sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Lamber das Feridas

Bangkok vai tentando limpar a cidade das profundas marcas que ficaram e vão ser visíveis ainda durante muito tempo.

Apesar da capacidade que este povo tem de olhar para a frente e recomeçar a vida, disso mesmo é um bom exemplo a forma rápida como se reformou após o tsunami de 2004, os estragos provocados pela loucura do dia 19 são tão profundos que será como dantes.

Como vulgarmente se diz há que enterrar os mortos, que foram muito mais do que inicialmente se falava, e tratar dos feridos, que somos todos nós para além dos edifícios de uma cidade esventrada.

Como já referi essa tarefa vai ser feita com a tradicional perseverança, capacidade de luta e sofrimento do povo tailandês, mas o pior vão ser as feridas na alma.

Há também que responsabilizar os culpados. É um facto que Abhisit e Suthep, Veera, Jatuporn, e todos os outros, não estiveram na primeira linha a comandar os desvarios no terreno mas são responsáveis morais de toda a loucura do dia 19 e anteriores.

Todos, sem excepção deverão ser chamandos a prestar contas pelas vidas e pelos bens que se perderam.

A culpa não é só dos actores no terreno é daqueles que são supostos tomar as redeas e conduzir esses actores.

Quando Jatuporn implorou aos vermelhos que abandonassem Rajaprasong e eles vaiando o líder começaram a incendiar o Central World, ele é culpado, não específicamente desse acto mas de não ter sabido cumprir o seu dever de liderança ou seja de comando. Mostrou ser um comandante fraco e esses a história não quer.

Quando Abhisit diz que as tropas actuam totalmente dentro do limite das regras do direito internacional e depois atiram a matar sem pré-aviso sobre inocentes, como há muitos exemplos, ele falhou na sua função de liderança e tal como os outros líderes fracos e sem competência tem de ser responsabilizado.

Se assim se cumprisse, se todos, sem excepção, fossem chamados à justiça para pagar a sua parte da pesada factura, o país iniciaria uma forma de reconciliação posssível.

Temo contudo que continuaremos a ter mais do mesmo. Os culpados são sempre os mesmos e os inocentes também.

Qual filme de cowboys os bons são sempre os que estão em cima dos cavalos e os maus os índios descalços que andam a pé.

O país tem de entender que a reconciliação passa por se conseguir uma sociedade que englobe todos, uma sociedade que não deixe à porta muitos olhando para os faustos de poucos. Há que saber, sem ser para proveito próprio como Thaksin fez, dar a mão às gentes da província, fazer com que eles não só contribuam para o enriquecimento do país mas que recebam em troca, na devida proporção, o que lhes é devido.

Para além disso há que reformar o sistema de educação no país. Há que desenvolver a capacidade das pessos poderem pensar por si, de debaterem ideias, de uma forma equilibrada e responsável, e que possam ser, outra vez todos, agentes de formação de comportamentos cívicos capazes de elevar, no conjunto, as enormes potencialidades de um povo já de si tão generoso.

Educar essa consciência cívica passa também por incutir em todos o que é o respeito da lei. Roubar, no sentido lato da palavra é uma prática corrente. Desde o vendedor de rua que usa a electricidade pública para iluminar o seu carro de venda, até ao grande patrão que emprega milhares de ilegais birmaneses para engordar a sua carteira, há dezenas de exemplos que devem terminar e deixar de fazer parte do dia a dia neste país.

Os tailandeses têm de encontrar o "Modo Tailandês" de encaixar esses conceitos de respeito mútuo e igualdade na sua cultura para encontrarem a tão necessária reconciliação nacional sem a qual teremos mais 19 de Maio como de igual forma aconteceu há 18 anos nesse mesmo trágico dia.

9 comentários:

Anónimo disse...

"O país tem de entender que a reconciliação passa por se conseguir uma sociedade que englobe todos, uma sociedade que não deixe à porta muitos olhando para os faustos de poucos"..."Para além disso há que reformar o sistema de educação no país. Há que desenvolver a capacidade das pessos poderem pensar por si, de debaterem ieias, de uma forma equilibrada e responsável, e que possam ser, outra vez todos, agentes de formação e de comportamentos cívicos capazes de elevar, no conjunto, as enormes potencialidades de um povo já de si tão generoso"..."Roubar, no senido lato da palavra é uma prática corrente."
Curiosa escolha de palavras depois da explosão . Por cá, vão-se estendendo rastilhos.Cumprimentos,João Pinto

Anónimo disse...

Este texto é uma vergonha. Acho que o Senhor devia primeiro olhar para o seu umbigo e ver se, por acaso, não tem muita culpa no cartório em tudo o que se passou em banguequoque...

Nuno Caldeira da Silva disse...

O texto é aquilo que eu penso e não me escondo atrás de nenhuma árvore para o dizer. Afirmar que é uma vergonha é banal, infantil e vazio de tudo. Quem discorda contradiz com argumentos.
Em relação à culpa até pode ser verdade. Sempre que nos encontrámos quer com o Governo quer com a UDD fizemos sentir a necessidade de se parar a violência gratuita e de se abraçar o diálogo. Sempre passamos essa mensagen a um e outro campo. Porventura as nossas palavras foram poucas, mal entendidas ou mal expressas, mas essa foi a mensagem transmitida repetidamente. Nisso talvez tenha razão.

A anomidade que usa é a arma dos cobardes de todos aqueles que não têm cara para mostrar nem coluna vertebral, mas mesmo assim publico a sua mensagem.

Anónimo disse...

Tenho gosto em assinar e se não o fiz foi por esquecimento. Chamo-me José Martins, sou de Braga e acompanho o seu blog. Creio que Você esteve muito mal em todo este conflito. A sua posição de diplomata ainda piora as coisas. Nunca pensou que não se devia ter metido em assuntos internos do país que o acolheu e ter apoiado os partidários do golpe comunista? Deixou o nome da Comissão Europeia e do seu país muito mal visto por aí. Uma vergonha sr. caldeira, uma vergonha...
José M.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Caro Anónimo (deixe-me ser eu agora pouco correcto e duvidar da identificaçáo pois ela não me convence).

Fico feliz por dizer que segue o meu blog mas triste pois percebo que escrevo de uma maneira pouco clara já que não entendeu nada. Bastava ter lido com atenção o que escrevi para ver que sempre entendi ser o PM Abhisit a pessoa que poderia transformar o país numa Democracia onde todos contam. Também sempre disse que Thaksin é um criminoso e que não faz parte de qualquer solução para este país. Pode aocontecer que o "meu amigo" tenha opiniões diferentes de mim e que entenda que o fugitivo seja o salvador da Pátria tailandesa. Eu não.Quanto à UE pode ler, porque são públicas as posições tomadas e elas são todas concordantes com a minha. O apelo a ambas as partes, repito ambas, para que renunciassem à violência e entrassem em diálogo. Não só a UE mas todos os países que se pronunciaram (talvez no seu entender emiscuindo-se nos assuntos internos - não é a nossa opinião), tiveram semelhante atitude. Já vi que o senhor vive ainda no tempo do terror dos comunistas que comem criancinhas. A guerra fria e esss tempos acabaram há muito e não me venha a mim falar disso que estive preso em Portugal à ordem desses senhores porque sempre amei e adorei a Democracia.

Agora amar a Democracia não significa ser cego, não significa ver melhor com um olho do que com o outro. Por isso assim continuo a defender o principio da igualdade para todos o principio de que todos, sem excepção, tem direito a aceder a uma justiça independente, a uma educaçao e uma informação livre, ao gozo do que está descrito na Declaração Universal dos Direitos do Homem que este ano fará 62 anos e que da qual a Tailândia é signatário.

Vergonha teria eu se violasse esses princípios pelos quais sempre lutei: contra fascismos e contra comunismos.

Anónimo disse...

Noto que alterou a sua posição nos últimos tempos. Faz bem em agora vir a dar o dito por não dito mas ficou escrito e continuo a não perceber como acha que pode, sendo diplomata, fazer o que fez (escrever o que escreveu) no país que o recebeu.Alinhou claramente por um movimento terrorista que tentou derrubar o actual poder. Com o passado de luta que descreveu ainda mais estranho é tê-lo feito. Se vivesse na China hoje já não estava a escrever esta linhas e já o tinham ido visitar. Considre-se com sorte em viver numa democracia sr.caldeira. Aos 60 anos já é tempo de ter juizo. E o meu nome é mesmo José Martins. nascido em Braga há 57 anos.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Uma característica dos Anónimos e da sua cobardia é fazerem afirmações gratuitas sem substanciarem factos, e lançarem ameaças em nome das cortinas atrás das quais se escondem.

Anónimo disse...

Os factos esses muita gente os leu e muitos sabem deles. Como o senhor também sabe. O que espera para se demitir das suas funções da UE. Será cobardia se não o fizer!
José Martins,
Braga

Nuno Caldeira da Silva disse...

Já que o Senhor Anónimo é tão sabedor e conhecedor dos factos que (não ) alega, "mas toda a gente sabe", porque não apresenta uma queixa na Comissão Europeia ou no Ombusdman Europeu?