terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cheias no Sul

Bangkok está a gozar um tempo de Primavera como há muito não se sentia com temperaturas no meio dos 20 graus centígrados enquanto no resto do país, Centro e especialmente no Sul as cheias vão tomando conta de muitas áreas.

De acordo com as informações do Ministério do Interior cerca de 15% da população do país está a ser afectada directamente pelas cheias e nalgumas zonas tem havido evacuações massissas.

A cidade de Hat Yai, no sul da Tailândia, é neste momento a mais afectada sendo a situação crítica. As autoridades decidido cortar todo o fornecimento de electricidade e da água estado esta a ser oferecida ás populações somente pelos serviços de socorro.

O governo disponibilizou uma verba de assistência de urgência de 5 mil milhões de Euros para poder fazer frente aos mais necessitados.

A situação em toda a província de Songkhla obrigou ao encerramento de todas as escolas, bancos e comércio visto as águas terem neste momento mais de 1,50 de altura basta observar na fotografia abaixo o sinal indicativo da rua.

O Primeiro Ministro Abhisit já deixou Bangkok para se inteirar pessoalmente da situação e foram enviados dois barcos da Marinha tailandesa para ajudar no apoio às populações afectadas. Há também relatos de que na ilha de Samui a água atinge a altura de 1,30-1,50 em várias zonas.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lisboa não fica atrás

Lisboa quis mostrar que nós também temos cheias e desdobrou-se em esforços para ultrapassar Bangkok o que conseguiu com alta classificação.

Ainda não está ao nível das cheias no centro da Tailândia mas a desordem urbanística e o desleixo dos escoamentos fez com que muitas artérias da baixa lisboeta se transformassem esta manhã em verdadeiros rios como se pode ver nas imagens.






Água



As cheias continuam a ser o tema central na Tailândia.

A zona central do país está "debaixo de água" e o número de mortos ascende já a uma centena mas há também a registar um número não conhecido de desaparecidos.

Anuncia-se agora que o pior para Bangkok pode surgir no dia 8 de Novembro quando a maré no Golfo registar o seu ponto mais alto e entretanto as comunidades ribeirinhas vão se preparando algumas já com os pés bem dentro de água.

O pior contudo continua a ser a zona centro como referi com especial foco nas província de Lop Buri e de Auythya onde a água persiste em manter-se bem alta apesar da melhoria das condições climatéricas. Os solos estão tão saturados que as águas não conseguem ser absorvidas.

Há inúmeras povoações isoladas e nalgumas províncias os pontos secos transformaram-se em ilhas só acessíveis por helicóptero.

O povo tailandês continua a sua bonomia e como se pode ver nas imagens enfrenta as adversidades de uma forma tão natural e tão diferente daquilo que nós ocidentais o fazem.

Pode ver-se uma rapariga na sua casa meia inundada que não quer perder o seu programa de televisão e numa outra um residente enfrenta as águas para tentar apanhar peixes que vêm arrastados nas correntes. Note-se também a serenidade do monge ao enfrentar água quase pelo pescoço.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

As Cheias


Apesar da presença de Ban Kii-moon em Bangkok as cheias não podem de deixar de ser a notícia principal.

Até ao momento estão contabilizados 56 casos fatais e há centenas de milhares de pessoas afectadas sanitariamente pelas cheias devido fundamentalmente à falta de água ou à sua contaminação.

O Governador de Bangkok apelou às autoridades que tentassem moderar os fluxos de água das barragens na parte superior do Chao Phraya visto a zona ribeirinha do rio estar já totalmente tomada pelas águas que continuam a subir. Ontem na estação de Pak Klhong Talat, o mercado das flores junto ao tempo do Wat Po ou templo do Budha reclinado, as águas tinham atingido 2,23 metros acima do nível do mar. De igual modo a corrente no rio é forte o que provoca preocupações caso haja pessoas ou bens que sejam envolvidos pelas águas.

Outro dos problemas em Bangkok, para além das zonas adjacentes aos canais da cidade, é a zona de Lat Krabang, transversal norte-sul a leste da capital a não muito longe do novo aeroporto, que para além de ser uma zona pantanosa está a sofrer os efeitos da construção desse mesmo aeroporto que nalgumas das suas frentes funciona como barragem às águas naturais que por ali deveriam correr e se acumulam inundando grandes áreas.

Nós homens ditos sapientes temos, por todo o Mundo, a brilhante ideia de construir projectos em cima das correntes naturais de água, que dizemos estarem secas, e quando estas são em grande volume não conseguem encontrar as saídas e criam albufeiras que tudo destroem.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cheias em Bangkok

A água avança rápido sobre Bangkok e o governo prepara um plano de evacuação das populações das zonas ribeirinhas, quer junto do rio quer dos muitos canais da Veneza do Oriente como antigamente era chamada a cidade.

Até agora foram contabilizadas 41 vítimas fatais e os prejuízos para o país e para as pessoas em bens e em perdas de rendimento futuro, fundamentalmente na agricultura, são muito significativos.

O povo tailandês tem contudo uma relação muito especial com a água, fonte de riqueza e de purificação, que está bem ilustrada na fotografia acima.

A Tailândia é mesmo a terra dos sorrisos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Inundações


Mesmo em Portugal não posso deixar de sentir a ansiedade com que se vive neste momento em muitas áreas na Tailândia devido às cheias que assolam grande parte da zona central do país.

A maioria das províncias nessa zona estão "debaixo e água" e estão contabilizados até agora 37 vítimas mortais das piores inundações de há muitos anos.

Várias barragens não resistiram e tiveram de ser abertas ou viram as suas barreiras serem galgadas pelo volume da águas.

Em meados da próxima semana espera-se que essas águas cheguem à capital o que conjugado com a alta maré dos dias 26 e 27 irá por certo fazer com que o Chao Phraya salte do seu leito e tome conta das margens.

O Governador de Bangkok tem andado incansável a tentar proteger a cidade e oxalá os esforços das forças de prevenção consigam minorar as cheias visto que uma coisa é certa. O volume de água é tanto e os solos estão tão empapados que não há duvidas que elas virão por aí abaixo em direcção ao Golfo da Tailândia que por si também está cheio.

Como dizia hoje um jornal "todos os olhos estão postos no rio".

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Fragilidade Ética e Moral


Num artigo assinado por Pravit Rojanaphruck, o jornal The Nation trás hoje um artigo com o título " A corrupção é a norma actual na Tailândia?".

O artigo começa com uma declaração/pergunta que é preocupante: "Há alturas em que se pergunta se a sociedade tailandesa é corrupta na sua alma e faliu moralmente já não tendo salvação"

Posteriormente apresenta três casos, não daquilo que vulgarmente se chama corrupção ou seja da venda de interesses ou influências para ganhos próprios, mas exemplos de corrupção moral que é aquela que o articulista quer desenvolver com a sua pergunta inicial.

O PM ABhisit nomeou várias comissões, na sequência dos incidentes de Abril/Maio que tantas pessoas vitimaram, com o objectivo de por um lado inquirir sobre o que aconteceu e por outro apresentar ideais capazes de iniciar uma plataforma de reconciliação nacional.

Sabe-se que estas comissões estão sem fundos e sem pessoas para desenvolver o trabalho, o que as torna praticamente inúteis mas há que dar algum crédito à iniciativa do PM e acreditar que algo pode sair de ali.

O artigo de Pravit debruça-se sobre estas questões.

Primeiro refere factos relacionados com o novo comandante supremo do exército, General Prayuth Chan-ocha, um homem tido por pertencer a uma linha dura e ultra conservadora mas que tem tentado estender um ramo de oliveira, porventura muito curto, ao movimento vermelho que o acusa de ter sido o homem por detrás de toda a operação contra a UDD. Prayuth acaba de promover a posições de comando relevantes aqueles que se distinguiram na ofensiva contra o movimento vermelho de 19 de Maio sabendo-se que está em curso um inquérito sobre quem disparou sobre quem e muitos dedos estão exactamente apontados a esses militares. Deste modo o general concluiu antes do tempo e assumiu para si a autoridade de decidir.

O segundo caso tem a ver com um artigo publicado no Manager online, o jornal pertencente ao PAD, portanto sectário mas que ao contrário dos jornais vermelhos não foi encerrado, em que um Senador, Kammon Sittisamarn, um dos principais cérebros do movimento amarelo, incita o governo a prender o activista vermelho Sombat por este ter organizado a manifestação do dia 19 de Setembro, que para espanto de todos atingiu proporções muito acima das expectativas da polícia, afirmando que aquela manifestação (que correu com toda a ordem e civismo) era pior do que " uma revolução armada".

O terceiro caso diz respeito á constante negação da realidade pelos membros das comissões de iniciativa governamental recentemente criadas para proceder ás investigações dos incidentes da passada primavera. Embora escolhidos e nomeados pelo Primeiro-ministro os membros das comissões insistem que são independentes. Não se põe em duvida as boas intenções da alguns desses membros (o conhecimento pessoal que tenho de alguns permite-me dizer isso, embora não possa escrever o que de eles ouvi) mas o facto é que as comissões são uma criação de Abhisit e os seus membros escolhidos pelo PM, sendo que se louve o facto de este ter tentado encontrar pessoas o mais isentas possível.

O golpe de estado de 2006 foi feito com a intenção de limpar o país da corrupção do então PM Thaksin Shinawatra, Passados quatro anos o país caiu para pior posição no índice mundial dos países mais corruptos e os casos com que o PM Abhisit se vê a braços são de proporções nunca vistas. Outro dia um Vice-primeiro-ministro do presente governo dizia-me, referindo-se ao líder de um parceiro de coligação, que esse indivíduo era "a thief" ou seja um ladrão. Um elemento do National Security Council disse-me também há dias, e sobre o mesmo indivíduo, que ele era o pior cancro que tinha existido desde sempre na Tailândia.

Estes casos e os da corrupção moral referidos por Pravit estão a colocar o país numa situação extremamente perigosa e complicada com prognósticos difíceis de entender.

Abhisit é necessário ao país mas tem de ser um Abhisit com o caminho limpo e capaz de executar a sua política não a política de outros.

Pravit Rojanaphruck é um articulista independente e escreve regularmente artigos no The Nation abordando muitas vezes os temas miliatres.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Inundações

Já por várias vezes referi a importância da água como elemento essencial na vida dos tailandeses.

Está sempre presente nos bons e nos maus momentos. Celebra-se o ano novo tailandês, o Songkran ou festival da água, atirando água uns aos outros naquilo que era antigamente um acto de purificação de limpeza para começar um novo ano mais liberto das "sujidades" acumuladas.

A água é essencial para o cultivo do arroz elemento fundamental na vida e no quotidiano dos tailandeses. Os campos alagados são os mais propícios ao desenvolvimento dos arrozais alimento para muitos quer através da alimentação que fornecem quer através do dinheiro que se pode fazer com a sua venda.

A água é também o último dos purificantes quando a vida termina e num funeral um dos rituais consiste em verter água sobre símbolos do falecido.

A água é assim também sinal na morte e sinal de morte pois as inundações que regularmente, dir-se-á todos os anos, acontecem fazem as suas vítimas e este ano estamos a sofrer uma dos piores anos do há algumas décadas. O centro do país (Korat, Pichi, Saraburi, Chayaphum, Nakon Sawan. Lop Buri, Ahyuthia e Suphan Buri) estão fortemente afectadas pelas águas que atingem mais de um metro de altura e parece que o pior estará ainda para acontecer visto as barragens terem atingido a sua capacidade máxima e terem de ser abertas sob pena de rebentarem sendo o caso mais preocupante o da barragem Chulaporn em Chayaphum.

A Tailândia há muito que necessita de um forte investimento na gestão dos recursos hídricos do país pois onde há inundações numa parte do ano há também seca na restante parte do ano.

Ontem o PM Abhisit deslocou-se, primeiro de helicóptero para observar a dimensão da grave situação que se vive neste momento, fundamentalmente na província de Koral, e posteriormente percorreu de barco uma parte da cidade capital da província onde por exemplo um hospital com mais de 1.000 doentes, alguns em estado crítico, está totalmente isolado só sendo acessível por barco. Uma grande operação está neste momento em curso para tentar transferir os doentes por um lado e para fazer chegar quer os técnicos de saúde quer mantimentos por outro de modo a amenizar a eminente catástrofe.

Em Bangkok espera-se que nos próximos dias as zonas ribeirinhas, quer do rio Chao Phraya quer dos canais, fiquem inundadas.

A situação é preocupante e a requerer medidas urgentes mas as grandes medidas têm de vir de todos nós que insistimos em destruir o nosso planeta.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Domingo em Santa Cruz

O Domingo de ontem foi um dia especial passado em Santa Cruz o "bairro português" de Bangkok.

Já uma vez me referi a esta comunidade que mantêm consigo algumas memórias de Portugal.

Para além da Igreja, onde assisti á missa das 8.30 em tailandês, há uma pequena comunidade ancorada quer na Igreja quer na escola do convento de Santa Cruz que faz gosto em lembrar e manter as coisas do nosso país.

Depois da missa preparar a comida, para locais e para os dois padres da paróquia.

Como não podia deixar de ser, comida portuguesa.

Mãos à obra que a barriga chama por nós.

Arroz de Pato, um prato que bem podia ser tailandês pois o arroz é a base fundamental da cozinha do país. Há mesmo quem diga que a comida tailandesa é "arroz com" ou seja que tudo gira á volta do arroz. É um exagero mas é ao mesmo tempo uma realidade que o arroz é uma parte crucial da vida do país. A Tailândia consome imenso arroz e era até à bem pouco o primeiro exportador mundial de arroz mas com a presente crise provocada pela valorização do baht caiu estrondosamente para o 11º lugar tendo sido ultrapassado por todos os seus rivais na região.

Para continuar uma Carne de Porco à Alentejana, outro prato, se bem que aparentemente um pouco estranho para os tailandeses poderia ser inserido na cozinha local já que o grosso dos ingredientes é bem conhecido localmente. Aliás um dia ainda irei experimentar um Pad Ka Paw Moo á Alentejana, ou seja uma variante deste nosso prato com malaguetas e manjericão tailandês.

O terceiro prato Ervilhas com Ovos escalfados definitivamente com poucas raízes aqui. Não lhe consegui encontrar semelhanças com a cozinha tailandesa e os locais chamavam-lhe "sopa" devido ao seu caldo. Aliás sempre que há algum caldo assim acontece. Lembro-me de fazer um arroz de mariscos malandrinho e um amigo meu tailandês me dizer uma vez quando é que eu voltava a fazer "aquela sopa de marisco", qual Tom Yum mas com arroz.

Esta iniciativa das pessoas da embaixada foi um sucesso e para mim foi uma honra poder contribuir com algo que tenho prazer e gosto fazer, cozinhar.

Os comensais não se fizeram parcos e fizeram jus à nossa tradição de boa comida com constantes "aroi" (palavra usada para dizer que a comida é deliciosa) o que nos deixou a todos muitos felizes.

O Domingo de ontem foi mesmo um dia muito especial passado com muito gosto em Santa Cruz .

Entre as pessoas sentadas á volta da mesa havia uma velha senhora orgulhosa de possuir uma receita de carne estufada "à portuguesa" (na realidade, embora os estufados sejam muito mais comuns no leste europeu, os nossos não são nada de desprezar) que dizia não partilhar mas que era uma grande especialidade. Ansioso por provar.
Bem hajam os organizadores deste grande Domingo, dia também onde se viu numa página inteira no Post Today a despedida da Sagres do porto de Bangkok com as velas desfraldadas e os tailandeses a acenar até à próxima.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Construir o Futuro

De acordo com todas as fontes Portugal voltará a enfrentar uma situação de recessão no próximo ano e o orçamento a votar trará significativos aumentos da carga fiscal para todos os portugueses.

Impostos directos e indirectos irão aumentar de forma significativa num esforço para repor nos cofres públicos o nível de conforto necessário para o estado não entrar na bancarrota.

Os problemas de Portugal são muito mais profundos do que as mezinhas ora utilizadas podem deixar transparecer.

No pós 25 de Abril Portugal tentou transformar-se. Em curtas palavras:

Primeiro houve uma fase da consolidação da Democracia parlamentar com a saída de cena dos militares do Conselho da Revolução e do MFA.

Posteriormente entrou-se numa outra fase do crescimento económico e da tentativa de apanhar o comboio europeu de modo a não nos atrasarmos mais com o resto do continente.

Depois deveria ter sido feita a reestruturação dos vários sectores da sociedade: educação, justiça, administrativo, etc.

Concordando ou não com esta sequência de fases o facto é que foi assim que se passou.

Acontece que a terceira fase nunca se fez. Foi adiada a passado o fardo para o futuro com as consequências gravíssimas que hoje vemos visto não haver um ensino formador, uma justiça efectiva e credível, um estado limpo e por todos aceite, etc, etc.

O próprio sistema empresarial e económico deixou-se aburguesar e ficar dependente da vaidade dos holofotes e das ajudas estatais e com raras excepções mostra-se pouco criativo e inovador e pouco acrescenta para a riqueza do país.

A falta de competitividade do país e das suas empresas num mundo tão ansioso de inovação é uma realidade. Portugal, um país com poucos recursos naturais, necessitaria de estar alavancado em dois importantes recursos: a qualidade da formação da sua gente e a forma simples acolhedora, limpa e transparente como deveria ser atraído o investimento produtivo estrangeiro. Para isso necessitaríamos de ter muito mais disciplina na formação, mais investigação, mais qualidade dos professores e dos alunos e não a situação actual.

Necessitaríamos de ter também um poder, central e fundamentalmente local, limpo e interessado nos problemas do país e não em questões paroquiais como na maioria dos casos acontece.

Coisas tão simples de dizer mas tão difíceis de compreender porque não são a prática do nosso quotidiano.

Aqui na Tailândia, país que tem vivido conturbados momentos, crise económica de 1997, Tsunami de 2004, crise política desde 2006, que seriam porventura grandes obstáculos ao desenvolvimento caso acontecessem lá mais para Oeste, vemos a economia com uma força impressionante e o seu povo, que não beneficia de todos os apoios sociais a que nós ocidentais nos habituamos, sempre a levar o país para a frente.

Um dos muitos exemplos disso é o que se passa actualmente com a indústria automóvel, uma das mais importantes no país. Lembro-me de em 2006 ter assistido, durante uma feira automóvel à comemoração do facto de a Tailândia ter ultrapassado a fasquia do milhão de carros ano. Pois em 2010 o número deverá ficar próximo dos 1,7 milhões e em 2012 deverá subir para cerca de 2,6-2,8 milhões tendo em conta os investimentos que estão em curso no sector.

Nem o facto do baht ter apreciado 12% em relação ao US Dólar desde o início do ano, de haver problemas políticos que assustam investidores, de haver incertezas no que respeita o investimento estrangeiro. Estes são capazes de continuar a olhar para a Tailândia de uma forma positiva acreditando sobretudo na sua gente, nas qualidades profissionais dos tailandeses e nas plataformas necessárias à produção dos seus produtos.

Nem tudo é paraíso, há questões sociais a ter em atenção, há ainda muita gente que não consegue alcançar aquilo que anseia e merece, mas há a sensação (certeza) de que o futuro está ali, ao alcance da acção de cada um, e isso os tailandeses sabem bem.

Com capacidades e sabendo atrair os investimentos produtivos os tailandeses constroem futuro.

Tantas semelhanças e tantas diferenças com Portugal.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sagres em Imagens

Também neste caso as imagens dizem mais do que as palavras.

Respeito


Já uma vez referi o meu gosto pelos "cartoon" uma forma de mostrar a realidade através da ironia das imagens.

Os jornais tailandeses são férteis nessa arte talvez uma forma subtil de escrever palavras que não se podem mostrar.

No passado dia 24 o Manager, o jornal do grupo de comunicação do líder amarelo Sondhi L., publicava esta delicioso "boneco" com a seguinte mensagem: "prestemos homenagem para mostrar a nossa gratidão".

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Salário Mínimo

O governo de Abhisit pretende rever o salário mínimo diário e proceder a um ajuste de grande relevância.

Actualmente o salário mínimo de referência é diferente de província para província sendo o mais alto em Bangkok 206 baht (pouco mais de 5 €) por dia.

Existem no país cerca de 2 milhões de trabalhadores ilegais, número reconhecido por todas as entidades, que se vêm na maioria dos casos sujeitos a receber salários inferiores alimentando deste modo muitas indústrias que se valem disso para competir no mercado dos baixos custos salariais. Em Bangkok é normal na indústria de construção encontrar largos contingentes de trabalhadores ilegais, fundamentalmente vindos da Birmânia. Contudo o grosso da mão-de-obra encontra-se na indústria sendo que a do camarão congelado (a Tailândia é o maior exportador Mundial de camarão) é aquela que tem maior contigentes.

Abhisit pretende aumentar o salário mínimo para 250 baht e uniformizá-lo para todo o país mas está a enfrentar uma grande oposição por parte dos empresários e das várias associações sectoriais. Como é óbvio conta com o total apoio das organizações sindicais mas arrisca-se, com uma medida tão ousada, 21% de aumento nos casos mais baixos e 66% nos casos mais altos, a ver o tiro fazer ricochete nos seus pés.
A medida proposta por Abhisit parece ter sido pouco elaborada. A maioria das pessoas está de acordo com um razoável aumento mas a ideia da criação de uma salário mínimo de aplicação nacional parece totalmente fora da realidade e se avançar irá por certo criar mais instabilidade do que beneficiar os trabalhadores.

Uma delas veio hoje a público dizer que se o PM vai avante com a sua iniciativa isso vai siginificar um aumento do fluxo de ilegais vindos dos parisses vizinhos. O à-vontade com que uma associação sectorial fala de uma questão que é não só ilegal como violadora dos direitos humanos (a Tailândia é neste momento o presidente do Human Rights Council das NU), seria de espantar e criticar se o próprio sector público não fizesse de igual modo coro sobre a questão.

O Bangkok Post publica hoje um quadro do Serviço Nacional de Estatística com os diferentes salários mínimos e os salários médios, nas províncias onde é mais elevado e onde é mais baixo, e nele pode ver-se, repito fonte de uma entidade governamental, que nas três províncias onde ele é mais baixo o salário médio é inferior ao salário mínimo.

Sem comentários.

sábado, 9 de outubro de 2010

A Sagres





Majestática subiu hoje pela manhã o Chao Phraya atracando por volta das 10.10 ao cais OB do porto de Bangkok.

A Sagres trouxe com ela tanto que não sei descrever.

Para além dos nossos Embaixadores havia várias personalidades a aguardar a "Velha Senhora" mas mais do que esses a melhor parte foi oferecida pelas crianças da Escola de Santa Cruz e pelos alunos da Universidade de Thammasat, num esforço de organização dos funcionários da nossa representação, que tanto dão ao nosso país. No fim tanta gente, alunos e professores que muito sentem e amam Portugal

Deixo algumas imagens que falam muito mais daquilo que não seria capaz de escrever.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sagres em Bangkok

Como parte da viagem de Circum-Navegação iniciada a 15 de Janeiro em Lisboa, a Sagres atracará ao porto de Bangkok no próximo dia 9 de Outubro e aí ficará até ao dia 14 continuando depois a sua viagem.

A visita marca o início das Comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao reino do Sião, que se celebra em 2011, e a visita deste magnífico veleiro é uma marco importante nas relações dos dois países e uma oportunidade rara para os tailandeses de poderem ver um dos mais antigos e bonitos barcos ainda em utilização.

A Sagres estará acostada no porto de Bangkok, em Klong Toei no cais OB, e poderá ser visitada por todos de acordo com o seguinte calendário: Sábado 9 das 14.00-18.00 e das 20.00-22.00 horas, Domingo dia 10 das 10.00-12.00, 14.00-1800 e 20.00-22.00 horas, Segunda dia 11 das 15.00-18.00 e 20.00-22.00, Terça dia 12 das 10.00-12.00 e Quarta dia 13 das 10.00-12.00 e14.00-18.00.

A não perder

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sinistro

Na passada Sexta-feira o aeroporto da capital foi palco de mais um incidente difícil de explicar mas não difícil de entender porque acontece. O triângulo política, uniformes e interesses económicos de tudo é capaz e a impunidade ajuda.

Cerca de 200 homens vestidos de preto e de cabeça coberta tomaram de assalto um dos parques do aeroporto, controlando todos os acessos e saídas. Quem foi apanhado no meio veio a sofrer a indecisão de sabe o que ia acontecer, se violência ia ser utilizada, etc.

Os caixeiros foram pontapeados para fora do recinto e há notícias de passageiros terem de igual modo sido molestados inclusive intimidados com disparos.

E tudo isto aparentemente porque existe um conflito acerca de novas regra que a AOT (Airports of Thailand) quer introduzir no contrato entre esta companhia e o concessionário dos parques de estacionamento, uma empresa detida por um "cabeça de turco" de Nevin Chidchob. A AOT depende do Ministério dos Transportes, pasta pertencente á quota BJT ou seja Nevin.

Nada de novo no país onde tudo é comandado pelos interesses de grupos sempre intrinsecamente ligados á política e aos seus actores.

O importante é que, e de acordo com o que se relata hoje em editorial no The Nation:

"Nenhuma informação foi dado ao público, a AOT fechou os olhos e ou ouvidos ao acontecimento, a segurança do aeroporto não actuou deixando os "homens de negro" operar livremente, o CRES, o controlo operacional do Estado de Emergência (sim estamos sob o estado de Emergência por mais três meses), nada controlou, o ministro responsável pela segurança Suthep, nada disse, o patrão dele, o PM Abhisit, também não e as forças armadas, apesar desta enorme falha na segurança, nada comentaram igualmente."

Hoje vêm também a público que os 200 "homens de preto", tal qual os acusados pelo governo de durante os distúrbios de Abril-Maio actuarem ao lado dos vermelhos contra as forças do executivo, são nem mais nem menos do que militares dirigidos por um coronel do exército, homem forte em duas províncias do leste do país, contratados para actuar em defesa de interesses económicos suspeitos mas onde se encontram sempre uniformes em posições de destaque.

Conclui aquele editorial – alguns pensam que estes "homens de preto" intimidam e na Tailândia pós 19 de Maio isso para além de ser verdade é arrepiante.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

1 de Outubro

Dois comentários simples e distintos para hoje Sexta-feira 1 de Outubro dia que dá início ao novo ano fiscal tailandês, dia que também é marcado pelas mudanças em muitos postos quer na função pública quer nas forças armadas quer na polícia.

a) Acabou de me chegar à caixa de correio a mensagem sobre um escrito que alguém fez sobre coisas que não presenciou mas sobre as quais emite opiniões baseadas em "amigos que por lá passaram". Ás vezes até se pode comentar factos alheios mas será sempre conveniente verificar as fontes pois o comentário que leio nada tem, mesmo nada, com o que aconteceu.

Faz-me lembrar a história daquele repórter que elabora, e o jornal publica, um largo relato sobre um evento que afinal acabou por não acontecer mas como ele não foi lá achou que poderia "imaginar" os factos e transmiti-los dessa forma ao mundo. No fim do que se trata aqui é de mentir ou talvez pior enganar propositadamente terceiros.

b) O Centro para a Resolução do Estado de Emergência (CRES), entidade criada na sequência da declaração do Estado de Emergência (EM) em Abril passado que funciona como o comando geral que faz a análise da situação do país no que respeita segurança e consequentemente aconselha o governo sobre as acções a tomar tem vindo a ser contestado na sua insistência em manter o EM em várias províncias do país. Há dois dias a comissão do Senado que segue as questões de segurança apelou ao levantamento daquela medida. Muitas e diversas entidades publicas e privadas se manifestaram igualmente contra a continuação da situação.

A resposta para a "teimosia" talvez se encontre no facto de os oficiais colocados no CRES receberem generosos per diem. Enquanto no Sul do país, onde todos os dias morrem militares ao serviço do país, os membros das forças aí destacadas recebem 180 baht diários aqueles "aquartelados" no ar condicionado do 11º regimento de Infantaria recebem 400 baht e o CRES tem um orçamento diário de quase 350.000 Euros.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Saber Ouvir e Aprender

Os estrangeiros são por norma acusados de "nada entenderem sobre a Tailândia " e de estarem mal informados. Estes são argumentos múltiplas vezes usados pelo Governo (em comunicados oficiais) ou por forças que não gostam daquilo que ouvem ou lêem.

Na realidade entender a cultura, o pensar e o sentir dos tailandeses requer uma longa ambientação e um profundo sentido de abertura a ideias e conceitos que são por vezes "estranhos" para uma mente ocidentalizada e desse modo habituada a padrões de raciocínio bastantes diferentes.

Aquela afirmação é portanto em muitos casos bastante correcta mas, como sempre, a generalização é um pecado a não cometer.

Conheço este país, convivo com a sua gente, quer na cidade quer no campo ou em muitas outras cidades longe da enorme metrópole que é Bangkok há mais de 6 anos e mesmo assim estou a aprender diariamente e considero-me um aluno diligente pois sei bem que conhecer um povo e uma cultura por ele representada é uma longa e árdua tarefa.

Vem tudo isto a propósito de uma conferência que hoje ocorreu no Instituto de Estudos Internacionais e de Segurança da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Chulalongkorn (ISIS), com o seguinte tema: Thailand Troubles – Long Time Resident Foreigners Prespectives.

Falaram então hoje pessoas residentes na Tailândia há bastante tempo sobre os acontecimentos políticos recentes e sobre as perspectivas de futuro no que respeita a tão ansiada reconciliação nacional que permita ao país caminhar a um ritmo mais rápido que as capacidades e anseios do seu povo permite e desejam. Sala cheia para ouvir os três oradores.

O primeiro comentário que quero fazer foi dito por uma jornalista sénior tailandesa que afirmou que os oradores conheciam mais do país dela do que a grande maioria dos seus compatriotas.

Dos três oradores o primeiro foi um ex banqueiro no país, hoje Assessor do Banco da China e consultor de várias empresas na região e que vive na Tailândia há 31 anos; o segundo um ex professor, jornalista e actual Director de uma consultora que vive há 35 anos no país e o último um jovem licenciado em direito que decidiu vir para a Tailândia quando ainda não havia electricidade nas aldeias na província, onde começou a ensinar, mais tarde ingressou na Universidade de Chulalongkorn, onde se doutorou e de onde acabou por se jubilar como catedrático e vive neste país há 56 anos.

Todos com profundas raízes no país, mulheres, filhos, trabalho académico e produtivo realizado e falando tailandês como qualquer nacional.

Estava-mos assim perante um painel de tailandeses de adopção e de pessoas que dedicaram muito da sua vida a estudar fundamentalmente os aspectos sócio-económico-politicos do país tendo produzido inúmeros "papers" sobre a matéria.

A sessão foi longa, extremamente participada e ilustrativa e não irei mais do que referir algumas mensagens que deixaram.

"Actual governo mostrou ao dar três anos às comissões que criou para estudarem as necessidades do sistema politico tailandês que conduzam a uma reconciliação, que quando esteve na oposição durante 6 anos não fez o trabalho de casa e não têm uma visão daquilo que quer para o país". "O PAD e a UDD não são capazes de mostrar nada mais do que a oposição a posições que não lhes são favoráveis. Nenhum movimento tem, igualmente uma noção daquilo que podem oferecer se fossem chamados a governar"

Estas afirmações são uma clara descrição daquilo que é o sistema político-partidário que nada mais se interessa do que na distribuição de lugares e do orçamento que lhe está associado.

"Desde o final dos acontecimentos de Maio foram encerrados 210.000 sítios de internet, o que não é um bom sinal para uma desejada reconciliação".

"O sistema educacional tailandês está desenhado para uma economia baseada na exploração dos recursos naturais e oferta de mão-de-obra barata e não para uma economia baseada no valor acrescentado e inovação".

Na realidade a Tailândia tem todas as condições para poder, e dever, concorrer com os seus mais directos rivais em termos económicos elevando a qualidade da sua oferta mas com o sistema educativo a ficar cada vez mais para trás em relação àqueles concorrentes isso torna-se difícil.

"Na guerra das políticas económicas Thaksin ganhou pois ele introduziu melhorias. O governo actual limitou-se a manter ou mesmo expandir os benefícios anteriores mas como isso já não constitui novidade os louros vão para o fugitivo ex PM"

É uma constatação interessante. Embora as políticas sejam as mesmas ou estejam inclusive melhoradas os beneficiários não sentem que haja nada de novo e este governo consequentemente não beneficia do facto.

Muito se falou sobre as mudanças na sociedade e as exigências vindas da vida rural. Neste particular foi também analisada a transformação que se registará nos próximos 20 anos no país pelo facto da população rural estar envelhecida e o facto de o sector agrícola já contar só para cerca de 10% do PIB. O que foi contudo mais falado foi a grande transformação da consciência das gentes no campo. Dantes a noção de direitos, regalias, exigências estava arredada de todo do pensar nas aldeias, hoje tal facto não se verifica e há uma cada vez maior "urbanização" do pensar colectivo rural.

O terceiro orador disse que quando começou a viver numa aldeia no Nordeste e estava a ensinar entendeu uma vez fazer uma comparação com uma situação que se vivia e o conflito no canal do Suez. No fim dizia um aldeão para outro: "O que é que isto tem a ver com o arroz?" Também, e na sua ingenuidade de recem licenciado em direito, ao ver os abusos que eram cometidos sobre as pessoas logo lhe ocorreu que elas deveriam accionar os perpetradores de tais abusos. Tal facto era tão alheio ao dia a dia das pessoas que não só não tinham posses para tal como a hierarquização da sociedade nunca tal permitiria. Como se diz em bom português – "come a cala-te"! A situação actual é diferente. Existe uma consciência e noção daquilo que se pede e há claras ideias quanto aquilo que se quer ver no futuro. As mentes estão alertas e o espírito comunitário fortemente desenvolvido.

No sítio do ISIS podem os interessados encontrar mais informação já que a sessão ter muito, mesmo muito, mais para contar do que as simples notas que tomei.

Em conclusão nem todos os estrangeiros são estúpidos, mal informados ou incapazes de entender a Tailândia como muitas vozes apregoam e por vezes uma visão de fora é algo que também se deve ouvir. Aliás saber ouvir é a melhor maneira para aprender.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tráfico de Armas


"Apontamos o dedo a homens como Viktor Bout pelo facto de manchar a imagem da Tailândia mas é a elite militar e política que transformou este país num terreno aberto para o tráfico ilícito de armas" é este o destaque quê se vê hoje no editorial do jornal The Nation num texto acerca da constante desaparecimento de armas e munições dos arsenais militares.

Neste mês de Setembro houve dois incidentes deste tipo (desaparecimento de largos milhares de munições e centenas de granadas do arsenal de Lop Buri) mas o editorialista refere isso ser uma constante e que os tailandeses não deveriam estar surpreendidos pois tal não é mais nada do que o "reflexo de uma cultura de impunidade existente no país".

No Sul do país existe um verdadeiro mercado de armas ligeiras e munições a céu aberto tal qual qualquer mercado de rua no resto do país. Pode mesmo regatear-se o preço de uma bala ou de uma granada e todas elas são provenientes dos arsenais militares.

No corpo do artigo o editorialista refere uma outra grande verdade, que infelizmente se passa em todo o mundo quando estamos a lidar com traficantes.

Diz o jornalista que a patente mais elevada que alguma vez é acusada neste casos é a de sargento e nunca um general viu o dedo ser-lhe apontado.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Chiranuch Premchaiporn é uma activista pelos direitos da liberdade de expressão que faz a gestão de um muito conhecido sítio de internet, o Prachathai. Na Sexta-feira foi detida pela segunda vez no período de dois anos alegadamente por permitir que no fórum estejam escritos comentários tidos por serem contra a monarquia.

Chegava de Helsínquia vinda de conferência sobre liberdade de imprensa occorida em Budapeste quando foi detida no aeroporto para mais tarde ser libertada por o juíz de Khon Kaen para onde foi levada, pagando uma "gorda" caução.

Hoje nos dois principais jornais de língua inglesa na capital vêm artigos, um o editorial e outro um artigo de opinião sobre o caso.

No editorial do The Nation alega-se que no momento em que existem tantas iniciativas no sentido de encontrar formas para a reconciliação de uma Nação dividida a prisão de Chiranuch é " pouco feliz e politicamente incorrecta", como reza o título. Penso que Tulsathit, o editir chefe, afirma que quem conhece a activista sabe bem que ela é tudo menos uma ameaça para a segurança nacional e nada mais é do que uma voz radical, comparando-a à da ASTV, a televisão amarela, e anota a continuação da política de duas atitudes do governo para contra aqueles que têm opiniões divergentes. Os amarelos nunca são incomodados nem presos e se isso acontece são de imediato libertados sem fianças enquanto no campo oposto se passa o contrário. Lembre-se que continuam detidos centenas de militantes vermelhos desde Maio sem que contra eles tenha sido produzida nenhuma acusação.

No Bangkok Post o artigo de opinião é assinado por Thitinan Pongsuthirak, professor de Ciência Política da Universidade de Chulalongkorn, Director do Centro de Estudos Internacionais e de Segurança e professor convidado da Universidade de Stanford na Califórnia.

Thitinan vai mais longe na sua análise e lembra que quem está à frente dos destinos do país é Abhisit ele, como muitos outros, um jovem professor e activista no passado por direitos que agora vê serem negados bem em frente do seu nariz. Thitinan, professor da mesma geração de Abhisit, lembra que o caso de Chiranuch é a ponta visível de um icebergue volumoso existente em todo o país e representado por tantos outros casos de falta de liberdade de expressão, detenções arbitrárias e medo das pessoas.

Thitinan acaba com um desafio a Abhisit dizendo que o caso Chiranuch é uma teste á rectidão moral do PM.

Entretanto o Abhisit, presentemente em Nova Iorque para participar na Assembleia-geral das Nações Unidas, foi recebido à saída do hotel onde se hospedou por uma manifestação vermelha na qual as pessoas o apelidavam de "assassino", por certo fazendo lembrar as mortes ocorridas durante os sangrentos confrontos de Abril/Maio deste ano em Bangkok. Tais vídeos ou mesmo imagens não foram mostradas na comunicação social tailandesa.