quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Democracia


Combustões de Miguel Castelo Branco insere hoje uma nota sobre a Democracia onde tece um conjunto de comentários de relevante interesse.

Embora não haja nenhuma referência à Tailândia a fotografia de entrada é do país e o conteúdo aí se encaixa.

A Democracia, dita ter sido instaurada na Tailândia em 1932 com a "constitucionalização" da monarquia (ver a nota do Combustões sobre isso), tem aqui, neste país, particularidades que poderiam ser, por si só, objecto de várias teses de doutoramento sobre a sua essência e especificidades.

Recebi recentement um artigo do Professor Michael Nelson, que, embora longo de 29 páginas recomendo a leitura àqueles que sobre o assunto se interessam, é um elemento fundamental para entender no plano sociológico o panorama político neste país.

Nelson é um profundo conhecedor deste país no qual reside há longos anos e onde tem feito a maior parte do seu "research". Professor nas Faculdades de Ciências Políticas de Chulalongkorn, de Passau (Alemanha) e Senior Investigador na City University de Hong Kong. É também colaborador permanente do Instituto King Phrajadiphok, a principal, e mais respeitada, entidade independente tailandesa (a sua alta direcção é eleita pelo Parlamento) em matérias de direito constitucional e administrativo e é a par do Professor Borwornsak Uwanno, o seu Secretário-Geral, quem mais "papers" produz sobre os aspectos históricos, sociológicos e políticos tailandeses.

Não pretendo interpretar, tal como Nelson, mas dar a conhecer o seu trabalho como contributo para uma melhor compreensão da complexidade e talvez singularidade do sistema políco que se vive no pais o que leva a que muitas das vezes não se consiga entender os sinais que de todos os lados aparecem diáriamente e que levam muitos, especialmente os estrangeiros como eu, a ter uma visão distorcida desses sinais.

Na maíoria dos casos aquilo que se deve ver será o que está invisível.

2 comentários:

Combustões disse...

O texto do Professor Nelson é, como outra coisa não se poderia esperar, uma excelente peça e oferece ricas pistas para a compreensão da especificidade da "via tailandesa" para a democracia. Creio que o específico se prende com a ininterrupta vida institucional de um país jamais colonizado, que adoptou e adaptou o figurino ocidental e tentou entretanto, preservar o núcleo de um pensamento político indígena que tem raízes profundas. Interessante, sem dúvida.

Nuno Caldeira da Silva disse...

Outro dia no Vietname pude constatar a diferença entre um povo que foi colonizado ( e no caso deles ainda por uma espécie pior que foi a guerra/ocupação) e outro como o tailandês que não passou por isso. Existem consideráveis diferenças do ponto de vista comportamental/social que deverão ser justificaveis por esse facto. tens razão ao dizer que o documento de Nelson aborda essa questão.