quinta-feira, 17 de março de 2011

O Frio



O tempo na Tailândia está anormalmente frio. Esta manhã quando me dirigia para o escritório estavam 18º e ao meio-dia 20º.

Se bem que possa fazer sorrir muitos dos leitores esta temperatura é considerada uma temperatura fria e então se há uma pequena brisa sente-se mais.

É normal ver-se as pessoas usarem agasalhos nesta altura.

Fundamentalmente há duas estações no país.

Uma estação mais fria que vai de Novembro até final de Março e onde as temperaturas andaram normalmente na casa dos 20º mas mais perto dos 30º do que dos 19º, a humidade é relativamente baixa e fundamentalmente não chove.

No resto do ano as temperaturas andam sempre acima dos 30º, a humidade bastante alta e as chuvas (tropicais em geral) são diárias se bem que isso pouco incomode. Basta guardar-se um pouco esperar pela passagem da chuva e continuar e mesmo quando se apanha uma forte molhadela a roupa seca rápido.

Contudo nos últimos dias a temperatura baixou e houve alguns períodos de chuva ora chuvadas muito fortes ora, como hoje, uns chuviscos muito ligeiros.

É normal os europeus "gozarem" com o frio que os tailandeses (tal como os ingleses o tempo é tema preferencial nas conversas) sentem pois na realidade temperaturas como as que hoje se sente são verdadeiras primaveras para nós mesmo para aqueles, como eu, de climas mais temperados do sul da Europa.

Hoje, contudo, apareceu uma notícia num jornal, que se não se tratasse de um drama dava para rir por longo tempo.

O título rezava: "O frio mata homem de idade". No corpo da notícia descreve-se que foi encontrado, na província de Pithsanulook um homem de 83 anos morto que apesar dos 16º registados estava simplesmente vestido com uma T-Shirt e uns calções e isso teria sido a causa da sua morte. A notícia refere ainda que junto do corpo foram encontradas algumas garrafas (plural) de "lao khao" um whisky local, feito de arroz, com um muito elevado teor álcoolico.

Parece credível ter sido os graus dentro das garrafas e não os graus no ambiente a causar a tragédia.

terça-feira, 15 de março de 2011

Guerra dos Urinóis

Hoje ao ler o título de uma notícia local só meu deu vontade de rir. Dizia a local que a " a Polícia falhou a conquista dos urinóis do PAD" .

Está instalada a guerra dos urinóis como grande símbolo da conquista amarela na capital.

O incidente conta-se em duas linhas.

O PAD ocupa parte de Rajadamnoen desde 25 de Janeiro e uma das primeiras operações foi a de montar uma verdadeira aldeia (tendas, locais para dormir, tomar banho, cozinhar e os famigerados urinóis) onde os seus apoiantes pudessem estar acampados. As manifestações aqui desenvolvem-se assim. Podem ser poucas pessoas (o que é um facto neste caso) mas ocupam largos espaços pois montam-se verdadeiros acampamentos onde as pessoas permanecem largos tempos (lembre-se que a anterior dos amarelos em 2008 durou 192 dias).

A polícia da capital já emitiu um sem número de comunicados avisando os amarelos de que têm de abrir espaço para o normal funcionamento da zona (passagem de pessoas e carros e acesso a edifícios) mas os manifestantes fazem orelhas moucas e há dias mesmo o General Chamlong avisou que se a polícia os desalojasse pela força ele próprio comandaria um grupo dos seus militantes para invadir o palácio do governo (e pessoas ninguém o vai prender já que le está em liberdade sob caução e impedido de incitar à insurreição).

Ontem então uma força de 1.200 polícias em fatos de combate anti-motim avançou para o local com o nobre intuito de "conquistar os urinóis" mas foi de tal impedido por uma dezena de guardas do PAD que desafiaram a polícia com as grades de ferro que usam para cercar o acampamento tendo a polícia, devido por certo á sua fraqueza numérica (1.200 contra 10), retirado par repensar a estratégia.

Grande vitória esta madrugada pelas 5:30 da manhã os urinóis foram desalojados e o terreno declarado terra libertada.

Assim se fazem as grandes conquistas contra as dezenas de guerreiros amarelos na capital.

Uma questão que continua por se entender é porque razão eles ali estão já que não se sabe bem o que é que pedem.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Somos todos Japoneses

Embora a cerca de 4.900 quilómetros de distância em Bangkok "sentiu-se" bastante o drama que se vive neste momento no Japão.

Não me quero alargar muito sobre tamanha tragédia já bem conhecida de todos.

Estava a almoçar na Sexta quando recebi (seria 12.50 hora de Bangkok) uma mensagem através de um serviço de alertas sobre o que se tinha passado na costa Leste do Japão. As notícias correm tão rápidas como a devastação daquela massa disforme de água que tudo levou na sua fúria.

Ao princípio falava-se de uma pequena zona e de umas dezenas de fatalidades. Fez-me lembrar semelhante caso em 26 de Dezembro de 2004, aqui bem perto, quando as primeiras notícias que recebi falavam em algumas zonas destruídas em Phuket e em cerca de 200 mortos. Como infelizmente se sabe acabou por se estender a uma muito vasta área no oceano Indico e o número de mortos só parou próximo dos 300.000.

A tragédia japonesa tem dimensões ainda difíceis de se contabilizar. Em números de pessoas que perderam a vida (nem quero dizer nenhum número pois o que gostaria de dizer era zero), os danos, totalmente incalculáveis e irrecuperáveis, em bens perdidos pelas pessoas, os perigos para a saúde presente e futura devido ao que está a acontecer nas centrais nucleares, os danos para a economia do país com a falta de energia, com os portos fechados á exportação, com as fabricas paradas por falta de tudo, com a fuga do investimento, com os triliões que vão ter de ser usados para tentar sarar as feridas de um país tão martirizado, etc., etc.

O Japão é o maior investidor estrangeiro na Tailândia e existe uma grande comunidade japonesa vivendo aqui e conheço bem a qualidade de que é feita este povo. Durante a minha vida profissional tive a oportunidade de trabalhar bastantes anos com Japoneses, de visitar inúmeras vezes o Japão donde conheço não só a maioria das cidades como parte do interior do pais e consigo compreender um pouco como é que irão voltar a andar de cabeça erguida, sofrendo no seu intimo mas com a mesma determinação como construíram a segunda maior economia do mundo no rescaldo do pós guerra.

Como disse o PM Naoto Kan este é o maior desafio para o Japão depois da devastação que aconteceu após a segunda guerra mundial, e pessoalmente penso que é mesmo maior se bem que o número de mortos será inferior ao dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. O sentir dos japoneses nos anos 40-50 é bem diferente daquele que existe hoje em dia. Os japoneses conseguiram, fundamentalmente nas décadas entre 65-85 transformar o país de uma forma que também transformou a cultura do país de forma significativa. Hoje o país pode estar preparado para enfrentar um desastre das proporções do de Sexta passada mas no que respeita a reconstrução do país haverá sentimentos diferentes do que os daqueles tempos. Não quer isto dizer que os japoneses irão baixar os braços, não é povo para isso fazer, mas irão ser mais cerebrais, mais calculistas, mais formais na forma como enfrentarão a crise.

As palavras ditas na ocasião pelo Presidente Obama deveriam soar forte no Mundo. "Nestes momentos entendemos que não existem cores, religiões ou raças, somos todos humanidade e assim deverá ser" (de memória). Apetece-me dizer que todos somos japoneses.

A minha muita admiração pelos Japoneses (sentimento ainda há segundos confirmado em conversa com a Embaixada do Japão aqui em Bangkok) faz-me crer que saberão chorar sem medo, lavar as lágrimas e deitar mãos à obra e reconstruir o país com determinação e lá irão adiando aquela pergunta que se houve em Tóquio muitas vezes: "E para mim?" quando os japoneses se referem aos esforços que sempre fizeram em prol do país.

Entretanto a Tailândia irá em principio decidir hoje uma ajuda de emergência para o Japão no montante de 200 milhões de baht (4,7 milhões de Euros).