sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Enterrar a cabeça na areia


A sociedade tailandesa bem tenta enfiar a cabeça na areia, como a avestruz, de forma a não ver o que se passa.

É de alguma forma a posição tomada por todos e hoje vários académicos emitiram um artigo comentário onde se falava exactamente dessa situação.

Culturalmente na Tailândia evita-se sempre as confrontações e a discussão de questões complexas e por norma, como já referi há dias, não se consegue nunca avistar uma terceira via para a solução de qualquer problema. Está-se sempre no campo do preto ou do branco, do mal ou do bem, do a favor ou contra. Uma terceira via onde se concilie aquilo que de bom existe num modelo e se ponha de parte o que de mau ele tem, não faz parte das possíveis conclusões.

Os asiáticos, tailandeses incluídos, são conciliadores por natureza, mas uma conciliação feita por inacção, alinhando pelo menor denominador e não uma conciliação conseguida após algum tempo de frutuosas discussões onde cada um foi livre e capaz de produzir os seus argumentos.

A conciliação é sempre feita de forma a que se não perca a face, ou seja de forma a que nenhuma das partes conceda em nada. Acontece que a maior parte das vezes a conciliação é somente um Sim mesmo que se queira dizer Não e posteriormente ignora-se o que se acordou.

É uma constante deste processo político a nomeação de mediadores, a apresentação de propostas de solução, a convocação do anúncio de mensagens, enfim os acordos, que não se materializam nunca. Se lermos para trás aquilo que tenho escrito ao longo destes meses vemos isso mesmo. Ainda me lembro em Setembro de o Partido no poder, o da oposição, o Líder da Câmara de Deputados e o Líder do Senado terem acordado em nomear este último como mediador no conflito. No dia seguinte por acaso encontrei me com ele e afirmou-me a sua convicção de que as partes estavam empenhadas em encontrar uma solução para a divisão no país. Aplaudia-se esta via democrática. Dois dias depois já ninguém se lembrava e nunca mais foi falada. A mesma coisa com a proposta de um referendum aprovada no Parlamento. Onde está a implementação dessa decisão? E por aí fora.

Nos últimos dias planos, propostas, anúncios têm sido feitos, uns mais formais outros somente como comentários na imprensa, mas na realidade será que se pode acreditar em algum? Eu diria que não! Estou quase como o João Pinto só vou fazer o prognóstico do que se vai passar depois de acontecer. Por certo que não vou falhar.

Ontem o MNE thailandês convocou os diplomatas para os "acalmar" e anunciar o plano do Governo.

Negociações se falharem avisos e se estes falharem intervenção das forças de segurança.

Negociações devem ser muito secretas pois nem os blogues mais underground falam delas e mesmo se assim for é um erro político pois o Governo só ganharia, num momento em que o apoio do público ao PAD está reduzido a nada, em fazer eco de que está empenhado em negociar.

Avisos! Meu Budha, como se dirá aqui, é o que há mais todos os dias. Que vamos fazer isto, aquilo, que já fez o que não fez, etc.

Intervenção das forças de segurança. Mas onde estão elas? Porque é que desde há muito não fazem o seu papel de impor a ordem e o cumprimento da lei? Quem manda nelas? O Governo ou alguém que está por detrás de alguma cortina?

Em inglês chama-se a isto tudo "wishfull thinking".

Existe contudo uma outra questão neste momento, aliás questão que é perene na cultura e política tailandesa. Quem manda nunca mostra onde está e nunca é aquele que manda.

Os do PAD dizem que quem manda é o Thaksin. Talvez! Os do outro lado que quem manda é o General Prem, Chefe do Conselho Privado do Rei. Talvez!

O facto é que uma parte manda continuamente emissários avistar-se com Shinawatra para receber conselhos que são ou não implementados e a outra nada faz sem o conselho do puu yai como se diz aqui referindo a uma pessoa mais sénior e a quem é devido respeito e direi mesmo subserviência.

Assim estamos nestas discussões filosóficas enquanto o país e a suas pessoas e economia se afundam e num momento que o mundo não esta muito capaz de ajudar.

Alguns aviões estão a operar de e para uma basa militar a 150 km ao sul de Bangkok, mas esse aeroporto não tem condições para substituir aquilo que é (era) o maior hub da aviação na Ásia. A maioria dos vos não levanta com direcção a Bangkok e os que o fazem vão para outros aeroportos no país, Chiang Mai, Phuket, Yat Hai, ou Singapura ou Kuala Lampur.

Entretanto em Phuket comenta-se com alguma piada que não há perigo de o PAD fechar o aeroporto lá, pois os adeptos na ilha do movimento foram todos para Bangkok. O facto é que está quase impossível encontrar um bilhete de Phuket para Singapura ou aeroportos na Malásia.

Acabou de ser anunciado que a Polícia iria lançar uma guerra psicológica contra o PAD. Mais uma.

Quem terá de ir ao psicólogo dentro de algum tempo é todo o país.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rumores

Desde esta manhã que nada mais existe do que rumores de golpes e de contra golpes mas a situação mantem-se inalterada com a excepção de o antigo aeroporto que actualmente serve os voos domesticos ter sido também ocupado.

À minutos o PM anunciou o Estado de Emergência confinado aos dois aeroportos e espera que as forças da ordem avancem para os limpar.

Entretanto a vida continua normal para nós e difícil para os que estão ou a tentar chegar à Tailândia ou a sair dela.

Só esta breve nota visto o meu dia ter sido, e continuar a ser hiper preenchido ... e não por causa da situação.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Será Hoje?


Desde ontem à noite que o aeroporto internacional de Bangkok está ocupado pelas forças do PAD e todos os vôs cancelados com milhares de passageiros em terra.

O caos é total tendo inclusivé os manifestantes ocupado a torre de controlo e serem eles a dizer quem pode entrar ou sair. Esta reportagem do Sidney Morning Herald é elucidativa.

Ontem as televisões quer tailandesas quer de todo o mundo mostravam os incidentes que houve quando, a caminho do aeroporto, um pequeno grupo de cada um dos lados se envolveu em confrontações onde foi bem visível um guarda do PAD, empunhando uma pistola a disparar sobre os outros. Sómente uns feridos e nada mais.

Desde ontem só um vôo, com peregrinos para o Haj "foi autorizado " a levantar voo.

Entretanto o PM está no ar a caminho do país e não se sabe onde irá aterrar. Ao rumor de que seria em U-Tapao, a 150 km ao sul de Bangkok, o PAD disse que iria bloquear essa base militar. Veremos.

A questão de fundo parece ser neste momento saber se, como e quando é que os militares vão sair para a rua.

Se, visto continuadamente repetem, como ainda esta manhã, de que um Golpe de Estado não é a solução para a crise.

Como, pois é sabido que os militares querem ser vistos como independentes, só sendo submissos ao Rei.

Quando, visto estar mais que provado, sabido e conhecido por todos de que a situação não pode continuar desta maneira. Só a Thai Airways anunciou que perde 500 milhões de bath por dia com o bloqueio do aeroporto, e todos são unanimes em condenar o que está a acontecer.

Contudo o PAD diz não sair de lá enquanto o PM não resignar.

O General Anupong veio à minutos propor que o PM dissolva o Parlamento, ou seja convoque eleições, e que o PAD termine a manifestação. Parece-me uma proposta demasiado inocente pois não altera nada na presente situação visto ser mais do que provável que o partido no poder, ou o seu sucessor após a dissolução deste, ganhe de novo as eleições.

A solução a curto prazo tem de passar por um compromisso em que os militares saiam para a rua de modo a que a ordem seja restabelecida, visto a Polícia não ser respeitada após os acontecimentos sangrentos de 7 de Outubro, e o PM Somchai abandone o Governo dando lugar a um dos Vice-Primeiro Ministros ao memso tempo que o PAD termina a sua saga.

Pelo menos uma solução como esta ou similar, que parece estar a tentar ser negociada nos inúmeros encontros terminados ou ainda em curso hoje, poderia dar um espaço de respiração ao país.

Num momento em que a crise económica está a penalizar as exportações nomeadamente o sector automóvel, o já fragilizado turismo, fonte tremendamente importante de receitas, está a sofrer um verdadeiro tsunami político do qual vai ser dificil de recuperar.

Muitas pesoas me perguntaram hoje sobre a segurança no país e se devem ou não cancelar as suas previstas visitas.

A segurança das pessoas não tem estado em causa em nenhuma ocasião a não ser que queiram "entrar na festa" e aderir a algum dos movimentos. Desde 25 de Maio que o PAD se manifesta nesta cidade e só por uma vez, e já lá vão 6 meses, é que me cruzei com eles quando uma manifestação passou à porta do meu escritório na altura em que distribuíam videos dos acontecimentos do dia 7 de Outubro. Uma única vez em 6 meses. A vida está 100% normal e não ser para aqueles infelizes que tinham de utilizar o aeroporto de Suvarnabhumi para entrar ou sair do país. Esses sim estão a ser molestados, incomodados e a sofrer como quando existe uma greve de companhias de aviação ou controladores de tráfego.

Como em todas as ocasiões quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele e se não queremos ter contratempos é bom evitarmos andar a fazer de PAD ou de UDD e à procura de problemas.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PAD em acção

Aconselho a ver este vídeo registado esta tarde pelas 5 horas no Norte de Bangkok por uma televisão.
Entretanto o PAD continua a tudo fazer para ver se conseguem que as forças armadas intervenham mas estas continuam a mostrar estarem unidas e calmas. Esta atitude de quase completa ignorância das acções do PAD por parte das forças armadas tem tido os seus resultados mas como se costuma dizer "um homem não é de pau" e às vezes uma faísca pode acender a fogueira.

Mais um Dia Final

Bloqueio do Comando Supremo


Passado que foi o "Dia Final" de ontem passamos ao Dia Final de hoje numa série de tentativas por parte dos manifestantes do PAD em conseguirem aquilo a que chamam a vitória final, ou seja a queda do governo eleito em 23 de Dezembro de 2007.

Ontem foi o bloqueio do Parlamento, impedindo a Tailândia de ratificar importantes acordos para a próxima cimeira da ASEAN de que é o Presidente. Hoje o Bangkok Post tinha um longo artigo sobre o facto de o país estar a perder a face no contexto internacional. Depois disso foi o avanço sobre a sede provisória do Governo no antigo aeroporto de Don Muang, onde os manifestantes, que segundo fontes não chegam a um milhar, ocuparam, sem a menor resistência as instalações do Primeiro Ministro abusando das instalações (uma das fotografias nos jornais de hoje mostrava os manifestantes sentados na sala do Conselho de Ministros fazendo como que um piquenique) e ao que fomos informados destruindo documentação.

O piquenique foi aqui

O Primeiro Ministro que está em viagem de regresso a Bangkok (foi dito que o seu avião teve uma providencial avaria técnica e ainda não descolou) após a cimeira da APEC no Peru, convocou uma reunião de emergência para ser realizada no edifício do Comando Supremo das Forças Armadas. O PAD decidiu "levantar ferro" de Don Muang e dirigir-se para Cheng Wattana onde se encontra aquele comando. Até ao momento as únicas noticias que são conhecidas é que os manifestantes impediram um carro tanque com água de entrar nas instalações e que os comandos militares reunidos afirmaram manterem-se solidários na infecção de evitar a qualquer confrontação com as forcas rebeldes. Entretanto o General Anupong, mais uma vez, foi claro em afirmar que um Golpe de Estado não é a solução para a crise do país.

Esta madrugada houve grande confusão numa das entradas da autoestrada que vai de Bangkok até ao antigo aeroporto visto os carros (e provavelmente os 4 autocarros que ontem os guardas do PAD aprisionaram e as autoridades não sabem, ou não querem saber, onde estão) não quererem pagar portagem considerando-se, o que é muito verdade, acima da lei. Dir-se ía fora da lei! Depois de muitas negociações e uns larguíssimos quilometros de fila lá pagaram a portagem. Pelo menos por uma vez alguém, neste caso os portageiros da autoestrada, mostrou firmeza perante estes continuados abusos.

O afrontar as forças armadas nunca foi a melhor da estratégia e isso mesmo deverão ter pensado os lideres do PAD. Assim, enquanto escrevia este pequeno artigo, resolveram "largar" o Comando Supremo das Forças Armadas e dirigirem-se para o Aeroporto de Suvarnabhumi, o aeroporto internacional de Bangkok. Por certo será para desejar bom regresso a casa ao Primeiro Ministro. Uma coisa não se podem queixar. Tiveram um dia bastante movimentado e é bom aproveitar agora enquanto a gasolina está barata. Segundo fontes no local não são mais do que 400 mas com a complacência das forças da ordem (?) as minorias tornam-se maiorias.

Quem segue o que escrevo terá notado no repto que lancei a Miguel Castelo Branco sobre os ódios e as paixões dos tailandeses e, como sempre, produziu peça digna de se ler e reler e que aqui fica referenciada penso que com os agradecimentos de todos os que se interessam por estas questões de ciência política e história.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pobre Tailândia

Pobre país que tem de suportar o que está a acontecer.
Só dois exemplos do que se passa hoje em dia nesta terra.
Um slide show do assalto do PAD ao Parlamento, a casa da Democracia
O ataque a um Comandante da Polícia sem consequências para os assaltantes.
E é este grupo que se chama democrático

A Última Batalha


Mas afinal quem é a Polícia?


O PAD tinha anunciado que Domingo iria ser a última batalha e para isso mobilizariam mais de 100.000 manifestantes e iriam ocupar aquilo que muito bem entendessem necessário. De igual modo o UDD anunciou que iria realizar uma manifestação em Nonthaburi, uns 40 km ao norte de Bangkok.

Esta última manifestação realizou-se, como previsto e criticado, num templo em Nothaburi, e terminou sem o mais pequeno incidente tendo os "camisas encarnadas" dispersado calmamente. Interessante foi ver o Abott do templo a falar. Dizia ele. " Acusam-me de deixar que a UDD utilize o templo e a mim para a campanha política deles. Não é verdade. Eu que é os estou a utilizar a eles. Os políticos não vêm muito aos templos. Esta é uma boa oportunidade para eles ouvirem a palavra de um monge" e assim continuou solicitando a que todos usem do seu direito à livre expressão mas respeitando os direitos dos outros.

Entretanto o PAD adiou para esta madrugada a "batalha final" e anunciaram que iriam ocupar o Parlamento de modo a impedir que fosse discutida a tão necessária revisão da Constituição. Os rapazes andam mal informados pois na semana anterior o Primeiro Ministro já tinha anunciado que o projecto passaria para a próxima sessão parlamentar a iniciar em Fevereiro.

Contudo assim fizeram. Pelas 6 da manhã, aqui começa-se sempre cedo, arrancaram em direcção do Parlamento, cortaram o fornecimento de energia e bloquearam todos os acessos a este, tudo isto com centenas de Polícias a assistir sem mexer uma pestana sequer. A meio da manhã o Presidente da Assembleia anunciou que o assunto da revisão da Constituição não estava agendado e só seria debatido em Fevereiro, cantaram vitória e largaram ferro para a sede da Polícia. Chegados aí, com a ajuda das forças de ordem (?) montaram um novo palanque e começaram um novo ataque, verbal, contra a Polícia "responsável por todos os ataques de que têm sido alvo". Nova caminhada, novo capítulo e dirigiram-se para a actual sede provisória do Governo, no antigo aeroporto de Don Muang, alguns 30 km ao norte de Bangkok que agora ocupam.

Quem ler este post deve pensar que estamos a falar de um país sem nenhum sentido de o que é a lei e a obediência que lhe é devida.

Na realidade, e lendo a imprensa internacional as pessoas pensam que a Tailândia se transformou num gigantesco manicómio onde é impossível entender quem manda, o que manda, quando manda e para que é que manda se é que alguém manda.

dentro de três semanas a Tailândia que é actualmente o Presidente da ASEAN , vai receber os Chefes de Estado dos 10 países membros numa cimeira a realizar em Chiang Mai, e vai fazê-lo sem ter aderido a vários importantes acordos essenciais para os debates. O rídiculo está instalado quando o Presidente vai ter a atrapalhação de não poder falar visto não ter autorização parlamentar para tal. A não ser que aconteça como com a ratificação da "Charter" que aconteceu no último dia possível às 4.15 da tarde o país vai passar por mais esta vergonha no palco internacional.

Hoje o Bangkok Post no seu editorial lançava esse aviso mas os lideres das massas que se manifestam têm um nível de entendimento do que é a Democracia eventualmente menor do que o que tinha Estaline.

Uma vez Churchil disse mais ao menos isto: a Democracia é o pior dos sistemas políticos excepto daqueles que de vez em quando aqui e ali querem experimentar.

E assim segue este belo país a sua caminhada para o abismo porque um conjunto de "hooligans", como alguém de muito, mesmo muito, peso, disse uma vez em privado, pagos e bem pagos não consegue entender que amar o país não é destruí-lo.

O Mestre Miguel Castelo Branco, que já várias vezes referi a propósito do seu blog Combustões, e que gosta de filosofia, deveria investigar porque é que os tailandeses não conseguem ser racionais no amor. A constante mistura do amor/ódio faz parte da vivência do dia a dia do povo, se bem que no final, o compromisso, o não perder a face, faça com que ninguém ouse afrontar e/ou decidir de forma concreta e afirmativa sempre que existe um confronto de ideias.

domingo, 23 de novembro de 2008

Enquanto


Enquanto esperamos pelos desenvolvimentos sobre a "marcha final" do PAD que até agora nada produziu, Bjorn Borg e John MacEnroe defrontaram-se ontem em Bangkok naquilo que é mais um exemplo desta cidade a que uns querem "deitar fogo" e outros querem é levar uma vida normal.

Felizmente que a cidade é suficientemente grande para acomodar todos estes e muitos outros que querem fazer aquilo que muito bem entendem. Na realidade a grande maioria dos residentes nesta metrópole está totalmente alheada, para não dizer, enfastiada, farta, destes amarelos, encarnados e outras cores para se dar ao trabalho de os escutar.

Borg o vencedor de 11 torneios do Grand Slam, só suplantado por Sampras e Federer, perdeu num, encontro exibição fortemente disputado, por 7-6 7-5 mas ambos deixaram um perfume daquilo que é o ténis de grande classe em Bangkok.

Entretanto ...... outros devem estar a perder o Domingo em actividades até agora sem nunhum sinal de Dia D ou qualquer outra letra com importância.

Está mesmo bom é para uma soneca ou qualquer exercício ao ar livre.

Assim se passa o fim de semana em Bangkok

sábado, 22 de novembro de 2008

Fim de semana em Bangkok

A temperatura baixou, alguns bangkokianos dizem mesmo estar frio, mas o fim de semana promete ser bastante quente.

O PAD anunciou,mais uma vez, a baltalha final para Domingo 23 em resposta aos ataques que têm sofrido nos últimos dias. Esta noite pelas 2 da manhã mais uma granada foi lançada para gentes do PAD ferindo um com gravidade que se encontra agora nos cuidados intensivos de um hospital.

Entretanto a UDD manifesta-se também no Domingo mas em Nonthaburi a cerca de 40 kilometros ao norte de Bangkok. Benvinda distância.

Ontem estive num debate na Universidade de Thammasat sobre democracia na ASEAN, através das lições da Indonésia, talvez o mais democrático estado do agrupamento regional, e da Tailândia e pode constatar-se que todos, sem excepção, estão fartos do PAD, do PPP, da UDD, do Partido Democrata e de todos aqueles que manobram por detrás dos acontecimentos e só deixam ficar mal vista a Tailândia. Dizia um dos mais acreditados Professores de Política deste país que o caminho era fácil. Regressar à Constituição de 1997, ao fundamental das políticas de Thaksin e aos controlos Democráticos que existiam naquela Cosntituição com gente nova, limpa e capaz de trabalhar para o país, só que as cliques conservadoras (reaccionárias) não conseguem entender a necessidade de evoluir e os benefícios da Democracia.

A loucura parece ter tomado todos. Desde há uns tempos o Major General Khatiya Sawadiphol, um especialista em explosivos do exército tailandês e conhecido por no tempo de Thaksin ter sido por este acusado de colocar uma bomba num carro que rebentou perto da sua residência e posteriormente removido do seu posto. Nessa altura o General disse que não tinha sido ele a pôr a bomba pois se isso tivesse acontecido Thaksin não estaria cá para falar. O General, agora mudando de campo e alegadamente envolvido no treino dos apoiantes do UDD no uso de armas, tem sistemáticamente ameaçado o PAD de que se eles não evacuam a Government House ele os atacará à granada como vem acontecendo agora com alguma regularidade e já levou a que um grupo de Senadores solicitasse a sua prisão pelo facto de o que está a acontecer ser exactamente o que ele ameaça. Pois o nosso General veio agora dizer que aqueles que decidissem ir à manifestação de amanhã era melhor fazerem a prévia marcação de um templo para o próprio funeral numa clara ameaça de que iria haver um banho de sangue. Interessante que a sua unica filha é uma conhecida apoiante do PAD.

O facto é que o General Khattiya diz o que lhe vem à cabeça quando e como quer sem que ninguém ponha cobro às suas afirmaçõs. Está neste momento sobre investigação pelo exército mas continua a praguejar com total liberdade. Entretanto o comando ordenou-lhe que fosse dar aulas de aerobica para os mercados, um estilo de serviço comunitário, ao que ele respondeu que era um guerreiro e não um dançarino e que o que ele poderia ensinar era como lançar granadas e não dança. Assim se passa o respeito pela lei neste país.

Com este clima de "anarquia com um sorriso" como penso poder chamar-lhe tudo é possível acontecer, e várias embaixadas emitiram avisos para as pessoas evitarem este fim de semana a zona onde os PADs se reunem, embora esteja convicto de que no final acaba tudo junto a beber um copo ou não sejam todos parceiros de todos neste país apesar de haver mais ferido menos ferido.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Acabou a Paz

Mal terminaram as cerimónias da cremaçãode SAR a Princesa Galyani recomeçaram as querelas políticas e os incidentes que não se desejam. Até ao aniversário do Rei a 5 de Dezembro, ainda medeiam duas semanas e estas serão por certo envolvidas em ataques de parte a parte.

Esta madrugada uma bomba explodiu dentro do acampamento do PAD provocando uma morte e 26 feridos.

O PAD, considerando-se um estado dentro do estado, não autorizou a Polícia a lá entrar nem a investigar o que quer que seja realizando eles mesmos essas investigações. Como sabemos ninguém é "bom juiz em causa própria" e, sem surpresas, o Governo e a Polícia são acusados pelo PAD de "impedirem a pacífica manifestação daqueles que se lhes opõem".

Não é claro se a granada foi lançada do exterior ou se explodiu lá dentro e nunca tal poderá ser claramente investigado com esta política de total desrespeito pelas autoridades levada a acabo pelo PAD.

Entretanto este incidente é relacionado com a ameaça feita por Thaksin de regressar à política e de ir lutar agora dente por dente, olho por olho com os seus inimigos e o anúncio que foi feito que de novo irá falar numa manifestação a organizar no Estádio Nacional a 13 de Dezembro. Igualmente a afirmação do Major General Khattiya, um antigo adversário férreo do ex PM agora aparentemente transformado em seu apoiante, de que expulsaria o PAD de Government House de qualquer modo e que todos os dias haveria bombas no local até eles saírem é um elemento de apreensão. Um grupo de Senadores já apelou à prisão do General afirmando que a explosão aconteceu exactamente como previsto por ele.

O PAD já anunciou, ao bom estilo do que vimos diariamente na Palestina, que irá desfilar com o corpo do militante falecido, esta tarde em frente ao comando da Polícia Metropolitana. Não autorizam a Polícia a chegar próximo do ajuntamento e depois acusam a Polícia de não os defender. A coerência total em política.

O PAD apelou igualmente aos seus apoiantes para um desfile em massa para no próximo Domingo não se sabendo qual vai ser o destino desta nova incursão mas por certo vamos de novo assistir à ausência das autoridades (?) e eventualmente a uma nova ocupação de outra posição.

Assim vai a política neste país que parece ter enlouquecido.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Que Esteja em Paz


Estão prestes a terminar as cerimónias da cremação de SAR a Princesa Galyani, quando amanhã as suas cinzas forem depositadas no Wat Rajabopit. Ontem e hoje houve várias cerimónias nas quais participaram os Reis e restantes membros da família real, tendo havido rituais e cantos em memória da falecida.

Estas cerimónias Budistas são simples mas longas e têm sempre algumas componentes semelhantes em todos os dias. O acender de velas junto das cinzas, a oferta de vestes a monges, a oferta de comida a monges e cantos por estes entoados em pali, a linguagem utilizada nos templos, ao longo do dia. Por outro lado as relíquias reais, como agora são chamadas as cinzas, vão passando por vários lugares importantes quer para o Budismo quer para a casa real e cada movimentação da urna é um processo complexo de cerimoniais que dura horas.

Amanhã, como disse a urna contendo as relíquias será depositada no Wat Rajabopit e o Assistente do Templo Phra Dhamma Vorametee disse hoje que o trabalho de decorar o local com as 84 variedades de flores e plantas, na sua maioria de cor azul, a favorita da Princesa, está quase concluído. O local será chamando o Jardim das Memórias.

Desta forma serão concluídas as cerimónias que atraíram mais de 100.000 pessoas só no Sábado o dia mais intenso dos cerimoniais.

Razões para um Divórcio


Muito se tem especulado sobre as razões que levaram o casal Shinawatra a se separar e eu pessoalmente tenho tido muitas com os meus amigos tailandeses pois para eles só existe uma razão: Dinheiro.

Apareceu agora aquilo que pode ser a razão real.

Thaksin teria dita a sua mulher, aquando do golpe de estado de 2006 que nunca mais voltaria para a política e agora, agora, não parece ter outra oportunidade para deixar de ser simplesmente um homem em fuga, senão mandar essa promessa às malvas e voltar à luta.

Isso mesmo anunciou um dos seus próximos que a partir de agora seria olho por olho dente por dente na batalha, como normalmente cães acossados e encurralados costumam ter.

Thaksin anunciou, depois de lhe ter sido retirado o visto para regressar ao Reino Unido que o tinham encostado à parede,que iria lutar e que iria denunciar os nomes de todos aqueles que o queriam ver de rastos.

Posteriormente ocorreu o divórcio no Consulado Tailandês em Hong Kong. Como disse todos disseram que era um divórcio só no papel para safar o dinheiro que têm congelado por ordem do tribunal na Tailândia. Para mim parecia-me um pouco mais do que só isso visto que muito rapidamente os tribunais vieram dizer que a separação nada faria alterar na situação do casal. Era necessário entender o que poderia passar-se na cabeça de Potjaman, uma mulher a quem de repente tudo lhe faltava. Não tinha, casa, não tinha amigos e além de tudo não tinha família. Via a sua vida reduzida a seguir o seu marido nas suas aventuras loucas, mundo fora, na tentativa de encontrar soluções para a sua situação. Por isso defendi que para além de eventualmente o divórcio ser benéfico para ambos por certo que Potjaman teria dito alguma vez a Thaksin " estou farta. Pensa em mim só por um momento e verás que quase tudo acabou para mim", ou coisa parecida.

Parece agora claro que a decisão, anunciada por Thaksin, de regressar em força ao combate político terá sido a cereja que o bolo necessitava para ser concluído. Um conjunto largo de factores determinaram esse divórcio e agora o casal irá ter vidas diferentes e lutaram em campos separados.

Potjaman pela sua liberdade e pela sua família, filhos, ou não seja mãe e tailandesa, e Thaksin pela sua honra e pelos seus 76 mil milhões de bath que estão confiscados pelos tribunais. A acrescentar a isto Thaksin irá utilizar o método de "terrorismo" político ameaçando tudo e todos determinado a não deixar nenhum respirar até que alguém o consiga fazer calar. Há que recordar que a maíoria daqueles que actualmente andam envolvidos na política andou de mãos dadas a fazer negócios uns com os outros e portanto conhecem demasiadamente bem todos os podres uns dos outros. Só para dar um exemplo Sondhi, o líder, transformado em guru, do PAD era sócio de Thaksin. A questão é que Thaksin ganhou mais dinheiro que todos os outros e muitas vezes à custa precisamente deles.

Para já anuncia-se que Potjaman quer regressar a Bangkok para se defender e que Thaksin irá fazer uma nova, longa e corrosiva, intervenção numa manifestação no dia 14 de Dezembro num estádio, desta vez não muito longe de onde se encontra o PAD.

A seguir com muita atenção.

sábado, 15 de novembro de 2008

Thaksin Shinawatra


A vida não é na realidade fácil para o ex Primeiro Ministro, agora transformado em fugitivo sem destino certo para viver.

É noticiado hoje que o casal Shinawatra, apareceu no consulado Tailandês em Hong Kong para registar a intenção de divórcio.

Não se conhecem promenores do caso mas parece que Pojaman Shinawatra estava farta da "casmurrisse " do seu marido em continuar uma luta política à muito perdida e ter arrastado a família para a presente situação em que se encontram, Pais e filhos separados e a andarem "com a casa às costas" sem destino.

SAR Princesa Galyani



Ontem começaram as cerimónias da cremação da Princesa Galyani ( site oicial) falecida em 2 de Janeiro de 2008 e o país parou com práticamnete todos vestidos de preto e o luto a vigorar até Segunda-feira

Durante 6 dias vão-se desenrolando os cerimoniais com a seguinte agenda.

Dia 14 - Várias cerimónias religiosas no Maha Prasat Throne Hall onde a urna com o corpo da Princesa tem estado exposta para que o povo possa prestar a sua homenagem

Dia 15 - A partir das 7 da manhã inicía-se a transferência da urna real do local onde se encontrava para o Phra Meru em Sanan Luang onde se procederá à cremação. A cerimónia e o cortejo de cerca de 1 klm demorarão mais de 5 horas com todo o cerimonial de transferir a urna real para o Phra Maha Pichai Ratcharot, o carro que a transportará até ao Phra Meru. Este carro foi construido em 1795 e a ultima vez que foi utilizado foi para o funeral da Princesa Mãe como era conhecida a mãe do actual Rei e da Princesa Galyani.A cerimónia será presidida pelos Princepes Reais Maha Vajilalongkorn e Maha Sirindhorn. Pelas 4.30 da tarde o Rei e a Rainha irão a Sanan Luang iniciar o processo da cremação acendendo a fogo numa cerimónia simbolizando a cremação. Esta cerimónia será presenciada por todos os officiais e diplomatas acreditados junto da corte. Às 10 horas da noite, numa cerimónia reservada à família real, será iniciada a cremação própriamente dita.



Dia 16 - Todo o dia será dedicado à colheita das cinzas e das reliquias reais que posteriormente serão transferidas para o Grand Palace.

Dia 17 - A partir da 4.30 da tarde iniciam-se cerimónias religiosas no Dusit Maha Prasat Throne Hall

Dia 18 - Continuação das cerimónias religiosas e transferência das cinzas e reliquias reais para o Phra Vimam, Chakrit Maha Prasat Throne Hall

Dia 19 - As cinzas e reliquias da Princesa Galyani são preservads para a posteridade, colocadas no templo do Budha Esmeralda e posteriormente transferidas para o Wat Ratchabophit Suthimahasrimaram onde ficarão depositadas para sempre.


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Princesa de Naradhiwas Rajanagarindra

A partir de amanhã começam as cerimónias funerárias da cremação de Sua Alteza Real a Princesa Galyani Vadhana irmã mais velha do Rei que faleceu no dia 2 de Janeiro deste ano.

A Princesa Galyani nasceu em 1923 em Londres e era a única filha do Princepe Mahidol Adulyadej of Songkla o sexagésimo nono filho do Rei Chulalongkor, Rama V.

Em 1944 a Princesa casou-se com o oficial do exército e renunciou aos seus direitos de sucessão por causa disso.Posteriormente em 1950, e já com o seu irmão e corrente Rei, Rama IX no trono, divorciou-se e foram-lhe restituídos os direitos sucessórios. Desse casamento nasceu uma filha Thanpuying Dasna Valaya Ratanakul Serireungriddhi nascida na Suíça em 1945 onde igualmente se encontravam os seus irmão e futuros Reis Rama VIII e IX.

Princesa voltou a casar com o já falecido Princepe Varananda Dhavaj.

Em 1995 o actual Rei atribuí-lhe o título de Krom Luang Naradhiwas Rajanagarindra, ou Princesa de Narathiwat a única pessoa durante toda a dinastia actual, Chakrit, a usar tal título.

A sua devoção ao seu irmão rei e ao povo através de inúmeros projectos a que se dedicou, deu-lhe o recíproco respeito e admiração do rei e do povo. Ambos muito a amavam.

Aquando da morte da princesa no início do ano durante 15 dias era difícil ver na rua alguma pessoa que não estivesse vestida de preto ou branco em sinal do profundo respeito e admiração que tinham por ela.

Durante a sua vida a Princesa dedicou muito tempo ao ensino, tendo sido professora de Francês na Universidade de Thammasat em Bangkok. Para além disso escreveu vários livros dedicados a temas da literatura francesa, sector onde era perita. Para além da educação foi uma grande impulsionadora das artes com especial relevo para a musica da qual era uma grande apaixonada. Aquando da visita de Mariza a Bangkok a Princesa Galyani esteve presente no concerto e manifestou de forma viva o seu gosto pelo que ouviu aplaudindo espontânea e longamente a artista.

Para o funeral foi construído como que um palácio onde se desenrolarão as cerimónias desde amanhã e até Quarta-feira dia 19. O cerimonial é bastante complexo e cheio de rituais e contará com apresença do Rei e restantes membros da família real durante várias partes de todo o cerimonial.

Mais tarde em 1969 a O Corpo Diplomático acreditado estará também presente em algumas das cerimónia se o país irá parar por causa disso. A construção da pira crematória e de todas as salas adjacentes começou no inicio de Março e só muito recentemente ficou concluído. Para nós é um pouco difícil antever todo o "glamour" das cerimónias e rituais que se decorrerão durante estes 6 dias. A cremação propriamente dita será às 10 horas da noite de Sábado e as cinzas da Princesa serão levadas para um templo onde se encontram já as de outros membros da família real.

A pira e salas adjacentes foram construídas num terreno muito perto do Templo do Budha Esmeralda, Wat Phra Kaew, e será desfeito após as cerimónias. Não consegui apurar se será posteriormente reedificado noutro local em memória da Princesa.

A Princesa Galyani vai ficar para a história da Tailândia como uma grande Senhora amante do seu povo, muito à imagem do seu irmão Rama IX, e dedicada a um conjunto largo de actividades beneficentes.

Este tempo todo que medeia entre a morte e a cremação deve-se à necessidade de bem preparar os cerimoniais e como me dizia um amigo meu outro dia. "Agora já não sinto tristeza pela morte da Princesa só uma grande saudade". Por falar em Saudade hoje no The Nation vem um artigo sobre a Cremação e onde se fala, citando o soneto "Saudade" de Anrique Paço de Arcos, desse sentimento tão nosso.




quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ลอยกระทง


Hoje celebra-se o Loy Krathong data que acontece na lua cheia do 12º mês do calendário lunar Chinês.

Loy significa fazer flutuar e Krathong é uma pequena jangada feita de folha de banana onde são colocadas velas, incenso e outro tipo de oferendas.

É um grande espectáculo ver, aqui em Bangkok, Chao Praya abaixo, milhares de Krathongs de todas as formas e feitios a iluminarem o rio e chamarem para as suas margens e pontes multidões.

Não é seguro mas o festival parece ter raízes na Índia onde o festival Deepvali é uma forma de agradecimento aos deuses do Ganges.

Na Tailândia o festival começou em 1863 e era visto como uma forma de, ao fazer flutuar o próprio Ktathong cada pessoa se despojava de tudo o que de mal tinha feito durante o ano e aspirava a uma nova vida pura e revigorada. Igualmente os tailandeses acreditam que fazerem esta oferenda à deusa da água Phra Mae Khongkha traz boa sorte.

Como em muitas outras ocasiões o festival é acompanhado por concursos de beleza, uma constante aqui na Tailândia, e as rainhas são chamadas Noppamas em memória do nome da mulher do Rei de Sukhothai Loethai (século XIV) que terá sido a primeira a fazer flutuar este tipo de oferendas.

Entretanto em Nakhom Ratchasima a municipalidade criou um Krathong para simbolizar o tão desejado reconciliação na Nação, onde juntava todas as figuras da política "no mesmo barco". No topo pode ver-se Thaksin e o seu arqui rival Sondhi (PAD) de mão dada como símbolo daquilo que o país desejava.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Pra Roop song maa




Hoje faz 100 anos que foi inaugurada a estátua do Rei Rama V de que falei faz dias acerca de Rajadamnoen.

O Rama V, o Grande, foi como já descrevi o Rei que modernizou a Tailândia e introduziu muitos dos costumes que viu e experimentou durante as suas visitas à Europa.

O nome da estátua significa simplesmente o Rei a cavalo mas utilizando linguagem real pois caso fosse um comum dos mortais seria por exemplo, Khun Nuno kii maa.

Uma questão interessante na língua tailandesa é o facto de existir um vocabulário para os diferentes estratos sociais em especial para os assuntos do palácio.

Uma vez dizia-me uma senhora da alta sociedade tailandesa numa recepção restrita na residência de Portugal onde estava presente a Princesa Maha Chakrit Sirindhorn, quanto era bom ter-se falado em Inglês pois ela não saberia como se dirigir à Princesa se fosse em tailandês.

Também hoje, e neste dia comemorativo dos 100 anos quão bom seria que o PAD tivesse desocupado Rajadamnoen de modo a que Sua Majestade o Rei Rama IX pudesse fazer aquilo que sempre fez por ocasião de qualquer cerimónia real e não ser importunado por um conjunto de pessoas que dizem defender a monarquia.

Nós em Portugal costumamos dizer que com amigos destes não necessitamos de inimigos.

Em fuga


Thaksin Shinawatra e sua mulher viram os seus vistos para entrarem em Inglaterra serem revogados na passada Sexta-feira.

Numa curta nota assinada pelo oficial responsável pelos assuntos fronteiriços estacionado na Embaixada em Bangkok foi comunicado que os vistos tinham sido cancelados, sem se indicar a razão para tal.

De acordo com as regras consulares os países emitentes de vistos não necessitam de explicar a razão da sua recusa excepto no caso da Holanda onde por decisão do Tribunal Constitucional, qualquer cidadão a quem tenha sido recusada entrada no pais tem o direito de saber a razão e de apelar da decisão se assim entender.

Thaksin tinha em Agosto falado no interesse em avançar com um pedido de asilo politico visto afirmar que as decisões judiciais que os condenaram, a ele e à sua mulher, tinham motivos políticos e os tribunais na Tailândia estavam sobre influência do sistema politico. Contudo esse pedido de asilo nunca avançou e Thaksin disse mesmo que não o iria fazer visto pretender manter a sua liberdade.

Essa "liberdade" deu-lhe a possibilidade de falar no dia 1 de Novembro para uma multidão de cerca de 100.000 dos seus apoiantes e as suas palavras, se bem que poderão ser interpretadas como inócuas, podem de igual modo ser vistas como uma intervenção de forte conteúdo politico. Na realidade qualquer afirmação que faça. por mais insignificante tem sempre um grande impacto na situação politica no pais e isso criaria embaraços e desconforto ao Governo Britânico. Parece ser esta a razão, mais do que justificável, para a retirada do visto.

Thaksin pode apelar, solicitar um novo visto, mas penso que a sensatez o aconselhará a nada disso fazer visto poder ser de novo humilhado. Pode igualmente solicitar um visto para outro pais Europeu, que a ser concedido, poderá de algum modo criar embaraços ao sistema de controlo de fronteiras do espaço comunitário.

O Reino Unido foi sensato em esperar que Thaksin se ausentasse do pais, encontra-se actualmente na China, para retirar o visto e não ter de recorrer à figura da deportação que teria de utilizar caso ele estivesse em Inglaterra.

Numa entrevista à Reuters Thaksin disse-se disposto a continuar a lutar e que iria revelar os nomes daqueles que o estão a empurrar para um canto. Reafirmou também a sua determinação de continuar a falar aos seus apoiantes sempre e quando o quiser.

Neste momento encontra-se "em fuga", sem paradeiro determinado embora se especule que seja possuidor de um passaporte das Bahamas o que curiosamente lhe daria entrada no espaço do Reino Unido como "cidadão" de um pais da Commonwealth a não ser que possa ser considerada "persona non grata".

Ontem falava-se sobre uma quantidade de locais par onde iria, ao sair de Pequim. mas nada de concreto é conhecido. O PAD afirma que vai para o Dubai para constituir um governo no exílio. Tudo especulações sem grande substancia a não ser que Thaksin é na realidade neste momento um "fugitivo acossado" e capaz de ser um problema para qualquer pais que o acolha.

A Tailândia já anunciou o propósito de tudo fazer para obter a sua extradição e mesmo no caso de não haver acordo com o pais de acolhimento de tentar, num acto de reciprocidade, obter o repatriamento daquele que é neste momento o mais procurado cidadão deste pais.

Tristes dias para aquele que ganhou por três vezes consecutivas as eleições na Tailândia, o único PM que o conseguiu. Tristes dias para aquele que tudo teve para poder ser o grande PM deste pais e que por pouco ouvir os que o rodeavam decidiu assumir o total controlo do poder sem atentar de onde este lhe vinha. De um processo Democrático.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Rajadamnoen Road





Rajadamnoen avenida é uma das mais importantes artérias da capital e um símbolo da Tailândia do início do século passado dos tempos do Rei Rama V.

Está dividia em duas secções e em Rajadamnoen Nok tem algumas semelhanças com a nossa Avenida da Liberdade, com uma faixa central larga e duas faixas laterais mais estreitas.

Foi construída pelo Rei Chulalongkorn para ligar os seus dois palácios. O actual Grande Palace, anexo ao templo do Budha Esmeralda ( Wat Prha Kaew ), e o novo Palácio em Dusit na área onde também se situa aquilo que era a sua casa de verão e a primeira casa a ser construída na área, a Vimanmek Mansion. Esta Mansão é toda feita em teca e não tem um só prego a unir as junções.

Construída um pouco à imagem dos Campos Elísios, alberga ao longo do seu percurso um grande número de Ministérios, o comando do Exército e o edifício das Nações Unidas. Termina na Royal Plaza , larga praça na qual existe uma majestosa estátua equestre de Rama V. Mesmo em frente fica o Ananda Samakhom Throne Hall, um dos mais belos palácios na capital e também construído no tempo de Rama V por um arquitecto italiano que utilizou mármores de enorme beleza.

Por natureza é aqui que sempre se passam os grandes acontecimentos presididos por Sua Majestade o Rei. Desfilar desde o Grande Palace até ao Ananda Samakhom é um trajecto natural para qualquer evento e assim foi nos dois últimos importantes momento. A comemoração dos 60 anos de reinado em 9 de Junho de 2006 e em 5 de Dezembro de 2007 quando fez 80 anos de vida.

Na próxima semana começarão as cerimónias da cremação da Princesa Galyani, a irmã do Rei e uma grande mecenas das artes no país, que durarão quatro dias e pela primeira vez o cortejo real terá de utilizar outro caminho visto Rajadamnoen estar ainda bloqueado pelas forças do PAD. Foi hoje anunciado pela casa real que o cortejo utilizará a Larn Luang Road devido às dificuldades em Rajadamnoen.

É triste ver a insurgência, a desobediência á lei prevalecer sobre as tradições e obrigar o Rei, tão amado por este povo, a ter de alterar aquilo que sempre fez.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O 44º Presidente


Como escrevi esta manhã Barack Obama foi eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos da América e uma nova era parece ter surgido.

Queria deixar aqui registados alguns depoiamentos que mostram bem o significado que a vitória de Obama traz.

Para além da questão de ser o primeiro africano a chegar à Casa Branca, que é relevante, conhecendo-se quanto o interior dos EEUU é conservador nestas questões o mais importante parece ser a mensagem de mudança -Change - que está associada com a forma como Obama faz política. O numero recorde de votantes, o trazer para a discussão dos assuntos de estado a juventude, um bom exemplo para nós europeus que vemos a nossa fugir da política, são questões que poderão transformar a forma como o país mais influente do planeta actua.

Como disse a tarefe não será fácil mas a determinação de conseguir fazer bem é evidente e portanto a expectativa grande mas consciente. Também se deve realçar a campanha de McCain. Determinada, ciente das dificuldades, principalmente de uma chamada Bush, e digna na derrota quando McCain afirma
"Ontem era candidato ao maior posto na América que eu tanto amo. Hoje continuo seu fiel servidor". Obama na conversa que teve com o seu rival após a chamada de felicitações afirmou estar ansioso por sentar-se com ele e analisar como poderão trabalhar em conjunto para benefício do país.

Obama avisou que a caminhada será difícil e longa mas disse nunca se sentir tão confiante como hoje e que "Nós como povo lá chegaremos", e apelando a todos disse "posso não ter tido o vosso voto, mas necessito da vossa ajuda. A partir de agora governarei para todos, vocês incluídos".

O Senador Ted Kennedy, numa nota à imprensa disse que "a América falou alto e bem claro" e continuou " entenderam a sua visão para uma América mais justa e aderiram, ouviram o seu apelo à juventude e responderam. Acreditaram que a mudança é possível e disseram que querem fazer parte dessa nova América"

Desde 1964 que nenhum Democrata tinha ganho no Estado de Virgínia mas Obama conseguiu.

Neste momento, em que faltam contabilizar três Estados, o número de votos é concludente. 349 para Obama e 163 para McCain. De igual modo quer o Senado quer a Câmara dos Representantes obtêm uma maioria Democrata, da mesma forma que o Senador Obama ganhou o voto popular por uma margem de cerca de 6 milhões de votos.

Um pleno.