haver especulação política e o Governo era ontem acusado por um jornal que normalmente lhe é favorável, mas os ventos estão a mudar, de estar a esconder a situação real e que haveria no país mais de 10.000 casos confirmados.

O Ministério da Saúde Pública decidiu constituir uma equipa de peritos médicos em virologia para tentar conhecer melhor o caso do homem de 42 anos que faleceu no Sábado passado.

Os grupos de risco são tidos por serem os jovens, os idosos e as pessoas com doenças crónicas ou debilidades dos sistemas imunológico o que não era o caso do falecido ao contrário da outra mulher que tinha conhecidas deficiências cardíacas

sábado, 27 de junho de 2009

A(H1N1) Actualização

Ontem verificou-se o primeiro caso fatal na Tailândia relacionado com o vírus A(H1N1) e o número de casos registados é actualmente de 1.132.

Uma mulher de 40 anos residente em Bangkok foi a primeira vítima e são esperados hoje numa conferência de imprensa do Ministro da Saúde Pública mais detalhes do desenvolvimento da epidemia no país.

Depois de já ter escrito este post o Ministro falou e referiu haver não uma mas duas vítimas. Para além da mulher atrás referida faleceu um homem de 42, ambos em Bangkok. Acrescentou que de todos os caos diagnosticados, cerca de 1.200, só existem 16 pessoas internadas para tratamento hospitalar.

27 de Junho


A panda faz hoje um mês.

Ainda não é conhecido o seu nome pois prossegue a recolha a nível nacional dos postais através dos quais as pessoas estão a votar, mas os felizardos que também nasceram neste dia têm hoje uma oportunidade única de ver ao vivo o mais jovem habitante do jardim zoológico de Chiang Mai.

Até agora a panda só é vista através de um sistema de televisão para proteger a sua privacidade e evitar um elevado nível de stress que pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento.

A pandamania está tão disseminada que em Ayudhya um elefante foi pintado como um panda, visto "o que está a dar são pandas não elefantes" e agora temos Elepandas.

Insólita Tailândia

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dois Pesos Duas Medidas


Ontem, numa recepção, encontrei um tailandês que é actualmente Professor de Relações Internacionais no centro Burkle da University of California, Los Angeles, UCLA, e perguntei-lhe como é que nos Estados Unidos é actualmente vista a Tailândia.

A resposta foi clara: CONFUNDIDOS

Segundo esse Professor, os americanos não conseguem compreender como é que há um Primeiro Ministro que é condenado, e forçado a demitir-se, pelo facto do seu motorista receber pouco mais de 100 doláres para os ingredientes de um programa culinário que tem na televisão (Samak), e, ao mesmo tempo, os aeroportos de Bangkok são bloqueados durante mais de uma semana causando milhares de milhões de dólares de prejuízo ao país e ninguém é apresentado perante a justiça e responsabilizado acto.

Realmente também eu deveria estar CONFUNDIDO só que, como já disse várias vezes, tudo pode acontecer na Tailândia.

Fios de Ovos Tailandeses


Com a devida vénia a Elsa Resende da Agência Lusa, aqui fica um dos seus trabalhos feito aquando da visita ao país de um grupo de jornalistas portugueses, organizada pela Embaixada da Tailândia em Lisboa.

Portugal/Tailândia: O país dos queques e dos fios de ovos

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - Por "culpa" dos portugueses, os primeiros europeus a chegarem à Tailândia, os tailandeses comem queques e fios de ovos, nome por que são também conhecidos os jogadores da selecção de futebol das "quinas".

Os doces genuinamente tailandeses são confeccionados com arroz e leite de coco.

Maria de Guiomar Pina, filha de uma portuguesa e de um japonês, resolveu baralhar os tailandeses, introduzindo na sua gastronomia doces feitos com açúcar e ovos.

Os portugueses aportaram ao antigo Sião em 1511, quando o governador da Índia, Afonso de Albuquerque, enviou à capital do reino, Ayutthaya, um embaixador, Duarte Fernandes.

Maria de Guiomar Pina pisou território tailandês anos mais tarde, no século XVII, para fugir à perseguição aos católicos no Japão.

Casou-se com o grego Constantino Phaulkon, que se tornou confidente pessoal e primeiro-ministro do rei siamês Narai.

Com a morte do marido, que foi executado por o Sião temer uma tomada do poder por parte da França devido às fortes relações de Phaulkon com o rei francês Luís XIV, a luso-japonesa foi integrada na corte siamesa, onde, nas cozinhas reais, transmitiu a receita dos fios de ovos e queques, que ainda hoje são confeccionados artesanalmente em Thon Buri, numa das margens do rio Chao Phraya, em Banguecoque.

"Os queques apresentam formato semelhante aos nossos [portugueses], sendo o sabor ligeiramente diferente", refere a historiadora Maria da Conceição Flores, autora de "Os Portugueses e o Sião no Século XVI".

Também os fios de ovos, uma sobremesa fina usada em festas e celebrações religiosas especiais, como a ordenação de monges budistas, têm na Tailândia um paladar distinto dos de Aveiro.
"São feitos com ovos de pato e não de galinha", aponta o embaixador José Melo Gouveia .

"E podem levar aroma de jasmim", adianta Ganjanawan Grabgraigaew Cirne, co-proprietária de um restaurante de comida tailandesa em Lisboa que deixou a Tailândia, onde nasceu, para casar com um português com quem vive há sete anos.

Ora, é pelo nome de fios de ovos, "Foi Tong" em tailandês, que os jogadores da selecção portuguesa de futebol, são chamados, conta, por sua vez, Nuno Caldeira da Silva, conselheiro político da União Europeia radicado há cinco anos em Banguecoque.

Mas, se a origem portuguesa dos doces com ovos na gastronomia siamesa é consensual para lusos e tailandeses, o mesmo já não se pode dizer da comida picante.

Para os tailandeses, a malagueta chegou à Tailândia no século XVI pela mão de missionários cristãos portugueses que serviam no Brasil.

O investigador Miguel Castelo-Branco, a residir há cerca de dois anos em Banguecoque onde prepara a sua tese de doutoramento sobre as relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia no período 1782-2009, dá outra versão.

"O picante da comida tailandesa é originário", desde o século XII, "da Índia", aonde os portugueses aportaram três séculos depois, em 1498.

A sua chegada à Tailândia só ocorreu passados 13 anos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A (H1N1) - Actualização


O número de pessoas infectadas na Tailândia pelo vírus A (H1N1) da presente onda de gripe deve ter neste momento ultrapassado o milhar mas não se registaram até agora nenhum caso mortal ou mesmo de grande gravidade.

As autoridades sanitárias continuam a trabalhar com bastante acerto, nada escondendo e tentando, dentro dos possíveis, alertar as pessoas para os riscos de contaminação a que estão sujeitas.

Ontem na principal base naval, em Sathahip a cerca de 150 km ao sul de Bangkok, sete recrutas testaram positivos e cerca de 200 foram de imediato colocados de quarentena para proceder a testes e obviar a mais contágios nesta célula.

Cartazes, alertando as populações, estão a ser distribuídos pelo país e os hospitais estão devidamente equipados com o antiviral necessário.

Recorde-se que a OMS autorizou a Tailândia a produzir o Tamilflu como genérico podendo assim refazer rapidamente os necessários stocks

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tensão na Fronteira

Entre a Tailândia e o Cambodja existem cerca de 850 km de fronteira que não estão correctamente demarcadas. Uma das razões para a falta de demarcação é a existência de grande número de minas anti pessoais e as tensões que desde sempre aí se verificaram têm muito a ver com essa falta de demarcação. Acontece amiúde os soldados de um e do outro lado da “fronteira” atravessarem-na sem que tenha plenas consciência desse facto. De igual modo a falta de equipamento e de preparação adequada a isso obriga. Só como exemplo é conhecido que soldados de ambos os lados, sabendo que os seus mapas são duvidosos por colocarem as linhas de fronteira de acordo com a interpretação de cada país, utilizam o Google maps para saber onde estão. Como se sabe esses mapas não só não são objecto de nenhum acordo entre os dois países como não possuem a qualificação de documentos oficiais.


A 15 de Junho de 1962 o Tribunal Internacional de Justiça, numa decisão 9-3, decidiu que o templo da Khao Prear Vihearn pertencia ao Cambodja mas nada foi decidido, visto isso não ser parte do processo em apreciação, sobre os 4,6 km quadrados de terrenos adjacentes ao templo que continuam a ser parte dos territórios em disputa. Com há tempos escrevi é como se o templo, cambojano, estivesse no ar. O Primeiro-ministro tailandês na altura, o Marechal Sarit Thanarat, não queria entregar o templo mas o Rei Bumibol disse que as decisões do tribunal eram para ser acatadas, aliás de acordo com a estrutura de pensamento do Rei, um defensor da lei e da sua respeitabilidade como muitas vezes tem demonstrado. No dia 2 de Julho o Primeiro-ministro numa mensagem ao país através da televisão aceitou a decisão judicial e fez as tropas tailandesas saírem do templo.

No que respeita às questões fronteiriças foi constituída em 2000 uma comissão mista a Joint Boundary Commission (JCB), com o objectivo de proceder à demarcação das linhas de fronteira entre os dois países. Passados 9 anos a JCB não consegue ter nenhum avanço nos intentos para que foi constituída apesar das inúmeras declarações de boas intuições políticas de ambos os lados e no que respeita ao templo nem mesmo conseguem sair da simples elaboração daquilo que podem discutir visto não acordarem no nome do templo que, embora praticamente diferente, tem duas fonéticas diferentes para cada uma das línguas.

Na semana passada mais uma vez se ouviram discursos políticos de amizade, cordialidade e intenção de encontrar uma solução política e pacífica para o problema. Na visita que Abhisit fez a Pnhom Penh tudo correu em grande harmonia tendo inclusive o PM tailandês devolvido ao Camboja várias estátuas Khmer que tinham sido em tempos trazidas por soldados tailandeses para o país.

Acontece que ao regressar a Bangkok Abhisit declarou à comunicação social que a Tailândia iria solicitar à UNESCO, na sua reunião em Sevilha no próximo dia 15, que revisses o processo do templo e retirasse a classificação de Património da Humanidade que está em curso de confirmação.

Foi o suficiente para atear de novo a fogueira com declarações explosivas de parte a parte embora a Tailândia diga que a questão não é com o Camboja mas com a UNESCO. Fortes contingentes de forças armadas foram enviados para a fronteira pelas duas capitais e a qualquer momento poderão haver novos conflitos sendo que desta vez, segundo afirma o Chefe do Comando cambojano no local, a presença de tanto armamento pode levar a que os confrontos tomem uma proporção muito superior aos do passado ano onde cerca de 12 soldados de ambos os lados morreram.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

As Eleições em Nakhon Sakhon


A vencedora

Ontem realizaram-se eleições de extrema importância para entender os próximos passos no panorama político na Tailândia.

Em Sakhorn Nakorn สกลนคร uma das províncias do Nordeste tailandês, o Isaan, a terra sempre leal a Thaksin e onde ele encontra o maior eco para a s suas palavras realizaram-se ontem eleições intercalares devido à desqualificação de um Deputado pertencente ao Puea Thai.

O Bhum Jai Party de Nevin Chidchob, empreendeu a fundo nesta campanha vista como o primeiro passo para uma possível substituição do poder de Thaksin nesta importante parte do país.

Desde sempre o Norte e o Nordeste têm sido fiéis a Shinawatra e é aqui que as suas políticas de aproximação ás populações mais se fizeram sentir. Logo após a sua primeira vitória eleitoral Thaksin entendeu que teria de ter um seguro controlo dessas grande maioria de votos no sentido de assegurar uma maioria confortável que lhe permitisse levar a cabo as suas políticas. Assim implementou medidas dirigidas ás populações rurais satisfazendo os seus anseios o que eles mais tarde retribuíram dando-lhe a maioria absoluta.

A ligação de Thaksin às populações rural não se apagou e quando há cerca de um mês me desloquei a Khon Kaen, a capital do Issan do Norte, se assim se pode descrever a cidade, pude constatar, e mesmo pela boca dos seus adversários políticos, que Thaksin continuava no coração das populações.

Assim aconteceu ontem apesar de todos os esforços levados a cabo por Nevin e seus homens, quando a candidata do Puean Thai Party obteve 68,6% dos votos expressos dando uma inequívoca vitória ao fugitivo ex Primeiro-ministro.


Os derrotados

Na próxima semana haverá eleições em Si Sa Ket, na parte Sul do Issan, numa província de fronteira com Buriram, a terra de Nevin, mas é crível, agora, que o cenário não se altere. O Bhum Jai Thai Party, apareceu perante as câmaras de televisão com caras de grande derrota e terão agora de repensar a estratégia já que ficou claro que o seu desejo de ser a força dominante na região, que tantos deputados elege, não passa, por enquanto, de um sonho.

Para além do facto de o partido de Nevin ter que retirar para reflectir, há muitas outras implicações que estas eleições mostram. Contrariamente ao que se poderá pensar Abihsit deverá ter ficado satisfeito com a derrota do seu parceiro de coligação visto isso fazer baixar o seu poder negocial e poder ajudar à solidez do governo já que parece evidente que se a coligação se desfizer e for necessário avançar para um cenário de eleições antecipadas a coligação no poder sairia derrotada e o thaksinismo regressaria ao poder.

Contudo como sempre a imprevisibilidade é o factor dominante na Tailândia e poderá que a sentir-se derrotado Nevin eleve o seu tom de voz requerendo mais apoios para os seus Ministros nas questões orçamentais visto lhe poder parecer necessitar de mais dinheiro para as lutas eleitorais. Nevin é grande admirador da velha frase de que em política não há amigos mas também não há inimigos e os meus "inimigos" de hoje poderão ser os meus parceiros de amanhã. Assim poderá muito bem regressar ao lugar de onde partiu para ajudar a formar uma coligação com o Puea Thai se isso conseguir negociar e se mostrar necessário àquele partido para liderar uma coligação.

Existe outro factor a ter em conta que é o facto de actualmente 44 Deputados da coligação no poder estarem a ser investigados por violação de um preceito constitucional referente à detenção de acções em companhias concessionárias de serviços públicos. Se tal se provar, o que pode levar algum tempo mas é uma espada que enfraquece a coligação como já reconheceu Abhisit, isso levará à queda do governo por falta de base de sustentação no Parlamento e por tanto eleições.

Neste primeiro encontro que opôs Nevin e Thaksin, o último mostrou que ainda é aquele que mais sabe fazer política no país e derrotou o primeiro por KO técnico logo no primeiro assalto. Thaksin, para mostrar a sua real ligação ao povo e ás suas estruturas telefonou directamente para os telemóveis dos kanmam, semelhante aos presidente de câmaras, para assegurar o seu apoio à candidata do Puea Thai. Nevin fez campanha à antiga, distribuindo dinheiro e levando os pesos pesados a comícios mas os votantes já experimentaram a realidade Sginawatra a por agora essa chega-lhes.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Coligação no Poder

Os rumores que correm há bastante tempo sobre a insatisfação que se vive na liderança do Partido Democrata face aos permanentes obstáculos que os parceiros na coligação colocam à liderança, vieram hoje a público através de um artigo num dos jornais locais .

O mais falado caso é o dos autocarros para a cidade de Bangkok, no qual o Ministério dos Transportes, controlado pela facção liderada por Nevin Chidchob, pretende levar a cabo uma operação no valor de cerca de 1,4 mil milhões de Euros para fazer o leasing de 4.000 autocarros, operação que é mais do que cinco vezes o valor de aquisição dos referidos autocarros. O Governo, com a ajuda dos media que controla, trouxe o assunto para o domínio público de tal forma que ficou evidente que o partido Bhum Jai queria avançar com este projecto como forma de se financiar para as mais do que espectáveis eleições. Outro dia o líder deste Partido, e actual Ministro do Interior, uma posição chave para controlar o sistema eleitoral, disse, num almoço onde estiveram com seis pessoas, portanto não tão privado como se possa pensar, que assim que sentissem estar em condições para ganhar as eleições deixaria a coligação. Assim se passa a fidelidade dentro do poder.

Outros casos relativos às permanentes pressões exercidas sobre o executivo no sentido de conceder mais fundos a este ou aquele outro partido tem vindo a desgastar o já muito cansado Primeiro-Ministro e a própria governação.

Abhisit tem em geral conseguido ganhar tempo, tentando adiar decisões, criando comissões e comissões no sentido de conseguir, numa política de um passo e meio á frente um passo atrás, levar por diante o seu programa. Muitas das vezes tem encarregado o seu número dois, Suthep Thaugsuban, de ser o mediador de conflitos. Suthep foi o arquitecto, do lado dos Democratas, na formação da coligação e é conhecida a sua proximidade quer a Nevin quer ao Ministro da Defesa Pravit. Acontece agora que começam a aparecer demasiadas vozes discordantes dentro do próprio Partido Democrata sobre a actuação de Suthep pois este é visto como fazendo demasiadas concessões aos parceiros de coligação ao ponto de muitos levantarem dúvidas sobre as reais intenções de Suthep.

Em tempos atrás, e logo após a formação deste Governo escrevi, que Suthep, Nevin e Thaksin têm demasiados pontos em comum e demasiados interesses onde se sentem coligados para que não seja possível uma aproximação ou conjugação de esforços destes três homens para levarem a cabo um projecto comum. Muitas vezes como a história já nos ensinou, os aparentes inimigos figadais acabam coligados “a bem dos superiores interesses da nação” como sempre dizem. Parece-me que a história destes três pode fazer repetir este cenário.

A aprovação de duas leis que habilitam o governo a financiar-se com a emissão de obrigações até um valor de 8,5 mil milhões de Euros, para fazer face á grave crise financeira que o estado enfrenta, ainda veio agudizar mais as divisões pois existe uma percepção de que o governo vai arrecadar “muito dinheiro” e todos querem a sua fatia desse bolo.

Acontece que hoje, no artigo mencionado no início, Abhisit era referido como dizendo estar preparado para seguir em frente com um governo minoritário, ou seja um governo com pouca capacidade de sobreviver no Parlamento a não ser que a parte das forças armadas que o apoia, viesse a ditar de novo regras.

Se Abhisit se decidir por essa via de ruptura com parte ou todos os partidos da coligação (o artigo falava do Bhum Jai de Nevin e do Chart Pattana de Bhanharn), o mais interessante será ver o emergir à superfície da,já conhecida mas sempre negada, divisão no seio das forças armadas.

O Ministro da Defesa, Pravit está claramente ao lado de Nevin, talvez também Prayud Chan-Ocha mas Anupong quererá manter a sua independência e tentar algo por si. Por outro lado os amarelos, que neste momento se encontram fortemente divididos, poderão ter uma oportunidade para se reagrupar não como Partido da Nova Política mas com a sua velha cara de PAD.

Noutro contexto, e possivelmente para desviar as atenções de outras questões Abhisit levantou de novo a questão do templo de Prha Viharn afirmando que a Tailândia irá solicitar à UNESCO a revisão do processo de registo em curso do templo e fez tal declaração no dia imediato ao seu regresso de uma viagem de um dia ao Cambodja, onde tudo “correu num clima de grande amizade”.
Noutro contexto o número de casos de gripe A (H1N1) subiu para cerca de 700 e está espalhada por cerca de 50% do país apesar das autoridades sanitárias estarem em pleno na campanha de informação ás pessoas sobre as medidas de precaução a tomar.

E está em marcha a votação do nome para a panda. para mim seria Lin Ping. Lin o nome da mãe e Ping o do rio que percorre Chiang Mai

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A (H1N1) - actualização


O numero de casos conhecidos de pessoas contagiadas pelo vírus da gripe A(H1N1) aumentou ontem para 201 depois de terem sido diagnosticados mais 51. Pela primeira vez foram verificados casos em Phuket tendo as autoridades sanitárias procedido à desinfecção das zonas frequentadas pelos infectados.

Mais 8 escolas foram fechadas de forma a evitar o contágio entre alunos.

domingo, 14 de junho de 2009

A(H1N1)

É assim que é denominado o vírus que causa a, anteriormente denominada, gripe dos porcos.

Só poderia ser daqueles que não se lavavam pois porcos nem um morreu. Rapidamente a Organização Mundial de Saúde deu-lhe o nome cientifico correcto desta conjugação H1N1 de tipo A.

Recentemente a OMS elevou o nível da situação para o máximo, 6, o que quer dizer estarmos perante uma pandemia de dimensões ainda não calculáveis.

A Tailândia como não pode deixar de ser não está imune e o número de casos que se verificaram até agora atingem os 106 obrigando ao encerramento de escolas devido ao facto de estar confirmada a transmissão entre humanos. Dois casos foram exemplares nessa qualificação. Numa discoteca em Pattya 21 pessoas foram contaminadas devido a um cliente da China-Taipé, que foi confirmado estar contaminado, aí ter estado a divertir-se. Também muna escola em Bangkok um aluno, recentemente regressado dos Estados Unidos testou positivo ao vírus e no dia seguinte 13 dos seus colegas estavam com sintomas de gripe que se confirmou mais tarde ser provocada pelo vírus A(H1N1).

Enquanto a OMS continua a dizer, neste preciso momento em que escrevo, no seu
site oficial que na Tailândia existem 8 casos confirmados, o Ministério da Saúde confirma os 106.

O Mundo tem aprendido, com o eclodir destes fenómenos nos anos recentes que o mais importante é a saúde das pessoas do que os interesses económicos e a Tailândia não tem medo de dar mais uma machadada no seu já tão debilitado sector do turismo, visto o que está em causa é as pessoas estarem bem conscientes da situação, conscientes dos cuidados que têm que tomar e fazer a sua vida normal seguindo as instruções dos serviços de saúde e prevenção.

Todos os dias os serviços responsáveis tailandeses informam sobre a situação e nada tem sido escondido do publico que vai fazendo a sua vida normal mas por certo tenta ser cauteloso em certas situações e tomar as medidas de higiene necessárias para enfrentar a pandemia.

Só assim é que se pode vencer estes inimigos ocultos que atacam as sociedades modernas sem que nós os convidemos a entrar na nossa casa.

Bom trabalho das autoridades e do Governo do país.

Educar e informar correctamente é uma das melhores formas de prevenção nestes casos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Voar para a Tailândia

A Air Asia, a maior companhia low cost a actuar na região, e uma das maiores no Mundo, acaba de lançar um repto ás autoridades tailandesas no sentido de repensarem a estrutura de custos aeroportuários no país se pretendem aumentar o fluxo de turistas.

A Air Asia actualmente transporta cerca de 24 milhões de passageiros anualmente (para comparação o objectivo da TAP para este ano é de 9 milhões) e é indiscutivelmente o grande operador no sector turístico na região.

Para a TailAñdia são actualmente transportados 5,2 milhões mas Tony Fernandes, o malaio, por certo de origem portuguesa, que é o fundador e presidente da companhia, quer aumentar esse número para 20 milhões em 2013.

Contudo para que tal aconteça e que a Air Asia possa ser o grande veículo dinamizador do turismo na Tailândia, torna-se necessário que as taxas aeroportuárias estejam dentro daquilo que é praticado na região.

Já uma vez aqui referi que aquando da ocupação e encerramento do Aeroporto de Bangkok os principais concorrentes, Hong Kong, Singapura e Kuala Lumpur, ofereceram a muitas companhias condições excepcionais para aí fazerem escala e que muitas delas não regressaram a aterrar em Suvarnabhumi.

Na realidade, e pode observar-se no quadro anexo, as taxas por passageiro na Tailândia, neste caso em Bangkok, são significativamente superiores ás praticadas pelos principais concorrentes fazendo com que os bilhetes de avião para esses outros destinos sejam invariavelmente mais baratos e desviando assim o fluxo turístico para outros países.

Compete ás autoridades tailandesas reagirem com celeridade pois é sabido que quando os operadores turísticos se habituam, e criam canais com um determinado destino, só com alguma dificuldade introduzirão outros destinos.


10 de Junho em Bangkok

Porque o Miguel Castelo Branco fez uma bela reportagem do dia de ontem aqui vos deixo, com a devida vénia, o link

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Panda

A nova casa dos panda com neve para um melhor ambiente



Já gatinha ou já pandinha!

O Ataque à Mesquita

Anteontem, dia 8 de Junho, um número ainda não identificado de atiradores (2-5) entrou numa mesquita em Cho Airong na Província de Narathiwat, sul de Tailândia e matou pelo menos 12 pessoas ferindo ainda outros tantos quando dispararam indiscriminadamente sobre os crentes que assistiam a um serviço religioso.

As três províncias mais ao Sul no país, Narathiwat, Yala e Pattani, são palco de permanentes incidentes violentos, especialmente desde 2004, e já morreram mais de 4.000 pessoas quer em atentados quer em confrontações entre as forças militares e militarizadas e grupos de rebeldes que lutam por um modo de vida diferente, uns e por questões autonómicas, outros. As três províncias são maioritariamente Muçulmanas, cultural e etnicamente muito próximas da Malásia e desde os tempos do colonialismo inglês no Sul. Também a confrontação das forças da ordem e as populações, como o recentemente relatado caso de Tak Bai, tem sido uma das causas não só de mortes mas também da fúria das populações.

Os sucessivos governos posteriores a Thaksin sempre anunciaram intenções de resolver o conflito pela via do diálogo e da integração da minoria budista nos costumes muçulmanos no Sul e dos muçulmanos no geral do pais, mas a oposição permanente dos militares tem sido um obstáculo para tal. Abhisit quando chegou ao poder uma das medidas que anunciou foi a intenção de desmilitarizar o Sul e de criar uma agência civil com coordenação de toda a gestão das questões tendentes a uma melhor integração das sociedades, mas nunca tal conseguiu sair do papel do programa do Governo e das suas boas intenções.

Desde o dia 5 de Junho 19 pessoas morreram na região onde se deu o ataque à Mesquita e mais de 40 ficaram feridas algumas com gravidade. Estes ataques atingem as comunidades muçulmanas e budistas de igual forma e cada vez mais são um desafio entre o Estado em Bangkok e aqueles que no Sul lutam por uma forma diferente de entender as diferenças sociais, étnicas e religiosas. Por detrás disto começam a aparecer alguns sinais do fundamentalismo islâmico que até há pouco tempo estava fundamentalmente ausente no conflito. É sabido que parte de juventude local vai frequentar madrassas no Paquistão e Afeganistão e isso não são sinais positivos para o futuro de um diálogo que se pretende poder vir a existir em breve.

A Tailândia nunca quis “internacionalizar” o conflito tentando mantê-lo sempre dentro das suas fronteiras e as deslocações de diplomatas ao Sul do país deverão ser sempre feitas com prévia autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros mas a falta de um avanço no encontrar de soluções vai pondo em questão essa política de isolamento.

Abhisit com a decisão de Tak Bai e com o incremento dos ataques fica cada vez mais dependente daqueles que ele se queria ver livre ou seja dos comandos militares que, ao abrigo de entenderem existir um estado de conflito permanente na região, obtêm uma lei marcial e um decreto de estado de emergência que lhes permite actuar a seu bel-prazer e sem escrutínio, como se viu na sentença do caso Tak Bai. O controlo de todo o tipo de tráfico que é feito na fronteira com a Malásia é por demais importante para que os grupos que aí actuam, a coberto das autoridades, deixem que os políticos de Bangkok se intrometam nas suas actividades.

Assim vai um conflito sem fim à vista e no qual o grosso das populações só quer é encontrar uma forma de viver a sua cultura e a sua religião ao lado dos outros que são diferentes, mas irmãos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Grande Atracção

No dia 27 de Maio nasceu no zoo de Chiang Mai um panda. Segundo os especialistas é a primeira vez que uma panda nasce em Maio visto o período normal de nascimento é entre Julho e Setembro.

A pequena panda que ainda não tem nome, havendo mesmo um concurso, oferecendo o zoo 1 milhão de bath (cerca de 20.000 Euros) para este lhe ser atribuído, nasceu através da segunda tentativa de inseminação artificial da sua mão, Lin Hui, que está em Chiang Mai ao abrigo de um protocolo com as autoridades Chinesas que emprestaram por um período de 10 anos à cidade do norte um casal de pandas, que é a grande atracção daquele parque zoológico.

Com o nascimento do novo habitante, as filas para visitar o zoo e ver, através de uma câmara, o "rebento" são agora enormes visto este se ter tornado rapidamente na grande novidade.

Variadas foram as tentativas para que o casal de pandas tivesse um filho por meios naturais tendo os tratadores chegados ao ponto de exibirem filmes eróticos de pandas de modo a tentar aumentar a libido do casal mas sem sucesso.

Assim foi recorrido à inseminação artificial e á segunda tentativa nasceu o pequeno panda.

Sabendo-se da fragilidade destes animais imediatamente um grupo de peritos chineses se deslocou para Chiang Mai para ajudar os veterinários e tratadores do zoo a lidar com esta novidade. O facto de ser o primeiro filho de Lin Hui faz aumentar as precauções pois não é sabido até que ponto ela é capaz de tratar da sua filha, visto tratar-se de uma panda conforme confirmou um dos peritos chineses que actualmente está em Chiang Mai.

O nascimento ocorreu na maior surpresa pois o pessoal do zoo não sabia que Lin Hui estava grávida. Se virem as fotos podem constatar que na realidade não se deve notar nenhuma alteração no corpo da mãe, o que eventualmente haverá é alguma alteração nos seus hábitos e comportamentos.

O facto é que a pequena panda parece estar a reagir bem ao ambiente, já se levantou nas frágeis patas e alimenta-se do leite materno embora sempre acompanhada dos cuidados de toda uma equipa que a quer ver singrar na vida.

Apesar da grande turbulência que existe no seio da coligação no poder, com muitos jogos nos bastidores, e da morte de David Carrendine no quarto de um hotel em Bangkok, em circunstâncias pouco claras e muito semelhantes à da de Michael Hutchence, o nascimento do panda, e agora o concurso para lhe dar um nome, são as grandes noticias que trazem os tailandeses agarrados à televisão.