segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Abhisit e os Media

Mais uma vez aproveito os "cartoons" para ilustrar o sentimento corrente no país.

A manifestação amarela continua, contudo sem chame nem rumo. É quase generalizada a opinião de que o movimento está a lutar pela sua sobrevivência e o fim-de-semana não conseguiu ver o número de manifestantes a crescer, bem pelo contrário. Mesmo assim mantêm-se desafiantes e determinados na sua causa ao ponto do General Chamlong ter recusado qualquer iniciativa do PM Abhisit para diálogo afirmando que a única coisa que o PM teria de fazer era responder positivamente aos pedidos do PAD.
Abhisit, para além de anunciar a intenção de dialogar, pensava ter apaziguado as "tropas" com a remoção da placa marcando o território feita pelos cambojanos mas o facto de estes terem substituído a dita placa por bandeiras ainda piorou a situação pois tornou-se mais evidente a "reclamação territorial e de soberania". Agora Phnom Penh reage ao pedido de Abhisit para a remoção das bandeiras classificando-o "provocativo".

De igual modo os vermelhos, que estão, no momento, a ganhar apoio com a forma cuidada como têm mostrado os seus "dentes", vão-se organizando e continuando as suas actividades tendo já marcado e anunciado o calendário para os próximos tempos.

Outro dos sectores atento são os militares e uma vez mais correm os rumores de um golpe de estado o que de um ponto de vista meramente estatístico está correcto já que desde que há monarquia constitucional no país há um golpe de estado em média cada 4 anos e o último foi em 2006. É uma análise profundamente rudimentar mas com alguma lógica se é que golpes de estado fazem alguma lógica.
Abhisit entretanto esteve pressente no Fórum de Davos e numa entrevista ao correspondente da Bloomberg na Tailândia reafirmou a sua intenção de convocar eleições deixando no ar a ideia de que poderia ser um pouco mais cedo do que aquilo que se previa e, se assim for, poderemos vir a ter eleições no início do segundo trimestre do ano.

Entretanto os dois "cartoons" que hoje se publicam no Bangkok Post e no The Nation mostram bem a forma como muitos vêm o PM que na realidade luta diariamente pela própria sobrevivência no meio de tantos que tão pouco o consideram e nele confiam.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Laranjada

Mudam-se os tempos mudam-se os hábitos.

Em 2008 Kasit Piromya, o actual Ministro dos Estrangeiros, era uma assídua presença nos palcos do PAD e tido como o campeão da luta que os amarelos mantêm contra o Camboja por causa daquilo que consideram ser a invasão e anexação de território da Tailândia pelos cambojanos.

Ontem na manifestação do PAD o "grande amigo" passou a ser um dos principais alvos a abater e foi objecto de todos os insultos e impropérios saídos das gargantas da turba amarela que se manifesta pedindo a invasão do Camboja e a demissão de Abhisit e de Kasit

Para completar o ramalhete da loucura colorida que se apoderou da nova manifestação amarela (que continua a ser reduzida em número de presenças) um dos líderes dos Patriotas, Chaiwat Sinsuwong, encorajou esta manhã os vermelhos a juntarem-se à manifestação para "unidos lutarem contra o fim da governação dos democratas".

As voltas da política tailandesa são sempre uma caixa de surpresas.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Experiência Socialista

Hoje chegou-me à caixa de correio esta mensagem que me pareceu importante partilhar devido à sua permanente actualidade. Nada me move contra o socialismo ou a seu favor, mas tudo me move contra o comodismo e a exploração de outros em proveito próprio.

Uma experiência socialista........ em 1931.

Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha, uma vez, chumbado uma turma inteira.

Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".

O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...

Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da media das notas. Portanto, agindo contra os seus princípios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.

Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5. As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.

No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."

O pensamento abaixo foi escrito em 1931 por Adrian Rogers

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Casamentos de Conveniência

Ontem referi a estranha coligação que se estabeleceu entre os amarelos e os vermelhos "juntos" por causa de um inimigo comum, Abhisit

Ambos os campos acabam de mais uma vez concordar afirmando que a história dos "bombistas" presos antes do começo da manifestação do PAD foi uma armadilha montada pelo governo para, no entender do PAD, afastar as pessoas doa manifestação, e no entender da UDD devido a divisões dentro da própria polícia.

Hoje o The Nation analisa na primeira página esse caso mostrando as incongruências e os erros e fazendo crer que na realidade algo se passou no seio da polícia e nos bastidores de toda essa encenação.

Contudo o mais importante é o facto de a manifestação do PAD estar aparentemente para durar e só terminar, de acordo com os seus líderes, ou com a total aceitação dos seus pedidos (que se sabe impossível) ou com a demissão do governo de Abhisit.

O número de manifestantes aumentou ontem à noite e chega neste momento aos 5.000 segundo a maioria das fontes embora os jornais, à semelhança com os casos da UDD, tentem não relatar muito sobre o movimento

Sondhi L, o mais mediático líder do PAD veio dizer que Abhisit ainda continua a enganar muita gente com a "sua cara bonita" mas já não engana o PAD que sabe ele ser igual aos anteriores primeiros ministros que o movimento ajudou a derrubar referindo Thaksin, Samak e Somchai.

Outro dos líderes do movimento veio dizer que desta vez era mais sério pois Abhisit estava a vender a pátria aos "invasores" cambojanos e o movimento estava ali a lutar para que o país não perdesse a soberania sobre o seu território.

Os temas nacionalistas sempre foram do agrado do PAD pois sabe bem o movimento que desse modo consegue atrair massas e atiçar chamas que se sentem menos atraídas por temas mais do foro político como direitos democráticos ou sociais.

O General Chamlong, outro dos líderes do PAD, veio afirmar que por agora as pessoas se concentraram na ponte de Makawan (mesmo em frente ao edifício das Nações Unidas e onde em 2008 iniciaram a campanha que durou 192 dias) e não tencionam avançar para a Governement House mas tal poderá acontecer se essa for a vontade do povo ali em manifestação. O velho General disse de igual modo que dispersariam tão logo o PM Abhisit acedesse aos seus pedidos, facto que se sabe, como já referi, impossível. Aceder aos pedidos seria o mesmo que declarar guerra ao Camboja pois não me parece haver outra forma de fazer mover as pessoas que actualmente ocupam os disputados 4,6 km2 em redor do templo de Phrae Viharn.

Abhisit, sem resposta, autorizou entretanto, um pouco à trouxe-mouxe, um exercício militar junto da fronteira, talvez numa tentativa de mostrar a força tailandesa aos cambojanos mas este estão numa posição confortável e contam, nesta disputa, com o apoio da comunidade e da lei internacionais.

Uma pergunta fica agora no ar mas não consigo encontrar a adequada resposta: qual a porta de saída para esta nova crise em crescimento?

Sabe-se que Abhisit não pode ceder. O PAD parece determinado a continuar (instalaram um verdadeiro acampamento com tudo o que necessitam – casas de banho, tendas para dormir, cozinhas, etc). A possibilidade de fazer aplicar a lei parece difícil (o PAD neste aspecto é actualmente mais radical que a UDD). Qual a saída?

Vai o PAD vergar por falta de fundos? Note-se que aquando da campanha contra Thaksin e seus aliados em 2008, o PAD via diariamente milhões de baht serem postos á sua disposição para os gastos necessários. Ao "establishment" interessava-lhe essa luta. Era a luta deles pelos seus privilégios e pelo seu medo de perder o poder. Desse modo o conhecido continuado financiamento e apoio de muitas e altas figuras do país entre as quais o próprio Abhisit.

Agora isso não parece viável. Ao "establishment" não interessa derrubar o governo de Abhisit, ou seja ninguém gosta de dar tiros nos pés a não ser por engano.

Duas saídas parecem possíveis. A dissolução do parlamento e convocação de eleições mas tal não é viável antes de meados-final de Fevereiro visto ser necessário terminar o processo da revisão da Constituição cuja ultima votação está agora agendada para o dia 10 de Fevereiro depois de ontem ter sido aprovada a proposta dos Democratas. Depois da terceira votação e posterior publicação na gazeta real, ainda falta a aprovação, pelo governo, de um decreto regulamentar para que o novo texto entre em vigor. Tal nunca estará pronto antes de finais de Fevereiro já contando com um excesso de optimismo.

Até lá, e sendo que a dissolução do parlamento não é uma das reivindicações do PAD, vai manter-se a manifestação como aconteceu em 2008 com todos os custos que o país conhece?

A outra saída é a já tantas vezes levada á prática nos 79 anos de monarquia constitucional no país, ou seja um golpe de estado que tente recolocar o país na "ordem". Contudo esta via é sabido, pela experiência de 2006, que nada acrescenta e só faz o país parar mais no tempo com todas as consequências nacionais e internacionais que lhe estão associadas. Por outro lado um golpe de estado, por muito pacífico que seja, tem, neste momento, uma forte possibilidade de desencadear movimentos de tipo revolucionários no interior do país visto ser sabido que tal seria aproveitado pelos sectores mais radicais dos vermelhos para tentar apoderarem-se do poder.

Os próximos dias poderão mostrar o rumo mas não parece fácil a tarefa de Abhisit em manter a unidade nas forças que lhe estão mais próximos.

Se for como diz Sondhi L, "já fizemos cair três por isso podemos voltar a fazê-lo" não se vislumbra nada de claro para o futuro do país.

Casamentos de conveniência são sempre perigosos, seja o do caso de Abhisit com o PAD seja o actual do PAD com a UDD. Um dos nubentes pode sempre sentir-se traído mais tarde.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amarelos ajudam Vermelhos

Quem ousaria dizer que os "amarelos" poderiam ser os principais aliados dos "vermelhos".

Em 2008 o PAD-amarelo manifestou-se durante 192 dias consecutivos, destruiu a totalidade dos jardins e zonas adjacentes da Government House e várias parte no interior de vários edifícios no complexo terminando a sua campanha com a ocupação dos dois aeroportos da capital. Nessa altura atingiu o seu objectivo de fazer cair o governo pró-Thaksin de Somchai Wongsawat, embora este tenha acabado por ceder devido a uma decisão judicial que dissolveu o partido que o sustentava.

Hoje o PAD iniciou uma nova manifestação com o objectivo de depor o governo que ajudou a colocar no poder e no qual têm assento alguns dos apoiantes daquela campanha de 2008, como o Ministro dos Negócios Estrangeiros Kasit Piromya. Segundo a polícia estarão no local cerca de 2.000 manifestantes.

O General Chamlong, um dos mais proeminentes líderes do movimento já anunciou que não abandonarão o local enquanto o governo não ceder, ou seja se demitir ou aceder aos pedidos do agrupamento. Contudo uma das suas facções, os ditos Patriotas (?) dizem que mesmo que o governo aceite as suas reivindicações o objectivo é a queda de Abhisit.

O PAD reclama os seguintes três pontos:

- Anulação do Memorando de Entendimento de 2000 que regula as questões fronteiriças com o Camboja

- Saída da Tailândia do Conselho da UNESCO que rege o Património da Humanidade

- Expulsar todos os civis e militares cambojanos que actualmente se encontram a viver ou estacionados nos 4,6 km quadrados em redor do templo de Phrae Viharn e que é terreno disputado por ambos os países.

Abhisit já disse NÃO a todos os pontos referindo que no primeiro ponto a existência do memorando é uma garantia de que não é através da força armada que a questão se resolve. Sem ele não resta outra alternativa do que o recurso á força armada para dirimir a disputa. O segundo viria a ter consequências graves nos muitos locais classificados na própria Tailândia e o terceiro é uma declaração de guerra que não se deseja.

Espera-se agora ver o desenvolvimento da manifestação sabendo-se que há pouca possibilidade de ela ganhar a dimensão da anterior campanha.

Entretanto a UDD-vermelha tem continuado a manifestar-se com grande civismo e ordeiramente ganhando desta maneira a simpatia de muitos que vêem com agrado a conduta do movimento agora liderado por uma mulher a esposa do Dr. Weng, Thida Thawornseth que se encontra como outros líderes ainda em detenção preventiva (!). Do lado vermelho temos hoje também uma pequena manifestação de um dos seus sub grupos mas pelo seu passado será mais uma vez um ajuntamento pacífico e não muito numeroso.

Entretanto, ainda sem se saber bem quem comandou ou a sua verdadeira veracidade, esta noite a polícia deteve 4 indivíduos que supostamente tinham sido contratados (sem ser dito pró quem) para colocar bombas artesanais na manifestação do PAD de modo a causar pânico já que a sua potência era extremamente reduzida.

Abhisit mais uma vez caminhando sobre um fio quase invisível e sem rede.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Assim vai a Investigação

Oito meses passados sobre os acontecimentos de Abril/Maio de 2010 e continua-se na saga de "encontrar" os responsáveis pelas mortes de 92 pessoas.

Ontem o Director-Geral do Departamento de Investigações Especiais, Tharit Pengdit veio mais uma vez falar para a comunicação social para nada dizer mas as suas palavras foram todas medidas e estudadas ao milímetro.

" As mortes aconteceram no meio de confrontos o que torna difícil fazer qualquer investigação". A seguir disse que as mortes podiam ser classificadas dentro de três categorias a saber:

Mortes das quais os camisas vermelhos eram suspeitos.

Incidentes (a palavra morte foi substituída por incidentes) que implicavam agentes governamentais.

Incidentes aos quais era difícil atribuír-se causa/culpabilidade.

Em relação aos segundos acrescentou Tharit que o DSI quando falava em "agentes governamentais" não queria de modo algum implicar os militares ou as forças anti-motim da polícia!

Dos casos até agora mais avançados, 12 mortes são atribuídas a acções dos "vermelhos" e 13 outros "podem" (a palavra que utilizou) implicar "agentes responsáveis pela restauração da paz", como o caso dos mortos no templo de Pathum Wanaram que tanto chocou muitos.

Interessante de saber que o caso mais mediático, o da morte do general Khattiya, Seh Daeng, é incluído na terceira categoria quando é comummente sabido de onde partiu a bala fatal.

Assim vai a investigação cuja clarificação seria tão importante para ajudar a um clima de paz e reconciliação mas não é de estranhar que assim seja visto a grande maioria dos casos complicados (Tak Bai, Krue Se, Somchai Neelaphajit, Santika, etc, etc) nunca viram ninguém ser acusado ou quando é ou é peixe miúdo ou o acusado já fugiu antes da condenação.

Ontem mesmo o actual Secretário de Estado da Economia e secretário-geral adjunto do Partido Democrata foi condenado a 6 meses de cadeia, com pena suspensa por um ano, por um caso de difamação da polícia. O caso passou-se há oito anos atrás!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Efeitos da Política na Economia

Apesar dos problemas políticos e dos grandes danos que vêm trazendo ao país fundamentalmente desde 2008, a economia tailandesa continua florescente embora sejam visíveis perigos no horizonte de curto/médio prazo.

Em 2008 a acção dos amarelos do PAD obrigou à paralisação do governo durante mais de meio ano e terminou com a ocupação dos aeroportos da capital, durante uma semana o que foi um duro golpe para o turismo e para a confiança no país

Em 2009 os vermelhos da UDD iniciaram a sua "révanche" e em Abril tivemos os incidentes à volta da cimeira da ASEAN em Pattaya e alguns incidentes sangrentos em Bangkok que não só criaram problemas à reputação internacional do país como mostraram a volatilidade da situação, afugentando pessoas.

Em 2010 foi o culminar da acção da UDD e confrontações com forças militares com os sangrentos incidentes de Abril/Maio em que vieram a perecer 92 pessoas e foram destruídos pelo fogo mais de 30 edifícios no centro de Bangkok. A anarquia viveu durante mais de 120 dias na capital fazendo com que muitos dos sectores da economia sofressem fortemente com a situação para além de mais uma vez a reputação e credibilidade internacional do país terem caído fortemente.

Não foi só o investimento directo estrangeiro que sofreu foram as remessas de emigrantes e as visitas de turistas que diminuíram bastante neste longo período. De igual modo nas estatísticas e classificações nos vários índices preparados pelas agências das Nações Unidas e afins, a Tailândia sofreu fortes quedas o que normalmente se reflecte na economia de um país. Investidores estrangeiros procuram estabilidade de modo a que possam projectar o retorno dos seus investimentos dentro da normal previsibilidade e sem sobressaltos.

Tudo o que se passou no país neste últimos três anos apontaria para que a economia tailandesa estivesse a enfrentar substanciais problemas o que inclusive poderia afectar o seu tecido social e criar ainda mais instabilidade. Para além de tudo o que foi dito a continuada valorização do baht contra o dólar americano e o euro (este último na casa dos 23 % no ano passado) e a desvalorização do dong vietnamita, um forte concorrente no sector das exportações, seriam acrescidos obstáculos ao desenvolvimento das exportações elemento fundamental da economia tailandesa.

Contudo os números agora vindos a lume mostram o oposto:

As exportações cresceram 28.1% para quase 200 mil milhões de US$ e a projecção para este ano é de novo crescimento de cerca de 10%. Um dos números interessantes é o registado pelo sector automóvel, um pouco em crise pelo mundo, e que apesar de todos os problemas registados com a recolha de milhões de veículos especialmente no caso da Toyota, o maior produtor "tailandês", viu o número de veículos vendidos subir 45,8% em 2010.

O sector privado tailandês tem sabido viver no meio da crise política mantendo-se equidistante dos actores em confronto, apoiando à esquerda e à direita mas seguindo em frente, e apostando na pujança do mercado asiático que fundamentalmente, no caso da ASEAN, está a ter um impulso extraordinário com a entrada em vigor do ACFTA ou seja o acordo de comércio livre entre a China e os 10 estados membros da associação do sudeste asiático. O comércio entre a China e a ASEAN subiu 38% ultrapassando os 150 mil milhões de Euros no ano passado.

Claro que há sempre um senão e apesar da sociedade tailandesa conseguir ter uma distribuição de riqueza que não é alarmante no que respeita o agravar do fosso social o aumento que se regista actualmente nos preços dos bens de consumo está por um lado a obrigar o estado a abrir os cofres para tentar manter artificialmente os preços e por outro a fazer subir a inflação para níveis que se podem tornar inquietantes.

No que respeita à política do governo de manutenção dos preços de bens essenciais abaixo do seu custo de produção, a par de outras políticas tendentes a atrair os menos favorecidos como empréstimos a longo prazo e sem juros, tal está a ter dois efeitos. Por um lado há produtores que começam a largar sectores que se tornam menos lucrativos (exemplo do óleo de palma) e por outro lado o governo já teve de recorrer a um orçamento extraordinário de 2,5 mil milhões de euros para fazer face a estes custos adicionais com o consequente aumento do deficit orçamental e as implicações futuras dessa prática de políticas populistas.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amarelos e Vermelhos

A saga dos membros da Aliança dos Patriotas que se encontram detidos em Phnon Pehn continua e o PAD decidiu manifestar-se sem parar pedindo a demissão de Abhisit e de kasit o Ministro dos Estrangeiros, ele próprio um membro do PAD.

Os amarelos iniciaram a manifestação na Sexta-feira em frente à Government House e decidiram mantê-la continuadamente bloqueando a rua Pithsanulok que passa em frente do complexo do PM. De igual modo alteraram o seu pedido e já não querem que Abhisit se demita querem que ele seja corrido "por não defender os interesses do país". De acordo com os seus líderes os sete elementos da "força patriótica" não entraram no Camboja pois o terreno que estavam a pisar é terreno tailandês e Abhisit ao aceitar a sua prisão e nada fazer contra isso está a ceder perante os "invasores " cambojanos.

Entendem os elementos deste subgrupo do PAD que o Camboja ocupa ilegalmente parte do território tailandês, visto na área onde foram feitos prisioneiros estarem aquarteladas forças militares do Camboja, e o PM Abhisit ao não defender a pátria dos agressores estrangeiros está a colaborar com eles.

A causa das lutas entre os dois países cada vez tem menos adeptos e isso nota-se no facto da manifestação do PAD não contar com grande apoio (200 pessoas de acordo com a Policia) e só o facto de terem instalado barricadas impede a circulação de carros junto do complexo ministerial. De resto pouco mais de umas centenas serão os elementos aí estacionados que ontem inclusive conviviam com uma caravana vermelha que se passeava pela cidade como se vê acima. Em relação aos vermelhos, que como disse da última vez que se manifestaram a todos espantaram pela grande quantidade de pessoas que trouxeram para a rua, note-se que agora criaram novas formas de se manterem "no ar" com esses passeios dominicais onde vão mostrando as suas cores e acabaram de chegar a acordo com os comerciantes da zona de Ratchaprasong para que as futuras manifestações que ali realizarem (a zona é simbólica e tem a marca dos acontecimentos de Maio passado) sejam curtas e animadas de modo a causar a menor perturbação possível ao comércio da zona.

Na capital do Camboja no sábado passado os 5 elementos dos "patriotas" que se encontram detidos viram o tribunal negar-lhes liberdade sob fiança e dois deles (um dos quais um importante líder amarelo) irão por certo passar um mau momento devido às acusações de espionagem contra eles produzidas pelo ministério público que poderão levar ao encarceramento por longo tempo e em condições que por certo não vão ser as melhores.

O deputado e ex Vice-Ministro Panich bem como uma sua colaboradora foram libertados sob fiança mas estão impossibilitados de sair do país e têm de se apresentar ás autoridades todas as semanas até à conclusão final do processo. Estão actualmente instalados na residência do embaixador Tailandês em Phnon Penh.

Abhisit e Kasit conseguiram que os seus aliados se virassem contra eles e agora bem podem dizer a velha frase "quem necessita de inimigos quando tem amigos destes?".

Contudo é claro que esta acção é um tiro no pé do PAD visto não só o reduzido número de apoiantes que conseguem chamar para as suas manifestações como o facto de quem está em perca neste conflito serem exactamente o movimento e a sua base de apoio. As contra-manifestações de todos aqueles que vivem das relações e trocas comerciais Tailândia-Camboja, e que são muitos, e as palavras de desagrado com a actuação deles já usadas pelo chefe do exército General Prayud, são outros dois elementos que colocam o PAD e os seus mais radicais membros numa situação de perca numa altura em que pelo contrário o movimento necessitava de se reafirmar se têm algum intento de fazer valer os seus pontos de vista nas próximas eleições através da sua estrutura partidária o Partido da Nova Politica.

domingo, 16 de janeiro de 2011

José Eduardo Bettencour abandona

O Sporting sofreu mais uma humilhante derrota em Alvalade e José Eduardo Bettencourt apresentou a demissão do seu cargo de Presidente no rescaldo do jogo.

Oito anos na Vice-Presidência do clube, alguns dos quais na companhia de JEB e quase 63 anos de sócio, impedem-me de não me manifestar perante a situação.

Tenho por JEB amizade e respeito pessoais. É uma pessoa de bem, um sportinguista nato de coração generoso mas faltou-lhe liderança à frente do clube.

Desde cedo deixou que a estrutura e sobretudo os “abutres” (não gosto muito de adjectivar pessoas mas neste caso faço-o) que voam sempre sobre os clubes de futebol tomassem conta da nau e as consequências foram visíveis.

O futebol é um sector da industria de entretenimento muito especial e que movimenta muitos interesses sendo o principal os holofotes que sempre estão sobre os actores. A maioria diz detestar a atenção que a comunicação social dá ao mais pequeno acontecimento, mas não é capaz de resistir em aparecer numa boa capa especialmente quando esta o adula.

O futebol carece de uma forte liderança, unipessoal pois se assim não for não é liderança é um pseudo comando cedendo à esquerda e á direita e portanto não seguindo em frente. Como referi conheci com alguma profundidade o meio do futebol e a grande diferença que existe entre o FC do Porto e os seus dois grandes rivais é que naquele clube sabe-se quem manda. Ninguém tem dúvidas e nessa questão não entram empresários de futebol nem promotores publicitários, muito ao contrario do que acontece nos clubes de Lisboa.

As ditaduras, assim se pode chamar ao que me refiro, são pouco do meu agrado mas no futebol têm a enorme vantagem de não permitir intrusões alheias nem dúvidas sobre a liderança.

Ao grosso dos actores do futebol não se pode pedir, até pela sua proveniência social (e não escondamos as coisas – ainda me lembro do Cristiano Ronaldo com 16 anos que nem falar sabia) e formação, repito, não se pode pedir que actuem num ambiente de liberdade/responsabilidade que seria decerto mais produtivo.

José Mourinho costuma dizer que prefere jogadores inteligentes do que jogadores com grande talento e ele diz isso pois é mais simples para ele fazer entender os seus pontos de vista de uma forma concertada junto daqueles que têm capacidades de assimilação superiores.

Quem se aproveita deste ambiente são os “apoiantes, conselheiros e outros” dos actores e todas essas opiniões “avisadas” nada acrescentam ao bom funcionamento de uma equipa de futebol que necessita essencialmente de conhecer o “dono” e saber com muita clareza o dia seguinte.

Nada disso aconteceu durante a gestão de JEB. Os problemas de uma estrutura complexa, muito ao estilo empresarial mas não atenta aos recursos humanos de que dispunha, muito cedo começaram a vir ao de cima e JEB começou a isolar-se criando uma barreira entre ele e os que tinham opiniões diversas (e que no seu entender estavam contra ele) o que levou à demissão de Rita Figueira, Miguel Ribeiro Telles, entre outros.

O dia em que JEB, o Presidente, veio a público chamar de terroristas aos sócios, mostrou-me o seu isolamento. Um Presidente nunca diz isso. Um Presidente “manda” dizer, um Presidente tem os seus apoiantes que dizem isso e outras coisas mas não pode descer tão baixo. Como o JEB eu também sou fundamentalmente um “adepto do peito” do clube mas o Presidente tem de deixar por momentos esse título de adepto pois tem de ter uma postura que não se conforma com o grito que se dá no momento em que o golo acontece, o impropério que se lança quando algo não core como gostamos, etc.

A recente contratação do José Couceiro, outro sportinguista sem dúvida e sem mácula, veio mais uma vez mostrar a incapacidade de JEB lidar com o universo complexo que é uma estrutura e um clube de futebol.

Que eu saiba JC não entrou para substituir ninguém, ninguém se demitiu para que ele entrasse, então porque é que só após tanto tempo foi notada a necessidade de um Director-Geral que afinal é mas é Administrador e que de início manda num dos administradores que por sua vez manda em JC.

A confusão com esta nomeação, que nada irá acrescentar ao clube a não ser mais um cadáver para outro armário, mostra a falta de ruma da estrutura do clube.

Agora virá outro Presidente mas a estrutura, as portas abertas aos adeptos, aos empresários, aos patrocinadores e aos jornalistas continuam escancaradas e portanto sem ser possível fazer uma remodelação completa (extremamente dispendiosa no momento em que a dívida é assustadora) em nada irá mudar o futuro próximo do clube com muita, mesmo muita pena minha.

Até à entrada do JEB o clube estava a trilhar os primeiros passos para poder criar uma organização com algum potencial de futuro. Os resultados desportivos eram razoáveis. Agora voltámos para trás e vai ser muito difícil encontrar o rumo.

A JEB nunca lhe faltou o empenho, que sempre foi muito, mas faltou-lhe o engenho.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Assim Vai o País

Depois de um longo repouso, da escrita, devido a férias e ao trabalho acumulado em cima da secretária, tento voltar ao contacto resumindo o que vejo.

A caminhada para a criação das condições para serem realizadas eleições antes do termo do mandado do presente governo continua em marcha e de acordo com o "road map" que antevimos em Outubro.

O próximo passo será a alteração da Constituição de modo a permitir que a coligação no poder veja mais facilitada a sua tarefa de aí se manter através do redesenho do mapa eleitoral e da distribuição dos deputados. Isso passa por criar círculos uninominais (em teoria favorecendo os pequenos partidos na coligação) e por aumentar os deputados eleitos em listas nacionais (com uma redistribuição do número de Deputados por província mais favorável aos Democratas). Se esta alteração for para a frente, e tal será conhecido em meados de Fevereiro, o calculo da nova Câmara feito nest momento e de acordo com os resultados das eleições de 2007 dá a garantia de uma maioria confortável à coligação no poder.

Contudo haverá ainda muita negociação até à votação final visto os Democratas de Abhisit terem tentado esticar a corda um pouco demais o que criou alguns conflitos com os seus parceiros de coligação. Como é conhecido isto acaba sempre por ser anuído com mais algumas concessões para os pequenos partidos, compensações que normalmente se traduzem em mais verbas para os Ministérios de que são titulares os seus membros ou a aprovação de projectos de sua iniciativa.

É fundamental para o poder continuar a assegurar de forma tranquila e controlada a transição em que se vive. É este o objectivo primordial definido para os vários responsáveis das diferentes hierarquias de poder.

O fundamental é conseguir que a presente coligação se mantenha no poder e assegure mais 4 anos tantos quantos as principais forças dos comandos de segurança, General Prayuth no exército e General Wichian na Polícia vão estar nos seus postos.

Entretanto surtiu um evento para animar as páginas dos jornais, evento esse, que uma vez mais demonstrou a fragilidade e depêndencia de certos sectores políticos perante os amarelos do PAD.

Um grupo de 7 tailandeses incluindo membros da Aliança dos Patriotas Tailandeses (um subgrupo do PAD, cujo líder, na foto abaixo, está acusado de espionagem pelas autoridades vizinhas), atravessou a pé a fronteira para o Camboja e acabaram presos por entrada ilícita no país vizinho e neste no que é considerado um aquartelamento. Um dos membros dessa "excursão" era o antigo Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e actual Deputado Democrata, Panich (na foto acima) , que Abhisit confessou ali estar como seu enviado (!), e que acabou, como os outros, nas mãos dos polícias e do sistema judicial cambojano. Foi hoje libertado sob fiança sem contudo poder sair do país.

Alguns cronistas dizem que tudo não passou de uma armadilha montada pelo próprio PAD, actualmente sem matéria para grandes manifestações (a última que fizeram contra a alteração da Constituição não reuniu mais do que 100 pessoas), outros dizem que se tratou de ingenuidade de Panich e de Abhisit, outros ainda defendem o ponto de vista do PAD de que o que estavam a pisar é território tailandês facto que não procede visto o líder dessa mesma Aliança ter sido preso brevemente no mesmo local e pelo mesmo facto há meses atrás.

De qualquer maneira o líder cambojano está a esfregar as mãos de contentamento com mais este tropeção da diplomacia tailandesa. Se comparararmos este caso com o do "espião tailandês" preso na sequência do incidente que levou à expulsão dos Embaixadores nos dois países e que rapidamente foi levado a tribunal, e perdoado vemos como as autoridades do país vizinho estão a usar este caso para marcar pontos a seu favor a para enfraquecer mais a posição do governo tailandês no diálogo bilateral. Abhisit com a sua confissão e a revelação pública de vídeos que mostram, já no território onde estavam as tropas cambojanas, Panich em conversa com o PM a dizer-lhe precisamente que já tinham atravessado a "linha fatal", vieram enfraquecer de tal modo a posição tailandesa que Hun Sen, o líder do Camboja vai aproveitando para avanços no seu tabuleiro deste intricado xadrez que são as relações entre os dois países.

Como sempre quem saiu a terreiro a tentar acalmar as águas foi o chefe do exército, Prayuth, facto normal pois, mesmo nos tempos mais difíceis da tensão nas fronteiras, os militares dos dois países sempre mantiveram uma linha de comunicação aberta.

Entretanto a Aliança dos Patriotas (?) vai manifestar-se a pedir a demissão de Abhisit, por este "não defender os presos" e ameaça bloquear a fronteira principal com o Camboja em Aranyaprathet-Poipet. Sabendo-se como já conseguiram bloquear os aeroportos da capital durante uma semana talvez seja capazes de levar por diante o seu intento que entretanto já conta com a oposição dos locais pois esta fronteira é um ponto de extrema importância para o abastecimento dos muitos mercados de roupa da capital. Diariamente largos milhares de pessoas cruzam aquele ponto fronteiriço ou para ir jogar ao casino existente em terra de ninguém, ou para ir comprar produtos que na sua maioria são vendidos nos mercados em Bangkok.

Do lado vermelho a UDD reapareceu em Bangkok no mesmo local que ocuparam em Abril/Maio e essa manifestação para espanto de muitos (talvez mesmo dos organizadores) foi apoiada por cerca de 30.000 pessoas, segundo os números da polícia. Refira-se que há números quer maiores quer menores de outras fontes. Tudo foi calmo e prometeram regressar no dia 23. Uma nota desta manifestação foi o regresso de Thaksin à ribalta, de onde se havia afastado fazia tempo, falando para a multidão através de uma ligação de vídeo.

Assim vai a vida política tailandesa.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cá como Lá

Esta poderia ser a "fotografia" do parlamento de São Bento só com a diferença de que não há dinheiro para tamanha estarvagância que é o aumento de salário.

Os aumentos dos políticos na Tailândia continua a ser a nota dominante do dia e as setas estão apontadas para os Deputados.

De acordo com os dados vindos a público nenhum dos 630 membros do Parlamento (480 Deputados e 150 Senadores) esteve presente em todas as votações durante a última sessão parlamentar.

Houve 39 que "heroicamente" só falharam uma votação mas há um dos Deputados, e ainda por cima dos mais antigos políticos no hemiciclo, Snoh Thienthong do partido Pracharaj, que nunca votou (não é referido se por acaso foi alguma vez ao Parlamento).

Por outro lado há um deputado, Kiat-udom Menasawat do partido Pheu Thai, que custou ao estado 627,565 baht (15,700 euros) em viagens ao seu círculo eleitoral pois viajou de Bangkok para Udon Thani, 230 vezes o que faz que, por certo, esteve por certo mais tempo num avião do que ou no parlamento ou junto dos eleitores.

Ontem mesmo foi lançado uma página no Facebook intitulada " Cremos que existem mais de um milhão de tailandeses contra os aumentos" e o primeiro dia foi um sucesso em adesões.

Assim vai o país tal qual outros que bem conhecemos.

A Generosidade de Abhisit

Como há dias referi o governo iniciou, mesmo em tempo para ter efeito nas eleições do passado Domingo, uma nova campanha de medidas populistas com anúncio de aumentos para funcionários públicos, funcionários autárquicos e aumento generalizado do salário mínimo, bem como o congelamento dos preços de alguns bens nomeadamente o gasóleo.

O salário mínimo acabou por ver o aumento substancialmente reduzido por pressão das confederações patronais, ficando-se por valores entre os 3 e os 7% mas o grande presente de Natal destas medidas acabou por cair no sapatinho do governo que com efeito imediato (reinicio da sessão parlamentar em Janeiro) verá os detentores de cargos políticos receberem aumentos entre 5 e 14,9% sendo que todos os Deputados receberão mais 14,7% e os Senadores 14,9%. Os mais baixos (5%) vão para os membros do governo.

Recorde-se que os funcionários públicos só verão a cor do "novo dinheiro" (aumento) em Abril de 2011.

A medida anunciada com grande realce em todas as primeiras páginas dos jornais caiu muito mal na generalidade do público mas é um claro sinal do conforto sentido pelo poder na actual situação após as decisões de arquivar os processos contra o partido Democrata "por erros processuais" (nunca se vai saber se violaram ou não a lei desta forma), a manutenção das vozes da oposição caladas e a "compra generalizada de votos" que ocorreu no passado Domingo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Eleições de Domingo

Decorreram ontem as eleições destinadas a preencher os lugares de Deputados que perderam os seus mandados por irregularidades visto serem detentores de acções em empresas estatais facto que é considerado estar em conflito com a sua posição de "representantes do povo".

Passado o pormenor de que dois dos Deputados banidos recuperaram os seus lugares, como se bastasse reparar a forma da falta sem atentar à conduta, analisemos o que ontem se passou.

A votação não trouxe nenhuma alteração numérica nos lugares ocupados. Nem a coligação no poder nem a oposição ganharam nenhum lugar mantendo-se assim o equilíbrio existente.

A corridas ás urnas foi bastante fraca, abaixo dos 40% em alguns círculos, o que, embora bastante abaixo da expectativa de 50-55%, pode ser considerado aceitável visto serem eleições sem uma incidência nacional e portanto com uma campanha muito mais reduzida e por ocorreram durante um fim de semana prolongado de três dias, devido ao feriado do Dia da Constituição, o que foi propício para uma escapada para fora dos círculos de voto. Outra questão importante foi o facto de as eleições terem decorrido com total acalmia e sem relatos de nenhum incidente.

Muitos analistas consideram que pouco se pode extrair, em termos de análise política, das eleições do passado fim-de-semana contudo há vários pontos a merecerem por certo atenção pelos partidos em compita.

Primeiro facto é a dificuldade que o Pheu Thai está a ter para apresentar candidatos capazes de atraírem os eleitores. As suas caras mais conhecidas ou estão banidas da política, ou presas ou afastadas da linha da frente ficando o encargo da disputa dos lugares para segundos planos. Segundo, é bem visível a dificuldade que o partido tem com a falta de liderança e o peso que o facto de o comando estar fora, Thaksin, tem sobre todo o conjunto do partido, dos candidatos e dos eleitores. Terceiro, o nome do próprio Thaksin parece não ser já um elemento que "arraste multidões". Por final, de lado contrário, o partido da oposição enfrenta uma máquina bem recheada de meios e dinheiro provenientes dos meios governamentais e públicos, difícil de combater. Mesmo em Khon Kaen, onde a vitória do Pheu Thai foi significativa, os meios e a visibilidade da campanha do candidato Democrata eram incomparavelmente maiores.

Do lado da coligação no poder o partido Bhum Jai Thai controla com perfeição a máquina eleitoral e autárquica facto que consegue através da distribuição clínica das verbas e dos lugares ao seu dispor. Exemplo disso foi o aumento dos executivos autárquicos em 100% anunciado na semana passada numa clara intervenção no processo eleitoral. Note-se que se esse facto se passasse com o partido da oposição seria por certo caso para um processo de dissolução do partido.

A conjunção de esforços de todos os partidos da coligação no poder criou algumas expectativas e faz acreditar que a estratégia estabelecida pode funcionar para as futuras eleições, Em Khon Kaen o candidato do partido Democrata, se bem que perdendo para ao Pheu Thai por uma grande margem (143.000 vs 36.000) viu a sua votação aumentar mais de 6 vezes pois, o mesmo candidato nas eleições anteriores tinha tido 6.000 votos. Note-se que desta vez não teve de enfrentar os anteriores concorrentes e actuais parceiros na coligação que decidiram não se apresentar.

Nas eleições de 2 de Abril de 2006 Thaksin foi acusado de conluio eleitoral por ter suportado partidos menores para concorrerem contra o seu, quando os Democratas decidiram boicotar as eleições. Este facto acabou por ser decisivo para a dissolução do partido (Thai Rak Thai) e retirada dos direitos políticos a 111 executivos do partido. Tempos distintos.

Como inicialmente referi o balanço numérico não mudou e mesmo a oposição pode ver alguns ganhos quer em Nakhom Ratchasima quer em Ayudhaya mas o facto é que o clima geral no seio da coligação no poder é de que a estratégia que estão a implementar está a produzir os seus frutos e futuras eleições podem ser vistas de uma forma mais optimista para o lado de Abihisit que poderá vir a avançar com a dissolução do Parlamento por alturas de Abril – Maio de 2011.

Há muito trabalho em cima da mesa da oposição se querem retomar o poder e penso que os seus dirigentes a cada dia estão disso mais conscientes.

Entretanto a UDD, o movimento vermelho, também cada vez mais independente do partido seu aliado, levou a cabo durante três dias em Bangkok uma manifestação, com bastante sucesso um numero de participantes, que decorreu sem incidentes apesar de ser esta a primeira vez que acontece uma manifestação que se arraste por três dias desde os tristes incidentes de Maio passado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Chófer e Trintanário(s)

Já mais de uma vez me referi ao "poder" dos desenhos caricaturais e o publicado ontem no The Nation é extremamente ilustrativo sobre quem está na condução.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Populismo?

O governo de Abhisit Vejajjiva na sua reunião de ontem mostrou ao país que não só está preocupado e empenhado nas eleições intercalares do próximo Domingo como está a pensar já nas eleições que irá convocar no próximo ano se tudo correr de feição neste dia 12.

Assim, o Concelho decidiu o seguinte:

- Uma linha de crédito individual até 5 milhões de baht para taxistas e moto-taxistas (eternos aliados dos vermelhos) para "melhorar as suas condições de vida" segundo se lê na decisão;

- Manutenção do preço do diesel (artificial) abaixo da barreira psicológica dos 30 baht/litro;

- Inclusão dos 24 milhões de trabalhadores com contractos de trabalho temporário no sistema de segurança social contribuindo os trabalhadores com 100 baht/mês e o governo com o restante;

- Aumento do salário mínimo em 11 baht dia, já a partir deste dia 9. A Federação da Indústria já afirmou que esta medida terá como consequência o aumento dos custos de produção em 5%;

- O Ministério do Comércio foi entrtetanto encarregado de assegurar que o preço dos bens essenciais de alimentação não sofre aumentos;

Numa decisão separada, o Ministro do Interior, afirmando não necessitar de alterar o seu orçamento visto ter verbas acessíveis de outras rubricas orçamentais e portanto ter autonomia para tal, decidiu aumentar os executivos das autarquias em 100% (não é engano é 100 – cem -).

Saúdam-se todas estas medidas que ajudam o povo mas fica sempre, para além da certeza do verdadeiro objectivo, em nada escondido, uma pergunta!

Porque é que quando estava na oposição o partido Democrata criticou fortemente medidas exactamente iguais (o apoio aos taxistas foi mesmo menor - 1 milhão) tomadas pelo partido do poder na altura, o partido de Thaksin?

Quando será que, em todo o mundo, já que isto não se passa só na Tailândia, os partidos políticos e os seus líderes, irão ser chamados a assumir a responsabilidade pelas suas palavras e afirmações. Qual será o sistema político que permitirá àqueles que votam terem no poder gente de uma só palavra e interessada em servir os interesses daqueles que no fim pagam os seus salários com o seu trabalho e os seus impostos?

Repito isto acontece quer aqui quer em Portugal quer em qualquer outro país do Mundo tenha ele o regime político que tiver.

Entretanto o Programme for International Students Assessment (PISA) 2009 da OCDE acabou de vir a lume e traz muito más notícias para o país. Num universo estudado de 65 países a Tailândia queda-se por um muito modesto 50 º lugar com todas as notas significativamente abaixo da média registada (422 vs 492 em leitura, 422 vs 496 em ciências e 419 vs 496 em matemática básica).

Há muito para reflectir, muito para trabalhar e muito para mudar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

83 Aniversário do Rei Rama IX

A vida corre calma em Bangkok e as comemorações do 83 aniversário do Rei Rama IX decorreram sem incidentes e com a pompa habitual.

O reverendo monarca deixou uma vez mais o hospital onde se encontra desde Setembro de 2009, a segunda vez num muito curto espaço de tempo, para se dirigir ao Palácio adjacente ao Templo do Buda Esmeralda onde na sala do trono conhecida pelo nome de Amarin Winitchai, recebeu os dignitários e para eles, e para todo o povo através da Televisão, falou durante cerca de 7 minutos deixando uma mensagem simbólica sobre o dever dos tailandeses pensarem nos outros e praticarem o bem colectivo.

Numa altura em que as divisões existentes na sociedade continuam fortes e bem visíveis a mensagem foi bem escolhida já que nenhum grupo, nenhuma cor ou sentido político se pode dela apropriar pois ela é dirigida a todos os tailandeses de todos os cantos do país e sectores da sociedade.

Do ponto de visto da especulação política, que sempre é feita nestes momentos, a aparição do Rei um público foi comparada com a última que aconteceu ao mesmo local, aquando da celebração dos 60 anos do seu casamento. Os principais comentários aparecem relacionados com a forma como a televisão cobriu o acontecimento. Na anterior visita a Rainha era constantemente foco de "clos-ups" e as câmaras focaram os intervenientes principais. Chai Chidchob, o presidente do Parlamento, Abhisit, o PM e o general Anupong, à altura o Chefe do Estado-maior do exército, isto para alem dos outros membros da família real presentes.

Nesta última saída do Rei, em tudo semelhante com a anterior, a Rainha nunca foi focada, aliás foi sempre vista num muito discreto plano, embora se pudesse observar estar mais magra e eventualmente fatigada, (note-se que este é a primeira aparição pública da Rainha desde que saiu do hospital de Chulalongkorn, faz mais de dois meses). Quem mereceu honras de focagens mais de perto foi o Príncipe herdeiro, Chai, Abhisit mas desta vez nem uma imagem do novo, todo-poderoso CEMA, Prayuth Chan-ocha.

Nas ruas acotovelavam-se muitas pessoas ávidas de verem "o seu Rei" e de o saudarem com o habitual "longa vida Majestade". O dia terminou com uma grande manifestação promovida pelo Governo, onde estavam todos os dignitários e funcionários superiores, cerimónia que aconteceu ás 7:29 da noite, uma hora considerada auspiciosa para o Monarca. Nessa festa foram lançados 84.000 balões, um número impressionante e relativo ao início dos 84 anos do Rei altura em que completa o 7º ciclo da sua longa vida.

Até ao final da semana haverá um pouco por todo o país celebrações relativas à ocasião mas já nenhuma mais contará com a presença do Monarca que, por exemplo hoje, se faz representar na recepção ao corpo diplomático pelo herdeiro o Príncipe Vajiralongkorn.

Dois outros eventos agitam também a capital.

As próximas eleições intercalares no próximo Domingo onde a coligação no poder testa a força actual do partido da oposição e a esperada visita de Thaksin Shinawatra, na próxima semana e a convite do Senado americano, a Washington DC, para testemunhar num painel de Direitos Humanos acerca dos acontecimentos recentes na Tailândia. O Ministro Kasit já começou de novo a agitar a questão da extradição do fugitivo ex PM dizendo que o acusador público deveria actuar mas este já disse que isso não era um assunto deles, como se solicitar a extradição de uma pessoa não tenha de ser devido àquele estar acusado de um crime que tal o justifique e portanto necessite de um mandado internacional de captura para tal.

O facto é que a Tailândia nunca solicitou à Interpol a captura do condenado Thaksin, apesar de tal facto ter sido anunciado vezes sem contas pelo MNE Kasit, e será extremamente improvável que o consigam fazer a tempo desta vez, isto para não se referir o mérito ou não dum eventual pedido.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ernâni Lopes

Morreu Ernâni Lopes um dos mais importantes economistas que "virou" político em Portugal.

Tive o raro privilégio de conhecer Ernâni quer como "patrão" aquando da sua Presidência do Conselho de Administração da Portugal Telecom quer pessoalmente, em convívio de amigos, nas muitas reuniões das Soroptimist em que ambos acompanhava-mos as nossas mulheres e também no Fórum dos Administradores de Empresas durante os meus muitos anos de Direcção.

Portugal muito deve a este homem. Lembro-me bem de ele me dizer que quando chegou ao Ministério das Finanças e "abriu o cofre" viu que estava vazio. Foi a partir de aí que começou a preparação para a adesão de Portugal à União Europeia baseada na consciência de que se torna imperioso cumprir regras no que respeita as Finanças públicas. Pena que por vezes nos esqueçamos dos ensinamentos deste grande professor e português e à frente dos deveres para com o país sejam postos os interesses dos políticos.

Ernâni nunca deixou de ser rigoroso e a empresa que criou e dirigia, a SaeR, era disso um exemplo bem vivo.

Foi uma luta longa, muito longa, com altos e baixos e sempre acompanhado pela Isabel. Infelizmente uma luta que veio a perder tal como nós perdemos esse grande, verdadeiro e devotado português. Era um homem de família e de fé.

Para a família, em especial a Isabel, um muito obrigado por tudo aquilo que ele fez e tudo que fizeram para o ajudar nessa empresa

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Saga Continua

A questão da sentença do Tribunal Constitucional está para ficar e agora fala-se que a sentença sobre o caso ainda em apreciação, a doação irregular de 258 milhões de baht, poderá ser acelerada para meados do presente mês.

O próprio PM disse ontem que a sentença podia ser fácil de entender mas que o partido Democrata tinha muito trabalho pele frente para conseguir explicar ao povo a sua essência.

De todos os cantos soam vozes falando da estranha forma como acabou por ser decidido o caso e o mais espantoso é que aqueles que estão neste momento a ter uma reacção mais comedida são exactamente os oponentes do partido anteontem "absolvido".

O Pheu Thai somente disse estranhar o facto de não ter sido notado logo à partida que o processo tinha uma irregularidade processual e está a estudar a possibilidade de interpor uma acção de apreciação judicial da questão de fundo. Os Democratas violaram ou não a lei dos partidos políticos ao utilizarem os dinheiros provenientes do fundo eleitoral para um fim diferente daquele que a lei estipula?

A UDD pelo seu lado proibiu os seus membros de se manifestarem contra a decisão afirmando que tal facto será prejudicial para o futuro do movimento.

Aqueles que mais se manifestam contra a estranheza de decisão e pedem a demissão em bloco da Comissão Nacional de Eleições, como forma de mostrar o seu profundo desagrado, são os próximos do partido do poder e da sua base de apoio. O PAD aproveitando a onda veio ontem criticar fortemente o governo considerando-o o "mais corrupto na história do país".

Mas a nota mais espantosa que recebi (email que já reli várias vezes) veio de um Conselheiro do Presidente do partido Democrata, o próprio PM Abhisit, e professor de uma das mais prestigiadas Universidades da capital que num artigo escreve o seguinte:

a) Se a decisão é tomada na base do facto de que a queixa foi apresentada fora de prazo porque se perdeu tanto tempo e dinheiro arrastando o processo durante todo este tempo?

b) Se todos sabem contar correctamente de 1 a 15 (o prazo máximo para interpor a acção) porque é que a decisão do Tribunal não foi unânime mas sim por uma maioria de 4-2?

c) O sistema judicial é claramente o elo mais fraco do sistema democrático tailandês pois só mesmo o "peixe miúdo" é apanhado. Lembra no seu escrito, também, o caso do político Sanoh próximo de Thaksin mas agora coligado com o poder, que viu o caso contra ele sobre a apropriação ilegal dos terrenos onde está construído um dos mais elitistas campos de golfe perto da capital, prescrever pois "durante 20 anos não foi possível concluir a investigação"!

Citando um ex Diplomata tailandês, actualmente professor e investigador no Instituto de Estudos Asiáticos de Singapura, afirma que "as elites só acreditam no partido Democrata e que o mantêm no poder a qualquer custo, inclusive manchando a reputação dos Tribunais".

Esse iminente Professor termina o seu artigo afirmando que aqueles que acusam o país de ter uma política de dois pesos e duas medidas estão profundamente errados pois não são dois standards diferentes para o mesmo caso são 4 ou 5 os que existem, como afirma.
Também hoje num muito interessante artigo de opinião no jornal The Nation, Thulsathit Taptim, um feroz inimigo de Thaksin, lembra hoje o caso contra o então PM em que o mesmo Tribunal decidiu favoravelmente a Thaksin por 7 contra, 4 a favor e 4 abstenções (tendo as abstenções sido juntas com os votos a favor para adulterar a decisão) no caso em que o então PM era acusado de usar "cabeças de turcos" para esconder o facto de ser o proprietário do império de telecomunicações que sempre deteve.

Thulsatit compara os dois casos e afirma que nada se discute acerca de questões de direito ou de princípios mas de quando "será a vez do outro" facto que agora calhou aos Democratas. Afirma ainda que os Democratas, e Abhisit, não se podem queixar do fugitivo ex PM pois actuam como ele e que o partido de Thaksin, o Pheu Thai não se pode queixar de "double standards" pois estão na origem dessa prática corrente a dualidade de critérios.

Acaba o editor chefe do jornal dizendo aquilo que muitas vezes se diz: "Somos um povo que merece o sistema político que temos"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ecos de Hoje e o Futuro

O dia nasceu marcado pelos ecos da sentença do Tribunal Constitucional que evitou o julgamento do partido Democrata sobre o primeiro dos casos em que é acusado de uso irregular de dinheiros.

As manchetes dos jornais quer de língua inglesa quer de língua tailandesa exaltam fundamentalmente a questão porque é que se perdeu tanto tempo, e dinheiro, com um caso, que no entender do Tribunal Constitucional, não deveria sequer ter visto a luz do dia. Porque é que a primeira instância não deu logo pelo erro processual? Como é que Apichart Sukkhagganond, o presidente da Comissão Nacional de Eleições, nomeado para o cargo no dia a seguir ao golpe de Estado de 2006 e um Juiz de longo curriculum cometeu um erro grosseiro e mesmo assim nenhum dos seus colegas da CNE (esta votou por unanimidade acusar o partido Democrata) nem os juízes de primeira instância deu pelo lapso?

São estes os principais títulos que se podem ler hoje e os artigos de opinião mais relevantes falam de "vitória técnica" dos Democratas. No fim acabou por não se saber se o partido cometeu o crime de "lavagem de dinheiro" (do qual vinha acusado) visto não ter havido nenhuma apreciação sobre o mérito da acusação.

Abhisit ganhou espaço para respirar e pode por certo encarar o próximo caso contra o seu partido (doação de 258 milhões de bath valor muito superior ao permitido pela lei dos partidos) de que está igualmente acusado. De qualquer maneira este caso nunca irá a julgamento antes do segundo semestre do ano que vem embora se refira ás eleições de 2007.

A agenda política de Abhisit vai agora concentrar-se, por certo, em três pontos: as próximas eleições intercalares de 12 de Dezembro, a alteração da Constituição cuja segunda aprovação pelo Parlamento terá lugar entre Janeiro/Fevereiro e, se tudo correr de feição a convocação de eleições para uma data que andará por volta do final do primeiro semestre de 2011.

As eleições de 12 de Dezembro serão um teste á capacidade do partido da oposição "thaksinista" (note-se que o ex PM visitará esta semana o Vietname e o Laos sem que a Tailândia consiga interferir contra tal junto dos seus parceiros da ASEAN) especialmente em dois círculos no nordeste do país – Khon Kaen e Korat. Nos outros círculos será normal que a vitória pertença quer aos Democratas quer a um dos parceiros da coligação mas naquelas duas províncias a coligação decidiu só apresentar um candidato contra o candidato do Pheu Thai no sentido de testar a capacidade de derrotar o partido vermelho. Ao contrário das eleições de 2007 onde o Pheu Thai enfrentou um conjunto de partidos irá agora ser testado contra um só candidato apoiado por todos os partidos (6) da coligação no poder e desse modo terá de redobrar os esforços para manter as posições anteriores. Se não o conseguir isso será um sinal de que a coligação, bem unida, poderá arrebatar aos "thaksinistas" um número significativo de Deputados na zona de influência daqueles.

Aceita-se assim que se essas eleições correrem de forma positiva para a coligação no poder logo que aprovadas pelo Parlamento as duas alterações constitucionais, facto sempre lembrado por Abhisit como pré condição à realização de eleições, o PM possa sentir-se confiante e convocar eleições para os finais do primeiro semestre do próximo ano.

Todo este mapa tem contudo alguns obstáculos para além daqueles já mencionados.

Ontem o Vice-primeiro-ministro Suthep saiu a terreiro atacando fortemente o movimento amarelo do PAD comparando Sondhi L., o seu líder, com Thaksin dizendo que eles são iguais (dois demónios foi a expressão utilizada) e que o único interesse que manifestam é usar os seus meios de comunicação social em proveito próprio e contra os interesses do país. Parece serem essas afirmações um prenúncio de que o processo contra aos "amarelos" devido à ocupação dos aeroportos irá para a frente mas o facto é que já criou uma onda de protesto vindo das hostes do PAD que anunciou uma manifestação de força para o próximo dia 11. O movimento amarelo que foi uma das alavancas para colocar no poder o governo do PM Abhisit vê-se agora criticado duramente por uma dos pilares da coligação e atirado para a mesma prateleira dos seus inimigos os "vermelhos".

Do lado deste últimos há também algumas questões por resolver. Primeiro as centenas de militantes que se encontra em prisão sem nenhuma acusação. Mesmo tendo em conta a ainda manutenção do Estado de Emergência, tal facto constitui já uma violação da lei. Segundo, a sentença criou ainda mais animosidade junto das hostes vermelhas e ontem mesmo houve manifestações na província. A UDD anunciou igualmente uma grande manifestação par o próximo dia 10, um dia antes da manifestação do PAD.

Quer a sentença de ontem quer as palavras de Suthep aumentaram a profunda divisão existente na sociedade e hoje um movimento da sociedade civil, o Conselho do Povo, dizia que todos os partidos deviam ser dissolvidos pois eles não representam os interesses do povo mas unicamente os interesses da classe política sediada em Bangkok. Há uma visível separação entre os políticos envolvidos nos jogos de poder na capital e os eleitores a braços com graves problemas como ainda recentemente as cheias que não só mataram cerca de 300 pessoas como destruíram grande parte do labor das gentes do campo com a destruição das colheitas. A ajuda dada pelo Governo neste último caso foi um exemplo disso quando os distritos onde não vai haver eleições em Dezembro acabaram por "ser esquecidos" e nos outros os 5.000 bath que o Governo atribuiu a cada família foi distribuído pelos candidatos dos partidos da coligação como de uma verdadeira campanha eleitoral se tratasse.

Este é por certo o maior desafio da Abhisit. Credibilizar as suas palavras com acções que não consegue assegurar pois acabam sempre por ser levadas a acabo pelos "controleiros" locais, fundamentalmente pertencentes aos seus parceiros de coligação, e servirem unicamente os seus objectivos de poder.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Julgamento!

A muito esperada sentença no caso que opunha a Comissão Nacional de Eleições contra o partido no poder acaba de ser tomada.

O caso arrastava-se há cerca de dois anos e vinha atraindo as atenções dos actores políticos do país.

Em todos os anteriores casos, 10 no total, em que a dita Comissão propôs que o Tribunal Constitucional julgasse um partido político por irregularidades cometidas quer em campanha eleitoral quer na utilização de fundos públicos ou doações irregulares, todos sem excepção acabaram com o partido sendo dissolvido e os seus executivos afastados da política por um período de 5 anos.

Os casos mais relevantes foram os dos dois partidos, TRT de Thaksin Shinawatra e PPP, o seu sucessor, tendo este levado á queda do governo de Somchai Wongsawat, que causaram fortes danos na actual oposição visto 220 dos seus mais importantes políticos estarem sem direitos políticos até, uns Maio de 2012 e outros Dezembro de 2013.

A perspectiva era deste modo alta e faziam-se as mais variadas apostas e conjecturas sobre o que iria acontecer.

Seria dissolvido o partido Democrata? Seria Abhisit banido de toda a actividade política pelo prazo de 5 anos? Seria o partido de alguma forma penalizado mas salvos os seus executivos de modo a que Abhisit pudesse continuar a governar o país? Seria que ia haver um novo golpe de estado, como Abhisit referiu por duas vezes na semana passada e ainda hoje o General Prayuth desmentiu?

Este verdadeiro "totobola" dominou os últimos dias na perspectiva do que poderia acontecer.

Caso Abhisit caísse quem seria o PM Ministro interino? Hoje os jornais falavam do veterano Sanan do partido Chart Thai Pattana, mas também se falou do Ministro da Defesa Prawit homem que seria sempre bem visto pelos olhos dos militares.

A expectativa era assim grande. A leitura da sentença começou às 14:00 e a televisão que eu estava a seguir, em directo do tribunal, avançava que a leitura da sentença poderia durar até 6 horas visto os juízes por certo se concentrarem primeiro na explicação dos preceitos legais e processuais deste longo e volumoso processo.

Enganaram-se todos e a montanha pariu um rato.

A sentença foi rápida e simples.

Ao fim destes quase dois anos os juízes do Tribunal Constitucional descobriram que o processo tinha sido iniciado irregularmente por ter sido excedido o prazo para interpor a acção e assim o caso simplesmente não foi aceite.

Acabou por não ser emitida nenhuma sentença sobre o mérito do pedido (violação da lei dos partidos através da utilização irregular de fundos) e foi simplesmente apreciada a questão processual.

Será que se poderia ter feito tal dois anos atrás evitando assim a sensação, agravada, de que existem dois pesos e duas medidas no sistema judicial tailandês?