sábado, 8 de agosto de 2009

Petição contra a Petição


É anunciado que os promotores da petição contra a petição para amnistiar Thaksin conseguiram até agora cerca de 2 milhões de assinaturas.

Vem agora, contudo, a lume uma carta enviada pelo Governador de Buriram para todas as escolas onde se "informa" que terão de ser recolhidos os nomes de todos os professores, alunos e funcionários de cada escola para que assinem a petição contra a petição e assim se compreende como nessa província foi possível ter sido anunciado que em dois dias foram recolhidas 400.000 assinaturas.

Resta informar que Buriram é a terra de Nevin Chidchob que tão bem tem sabido tratar a coligação no poder mas sempre espera alguma paga em troca.

Em Portugal em tempos também tinhamos estes métodos de criar voluntários.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Há Golpe ou Não

Em Dezembro de 2008 quando foi constituído o governo do 27º Primeiro Ministro Tailandês, Abhsisit Vejjajiva, várias pessoas estiveram na sombra e foram os autores dessa construção.

Suthep Thaugsuban, o Secretário-Geral do partido Democrata e actual primeiro Vice-Primeiro Ministro encarregado entre outras das questões de segurança interna e das questões políticas que envolvem a coligação; General Prawit Wongsuwan, um ex Comandante Supremo das Forças Armadas com grande prestígio e poder no sector, que actualmente é Ministro da Defesa; General Anupong Paochinda, o actual Chefe do Estado Maior do Exército, o sector sempre mais forte das Forças Armadas e um dos mais visíveis intervenientes em todas as questões políticas durante o ano de 2008; Nevin Chidchob, o ex braço direito de Thaksin Shinawatra, filho do Presidente do Parlamento, actualmente despojado de direitos políticos até 2012 o que não o impede de ser o líder de facto do novo partido Bhum Jai Thai (BJT), partido que tem por grande objectivo ser a força política capaz de assegurar quer aos Democratas quer aos seus rivais do Phuea Thai os Deputados para fazer uma maioria capaz de formar um governo.

Estes quatro, por vezes apelidado O Bando dos 4, lembrando tempos pós Revolução Cultural na China, foram os "garantes" da formação da coligação no poder e são aqueles que Abhisit tem tido sempre que ter em conta em todas as suas acções como Primeiro Ministro.

Acontece que desenvolvimentos recentes começaram a abrir um conjunto de brechas nesta "solidariedade" e ameaçam de forte maneira a estabilidade actual.
Nevin não conseguiu ser bem sucedido no caso dos 4.000 autocarros para a cidade de Bangkok tendo ficado visível para o público que o projecto tinha todo o aspecto de ser uma forma de financiamento do seu recente partido. Abhisit conseguiu que o projecto se mantenha em estado de hibernação para já, mas é acusado de ter estado por detrás da campanha de descrédito do seu parceiro na coligação. Por outro lado nas eleições intercalares no Nordeste do país onde depositava grande esperança de poder demonstrar a força do BJT acabou derrotado de forma clara pelo partido apoiante de Thaksin. Igualmente no próximo dia 17, dia em que muitas coisas irão acontecer, irá a julgamento um velho caso em que na sua qualidade de ex Secretário de Estado da Agricultura, está acusado de corrupção.

O General Prawit viu o seu irmão, Patcharawat, Comandante da Polícia ser forçado a tirar umas férias por pressão de Abhisit, visto alegadamente estar a bloquear as investigações sobre a tentativa de assassinato do líder do PAD, Sondhi L. A tensão entre Abhisit e o seu Ministro da Defesa é tanta que este deixou de comparecer nos últimos Conselho de Ministros. Neste mesmo caso Suthep de igual modo saiu derrotado visto ter sempre suportado Patcharawat e isso foi visível na tomada de posse do Comandante interino, nomeado por Abhisit contra a vontade de Suthep. Embora oficialmente Patcharawat só vá estar ausente 5 dias e o processo de substituição ser automático passando o general mais sénior e primeiro adjunto a comandar, o PM decidiu utilizar uma prerrogativa legislativa que lhe dá a capacidade de nomear um comandante interino na ausência ou incapacidade do actual comandante. Aqui havia um problema adicional visto o general que deveria assumir o comando, ou seja o número 2, ser cunhado de Thaksin.

Suthep por seu lado tem vindo em movimento descendente visto a maioria das suas iniciativas recentes, como número dois do governo e também muitas vezes solicitado por Abhisit para tarefas de grande relevância, não terem tido nenhum sucesso bem pelo contrário.

Por último o General Anupong tem-se mantido calado e distante quando é sabido que não é essa a sua forma de estar e actuar. Anupong é por norma interveniente e sempre faz questão de deixar claro que é ele quem comanda o sector militar, sempre tão influente neste país.

Todo este cenário acontece no momento em que estão em marcha dois grandes movimentos de sentido contrário sobre o mesmo tema: a petição ao Rei para conceder um perdão de pena a Thaksin.

A UDD, o movimento que iniciou a petição, anunciou que no dia 17 fará entrega desse documento suportado por 10 milhões de assinaturas mas que tal será precedido das maiores manifestações em Bangkok, a 15 e 16, para as quais pretendem convocar 400.000 pessoas.

Também para 17 o PAD marcou uma manifestação de sentido contrário e a este movimento, de alguma forma, está a aliar-se o BJT (convém lembrar que Sondhi acusou directamente Nevin de envolvimento na tentativa de assassinato contra ele), visto ter em curso uma campanha para angariar 5 milhões de assinaturas contra a petição.

Abhisit por seu lado é acusado de nada fazer e de expor o Rei a este possível embaraço de vir a receber uma petição que seja qual for a acção irá sempre deixar metade do país descontente, sabendo-se como os tailandeses estão sempre divididos nas questões que respeitam Thaksin.

Abhisit embora parecer vitorioso na sua luta para ganhar espaço e ser o verdadeiro líder político do país, está por um lado a deixar algum amargo de boca nos círculos mais próximos do palácio e está também a afrontar directamente os militares correndo mesmo o rumor de que a posição do General Anupong estaria em risco. Recorde-se que Anupong só atinge a idade de reforma em 2012.

Assim e fazendo-se comparações com Agosto de 2006 e dos passos que precederam o golpe de estado de 19 de Setembro desse ano, fala-se cada vez mais num possível novo movimento militar que poderia mesmo ser antes do dia 17 para evitar não só a entrega da petição e o embaraço que irá causar, como as eventuais confrontações sempre possíveis com as varias manifestações anunciadas, mas também para repor no comando aqueles que neste momento se sentem ameaçados.

Mais uma vez há que esperar por sinais reais e claros e lembro que em Setembro de 2006 nem mesmo alguns dos altos comandos sabiam muito claramente o que se passava no próprio dia do golpe.

Amazing Thailand é o principal slogan publicitário do sector do turismo para atrair visitantes e assim contínua o país.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Queda de Avião em Samui

Apesar do aparato do acidente envolvendo o avião da Bangkok Airways proveniente de Krabi que saiu da pista ao aterrar e chocou frontalmente com o edifício base da torre de controlo, parece só ter falecido o piloto da aeronave.

As informações ainda não são muito claras mas posso avançar, por ter em meu poder a lista de passageiros, que não existe entre as 68 pessoas a bordo não incluíndo a tripulação, tailandesa, nenhum nome aparentando ser de um país de língua portuguesa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Acerca do Perdão Real

Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej assina a Constituição

Como referi anteriormente o tema do momento é a petição, assinada, segundo dizem, por mais de 6 milhões de tailandeses, para que S.M. o Rei conceda um perdão de pena ao condenado ex PM Thasin Shinawatra.

Já aduzi algumas questões que se levantam especialmente as do foro jurídico, mas a grande questão é sempre uma questão politica, o "envolvimento ou não da Instituição na política".

É um tema por demais falado e discutido quando na realidade, a meu ver, não o deveria ser e para tal basta ler a Constituição de 2007.

Quer o Regente quer os órgãos dele dependentes, aí incluindo o Conselho Privado, são parte integrante do texto legal principal do país. O Rei ou mais apropriadamente o Regente, tem funções bem definidas na Constituição e é um dos órgãos do funcionamento do Reino/Estado. Sem ele, sem a sua acção, o Parlamento, o Governo e todos os outros órgãos do estado não têm poder e as suas acções seriam anuláveis se as viesses a tomar. O Conselho Privado tem igualmente funções legalmente estipuladas de grande importância nomeadamente, e a maior de todas, o anúncio ou mesmo a designação do sucessor e o Presidente desse Conselho pode ele próprio ser designado Regente pro-tempore, no caso de não se poder encontrar um regente dentro do processo normal de sucessão.

O clamar contra estes factos é tão-somente uma manifestação de interesses partidários, sectários e um desrespeito pela Lei e pelo país. Por vezes, e mostrando como essa ambiguidade cega os actores políticos, temos outras manifestações como ainda muito recentemente.

Em Março de 2006, no momento em que Thaksin já se debatia com fortes problemas de liderança do país o que conduziu ás eleições de Abril posteriormente anuladas e que motivaram a dissolução do partido que liderava, o TRT, houve um grupo de 99 académicos que entregou uma petição a S.M. o Rei para que interviesse e nomeasse um governo de sua iniciativa. Tal facto foi considerado como um passo positivo, como se constata consultando os jornais da época e o próprio General Chamlong, o líder do PAD, afirmou "nada será melhor do que uma intervenção real, visto se ter chegado a um beco sem saída".

Nessa altura não se ouviu a voz de Abhisit ou outro membro das forças que actualmente suportam a coligação no poder a clamar que S.M. o Rei não deveria ser pressionado para intervir em questões políticas contrariamente ao que se vê agora.

O que não é saudável para o desenvolvimento democrático é ver a utilização da Instituição, seja por um lado seja pelo outro, para os seus próprios interesses políticos ocasionais assim desrespeitando não só os preceitos legais como o dever de preservação da Instituição, garante do país como descrito na Constituição.

....e passou 1 mês

Faz exactamente um mês que estive ausente de Bangkok e pouco mudou no panorama político no país.

Recordo sempre a frase de um amigo meu, Professor na Bangkok University, que me disse um dia: A coisa mais previsível na Tailândia é a imprevisibilidade.

A grande questão actual é a petição para um perdão real relativo à condenação de Thaksin que está a deixar, governo e seus apoiantes e as forças que se lhe opõem em estado de grande agitação.

Durante o mês de Julho havia alguns casos que mereceriam atenção e seguimento fundamentalmente na área jurisdicional. Houve também a cimeira da ARF e o Pos-Meeting onde estiveram presentes entre outros Hillary Clinton e Javier Solana, no meio de uma tremenda segurança e com a declaração do Estado de Emergência na ilha de Phuket quando era sabido de antemão que nada iria acontecer como foi o caso em Abril. A UDD inclusive teve uma reunião com o Governador de Phuket anunciando que se algo acontecesse não lhes poderia ser imputada nenhuma responsabilidade visto terem marcado actividades para Chiang Rai, a mais de 1.000 km de distância, nessa altura. Foi um momento importante para Abhisit pois permitiu algumas fotografias da praxe com os líderes presentes e assim alguma publicidade acrescida para si, mas a cimeira nada produziu e muito por culpa da fraca e muito fragilizada liderança do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kasit, entretanto acusado de actos terroristas pelo seu envolvimento na ocupação dos aeroportos em Dezembro passado, acusação que não passou disso visto não ter havido nenhum desenvolvimento processual.

No sector judicial havia alguma expectativa sobre o caso dos 76 mil milhões de bath congelados a Thaksin, que voltavam mais uma vez a julgamento, mas o assunto continua a arrastar-se como se ninguém quisesse tomar uma decisão sobre o assunto. Agora está agendado para o dia 6 de Agosto mais uma audiência quando era pressuposto este caso já estar resolvido há mais de um ano. Fala-se que o Governo queria ver se conseguia utilizar cerca de 40 mil milhões par pagar parte das indemnizações a que estará sujeito caso se prove a culpa nos processos internacionais que lhe foram movidos por companhias aéreas devido à inacção das forças da ordem aquando da ocupação dos aeroportos, mas mais uma vez é um boato possível ou não de acontecer como todos.

Outro caso, igualmente adiado, como o são quase todos a não ser o dos "pobres" camponeses como relatei anteriormente, é o da Comissão Nacional de Eleições contra o Partido Democrata devido às dúvidas sobre uma doação de 258 milhões de bath que receberam de uma companhia pública. Também adiado continua o caso da tentativa de assassinato de Sondhi L. mas este teve um incidente importante que foi o falado afastamento do Comandante-chefe da Polícia por eventual obstrução do processo. Foi anunciado que terá tirado umas "férias" de 30 dias (note-se que o mais alto funcionário público e já em fim de carreira só tem direito a 10 dias de férias), mas hoje circula que ele próprio anunciou que estará de volta dentro de 10 dias. Entretanto o Governo prepara-se para nomear um substituto "interino" e Abhisit anunciou que no final de Setembro haverá uma decisão sobre o caso.. A seguir com atenção.

De adiamento em adiamento, de rumor em rumor, de tentativas de isto ou aquilo fazer e nada acontecer, ficou cheio o mês de Julho.

Mas o caso do momento é o facto da UDD ter anunciado que tem 6 milhões de assinaturas para pedir o perdão real par Thaksin e que apresentará esse pedido no próximo dia 10 directamente ao secretariado de S M o Rei sem passar, como deveria ser o caso, pelo Conselho Privado. Essa entrega será precedida de manifestações em Bangkok para mostrar a força da causa que querem defender. No passado fim-de-semana a UDD juntou cerca de 30.000 pessoas em Bangkok, mais uma vez pressionando o Governo e mostrando-se firmes no seu propósito de avançar com o pedido de perdão.

Tem sido uma questão altamente controversa quer do ponto de vista político, pelo envolvimento da figura do Rei em questões políticas concretas, quer do ponto de vista jurídico alegando-se que não faz sentido pedir um perdão para alguém que não está a cumprir uma pena. Como se sabe Thaksin foi condenado a 3 anos de cadeia por conflito de interesses em Agosto de 2008, uma condenação controversa pois a sua mulher que tinha sido o veículo da acção passível de gerar conflito de interesses foi absolvida. Após a condenação Thaksin fugiu do país e nunca cumpriu a sentença a que foi condenado facto que é actualmente usado como argumento contra o pedido de clemência e que juridicamente faz sentido.

O Governo tem mostrado grande nervoso sobre esta questão tendo Abhisit chegado ao ponto de ameaçar aqueles que assinaram a petição, numa clara violação dos direitos individuais, e foram mesmo montados por todo o país centros onde as pessoas podem retirar o seu nome das listas se assim o quisessem.

Para acrescentar alguma confusão a este assunto o ex Comandante em Chefe das Forças Armadas e primo de Thaksin, Chaisit Shinawatra, veio anunciar que se o Governo obsta ao processo da petição haverá um golpe de estado e o Governo será corrido pela força. Resta saber quem serão os actores desta vez mas inclusive já se avança com o nome do Professor Somkid Jatusripitak como o novo PM após tal golpe.

Como se conclui pouco mudou. Cada um dos campos continua a avançar com argumentos mas o certo é que ninguém consegue prever o amanhã.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cadê os Outros


Ontem um Tribunal em Chaing Rai, no norte da Tailândia condenou a 6 meses de cadeia efectiva e 100 bath ( exactamente cem) de multa três líderes de agricultores por terem bloqueado uma estrada quando protestavam contra a política de preços do arroz do Governo.

E podem dar-se por muito satisfeitos pois viram a sentença ser reduzida a metade visto a condenação inicial ser de 1 ano de cadeia e 200 bath de multa.

Contrastes da "justiça" à Tailandesa.

Em primeiro lugar a manifestação ocorreu no início de Junho e já foram condenados. Segundo será que é conparável o dano que troxeram ao país comparado com a ocupação dos aeroportos ou com o cançelamento da cimeira da ASEAN e os danos à credebilidade internacional do país que acarretou.

Mais um excelente exemplo da política de dois pesos e duas medidas que a Justiça utiliza na Tailândia

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ano Negro


Acabam de vir a lume os números da actividade turistica na Tailândia e constata-se que o país regressou aos numeros de 1960. Exactamente 49 anos para trás é aquilo que a crise mundial, os desvarios da crise política no país e os desacatos provocados desde Maio do ano passado, agora acrescidos pelos números preocupantes da gripe A (H1N1) provocaram.

As receitas do turismo foram este ano cortadas em 210 mil milhões de bath ou seja 4,4 mil milhões de Euros e o número previsto de turistas a entrar no país cairá dos actuais 14,3 milhões para uns meros 11 milhões.

A ocupação dos aeroportos no início de Dezembro do ano passado teve uma profunda implicação nesta queda e quando havia algum sentimento de retoma possível os acontecimentos de Abril, quando a cimeira da ASEAN foi impedida de se realizar e houve manifestações violentas nas ruas, deram uma forte machadada nessa possível recuperação.

Agora há que esperar longo tempo para que a confiança no país seja renovada mas estas percas acabam sempre por demorar muito a recuperar visto outros países se aproveitarem para lançarem eles ofertas atractivas que perduram por muito tempo ou não seja assim o mecanismo da procura e da oferta.

Para agravar a já frágil situação, a propagação do surto de A (H1N1), que até ontem tinha feito 44 mortos e registado um numero de contaminados de cerca de meio milhão de pessoas, como hoje vinha a lume na comunicação social, referindo-se a pessoas que estão ou já estiveram infectadas pelo vírus, ainda piorou a situação.

O Governo que inicialmente trabalhou bem na questão do surto de gripe viu-se ultrapassado, como a maíoria dos outros pelo Mundo fora, e está a gerir a situação à vista tentando chegar ao momento em que a vacinação estiver disponível com o menor número possível de fatalidades.

terça-feira, 21 de julho de 2009

...e já lá vão seis meses

Passaram seis meses e Abhisit Vejjajiva continua ao leme do Governo na Tailândia apesar de ter andado sempre a navegar em mares muito revoltos. O Líder Democrata já nem deve saber bem quem são os seus inimigos mas talvez essa “falta de conhecimento” o tenha ajudado a manter-se firme olhando sempre para a frente permitindo-lhe chegar “intacto” a este ponto.

Para além dos inimigos conhecidos, Thaksin e os movimentos por ele apoiados, Abhisit veio a conhecer ao longo destes seis meses outros, porventura mais perigosos, e que na maioria dos casos se albergam junto de si no seio da própria coligação e dos movimentos que a/o apoiam.

A crise vivida em Abril, em pleno Songkran, o ano novo tailandês e festival da água, que mais parecia um songkram, palavra usada para dizer guerra em tailandês, veio trazer a lume, e para as primeiras páginas dos jornais o movimento de Nevin Chidchob, o líder de facto do segundo maior partido na coligação que é simultaneamente o maior opositor aos próprios Democratas na ânsia de vir a ser um dos partidos dominantes da cena politica tailandesa. O Bhum Jai Thai Party, tem sido claro, pela boca do seu presidente, o Ministro do Interior, Chaowarat, que quando realizarem o seu objectivo de serem um partido forte e com a garantia de cerca de uma centena de deputados, abandonarão a coligação mostrando assim de uma forma clara que o seu papel nessa é tão somente o prosseguir de interesses partidários e não os interesses do pais e da coligação. Esse objectivo veio a materializar-se quando os seus Ministros foram os campeões dos projectos megalómanos e despesistas que sempre foram vistos como uma das formas de financiamento daquela ambição que no fim vai directamente contra os interesses do PM e do partido que lidera. Esses projectos têm sido uma dor de cabeça não só para Abhisit mas também para Korn, o Ministro das Finanças e seu companheiro em Oxford, que vê os cofres vazios e tem dificuldades em prosseguir as políticas de recuperação económicas do seu governo.

Abhisit tem sempre navegado à vista tentando entender o dia seguinte e tentando sobreviver num panorama politico que não é o seu. Abihsit faz parte de uma linha de políticos, infelizmente poucos, que tenta realizar uma nova politica limpa dos vícios do passado e capaz de trazer para o pais uma democracia real, responsável, respeitada e respeitadora.

Aqui tem residido um dos outros problemas de Abhisit. A intransigência dos seus apoiantes mais conservadores e burocratas que temem perder as benesses e os privilégios de anos e se colocam em permanência como obstáculos a qualquer modernização do regime nomeadamente a tão necessária alteração do texto constitucional.

Deste grupo fazem parte os militares e os “ex” apoiantes de Abhisit o PAD que se vêm igualmente ameaçados sempre que existe algo que mexa com os poderes retrógrados e conservadores que defendem. A magnitude das forças de pressão no sistema politico tailandês é tão complexa que por vezes os inimigos de hoje são os amigos de amanhã e vice versa, e quando refiro hoje e amanhã é mesmo essa realidade temporal tão próxima que tento ilustrar.

Outro dos grandes apoiantes dos Democratas, especialmente através da sua luta contra os “thaksinistas”, o sistema judicial, é neste momento uma das maiores ameaças contra a estabilidade do governo e contra a sua própria sobrevivência sabendo, esses e todos os que apoiaram a coligação reinante, que se o governo cair e houver eleições as possibilidades do retorno do Puea Thai, o partido de Thaksin, são extremamente grandes. Apesar disso o sistema judicial volta-se agora contra os Democratas, tal qual o fez para derrubar o "thaksinismo", e um numero alargado de Deputados Democratas e mesmo alguns Ministros estão a ser alvos da acusação de conflito de interesses por eles próprios e/ou as suas mulheres deterem acções de empresas estatais ou com as quais o estado tem contratos. Este é um dos absurdos da Constituição que a tudo e todos incrimina sem saber separar o trigo do joio mas quando Abhsit, da mesma maneira como Samak e Sonchai o quiseram fazer no passado, avança com o projecto de reforma do sistema politico, o mesmo é dizer com a revisão da Constituição, é bloqueado por aqueles para os quais nada interessa haver sistemas de controlo do estado independentes e não sujeitos a pressões e partidos políticos responsáveis e aos quais o povo possa pedir contas e eleger ou destituir de acordo com as regras da Democracia.

Abhisit contra isso tem lutado numa clara tentativa de refundar uma Tailândia moderna e progressiva, sem necessidade de alterar o sistema de Monarquia Constitucional mas dando ao pais as necessárias regras para que as pessoas possam acreditar num sistema político onde a justiça é igual para todos e onde os cidadãos podem ter a sua opinião livre e independente no permanente respeito pelos outros e por instituições tão fortemente arreigadas na cultura e na tradição do pais como são a Monarquia e o Budismo

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Abhisit o Ingénuo?

Depois de ter negado, Abhisit veio a confirmar aquilo que todos sabiam, que tinha tido um encontro em privado com o de facto líder do Bhum Jai Thai Party, Nevin Chidchob.

Na realidade no dia 1 de Julho ambos almoçaram na Baan Phitsanulok, um dos edifícios na Government House acompanhados do Vice-primeiro-ministro Suthep Thaugsuban e do secretário do PM Niphon Prompan. Demasiada gente e num local tão evidente para poder passar desconhecido dos meios de comunicação social.

Mesmo assim Abhisit veio dizer que o encontro não teve nada a ver com a situação política e foi somente uma conversa de amigos!

Vieram agora a lume os temas discutidos durante o almoço:

  1. a possibilidade de se abandonar o plano dos autocarros que o BJTP quer
    levar àvante e que está a causar tremendas dores de cabeça ao executivo
    visto ter ficado claro junto da opinião pública que por detrás do plano
    está o financiamento ao partido de Nevin
  2. melhor coordenação entre os partidos da coligação para futuros projectos
    obviando a que cada um puxe só para o seu lado
  3. aumentar a trasnparência de funcionamento do Governo
  4. a possível remodelação governamental já há muito falada

Se isto não é temas políticos deveremos estar todos muito enganados. A questão que se põe é que uma vez mais Abhisit deixa fugir uma oportunidade de se autonomizar e garantir a clara liderança política. Já no rescaldo dos acontecimentos de Abril onde saiu com alguma imagem de vitória deixou que ela escapasse por entre as suas indecisões em poucos dias. Agora, e depois das sucessivas derrotas de Nevin nas eleições em Junho, Abhisit ganhou outra vez um espaço de afirmação independente mas uma vez mais não consegue avançar sem as muletas que aquele lhe vai chegando.

Outro exemplo desta dependência é o facto de o governo ter anunciado que, Abhisit irá visitar o Nordeste do país, zona não visitado por nenhum PM desde Thaksin, mas irá fazê-lo começando por Buriram, a província dominada por Nevin, uma decisão que está a gerar grande desconforto junto dos Deputados Democratas eleitos naquela região, que se vêem subalternizados em favor de um parceiro menor na coligação governamental. Um dos Deputados acusa mesmo o PM de se afastar dos seus correligionários, ameaçando demitir-se, dizendo que se o PM quer ajudar o Partido Democrata a ganhar votos no Nordeste é com os seus membros que tem de fazer campanha e não com os de outros partidos.

Todos sabem que Nevin é o "charme político" em pessoa e consegue exercer uma tremenda influência sobre os políticos na capital, o que lhe permite os muitos milhões de bath que distribuiu, mas ao mesmo tempo é muitas vezes tido por ser uma enguia das mais viscosas capazes de fugir quando muito bem quer e sem aviso para qualquer dos lados do espectro político.

Não são esses os aliados que Abhisit necessita para levar a cabo a sua política de reconciliação nacional e a tão necessária recuperação económica.

Abhsit com muitas das suas acções tem tentado imprimir um novo rumo, mais claro e mais transparente, à forma de razer política mas é por demasiado ingénuo (será que é a palavra correcta) na forma como se deixa, por vezes enredar, em cenários contraditórios.

Em Portugal temos o provérbio "Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és" que define estas situações.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

500 Anos, Tailândia e Portugal

Aproxima-se a data comemorativa da chegada da primeira armada portuguesa a terras do Sião, em 1511, e vão avançando os preparativos para o culminar dessas comemorações. Já há meses aqui relatei a conferência produzida na Siam Society, pelo Professor António Vasconcelos Saldanha, e também a recente visita levada a cabo por vários jornalistas portugueses a convite da Embaixada do reino da Tailândia em Lisboa, a estas terras, de onde produziram bastante material informativo e de grande interesse.

É sempre importante que cada um e todos nós, com a simplicidade do contributo de cada um, em consonância e honorabilidade, de modos e linguagem, continuemos a contribuir para esse propósito.


Ontem realizou-se na antiga capital do reino do Sião, e onde os portugueses aportaram há quase 500 anos, uma importante conferência que o Combustões relatou e documentou com total a propósito e que por isso aqui recomendo, com um obrigado aos organizadores, à Embaixada de Portugal e obviamente ao Miguel.

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Primeiro Semestre

Ri ou Chora

Acabam de ser publicados os números do primeiro semestre na Tailândia e, um pouco como por todo o Mundo, não são nada positivos.

Vamos primeiro aos maus para podermos ficar com um bom gosto na boca no final.

As receitas fiscais tiveram um decréscimo significativo caindo 8,9% no primeiro trimestre e 9,1% no segundo e 15,7% em Fevereiro, 0,5% em Março e 19% em Abril. Refira-se que o ano fiscal tailandês começa a 1 de Outubro

As exportações tiveram igualmente um comportamento bastante negativo com quebras de 36,1% em Fevereiro, 26,8% em Março e 25% em Abril. No sector das receitas as maiores quebras verificaram-se no IVA, com a forque queda do consumo, e mos impostos das empresas devido à menor rentabilidade das suas operações.

O Turismo foi outro sector bastante afectado com quebras de 23,2%, 12,1% e 11,6% comparando com os dados do ano anterior para os meses já referidos. A taxa de ocupação das unidades hoteleiras baixou para níveis que, segundo sei saber, são incomportáveis para uma rentabilidade dos mesmos - 43.3%.

A produção industrial em geral sofreu quedas acentuadas, com relevo para o sector do aço e metais, 36,2% e automóvel, 35,1% mas em contraste o sector do tabaco teve um aumento de 56,3%. Sinais dos tempos difíceis, onde se fumará mais, ou sinal de que a política de combate ao tráfico de produtos ilegais está a produzir frutos? Outro dos sectores de grande importância para as exportações da Tailândia, o sector eléctrico e electrónico, sofreu uma queda de 21%.

A capacidade utilizada do sector industrial desceu para 56,6% comparando com 71,3% um ano atrás. Actualmente quase metade da capacidade instalada está parada ou não produz.

Contudo a taxa de desemprego oficial situa-se nos 1,3% o que parece pouco cível, tendo em vista os constantes layoff que acontecem, mas o facto de não haver um sistema de segurança social, faz com que os desempregados não sejam registados visto não poderem recorrer a nenhum esquema de apoio público. Esse só é facilitado aos funcionários públicos e de empresas estatais, ou então através de esquemas privados normalmente de multinacionais.

Contudo nem tudo é mau.

O país tem actualmente 65.905.410 pessoas das quais só 8,7% têm mais de 65 anos. A taxa de natalidade é de 13,4/1.000 e a de mortalidade de 7,17/1.000, Quase o dobro e dando ao país uma vitalidade para o futuro. A média de idade é de 33,3 anos e existe um grande equilíbrio entre os sexos embora actualmente nasçam mais homens do que mulheres.

O défice público está em níveis verdadeiramente sustentáveis e as reservas são sólidas. quanto ao défice público há que referir que estes dados são anteriores á aprovação no Parlamento, na semana passada, de duas leis que permitirão ao governo contrair empréstimos até ao valor de duas vezes 400 mil milhões de Bath, qualquer coisa como 8,5 mil milhões de Euros o que por certo, a efectivar-se na totalidade, irá afectar sobremaneira as contas públicas.

Um aspecto que em muitos países seria visto como negativo é o facto de 42,6% da população trabalhar na agricultura. Contudo isso não só contribui com uma forte componente para a exportação como é um elemento sobremaneira importante de fixação das populações nos meios rurais embora 33% da população já seja urbana.

O actual governo está fortemente empenhado na recuperação económica do país e os empréstimos ora garantidos no Parlamento serão utilizados em medidas de promoção da economia. Contudo, como se sabe, nem sempre este governo tem tido a capacidade de colocar as suas acções no mesmo patamar das palavras e por demasiadas vezes está tão embrenhado na sua sobrevivência e nas questões relacionadas com as divisões políticas no país para poder levar as suas intenções a bom porto.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fim de Semana Político


O fim-de-semana ficou marcado por dois importantes acontecimentos políticos.

A manifestação realizada em Bangkok pela UDD que, de uma forma pacífica juntou 30.000 apesar de uma verdadeira tromba de água que se abateu sobre a cidade, solicitando ao governo a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.

Tudo coreu sem nenhum incidente, como deve ser, e antes de dispersarem os lideres do agrupamento próximo do fugitivo ex. PM Thaksin, anunciaram para o mês de Julho manifestações por todo o país e que no final desse mês regressarão a Bangkok, para, numa nova demonstração da sua força se manifestarem na Government House, no monumento á Democracia e no Comando do Exército.

Entretanto em Si Sa Ket, uma província no sul do Issan, o Puea Thai, o partido que segue a linha dos anteriores partidos aliados a Thaksin Shinawatra, obteve mais uma esmagadora vitória nas eleições intercalares que aí se realizaram devido á desqualificação do deputado anteriormente eleito.

Esta vitória, por uma maioria de 64% dos votos expressos tem um grande significado visto o anterior deputado pertencer ao partido Chart Thai, actual Chart Pattana Thai, que se viu agora "esmagado" pelo candidato apoiado por Thaksin, ainda que tivesse a suportar a sua candidatura as forças da coligação governamental e toda a máquina do Ministério do Interior.
Em dois fim-de-semana seguidos. O Puea Thai mostrou claramente ser ainda a principal força política na região, porventura no país, batendo os aliados do partido Democrata por margens bastante consideráveis mas ao mesmo tempo dando uma ajuda a Abhisit que deste modo vê os seus parceiros de coligação ficarem mais brandos nas suas constantes exigências devido ao apagar da sua aura.

Contudo hoje surgem rumores, falta ver se se confirmam de que 11 deputados de partidos actualmente na coligação estão de partida para o Puea Thai engrossando ainda mais as suas fileiras e enfraquecendo a coligação no poder.

Por outro lado esta está com a espada sobre a cabeça devido ao largo número de Deputados seus que estão a ser investigados por possuírem acções em empresas concessionárias de serviços públicos o que contraria a Constituição, art. 265, e que, se ficar provado, levará à sua demissão forçada e mais que provável queda do governo de Abhisit.

Interessante que o líder parlamentar do Puea Thai, contrariamente ás solicitações da UDD, disse não exigir a dissolução do Parlamento pois, e segundo ele, este cairá por si mesmo com o tempo e com o reconhecimento de que o Puea Thai é o maior partido na Tailândia e que é este que o povo quer ver a governar o país.

Durante a manifestação da UDD Thaksin fez uma das suas habituais vídeo chamadas apelando à população que o façam regressar à Tailândia pois, segundo disse, não quer morrer no deserto, uma alusão ao local onde actualmente vive, o Dubai. Especula-se que após os sinais dados pelas vitórias eleitorais o Puea Thai vai avançar com a recolha de assinaturas para uma petição de perdão para Thaksin, um processo que a avançar poderá causar alguns embaraços no sistema regente devido ás conhecidas divergências entre membros da mais alta hierarquia do país sobre a personagem.

Entretanto Abhisit ganhos por agora algum espaço de descanso mas o futuro não se apresenta muito promissor para a sua governação.

Mais uma Vítima


Um recruta da base naval de Sathaip foi a terceira vítima fatal do vírus A(H1N1) na Tailândia onde o número de casos conhecidos ontem à noite era de 1.330.

Como é normal nestes casos começa a haver especulação política e o Governo era ontem acusado por um jornal que normalmente lhe é favorável, mas os ventos estão a mudar, de estar a esconder a situação real e que haveria no país mais de 10.000 casos confirmados.

O Ministério da Saúde Pública decidiu constituir uma equipa de peritos médicos em virologia para tentar conhecer melhor o caso do homem de 42 anos que faleceu no Sábado passado.

Os grupos de risco são tidos por serem os jovens, os idosos e as pessoas com doenças crónicas ou debilidades dos sistemas imunológico o que não era o caso do falecido ao contrário da outra mulher que tinha conhecidas deficiências cardíacas

sábado, 27 de junho de 2009

A(H1N1) Actualização

Ontem verificou-se o primeiro caso fatal na Tailândia relacionado com o vírus A(H1N1) e o número de casos registados é actualmente de 1.132.

Uma mulher de 40 anos residente em Bangkok foi a primeira vítima e são esperados hoje numa conferência de imprensa do Ministro da Saúde Pública mais detalhes do desenvolvimento da epidemia no país.

Depois de já ter escrito este post o Ministro falou e referiu haver não uma mas duas vítimas. Para além da mulher atrás referida faleceu um homem de 42, ambos em Bangkok. Acrescentou que de todos os caos diagnosticados, cerca de 1.200, só existem 16 pessoas internadas para tratamento hospitalar.

27 de Junho


A panda faz hoje um mês.

Ainda não é conhecido o seu nome pois prossegue a recolha a nível nacional dos postais através dos quais as pessoas estão a votar, mas os felizardos que também nasceram neste dia têm hoje uma oportunidade única de ver ao vivo o mais jovem habitante do jardim zoológico de Chiang Mai.

Até agora a panda só é vista através de um sistema de televisão para proteger a sua privacidade e evitar um elevado nível de stress que pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento.

A pandamania está tão disseminada que em Ayudhya um elefante foi pintado como um panda, visto "o que está a dar são pandas não elefantes" e agora temos Elepandas.

Insólita Tailândia

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dois Pesos Duas Medidas


Ontem, numa recepção, encontrei um tailandês que é actualmente Professor de Relações Internacionais no centro Burkle da University of California, Los Angeles, UCLA, e perguntei-lhe como é que nos Estados Unidos é actualmente vista a Tailândia.

A resposta foi clara: CONFUNDIDOS

Segundo esse Professor, os americanos não conseguem compreender como é que há um Primeiro Ministro que é condenado, e forçado a demitir-se, pelo facto do seu motorista receber pouco mais de 100 doláres para os ingredientes de um programa culinário que tem na televisão (Samak), e, ao mesmo tempo, os aeroportos de Bangkok são bloqueados durante mais de uma semana causando milhares de milhões de dólares de prejuízo ao país e ninguém é apresentado perante a justiça e responsabilizado acto.

Realmente também eu deveria estar CONFUNDIDO só que, como já disse várias vezes, tudo pode acontecer na Tailândia.

Fios de Ovos Tailandeses


Com a devida vénia a Elsa Resende da Agência Lusa, aqui fica um dos seus trabalhos feito aquando da visita ao país de um grupo de jornalistas portugueses, organizada pela Embaixada da Tailândia em Lisboa.

Portugal/Tailândia: O país dos queques e dos fios de ovos

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - Por "culpa" dos portugueses, os primeiros europeus a chegarem à Tailândia, os tailandeses comem queques e fios de ovos, nome por que são também conhecidos os jogadores da selecção de futebol das "quinas".

Os doces genuinamente tailandeses são confeccionados com arroz e leite de coco.

Maria de Guiomar Pina, filha de uma portuguesa e de um japonês, resolveu baralhar os tailandeses, introduzindo na sua gastronomia doces feitos com açúcar e ovos.

Os portugueses aportaram ao antigo Sião em 1511, quando o governador da Índia, Afonso de Albuquerque, enviou à capital do reino, Ayutthaya, um embaixador, Duarte Fernandes.

Maria de Guiomar Pina pisou território tailandês anos mais tarde, no século XVII, para fugir à perseguição aos católicos no Japão.

Casou-se com o grego Constantino Phaulkon, que se tornou confidente pessoal e primeiro-ministro do rei siamês Narai.

Com a morte do marido, que foi executado por o Sião temer uma tomada do poder por parte da França devido às fortes relações de Phaulkon com o rei francês Luís XIV, a luso-japonesa foi integrada na corte siamesa, onde, nas cozinhas reais, transmitiu a receita dos fios de ovos e queques, que ainda hoje são confeccionados artesanalmente em Thon Buri, numa das margens do rio Chao Phraya, em Banguecoque.

"Os queques apresentam formato semelhante aos nossos [portugueses], sendo o sabor ligeiramente diferente", refere a historiadora Maria da Conceição Flores, autora de "Os Portugueses e o Sião no Século XVI".

Também os fios de ovos, uma sobremesa fina usada em festas e celebrações religiosas especiais, como a ordenação de monges budistas, têm na Tailândia um paladar distinto dos de Aveiro.
"São feitos com ovos de pato e não de galinha", aponta o embaixador José Melo Gouveia .

"E podem levar aroma de jasmim", adianta Ganjanawan Grabgraigaew Cirne, co-proprietária de um restaurante de comida tailandesa em Lisboa que deixou a Tailândia, onde nasceu, para casar com um português com quem vive há sete anos.

Ora, é pelo nome de fios de ovos, "Foi Tong" em tailandês, que os jogadores da selecção portuguesa de futebol, são chamados, conta, por sua vez, Nuno Caldeira da Silva, conselheiro político da União Europeia radicado há cinco anos em Banguecoque.

Mas, se a origem portuguesa dos doces com ovos na gastronomia siamesa é consensual para lusos e tailandeses, o mesmo já não se pode dizer da comida picante.

Para os tailandeses, a malagueta chegou à Tailândia no século XVI pela mão de missionários cristãos portugueses que serviam no Brasil.

O investigador Miguel Castelo-Branco, a residir há cerca de dois anos em Banguecoque onde prepara a sua tese de doutoramento sobre as relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia no período 1782-2009, dá outra versão.

"O picante da comida tailandesa é originário", desde o século XII, "da Índia", aonde os portugueses aportaram três séculos depois, em 1498.

A sua chegada à Tailândia só ocorreu passados 13 anos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A (H1N1) - Actualização


O número de pessoas infectadas na Tailândia pelo vírus A (H1N1) da presente onda de gripe deve ter neste momento ultrapassado o milhar mas não se registaram até agora nenhum caso mortal ou mesmo de grande gravidade.

As autoridades sanitárias continuam a trabalhar com bastante acerto, nada escondendo e tentando, dentro dos possíveis, alertar as pessoas para os riscos de contaminação a que estão sujeitas.

Ontem na principal base naval, em Sathahip a cerca de 150 km ao sul de Bangkok, sete recrutas testaram positivos e cerca de 200 foram de imediato colocados de quarentena para proceder a testes e obviar a mais contágios nesta célula.

Cartazes, alertando as populações, estão a ser distribuídos pelo país e os hospitais estão devidamente equipados com o antiviral necessário.

Recorde-se que a OMS autorizou a Tailândia a produzir o Tamilflu como genérico podendo assim refazer rapidamente os necessários stocks

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tensão na Fronteira

Entre a Tailândia e o Cambodja existem cerca de 850 km de fronteira que não estão correctamente demarcadas. Uma das razões para a falta de demarcação é a existência de grande número de minas anti pessoais e as tensões que desde sempre aí se verificaram têm muito a ver com essa falta de demarcação. Acontece amiúde os soldados de um e do outro lado da “fronteira” atravessarem-na sem que tenha plenas consciência desse facto. De igual modo a falta de equipamento e de preparação adequada a isso obriga. Só como exemplo é conhecido que soldados de ambos os lados, sabendo que os seus mapas são duvidosos por colocarem as linhas de fronteira de acordo com a interpretação de cada país, utilizam o Google maps para saber onde estão. Como se sabe esses mapas não só não são objecto de nenhum acordo entre os dois países como não possuem a qualificação de documentos oficiais.


A 15 de Junho de 1962 o Tribunal Internacional de Justiça, numa decisão 9-3, decidiu que o templo da Khao Prear Vihearn pertencia ao Cambodja mas nada foi decidido, visto isso não ser parte do processo em apreciação, sobre os 4,6 km quadrados de terrenos adjacentes ao templo que continuam a ser parte dos territórios em disputa. Com há tempos escrevi é como se o templo, cambojano, estivesse no ar. O Primeiro-ministro tailandês na altura, o Marechal Sarit Thanarat, não queria entregar o templo mas o Rei Bumibol disse que as decisões do tribunal eram para ser acatadas, aliás de acordo com a estrutura de pensamento do Rei, um defensor da lei e da sua respeitabilidade como muitas vezes tem demonstrado. No dia 2 de Julho o Primeiro-ministro numa mensagem ao país através da televisão aceitou a decisão judicial e fez as tropas tailandesas saírem do templo.

No que respeita às questões fronteiriças foi constituída em 2000 uma comissão mista a Joint Boundary Commission (JCB), com o objectivo de proceder à demarcação das linhas de fronteira entre os dois países. Passados 9 anos a JCB não consegue ter nenhum avanço nos intentos para que foi constituída apesar das inúmeras declarações de boas intuições políticas de ambos os lados e no que respeita ao templo nem mesmo conseguem sair da simples elaboração daquilo que podem discutir visto não acordarem no nome do templo que, embora praticamente diferente, tem duas fonéticas diferentes para cada uma das línguas.

Na semana passada mais uma vez se ouviram discursos políticos de amizade, cordialidade e intenção de encontrar uma solução política e pacífica para o problema. Na visita que Abhisit fez a Pnhom Penh tudo correu em grande harmonia tendo inclusive o PM tailandês devolvido ao Camboja várias estátuas Khmer que tinham sido em tempos trazidas por soldados tailandeses para o país.

Acontece que ao regressar a Bangkok Abhisit declarou à comunicação social que a Tailândia iria solicitar à UNESCO, na sua reunião em Sevilha no próximo dia 15, que revisses o processo do templo e retirasse a classificação de Património da Humanidade que está em curso de confirmação.

Foi o suficiente para atear de novo a fogueira com declarações explosivas de parte a parte embora a Tailândia diga que a questão não é com o Camboja mas com a UNESCO. Fortes contingentes de forças armadas foram enviados para a fronteira pelas duas capitais e a qualquer momento poderão haver novos conflitos sendo que desta vez, segundo afirma o Chefe do Comando cambojano no local, a presença de tanto armamento pode levar a que os confrontos tomem uma proporção muito superior aos do passado ano onde cerca de 12 soldados de ambos os lados morreram.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

As Eleições em Nakhon Sakhon


A vencedora

Ontem realizaram-se eleições de extrema importância para entender os próximos passos no panorama político na Tailândia.

Em Sakhorn Nakorn สกลนคร uma das províncias do Nordeste tailandês, o Isaan, a terra sempre leal a Thaksin e onde ele encontra o maior eco para a s suas palavras realizaram-se ontem eleições intercalares devido à desqualificação de um Deputado pertencente ao Puea Thai.

O Bhum Jai Party de Nevin Chidchob, empreendeu a fundo nesta campanha vista como o primeiro passo para uma possível substituição do poder de Thaksin nesta importante parte do país.

Desde sempre o Norte e o Nordeste têm sido fiéis a Shinawatra e é aqui que as suas políticas de aproximação ás populações mais se fizeram sentir. Logo após a sua primeira vitória eleitoral Thaksin entendeu que teria de ter um seguro controlo dessas grande maioria de votos no sentido de assegurar uma maioria confortável que lhe permitisse levar a cabo as suas políticas. Assim implementou medidas dirigidas ás populações rurais satisfazendo os seus anseios o que eles mais tarde retribuíram dando-lhe a maioria absoluta.

A ligação de Thaksin às populações rural não se apagou e quando há cerca de um mês me desloquei a Khon Kaen, a capital do Issan do Norte, se assim se pode descrever a cidade, pude constatar, e mesmo pela boca dos seus adversários políticos, que Thaksin continuava no coração das populações.

Assim aconteceu ontem apesar de todos os esforços levados a cabo por Nevin e seus homens, quando a candidata do Puean Thai Party obteve 68,6% dos votos expressos dando uma inequívoca vitória ao fugitivo ex Primeiro-ministro.


Os derrotados

Na próxima semana haverá eleições em Si Sa Ket, na parte Sul do Issan, numa província de fronteira com Buriram, a terra de Nevin, mas é crível, agora, que o cenário não se altere. O Bhum Jai Thai Party, apareceu perante as câmaras de televisão com caras de grande derrota e terão agora de repensar a estratégia já que ficou claro que o seu desejo de ser a força dominante na região, que tantos deputados elege, não passa, por enquanto, de um sonho.

Para além do facto de o partido de Nevin ter que retirar para reflectir, há muitas outras implicações que estas eleições mostram. Contrariamente ao que se poderá pensar Abihsit deverá ter ficado satisfeito com a derrota do seu parceiro de coligação visto isso fazer baixar o seu poder negocial e poder ajudar à solidez do governo já que parece evidente que se a coligação se desfizer e for necessário avançar para um cenário de eleições antecipadas a coligação no poder sairia derrotada e o thaksinismo regressaria ao poder.

Contudo como sempre a imprevisibilidade é o factor dominante na Tailândia e poderá que a sentir-se derrotado Nevin eleve o seu tom de voz requerendo mais apoios para os seus Ministros nas questões orçamentais visto lhe poder parecer necessitar de mais dinheiro para as lutas eleitorais. Nevin é grande admirador da velha frase de que em política não há amigos mas também não há inimigos e os meus "inimigos" de hoje poderão ser os meus parceiros de amanhã. Assim poderá muito bem regressar ao lugar de onde partiu para ajudar a formar uma coligação com o Puea Thai se isso conseguir negociar e se mostrar necessário àquele partido para liderar uma coligação.

Existe outro factor a ter em conta que é o facto de actualmente 44 Deputados da coligação no poder estarem a ser investigados por violação de um preceito constitucional referente à detenção de acções em companhias concessionárias de serviços públicos. Se tal se provar, o que pode levar algum tempo mas é uma espada que enfraquece a coligação como já reconheceu Abhisit, isso levará à queda do governo por falta de base de sustentação no Parlamento e por tanto eleições.

Neste primeiro encontro que opôs Nevin e Thaksin, o último mostrou que ainda é aquele que mais sabe fazer política no país e derrotou o primeiro por KO técnico logo no primeiro assalto. Thaksin, para mostrar a sua real ligação ao povo e ás suas estruturas telefonou directamente para os telemóveis dos kanmam, semelhante aos presidente de câmaras, para assegurar o seu apoio à candidata do Puea Thai. Nevin fez campanha à antiga, distribuindo dinheiro e levando os pesos pesados a comícios mas os votantes já experimentaram a realidade Sginawatra a por agora essa chega-lhes.