quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Dia D


A situação evoluiu de forma negativa e hoje a UDD, agarrando numa táctica que o PAD não chegou a pôr em prova decidiu começar a bloquear acessos a Bangkok e neste momento ocupa a praça do Victory Monument. Grande número de táxis, uma força sempre leal a Thaksin, iniciou um plano destinado a causar o caos na cidade bloqueando as vias de acesso. Victory Monument é o principal ponto de convergência de transportes públicos da zonas vizinhas de Bangkok, o local onde grande número de pequenas carrinhas chegam a toda a hora. Para além disso é um ponto importante de passagem para a zona Ministerial e onde se situa igualmente quer a Government House e a casa do Presidente do Conselho privado do Rei, General Prem, que se encontra de alguma forma cercado tendo tido de cancelar todas as suas actividades visto não poder sair de casa.

De igual forma a UDD, que segundo observadores ainda há pouco tinha na rua uma multidão de cerca de 75.000 pessoas, decidiu avançar sobre Pattaya para perturbar directamente a chegada dos participantes às cimeiras ASEAN+3 e EAS que se realiza naquela cidade a partir de amanhã.

O Hotel onde irão decorrer os trabalhos é fácil de proteger pela Polícia mas por certo que os manifestantes irão perturbar o trajecto das comitivas desde o aeroporto até ao local o que se tornará muito mais complicado de proteger. Entretanto os comerciantes de Pattaya já se manifestaram contra as manobras da UDD.

O Governo tenta á viva força entrar em contacto com Thaksin com o objectivo de o trazer de volta e segundo me afirmaram esta manhã tal será para que ele enfrente a justiça mas fundamentalmente para ver se existe, e na continuidade da proposta anteriormente avançada por Suthep, alguma plataforma de entendimento que permita o país regressar á calma e enfrentar as grandes tarefas que tem pela frente nomeadamente no campo económico que mais uma vez está a ser afectado.

Como referi Thaksin não tem nada a perder e vendo-se acossado joga todas as suas possibilidades numa tentativa de forçar mudanças que lhe sejam favoráveis e lhe permitam o seu sonho de regressar ao poder e "pôr mão" nos seus milhões retidos no país.

Abhisit a única afirmação que fez até agora, é de que a sua demissão ou a dissolução do Parlamento não são uma solução mas está previsto que fale ao país daqui a pouco eventualmente no noticiário das 8 da noite. Aguarda-se portanto aquilo que possa dizer sabendo-se contudo que a última palavra será sempre dos militares.

A UDD avança, desafia, na procura de confrontar as forças da ordem e obter alguma vitimização, e parece que o Governo lhes quer dar essa oportunidade. Abhisit , que acabou agora mesmo de falar numa curta mensagem ao país, afirmou de que amanhã será feriado dizendo que assim as forças da ordem poderão actuar mais facilmente contra os prevaricadores da ordem e não importunar as pessoas. Afirmou também que amanhã voltará a falar aos tailandeses. Pouca coisa mas o que disse não é de bom presságio.
Já recebi solicitações sobre informações de segurança mas aquilo que posso dizer limita-se a pedir ás pessoas que aguardem um ou dois dias para ver o evoluir da situação. Até agora a UDD tem sido pacífica mas é bem claro que procuram uma confrontação o que lhes daria um acrescido apoio. O Governo tenta manter-se calmo mas está a ver comprometida a sua imagem internacional e as suas instituições desprotegidas. Os dois dias que se seguirão serão indicativos. No Domingo é o inicio do Songkran e como disse pode ser que a água acalme os ânimos. A seguir

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Situação


Não estando em Bangkok não tenho seguido a situação muito de perto embora a minha caixa de correio esteja cheia de informações que os amigos me enviam de lá.

Ainda há poucos uma amiga minha, quando eu lhe dizia que regressava a 15 dizia esperar que o aeroporto não fosse de novo bloqueado.

Não me parece que a fase actual da luta amarela-vermelha veja a repetição daquilo que aconteceu em Dezembro.

A luta neste momento está muito mais centrada nos fundamentos do estado tailandês e nas suas figuras representativas.

Há já quem chame a esta a luta final de Thaksin. Como um cão acossado e acantonado ladra e a todos ameaça morder e vai incendiando os que lhe estão próximos. E o que fazem aqueles que poderiam domar essa besta como ele próprio disse recentemente ser, Um "cão doméstico" e domesticável.

A luta de Thaksin é a luta pelos seu 2.2 mil milhões e pelo eterno desejo de voltar ao poder. Para além disso tornou-se numa luta por uma nova Tailândia onde os alvos principais são os Conselheiros Privados do Rei, envolvidos, como sempre se soube, no golpe que derrotou o fugitivo ex PM em 2006,e de entre eles o seu Presidente a "mão invisível" de todas as manobras políticas como sempre tem sido considerado e desde há já muito tempo.

A situação está quente e ao rubro, como é a cor da UDD, e fazerem-se previsões é difícil e por certo falível.

Abhisit entretanto tenta ver passada esta "batalha final" de Thaksin e se assim o conseguir pode vir a manter-se no poder mas porventura ainda mais "hipotecado" a Nevin que ontem fez um lancinante e teatral apelo para que o seu antigo patrão, Thaksin, pare de atacar, aquilo que ele diz ser um ataque à monarquia.

Songrkan, o ano novo tailandês, o festival da água, aproxima-se e por certo vai trazer algum espaço para se respirar e pode ser que a água que se usa para molhar as pessoas arrefeça os ânimos e os humores acalmem-se já que a verdadeira solução para os problemas políticos que o país enfrenta são mais complexos do que a própria situação.

A Situaç

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G 20

Será que se riem de nós?

Terminou em Londres a cimeira apelidada G20 e as bolsas por todo o Mundo regozijaram de felicidade com a decisão tomada de injectar triliões (a palavra não é correcta em Português) no mercado mas o facto é que agora já nem em biliões ( outra incorrecção) se fala.

O facto das bolsas terem tido reacções tão positivas mostra bem como a economia está ainda longe de encontrar o equilíbrio necessário para que seja criado um sistema de controlos e regulações capazes de prevenir que crises como a que actualmente vivemos voltem a surgir.

Na realidade nada se alterou a não ser a expectativa de que o dinheiro que vai ser injectado no sistema financeiro permitirá retomar o ritmo de crescimento a que nos tornamos adictos nos últimos tempos.

É certo que a actual crise, especialmente a vivida no sector financeiro tem permitido fazer algumas correcções a um sistema que era (é) totalmente selvagem e desregulamentado, e esse é um facto positivo, mas os fundamentos em que todo o sistema assenta e em que no fundo a economia real tem vivido necessitariam de algo de novo, na realidade algo que todos nós temos a consciência de ser necessário mas acabamos por não implementar.

Seria necessário que cada um de nós, cada país, cada empresa vivesse não acima daquilo que é capaz de produzir mas exactamente um pouco abaixo de forma a ser capaz de poupar o suficiente para os momentos de necessidade. Mas todos sabemos que não é assim o Mundo, não somos assim nós.

O ser humano infelizmente tem mais defeitos do que qualidades e o mundo da competitividade que se criou, fundamentalmente a partir de meados do século passado, não para e somos nós que não queremos que ele pare.

Assim hoje damos vivas às decisões do G 20 e o Mundo está cor de rosa.

O Primeiro Ministro da Tailândia esteve presente na cimeira numa posição bastante ingrata mas soube tirar partido do facto para dar algumas entrevistas e ter tido a sorte de aparecer na fotografia de família, como é ironicamente chamada a foto de grupo, se bem que saibamos que na realidade em muitas famílias são mais as facas do que os beijos, ter aparecido, como dizia, mesmo sobre o ombro direito de Obama, a grande estrela da cimeira.

Falando de estrelas desta cimeira não se pode deixar de falar de Sarkozy que do alto dos seus 1.6o e qualquer coisa, por isso está sempre em bicos de pés, e por isso mesmo fez aquilo que nós designamos por "uma peixeirada" para tentar, e conseguir , regressar a Paris e ter alguma coisa para contar aos seus concidadãos e esses não lhe lançassem uns tomates à cara. Aliás nestas cimeiras normalmente o mais importante é que todos os lideras presentes consigam, quando chegarem ao seu país, falar para a comunicação social acerca das grandes vitórias que eles próprios conseguiram para o país e assim ajudar á sua permanência no poder.

Abhisit teve, como referi, uma posição ingrata visto não estar lá por direito próprio, mas por ser o país Presidente da ASEAN mas com a grande desvantagem de o país deste bloco que interessava para a cimeira, e era só um, estar lá por direito próprio, refiro-me á Indonésia.

Há cerca de três semanas o Embaixador Scott Marciel, embaixador americano junto do Secretariado da ASEAN, referia em Bangkok, numa conferência a que assisti, que a Indonésia começa a sentir que a sua voz é grande demais para ser transmitida através da ASEAN e que não necessita desta associação para se fazer ouvir. Relembrava ele a visita da Secretária de Estado Clinton a Jacarta durante a sua tournée asiática.
Abhisit, o mais jovem dos presentes, o que motivou o cartoon acima hoje publicado no The Nation, teve oito minutos para falar mas lembrou um aspecto importante que foi a capacidade que os estados do sudoeste asiático mostraram para trabalhar em conjunto quando foi a crise de 1997 e que levou à criação da Chiang Mai Initiative actualmente revitalizada na sequência da última cimeira da ASEAN.

A posição da Indonésia, e o peso que pouco a pouco vai ganhando no seio da comunidade internacional, é um forte desafio à solidificação da ASEAN mas felizmente que o Secretariado está sediado em Jacarta e que Surin Pitswan, o Secretário-Geral, é um diplomata de grandes qualidades.

Tensão na Fronteira

Esta madrugada voltou a haver incidentes na fronteira entre a Tailândia e o Cambodja na zona do templo de Khao Prha Viharn.

Houve troca de tiros e um soldado tailandês perdeu uma perna num incidente com uma mina anti pessoal que fez detonar.

As autoridades cambojanas clama que os soldados tailandeses entraram em território nacional e por isso foram repelidos a tiro.

Este incidente vem na sequência do incidente sobre as palavras do MNE tailandês, Kasit sobre o PM Hun Sen que ainda agudizaram mais o permanente estado de grande tensão quese vive na região. Hoje mesmo vem publicada num jornal de Phom Penh uma carta pessoal que Kasit teria enviado ao PM Hun Sen explicando o sentido das palavras qeu proferiu e pedindo desculpas pela má interpretação que possam ter causado.

Vezes sem conta referi que os incidentes estão sempre ligados a uma outra questão de fundo. Quando o poder em Phnom Penh se sente forte e nota debilidades em Bangkok atacam como mais uma ferramenta de política interna nacionalista. Bangkok tem sofrido bastante devido á inépcia dos seus governos desde há muito e de todas as fragilidades associadas. Por outro lado a escorregadela de Kasit dá mais ânimo a Hun Sen para atacar.

Uma curiosidade sobre esta questão que nada me custa a acreditar. Na semana passada numa reunião com uma ONG que trabalha intensamente no campo da desminagem aqui na região com profundos conhecimentos do terreno especialmente do Laos, Cambodja e Tailândia, dizia-me o director regional que estas incursões dos tailandeses para o outro lado da fronteira são constantes e o facto deve-se à utilização do mapa do Google Earth, como se se tratasse de algo de oficial, que apresenta uma delimitação da fronteira errada.
Tenho em meu poder mapas, enviados pelas autoridades tailandesas e pelas cambojanas e é evidente que cada um tem uma noção diferente daquilo que é a fronteira. cada um empurra para o lado de lá até ao ponto em que entendem estender-se o seus país.


A Joint Border Commission, cujo trabalho é a demarcação das linhas de fronteira, reúne de vez em quando mas não existe desde há 4 anos nenhum resultado concreto. Nem sequer conseguem sair do primeiro ponto que é a denominação dos locais visto terem nomes diferentes em cada um dos países e nenhum abdicar deles.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Crise Económica em KSR



Em primeiro lugar há que explicar o que é KSR.

Khao San Road é uma rua na zona antiga de Bangkok, Kho Ratanakosin, conhecida como a Meca dos backpackers. Pouco mais do que 500 metros sem carros e cheia de comércio onde tudo se vende mesmo algumas coisas que o melhor eram nunca terem saído de onde estavam.

Mais de 70% da população flutuante de KSR, que atinge normalmente 10 milhões de visitantes por ano, é constituída por jovens estrangeiros de mochila ás costas e que por aqui gastam os poucos, dólares americanos, singaporeanos e australianos, euros, yenes, etc que trazem no bolso. Normalmente ficam por algum tempo e alguns mesmo esquecem-se de voltar para donde vieram. A estadia média é de 7 dias e o gasto por cabeça anda entre 10 a 15.000 bath. O montante que cada turista está a despender caiu neste momento para um valor entre 8 e 10.000 bath devido á necessidade que os comerciantes tiveram de ajustar preços, já de si muito baixos, tendo em vista a falta de clientes.

As noites, e muitas vezes os dias também, são passadas na rua a beber, a fumar, nem sempre o que deveriam e isto é já ser condescendente com o tabaco, e mantendo-se por ali em conversas filosóficas ou nem tanto.

Quando houve no ano passado a ocupação dos aeroportos e centenas de milhares de turistas ficaram em terra, KSR foi a zona turística menos afectada. Os seus "habitantes" na maioria dos casos chegam por via terrestre, quer do Cambodja, a maioria, quer ainda do Laos ou da Malásia e por isso o impacto foi aí menos sentido embora também houvesse vozes, e com razão, que fizeram notar que KSR também estava a ser afectada.

O pior acabou por vir a ser 2009. Desde o final do ano passado os viajantes começaram a demandar menos KSR e o presidente da Khao San Association, Surat Vongchansilp veio agora, com base nos dados recolhidos na zona, lançar o alerta para a quebra verificada em KSR.

Na rua existem cerca de 280 pequenos negócios e nos últimos 6 meses 115 empresas tiveram de fechar e o comércio caiu 40%. O valor de negócio geralmente rondava os 2-3 mil milhões de bath anual e este ano não se espera que ultrapasse o 1.5 mil milhões sendo mesmo esse valor uma expectativa optimista.

As pensões da zona estão com uma ocupação, segundo afirmam, 50% abaixo daquilo que seria de esperar nesta época. Thanchalerm Khiewsri, o dono de um cabeleireiro da rua afirmou que o ano passado fazia cerca de 2.000 bath por dia e que agora faz entre 500 a 800 bath diariamente uma significativa quebra. O único que se não queixava nesta apresentação de dados á imprensa era o dono de uma galeria de arte, Vichai Limsrikarjana, que dizia os seus clientes serem fieis e pessoas que compram indiferentemente da situação. Ou são pessoas que compram por gostar ou investidores.

Em Dezembro foram os hotéis de luxo a estarem às moscas e ainda estão longe de recuperarem com despedimentos previstos de 50.000 pessoas para o segundo trimestre do ano. Agora a crise económica mundial e todas as outras implicações internas que afastaram as pessoas da Tailândia também está a ter a sua quota parte no turismo "dos pobres".

Entretanto ontem em Londres numa entrevista à Bloomberg, Abhisit disse que o país está de regresso ao seu normal e a estabilidade, apesar de algumas manifestações normais em países democráticos, está instalada. Grande tirada!

Compreende-se que o PM de um país tem de "vender o seu peixe", como todos nós, mas será que os compradores acreditam? Será que ele próprio acredita? Se a resposta é sim então o assunto está complicado pois isso quer dizer que está, continua, nas nuvens.

Maha Chakri Sirindhorn


Há 54 anos nascia em Bangkok a 2 de Abril a terceira filha do actual monarca, Rama IX, aquela que é hoje titulada no Bangkok Post, por Songpol Kaopatumtip, a Princesa do Povo.

A Princesa Maha Chakri Sirindhorn é uma mulher de grande cultura e sempre foi das mais brilhantes alunas nas suas classes. Licenciada em Artes e História, Doutorada em Artes Orientais, com profundos conhecimentos quer de sânscrito quer de pali, fala fluentemente inglês, francês e com bastante acuidade o alemão.

Para além de ser uma pessoa sempre interessada em todos os pormenores nas áreas cientificas a história e a linguística são os seus campos preferidos.

Desde muito nova acompanhou os seus pais em visitas junto das comunidades ao longo de todo o país e é normal ver um pouco por todo o lado, para além da sua fotografia, forma de homenagem, escolas, e outras instituições com o seu nome lembrando sempre aquela que, na realidade, é muito querida pelo povo tailandês.

Nascida num sábado a sua cor é o purpura ou violeta e isso reflecte-se nas suas armas e em todas as instituições que a ela estão ligadas.

Na cultura tailandesa cada dia da semana tem uma cor facto pelo qual o amarelo sempre presente por todo o lado. É a cor do Rei, nascido a uma Segunda-feira.

Tive a oportunidade, e honra, de várias vezes ter convivido com a Princesa Sirindhorn, quer em privado quer em funções, e só posso, em virtude desse conhecimento, nutrir por ela uma enorme simpatia. pela forma simples que sempre manifesta no contacto com tudo e todos para além do interesse que sempre tem em todos os assuntos.

Ainda recentemente numa visita a uma exposição na Universidade de Chaiang Mai, onde os alunos tinham que apresentar os vários projectos em exibição era visível o nervosismo destes por terem de falar para Sua Majestade. Note-se que a própria linguagem utilizada com membros da família real é diferente e por vezes, mesmo pessoas da alta sociedade não sabem as palavras correctas que devem utilizar. Foi a própria Princesa que, de uma forma completamente informal, como ela na realidade é, tomava a inciativa e ajudava os alunos a descontraírem-se e a poderem explicar aquilo que deveriam ter relido mentalmente vezes sem conta durante uma noite porventura em branco devido a tamanha excitação.

Quando a cerimonia terminou falei com alguns desses alunos e via-se nas suas caras não só o alívio da descompressão mas o enorme prazer de terem tido a ajuda da Princesa Sirindhorn.

Esse título que o Bangkok Post hoje lhe atribui não pode ser mais correcto.

Cedo se dedicou ás causas do povo e hoje em dia de alguma forma patrocina e continua os projectos de que se encarregava a sua tia a Princesa Galyani falecida há pouco mais de um ano atrás. Aliás as duas eram muito próximas não só por partilharem os mesmos valores mas por força de uma cumplicidade de ideias sempre bem visível.

A Princesa Maha Chakri Sirindhorn tem o título de Somdet Phra Theprat Ratsuda Chao Fa Maha Chakri Sirindhorn Ratthasima Khunakon Piyachat Sayam Borommaratchakumari e é, a par do Princepe Maha Chakri Vajiralongkorn, o segundo filho do Rei Rama IX, possivel sucessora no trono, de acordo com a Constituição.
Hoje como é tradição na casa real na Tailândia a Princesa devolveu ao rio, num gesto simbólico, peixes, voltando a dar-les a vida e a liberdade que aí gozam.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Kasit Piromya (II)

Eles andaram todos na mesma escola e a comer dos mesmos cozinhados.

Já aqui uma vez referi que o grande líder do PAD Sondhi tinha sido parceiro de negócios de Thaksin Shinawatra aliás como a maioria daqueles que hoje se opõem ao ex-Primeiro.

A classe de empresários neste país não é assim tão grande e por isso não espanta que isso aconteça.

Como em muitos casos as comadres zangam-se e depois começam a partir a loiça. Na Tailândia o que se passou essencialmente foi que Thaksin quando juntou ao seu poder como empresário o seu poder como político entendeu que era chegado o momento de ficar com o bolo todo para ele dando umas pequenas fatias àqueles que lhe traziam os recados, como Nevin, e deixando as migalhas que ficavam no fundo do prato para os seus antigos parceiros como Sondhi e outros que hoje o odeiam por isso mesmo.

O facto é que todos andaram a roer o mesmo bolo durante uns tempos.

Vem isto a propósito de mais umas declarações de Kasit que, falando á imprensa, admitiu ter recebido dinheiro de Thaksin, é assim que os controlou a quase todos, mas afirmou, que nunca o usou em proveito pessoal mas sempre para o serviço das Embaixadas onde serviu. A cada um a capacidade de julgar as acções e as palavras, mas para mim o facto de aceitar é por si já mau. Quem não quer ser o lobo que não lhe vista a pele.

Entretanto Suthep Thaugsuban, o Primeiro Ministro em exercício, convocou uma reunião de emergência do Governo esta manhã para analisar a situação mas de concreto só se sabe que o Ministro do Interior solicitou aos governadores das províncias que seguissem com atenção os movimentos locais da UDD. Contudo saíram rumores de que Suthep teria afirmado estar pronto a negociar com Thaksin, naquilo que seria o reafirmar de uma vontade que em tempos já tinha manifestado como sendo a única forma de trazer paz ao país.

Kasit Piromya


O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kasit Piromya, que ontem descrevi como um homem de coragem está a tornar-se um forte embaraço para o Primeiro Ministro.

Kasit é um diplomata de carreira, que não de estilo, com variados postos de grande relevo tendo começado a sua carreira no estrangeiro em Bruxelas junto das Instituições Europeias e terminado como Embaixador em Washington DC. Pelo meio, entre outros lugares, esteve colocado em Moscovo.

Nascido em 1944 em Thomburi, do outro lado do Chao Paraya, cidade que foi a capital do reino siamês antes de esta se mudar para a actual Krung Thep Maha Nakhorn.

Depois de se licenciar na Universidade de Chulalongkorn, continuou estudos em Georgetown, Washington DC e em Haia, Holanda antes de ingressar nos quadros do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Terminada a sua carreira de funcionário diplomático Kasit retirou-se mas sendo uma pessoa de acção decidiu, em 2008, aproximar-se do PAD, defendendo aquilo que recentemente disse serem os seus ideais de uma monarquia constitucional, da qual ele acredita ser o PAD o grande defensor. Muitos não pensarão da mesma maneira visto as acções do PAD por vezes constituirem um embaraço para a própria instituição devido á violência gratuita e aos actos de verdadeiro gangsterismo em que se envolvem.

Ficaram famosos os sesu comentários de que a ocupação dos aeroportos, que tanto mal fez ao país, era divertida e agradável visto aí se poder encontrar boa animação e boa comida.

Contráriamente à tradição de que os diplomatas são homens de poucas e sábias palavras, Kasit, nunca se escusa de dar a sua opinião e fá-lo de forma por vezes demasiadamente aberta. Ainda recentemente num almoço, em que eu estava sentado á sua direita, referiu, e a propósito dos constantes rumores de golpes militares neste país, que não tinha medo deles dizendo que já vivi tantos golpes de estado que mais um menos um nâo tem importância (sic), como se o assunto fosse uma questão menor.

Em Julho do ano passado desferiu violentos ataques contra o actual Primeiro Ministro do Cambodja na altura em que estava quente o conflito em torno das questões fronteiriças. Foi, rude, foi inconveniente, mas na altura tratava-se de um manifestante do PAD, com antigas responsabilidades é certo, mas sem funções como as actuais embora já fosse MNE sombra.

Quando tomou posse como Ministro, em Dezembro, e foi alvo dos ataques da oposição devido ás suas posições radicais salientou que o que tinha acontecido até ao dia 22 de Dezembro era diferente do que aconteceria agora que era Ministro e tinha responsabilidades no país.

Em relação a Hun Sen referiu que em tempos tinham andado nas mesmas reuniões e discussões sobre variados temas e que por certo o PM sabia distinguir as questões e nada se iria passar.

A UDD na sua agenda tem vindo sempre a pressionar Abhisit Vejjajiva para que demita Kasit atento as suas declarações e o facto de ele ter sido (ser?) um prominente membro do PAD cujas acções, como o encerramento dos aeroportos, tantos danos causaram ao país.

Abhisit, comprensivelmente, tem resistido mas os ultimos comentários de Kasit começam a ser um embaraço demasiado grande para o jovem PM que cada vez mais se vê entalado entre tudo e todos. Para sorte dele está agora em Londres na cimeira do G 20, repreesentando a ASEAN, pois se aqui estivesse nem local para trabalhar tinha visto a Government House estar cercada. Refira-se que Abhisit solicitou encontros bilaterais à margem da cimeira, na sua constante tentativa de elevar o perfil do país, trabalho de um PM, mas sei que não está a ter grande sucesso nessas démarches visto começar a haver na comunidade internacional algum mal estar sobre a situação, fundamentalmente dos direitos humanos e das liberdades indivuduais, na Tailãndia.

Kasit depois de desafiar Thaksin para um debate, em qualquer ponto do Mundo que ele quizesse apelidou o ex PM de demónio. No momento em que o Governo tenta desvalorizar os constantes ataques do fugitivo ex-PM, Kasit só ajuda este ateando o fogo que é exactamente aquilo que Thaksin mais quer no momento. Criar o caos e a confusão que permita elevar o moral das suas tropas.

Noutro incidente o PM do Cambodja lançou um violento ataque contra Kasit em virtude de palavras usadas durante um de um recente debate parlamentar onde segundo Hun Sen, Kasit o teria apelidado de gangster.

Hun Sen perguntou o que diria Kasit se ele insultasse o Rei ou o PM da Tailândia, continuando que se o país queria ser respeitado que se desse ao respeito primeiro. Acrescentou que o seu Governo é um Governo democráticamente eleito, uma alusão clara á forma como foi constituído o Governo de Abhisit. Kasit, através do porta voz do MNE, veio a tentar explicar que as palavras usadas eram um elogio para Hun Sen visto o Ministro ter querido dizer que o PM Cambodjano era um homem duro.

Os comentários de Hun Sen não podem vir em pior altura visto terem sido ditos depois de ter havido um incidente, com alguma gravidade, na fronteira quando alguns soldados tailandeses entraram em território do Cambodja e dez dias antes de se dar início às cimeiras ASEAN+3 e EAS em Pattaya.

O incidente na fronteira vem de novo acender a fogueira na zona fronteiriça e Hun Sen falou claro dizendo que se acontece outro incidente deste tipo as tropas do seu país respoderão de forma activa não admitindo invasões de tropas estrangeiras.

Kasit, que não consegue manter-se calado, qual negação de uma carreira brillante de diplomata, está a tornar-se um fardo cada dia mais complicado para Abhisit mas se este cede agora está a ceder à UDD e a abrir mais uma porta para o avanço das inteções destes.

Abhisit quando regresar de Londres, para além dos problemas prementes da economia do país, vai ter mais esta batata bem quente nas mãos isto se não tiver já acontecido que a situação em volta de Government House se deteriore com as ameaças que entretanto o Gen Anupong Paochinda fez e o facto de terem sido enviados militares para o local. Que diferença de tratamento em relação ao PAD. Quando o governo de Somchai Wongsawat, o ano passado, solicitou à tropa para intervir, nem um soldado saíu dos quarteis. Outros tempos ou será que ao contrário do que Anupong sempre diz os soldados afinal tomam partido?
Entretanto a UDD tem usado uma tática bastante inteligente ao permitir, sem obstáculos, que todos os funcionários entrem em Government House para trabalhar só bloqueando o acesso aos membros do Governo. Isso permitiu que o Tribunal, que anteriormente tinha emitido uma sentença ordenando que saissem do local, tenha voltado atrás dando permissão para que a manifestação continue no local. Entretanto a UDD já anunciou que no próximo dia 9 a manifestação será alargada a outros locais incluíndo a casa do General Prem.

A UDD tem sido paciente e pacífica, sabendo que o tempo lhes é favorável, mas se lhes "oferecem" um ou mais mártires tornam-se mais fortes e por ventura violentos.

terça-feira, 31 de março de 2009

Actualização da Situação


Em primeiro lugar uma palavra de desculpa sobre estes dias sem notícias mas o tempo tem escasseado. Nem para dormir dá.

Na realidade, desde que a UDD lançou a sua ofensiva na passada Quinta-feira que muitas coisas têm acontecido á volta desta manifestação.

Ainda que não tenha tido a atitude agressiva como o PAD, que ocupou e destruíu os jardins da Government House como sabem, a UDD mantêm a sede do Governo cercada sem que possa funcionar, e lá continua, com algumas indicações de que estarão lá até que o Governo ceda naquilo que é uma reedição dos acontecimentos de 2008.

O número de pessoas que cercam o complexo é superior ao dos "amarelos" e a forma pacífica como estão a actuar está a criar alguns problemas ao Governo onde existem vozes que gostariam de ver a polícia avançar sobre os manifestantes. Esse parecer ser igualmente um dos pontos que poderia ajudar a UDD se conseguisse ter algun(s) martires. Por outro lado a UDD continua a realizar comícios em todo o país e durante este fim de semana na maioria das capitais de distrito no Centro e no Norte do país houve ajuntamentos e manifestações favoráveis ao movimento "thaksinista" criando assim não só uma onda de adesões como dando ao movimento uma extensa cobertura televisiva.

O numero de manifestantes em Bangkok não aumentou mais porque as forças militares levantaram controlos nas estradas de acesso á capital vindas do Norte, nomeadamente em Nakhon Sawan, Pichit, Saraburi e Lop Buri tentando, e conseguindo, dissuadir os manifestantes da província a juntarem-se aos da capital. Contudo estes reagruparam-se nas suas origens e o movimento ganha uma força, não nacional, pois o Sul é sempre dos Democratas, mas com uma alargada extensão.

De igual forma o movimento passou a contar com mais apoios financeiros visto desde sábado ser distribuída comida gratuita aos presentes da mesma forma que acontecia com o PAD.

Temos assim um movimento de alguma forma organizado (anote-se a calma com que os manifestantes esperam um deslize do Governo) e um movimento com mais apoios (o caso da grua que rapidamente apareceu para retirar os contentores do caminho dos manifestantes e o facto da comida passar a ser distribuída gratuitamente).

O nervosismo do Governo nota-se por várias declarações que têm vindo a público e ainda ontem o Vice-Primeiro Ministro Korsab disse, a um amigo meu, não saber quanto tempo este Governo ia durar.

Mas o mais importante de tudo isto é o facto de Thaksin Shinawatra ter feito desde Quita-feira três intervenções em vídeo conferência falando aos manifestantes, e ao país, o seu alvo, e foi tão contundente nos seus ataques a dois Conselheiros Privados do Rei. o Presidente e o Primeiro Ministro após golpe de 2006, que ultrapassou o ponto de onde não pode recuar.

O General Prem de alguma forma saiu de cena desvalorizando os comentários (acusações) de Thaksin, mas o General Surayud saiu chamuscado tendo mesmo admitido a possibilidade de se demitir, visto depois de ter negado a sua presença num jantar realizado dias antes do golpe onde se discutiu a situação no país e possíveis soluções, para posteriormente confrontado com declarações de outras pessoas presentes nesse jantar, ter de voltar a trás a dizer que efectivamente tinha estado presente mas que não se tratou de nenhum preparativo para o golpe de estado que aconteceu dias depois.

Na realidade Thaksin não disse que se discutiu o golpe nesses jantar mas disse que nessa ocasião foram traçados os cenários para sair da crise em que o país vivia e um deles era o de um golpe militar. Nesse jantar para além de Surayud estiveram os lideres de dois dos mais importantes Tribunais Supremos do país, e sabemos a importância que tiveram no período após golpe como garantes de que o que tinha sido feito pelas armas era continuado pela via "legal", e alguns militares das áreas de segurança.

Thaksin ganhou esta batalha mas ao atacar os Conselheiros atacou de forma velada a instituição e quem eles servem de tal forma que o MNE, Kasit no sábado veio dizer, e pela primeira vez ouço isto em público, que o que estava em causa era o apoio ou não a um sistema de Monarquia Constitucional como o que ele defendia e que estava disposto a discutir ideologicamente, em público, com Thaksin estas questões. Corajosa declaração. Kasit é altamente controverso e um dos alvos da UDD, mas não se lhe pode negar, a par com alguma (bastante) sobranceria, a coragem de defender os seus interesses sem se esconder atrás de ninguém.

Como dizia esta batalha foi ganha mas fez com que Thaksin entrasse num caminho que só o pode levar para a frente num tudo ou nada com um muito incerto fim. Inclusivé afirmou de que se houvesse um golpe de estado entraria no país para estar com o povo e defender a democracia. Pobre palavra todos dela usam e abusam.

A manifestação continua. as movimentações nos bastidores continuam, Abhisit, que hoje parte para Londres para a cimeira do G20 representando a ASEAN da qual a Tailândia é o actual presidente, parece continuar a viver numa nuvem que paira sobre este país sem se dar conta(?) daquilo que acontece no país real. Nevin continua a sua forte campanha quer publicitária quer de recrutamento e financiamento e os rumores de golpes e contra golpes voltaram a estar em alta em Bangkok.

Por outro lado a economia vai continuando a trazer notícias altamente alarmantes e nem os famosos 2.000 bath, que somente vão dar azo a umas estatísticas mais positivas no que respeita o consumo interno neste mês de Abril, aliviam as dores que o Ministro das Finanças vai sentindo cada vez que olha para o cofre mais vazio e lê os relatórios que lhe chegam.

Dizia-me um amigo hoje ao almoço que o seu advogado, tailandês, lhe tinha dito que só daqui a 5 anos a Tailândia poderia pensar em recomeçar a viver em paz social.

Infelizmente não deverá andar muito longe da verdade e mesmo assim é necessário que os actuais actores se reformem e apareçam outras caras e especialmente outros valores, limpeza e transparência de ideias e de métodos, para que isso aconteça.

quinta-feira, 26 de março de 2009

UDD em Marcha


Talvez por ser um dia auspicioso, segredado por algum fortune teller, mas o facto é que foi escolhida uma Quinta-feira, 26 de Março para que a UDD resolvesse marchar para Government House.

É muito normal aqui na Tailândia fazer-se isto ou aquilo porque o dia e por vezes a hora são reveladas como auspiciosas para o evento.

Quinta é um dia de trabalho, não é que no fim de semana muita gente não trabalhe mas há sempre os ªfuncionários" que só trabalham 5 dias por semana. Contudo hoje e à hora que se iniciou a manifestação só pode ser masoquismo. Estava um calor de ananases, como se diz na nossa terra, mas ali estavam na torreira umas 10.000 pessoas que começaram a ser "aquecidas" pelas canções (uma bela marcha heróica) e pelos discursos encalorados dos lideres no palco.

Vê-se que não é um movimento muito organizada (por exemplo não se vem "controleiros" como os guardas do PAD), nem por certo disponde de muito dinheiro. A comida que havia não era gratuita nem sequer as massagens.

Também aqui há as manifestações dos pobres e as dos ricos como as do PAD onde se comia muito bem e de borla e havia muita animação ao ponto de o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros ter dito aos diplomatas aqui acreditados que eram, as manifestações do PAD muito divertidas e agradáveis de presenciar.

isto não quer dizer que os participantes da manifestação fossem "aquele gentalha" como alguns dizem, e viam-se mesmo bastantes meninas, e meninos, bem vestidos e de pele bem branca, sinal de dinheiro e da classe social daqueles que nunca pegaram numa enxada para trabalhar o campo.

Há dois elementos distintivos nesta organização. Enquanto os manifestantes são claramente "thaksinistas" e não escondem o seu amor pelo fugitivo ex PM, os discursantes nos palcos pretendem não o mencionar mas unicamente lançar as palavras de ordem anti governamentais que possam unir e empolgar a multidão.

Os pedidos sedes são os seguintes: A dissolução do Parlamento e convocação de eleições, a imediata demissão do Ministro Kasit pela sua participação activa na ocupação da Government House e dos aeroportos, muito visionada em fotografias e vídeos disponíveis, e os procedimentos criminais contra o PAD que já tardam demais.

Recorde-se quanto a este ponto que o PM Abhisit sempre afirmou que o seu Governo irá levar os responsáveis do PAD ao tribunal responsabilizando-os pelos seus actos ma só facto é que passado este tempo nada aconteceu e por exemplo quando a 26 de Fevereiro elementos da UDD assaltaram o Parlamento, foram constituídos arguidos em menos de uma semana. Esta política de dois pesos e duas medidas tem sido uma muito dura pedra no sapato de Abhisit.

Depois de sanam Luan, o Jardim Real se assim se pode traduzir, em frente ao Wat Phra Kaew, templo do Buda Esmeralda e um dos mais importantes templos em Bangkok, os manifestantes marcharam para ao Government House onde chegaram por volta das 2 da tarde hora local. Por ocasião da Makhawan Bridge, a manifestação engrossou significativamente com as pessoas que a esperavam e segundo os relatos da Polícia deverão estar neste momento cercando Government House cerca de 30.000 pessoas.

Os cerca de 9.000 polícias e militares que aí se encontram, mas numa atitude de grande deixa andar como pude constatar. foram empurrados para dentro do compound deixando para trás o equipamento, tal e qual nos tempos do PAD, e foram mesmo impedidos de receber mantimentos por um grupo de polícias que isso pretendia fazer. Entretanto vários contentores que as forças da ordem (?) tinham colocado para suster o avanço dos manifestantes foram removidos sendo inclusive alguns atirados ao canal que passa em frente a Government House.

Abhisit Vejjajiva, que hoje, coincidências (?), começou a distribuir os cheques de 2.000 bath ás pessoas que a ele tem direito decidiu fazê-lo na Municipalidade e não na sua sede, mas dizendo que essa mudança nada tinha a ver com a manifestação. Já estava planeada à tempos!

Ás 7 da tarde Thaksin vai falar ás massas em mais uma ligação vídeo para o local onde se encontram juntos e é espectável que o número de manifestantes suba consideravelmente talvez até para lá dos 40.000 segundos vários reportes.

Recorde-se que o PAD nunca conseguiu ter mais do que 25.000 na Government House embora tivessem uma organização superior e um objectivo muito mais aglutinador das massas do que a UDD. o PAD tinha por pano de fundo a luta contra Thaksin e isso é um forte argumento para juntar as pessoas. Do mesmo modo se pode dizer claramente que se Thaksin estivesse a falar ao vivo aqui em Bangkok teria por certo cerca de meio milhão de apoiantes á sua roda. Nunca este país teve alguém tão amado e tão odiado como o fugitivo ex-Primeiro Ministro.

Numa nota aparte ontem, aquele que é apelidado da "mão invisível", General Prem Tisulanonda, Presidente do Conselho Privado do Rei, afirmou que não ouvia os discursos de Thaksin pois não lhe interessavam e que os Conselheiros do rei nunca intervinham em questões políticas terminando por dizer que o país está muito bem entregue a Abhisit Vejjakiva e que este tem o seu apoio (sic). Para quem não intervém em política não está nada mau!

Quem se lembra da história recente da Tailândia e da génese do PAD e de tudo o que aconteceu não pode encontrar maiores semelhanças.

Como referi ao início a UDD não parece tão organizada nem dispões dos mesmos meios financeiros que o PAD tinha mas estas coisas podem mudar e aqueles que financiavam o PAD podem voltar para o outro lado se "cheirarem" que estes agora podem vencer.

Positivo é que a UDD me pareceu muito pacífica e o facto de não ter, por enquanto, nada que se compara com a força de choque dos guardas do PAD, verdadeiro bando de assassinos a soldo (pois é assim que os vi).

Esperemos que a Tailândia não sofra outra "aventura" igual á que levou aos 193 negros dias do PAD especialmente num momento em que a economia está a mostrar sinais de extrema fraqueza com os cofres tremendamente vazios e os militares a pressionarem para mais dinheiro como ontem aconteceu.

Para isso necessita-se de um Abhisit forte, capaz de liderar, capaz de dizer ás forças militares e militarizadas que quem manda no país é o poder civil e capaz de fazer com que a justiça e o respeito pelos direitos humanos sejam respeitadas e sirvam todos não só uma minoria de cor amarela.

quarta-feira, 25 de março de 2009

As Diferencas Culturais

Para quem conhece este é um jantar de comida tailandesa para estrangeiros



E este para tailandeses

Estou na Tailândia à escassos 5 anos mas tenho tido a preocupação de tentar ter os ouvidos, os olhos e no fim todos os sentidos bem abertos para a cultura deste país e mesmo desta região. Quem pretende entender o que por aqui se passa tem de ter a mente e o corações muito bem abertos, não para absorver cegamente mas para assimilar, compreender e assim poder dar o seu modestíssimo contributo para alguma coisa.

A grossa maioria dos meus amigos, quer no trabalho quer no dia a dia pessoal, são tailandeses o que ajuda nesta tarefa de melhor compreender a cultura. São pessoas, felizmente, de diversos estratos sociais e com diferentes educações, alguns de Bangkok, outros de variadas províncias e assim vou-me enriquecendo estando atento a tudo o que dizem e de alguma maneira também criando desafios neles próprios e assistindo à sua evolução.

É assim o entrecruzar de culturas e como já por vezes referi o Professor C K Prahalad dizia, e eu retive para sempre, " it is not important to be qualified, it is important to stay qualified".

Vem isto tudo a propósito de um encontro que tive toda esta manhã no Directorate of Intelligence do Exército Real Tailandês.

Tratava-se de apresentar a um grupo de 40 oficiais do Exército as experiências da União Europeia sobre aquilo que designaram por Border Management.

O assunto fundamentalmente tem a ver com as questões de segurança e também dos direitos humanos, relacionadas com os movimentos de pessoas, migrações, que tanto afecta a Tailândia e a Europa como também sabemos com as constantes notícias que nos chegam especialmente da costa Sul de Espanha.

A Tailândia tem fronteiras com quatro países, Burma/Mianmar, Laos, Cambodja e a Malásia e em todas estas fronteiras existem problemas, normalmente relacionados com a passagem ilegal de pessoas e com a fraca demarcação, ou falta dela, nas quatro fronteiras.

Existem aqui mais de 2.000.000 de trabalhadores ilegais, na sua maioria vindos (ou empurrados para fora) de Burma/Mianmar, mas uma grande parte desses ilegais são necessários para alimentar a força de trabalho barata que permita competir com a China nalguns sectores. Este é um problema a que a Europa não é de todo alheia pois existem no território da União mais do que o número referido atrás nas mesmas condições. Para além dos illegal workers, como são aqui chamados, existem os refugiados ou displaced persons, para os tailandeses, que são mais de 150.000 também na sua maioria birmaneses mas também uma parte pertencente aos refugiados Hmong do Laos.

No Sul existem os problemas transfronteiriços que ajudam, segundo uns, á insurreição na região que já causou em 5 anos quase que 4.000 mortos, e no Cambodja, se se lembram no ano passado chegou a haver tiros na fronteira, com alguns mortos e feridos de ambos os lados, em redor da questão de pertença do templo de Prasat Khao Prha Viharn.

Grande porosidade de fronteiras, má ou insuficiente demarcação e séculos de história estão na base destas questões.

A Europa que nasce no rescaldo da Segunda Guerra Mundial e no desejo de alguns visionários como Schuman, de não ser possível que os europeus continuassem a lutar entre eles como o tinham feito quase que sempre até então, começou um processo de absorção das diferenças geradoras das disputas, delimitando fronteiras e acabando por, apesar das diferenças culturais e da diversidade sócio-étnica dos seus povos, construir, goste-se ou não, um bloco sólido e onde a Paz é uma realidade já lá vão 63 anos. É aliás esta a maior conquista da União Europeia.

Surin Pitswan o Secretário-Geral da ASEAN costuma dizer que a UE não é o modelo mas a inspiração para este agrupamento regional e assim se tem vindo a construir a ASEAN apesar das enormes barreiras ainda existentes, sendo talvez uma das mais notórias a falta de confiança ainda existente entre os seus países membros que obsta a qualquer abertura mínima em concessões de soberania, como as que existem na Europa (Schengen, Mercado Interno, Euro, ect.) através do processo de integração.

Hoje contudo ao discutirmos as experiências da Tailândia e da UE sobre as questões de segurança e controlo fronteiriço saltou a lume uma questão fundamental e que me levou a muito pensar.

A tremenda dificuldade que é para nós, aculturados ocidentais, entender o pano de fundo de funcionamento nesta região do globo.

Nós Europeus somos racionalista por natureza, burocratas, alinhavados com preceitos e manietados em convenções e regulamentações. Os Asiáticos, pelo menos os que conheço melhor, são livres, menos arregimentados para além das suas organizações familiares gregárias, e aquilo que poderemos definir como independentes. Nalguns aspectos, caso por exemplo da segurança, são demasiado "livres de regras" mas aqui também há que se entender que a vida é só uma simples passagem no tempo.



Parece contraditório mas é a minha conclusão. Contraditório porque os tailandeses, e agora cinjo-me a estes, tem uma sociedade extremamente hierarquizada, baseada no respeito pelo Nai, Phuyai ou Pi, termos usados para significar quem é mais velho e portanto quem deve merecer mais respeito, independentemente de ser pobre ou rico, da minha cor ou da outra, uma sociedade que antes de respeitar as regras e as leis respeita os principios ancestrais e as tradições, uma sociedade onde a proximidade social, territorial, familiar, habitacional prevalece sobre outros principios.

Voltando á questão das fronteiras ainda ontem vinha uma fotografia num jornal onde se via habitantes de duas povoações, de cada lado do rio, e da fronteira, a trabalhar em conjunto, no meio deste, a criar como que uma espécie de barragem protectora, mesmo eventual meio de passagem. Não havia ali território distinto, não havia ali passaportes nem outros quaisquer documentos. Também em tempos numa fronteira com o Laos vi pessoas a passar de um lado para o outro sem que mostrassem algum documento. Nas zonas adjacentes a Kaho Prha Viharn, as povoações misturam-se normalmente constituindo famílias mistas sem que exista uma clara consciência desse facto. São simplesmente "vizinhos" que se conhecem e que passam a vida em conjunto sem as preocupações tidas quer em Phnoh Penh ou em Bangkok, sobre se estão a pisar uma parte do outro país ou não.

A forma como os oficiais esta manhã falavam dos problemas fronteiriços, da repatriação do Hmong ou dos campos em Mae Sot nada tinha a ver com a forma como nós, ocidentais, abordamos as mesmas questões. O que estava na mente deles era que prestavam aos Hmong, ou aos refugiados birmaneses comida, educação, cuidados sanitário, etc. As muitas questões que se colocam hoje em dia quando são repatriados e em muitos casos mortos posteriormente no Laos, no caso dos Hmong, não lhes passa pela cabeça nem tal faz parte da estrura de pensamento deles. Quando questionados sobre o que as autoridades no Laos fariam depois, era para eles uma questão interna, mas por certo os "irmãos" laocianos tinham os mesmos cuidados que eles.

Na realidade quando "forças da ordem" são deslocadas para a Tailândia profunda para tratar destas questões fazem-no no respeito pelas tradições, pela senioridade, e poderá dizer-se á sua moda pelas pessoas, que não pela lei. Nem esse é um ponto relevante. Talvez por isso, aqui, advogado não é uma profissão prestigiada, como por exemplo em Portugal, porque só se usa um advogado quando se tem um problema com a justiça e isso é sempre mau sinal. Aqui segue-se para Direito, quando "não se é capaz de tirar outro curso".

Para finalizar o que me entristece no fundo é que em Bangkok, como em Lisboa ou noutras capitais, ainda existem políticos, normalmente são sempre estes, que não "conhecem" os costumes e a cultura do seu próprio povo, abusam dele, utilizam-no e tudo fazem no fim para o desacreditar desque que consigam arrancar-lhes os tão desejados votos que os coloquem no poder.

sexta-feira, 20 de março de 2009

The Nation sobre o Debate

Num artigo escrito por Tulsathit Taptin, editor adjunto do The Nation e que aqui pode ser lido, é tirada a conclusão, avant la fin, do debate da Moção de Censura que amanha terminará.
Tulsathit diz que este debate, que amanhâ será ganho no Parlamento através dos votos dos Deputados que apoiam a maioria, vai começar agora na cena política interna e internacional, pois as acusações feitas contra o Partido Democrata sobre o seu financiamento, evidenciados pelas cópias dos 27 cheques bancários que Chalerm mostrou no hemiciclo, se não tiverem seguimento judicial irão mostrar ao mundo que os casos anteriores contra Thaksin e os seus croonies foram politicamente motivados e não fundamentados em verdadeiras questões de direito.

Para que se entenda Tulsathit sempre tem sido um jornalista visto como próximo dos Democratas, como aliás a tendência geralmente evidenciada pelo The Nation, mas sempre batendo-se pela transparência de que aqueles eram depositários e da qual Abhisit é (era) o principal estandarte. Tulsathit é igualmente o autor do blog Thailand Jump the Shark.

Recorde-se, como refere no seu artigo, que Samak foi afastado do poder por uma decisão judicial no mínimo caricata (não está em questão as suas qualidades como PM, que as não tinha, mas tinha sido eleito para tal cargo) e que Somchai de igual modo acabou por ser destituído por outra decisão judicial em que por exemplo o Supremo se negou a ouvir as testemunhas de defesa alegando os factos serem suficientes para provar a culpa de Yonghyut, negando um dos mais elementares príncipios do direito que é o principio do contraditório.

Espera-se agora perante as evidências e perante as investigações já iniciadas pelo Departamento de Investigações Especiais (DSI), que o caso seja levado até ao fim com transparência e, que se for o caso de se provar que existe violação dos preceitos legais, o Partido Democrata seja dissolvido como está, muito claramente, escrito na lei.

O debate amanhã já terá pouca importância pois é quase que garantido que a Moção será chumbada mas o processo vai agora começar num fórum muito mais alargado e pelos vistos a comunicação social está pronta a fazer o seu escrutínio.

Moção de Censura


Ontem deu-se inicio ao debate da Moção de Censura no Parlamento e embora não seja esperado que o Governo caia o debate em si já está a provocar estragos na solidez dos Democratas e hoje os jornais de língua tailandesa, na sua grande maioria favoráveis ao governo, começam a falar da possível dissolução do Partido Democrata o que faria regressar o país a Dezembro do ano passado e aos contínuos jogos de bastidores disputando influências sobre os Deputados.

Com da primeira vez que falei da Moção referi estar a ser preparado um realinhamento do panorama dos partidos políticos referindo-me às movimentações de Nevin Chidchob e do "seu" Bhumjai Party (note-se que coloco o seu entre aspas visto Nevin estar, como Thaksin e muitos outros, embora tal não pareça, banido de direitos políticos até Maio de 2012). Acontece que agora já se fala, inclusive, da divisão do Próprio Partido Democrata em dois blocos, havendo mesmo um jornal que diz já terem sido constituídos esses dois novos Partidos, que como em Dezembro albergariam os Deputados nesta constante dança de cadeiras.

Para nós ocidentais que ligamos a pertença a um determinado partido politico com alguma convicção ideológica faz por vezes alguma confusão ver aqui os Deputados a saltarem de partido em partido sem outra razão que não seja a de manter "o tacho" totalmente alheios dos interesses dos seus constituintes. Na realidade em Portugal, que é o que melhor conheço, a situação não é tão diferente quanto possa parecer só que tem algumas subtilezas no que respeita à sua encenação. Os tailandeses são por natureza mais ingénuos (não sei se será a melhor palavra. Pode também usar-se pueris) na forma de se exprimirem e não raramente dizem abertamente coisas que nós ocidentais chamamos de pouco diplomáticas. Vá lá saber-se quem fala melhor.

O facto é que este sistema de "salto de barreira politica" não é nem nunca poderá ser um contributo para a consolidação de um poder democrático e limpo visto aqui o que está sempre em jogo é o dinheiro que se consegue obter através da posição que se garante.


Voltando à Moção e à sua discussão ela pouco acrescentou a não ser mostrar um PM calmo e sorridente de um lado e um líder da oposição Chalerm, o Capitão da Polícia com um passado nada limpo em nenhum campo e sempre com uma rudeza de modos que pouco agrada aos tailandeses. Chalerm falou durante 3 horas (!!!) mas nada de novo trouxe pois todos os pontos eram sobejamente conhecidos.

Acrescentaram aquilo que, no entender do Puea Thai, Abhisit fez, para fugir à tropa, ou seja falsificar documentos, ao qual o PM, mostrando uma fotografia sua vestido militarmente, disse ter cumprido o serviço militar. Na Tailândia funciona um sistema de bola branca bola preta em que os mancebos que tenham uma bola preta têm de cumprir o serviço durante cerca de 2 anos. Acontece que é universalmente conhecido que por 30.000 se resolve esse assunto. É tão sabido que funciona como uma taxa fixa. Abhisit não fez serviço militar mas foi professor na Academia Militar e o ex PM Surayud, o PM após o golpe de estado de 2006, passou um certificado dando-lhe equivalência por esse tempo passado como professor. Contudo este caso mancha fortemente o próprio PM.

Outro caso novo é o facto de após ter sido eleito PM, em Dezembro, Abhisit, numa clara violação de variados preceitos legais e constitucionais, ter enviado a 17 milhões de tailandeses um sms com uma mensagem pessoal de agradecimento. Não só violou a intimidade das pessoas como é acusado de as empresas de serviços telefónicos móveis terem sido isentas de pagarem o IVA naquele caso. Para agravar Abhsit, na tal ingenuideda (?) disse que não houve violação da privacidade visto o sms ter sido enviado uma só vez e as pessoas não eram obrigadas a responder podendo apagá-lo se desejasse. Pior a emenda que o soneto, diz-se em português.

Todas estas questões estão a deixar algumas manchas negras no corpo do PM mas o principal problema é o facto da doações feitas ao partido e o facto da Comissão Eleitoral já ter vindo a terreiro para dizer que existem indícios graves de violação da lei dos Partidos e que vai iniciar uma investigação. Nesta fase do debate Abhisit, com poucos argumentos, saiu a dizer, e passo a citar " a doação foi feita em 2004 quando era Presidente Adjunto do Partido e não tinha responsabilidades nas áreas financeiras. Desde que fui eleito Presidente todas as doações tem sido comunicadas à Comissão Eleitoral" , fim de citação. Completa sacudidela de água do capote. Ou por outras palavras os outros que sejam responsabilizados porque eu não tenho nada a ver com este caso.

Todo o estado-maior dos Democratas está em alerta máximo sobre a possibilidade de um veredicto futuro pela Comissão Eleitoral que implique a dissolução do partido (quase que uma moda no país), daí o terem saído para a rua os comentários de divisão no seio do partido.

Isso poderá ter alguma repercussão no voto da Moção de Censura, não o suficiente para ela ganhar, mas o mais importante é seguramente o aproveitamento que os abutres sempre fazem dos corpos em decomposição e Nevin and Friends nunca dormem.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Aeroporto de Suvarnabhumi


O aeroporto de Suvarnabhumi, o recentemente inaugurado - 29-09-2006 - aeroporto de Bangkok, era até á não muito tempo o maior hub asiático. Isto devia-se não só ao grande volume de tráfego que demanda a Tailândia mas também ao facto de este ser um ponto obrigatório de passagem para quem demanda o Laos, o Cambodja, Burma e vários outros pontos na região para além de quase todos os aviões da Europa para a Austrália e Nova Zelândia fazerem escala aqui.

Também muitos aviões cujo destino final era Jacarta, Taipé, Manila e até mesmo Singapura aqui faziam escala não só devido ao posicionamento de Bangkok em relação á Europa mas pela qualidade e funcionamento do aeroporto

Ontem foi apresentado um estudo feito pela Associação dos Agentes de Viagem da Região Ásia/Pacífico (PATA) onde se mostra o facto de, devido aos problemas ocorridos com a ocupação dos aeroportos e o consequente apetite dos concorrentes para darem "uma dentada", Suvarnabhumi perdeu 30% da sua ocupação.

Aeroportos como o de Singapura, Kuala Lumpur e Hong Kong de imediato ofereceram melhores condições aos operadores que demandavam anteriormente Bangkok e que na altura não puderam aterrar, e desde esse momento e até agora 30% do tráfego, carga e passageiros, não regressou à Tailândia.

Para além destas cidades também o Vietname desenvolveu as suas infraestruturas e passou a oferecer soluções para aqueles que demandam o Laos e o Cambodja poderem utilizar quer Hanoi quer Ho Chi Min.

Outro factor foi o grande crescimento dos operadores low cost, com a Air Aisia à cabeça, que passaram a oferece muitos mais voos cruzando os céus da Tailândia mas sem por aqui pararem.

A queda de chegadas de turistas foi outra das consequências com uma quebra de 28% no mês de Janeiro o que não está de modo algum recuperada, e Associação prevê que no final do ano, apesar do turismo em geral na Ásia dever crescer numa taxa moderada de 2%, a Tailândia continue afectada e registe um crescimento negativo nas entradas de turistas.

Apesar do estudo do Banco central que calculava os prejuízos num número inimaginável como aqui já várias vezes referi o facto é que como dizia o Presidente da PATA "Foram só 10 dias mas provavelmente serão necessários 10 anos para sarar as feridas dos incidentes"

Como os Números Enganam


A Balança Comercial tailandesa sofreu um impulso positivo bastante significativo em virtude de ter havido uma quebra das importações de 40,3%, a maior queda registada nos últimos 11 anos. Por seu lado as exportações sofreram um baixa menos significativa de somente 11%.

Deste modo a Balança Comercial apresentou um superavit de 3,58 mil milhões de dólares o que é significativo e parece bastante bom para o país.

Na realidade este desequilibrio, positivo, agora verificado deve-se fundamentalmente ao facto de a Tailândia estar a importar menos petróleo e matérias primas que, depois de transformadas e onde é incorporado valor local, são exportados como produtos acabados.

Por outro lado significa também uma quebra no consumo no país nomeadamente de bens importados, significativamente mais caros. Neste particular é interessante ver que o Governo anda fortemente empenhado numa campanha anti proteccionista, um dos temas principais do discurso de Abhisit recentemente no encontro com Gordon Brow, sendo a Tailândia um país altamente proteccionista, basta ver as pautas aduaneiras. Mas essa queda de importações também tem o seu reverso que é a quebra das receitas aduaneiras, como referido, significativas pelas altas taxas que são cobradas. Um exemplo é o vinho de mesa que em regra geral, há várias graduações e excepções, mas em regra, dizia, paga 420% sobre o valor ou da factura ou de um valor mínimo determinado pelos serviços fiscais portuários.

Na economia cada vez mais tudo é um sistema de vasos comunicantes e nunca existe só fases más como nunca existem só fases boas.

As "fases boas" vimos atá há cerca de uns meses atrás onde o mundo cor-de-rosa das facilidades de crédito fazia entender que o único caminho era o continuado crescimento das economias e consequente aumento dos PIB per capita.

Também as "fases más", como a que atravessamos agora e da qual números são um minúsculo exemplo, não são só más e a Tailândia é um bom exemplo disso pois sendo um país com enormes reservas no sector agrícola, auto suficiente no plano alimentar, um dos raros no Mundo, a capacidade de regeneração e de encontrar alternativas que lhe permitam levar a crise de uma forma mais leve existem e são reais.

O maior inimigo do país é a instabilidade política, o mais que deficiente sistema judiciário e fundamentalmente a corrupção que come muito dos recursos que este povo generosamente constroi dia a dia.

Morto, fundamentalmente, este polvo a Tailândia pode e deve preocupar-se com estes ou outros números, mas pode enfrentar o futuro com aquele sorriso que fez este país a terra dos mil sorrisos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Moção de Censura


A Polícia prepara-se para enfrentar os camisas vermelhas, mas estes vão estar ausentes dizendo que querem que o povo se concentre em ouvir e entender o debate sobre a Moção de Censura que a partir de Sexta-feira, e até Domingo, sim os Deputados aqui trabalham ao Domingo quando é necessário, começa a ser debatida, para segundo a oposição ser derrubado o Governo de Abhisit Vejjajiva.

Dada a confortável maioria que a coligação no poder dispõe no Parlamento não é de esperar que a Moção venha a ser aprovada mas o facto é que ela está a fazer danos colaterais ao à coligação e essencialmente aos Democratas.

Os pontos em que se baseia a Moção são os seguintes:

1 - Existe uma investigação em curso sobre a transferência de 258 milhões de bath de uma empresa TPI Polene para uma outra empresa Messiah Business and Creation alegadamente para pagamento de uma campanha publicitária. Esta não foi visível e o dinheiro foi dividido entre pessoas muito próximas de vários Deputados do Partido Democrata. Isto passou-se em 2005

2 - No mesmo ano o mesmo departamento que investiga este caso encontro traços de 23 milhões de bath transferidos do Partido Democrata para a tal dita Messiah, como pagamento de material publicitário. Este dinheiro tinha vindo directamente do Estado de um fundo de apoio aos partidos políticos e igualmente não há traço visível da campanha.

3 - Uma candidata Democrata da província de Samut Prakan, às portas de Bangkok, foi desqualificada por compra de votos (aqui isso significa na verdade compra ou seja transacção de dinheiro). O Puea Thai pretende ligar este caso com os directores do partido o que levaria á dissolução do Partido Democrata como aconteceu com os Partidos ligados a Thaksin Shinawatra.

4 - Por fim vão continuar a insistir na não qualificação do Ministro dos Negócios Estrangeiros mostrando vídeos da sua participação directa na ocupação quer da Government House quer nos aeroportos.

Todos estes casos não parecem suficientes para levar á queda do Governo até porque na sua maioria estão ainda em investigação, e portanto o Governo pode sempre alegar que espera serenamente pelo desenrolar das averiguações e mesmo o caso de Kasit Piromya, o MNE, não parece vir a ser crítico a não ser que acabe por haver qualquer acordo e este venha a ser sacrificado, como aliás por várias vezes já foi sugerido.

Contudo no preparar para esta Moção muito tem acontecido fundamentalmente nas negociações atrás dos bastidores e naquilo que está em curso que é o redesenho do mapa partidário tailandês.

Já aqui referi os movimentos de Nevin Chidchob, o ausente pelo facto de não ter direitos políticos, sempre presente, que não para de através das negociações sobre quem apoia quem e quem vai votar como, de engrossar o Bhumjai Party. Hoje na comunicação social vinha referido que quem estaria na calha para se aliar a Nevin era nem mais nem menos o General Sondhi, o autor do golpe de Setembro de 2006, aliás como já tinha referido em Janeiro. Para além de Sondhi (general mão o do PAD embora não andem muito distantes) falava-se em Khunying Sudarat a única mulher que um dia foi apontada como possível Primeira-Ministro, aliada de Thaksin e "controleira" das bases de Bangkok que a estes eram fieis, mas inimiga de Nevin (como se isso fosse algum impedimento o facto de se ser inimigo).Nevin ao que parece estará prestes a fazer uma aliança com um dos partidos da coligação o Prachathai e têm sido intensas as negociações para que os Deputados que controla estejam alinhados com os de Snoh, o líder do Prachathai.

A Moção por si mesma é um sinal de alguma fraqueza dos Democratas e embora pareça seguro que esta não seja aprovada o facto é que lateralmente está dar a oportunidade para o realinhamento das forças políticas enquanto Abhisit continua a sua campanha isolado como porta bandeira de uma coligação que tem mais brechas do que cimento.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Homem que pode ser Primeiro-Ministro


Já muitas vezes falei de Nevin Chidchob, o homem que dizem ter nove vidas como um gato (aqui dizem 9 e não 7 como nós porque o número da sorte é o 9), merece hoje um título na primeira página da secção política do The Nation como o que titula este post.

Nevin tem sido sempre um segundo, sempre manobrando na sombra, sempre ao lado do líder, a maior parte do tempo, Thaksin Shinawatra.

Sem direitos políticos desde Maio de 2007 quando o Thai Rak Thai Party foi dissolvido e levou na enxurrada 111 executivos entre eles Thaksin, Nevin, como a maíoria dos sobreviventes que quer voltar à cena, retira, reagrupa e ataca.

Andou desaparecido, embora se relatasse algumas das suas viagens para conversações com o "chefe" após este ter fugido do país em Agosto de 2008, mas a pouco e pouco foi compreendendo o poder de manter fiel as suas tropas, os cerca de 30 deputados que continua a pagar, para, a partir do seu poder de voto, vir a assumir posição de relevo na cena política como está de novo a acontecer.

Aquando da formação dos governos quer de Samak quer de Somchai a sua mão era sempre visível mas nunca a sua cara. O seu trabalho foi manter-se junto à sua base de eleitores. assegurar que "os seus homens" fossem escolhidos e depois tivessem lugares condizentes e assegurar os necessários meios de financiamento necessários para a sua grande aventura de se tornar no novo Thaksin.

Mais do que ser o futuro Primeiro Ministro, Nevin quer ser o novo Thaksin, quer ser o homem que controla e beneficia dos poderes neste país.

Como é dito no artigo que hoje lhe é dedicado ele é um político que volta sempre ao topo dos acontecimentos. Nevin always bouces back, assim reza.

Quando Abhisit, empurrado pelos militares e por Suthep, fez o pacto, altamente fotografado, com Nevin, era como que um pacto entre Deus e o diabo, como que Judas beijando Cristo.

Nessa altura Nevin estava só a "emprestar os seus" Deputados para ajudar á paz no país e á solução dos problemas criados com a divisão existente, assim o dizia. Nessa altura falou para os jornais dizendo que tinha dito ao "boss", a forma como denominou Thaksin, que era tempo de separarem os caminhos.

Desde então tem-se dedicado, e vendo o sucesso da sua estratégia, a construir o seu futuro. Financeiramente, primeiro para assegurar que vai continuar a poder atingir os seus objectivos e organizacionalmente para que esses se possam materializar.

O financiamento para além das contribuições que consegue de alguns dos antigos apoiantes do "patrão" que vêem nele o futuro, as posições que conseguiu no governo permitem-lhe, através dos seus nominee, acesso a orçamentos importantes que acabam grande parte deles em empresas que posteriormente fazem generosas doações ao sue grupo. De igual forma as políticas de distribuição de dinheiro às populações rurais, que lhe são atribuídas visto ser um especialista neste tipo de políticas (muito aprendeu com Thaksin), fazem com que uma grande parte desse dinheiro possa cair em zonas que lha são favoráveis. Do ponto de vista organizativo Nevin é o pai do Bhum Jai Party que o próprio Sondhi disse ser o principal candidato a vencer as próximas eleições. Este partido tem vindo a crescer e é neste momento o mais importante, em número de Deputados, na coligação no governo para além dos Democratas. Por outro lado, como é sabido que Nevin sempre "olha bem" pelos seus homens o número de deputados do Puea Thai que tentam mudar é importante. Este fim de semana Thaksin, em três telefonemas feitos para outras tantas manifestações dos "vermelhos" solicitava aos seus aliados que se mantivessem fieis ao Puea Thai tentando conter a previsível hemorragia interna.

Newin tem assim a máquina a funcionar e financiada e começou este fim de semana com o lançamento de uma campanha de outdoors publicitários de grandes dimensões na região de Bangkok. Igualmente contratou 5 horas diárias de tempo de antena em 150 rádios locais no interior do país para durante um tempo ainda indeterminado.

Ataque em força e no momento como referi em que variadas forças atacam os Democratas.

Abhisit, que parece estar noutro Mundo e ser ele próprio um político que não pertence a este "circo", está assim a ser atacado e corroído por fora e por dentro. Por muito que os jornais falem do seu excelente desempenho em Oxford, onde não se coibiu em enfrentar o fugitivo Professor Ji Ungphakorn, que de camisa vermelha e com uma matraca em punho o contestou, o facto é que Abhisit é cada mais um homem isolado na política na Tailândia.

Abhisit mostra-se ao Mundo, representa o país nos fóruns internacionais, e bem, mas a velha política interna está como dantes o talvez pior visto que não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Nevin tem um problema para resolver que é o facto de estar inibido de direitos políticos até Maio de 2012, mas como mais de uma vez já referi quase tudo é possível acontecer na cena política tailandesa.
Como dizia outro dia. Venham os meus inimigos que de amigos já estou farto dirá Abhisit, por isso talvez se tenha dado tão bem este fim de semana com Ji "Gilles" Ungpakhor em Oxford.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vasconcellos Saldanha em Bangkok

António Vasconcellos Saldanha, Professor Catedrático da Universidade Técnica de Lisboa e um dos mais conhecidos investigadores portugueses sobre temas do Oriente, estará em Bangkok dentro de duas semanas onde nos dará o prazer de falar sobre " Os Portugueses em Ayhudhaya no século XVII".

Estamos na contagem decrescente para a celebração dos 500 anos da chegada dos primeiros Portugueses à antiga capital Siamesa em 1511, e este evento, a realizar-se na Siam Society no próximo dia 26 de Março pelas 7.30 da tarde, será um importante contributo quer para essas celebrações quer para o fortalecimento das relações entre os dois povos aprofundando o mútuo conhecimento, embora ele esteja bem cimentado na cabeça da maioria dos tailandeses.

Aqui fica este primeiro alerta para marcação nos calendários desta data importante para os laços que ligam os dois países.

Não Batam Mais


Após rescindir os actuais contratos o SCP encontrou facilmente novos patrocinadores para as suas camisolas.

Está bem eu falo do Sporting e da estarrecedora campanha alemã.

Não o fiz até agora por falta de palavras para descrever uma tão brilhante, épica, heróica jornada merecedora de figurar no Museu do Sporting.

Diziam-me que o agregado conseguido é o maior de sempre na Liga dos Campeões mas é também bom recordar que o mais volumoso resultado de sempre numa competição da UEFA pertence ao superior, sublime e audacioso Leão: 16-1 ao APOEL mais conhecido como Associação dos Padeiros Organizados Excursionam em Lisboa no já longínquo ano de 1963. Tão impressionados ficaram com tal demonstração das enormes qualidades do futebol português que hoje contam com 3 jogadores Lusos no plantel. Assim se faz história.


O resto, e que aqui vos deixo é só politiquice barata sem nenhum valor e por certo vinda de inimigos de Portugal, daqueles que nos querem tirar a Quimonda e fazer afundar esta nação mas nós, seguindo o grande exemplo dado na capital da Baviera, lutaremos até aos 7.