terça-feira, 5 de maio de 2009

Outra Cor


Amarelos, Vermelhos, Azuis e Verdes têm tomado conta do nosso dia a dia neste arco-íris político, contudo desde sempre as sondagens realizadas pelos vários institutos demonstraram que a maioria ainda não tinha cor e estava calda como estão quase todas as maiorias: silenciosas.

Desde há meses que havia alguns indícios de movimentos transversais á sociedade capazes de vir a ter uma palavra dominante neste mar de ódios e disputas pelo poder que se tornou a cena política tailandesa.

No passado fim de semana estive no Norte do país e aí pude constatar como as gentes se dedicam á labuta diária tratando da sua vida e de ganhar o que comer, indiferentes a amarelos e vermelhos e desconhecedores de azuis e verdes. Esses pertencem ás elites políticas urbanas e mesmo na província só mesmo em Amphon Muang, ou seja na capital da província, se consegue entender algum interesse, ou conhecimento daquilo que ou por que se batem na capital.

Há cerca de duas semanas dizia-me um político de bastante peso no país que o que acontecia era que aqueles que eram válidos do ponto de visto intelectual ou da sua capacidade democrática ou não estavam interessados em se "misturar" com aqueles que agora estão no poder ou estavam impedidos de exercer direitos políticos. Não se pense que aqueles, entre os cerca de 220 que estão cerceados de direitos políticos, são todos sósias de Thaksin, bem pelo contrário, existe aí gente muito válida a par com algum "lixo".

Mas ontem saiu á rua uma nova cor, a cor da Tailândia o vermelho mas este misturado com o encarnado e com o branco, as cores da bandeira deste país, as cores dos grandes símbolos que os que prezam o seu país trazem consigo. O País, o Rei e o Budismo.


Grande numero de manifestações tiveram lugar em Bangkok pela harmonia, pela conciliação e pela paz política tão necessária.

è bom que estes movimentos se façam ouvir mas de nada servirão se não forem um aporta para a discussão dos problemas do país de uma forma aberta e frontal sem medo dos tabus e com respeito por todos.

É também necessário que as cliques que detêm ou querem o poder entendam e deixem este povo pacífico falar e fazer ouvir a sua voz. O país tem de avançar com liberdade e respeito. O controlo do poder de forma anti democrática e o exercício da autoridade desrespeitadora é sinal somente de fraqueza. Os países só se constroiem á volta de homens e mulheres fortes e conscientes dos seus deveres enquanto cidadãos livres.

Ontem dizia-me um cineasta tailandês que uma vez tinha pedido autorização para realizar umas filmagens sobre os caminhos de ferro na Tailândia. Tinha obtido autorização com a condição de dizer bem deles e do serviço. Assim não. Deixe-se desenvolver as mentes e as consciências.

Vivam as outras cores.

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