terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Programa do Governo


Esta manhã a Polícia tentou abrir as portas do Parlamento sem sucesso mas sem evitar algumas confrontações com os manifestantes o que começa a ser um mau sinal visto ter havido algumas escoriações.

A Polícia mostra-se de novo ineficaz e incapaz de lidar com manifestantes e é sabido ao que isso levou no caso das manifestações do PAD. Pelas fotografias acima vê-se que a UDD é um movimento ainda pequeno, com pouco dinheiro e pouca organização, mas como escrevia ontem, se lhe dão tempo pode crescer e tornar-se um PAD, o que não se deseja.

O Governo de igual modo mostra-se pouco esclarecido e, sem que o Presidente do Parlamento tivesse consultado os vários lideres parlamentares, numa grossa violação das regras Constitucionais em vigor, fez mudar o local de apresentação do seu Programa para o Ministério dos Negócios Estrangeiros levando a que os Deputados da Oposição anunciassem que irão boicotar tal sessão devido a esse desrespeito pela lei.

Aliás o PM foi ingénuo primeiro anunciando que iria apresentar o programa de governo através de todos os canais televisivos chegando assim a todos os representantes do povo (sic) para posteriormente já não respeitar "esses representantes" e convocar a reunião para outro lugar como se fosse ele próprio o líder do Parlamento. Por outro lado para quem apregoava ainda não há muito tempo que os votantes do Norte do país (os que lhe são adversos) eram incultos e vendiam facilmente os seus votos, não me parece que o PM esteja a ser muito coerente com os seus pensamentos ou será como aqueles que dizem que em política o que hoje é mentira amanhã é verdade. Penso que foi um "grade filósofo" do futebol português que proclamou tão "elevada" mensagem.

Abhisit, violando as regras Constitucionais, no entendimento de alguns, acabou por juntar os dois planos e decidiu realizar a sessão numa sala do MNE e utilizar a televisão, mas apenas a NBT, para "apresentar ao país" o seu programa. Ao fim de três horas de discurso e, pela primeira vez na história da "democracia" tailandesa, o Programa foi aprovado sem votação nem discussão visto estarem na sala só os Deputados de um lado. Pelo que se pode observar pela televisão o PM parecia muito convicto de que esta é uma maneira éticamente correcta de apresentar o seu programa e assim haverá um Governo com um programa "aprovado" com o atropelo de todas as práticas até aqui usadas no país e todas as regras de ética ainda hoje mesmo reclamadas pelo Assessor do Partido no poder Banyat Bantadtan.

Um mau começo para um Governo do qual se deseja, e necessita, muito.

Reprovável!

Entretanto a temperatura vai aquecendo e a Polícia Metropolitana de Bangkok emitiu um comunicado onde se avisa a população para estar especialmente atenta em vários locais da cidade durante as festividades do fim do ano. Os locais mencionados pela Polícia no seu comunicado são: Victory Monument, Major Ratchoythain, Seacon Square, Central World, Khao San, áreas em volta de Chitralada Palace, Si Sao Thewet, Mo Chit, Soi Nana, Central Pinklao e Saphan Kwai.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Domingo em Bangkok


De volta à cidade dos anjos esperava-se um Domingo com algum calor devido à anunciada manifestação do UDD na sua luta contra o Governo de Abhisit e pela convocação de novas eleições. Ontem o Governo foi apresentar cumprimentos ao General Prem, Presidente do Conselho Privado do Rei, e a sempre presente figura na vida política tailandesa, e o PM deve ter ficado muito satisfeito por ter ouvido da boca daquele que " a Tailândia tinha muita sorte de o ter como Primeiro Ministro" (sic).

Aconteceu calma mas a dança parece prestes a (re)começar.

Deu-se a volta à mesa mas os parceiros continuam os mesmos.

De um lado um Governo que é contestado. Do outro aqueles que o contestam

Antes eram as marionetas de Thaksin Shinawatra e os amarelos do PAD. Agora são as marionetas de Anupong/Nevin (reconhecidos como as figuras do ano pela imprensa) e os vermelhos do UDD.

Existem algumas diferenças é certo mas a mesa (país) é a mesma e os objectivos são também os mesmos. Correr com o parceiro que se senta do outro lado dessa mesa.

Hoje estava agendada o início da discussão do programa do Governo mas os UDD arrancaram de Sanan Luang a decidiram bloquear o Parlamento para impedir essa sessão. O Parlamento e o Governo actuaram da mesma maneira que fez o de Samak/Somchai, ou seja recuando, embora hoje o Comando da Polícia disse que os manifestantes podiam ser presos por "tentativa de inssureição" artigo do Código Penal só "aplicável" aos vermelhos pois nunca tal foi dito ou feito contra os amarelos.

Este reeditar de uma política de contemporização com as manifestações desordeiras deu o que se sabe com o PAD e se este Governo vai pelo mesmo caminho daqui a uns meses teremos uma nova cena semelhante ao que aconteceu com a ocupação dos aeroportos.

Da mesma forma que o PAD, quase há três anos atrás, o UDD não está organizado nem tem fundos. Contudo se lhe dão tempo para tal acaba por se tornar num exército bem organizado e munido de todas as condições para acções extremamente bem planeadas, financiadas e dirigidas como o PAD, e portanto capaz do pior.

Este último não desmobilizou e os milhões que arrecadou estão ainda a ser utilizados para manterem as estruturas activas. Para testar a sua capacidade de mobilização e festejar os sucessos do ano, reuniram ontem em Muang Tong Thani os seus apoiantes numa grande festa de Fim de Ano.

Entretanto a grande notícia do dia foi a presença do Rei numa regata em Khao Tao, um facto pouco visto. O Rei manteve-se durante toda a competição, atento e tirando fotografias como gosta, aparentando muito boa saúde e uma cara fresca e bem disposta, podendo ver-se quase que um sorriso no gosto que estava a ter de poder conviver com os seus súbditos.

Chegou discreto, numa carrinha, acompanhado de um pequeno cortejo de carros oficiais e de um dos seus cães predilectos, Tongdaeng.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

1ª Medida Económica


Qual Pai Natal, Korn Chatikavanij, o Ministro das Finanças recentemente empossado, acaba de anunciar a primeira medida de um pacote económico que diz ser vasto e vir a cobrir os sectores da sociedade com maiores dificuldades.

Essa primeira medida vai direita aos adquirentes de casa através de crédito bancário, que passam a poder deduzir nos impostos sobre rendimentos a totalidade dos juros pagos ao longo do ano quando até aqui esse montante era limitado a 100.000 bath.

Se bem que esta medida não cubra muita gente a seja fundamentalmente dirigida à classe mais alta do país, é uma medida que tem um sentido positivo com duas facetas.

Atribui benefícios fiscais, só a quem paga impostos, e permite dar um impulso a um sector da economia com bastantes dificuldades dando uma ajuda áqueles que querem comprar habitação.

Para além disso não é uma medida populista como se temia que viesse a ser as primeiras, na sequência de declarações feitas por alguns dos apoiantes da coligação no poder.

Num momento em que é anunciado que a economia teve um crescimento negativo entre 2 e 3% no segundo semestre de 2008, que as exportações decaíram, só em Novembro, 18 % e o FDI 6,4%. é positivo ver que o Governo tem como sua primeira prioridade tentar encontrar medidas para suavizar a crise que também se abateu sobre a Tailândia.

Entretanto o Director-Geral do Orçamento, Somchai Sajjapong, avançou que a previsão para o crescimento da economia para 2009 é de entre 0 e 1%, o que não sendo bom atento o passado recente da Tailândia e do próprio Sudeste Asiático, é contudo melhor do que o cenário de recessão que ameaça grande parte do Mundo.

O Pedido de Desculpas



O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros pediu hoje desculpas ao povo pelas afirmações que fez acerca do bloqueio aos aeroportos há perto de 3 semanas.

De acordo com as fontes, Kasit, numa conversa com um grupo de diplomatas estrangeiros e jornalistas, passada no FCCT na semana passada, e presenciada por um colega meu, afirmou que a ocupação dos aeroportos tinha sido divertida e que havia lá comida muito boa e bons artistas para divertir os sitiantes.

Para quem quer assumir a pasta da Diplomacia não se consegue encontrar pior forma de começar. Se tivesse sido só num circulo restrito de Diplomatas tal seria possível mas na presença de jornalistas é demasiado descuido. O ex MNE Noppadon também fez algumas afirmações pouco recomendáveis mas essas ficaram no segredo das salas de Embaixadas.

O mais interessante é que Kasit não desmente as afirmações somente tenta dizer que porventura terão sido mal interpretadas. Na realidade não as pode desmentir visto, segundo me informaram, estarem cerca de 7 pessoas ao redor dele quando disse aquela "piada".

Para acrescentar ao pouco tacto que sempre mostrou, Kasit, no seu pedido de desculpas, diz que quer dividir a sua vida entre o que se passou até ao dia 22 de Dezembro recente a o que se irá passar a partir da sua entrada para a governação. Para uma pessoa de 64 anos convenhamos que recomeçar de novo é proeza.

Cá na terra existem provérbios que contradizem essas possibilidades mas como já escrevi na Tailândia tudo é possível.

Já tinha referido que foi uma das mais infelizes escolhas (?) de Abhisit para o gabinete num momento em que se deseja acima de tudo sarar um pouco as feridas provocadas ao longo do ano de 2008 com as desastrosas governações do PPP e os desacatos provocados pelo PAD que tanto mal fizeram ao país.

Esperamos que Kasit tenha aprendido quando pode e quando não deve tentar usar aquilo que apelidei de estilo Samak, estilo de permanente confrontação. Para os admiradores de Kasit esta pérola.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal

Queria Desejar a Todos

Muito Bom Natal



Votos de um 2009 que nos traga de novo o sorriso que 2008 quis roubar.


O Natal de Abhisit


O período de calma registado na Tailândia com a constituição e posterior confirmação pelo Rei Rama IX do novo Governo veio mesmo a calhar para este muito curto período de férias em Portugal.

Natal é harmonia na família, Natal é Paz, Natal é Esperança e, se bem que sendo um país Budista, a Tailândia necessita de todos estes valores do mundo católico, para se relançar e recomeçar a construir algo de positivo depois de mais de três anos de paragem.

Hoje SM o Rei, em audiência no Palácio de Hua Hin, sauda-se desde já a sua recuperação, aliás já referida há cerca de duas semanas, confirmou o novo Governo depois de ter sido possível tirar a fotografia da praxe de novo em frente a Government House, rehabilitada depois de gastos mais de 20 milhões de Euros que serão pagos pelos contribuintes.

Abhisit, já apelidado Oba-Mark, numa referência ao Presidente eleito dos EEUU e ao seu nick name, Mark, e à esperança nele depositada, reconheceu que o gabinete fica aquém das expectativas dizendo que teve de o constituir à pressa. Recorde-se que o prazo constitucional é de 30 dias e só a necessidade de não fazer perder o momentum pode justificar essa afirmação. Na realidade parece mais um Governo Suthep/Nevin/Militares do que um Governo com a mão de Abhisit. O próprio Chuan Leekpai foi afastado de tudo.

Vai ser bastante interessante analisar o desenvolvimento desta aliança nos próximos tempos.

Todos aqueles que contribuíram quer financeiramente quer através dos jogos de força acabaram de ser recompensados com postos e o Ministério da Defesa volta a ser atríbuido aos militares, uma ligeira subversão daquilo que é tradicional ver-se em estados Democráticos sendo os próprios a gerir o seu orçamento, e sabe-se bem quanto os militares são zelosos dos seus "quarteis".

A atribuição do lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros a Kasit Piromya, um conhecido apoiante do PAD, em cujos palcos aparecia regularmente para falar aos militantes, vai por certo ser um problema para o governo nas suas relações internacionais, nomeadamente com o Cambodja, devido às posições que assumiu e também ao seu estilo "Samak" de total confrontação contra tudo e todos, o oposto daquilo que é um diplomata. Mas o mais gritante foi a nomeação para Ministro do Comércio, uma pasta crucial neste momento, de Pornthiva Nakasai, uma empresária "da noite" ligada a um das mais famosas "catedrais das massagens não medicinais" o Poseidon, em Ratchada. A falta de capacidade de Abhisit em rejeitar o seu nome mostra as dificuldades que enfrenta. O único facto que se pode dizer em sua defesa é que o negócio prosperou sempre com ela à cabeça.

Entretanto muito preocupante para o país foi o anúncio feito hoje pelo Presidente da Toyota de que este seria o pior ano de sempre da companhia com uma quebra de vendas de 50% e que não estava em condições de prever o futuro para o Grupo. Sabendo-se da importância da Toyota na economia da Tailândia este anúncio vem na pior altura e será mais uma machadada a acrescentar à já grande lista de sectores que estão a gerar desemprego.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Situação Económica na Tailândia



O Tourism Council of Thailand (TCT), o organismo independente onde se juntam governo, operadores e utilizadores dos serviços de Turismo, acabou de divulgar as conclusões da analise sobre o sector e as previsões a curto prazo para o país.

É esperado que o fluxo de turistas que entrem no país durante a presente estação alta, decresça em cerca de 3 milhões ou seja 20% do total previamente esperado para o ano. Isso terá um impacto negativo na ordem dos 109 mil milhões de bath (2.200 mil milhões de €). Como já anteriormente referi a maioria dos hotéis de 5 estrelas está "às moscas", alguns mesmo sem clientes e todos os outros serviços adjacentes, museus, locais turísticos,restaurantes,bares, zonas de animação, agências de turismo, guias, etc, estão despedindo pessoal devido à falta de clientes. Os únicos que mantém umas taxas de ocupação razoável são os hotéis não classificados ou de 1/2 estrelas mas mesmo assim aquela é de 19% de acordo com o TCT. A Thai Hotels Assotiation prevê que cerca de 30% dos efectivos empregados no sector hoteleiro serão despedidos durante o ano de 2009.

Em Chiang Mai era previsto estar-se a realizar neste momento a 14ª Cimeira da ASEAN, com a participação das delegações dos 10 Estados Membros mais a China, Coreia do Sul e Japão e igualmente uma delegação do Banco Mundial encabeçada pelo seu Presidente e outra das Nações Unidas com Baan Ki-Moon a liderar. Os hotéis estavam todos reservados e sei de pessoas que não conseguiram fazer marcações em Outubro devido à cimeira. Neste momento esses mesmos hotéis estão totalmente vazios e a cidade que iria receber cerca de 3.000 pessoas entre Delgados, assistentes e jornalistas está deserta.

Os Governadores de Phuket, Krabi e Phang Na solicitaram ao Governo Central ajuda para poderem enfrentar a crise.

O turismo foi afectado devido à instabilidade política existente no país fundamentalmente por causa do fecho dos aeroportos mas não é só o Turismo que está a ser afectado ao ponto de o Banco Central hoje vir requerer ao novo governo a implemantação de medidas extraordinárias e não convencionais de modo a poder enfrentar-se a crise que se alastra a todos os sectores da economia.

Primeiro foi a industria automóvel, logo seguida pela electrónica, os dois principais pilares das exportações no país (estes dois sectores entre produtos acabados e peças ocupam os quatro primeiro lugares na tabela das exportações), a entrarem em forte quebra induzida pelo arrefecimento da procura nos mercados de destino. Hoje é referido que a Associação dos Produtores de camarão decidiram reduzir a produção em 20%, com os consequentes cortes na força laboral, devido igualmente à retracção da procura externa.

Pela primeira vez este ano a venda de veículos caiu 1.88%. Pode parecer nada para quem na Europa vê esses números multiplicados exponencialmente mas o facto é que todas as marcas fortes no mercado estão a vender entre 6 e 17% a menos este ano com excepção da Honda que regista ganhos. A indústria automóvel e de acessórios é o maior empregador no país e um dos grandes motores das exportações e do consumo interno.

O cenário é muito pouco favorável para uma economia tão aberta como a tailandesa e o Presidente do Bangkok Bank, o maior banco do país, advertiu hoje que se não forem tomadas medidas urgentes o próximo ano poderá ver o pais registar um crescimento negativo da sua economia.

Do ponto de vista orçamental se bem que a balança comercial deva apresentar ganhos, devido à contracção da procura e portanto das importações, existe uma grande preocupação com a falta de animação do consumo e consequente arrecadamento de receitas. Mesmo assim alguns analistas aconselham o novo gabinete a reduzir o IVA de 7 para 5%. Contudo este já afirmou que irá prosseguir, à sua maneira, algumas das políticas populistas de Thaksin, que custam muitos milhões, não só para conquistar os corações dos que não os apoiam mas também para dinamizar o consumo interno.

Abhisit, Doutorado em Economia em Oxford irá, ao que tudo aponta, liderar ele próprio a equipa económica visto haver a consciência de que atacar estas questões é uma das prioridades do novo executivo. Contudo Korn Chatikavanij, seu companheiro de estudos em Oxford, Secretário-Geral Adjunto do Partido, ex Managing Director do JP Morgan Thailand, e o muito provável novo Ministro das Finanças, adverte que ainda antes desse ataque á economia há que criar as condições para unir o país e trazer os irmãos desavindos para a mesma mesa.

Uma árdua tarefa para um PM que acaba de receber a necessária aprovação pelo Rei para iniciar a formação do seu Governo e apresentar ao país o seu programa de governação previsto para o dia 26,

Imagens

Estas são, algumas das imagens, felizmente do passado ainda que recente, que não ajudam nem o país nem o seu Monarca, que sem o pretender é envolvido nestas disputas.

Seria bom que o sistema policial e jurisdicional punisse estes comportamentos de forma igual para todos, sejam eles "amarelos" ou "vermelhos".

Muitas criticas já circulam à (nova) atitude do Comando da Polícia em apresentar queixa judicial, e muito bem, contra os "vermelhos" por terem atirado pedras aos carros dos Deputados na Segunda-feira,mas não ter tido o mesmo comportamento com os "amarelos" quando praticaram, documentadamente, os maiores vandalismos, inclusive ao próprio património da Polícia.

A justiça e as forças da ordem só ganham quando são independentes e não olham à cor dos infractores mas aos actos que praticam.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mark e as Flores


Mark é o nome pelo qual é conhecido o novo PM Abhisit.

Nos últimos dias andou a distribuir flores por todas "as capelinhas" na sua ronda á procura de apoio para a sua nomeação. Diziam-me hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros que as flores tinham sido muito caras pois eram sempre rosas importadas da Holanda.

Foi a casa de todos os lideres dos Partidos coligados com o defunto PPP oferecer flores facto que foi por demais divulgado na comunicação social.

Entenda-se que este é um hábito bastante salutar e deveras agradável dos tailandeses e é sempre melhor receber um ramo de rosas do que os espinhos.

Mas Mark não se limitou unicamente aos lideres que lhe podiam dar votos. Era necessário ter o apoio de todos e por isso visitou o seu amigo, sem aspas, de longa data, o feiticeiro do PAD como se pode observar na imagem. O único que conseguiu escapar às lentes dos repórteres foi o General Anupong Paochinda figura central em todas as movimentações recentes. Para quem tem interesse em entender o papel das forças armadas na política na Tailândia aconselho o artigo que hoje saiu no Bangkok Post e que pode ler aqui.

Amizade




Só um dia após ter garantido que Abishit Vejjajiva fosse eleito o novo PM da Tailândia, Nevin Chidchob, começou a receber o pagamento.

Num processo em Tribunal em que ele, como Ministro da Agricultura num dos Governos de Thaksin Shinawatra, era acusado, a par de um outro grande numero de políticos, de ter usado fraudulentamente o dinheiro de um Fundo dos Agricultores para comprar rebentos de árvores de borracha por um preço considerado exorbitante, Nevin acaba de ver ser-lhe atribuída uma caução de 2 milhões de bath o que em boa linguagem judicial tailandesa significa que "está safo".

Interessante verificar que o Tribunal só decidiu em relação a ele e todos os outros acusados continuam em julgamento, nomeadamente o antigo Vice-Primeiro Ministro, e um dos mais consagrados catedráticos no campo da Economia no país, Prof. Somkid Jastupitak.

Escumalha


Não gosto da palavra escumalha, aliás nunca gostei muito de adjectivos especialmente quando eles se destinam a classificar pessoas.

Bem sei que o nosso mundo está diferente, que a luta diária por um posição, um lugar, um pouco de ar, nos faz por vezes demasiado focados numa só realidade e nos impede de parar e escutar. A nossa corrida diária é um grande obstáculo para que sejamos capazes de ler e ouvir ao lado e só assim opinar.

Já uma vez referi uma frase que me ficou do Professor C K Prahalad " It is not important to be qualified. What is important is to stay qualified". Tento lembrar esta mensagem todos os dias naquilo que traz consigo da necessidade de abrirmos mais as nossas orelhas do que a nossa boca.

Vem isto a propósito da referência, já anteontem escrita, que o Miguel Castelo Branco faz aos apoiantes, daquilo que vulgarmente se chama "os Vermelhos" por oposição "aos Amarelos" do PAD. Uma escumalha de baixo nível, gente muito pobre, etc. Aliás esta mesma afirmação encontra-se no blog do PAD:

So Red-shirt Gangsters became crazy Furious, angry and low-class Red-shirt Gangsters as same as Thaksin, their father.

Por acaso encontrei estas imagens dessas gentes de baixo nível, trazidas da província para encherem os comícios na cidade.


Esta do Comício no Dia 1 de Novembro






Mais interessante é a conversa com a elite urbana. Embora não entenda quem faria então a política se "os políticos não deveriam fazer política". Entendo contudo a frustração que existe nestas camadas de jovens profissionais urbanos (também não gosto da palavra elite) e a sua dissociação com a vida do país. O mesmo se passa infelizmente no mundo. Obama terá sido uma Change ao ter conseguido trazer para a vida política grande numero de jovens. Na realidade o problema não está neles. O problema está naqueles que querem "representar" os interesses deles sem terem a mínima ideia do que é ética, clareza, e outros adjectivos que ora me atrevo a utilizar. Os políticos, aqui como em Portugal e muitos outros lugares do mundo, conseguiram a fantástica proeza de afastar os jovens da vida comum, visto lhes ser muito mais vantajoso não ter de suportar pessoas incómodas e interessadas no comun e não no particular.

Embora de forma diferente, quer o Miguel quer eu, interessamo-nos deveras por este país e pelas suas gentes (elites ou escumalha) e muitas e boas discussões se passam à volta de um bacalhau e de um bom vinho português e é isso, uma das coisas, que nos vai enriquecendo aos dois.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O 27º Primeiro Ministro




A Tailândia tem desde esta manhã o seu novo Primeiro Ministro, Abhisit Vejjajiva de 44 anos nascido e crida em Inglaterra onde os seus pais trabalhavam quando veio ao Mundo.

Este filho de uma elite urbana, como é apelidado hoje por vários meios de comunicação, tem uma tarefa porventura maior do que a sua experiência pode fazer crer. Já o compararam ao Pai Natal, aquele que traz boas notícias e alguma esperança especialmente quando dela muito se necessita. Pode eventualmente dizer-se que é um Obama à tailandesa.

A maioria que conseguiu, 233-198, é escassa atento ainda que no dia 11 de Janeiro haverá 30 lugares em disputa nas eleições intercalares, com fortes possibilidades de ganhos para a actual oposição, e foi conseguida após uma luta incessante pela compra dos votos com milhões de bath atirados para o colo dos Deputados, mas é a suficiente para segurar a posição de PM. Agora o que se espera é que consiga liderar todas as facções e todos os interesses que querem ser satisfeitos de forma a levar por diante este país tão necessitado de uma liderança transparente.

Abhisit era tido por alguém que nunca chegaria ao poder visto ser um elemento estranho ao modo de fazer política aqui. A única acusação que lhe é atirada é a de que terá falsificado documentos para fugir à tropa, o que a provar-se ditará a sua condenação a três anos de cadeia, mas nunca ninguém levantou a menor suspeita por envolvimento em práticas corruptas tão comuns ao funcionamento dos Partidos e dos políticos.


Contrariamente à compra de votos directamente dos eleitores, que levou à dissolução dos Partidos da antiga coligação no poder, o pagamento de dinheiro e favores aos Partidos que conseguirem fazer os seus Deputados mudarem de sentido de voto não está previsto na Constituição e como tal não é passível de qualquer procedimento criminal pelos órgãos judiciais.

Por coincidência celebra-se hoje o Dia Internacional Contra a Corrupção e na sessão comemorativa no edifício das Nações Unidas houve uma sessão em que estiveram presentes, entre outros, o Presidente e um Comissário da National Anti-Corruption Commission (NACC) e uma Professora, Dr Juree Vichit-Vadakan, da Tranaparency Thailand, que abordaram o tema e a forma como a Tailândia o encara.

Infelizmente o NACC bem como da maioria dos órgãos de controlo da Democracia, têm os seus actuais membros nomeados não por uma entidade representativa do povo, como inclusive é exigido pela Convenção Contra a Corrupção á qual a Tailândia aderiu em 2003 mas ainda não ratificou, visto aquando do Golpe de Estado de 2006 os militares terem removido os que lá estavam e terem aí colocado pessoas da sua confiança.

Aliás essa falta de transparência foi gritante quando um Comissario do NACC disse, para espanto de todos e alguns risos na assistência, que, "com a eleição do novo PM a relação da Comissão com o Governo irai mudar substancialmente".

Mas o mais interessante foi dito pela Dra. Juree referindo-se aos grandes obstáculos que têm de ultrapassar para fazer entender a mensagem de que a corrupção é um problema de todos.

Referia: A aceitação de que a corrupção faz parte do funcionamento da socieade; A falta de sanção publica perante a corrupção; A permissividade face a práticas corruptas; O sistema de subordinação hierárquica, no mau sentido. Utilizou a palavra "patronage"; A normal tolerância tailandesa e a atitude submissa que lhe está adjacente.

No fim a aceitação social de que a corrupção é um facto da vida e é "assim que se tem de viver". Nós, em Portugal, conhecemos bem esta questão pois sabemos quantas vezes temos de "dar uma palavra" a alguém para conseguir aquilo que o sistema deveria produzir por si normalmente. Sabemos bem que se conhecermos alguém no serviço, no hospital, na escola, na Câmara, etc, os assuntos andam mais depressa do que o normal. Esta aceitação social, que é um problema mundial, faz-nos no fundo cúmplices de práticas que deveríamos lutar por terminar.

Se bem pensarmos as escolas que faltam, os hospitais que não existem, as estradas que estão por fazer, os esgotos necessários á saúde de todos, a comida que aquelas bocas pedem, os livros que nunca chegam às escolas ou a falta das pessoas certas nos lugares onde fazem falta, são porque o sistema não funcionou porque um elemento alheio, a corrupção, lá apareceu.

Sabe-se como nasceu o 27º Governo na Tailândia, sabe-se das qualidades humanas do seu PM, sabe-se da sua aparente falta de experiência, mas deve-lhe ser dado o tempo para poder mostrar o que vale e para isso espera-se que os abutres que voam dentro da sua gaiola se entretenham com a "comida" que já armazenaram no processo.

E o ano de 2008 vai terminar como um dos mais turbulentos neste processo de aprendizagem da Democracia na Tailândia com a tomada de posse do quarto PM desde o início do ano.

Deseja-se que as festividades do Natal o inspirem e que o Ano Novo seja, de facto Bom.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Comício do UDD


Ontem, como previamente anunciado os apoiantes do ex PM Thaksin Shinawatra reuniram-se no Estádio Nacional, bem no centro da cidade ao contrário do que o tinham feiro no dia 1 de Novembro.

O Miguel Castelo Branco, que visitou o local
reporta, pelo seu olhar, o que se passou ontem.

Não concordo em muitos dos pontos que relata nomeadamente em dois. O número de pessoas e o a origem social dos manifestantes.
Vários meios de comunicação hoje referiam 50.000 o número de apoiantes que se encontravam no local. Não me parece ser relevante que sejam 20 ou 50.000 mas o facto é que três dos principais meios de comunicação, verdadeiros bastiões da luta anti Thaksin, falam exactamente no mesmo numero, 50.000 que por acaso é mais do que o dobro de 20.000.

Quanto ao estrato social dos manifestantes. Aí estamos 100% em desacordo. Os dois vimos através da televisão que aqueles que se encontravam no estádio são no geral do mesmo tipo que se vê diariamente nas ruas, com muitas"tias" de Channel vestidas e bem maquilhadas. Engraçado foi ver pelas 11.30 da noite num bar de um dos hotéis mais caros da cidade, onde fui, entrar um casal vindo directamente do estádio com as suas camisas encarnadas. Verdadeiro proletariado rural disposto a pagar 100 € por umas bebidas!! Por outro lado eu sempre fui um adepto de que todos nós somos iguais e não só quando nascemos. Pobres ou ricos, para mim nada me diz! A nobreza de cada um não está associada à sua conta bancária mas ao seu saber. Sempre tive uma grande convicção de que "o povo nunca é estúpido" especialmente quando vota. A sabedoria que demosntram, especialmente aqueles que são mais puros e menos "trabalhados" pelos ares e luzes das cidades, se bem analisada, é uma grande lição para os políticos que na maoíria das vezes os desprezam a não ser para lhes conquistarem o voto.

Outro dia em conversa com um lider de uma comunidade numa das províncias no Sul da Tailândia, onde existe uma situação de instabilidade que já matou mais de 3.000 desde 2002, lider esse que me relatava aquilo que entendia ser as atrocidades da Polícia, perguntava se os Deputados eleitos pela região davam algum apoio a esses movimentos da sociedade civíl como o que ele representava. A resposta foi elucidativa.
Nunca mais os vimos. Para a próxima vamos ter de escolher outros.

Passado estes fait divers não me parece que se esteja a assistir ao nascimento de uma esquerda visto não haver hoje em dia na Tailândia espaço para correntes alinhadas do pensamento político ideológico. O debate de alguns intelectuais ainda está numa plataforma tão distante dessa que me parece um pensamento remoto. Por outro lado as "massas" que são arrastadas para as manifestações fazem-no por questões "do coração" pela paixão ou pelo ódio a um homem: Thaksin e aquilo que uns vêm o perigo que ele representa para a monarquia.

Concordo com o Miguel que o Thaksin me parecer ser uma chama a apagar-se sem muita capacidade de reconquistar o terreno perdido. Outro dia dizia a um professor de uma Universidade, um astuto analista político, que se os jornais deixassem de escrever a palavra Thaksin, o que fazem em demasia, o "homem" deixaria de ter eco na sociedade. falaria para os seus apoiantes mas sem o eco que a comunicação social lhe dá. Sempre foi um verdadeiro manobrador dos profissionais do sector e soube (sabe) aproveitar-se dele muito bem, mas compete também aos jornalistas darem-lhe o devido peso e não entenderem que é a única maneira de venderem papel.

Voltando à esquerda e direita vemos que aqueles que tinham alguma relação com o Comunista internacionalista que pairou sobre a Indochina no passado estavam de um modo geral no PAD. Reciclados mas com ainda as capacidades organizativas que a vida de militância e clandestinidade propiciou a alguns.

O UDD, os vermelhos, está a milhas de distancia da capacidade organizativa que o PAd mostrou através quer dos seus lideres quer através das acções extremamente bem preparadas dos "guardas do PAD". deveria tirar as aspas pois são assim reconhecidos pelos seus próprios lideres. Aqueles são hoje um exército bem treinado, equipado e pago que controla os 98% dos manifestantes do PAD que lutam pacificamente por uma causa que entendem ser justa. Do outro lado, UDD, o mais que conseguem fazer é ameaças verbais e alguns actos isolados que levaram a cabo contra o PAD durante os tempos da ocupação da Government House.

O comício lá se terminou com um discurso, via vídeo, de Thaksin que nada de novo trouxe, e todos voltaram para casa ordeira e pacificamente sem perturbarem em nada a vida dos habitantes desta cidade e é bom de referir que o comício foi bem no coração da cidade.

O único incidente foi uma pequena bomba que terá sido atirada de um autocarro que fez muito barulho mas nenhum estragos. Vi na televisão o que se passou e era difícil mesmo perceber onde teria rebentado visto nada estar danificado.

Amanhã no Parlamento lá se irão contar as espingardas. Ainda há menos de uma hora a televisão dava como previsão que o líder Democrata seria eleito com uma maioria escassa de 241 contra 235 Deputados mas suficiente.

Deseja-se paz e capacidade de respirar mas não parece que o futuro seja uma avenida plana para quem quer que ficar á frente do país. Ainda hoje os jornais alertavam para as centenas de milhares de postos de trabalho em risco na indústria electrónica. Num país onde não existe regime de segurança social que dê alguma compensação a quem perde emprego, esses desempregados, que se irão juntar aos já cerca de 200.000 na indústria automóvel, só em Novembro, e aos milhares também no sector turístico, poderão ser uma problema social a ter em conta num futuro a curto prazo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

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Antes




Durante




Depois








Mas o pior nem são estas imagens

O pior é o estado em que ficou a economia do país nomeadamente o seu sector turístico exactamente no início da época alta e num momento em que a Tailândia está também a ser seriamente afectada pela crise mundial com o numero de desempregados a subir vertiginosamente..

Alguns dados do sector turístico:

Na semana passada, durante um dia, o Oriental , a jóia da hotelaria, e o Four Seasons estiveram vazios, isto é sem nenhum quarto ocupado. O Shangri-la teve um dia com somente 4 quartos ocupados. Este hotel deve ter cerca de 1.000 quartos. A média da ocupação dos hotéis de 5 estrelas não chega a 20%. Os turistas e homens de negócios, que mais dinheiro gastam nas suas viagens ao o país, decidiram não vir para cá. A maioria dos hotéis já cancelou o seu programa de fim de ano visto não terem reservas. A Associação dos Hoteleiros na Tailândia aconselhou os seus associados a reduzirem os dias de trabalho do staff de 6 para 5 reduzindo assim os custos. Foi igualmente aconselhado que fechassem por completo andares para poupar energia e se existem vários elevadores bloquearem alguns para o mesmo efeito e assim por diante.

Quanto irá custar ao país o que se passou ao longo dos últimos meses e quanto tempo será necessário para tentar repor a situação? Todos são unânimes em considerar que a situação é bastante pior, do ponto de vista da economia do pais e das suas consequências sociais, do que o que se passou com o tsunami de 2004.

E ninguém é responsabilizado por tal.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Manoel de Oliveira


Reza o registo que amanhã 12 de Dezembro Manuel de Oliveira completa 100 anos, mas na realidade é hoje no dia 11 que em 1908 Oliveira veio a este Mundo.

Começou em 1931 com "Douro Faina Fluvial" mas é só nos últimos 20 anos que a sua produção começa a tomar contornos de um obra enciclopédica. Dos 80 para cá, Oliveira dirige um filme por ano sempre com o mesmo vigor com que o faz actualmente, em Lisboa, com "Singularidades de uma Rapariga Loira".

Nunca se preocupou muito de ser titulado como um realizador que só é apreciado pelos críticos e que pouco público atrai, mas tem a seu favor o testemunho dos muitos actores que com ele trabalham ou trabalharam e que sempre lhe dirigiram os maiores elogios. Isto para além de todos os tributos e prémios possiveis.

Lembro-me de ainda não há muitos anos o ter visto a jantar num restaurante do Porto, a sua cidade, com Cláudia Raya, e ter ficado espantado pela sua vivacidade. Vivacidade com que se movimentava e da forma como parecia ser um "namorado" da bela Raya. Diz-se que ainda hoje a sua mulher tem muitos ciúmes devido à sedução que sempre consegue produzir nas mulheres com quem se cruza.

Não sou um conhecedor da obra de Oliveira pois faço parte daqueles que consideram os seus filmes demasiado densos e difíceis de apreciar mas houve um que muito gostei, o "Acto da Primavera". Chamam-lhe um documentário mas eu prefiro associá-lo ao cinemá verité que Resnais fazia. Vi-o no antigo Cinema Império, na Sala Estúdio, e foi um filme que nunca me saiu da memória.

Oliveira faz parte da história do cinema e continua a mostrar uma capacidade de trabalho e de direcção, segundo dizem aqueles que com ele trabalham, invejável para qualquer um. Quem disse que velhos são os trapos bem acertou. Oliveira é a prova disso. Parabéns.

Coincidência ou não hoje vou a Chiang Mai, proceder à abertura do Festival de Cinema da União Europeia, onde 17 filmes de 17 países membros estarão presentes incluindo "Pele" do português Fernando Vendrell, uma história sobre discriminação racial no início dos anos 70.

É a 17 vez que a Delegação da Comissão com o grande apoio dos Estados Membros organiza o Festival, que é uma peça importante na forma de trazer um pouco da cultura Europeia até aos tailandeses. Portugal tem estado sempre presente através da nossa produção cinematográfica.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

10 de Dezembro


Hoje, como já anteriormente referi, é o Dia em que se celebra a entrada em vigor da Constituição que marcou a transição do regime de uma Monarquia Absoluta para uma Monarquia Constitucional na Tailândia.

É também o dia em que se comemora a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos que hoje mesmo faz 60 anos.

Em 1948 as Nações Unidas, no rescaldo das atrocidades vividas durante a Segunda Guerra Mundial e por impulso do Canadiano, John Peters Hunphrey adopataram o pequeno texto de 30 artigos que é um guia essencial dos valores que devem reger o Mundo.

Não é um Tratado nem um acordo entre Estados mas uma Declaração, e como tal não impositivo, mas o seu valor é, ou deverá ser, para todos aqueles que a trouxerem consigo bem escrita na memória, um guia de conduta.

O Guinness Book of World Records atribui à Declaração o titulo do texto mais traduzido em todo o Mundo visto estar escrito em 330 línguas e dialectos.

O importante é que seja praticada pelos povos que falam essas línguas e esses dialectos.

Nunca tive dúvida de que os povos do Mundo são genuinamente seguidores dos valores escritos ao longo dos 30 artigos da Declaração. Infelizmente existem pessoas que se julgam lideres de homens, mas na realidade o não são, que distorcem, atropelam e violam os ideais dos outros a quem deveriam servir.

A luta pela verdadeira vivência dos Direitos Humanos é uma luta de cada um e de todos nós e é uma luta continuada. Enquanto houver neste planeta quem sofra qualquer tipo de violações contrárias ao declarada na Carta que proclama os seus Direitos é nosso dever continuar a lutar, a falar, a escrever a actuar, dentro daqueles princípios e para que eles sejam cumpridos..

Lembremos neste dia alguns dos seus artigos:


Artigo I


Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de
fraternidade


Artigo II


Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.


Artigo VI


Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.



Artigo XVIII


Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou colectivamente, em público ou em particular.


Artigo XIX


Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.


Artigo XXX


Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer actividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Entretanto

Enquanto se compram e vendem lugares de Deputados, votos, posições, eu sei lá o quê, sem que ninguém agora pareça preocupado pelo facto de se comprarem votos, um Governo há de aparecer, vindo de um ou de outro lado.

Será por certo um Governo com, pelo menos para os amantes da Democracia, cerca de zero em credibilidade atento o triste espectáculo a que se está a assistir.

Aprendi muito com os jogos políticos que se fazem em Portugal, e por certo pelo Mundo fora, mas nunca vi tamanho descaramento na utilização dos mandados que receberam dos eleitores por parte de largo numero de Deputados. Após formado o Governo, e repito qualquer que ele seja dos Democratas ou do Phue Thai, será que para cada decisão irão de novo pedir mais dinheiro ou vão contentar-se com aquele que lhes é possível arrecadar através da "governação".

Entretanto o Governo (interino) aprovou um plano financeiro para apoiar os turistas que ficaram bloqueados no país e outro para revitalizar o combalido sector turístico.

O PAD reconhecendo o seu erro ofereceu este pequeno contributo.

Alçada Baptista


Morreu no Domingo António Alçada Baptista, pensador, ensaísta, ficcionista, político mas acima de tudo um amante da vida.

Tive o raro prazer de muito com ele conviver fundamentalmente no final dos anos 80 e inicio dos 90, antes da minha partida para Inglaterra, nos longos serões de conversa em casa da comum amiga Maria Flávia de Monsaraz.

Era um livre pensador como era livre o seu ideário de vida. Alçada era fundamentalmente um filósofo que com a sua doce voz e permanente atenção e carinho para com os outros nos levava a viajar pelas ideias longas horas sem desfalecer.

Nunca o vi discutir, Alçada confrontava-nos, nunca ouvi a sua voz um tom acima do devido, Alçada debatia. Todos liam os seus olhos e a sua mente. Era fascinante como pessoa, concorde-se ou não com muito daquilo que nos deixou em palavras.

Um bem haja como soe dizer-se a um Beirão, cuja Covilhã estava sempre presente em si ou não fosse um Alçada.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Aniversário Real



Hoje terminam as cerimónias que marcam o aniversário do Rei Bhumibol Adulyadej Rama IX com a recepção que é oferecida ao Corpo Diplomático acreditado junto da Corte. Tal decorrerá no Dusidalai Hall do Dusit Palace entre as 17.30 e as 19.30.

Não é esperado que SM esteja presente devido estar acamado desde o passado dia 5 com uma bronquite e febre embora tenha registado algumas melhoras segundo o comunicado que foi distribuído à imprensa pelos serviços do palácio.

Nos últimos dias muita tem sido a especulação nos mentideros e na imprensa sobre a doença do Rei mas creio, com base em todas as informações que consegui reunir, que, apesar nada de grave ter, ser mesmo desaconselhável a sua exposição ao exterior.

Quer se queira quer não fez 81 anos e portanto cuidados acrescentados são sempre necessários.

Por certo que o Rei, mais do que ninguém, gostaria de ter falado aos tailandeses como sempre o fez nesta ocasião, desde que há 62 anos subiu ao trono.

Novo Primeiro Ministro?

Abhisit o putativo novo PM

A Tailândia prepara-se para eleger o novo Primeiro Ministro após a decisão judicial que dissolveu o Partido no poder e dois dos seus parceiros da coligação.

Tem de ser convocada uma sessão extraordinária do Parlamento para esse efeito e para isso torna-se necessário que um terço dos Deputados a requeiram para que o Presidente solicite ao Rei a aprovação do decreto que convoque essa reunião extraordinária.

O processo estará em marcha e penso que deverá acontecer no dia 11 visto o dia 10 ser feriado nacional, marcando o dia em que o Rei Prajadhipok, Rama VII, proclamou a Constituição que marca a transição de um regime Absolutista para um regime Constitucionalista em 1932.

O fim de semana foi marcado por grandes negociações e movimentos nos bastidores desta sempre complexa teia dos Partidos políticos. Convém realçar que os Partidos na Tailândia não têm uma clara definição ideológica mas fundamentalmente servem interesses que nem sempre são os mais claros. Assim neste momento assiste-se ao passar de muitos Deputados que ainda há dias andavam a lutar em campos opostos, e por vezes de forma pouco ortodoxa, para o lado do "antigo" rival só porque há favores, dinheiros, posições que são oferecidas.

Um dos mais famosos grupos sempre negociando é a facção de Nevin Chidchob, a quem já me referi várias vezes. Parte do grupo de Deputados que controla estão neste momento do lado dos Democratas embora não se saiba bem quantos.

O líder dos Democratas, Abhisit Vejjajiva, nascido no Reino Unido e educado em Eton e Oxford, parece vir a ser o próximo PM, embora sempre tenha sido considerado alguém "demasiado puro" para a política neste país e por isso condenado a nunca ser PM.

O Secretário-Geral dos Democratas tem vindo a conduzir as negociações e afirma contar neste momento com o apoio de 250 Deputados num Parlamento que actualmente, depois das desqualificações, conta com 441. Após as eleições intercalares que se realizarão em 11 de Janeiro voltará ao seu total de 480 o que faz que 241 Deputados fazem uma maioria. Um dos jornais diários em língua thai dizia esta manhã, com a maior naturalidade, que o acordo previa um lugar no Governo por cada 5 Deputados a completar, a já conhecido pagamento que foi feito em dinheiro. Interessante que agora já não se fala em compra de votos e na necessidade de abolir o método de um homem um voto visto os eleitores serem facilmente aliciados com dinheiro. Agora que se trata da compra dos próprios Deputados, falada em toda a comunicação social e nunca desmentido, já está bem!


Um desconhecido lidera o novo (velho) Puea Thai

O Puea Thai, o novo Partido onde se acolheram os Deputados que antes estavam no defunto PPP, diz continuar a lutar e que apresentará o seu candidato nessa sessão e logo se verá quem tem mais votos. Ontem elegeram o novo lider e para surpresa de todos foi um ilustre desconhecido, Yongyuth Wichaidit, um funcionário público de carreira no sector da Justiça, quem foi escolhido. A irmã mais nova de Thaksin, Yinglak, para todos tida como a favorita para o lugar, parece não ter conseguido o apoio do "grande chefe".

Uma questão parece clara a divisão está ainda mais marcada com praticamente metade da Assembleia em cada um dos campos. Por isso há que esperar pela sessão do Parlamento para na realidade ver quem vai votar em quem. Outra questão será ver quanto tempo vai durar um Governo saído de qualquer uma coligação onde se sabe não haver nenhum elemento aglutinador a não ser o dinheiro que passa de mão em mão.

Interessante e imprevisível, como sempre por aqui acontece, é que este cenário poderá nem sequer vir a colocar-se se o actual PM interino dissolver o Parlamento e convocar eleições como os Democratas insistentemente solicitavam na semana que terminou aliás na sequência de outros pedidos como o do poderoso General Anupong. Chaowarat pode mesmo dizer que dissolve o Parlamento e convoca eleições para atender às solicitações de tão importantes pessoas.

Outro ponto a observar é como irão mudar o discurso os políticos que saltaram a barreira para defender, agora do outro lado, as ideias que tão afincadamente combatiam há escassos dias. Como às vezes vimos na política um pouco por todo o Mundo os que lutaram por uma causa e clamaram a toda a voz por uma ideia ou projecto agora vão ter de dizer exactamente o contrário e lutar pelo oposto daquilo que até ontem faziam.

O reitor da Universidade de Tammasat, uma das principais de Bangkok, já veio também a terreiro alegando da ilegitimidade de um possível Governo dos Democratas visto não nascer de um processo democrático eleitoral mas de manobras nas costas do povo quando os Deputados que eram suposto seguirem um projecto, aquele em que os eleitores votaram, vendem agora o seu voto "ao inimigo".

Como diz o The Nation neste artigo. Está confuso? Nós também!