quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Rajadamnoen Road





Rajadamnoen avenida é uma das mais importantes artérias da capital e um símbolo da Tailândia do início do século passado dos tempos do Rei Rama V.

Está dividia em duas secções e em Rajadamnoen Nok tem algumas semelhanças com a nossa Avenida da Liberdade, com uma faixa central larga e duas faixas laterais mais estreitas.

Foi construída pelo Rei Chulalongkorn para ligar os seus dois palácios. O actual Grande Palace, anexo ao templo do Budha Esmeralda ( Wat Prha Kaew ), e o novo Palácio em Dusit na área onde também se situa aquilo que era a sua casa de verão e a primeira casa a ser construída na área, a Vimanmek Mansion. Esta Mansão é toda feita em teca e não tem um só prego a unir as junções.

Construída um pouco à imagem dos Campos Elísios, alberga ao longo do seu percurso um grande número de Ministérios, o comando do Exército e o edifício das Nações Unidas. Termina na Royal Plaza , larga praça na qual existe uma majestosa estátua equestre de Rama V. Mesmo em frente fica o Ananda Samakhom Throne Hall, um dos mais belos palácios na capital e também construído no tempo de Rama V por um arquitecto italiano que utilizou mármores de enorme beleza.

Por natureza é aqui que sempre se passam os grandes acontecimentos presididos por Sua Majestade o Rei. Desfilar desde o Grande Palace até ao Ananda Samakhom é um trajecto natural para qualquer evento e assim foi nos dois últimos importantes momento. A comemoração dos 60 anos de reinado em 9 de Junho de 2006 e em 5 de Dezembro de 2007 quando fez 80 anos de vida.

Na próxima semana começarão as cerimónias da cremação da Princesa Galyani, a irmã do Rei e uma grande mecenas das artes no país, que durarão quatro dias e pela primeira vez o cortejo real terá de utilizar outro caminho visto Rajadamnoen estar ainda bloqueado pelas forças do PAD. Foi hoje anunciado pela casa real que o cortejo utilizará a Larn Luang Road devido às dificuldades em Rajadamnoen.

É triste ver a insurgência, a desobediência á lei prevalecer sobre as tradições e obrigar o Rei, tão amado por este povo, a ter de alterar aquilo que sempre fez.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O 44º Presidente


Como escrevi esta manhã Barack Obama foi eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos da América e uma nova era parece ter surgido.

Queria deixar aqui registados alguns depoiamentos que mostram bem o significado que a vitória de Obama traz.

Para além da questão de ser o primeiro africano a chegar à Casa Branca, que é relevante, conhecendo-se quanto o interior dos EEUU é conservador nestas questões o mais importante parece ser a mensagem de mudança -Change - que está associada com a forma como Obama faz política. O numero recorde de votantes, o trazer para a discussão dos assuntos de estado a juventude, um bom exemplo para nós europeus que vemos a nossa fugir da política, são questões que poderão transformar a forma como o país mais influente do planeta actua.

Como disse a tarefe não será fácil mas a determinação de conseguir fazer bem é evidente e portanto a expectativa grande mas consciente. Também se deve realçar a campanha de McCain. Determinada, ciente das dificuldades, principalmente de uma chamada Bush, e digna na derrota quando McCain afirma
"Ontem era candidato ao maior posto na América que eu tanto amo. Hoje continuo seu fiel servidor". Obama na conversa que teve com o seu rival após a chamada de felicitações afirmou estar ansioso por sentar-se com ele e analisar como poderão trabalhar em conjunto para benefício do país.

Obama avisou que a caminhada será difícil e longa mas disse nunca se sentir tão confiante como hoje e que "Nós como povo lá chegaremos", e apelando a todos disse "posso não ter tido o vosso voto, mas necessito da vossa ajuda. A partir de agora governarei para todos, vocês incluídos".

O Senador Ted Kennedy, numa nota à imprensa disse que "a América falou alto e bem claro" e continuou " entenderam a sua visão para uma América mais justa e aderiram, ouviram o seu apelo à juventude e responderam. Acreditaram que a mudança é possível e disseram que querem fazer parte dessa nova América"

Desde 1964 que nenhum Democrata tinha ganho no Estado de Virgínia mas Obama conseguiu.

Neste momento, em que faltam contabilizar três Estados, o número de votos é concludente. 349 para Obama e 163 para McCain. De igual modo quer o Senado quer a Câmara dos Representantes obtêm uma maioria Democrata, da mesma forma que o Senador Obama ganhou o voto popular por uma margem de cerca de 6 milhões de votos.

Um pleno.

Eleições Americanas


Neste momento em que escrevo o Senador Barrack Obama tem 207 delegados contra os 135 para o Senador McCain e ambas as câmaras se vestem de azul, a cor Democrata.

Para atingir a vitória Obama necessita de 270 votos no colégio eleitoral o que por certo não lhe escapará visto a Califórnia, com 55 delegados, ter sido sempre um Estado a votar Democrata.

Qualquer que fosse o resultado a esperança para uns Estados Unidos novos e mais abertos ao Mundo existia mas com Obama o multilateralismo sai reforçado e para nós Europeus é uma esperança numa mais forte colaboração no sentido de encontrar plataformas mais sólidas para a paz e a solução dos problemas no Mundo.

Barrack Obama, quando em 20 de Janeiro se tornar no novo Presidente dos Estados Unidos terá por certo uma tarefa superior à que os seus discursos podem fazer crer, com um défice de proporções nunca vistas, com uma economia em recessão e com um país exausto pelas longas guerras no Iraque e no Afeganistão.

O pragmatismo terá de imperar e algumas das suas promessas sobre a solução de problemas domésticos vão esperar mas estou convicto que a sua entrada na Casa Branca será saudada pelo Mundo com um bem para todos e com muita esperança numa viragem para melhor na condução da política americana.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Turismo na Tailandia


Com a queda recente do fluxo turístico no país a Tourism Authority of Thailand (TAT) lançou uma nova campanha chamada Thailand – Land of Living History tentando inverter aquela tendência. Na realidade comparando com numeros de 2007 existe uma queda de 18% no número de entradas no país e sabendo-se da importância que o turismo tem na economia do país é visto com muitos bons olhos esta iniciativa da TAT.

Pretendem assim promover as lutas entre os partidários do PAD e os do UDD/DAAD, visitas guiadas ao acampamento de Government House, onde se pode comprar todo o tipo de souvenirs produzido por artesãos tailandeses ao mesmo tempo que se saboreiam os petiscos de quase todas as regiões do país à excepção do Issan, tradicionalmente aliado do Mestre.

Aqui fica uma fotografia do primeiro anúncio da campanha com desejos de ver os turistas voltarem a encher as ruas de Bangkok.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Estádio Rajamangala


Como tinha sido anunciado no dia 1 de Novembro, com todo o exército em estado de alerta, realizou-se no Estádio de Rajamangala, uma grande manifestação dos apoiantes de Thaksin Shinawatra, que juntou cerca de 100.000 pessoas.

Foi transmitida por estações de rádio e televisão para todo o país e decorreu de forma bastante organizada e totalmente sem incidentes.

Os presentes ouviram vários discursos entre os quais o mais desejado, por eles, o de Thaksin numa chamada telefónica em directo pressupõe-se de Hong Kong.

Nessa mensagem, fortemente aplaudida por todos, o ex PM referiu que estava impedido de voltar ao país pelas decisões dos tribunais e que só o Rei ou o povo podiam alterar a situação. uma referência que é o tema de grande conversa por todo o país.



A menção do Rei, a única pessoa com autorização para amnistiar condenados, está a ser observada à lupa e o Comandante Supremo das Forças Armadas já referiu que se os militares vissem haver alguma ofensa a Sua Majestade não ficariam inactivos.

Teremos assim por vários dias o escrutínio daquelas palavras e logo se saberá as consequências.

Contudo há que realçar o comportamento exemplar de todos aqueles que estiveram no Estádio.

Uma multidão impressionante, rejubilante mas calma, que abandonou o local da mesma forma pacífica como ali chegou.

Para nós Europeus foi uma boa demonstração do que é uma manifestação democrática onde quem a organiza mostra os seus pontos de vista, a sua força, passa as suas mensagens e observa a lei não criando incidentes desnecessários.

No meio de tanta turbulência que houve no mês de Outubro com ataques violentos de parte a parte foi bom poder observar que maior manifestação dos últimos tempos decorreu com toda a lisura como se espera de pessoas civilizadas.

Contrariamente num incidente em Makhawan Bridge um grupo de jovens de Samut Prakan, que tinham vindo para Bangkok para uma noite de "farra", quando o carro deles passou perto da barricada dos guardas do PAD fizeram gestos pouco simpáticos e foram repelidos a tiro tendo o condutor sido atingido e internado com ferimentos, sem gravidade, no hospital. A Polícia que tomou conta da ocorrência disse saber que os guardas do PAD estão armados mas afirmou nada poder fazer.

Na realidade o mal e o bem andam sempre juntos e há mesmo quem afirme, com alguma propriedade, que um só existe porque o outro também existe.




Evil dentro de Good


Entretanto prosseguem os ensaios para a cremação da Princesa Galyani a realizar na próxima semana. Ontem foi o ensaio geral já com todo o cerimonial onde estiveram presentes altas indidualidades como o PM Somchai, e foi presidido por Sua Majestade a Princesa Maha Chakrit Sirindhorn.



quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Lisboa


Não posso deixar de chamar a vossa atenção para as imagens de Lisboa do fotógrafo António José Ribeiro hoje publicadas no Blog Lisboa SOS.


Aqui fica um cheirinho de uma que muito gosto.

1 de Novembro

No Dia 1 de Novembro o UDD/DAAD vai organizar uma grande concentração, felizmente longe do local onde acampa o PAD onde está prevista a participação de mais de 100.000pessoas.

Será num dos grandes estádios da capital e é esperada a "entrada em cena", em directo de Londres, de Thaksin.

Este evento não traz na da de bom e os efeitos dos preparativos para aquilo que pode ser uma contra ofensiva contra o PAD já se fizeram sentir esta noite com a explosão de alguns engenhos junto de lugares ocupados pelo PAD que causaram, embora as informações ainda sejam um pouco contraditórias, dois mortos e uma dezena de feridos.

Sabe-se que houve troca de tiros junto de Makkawan Bridge bem como que explodiram algumas granadas no local que terão causado os danos quer pessoais quer materiais. De igual modo junto da casa do Presidente do Supremo deflagrou uma bomba que causou alguns estragos. Um homem foi encontrado baleado também junto do PAD mas apesar de estar identificado não se sabe bem se tem alguma relação com os eventos ou não. Um outro socumbiu mais tarde aos ferimentos.


Entretanto o General Kattiya Sawadiphol, especialista em balística e próximo de Thaksin veio dizer nada ter a ver com o acontecido mas que se o PAD persistisse em manter-se na Government House muito provavelmente mais guardas do PAD viriam a ser abatidos. Acrescentou que no futuro o PAD poderá ser atacado com misseis RPG e granadas M79 mostrando um grande conhecimento sobre os acontecimentos.

Parece estar em vias de ser encontrado o álibi para que o General Anupong possa avançar para o tanto falado e desmentido golpe de estado.

A maioria da população está contra um golpe mas também está contra a presente situação. Os militares de algum modo também estão contra essa arma que possuem visto saberem bem o quanto perderam e o quanto o país perdeu com o falhado golpe de 2006. Se avançarem, vão ter de abolir a Constituição que eles mesmo criaram, vão ter de enfrentar um momento de grande crise internacional com as já faladas repercussões no país e acima de tudo vão ter de explicar muito bem à população qual a causa pela qual se batem.

Contudo há forças muito fortes que só conhecem esta estratégia do golpe de estado como via de solução das questões políticas no país.

É também interessante ver que inclusive o PPP poderá sair reforçado se vier a haver um golpe visto se criar um motivo e uma nova causa que una as partes actualmente ainda um pouco divididas.

O dia 1 de Novembro é aquele onde as atenções agora se concentram e ontem comentava-se abundantemente num encontro onde havia muitos diplomatas que o golpe sairia á rua no próprio sábado.

Resta esperar mas uma questão parece clara. Qualquer situação não é de fácil solução e quem vai ganhando com isto é o Governo e os seus apoiantes e quem por certo sem nenhuma discussão saia a perder é a Tailândia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

No News


Costuma-se dizer " no news is good news" mas tal não parece ser o caso aqui em Bangkok.

Nos últimos dias a situação política tem estado "calma" sem aparentes incidentes, mesmo monótona para alguns, mas muitas coisas estão a acontecer nos bastidores. Ontem o PM Somchai e o General Anupong visitaram o Sul do país numa jornada sem incidentes e no meio de sorrisos, dizem uns, amarelos.

Como sempre umas boas e outras más.

De repente parece ter havido uma onda em alerta sobre aquilo que podem ser os crimes de lese majesté. O ISOC, Internal Security Operations Command, um orgão do estado que funciona como um poder dentro do poder, requereu que o General Anupong liderasse uma campanha para observar o total respeito pela monarquia. De imediato saiu a terreno avisando de que os militares não tolerariam que a monarquia fosse envolvida nas discussões políticas actuais. O Ministro da Informação e tecnologia também disse ir disponibilizar uma verba até 10 milhões de Euros para implementar um firewall capaz de melhor escrutinar os sítios de internet adversários da monarquia.

Hoje um jornal comentava que este alerta em que eram postos os militares, combinado com a manifestação prevista para Sábado a realizar pelos apoiantes do PPP, com a eventual participação de Thaksin via vídeo, eram os preparativos necessários para levar a cabo o golpe de estado, falhado na intervenção televisiva de há dias.

Entretanto o PAD solicitou autorização para armar os seus guardas isto depois de, há boa maneira de milícias populares terem detido um grupo de manifestantes do UDD, e os mantenham em custódia dentro da Government House, sem que orgãos a quem compete fazer cumprir a lei tenham alguma intervenção.

Noutro acontecimento paralelo, finalmente ao fim de três adiamentos, os três deputados do Partido Democrata que eram acusados de fraude eleitoral, foram julgados e um deles, o que é executivo do Partido e portanto se fosse condenado poderia levar à dissolução do Partido, foi absolvido e os outros dois levaram uma advertência, aqui chamada, à boa maneira futebolística um cartão amarelo.

Está assim afastada a hipótese de também o Partido Democrata vir a ser dissolvido. Isso agora só está em curso para os partidos no poder.

Entretanto do outro lado da moeda o Governo decidiu ontem alargar até 10 de Agosto de 2011 o prazo até ao qual os depósitos em bancos tailandeses são garantidos a 100% numa medida para introduzir mais confiança no sistema bancário. A crise mundial não tem tido um impacto directo na Tailândia mas tem, de uma forma indirecta e também através da falta de confiança mundial nos sistemas financeiros, feito com que a bolsa perdesse desde o inicio do ano mais de 50% do seu valor, fundamentalmente pela saída de investidores estrangeiros a necessitar de liquidez, e feito com que o investimento directo tivesse caído para níveis que por certo implicarão uma quebra do ritmo de crescimento da economia a médio prazo. De igual modo o consumo privado retraiu e o Governo, que tenta lançar grandes projectos infraestruturais para animar a economia, está paralisado nesse particular. Ontem mesmo era para ser anunciado o vencedor do concurso para uma nova linha de metro mas o Ministério Público requereu o seu adiamento.

Uma boa notícia foi a realização ontem em Nakhon Ratchasima (Korat), a terceira maior cidade do país, de uma manifestação conjunta de camisas amarelas e encarnadas.

As camisas amarelas, símbolo de respeito pelo Rei, foram "apropriadas" pelo PAD como a cor do seu desafio e o UDD decidiu utilizar o encarnado como a cor que se lhes opunha, ao PAD, não ao Rei.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Santa Cruz - Bangkok



Na Tailândia, onde 86% da população é Budista, existem cerca de 3% de católicos e os portugueses, tendo sido os primeiros ocidentais a aportar ao reino do Sião em 1511, tiveram grande influencia nisso deixando as suas marcas com a construção de três igrejas na região de Bangkok para alem das existentes na antiga capital Ayuthaya.

Cinco anos após a chegada dos portugueses à antiga capital do Sião foi assinado um tratado pelo qual seriam fornecidas armas aos siameses, para os ajudar na sua luta contra os birmaneses, e em 1567 foram estabelecidas as primeiras igrejas em Ayuthaya ao mesmo tempo que chegavam padres além de frades e freiras missionários.

Após a queda de Ayuthaya às mãos dos birmaneses, em 1767, o General Taksin, reagrupou as suas forças em Chantanaburi e contando com o apoio dos portugueses, que lhe forneciam canhões e mosquetes, recomeçou a sua campanha de reconquista e expulsão dos atacantes.

Como agradecimento pelo apoio Taksin o Grande ofereceu uma parcela de terra aos portugueses para ai construírem uma igreja. A área era, e ainda é, conhecida como Kudi Jeen (a actual igreja era chamada de Wat Kudi Jeen). A igreja, construída completamente em madeira em 1770 veio a degradar-se, com o andar dos anos e as humidades do rio, e em 1835 o Cardeal Pallegoix procedeu à sua reconstrução denominando-a definitivamente como Igreja de Santa Cruz.


A actual estrutura foi reconstruída em 1913, por arquitectos italianos, já no reinado do Rei Rama VI, e é assim que existe até aos nossos dias.

O "bairro" de Kudi Jeen está situado nas margens do Chao Praya, em Tomburi, não muito distante do Wat Galyani e do Wat Arun. É aí no seu centro e mesmo em frente ao cais de santa cruz que se situa a Igreja, um dos símbolos da presença Portuguesa na capital.

Para além da Igreja de Santa Cruz existem, por perto, escolas com a mesma denominação e vendem-se numa loja nas pequenas vielas do emaranhado que é Kudi Jeen, uns bolos semelhantes aos nossos queque a que chamam "bolos dos estrangeiros".

No adro da Igreja existem imagens de Nossa Senhora, São José e Santo António para além de um crucifixo de razoáveis dimensões. e um conjunto de uma dezena de sepulturas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Breve nota

A situação politica está calma naquilo que parece ser um momento em que cada uma e todas as partes tentarem desenhar a sua próxima estratégia.

O PAD levantou ancora de Makawan Bridge deixando a Radjamnoen avenida para os militares limparem de modo a começarem os preparativos para os dois eventos próximos. A cremação da Princesa Galyiani e o aniversário do Rei. Ontem mesmo realizaram-se ensaios na Royal Plaza preparativos das festas de 5 de Dezembro, aniversário do Rei.

O General Anupong, depois do falhado Golpe televisivo, está sem causa para intervir. Este fim de semana falava-se muito no acontecer outro golpe, à semelhança com o de Setembro de 2006, visto o Primeiro Ministro ter estado em Pequim a participar na cimeira da ASEM. Contudo para haver um golpe tem de haver uma razão e neste momento não parece haver nada. Passaram os acontecimentos sangrentos de 7 de Outubro, foi tentado forçar o PM a demitir-se através da televisão. Nada resultou. Agora há que esperar. O relatório sobre a quem atribuir as culpas dos incidentes de 7 de Outubro deve estar para sair e no caso de condenar o PM ele próprio disse que assumia as consequências do facto se se mostrar a sua culpabilidade. Já tive a oportunidade de ver o vídeo sobre o que aconteceu e, para uma visão independente e de fora como a minha, não posso deixar de culpabilizar a Polícia e sobretudo o seu comando pela forma totalmente amadora como tentaram dispersar os manifestantes.

Vê-se os Policia a atirar granadas de gás lacrimogenio sem a mínima noção daquilo que estavam a fazer. Basta ver que os agentes avançaram disparando as cápsulas, sem nexo, sem estarem eles próprios protegidos. Por outro lado é sabido que foram utilizadas granadas de muito baixa qualidade e com a data de validade expirada. Uma coisa é clara: a total falta de preparação da Polícia para enfrentar este tipo de situações que depois dá os resultados que se sabe. Três mortos e mais de quatrocentos feridos.

Mas um golpe militar parece neste momento estar foram do horizonte a curto prazo por falta de causa para tal.

Do outro lado da barricada, os apoiantes do ex PM Thaksin, vão realizar um comício no dia 1 de Novembro, para o qual são esperadas cerca de 80.000 pessoas e onde o fugitivo ex PM deverá falar de Londres. Estava previsto que uma das estações de televisão o transmitisse mas o bom senso imperou e isso não acontecerá. Fica reservado para os seus apoiantes. Contudo Thaksin deveria entender que a sua carreira política acabou, com a sentença do dia 21, e só se conseguir encontrar um motivo para forçar uma reapreciação do processo, e se tal lhe for positivo, é que poderá readquiri os seus direitos. Caso contrário é como se diz em inglês numa frase que sempre achei muito apropriada: curtains.

Aquele que neste momento está a ganhar algo é o PM Somchai visto o tempo correr sempre a seu favor. Quanto menos barulho houver mais fácil é a sua vida. Tenta forçar o arranque da Assembleia Constituinte mas o processo não se apresenta fácil visto ter a oposição dos Democratas e de um numero considerável de Senadores. Como já referi, ainda que emendar a Constituição seja útil e necessário, os opositores pensam sempre que tal intenção está relacionada com uma eventual amnistia para Thaksin.

O país continua com este grave problema de todo e cada um ser visto a favor ou contra Thaksin. Os tailandeses, na maioria, não conseguem entender a existência de vias alternativas. Quando se comenta uma actuação está-se sempre, no entender corrente, a favor ou contra o "fantasma". O pior é que esse "fantasma" insiste em se materializar por vezes.

Ontem um grupo de académicos veio apelar uma vez mais a todos para que não provoquem violência e se remetam aos seus cantos evitando a confrontação.

O facto é que as confrontações verbais ou por vezes mesmo físicas são aquilo que mais excita as multidões e faz viver estes movimentos com muito sabor anarquista.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Chulalongkorn




Já uma vez me referi à Universidade de Chulalongkorn, senão a mais importante em Bangkok, por certo a mais rica, mas hoje queria falar de quem lhe deu o nome, o Rei Chulalongkorn, Rama V ou " The Great Beloved King", como também é chamado.

Ontem fez anos que Rama V faleceu, em 1910, escassos 18 dias depois da revolução Republicana em Portugal e, contrariamente a qualquer outro rei quer do Sião quer da Tailândia, Rama V tem direito a feriado. Num estilo guia túristico, visto não ser historiador, queria deixar aqui algumas notas.

Rama V era o filho mais velho do Rei Mongkut, Rama IV e de uma das suas mulheres a Rainha Debsirindra, e foi educado para vir a ser rei pela inglesa, Anna Leonowens, viajante, escritora e professora na corte de Rama IV.

Apesar de existirem vários reis na história do Sião que tiveram o cognome de o Grande, só Chulalongkorn, o quinto da Dinastia Chakri à qual pertence o actual monarca Rama IX, teve a honra de um feriado e é sempre considerado como "o grande rei, antes de Rama IX".

Outros grande reis houve como por exemplo, Pho Khun (literalmente o Senhor Pai) Ramkhamhaeng, que no século XIV introduziu a escrita no reino e cimentou o Budismo Therawada como a religião oficial ou Taksin o Grande (não confundir com Thaksin), o rei que no século XVIII reagrupou as forças siamesas depois da queda de Ahyuthaya às mãos dos Birmaneses, e conseguiu, após uma retirada estratégica para Chantanaburi, reconquistar o Sião. O Rei Taksin estabeleceu a capital do Reino nessa altura em Thonburi, na margem direita do Chao Praya, capital que viria mais tarde a transferir-se para leste e estabelecer-se onde hoje está, Bangkok, na margem esquerda.

Outros Reis houve de grande importância como Rama III, Naresuan, Narai, mas os que referi são aqueles que mais falados.

Chulalongkorn contudo criou uma aura aos seus feitos que continua a ser um dos mais reverenciados reis da história da Sião/Tailândia.

Rama V foi um monarca que viajou bastante pela Europa, a influencia da sua educadora inglesa terá nisso porventura pesado, tendo visitado quase todos os países, incluindo Portugal, e aprendendo, os hábitos e costumes que viu, ou que os seus emissários assimilaram, para os introduzir no reino e de alguma forma poder ser visto como o Pai da modernização ou ocidentalização, do Sião.

Organizou o país numa espécie de distritos, concelhos e freguesias, como em Portugal, organização que, apesar de algumas modificações feitas no numero de Distritos, ainda se mantém. Igualmente criou um gabinete que regia o país. Muitas das medidas que adoptou, incluindo a abolição faseada da escravatura, foram vistas como uma forma de retirar o poder à família Bunnag, que até então controlava o país e a própria casa real ao ponto de decidir sobre a sucessão.

De igual modo Chulalongkorn foi um hábil diplomata no tempo em que quer ingleses quer franceses dominavam na região. Isso não impediu que o Sião perdesse partes de territórios que controlava, ou lhe estavam "sujeitos", mas por outro lado manteve a independência do reino. Num desses acordos, com os ingleses sobre o sul do país, obteve, em troca de concessões territoriais, fundos e apoio para a construção de uma linha de caminho de ferro para o sul do país. A primeira foi ele igualmente que a construiu desde Bangkok ate à antiga capital Ahyuthaya.

Foi também durante o reinado de Rama V que foram introduzidas no sistema monetário as notas a par das já existentes moedas. O primeiro Banco Comercial da Tailândia, o Siam Commercial Bank, em inglês, foi igualmente criado no seu reinado

Chulalongkorn, um Budista devoto como todos os reis, introduziu igualmente aquilo que hoje se chamará a liberdade de culto permitindo que cristãos e outros praticassem a sua fé.

É lhe igualmente atribuído a introdução dos apelidos na sociedade, mas na realidade tal só aconteceu em 1913, durante o reinado do seu filho, Rama VI, o Rei Vajiravuth.
Chulalongkorn O Grande está sempre na memória dos tailandeses e a sua fotografia presente em muitas casas a par das dos actuais monarcas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Dissoluçao do PPP


A Constituição de 2007, escrita por uma comissão nomeada após o Golpe Militar de 19 de Setembro de 2006, como já referi várias vezes foi feita tendo como objectivo tentar obstacular o regresso ao poder de Thaksin e das forças que o apoiavam. De igual modo, e para atingir esse objectivo foram estabelecidos vários artigos que de uma forma geral são contra os Partidos políticos.

O resultado foi que existe uma Constituição que foi um passo atrás no processo democrático e por outro lado não evitou que o PPP (o "filho" legítimo do antigo Thai Rak Thai) fosse o Partido vencedor retornando ao poder os mesmos que lá estavam quando o Golpe foi efectuado.

Esta aliás tem sido uma das razoes, entre outras, pelas quais os militares repetidamente anunciam que não vão fazer nenhum golpe.

Mas mesmo assim, de tão má que o texto constitucional é, existem, como em todas as leis, escapes e saídas mais ou menos airosas.

O processo de dissolução do Partido no poder, o PPP, está em vias de conclusão. Mais 30-45 dias e a decisão está aí e como se tem visto as decisões serem todas negativas para estes torna-se necessário preparar o cenário pós dissolução. Convém recordar que existem três deputados do Parido Democrata que foram acusados de fraude eleitoral mas o Tribunal para estes não tem tempo de julgar e já adiou o caso por três vezes.

No caso do PPP ainda há várias discussões sobre se a melhor estratégia é dissolver o Parlamento antes da decisão judicial ou não dissolver e só fazer aquilo que a lei permite ou seja, espante-se mudar de partido.

Com a dissolução de um Partido político, e isso acontece caso um só dos seus executivos seja incriminado em alguma penalidade de violação do "código de conduta eleitoral", todos os executivos verão os seus direitos políticos retirados por um período de 5 anos.

Assim o que acontece agora? Os Deputados que verão os seus direitos retirados vão largar os seus lugares no Parlamento para dar lugar a outros, sem esse perigo, e quando houver "que dar o salto" não perdem a maioria que actualmente existe. Por outro lado outro partido Puen Thai foi já constituído para receber todos aqueles que quiserem "passar-se" mantendo se assim a status quo.

Parece uma espécie de purga feita legislativamente. Vão sendo retirados os direitos políticos a uns quantos políticos, outros passados 5 anos retornaram, parecendo um carrossel e tudo isto sob a divina benção da Constituição.

E não é este o único "crime" deste texto tão feito á pressa e por quem pelo Direito pouco se interessa (reparem que não digo pouco sabe). Outros artigos vão paralisando o país como o famoso artº 190 que paralisa toda a estrutura admninistrativa do país. Quando um texto fundamental entra em pormenores desse calibre o Direito está sempre a perder.
O Governo. numa fuga para a frente conseguiu fazer passar uma proposta de lei para emendar o artº 291 da Constituição para permitir reunir uma Assembleia Constituinte (CDA)que no prazo de 120 dias apresente uma proposta. A necessidade dessa emenda é para permitir que a CDA seja constituída por peritos e representantes da sociedade civil e não somente por deputados como reza o actual texto constitucional. Contudo o Partido Democrata alheou-se do processo e não compareceu nas reuniões para esse efeito.

E ainda existe muita gente, fundamentalmente ligada ao PAD, mas também ilustres académicos, que se opõe a uma revisão da Constituição e básicamente com medo de que seja introduzida um artigo, que absolva Thaksin como se faz no presente texto aos autores do Golpe de Estado de 19 de Setembro de 2006.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

21 de Outubro


Os últimos dias não tem tido muitos acontecimentos mas hoje dia 21 é considerado especial visto terem em simultâneo aparecido imensos sinais com muitas e diferentes interpretações.

Ontem o Rei a Rainha e o Príncipe apareceram para irem visitar o local onde irão ser as cerimónias da cremação da Princesa Galyinani entre 14 e 19 do próximo mês.

Foi erguido o guarda sol de sete véus que cobrirá o Rei durante as cerimónias mas o acontecimento foi o próprio Rei ter aparecido em público com boa cara e aparentando estar bem de saúde contradizendo alguns rumores que o davam fragilizado.

Igualmente o General Anupong, que é hoje em dia uma figura omni presente no quotidiano da Tailândia, procedeu a um rearranjo dos comandos das guarnições aquartelas em Bangkok, todas agora sob o comando do seu homem forte General Prhayud Chan-ocha, Chief of Staff, naquilo que é interpretado como os últimos preparativos para a realização de um golpe de estado.

Temos contudo que entender que ou isso acontece nas próximas duas semanas, ou estaremos muito próximos das cerimónias que acima referi. Mais tarde a 5 de Dezembro teremos a celebração do aniversário do Rei e igualmente um dia onde toda a nação estará unida. Estes dias de celebrações que envolvam a casa real são como que sagrados e intocáveis.

Num outro acontecimento hoje é lida a sentença sobre um dos casos contra Thaksin que se condenado o conduzirá a uma pena de 10 anos de prisão e ao fim da sua carreira política. De acordo com a Constituição, uma pessoa condenada, com transito em julgado numa pena de prisão, não pode ascender ao mais alto cargo da nação. A leitura da sentença vai longa mas terminou mesmo agora com a condenação de Thaksin em dois anos de prisão efectiva.


O caso tem a ver com a compra feita pela mulher de Thaksin de um terreno em Bangkok que pertencia a um fundo de investimento do Banco da Tailândia.

A acusação foi de que p ex-PM utilizou a sua posição para favorecer o negócio feito por uma instituição dependente do governo. A defesa dizia que a agência era independente e que a proposta feita pela mulher de Thaksin foi a maior.

Este caso fez me lembrar o acontecido, faz bastantes anos, quando o Ministro Miguel Cadilhe comprou uma casa nas Amoreiras beneficiando certas vantagens fiscais. Éticamente censurável, politicamente incorrecto mas legalmente certo.

Também aqui, segundo o meu julgamento, isto se passou. É éticamente incorrecto que a mulher do Primeiro Ministro faça negócios com o Estado. É politicamente errado que isso aconteça mas na realidade a proposta que ela fez, foi a mais alta, foi por um valor que estava dentro dos parâmetros do mercado e não se pode por um lado vir dizer que o Banco da Tailândia é independente e por outro que um fundo por si controlado é dependente.

Mas a justiça tem sido sempre pouco clara nas decisões tomada ultimamente. Neste caso Thaksin foi condenado pelo facto de fazer negócios com o estado e a sua mulher absolvida. Na realidade nada fez. Esta sentença vai de algum modo beneficiar o pedido de asilo político de Thaksin. Não é condenado por nenhum facto criminal e a decisão toma todos os contornos políticos.

O PAD reivindicou imediatamente vitória.

Veremos agora possíveis desenvolvimentos

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A feira do PAD

Vale a pena dar uma olhada sobre o que vem escrito e ver o grande número de fotografias em New Mandala

Como diz Christian Schaffer no final,:

The PAD occupied territory looks more like a market than a place where serious social and political issues are discussed. Remove the English protest signs, and the PAD occupied territory easily sells as a new tourist spot besides the floating market and other attractions in Bangkok. They offer bags, T-shirts, CDs, etc

Assim vai a "Revolução"em Bangkok

PAD

Parecem muitos mas são só estes

Hoje tive a oportunidade de ver uma manifestação do PAD que passou junto ao meu escritório.

Desde Sexta-feira que decidiram vir para aquilo que se chama do CDB (Commercial and Business District) para distribuir cópias do CD com aquilo que a Polícia fez aos seus apoiantes.

Penso que não devem distribuir o CD com as imagens, que correm na net, daquilo que os apoiantes do PAD fizeram aos polícias onde se vê um ser trespassado por uma lança.

Mas esta manifestação no final não junta mais do que umas mil pessoas se tanto. pelo que conseguimos medir, eu e os meus colegas, não era mais do que 200 metro de pessoas todas muito organizadas e com carros pelo meio e separadas umas entre as outras mais de um metro de modo a ocupar uma zona mais vasta.

Calmo desfile mas muito barulhento por causa de um tipo de castanholas feito de duas mãos que se tornou o símbolo do PAD e gritando ok pai, ou seja vai-te embora. por certo referindo-se a Somchai.

Entretanto este com a sua decisão de não se demitir baralhou um pouco os militares depois do Golpe de Estado cibernético da passada semana. O General Anupong ficou sem muito que dizer com a atitude do PM e agora tem de repensar qual será o próximo "coelho a tirar da cartola".


Ontem ambos estiveram presentes na cerimónia de ensaio do funeral da Princesa Galyani mas reservaram-se uma evidente distancia. Ao que parece Somchai tentou chamar o General mas foi este quem se sentiu ainda mais incomodado.

Veremos lá para o fim da semana qual a nova estratégia que vai ser seguida por este poderoso grupo de pessoas de topo na luta pelo poder na Tailândia.

domingo, 19 de outubro de 2008

Nam Tuam


Como já uma vez referi, o mês de Outubro, é quando se juntam as águas (nam) vindas do Sul, do Golfo da Tailândia e as que correm de Norte para Sul nos rios cheios pelos meses onde chove mais.

Desde final de Abril até Novembro é a época das chuvas e em geral, a partir de Julho os campos começam a atingir graus importantes de saturação e os campos inundam-se. Nas províncias do Norte e Centro do país é normal assistir a grandes inundações (nam tuam) durante esses mesas embora, como também referi a água fazendo parte da vida dos tailandeses, ou não fosse tão importante para o cultivo do arroz, acaba por não causar grandes prejuízos visto as populações estarem bem avisadas e habituadas.



Ao contrário do que acontece noutros países na região são muito poucas as vítimas quando acontece por vezes as chuvas serem mais intensas e as inundações maiores.

Chegou Outubro e redobram-se os cuidados em Bangkok. Normalmente é nesta última quinzena que as águas do Chao Praya sobem mais e invadem s condutas dos esgotos da cidade tornando, cada vez que chove mais difícil fazer escoar estas águas.

Esta madrugada, entre as 6 e 7 da manhã choveu forte e a minha rua transformou-se numa piscina ao ponto de um amigo meu que costuma vir nadar na piscina do condomínio, situada no 14 andar, perguntado porque é que mudaram a piscina para o rés do chão.

Não vi o rio mas as águas devem estar bem altas. É sempre também um momento onde as águas saltam o muro e invadem os jardins da Residência de Portugal, a mais bela Embaixada existente em Bangkok construída em 1874 numa parcela de terra junta ao rio oferecida pelo Rei do Sião ao Rei de Portugal em 1820.

Lá teremos de arregaçar as calças uma ou outra vez até ao fim do mês,mas como disse a vida continua para os Bangkokianos mesmo que tenham de ter água pela cintura como algumas vezesa contece masmo nas margens do Chao Praya.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Golpe Seculo XXI



Ontem, e durante três horas todos os chefes militares deram uma entrevista em directo no canal 3 um canal detido pelo Estado, através da MCOT, agencia tailandesa de notícias, e por uma empresa privada a Bec Tero Entertainment plc.

Nessa entrevista o General Anupong Paochinda disse que se fosse Primeiro Ministro teria assumido a responsabilidade pelos incidentes e se demitiria em virtude do acontecido nos conflitos sangrentos do dia 7.

Esta frase dita na presença de todos os chefes militares incluindo o CEMGFA, General Songkiti Jakabatra, foi considerada como um golpe de estado via televisão.

O PM perdeu com esta afirmação a confiança daquele que é o homem mais poderoso do país e sendo ele igualmente Ministro da Defesa viu um "subordinado" discordar da sua actuação. Um porta voz do CEME veio esclarecer que este não dá ordens ao PM, unicamente exprimiu a sua opinião sobre o que teria feito no caso de ser ele próprio PM e mais uma vez reafirmou que os militares não tencionam realizar nenhum golpe de estado. Pode dizer-se que depois daquilo que foi dito não há necessidade de os militares em intervir. Basta esperar! Entretanto o porta voz do Governo anda a investigar quem organizou e coordenou a entrevista com os chefes militares

Desde esse momento não foi possível contactar Somchai Wongsawat apesar do esforço de todos os meios de comunicação social que de imediato se drigiram para a casa do PM. Entretanto Somchai cancelou a reunião do National Security Council prevista para as 2da tarde de hoje. que, face à situação na fronteira, embora bastante apaziguada, seria importante ser realizada.

A única reacção até ao momento foi a do líder de um dos Partidos da coligação que disse que o PM deveria falar e ouvir o CEME. Afirmou contudo que o Matchima Tipataya Party nao abandonará a coligação antes de falar com os outros Partidos. Outros parceiros como o Char Thay e o Puea Pandin também falaram de modo semelhante.

A pressão monta a todo o momento junto do PM mas ele continuava ontem, antes da entrevista que refiro, a dizer que não sai sem que seja preparada a revisão constitucional.

O silencio a que se remeteu só mostra que de momento Somchai está intranquilo quanto ao que poderá fazer ou espera um assentar do pó para tomar alguma iniciativa.

Na fronteira como referi, as forças continuam estacionadas mas os lideres militares que se reuniram ontem acordaram uma trégua e esperar pela reunião prevista para Terça-feira do Joint Border Commitee.

Entretanto foi anunciado que Somchai iria falar ao pais.

Depois de anunciada a conferencia de imprensa, Somchai cancelou-a, cancelou também a reunião do National Security Council prevista para as 2 da tarde e está reunido com os parceiros da coligação. Espera-se que fale ao país mais tarde e anuncie a sua demissão e/ou a dissolução do Parlamento

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esta tarde


As palavras vão vencendo as disputas no terreno e de ambos os lados tem sido proferidas palavras chamando à mesa das negociações os "irmãos desavindos".

Quer do lado tailandês quer do lado cambojano entende-se que o conflito, de séculos (para melhor o enteder veja em Combustoes), deve ser resolvido através de encontros bilaterais.

O Secretário-Geral das Nações Unidas fez igualmente um apelo para que as partes encontrem uma solução negociada e ponham termo de imediato às hostilidades de alguma forma tentando desmobilizar tentativas, de ambas as partes, para levar a disputa ao Conselho de Segurança.

Se bem que as tropas estejam estacionadas, uma frente á outra, o clima é calmo e procedeu-se mesmo a um encontro entre oficiais de ambas as partes em território tailandês.

O MNE chamou o corpo diplomático e a principal informação foi a respeitante ao facto de terem sido encontradas em território tailandês, segundo o MNE, minas anti-pessoais recentes de fabrico russo numa clara violação do art. 8 da Convenção de Otava e querem levar o caso às instâncias internacionais.

Este conflito não é mais do que o reflexo das forças e das fraquezas internas de cada país e assume-se mais como um assunto de política doméstica trazido para o tabuleiro internacional do que um verdadeiro confronto onde se reclame parcelas territoriais.

Desde o século 13 que as disputas entre siamesas e khmers sobre este templo dos séculos 10 e 11 existem e a história tem mostrado sempre que o sentido dos ataques vem sempre contra o país que enfrenta uma crise de autoridade. Esse facto é aproveitado pelo outro para tentar fazer valer os seus pontos de vista.

Do lado militar não existem dúvidas de quem seria o vencedor num caso de confronto devido à enorme diferença entre, quer o numero de homens quer o equipamento existente de ambos os lados. A Tailândia mais do dobro da capacidade do Cambodja em ambos os sectores.

Tensão na Fronteira


A tensão na fronteira entre a Tailândia e o Cambodja aumentou desde ontem á tarde quando começaram as primeiras escaramuças com o envio de mais tropas para a região por ambos os lados.

Nos encontros de ontem morreram dois soldados Cambojanos e houve 7 feridos de cada lado. Existem informações contraditórias sobre 10 soldados tailandeses, ditos capturados pelos cambojanos e desmentido tal pelos comandos tailandeses.

Contudo os jornais esta manha informam do desaparecimento de 10 soldados.

O Cambodja reafirmou a intenção de resolver as disputas fronteiriças pela via negocial mas ao mesmo tempo tanques e comboios de tropas foram vistos a sair de Phnom Pehn para o norte do país, a zona em conflito. De igual modo afirmam que as situação política na Tailândia não propicia o dialogo visto não haver actualmente interlocutor no Joint Border Comitee e acusam assim o governo deste país da inactividade daquele organismo. Num comunicado emitido pelo MNE cambojano explica-se, ao pormenor, as ditas violações territoriais que os soldados tailandeses terão cometido.

A Tailândia pelo seu lado diz-se surpreendida com os ataques vindos do outro lado da fronteira num momento em que estavam a decorrer conversações ao nível de Ministros de Negócios Estrangeiros. Por outro lado a Tailândia reafirma que as suas tropas actuaram em território do país e só retaliaram ao fogo cambojano.

O problema da demarcação fronteiriça arrasta-se desde os tempos da colonização francesa do Cambodja e apesar de decisões como a Tribunal Internacional de Justiça de 1962 sobre o templo de Khao Prha Viharn, o facto é que continua a haver largas parcelas de território que são consideradas áreas em disputa e que o JBC ainda não conseguiu avançar para uma correcta demarcação. O mesmo problema existe nas fronteiras com Burma e a Malásia.

Vestígios dos tempos da colonização Inglesa e Francesa nesta região e de ambições territoriais que essa colonização teve sobre o território Siamês. O facto é que essas demarcações nunca foram resolvidas e nem o facto de os países pertencerem a uma mesma associação regional, ASEAN, cria melhores condições para que tal aconteça visto ser sempre entendido como um problema bilateral.

neste momento estamos numa altura em que a diplomacia esta´a actuar e as tropas estão paradas, mas num frente a frente que pode a qualquer momento voltar a causar vítimas.

Ambos os países querem chegar a formas de consenso mas de momento é difícil entender como vão ser retomadas as conversações sem que o problema escale para instâncias internacionais. O Cambodja já fez eco da sua posição junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Tailândia parece contar com algum apoio junto dos outros países da ASEAN, o que foi já alvo de criticas de Phnon Pehn.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Bangkok


De volta a esta metrópole e à calma aparente de uma cidade cheia de vida.

As actividades políticas lá vão tomando o seu rumo ou rumo nenhum que é o que parece acontecer.

O PAD lá continua aquartelado na Government House, o PM no velho aeroporto e o tempo tem sido para homenagear aqueles que morreram nos acontecimentos de 7 de Outubro do lado do PAD. Sobre o sargento que foi trespassado pelos estiletes dos manifestantes nem palavra.

A Rainha, presidiu à cremação da uma jovem que faleceu nos confrontos e disse que Angkana, assim se chamava, "morreu lutando pela monarquia". Ontem foi a cremação do líder da Guarda do PAD, ele próprio um oficial da Polícia aposentado. As cerimónias foram desta vez presididas pelo antigo PM Anand, um independente que, coincidência ou não foi primeiro Ministro após os acontecimentos sangrentos de 1992, uma homem que nunca se tinha manifestado em favor de nenhum dos lados e que desta vez esteve ao lado do PAD e disse que só Thaksin poderia resolver a crise existente na Tailândia. Não o referiu como, mas dsse que o ex-Primeiro era um homem inteligente e saberia como actuar.

No funeral da jovem Angkana participou também o CEME Gen. Anupong Poachinda, aquilo que é considerado pelos "mentideros" da política como um golpe de estado silencioso.

Este alinhamento junto do PAD de tais figuras pouco augura quanto ao futuro do Governo, já de si ameaçado por tantas frentes judiciais.

Nos próximos dias serão ouvidas sentenças de vários casos contra este Governo e alguns deles poderão levar á queda de Somchai e resto do gabinete, como aconteceu a Samak, por uma causa de "lana caprina".

Entretanto devido a estas cerimónias fúnebres existe uma trégua, somente interrompida pelo reanimar dos confontros entre tropas na fronteira com o Cambodja.

PM Hun Sen veio declarar que se as tropas tailandesas não retirassem da zona territorial em disputa que tinham ocupada, segundo as suas palavras, que o Cambodja atacaria para defesa do seu território e deu um prazo, já extinto para que tal acontecesse.

Do lado Tailandês

Do lado tailandês a surpresa foi grande visto a declaração ter surgido ao mesmo tempo em que decorriam conversações entre os dois MNE levando o Secretário-Geral do MNE tailandês a afirmar que o Ministro se sentia apunhalado pelas costas.

O tailandeses afirmam que não ocuparam nenhuma área para além daquela que normalmente patrulham e acusam os cambojanos de colocarem minas anti-pessoais numa clara violação da Convenção de Otava.

Entretanto o PM tailandês reafirmou a intenção das tropas não saírem de onde estão e disse que se fossem atacadas retaliariam de imediato em defesa da soberania. Correm comentários de que tudo tinha sido orquestrado por Thaksin e o "seu grande amigo" Hun Sen, para dar uma ajuda ao governo do seu cunhado, desviando as atenções dos assuntos internos e dando uma oportunidade de mostrar, em relação a este conflito, uma das armas do PAD, uma postura nacionalista e destruidora das teorias de traição que são avançadas pelos opositores. É uma teoria um pouco complexa mas tudo é possível.

Do lado Cambodjano

Entretanto hoje, mais uma vez, foram ouvidos tiros na zona e um General Cambojano afirmou à AFP que as tropas estão disparando umas sobre as outras. Entretanto o General Anupong afirmou ás tropas tailandesas para estarem prontas para responder se fossem atacadas. Neste momento confirmam-se alguns feridos nas tropas tailandesas e um morto do lado do Cambodja.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu uma nota onde se recomenda aos nacionais tailandeses que abandonem o Cambodja e meios estão a ser preparados para essa eventualidade.