quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Assim Vai o País

Depois de um longo repouso, da escrita, devido a férias e ao trabalho acumulado em cima da secretária, tento voltar ao contacto resumindo o que vejo.

A caminhada para a criação das condições para serem realizadas eleições antes do termo do mandado do presente governo continua em marcha e de acordo com o "road map" que antevimos em Outubro.

O próximo passo será a alteração da Constituição de modo a permitir que a coligação no poder veja mais facilitada a sua tarefa de aí se manter através do redesenho do mapa eleitoral e da distribuição dos deputados. Isso passa por criar círculos uninominais (em teoria favorecendo os pequenos partidos na coligação) e por aumentar os deputados eleitos em listas nacionais (com uma redistribuição do número de Deputados por província mais favorável aos Democratas). Se esta alteração for para a frente, e tal será conhecido em meados de Fevereiro, o calculo da nova Câmara feito nest momento e de acordo com os resultados das eleições de 2007 dá a garantia de uma maioria confortável à coligação no poder.

Contudo haverá ainda muita negociação até à votação final visto os Democratas de Abhisit terem tentado esticar a corda um pouco demais o que criou alguns conflitos com os seus parceiros de coligação. Como é conhecido isto acaba sempre por ser anuído com mais algumas concessões para os pequenos partidos, compensações que normalmente se traduzem em mais verbas para os Ministérios de que são titulares os seus membros ou a aprovação de projectos de sua iniciativa.

É fundamental para o poder continuar a assegurar de forma tranquila e controlada a transição em que se vive. É este o objectivo primordial definido para os vários responsáveis das diferentes hierarquias de poder.

O fundamental é conseguir que a presente coligação se mantenha no poder e assegure mais 4 anos tantos quantos as principais forças dos comandos de segurança, General Prayuth no exército e General Wichian na Polícia vão estar nos seus postos.

Entretanto surtiu um evento para animar as páginas dos jornais, evento esse, que uma vez mais demonstrou a fragilidade e depêndencia de certos sectores políticos perante os amarelos do PAD.

Um grupo de 7 tailandeses incluindo membros da Aliança dos Patriotas Tailandeses (um subgrupo do PAD, cujo líder, na foto abaixo, está acusado de espionagem pelas autoridades vizinhas), atravessou a pé a fronteira para o Camboja e acabaram presos por entrada ilícita no país vizinho e neste no que é considerado um aquartelamento. Um dos membros dessa "excursão" era o antigo Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e actual Deputado Democrata, Panich (na foto acima) , que Abhisit confessou ali estar como seu enviado (!), e que acabou, como os outros, nas mãos dos polícias e do sistema judicial cambojano. Foi hoje libertado sob fiança sem contudo poder sair do país.

Alguns cronistas dizem que tudo não passou de uma armadilha montada pelo próprio PAD, actualmente sem matéria para grandes manifestações (a última que fizeram contra a alteração da Constituição não reuniu mais do que 100 pessoas), outros dizem que se tratou de ingenuidade de Panich e de Abhisit, outros ainda defendem o ponto de vista do PAD de que o que estavam a pisar é território tailandês facto que não procede visto o líder dessa mesma Aliança ter sido preso brevemente no mesmo local e pelo mesmo facto há meses atrás.

De qualquer maneira o líder cambojano está a esfregar as mãos de contentamento com mais este tropeção da diplomacia tailandesa. Se comparararmos este caso com o do "espião tailandês" preso na sequência do incidente que levou à expulsão dos Embaixadores nos dois países e que rapidamente foi levado a tribunal, e perdoado vemos como as autoridades do país vizinho estão a usar este caso para marcar pontos a seu favor a para enfraquecer mais a posição do governo tailandês no diálogo bilateral. Abhisit com a sua confissão e a revelação pública de vídeos que mostram, já no território onde estavam as tropas cambojanas, Panich em conversa com o PM a dizer-lhe precisamente que já tinham atravessado a "linha fatal", vieram enfraquecer de tal modo a posição tailandesa que Hun Sen, o líder do Camboja vai aproveitando para avanços no seu tabuleiro deste intricado xadrez que são as relações entre os dois países.

Como sempre quem saiu a terreiro a tentar acalmar as águas foi o chefe do exército, Prayuth, facto normal pois, mesmo nos tempos mais difíceis da tensão nas fronteiras, os militares dos dois países sempre mantiveram uma linha de comunicação aberta.

Entretanto a Aliança dos Patriotas (?) vai manifestar-se a pedir a demissão de Abhisit, por este "não defender os presos" e ameaça bloquear a fronteira principal com o Camboja em Aranyaprathet-Poipet. Sabendo-se como já conseguiram bloquear os aeroportos da capital durante uma semana talvez seja capazes de levar por diante o seu intento que entretanto já conta com a oposição dos locais pois esta fronteira é um ponto de extrema importância para o abastecimento dos muitos mercados de roupa da capital. Diariamente largos milhares de pessoas cruzam aquele ponto fronteiriço ou para ir jogar ao casino existente em terra de ninguém, ou para ir comprar produtos que na sua maioria são vendidos nos mercados em Bangkok.

Do lado vermelho a UDD reapareceu em Bangkok no mesmo local que ocuparam em Abril/Maio e essa manifestação para espanto de muitos (talvez mesmo dos organizadores) foi apoiada por cerca de 30.000 pessoas, segundo os números da polícia. Refira-se que há números quer maiores quer menores de outras fontes. Tudo foi calmo e prometeram regressar no dia 23. Uma nota desta manifestação foi o regresso de Thaksin à ribalta, de onde se havia afastado fazia tempo, falando para a multidão através de uma ligação de vídeo.

Assim vai a vida política tailandesa.

2 comentários:

José Martins disse...

E já que fala em eleições, lembro que nos próximos dias 22/23 há eleições para eleger o Presidente da República portuguesa. na Chancelaria da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
Lá estarei (com outros, que alguns não conheço)para cumprir a minha obrigação para com a minha pátria e o eleitor "portuga", mais velhinho, inscrito na Tailândia!
José Martins

Nuno Caldeira da Silva disse...

Pois é mas eu não estou inscrito e por isso não voto