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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Experiência Socialista

Hoje chegou-me à caixa de correio esta mensagem que me pareceu importante partilhar devido à sua permanente actualidade. Nada me move contra o socialismo ou a seu favor, mas tudo me move contra o comodismo e a exploração de outros em proveito próprio.

Uma experiência socialista........ em 1931.

Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha, uma vez, chumbado uma turma inteira.

Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".

O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...

Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas. Portanto, agindo contra os seus princípios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.

Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5. As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."

O pensamento abaixo foi escrito em 1931 por Adrian Rogers

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ernâni Lopes

Morreu Ernâni Lopes um dos mais importantes economistas que "virou" político em Portugal.

Tive o raro privilégio de conhecer Ernâni quer como "patrão" aquando da sua Presidência do Conselho de Administração da Portugal Telecom quer pessoalmente, em convívio de amigos, nas muitas reuniões das Soroptimist em que ambos acompanhava-mos as nossas mulheres e também no Fórum dos Administradores de Empresas durante os meus muitos anos de Direcção.

Portugal muito deve a este homem. Lembro-me bem de ele me dizer que quando chegou ao Ministério das Finanças e "abriu o cofre" viu que estava vazio. Foi a partir de aí que começou a preparação para a adesão de Portugal à União Europeia baseada na consciência de que se torna imperioso cumprir regras no que respeita as Finanças públicas. Pena que por vezes nos esqueçamos dos ensinamentos deste grande professor e português e à frente dos deveres para com o país sejam postos os interesses dos políticos.

Ernâni nunca deixou de ser rigoroso e a empresa que criou e dirigia, a SaeR, era disso um exemplo bem vivo.

Foi uma luta longa, muito longa, com altos e baixos e sempre acompanhado pela Isabel. Infelizmente uma luta que veio a perder tal como nós perdemos esse grande, verdadeiro e devotado português. Era um homem de família e de fé.

Para a família, em especial a Isabel, um muito obrigado por tudo aquilo que ele fez e tudo que fizeram para o ajudar nessa empresa

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lição dos Textos Sagrados


Por vezes vale a pena meditar um pouco nas palavras do Senhor.

Num Sabbath Jesus foi jantar a casa de um importante fariseu e todos O observavam com muita atenção.

Jesus falou então para aqueles que O tinham convidado vendo a forma como tinham escolhido os lugares à mesa." Se fordes convidados por alguém para uma festa não vos senteis no lugar mais importante da mesa. Um convidado mais importante pode chegar e o dono da casa terá de vos pedir para vos levantardes para que esse lugar seja dado ao outro e tereis então de envergonhadamente ir-se-vos sentar num lugar inferior. Assim quando fores convidado sentai-vos no lugar menos importante da mesa e quando o dono da casa chegar ele poderá dizer. Meu amigo tomai num lugar mais importante. Deste modo tereis a estima de todos os presentes. Aquele que for arrogante será humilhado e aquele que for humilde será exaltado."

Lucas 14:1, 7-14

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Frustação?

Várias pessoas me têm perguntado se fui de férias devido à ausência do "espaço" há já uns dias.

Na realidade não fui mas apoderou-se de mim uma certa dificuldade para prosseguir.

Quando comecei a escrever já lá vão dois anos pretendia relatar um pouco do meu dia a dia em Bangkok. Acontece que durante esse tempo aquilo que acabou por dominar o meu trabalho e o meu dia a dia na capital foi os acontecimentos políticos.

Por força da minha actividade profissional, pelo impacto no nosso viver e porque na realidade este aspecto da vida da sociedade tailandesa era o dominante.

As lutas que se desenvolveram, primeiro contra os governos de raiz Thaksin, constituídos após as eleições de 2007 em que o Partido que representava os seus interesses ganhou, e depois contra o presente governo de Abhisit Vejjajiva foram o "prato do dia", e continuam a condicionar a vida diária não só nesta capital mas também em todo o país.

A Tailândia viveu momentos muito difíceis, infelizmente bastantes pessoas pagaram com a vida as diferenças que se iam acentuando na sociedade, mas também de alguma forma foi crescendo em consciência e em entendimento a necessidade de algo ser mudado. Tal veio ontem a lume em mais uma sondagem da Universidade Católica, que confirmava que uma larga maioria, mais de 2/3 dos inquiridos, de uma amostra superior a 2.000 pessoas por todo o país, embora não acreditando no plano de reconciliação iniciado pelo Governo, estavam desejosas de ver o país caminhar num rumo democrático e onde todos pudessem ter a sua voz.

O país está disposto a aceitar a diversidade e as diferenças de opinião, sempre tão positivo numa sociedade, mas na realidade tão não acontece.

Após ter sido interrompido o protesto da UDD, e digo interrompido já que nenhuma das causas que o iniciou se alterou e portanto o seu regresso é somente uma questão de tempo, o país mergulhou num período de estranha apatia e alguns dos sinais que existem são deveras preocupantes.

Em primeiro lugar o Estado de Emergência continua em vigor, o que por si só significa que o Governo entende que o país não está estabilizado. Há muitas leis que podem ser invocadas para defender ameaças para além do Estado de Emergência. Há muitos que contestam o facto de todos os países continuarem a ter alertas sobre as condições de viagem para o país, mas esquecem-se que os primeiros a dizer que a situação não está estabilizada é o próprio governo tailandês.

O Estado de Emergência mantém-se em vigor apesar dos apelos de muitos, inclusive apoiantes do governo, nomeadamente o sector empresarial (a falta de clientes na maioria de locais como hotéis, restaurantes, lojas, etc é uma realidade em todo o país), e para sustentar a sua manutenção o governo alega o facto de ter havido recentemente dois incidentes com explosivos. Um na sede do partido de Nevin (os jornais esqueceram-se de referir que o próprio Nevin, nos tempos em que alinhava com Thaksin, fez explodir a própria casa em Buriram e quando as evidências eram tantas de que não tinha sido um atentado escudou-se num acidente) que provocou pequenos estragos e um ferido ligeiro. O outro incidente foi o lançamento de três granadas contra um depósito de combustível na região da grande Bangkok. Os jornais no dia seguinte vieram com grandes manchetes de que teria sido um acto muito bem e demoradamente preparado. Difícil de crer já que os depósitos estão desactivados há mais de 20 anos e portanto se foi longamente preparado talvez tenha começado por essa altura mas os autores esqueceram-se de reanalisar a situação. O ataque não provocou nenhuns danos para além de mostrar, ainda mais, a ferrugem que corrói esses depósitos.

Onde o Estado de Emergência está a ser eficaz é no controlo da comunicação social e de toda a informação que circula na net. Têm sido realizados vários seminários na capital abordando essa questão, que parece ser o tema do momento, e a aplicação do art.º 9 do decreto que estabelece o Estado de Emergência que autoriza o governo a fechar meios de comunicação e a exercer censura sempre que entender que a segurança do estado está em perigo. Nós portugueses, conhecemos, infelizmente, bastante bem o que são este tipo de intervenções em defesa da segurança do estado. Deveremos ser mesmo peritos a nível mundial pois sofremos essa mesma indesejada intervenção vinda de dois quadrantes políticos ditos opostos.
Nos tempos de Thaksin os abusos sobre a liberdade de imprensa eram exercidos pela via do dinheiro. O estado e as empresas que queriam estar de bem com o governo selecionavam os meios de comunicação onde colocavam a sua publicidade de acordo com aquilo que estes relatavam. Outro modo era a continuada pressão através de acções criminais contra editores ou jornalistas que escreviam artigos tidos por ser contra o regime. Agora é tudo mais silencioso e feito ao abrigo da evocação da segurança do estado. Fecham-se os meios de comunicação, bloqueiam-se acessos e prendem-se pessoas mas ninguém é acusado formalmente e nem sequer à capacidade de apelar. Assim acontece e não há contestação possível.

Os sítios de net, Twitters, Facebook, etc, que têm sido fechados atingem, segundo alguns, já a casa dos 6 dígitos e o trabalho continua. Para além disso o governo, dizia hoje um dos mais reputados professores de ciência política da Universidade de Chulalongkorn, se o facto se deveria á desproporcional força actualmente detida pelos militares e não propriamente ao governo, está apostado na erradicação de todos os meios de comunicação que não transmitam a "verdade". Um jornalista francês que trabalha para a agência France 24, refere, também hoje, que durante os incidentes de Maio foi chamado ao CRES onde lhe perguntaram porque ia regularmente ao acampamento de Rajaprasong, ao que ele disse que ali ia para obter informação. A resposta que obteve é que, como ele fala tailandês fluentemente, deveria ouvir a televisão (estatal) se queria ter informação correcta e clara (presume-se que não disseram isenta ou que o trabalho de um correspondente é sentar-se no sofá e reproduzir a informação oficial).

Para além disso muitos outros factos vão acontecendo pelo país fora que não revelam estar-se num período de reconciliação ou a para lá caminhar.

Torna-se por demais doloroso ver que a muito necessária reconciliação e unidade não avança.

Sempre acreditei que os valores não se impõem, que os sentimentos não se injectam. O fundamental quando há uma mensagem a transmitir é que ela chegue ao destinatário e dele seja entendida no sentido de assimilada. Só assim a comunicação flui só assim se criam consciências desenvolvidas e capazes de intervir para benefício das sociedades em que se inserem.

Impor seja o que for a nada conduz mas pode contudo levar exactamente ao contrário daquilo que se pretende. É a velha história de empurrar a tampa da panela com força para baixo enquanto a água continua a ferver. Não resulta ela irá saltar um dia e nesse momento em vez de ser um movimento concertado será uma erupção, sempre pior.

Um dos grandes erros que muitas vezes as pessoas fazem é saber que uma mudança está no ar mas lutar desesperadamente contra ela. Se essa mudança é inevitável, e não me refiro exclusivamente a este país refiro-me a tudo em geral, é sempre preferível sermos o agente da mudança do que sermos colhidos na torrente das águas dessa mudança e portanto sermos levados na enxurrada sem nada poder-mos fazer.

No fundo talvez seja alguma frustração que me levou a parar estes dias, na expectativa de ver algo positivo acontecer.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Passado e o Futuro

O passado é fundamental para sabermos interpretar os acontecimentos e para sedimentar-mos os nosso conhecimentos.

Sem o conhecimento do passado o futuro é vazio, desfocado talvez!

Mas será que sem olhar para o futuro conheceriamos tanta coisa nova que temos? Ou será que as não queremos conhecer?

Seria sem ver mais além que iamos construíndo, desenvolvendo algo?

Ficar no passado é morrer, ficar no passado é cegar voluntáriamente, é descrer e é sobretudo não acreditar nas pessoas e na sua capacidade para construir o futuro.

Sei que é uma frase feita mas construir o futuro é imperioso senão os nosso filhos, os nossos netos vivem de quê? De recordações? De ideais gastos?

A história é o alimento dos homens e da sua mente mas se não a digerem, engordam, aburguesam-se e param. Parar é renegar, é descrer é ser o não ser.

Torna-se imperioso entender o momento, comparar "notas" com o passado, olhar aquilo que está à frente a agarrar o desenvolvimento e a criação do futuro. Ele está a acontecer a todo o momento e os que o querem travar são os cobardes da história mas são fundamentalmente os derrotados da história.

O futuro se não se faz aqui faz-se ali e quem perde é quem está aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Ano

Este fim de semana fez um ano que comecei estes escritos. Um ano 11.400 "bisbilhoteiros" e bastante prazer em escrever e em ser um pouco útil aqueles que tiveram a pachorra de me ler.



Obrigado

domingo, 26 de abril de 2009

São Nuno de Santa Maria


A Igreja acolhe hoje um dos mais nobres filhos de Portugal, Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável e, a partir de hoje São Nuno de Santa Maria ou São Nuno Álvares Pereira.

Já aqui me referi áquele que tenho a felicidade de ser meu padrinho de baptismo e que hoje na Praça de São Pedro será canonizado como o 11º santo português.

"Procuremos conhecer em profundidade o itinerário espiritual do Beato Nuno de Santa Maria! A simples leitura da sua vida é capaz de nos edificar e de fazer crescer como carmelitas e como cristãos!" Estas são palavras de Frei Agostinho Marques de Castro, O. Carm.Superior Maior da Ordem do Carmo em Portugal.
São Nuno, aquele que terá sido o mais poderoso ao seu tempo e alguns mesmo dizem que só não foi ele o Rei porque sempre quis servir aquele que sua mãe lhe indicou, o Mestre de Avis, D.João I de Portugal, foi o mais humilde dos carmelitas quando decidiu recolher-se no Convento do Carmo e aí terminar a sua vida em profunda meditação e total retiro.

Na realidade o novo santo não foi somente aquele que dirigindo as tropas de Portugal venceu os castelhanos em Aljubarrota, foi acima de tudo um muito leal servidor de Portugal, do seu Rei e de Deus. Nunca antes de qualquer das batalhas ou de qualquer dos seus actos de bravura em defesa do seu país e do seu Rei, São Nuno deixava de apelar à Virgem Maria para salvação das suas tropas e para grandeza do seu Portugal.

Dom José Policarpo considera que a partir de agora há muito para fazer, nomeadamente pelos investigadores: "a relação do Condestável com a mãe" será um dos aspectos que o patriarca considera indispensável investigar. “Tudo leva a crer que terá sido uma pessoa marcante na primeira parte da vida de D. Nuno”.

O patriarca admite que faz falta “uma boa biografia” do Condestável.

Em Portugal há um grande desconhecimento sobre aquele que é indubitavelmente tão grande como as maiores figuras da nossa história e todos só ganharíamos por melhor o conhecer devido á sua enorme grandeza moral e humana.

O meu obrigado à minha mãe por ter medado como padrinho, no acto do Baptismo, aquele de que me orgulho muito. Só não me chamo, também, Nuno de Santa Maria porque houve alguém na família que entendeu que tal não era nome de homem, como se São Nuno não tivesse sido ele um dos maiores homens na nossa história.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma Semana no Norte


A partir de hoje estarei uma semana no Norte da Tailândia e por isso serei mais irregular do que peço desculpa.

Lampang, Lamphun, Chiang Mai, Phayao, Nan, Phrae, Uttaradit e por aí fora, agora já no caminho descendente de volta a Bangkok serão os meus portos durante estes dias.

Farei um resumo destas terras mas não prometo ser pontual

Até ao meu regresso

domingo, 4 de janeiro de 2009

Fim do Ano


Fim do Ano de 2008 passado em Vientiane. capital do Laos um dos últimos países onde os lideres ainda se chamam Camaradas e onde por todo o lado se vê hasteada a par da bandeira do país a bandeira vermelha com a foice e o martelo, símbolo de um passado que não deixa saudades!

Vientiane por outro lado é uma cidade tranquila, pequena com pouco mais de 200.000 pessoas e capital de um país, que apesar de estar em 151 lugar na classificação dos países por PIB nominal per capita, tem um sorriso bem sincero nas faces dos seus habitantes.

A capital. na margem do rio Kong (normalmente chamado por nós Mekong), mesmo do outro lado de Nong Khai, capital da província Tailandesa com o mesmo nome, tem imensos traços da passagem dos franceses pelo seu país, nos letreiros das ruas, nos nomes dos Ministérios, na grande quantidade de restaurantes franceses, e mesmo na língua que apesar de ser muito semelhante ao tailandês tem nalguns sons lembranças da colonização francesa.

A história do país mistura-se muitas vezes quer com a Tailândia quer com o Vietname.

Nos anos do Reino Lan Xang, o reino dos mil elefantes, a partir do século XIV parte dos territórios que hoje são Tailândia, como o Norte e o Nordeste, eram território reclamado pelo Rei Somdetch Brhat-Anya Fa Ladhuraniya Sri Sadhana Kanayudha Maharaja Brhat Rajadharana Sri Chudhana Negara, mais conhecido por Fa Ngum (nome hoje dado à avenida que ladeia o Kong), rei que veio a morrer onde hoje é a província tailandesa de Nan. Fa Ngum reinava desde aquilo que hoje é a China até aos campos de Champasack, fazendo por vezes algumas incursões até Angkor. Durante o seu reino o Reino de Lan Xang era o maior desta região.

Muito mais recente é a relação com os Vietnamitas que atinge o seu auge no século XX durante os anos das lutas comunistas que assolaram o Laos e o Vietname. Ainda hoje existem várias zonas do país crivadas de minas lançadas por ar pelos americanos durante a guerra contra os comunistas do Vietcong que se serviam do Laos como retaguarda da sua batalha contra o "imperialismo" americano.

No Museu Nacional do Laos podem ver-se essas várias etapas da vida do país até aos dias dos camaradas que actualmente lideram e ao grande apoio dos lideres dos países comunistas amigos, assim reza o que se vê na última sala do Museu.

Como sempre na Ásia o pragmatismo prevalece e apesar de estarmos num país comunista o que mais interessa são os objectivos imediatos e as relações principais hoje em dia são com os "suspeitos do costume". Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália, China e Coreia (do Sul entenda-se que a do Norte fechou a sua missão aqui). No fim de contas são este grupo de países aqueles que pode comprar os bens que o Laos produz, e que pode atribuir a tão necessária ajuda humanitária para a construção de escolas, hospitais, etc.

Comunistas à parte não deixei de ver um Hummer e um Lamborguini e as matrículas eram do Laos não de outro país qualquer. É de certeza um mal sinal pois quem trabalha honestamente neste país não consegue ter dinheiro para tanto nem mesmo para encher um depóstito de gasolina para aqueles "cavalos" todos.

Vientiane, bem como o Laos, são bem merecedores da nossa visita e revisita pela sua naturalidade e simpatia e o facto de uma pessoa se sentir bem ali. Pouco há para fazer mas tem o encanto de se estar num sítio que é um grande contrastaste com o reboliço de uma metrópole como Bangkok. Encontrei contudo uma livraria de muito boa qualidade para além de outras, várias, mais pequenas, sinal de que existe hábitos de leitura na terra.

Enfim, uma entrada em 2009 bem suave como deve ser visto que na realidade entre a meia noite de 31 de Dezembro e as 0:01 de 1 de Janeiro para mim não vai mais do que um segundo. O resto é folclore que me diz muito, mesmo muito pouco.

O anúncio da festa parecia ser uma premonição do desastre

Entretanto Bangkok acabou mergulhado num outro desastre. O Santika que deveria estar fechado há 4 anos ainda não estava e como muitos lugares por esse mundo fora, com alguma incidência aqui na Ásia, não respeitam nada na ganância do dinheiro e agora 64 vidas perderam-se dos quais 13 ainda não foram identificados, e 86 pessoas estão ainda hospitalizados sendo que 24 nos cuidados intensivos.

O dono e outros irão ser culpabilizados mas quem também deveria estar no banco dos réus eram os juízes que deram uma licença precária, contra a decisão da Polícia em fechar o estabelecimento, o que permitiu ao Santika operar atropelando todas as regras de segurança e pôr em perigo a vida de todos como agora ficou evidente. Argumentam os Juízes agora que a Polícia quis tirar a licença sem base legal, mas é sabido quem dá licenças de funcionamento a estabelecimentos como o Santika é a Polícia. Mais informa o Supremo Administrativo que a Polícia recorreu da senteça desse Tribunal em 2007 e que deverá aguardar o julgamento. Será que os mortos que já houve não são suficientes para calar o porta voz do Supremo Admiistrativo?

Estou a ler actualmente um livro escrito por um jornalista e escritor Italiano que vive há longos anos na Ásia e que a páginas tantas diz: "as in so much of Asia nothing is really illegal". Infelizmente é uma das verdades que se aplica ao caso Santika.

Entretanto um dos principais videntes/adivinhos/astrólogos , sempre muito houvidos por tudo e por todos, mesmo todos, previu, isto ainda nos finais de Dezembro, que haveria um grande fogo em Bangkok em Janeiro e para já acertou em cheio. Outras coisas ele diz mas por ora vou guardar para mim visto na generalidade não serem muito boas.

Que o Ano de 2009 consiga trazer de novo às nossas faces grande parte do sorriso que 2008 quis à viva força tirar.

É somente isso que desejo a todos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal

Queria Desejar a Todos

Muito Bom Natal



Votos de um 2009 que nos traga de novo o sorriso que 2008 quis roubar.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Alçada Baptista


Morreu no Domingo António Alçada Baptista, pensador, ensaísta, ficcionista, político mas acima de tudo um amante da vida.

Tive o raro prazer de muito com ele conviver fundamentalmente no final dos anos 80 e inicio dos 90, antes da minha partida para Inglaterra, nos longos serões de conversa em casa da comum amiga Maria Flávia de Monsaraz.

Era um livre pensador como era livre o seu ideário de vida. Alçada era fundamentalmente um filósofo que com a sua doce voz e permanente atenção e carinho para com os outros nos levava a viajar pelas ideias longas horas sem desfalecer.

Nunca o vi discutir, Alçada confrontava-nos, nunca ouvi a sua voz um tom acima do devido, Alçada debatia. Todos liam os seus olhos e a sua mente. Era fascinante como pessoa, concorde-se ou não com muito daquilo que nos deixou em palavras.

Um bem haja como soe dizer-se a um Beirão, cuja Covilhã estava sempre presente em si ou não fosse um Alçada.

domingo, 14 de setembro de 2008

XXY


Vi ontem na Alliance Francaise em Bangkok um filme apresentado pela Embaixada da Argentina, XXY de Lucia Puenzo, que deixa muito que pensar.

Este filme ganhou o Grande Prémio na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2007, o Prémio do Festival de Bangkok também em 2007, para além de várias outras menções pelo Mundo fora.

É um filme feito com um orçamento reduzido, e segundo disse a realizadora aqui em Bangkok, quando filmava, se falhavam algo numa cena não havia dinheiro para recomeçar o que exigia um grande rigor no trabalho de toda a equipa.


XXY aborda um tema que as sociedades mais fechada, como a nossa, não discute mas que afinal não é assim tão raro como se possa pensar. Fala do síndroma Kinefelter também conhecido por 47 que faz com que os portadores carreguem um cromossoma extra. Os homens e mulheres têm em suas células dois cromossomas: mulheres com XX e homens com XY. Quem nasce com a síndrome de Klinefelter herdam um cromossoma a mais da sua mãe e se tornam XXY, ou seja, hermafroditas.

O filme argentino conta a história de Alex, que nasceu com a síndrome XXY. Seus pais resolvem deixar a criança crescer com ambiguidade genital para que ela/ele resolva o sexo que irá adoptar quando crescer. É normal os pais à nascença optarem por uma cirurgia que vai determinar o sexo do recem nascido. Contudo isso trás por vezes complicações à criança na sua vida adulta. Mais informação pode ser vista no site da Intersex Sociatey of North America,
ISNA.

Fala-se da vida turbulenta de Alex, da sua consciência de ser diferente e das dificuldades em conseguir um relacionamento normal. De igual modo os pais vivem tentando os tratamentos normalmente seguidos, neste caso, com hormonas femininas tentando aumentar a feminilidade de Alex, mas os seus genitais, duplos são um constante trauma e ainda mais a sua mente mais do que dividida, diferente. Alex, com 15 anos quando o pai lhe diz que se fará o que ela decidir tem como resposta " mas eu tenho de decidir?". A complexidade desta questão só pode ser entendida ou por quem vive este problema ou por quem tenha a mente profundamente aberta e desprovida de preconceitos.

São poucos os médicos que desaconselham a cirurgia precoce e os pais que aceitam criar filhos com ambiguidade genital. A atitude dos pais de Alex no filme argentino ainda não é a regra. Cada vez mais temos consciência da fluidez que existe entre as noções culturais de géneros feminino e masculino. A questão do intersexo faz-nos estar cientes que a rígida separação entre o sexo biológico masculino e feminino pode não ser na verdade tão rígida.

O filósofo Michel Foucault já abordava, no século XIX no Diário de Herculine Barbin, esta questão do Intersexo que levou Adelaide/Abel Barbin a viver como mulher até aos 21 anos e posteriormente como homem, até se suicidar.

É difícil falar de todo o conteúdo do filme por isso aconselho o visionamento do trailer abaixo para melhor começar a compreender a questão.

No final do filme houve um debate com a presença de uma advogada pertencente à Comissão Nacional dos Direitos Humanos, um quadro da UNESCO, um médico e um representante da Rainbow Foundation para além de uma portadora do Síndroma de Kinefelter que foi tratada com testosterona, para aumentar a sua masculinidade, até aos 12 anos e posteriormente, por falha deste tratamento com hormonas femininas tendo hoje assumido a entidade de uma mulher.


O médico disse uma grande verdade e que foi o que me mais me fez decidir escrever sobre este assunto.

A natureza nunca erra e é diversidade em si mesma. Assim a devemos aceitar. Quem não é normal é quem pensa que estas pessoas são "anormais". Quem está errado é quem tem preconceitos e não consegue ter a lucidez de discutir de frente os problemas. O fundamental é sabermos respeitar os outros e contribuir para o bem estar de cada um e de todos. Não seria de esperar outro tipo de afirmação de um budista mas é sempre bom relembrar o nosso dever de primordialmente respeitarmos os outros.

Contudo a questão do Intertsexo é uma questão tão complexa e capaz de produzir estigmas e angustiantes situações do foro psiquiátrico que só enfrentando, abertamente, essas situações e discutindo-as é que conseguimos evoluir para a sua melhor compreensão e para a criação de um ambiente de cordialidade e esperança neste Mundo.

Curioso é que só uma Constituição no Mundo reconhece a existência de três sexos no seu texto. O Masculino, o Feminino e o Intersexo, e essa é a Constituiçao da África do Sul.

Muita há ainda a percorrer no sentido de a tudo e todos compreendermos e aceitarmos.

Costumamos dizer que todos nascemos iguais, o que é uma grande verdade, apesar das diferenças que existem á nascença




quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Obrigado


Obrigado a todos os que, pelo Mundo fora, seguem com atenção estes meus escritos e que me têm enviado comentários, e muitos, mesmos muitos email , quer encorajando quer solicitando informações.

Continuaremos como até aqui a relatar o que se passa nesta terra, sem deixar por vezes de olhar à volta.

Bem hajam

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

World Paddle Champioship


Portugal classificou-se em 8º em Senhoras e em 11º em Homens no Campeonato do Mundo na sua primeira aparição o que se pode considerar bom.

O Paddle ainda "não levantou do chão" em Portugal e tudo o que acontece é devido a um grupo de entusiastas que tomou esta missão em mãos para bem do nosso Desporto.

No quadro de Homens havia 14 equipas e no das Senhoras 10 pelo que conseguimos, apesar da inexperiência ainda conquistar algumas posições e no quadro feminino acabamos diminuídos devida à lesão da Filipa que não lhe permitiu jogar os últimos dois jogos, e como não há dinheiro, porque há poucos apoios, não havia suplente.

Parabéns ao grupo e obrigado por fazer com que Portugal marcasse presença.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

World Paddle Championships


Sucumbir na praia e não morrer como já ouvi foi o que aconteceu à nossa Selecção. Ontem não consegui bater o México embora tenha perdido como se diz "nos descontos". Acontece que as Mexicanas tem três Campeonatos do Mundo "nas raquetas" e as nossas estão a experimentar estas emoções pela primeira vez.

Nada se consegue sem experiência, sem aprendizagem.

Mas não morreram. Agora irão disputar um lugar entre o 5º e o 8º a partir de amanha visto que hoje é dia de descansar as pernas e a cabeça.

Boa sorte

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Mundial de Paddel


Ontem o dia já não correu tão bem para as cores Portuguesas pois todos os intervenientes perderam.

Quer no quadro Masculino como no Feminino jogou'se contra o Brasil, terceira potencia Mundial do Paddle e os resultados, apesar da derrota mostraram que o Paddle em Portugal está a progredir o que é o principal objectivo neste momento.

Agora os próximos jogos no Round Robin serão decisivos pois poderão colocar Portugal ou na disputa dos primeiro quatro lugares ou no quinto ou seguintes.

Uma novidade para a nossa Selecção é o facto dos jogos outdoor se disputarem a uma altitude acima dos mil metros o que provoca problemas de respiração a que não estão habituados.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Paddle


Só uma pequena nota para informar que no World Paddle Championship as equipas de Portugal começaram bem com uma vitória por 2-1 da equipa feminina contra o Reino Unido, e com as equipas de homens a ganharem os seus jogos no Open passando à segunda ronda. Apesar de terem chegado a menos de 24 horas de competirem, conseguiram superar o esforço e o jet lag da viagem e avançar no Campeonato.

Para começo nada mau.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Campeonato do Mundo de Paddle


Embora tão longe e sem razão aparente também vou viver o World Paddle Championship 2008 em Calgary, Alberta, Canadá porque a selecção Portuguesa me diz muito.

Orgulho de pai, sabem.

Paddle é uma modalidade desportiva semelhante em alguns aspectos com o Ténis mas jogada a pares em campos mais pequenos e onde as paredes nos topos e um pouco nas laterais entram em jogo.

Em Espanha está largamente divulgado e em Portugal a pouco e pouco vai começando a despontar com a construção de mais campos e o aparecimento de mais praticantes.

Postas do Oriente



Postas do Oriente é um projecto interessante que tenta aglutinar aquilo que o Mundo Lusófono vai escrevendo no Oriente.

Oriente muitas vezes esquecido por Portugal.

Fomos dos primeiros ocidentais a chegar a muitos dos pontos do Oriente, desde a Índia ao Japão, mas não nos instalamos e deixamos que os Impérios Franceses e Ingleses viessem a tomar conta das principais posições nesta parte do Globo.

Posteriormente para Portugal a Ásia resumiu-se, na maioria das vezes a Goa e Macau. Até Timor foi esquecido com as trágicas consequências que conhecemos.

Contudo na maioria dos casos os povos asiáticos não esqueceram Portugal e, por exemplo aqui na Tailândia, toda a gente, sem grande exagero, sabe que os Portugueses foram os primeiros a aportar aqui, quase á 500 anos, em 1511 ajudando o Rei do Sião, na altura com capital em Ayhuthya, a combater os seus inimigos.

Bom que haja ainda muitos portugueses por estas paragens que ajudam a manter vivo esse elo civilizacional.

sábado, 2 de agosto de 2008

Adeus João


Hoje realizou-se a última viagem do João Azeredo.

Como ele queria até ao fundo do mar no Golfo da Tailândia acompanhado dos seus amigos, todos tailandeses e por mim que tive esse previlégio.

Foi um dia em que ele foi conosco. Viajou no nosso carro e depois no nosso coração.

Não foi um dia triste foi um dia de convívio dos seus amigos como por certo ele gostaria.

Phoo, a sua mulher, liderou o grupo como se fosse de braço dado com ele sempre discreta e digna.


Adeus João.