domingo, 15 de fevereiro de 2009

Muita Estrada

Depois de 2.489,6 km a primeira coisa que posso dizer para todos aqueles que querem passear por este muito bonito país é que avancem sem medo.

As estradas são de muito boa qualidade e se não fosse a número 11, de Sukhothai até Lop Buri passando por Pichit, que deixa muito a desejar, daria uns bons 17 em 20 ao conjunto daquelas por onde passei.
Na travessia de Phrae para Uttaradit decidi utilizar a montanha e não a estrada "normal". Cerca de 100 km de terra batida mas, tirando os quilos de pó no carro, até essa estrada é de qualidade superior e devolveu-me um antigo prazer de conduzir em areia. Que grande especial!

Visitar o norte da Tailândia parece que é visitar outro país e na realidade muita coisa é diferente. A paisagem é montanhosa ao contrário da do sul, a comida é diferente, menos picante e mais baseada em massas (noodles) e em carne de porco, Na verdade muitas combinações de porco, eventuais influências da China e do Vietname. Refira-se ser a comunidade chinesa bastante forte em Chaing Mai. A vegetação é também diferente com uma variedade de flores e árvores que não se encontra pelo sul ou pelo nordeste do país.
Por fim as palavras utilizadas são em muitos casos diferentes. Para além da própria pronúncia as palavras são mesmo distintas sendo a mais engraçada a partícula utilizada pelas mulheres que em vez de ka é jao semelhante ao som italiano de ciao. A forma como as mulheres falam torna-se muito suave com este final. Por outro lado os sons longos são mais longos do que o normal e os curtos mais curtos mesmo algo cortantes.

A maioria da zona norte do país, aquilo que se chama o Reino Lanna, o reino de um milhão de campos de arroz, tem uma grande multiplicidade étnica e só na transição do século XIX para o século XX é que passou a fazer parte integral do Sião e mesmo assim Nan só em meados dos anos 30 é que deixou a seu estado de província de alguma forma independente do poder central de Bangkok.

Constantemente no meio das lutas entre siameses e birmanes, por várias vezes atacada por uns e por outros, só quando o Rei Taksin, ele próprio um conhecedor da região quando foi comandante daquilo que é hoje a província de Tak, a partir do sul e já Rei, reorganizou o país e expulsou os birmanes, é que o Reino Lanna foi ganhando paz através de vários acordos feitos com casamentos e partilhas de poder entre o Sião e os vários senhorios Lanna. O conjunto das actuais províncias do norte, organizou-se em redor de Chaing Mai (aqui está mais uma palavra do norte - Chiang quer dizer cidade ao contrário do terno Muang, ou Nakon utilizado no sul), a mais importante cidade em todo o norte e actualmente a segunda cidade no país.

Chiang Mai tem uma particularidade que lhe dá um ambiente muito especial. Oferece tudo aquilo que uma grande cidade oferece de necessário para a vida de hoje, e não tem aquilo que as grandes cidades perderam com o advir da modernidade. Chaing Mai (a cidade nova) conserva muito do seu traça original do passado e é um prazer podermos passear pela cidade velha repleta de templos de grande valor e de pequeno comércio tradicional. Tem além disso uma característica que pessoalmente muito aprecio. A existência de poucos prédios altos e a quantidade infindável de pequenas casas tradicionais torna a cidade extremamente acolhedora e afável.

Por outro lado sendo uma cidade com uma forte ligação á sua Universidade principal, a Universidade de Chiang Mai, uma cidade dentro da cidade, onde diariamente cerca de 40.000 (quarenta mil) pessoas entre alunos, professores e funcionários coexistem, a cidade tem uma juventude contagiante e um potencial de futuro garantido.

Uma visita á Tailândia nunca estará concluída sem uns longos passeios dentro das muralhas da cidade velha de Chiang Mai. Tailândia não é só praias, Phuket e outras, é sobretudo a cultura forte e assumida que se encontra quer no norte quer no nordeste do país. Aí podemos ver um país com personalidade, com tradição, com caractersiticas bem próprias e onde a história e ancestralidade deste povo bem se sente.

Para além disso ao redor de Chiang Mai encontram-se alguns dos lugares mais visitados no país como o já referido Doi Inthanon, o ponto mais alto da Tailândia, Wat Phrathat Doi Suthep, os campos de elefantes, animais muito presentes na região e as inúmeras produções artesanais de seda tailandesa tradicional. Existe ainda os imensos jardins de Rajaprueck onde em 2006 foi levada a cabo uma exposição mundial floral dedicada aos 60 anos do reinado de Rama IX e onde estiveram presentes 32 países.

A área coberta pela exposição de Rajaprueck é grande e fica no vale adjacente a Doi Suthep o que lhe confere uma beleza adicional. Aí para além de pavilhões de várias regiões da Tailãndia e de pavilhões temáticos podemos ver trabalhos florais de vários países de todo o mundo cada qual mostrando as suas distintas floras.

Também nos circuitos turísticos estão incluídas as visitas às exploradas mulheres girafas, as karen, expulsas indocumentadas da Birmânia e que também acabam exploradas na Tailândia e ás tribos da montanha qual zoo humano. Infelizmente nenhum país consegue ser perfeito no respeito pelos direitos dos outros e o turismo nem sempre se contenta em deliciar a vista com aquilo que de bonito existe para ser visto.

A primeira etapa estava concluída Depois de ter passado por Nakon Sawan, Tak, Lamphan e Lamphun os três dias em Chaing Mai foram a preparação para a incursão mais a norte que relatarei depois.

2 comentários:

Patricia Caldeira disse...

UÁuuu! Fiquei com água na boca! Ainda te apareço por aí um dia... depois da crise!

Nuno Caldeira da Silva disse...

Bem vinda. tens muito por onde andar.